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ESTADO DE SANTA CATARINA 
SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO 
COORDENADORIA REGIONAL DE EDUCAÇÃO- SEARA 
 EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS DE IPUMIRIM-SC. 
PROFESSORES: ALISON BIANCHESSI, FERNANDO HERMANN, FLÁVIO LAND, 
NELISE BALLERINI, OBERDAN MOSCON E SILVANA BRUNETTO. CRISTINA 
APARECIDA GABRIELA DE OLIVEIRA – UD ARABUTÃ. 
Currículo, Saberes Populares e Transformação Social na EJA: Desafios e 
Possibilidades 
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) ocupa um lugar estratégico na promoção 
da justiça social, ao oferecer oportunidades educacionais a sujeitos historicamente 
excluídos do sistema formal de ensino. No entanto, a construção de um currículo 
integrado, inclusivo e transformador nessa modalidade enfrenta diversos desafios, 
exigindo uma revisão profunda de concepções pedagógicas, práticas institucionais e 
políticas públicas. Para que a EJA seja efetivamente relevante, é imprescindível valorizar 
os saberes populares, as experiências de vida dos educandos e a cultura dos territórios 
onde estão inseridos. 
A trajetória histórica da EJA no Brasil é marcada por exclusões, descontinuidades e 
ausência de políticas estruturantes. Durante décadas, essa modalidade foi tratada como 
compensatória ou emergencial, voltada apenas para corrigir o “atraso” escolar de adultos, 
sem considerar suas especificidades culturais, sociais e cognitivas. Esse legado negativo 
se reflete ainda hoje em práticas pedagógicas descontextualizadas, currículos 
engessados e baixa valorização institucional da EJA. A descontinuidade das políticas 
públicas, a escassez de financiamento e a falta de formação específica para os 
educadores agravam esse cenário, limitando a potência transformadora da EJA. 
Por outro lado, a própria história da EJA revela também legados positivos. 
Movimentos sociais, comunidades e educadores engajados, inspirados especialmente na 
pedagogia de Paulo Freire, construíram práticas educativas baseadas no diálogo, na 
problematização da realidade e na valorização dos saberes populares. Esses legados 
apontam para uma concepção de currículo que vá além da transmissão de conteúdos 
escolares, reconhecendo os educandos como sujeitos históricos, com saberes produzidos 
em seus territórios, no trabalho, na vida cotidiana e nas lutas sociais. 
Integrar o conhecimento acadêmico ao saber prático dos estudantes é um dos 
caminhos centrais para construir um currículo significativo. A utilização de metodologias 
como temas geradores, projetos interdisciplinares, rodas de conversa e análise crítica de 
problemas sociais permite a articulação entre teoria e prática, entre o local e o global. 
Nesse processo, o papel da cultura popular é fundamental: ela representa a identidade 
coletiva dos educandos e deve ser incorporada como fonte legítima de conhecimento, 
contribuindo para a valorização de suas histórias, linguagens, crenças, expressões 
artísticas e modos de vida. 
A construção de um currículo integrado também exige práticas avaliativas mais 
democráticas, que respeitem os tempos e processos de aprendizagem dos estudantes e 
valorizem tanto o domínio de conteúdos quanto a transformação pessoal e social que a 
educação promove. Para isso, é essencial que os docentes sejam preparados para atuar 
com sensibilidade e escuta, reconhecendo as experiências dos alunos como ponto de 
partida para o trabalho pedagógico. A ausência de formação específica e de apoio 
institucional para os educadores da EJA é um dos entraves mais urgentes a serem 
enfrentados. 
Além das questões pedagógicas, a efetivação de um currículo transformador na 
EJA passa pela superação de uma visão tecnicista e bancária da educação. A proposta 
freiriana de uma pedagogia do diálogo, da consciência crítica e da emancipação ainda se 
mostra atual e necessária. Ao permitir que os educandos reflitam sobre sua realidade, 
questionem as estruturas sociais e se reconheçam como sujeitos de direitos, a EJA 
cumpre seu papel não apenas de ensinar a ler e escrever, mas de formar cidadãos 
atuantes, capazes de transformar suas próprias vidas e o meio em que vivem. 
Em síntese, construir uma EJA transformadora requer enfrentar desafios históricos 
e estruturais, romper com práticas excludentes e investir na valorização dos sujeitos e de 
seus saberes. A partir do reconhecimento da cultura popular, da escuta ativa, da 
formação docente crítica e de metodologias participativas, torna-se possível elaborar um 
currículo que inclua, ensine e transforme. Trata-se, em última instância, de afirmar a EJA 
como um direito e como um espaço de reinvenção da educação, pautado pela dignidade, 
pela equidade e pelo compromisso com a transformação social.

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