Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

A FORMAÇÃO CONTINUADA A PARTIR DA EXTENSÃO
UNIVERSITÁRIA: UMA ANÁLISE DO PROGRAMA E-TEIA 
 JUIZ DE FORA/MG JUNHO/2019 
 LIAMARA SCORTEGAGNA - UFJF - lia.scortegagna@gmail.com 
 FABIANO RODRIGUES DE CARVALHO - UFJF - fabiano@ice.ufjf.br 
 JOSIANE SILVA - UFJF - josiane@ice.ufjf.br 
 PRISCILA RODRIGUES DE OLIVEIRA - UFJF - prijf05@gmail.com 
 LUCYENNE CHRISTINA OLETO VIANA FARNEZI - UFJF - lucyenneviana@gmail.com 
 Tipo: Relato de Experiência Inovadora (EI) 
 Categoria: Estratégias e Políticas 
 Setor Educacional: EDUCAÇÃO SUPERIOR 
 RESUMO 
 ESTE ARTIGO APRESENTA UMA PESQUISA DESENVOLVIDA A PARTIR DO PROGRAMA DE
EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA “E-TEIA: TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO NA
EDUCAÇÃO: INOVAÇÃO NA SALA DE AULA”. O PROGRAMA É DESENVOLVIDO POR ALUNOS
BOLSISTAS DO CURSO DE LICENCIATURA EM COMPUTAÇÃO (LICOMP) NA MODALIDADE DE
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA (EAD) NOS POLOS DE APOIO PRESENCIAIS, ACOMPANHADOS POR
UMA EQUIPE DE PROFESSORES DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA (UFJF) E, TEM
COMO OBJETIVO, AMPLIAR A FORMAÇÃO DOS ALUNOS DO CURSO, INSERINDO-OS NO
COTIDIANO DAS ESCOLAS DA REDE PÚBLICA COM O INTUITO DE CAPACITAR E INFORMAR
OS PROFESSORES NO USO DAS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO (TICS) NA
SALA DE AULA. A METODOLOGIA UTILIZADA PARA O DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA FOI A
APLICAÇÃO DE UM QUESTIONÁRIO INICIAL COM O INTUITO DE CONHECER A REALIDADE DOS
PROFESSORES SOBRE O USO DAS TICS NA SALA DE AULA, SEGUIDO DE PLANEJAMENTO E
OFERTA DE OFICINAS E A APLICAÇÃO DE MAIS QUESTIONÁRIO PARA A OBSERVAÇÃO DAS
PERCEPÇÕES E POSSÍVEIS MUDANÇAS DE COMPORTAMENTO DOS PROFESSORES QUANTO
AO USO DAS TICS. A PESQUISA APRESENTOU RESULTADOS POSITIVOS FRENTE À NOVA
REALIDADE TECNOLÓGICA QUE AS ESCOLAS ENCONTRAM-SE E OS PROFESSORES
APRESENTARAM-SE MAIS APTOS A PONDERAR TODOS OS ASPECTOS PEDAGÓGICOS E
TRAÇAR ESTRATÉGIAS PARA PROPOR MUDANÇAS NA ABORDAGEM DOS CONTEÚDOS
PEDAGÓGICOS. AINDA, ALÉM DO ATENDIMENTO DIRETO A PROFESSORES, TIVEMOS A
INTEGRAÇÃO DOS ALUNOS DA LICOMP COM AS COMUNIDADES EM QUE RESIDEM, BEM
COMO A EFETIVAÇÃO DO CONHECIMENTO CONSTRUÍDO A PARTIR DAS DISCIPLINAS DO
CURRÍCULO DO CURSO, APLICADO NA PRÁTICA QUANDO DA FORMAÇÃO CONTINUADA DOS
PROFESSORES A PARTIR DO PROGRAMA DE EXTENSÃO E-TEIA. 
 Palavras-chave: TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO. EXTENSÃO
UNIVERSITÁRIA. LICENCIATURA EM COMPUTAÇÃO. EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA. E-TEIA. 
1. Introdução
Nos últimos tempos, muitos estudos que versam sobre o desenvolvimento de
habilidades práticas ligadas ao conteúdo acadêmico têm se voltado para compreender a
importância da integração da tríade ensino, pesquisa e extensão e como esse tópico
representa hoje um dos maiores desafios das universidades brasileiras.
Desse modo a discussão sobre tal tema assume papel de destaque. Se por um lado a
pesquisa e o ensino têm sido alvo de discussões que originaram elaborados sistemas de
avaliação da produção científica e da qualidade dos cursos, a extensão universitária, por
outro lado, não recebeu a mesma ênfase, nem sofreu as transformações necessárias
em ritmo e intensidade pertinentes para acompanhar a evolução do ensino superior.
A partir dessa constatação, ressalta-se que é de extrema importância compreender que
a formação do aluno vai além da aquisição de conhecimentos técnico-científicos, até
porque esses se esvaziam quando não integrados à realidade e a prática. Para uma
abordagem inovadora, a aprendizagem deve ir além da aplicação imediata,
impulsionando o sujeito a criar e responder a desafios, a ser capaz de gerar tecnologias
e de manter a habilidade de aprender e recriar permanentemente, ou seja, a graduação
deve se transformar no locus de construção/produção do conhecimento, em que o aluno
atue como sujeito da aprendizagem (BRASIL, 2001).
Segundo Rodrigues (2015), o Fórum de Pró-Reitores das Universidades Públicas
Brasileiras, defende que na formação do profissional é imprescindível a sua interação
com a sociedade para situá-lo historicamente, identificá-lo culturalmente e referenciar a
sua formação técnica à realidade e isso, é possível por meio da extensão.
A UFJF, através da Pró-Reitoria de Extensão é responsável por promover a articulação
entre o ensino e a pesquisa e as demandas da sociedade a partir da extensão, em um
exercício de contribuição mútua (PROEX, 2019) e, o programa de extensão e-TEIA faz
parte deste escopo.
O e-TEIA foi elaborado com o objetivo de ampliar a formação dos alunos do curso de
Licenciatura em Computação (LiComp), inserindo-os no cotidiano de escolas da rede
pública, com o intuito de capacitar os professores e futuros professores no uso das
Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) na sala de aula contribuindo assim,
para a melhoria do processo de ensino e aprendizagem nas escolas das cidades/polos
da UFJF, bem como melhorar a formação dos alunos do curso, através de uma proposta
integrada de ensino, pesquisa e extensão e ainda, aproximar os alunos da modalidade à
distância com a Instituição, promovendo a construção de um processo de identidade e
pertencimento (SCORTEGAGNA 2017).
O curso de Licenciatura em Computação é um dos sete cursos de graduação ofertados
na modalidade EAD pela UFJF, através do Programa Universidade Aberta do Brasil
(UAB), atuando em 13 polos de apoio presencial/cidades no estado de Minas Gerais e
possui 267 alunos matriculados.
2
A metodologia do programa e-TEIA é composta por seis fases: (1) a aplicação de uma
pesquisa de campo inicial com o intuito de conhecer a realidade dos professores sobre o
uso das TICs na sala de aula; (2) o planejamento das oficinas; (3) a pesquisa
bibliográfica sobre os conteúdos que serão trabalhados; (4) a efetivação da capacitação
dos professores nas escolas; (5) a aplicação de mais uma pesquisa de campo
observando as percepções e possíveis mudanças de comportamento e, (6) a análise
dos resultados.
A 1a edição do programa e-TEIA, ocorreu no período de 2015 a 2017 e, atendeu cerca
de 300 professores da rede pública de ensino nas cidades de Timóteo, Manhuaçú e Juiz
de Fora, contemplando 4 bolsistas/alunos do Curso LiComp. Foram desenvolvidas 3
oficinas com os seguintes temas: Games Educacionais, Redes Sociais na Educação e
Como utilizar as Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) na Educação em 9
escolas das cidades já mencionadas.
A 2a edição (2017/2018) atendeu mais de 500 professores da rede pública de ensino nas
cidades de Juiz de Fora, Ipatinga, Leopoldina, Sabará e Lagoa Dourada, contemplou 6
alunos do curso de licenciatura, sendo 5 bolsistas e um voluntário. Foram organizadas 5
oficinas com os seguintes temas: Plataforma Moodle/ Ferramentas e Recursos;
Videoaulas; Softwares educativos e suas possibilidades; Blog como recurso pedagógico
e Cinema, programas de TV e fotografia em mais de 20 escolas.
Atualmente, o programa e-TEIA já está na sua 3a edição e, neste trabalho,
especificamente vamos focar nos resultados da 2a edição do e-TEIA e a integração do
processo de ensino dos alunos da LiComp com a pesquisa, por meio da extensão.
2. A formação docente e a integração do ensino, pesquisa e extensão
A formação docente passou por um processo de reconfiguração ao longo dos últimos
anos, com mudanças na relação entre dois sujeitos, no processo de ensino e
aprendizagem, sem hierarquizações de conhecimentos.
Em vista disso, ao longo da história, se constituiu mais pela preocupação de atender às
necessidades apresentadas do que pela busca da qualidade no ensino. Assim, pode-se
afirmar que a função docente passa a ter significado e valorização diferenciados, a
depender do contexto e do momento, o que é confirmado por Costa (1995).
Professor e escola são duas categorias que se constituíram historicamente relacionadas uma à outra, vinculadas
conjuntamente aos processos e práticas sociais que produzem indivíduos partícipes das trajetórias histórico-
culturais das sociedades em que vivem. (COSTA, 1995, p.23).
Decorreque, compreender e demonstrar o sentido e significado no processo
educacional implica em analisar a maneira pela qual as mudanças sociais ocasionaram
transformações nessa atuação.
A função docente cresceu de maneira gradativa, passando assim a adquiriu
3
características específicas até chegar à profissionalização. Esse processo norteou a
preocupação com a docência, “entendida como uma atividade que atendia aos
interesses da sociedade e dos próprios professores”, conforme Nóvoa (2002, p.21).
Até a metade dos anos 70 do século XX, o modelo tecnicista era privilegiado na
Educação. Alguns estudiosos como Lück (2002), acreditam que para desempenhar um
trabalho pedagógico competente, o segredo estava no domínio de novas técnicas e
novas teorias, com uma concepção reformista do processo educacional. Esse modelo
de formação docente, que se baseia na individualização, acabava levando o professor a
ser um mero executor de métodos e a reproduzir modelos. Dentre as técnicas e teorias,
os autores destacam ainda,
[...] a criação de uma visão de conjunto associada a uma ação cooperativa; a promoção de um clima de confiança
e reciprocidade; a valorização da capacidade e aptidões dos participantes; associação e integração de esforços,
quebra de arestas e eliminação de divisões; o estabelecimento da demanda de trabalho centrado nas ideias e não
nos indivíduos; o desenvolvimento da prática da assunção de responsabilidades em conjunto. (LÜCK, 2002, p.90).
A profissionalização conquistou o reconhecimento da função enquanto ocupação
prioritária para uma atuação profissional. Nessa trajetória, define-se um corpo de
conhecimentos e técnicas para o desempenho da ação do professor, com o predomínio
da tendência para o estabelecimento dos saberes necessários, a partir da ação concreta
dos professores, com vistas à delimitação de um conjunto de normas, o que confere
prestígio social à função.
Nesse cenário, as exigências da profissionalização da categoria dos professores
passam a definir mais claramente suas funções e atribuições, no exercício do
magistério, que devem ser aprofundadas, em virtude das demandas postas pela
sociedade.
Paralelamente a estudos que valorizam a dimensão prática da formação docente,
considerando importantes reflexões feitas por Tardif, Lessard e Gauthier (2005), Gatti,
Barreto e André, (2011), Candau (1987) entre outros, destaca-se, no mesmo contexto de
época, estudos, sobre formação de professores que apontam a gênese dos saberes
docentes na vivência social, na vida escolar pregressa, na utilização de materiais
didáticos e também (mas não só) nos estudos acadêmicos. Neste contexto, relativiza-se
a importância do conhecimento teórico e prático, oriundo da universidade a partir de
programas de pesquisa com a iniciação científica, de estágios e de extensão, que
passam a figurar entre os outros saberes docentes que se originam de fontes diversas,
como o contexto social de vivência e atuação profissional após a formação inicial.
Do mesmo modo, as discussões acerca do papel do professor e sua relevância no
processo educativo coloca em questão a natureza da atividade docente, gerando com
isso a necessidade de estabelecimento de requisitos mínimos para o exercício da
profissão docente e, por consequência, o estabelecimento de requisitos mínimos para a
4
formação desses profissionais.
Atualmente, a sociedade vem passando por inúmeras mudanças no que diz respeito às
formas de organização, comunicação, produção, ensino e aprendizado, bem como no
que diz respeito às relações econômicas, sociais e políticas.
Nesse sentido, as instituições de ensino apresentam programas e projetos integrando
ensino, pesquisa e extensão tendo por objetivo a formação ampla do professor,
pautando-se na visão deste, como um sujeito ativo e interativo.
3. Apresentação e análise dos dados da 2a edição do e-TEIA
A segunda edição do programa e-TEIA, ocorreu no período de julho de 2017 a outubro
de 2018 e a atuação dos 5 alunos bolsistas e um voluntário ocorreu de forma remota, ou
seja, cada um na cidade origem, utilizando o AVA Moodle como ferramenta de
comunicação síncrona e assíncrona, bem como webconferências e grupos de discussão
em programas de chats.
Na primeira fase do programa foram definidos os objetivos da pesquisa e a partir deles,
foi desenvolvido e aplicado um questionário para diagnosticar a realidade, quanto ao uso
de TICs na sala de aula dividido em 5 grupos de questões, bem como a definição da
população a ser pesquisada. Cada bolsista selecionou escolas em suas cidades para a
aplicação do questionário, que ocorreu no formato impresso e especificamente na
cidade de Juiz de Fora, os questionários foram encaminhados para todas as escolas da
rede pública municipal de ensino, por meio do Google Form, ou seja, foram aplicados e
enviados um total de 2.382 questionários e tivemos 525 respostas, o que equivale a
22% de retorno.
A partir das respostas dos questionários observamos que dos 525 professores
participantes, 28,2% possuem somente graduação, 64,4% possuem especialização lato
sensu, 6,3% mestrado e 1,1% doutorado.
O resultado mostra que é alto o índice de professores da rede pública pesquisada que
ainda possuem somente o curso de graduação e, com isso, observa-se a necessidade
de formação continuada e permanente.
Quando do questionamento sobre a formação específica para o uso das TICs na
educação foram solicitadas duas informações (Grupo 1): (a) Se os professores cursaram
disciplinas voltadas para a utilização das TICs na educação durante sua formação
(graduação); (b) Se os professores fizeram algum curso específico para a utilização das
TICs na educação e, (c) Se apenas utilizaram recursos tecnológicos como alunos de
algum curso de formação ou aperfeiçoamento. Assim obtivemos o seguinte resultado:
48,4% cursaram alguma disciplina na graduação que auxiliou na utilização das TICs na
educação, 35,6% fizeram cursos específicos para a utilização das TICs e 49,9% apenas
utilizaram algum recurso tecnológico como aluno de algum curso de formação ou de
aperfeiçoamento.
5
Apesar dos professores responderem que já tiveram algum contato com as TICs na sua
formação inicial, o índice de professores que fizeram algum tipo de curso específico para
o uso das TICs em sala de aula aparece como menor e isso reforça a necessidade de
formação continuada, especificamente em tecnologias na educação, pois todos os
processos e tecnologias evoluem de forma muito rápida.
No Grupo 2 das questões, solicitamos aos professores informações sobre a utilização
das TICs no processo educacional. Iniciamos questionando se os Projetos Políticos
Pedagógicos (PPP) das escolas preveem o uso de tecnologias aliadas aos conteúdos
das disciplinas. Nesta questão, 69,1% dos respondentes afirmaram que sim, 14,6%
responderam que não e 26,3% dos professores afirmaram não conhecer os PPP das
escolas. Ao questionarmos sobre a utilização de algum recursos tecnológico em sala de
aula, 49,9% dos professores afirmaram que utilizam, 23,8% não utilizam e 26,3%,
afirmou que utilizam às vezes. Na questão seguinte, solicitamos aos professores que
apontassem quais tecnologias utilizam. Dos que afirmaram que utilizam, destacaram em
ordem crescente: Vídeo, Celular, E-mail, Editor de texto, Redes sociais, Softwares
educacionais, Softwares de edição de imagens, Softwares de apresentação,
Ferramentas do Google Drive e Planilha de cálculo. E para finalizar este grupo de
questões, perguntamos se os professores utilizam seus próprios recursos tecnológicos
na escola e destes, 58,1% responderam de forma afirmativa.
Na sequência (Grupo 3), questionamos se os professores tinham dificuldades em utilizar
as TICs no processo educacional na escola e ainda sobre quais eram os motivos da não
utilização destas. Para este grupo de questões obtivemos um índice de 50,1% de
respostas positivas, ou seja, que possuem dificuldades em utilizar os recursos
tecnológicos disponíveis e 49,9% não possuemdificuldade. Aprofundando os
questionamentos, buscamos conhecer quais os motivos da não utilização de tais
recursos, pois apenas apontar que existem dificuldades não era o suficiente para que
pudéssemos dar qualquer tipo de encaminhamento pós pesquisa. Neste grupo de
questões os professores poderiam apontar mais de um motivo elencado pelos
pesquisadores. Assim, em ordem de escolha pelos professores, apresentamos:
insegurança pela falta de prática, turmas grandes, falta de suporte técnico, condições
ruins do laboratório ou não existência do mesmo, alunos indisciplinados, entre outros.
A maioria dos professores pesquisados apontam que possuem dificuldades para utilizar
os recursos tecnológicos na sala de aula e os motivos são diversos. Sabemos que na
realidade de muitas escolas, seja em relação a estrutura física/tecnológica, bem como o
número de alunos em sala de aula, como apontados pelos pesquisados, podem
aumentar as dificuldades na utilização das TICs no processo educacional, porém com as
novas tecnologias existentes, é possível amenizar tais situações. Porém, os professores
apontaram que se sentem inseguros com a falta de prática na utilização das TICs e esta
situação só é possível superar com formação continuada e prática no dia a dia.
6
No Grupo 4 de questões, nosso interesse foi saber qual a opinião dos professores sobre
se as “TICs facilitam ou não o processo de ensino e aprendizagem”. Das respostas,
89,9% afirmam que o uso das TICs facilitam o processo de ensino e aprendizagem,
4,2% são contrários, apontando que não facilitam e 5,9% disseram que somente “as
vezes facilitam”.
Para finalizarmos a pesquisa da primeira fase do programa e-TEIA (2a edição),
solicitamos aos professores se estes tinham interesse em participar de oficinas sobre o
uso das TICs na sala de aula ofertadas pelo grupo de bolsistas. Das respostas,
obtivemos 95% como positivas e somente 5% não tem interesse. Ainda questionamos,
sobre quais temas eram de maior interesse e obtivemos as seguintes respostas, em
ordem de escolha: Cinema, programas de TV e fotografia; Softwares educativos e suas
possibilidades; Recursos digitais educacionais abertos; Dispositivos móveis na sala de
aula (celular); Blog como ferramenta educacional; Redes sociais na sala de aula:
Facebook; Sala de aula invertida; Linux; Moodle; Google Drive; Google Classrom e,
Vídeo na educação: produção e edição.
Com a Fase 1 do programa e-TEIA finalizado e os dados analisados, o grupo do
programa de extensão passou a executar as Fases 2 e 3 conjuntamente, ou seja, a
definição dos temas e cronograma (Fase 2) e pesquisa e organização das oficinas. A
partir dos dados do questionário inicial, entre outros dados, foi feito o levantamento dos
temas de interesse das oficinas. Após o filtro com os mais recorrentes, os temas das
formações foram: Blog como Recurso Pedagógico, Softwares Educativos e Recursos
Educacionais Abertos e para a ambientação na plataforma Moodle, foi proposta também
a oficina Ambientação da Plataforma Moodle/Ferramentas. Sob a orientação da
coordenação do projeto, os bolsistas elaboraram e configuraram a plataforma Moodle
com os conteúdos específicos de cada oficina.
Os conteúdos foram elaboradas a partir de referenciais de estudo do curso de
Licenciatura em Computação e que foram propostos pelo programa. Os cursistas
tiveram cerca de 30 dias para a realização. Os cursos foram divididos em módulos, com
atividades que deveriam ser elaboradas e enviadas através da plataforma e ao final,
aqueles participantes que obtivessem 75% de aproveitamento nas atividades
conjuntamente com acesso aos conteúdos, receberiam a certificação.
Para a efetivação das oficinas, o programa e-TEIA teve como parceira a Secretaria
Municipal de Educação do município de [oculto para avaliação] por meio do
Departamento de Planejamento Pedagógico e de Formação (DPPF) que atua com o
gerenciamento da plataforma Moodle e a Supervisão de Formação Continuada dos
Profissionais de Educação, responsáveis também pela certificação das oficinas.
Na Fase 4, a aplicação das oficinas planejadas, efetivamos a capacitação dos
professores e dos 525 respondentes do questionário inicial, 150 participaram das
oficinas e estas foram desenvolvidas no período de agosto a outubro de 2018.
7
Os professores das escolas foram inscritos e avisados sobre o início das oficinas, bem
como as informações iniciais para o acesso. Foi enviado também, por e-mail os links de
acesso, logins e senhas.
Inicialmente, foi realizado uma aula presencial nas escolas dos professores/cursistas
para explicar o funcionamento das atividades. Os bolsistas dispuseram-se em vários
horários entre os períodos da manhã, tarde e noite, para que todos os
professores/cursistas pudessem participar.
Após a conclusão das oficinas, iniciou-se a Fase 5 do e-TEIA, que foi destinada a
elaboração e aplicação de uma pesquisa aos participantes após as oficinas terem sido
ministradas. O questionário apresentou 8 questões, dividida em três grupos, aplicado no
mês outubro de 2018 com o obtenção de 124 respostas. Ressalta-se que um
cursista/professor pode ter participado de mais de uma oficina e respondeu apenas um
questionário. Sendo assim, o número de respostas obtidos foi considerável satisfatório
para a análise dos resultados finais.
O primeiro grupo de questões refere-se à avaliação do aluno/bolsista, a qualidade das
oficinas e conteúdos. Foi solicitado que o cursista/professor classificasse a(s) oficinas(s)
em “ótima”, “boa” ou “razoável”. Dos respondentes, 57,3% consideraram “ótima”,
37,9% “boa” e 4,8% declarou que foram “razoável”. Na sequência, questionamos se o
palestrante (aluno/bolsista) foi claro na apresentação das oficinas e, todos os
respondentes afirmaram de forma positiva que sim. E ainda, em relação à qualidade do
conteúdo apresentados, 88% dos professores/ouvintes afirmaram ser “ótima” e apenas
12% considerou “razoável”. Percebe-se no resultado deste grupo de questões, a
consequência da preparação do aluno/bolsista para a realização das palestras, bem
como o efeito positivo da formação do curso de licenciatura na atuação destes.
No Grupo 2 de questões, objetivou-se saber sobre o conhecimento e dificuldades do
cursista/professor com os temas abordados. Ao questionar se conhecia o(s) tema(s)
abordado(s), 38% possuíam pouco conhecimento, outros 38% com conhecimento médio
e 24%, possuía conhecimento pleno sobre o tema abordado. Em relação se estes
sentiram dificuldades com os conteúdos apresentados, o total se posicionou de forma
negativa. Observamos aqui, a importância da atuação contínua de um programa de
extensão vinculado a um curso de licenciatura e a ação direta nas escolas, pois a cada
ano de atuação, os índices de conhecimento dos cursistas/professores, quanto aos
temas abordados, tem aumentado.
No último grupo de questões buscamos conhecer os resultados de uma das ações do
programa e-TEIA, que foram as oficinas. Questionamos os cursistas/professores se eles
se sentiam mais seguros em utilizar os recursos tecnológicos apresentados durante as
oficinas e, das respostas, 87,9% afirmaram de forma positiva e apenas 12,1% ainda
apresentaram dúvidas e insegurança. Questionamos ainda, se utilizariam algum dos
recursos apresentados durante a(s) oficinas(s) e quais. Destes, 62 % afirmaram que
8
utilizariam sem problemas, 31,5% às vezes (dúvidas) e apenas 6,5% não utilizariam.
4. Considerações finais
O impactos das tecnologias não são imediatos, levam tempo e dedicação. Nessa
perspectiva, o programa procurou incentivar e instigar o uso das tecnologias pelos
professores em sala de aula através da formação nas oficinas oferecidas e, apresentou
resultados positivos frente à nova realidade tecnologia que as escolas encontram-se no
momento. Através das capacitações, os professores apresentaram-se mais aptos a
ponderar todos os aspectos pedagógicos e traçar estratégias para propor mudanças na
abordagem dos conteúdos pedagógicos.
Percebemosque a maioria dos professores têm interesse nas capacitações
tecnológicas, mas não dispõem de tempo hábil para frequentar aulas presenciais e nem
recursos financeiros. Através da utilização da plataforma Moodle, como aliada nesse
projeto de extensão, conseguimos criar e mediar as oficinas que foram oferecidas e
obtivemos bons resultados.
É importante destacar que o programa ofereceu aos alunos do curso de Licenciatura em
Computação a oportunidade de participar de um programa de extensão, subsidiando
conhecimentos práticos, de modo a aplicar os conhecimentos teóricos das disciplinas.
Podemos destacar também, a importância da tríade ensino, pesquisa e extensão que
complementam a formação acadêmica dos universitários, cada uma com a sua
significância. A Universidade proporcionou os conhecimentos necessários para a
formação e é possível colocar em prática através de atividades extensionistas tudo o
que é discutido e repassado em sala de aula.
Tendo em vista os objetivos do programa, ressalta-se que através das respostas dos
questionário inicial aplicado, ainda é bastante insuficiente a utilização das tecnologias
pelos professores, seja por dificuldades logísticas ou pessoais. Mas em contrapartida, a
maioria deles acreditam que esta prática aprimora o processo de ensino e
aprendizagem.
Nesse sentido, torna-se urgente que o profissional da educação reflita por que, sendo a
educação reconhecida como mola fundamental de mudança e inovação, ainda hoje,
tende a cristalizar-se como lugar de atraso.
Nesse contexto, espera-se que o uso de tecnologias como recurso metodológico
pedagógico ajude na busca e concretização de soluções para os problemas
relacionados à educação, mesmo que a escola, de modo geral, ainda esteja
despreparada para incorporar as tecnologias em seu cotidiano.
Ainda, conclui-se que, além do atendimento direto a professores da rede pública de
ensino, tivemos a integração dos alunos do curso de Licenciatura em Computação EAD
com as comunidades em que residem, bem como a efetivação do conhecimento
construído a partir das disciplinas do currículo do curso, aplicado na prática quando da
9
formação continuada dos professores a partir das oficinas e, a aproximação desses
alunos com a UFJF por meio de reuniões e atividades desenvolvidas pelo e-TEIA.
Referências
BRASIL. Plano Nacional de Extensão Universitária. Fórum de Pró-Reitores de
Extensão das Universidades Públicas. Brasileiras e SESu / MEC Brasil, 2001.
CANDAU, V. M. (org.). Rumo a uma Nova Didática. 16ª ed. Petrópolis: Vozes, 1987.
COSTA, M. C. V. Trabalho docente e profissionalismo. Porto Alegre: Sulina. 1995.
GATTI, B.; BARRETO, E. S. S.; ANDRÉ, M. E. D. A. Políticas docentes no Brasil: Um
Estado da Arte. Brasília: UNESCO, 2011.
NÓVOA, A. Formação de professores e trabalho pedagógico. Lisboa: Educa, 2002.
LÜCK, H. et al. A escola participativa: o trabalho do gestor escolar. Rio de janeiro:
DP&A editora, 2002.
PROEX. Pró-reitora de extensão - [oculto para avaliação]. Disponível em: /[oculto para
avaliação] /. Acesso em: 15 mai. 2019.
RODRIGUES, V. M. O fórum de pró-reitores de extensão e sua contribuição no debate
sobre a extensão universitária. Revista Educação e Políticas em Debate – v. 4, n.2 -
ago./dez. 2015.
SCORTEGAGNA, L. Programa de extensão e-TEIA: integração do ensino, pesquisa
e extensão no curso de Licenciatura em Computação na modalidade EAD In: VI
Congresso Brasileiro de Informática na Educação, 2017, Recife - PE: CBIE, 2017.
v.1. p.774 - 783.
TARDIF, M.; LESSARD, C.; GAUTHIER, C. Formação dos Professores e contextos
sociais. Trad. Emília Laura Seixas. Portugal: RÉS-Editora Lda, 2005.
Powered by TCPDF (www.tcpdf.org)
10
http://www.tcpdf.org

Mais conteúdos dessa disciplina