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DESENVOLVIMENTO HUMANO NAS DIFERENTES FAIXAS GERACIONAIS II SUMÁRIO INTRODUÇÃO ........................................................................................... 3 SCHAIE: MODELO DE DESENVOLVIMENTO COGNITIVO PARA O CICLO DE VIDA ................................................................................................... 4 IDADE ADULTA ......................................................................................... 6 ADULTO JOVEM (DE 20 A 40 ANOS) ................................................... 8 MEIA IDADE (DE 40 A 60 ANOS) ........................................................ 14 IDOSO OU VELHICE (MAIS DE 60 ANOS) ............................................ 17 FAMÍLIA E ENVELHECIMENTO .......................................................... 22 FIM DO CICLO VITAL: MORTE ............................................................... 24 REFERÊNCIAS ....................................................................................... 28 INTRODUÇÃO Seguindo na linha do desenvolvimento humano, após a experiência da adolescência, chegou a hora de entender o que muda quando entramos na vida adulta. Lembrando que esta fase contempla desde os jovens acima de 18 anos (segundo as leis brasileiras) até a velhice. Então, por mais que estejamos abordando a vida adulta de forma ampla, é preciso atentar-se não apenas para as mudanças etárias, que acompanham as pessoas ao longo de seu processo de envelhecimento. A jornada da vida é uma estrada sinuosa, marcada por diferentes estágios que nos conduzem da juventude à velhice, até o fim do ciclo vital, representado pela morte. Cada fase traz consigo suas próprias experiências, desafios e reflexões, moldando quem somos e como vivemos nossas vidas. A idade adulta, geralmente entre os 20 e 40 anos, é um período de descoberta e construção. É nessa fase que buscamos nossa identidade, estabelecemos carreiras, relacionamentos e assumimos responsabilidades. É um momento de crescimento pessoal e amadurecimento, onde enfrentamos desafios e conquistamos vitórias que nos moldam para o futuro. À medida que avançamos na linha do tempo, entramos na meia-idade, que se estende dos 40 aos 65 anos. Esse período é marcado por reflexão e avaliação, à medida que nos deparamos com questões sobre o propósito e o significado de nossas vidas. É um momento de transição, onde nos preocupamos com a saúde, o bem-estar e o cuidado de entes queridos, ao mesmo tempo em que enfrentamos as mudanças físicas e emocionais que vêm com o envelhecimento. A velhice, que começa aos 65 anos ou mais, é um estágio de contemplação e aceitação. É um tempo para olhar para trás e apreciar as experiências vividas, enquanto nos adaptamos às limitações físicas e emocionais que acompanham o envelhecimento. Nessa fase, muitos de nós buscam conforto na família, na comunidade e nas crenças espirituais, encontrando significado e paz na aceitação da vida como ela é. E então, chega o fim do ciclo vital: a morte. Um evento inevitável que nos confronta com a finitude de nossa existência. A morte pode ser encarada com medo, tristeza ou aceitação, dependendo de nossas crenças e experiências pessoais. No entanto, independentemente de como a encaramos, a morte nos lembra da importância de viver plenamente cada momento, de amar e ser amado, e de deixar um legado que perdure além de nossa própria vida. Assim, a jornada da vida é uma tapeçaria complexa de experiências e emoções, que nos desafia, nos transforma e nos ensina a valorizar o presente enquanto nos preparamos para o inevitável amanhã. SCHAIE: MODELO DE DESENVOLVIMENTO COGNITIVO PARA O CICLO DE VIDA O modelo de desenvolvimento cognitivo de K. Warner Schaie (1977-1978; SCHAIE; WILLIS, 2000) analisa o desenvolvimento do uso intelectual dentro de um contexto social. Seus sete estágios giram em torno de objetivos motivacionais que surgem em diferentes fases da vida. Esses objetivos vão desde a aquisição de informações e habilidades (o que preciso saber) até a integração prática de conhecimentos e habilidades (como usar o que sei) e a Assista o vídeo a seguir para aprofundar seus conhecimentos. Neste vídeo, o canal Neurogênese fala sobre a fase adulta e o envelhecimento, abordando um pouco sobre a expectativa de vida, o processo de envelhecimento e fazendo o link de como essas modificações afetam o comportamento e a performance motora. Fase Adulta e Envelhecimento - Aula ao Vivo 19. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=JJZ0zanyX7Q. Acesso em 29 de fev de 2024. busca de significado e propósito (por que devo saber). As sete etapas são as seguintes: 1. Fase de aquisição (infância e adolescência): Crianças e adolescentes adquirem informações e competências principalmente para seu próprio benefício ou para se prepararem para a participação na sociedade. 2. Estágio de realização (fim da adolescência ou início dos 20 aos 30 anos): Os jovens já não adquirem conhecimento por si só: usam o que sabem para alcançar objetivos como carreiras e famílias. 3. Estágio de responsabilidade (final dos 30 anos até início dos 60 anos): Pessoas de meia-idade usam a mente para resolver problemas práticos relacionados às responsabilidades para com outras pessoas, como familiares ou funcionários. 4. Fase de execução (dos 30 ou 40 anos até a meia-idade): As pessoas na fase Executiva, que pode sobrepor-se à fase Realizador e à fase Responsabilidade, são responsáveis por instituições sociais (organizações governamentais ou empresariais) ou movimentos sociais. Eles lidam com relacionamentos complexos em vários níveis. 5. Estágio de reorganização (final da meia-idade e início da idade adulta): As pessoas que se aproximam da reforma reorganizam as suas vidas e o seu intelecto em torno de objetivos significativos em vez de um trabalho remunerado. 6. Fase de reintegração (idade adulta tardia): Os idosos podem estar passando por mudanças biológicas e cognitivas e tendem a ser mais seletivos quanto às tarefas nas quais investem sua energia. Eles se concentram no propósito do que fazem e nas tarefas que são mais importantes para eles. 7. A fase de herança e criação (velhice avançada): Perto do fim da vida, uma vez concluída (ou simultaneamente) a reintegração na sociedade, os idosos podem dar instruções para a distribuição de bens valiosos, organizar funerais, contar histórias oralmente ou escrever autobiografias como legados a entes queridos. Nem todos passarão por essas etapas dentro do prazo recomendado. Na verdade, a fase adulta de Schaie pode não ser apropriada para uma época em que as escolhas e os caminhos eram diversos e mudavam rapidamente, quando os avanços médicos e sociais permitiram que muitas pessoas permanecessem ativas e empenhadas em esforços construtivos e responsáveis até à velhice. Se os adultos passarem por esta fase, os testes psicológicos tradicionais (que utilizam os mesmos tipos de tarefas para medir a inteligência em todas as fases da vida) podem não ser adequados para eles. Os testes concebidos para medir os conhecimentos e as competências das crianças podem não ser apropriados para medir as capacidades cognitivas dos adultos, que utilizam conhecimentos e competências para resolver problemas reais e atingir objetivos auto selecionados. IDADE ADULTA O início da vida adulta se estende dos vinte aos quarenta anos de idade, aproximadamente. Nesse período, o desenvolvimento físico alcança o ápice desse processo e, próximo ao final desse período, o desenvolvimento físico apresenta um ligeiro declínio. Em relação ao desenvolvimento cognitivo, é possível destacar que os pensamentos e julgamentos morais se tornam mais complexos se comparados aos períodos anteriores. Já em relação ao desenvolvimento psicossocial, é nesseperíodo que identidade e personalidade se tornam estáveis (PAPALIA; FELDMAN, 2013). Os indivíduos, em geral, tomam decisões sobre relacionamentos e estilo de vida, como, por exemplo, casar-se e/ou ter filhos. A vida adulta intermediária se estende do período que vai dos quarenta aos sessenta e cinco anos de idade, aproximadamente. Em relação ao desenvolvimento físico, pode ocorrer o início de uma lenta deterioração das habilidades sensoriais, assim como do vigor e da força física, mas são grandes as diferenças individuais. É nesse período que, normalmente, as mulheres entram na menopausa. Em relação ao desenvolvimento cognitivo, as capacidades mentais atingem o seu auge. Já em relação ao desenvolvimento psicossocial, pode haver uma redução da vida social mais ativa e um sentimento de ausência em relação aos amigos e familiares (PAPALIA; FELDMAN, 2013). Por último, a vida adulta tardia se estende dos sessenta e cinco anos de idade até o fim da vida. Em relação ao desenvolvimento físico, pode ser observado um declínio das capacidades físicas, assim como um tempo de reação mais lento em relação aos estímulos e interações. Em relação ao desenvolvimento cognitivo, pode-se observar a deterioração da inteligência e da memória. Já em relação ao desenvolvimento psicossocial, a busca de significado para a vida pode assumir uma grande importância (PAPALIA; FELDMAN, 2013). Muitos pesquisadores têm se dedicado ao estudo da vida adulta, buscando identificar padrões comuns a esse período da vida. A idade adulta é a mais longa do ciclo vital, e durante muitos anos não foi estudada porque muitos pesquisadores entendiam que o ser humano já havia alcançado o auge do seu desenvolvimento. Pesquisas recentes, no entanto, como as de autores utilizados nesse estudo, evidenciam que o ser humano encontra- se em contínuo processo de desenvolvimento, inclusive durante a fase adulta. Assim, Santos e Antunes (2007) afirmam que a vida adulta, fenômeno do desenvolvimento humano, apresenta-se com novas responsabilidades, em novos referenciais de existencialidade, em novas conquistas, em busca de um maior entendimento desta importante e mais abrangente etapa da vida humana. Questões sexuais e de reprodução As atividades sexual e reprodutiva são frequentemente uma preocupação primária do início da vida adulta. Essas funções naturais e importantes podem envolver preocupações físicas. Três dessas preocupações são os distúrbios relacionados à menstruação, as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e a infertilidade. Por ser a fase mais longa da existência do ser humano, merece especial atenção, mesmo porque há pouco tempo vem sendo entendida e percebida com tais referenciais. Mosquera (1982) considera, também, que, como nas outras fases da vida, a idade adulta também tem problemas típicos para serem resolvidos, cada fase tem uma problemática específica, dividida em sub-problemáticas que atingem as pessoas em seus momentos decisivos ante seu próprio projeto vital e suas relações com os outros. Ou seja, o período compreendido como idade adulta, que se subdivide em adulto jovem e meia idade, tem diversos desafios a serem vivenciados, e um dos primeiros é a transição entre a adolescência e o início da idade adulta. ADULTO JOVEM (DE 20 A 40 ANOS) Segundo Papalia, Olds e Feldman (2013), a passagem da adolescência para a idade adulta não é facilmente definida em sociedades que avançaram tecnologicamente. Ao contrário de épocas anteriores, o processo agora é mais demorado e abrange uma gama mais ampla de experiências. Como resultado, alguns especialistas em desenvolvimento humano propõem que o período que vai do final da adolescência até meados dos anos 20 deve ser reconhecido Assista o vídeo a seguir para aprofundar seus conhecimentos. Esse vídeo reúne as principais características da fase adulto jovem, utilizando exemplos de seus cotidianos e explicando a importância de um estilo de vida equilibrado nesse período do desenvolvimento humano, com base no conteúdo visto na matéria de Psicologia do Desenvolvimento II. ADULTO JOVEM - Desenvolvimento e Características. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=tlbbVsYIzV8. Acesso em 29 de fev de 2024. como uma fase única conhecida como início da idade adulta. Segundo Bee (1997), é possível dividir a idade adulta em três períodos distintos, sendo que a primeira fase abrange os anos entre 20 e 40 anos. Bee também afirma que não há dúvida de que os indivíduos atingem seu pico físico e cognitivo nesse período. Isto se deve à presença de aumento do tecido muscular, níveis mais elevados de cálcio nos ossos, maior massa cerebral, maior acuidade sensorial, melhor capacidade aeróbica e um sistema imunológico mais eficiente. De acordo com Bee, Papalia, Olds e Feldman (2013) também reconhecem as fortes capacidades físicas dos indivíduos durante esta fase da vida e enfatizam que os acidentes são a principal causa de morte no início da idade adulta. Durante o auge de suas capacidades físicas, os indivíduos na fase adulta jovem exibem habilidades corporais excepcionais. Este período da vida é particularmente propício para profissões centradas na fisicalidade, incluindo atletas, modelos e dançarinos. Simultaneamente, os jovens adultos tendem a possuir uma atitude despreocupada em relação à mortalidade, muitas vezes demonstrando arrogância. Como resultado, as mortes entre as idades de 20 e 40 anos estão normalmente ligadas a violência e circunstâncias como acidentes e homicídios. Rodrigues (2003) afirma que os homens são mais propensos a vivenciar esse tipo de morte violenta. Em termos de cognição, Papalia, Olds e Feldman (2013) sugerem que uma grande parte dos jovens adultos matricula-se agora em universidades ou outras instituições de ensino superior. Atualmente, há uma maior representação de mulheres em comparação com os homens nestes ambientes educativos, e mais mulheres estão a aventurar-se em áreas que têm sido historicamente dominadas por homens. Bee (1997) afirma que as capacidades cognitivas, semelhantes às capacidades físicas, apresentam um declínio à medida que os indivíduos envelhecem, embora este declínio seja observado numa fase posterior para competências como vocabulário, memória cotidiana e resolução de problemas. Bee (1997) relata marcos significativos que marcam o início desta fase, destacando as tarefas cruciais de aquisição e domínio de três papéis principais: parceiro/cônjuge, pai e profissional. O processo começa com o ato de sair de casa, o que acarreta distanciamento físico e emocional dos pais. De acordo com Papalia, Olds e Feldman (2013), a idade adulta emergente, que vai desde aproximadamente os 18 anos até aos vinte e poucos anos, é frequentemente caracterizada por um período de exploração e experimentação antes de assumir as responsabilidades e obrigações da idade adulta estável. Os marcos tradicionais do desenvolvimento, como a garantia de um emprego estável e o estabelecimento de relações românticas de longo prazo, podem agora ser adiados até aos 30 anos de idade ou mesmo mais tarde. Um número crescente de jovens adultos está a prolongar a sua educação e a adiar a parentalidade. A rigidez da idade não é um conceito fixo, como evidenciado pelo fato de a ocorrência da parentalidade tende a ser mais prevalente durante a fase da idade adulta jovem. Isto se deve principalmente às elevadas capacidades físicas que impactam a dinâmica da unidade familiar. Segundo Bee (1997), tornar-se pai introduz felicidade e desafios associados à aquisição de um novo papel. Em média, a chegada do primeiro filho leva a uma diminuição da satisfação conjugal, que persiste ao longo dos primeiros estágios da idade adulta. Quando se trata de escolher uma profissão, Bee (1997) sugere que os adultos são influenciados por váriosfatores, como formação educacional, inteligência, valores familiares, recursos disponíveis, personalidade e gênero. É comum que os adultos selecionem profissões que se alinhem com as expectativas culturais da sua classe social e género. Além disso, Bee argumenta que os indivíduos são mais propensos a encontrar satisfação em empregos que se alinhem com sua personalidade. Ao considerar a trajetória de uma carreira, podemos identificar duas fases distintas no início da idade adulta: a fase de exploração, onde os indivíduos consideram diferentes caminhos, e a fase de estabelecimento, onde solidificam o percurso profissional escolhido. Apesar de viverem mais, as mulheres são propensas a um maior número de doenças em comparação aos homens. Em termos de habilidades cognitivas, Bee (1997) argumenta que a maioria das habilidades cognitivas permanece intacta durante a meia-idade, exceto aquelas que não são praticadas regularmente ou que exigem raciocínio rápido. Segundo Papalia, Olds e Feldman (2013), vale a pena notar que um número significativo de indivíduos prossegue o ensino superior mais tarde na vida. A principal motivação para os adultos frequentarem a universidade é melhorar as suas competências e conhecimentos profissionais ou facilitar a transição para uma nova carreira. Além disso, o envolvimento em atividades educativas permite que os indivíduos de meia-idade alarguem as suas redes sociais, estendendo-se para além das suas ligações familiares imediatas. De acordo com Bee (1997), os indivíduos na meia-idade vivenciam interações familiares substanciais que se estendem por múltiplas gerações, resultando no que é conhecido como fenômeno de “achatamento geracional” ou “geração sanduíche”. Como resultado, os adultos de meia-idade prestam apoio e assistência às gerações anteriores e seguintes, procurando ativamente exercer a sua influência sobre aqueles que vieram antes deles e aqueles que virão depois deles. De acordo com Papalia, Olds e Feldman (2013), à medida que os indivíduos vivem vidas mais longas, um número crescente de pais idosos depende dos cuidados dos seus filhos de meia-idade. Esta aceitação da dependência é uma indicação da maturidade da criança e pode resultar de uma crise filial vivida pela geração anterior de pais. A ocorrência desta crise decorre do fato de indivíduos de meia-idade reconhecerem a vulnerabilidade ou ausência dos seus pais e compreenderem que a sua própria geração é a próxima na fila para enfrentar circunstâncias semelhantes. Essa constatação é proporcionada pela presença de uma geração anterior, representada por seus filhos que estão em processo de amadurecimento ou já saíram de casa. À medida que os filhos partem da casa dos pais, uma sensação de alívio pode tomar conta dos pais, por terem cumprido o seu papel na criação da próxima geração. No entanto, esta nova liberdade também pode desencadear uma crise existencial à medida que enfrentam a perda das suas responsabilidades parentais. Segundo Bee (1997), os pais de meia-idade geralmente não apresentam emoções negativas quando se deparam com o fenômeno do “ninho vazio”, que ocorre quando o último filho sai de casa. Na verdade, a diminuição das responsabilidades associadas a esta fase da vida pode, na verdade, aumentar a sua satisfação e contentamento geral. Segundo Papalia, Olds e Feldman (2013), o conceito de “ninho vazio” é visto como fonte de libertação para a maioria das mulheres. No entanto, pode ser uma fonte de stress para os casais que construíram a sua identidade em torno dos papéis de pai e mãe, bem como para aqueles que têm de enfrentar questões conjugais não resolvidas. Os autores observam também que há uma tendência crescente de jovens adultos adiarem a saída da casa dos pais ou regressarem a eles, por vezes com as suas próprias famílias. A transição tende a ser mais suave quando os pais testemunham os seus filhos adultos a fazer progressos no sentido de alcançar a independência. Esse fenômeno, conhecido como geração canguru, refere-se ao longo período de tempo que as crianças passam morando em casa. Adicionalmente, o fato de regressar à casa dos pais depois de já ter saído, muitas vezes com filhos e companheiros, é designado por síndrome da porta giratória (RODRIGUES, 2003). Durante esta fase particular da vida, Bee (1997) destaca um elemento adicional significativo na dinâmica familiar: a maioria dos adultos assume o papel de avós durante a meia-idade. Embora muitos indivíduos mantenham ligações afetuosas e estimulantes com os netos, é importante notar que também existem casos de relacionamentos mais distantes. Deve-se reconhecer que apenas uma minoria de avós participa ativamente na educação cotidiana dos seus netos. De acordo com Papalia, Olds e Feldman (2013), um número crescente de adultos está se tornando avós na meia idade, e muitos deles estão assumindo a responsabilidade de criar os netos quando os pais não conseguem fazê-lo. Isso pode resultar em vários desafios, incluindo dificuldades físicas, emocionais e financeiras. No entanto, Bee (1997) sublinha que, apesar das inúmeras responsabilidades que acompanham a meia-idade, particularmente no cuidado das gerações mais velhas e mais jovens, há indicações de que a meia-idade é menos estressante e mais alegre em comparação com as fases anteriores da idade adulta. O componente emocional pode contribuir para a sensação de contentamento, já que a satisfação conjugal normalmente atinge o pico durante a meia-idade. Isto é provavelmente atribuído a uma diminuição de conflitos e experiências desfavoráveis. Embora o divórcio seja relativamente raro durante esta fase da vida, está a tornar-se mais prevalente e pode ser tanto indutor de ansiedade como transformador, de acordo com Papalia, Olds, e Feldman (2013). Em relação à homossexualidade durante esta fase da existência, Papalia, Olds e Feldman (2013) afirmam que os indivíduos que se identificam como homossexuais muitas vezes atrasam a sua entrada em relacionamentos de compromisso, resultando no estabelecimento de ligações íntimas na meia-idade. Por outro lado, os autores sugerem que as parcerias homossexuais apresentam um maior grau de igualdade em comparação com as parcerias heterossexuais, mas enfrentam desafios comparáveis na gestão das obrigações familiares juntamente com as aspirações profissionais. Quando se trata de carreiras, Bee (1997) enfatiza que as repercussões da perda de emprego vão além da aposentadoria ou dos preparativos para a aposentadoria. O impacto negativo inclui uma elevada susceptibilidade a perturbações emocionais e doenças físicas, decorrentes diretamente da perda de estabilidade financeira e indiretamente da tensão nas relações conjugais e na autoestima. Em essência, as consequências da perda de um emprego nesta fase da vida são múltiplas, especialmente para os indivíduos que dependem do rendimento para a sua subsistência. Numa sociedade impulsionada pela indústria e pela tecnologia, os indivíduos de meia-idade enfrentam desafios crescentes para garantir um emprego que corresponda ao seu nível anterior de remuneração. É crucial enfatizar a prevalência de crises durante idades cruciais, como 40, 50 ou 60 anos, ao examinar as experiências daqueles na meia-idade. Papalia, Olds e Feldman (2013) argumentam que não há evidências concretas para apoiar a existência de uma crise normativa de meia-idade. Em vez disso, é mais intrigante ver este período como uma transição que leva os indivíduos a refletir sobre as suas vidas e a tomar decisões psicológicas importantes. MEIA IDADE (DE 40 A 60 ANOS) Conforme afirmado por Papalia, Olds e Feldman (2013), a meia-idade é um construto criado pela sociedade para dar conta do surgimento de novos papéis durante o prolongamento da vida. Esta fase da vida, conhecida como meia-idade, englobaconquistas e retrocessos. Os autores afirmam que os indivíduos nesta faixa etária geralmente possuem um bom bem-estar físico, cognitivo e emocional. Com inúmeras responsabilidades e funções diversas, sentem-se capazes de gerir as suas obrigações. Talvez seja devido a estes fatores que a meia-idade é considerada um período de reflexão e de tomada de decisões relativamente aos restantes anos de vida. De acordo com Bee (1997), os indivíduos que atingem a idade de 40 anos podem esperar viver mais 35 a 40 anos, um número que tem aumentado constantemente ao longo do tempo. Prevê-se que os avanços na extensão da vida possam até empurrar o limite superior para cerca de 110 anos. Embora algumas funções físicas sofram pequenas alterações às idades de 40, 50 e 60 anos, apenas um grupo seleto experimenta mudanças significativas. Notavelmente, o cristalino do olho acumula camadas adicionais, resultando na redução da nitidez visual durante os anos 40 e 50 devido à diminuição da elasticidade. Por outro lado, a perda auditiva tende a ocorrer de forma mais gradual. Durante a fase de meia-idade, torna-se aparente um declínio notável nas capacidades físicas, particularmente em relação à procriação. Bee (1997) destaca a perda gradual da capacidade reprodutiva, conhecida como climatério, que atinge tanto homens quanto mulheres. No entanto, este declínio é mais gradual nos homens do que nas mulheres, que experimentam uma diminuição mais rápida. Como resultado, os homens produzem espermatozoides cada vez menos viáveis e uma quantidade reduzida de fluido seminal. O início da menopausa normalmente ocorre entre as idades de 45 e 55 anos, provocada por alterações hormonais que envolvem reduções significativas nos níveis de estrogênio e progesterona. Entre os principais indicadores da menopausa está a ocorrência de ondas de calor. Papalia, Olds e Feldman (2013) observam ainda que, embora os homens tenham a capacidade de gerar filhos em idade mais avançada, muitos homens na meia-idade experimentam um declínio na fertilidade e na frequência dos orgasmos. A frequência da atividade sexual normalmente sofre um declínio gradual e mínimo, enquanto a qualidade geral das relações sexuais pode realmente melhorar. Quando se trata de saúde, Bee (1997) destaca que a ocorrência de doenças e mortalidade aumenta significativamente durante a meia-idade. Os adultos jovens tendem a sofrer de doenças agudas, enquanto os adultos de meia-idade são mais propensos a doenças crónicas. Quando se trata de questões de gênero, as principais causas de morte durante a meia-idade são o cancro e as doenças cardíacas. Os homens têm taxas de mortalidade mais elevadas para estas doenças específicas. O período do início da idade adulta abrange a faixa etária de aproximadamente vinte a quarenta anos. Esta fase marca o auge do crescimento físico, embora haja um ligeiro declínio no final (PAPÁLIA; FELDMAN, 2013). O desenvolvimento cognitivo durante este período é caracterizado por um aumento na complexidade dos pensamentos e julgamentos morais em comparação com os estágios anteriores. Psicossocialmente, este é o momento em que os indivíduos estabelecem identidades e personalidades estáveis. É durante o início da idade adulta que decisões importantes relativas a relacionamentos e estilo de vida, como casamento e paternidade, são normalmente tomadas pela maioria dos indivíduos (PAPÁLIA; FELDMAN, 2013). Por volta dos quarenta aos sessenta e cinco anos, ocorre a idade adulta intermediária. O desenvolvimento físico durante esta fase pode observar um declínio gradual nas habilidades sensoriais, bem como no vigor e na força física, embora haja variações significativas entre os indivíduos. É durante esta fase que as mulheres normalmente passam pela menopausa. O desenvolvimento cognitivo, por outro lado, atinge seu ápice nesse período. O desenvolvimento psicossocial pode envolver uma diminuição no envolvimento social e uma sensação de desconexão de entes queridos e amigos (PAPALIA; FELDMAN, 2013). A idade adulta tardia, que abrange a idade de sessenta e cinco anos ou mais, marca a fase final da vida. Esta fase é caracterizada por um declínio notável nas capacidades físicas e um tempo de resposta mais lento a estímulos e interações. O desenvolvimento cognitivo também sofre um declínio, particularmente em termos de inteligência e memória. Psicossocialmente, os indivíduos no final da idade adulta muitas vezes se encontram em busca de significado e propósito na vida. Numerosos investigadores concentraram os seus esforços no estudo da vida adulta, com o objetivo de descobrir padrões partilhados nesta fase. (PAPÁLIA; FELDMAN, 2013). Durante um período significativo de tempo, a idade adulta foi negligenciada nas pesquisas sobre o ciclo de vida humano devido à crença predominante de que os indivíduos já haviam atingido o seu pico de desenvolvimento. No entanto, estudos recentes, incluindo os realizados pelos autores referenciados neste estudo, revelaram que o ser humano passa por um desenvolvimento contínuo ao longo da vida adulta. Segundo Santos e Antunes (2007), a fase da idade adulta, que é um aspecto significativo do desenvolvimento humano, engloba novas responsabilidades, novas perspectivas de existência e novas realizações, tudo em busca de uma compreensão mais profunda deste problema crucial e abrangente. fase da vida humana. Por ser o período mais longo da vida dos indivíduos, merece especial consideração, nomeadamente pelo seu recente reconhecimento e compreensão com estas perspectivas. Segundo Mosquera (1982), a idade adulta apresenta um conjunto único de desafios que devem ser superados, assim como outras fases da vida. Cada fase da idade adulta é caracterizada por problemas específicos, que podem ser subdivididos em subproblemas que impactam os indivíduos durante momentos cruciais antes de seus objetivos de vida pessoal e interações com outras pessoas. Em termos mais simples, o período conhecido como idade adulta, que abrange a idade adulta jovem, a meia-idade e a fase de velhice, acarreta uma série de obstáculos a ultrapassar, sendo a transição da adolescência para o início da idade adulta um dos obstáculos iniciais a ultrapassar. IDOSO OU VELHICE (MAIS DE 60 ANOS) Percebemos que a compreensão deste momento de vida é muito mais complexa do que simplesmente afirmar que, a partir de determinada idade, a pessoa pode ser considerada velha. A velhice não está relacionada somente ao recorte cronológico. Por essa razão, Schneider e Irigaray (2008) citado por Papalia, Olds e Feldman (2013) dividiram o conceito de idade em 4 tipos: a. Idade cronológica: são os anos vividos de uma pessoa, desde o seu nascimento. b. Idade biológica: definida pelas mudanças corporais e mentais que ocorrem ao longo do desenvolvimento humano, caracterizando o próprio processo de envelhecimento. c. Idade social: composta por hábitos e características esperadas para determinada idade, esperando que o sujeito se encaixe em determinados papéis sociais. d. Idade psicológica: pode ser utilizado em dois sentidos, sendo que um Assista o vídeo a seguir para aprofundar seus conhecimentos. Nesse vídeo, Francisco reúne as principais características do Adulto de Meia Idade. Aula de Psicologia do Desenvolvimento: Ciclo Vital - Tema: O Adulto de Meia Idade. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=Av6E78f1NpY. Acesso em 29 de fev de 2024. deles se refere à capacidade psicológica esperada para determinada idade cronológica (percepção, memória, aprendizagem, etc.), e o outro se refere à noção subjetiva de idade, ou seja, a maneira como cada um se auto avalia em relação às outras pessoas com idades semelhantes às suas. Esse julgamento está associado à idade cronológica e ao meio em que a pessoa vive. Conforme consta no artigo 1º do Estatutodo Idoso Brasileiro, são classificados como idosos os indivíduos com 60 anos ou mais de idade (Brasil, 2003). Especialistas na área do envelhecimento, como Papalia, Olds e Feldman (2013), aprofundam esta classificação referindo-se aos indivíduos com idade entre 65 e 74 anos como idosos jovens, aos indivíduos com 75 anos ou mais como idosos e aos indivíduos com mais de 85 anos. como os membros mais velhos da população idosa. Segundo Bee (1997), a população de indivíduos com 65 anos ou mais pode ser categorizada em dois grupos para simplificar: os idosos mais jovens (65-75 anos) e os idosos mais velhos (com 75+ anos). Papalia, Olds e Feldman (2013) afirmam que a proporção de idosos nas populações globais aumentou e prevê-se que continue a aumentar. Nomeadamente, o grupo etário que regista o crescimento mais rápido é aquele com mais de 80 anos. Os autores destacam o aumento substancial da esperança de vida, observando que à medida que as pessoas vivem mais, o seu desejo de prolongar a sua esperança de vida também aumenta. Segundo Bee (1997), tem havido um aumento significativo na proporção de indivíduos com 65 anos ou mais nos últimos anos, uma tendência que deverá persistir ao longo do próximo século. Em termos de saúde física, Papalia, Olds e Feldman (2013) afirmam que, embora a maioria dos sistemas corporais continue a funcionar de forma eficiente, o coração torna-se cada vez mais vulnerável a várias doenças. Ao discutir o tema do declínio biológico, é fundamental sublinhar que o declínio de certas capacidades cognitivas, como a aprendizagem rápida e a retenção de informação na memória de curto prazo, é uma parte natural do envelhecimento. No entanto, é importante notar que estas perdas podem ser compensadas pelos ganhos de sabedoria, conhecimento e experiência de vida. Além disso, a deterioração das capacidades cognitivas não está exclusivamente ligada ao processo de envelhecimento. Abrange uma infinidade de outros fatores, incluindo a subutilização de habilidades cognitivas, o aparecimento de várias doenças (incluindo transtornos mentais como depressão), problemas comportamentais (como abuso de substâncias ou dependência de medicamentos), falta de motivação, diminuição da autoestima, sentimentos de isolamento, desafios de adaptação a novas circunstâncias (como a reforma ou a perda de um parceiro), ingestão inadequada de nutrientes e padrões alimentares pouco saudáveis, entre várias outras influências. Embora o processo de envelhecimento provoque algumas alterações no cérebro, essas modificações são geralmente menores. Abrangem a redução ou diminuição das células nervosas e um declínio geral na capacidade de resposta. No entanto, o cérebro tem a capacidade de produzir novos neurônios e estabelecer novas conexões, mesmo em fases posteriores da vida. Embora problemas de audição e visão possam atrapalhar as atividades cotidianas, geralmente podem ser remediados. À medida que o corpo envelhece, torna-se mais delicado, mas segundo Bee (1997), numerosos idosos mantêm a atividade sexual, embora esta ocorrência diminua à medida que envelhecem. Papalia, Olds e Feldman (2013) concordam com esta noção em relação à vida sexual dos idosos e afirmam ainda que a inteligência está frequentemente associada a uma esperança de vida mais longa. De acordo com Papalia, Olds e Feldman (2013), a duração do casamento tem o potencial de aumentar à medida que a esperança de vida aumenta. É importante notar que um número maior de homens do que de mulheres permanece casado na velhice. Além disso, os casamentos que duram até a velhice apresentam frequentemente um nível mais elevado de satisfação. Segundo Bee (1997), quando se trata de relacionamentos conjugais na velhice, normalmente existe um alto nível de satisfação, lealdade e afeto entre os parceiros. Nos casos em que um dos cônjuges fica incapacitado, o outro cônjuge assume a responsabilidade de prestar os cuidados. Quando se trata de divórcio, Papalia, Olds e Feldman (2013) destacam que não é uma ocorrência comum entre indivíduos mais velhos, e a maioria dos idosos que passaram por divórcio casaram novamente. O processo de divórcio pode ser particularmente desafiador para os indivíduos mais velhos, mas os casamentos subsequentes na velhice trazem muitas vezes uma maior sensação de paz. No entanto, vale a pena notar que Papalia, Olds e Feldman (2013) mencionam que há uma proporção pequena, mas crescente, de adultos que entram na velhice sem nunca terem casado. Curiosamente, os indivíduos que não se casam são menos propensos a sentir solidão em comparação com aqueles que são divorciados ou viúvos. Além disso, os indivíduos mais velhos que se identificam como homossexuais, tal como os seus homólogos heterossexuais, desejam intimidade, interação social e capacidade de contribuir para as gerações futuras. Muitos indivíduos gays e lésbicas navegam com sucesso no processo de envelhecimento. A capacidade de adaptação pode ser influenciada pela posição social percebida. Bee (1997) destaca a diminuição das funções sociais que acompanham a velhice, particularmente no final da idade adulta. Durante esta fase, numerosos papéis, tanto significativos como secundários, desaparecem, deixando para trás aqueles que têm menos significado. Esta mudança permite maior liberdade na expressão da individualidade e na tomada de decisões pessoais. Uma razão para este declínio nos papéis é a prevalência da viuvez entre os adultos mais velhos, com maior ocorrência entre as mulheres mais velhas, que constituem a maioria das viúvas. A importância das ligações familiares, especialmente aquelas com netos, não pode ser exagerada, especialmente quando atingem a idade adulta e constituem as suas próprias famílias, resultando no surgimento de bisnetos. De acordo com Papalia, Olds e Feldman (2013), os bisavós tendem a ter menos envolvimento na vida dos filhos dos seus descendentes em comparação com os avós, mas ainda assim obtêm um sentimento de realização deste papel. É importante notar que a proximidade e a interação regular entre netos, bisnetos e seus familiares mais velhos nem sempre são garantidas, uma vez que as gerações mais jovens estão preocupadas com as responsabilidades que acompanham as respetivas fases da vida. À medida que os indivíduos envelhecem, o significado das amizades torna-se cada vez mais importante; no entanto, o número de amigos na mesma faixa etária tende a diminuir com o tempo. De acordo com Bee (1997), o nível de interação com os amigos está diretamente correlacionado com o contentamento geral com a vida entre os idosos. As mulheres neste grupo demográfico mantêm extensas ligações sociais, enquanto os homens dependem mais fortemente das suas esposas para apoio social. Por outro lado, as mulheres depositam sua confiança tanto nos amigos quanto nos filhos. De acordo com Papalia, Olds e Feldman (2013), a maioria dos indivíduos mais velhos já não estão empregada por compensação monetária, optando por uma mudança. Contudo, vale a pena notar que um número significativo de reformados embarca em novos empreendimentos profissionais, dedicam-se a atividades de trabalho ou contribuir com seu tempo por meio de esforços voluntários. O conceito de reforma não é um acontecimento estático, mas sim uma jornada contínua que requer uma consideração cuidadosa das suas implicações emocionais num contexto específico. Vários fatores, tais como recursos pessoais, económicos e sociais, juntamente com a duração da reforma, podem ter impacto no estado emocional de um indivíduo. De acordo com Papalia, Olds e Feldman (2013), vale a pena notar que nas nações em desenvolvimento, os indivíduos mais velhos normalmente residem com os filhos ou netos. Por outro lado, nos países desenvolvidos, uma parcela significativa da população idosa coabita com o cônjuge,enquanto um número menor, mas crescente, vive de forma independente. Com a tendência de mais indivíduos optarem por ter apenas um filho ou renunciarem completamente a ter filhos, é previsível que haja um aumento de idosos que vivem sozinhos na sociedade. Consequentemente, torna-se imperativo estabelecer condições de vida alternativas ou garantir a disponibilidade de opções de habitação de alta qualidade para aqueles que atingiram a fase final do ciclo de vida. FAMÍLIA E ENVELHECIMENTO Uma proporção significativa de idosos reside com o companheiro, indicando um número substancial de famílias na fase final do ciclo de vida. Consequentemente, existe uma procura de apoio durante as diversas transições associadas ao envelhecimento e à adaptação das famílias a novos padrões funcionais (FIGUEIREDO et al., 2011). Durante esta fase específica do ciclo de vida, Relvas (2000) refere-se a ela como a “fase do acordeão”, onde a mistura de gerações se torna mais evidente. É um momento em que novos membros, como genros, noras e netos, se juntam à família, enquanto as gerações mais velhas podem ir e vir devido a doenças temporárias. Situada entre a família de origem e a família da próxima geração, esta fase envolve navegar na dinâmica multigeracional, apoiar os filhos na saída de casa, reavaliar a relação do casal e adaptar-se aos desafios do envelhecimento. Quando os filhos saem de casa, é necessária uma reorganização da relação pai-filho adulto. É crucial começar a preparar-se antecipadamente para Assista o vídeo a seguir para aprofundar seus conhecimentos. Nesse vídeo, Willian Rezende reúne informações e quais aspectos fazem dizer que alguém está velho, o que determina que alguém é idoso. Envelhecimento - Aspectos Do Envelhecimento. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=Xm5o6i6e1OY. Acesso em 29 de fev de 2024. esta transição, permitindo que as crianças se tornem independentes, mantendo ao mesmo tempo um sistema de apoio dentro da família. No seu estudo sobre a fase final do ciclo de vida, Cerveny e Berthoud (2002) enfatizam o significado da experiência presente numa perspectiva relacional, envolvendo filhos e netos. Isto envolve negociar e conectar vários modelos familiares e promover a igualdade entre eles. A fase de redefinição das relações com as gerações mais velhas e mais novas, referida como “ninho vazio” por Duvall e Miller (1985), é na verdade um período que requer interação complexa. Minuchin e Fishman (1990) destacam a importância de redefinir relacionamentos e aceitar mudanças nos papéis geracionais à medida que os indivíduos envelhecem. Com o avanço da idade ocorre uma diminuição da autonomia, um aumento da vulnerabilidade às doenças e um declínio da atividade física e mental, tornando mais difícil a adaptação ao ambiente. A preparação e a aceitação do envelhecimento tornam-se uma tarefa de desenvolvimento crucial para manter o equilíbrio entre o ciclo de vida familiar e o ciclo de vida individual. O envelhecimento humano engloba mudanças progressivas nos aspectos biológicos, psicológicos e sociais que ocorrem ao longo da vida. A compreensão da transição contextual do envelhecimento engloba três elementos essenciais, como afirma Alarcão (2002) o tempo, que desempenha um papel crucial no estabelecimento e na reconfiguração de objetivos futuros; a regulação da autonomia-dependência e das relações intergeracionais, que, quando combinadas com o nível de autonomia, podem levar a uma inversão da hierarquia relacional. Esses elementos se manifestam por meio de indicadores fisiológicos, cognitivos e afetivos. Quando se trata de dependência, que se refere à incapacidade de um indivíduo satisfazer as suas necessidades sem a ajuda de outros, abrange não apenas transformações pessoais em termos de autoimagem, autoconceito e identidade, mas também mudanças nos papéis familiares e sociais. A reorganização da família, juntamente com o estabelecimento de novos padrões de interação, realça a importância de manter o funcionamento do casal e de explorar novas responsabilidades familiares e sociais. Essas mudanças contribuem para a intrincada dinâmica dentro da família e impactam a eficácia de vários aspectos funcionais. O resultado desta reestruturação do casamento depende do calibre da relação, entrelaçado com a interpretação de cada indivíduo dos resultados previstos e da realidade que encontra, bem como do seu contentamento com o casamento e das suas perspectivas para o futuro como casal. Simultaneamente, a dinâmica da vida conjugal evolui ao longo do tempo, em harmonia com a forma como o casal se ajusta às mudanças dentro de si como subsistemas individuais, bem como com a sua abordagem conjunta na navegação nas pressões internas e externas que surgem de outros subsistemas dentro do relacionamento (FIGUEIREDO et al., 2011). O crescimento do círculo social pessoal e conjugal desempenha um papel crucial na manutenção de importantes ligações de apoio, promovendo a troca de experiências que contribuem para a resiliência face às mudanças inevitáveis que acompanham o envelhecimento. Continua a ser imperativo poder aventurar-se para além dos limites do lar e enfrentar os desafios que surgem com a perda do cônjuge nesta fase, que é marcada pelo culminar de um ciclo de vida. Durante esta fase particular, ocorrem alterações distintas na funcionalidade, estrutura e interação que têm impacto nas questões relacionadas com o casamento, o envelhecimento e a redefinição das relações entre a geração dos filhos e os seus pais, desde que ainda vivos. O discurso em torno do ciclo de vida auxilia na compreensão do sistema familiar em termos do seu aspecto desenvolvimental dentro de um determinado contexto. Essa compreensão nos permite compreender os meandros do envelhecimento como um processo multifacetado e distinto, moldado pelas interações sistêmicas que definem as responsabilidades familiares (FIGUEIREDO et al., 2011). FIM DO CICLO VITAL: MORTE A conclusão do ciclo de vida humano é marcada pela ocorrência universal e inevitável conhecida como morte. Esta faceta da existência evoca uma série de sentimentos e contemplações, abrangendo medo, tristeza, aquiescência e serenidade. Nossas percepções e respostas à morte são profundamente moldadas por nossas crenças, valores e encontros culturais individuais. O conceito de morte é frequentemente considerado um quebra-cabeça enigmático, uma porta de entrada para um território desconhecido. Provoca um profundo sentimento de tristeza, tanto para os que partiram como para os que ficaram para trás. O anseio pelos entes queridos que partiram e a angústia da separação podem consumir tudo. No entanto, a morte também pode ser percebida como um componente inerente ao círculo da vida, uma metamorfose para outro domínio ou um reencontro com indivíduos queridos que nos precederam. A natureza delicada e inestimável da vida é uma noção que a morte nunca deixa de nos impressionar, independentemente das nossas convicções pessoais. A morte serve como um catalisador, incitando-nos a abraçar uma existência genuína, a saborear cada instante fugaz e a cultivar conexões profundas. Além disso, nos leva a contemplar nosso propósito e a impressão duradoura que deixaremos quando partirmos deste mundo. Em numerosas sociedades, vários costumes e tradições são promulgados como forma de prestar homenagem aos que faleceram e de ajudar os enlutados a lidar com a angústia da sua ausência. Embora as especificidades destes rituais possam diferir muito, o seu objetivo subjacente permanece consistente: oferecer consolo, encorajamento e uma sensação de ligação contínua. Embora a morte seja comumente percebida como a conclusão do ciclo de vida humano, ela também pode ser considerada como o início de uma jornada desconhecida e inexplorada.Independentemente das perspectivas individuais, a morte continua a ser um aspecto inerente à existência humana, obrigando-nos a confrontar as nossas limitações, a passar por transformações profundas e a apreciar a natureza transitória, mas requintada, da vida. Ponto culminante da jornada distinta de um indivíduo, a morte significa a conclusão de uma série de Estágios da vida. Bee (1997) apresenta insights intrigantes sobre o conceito de morte, incluindo o fato de que crianças com menos de 6 ou 7 anos não compreendem sua permanência, inevitabilidade e a cessação das funções corporais. Para os adultos, a morte comporta várias interpretações: um reflexo da mudança na dinâmica familiar, uma consequência de não levar uma vida virtuosa, uma transição para uma existência alternativa, como uma vida após a morte, e uma perda de oportunidades e relacionamentos. De acordo com Papalia, Olds e Feldman (2013), embora a morte possa não ocupar a mente dos adolescentes, há alguns que enfrentam violência regularmente. Os adolescentes muitas vezes se envolvem em comportamentos imprudentes. Por outro lado, à medida que os adultos progridem ao longo da vida, a sua consciência e o reconhecimento da inevitabilidade da morte aumentam. Os cinco estágios pelos quais os indivíduos normalmente passam quando estão cientes de sua morte iminente, conforme mencionado por Bee (1997) e Papalia, Olds e Feldman (2013), incluem negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Consulte a Figura 1 para uma representação visual dessas etapas. Figura 1 - Cinco estágios do processo de morte Fonte: SlideShare Segundo Bee (1997), é importante notar que nem todos os adultos apresentam todos os cinco estágios da vida adulta, nem esses estágios sempre se desenrolam em uma sequência específica. Além disso, a depressão é um fator prevalente nesse processo. Papalia, Olds e Feldman (2013) explicam que à medida que a morte se torna um traço característico da fase final da idade adulta, torna-se cada vez mais obscurecida. Os profissionais oferecem apoio aos indivíduos em fase final de vida, mas essa assistência muitas vezes ocorre de forma solitária. O declínio nas habilidades cognitivas e funcionais antes da morte é uma observação notável feita pelos autores. Bee (1997) examina as várias funções desempenhadas pelos rituais pós-morte, como os funerais, que ajudam a estabelecer papéis para os enlutados, promovem a unidade familiar e conferem significado à vida e à morte. Essencialmente, a participação em rituais é parte integrante do processo de luto, permitindo que familiares e amigos encontrem consolo através de práticas culturalmente diversas, como velórios ou funerais. Os conceitos apresentados por Papalia, Olds e Feldman (2013) merecem atenção especial. De acordo com as suas descobertas, os indivíduos que descobrem um maior significado e direção nas suas vidas são menos propensos a sentir apreensão em relação à morte. Isto sugere que refletir sobre a própria vida pode ajudar no processo de aceitação da mortalidade e proporcionar uma oportunidade para cumprir quaisquer obrigações restantes. Consequentemente, a jornada rumo à morte pode ser vista como uma experiência transformadora e esclarecedora. Assista o vídeo a seguir para aprofundar seus conhecimentos. Nesse vídeo, Amanda Ribeiro reúne informações sobre fim da vida e processos de luto e morte. Psicologia do Desenvolvimento - O fim da vida e processos de luto e morte. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=QLK9HABd5Nc. Acesso em 29 de fev de 2024. REFERÊNCIAS ABERASTURY, Arminda; KNOBEL, Maurício. Adolescência normal: um enfoque psicanalítico. Porto Alegre: Artmed, 2008. ALARCÃO, M. (Des)Equilíbrios familiares, uma visão sistémica. Coimbra: Quarteto, 2002. BEE, Helen. O ciclo vital. Tradução Regina Garcez. Porto Alegre: Artmed, 1997. BRASIL. Lei n. 10.741, de 1º de outubro de 2003. Dispõe sobre o Estatuto do Idoso. Brasília: CNDI, 2003. BRASIL. Lei n. 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente. Brasília: CBIA, 1990. CAMPOS, D. M. S. Psicologia da adolescência: normalidade e psicologia. 11. ed. Petrópolis: Vozes, 1987. CERVENY, C. & BERTHOUD, C. Visitando a família ao longo do ciclo vital. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2002. CHAGAS, Eva Regina Carrazoni. Sexualidade e educação sexual. In: FERREIRA, Berta Weil; RIES, Bruno Edgar (Orgs.). Psicologia e educação: desenvolvimento humano infância. 3. ed. 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