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Atividade 1 - ARTE E CULTURA LATINO-AMERICANA Aluna: Ana Gabriella Pinto do Vale RA: 2024108982 Ao refletir sobre as manifestações culturais das civilizações pré-colombianas — como as culturas Inca, Maia e Asteca — é impossível não reconhecer a profundidade e a sofisticação das suas expressões artísticas, religiosas e arquitetônicas. Esses povos desenvolveram sistemas complexos de símbolos que, mesmo após a colonização e os processos de apagamento cultural brutais, deixaram “resquícios” visíveis e invisíveis em nosso cotidiano, sobretudo quando observamos com mais atenção os elementos que sobreviveram e foram ressignificados ao longo do tempo. A iconografia dessas civilizações era rica em simbolismos associados à natureza, ao cosmos e à espiritualidade. Os maias tinham uma proximidade precisa da medição do tempo e representavam suas divindades e eventos cósmicos com formas geométricas e figuras humanas. Já os astecas investiram em um imaginário visual fortemente ligado ao combate, ao sacrifício e aos deuses solares com imagens potentes marcadas por cores fortes e figuras que misturavam o ser humano ao animal e ao divino. Os incas, por sua vez, priorizavam a harmonia com o ambiente no qual estavam inseridos, refletida nas formas de suas construções em pedra, encaixadas perfeitamente, além de expressarem sua visão dos cosmos por meio de tecidos, cerâmicas e símbolos como o chakana (cruz andina), que remete ao equilíbrio entre os mundos. No Brasil, mesmo sem ter havido o mesmo tipo de civilizações urbanas como as da Mesoamérica e dos Andes, a cultura ameríndia também deixou marcas profundas que podemos identificar tanto em práticas culturais quanto em elementos do espaço urbano. Um exemplo são os grafismos indígenas que hoje ganham espaço em murais inseridos por toda a cidade e na arte contemporânea — como no trabalho de artistas como Jaider Esbell e sua esposa, Daiara Tukano. Esses grafismos muitas vezes se aproximam, em termos de composição visual, da arte maia e asteca, com o uso de linhas marcantes, simetrias e repetições rítmicas. Outro ponto importante está na arquitetura e apesar de a arquitetura urbana brasileira ter se desenvolvido sob forte influência europeia clássica modificada, é possível identificar estruturas que evocam modelos pré-colombianos — seja nas linhas simétricas e ornamentações geométricas de construções modernistas, seja em edificações inspiradas na natureza e integradas ao ambiente, como defende Rosa Kliass. O próprio uso do concreto aparente em obras como as de Oscar Niemeyer remete, de forma indireta, ao uso da pedra nas construções incas — sólidas, integradas à paisagem e resistentes ao tempo. Culturalmente, também convivemos com heranças ameríndias no nosso idioma (com palavras de origem tupi-guarani), na culinária (como o uso da mandioca, do milho e do peixe), e em saberes ancestrais relacionados à natureza, à cura com plantas medicinais, à pesca artesanal e ao modo de ocupar o território de maneira mais integrada ao meio ambiente. Essas características foram herdadas e muitas vezes não são percebidas com facilidade por grande parte da sociedade. Essas permanências não são apenas lembranças do passado, mas sim testemunhos vivos e reais da resistência cultural dos povos originários e da complexidade das interações culturais ao longo da história. Com isso, conseguimos articular relações entre as civilizações pré-colombianas e outras etnias, como os povos indígenas brasileiros, os africanos trazidos como escravizados e suas cosmovisões, bem como o próprio europeu colonizador, numa perspectiva que reconhece a mestiçagem e o sincretismo cultural como elementos fundamentais da nossa identidade. Por fim, observar essas referências em nosso entorno é um exercício histórico, crítico e sensível que nos aproxima de uma compreensão mais ampla do que somos enquanto sociedade, nos lembrando que o passado está constantemente presente — nas formas, nas imagens e nos modos de viver.