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Leucemias 1. Introdução – definição e conceito geral As leucemias são um grupo de doenças que surgem de mutações genéticas em células precursoras hematopoiéticas na medula óssea. As leucemias são classificadas em agudas e crônicas, e cada uma pode ser linfoide ou mieloide, conforme o tipo de célula afetada. Nas leucemias agudas, há bloqueio na maturação das células, com proliferação rápida de blastos (células imaturas). Esses blastos se acumulam na medula óssea e atrapalham a produção normal de células sanguíneas. Já nas leucemias crônicas, o acúmulo de leucócitos cancerígenos ocorre de forma lenta e progressiva. As células estão em estágio mais maduro, o que as diferencia das leucemias agudas. 2. Classificação das leucemias • Leucemia Mieloide Aguda: A forma mais comum de leucemia aguda no adulto. Na leucemia mieloide aguda (LMA), mutações genéticas nas células-tronco mieloides causam a formação de blastos, que ficam “presos” em estágios imaturos e não conseguem amadurecer. Esses blastos passam a se multiplicar de forma descontrolada e crescem rapidamente na medula óssea, prejudicando a produção de células sanguíneas normais e saudáveis. O número de células saudáveis (células vermelhas, células brancas e plaquetas) pode cair. Neste momento, o indivíduo começa a apresentar anemia, infecções e sangramentos • Leucemia Mieloide Crônica: A LMC é um tipo de leucemia de progressão lenta, que afeta as células mieloides da medula óssea. Segundo a OMS, a LMC é uma neoplasia mieloproliferativa, ou seja, a medula passa a produzir células sanguíneas em excesso. Nos pacientes com LMC, há uma superprodução de glóbulos brancos, com crescimento lento das células doentes. Isso pode levar a anemia, fadiga, infecções, sangramentos, entre outros problemas. No entanto, alguns pacientes não apresentam sintomas, e a doença pode ser descoberta em exames de sangue de rotina. • Leucemia Linfoide Aguda: é caracterizada pela proliferação de blastos leucêmicos, originando-se de células B ou T precursoras. Em uma medula óssea saudável, as células-tronco se tornam células maduras por meio da diferenciação. Na leucemia linfoide aguda (LLA), ocorre um erro genético que origina um linfócito imaturo e danificado. Esse erro leva à formação de uma célula blástica leucêmica (linfoblasto ou blasto leucêmico), que fica “presa” nos estágios iniciais do desenvolvimento. Essa célula não amadurece nem se transforma em uma célula sanguínea funcional. É a doença maligna mais comum na infância, principalmente em crianças entre os 3 e 7 anos de idade, com pico entre 1 e 4 anos, sendo infrequente em adultos. • Leucemia Linfoide Crônica: Nessa doença, um erro genético faz com que os linfócitos, especialmente os linfócitos B, se desenvolvam de forma descontrolada e percam suas funções. Ela é considerada crônica porque, mesmo com esse crescimento anormal, a produção de células normais continua ocorrendo. Assim, há um acúmulo de linfócitos alterados na medula óssea, mas as células saudáveis ainda são fabricadas e amadurecem ao mesmo tempo. 3. Sinais e sintomas Varia de acordo com o tipo de leucemia Na maior parte das vezes, a Leucemia Linfoide Crônica não apresenta nenhum sinal e é descoberta durante exames de rotina. Pacientes com Leucemia Mieloide Crônica podem não apresentar sintomas. Quando os sintomas aparecem, é sinal de que a produção normal de células na medula óssea está sendo afetada pelas células da LMC. A anemia (falta de glóbulos vermelhos) pode causar cansaço, fadiga e falta de ar; a redução de glóbulos brancos aumenta o risco de infecções; a queda nas plaquetas pode provocar sangramentos ou hematomas. Na Leucemia Linfoide Aguda (LLA), é comum que o paciente sinta uma queda no bem-estar geral devido à diminuição da produção de células sanguíneas normais na medula óssea. Com isso, o número de glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas maduros fica abaixo do normal. Os sintomas causados pela baixa de glóbulos brancos (leucopenia) incluem: infecções frequentes e febre Na Leucemia Mieloide Aguda (LMA), os sinais e sintomas podem se parecer com os de outras doenças menos graves. É comum que o paciente sinta mal-estar geral, causado pela redução na produção de células sanguíneas normais pela medula óssea. Os sintomas relacionados à anemia incluem: fadiga, cansaço, falta de ar, tonturas ou desmaios, palidez, entre outros 4. Diagnóstico - Hemograma: Exame de triagem e costuma ser um dos primeiros solicitados pelo médico. Ele avalia a quantidade de células nas três linhagens do sangue: eritrócitos (glóbulos vermelhos, leucócitos (glóbulos brancos), megacariócitos (plaquetas). Em casos de leucemias agudas, é comum encontrar leucocitose (aumento de leucócitos), anemia e trombocitopenia (redução de plaquetas). Essas alterações podem levantar suspeita clínica e levar o médico a solicitar exames laboratoriais mais específicos para confirmar o tipo e subtipo da leucemia. - Mielograma: exame usado para avaliar a medula óssea. Ele é feito por meio de uma punção óssea, seguida da aspiração do material da medula. Esse exame permite analisar, entre outras coisas, o número (nível quantitativo) de blastos presentes no tecido medular, informação essencial para o diagnóstico de leucemias. - Imunofenotipagem: Realizada por citometria de fluxo, é essencial para: diferenciar entre leucemias mieloide e linfoide, o que é crucial para o diagnóstico; detectar doença residual mínima após o tratamento da LMA (leucemia mieloide aguda); identificar a linhagem dos linfoblastos e ajudar na definição do prognóstico da LLA (leucemia linfoide aguda). Além disso, o exame permite distinguir entre a linhagem B e T, com base na expressão de antígenos, o que contribui para um diagnóstico mais preciso. 5. Tratamento - LMC: quimioterapia, normalmente usada em pacientes que se encontram na fase blástica como uma forma de fazer a Leucemia Mielóide Crônica regredir à fase crônica. Às vezes, altas doses de quimioterapia são ministradas para preparar o paciente para um transplante alogênico de células-tronco; terapia com inibidores da tirosina, que identifica e ataca tipos específicos de células de câncer, causando menos danos às células saudáveis; imunoterapia, um tipo de medicamento que estimula o sistema imunológico. - LLC: imunoterapia; quimioterapia; transplante de medula óssea - LMA: quimioterapia; transplante de medula óssea - LLA: quimioterapia; transplante de medula óssea; imunoterapia