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TIC’S – SAYMON SILVA NEVES 
O que diferencia uma leucemia de um linfoma? 
Quais os tipos de leucemia e linfoma? 
A leucemia e o linfoma se diferenciam devido ao local de surgimento. A leucemia 
refere-se a uma doença que surge na medula óssea, envolvendo a linhagem mieloide e 
linfoide da medula. Já o linfoma refere-se a uma doença extramedular, com envolvimento 
limitado ou nenhum envolvimento da medula óssea, assim, o linfoma acomete mais o 
sistema linfático, principalmente os linfonodos. 
LEUCEMIA 
As leucemias são comumente classificadas de acordo com o tipo predominante 
de células (linfocítica ou mielóide) e se a condição é aguda ou crônica. Leucemias 
bifenotípicas demonstram características tanto de linhagens linfoides quanto mieloides. 
As principais leucemias são: 
• Leucemia linfocítica aguda (LLA); 
• Leucemia linfocítica crônica (LLC); 
• Leucemia mieloide aguda (LMA); 
• Leucemia mieloide crônica (LMC). 
A LLA acomete mais frequentemente crianças, sendo responsável por 3 de cada 4 
casos de leucemia infantil. Engloba um grupo de neoplasias compostas de precursores 
de linfócitos B (pré-B) ou T (pré-T), denominados linfoblastos. Pontua-se que 90% das 
pessoas com LLA apresentam alterações numéricas e estruturais nos cromossomos de 
suas células leucêmicas, desregulando a expressão e a função de fatores de transcrição 
necessários para o desenvolvimento de células hematopoéticas normais. 
A LMA é principalmente uma doença de idosos, mas também pode se manifestar em 
crianças e jovens adultos. As LMA são um grupo diverso de neoplasias que afetam as 
células precursoras mieloides na medula óssea, estando associada a alterações 
genéticas adquiridas que inibem a diferenciação mieloide terminal. Como resultado, os 
elementos normais de medula são substituídos por uma acumulação de blastos, 
relativamente indiferenciados, com resultante supressão das células progenitoras 
restantes, o que conduz a um quadro de anemia, neutropenia e trombocitopenia. 
Embora LLA e LMA sejam doenças distintas, apresentam características clínicas 
semelhantes. Ambas se caracterizam por manifestação abrupta de sintomas, incluindo 
fadiga resultante de anemia; febre baixa, suores noturnos e perda de peso pela rápida 
proliferação e hipermetabolismo das células leucêmicas; sangramento devido à redução 
na contagem de plaquetas; e dor e sensibilidade óssea causadas pela expansão da 
medula. Ocorre linfadenopatia generalizada, esplenomegalia e hepatomegalia causada 
por infiltração de células leucêmicas em todos os casos de leucemia aguda. 
A LLC, uma malignidade clonal dos linfócitos B, é a forma mais comum de leucemia 
em adultos. Os sinais e sintomas clínicos da estão fortemente relacionados com a 
infiltração progressiva da medula óssea e dos tecidos linfoides por linfócitos neoplásicos 
e com defeitos imunológicos secundários. À medida que a doença progride, os linfonodos 
aumentam gradualmente de tamanho e novos linfonodos são envolvidos em áreas pouco 
usuais, como couro cabeludo, órbitas, faringe, sistema digestório, figado, próstata e 
gônadas. Pessoas com a forma agressiva de leucemia linfocítica crônica passam por uma 
sequência mais rápida de deterioração clínica, caracterizada pelo aumento da 
linfadenopatia, hepatoesplenomegalia, febre, dor abdominal, perda de peso, anemia 
progressiva e trombocitopenia, com rápido aumento na contagem de linfócitos. A principal 
característica diagnóstica de LLC é a existência isolada de linfocitose. 
A LMC é uma doença das células progenitoras hematopoéticas pluripotentes. É 
caracterizada por proliferação excessiva de granulócitos, precursores hematoides e 
megacariócitos da medula óssea. Geralmente se considera que a LMC se desenvolve 
quando uma única célula-tronco hematopoética pluripotente adquire um cromossomo 
Philadelphia. Embora a LMC tenha origem nas células-tronco pluripotentes, os 
precursores de granulócitos permanecem o tipo de célula leucêmica dominante. O curso 
clínico da LMC é comumente dividido em três fases: fase crônica da duração variável, 
fase acelerada curta e fase terminal de crise blástica. 
 
LINFORMA 
Os linfomas não Hodgkin (LNH) representam um grupo clinicamente diversificado de 
origem em células B, T ou células NK. A etiologia é desconhecida, porém, o 
comprometimento do sistema imunológico e a existência de agentes infecciosos podem 
estar envolvidos. Embora os LNH possam se originar em qualquer um dos tecidos 
linfoides, é mais comum nos linfonodos. Como os linfócitos normais, as células B e T 
transformadas alojam-se em determinados sítios nos linfonodos, resultando nos padrões 
característicos de envolvimento. Por exemplo, os linfomas de células B tendem a 
proliferar nas áreas de células B do linfonodo, enquanto os linfomas de células T 
tipicamente crescem nas áreas paracorticais de células T. Todos têm o potencial de se 
disseminar para vários tecidos linfoides por todo organismo, especialmente no fígado, 
baço e medula óssea. A classificação dos LNH foi estabelecida pela OMS para incluir 
neoplasias de células B, que compreendem mielomas e leucemias oriundos de células 
B; neoplasias de células T e neoplasias de células NK. 
Os sintomas de apresentação normalmente incluem linfadenopatia periférica. Alguns 
pacientes se apresentam sem linfadenopatia, mas com linfócitos anormais na circulação. 
É provável que a doença esteja disseminada no momento da apresentação, e o 
diagnóstico geralmente se baseia em biópsia de linfonodo ou medula óssea, ou ambas. 
As estratégias de tratamento podem incluir observar e aguardar, quimioterapia, fármacos 
alvo e imunoterapias e, ocasionalmente, adiciona-se radioterapia. 
O linfoma de Hodgkin (LH) acomete principalmente adultos jovens, tendo um risco 
aumentado em pacientes imunossuprimidos. É uma forma especializada de linfoma que 
se caracteriza pela existência de uma célula anormal chamada de célula de Reed-
Sternberg. O LH difere do LNH em vários aspectos. Primeiramente, o LH geralmente 
surge em um único linfonodo ou cadeia de linfonodos, enquanto o LNH frequentemente 
se origina em outros locais e se dissemina para os linfonodos anatomicamente contíguos. 
Em segundo, o LH se caracteriza pela existência de células tumorais mononucleares 
grandes e atípicas (Reed-Sternberg). 
A maioria das pessoas com LH apresenta aumento indolor de um único linfonodo ou 
de grupo de linfonodos. Tipicamente, o envolvimento inicial é em um linfonodo acima do 
nível do diafragma. Pode haver queixas de desconforto no tórax, com tosse ou dispneia. 
Outros sintomas incluem febre, calafrios, suores noturnos e perda de peso. Prurido e 
febres intermitentes associados a suores noturnos são sintomas clássicos. Fadiga e 
anemia são indicativos de disseminação da doença. Nos estágios avançados da LH, 
pode ocorrer envolvimento do fígado, baço, pulmões, sistema digestivo e SNC. À medida 
que a doença progride, a rápida proliferação de linfócitos anormais leva a um defeito 
imunológico, em particular das respostas mediadas por células, tornando a pessoa mais 
suscetível ao desenvolvimento de infecções. 
REFERÊNCIA 
FERRI, F. F.; FORT, G. G.; GOLDBERG, R. J.; KASS, J. S.; RAFEQ, S.; RATHORE, B., 
et al. Leucemia linfoblástica aguda. In: ______. Ferri oncologia e hematologia: 
recomendações atualizadas de diagnóstico e tratamento. Rio de Janeiro: Elsevier, 
2019. cap. 39. p. 172-183. 
HODGSON, D. C. Hodgkin Lymphoma (HL). DynaMed, 2023. Disponível em: 
https://www.dynamed.com/condition/hodgkin-lymphoma-hl. Acesso em: 17 abril. 2025. 
 JACOBSON, C. Non-Hodgkin Lymphoma (NHL). DynaMed, 2023. Disponível em: 
https://www.dynamed.com/condition/non-hodgkin-lymphoma-nhl. Acesso em: 17 abril. 
2025. 
PORTH, C.M.; MATFIN, G. Fisiopatologia. 10. ed. Guanabara Koogan, 2021. Cap 28. 
Distúrbios dos Leucócitos e dos Tecidos Linfoides. p. 1078-1096

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