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PESQUISA EM PESQUISA EM DESIGN DESIGN DEDE
ANIMAÇÃOANIMAÇÃO
CONCEITO, NARRATIVA ECONCEITO, NARRATIVA E
STORYBOARDSTORYBOARD
Au to r ( a ) : M e . D e b o ra h M a g n a n i d e O l i ve i ra
R ev i s o r : M e . Fe l i p e Au g u s to P i re s
Tempo de leitura do conteúdo estimado em 1 hora e 12 minutos.
Introdução
Olá, estudante!
Você já percebeu que o desenvolvimento de um projeto de pesquisa em animação envolve
muitas etapas. Todas envolvem tanto o aspecto criativo quanto o metodológico do processo
de criação. Isso quer dizer que, em determinados momentos, a criação deve ser guiada,
também, por uma série de métodos e sistemas.
Em nossos estudos, conversaremos sobre como os processos de storytelling são essenciais
para que você possa comunicar a sua ideia criativa; como a roteirização detalha todos os
elementos narrativos; e como o storyboarding valida as sequências visuais. E tudo isso deve
estar extremamente alinhado à metodologia projetual e à metodologia científica, para que o
seu projeto tenha organização e qualidade não só estética como também analítica. Vamos
juntos!
Nós já sabemos que a animação é mais do que apenas animais e criaturas divertidas e
falantes. Além disso, muito do que faz essa forma de arte funcionar não é óbvio no que diz
respeito a argumento e storytelling. Existem vários componentes-chave que estão no cerne
da animação, e um dos mais importantes é a relação especial com a ação.
Argumento e
Storytelling
Essa relação envolve todo tipo de animação, independentemente da técnica ou do conteúdo
da história. Então, se você está escrevendo um roteiro baseado em um mundo de fantasia
voltado ao visual em Computação Gráfica em 3D (CG3D) ou a um programa de TV apoiado na
vida real sobre um grupo de pré-adolescentes que gosta de passear no shopping, a ação deve
desempenhar um papel principal.
De acordo com Jones e Oliff (2007), compreender os componentes da criação de uma boa
história vai ajudá-lo como animador, além de realçar qualquer cena. Se você pensar sobre
eles enquanto anima, dará à sua performance uma riqueza não encontrada nas obras de
outros que estão apenas tentando atender às necessidades básicas de uma cena. Você
estará no lugar do personagem enquanto anima. Você contará a história por meio das ações
do seu personagem.
Lembre-se de que estamos falando de ação animada. É importante lembrar esse ponto,
porque a ação ao vivo (live-action) é um modo padrão tão automático que, muitas vezes,
caímos desprevenidos nele ao planejar projetos animados. Na verdade, vamos enfatizar o
ponto mais importante aqui, aquele que você, realmente, nunca deve esquecer se quiser
escrever para esse meio: animação não é live-action. Mesmo quando a animação imita a
ação ao vivo (o que costuma acontecer), ainda não é uma ação ao vivo. Portanto, não se
deixe enganar. É claro que você pode criar um roteiro animado funcional construído no
modelo de ação ao vivo, mas você nunca produzirá um ótimo roteiro animado com essa
abordagem.
Isso ocorre porque a animação tem muito mais espaço para liberdade criativa, fantasia e
controle do que o live-action. Tratá-la da mesma forma com que se trata uma ação ao vivo é
como pregar um pássaro a um tabuleiro (não se preocupe, é um pássaro de desenho
animado) e, então, esperar que ele voe. Em outras palavras, essa abordagem tende a criar
uma estrutura que, inadvertidamente, restringe o conteúdo animado em vez de apoiá-lo.
Quando você pensa em expandir os limites da cena por meio da experimentação,
pode começar a abraçar os conceitos de caricatura e exagero. Essas são as coisas
que a animação pode fazer que a ação ao vivo não pode. A animação nos convida
sempre a experimentar (JONES; OLIFF, 2007, p. 116).
É certo que estar ciente desses atributos só valerá algo se a sua percepção realmente
influenciar como você escreve o seu roteiro. Então, vamos ver como algumas dessas
qualidades atuam nesse caso, observando como elas afetam o papel da ação. Podemos
lembrar-nos da utilização dos doze princípios da animação. Tome o princípio do exagero, por
exemplo. Uma característica que emerge a partir da natureza gráfica da animação e impacta
todos os aspectos da produção, desde o primeiro conceito até o design, o som, a edição e o
movimento. Não surpreendentemente, então, o exagero também molda as habilidades de
desempenho de personagens animados. Dentre outras coisas, isso significa que a
performance animada precisa ser ampliada e simplificada para ser lida com clareza.
Que diferença isso faz? Veremos que muita. No live-action, um ator bem treinado pode,
realmente, embalar uma quantidade incrível de informações em um momento de quietude. A
raiva, a dúvida crescente ou o amor crescente podem ser demonstrados por meio de uma
mudança sutil no foco dos olhos ou de uma expressão de desconforto mal disfarçada.
Mas, para personagens animados, a história é diferente. Mesmo os personagens mais
sofisticados e realistas em CG têm uma capacidade limitada de expressões faciais sutis; os
personagens médios (mais caricatos) têm ainda menos. Portanto, uma série de closes de
rosto em um longo diálogo – especialmente um diálogo explicativo – pode, de forma rápida,
se tornar altamente maçante. Nesse contexto, os recursos visuais convertem-se em quase
totalmente irrelevantes.
Então, em vez de usar técnicas de storytelling que destacam os pontos fracos da animação,
por que não tirar proveito dos pontos fortes dela? Além disso, onde o desempenho baseado
em pequenos movimentos faciais pode ser perdido ou impossível de ser alcançado na
animação, os movimentos corporais combinados com expressões faciais mais amplas
funcionarão muito bem.
Mas como chegamos a esse desempenho baseado em movimento? Uma maneira é basear a
sua narrativa na ação em vez de ampará-la no diálogo. Quando, primeiro, você escreve o
diálogo, a ação muda, automaticamente, para um papel secundário, ela é forçada a se
conformar à necessidade primordial do diálogo: ser compreendida. Portanto, ao priorizar o
diálogo, não pode haver muita ação, e ele não pode ser muito rápido ou exigir muito esforço
de compreensão por parte dos espectadores. E, em qualquer caso, os ângulos da câmera,
provavelmente, acabarão sendo o conjunto usual de close-ups, deixando, na tela, muito pouco
espaço para a ação.
Tudo isso se inverte quando você escreve com foco na ação. O ritmo se torna mais dinâmico
e variado. Como há mais ação, há mais demanda para o uso variado de câmeras. Ambas as
configurações e a ação podem ser mais inventivas e desafiadoras. E, talvez o melhor de tudo,
a ação deixa de ser pouco mais do que um preenchimento de tela para ser uma parte
essencial da narrativa.
Observe quantas camadas de informações foram compactadas nessa sequência de ações,
cada uma compondo a outra. Agora, vemos não apenas a raiva do colega organizado mas
também a origem desse sentimento. Em seguida, o bagunceiro acende o fogo enquanto o
colega organizado é ignorado, já que se tornou invisível pela confusão criada: aqui, as ações
do rapaz bagunceiro falam mais alto do que palavras e quanto menos esse personagem fala,
mais forte ele fica. Enquanto isso, o organizado, como único orador, mal dá início ao discurso
retórico e a pilha de cascas torna a voz dele inaudível. Perceba o quanto é realizado aqui e
tudo com menos da metade das palavras da abordagem do argumento.
Como podemos perceber, uma vez que uma abordagem ativa tenha sido estabelecida, as
palavras podem ser adicionadas não para dominar mas para complementar a ação. Muitos
dos maiores cineastas e escritores de animação, realmente, se desafiam para ver quão
poucas palavras precisam para apresentar as histórias. Depois de pegar o jeito de deixar a
Fonte: kryzhov / 123RF.
Fonte: lightfieldstudios / 123RF.
Talvez, o bagunceiro goste de cozinhar, e a cena se passa
na cozinha. Adicione exagero e, agora, o bagunceiro,
absorto na cozinha, nem percebe quando o colega
organizado entra e começa a discursar.Para piorar a
situação, o bagunceiro começa a descascar uma enorme
pilha de batatas, expelindo um spray contínuo de cascas,
que logo engolfa, completamente, o organizado.
ação liderar o caminho, você ficará surpreso com o número de palavras de que realmente
precisa.
Na animação, as próprias emoções também podem ser transmitidas de maneira muito mais
dramática pela ação do que pelas palavras. Se forem apresentadas de maneira visceral, serão
recebidas pelo público visceralmente também. Então, em vez de, simplesmente, saber o que
um personagem está sentindo, o público, de fato, sente junto com ele – uma maneira
verdadeiramente eficaz de gerar identificação do público com os personagens.
Para Nesteriuk (2001), a distinção entre um produto animado e um live-action pode ser um
critério de classificação estilística e projetual, visto que essas duas linguagens, apesar de
possuírem semelhanças evidentes, são dotadas de técnicas e estéticas bem distintas.
A versão animada da Disney de “101 Dálmatas” (1961) oferece um ótimo modelo para o
poder da performance emocional baseada na ação, especialmente quando comparada com a
versão posterior em live-action. Lembre-se da sequência em que os filhotes nascem. Em
ambos os filmes, essa sequência começa com o cachorro Pongo e Roger, o fiel humano,
enquanto aguardam, ansiosamente, o nascimento dos filhotes, que acontece no quarto ao
lado.
Na versão live-action, grande parte dessa sequência é tratada com diálogo. "Oh, Pongo", diz
Roger, parecendo ansioso enquanto se senta no sofá com Pongo, por perto; "Por que você fica
tão calmo quando estou tão nervoso?" Cortamos para um close-up de Pongo – se parecendo,
obviamente, com um cachorro –, depois, voltamos para um close-up de Roger para mais
reclamações e assim por diante, até os filhotes começarem a chegar e a alegria tomar conta
da cena.
Em comparação, a versão animada começa com Pongo ouvindo, na porta fechada do quarto,
enquanto Roger está sentado do outro lado da sala em uma catatonia absolutamente rígida,
exceto pelas baforadas de fumaça saindo do cachimbo preso entre os dentes. Ambos estão
muito sozinhos na ansiedade deles. Por fim, Pongo, precisando de apoio, cruza a sala até
Roger e lambe a mão dele. Isso faz com que o ansioso Roger se levante da cadeira, o que,
também, o tira de seu estado de isolamento. Assim que Roger se recompõe, ele dá um
tapinha em Pongo e, só então, oferece-lhe algumas palavras tranquilizadoras. Assim, a dupla
de personagens está física e emocionalmente conectada e é capaz de obter conforto um no
outro, em total contraste com o início dessa sequência.
Então, por que a versão baseada em ação é mais eficaz? Primeiro, porque é mais divertida. A
performance de Roger, que inclui o fumo estilizado e o momento em que ele quase fica no ar,
é o coração visual da sequência. É uma bela ilustração de como pode ser eficaz combinar
uma representação realista com exagero.
Mas o mais importante é o impacto emocional gerado aqui. Nesse sentido, a abordagem do
live-action orientada por diálogo simplesmente não pode competir com a animação,
especialmente quando nos lembramos de que as ações, em geral, não mentem.
Como nos lembra Campos (2007), você compõe um roteiro dramático a partir dos jogos de
ações que pinçou, de dentro de uma massa de história, como o principal ponto de foco do
seu narrador.
Quando Roger diz que está nervoso, só temos a palavra dele. Na verdade, não sabemos se
ele está nervoso ou não, e nada mais sobre a performance parece apoiar a afirmação. Mas,
quando o animado Roger salta da cadeira, como um arco fortemente esticado (numa ótima
utilização dos princípios da animação), sabemos, com certeza, quão tenso ele está, e
nenhuma explicação adicional é necessária.
É importante notar que a ação, nesse exemplo, não é particularmente exótica ou selvagem.
Claramente, as sequências de ação emocionantes têm um lugar importante na animação.
Pense, aqui, na cena da nossa cozinha ou, mais emocionante ainda, em Buzz Lightyear
(TOY…, 1995) vagando pelo quarto de Andy, tentando provar que ele pode voar. Muitos dos
momentos mais memoráveis da animação são solidamente baseados em grandes ações, e
os roteiros animados precisam abrir espaço para tais sequências para que esse tipo de
mágica aconteça.
Mas o desenvolvimento de seu argumento baseado em ação também envolve pequenos
momentos emocionais – como Dumbo (1941) sendo embalado na tromba da mãe
aprisionada –, e isso, geralmente, é criado melhor com ações simples do que com longas
descrições.
Portanto, ao escrever seu roteiro animado, mantenha o potencial de ação em mente. O colega
bagunceiro já está empenhado em fazer uma bagunça antes mesmo de o rapaz organizado
entrar em cena; Pongo e Roger, sentindo-se excluídos do nascimento dos filhotes, também
ficam fisicamente separados um do outro: esse é o tipo de ponto de partida que prepara o
terreno para a criação de uma excelente performance animada e, portanto, de uma produção
geral com maior potencial de sucesso.
Conhecimento
Teste seus Conhecimentos
(Atividade não pontuada)
Na animação, o ato de contar histórias é executado pelo movimento dos elementos e
personagens que vão se relacionando nas narrativas. Contar histórias é uma atividade que
está, intrinsecamente, ligada à vida humana, e, por isso, precisamos entender de emoção
humana, motivação e psicologia para termos uma boa narrativa. Podemos dizer que contar
histórias é o que nos conecta à nossa humanidade.
A partir do exposto acima e com base nos estudos realizados no tópico, assinale a
alternativa correta.
a) Em um projeto de narrativa animada, precisamos sempre lembrar que o roteiro
deve representar um papel crucial, adicionando efetividade e focando mais diálogos
do que ações.
b) Sabemos que, muitas vezes, a animação imita a narrativa live-action. Portanto, é
de se esperar que um roteiro animado siga os mesmos padrões e, ainda assim,
apresente um resultado de sucesso.
c) Um dos atributos fundamentais que leva à construção da narrativa na animação
a um patamar diferente do live-action é a possibilidade de inserção de sutilezas nas
ações e descrição de cenas.
d) Na animação, quando se escreve com foco na ação, o ritmo se torna mais
dinâmico e variado, pois os diálogos podem ser adicionados não para dominar mas
para complementar a ação, que, em vez de dizer o que o espectador deve sentir,
demonstra.
e) A versão de uma narrativa baseada em ação não é necessariamente mais eficaz
do que aquela baseada exclusivamente em diálogos, mas uma das vantagens desta
é que ela é mais divertida.
Você sabia que um projeto de investigação científica é o projeto de pesquisa realizado
durante seus estudos? Embora o foco em um projeto de pesquisa projetual seja o
desenvolvimento de um produto, a estrutura e o procedimento dele são semelhantes aos de
um estudo de pesquisa em ciências puras (Física ou Biologia, por exemplo).
Segundo Andrade (2010, p. 125), “um bom projeto de pesquisa deve conter apenas as linhas
básicas da pesquisa que se tem em mente; não há necessidade de estender-se em minúcias,
apresentar um plano para a coleta de dados etc.”. Mas isso não quer dizer que você não deva
dar a essa etapa a devida importância.
Veja, a seguir, as etapas gerais para conduzir e comunicar um projeto de pesquisa.
Metodologia Projetual e
Metodologia Científica
#PraCegoVer: na figura, temos um infográfico estático com oito caixas de texto em tons de azul e
com a fonte na cor branca organizadas verticalmente. Na primeira, de cima para baixo, temos o
texto: “Faça uma pergunta de pesquisa: você surgiu com um problema científico para resolver, o
qual deve ser relevante e (preferivelmente) novo. Além disso, normalmente, você deve fazer uma
pesquisa bibliográfica ampla na área para saber mais sobre o tópico”. Em seguida, na segunda
caixa, temos o texto: “Estruture a hipótese: você restringe a questão da pesquisa a um resultado
previsto que precisa ser testado”. Na sequência, naterceira caixa, temos o texto: “Projete e
conduza o estudo: você identifica os requisitos (métodos, materiais e assuntos, conforme o
necessário) e, em seguida, conduz o experimento”. Posteriormente, na quarta caixa, temos o texto:
“Analise e discuta os resultados: você vai inspecionar e interpretar os resultados, mesmo que
sejam negativos (ou seja, mesmo que não corroborem sua hipótese)”. Depois, na quinta caixa,
temos o texto: “Tire uma conclusão com base nos resultados: você discute os novos aprendizados
do estudo e sugere possíveis direções para experimentos futuros”. Na sexta caixa, temos o texto:
“Escreva um artigo (ou monografia) baseado no experimento: você escreve um artigo, sintetizando
os vários aspectos de seu estudo descritos acima”. Logo depois, na sétima caixa, temos o texto:
“Prepare uma apresentação e auxílio visual: isso não é totalmente aplicável para pesquisas
científicas puras, mas é necessário para um projeto criativo. Você pode se divertir fazendo isso, já
que a apresentação se relaciona ao seu produto criativo e às suas referências”. Por fim, na oitava
caixa, temos o texto: “Apresente seu projeto criativo: no caso de um projeto de animação, você vai
apresentar seu produto final, visto que foi por isso que você desenvolveu toda a sua pesquisa”.
No caso de um projeto criativo, o processo também contém intervenções teóricas e
conceituais diretas. Da mesma forma, o contextualizar e o conceituar também são partes do
processo de criação: muitas vezes, só se descobre como se pensa e se cria algo ao escrevê-
lo. Ou, para colocar de outra maneira, escrever o projeto é uma forma de pensar e descobrir
coisas. De qualquer modo, existem etapas específicas para a condução dessa atividade.
Desenvolver um projeto criativo de investigação é considerado uma grande conquista de
qualquer estudante de Design de Animação. Por meio de uma investigação científica, você vai
aprender como aplicar os conhecimentos adquiridos, conceitos científicos, teorias, técnicas,
princípios e regras. Ao ser conduzida por você, a pesquisa deve fazer uso de seus processos
ou habilidades de pensamento.
Para Andrade (2010, p. 147), “a apresentação escrita do relatório de pesquisa obedece, de
modo geral, às mesmas normas de apresentação dos trabalhos científicos”.
Confira uma breve descrição das partes do Relatório de Projeto de Investigação científica que
você não pode deixar de apresentar.
Título
O título deve ser claro e preciso, ter um objetivo ou propósito. Não deve ser muito longo ou
muito curto. Apenas lendo o título, você pode determinar do que se trata o estudo
investigativo.
Resumo
O resumo deve ter apenas um ou dois parágrafos. Inclui os seus problemas de pesquisa, o
método ou procedimento que você usou e as descobertas ou conclusão do estudo.
PARTE I
1. Introdução e histórico
A introdução tem cerca de uma página e inclui o histórico do estudo e sua justificativa.
Geralmente, leva ao problema de pesquisa.
2. Declaração do problema
A declaração do problema tem duas categorias, a saber: o problema geral e os problemas
específicos. Normalmente, um problema geral e três problemas específicos derivados do
problema geral. Os problemas de pesquisa devem ser específicos, confiáveis, válidos,
mensuráveis e objetivamente declarados. Pode ser um formulário de pergunta ou uma
declaração.
3. Formulação da hipótese
A formulação da hipótese possui dois tipos: a hipótese nula e a hipótese afirmativa.
Hipóteses consistem em uma suposição científica que pretende ser objeto de investigação
completa. Recomenda-se o uso de hipótese nula em seu projeto de pesquisa.
4. Significado do estudo
O significado do estudo indica a importância do seu projeto de investigação para as pessoas,
para o meio no qual você atua e para a comunidade como um todo. Defina como ele é
relevante no mundo em mudança ou no impacto global no campo da tecnologia.
5. Escopo e delimitação do estudo
O escopo e a delimitação do estudo cobre toda a extensão de sua pesquisa. Inclui o período
de pesquisa, os materiais e equipamentos a serem utilizados (técnicas e ferramentas), o
objeto do estudo (o tema de seu projeto) ou a amostra do estudo, o procedimento e o
tratamento estatístico (dados) a ser utilizado.
6. Definição de termos
A definição de termos é composta de dois tipos: as definições derivadas do dicionário e as
definições operacionais, que derivam de como esses termos foram usados em sua pesquisa.
Por exemplo: definição de técnicas e estilos de animação e definição de conceitos de
animação.
PARTE II
Revisão de literatura e estudos relacionados
Literatura relacionada
A literatura relacionada são as referências retiradas de livros, periódicos, revistas, jornais e
quaisquer documentos de pesquisa, de autoria de especialistas da área ou de agências de
conteúdo conhecidas. Essas declarações podem apoiar seu estudo por meio de conceitos,
teorias, princípios e leis. As notas de rodapé são importantes nessa parte.
Estudos relacionados
Os estudos relacionados são aquelas pesquisas/projetos que podem ser estudos locais e/ou
estrangeiros que apresentam possibilidade de contribuir com a sua pesquisa/projeto ou
apoiar a sua investigação. As notas de rodapé também são importantes nessa parte.
PARTE III
A metodologia tem várias partes, a saber: o objeto do estudo, o procedimento e o tratamento
estatístico
1. O assunto do estudo
O assunto do estudo inclui a população e a amostra. Ele aplica as técnicas de amostragem
para obter uma boa amostra do estudo. A sua amostra deve ser válida e confiável. No caso
de um projeto em animação, você pode utilizar exemplos históricos e referências da
indústria.
2. O procedimento
O procedimento é o processo, o passo a passo sistemático de fazer sua pesquisa e, no caso
do Design de Animação, de desenvolver o seu projeto. Essa etapa inclui as técnicas e os
materiais necessários, o equipamento apropriado a ser usado na realização da investigação e
no desenvolvimento prático, consiste em vários ensaios com variáveis e testes. Além disso, a
coleta de dados é essencial em qualquer tipo de pesquisa. Portanto, recomenda-se usar
configurações de controle e experimentais para chegar a uma conclusão válida a partir das
suas referências e pesquisas bibliográficas.
3. Projeto de pesquisa
O projeto de pesquisa pode ser mostrado por meio da estrutura teórica ou estrutura
conceitual em que você planeja e projeta seu estudo com teorias, conceitos e conexões
significativas. Ele mostra a entrada, a intervenção e a saída do estudo. No caso de seu
projeto prático, apresenta ainda essas teorias e esses conceitos aplicados no projeto de
animação.
PARTE IV
Apresentação, análise e interpretação de dados
1. Apresentação, análise e interpretação de dados
Os dados recolhidos devem ser apresentados para serem analisados em sua monografia e
validados ou não em seu projeto. Analise os dados que foram recolhidos, apresentados de
forma científica. Você os interpreta de acordo com o que foi quantificado e medido. Por
exemplo: se você utilizou princípios da animação em seu projeto, deve citá-los e apresentar
conclusões positivas ou negativas sobre como esses princípios se comportam e como
influenciaram seu projeto. Os dados devem ser interpretados de forma clara em afirmações
simples e descritivas.
2. Resultados
Os resultados mostram as descobertas ou os resultados de sua investigação. O resultado
deve ser baseado nos dados interpretados. No caso de sua pesquisa e projeto animado, o
resultado será, também, seu próprio produto criativo: seu vídeo de animação.
PARTE V
Resumo, conclusão e recomendação
1. Resumo
O resumo sintetiza brevemente sua pesquisa do Capítulo I ao Capítulo IV, que inclui os
problemas de pesquisa, a metodologia e os resultados. Consiste em apenas um ou dois
parágrafos, porque você já desenvolveu tudo isso.
2. Conclusão
A conclusão é a declaração direta, baseada em descobertas ou resultados. Você deve
responder às suas hipóteses e aos problemas de pesquisa,além de apresentar tudo o que
você aprendeu com o desenvolvimento de seu projeto.
3. Recomendação
A recomendação é dada com base na sua conclusão. Você pode dar algumas
recomendações a partir do que você aprendeu e do que você acha que pode ajudar outros
estudantes, pesquisadores, consumidores ou toda a comunidade interessada em Design de
Animação.
Como você pôde observar, o processo de pesquisa em animação está intimamente ligado à
produção de seu projeto prático, ou seja, seu vídeo animado. Mas não confunda a aplicação
do método científico com um engessamento de seu processo criativo. A metodologia está
S A I B A M A I S
“Estudo do processo de realização da produção de animação em longa-metragem do filme ‘Até
que a Sbórnia nos Separe’”
Este artigo faz uma análise sobre a utilização da metodologia de pesquisa descritiva por meio de
estudo de caso. Mediante o estudo do desenvolvimento da animação de 2013, “Até que a Sbórnia
nos Separe”, os autores fazem um recorte metodológico, para entender como se dá o processo de
realização desse filme no panorama contemporâneo do audiovisual brasileiro.
Para saber mais, acesse a seguir:
https://bit.ly/3EV8z8b
Fonte: Branco, Pandolfi e Pinheiro (2015).
https://bit.ly/3EV8z8b
presente para organizar e otimizar tempo e esforços intelectuais. Cabe a você aplicar essas
técnicas de maneira a apoiar e potencializar a sua criatividade.
praticar
Vamos Praticar
É fundamentalmente importante que a metodologia do projeto e pesquisa esteja presente
na fase de desenvolvimento de uma animação o mais cedo possível. Durante esse processo,
uma das funções principais dos métodos é testar e validar, assim como determinar como
tornar o projeto adequado para animação. O primeiro passo é estabelecer o estilo e a
qualidade apropriados de animação. Os fatores que influenciam diretamente esse processo
são o conteúdo da história, o esforço e cronograma do projeto. Tão importante quanto
satisfazer o público é zelar pelas boas práticas de pesquisa e produção.
Considerando a descrição das partes do Relatório de Projeto de Investigação apresentada
no tópico de “Metodologia projetual e de pesquisa”, comece a fazer a documentação do seu
projeto de pesquisa e produto animado. Desenvolva seu conteúdo até o item 3 do Capítulo
3 do guia apresentado. Compartilhe seu resultado com os pares e troque comentários.
Roteiro e Storyboard
Como você sabe, a escrita do roteiro é uma das partes mais importantes de todo o processo
de criação, mas e o storyboard? É necessário criar um storyboard para cada vídeo explicativo?
Como isso ajuda durante a animação? Vamos entender como essas atividades essenciais se
alimentam e se completam no processo de animação.
Roteiro
Você já sabe que o desenvolvimento de roteiro envolve a criação de um esboço de todos os
eventos que ocorrem em uma animação. Isso significa detalhar todo o áudio, como diálogos,
efeitos sonoros e trilha sonora. O roteiro também detalha todos os eventos visuais ou
recursos que aparecem ou ocorrem ao longo, como fades, transições de uma cena para
outra, personagens que aparecem, descrições da paisagem etc. “Roteiro é o esboço de uma
narrativa que será realizada através de imagens e sons numa tela de cinema ou tv” (CAMPOS,
2007, p. 257).
No mundo da animação comercial (e da produção de filmes), o roteiro será a primeira
oportunidade de expressar, com precisão, o enredo de uma animação. Um roteiro bem
escrito realmente ajuda a "vender" a ideia para futuros diretores ou estúdios que possam
estar interessados na ideia. Esse aspecto do processo de pré-produção é, de fato, uma
função muito específica, que requer habilidades particulares de escrita para ser executada
com sucesso – um lembrete do processo colaborativo típico da produção de animação.
Ao fazer uma curta animação, um roteiro pode não ser tão essencial para o seu sucesso,
mas, como exercício, o processo de redação do roteiro é outra maneira de focalizar
pensamentos e detalhes.
Se você gostaria de criar um vídeo animado para a sua marca, há uma etapa que nunca deve
pular ao realizar a sua visão.
Você precisa de um storyboard.
O que é um Storyboard?
Um storyboard é uma representação visual do seu roteiro. É um documento que mostra o
fluxo narrativo do seu vídeo, cena por cena. Na maioria das vezes, os storyboards são feitos
de esboços desenhados à mão e notas rabiscadas nas margens.
Mas não dedique tempo a cores, detalhes de fundo ou design de personagem em um
storyboard. Esses elementos fazem parte das ilustrações do projeto e são criadas
posteriormente, uma vez que o storyboard é confirmado.
Agora que já revisamos o que é um storyboard, aqui estão boas razões pelas quais a criação
de um storyboard é uma etapa crítica para o desenvolvimento de pesquisa e produção de um
ótimo projeto de animação.
O Storyboard é a Maneira mais Fácil de Compartilhar a sua
Visão
Como um storyboard é visual, ele, simplesmente, torna mais fácil explicar sua ideia de projeto
para outras pessoas na equipe de produção, clientes ou avaliadores. Nem todos os
envolvidos no processo têm as habilidades e a experiência necessárias para visualizar um
roteiro rapidamente.
Mas todos devem estar de acordo quando se trata de desenvolver a animação.
É por isso que explicar a outras pessoas o que você tem em mente é fundamental nos
estágios iniciais do processo de produção. Você precisa de um método que ajude a transmitir
a aparência da animação que tem em mente, desse modo, criar um storyboard é a melhor
estratégia.
Com um storyboard em mãos, você pode mostrar a todos como a sua animação será
mapeada e como será a aparência dela, ajudando outras pessoas a entender a sua ideia e o
fluxo narrativo da animação.
É uma Forma de Validação de Ideias
Essa etapa é parte essencial da produção de um projeto animado, porque nada revela melhor
se um conceito funciona ou não do que um storyboard.
Embora a ideia principal por trás do vídeo possa ser parafraseada em alguns parágrafos, um
storyboard exigirá mais tempo e esforço. Uma análise mais detalhada da ideia pode revelar
inconsistências internas ou outros problemas.
Os storyboards também ajudam a verificar se a narrativa no roteiro faz sentido, visto que é
traduzida em uma série de tomadas visuais. Os storyboards são essenciais para validar o
conceito central por trás da animação e, também, para determinar a direção que a equipe de
produção deve tomar.
Um storyboard também é uma ferramenta de diagnóstico que o ajudará a encontrar
pontos fracos na história e investigar oportunidades de melhoria e explorar
maneiras alternativas de mostrar uma ideia. Os furos maiores ou menores na
história ou no roteiro virão facilmente à tona com o storyboard (ANTERO; MELO,
2021, p. 52).
Os Storyboards são Essenciais para Gerenciamento de
Orçamento
Consideremos a máxima popular de que tempo é dinheiro, e que montar um storyboard leva
tempo. Mas esse investimento trará muitos retornos mais tarde. Você não apenas economiza
tempo explicando a sua visão para as partes interessadas mas também desenvolve um plano
de produção abrangente, que tornará todo o processo de criação de vídeo mais suave.
Não importa o tipo de animação que você está produzindo – as equipes sempre querem
aproveitar ao máximo os recursos. A criação de um storyboard permite que os profissionais
de animação preparem um esboço claro para o desenvolvimento do vídeo, incluindo
informações sobre os requisitos críticos.
O storyboard ajuda a imaginar como será o produto final. Nesse meio tempo, se o
cliente decidir fazer alguma alteração no projeto, ele pode muito bem compartilhar
suas considerações durante esta fase para que não afete o orçamento de produção
(ANTERO; MELO, 2021, p. 81).
Os storyboards são essenciais porque ajudam os criativos a definir os parâmetros da história
dentro dos recursos e tempo necessários. E essa é a melhor forma de garantir um processo
produtivo tranquilo.
Se o vídeo animado for complicado, a produção levará muitotempo e demandará um
orçamento maior. É por isso que é inteligente que um cliente (se houver) aprove o storyboard
antes de iniciar a fase de produção. Dessa forma, ele terá uma ideia clara de como ficará o
produto final. O cliente pode aplicar alterações e adicionar informações que não afetarão o
orçamento de produção tanto quanto afetaria posteriormente.
Seja Capaz de Identificar Problemas em um Estágio Inicial
Outro benefício de usar um storyboard é que você terá a oportunidade de detectar problemas
nos primeiros estágios da produção. Equipes de produção experientes sabem que é
exatamente durante a fase de storyboard que muitos dos erros críticos ocorrem. Para Antero
e Melo (2021, p. 44), “é durante a fase de storyboard que a maioria dos erros relacionados à
narração, à mídia e a outros detalhes relevantes são identificados. Isso economiza muito
tempo, esforço e custo necessários, que poderiam interromper a fase de produção”.
Eles podem estar relacionados à ideia principal ou aos detalhes da história. Você só pode
imaginar quanto tempo e esforço seriam demandados para corrigir esses erros quando a
animação estiver em pleno andamento.
Ao identificar esses erros logo no início, você pode reduzir o tempo nas revisões e garantir
que o processo de produção prossiga de acordo com o plano.
O Storyboard Torna o Processo de Produção Mais Suave
Resumindo, um storyboard é um plano para toda a produção. Ele obriga as equipes a
considerar o projeto de vídeo de muitas perspectivas e permite que prevejam, com precisão,
o tempo de produção e eventuais custos necessários para obter os resultados que se deseja
(ou que um cliente deseja).
Sendo assim, os storyboards tornam todo o processo de produção mais suave. Eles fornecem
um plano para o estúdio de animação durante a produção do vídeo, garantindo que nenhuma
cena ou ação seja esquecida.
Os storyboards também são muito úteis ao editar o vídeo. Antero e Melo (2021) lembram que
o storyboard serve como um plano para o projeto e orienta não apenas o criador mas também
aquele que fornece feedback (como professores ou clientes) sobre como se imaginou a
animação, quadro a quadro. O editor saberá como juntar as cenas para corresponder à visão
transmitida no storyboard. Assim, não precisará aplicar muitas revisões ao produto,
economizando muito tempo e esforço criativo.
Conhecimento
Conhecimento
Teste seus Conhecimentos
(Atividade não pontuada)
“Storyboards, que acredito incluir o processo de esboço de cenas, são realmente a primeira
interpretação visual da história escrita. Certamente, muitas ideias de histórias vêm
equipadas com esboços de conceitos para ajudar a vender a história com um auxílio visual,
por assim dizer. Mas o storyboard é realmente a primeira passagem na narrativa visual e o
primeiro vislumbre do potencial de animação resultante desses painéis [...]. A parte mais
difícil de criar um storyboard eficaz é permanecer na mensagem mais sábia para uma
sequência”.
JONES, A; OLIFF, J. Thinking animation: bridging the path between 2D and CG. Boston, MA:
Thomson Course Technology PTR Development, 2007. p. 43.
A partir da citação acima e com base nos estudos realizados, assinale a alternativa correta.
a) Como o roteiro de uma animação detalha todo o áudio, como diálogos e trilha
sonora, assim como todas as ações e elementos visuais, não há necessidade de
esboçar essa narrativa a partir de quadros visuais.
b) O storyboard é um documento que mostra o fluxo narrativo do vídeo, cena por
cena. É a representação visual de seu roteiro e funciona como um mapa criativo de
seu projeto a partir de esboços de ações e elementos de cena.
c) O storyboard é essencial para qualquer projeto de animação e pode ser
desenvolvido em qualquer parte do processo de desenvolvimento do produto
animado. As contribuições dele serão sempre bem-vindas.
d) Considerando o custo de qualquer produção de animação, torna-se necessário
avaliar a real necessidade de um storyboard a partir de um roteiro, já que o preço de
produção dele pode impactar custos e cronograma na fase de planejamento.
e) Mesmo com a produção de storyboards, devemos sempre contar com erros de
projeto, como falta de fluidez, elementos errados e cenas longas ou curtas demais.
Esse tipo de imprevisto é natural do processo criativo.
Lembre-se deste cenário: chegou a hora de você desenvolver seu projeto de animação e é o
momento de seguir em frente. Todas essas são boas notícias, e seu cérebro criativo começa
a imaginar possibilidades infinitas.
Mas por onde você deve começar? Como você dá o primeiro passo e consegue transformar
esse entusiasmo em um produto tangível que atenderá ao seu briefing? Segundo Jones e
Oliff (2007, p. 101), “antes mesmo de se tocar no computador, devemos pensar bem em
nosso projeto, na complexidade narrativa e nos detalhes de cada cena. Pensar e planejar são
as respostas para criar um desempenho sólido”.
Nós já discutimos e entendemos que um dos maiores problemas que afetam a produção é a
falta de preparação, principalmente nos projetos de animação. Em uma mídia que leva tempo
para ser produzida e envolve muitas etapas delicadas, começar sem uma boa base pode
causar muitos problemas ao longo do caminho. O problema, aqui, é que não há manual de
instruções e nem sempre está claro o que precisa ser feito para se preparar para um projeto
como esse.
Mas não se preocupe, tudo o que você precisa fazer é começar a definir a base que levará
seu projeto de pesquisa em animação ao sucesso, levando em consideração algumas etapas
relevantes, como as descritas na sequência.
Lembre-se do briefing
Na animação, se você não conhece as possibilidades e limitações de um projeto, é fácil cair
em uma produção sem fim. Em um projeto de animação, as restrições ajudam a orientar e
limitar o tempo que você gasta na fase de estratégia e produção, bem como os recursos
disponíveis para fazer o vídeo acontecer.
Ter essas definições claras de antemão é a melhor maneira de obter o máximo de cada
projeto. Tendo definido o seu briefing, alguns pontos são cruciais para a criação de sua obra,
a seguir, confira quais são eles.
Projeto de Criação do
Filme de Animação
Quanto mais detalhes sobre esses limites você conseguir em seu briefing criativo, mais bem
equipada estará a equipe para entregar um bom produto final. Quando o escopo é muito
amplo, é fácil se perder no meio do projeto e transformar semanas de produção em meses.
Compreenda o processo
A maioria dos projetos de animação é desenvolvida em formato de cascata, portanto, quase
todas as etapas devem ser aprovadas ou bloqueadas antes de passar para a próxima fase.
Algumas dessas etapas tendem a ser apenas internas, enquanto outras requerem revisão do
cliente final (se for o caso).
O processo de desenvolvimento de animação ou campanhas de animação geralmente se
parece com isto:
roteiro;
gravação de voz;
frame de estilo visual;
storyboard;
animatic;
elementos de design;
animação;
música e sound design.
Manter essa estrutura em mente também ajuda a avaliar o tempo necessário para percorrer
cada fase e entender como o desenvolvimento deve operar em cada cenário. Dessa forma,
você pode garantir que cada etapa tenha tempo suficiente.
Um aspecto necessário de ser lembrado é que, embora a produção em animação leve muito
tempo, você pode esperar gastar o mesmo tempo e, às vezes, até mais na fase de pré-
produção. Roteiro, conceito visual e storyboards tendem a incluir muitas idas e vindas de
aprovação. Considere esses tempos de revisão e não pense apenas no tempo necessário
para prepará-los.
Defina a sua estratégia
Orçamento Linha do tempo Público-alvo
Duração do vídeo Visibilidade
quais são os recursos financeiros disponíveis?
Uma campanha de animação de sucesso envolve mais do que criar personagens legais e
fazer as fases andarem. Para atingir os objetivos do seu cliente, você precisa de uma
estratégia de animação forte.
Pense na estratégia de animação como parte da estratégia desua campanha: o público-alvo,
onde a campanha será veiculada, qual é a mensagem central... e combine o planejamento em
torno desses pontos com foco na experiência visual.
Uma boa estratégia de animação permite que o seu projeto:
– crie conexões emocionais com o público. Há um ditado popular que diz que as pessoas
vão esquecer o que você disse, vão esquecer o que você fez, mas nunca vão esquecer como
você as fez sentirem-se. Esse pensamento representa por que criar emoções é tão
importante. Faça um grande esforço para explorar maneiras de criar emoções memoráveis
com os seus projetos de animação;
– tente passar mensagens poderosas. Você deseja que os espectadores entendam a sua
mensagem tão logo vejam o seu trabalho. Deixe clara a mensagem que o seu projeto deve
enviar e trabalhe em torno do desenvolvimento de recursos visuais e de uma história para
apoiá-la;
– desenvolva uma forte associação visual com seu conceito. Você também precisa ter
certeza de que a marca do seu estilo seja reconhecível e seja expressa em cada momento da
sua animação. Planeje o uso de cores, tipografia e elementos visuais que o público-alvo mais
associa ao seu conceito.
O seu conceito visual, roteiro e storyboard (definidos durante a fase de pré-produção)
precisam estar alinhados com esses pontos de sua estratégia de animação. Para ajudá-lo
com isso, você precisa desenvolver um bom resumo criativo, destacar esses pontos e
traduzi-los em referências visuais para orientar a produção.
Com esses pontos definidos, você estará em uma ótima condição para iniciar não só um mas
todos os seus projetos de animação na direção certa. Um processo e escopo bem delineados
tornam mais fácil o gerenciamento do seu tempo e ajudam a criar as expectativas certas
para você e seus espectadores. A sua estratégia de animação garante que todos que
entendam o que você deseja alcançar e como isso vai acontecer a partir de suas habilidades
técnicas e criativas.
Imagens e ideias claras e objetivas, desde o início, são essenciais para obter bons resultados.
Esses são os alicerces para desenvolver um projeto que pode funcionar sem problemas para
o seu objetivo criativo, para um ocasional cliente ou para a equipe com a qual você faz
parceria.
Criação e Estilo Visual
Com tantos estilos e opções de técnicas, pode ser difícil escolher qual o melhor caminho
para o seu projeto. No entanto, além de apenas pensar sobre os requisitos de tempo e
orçamento para investir em um ou outro, há um detalhe particular que pode ajudá-lo a definir
ou até mesmo limitar a sua escolha: diferentes estilos visuais funcionam melhor com
diferentes técnicas.
Personagens projetados em torno de linhas retas, ou com formas básicas, tendem a ser mais
adequados para os movimentos sutis ou animações em softwares como o After Effects ou
Animate. Formas complexas e orgânicas tendem a ter um melhor desempenho com
animações quadro a quadro.
No entanto essa é mais uma orientação do que uma regra. Você deve entender qual técnica
funcionará melhor para a sua situação específica.
Técnicas Diferentes no Mesmo Estilo
Mesmo que o estilo possa ajudar a definir a técnica, isso não significa que os seus vídeos
animados precisam se restringir a apenas uma técnica. Uma ótima maneira de aprimorar a
experiência do espectador, enquanto gerencia o tempo de produção e o orçamento, é
misturar diferentes técnicas no mesmo estilo visual. Por exemplo, você pode ter um estilo
visual que funciona muito bem com recortes e movimentos sutis (como imagens vetoriais),
mas isso não significa que você não pode adicionar alguns momentos de animação em
célula quadro a quadro.
O resultado pode ser uma animação rica e inesperada, tornando os espectadores mais
engajados com o que está por vir, sem ultrapassar o orçamento ou impactar o cronograma de
produção.
Diferentes Estilos de Animação Criam Diferentes Níveis de
Impacto
A maior razão para entender os diferentes tipos de animação é que isso vai ajudá-lo a
entender o que é possível dentro das suas restrições de produção. Para resumir: projetos
com um orçamento menor ou pouco tempo de produção se beneficiarão de personagens
com movimentos sutis. Dessa forma, você terá um elemento de conexão humana trazendo
um pouco de vida ao seu vídeo sem adicionar muita complexidade.
Em projetos em que o impacto visual é uma prioridade e o tempo e o orçamento são mais
abundantes, uma animação frame a frame será uma ferramenta poderosa para transmitir a
sua mensagem com impacto.
Se o seu orçamento e cronograma ficarem mais equilibrados em algum ponto, a animação
detalhada dos personagens no After Effects ou Animate é um caminho a ser percorrido. A
gama de complexidade nesse nível varia muito, o que o torna mais gerenciável ao trabalhar
com orçamentos na faixa intermediária. Isso torna esse estilo específico uma boa opção
para a maioria dos casos, garantindo um nível de impacto gráfico que é eficaz e pode
aprimorar a experiência de animação.
Você sempre pode se beneficiar de ter um estilo visual bem definido e estabelecido em suas
animações. Por exemplo: mesmo que não sejam obrigatórios para nenhuma narrativa,
personagens bem definidos e com um estilo visual interessante trazem um toque especial e
são um bom ponto de conexão com os espectadores. Há muitas maneiras de fazer isso, e
este pode ser um ótimo ponto de partida para definir a sua pesquisa conceitual de projeto de
animação.
REFLITA
Um aspecto que torna o processo de animação uma
atividade complexa é a necessidade de balancear
visualmente todos os elementos do projeto (fundos,
personagens, objetos etc.). Por exemplo: Animar
personagens pode ser uma das tarefas mais demoradas da
animação, portanto, contar com um software para simplificar
e melhorar esse processo trabalhoso pode reduzir o impacto
na velocidade e no orçamento de uma produção.
Ainda assim, entendendo que, mesmo com auxílio de
software, essa tarefa pode ser demorada, é importante
sempre se perguntar se os elementos animados são
essenciais ou não para o seu projeto, tanto do ponto de vista
do conceito quanto da narrativa. Pense em como os seus
elementos criativos contribuem para o seu projeto como um
todo e defina uma ordem de prioridade em sua animação.
praticar
Vamos Praticar
Animações são uma ótima maneira de se conectar com os espectadores de uma forma
impactante e memorável. E uma das etapas mais importantes no processo de produção de
animação é a escolha de um estilo. Diferentes tipos de estilos de animação transmitem
diferentes tons e são mais adequados para diferentes fins.
Desenvolva uma apresentação em formato PPT com a pesquisa de referências, estilos e
conceitos. Apresente o(s) estilo(s) definido(s) para o seu projeto de animação, compartilhe
com os seus pares e troque comentários.
Material
Complementar
F I L M E
6 dias para entrar no ar: criando South Park
Ano: 2011
Comentário: South Park é conhecido pelo humor bruto; então, não é
surpresa que esse documentário comece com uma sequência das
cenas mais ofensivas do programa. Mas o filme nos dá uma primeira
visão interna de como o processo de produção se desdobra, mostrando
alguns traços reveladores dos criadores da série animada.
Para conhecer mais sobre o filme, acesse o trailer disponível em:
TRA I LER
LIVRO
Storyboard: guia rápido
Editora: Rio Books
Autores: Miguel Rodrigodraw e Giselle Couto
ISBN-10: 8594970277
Comentário: Este é um bom livro para os iniciantes no mundo do
audiovisual. Com uma linguagem simples e direta, o livro traz os
conceitos e as técnicas essenciais para a produção de storyboard em
filmes, animações e qualquer produção que apresente narrativa em
movimento.
Conclusão
Estudante, como você pôde observar em nossos estudos, um projeto criativo e de pesquisa em
animação envolve muito mais do que seguir cegamente métodos científicos! A essa altura, você já
compreendeu que um projeto de pesquisa em animação se foca no propósito criativo aliado às
melhores práticasprojetuais.
Como animador(a), seu objetivo é criar as melhores narrativas animadas. As suas ideias continuam
querendo ser compartilhadas, e é justamente porque um projeto de animação é maravilhoso e
complexo que você não pode deixar de lado o método de pesquisa e desenvolvimento. Essa
atividade criativa precisa ser organizada e bem planejada. Somente assim, você trará mais garantia
de conclusão e sucesso para o seu projeto. Até a próxima!
Referências
101 DÁLMATAS. Direção de Wolfgang Reitherman,
Hamilton Luske e Clyde Geronimi. Estados Unidos: Walt
Disney Productions, 1961. 1 filme em película (79 min.),
son., color.
6 DIAS para entrar no ar: criando South Park. Direção
de Arthur Bradford. Estados Unidos: Comedy Partners,
2011. Documentário televisivo (42 min.), son., color.
ANDRADE, M. M. Introdução à metodologia do trabalho científico. São Paulo: Atlas, 2010.
(Biblioteca Laureate).
ANTERO, K. L.; MELO, M. R. de. Roteiro e storyboard. São Paulo: Editora Intersaberes, 2021.
BRANCO, M. A.; PANDOLFI, F.; PINHEIRO, C. M. Estudo do processo de realização da produção de
animação em longa-metragem do filme “Até que a Sbórnia nos Separe”. In: GAMEPAD, 8., 2015,
Novo Hamburgo. Anais eletrônicos [...]. Novo Hamburgo: Universidade Feevale, 2015. Disponível
em: https://www.feevale.br/Comum/midias/cef39e02-0c4a-42a8-805e-
cc8ea7271a0a/Estudo%20do%20processo%20de%20realiza%C3%A7%C3%A3o%20da%20produ%C3%A7%
https://www.feevale.br/Comum/midias/cef39e02-0c4a-42a8-805e-cc8ea7271a0a/Estudo%20do%20processo%20de%20realiza%C3%A7%C3%A3o%20da%20produ%C3%A7%C3%A3o%20de%20anima%C3%A7%C3%A3o%20em%20longa-metragem%20do%20filme%20-At%C3%A9%20que%20a%20Sb%C3%B3rnia%20nos%20Separe-.pdf
https://www.feevale.br/Comum/midias/cef39e02-0c4a-42a8-805e-cc8ea7271a0a/Estudo%20do%20processo%20de%20realiza%C3%A7%C3%A3o%20da%20produ%C3%A7%C3%A3o%20de%20anima%C3%A7%C3%A3o%20em%20longa-metragem%20do%20filme%20-At%C3%A9%20que%20a%20Sb%C3%B3rnia%20nos%20Separe-.pdf
https://www.feevale.br/Comum/midias/cef39e02-0c4a-42a8-805e-cc8ea7271a0a/Estudo%20do%20processo%20de%20realiza%C3%A7%C3%A3o%20da%20produ%C3%A7%C3%A3o%20de%20anima%C3%A7%C3%A3o%20em%20longa-metragem%20do%20filme%20-At%C3%A9%20que%20a%20Sb%C3%B3rnia%20nos%20Separe-.pdf
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CAMPOS, F. Roteiro de cinema e televisão. Rio de Janeiro: Zahar, 2007. (Biblioteca Laureate).
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RODRIGODRAW, M.; COUTO, G. Storyboard: guia rápido. Rio de Janeiro: Rio Books, 2018.
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L C. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=qgkbiVURAlQ. Acesso em: 19 set. 2021.
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min.), son., color.
https://www.feevale.br/Comum/midias/cef39e02-0c4a-42a8-805e-cc8ea7271a0a/Estudo%20do%20processo%20de%20realiza%C3%A7%C3%A3o%20da%20produ%C3%A7%C3%A3o%20de%20anima%C3%A7%C3%A3o%20em%20longa-metragem%20do%20filme%20-At%C3%A9%20que%20a%20Sb%C3%B3rnia%20nos%20Separe-.pdf
https://www.feevale.br/Comum/midias/cef39e02-0c4a-42a8-805e-cc8ea7271a0a/Estudo%20do%20processo%20de%20realiza%C3%A7%C3%A3o%20da%20produ%C3%A7%C3%A3o%20de%20anima%C3%A7%C3%A3o%20em%20longa-metragem%20do%20filme%20-At%C3%A9%20que%20a%20Sb%C3%B3rnia%20nos%20Separe-.pdf
https://www.youtube.com/watch?v=qgkbiVURAlQ

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