Prévia do material em texto
ARTIGO ORIGINAL 1Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, ES, Brasil. RESUMO Objetivo: Avaliar a qualidade de vida das pessoas em tratamento para a tuberculose. Métodos: Trata-se de estudo de corte transversal realizado no âmbito da atenção primária em municípios da Região Metropolitana do Estado do Espírito Santo de agosto de 2019 a março de 2020. Foram coletados dados sociodemográficos e clínicos, juntamente com entrevista por meio do questionário de qualidade de vida Short Form-36. Resultados: A amostra de 88 indivíduos foi composta em sua maioria pelo sexo masculino (66%), negros (84%), pessoas em idade laboral ativa (41 ±17 anos), estado civil solteiro (50%), desempregados (62%), com renda familiar de até 3 salários mínimos (73%), pertencentes às classes socioeconômicas C (55%), D e E (33%). As médias de Qualidade de Vida encontradas foram de 63,0 em estado geral, 61,0 em capacidade funcional, 36,6 em aspectos físicos, 57,8 em dor, 46,5 em aspectos emocionais, 52,8 em aspectos sociais, 49,0 em vitalidade e 61,0 em saúde mental. Conclusão: A determinação social da tuberculose gera impactos na Qualidade de Vida, indicador multidimensional que se efetua na interação social e pode auxiliar o manejo das equipes multidisciplinares a garantir o Cuidado Centrado no Paciente, além de favorecer o levantamento de dados não microbiológicos para pesquisas epidemiológicas. ABSTRACT Objective: To evaluate the quality of life of people undergoing treatment for tuberculosis. Methods: This is a cross-sectional study carried out within the scope of primary care in municipalities in the Metropolitan Region of the State of Espírito Santo from August 2019 to March 2020. Sociodemographic and clinical data were collected, together with an interview using the quality of life questionnaire Short Form-36. Results: The sample of 88 individuals was composed mostly of males (66%), blacks (84%), people of working age (41±17 years), single marital status (59%), unemployed (62%), with family income of up to 3 minimum wages (73%), belonging to socioeconomic classes C (55%), D and E (33%). The quality of life averages found were 63.0 in general state, 61.0 in functional capacity, 36.6 in physical aspects, 57.8 in pain, 46.5 in emotional aspects, 49.0 in vitality and 61.0 in mental health. Conclusion: The social determination of tuberculosis impacts on Quality of Life, a multidimensional indicator that is carried out in social interaction and can help the management of multidisciplinary teams to ensure Patient-Centered Care, in addition to favoring the collection of non-microbiological data for epidemiological research. RESUMEN Objetivo: Evaluar la calidad de vida de las personas em tratamento por tuberculosis. Métodos: Se trata de un estudio transversal realizado em el ámbito de la atención primaria em municipios de la Región Metropolitana del Estado de Espirito Santo desde agosto de 2019 a marzo de 2020. Se recogieran datos sociodemográficos y clínicos, junto con una entrevista mediante el cuestionario de calidade de vida Short Form-36. Resultados: La muestra de 88 individuos estuvo compuesta em su mayoría por hombres (66%), negros (84%), personas em idadad de trabajar (41±17años), estado civil soltero (50%), desempleados (62%), co un renta familiar de hasta 3 salarios mínimos (73%), pertenecientes a las clases socioeconómicas C (55%), D y E (33%). Conclusion: La determinación social de la tuberculosis impacta em la Calidad de Vida, indicador multidimensional que se lheva a cabo em la interacción social y puede ayudar a la gestión de equipos multidisciplinarios para assegurar la Atención Centrada em el Paciente, además de favorecer la recolección de datos no microbiológicos para investigación epidemiológica. Descritores Qualidade de Vida; Tuberculose; Atenção Primária à Saúde Descriptors Quality of Life; Tuberculosis; Primary Health Care Descriptores Calidad de vida; Tuberculosis; Atención Primaria de Salud Submetido 12 de Maio de 2021 Aceito 31 de Julho de 2021 Conflitos de interesse: manuscrito extraído da dissertação “Qualidade de Vida em pacientes com tuberculose na região metropolitana do Espírito Santo”, defendido em 2020, no Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, na Universidade Federal do Espírito Santo - UFES. Autor Correspondente Paula Pinheiro Gerszt E-mail: paula.gerszt@ufes.br Editor Associado (Avaliação pelos pares): Ana Lúcia Queiroz Bezerra (https://orcid.org/0000-0002-6439-9829) Escola de Enfermagem, Universidade Federal de Goiás. Goiânia, GO, Brasil QUALIDADE DE VIDA COMO INDICADOR MULTIDIMENSIONAL NO MANEJO DA TUBERCULOSE: ESTUDO DE CORTE TRANSVERSAL QUALITY OF LIFE LIKE A MULTIDIMENSIONAL INDICATOR IN TUBERCULOSIS MANAGEMENT: A CROSS-SECTIONAL STUDY CALIDAD DE VIDA COMO INDICADOR MULTIDIMENSIONAL EM EL MANEJO DE LA TUBERCULOSIS: UM ESTUDIO TRANSVERSAL Paula Pinheiro Gerszt1 (https://orcid.org/0000-0002-2398-7130) Ethel Leonor Noia Maciel1 (https://orcid.org/0000-0003-4826-3355) Isadora Bianchi Daré1 (https://orcid.org/0000-0002-7507-6507) Teresa Cristina Ferreira da Silva1 (https://orcid.org/0000-0003-2722-0364) Geisa Fregona Carlesso1 (https://orcid.org/0000-0001-5835-8222) Bruno Henrique Fiorin1 (https://orcid.org/0000-0002-1629-9233) Margareth Attianezi Bracet1 (https://orcid.org/0000-0003-3627-5375) Thiago Nascimento do Prado1 (https://orcid.org/0000-0001-8132-6288) Como citar: Gerszt PP, Maciel EL, Daré IB, Silva TC, Carlesso GF, Fiorin BH, et al. Qualidade de vida como indicador multidimensional no manejo da tuberculose: estudo de corte transversal. Enferm Foco. 2022;13:e-202232. DOI: https://doi.org/10.21675/2357-707X.2022.v13.e-202232. Enferm Foco. 2022;13:e-202232 1 https://orcid.org/0000-0002-6439-9829 QUALIDADE DE VIDA COMO INDICADOR MULTIDIMENSIONAL NO MANEJO DA TUBERCULOSE: ESTUDO DE CORTE TRANSVERSAL Gerszt PP, Maciel EL, Daré IB, Silva TC, Carlesso GF, Fiorin BH, et al. INTRODUÇÃO A tuberculose constitui-se como uma das dez principais causas de morte no mundo, sendo uma das problemáti- cas de saúde pública que necessitam de solução urgente. Os dados epidemiológicos da tuberculose concentram-se principalmente onde há o predomínio da pobreza, adensa- mentos populacionais e falta de apoio social.(1,2) No Brasil, o coeficiente de incidência foi de 35,0 casos/ 100 mil habi- tantes em 2019 e o de mortalidade, 2,2 óbitos/ 100 mil ha- bitantes em 2018. O estado do Espírito Santo apresentou incidência de 1.129 casos e coeficiente de mortalidade de 1,8 óbitos/ 100 mil habitantes em 2019.(3) Um dos pilares que sustentam a Estratégia pelo fim da tuberculose, lançada pela Organização Mundial da Saúde em 2014, é a Prevenção e Cuidado Integrado Centrado no Paciente.(1) O Cuidado Centrado na Pessoa (CCP) par- tiu dos pressupostos de Avedis Donabedian, que propôs a compreensão da qualidade nos serviços de saúde por meio de atributos como eficiência, eficácia, efetividade, otimiza- ção, aceitabilidade, legitimidade e equidade, que exploram aspectos da relação entre profissional de saúde e usuário. (4) Ao valorizar a adoção da perspectiva do indivíduo como participante ativo de sistemas de saúde e de se organizar ao redor das necessidades e expectativas de saúde dos su- jeitos, o CCP está em conformidade com os princípios pro- postos pela Política Nacional de Atenção Básica, ou seja, a integralidade do cuidado, a interdisciplinaridade, a huma- nização, a educação em saúde e a promoção da saúde.(5,6) A Qualidade de Vida (QV) é um indicador subjetivo e multidimensional que valoriza parâmetros além do controle dos sintomas, da diminuição da mortalidade e do aumento da expectativa de vida. Trata-se de um constructo concei- tuado pela Organização Mundial da Saúde como a percep- ção do indivíduo de sua posição no contexto da cultura e sistema de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações.(7)A avaliação da QV ocorre na interação social e por meio do diálogo guiado por instrumentos padronizados que contêm enunciados sobre vários domínios da vida, cujas respostas são transformadas em valores que apontam a existência de dimensões boas ou ruins. A investigação dos impactos da tuberculose na QV tem ampliado recentemente.(8,9) Mesmo com tratamento gratui- to no setor público de saúde no Brasil, os itinerários diag- nóstico e terapêutico podem ser longos, angustiantes e com diferentes repercussões.(8,10-13) Inicialmente a doença cursa com indisposição física decorrente dos sintomas ou dos efeitos colaterais da medicação. Os pacientes precisam lidar com o isolamento social, absenteísmo, pensamentos negativos a respeito de si ou de sua situação, níveis eleva- dos de ansiedade, depressão, estigma negativo e sequelas mentais e físicas pós-tratamento.(11,13-16) É difícil sintetizar a repercussão de uma doença infec- ciosa crônica como a tuberculose através de números.(11) sendo poucas as pesquisas brasileiras sobre este assunto na literatura.(16-19) Nesse sentido, a adoção da perspectiva do indivíduo no cuidado é um meio de valorizar a comunicação aberta e identificar a existência de manifestações não microbiológi- cas e não explícitas no contexto tradicional de atendimen- to. O presente estudo tem o objetivo de avaliar a Qualidade de Vida das pessoas em tratamento de tuberculose. MÉTODOS Trata-se de um estudo de corte transversal, realizado em quatro municípios da região metropolitana do Espírito Santo: Vitória, Vila Velha, Cariacica e Serra, cujos respec- tivos coeficientes de incidência da tuberculose, em 2018, foram, respectivamente: 38,5/100 mil habitantes, 40,5/ 100 mil habitantes, 39,9/ 100 mil habitantes e 41,4/100 mil habi- tantes.(20) Esta região faz parte do subcenário 1.3 do Plano Nacional pelo Fim da Tuberculose como Problema de Saúde Pública, caracterizado como uma área com endemia con- centrada em populações vulneráveis, considerável percen- tual de transferência e de ignorados, maior coeficiente de incidência de tuberculose e a Síndrome da imunodeficiência humana (AIDS), além de maior percentual médio de abando- no entre os municípios que fazem parte do cenário 1.(21) Foram convidados a participar do estudo os pacien- tes de qualquer forma clínica de tuberculose, notificados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação com idade a partir de 18 anos, ambos sexos, em tratamento para tuberculose há pelo menos quatro semanas. Foram exclu- ídos os pacientes sem as habilidades cognitivas mínimas necessárias para realizar uma entrevista, os indivíduos pri- vados de liberdade e as pessoas em situação de rua. No período de agosto de 2019 a março de 2020, na oca- sião do comparecimento à consulta de rotina na unidade de saúde local e após assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, os participantes foram submetidos à aplicação de um instrumento estruturado de caracteriza- ção sociodemográfica e clínica e do instrumento Short– form health survey (SF-36), por meio de entrevista presen- cial de aproximadamente 20 minutos, em local reservado, por entrevistadores previamente treinados. Durante a en- trevista, as respostas foram demonstradas em um caderno auxiliar para facilitar o acompanhamento pelo entrevistado e evitar perdas ou viés de resposta. Enferm Foco. 2022;13:e-2022322 QUALIDADE DE VIDA COMO INDICADOR MULTIDIMENSIONAL NO MANEJO DA TUBERCULOSE: ESTUDO DE CORTE TRANSVERSAL Gerszt PP, Maciel EL, Daré IB, Silva TC, Carlesso GF, Fiorin BH, et al. O SF-36 é um instrumento genérico de verificação de QV, adaptado transculturalmente no Brasil, amplamente utiliza- do na área da saúde, de aplicação simples e rápida(22) e citado na literatura como o mais usado na avaliação da QV em tu- berculose por seus bons níveis de validade e de confiabili- dade.(8) Desenvolvido originalmente por Ware e Sherbourne, em 1992(22) e validado por Ciconelli et al. em 1999,(23) possui 36 itens divididos em 8 domínios. Os domínios pertencentes ao Componente Físico são Capacidade Funcional, Aspectos Físicos, Dor e Estado Geral de Saúde; os pertencentes ao Componente Mental são Vitalidade, Aspectos Sociais, Aspectos Emocionais e Saúde Mental. Cada domínio rece- be uma pontuação que varia em uma escala de zero a cem, sendo pior o resultado quanto mais próximo do zero. Uma questão que compara as condições de saúde atualmente e as de um ano atrás não entra na contagem do escore.(23) As variáveis independentes foram representadas pelos dados sociodemográficos, dados relacionados ao consu- mo habitual de álcool e tabaco, informações relacionadas à saúde geral e aspectos clínicos da tuberculose, reunidos no formulário de caracterização da amostra. As variáveis dependentes corresponderam aos escores de QV obtidos em cada um dos domínios do SF-36. O cálculo de amostra post hoc foi realizado utilizando o programa G*Power, versão 3.1. Estudo prévio demonstrou que o tamanho de efeito gerado na comparação entre gru- pos com e sem tuberculose foi de 0,45.(24) Com base neste valor e, considerando o cálculo de amostra para compa- ração de grupos independentes, sendo 32 sujeitos na fase intensiva (2 meses iniciais) e 56 na fase de manutenção (4 meses seguintes) (n= 88), obteve-se o poder de 0,644. As análises estatísticas foram realizadas utilizando o programa estatístico Jamovi, versão 1.1.9.0. Foram execu- tadas análises descritivas das variáveis independentes para demonstração das frequências e do valor percentual das variáveis categóricas, bem como das médias, medianas, desvios padrão, valores mínimo e máximo das variáveis de- pendentes. Para a comparação da diferença entre as duas fases de tratamento, foi efetuado o teste t de Student com correção de Welch. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob o nº. 3.235.293 em 31/03/2019 (CAAE: 08667219.9.0000.5060). RESULTADOS Foram entrevistados 88 indivíduos, cujas características cumpriam os critérios de inclusão e que aceitaram partici- par do estudo. A tabela 1 reúne as características sociode- mográficas dos participantes desta pesquisa. Tabela 1. Caracterização sociodemográfica dos pacientes com TB (n=88) Variáveis n(%) Município de residência Cariacica 29(33,0) Serra 14(16,0) Vila Velha 33(37,0) Vitória 12(14,0) Sexo Feminino 30(34,0) Masculino 58(66,0) Raça/cor Brancos 14(16,0) Negros 74(84,0) Estado Civil Casado/União estável 33(38,0) Separado/Divorciado 7(8,0) Solteiro 44(50,0) Viúvo 4(4,0) Anos de estudo ≤ 8 anos 38(43,0) > 8 anos 50(57,0) Empregado Não 55(63,0) Sim 33(37,0) Renda individual* 0 21(24,0) > 0 ≤ 3 61(69,0) >3 6(7,0) Renda familiar* Não Informado 6(7,0) > 0 ≤ 3 66(73,0) >3 12(20,0) Beneficiário do governo Não 76(86,0) Sim 12(14,0) Classificação socioeconômica** A-B 11(12,0) C 48(55,0) D-E 29(33,0) *Salário mínimo em 2019 = R$ 998,00; ** Baseado no Critério de Classificação Socioeconômica Brasil (2018).(25) Os dados obtidos demonstram que a maior parte da amostra foi composta por usuários dos municípios de Vila Velha e Cariacica, pessoas do sexo masculino, com média de idade de 41 anos (±17; valor mínimo = 18 anos; valor máxi- mo = 84 anos) e autodeclarados negros. Metade da amostra foi composta de pessoas solteiras. Ainda de acordo com a tabela 1, a maioria dos entrevistados apresentou mais do que 8 anos de estudo e afirmou não estar empregado. Tanto a renda individual quanto a renda familiar declarada pela maioria dos participantes foram menores ou iguais a 3 salários mínimos. Poucos recebiam algum tipo de benefício governamental. As classes socioeconômicas C, D e E foram as predominantes. Na tabela 2 são descritos dados com- portamentais relacionados ao consumo habitual de álcool e tabaco e informações relacionadas à saúde geral. Observa-se que uma parcela dos participantesfez uso de substâncias que podem causar dependência mesmo durante o tratamento, sendo o consumo de álcool o mais Enferm Foco. 2022;13:e-202232 3 QUALIDADE DE VIDA COMO INDICADOR MULTIDIMENSIONAL NO MANEJO DA TUBERCULOSE: ESTUDO DE CORTE TRANSVERSAL Gerszt PP, Maciel EL, Daré IB, Silva TC, Carlesso GF, Fiorin BH, et al. Tabela 2. Dados comportamentais e de saúde geral dos pacientes com TB (n=88) Variáveis n(%) Dependência do tabaco* Não fuma 70(79,0) Muito baixo risco 6(7,0) Baixo risco 5(6,0) Médio risco 4(5,0) Elevado risco 1(1,0) Muito elevado risco 2(2,0) Uso de drogas ilícitas Não informado 1(1,0) Não 70(80,0) Sim 17(19,0) Dependência do álcool** Não consome 53(60,0) Baixo risco 9(10,0) Risco moderado 8(9,0) Alto risco 11(13,0) Risco severo 7(8,0) Comorbidades Não 58(66,0) Sim 30(34,0) Uso de outras medicações Não Informado 6(7,0) Não 50(57,0) Sim 32(36,0) *Baseado no teste Fagerström; **Baseado no teste AUDIT C observado nessa amostra. Também uma fração apresentou alguma comorbidade, mais frequentemente HIV e diabetes, e uso de medicação além dos tuberculostáticos, como psi- cofármacos, hipoglicemiantes e antirretrovirais. Na tabela 3 são apresentados os dados clínicos referentes às mani- festações da tuberculose e seu tratamento. Maior número de pessoas era caso novo da doença, em fase de manutenção do tratamento, não participante da estratégia de Terapia Diretamente Observada e a forma clí- nica pulmonar foi a mais frequente. Na ocasião do diagnós- tico e início do tratamento, os participantes apresentaram pelo menos um resultado positivo entre os exames diag- nósticos. Os sintomas iniciais mais relatados foram tosse persistente, febre, dor torácica, emagrecimento, sudore- se e fraqueza. Já os efeitos adversos mais citados foram intolerância gástrica, alterações cutâneas e mudança de comportamento. Algumas pessoas necessitaram de inter- nação em período próximo ao do diagnóstico. Sobre os an- tecedentes clínicos da doença, verificou-se contato prévio com uma pessoa em tratamento para tuberculose, sendo a maioria com familiares e pessoas do convívio habitual, além daqueles que afirmaram ter tido contato enquanto estavam privados de liberdade (Tabela 3). A avaliação da QV pode ser verificada na tabela 4, em que são apresentados os valores médios dos escores dos oito domínios do SF-36. Partindo dos domínios que apresentaram as melhores médias encontradas, a ordem obtida foi a seguinte: Estado Tabela 3. Dados clínicos dos pacientes com TB (n=88) Variáveis n(%) Tipo de entrada Caso novo 62(71,0) Recidiva 5(6,0) Reingresso após abandono 5(6,0) Transferência 15(17,0) Tipo de tuberculose Extrapulmonar 11(13,0) Pulmonar 74(84,0) Pulmonar e Extrapulmonar 3(3,0) Fase do tratamento Intensiva 32(36,0) Manutenção 56(64,0) TDO* Não informado 1(1,0) Não 85(97,0) Sim 2(2,0) Baciloscopia atual Não informado 5(6,0) Não se aplica 5(6,0) Positiva 8(9,0) Negativa 41(46,0) Não realizada 29(33,0) Diagnóstico de tuberculose** Não 4(5,0) Sim 84(95,0) Rx de tórax suspeito 69(78,0) Baciloscopia positiva 64(73,0) Cultura positiva 17(19,0) Histopatológico positivo 16(18,0) Sintoma iniciais relatados*** Tosse 59(67,0) Febre 37(42,0) Dor torácica 20(23,0) Emagrecimento 16(18,0) Sintoma iniciais relatados*** Sudorese 14(16,0) Fraqueza 13(15,0) Efeitos adversos*** Não 39(45,0) Sim 48(55,0) Efeitos adversos relatados*** Intolerância gástrica**** 27(31,0) Alterações cutâneas***** 12(14,0) Mudança comportamental***** 6(7,0) Internação por tuberculose Não 71(81,0) Sim 17(19,0) Contato de tuberculose Não 40(45,0) Não sabe 11(13,0) Sim 37(42,0) *Terapia Diretamente Observada; **Algumas pessoas realizaram mais de um exame; ***Algumas pessoas apresentaram mais de um sintoma e mais de um efeito adverso; ****Irritação gástrica, náusea, vômito, epi- gastralgia, dor abdominal; *****Prurido, exantema; ******Euforia, insônia, ansiedade, sonolência Geral de Saúde, Saúde Mental e Capacidade Funcional, Dor, Aspectos Sociais, Vitalidade, Aspectos Emocionais e, por último, Aspectos Físicos. Seguiu-se a observação da com- paração das médias de QV entre as fases de tratamento. Na tabela 5 pode-se constatar que não houve diferenças estatisticamente significativas nos domínios de QV entre as fases do tratamento da doença no grupo estudado. Enferm Foco. 2022;13:e-2022324 QUALIDADE DE VIDA COMO INDICADOR MULTIDIMENSIONAL NO MANEJO DA TUBERCULOSE: ESTUDO DE CORTE TRANSVERSAL Gerszt PP, Maciel EL, Daré IB, Silva TC, Carlesso GF, Fiorin BH, et al. DISCUSSÃO Pesquisas, internacionais em sua maioria, têm demons- trado diminuição dos níveis de QV na tuberculose ativa quando comparados aos sujeitos com tuberculose laten- te, indivíduos curados e pessoas sem a doença.(11,13,26) Em comparação com as pesquisas brasileiras realizadas com pacientes ambulatoriais, um estudo realizado na cidade do Rio de Janeiro, que utilizou o WHOQOL-BREF, encon- trou médias similares em seu trabalho, maiores no domínio Relações Sociais e no domínio Psicológico. Entretanto, não há detalhes sobre a caracterização da amostra.(17) Na série de casos realizada em 2017 com 18 sujeitos, na cidade de Recife e utilizando o SF-36, os domínios Aspectos Sociais e Saúde Mental apresentaram escores elevados.(19) Aspectos Físicos, Aspectos Sociais, Vitalidade e Aspectos Emocionais apresentaram os menores escores neste estu- do. Muitas alterações psicológicas podem ser observadas na tuberculose, sendo a depressão e a ansiedade as mais descritas.(16,27) Assim também se corrobora com estudos que evidenciaram as dimensões de ordem emocional e social como as mais afetadas em relação às de ordem física.(28) Tabela 4. Médias gerais, medidas de tendência central, valores mí- nimo e máximo dos domínios de QV obtidos no SF-36 dos pacien- tes com TB (n=88) Medidas EGS* CF* AF* AE* AS* D* V* SM* Média 63,0 61,0 36,6 46,5 52,8 57,8 49,4 61,0 Mediana 65,0 65,0 12,5 33,3 50,0 50 50,0 66,0 Desvio Padrão 23,1 28,3 43,2 44,3 31,6 30,7 29,0 66,0 Mínimo 5 0,00 0 0,00 0,00 0 0 0 Máximo 100 100 100 100 100 100 100 100 * EGS- Estado Geral de Saúde; CF- Capacidade Funcional; AF- Aspectos Físicos; AE- Aspectos Emocionais; AS- Aspectos Sociais; D- Dor; V- Vitalidade; SM- Saúde Mental Tabela 5. Teste t de Student para amostras independentes dos do- mínios de QV entre as fases de tratamento dos pacientes com TB (n=88) Domínio Fase n Média Desvio Padrão Teste t ** p-value*** Intervalo de Confiança 95% *EGS 1 32 63,3 20,0 0,1059 0,916 -9,14 10,17 2 56 62,8 24,9 *CF 1 32 60,0 25,9 -0,3722 0,711 -14,38 9,86 2 56 62,2 29,9 *AF 1 32 34,2 44,2 -0,3847 0,702 -23,09 15,64 2 56 37,9 42,9 *AE 1 32 45,5 44,8 -0,1572 0,876 -21,32 18,21 2 56 47,0 44,4 *AS 1 32 50,4 26,1 -0,5900 0,557 -16,84 9,14 2 56 54,2 34,6 *D 1 32 60,6 30,5 0,6392 0,525 -9,35 18,14 2 56 56,3 31,0 *V 1 32 49,2 30,3 -0,0374 0,970 -13,38 12,89 2 56 49,5 28,5 *SM 1 32 62,1 27,1 0,3067 0,760 -9,77 13,31 2 56 60,4 24,1 * EGS- Estado Geral de Saúde; CF- Capacidade Funcional; AF- Aspectos Físicos; AE- Aspectos Emocio- nais; AS- Aspectos Sociais; D- Dor; V- Vitalidade; SM- Saúde Mental;**Teste t de Student com correção de Welch; ***p≤0,05. As desordens mentais podem ter início após o diagnós- tico da tuberculose ou existir previamente à doença e pos- suir outros fatores causais e a tuberculose exercer um peso adicional a esta condição. Pesquisas relacionam as desor- dens mentais em pacientes com tuberculose às caracterís- ticas sociodemográficas, fatores econômicos e coinfecção com HIV, por exemplo.(12,29) De fato, neste trabalho foram encontradas médias inferiores no Componente Mental ao mesmo tempo em que se observam características popula- cionais que podem levar à sobreposição de estigmas junto à tuberculose, sobretudo, o percentual de desempregados, pessoas de classes socioeconômicas mais baixas, além de pessoas com HIV e indivíduosem uso de psicofármacos. Se o comprometimento do Componente Mental nas pessoas com tuberculose pode ter outras fontes e determinações além do peso da doença, é mais provável a persistência de um impacto nessa dimensão da QV após a conclusão do tratamento, do que na dimensão física. Por isso, é necessá- rio amplificar o espectro assistencial desses usuários com equipes multiprofissionais. À exceção de Aspectos Físicos, os domínios perten- centes ao Componente Físico apresentaram os melho- res valores, apesar das conhecidas limitações físicas nos quadros de tuberculose pulmonar, das comorbidades, dos sintomas e das reações adversas relatadas na entrevista. Considerando que estudos anteriores verificaram a melho- ra nos escores de QV logo ao final da fase intensiva,(26,30,31) o fato de a maioria dos participantes possuir pelo menos um mês de tratamento e de haver maior número de partici- pantes na fase de manutenção pode ter contribuído com a elevação das médias dessa dimensão. A propósito das fases de tratamento, não foram encon- tradas diferenças significativas entre os grupos. Isto tam- bém pode estar relacionado ao tamanho da amostra, talvez pelo número menor de pessoas na fase intensiva, mas tam- bém pelo fato de não terem sido selecionadas pessoas com menos de um mês de tratamento, quando os incômodos dos sintomas e dos efeitos adversos à medicação podem estar mais evidentes. É mais provável que os estudos en- contrem diferenças maiores entre as médias das fases de tratamento quando são incluídos indivíduos desde o início da fase intensiva.(26) Também é importante ressaltar que em entrevistas realizadas com pacientes internados, todos os escores de QV demonstram-se piores.(16,18) Percebe-se até então que os dados das avaliações de QV possuem um caráter exclusivo por serem obtidos em uma atividade dialógica sociointeracional e por dependerem de condições sociais, históricas, culturais e contextuais indi- viduais. A comunicação é que permite o estabelecimento Enferm Foco. 2022;13:e-202232 5 QUALIDADE DE VIDA COMO INDICADOR MULTIDIMENSIONAL NO MANEJO DA TUBERCULOSE: ESTUDO DE CORTE TRANSVERSAL Gerszt PP, Maciel EL, Daré IB, Silva TC, Carlesso GF, Fiorin BH, et al. da relação terapêutica com os usuários, favorecendo o au- tocuidado e criando condições para a promoção da saúde. (32) Por isso, além do cumprimento de protocolos, é essen- cial que a rotina assistencial valorize o diálogo como um processo convergente e horizontal, de escuta acolhedora, sensível e empática, capaz de identificar a subjetividade da linguagem verbal e não verbal.(32,33) Nesse sentido, a avalia- ção da QV favoreceria a aplicação do CCP nos programas de tuberculose, redirecionaria o modelo de atenção bio- médico com a perspectiva de elucidar causas de abandono e falha na terapia medicamentosa e supriria a articulação multiprofissional de condutas terapêuticas.(34) Em favor do nosso conhecimento, trata-se do primeiro estudo avaliando a QV das pessoas em tratamento para a tuberculose no estado do Espírito Santo. Resguardada a im- portância dos dados obtidos, este estudo apresentou algu- mas limitações. Em primeiro lugar, trata-se de um estudo de caráter descritivo e de corte transversal, não sendo possível estabelecer relações de causa e efeito,(35) bem como acompa- nhar a variação da QV ao longo do tempo. Em segundo lugar, dadas as dificuldades em obter maior número de entrevistas por circunstâncias inerentes ao programa de assistência, dentre as quais alto índice de absenteísmo, nosso tamanho de amostra comprometeu as possibilidades de análise estatís- tica entre grupos, bem como a capacidade de generalização desses resultados. A QV é um indicador subjetivo e multidimensional que opera através da comunicação, ferramenta essencial do cuidado. O SF-36 pode ser aplicado por qualquer profis- sional e servir ao gerenciamento do trabalho de equipes multidisciplinares no manejo da TB cumprindo o pilar do Cuidado Centrado no Paciente. CONCLUSÃO De acordo com os resultados encontrados neste estudo, a maioria das pessoas em tratamento na atenção básica apresentou características individuais que podem gerar impactos em várias dimensões da QV, independentemen- te da presença da doença. Assim, por geralmente atingir grupos socioeconomicamente desfavorecidos e conforme todo o processo saúde-doença vivido nessa condição, os níveis de QV dessas pessoas podem rebaixar mais, além de sofrer variações com o tempo de tratamento, sendo mais provável a persistência de piores resultados nos domínios de ordem mental e social após a cura. Agradecimentos Às Enfermeiras Bruna Lauret, Mariana Araújo, à estudan- te de enfermagem Larissa Aguiar e a todos os colegas do Laboratório de Epidemiologia da UFES (LABEPI). Contribuições Concepção e/ou desenho do estudo: Gerszt PP, Silva TCF, Carlesso GF, Fiorin BH, Bracet MA, Prado TN; Coleta, aná- lise e interpretação dos dados: Gerszt PP, Daré IB, Silva TCF, Fiorin BH, Prado TN; Redação e/ou revisão crítica do manuscrito: Gerszt PP, Maciel ELN, Silva TCF, Carlesso GF, Fiorin BH, Bracet MA, Prado TN; Aprovação da versão final a ser publicada: Gerszt PP, Maciel ELN, Daré IB, Silva TCF, Carlesso GF, Fiorin BH, Bracet MA, Prado TN. REFERÊNCIAS 1. World Health Organization. Global tuberculosis report 2019 [Internet]. Geneva: WHO; 2019 [cited 2020 Feb 29]. Available from: https://www.who.int/ teams/global-tuberculosis-programme/tb-reports/global-report-2019 2. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. Manual de recomendações para o controle da tuberculose no Brasil [Internet]. 2a ed. Brasília (DF): Ministério da Saúde; 2019 [cited 2020 Sep 25]. Available from: http:// bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_recomendacoes_ controle_tuberculose_brasil_2_ed.pdf 3. Boletim Epidemiológico: tuberculose. Brasília (DF): Ministério da Saúde; 2020. Número especial. 4. Gomes PH, Mendes Junior WV. O cuidado centrado no paciente nos serviços de saúde: estratégias de governos e organizações não governamentais. Rev Acred. 2017;7(13):23-43. 5. World Health Organization. WHO global strategy on people-centred and integrated health services: interim report [Internet]. Geneva: WHO; 2015 [cited 2020 Sep 30]. Available from:https://apps.who.int/ iris/bitstream/handle/10665/155002/WHO_HIS_SDS_2015.6_eng. pdf?sequence=1&isAllowed=y 6. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Política Nacional de Atenção Básica [Internet]. Brasília (DF): Ministério da Saúde; 2012 [cited 2020 Nov 26]. Available from: http://189.28.128.100/dab/docs/publicacoes/geral/pnab.pdf 7. Fleck MP, organizador. A avaliação da qualidade de vida: guia para profissionais de saúde. Porto Alegre: Artmed; 2008. 8. Khan S, Tangiisuran B, Imtiaz A, Zainal H. Health status and quality of life in tuberculosis: systematic review of study design, instruments, measuring properties and outcomes. Health Sci J. 2017;11(1):484. 9. Peddireddy V. Quality of life, psychological interventions and treatment outcome in tuberculosis patients: the Indian Scenario. Front Psychol. 2016;7:1664. 10. Ferreira AL, Nogueira LM, Sá AM, Ozela CS. Custos da busca pelo diagnóstico da tuberculose: impacto na economia familiar. Rev Cuid. 2018;9(3):2400-12. Enferm Foco. 2022;13:e-2022326 QUALIDADE DE VIDA COMO INDICADOR MULTIDIMENSIONAL NO MANEJO DA TUBERCULOSE: ESTUDO DE CORTE TRANSVERSAL Gerszt PP, Maciel EL, Daré IB, Silva TC, Carlesso GF, Fiorin BH, et al. 11. Brown J, Capocci S, Smith C, Morris S, Abubakar I, Lipman M. Health status and quality of life in tuberculosis. Int J Infect Dis. 2015;32:68-75. 12. Kastien-Hilka T, Rosenkranz B, Bennett B, Sinanovic E, Schwenkglenks M. How to evaluate health-related quality of life and its association with medication adherencein pulmonary tuberculosis - designing a prospective observational study in South Africa. Front Pharmacol. 2016;7:125. 13. Aggarwal AN. Quality of life with tuberculosis. J Clin Tuberc Other Mycobact Dis. 2019;17:100121. 14. Mohammed S, Nagla S, Morten S, Asma E, Arja A. Illness perceptions and quality of life among tuberculosis patients in Gezira, Sudan. Afr Health Sci. 2015;15(2):385-93. 15. Saleem S, Malik A, Ghulam A, Ahmed J, Hussain H. Health-related quality of life among pulmonary tuberculosis patients in Pakistan. Qual Life Res. 2018;27(12):3137-43. 16. Dos Santos AP, Lazzari TK, Silva DR. Health-related quality of life, depression and anxiety in hospitalized patients with tuberculosis. Tuberc Respir Dis (Seoul). 2017;80(1):69-76. 17. Farias SN, Medeiros CR, Mauro MY, Ghelman LG, Araujo EF. A qualidade de vida de clientes portadores de tuberculose no contexto da atenção básica. Rev Enferm UERJ. 2013;21(3):349-54. 18. Valadares RM, Carvalho WD, Miranda SS. Association of adverse drug reaction to anti-tuberculosis medication with quality of life in patients in a tertiary referral hospital. Rev Soc Bras Med Trop. 2019;53:e20190207. 19. Oliveira SA, Lima CA, Quirino EM, Andrade RM, Lima AA, Silva MA, et al. Adesão e qualidade de vida em pacientes com tuberculose pulmonar. Rev Enferm UFPE online. 2019;13(3):697-706. 20. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Tuberculose - casos confirmados notificados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação - Espírito Santo [Internet]. 2018 [cited 2020 Jun 25]. Available from: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sinannet/ cnv/tuberces.def 21. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. Brasil livre da tuberculose: plano nacional pelo fim da tuberculose como problema de saúde pública [Internet]. Brasília (DF): Ministério da Saúde; 2017 [cited 2020 Jul 10]. Available from: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/brasil_livre_ tuberculose_plano_nacional.pdf 22. Ware JE Jr, Sherbourne CD. The MOS 36-item short-form health survey (SF-36). I. Conceptual framework and item selection. Med Care. 1992;30(6):473-83. 23. Ciconelli RM, Ferraz MB, Santos W, Meinão I, Quaresma MR. Tradução para a língua portuguesa e validação do questionário genérico de avaliação da qualidade de vida SF-36 (Brasil SF-36). Rev Bras Reumatol. 1999;39(3):143-50. 24. Li CT, Chu KH, Reiher B, Kienene T, Chien LY. Evaluation of health- related quality of life in patients with tuberculosis who completed treatment in Kiribati. J Int Med Res. 2017;45(2):610-20. 25. Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa. Critério de Classificação Econômica Brasil [Internet]. 2018 [cited 2020 Feb 29]. Available from: https://www.abep.org/criterioBr/01_cceb_2018.pdf 26. Bauer M, Leavens A, Schwartzman K. A systematic review and meta- analysis of the impact of tuberculosis on health-related quality of life. Qual Life Res. 2013;22(8):2213-35. 27. Koyanagi A, Vancampfort D, Carvalho AF, DeVylder JE, Haro JM, Pizzol D, et al. Depression comorbid with tuberculosis and its impact on health status: cross-sectional analysis of community-based data from 48 low- and middle-income countries. BMC Med. 2017;15(1):209. 28. Kibrisli E, Bez Y, Yilmaz A, Aslanhan H, Taylan M, Kaya H, et al. High social anxiety and poor quality of life in patients with pulmonary tuberculosis. Medicine (Baltimore). 2015;94(3):e413. 29. Trajman A, Saraceni V, Durovni B. Os objetivos do desenvolvimento sustentável e a tuberculose no Brasil: desafios e potencialidades. Cad Saúde Pública. 2018;34(6):e00030318. 30. Kisaka SM, Rutebemberwa E, Kasasa S, Ocen F, Nankya-Mutyoba J. Does health-related quality of life among adults with pulmonary tuberculosis improve across the treatment period? A hospital-based cross sectional study in Mbale Region, Eastern Uganda. BMC Res Notes. 2016;9(1):467. 31. Dar SA, Shah NN, Wani ZA, Nazir D. A prospective study on quality of life in patients with pulmonary tuberculosis at a tertiary care hospital in Kashmir, Northern India. Indian J Tuberc. 2019;66(1):118-22. 32. Coriolano-Marinus MW, Queiroga BA, Ruiz-Moreno L, Lima LS. Comunicação nas práticas em saúde: revisão integrativa da literatura. Saúde Soc. 2014;23(4):1356-69. 33. Linhares SR, Paz EP. Tratamento da tuberculose na estratégia saúde da família: olhar do profissional. Enferm Foco. 2019;10(5):179-84. 34. Carvalho Neto FJ, Ramos MG, Guimarães MR, Ibiapina AR, Costa AP, Silva RR, et al. Projeto terapêutico singular: ferramenta de superação do gap terapêutico em saúde mental. Enferm Foco. 2020;11(4):95-9. 35. Thiese MS. Observational and interventional study design types; an overview. Biochem Med (Zagreb). 2014;24(2):199-210. Enferm Foco. 2022;13:e-202232 7