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Qualidade de vida como indicador multidimensional no manejo da tuberculose

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Suzana Reis

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ARTIGO ORIGINAL
1Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, ES, Brasil.
RESUMO 
Objetivo: Avaliar a qualidade de vida das pessoas em tratamento para a tuberculose. 
Métodos: Trata-se de estudo de corte transversal realizado no âmbito da atenção primária em municípios da Região 
Metropolitana do Estado do Espírito Santo de agosto de 2019 a março de 2020. Foram coletados dados sociodemográficos 
e clínicos, juntamente com entrevista por meio do questionário de qualidade de vida Short Form-36. 
Resultados: A amostra de 88 indivíduos foi composta em sua maioria pelo sexo masculino (66%), negros (84%), pessoas 
em idade laboral ativa (41 ±17 anos), estado civil solteiro (50%), desempregados (62%), com renda familiar de até 3 salários 
mínimos (73%), pertencentes às classes socioeconômicas C (55%), D e E (33%). As médias de Qualidade de Vida encontradas 
foram de 63,0 em estado geral, 61,0 em capacidade funcional, 36,6 em aspectos físicos, 57,8 em dor, 46,5 em aspectos 
emocionais, 52,8 em aspectos sociais, 49,0 em vitalidade e 61,0 em saúde mental. 
Conclusão: A determinação social da tuberculose gera impactos na Qualidade de Vida, indicador multidimensional que 
se efetua na interação social e pode auxiliar o manejo das equipes multidisciplinares a garantir o Cuidado Centrado no 
Paciente, além de favorecer o levantamento de dados não microbiológicos para pesquisas epidemiológicas. 
ABSTRACT
Objective: To evaluate the quality of life of people undergoing treatment for tuberculosis. Methods: This is a cross-sectional 
study carried out within the scope of primary care in municipalities in the Metropolitan Region of the State of Espírito Santo 
from August 2019 to March 2020. Sociodemographic and clinical data were collected, together with an interview using the 
quality of life questionnaire Short Form-36. 
Results: The sample of 88 individuals was composed mostly of males (66%), blacks (84%), people of working age (41±17 
years), single marital status (59%), unemployed (62%), with family income of up to 3 minimum wages (73%), belonging to 
socioeconomic classes C (55%), D and E (33%). The quality of life averages found were 63.0 in general state, 61.0 in functional 
capacity, 36.6 in physical aspects, 57.8 in pain, 46.5 in emotional aspects, 49.0 in vitality and 61.0 in mental health. 
Conclusion: The social determination of tuberculosis impacts on Quality of Life, a multidimensional indicator that is carried 
out in social interaction and can help the management of multidisciplinary teams to ensure Patient-Centered Care, in 
addition to favoring the collection of non-microbiological data for epidemiological research.
RESUMEN
Objetivo: Evaluar la calidad de vida de las personas em tratamento por tuberculosis. 
Métodos: Se trata de un estudio transversal realizado em el ámbito de la atención primaria em municipios de la Región 
Metropolitana del Estado de Espirito Santo desde agosto de 2019 a marzo de 2020. Se recogieran datos sociodemográficos 
y clínicos, junto con una entrevista mediante el cuestionario de calidade de vida Short Form-36. 
Resultados: La muestra de 88 individuos estuvo compuesta em su mayoría por hombres (66%), negros (84%), personas 
em idadad de trabajar (41±17años), estado civil soltero (50%), desempleados (62%), co un renta familiar de hasta 3 salarios 
mínimos (73%), pertenecientes a las clases socioeconómicas C (55%), D y E (33%). 
Conclusion: La determinación social de la tuberculosis impacta em la Calidad de Vida, indicador multidimensional que se 
lheva a cabo em la interacción social y puede ayudar a la gestión de equipos multidisciplinarios para assegurar la Atención 
Centrada em el Paciente, además de favorecer la recolección de datos no microbiológicos para investigación epidemiológica.
Descritores
Qualidade de Vida; Tuberculose; 
Atenção Primária à Saúde
Descriptors
Quality of Life; Tuberculosis; 
Primary Health Care
Descriptores
Calidad de vida; Tuberculosis; 
Atención Primaria de Salud
Submetido 
12 de Maio de 2021
Aceito 
31 de Julho de 2021
Conflitos de interesse: 
manuscrito extraído da dissertação 
“Qualidade de Vida em pacientes com 
tuberculose na região metropolitana do 
Espírito Santo”, defendido em 2020, no 
Programa de Pós-Graduação em Saúde 
Coletiva, na Universidade Federal do 
Espírito Santo - UFES.
Autor Correspondente 
Paula Pinheiro Gerszt 
E-mail: paula.gerszt@ufes.br
Editor Associado (Avaliação pelos pares): 
Ana Lúcia Queiroz Bezerra 
(https://orcid.org/0000-0002-6439-9829) 
Escola de Enfermagem, Universidade 
Federal de Goiás. Goiânia, GO, Brasil
QUALIDADE DE VIDA COMO INDICADOR 
MULTIDIMENSIONAL NO MANEJO DA TUBERCULOSE: 
ESTUDO DE CORTE TRANSVERSAL
QUALITY OF LIFE LIKE A MULTIDIMENSIONAL INDICATOR IN TUBERCULOSIS MANAGEMENT: A CROSS-SECTIONAL 
STUDY
CALIDAD DE VIDA COMO INDICADOR MULTIDIMENSIONAL EM EL MANEJO DE LA TUBERCULOSIS: UM ESTUDIO 
TRANSVERSAL
Paula Pinheiro Gerszt1 (https://orcid.org/0000-0002-2398-7130)
Ethel Leonor Noia Maciel1 (https://orcid.org/0000-0003-4826-3355)
Isadora Bianchi Daré1 (https://orcid.org/0000-0002-7507-6507)
Teresa Cristina Ferreira da Silva1 (https://orcid.org/0000-0003-2722-0364)
Geisa Fregona Carlesso1 (https://orcid.org/0000-0001-5835-8222)
Bruno Henrique Fiorin1 (https://orcid.org/0000-0002-1629-9233)
Margareth Attianezi Bracet1 (https://orcid.org/0000-0003-3627-5375)
Thiago Nascimento do Prado1 (https://orcid.org/0000-0001-8132-6288)
Como citar: 
Gerszt PP, Maciel EL, Daré IB, Silva TC, Carlesso GF, Fiorin BH, et al. Qualidade de vida como indicador 
multidimensional no manejo da tuberculose: estudo de corte transversal. Enferm Foco. 2022;13:e-202232.
DOI: https://doi.org/10.21675/2357-707X.2022.v13.e-202232.
Enferm Foco. 2022;13:e-202232 1
https://orcid.org/0000-0002-6439-9829
QUALIDADE DE VIDA COMO INDICADOR MULTIDIMENSIONAL NO MANEJO DA TUBERCULOSE: ESTUDO DE CORTE TRANSVERSAL
Gerszt PP, Maciel EL, Daré IB, Silva TC, Carlesso GF, Fiorin BH, et al. 
INTRODUÇÃO
A tuberculose constitui-se como uma das dez principais 
causas de morte no mundo, sendo uma das problemáti-
cas de saúde pública que necessitam de solução urgente. 
Os dados epidemiológicos da tuberculose concentram-se 
principalmente onde há o predomínio da pobreza, adensa-
mentos populacionais e falta de apoio social.(1,2) No Brasil, 
o coeficiente de incidência foi de 35,0 casos/ 100 mil habi-
tantes em 2019 e o de mortalidade, 2,2 óbitos/ 100 mil ha-
bitantes em 2018. O estado do Espírito Santo apresentou 
incidência de 1.129 casos e coeficiente de mortalidade de 
1,8 óbitos/ 100 mil habitantes em 2019.(3)
Um dos pilares que sustentam a Estratégia pelo fim da 
tuberculose, lançada pela Organização Mundial da Saúde 
em 2014, é a Prevenção e Cuidado Integrado Centrado 
no Paciente.(1) O Cuidado Centrado na Pessoa (CCP) par-
tiu dos pressupostos de Avedis Donabedian, que propôs a 
compreensão da qualidade nos serviços de saúde por meio 
de atributos como eficiência, eficácia, efetividade, otimiza-
ção, aceitabilidade, legitimidade e equidade, que exploram 
aspectos da relação entre profissional de saúde e usuário.
(4) Ao valorizar a adoção da perspectiva do indivíduo como 
participante ativo de sistemas de saúde e de se organizar 
ao redor das necessidades e expectativas de saúde dos su-
jeitos, o CCP está em conformidade com os princípios pro-
postos pela Política Nacional de Atenção Básica, ou seja, a 
integralidade do cuidado, a interdisciplinaridade, a huma-
nização, a educação em saúde e a promoção da saúde.(5,6)
A Qualidade de Vida (QV) é um indicador subjetivo e 
multidimensional que valoriza parâmetros além do controle 
dos sintomas, da diminuição da mortalidade e do aumento 
da expectativa de vida. Trata-se de um constructo concei-
tuado pela Organização Mundial da Saúde como a percep-
ção do indivíduo de sua posição no contexto da cultura 
e sistema de valores nos quais ele vive e em relação aos 
seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações.(7)A 
avaliação da QV ocorre na interação social e por meio do 
diálogo guiado por instrumentos padronizados que contêm 
enunciados sobre vários domínios da vida, cujas respostas 
são transformadas em valores que apontam a existência de 
dimensões boas ou ruins.
A investigação dos impactos da tuberculose na QV tem 
ampliado recentemente.(8,9) Mesmo com tratamento gratui-
to no setor público de saúde no Brasil, os itinerários diag-
nóstico e terapêutico podem ser longos, angustiantes e 
com diferentes repercussões.(8,10-13) Inicialmente a doença 
cursa com indisposição física decorrente dos sintomas ou 
dos efeitos colaterais da medicação. Os pacientes precisam 
lidar com o isolamento social, absenteísmo, pensamentos 
negativos a respeito de si ou de sua situação, níveis eleva-
dos de ansiedade, depressão, estigma negativo e sequelas 
mentais e físicas pós-tratamento.(11,13-16)
É difícil sintetizar a repercussão de uma doença infec-
ciosa crônica como a tuberculose através de números.(11) 
sendo poucas as pesquisas brasileiras sobre este assunto 
na literatura.(16-19) 
Nesse sentido, a adoção da perspectiva do indivíduo 
no cuidado é um meio de valorizar a comunicação aberta e 
identificar a existência de manifestações não microbiológi-
cas e não explícitas no contexto tradicional de atendimen-
to. O presente estudo tem o objetivo de avaliar a Qualidade 
de Vida das pessoas em tratamento de tuberculose. 
MÉTODOS
Trata-se de um estudo de corte transversal, realizado 
em quatro municípios da região metropolitana do Espírito 
Santo: Vitória, Vila Velha, Cariacica e Serra, cujos respec-
tivos coeficientes de incidência da tuberculose, em 2018, 
foram, respectivamente: 38,5/100 mil habitantes, 40,5/ 100 
mil habitantes, 39,9/ 100 mil habitantes e 41,4/100 mil habi-
tantes.(20) Esta região faz parte do subcenário 1.3 do Plano 
Nacional pelo Fim da Tuberculose como Problema de Saúde 
Pública, caracterizado como uma área com endemia con-
centrada em populações vulneráveis, considerável percen-
tual de transferência e de ignorados, maior coeficiente de 
incidência de tuberculose e a Síndrome da imunodeficiência 
humana (AIDS), além de maior percentual médio de abando-
no entre os municípios que fazem parte do cenário 1.(21)
Foram convidados a participar do estudo os pacien-
tes de qualquer forma clínica de tuberculose, notificados 
no Sistema de Informação de Agravos de Notificação com 
idade a partir de 18 anos, ambos sexos, em tratamento para 
tuberculose há pelo menos quatro semanas. Foram exclu-
ídos os pacientes sem as habilidades cognitivas mínimas 
necessárias para realizar uma entrevista, os indivíduos pri-
vados de liberdade e as pessoas em situação de rua.
No período de agosto de 2019 a março de 2020, na oca-
sião do comparecimento à consulta de rotina na unidade de 
saúde local e após assinatura do Termo de Consentimento 
Livre e Esclarecido, os participantes foram submetidos à 
aplicação de um instrumento estruturado de caracteriza-
ção sociodemográfica e clínica e do instrumento Short–
form health survey (SF-36), por meio de entrevista presen-
cial de aproximadamente 20 minutos, em local reservado, 
por entrevistadores previamente treinados. Durante a en-
trevista, as respostas foram demonstradas em um caderno 
auxiliar para facilitar o acompanhamento pelo entrevistado 
e evitar perdas ou viés de resposta. 
Enferm Foco. 2022;13:e-2022322
QUALIDADE DE VIDA COMO INDICADOR MULTIDIMENSIONAL NO MANEJO DA TUBERCULOSE: ESTUDO DE CORTE TRANSVERSAL
Gerszt PP, Maciel EL, Daré IB, Silva TC, Carlesso GF, Fiorin BH, et al. 
O SF-36 é um instrumento genérico de verificação de QV, 
adaptado transculturalmente no Brasil, amplamente utiliza-
do na área da saúde, de aplicação simples e rápida(22) e citado 
na literatura como o mais usado na avaliação da QV em tu-
berculose por seus bons níveis de validade e de confiabili-
dade.(8) Desenvolvido originalmente por Ware e Sherbourne, 
em 1992(22) e validado por Ciconelli et al. em 1999,(23) possui 
36 itens divididos em 8 domínios. Os domínios pertencentes 
ao Componente Físico são Capacidade Funcional, Aspectos 
Físicos, Dor e Estado Geral de Saúde; os pertencentes ao 
Componente Mental são Vitalidade, Aspectos Sociais, 
Aspectos Emocionais e Saúde Mental. Cada domínio rece-
be uma pontuação que varia em uma escala de zero a cem, 
sendo pior o resultado quanto mais próximo do zero. Uma 
questão que compara as condições de saúde atualmente e 
as de um ano atrás não entra na contagem do escore.(23)
As variáveis independentes foram representadas pelos 
dados sociodemográficos, dados relacionados ao consu-
mo habitual de álcool e tabaco, informações relacionadas 
à saúde geral e aspectos clínicos da tuberculose, reunidos 
no formulário de caracterização da amostra. As variáveis 
dependentes corresponderam aos escores de QV obtidos 
em cada um dos domínios do SF-36. 
O cálculo de amostra post hoc foi realizado utilizando o 
programa G*Power, versão 3.1. Estudo prévio demonstrou 
que o tamanho de efeito gerado na comparação entre gru-
pos com e sem tuberculose foi de 0,45.(24) Com base neste 
valor e, considerando o cálculo de amostra para compa-
ração de grupos independentes, sendo 32 sujeitos na fase 
intensiva (2 meses iniciais) e 56 na fase de manutenção (4 
meses seguintes) (n= 88), obteve-se o poder de 0,644.
As análises estatísticas foram realizadas utilizando o 
programa estatístico Jamovi, versão 1.1.9.0. Foram execu-
tadas análises descritivas das variáveis independentes para 
demonstração das frequências e do valor percentual das 
variáveis categóricas, bem como das médias, medianas, 
desvios padrão, valores mínimo e máximo das variáveis de-
pendentes. Para a comparação da diferença entre as duas 
fases de tratamento, foi efetuado o teste t de Student com 
correção de Welch. 
O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em 
Pesquisa sob o nº. 3.235.293 em 31/03/2019 (CAAE: 
08667219.9.0000.5060).
RESULTADOS
Foram entrevistados 88 indivíduos, cujas características 
cumpriam os critérios de inclusão e que aceitaram partici-
par do estudo. A tabela 1 reúne as características sociode-
mográficas dos participantes desta pesquisa.
Tabela 1. Caracterização sociodemográfica dos pacientes com TB 
(n=88)
Variáveis n(%)
Município de residência
Cariacica 29(33,0)
Serra 14(16,0)
Vila Velha 33(37,0)
Vitória 12(14,0)
Sexo
Feminino 30(34,0)
Masculino 58(66,0)
Raça/cor
Brancos 14(16,0)
Negros 74(84,0)
Estado Civil
Casado/União estável 33(38,0)
Separado/Divorciado 7(8,0)
Solteiro 44(50,0)
Viúvo 4(4,0)
Anos de estudo
≤ 8 anos 38(43,0)
> 8 anos 50(57,0)
Empregado
Não 55(63,0)
Sim 33(37,0)
Renda individual*
0 21(24,0)
> 0 ≤ 3 61(69,0)
>3 6(7,0)
Renda familiar*
Não Informado 6(7,0)
> 0 ≤ 3 66(73,0)
>3 12(20,0)
Beneficiário do governo
Não 76(86,0)
Sim 12(14,0)
Classificação socioeconômica**
A-B 11(12,0)
C 48(55,0)
D-E 29(33,0)
*Salário mínimo em 2019 = R$ 998,00; ** Baseado no Critério de Classificação Socioeconômica Brasil (2018).(25)
Os dados obtidos demonstram que a maior parte da 
amostra foi composta por usuários dos municípios de Vila 
Velha e Cariacica, pessoas do sexo masculino, com média 
de idade de 41 anos (±17; valor mínimo = 18 anos; valor máxi-
mo = 84 anos) e autodeclarados negros. Metade da amostra 
foi composta de pessoas solteiras. Ainda de acordo com 
a tabela 1, a maioria dos entrevistados apresentou mais 
do que 8 anos de estudo e afirmou não estar empregado. 
Tanto a renda individual quanto a renda familiar declarada 
pela maioria dos participantes foram menores ou iguais a 3 
salários mínimos. Poucos recebiam algum tipo de benefício 
governamental. As classes socioeconômicas C, D e E foram 
as predominantes. Na tabela 2 são descritos dados com-
portamentais relacionados ao consumo habitual de álcool 
e tabaco e informações relacionadas à saúde geral. 
Observa-se que uma parcela dos participantesfez uso 
de substâncias que podem causar dependência mesmo 
durante o tratamento, sendo o consumo de álcool o mais 
Enferm Foco. 2022;13:e-202232 3
QUALIDADE DE VIDA COMO INDICADOR MULTIDIMENSIONAL NO MANEJO DA TUBERCULOSE: ESTUDO DE CORTE TRANSVERSAL
Gerszt PP, Maciel EL, Daré IB, Silva TC, Carlesso GF, Fiorin BH, et al. 
Tabela 2. Dados comportamentais e de saúde geral dos pacientes 
com TB (n=88)
Variáveis n(%)
Dependência do tabaco*
Não fuma 70(79,0)
Muito baixo risco 6(7,0)
Baixo risco 5(6,0)
Médio risco 4(5,0)
Elevado risco 1(1,0)
Muito elevado risco 2(2,0)
Uso de drogas ilícitas
Não informado 1(1,0)
Não 70(80,0)
Sim 17(19,0)
Dependência do álcool**
Não consome 53(60,0)
Baixo risco 9(10,0)
Risco moderado 8(9,0)
Alto risco 11(13,0)
Risco severo 7(8,0)
Comorbidades
Não 58(66,0)
Sim 30(34,0)
Uso de outras medicações
Não Informado 6(7,0)
Não 50(57,0)
Sim 32(36,0)
*Baseado no teste Fagerström; **Baseado no teste AUDIT C
observado nessa amostra. Também uma fração apresentou 
alguma comorbidade, mais frequentemente HIV e diabetes, 
e uso de medicação além dos tuberculostáticos, como psi-
cofármacos, hipoglicemiantes e antirretrovirais. Na tabela 
3 são apresentados os dados clínicos referentes às mani-
festações da tuberculose e seu tratamento.
Maior número de pessoas era caso novo da doença, em 
fase de manutenção do tratamento, não participante da 
estratégia de Terapia Diretamente Observada e a forma clí-
nica pulmonar foi a mais frequente. Na ocasião do diagnós-
tico e início do tratamento, os participantes apresentaram 
pelo menos um resultado positivo entre os exames diag-
nósticos. Os sintomas iniciais mais relatados foram tosse 
persistente, febre, dor torácica, emagrecimento, sudore-
se e fraqueza. Já os efeitos adversos mais citados foram 
intolerância gástrica, alterações cutâneas e mudança de 
comportamento. Algumas pessoas necessitaram de inter-
nação em período próximo ao do diagnóstico. Sobre os an-
tecedentes clínicos da doença, verificou-se contato prévio 
com uma pessoa em tratamento para tuberculose, sendo 
a maioria com familiares e pessoas do convívio habitual, 
além daqueles que afirmaram ter tido contato enquanto 
estavam privados de liberdade (Tabela 3). A avaliação da QV 
pode ser verificada na tabela 4, em que são apresentados 
os valores médios dos escores dos oito domínios do SF-36.
Partindo dos domínios que apresentaram as melhores 
médias encontradas, a ordem obtida foi a seguinte: Estado 
Tabela 3. Dados clínicos dos pacientes com TB (n=88)
Variáveis n(%)
Tipo de entrada
Caso novo 62(71,0)
Recidiva 5(6,0)
Reingresso após abandono 5(6,0)
Transferência 15(17,0)
Tipo de tuberculose
Extrapulmonar 11(13,0)
Pulmonar 74(84,0)
Pulmonar e Extrapulmonar 3(3,0)
Fase do tratamento
Intensiva 32(36,0)
Manutenção 56(64,0)
TDO*
Não informado 1(1,0)
Não 85(97,0)
Sim 2(2,0)
Baciloscopia atual
Não informado 5(6,0)
Não se aplica 5(6,0)
Positiva 8(9,0)
Negativa 41(46,0)
Não realizada 29(33,0)
Diagnóstico de tuberculose**
Não 4(5,0)
Sim 84(95,0)
Rx de tórax suspeito 69(78,0)
Baciloscopia positiva 64(73,0)
Cultura positiva 17(19,0)
Histopatológico positivo 16(18,0)
Sintoma iniciais relatados***
Tosse 59(67,0)
Febre 37(42,0)
Dor torácica 20(23,0)
Emagrecimento 16(18,0)
Sintoma iniciais relatados***
Sudorese 14(16,0)
Fraqueza 13(15,0)
Efeitos adversos***
Não 39(45,0)
Sim 48(55,0)
Efeitos adversos relatados***
Intolerância gástrica**** 27(31,0)
Alterações cutâneas***** 12(14,0)
Mudança comportamental***** 6(7,0)
Internação por tuberculose
Não 71(81,0)
Sim 17(19,0)
Contato de tuberculose
Não 40(45,0)
Não sabe 11(13,0)
Sim 37(42,0)
 *Terapia Diretamente Observada; **Algumas pessoas realizaram mais de um exame; ***Algumas pessoas 
apresentaram mais de um sintoma e mais de um efeito adverso; ****Irritação gástrica, náusea, vômito, epi-
gastralgia, dor abdominal; *****Prurido, exantema; ******Euforia, insônia, ansiedade, sonolência
Geral de Saúde, Saúde Mental e Capacidade Funcional, Dor, 
Aspectos Sociais, Vitalidade, Aspectos Emocionais e, por 
último, Aspectos Físicos. Seguiu-se a observação da com-
paração das médias de QV entre as fases de tratamento. 
Na tabela 5 pode-se constatar que não houve diferenças 
estatisticamente significativas nos domínios de QV entre 
as fases do tratamento da doença no grupo estudado.
Enferm Foco. 2022;13:e-2022324
QUALIDADE DE VIDA COMO INDICADOR MULTIDIMENSIONAL NO MANEJO DA TUBERCULOSE: ESTUDO DE CORTE TRANSVERSAL
Gerszt PP, Maciel EL, Daré IB, Silva TC, Carlesso GF, Fiorin BH, et al. 
DISCUSSÃO
Pesquisas, internacionais em sua maioria, têm demons-
trado diminuição dos níveis de QV na tuberculose ativa 
quando comparados aos sujeitos com tuberculose laten-
te, indivíduos curados e pessoas sem a doença.(11,13,26) Em 
comparação com as pesquisas brasileiras realizadas com 
pacientes ambulatoriais, um estudo realizado na cidade 
do Rio de Janeiro, que utilizou o WHOQOL-BREF, encon-
trou médias similares em seu trabalho, maiores no domínio 
Relações Sociais e no domínio Psicológico. Entretanto, não 
há detalhes sobre a caracterização da amostra.(17) Na série 
de casos realizada em 2017 com 18 sujeitos, na cidade de 
Recife e utilizando o SF-36, os domínios Aspectos Sociais e 
Saúde Mental apresentaram escores elevados.(19)
Aspectos Físicos, Aspectos Sociais, Vitalidade e Aspectos 
Emocionais apresentaram os menores escores neste estu-
do. Muitas alterações psicológicas podem ser observadas 
na tuberculose, sendo a depressão e a ansiedade as mais 
descritas.(16,27) Assim também se corrobora com estudos que 
evidenciaram as dimensões de ordem emocional e social 
como as mais afetadas em relação às de ordem física.(28)
Tabela 4. Médias gerais, medidas de tendência central, valores mí-
nimo e máximo dos domínios de QV obtidos no SF-36 dos pacien-
tes com TB (n=88)
 Medidas EGS* CF* AF* AE* AS* D* V* SM*
Média 63,0 61,0 36,6 46,5 52,8 57,8 49,4 61,0
Mediana 65,0 65,0 12,5 33,3 50,0 50 50,0 66,0
Desvio Padrão 23,1 28,3 43,2 44,3 31,6 30,7 29,0 66,0
Mínimo 5 0,00 0 0,00 0,00 0 0 0
Máximo 100 100 100 100 100 100 100 100
* EGS- Estado Geral de Saúde; CF- Capacidade Funcional; AF- Aspectos Físicos; AE- Aspectos Emocionais; 
AS- Aspectos Sociais; D- Dor; V- Vitalidade; SM- Saúde Mental
Tabela 5. Teste t de Student para amostras independentes dos do-
mínios de QV entre as fases de tratamento dos pacientes com TB 
(n=88)
Domínio Fase n Média Desvio Padrão Teste t
** p-value*** Intervalo de Confiança 95%
*EGS
1 32 63,3 20,0
0,1059 0,916 -9,14 10,17
2 56 62,8 24,9
*CF
1 32 60,0 25,9
-0,3722 0,711 -14,38 9,86
2 56 62,2 29,9
*AF
1 32 34,2 44,2
-0,3847 0,702 -23,09 15,64
2 56 37,9 42,9
*AE
1 32 45,5 44,8
-0,1572 0,876 -21,32 18,21
2 56 47,0 44,4
*AS
1 32 50,4 26,1
-0,5900 0,557 -16,84 9,14
2 56 54,2 34,6
*D
1 32 60,6 30,5
0,6392 0,525 -9,35 18,14
2 56 56,3 31,0
*V
1 32 49,2 30,3
-0,0374 0,970 -13,38 12,89
2 56 49,5 28,5
*SM
1 32 62,1 27,1
0,3067 0,760 -9,77 13,31
2 56 60,4 24,1
* EGS- Estado Geral de Saúde; CF- Capacidade Funcional; AF- Aspectos Físicos; AE- Aspectos Emocio-
nais; AS- Aspectos Sociais; D- Dor; V- Vitalidade; SM- Saúde Mental;**Teste t de Student com correção 
de Welch; ***p≤0,05.
As desordens mentais podem ter início após o diagnós-
tico da tuberculose ou existir previamente à doença e pos-
suir outros fatores causais e a tuberculose exercer um peso 
adicional a esta condição. Pesquisas relacionam as desor-
dens mentais em pacientes com tuberculose às caracterís-
ticas sociodemográficas, fatores econômicos e coinfecção 
com HIV, por exemplo.(12,29) De fato, neste trabalho foram 
encontradas médias inferiores no Componente Mental ao 
mesmo tempo em que se observam características popula-
cionais que podem levar à sobreposição de estigmas junto 
à tuberculose, sobretudo, o percentual de desempregados, 
pessoas de classes socioeconômicas mais baixas, além de 
pessoas com HIV e indivíduosem uso de psicofármacos. Se 
o comprometimento do Componente Mental nas pessoas 
com tuberculose pode ter outras fontes e determinações 
além do peso da doença, é mais provável a persistência de 
um impacto nessa dimensão da QV após a conclusão do 
tratamento, do que na dimensão física. Por isso, é necessá-
rio amplificar o espectro assistencial desses usuários com 
equipes multiprofissionais.
À exceção de Aspectos Físicos, os domínios perten-
centes ao Componente Físico apresentaram os melho-
res valores, apesar das conhecidas limitações físicas nos 
quadros de tuberculose pulmonar, das comorbidades, dos 
sintomas e das reações adversas relatadas na entrevista. 
Considerando que estudos anteriores verificaram a melho-
ra nos escores de QV logo ao final da fase intensiva,(26,30,31) 
o fato de a maioria dos participantes possuir pelo menos 
um mês de tratamento e de haver maior número de partici-
pantes na fase de manutenção pode ter contribuído com a 
elevação das médias dessa dimensão.
A propósito das fases de tratamento, não foram encon-
tradas diferenças significativas entre os grupos. Isto tam-
bém pode estar relacionado ao tamanho da amostra, talvez 
pelo número menor de pessoas na fase intensiva, mas tam-
bém pelo fato de não terem sido selecionadas pessoas com 
menos de um mês de tratamento, quando os incômodos 
dos sintomas e dos efeitos adversos à medicação podem 
estar mais evidentes. É mais provável que os estudos en-
contrem diferenças maiores entre as médias das fases de 
tratamento quando são incluídos indivíduos desde o início 
da fase intensiva.(26) Também é importante ressaltar que em 
entrevistas realizadas com pacientes internados, todos os 
escores de QV demonstram-se piores.(16,18)
Percebe-se até então que os dados das avaliações de QV 
possuem um caráter exclusivo por serem obtidos em uma 
atividade dialógica sociointeracional e por dependerem de 
condições sociais, históricas, culturais e contextuais indi-
viduais. A comunicação é que permite o estabelecimento 
Enferm Foco. 2022;13:e-202232 5
QUALIDADE DE VIDA COMO INDICADOR MULTIDIMENSIONAL NO MANEJO DA TUBERCULOSE: ESTUDO DE CORTE TRANSVERSAL
Gerszt PP, Maciel EL, Daré IB, Silva TC, Carlesso GF, Fiorin BH, et al. 
da relação terapêutica com os usuários, favorecendo o au-
tocuidado e criando condições para a promoção da saúde.
(32) Por isso, além do cumprimento de protocolos, é essen-
cial que a rotina assistencial valorize o diálogo como um 
processo convergente e horizontal, de escuta acolhedora, 
sensível e empática, capaz de identificar a subjetividade da 
linguagem verbal e não verbal.(32,33) Nesse sentido, a avalia-
ção da QV favoreceria a aplicação do CCP nos programas 
de tuberculose, redirecionaria o modelo de atenção bio-
médico com a perspectiva de elucidar causas de abandono 
e falha na terapia medicamentosa e supriria a articulação 
multiprofissional de condutas terapêuticas.(34)
Em favor do nosso conhecimento, trata-se do primeiro 
estudo avaliando a QV das pessoas em tratamento para a 
tuberculose no estado do Espírito Santo. Resguardada a im-
portância dos dados obtidos, este estudo apresentou algu-
mas limitações. Em primeiro lugar, trata-se de um estudo de 
caráter descritivo e de corte transversal, não sendo possível 
estabelecer relações de causa e efeito,(35) bem como acompa-
nhar a variação da QV ao longo do tempo. Em segundo lugar, 
dadas as dificuldades em obter maior número de entrevistas 
por circunstâncias inerentes ao programa de assistência, 
dentre as quais alto índice de absenteísmo, nosso tamanho de 
amostra comprometeu as possibilidades de análise estatís-
tica entre grupos, bem como a capacidade de generalização 
desses resultados. 
A QV é um indicador subjetivo e multidimensional que 
opera através da comunicação, ferramenta essencial do 
cuidado. O SF-36 pode ser aplicado por qualquer profis-
sional e servir ao gerenciamento do trabalho de equipes 
multidisciplinares no manejo da TB cumprindo o pilar do 
Cuidado Centrado no Paciente.
CONCLUSÃO
De acordo com os resultados encontrados neste estudo, 
a maioria das pessoas em tratamento na atenção básica 
apresentou características individuais que podem gerar 
impactos em várias dimensões da QV, independentemen-
te da presença da doença. Assim, por geralmente atingir 
grupos socioeconomicamente desfavorecidos e conforme 
todo o processo saúde-doença vivido nessa condição, os 
níveis de QV dessas pessoas podem rebaixar mais, além de 
sofrer variações com o tempo de tratamento, sendo mais 
provável a persistência de piores resultados nos domínios 
de ordem mental e social após a cura. 
Agradecimentos 
Às Enfermeiras Bruna Lauret, Mariana Araújo, à estudan-
te de enfermagem Larissa Aguiar e a todos os colegas do 
Laboratório de Epidemiologia da UFES (LABEPI).
Contribuições
Concepção e/ou desenho do estudo: Gerszt PP, Silva TCF, 
Carlesso GF, Fiorin BH, Bracet MA, Prado TN; Coleta, aná-
lise e interpretação dos dados: Gerszt PP, Daré IB, Silva 
TCF, Fiorin BH, Prado TN; Redação e/ou revisão crítica do 
manuscrito: Gerszt PP, Maciel ELN, Silva TCF, Carlesso GF, 
Fiorin BH, Bracet MA, Prado TN; Aprovação da versão final 
a ser publicada: Gerszt PP, Maciel ELN, Daré IB, Silva TCF, 
Carlesso GF, Fiorin BH, Bracet MA, Prado TN.
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