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AUL-09 SENTENÇA 1.PRONUNCIAMENTOS DO JUIZ O art. 203 do CPC estabelece que são pronunciamentos do juiz as sentenças, as decisões interlocutórias e os despachos. Nestes termos, o referido artigo define cada um dos atos judiciais: Art. 203. (...) § 1º Ressalvadas as disposições expressas dos procedimentos especiais, sentença é o pronunciamento por meio do qual o juiz, com fundamento nos arts. 485 e 487, põe fim à fase cognitiva do procedimento comum, bem como extingue a execução. § 2º Decisão interlocutória é todo pronunciamento judicial de natureza decisória que não se enquadre no § 1º. § 3º São despachos todos os demais pronunciamentos do juiz praticados no processo, de ofício ou a requerimento da parte. Observe-se que, caso a decisão tenha caráter decisório, o ato processual, na verdade, será sentença ou decisão interlocutória, não despacho. Ressalta, ainda, o art. 203, § 4º, do CPC que “Os atos meramente ordinatórios, como a juntada e a vista obrigatória, independem de despacho, devendo ser praticados de ofício pelo servidor e revistos pelo juiz quando necessário”. PRONUNCIAMENTOS JUDICIAIS: Sentença, Decisão interlocutória, Despacho, Acórdão 2.SENTENÇA A sentença é o ato principal e exclusivo do juiz de primeiro grau, por meio do qual decide sobre a demanda que lhe foi proposta, extinguindo o processo sem resolução do mérito ou acolhendo ou não a pretensão requerida conforme os fatos e o direito apresentados pela parte. O conceito de sentença foi remodelado pelo art. 203, § 1º, do CPC, que passou a definir a sentença por uma análise conjunta: (a) conteúdo da decisão prolatada com fundamento nos arts. 485 (extinção sem resolução de mérito) e 487 (extinção com resolução de mérito); e (b) extinção do procedimento em primeiro grau de jurisdição ou da execução. SENTENÇA – CONCEITO - Previsão celetista: Não há previsão na CLT do conceito de sentença. - Previsão CPC/2015: Art. 203, § 1º: Ressalvadas as disposições expressas dos procedimentos especiais, sentença é o pronunciamento por meio do qual o juiz, com fundamento nos arts. 485 e 487, põe fim à fase cognitiva do procedimento comum, bem como extingue a execução. SENTENÇA – CONCEITO - Conteúdo da decisão: Trata-se da extinção do processo com/sem resolução do mérito. - Momento em que é proferida: Põe fim à fase cognitiva do procedimento comum ou extingue a execução. 2.1.Requisitos da sentença Consoante previsto no art. 489 do CPC, a sentença deve ter requisitos essenciais e obrigatórios: relatório, fundamentação e dispositivo, de modo que a ausência de quaisquer deles impõe o reconhecimento da nulidade da sentença ou até mesmo a inexistência do ato judicial (art. 489, § 1º, do CPC e art. 3º, IX, da IN 39/2016 do TST). O art. 832 da CLT também traz os requisitos essenciais da sentença: (a) o nome das partes e o resumo do pedido e da defesa (equivalente ao relatório); (b) a apreciação das provas e os fundamentos da decisão (equivalentes à fundamentação); e c) a respectiva conclusão (equivalente ao dispositivo). No procedimento sumaríssimo, o art. 852-I da CLT determina que a sentença mencionará os elementos de convicção do juízo, com o resumo dos fatos relevantes ocorridos em audiência, dispensado o relatório. 2.1.1.Relatório O relatório é requisito que dá transparência à decisão, que demonstra que o juiz examinou as questões discutidas no processo e está apto a prolatar a sentença depois de ter obtido todas as informações necessárias para formação de sua convicção. Para a doutrina majoritária, portanto, essa é a função do relatório. Devem constar do relatório os principais aspectos do processo: nome das partes, resumo dos pedidos e da defesa, bem como as principais ocorrências processuais, como perícias, provas, propostas de conciliação, razões finais. Sentença sem relatório é nula, salvo se for prolatada em procedimento sumaríssimo. 2.1.2.Fundamentação Na fundamentação, o juiz deverá expor sua argumentação jurídica, os fundamentos fáticos e jurídicos que motivaram a sua convicção na prolação da decisão. É a parte mais detalhada da sentença, já que analisa de forma analítica as questões processuais, as alegações das partes (as questões de fato) e as provas produzidas. Relembre-se que a fundamentação das decisões é uma garantia constitucional, porquanto prevista no art. 93, IX, da CRFB/1988, cuja inobservância acarreta a nulidade absoluta da decisão judicial, diante da negativa de prestação jurisdicional. Art. 93. (...) IX – todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação; A fundamentação deve ser clara, objetiva e concisa, inclusive passível de ser compreendida pelo cidadão comum, carente de conhecimentos jurídicos, principalmente na Justiça do Trabalho, que admite o jus postulandi. É dever do magistrado, ainda, enfrentar todos os argumentos deduzidos pelas partes que sejam capazes de influenciar a sua decisão (art. 489, § 1º, IV, do CPC). Todavia, isso não quer dizer que o juiz deva rebater ou apreciar todos os argumentos da inicial e da defesa, mas se manifestar sobre todos os fatos e direitos fundamentais para a sua conclusão. A Instrução Normativa 39 do TST (art. 3º, IX) preceitua que o art. 489 do CPC, especialmente a parte que regulamenta a fundamentação da sentença, é aplicável ao processo do trabalho. Importante destacar que o CPC/2015 deixou claro o dever de fundamentação exauriente (ou fundamentação analítica) das decisões proferidas, sob pena de nulidade da decisão: Art. 489. (...) § 1º Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: I – se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; II – empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua incidência no caso; III – invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; IV – não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; V – se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; VI – deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. § 2º No caso de colisão entre normas, o juiz deve justificar o objeto e os critérios gerais da ponderação efetuada, enunciando as razões que autorizam a interferência na norma afastada e as premissas fáticas que fundamentam a conclusão. § 3º A decisão judicial deve ser interpretada a partir da conjugação de todos os seus elementos e em conformidade com o princípio da boa-fé. Ademais, a Instrução Normativa 39 do TST especificou como se dá a aplicação do art. 489 do CPC ao processo do trabalho. IN 39, art. 15: O atendimento à exigência legal de fundamentação das decisões judiciais (CPC, art. 489, § 1º) no Processo do Trabalho observará o seguinte: I – por força dos arts. 332 e 927 do CPC, adaptados ao Processo do Trabalho, para efeito dos incisos V e VI do § 1º do art. 489 considera-se “precedente” apenas: a) acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Tribunal Superior do Trabalho em julgamento de recursos repetitivos (CLT, art. 896-B; CPC, art. 1.046, § 4º); b) entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou de assunção de competência c) decisão do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de constitucionalidade; d) tese jurídica prevalecente em Tribunal Regional do Trabalho e não conflitante com súmula ou orientação jurisprudencial do Tribunal Superior do Trabalho (CLT, art. 896,§ 6º); e) decisão do plenário, do órgão especial ou de seção especializada competente para uniformizar a jurisprudência do tribunal a que o juiz estiver vinculado ou do Tribunal Superior do Trabalho. II – para os fins do art. 489, § 1º, incisos V e VI do CPC, considerar-se-ão unicamente os precedentes referidos no item anterior, súmulas do Supremo Tribunal Federal, orientação jurisprudencial e súmula do Tribunal Superior do Trabalho, súmula de Tribunal Regional do Trabalho não conflitante com súmula ou orientação jurisprudencial do TST, que contenham explícita referência aos fundamentos determinantes da decisão (ratio decidendi). III – não ofende o art. 489, § 1º, inciso IV do CPC a decisão que deixar de apreciar questões cujo exame haja ficado prejudicado em razão da análise anterior de questão subordinante. IV – o art. 489, § 1º, IV, do CPC não obriga o juiz ou o Tribunal a enfrentar os fundamentos jurídicos invocados pela parte, quando já tenham sido examinados na formação dos precedentes obrigatórios ou nos fundamentos determinantes de enunciado de súmula. V – decisão que aplica a tese jurídica firmada em precedente, nos termos do item I, não precisa enfrentar os fundamentos já analisados na decisão paradigma, sendo suficiente, para fins de atendimento das exigências constantes no art. 489, § 1º, do CPC, a correlação fática e jurídica entre o caso concreto e aquele apreciado no incidente de solução concentrada. VI – é ônus da parte, para os fins do disposto no art. 489, § 1º, V e VI, do CPC, identificar os fundamentos determinantes ou demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento, sempre que invocar precedente ou enunciado de súmula. 2.1.3.Dispositivo O dispositivo é a parte final da sentença que traz o conteúdo decisório. É na parte dispositiva que o magistrado apresentará suas conclusões, acolhendo ou não a pretensão posta em juízo, ou, ainda, extinguindo o processo sem resolução de mérito. O dispositivo deve observar o princípio da congruência, devendo a conclusão guardar relação com as demais partes da sentença, com os demais elementos que conduziram o raciocínio do juiz. Observe-se que a ausência da parte dispositiva importa na inexistência da sentença. No dispositivo também deve haver: a) na hipótese de procedência do pedido, o prazo e as condições para o cumprimento da decisão (art. 832, § 1º, da CLT); b) as custas devidas pela parte vencida (art. 832, § 2º, da CLT); c) na hipótese de decisões cognitivas ou homologatórias, a natureza jurídica das parcelas constantes da condenação ou acordo homologado, inclusive o limite de responsabilidade de cada parte pelo recolhimento da contribuição previdenciária, se for o caso (art. 832, § 3º, da CLT). SENTENÇA – REQUISITOS – ART. 832 DA CLT + ART. 489 DO CPC1 - Relatório: Registro dos acontecimentos relevantes do processo. - Fundamentação: Exposição das razões de decidir, analisando-se questões fáticas e de direito. - Dispositivo: Proclamação do resultado em relação às questões levadas a juízo. SENTENÇA – REQUISITOS ESPECÍFICOS TRABALHISTAS – ART. 832 DA CLT - Quando a decisão concluir pela procedência do pedido, determinará o prazo e as condições para o seu cumprimento. - A decisão mencionará sempre as custas que devam ser pagas pela parte vencida. - Indicar a natureza jurídica das parcelas constantes da condenação ou do acordo homologado, inclusive o limite de responsabilidade de cada parte pelo recolhimento da contribuição previdenciária, se for o caso. 3.CLASSIFICAÇÃO DAS SENTENÇAS As sentenças podem ser classificadas segundo os efeitos que exercem no processo. Assim, as sentenças são classificadas em: (i) com resolução de mérito (decisão definitiva) e (ii) sem resolução de mérito (decisão terminativa). SENTENÇA: a) Terminativa: - Sem resolução do mérito - Análise apenas da relação jurídico-processual b) Definitiva: - Com resolução do mérito - Análise da relação jurídico-material Sentenças meramente declaratórias são aquelas que se limitam a declarar a existência de um fato, autenticidade ou não de documento, ou existência ou não de relação jurídica. A decisão é desprovida de sanção e execução, uma vez que, com a prolação da sentença, o autor obtém a tutela do direito postulado. A sentença de improcedência é declaratória negativa, pois nega a pretensão do autor. Os efeitos da sentença declaratória são ex tunc (retroagem no tempo à data da celebração da relação jurídica). CPC, art. 19: O interesse do autor pode limitar-se à declaração: I – da existência, da inexistência ou do modo de ser de uma relação jurídica; II – da autenticidade ou da falsidade de documento. A sentença constitutiva, por sua vez, declara a existência dos fatos ou do direito e acaba criando, modificando ou extinguindo uma relação jurídica. Julga procedente uma ação constitutiva. Seus efeitos são produzidos com o trânsito em julgado, não comportando execução. Ex.: procedência do pedido de rescisão indireta, procedência no inquérito para apuração de falta grave. Já a sentença condenatória, além de declarar o direito, impõe obrigação pecuniária; e, por excelência, a execução direta por expropriação de bens. Quanto à sentença executiva lato sensu, é aquela que, além de declarar o direito, determina o que deve ser cumprido, ou seja, o comando jurisdicional determina, por si só, o cumprimento da pretensão postulada. Assim, nas ações que tenham por objeto o cumprimento de obrigação de fazer ou não fazer ou entrega de coisa, o juiz poderá determinar providências que assegurem a tutela específica ou o resultado prático equivalente ao adimplemento. Para obtenção da efetivação da tutela específica ou a obtenção de tutela pelo resultado prático equivalente, o juiz poderá, de ofício ou a requerimento, determinar as medidas necessárias à satisfação do exequente (art. 536 do CPC), tais como busca e apreensão, remoção de pessoas e coisas, desfazimento de obras e impedimento de atividade nociva, se necessário com requisição de força policial. Por fim, a sentença mandamental é aquela que, além de declarar um direito, na sentença, expede uma ordem, isto é, o reclamado é forçado a cumprir a ordem judicial. Tal decisão não comporta execução, visto que essa medida é feita na própria sentença. A sentença mandamental não se confunde com a sentença executiva lato sensu. Ambas possuem natureza auto-operante, dispensando a execução da decisão. Contudo, a decisão executiva lato sensu já produz os efeitos entregando o bem litigioso postulado. É o caso da sentença que determina o despejo, a reintegração de posse e a imissão de posse. Por sua vez, na mandamental, o objeto da decisão é a imposição de uma ordem de conduta, determinando a imediata realização de um ato pela parte vencida. Por exemplo, reintegração de um funcionário. A diferença básica, pois, é que, na decisão mandamental, o juiz age coativamente sobre a mente do réu (coerção indireta), para que ele mesmo cumpra a sua obrigação; já, na executiva lato sensu, o próprio Estado age (coerção direta), tomando a atitude de efetivar o direito a uma prestação. Esta segunda classificação é conhecida como classificação quinária das sentenças, mas a doutrina clássica entende que bastaria a classificação trinária (condenatória, declaratória e constitutiva), tendo em vista que a sentença condenatória já abrangeria a sentença mandamental e a sentença executiva lato sensu. SENTENÇA – CLASSIFICAÇÃO - Sentença declaratória: Declara existência, inexistência ou modo de ser de uma relação jurídica ou autenticidade/falsidade de um documento. - Sentença constitutiva: Cria/modifica/extingue uma relação jurídica. - Sentença condenatória: Efetiva a tutela prestada por meio de pagamento de quantia certa. - Sentença executiva lato sensu – art. 536 do CPC: Visa à tutela do direito realizando-a por meio de execução direta. - Sentença mandamental – art. 537 do CPC: Tem determinada coerção para que o réu cumpra certa ordem, realizando-se de técnicas de execução indireta. 4.MEDIDAS INDUTIVAS, COERCITIVAS E MANDAMENTAISNAS SENTENÇAS CONDENATÓRIAS O art. 139, IV, do CPC possibilita ao juiz, ainda que se trate de obrigação pecuniária (sentença condenatória), “determinar todas as medidas indutivas, coercitivas, mandamentais ou sub-rogatórias necessárias para assegurar o cumprimento de ordem judicial, inclusive nas ações que tenham por objeto prestação pecuniária”. Vê-se, assim, que o CPC/2015 autoriza o magistrado a adotar as medidas e os instrumentos necessários para o cumprimento das ordens judiciais, inclusive permitindo a imposição de astreintes em obrigações pecuniárias, o que é uma novidade trazida pelo código. CUIDADO - Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu da ação direta, com ressalva do Ministro André Mendonça, que dela não conhecia, no que tange ao art. 380, parágrafo único, do CPC. Por maioria, julgou improcedente o pedido, nos termos do voto do Relator, vencido, em parte, o Ministro Edson Fachin, que julgava parcialmente procedente a ação. Presidência da Ministra Rosa Weber. Plenário, 9.2.2023 (ADI 5941). 5.LIMITES DA SENTENÇA A sentença judicial se encontra subordinada ao princípio da congruência ou da correlação, ou, ainda, da adstrição, o qual dispõe que o juiz se limita a emitir provimento jurisdicional exatamente sobre aquilo que foi pleiteado nos autos (arts. 141 e 492 do CPC). CPC, art. 141: O juiz decidirá o mérito nos limites propostos pelas partes, sendo-lhe vedado conhecer de questões não suscitadas a cujo respeito a lei exige iniciativa da parte. CPC, art. 492: É vedado ao juiz proferir decisão de natureza diversa da pedida, bem como condenar a parte em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado. Parágrafo único. A decisão deve ser certa, ainda que resolva relação jurídica condicional. Na hipótese de o juiz não observar os limites da demanda, há as chamadas sentenças citra petita, ultra petita e extra petita. Sentença citra petita, também chamada de infra petita, é aquela que decide menos do que foi pedido, com omissão na análise das matérias pleiteadas. Por exemplo, empregado pleiteia danos materiais e morais, além da estabilidade por acidente de trabalho. A sentença deixa de analisar os danos morais; logo, torna-se citra petita nessa parte, podendo ser corrigida por meio de embargos declaratórios. OJ 41 da SDI-2 do TST: Ação rescisória. Sentença “citra petita”. Cabimento Revelando-se a sentença “citra petita”, o vício processual vulnera os arts. 141 e 492 do CPC de 2015 (arts. 128 e 460 do CPC de 1973), tornando-a passível de desconstituição, ainda que não interpostos embargos de declaração. Sentença ultra petita, por seu turno, é aquela que julga mais do que foi pedido, por exemplo, empregado requer apenas a rescisão contratual, sem, contudo, pedir as verbas rescisórias. A sentença reconhece a extinção contratual e condena o reclamado ao pagamento das verbas rescisórias não requeridas, tornando-se ultra petita no tocante a este último direito. Já a sentença extra petita é aquela que julga pedido diverso do que foi pleiteado. Por exemplo, o empregado pleiteia horas extras e adicional de insalubridade, apenas. Nos autos, verifica-se que ele também faz jus ao adicional noturno e o juiz o concede. Quanto a este último, a sentença torna-se extra petita. Ressalta-se que não cabe correção, pois, para isso, o juiz deverá prolatar nova decisão; portanto, é impugnada por meio de recurso ordinário. As sentenças ultra, extra ou citra petita, além de poderem ser impugnadas por recurso ordinário, podem ser passíveis de ataque por meio da ação rescisória (art. 966, V, do CPC), por violação dos arts. 141 e 492 do CPC. A sentença citra petita também poderá ser corrigida após a oposição de embargos de declaração, o mesmo não ocorrendo em relação à sentença extra ou ultra petita. Apesar dessas disposições sobre os limites da sentença, é possível que o magistrado julgue uma ação concedendo mais do que o reclamado pleiteou ou reconhecendo pedido diverso daquele pleiteado. Em outros termos, há casos em que a sentença ultra petita e extra petita será válida. Isso é possível diante do princípio da ultrapetição ou extrapetição. Na Justiça do Trabalho, admite-se o princípio da extrapetição ou ultrapetição na hipótese do art. 467 da CLT, que dispõe sobre a multa de 50% sobre as verbas incontroversas não pagas na audiência inaugural, e do art. 496 da CLT, que traz a conversão da reintegração em indenização. CLT, art. 467: Em caso de rescisão de contrato de trabalho, havendo controvérsia sobre o montante das verbas rescisórias, o empregador é obrigado a pagar ao trabalhador, à data do comparecimento à Justiça do Trabalho, a parte incontroversa dessas verbas, sob pena de pagá-las acrescidas de cinquenta por cento. CLT, art. 496: Quando a reintegração do empregado estável for desaconselhável, dado o grau de incompatibilidade resultante do dissídio, especialmente quando for o empregador pessoa física, o tribunal do trabalho poderá converter aquela obrigação em indenização devida nos termos do artigo seguinte. No mesmo sentido, o art. 322, § 1º, do CPC, aplicável ao processo do trabalho, permite que o juiz determine que sobre a condenação da parcela principal incidam juros, correção monetária, verbas de sucumbência e honorários advocatícios, mesmo que no rol de pedidos não conste tal requerimento. CPC, art. 322: O pedido deve ser certo. § 1º Compreendem-se no principal os juros legais, a correção monetária e as verbas de sucumbência, inclusive os honorários advocatícios. Súmula 396 do TST: Estabilidade provisória. Pedido de reintegração. Concessão do salário relativo ao período de estabilidade já exaurido. Inexistência de julgamento “extra petita” I – Exaurido o período de estabilidade, são devidos ao empregado apenas os salários do período compreendido entre a data da despedida e o final do período de estabilidade, não lhe sendo assegurada a reintegração no emprego. II – Não há nulidade por julgamento “extra petita” da decisão que deferir salário quando o pedido for de reintegração, dados os termos do art. 496 da CLT. Súmula 211 do TST: Juros de mora e correção monetária. Independência do pedido inicial e do título executivo judicial. Os juros de mora e a correção monetária incluem--se na liquidação, ainda que omisso o pedido inicial ou a condenação. Quanto aos dissídios coletivos, a jurisprudência é tendenciosa a aceitar a validade da sentença extra petita ou ultra petita consoante critérios de julgamento utilizados de justiça e de equidade. Ressalta-se que, quando existentes direitos acessórios relacionados àqueles principais, não há que se falar em violação do princípio da congruência, como no caso, por exemplo, do empregado que pleiteou férias e horas extras sem, contudo, requerer o terço constitucional e o pagamento do adicional, respectivamente. Ora, as férias são devidas sempre com o terço constitucional; logo, o juiz deverá reconhecer esse valor, mesmo que o reclamado não tenha solicitado. Do mesmo modo, o reconhecimento das horas extras enseja o pagamento do adicional de, no mínimo, 50% sobre a hora normal. Outro exemplo ocorre quando há reconhecimento de vínculo empregatício, o qual tem por medida acessória a anotação da CTPS. 6.JULGAMENTO ANTECIPADO PARCIAL DE MÉRITO O julgamento antecipado parcial do mérito está previsto no art. 356 do CPC: Art. 356. O juiz decidirá parcialmente o mérito quando um ou mais dos pedidos formulados ou parcela deles: I – mostrar-se incontroverso; II – estiver em condições de imediato julgamento, nos termos do art. 355. § 1º A decisão que julgar parcialmente o mérito poderá reconhecer a existência de obrigação líquida ou ilíquida. § 2º A parte poderá liquidar ou executar, desde logo, a obrigação reconhecida na decisão que julgar parcialmente o mérito, independentemente de caução, ainda que haja recurso contra essa interposto. § 3º Na hipótese do § 2º, se houver trânsito em julgado da decisão, a execução será definitiva. § 4º A liquidação e o cumprimento da decisão que julgar parcialmente o mérito poderão ser processados em autos suplementares,a requerimento da parte ou a critério do juiz. § 5º A decisão proferida com base neste artigo é impugnável por agravo de instrumento. Vê-se, pois que o julgamento antecipado parcial de mérito tem cabimento nas hipóteses em que um ou mais pedidos formulados se mostrarem incontroversos ou estiverem em condições de imediato julgamento, não havendo a necessidade de produção de outras provas, ou se o réu for revel e sofrer o efeito de se considerarem verdadeiros os fatos alegados pela parte reclamante e não houver requerimento de provas (art. 355 do CPC). O art. 356 do CPC é aplicável ao processo do trabalho, com exceção do § 5º, conforme determina a IN 39/2016, uma vez que, no processo do trabalho, a decisão de julgamento antecipado parcial de mérito será impugnável por recurso ordinário. IN 39/2016, art. 5º: Aplicam-se ao Processo do Trabalho as normas do art. 356, §§ 1º a 4º, do CPC que regem o julgamento antecipado parcial do mérito, cabendo recurso ordinário de imediato da sentença. 7.COISA JULGADA Prolatada a sentença, poderá ainda ser impugnada por meio de recurso. Esgotadas todas as possibilidades de recurso ou esgotado o prazo legal sem a sua interposição, a decisão torna-se irrecorrível (transita em julgado), surgindo a denominada coisa julgada. O objetivo maior da coisa julgada é dar encerramento à relação processual e possibilitar a execução da sentença. A doutrina costuma dizer que a coisa julgada é a preclusão máxima do processo, já que, quando atingida, torna a decisão imutável, em regra. Entende-se por coisa julgada a decisão que NÃO pode mais ser alterada, por esgotamento dos recursos ou por estes, ainda que não esgotados, terem se tornado inviáveis por preclusão. O art. 502 do CPC assevera que coisa julgada material é aquela entendida como a que projeta efeitos DENTRO e FORA do processo, isto é, aquela decisão que analisa e resolve o mérito, seja acolhendo-o, seja rejeitando-o, tornando-a imodificável. CPC, art. 502: Denomina-se coisa julgada material a autoridade que torna imutável e indiscutível a decisão de mérito não mais sujeita a recurso. Observe-se que apenas a decisão judicial que resolve o mérito (art. 487 do CPC) pode fazer coisa julgada material. Em contrapartida, a coisa julgada formal projeta efeitos somente dentro da relação jurídica, causando preclusão naquela relação, sem impedir que seja ajuizada nova ação. A decisão que extingue o processo sem resolução do mérito (art. 485 do CPC) apenas produz coisa julgada formal. Ressalta-se, todavia, que, quando uma decisão possuir efeito de coisa julgada material, ela, consequentemente, trará o efeito formal, pois são degraus do mesmo fenômeno. A CLT traz a coisa julgada no art. 836. Art. 836. É vedado aos órgãos da Justiça do Trabalho conhecer de questões já decididas, excetuados os casos expressamente previstos neste Título e a ação rescisória, que será admitida na forma do disposto no Capítulo IV do Título IX da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil, sujeita ao depósito prévio de 20% (vinte por cento) do valor da causa, salvo prova de miserabilidade jurídica do autor. Parágrafo único. A execução da decisão proferida em ação rescisória far-se-á nos próprios autos da ação que lhe deu origem, e será instruída com o acórdão da rescisória e a respectiva certidão de trânsito em julgado. A coisa julgada tem seus limites divididos em SUBJETIVOS (partes) e OBJETIVOS (limites da lide). Esses limites dão corpo aos efeitos da coisa julgada, definindo a relação jurídica. Os limites subjetivos da coisa julgada estão dispostos no art. 506 do CPC. A sentença faz coisa julgada às partes, cujos efeitos não beneficiam nem prejudicam terceiros. CPC, art. 506: A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não prejudicando terceiros. Assim, os limites subjetivos da coisa julgada alcançam os interessados que participaram da demanda. Contudo, como exceção, os efeitos da coisa julgada atingem pessoas que não participaram do processo, mas podem ser responsabilizadas por ele, por exemplo, grupo econômico e sócio da empresa. Quanto aos limites objetivos da coisa julgada, primeiro é preciso relembrar que a sentença tem como requisitos essenciais o relatório, a fundamentação e o dispositivo. O relatório e a fundamentação não fazem coisa julgada. Os motivos e a verdade dos fatos estabelecidos na decisão não adquirem imutabilidade. CPC, art. 504: Não fazem coisa julgada: I – os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da sentença; II – a verdade dos fatos, estabelecida como fundamento da sentença. Assim, os efeitos da coisa julgada atingem o dispositivo e a questão prejudicial decidida expressa e incidentemente no processo. Entende-se por questão prejudicial aquela que o juiz deve enfrentar, declarando existente ou não, como condição para proferir decisão sobre os pedidos formulados na inicial. É anterior ao mérito e impede o julgamento deste sem que ela seja apreciada, por exemplo, declaração de vínculo empregatício. Ora, todas as verbas pleiteadas pelo reclamante na relação de emprego dependem de uma declaração de existência do vínculo, sem a qual todo o resto fica prejudicado. A questão prejudicial poderá ter efeitos da coisa julgada material se: dessa resolução depender o julgamento do mérito; a seu respeito tiver havido contraditório prévio e efetivo, não se aplicando no caso de revelia; o juízo tiver competência em razão da matéria e da pessoa para resolvê-la como questão principal (art. 503, § 1º, do CPC). CPC, art. 503: A decisão que julgar total ou parcialmente o mérito tem força de lei nos limites da questão principal expressamente decidida. § 1º O disposto no caput aplica-se à resolução de questão prejudicial, decidida expressa e incidentemente no processo, se: I – dessa resolução depender o julgamento do mérito; II – a seu respeito tiver havido contraditório prévio e efetivo, não se aplicando no caso de revelia; III – o juízo tiver competência em razão da matéria e da pessoa para resolvê-la como questão principal. § 2º A hipótese do § 1º não se aplica se no processo houver restrições probatórias ou limitações à cognição que impeçam o aprofundamento da análise da questão prejudicial. Há na doutrina quem entenda que, com o art. 503 do CPC/2015, não existe mais a necessidade de ação declaratória incidental para que a questão prejudicial produza os efeitos da coisa julgada. Ademais, vale mencionar que o art. 503 do CPC não exige o requerimento da parte para que o juiz decida a questão prejudicial com efeitos da coisa julgada, sendo possível que o magistrado, de ofício, realize tal ato. Assim, pode-se afirmar que o modelo de coisa julgada adotado pelo CPC/2015 é de formação cooperativa, porque é possível que o juiz também participe da delimitação da autoridade do julgado. Nesse sentido, o Enunciado 165 do Fórum Permanente de Processualistas Civis, segundo o qual a coisa julgada da decisão da questão prejudicial independe de pedido expresso da parte. Pois bem, em virtude da coisa julgada, tornam-se imutáveis os efeitos da sentença, exceto quando a relação é continuativa (prolonga-se no tempo). Nesses casos, os efeitos podem ser objeto de revisão, como nos benefícios acidentários e nos casos previstos em lei (ex.: ação rescisória). Os descontos previdenciários e fiscais devem ser efetuados pelo juízo executório, ainda que a sentença exequenda tenha sido omissa sobre a questão, uma vez que os aludidos descontos não ofendem a coisa julgada. Súmula 401 do TST: Ação rescisória. Descontos legais. Fase de execução. Sentença exequenda omissa. Inexistência de ofensa à coisa julgada Os descontos previdenciários e fiscais devem ser efetuados pelo juízo executório, ainda que a sentença exequenda tenha sido omissa sobre a questão, dado o caráter de ordem pública ostentado pela norma que os disciplina. A ofensa à coisa julgada somente poderá ser caracterizada na hipótese de o título exequendo, expressamente, afastar a dedução dos valores a título de imposto de rendae de contribuição previdenciária. 12