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109 Ferramentas e Técnicas para Mapeamento e Modelagem de ProcessosFerramentas e Técnicas para Mapeamento e Modelagem de Processos Capítulo 3 Um gráfico é uma representação por meio de linhas, aquilo que pertence ou que é relativo à grafia, à tipografia e à gravura. Um jornal e uma revista são meios gráficos, por exemplo. O conceito provém do latim graphĭcus (“relativo à escrita; feito a primor”), embora tenha origem grega. Quando aplicado a uma descrição, operação ou demonstração, trata-se daquilo que se representa através de figuras ou de signos. Um gráfico é, por outro lado, a representação de dados numéricos mediante uma ou mais linhas que permitem dar visibilidade à relação entre os dados: “Neste gráfico, podemos constatar que as vendas do nosso produto aumentam no inverno e decrescem no verão”, “O gerente pediu-me um gráfico com os gastos da campanha publicitária e as vendas do mês”. Quando se refere a uma pessoa, significa que esta trabalha em artes gráficas ou numa indústria gráfica. Na informática, conhece-se como gráficos as imagens geradas por computador. Os desenhos utilizados nos jogos de vídeo são considerados gráficos: “Os gráficos do Pro Evolution Soccer são de tal forma reais que conseguem iludir qualquer um”. Por fim, os métodos ditos gráficos consistem em representar os fenômenos por figuras geométricas, seja para evidenciar relações constantes entre os fatos, seja para destacar um quadro esquemático mais convincente, método de resolução de um problema ou de execução de um cálculo pelo exame de um gráfico. Fonte: Disponível em: . Acesso em: 28 abr. 2017. 110 Fundamentos de Gestão de Processos e da Qualidade b) Gráfico de Pareto O gráfico de Pareto é mais uma ferramenta de análise e foi desenvolvida pelo engenheiro e economista italiano Vilfredo Pareto. Em suas observações de estudo, percebeu que a distribuição da riqueza em todo lugar era dividida de forma desigual e descobriu que apenas 20% da população detinha a maior parte dessas riquezas e que 80% da população ficava à margem de tudo isso. Demonstrou isso graficamente por meio de uma curva cumulativa. Essa representação recebeu o nome de Lei de Pareto. (VERGUEIRO, 2002) O gráfico de Pareto tem sua origem no século XVI e resul- tou dos estudos do italiano Vilfredo Pareto, que demonstrou a sua constatação de que cerca de 80% da riqueza mundial es- tava nas mãos de 20% da população. Essa proporção (80/20) ocorre com frequência também na análise de várias situações de muitas operações. Por exemplo, 80% do valor dos estoques é composto por 20% dos itens e 80% das causas dos prob- lemas de qualidade de um produto possuem a mesma origem. Análises desse tipo levaram à conclusão de que existem, em várias circunstâncias, poucos itens vitais e muitos triviais, de modo que a classificação deles, na forma de um gráfico, auxilia na análise e visualização dos que são prioritários. (PARAN- HOS FILHO, 2007, p. 120-121, grifo nosso). De forma mais clara, Pareto verificou que são poucos os fatores que frequentemente são responsáveis por uma grande parcela dos problemas (por exemplo, 80% da riqueza de um país está nas mãos de 20% de seus cidadãos - regra 80/20, e ela pode ser vista em muitas outras circunstâncias). A característica dessa metodologia é a capacidade que tem de mostrar uma rápida interpretação dos dados prioritários em um problema por meio de gráficos. Esse gráfico ajuda na visualização dos problemas e se apresenta com barras verticais, em que as mais altas, dispostas à esquerda, vão representar as razões mais frequentes para a ocorrência de problemas ou os problemas que apresentam uma maior constância de ocorrências. "O gráfico de Pareto classifica os problemas por sua frequência relativa em um gráfico de barras decrescente a fim de focar o problema que oferece o maior potencial para melhoria." (FITZSIMMONS, 2014, p. 183). Nesse tipo de gráfico também podem ser visualizadas informações em forma de percentuais, os quais nos permitem compreender o seguinte raciocínio: Que: 80% das causas triviais são responsáveis por cerca de 20% dos resultados mais relevantes. Pareto verificou que são poucos os fatores que frequentemente são responsáveis por uma grande parcela dos problemas 111 Ferramentas e Técnicas para Mapeamento e Modelagem de ProcessosFerramentas e Técnicas para Mapeamento e Modelagem de Processos Capítulo 3 E que: 20% de causas essenciais são responsáveis por 80% dos resul- tados mais relevantes. Observe a visualização na forma gráfica na figura a seguir. Figura 24 - Princípio do método de Pareto Fonte: Maranhão; Macieira (2004, p. 171). A seguir serão apresentados alguns exemplos práticos do gráfico de Pareto: 1º Exemplo: Figura 25 - Utilização de Gráfico de Pareto - processos de construção de modelos de dados Fonte: Adaptado de Rêgo (2013, p. 234). 112 Fundamentos de Gestão de Processos e da Qualidade Nesse exemplo é possível visualizar que o maior problema (integridade) está na escala dos 80%, logo aqui está o principal item a ser trabalhado com maior ênfase. Enquanto os demais na escala dos 20%, aproximadamente. 2º Exemplo: São peças usinadas com problema e distribuídas em quatro grupos: • Tipo A: falhas de acabamento. • Tipo B: falhas de material (dureza). • Tipo C: falhas de material (porosidade). • Tipo D: outras falhas. Figura 26 – Exemplo de gráfico de Pareto: Nº defeito x Tipo de defeito Fonte: Adaptado de Paranhos Filho (2007, p. 120). A falha de porosidade no material é o maior problema e se for o primeiro a ser resolvido, o impacto será grande na resolução dos demais. Neste gráfico é possível visualizar ainda que a representatividade desta falha está na escala aproximada dos 80% e os demais tipos de defeitos na escala dos 20%. 3º Exemplo: São reclamações de clientes em razão de serviços realizados em uma oficina de carros, dispostas em quatro causas: • Causa A: demora no conserto. • Causa B: danos ao veículo. • Causa C: falha de diagnóstico. • Causa D: falha de conserto. 113 Ferramentas e Técnicas para Mapeamento e Modelagem de ProcessosFerramentas e Técnicas para Mapeamento e Modelagem de Processos Capítulo 3 Figura 27 - Exemplo de análise de Pareto para problemas de qualidade em uma oficina de carros Fonte: Adaptado de Bessant e Tidd (2009, p. 68). O maior problema dessa oficina é a demora no conserto, os quase 80% de dificuldade para sua imagem, enquanto que os demais representam apenas cerca de 20%. Mais uma vez, se tal problema for solucionado, ou pelo menos amenizado, a imagem da empresa melhorará muito perante seus clientes. 4º Exemplo: São ocorrências problemáticas relatadas pelos clientes de uma companhia aérea: • Atrasos nos voos. • Bagagem perdida. • Problemas mecânicos. • Overbooking. • Outros. 114 Fundamentos de Gestão de Processos e da Qualidade Figura 28 – Exemplo de gráfico de Pareto: Nº de Ocorrências Fonte: Adaptado de Fitzsimmons e Fitzsimmons (2014, p. 183). Foi identificado nos voos atrasados o problema mais grave da companhia (está na casa dos 80%, e é o de maior potencial para melhoria), dentre os relatados pelos clientes. Mais uma vez, se esse problema for o primeiro a ser tratado, os demais serão minimizados. Como vimos nos exemplos acima, os maiores problemas de qualquer organização representam 80% de suas dificuldades operacionais. E se ela concentrar esforços na sua resolução, os demais serão solucionados mais celeremente. Balanced Scorecard (BSC) O ponto crucial para o sucesso das empresas e suas operações é o processo de medição de seu desempenho. Se não houver um processo eficiente, não será possível saber o grau de eficiência e sucesso de um processo decisório. (SILVA, 2015, p. 760-761). Ao propor o balanced scorecard, Kaplan e Norton discutiram sobre como as organizações devem gerenciarseus negócios com medidas que vão além dos números financeiros, trazendo ainda no escopo da ferramenta a perspectiva de processos, por meio da qual são gerenciados os indicadores críticos para a melhoria de operações, processos e serviços orientados a entregar o que é crítico para a satisfação dos clientes. (SILVA, 2015, p. 762-765). O ponto crucial para o sucesso das empresas e suas operações é o processo de medição de seu desempenho 115 Ferramentas e Técnicas para Mapeamento e Modelagem de ProcessosFerramentas e Técnicas para Mapeamento e Modelagem de Processos Capítulo 3 A proposta central é sair da atomização da análise financeira e olhar com mais criticidade outros itens que também são importantes dentro da organização. BSC Balanced Scorecard é uma ferramenta de planejamento estratégico na qual a entidade tem claramente definidas as suas metas e estratégias, visando medir o desempenho empresarial através de indicadores quantificáveis e verificáveis. A metodologia BSC foi inicialmente divulgada no ano de 1992, por Robert S. Kaplan, professor da Harvard Business School, e David P. Norton, presidente da Renaissance Solutions, através de um artigo onde definiam parâmetros para avaliação e melhoramento do desempenho das empresas. O método consiste em determinar de modo balanceado as ligações de causa/efeito entre os quatro indicadores de avaliação das empresas, que são: - Financeiro: criar novos indicadores de desempenho para que os acionistas possam ter melhor rentabilidade dos seus investimentos; - Clientes: saber qual o grau de satisfação dos clientes com a empresa; - Processos internos: a empresa deve identificar se há produtos com problemas, se foram entregues no tempo previsto e apostar na inovação dos seus produtos; - Aprendizado e crescimento: diz respeito à capacidade e motivação do pessoal, e a um melhor sistema de informação na empresa. Na análise do BSC, se os quatro indicadores estiverem aplicados de acordo com os objetivos propostos pela entidade, ou seja, se estiverem equilibrados, significa que a empresa conseguirá ter um melhor desempenho, permitindo a concepção de novas estratégias. O BSC está relacionado com a visão e estratégia de uma empresa, duas áreas fundamentais para que a empresa tenha sucesso. Fonte: Disponível em: . Acesso em: 09 maio 2017. 116 Fundamentos de Gestão de Processos e da Qualidade O termo “indicadores balanceados” se dá ao fato da escolha dos indicadores de uma organização não se restringirem uni- camente ao foco econômico-financeiro. As organizações tam- bém utilizam indicadores focados em ativos intangíveis, como: desempenho de mercado junto a clientes, desempenhos dos processos internos e pessoas, inovação e tecnologia. Isso porque a somatória desses fatores alavancará o desempenho desejado pelas organizações, consequentemente criando val- or futuro. (DAYCHOUM, 2016, p. 850-851). Aproximadamente, cerca de 70% das 1.000 empresas da revista Fortune aplicam o BSC com o objetivo de apoiar suas organizações a alcançarem maiores êxitos quanto à gestão de desempenho de seus processos. Essa metodologia inclui em sua base de formação: • Definição da estratégia empresarial. • Gerência do negócio. • Gerência de serviços. • Gestão da qualidade. E todos esses itens deverão ser elaborados por meio de indicadores de desempenho. "Os requisitos para definição desses indicadores tratam dos processos de um modelo da administração de serviços e buscam a maximização dos resultados com base em quatro perspectivas que refletem a visão e a estratégia empresarial" (DAYCHOUM, 2016, 869-870). Essas perspectivas estão retratadas no quadro seguinte: Quadro 25 - Perspectivas dos indicadores Financeira Demonstra se a implementação da estratégia está refletindo na melhoria dos resultados financeiros. Clientes Determina se a estratégia da organização está se refletindo na satisfação e na retenção dos clientes, além da conquista de novos clientes e aumento da participação no mercado (market share). Aprendizado e crescimento Determina quais competências, tecnologias e sistema organizacional são necessários para o desenvolvimento da organização. Processos internos Verifica se os processos da organização estão contribuindo para a geração de valor percebido pelo cliente e alcance das metas financeiras da organização. Fonte: Elaborado a partir de Daychoum (2016, p. 870-880). Essas quatro perspectivas se interligam umas às outras e formam uma relação de causa e efeito, conforme visto nos quadros adiante. 117 Ferramentas e Técnicas para Mapeamento e Modelagem de ProcessosFerramentas e Técnicas para Mapeamento e Modelagem de Processos Capítulo 3 Quadro 26 – Perspectivas do BSC: Objetivo versus indicadores BALANCED SCORECARD PERSPECTIVA OBJETIVOS INDICADORES FINANCEIRA → Para ter sucesso financeiramente, como devemos ser vistos pelos nossos investidores. • Lucratividade. • Fluxo de caixa. • Retorno sobre investimento. CLIENTE → Para alcançar nossa visão, como devemos ser vistos pelos nossos clientes. • Satisfação do cliente. • Fidelização do cliente. • Participação no mercado. APRENDIZADO E CRESCIMENTO → Para alcançar nossa visão, como sustentar a habilidade de mudar e progredir. • Criatividade. • Inovação. • Participação. • Sugestão. PROCESSOS INTERNOS DO NEGÓCIO → Para satisfazer os clientes, em quais processos devemos nos destacar. • Eficiência. • Eficácia. • Qualidade. • Custos Baixos. Fonte: Adaptado de Daychoum (2016, p. 891). Com o BSC, já temos mais as perspectivas cliente, aprendizado/crescimento e processos internos do negócio, além da tão decantada financeira, como aspectos relevantes para a organização. Quadro 27 - Aplicação das perspectivas: Financeira e cliente PERSPECTIVA FINANCEIRA Objetivos Medidas Metas Iniciativas Resultado Aumento do lucro líquido Foco nas vendas de produtos com maior margem de lucro. Aumentar o lucro líquido em 10%. Análise da composição de preços. Lucro líquido. Receita. Liquidez Corrente. PERSPECTIVA DO CLIENTE Objetivos Medidas Metas Iniciativas Resultado Atração de novos clientes Pesquisa de mercado. Aumento de 20% na carteira de clientes. Investimento em propaganda e marketing. Satisfação dos clientes. Captação de clientes. Recompra. Fonte: Adaptado de Daychoum (2016, p. 891-892). Se observarmos cada perspectiva, poderemos perceber que há uma relação quase antagônica entre elas, pois os interesses do cliente, por exemplo, vão na contramão da perspectiva financeira. 118 Fundamentos de Gestão de Processos e da Qualidade Quadro 28 - Aplicação das perspectivas: Aprendizado e conhecimento & Processos internos PERSPECTIVA DO APRENDIZADO E CONHECIMENTO Objetivos Medidas Metas Iniciativas Resultado Melhoria no atendimento Programa de treinamento Treinar toda a equipe de vendas em até 30 dias Contratar treinamento in company Turnover Competência funcional Clima organizacional PERSPECTIVA DOS PROCESSOS INTERNOS Objetivos Medidas Metas Iniciativas Resultado Certificação ISO 9000 Padronização dos processos Obtenção da certificação em 12 meses Contratar consultoria Eficiência dos projetos. Aumento de portfólio. Aprimoramento dos processos. Fonte: Adaptado de Daychoum (2016, p. 895-896). Destaque-se que, em se tratando dos conceitos de BSC, o que deve chamar nossa atenção é o fato dessa ferramenta ser destinada a traduzir e comunicar, de forma clara, a visão e a missão do negócio. E é exatamente nesse ponto que a importância de se ter indicadores de desempenho sobressai - para ter mecanismo de gerência dos processos conforme sua criticidade (estratégico) e para o sucesso do negócio. "Os processos devem ser calibrados considerando-se o quê e como suas entregas contribuem para o negócio". (SILVA, 2015, p. 765-769, grifo nosso). Venki (2016)ressalta que “nas palavras dos próprios professores Robert Kaplan e David Norton”: No Balanced Scorecard a comunicação se dá por meio de uma estrutura lógica, baseada no gerenciamento das metas estabelecidas, possibilitando aos gestores realocar recursos físicos, financeiros e humanos, a fim de alcançar os objetivos estratégicos. Mais que uma ferramenta de mensuração de de- sempenho, o Balanced Scorecard é um tradutor da estratégia e comunicador de desempenho. Recomendo a leitura dos autores a seguir para quem quiser se aprofundar mais no assunto do balanced scorecard (BSC), de Kaplan e Norton, refere-se à ferramenta para tradução da visão e missão da empresa em objetivos e indicadores de desempenho distribuídos em quatro perspectivas: finanças, cliente, processos internos, aprendizado e crescimento (ou inovação) – os quais norteiam o processo de gestão do desempenho e da implementação da estratégia do negócio de uma organização. 119 Ferramentas e Técnicas para Mapeamento e Modelagem de ProcessosFerramentas e Técnicas para Mapeamento e Modelagem de Processos Capítulo 3 KAPLAN, R.; NORTON, D. A Estratégia em Ação: balanced scorecard. Rio de Janeiro: Campus, 1997. ______. A Organização Orientada para a Estratégia: como as empresas que adotaram o balanced scorecard prosperaram no novo ambiente de negócios. Rio de Janeiro: Campus, 2000. A importância da medição de desempenho e de seus indicadores deve ser entendida no contexto organizacional visando formatar um modelo de gestão orientador dos esforços de gestores e suas equipes na direção do que é pretendido pelo negócio. (SILVA, 2015). Hora de "malhar" o cérebro. Atividades de Estudos: 1) Analise as afirmações a seguir e julgue-as em falso (F) ou verdadeiro (V): a) ( ) O ponto crucial para o sucesso das empresas e suas operações é o processo de medição de seu desempenho. Se não houver um processo eficiente, será possível saber o grau de eficiência e sucesso de um processo decisório. b) ( ) O termo “indicadores balanceados” se dá ao fato da escolha dos indicadores de uma organização não se restringirem unicamente ao foco econômico-financeiro. 2) Quais são os quatro indicadores de avaliação das empresas e suas características do Balanced Scorecard (BSC)? ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 120 Fundamentos de Gestão de Processos e da Qualidade Business Process Management (BPM) No ABPMP (2013) o Business Process Management (BPM) refere-se ao Gerenciamento de Processos de Negócios e é conceituado como uma abordagem disciplinada que proporciona: identificar, desenhar, executar, documentar, medir, monitorar, controlar e melhorar processos de negócio automatizados ou não, com o objetivo de alcançar resultados pretendidos consistentes e de forma alinhada com a estratégia da organização. Existem vários conceitos básicos fundamentais para definir BPM, conforme Brasil (2014), são: • BPM é uma disciplina de gerenciamento e um conjunto de tecnologias habilitadoras. • BPM aborda um trabalho ponta-a-ponta e diferencia entre conjuntos de subprocessos, tarefas, atividades e funções. • BPM é um conjunto contínuo, em curso, de processos com o foco no gerenciamento de processos de negócio ponta a ponta nas organizações. • BPM inclui modelagem, análise, desenho e medição de processos de negócio de uma organização. • BPM requer um compromisso significativo da organização que frequentemente introduz novos papéis, responsabilidades e estruturas às organizações tradicionais orientadas a funções. • BPM é habilitada por tecnologia através de ferramentas para modelagem, simulação, automação, integração, controle e monitoramento de processos de negócio e de sistemas de informação que suportam esses processos. (BRASIL, 2014, p. 13). É importante comentar que um sistema BPM aliado a softwares com linguagem BPMN tornam-se excelentes ferramentas no monitoramento, gestão, auxílio na tomada de decisão, mapeamento e modelagem em uma organização. Nesta seção abordaremos tópicos e particularidades da ferramenta BPMN, de desenho, para auxílio na modelagem de processos. E vamos em frente!! É importante comentar que um sistema BPM aliado a softwares com linguagem BPMN tornam-se excelentes ferramentas no monitoramento, gestão, auxílio na tomada de decisão, mapeamento e modelagem em uma organização. Business Process Model And Notation (BPMN) Business Process Model And Notation™ (BPMN™) é uma linguagem gráfica utilizada para representar e modelar processos de negócio. É representada através de um conjunto de símbolos, em linguagem padrão, e dispostos em um diagrama de processos de negócio. 121 Ferramentas e Técnicas para Mapeamento e Modelagem de ProcessosFerramentas e Técnicas para Mapeamento e Modelagem de Processos Capítulo 3 O BPMN é uma ferramenta que foi criada pelo Business Process Management Initiative (BPMI) e sua versão 1.0 foi disponibilizada em 2004. Uma grande dúvida surge no momento de definir as ferramentas BPM e BPMN, por terem semelhanças em suas nomenclaturas. Entretanto, o maior contraste entre a ferramenta BPM e a BPMN é a efetiva utilização na prática. Para entendermos melhor, funciona assim: enquanto BPMN (Business Process Model And Notation) é uma ferramenta capaz de fazer desenhos (modelagem), o BPM (Business Process Management) não é, pois aborda conceitos ligados principalmente ao gerenciamento de processos de negócios. Vamos esclarecer melhor, dando os significados de forma mais prática: → BPM: Business Process Management - Gerenciamento de Processos de Negócios. → BPMN: Business Process Model And Notation - Modelo de Processo de Negócios e Notação. A Notação para Modelagem de Processos de Negócios - BPMN - está se convertendo em um modelo-padrão destinado a definir softwares/sistemas integrados que atendam ao conceito de Business Process Management. → BPM: Business Process Management - Gerenciamento de Processos de Negócios. → BPMN: Business Process Model And Notation - Modelo de Processo de Negócios e Notação. Notação (Notation) – é um conjunto padronizado de símbolos e regras que determinam o significado desses símbolos. Por exemplo, a notação musical inclui símbolos universalmente reconhecidos por notas e claves. Analogicamente, uma notação de modelagem de processos de negócio inclui ícones (figuras) e conectores que ajudam a mostrar o relacionamento entre diversos componentes de processos de negócio. Fonte: ABPMP (2013, p. 77-78). 122 Fundamentos de Gestão de Processos e da Qualidade Essa Notação para Modelagem (BPMN) delineia um diagrama de processos composto por elementos gráficos que representam as atividades e o fluxo de controle, preestabelecendo ainda em que ordem essas atividades serão executadas. Refere-se a uma notação visual de representação dos fluxos de processos. E essa representação criada pode ser mape ada para uma outra linguagem, que representa um formato de execução, permitindo assim que a implementação de processos fique melhor. Com essa implementação bem processada, o objetivo do BPMN será alcançado, que é justamente propiciar facilidade no entendimento por todos aqueles que estão envolvidos no processo de negócios - desde os analistas do processo até aqueles que desenvolvem softwares de implementação de processos. Com a ferramenta BPMN se tem a possibilidade de: Modelar os processos de negócio, definindo e documentando os seus modelos atuais (AS-IS) em diagramas fáceis de entendimento. Projetar e descrever os modelos ideais (TO-BE). Estender detalhes técnicos, monitorar e medir o negócio com indicadores de desempenho baseados em atividades dos fluxos de processos já automatizados. De modo mais detalhado, temos que: AS-IS: refere-se ao estado atual do processo domodelo, isto é, o posicionamento real da situação neste instante, o agora. TO-BE: refere-se à modelagem do novo processo gerado, o qual pode passar por novas melhorias. Caso queira conhecer mais das aplicabilidades utilizadas com a linguagem do BPMN, no mercado de negócios, assista ao vídeo (alterar definição para HD) indicado no link. 123 Ferramentas e Técnicas para Mapeamento e Modelagem de ProcessosFerramentas e Técnicas para Mapeamento e Modelagem de Processos Capítulo 3 a) Elementos do BPMN Vejamos agora algumas particularidades dos elementos que fazem parte da notação BPMN e quais suas funções. A primeira parte é o Diagrama de Processos de Negócio (Business Process Diagram) e é composto por um conjunto de elementos gráficos que são usados para descrever o fluxo de processos, que nada mais é do que a representação/imagem de uma parte de um processo que, em muitos casos, permite o mapeamento para um formato de execução. Na tabela a seguir é possível visualizar os principais itens básicos desta linguagem BPMN. Figura 29 - Objetos básicos de fluxo e conexão em BPMN Fonte: Braghetto (2011, p. 13). Esse diagrama BPMN é muito semelhante aos fluxogramas, parecido também com os diagramas de atividade da UML, e possibilita uma descrição muito maior dos processos. O BPMN se compõe de um ou mais BPD (Business Process Diagram). Um exemplo do uso da notação BPMN é a figura seguinte. Figura 30 – Modelo em BPMN do processo de produção de uma pequena ferramentaria Fonte: Braghetto (2011, p. 103). 124 Fundamentos de Gestão de Processos e da Qualidade Na Figura 30 temos um modelo de um processo de produção em uma ferramentaria. É um exemplo de conexão com desvio para duas possíveis tomadas de decisões da notação BPMN. E vemos certa semelhança desse processo com um fluxograma, sendo que com mais recursos. A figura a seguir mostra exemplo, em BPMN, de eventos de final (end event) que são representados por um círculo com uma linha mais grossa. Figura 31 - Exemplo de processo de negócio modelado em BPMN Fonte: Braghetto (2011, p. 37). Neste exemplo podemos visualizar duas possíveis finalizações do processo com círculo de borda grossa: compra cancelada ou efetuada com sucesso. Para conhecer mais um pouco e desenvolver processos com esta ferramenta, veja ainda estas obras: Gerenciamento de Processos de Negócio – BPM: uma referência para implantação prática, de Roquemar Baldam, Rogerio Valle e Henrique Rozenfeld, da Editora Elsevier, 2014. E Modelagem de Processos com BPMN, de André L. N. Campos, 2ª ed., da Editora Brasport, 2014. Um resumo sintético do que é um BPMN, para maiores esclarecimentos, nos é dado no quadro a seguir. 125 Ferramentas e Técnicas para Mapeamento e Modelagem de ProcessosFerramentas e Técnicas para Mapeamento e Modelagem de Processos Capítulo 3 Quadro 29 - Visão geral de um BPMN Visão Geral: Business Process Model and Notation (BPMN) é um padrão criado pela Business Process Management Initiative (BPMI), incorporado ao Object Management Group (OMG), grupo que estabelece padrões para sistemas de informação. Essa notação apresenta um conjunto robusto de símbolos para modelagem de diferentes aspectos de processos de negócio. Como na maioria das notações, os símbolos descrevem relacionamentos claramente definidos, tais como fluxo de atividades e ordem de procedência. Principais características Quando usar Ícones organizados em conjuntos descritivos e analíticos para atender a diferentes necessidades de utlização. Notação permite indicação de eventos de início, intermediário e fim. Fluxo de atividades e mensagens. Comunicação intranegócio e colaboração internegócio. Para apresentar um modelo de processos para públicos- alvo diferentes. Para simular um processo de negócio com um motor de processo. Para gerar aplicações em BPMS a partir de modelos de processos. Vantagens Desvantagens Uso e entendimento difundido em muitas organizações. Versatilidade para modelar as diversas situações de um processo. Suportado por ferramentas BPMS. Exige treinamento e experiência para uso correto do conjunto completo de símbolos. Dificulta visualização do relacionamento entre vários níveis de um processo. Diferentes ferramentas podem ser necessárias para apoiar diferentes subconjuntos de notação. Origem na tecnologia da informação inibe seu uso por pessoal de negócios. Fonte: Elaborado a partir de BPM CBOK (2013, p. 79-80). A figura a seguir nos mostra um exemplo de modelagem no BPMN em nível mais complexo: 126 Fundamentos de Gestão de Processos e da Qualidade Fonte: Campos (2014, p. 2329-2330). O exemplo da figura acima apresenta duas finalizações para personagens (vendedor on-line versus cliente) simultaneamente diferentes em ambientes separados: com círculo de borda grossa e outra com o desenho de uma carta dentro do círculo. FATOS RELEVANTES – BPMN Em 2002, um grupo conhecido por Business Process Management Initiative (BPMI) iniciou o desenvolvimento de uma notação gráfica para a representação de processos de negócio, chamada de BPMN (Business Process Modeling Notation). Neste mesmo ano outro grupo, o Workflow Management Coalition (WfMC), também começou a construir um padrão formal, escrito, para a representação de processos, chamado XML Process Definition Language (XPDL). A notação BPMN despertou rapidamente o interesse do mercado e da academia e, por isso, em 2006 uma importante organização internacional criada para apoiar a construção de padrões e publicá- los, a OMG (Object Management Group), se responsabilizou pela Figura 32 - Representação em BPMN de uma compra On-line 127 Ferramentas e Técnicas para Mapeamento e Modelagem de ProcessosFerramentas e Técnicas para Mapeamento e Modelagem de Processos Capítulo 3 manutenção e evolução da notação BPMN. A OMG percebeu que a notação BPMN não tinha o suporte de uma linguagem formal, e a linguagem XPDL não contava com uma forma de representação gráfica. Então, essas duas tecnologias foram integradas e hoje a notação BPMN conta com uma linguagem formal de representação. Fonte: Campos (2014, p. 751-763). b) Notações de modelagem de processos Atualmente temos variados padrões de notação de modelagem no mercado. Não é uma tarefa muito fácil escolher a mais adequada ao processo da organização!! A tática mais comum utilizada é fazer uma triagem entre as abordagens e escolher uma que siga normas e convenções bem conhecidas, tendo em vista encontrar a que oferece amplas vantagens de modelagem. Veja as principais conforme BPM CBOK (2013, p. 78): • Conjunto de símbolos, linguagem e técnicas comuns para que as pessoas possam se comunicar; • Consistência em forma e significado dos modelos de processos resultantes; • Importação e exportação de modelos de processos entre diferentes ferramentas; • Geração de aplicações a partir de modelos de processos. (BPM CBOK, 2013, p. 78, grifo nosso). O quadro a seguir apresenta uma descrição resumida das principais notações de modelagem comumente encontradas nas organizações. Quadro 30 - Notações de modelagem de processos Notação Descrição BPMN (Business Process Model and Notation) Padrão criado pelo Object Management Group, útil para apresentar um modelo para públicos-alvo diferentes. Fluxograma Originalmente aprovado como um padrão ANSI (American National Standards Institute), inclui um conjunto simples e limitado de símbolos não padronizados; facilita entendimento rápido do fluxo de um processo. EPC (Event-driven Process Chain) Desenvolvido como parte da estrutura de trabalho ARIS, considera eventos como "gatilhos para" ou "resultados de" uma etapa do processo; útil para modelar conjuntos complexos de processos. 128 Fundamentos de Gestão de Processos e da Qualidade UML (Unified Modeling Language) Mantido pelo Object Management Group,consiste em um conjunto-padrão de notações técnicas de diagramação orientado à descrição de requisitos de sistemas de informação. IDEF (Integrated Definition Language) Padrão da Federal Information Processing Standard dos EUA que destaca entradas, saídas, mecanismos, controles de processo e relação dos níveis de detalhe do processo superior e inferior; ponto de partida para uma visão corporativa da organização. Value Stream Mapping Do Lean Manufacturing, consiste em um conjunto intuitivo de símbolos usado para mostrar a eficiência de processos por meio do mapeamento de uso de recursos e elementos de tempo. Fonte: BPM CBOK (2013, p. 79). São notações bem renomadas no mundo empresarial nacional e internacional. Dicas de sites para aprimorar o conhecimento nesta temática: . . . c) Modelagem de processos de negócio A modelagem de processos de negócio (business process modeling) se refere a uma linha teórica e tem como fundamento a reengenharia de processos. “A modelagem de processos exige importante conjunto de habilidades e técnicas para permitir compreender, comunicar e gerenciar componentes de processos de negócio" (ABPMP, 2013, p. 84). Para uma organização visionária e consciente do alto valor de seus processos de negócio, a utilização da modelagem de processos é atividade relevantíssima para a subsistência de uma gestão exitosa. 129 Ferramentas e Técnicas para Mapeamento e Modelagem de ProcessosFerramentas e Técnicas para Mapeamento e Modelagem de Processos Capítulo 3 A figura a seguir, com notação em BPMN, nos mostra uma proposta de ciclo de solução, exemplificando que primeiramente se faz a identificação do problema e, logo em seguida, a modelagem dos processos correlacionados, se, obviamente, ainda não houver os modelos. "A partir desses processos modelados é possível realizar um diagnóstico mais profundo na organização, em busca da fonte do problema” (CAMPOS, 2014, p. 2235-2237). Figura 33 – Ciclo da solução Fonte: Campos (2014, p. 2244-2245). Observe na figura anterior que a proposta apresentada não almeja ser a única solução, mas sim uma das alternativas. E, para processos remodelados com obtenção de tecnologias de suporte, o passo seguinte é estabelecer estes novos processos para gerar a consequente solução almejada (CAMPOS, 2014). Conforme ABPMP (2013, p. 84), a modelagem de processos de negócios refere-se a “conjunto de atividades envolvidas na criação de representações de processos de negócio existentes ou propostos. Pode prover uma perspectiva ponta a ponta ou uma porção dos processos primários, de suporte ou de gerenciamento”. O propósito da modelagem é desenvolver uma representação do processo de forma integral e com precisão acerca de seu funcionamento. E ressalta ainda que: 130 Fundamentos de Gestão de Processos e da Qualidade Por esse motivo, o nível de detalhamento e o tipo específico de modelo têm como base o que é esperado da iniciativa de modelagem. Um diagrama simples pode ser suficiente em al- guns casos, enquanto um modelo completo e detalhado pode ser necessário em outros. (ABPMP, 2013, p. 84, grifo nosso). Orientações para compreender melhor a temática da Modelagem de Processos BPM/N: - O que é a notação BPMN: . - Modelagem de Processos: . - Modelando um Processo simples no Bizagi com notação BPMN: . d) Aplicação de modelos A forma de representação “simplificada de uma coisa, um conceito ou uma atividade” é denominada de modelo. Estes “modelos podem ser matemáticos, gráficos, físicos, narrativos ou alguma combinação desses tipos” (BPM CBOK, 2013, p. 84). Em se tratando de ambientes de negócio, esses modelos apresentam uma abundante diversificação em suas aplicações, nas quais se incluem: Organização (estruturação). Descoberta (aprendizagem). Previsão (estimativas). Medição (quantificação). Explicação (ensino, demonstração). Verificação (validação). Controle - restrições, objetivos. (BPM CBOK (2013, p. 72). Um modelo de processos de negócio completo retratará, em geral, uma série de visões e estará a postos aos mais diferentes propósitos. Sendo assim, os processos podem se apresentar por meio de uma modelagem com vários níveis de detalhamento - desde uma visão contextual subjetiva até uma visão mais detalhada e concreta. 131 Ferramentas e Técnicas para Mapeamento e Modelagem de ProcessosFerramentas e Técnicas para Mapeamento e Modelagem de Processos Capítulo 3 A ferramenta BPMN veio facilitar a compreensão da forma de explicitar os processos de negócio mapeados e modelados nessa linguagem de notação. E este diferencial tem sido um dos mais relevantes motivos do sucesso dessa ferramenta, que praticamente tem dominado o cenário mundial da modelagem de processos. Assim, quando bem utilizada, a ferramenta de BPMN é um grande achado para as organizações, centros de pesquisas e o mercado em geral. Hora da academia, não podemos parar! Vamos interligar mais ainda os neurônios. Acompanhe! Atividade de Estudos: 1) Linguagem gráfica utilizada com o objetivo de representar e modelar processos de negócio, os quais são representados através de conjunto de símbolos, em linguagem padrão, e dispostos em um diagrama de processos de negócio. O texto identifica: a) ( ) BPI. b) ( ) BPS. c) ( ) BPMN. d) ( ) BPM. e) ( ) ABPMP. 2) Julgue as alternativas com verdadeiro (V) ou falso (F) acerca das vantagens na utilização de BPMN: a) ( ) Versatilidade para modelar as diversas situações de um processo. b) ( ) Exige treinamento e experiência para uso correto do conjunto completo de símbolos. c) ( ) Uso e entendimento difundido em muitas organizações. d) ( ) Dificulta visualização do relacionamento entre vários níveis de um processo. e) ( ) Suportado por ferramentas BPMS. 132 Fundamentos de Gestão de Processos e da Qualidade 3) Identifique as principais características de um BPMN. ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ Algumas Considerações Os dias atuais são velozes. Com isso, as organizações precisam responder de forma célere em seus processos produtivos e manter visão estratégica do negócio parametrizada com o mercado global, se quiserem continuar sobrevivendo e existindo. Isso faz com que a necessidade de instrumentos de análise de seus processos aumente consideravelmente e que tal questão seja resolvida com aqueles mais precisos e mais dinâmicos. Nesse contexto aparecem então diversas ferramentas e técnicas, como os fluxogramas, matrizes, gráficos, entre outras. Mas não basta saber da existência de tais ferramentas para alcançar o êxito. As organizações precisam saber também como manuseá-las adequadamente, para que seus resultados sejam condizentes com as necessidades organizacionais. Vimos ao longo desse capítulo as principais particularidades sobre esta temática, e para quem deseja um maior aprofundamento, basta consultar as referências bibliográficas de inúmeras obras renomadas. Agora está chegando a hora de seguir para o próximo passo e desbravarmos aspectos da melhoria e gerenciamento de processos. Até lá!! Referências ABPMP BPM CBOK™, V3.0. Guia para o Gerenciamento de Processos de Negócio Corpo Comum de Conhecimento. 1ª ed. em português, Brasil, 2013. BESSANT, J.; TIDD, J. Inovação e Empreendedorismo: Administração.Tradução: Elizamari R. Becker, Gabriela Perizzolo e Patrícia L. Flores da Cunha. Bookman. 2009. 133 Ferramentas e Técnicas para Mapeamento e Modelagem de ProcessosFerramentas e Técnicas para Mapeamento e Modelagem de Processos Capítulo 3 BRASIL. Conselho Nacional do Ministério Público. Metodologia de Gestão de Processos. Projeto Fomento à Gestão de Processos nos MPs. Fórum Nacional de Gestão. Brasília, Versão 2.0, 2013. ______. Ministério da Fazenda. Guia de Referência em Gestão de Processos. Programa de Modernização Integrada do Ministério da Fazenda – PMIMF. Brasília, Versão 2.0, 2014. ______. Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão. Secretaria de Orçamento Federal. Escola Virtual SOF. Curso Planejamento Estratégico. (org.) CERQUEIRA, L. A. M. Módulo IV – Definindo a estratégia, construindo a Proposta de Valor e a Matriz S.W.O.T. MP, SOF, 6v.; il. Brasília, 2016. BRAGHETTO, K. R. Técnicas de Modelagem para a Análise de Desempenho de Processos de Negócio. Universidade de São Paulo (Tese de Doutorado). S.P., 2011. CAMPOS, A. L. N. Modelagem de Processos com BPMN. 2ª ed. RJ: Brasport, 2014. CURY, A. Organização & Métodos: uma visão holística. 9ª ed. – S.P: Atlas, 2016. DA SILVA, L. C. Gestão e Melhoria de Processos: Conceitos, Técnicas e Ferramentas. BRASPORT. Edição do Kindle, 2015. DAYCHOUM, M. 40+16 Ferramentas e Técnicas de Gerenciamento. 6ª ed. Rio de Janeiro: Brasport, 2016. FEAM. Manual de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde. Fundação Estadual do Meio Ambiente. Belo Horizonte: Feam, 2008. FERREIRA, A. R. Análise e Melhoria de Processos. Apostila. Brasília: ENAP, 2016. Disponível em: Acesso: 15 maio 2017. FITZSIMMONS, J. A; FITZSIMMONS, M. J. Administração de Serviços - Operações, estratégia e tecnologia da informação. 7ª ed. Tradução Scientific Linguagem Ltda. 2014. HARRINGTON, H. J. Aperfeiçoando Processos Empresariais. S.P: Makron Books, 1993. 134 Fundamentos de Gestão de Processos e da Qualidade HURT, R. L. Sistemas de Informações Contábeis: conceitos básicos e temas atuais. 3ª ed. Tradução: Rodrigo Dubal. Porto Alegre: McGraw Hill Education/ Bookman/AMGH, 2014. MACHADO, L. E. Gestão estratégica para instituições de ensino superior privadas. Rio de Janeiro. Editora FGV. 2008. MARANHÃO, M.; MACIEIRA, M. E. B. O processo nosso de cada dia: modelagem de processos de trabalho. Rio de Janeiro - RJ: Quali tymark, 2004. MARQUES, C. F. Estratégia da produção e operações. Curitiba, PR. IESD. Brasil. 2012. PARANHOS FILHO, M. Gestão da Produção Industrial. Curitiba: Ibpex. 2007. REID, R. D.; SANDERS, N. R. Gestão de Operações. 1ª ed. (português). Rio de Janeiro: LTC, 2005. RÊGO, B. L. Gestão e Governança de dados: promovendo os dados como ativo de valor nas empresas. Rio de Janeiro: Brasport, 2013. RICARDI, A. (org.) Gerenciamento da Qualidade em Projetos. 1ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014. TARAPANOFF, K. Inteligência Organizacional e Competitiva. Brasília: UnB, 2001. VENKI. Balanced Scorecards e sua aplicação na empresa. Posted by Venki (Pierre) in Conceitos em 08.01.2016. Disponível em: . Acesso em: 15 maio 2017. VERGUEIRO, W. Qualidade em serviços de informação. São Paulo: Artes & Ciência, 2002. VICENTE, J. O Tom da Cronoanálise: tempo organização & método. E-book. Ed. Orin Manufatura. Clube de Autores, 2010. CAPÍTULO 4 Melhorias e Gerenciamento de Processos Prof. Reginaldo Alves Nogueira. A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: � Analisar os processos da organização com visão holística integrada. � Compreender de forma sistêmica as interações dos principais processos da cadeia de valor das empresas que competem no mercado. � Realizar a reengenharia contínua dos processos para sustentabilidade da vantagem competitiva e alavancagem de resultados. � Fazer a aplicação de conhecimentos integrados de negócios na moderna gestão empresarial. 136 Fundamentos de Gestão de Processos e da Qualidade 137 Melhorias e Gerenciamento de ProcessosMelhorias e Gerenciamento de Processos Capítulo 4 Contextualização A globalização, fenômeno que fez girar o mundo das organizações numa velocidade vertiginosa, como nunca antes, forjou uma nova postura para as empresas. Uma realidade que precisa ser tratada com as novas ferramentas disponíveis para quem deseja continuar sua existência no mundo corporativo atualmente. Por conta disso, neste capítulo trataremos de questões voltadas para a melhoria dos processos das organizações. Abordaremos conceitos da Gestão e Qualidade dos Processos, com tratativas sobre ferramentas de medição dos processos. Também será vista a questão da Cadeia de Valor em Processos, buscando entender o que realmente é importante nas várias perspectivas dos que têm interesse na empresa. Em seguida, abordagens sobre a Reengenharia de Processos, para que se tenha uma noção da entrada das tecnologias da informação na vida dos processos organizacionais. A Gestão de Processos de Negócios vem logo depois, e vai tratar dos aspectos de atuação empresarial. E, por último, o Gerenciando Processos com BSC nos permitirá um vislumbre dessa ferramenta promissora. Então vamos lá!! Gestão e Qualidade dos Processos Vimos anteriormente que a gestão de processos está relacionada ao desenvolvimento de ações sistemáticas, com base em métodos, técnicas e ferramentas para analisar, mapear, modelar e controlar. O objetivo central de tudo isso está em manter estáveis a rotina e a implantação de melhorias na qualidade dos processos. Agora vamos adentrar um pouco neste tema da qualidade que é muito importante para mensurar os processos. Acompanhe e bons estudos!! Na atualidade, a temática qualidade é um termo rotineiro e é parte integrante “do jargão das organizações, independentemente do ramo de atividade e da abrangência de atuação, pública ou privada. A principal diferença entre a abordagem do início do século XX e a atual é que a qualidade, agora, está relacionada às necessidades e aos anseios dos clientes” (MARSHALL JUNIOR et al., 2012, p. 416-418). 138 Fundamentos de Gestão de Processos e da Qualidade a) Medir para qualificar Inicialmente, reproduzo aqui algumas questões básicas a você, que é gerente de uma operação ou processo: Quantas medidas há no seu processo? Quantos indicadores de performance você possui para gerenciar o processo? Qual o principal indicador de performance que você deve gerenciar? Quantas vezes por ano você verifica junto aos seus clientes o grau de satisfação com a sua operação? Que indicadores você usa para controlar a qualidade das saídas do processo? (DA SILVA, 2015, p. 671-674). Essas questões, para quem está desejoso de aperfeiçoar-se na área de gestão de processos, ou então promover ações de melhorias, são um exercício mental muito valioso. Afinal, se não temos um parâmetro de medição, também não teremos como gerenciar, e menos ainda imaginar melhorias para os processos. Na Figura 34, temos considerações resumidas sobre a questão da medição de um processo. Figura 34 - Melhoria de Processos Como tudo o mais na vida, para que haja um bom rendimento ou retorno de qualquer coisa - evento/período -, se faz necessário o uso de parâmetros. 139 Melhorias e Gerenciamento de ProcessosMelhorias e Gerenciamento de Processos Capítulo 4 Com os processos se dá a mesma lógica - não podem, nem devem ser vistos com conceitos de achismos, por atributos vindos do mundo das ideias. Eles devem ser mensurados. Processos devem ser medidos, para que assim se possa gerenciá-los. A máxima de que só se gerencia o que se mede é a mais pura realidade. A prática do gerenciamento comprova que somente indicadores de performance mostram de fato o graude eficiência da gestão. Ao pensar em melhorias, principalmente sem ter medidas de referência anteriores, como será possível afirmar ou auferir que houve melhora após alguma ação ou mudança no processo? É simples a resposta: não há como. (DA SILVA, 2015, p. 681-685). A necessidade de se estabelecer parâmetros de medição se mostra cada vez maior para que haja uma boa gestão de processos. b) A conformidade Um outro fato, na atualidade, tem posto o estabelecimento de regras na gestão de processos em evidência: se tornou um requisito de reconhecimento de qualidade nas organizações. Os sistemas de gestão organizacional exigem esse tipo de comportamento como condição para participar do seleto grupo das empresas qualificadas. Como exemplo dessa prática, podemos mencionar: o Prêmio Nacional de Qualidade (PNQ/FNQ); e, das Normas da Série ISO 9000. Qualidade é um conceito subjetivo, é o modo de ser, é a propriedade de qualificar os mais diversos serviços, objetos, indivíduos etc. Do latim qualitate. Qualidade está relacionada às percepções de cada indivíduo e diversos fatores, como cultura, produto ou serviço prestado. Necessidades e expectativas influenciam diretamente nesta definição. Qualidade pode ser qualidade de vida das pessoas de um país, qualidade da água que se bebe ou do ar que se respira, qualidade do serviço prestado por uma determinada empresa, ou ainda qualidade de um produto no geral. Como o termo tem diversas utilizações, o seu significado nem sempre é de definição clara e objetiva. 140 Fundamentos de Gestão de Processos e da Qualidade A conformidade está relacionada ao tipo de modelo de qualidade existente em relação aos seus requisitos. Qualidade em relação a produtos e/ou serviços: há várias definições para qualidade, como o produto estar em conformidade com as exigências dos clientes, ter valor agregado, algo que produtos similares não possuem, relação custo/benefício etc. Existe também o controle da qualidade, garantia da qualidade e gestão da qualidade: são conceitos relacionados com o de qualidade na indústria e serviços. Os conceitos são usados em várias áreas, através de indicadores de qualidade e normas, como a ISO 9001, ISO 14000 e outras. Fonte: Disponível em: . Acesso em: 16 maio 2017. Esses dois critérios (PNQ e ISO) utilizam os conceitos de qualidade como sua base de sustentação. Sabemos que o termo qualidade é amplo e diversificado, e por isso se faz necessária uma breve definição para podermos prosseguir em nossos estudos. Para a Norma Internacional de Organização, ou a International Standards Organization (ISO), qualidade significa que está adequado ao uso e está conforme as especificações. De acordo com Lobos (1991), qualidade se refere, precipuamente, ao processo pelo qual os produtos ou serviços se tornam concretos, materializados. Caso esse procedimento seja bem realizado, teremos, como consequência natural, um bom produto/serviço ao final de sua concretização. A qualidade envolve tudo que se faz e em tudo o que se faz. A conformidade está relacionada ao tipo de modelo de qualidade existente em relação aos seus requisitos. Não se preocupe, vamos entender melhor! 141 Melhorias e Gerenciamento de ProcessosMelhorias e Gerenciamento de Processos Capítulo 4 Significado de conformidade: s.f. Qualidade do que é conforme ou de quem se conforma. / Estado de duas ou de várias coisas iguais entre si; analogia, semelhança: a conformidade de dois objetos. / — Loc. adv. Em conformidade com, de acordo com, segundo a conveniência de. Fonte: Disponível em: . Acesso em: 16 maio 2017. Conceito de modelo de qualidade: A qualidade, por sua vez, é uma característica inerente das coisas, que permite a comparação entre estas e outras da mesma espécie. Trata-se de uma apreciação subjetiva que, relativamente a um utilizador, implica satisfazer as suas necessidades e os seus desejos (sendo bem-sucedido, é de boa qualidade). Um modelo de qualidade é, por conseguinte, um conjunto de práticas ligadas aos processos de gestão e ao desenvolvimento de projetos. Este modelo constitui uma planificação para alcançar um impacto estratégico, obedecendo aos objetivos fixados em termos de qualidade do produto ou serviço. Ao implementar um modelo de qualidade, uma empresa procura desenvolver sistematicamente produtos e serviços que cumpram com os requerimentos e as exigências dos clientes. É importante que os elementos que formam o conjunto do modelo de qualidade estejam estruturados de forma que seja possível realizar um controle e seguimento dos processos. O modelo deve reunir as atividades e as funções relacionadas com a qualidade para que possam ser executadas de um modo sistemático e formal. Fonte: Disponível em: . Acesso em: 16 maio 2017. O alvo quando se estabelece um padrão normativo é que se faça exatamente o que foi planejado para o processo - que ele seja executado tal como está no plano. Posto assim, parece simples, mas a prática nas organizações é bastante complexa. A seguir podemos visualizar uma modelagem de um processo de vendas, que deve ser executado conforme especificado, pois foi mapeado e aprovado neste formato. 142 Fundamentos de Gestão de Processos e da Qualidade Figura 35 - Exemplo de Modelagem de um Processo de Vendas Fonte: Campos (2014, p. 71). Nessa figura, temos uma situação bem comum no ambiente organizacional, até conhecido fora dele também, e mostra um processo comum. Exemplifica um processo dentro dos requisitos e modelagens de BPMN, ferramenta vista no capítulo anterior. c) Referencial de conformidade A padronização conceitual, usada para vários segmentos das indústrias, é tirado de um modelo de referência de processo. É um entendimento teórico das entidades e das relações envolvidas em um tema, uma atividade, e realiza esboços para o desenvolvimento dos modelos mais tangíveis, com a capacidade de serem aplicados no mundo real, chegando mesmo à sua implementação na organização. Essa prática permite fazer até comparação de semelhanças ou diferenças entre os modelos. A título de exemplificação, vamos comentar alguns modelos de referência ou referenciais de confor midade. REFERENCIAL: ISO 9000 A história da ISO começou em 1946, quando delegados de 25 países se reuniram no Instituto de Engenheiros Civis, em Londres, e decidiram criar uma nova organização internacional para facilitar a coordenação internacional e unificação dos padrões industriais. A nova organização começou oficialmente suas operações em 23 de fevereiro de 1947. 143 Melhorias e Gerenciamento de ProcessosMelhorias e Gerenciamento de Processos Capítulo 4 Desde então, já houve publicação sobre 21.631 padrões internacionais que cobrem quase todos os aspectos da tecnologia e da manufatura. Atualmente a organização possui membros em 163 países, e 780 órgãos técnicos para cuidar do desenvolvimento de padrões. Mais de 135 pessoas trabalham em tempo integral para o Secretariado Central da ISO em Genebra, na Suíça. Certos de que a Organização Internacional de Normalização teria diferentes acrônimos em diferentes línguas (IOS em inglês, OIN em francês para a Organization Internationale de Normalization), os seus fundadores decidiram dar-lhe a forma abreviada ISO - que é derivação da palavra grega isos, e significa igual. Portanto, seja qual for o país, seja qual for a língua, será sempre ISO. Já nos anos 80, mais especificamente em 1987, a ISO lançou manuais de avaliação do sistema de qualidade que se constituíram em Normas ISO Série 9000 de Padrões Internacionais, e reuniam as diversas normas regulamentadoras que já existiam entre fornecedores e compradores. Fonte: Disponível em: . Acesso em: 15maio 2017). Para conhecer as empresas certificadas pela ISO no Brasil e outras informações, veja a lista neste sítio: . Diante de assunto tão importante, o Brasil também é representado nessa organização através da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), importante instrumento para quem é estudante, pesquisador! Há diversos instrumentos de verificação da padronização e normatização para aqueles que estão interessados em melhorar seus procedimentos industriais. 144 Fundamentos de Gestão de Processos e da Qualidade REFERENCIAL: ANS E ANVISA A ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) são órgãos atuantes na área de qualidade. Possuem modelos de referência em diversos segmentos, no Brasil. A Anvisa é uma autarquia sob regime especial, presente em todo o território nacional por meio das coordenações de portos, aeroportos, fronteiras e recintos alfandegados. A ANS é uma agência reguladora vinculada ao Ministério da Saúde responsável pelo setor de planos de saúde no Brasil. A regulação pode ser entendida como um conjunto de medidas e ações do governo que envolvem a criação de normas, o controle e a fiscalização de segmentos de mercado explorados por empresas para assegurar o interesse público. Fonte: Disponíveis em: e . Acesso em: 15 maio 2017. Em síntese, estes órgãos possuem grande relevância para as demais organizações empresariais, pois atuam no benefício direto ou indireto para o alcance de objetivo estratégico global, tendo em vista que trabalham com foco primordial na proteção e controle da saúde da população em geral. É o caso da ANVISA, que possui atuação principal no controle sanitário da produção, consumo de produtos e serviços submetidos à vigilância sanitária, fazendo parte deste leque: processos, ambientes, insumos e das tecnologias correlacionadas. Entre outras abrangências, temos a supervisão dos portos, aeroportos, recintos alfandegados e das fronteiras. Já a ANS atua na normatização e fiscalização de empresas relacionadas a planos de saúde, onde resguarda este direito ao seu público-alvo. REFERENCIAL: FNQ / PNQ Em 11 de outubro de 1991, um grupo formado por representantes de 39 organizações privadas e públicas instituíram, em São Paulo, a Fundação para o Prêmio Nacional da Qualidade (FPNQ). A entidade sem fins lucrativos foi criada para administrar o Prêmio Nacional da Qualidade® (PNQ) e as atividades decorrentes do processo de