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CONCEITOS DE ÉTICA MÉDICA Prof. Dra Mayla Borba INTRODUÇÃO À PROFISSÃO MÉDICA ÉTICA MEDICA Conjunto de princípios e valores que guiam a prática da medicina, garantindo que os profissionais de saúde atuem de maneira justa, honesta e responsável. Estabelecer uma relação de confiança entre médicos e pacientes. Assegurar que as ações dos médicos beneficiem a saúde e o bem- estar dos indivíduos e da sociedade. Auxilia nas decisões complexas que podem impactar profundamente a vida das pessoas. OBJETIVOS Apresentar os princípios fundamentais da ética médica. Analisar o Código de Ética Médica do Brasil (CEM). Proporcionar uma compreensão aprofundada dos conceitos fundamentais de ética médica. Discutir sua aplicação prática no dia a dia dos profissionais de saúde. CÓDIGO DE ÉTICA MÉDICA (CEM) Conjunto de normas que regulamentam a conduta dos médicos no Brasil. É elaborado e atualizado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). PAPEL DOS CONSELHOS DE MEDICINA CFM: Autarquia federal responsável por regulamentar e fiscalizar a prática médica em todo o Brasil. Funções: Elaborar e atualizar o Código de Ética Médica. Julgar os recursos das decisões dos CRMs. Representar a Medicina Brasileira perante os poderes constituídos e a sociedade. PAPEL DOS CONSELHOS DE MEDICINA CRM: Autarquia regional responsável por regulamentar e fiscalizar a prática médica em seus respectivos estados. Funções: Registrar e fiscalizar os médicos. Instaurar e julgar processos ético-profissionais. Promover a educação continuada dos médicos. Defender os direitos dos pacientes e da sociedade. PRINCÍPIOS ÉTICOS FUNDAMENTAIS AUTONOMIA DO PACIENTE1 BENEFICÊNCIA2 NÃO MALEFICÊNCIA3 JUSTIÇA4 AUTONOMIA DO PACIENTE: Respeito à decisão do paciente sobre seu próp rio corpo e tratamento. Fornecendo todas as informações necessárias para a tomada de decisão consciente sobre o tratamento, inclusive seus riscos e benefícios. Exemplo: Um paciente diagnosticado com uma Neoplasia decide recusar a quimioterapia após discutir os prós e contras com seu médico. BENEFICÊNCIA: Todo tratamento e conduta médica devem visar o benefício do paciente, buscando sempre promover a saúde e bem-estar. Exemplo: Um médico prescreve um novo medicamento que tem a melhor chance de melhorar a quali dade de vida do paciente, mesmo que haja um risco associado. NÃO MALEFICÊNCIA: Prática médica deve evitar causar qualquer dano ao paciente, seja por ação ou omissão. paciente. "Primum non nocere" - Acima de tudo, não causar dano. Exemplo: Um cirurgião opta por não realizar uma opera ção que pode ter complicações sérias sem benefícios claros para o paciente. JUSTIÇA: Tratar todos os pacientes de forma justa, com igualdade, equidade e sem discriminação por qualquer razão. Exemplo: Durante uma triagem de emergência, todo s os pacientes são atendidos com base na gravidade de sua condição, independente mente de sua origem social. CÓDIGO DE ÉTICA DO ESTUDANTE DE MEDICINA Estabelece a base ética para a conduta do estudante de medicina. COMPROMISSOS: Compromisso com a saúde do ser humano e da coletividade; Respeito, autonomia, justiça, dignidade e da solidariedade. Aprimorar continuamente seus conhecimentos; Agir com prudência e responsabilidade; Contribuir para o desenvolvimento social e para a defesa da dignidade profissional médica. COMPROMISSOS: Atividades acadêmicas não podem ser exploradas com objetivos de lucro; Estudante DEVE guardar sigilo sobre as informações obtidas na relação com pacientes e serviços de saúde. EIXOS DO CEEM Relação do Estudante com as Instituições de Ensino e de Saúde1 Relação do Estudante com o Cadáver: 2 Relações Interpessoais do Estudante3 Contribuir para a melhoria do ensino e das condições de aprendizagem, respeitando as normas e os funcionários das instituições. Respeito ao corpo, mesmo após a morte, é essencial para a formação ética do futuro médico. Promover relações saudáveis, respeitosas e livres de preconceitos entre todos os membros da comunidade. EIXOS DO CEEM Responsabilidade do Estudante com os Seus Estudos/Formação4 Relação do Estudante com a Sociedade:5 Relação do Estudante com a Equipe Multiprofissional:6 Buscar uma formação completa e engajada, valorizando a reflexão crítica e o compromisso com a equidade. Defender o acesso universal à saúde e promover o bem-estar coletivo com solidariedade e respeito. Trabalho em equipe e o respeito às diferentes profissões são fundamentais para a segurança e a qualidade do atendimento ao paciente. DIREITO DOS MÉDICOS CONSCIÊNCIA1 RECUSA DE ATENDIMENTO2 HONORÁRIOS3 SEM DISCRIMINAÇÃO4 CONSCIÊNCIA Recusar-se a realizar atos médicos que, embora permitidos por lei, sejam contrários aos ditames de sua consciência, desde que não prejudiquem o paciente. Exemplo: Um médico pode optar por não participar de um procedimento de aborto devido às suas crenças pessoais, desde que encaminhe o paciente para outro profissional. RECUSAR EXERCER A PROFISSÃO: Recusar atendimento em locais com condições precárias, que não garantam a segurança adequada para o exercício da profissão. Devendo comunicar a situação com justificativa ao Diretor Técnico, ao CRM e à Comissão de Ética da instituição. Exemplo: Um médico se recusa a trabalhar em um hospital com falta de equipamentos de proteção adequados, alertando as autoridades sobre as condições inseguras. HONORÁRIOS: Possibilidade de suspender atividades quando a instituição não o remunerar digna e justamente, ressalvadas as situações de urgência e emergência, devendo comunicar imediatamente sua decisão ao Conselho Regional de Medicina. Exemplo: Um médico suspende atendimento em instituições públicas/privadas quando não há remuneração pela execução dos seus serviços. SEM DISCRIMINAÇÃO: Exercer a medicina sem ser discriminado por questões de religião, etnia, cor, sexo, orientação sexual, nacionalidade, idade, condição social, opinião política, deficiência ou de qualquer outra natureza. Exemplo: Um médico portador de deficiência que dentro dos limites de suas capacidades e da segurança dos pacientes, tem o direito de exercer a profissão sem ser discriminado. RESPONSABILIDADE PROFISSIONAL NÃO CAUSAR DANO1 NÃO DELEGAR ATO MÉDICO2 RESPONSABILIDADES PELOS SEUS ATOS3 URGÊNCIA E EMERGÊNCIA4 CUMPRIR ESCALA4 NÃO CAUSAR DANO: Exercer a medicina sem causar danos aos pacientes, por ação ou omissão, caracterizável como imperícia, imprudência ou negligência. Exemplo: Um médico que realiza uma cirurgia sem a devida preparação pode ser considerado imprudente se a falta de preparo resultar em complicações graves para o paciente. NÃO DELEGAR ATO MÉDICO: É proibido delegar atos exclusivos da profissão médica a outros profissionais. Exemplo: Um médico não pode pedir a um enfermeiro/técnico para realizar uma cirurgia/procedimento, pois isso é um ato exclusivo da profissão médica. RESPONSABILIDADE PELOS SEUS ATOS: Devem assumir a responsabilidade por qualquer ato profissional praticado ou indicado, mesmo com consentimento do paciente. Exemplo: Um médico que prescreve um tratamento experimental deve assumir a responsabilidade pelos resultados, mesmo que o paciente tenha consentido. URGÊNCIA E EMERGÊNCIA: Devem atender em setores de urgência e emergência quando for sua obrigação. Exemplo: Um médico plantonista deve atender todos os casos de emergência que chegam ao hospital, independentemente da situação. CUMPRIR ESCALA: Não devem se afastar de suas atividades sem deixar outro médico encarregado de pacientes em estado grave. Exemplo: Um médico responsável por pacientes em UTI deve garantir que outro médico esteja encarregado antes de se ausentar, mesmo temporariamente. DIREITOS HUMANOS CONSENTIMENTO DOS PACIENTES1 RESPEITO2 AUTOMONIA DO PACIENTE3 DENUNCIAR ABUSOS, MAUS-TRATOS4 ATOS ILÍCITOS4 CONSENTIMENTO DOS PACIENTES: Médicos devem obter consentimento do paciente ou representante legal após esclarecê- lo sobre o procedimentoa ser realizado, salvo em caso de risco iminente de morte. Exemplo: Antes de uma cirurgia eletiva, o médico explica todos os riscos e benefícios ao paciente, obtendo seu consentimento. Em uma situação de emergência, como um acidente grave, o médico pode agir sem consentimento prévio se a vida do paciente estiver em risco RESPEITO: Tratar o ser humano com civilidade e consideração, respeitando sua dignidade e sem discriminação. Exemplo: Um médico deve tratar todos os pacientes com respeito, independentemente de sua raça, orientação sexual ou condição socioeconômica. Um médico que discrimina um paciente por sua orientação sexual está violando este artigo. DENUNCIAR ABUSO E MAUS-TRATOS: Denunciar práticas de tortura ou procedimentos degradantes, desumanos ou cruéis, além de não ser conivente com tais atos. Exemplo: Um médico que descobre que um paciente foi torturado deve relatar o caso às autoridades competentes. Denunciar maus-tratos em instituições como lares de idosos, assegurando a proteção dos pacientes. NÃO PARTICIPAR DE ATOS ILÍCITOS: Não usar a profissão para corromper costumes ou cometer crimes. Exemplo: Um médico não deve prescrever medicamentos controlados fora dos padrões terapêuticos, ou falsificar atestados ou laudos. RELAÇÃO COM PACIENTES E FAMILIARES COMUNICAÇÃO CLARA E TRANSPARENTE1 ATENDIMENTO AOS PACIENTES2 PROMOÇÃO, PREVENÇÃO, DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO3 TELEMEDICINA4 COMUNICAÇÃO CLARA E TRANSPARENTE: Manter uma comunicação clara e honesta com os pacientes e suas famílias. Explicando diagnósticos, tratamentos e prognósticos de forma acessível ao paciente e seus familiares. Exemplo: Um oncologista explica em termos simples o diagnóstico e o plano de tratamento de um paciente com câncer, garantindo que tanto o paciente quanto sua família compreendam completamente. ATENDIMENTO AOS PACIENTES: Atender pacientes sob seus cuidados, se necessário transferir cuidados para outro colega, assegurando-se a continuidade dos cuidados e fornecendo todas as informações necessárias ao médico que o suceder. Exemplo: Um médico que decide parar de atender um paciente em tratamento contínuo deve assegurar que outro profissional assuma o caso. PROMOÇÃO, PREVENÇÃO, DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO: Médicos devem usar todos os meios disponíveis de promoção de saúde, prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças, cientificamente reconhecidos e a seu alcance. Exemplo: Um médico deve promover vacinação, realizar exames de rotina e utilizar tratamentos comprovados, como recomendar mudanças no estilo de vida para prevenir doenças cardiovasculares. TELEMEDICINA: Médicos podem realizar consultas por Telemedicina, garantindo sigilo, autorização do uso da imagem, registro em prontuário, integridade das informações. Exemplo: Em uma teleconsulta o médico pode prescrever medicação para uma crise de hipertensão, mas deve realizar uma consulta presencial, em intervalos não superiores a 180 dias. DOAÇÃO E TRANSPLANTE DE ÓRGÃOS E TECIDOS CONSENTIMENTO INFORMADO (TCLE)1 TRANSPARÊNCIA2 DIAGNÓSTICO DE ME 3 CONSENTIMENTO: Garantir que o doador ou receptor tenha dado consentimento informado, garantindo que todas as informações foram claramente compreendidas. Exemplo: Um médico garante que a família de um doador de órgãos entende completamente o processo e as implicações da doação antes de obter o consentimento. TRANSPARÊNCIA: Manter a transparência em todo o processo de doação e transplante. Exemplo: Um cirurgião de transplantes mantém a família do paciente informado sobre cada etapa do processo de transplante, desde a compatibilidade dos órgãos até a recuperação pós-operatória DIAGNÓSTICO DE ME: Equipe que realiza o diagnóstico de ME não pode ser a mesma equipe que realizará o transplante. Exemplo: O médico que participar do processo de diagnóstico da morte ou da decisão de suspender meios artificiais para prolongar a vida do possível doador, não pode pertencer a que realizará o transplante do novo órgão. Continuaremos na próxima Aula RELAÇÃO ENTRE MÉDICOS RESPEITAR PLANO TERAPÊUTICO 1 REFERÊNCIA E CONTRA-REFERÊNCIA2 COMUNICAÇÃO COLABORATIVA3 CONDUTA ÉTICA4 RESPEITAR PLANO TERAPÊUTICO: Respeitar a prescrição ou tratamento determinado por outro médico, mesmo quando em função de chefia ou auditoria, salvo em situação de indiscutível benefício para o paciente, devendo comunicar imediatamente o fato ao médico responsável. Exemplo: Se um médico de plantão encontra um paciente com uma prescrição de outro médico que ele acredita ser inadequada, ele só deve alterá-la se houver um benefício claro e imediato para o paciente, e deve comunicar imediatamente o médico responsável. REFERÊNCIA E CONTRA-REFERÊNCIA: Entender o paciente encaminhado e emitir relatório sobre tratamento realizado durante periodo sob seus cuidados. Encaminhar paciente para avaliação com outro especialista fornecendo todas as informações importantes para avaliação. Exemplo: Após realizar um procedimento especializado, um cardiologista deve enviar o paciente de volta ao clínico geral que o encaminhou, junto com um relatório detalhado do que foi feito e dos resultados obtidos. COMUNICAÇÃO COLABORATIVA: Informar ao médico substituto o quadro clínico dos pacientes sob sua responsabilidade ao ser substituído ao fim do seu turno de trabalho. Exemplo: Um médico de plantão deve dar um detalhado relatório sobre o estado dos pacientes ao médico que assume o próximo turno, garantindo continuidade no tratamento. CONDUTA ÉTICA: Agir conforme os princípioséticos e não acobertar erro ou conduta antiética de médico. Exemplo: Um médico que descobre que um colega falsificou um prontuário não deve esconder essa informação e deve denunciá- la às autoridades competentes. REMUNERAÇÃO PROFISSIONAL TRANSPARÊNCIA NOS HONORÁRIOS 1 EXPLORAÇÃO DE TRABALHO DE TERCEIROS2 CONFLITO DE INTERESSES3 CONDUTA ÉTICA4 Exemplo: Um cirurgião plástico fornece uma lista detalhada de todos os custos de uma cirurgia estética antes do procedimento. Um médico não pode cobrar honorários de paciente assistido em instituição q públicas, ou receber remuneração de paciente como complemento de honorários. TRANSPARÊNCIA NOS HONORÁRIOS: Ser transparente sobre as taxas e remunerações. Não fazer dupla cobrança. EXPLORAÇÃO DE TRABALHO DE TERCEIROS: Garantir que a remuneração seja justa e adequada ao serviço prestado. Não podendo explorar o trabalho de outro médico, na condição de proprietário ou gestor de empresas ou instituições prestadoras de serviços médicos. Exemplo: Um gestor/proprietário remunera pelos serviços prestados, alinhado com os preços de mercado e a complexidade do procedimento. CONFLITO DE INTERESSE: Não pode exercer simultaneamente a medicina e a farmácia ou obter vantagem pelo encaminhamento de procedimentos, pela prescrição e/ou comercialização de medicamentos, órteses, próteses ou implantes de qualquer natureza, cuja compra decorra de influência direta em virtude de sua atividade profissional. Exemplo: Um médico deve informar seus conflitos de interesse aos pacientes. CONDUTA ÉTICA: Exercer medicina sob os principios éticos. Exemplo: Um médico não deve oferecer seus serviços profissionais como prêmio, qualquer que seja sua natureza. SIGILO PROFISSIONAL REVELAR INFORMAÇÕES1 DIGULGAÇÃO DE IMAGENS2 REVELAR INFORMAÇÕES: Médico não pode revelar fato de que tenha conhecimento em virtude do exercício de sua profissão, salvo por motivo justo, dever legal ou consentimento, por escrito, do paciente. Exemplo: Um médico não deve relevar informações dos pacientes, mesmo já falecidos. Mesmo que seja de conhecimento público. Mesmo em depoimento enquanto testemunha. Na investigação de suspeita de crime, o médico estará impedido de revelar segredo que possa expor o paciente a processo penal. REVELAR INFORMAÇÕES: Médico não pode revelar fato de que tenha conhecimento em virtude do exercício de sua profissão, salvo por motivo justo, dever legal ou consentimento, por escrito, do paciente. Exemplo:Abaixo de