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Pericia medica - Resumo

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PERÍCIA MÉDICA 
Conceito 
A perícia médica é um procedimento técnico-
científico realizado por médico legalmente 
habilitado, cujo objetivo é esclarecer fatos de 
interesse da Justiça ou da Administração Pública 
por meio da aplicação dos conhecimentos médicos. 
Ao contrário da assistência médica, cuja finalidade 
é diagnosticar e tratar doenças em benefício do 
paciente, a perícia médica busca estabelecer a 
verdade técnica dos fatos. O perito não atua como 
defensor de nenhuma das partes, mas como 
auxiliar da Justiça, fornecendo elementos 
científicos que subsidiem decisões judiciais ou 
administrativas. 
O objeto da perícia não é apenas a pessoa 
examinada, mas qualquer elemento que possa 
produzir prova material, incluindo cadáveres, lesões 
corporais, vestígios biológicos, documentos 
médicos, prontuários, exames complementares e 
até locais relacionados ao fato. 
Finalidades da perícia médica: 
A perícia possui diversas finalidades: 
• comprovar a existência de um fato médico; 
• estabelecer o nexo causal entre um evento 
e o dano; 
• determinar a extensão do dano; 
• avaliar incapacidade laborativa; 
• identificar pessoas vivas ou mortas; 
• determinar causa e mecanismo da morte; 
• estimar o tempo de ocorrência de eventos 
biológicos; 
• avaliar imputabilidade penal; 
• verificar dano corporal permanente ou 
temporário; 
• subsidiar decisões judiciais, 
administrativas, previdenciárias, 
trabalhistas e securitárias. 
Em síntese, toda perícia busca responder questões 
técnicas formuladas pela autoridade competente. 
Natureza jurídica 
A perícia médica constitui um meio de prova. 
No processo judicial, ela representa uma prova 
técnica, produzida quando o juiz necessita de 
conhecimentos especializados que extrapolam sua 
formação jurídica. 
Embora possua grande valor probatório, o laudo 
pericial não vincula o magistrado. Em razão do 
princípio do livre convencimento motivado, o juiz 
pode discordar das conclusões do perito, desde 
que fundamente sua decisão. 
Fundamentos científicos 
Toda perícia deve obedecer aos princípios 
científicos da Medicina Legal: 
- Objetividade 
O perito deve limitar-se aos fatos observados. 
Jamais pode emitir opiniões pessoais, fazer 
conjecturas ou favorecer qualquer das partes. 
- Imparcialidade 
O perito não representa acusação nem defesa. 
Sua única obrigação é com a verdade científica. 
- Fundamentação 
Toda conclusão deve decorrer da análise dos 
achados objetivos. 
Não são admitidas conclusões sem justificativa 
técnica. 
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- Reprodutibilidade 
Outro profissional qualificado deve ser capaz de 
chegar a conclusões semelhantes utilizando os 
mesmos dados. 
- Documentação 
Toda perícia deve gerar documentação formal. 
Essa documentação integra os autos do processo 
e pode ser utilizada durante toda a tramitação 
judicial. 
Quem pode ser perito? 
O perito é profissional dotado de conhecimento 
técnico ou científico. 
Na Medicina Legal, normalmente trata-se de 
médico. 
Existem duas modalidades: 
Perito oficial 
É servidor público investido na função pericial. 
Pode atuar em: 
• Polícia Científica; 
• Institutos Médico-Legais; 
• Polícia Federal; 
• Justiça Federal; 
• órgãos oficiais. 
Não necessita ser nomeado em cada processo, 
pois já ocupa cargo específico. 
Perito nomeado (ad hoc) 
Quando inexistir perito oficial, a autoridade 
competente pode nomear médico habilitado para 
realizar o exame. 
Sua atuação restringe-se ao caso específico. 
Assistente técnico 
É indicado pelas partes. 
Diferentemente do perito judicial: 
• não produz prova oficial; 
• não substitui o perito; 
• analisa criticamente o laudo; 
• pode apresentar parecer técnico. 
Sua atuação é parcial, pois representa os 
interesses da parte que o contratou. 
Diferenças entre médico assistente e médico 
perito: 
Etapas da perícia médica: 
1. Requisição 
Toda perícia decorre de solicitação legal. 
Ela pode ser determinada por: 
• juiz; 
• delegado; 
• Ministério Público; 
• autoridade administrativa; 
• INSS; 
• Justiça do Trabalho. 
2. Estudo dos autos 
O perito analisa previamente: 
• documentos; 
• histórico; 
• quesitos; 
• exames anteriores; 
• prontuários. 
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Essa etapa direciona o exame. 
3. Exame pericial 
É o núcleo da perícia. 
Pode envolver: 
Exame clínico 
Inclui: 
• inspeção; 
• palpação; 
• percussão; 
• ausculta; 
• avaliação funcional. 
Exames complementares 
Quando necessários: 
• radiografia; 
• tomografia; 
• ressonância; 
• exames laboratoriais; 
• genética; 
• toxicologia; 
• anatomia patológica. 
Exame do cadáver 
Nas mortes violentas ou suspeitas, realiza-se 
necropsia para determinar: 
• causa da morte; 
• mecanismo da morte; 
• instrumento causador; 
• tempo aproximado da morte; 
• identidade. 
Quesitos 
São perguntas formuladas pelas partes ou pelo juiz. 
Todo laudo deve responder objetivamente aos 
quesitos. 
A resposta deve ser: 
• clara; 
• fundamentada; 
• técnica; 
• completa. 
Jamais deve extrapolar o que foi perguntado. 
O laudo pericial: 
É o documento mais importante da perícia. 
Representa a tradução escrita do exame realizado. 
Segundo Genival Veloso de França, um bom laudo 
deve apresentar: 
Preâmbulo 
Identificação: 
• autoridade requisitante; 
• processo; 
• examinando; 
• perito; 
• data; 
• local. 
Histórico 
Resumo dos fatos relevantes. 
Não corresponde necessariamente à verdade, mas 
ao relato obtido. 
Descrição 
Parte mais importante. 
Deve conter descrição minuciosa dos achados. 
Exemplo: 
Em vez de escrever: 
“Ferida grande.” 
O correto seria: 
“Ferida corto-contusa medindo aproximadamente 
6 cm, localizada na região frontal direita, bordas 
irregulares, presença de ponte de tecido, discreto 
sangramento ativo.” 
A descrição nunca deve conter interpretação. 
Primeiro descreve-se. 
Depois interpreta-se. 
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Discussão 
Relaciona os achados aos conhecimentos 
científicos. 
Nessa etapa: 
• interpreta lesões; 
• estabelece nexo causal; 
• confronta exames; 
• explica divergências. 
Conclusão 
Resposta técnica baseada exclusivamente nas 
evidências encontradas. 
Nunca pode conter hipótese sem fundamentação. 
Parecer médico-legal 
É diferente do laudo. 
O parecer é elaborado a partir da análise de 
documentos já existentes. 
O parecerista normalmente não examina 
diretamente a pessoa. 
Auto 
Documento simplificado elaborado imediatamente 
após determinados exames. 
Posteriormente pode ser transformado em laudo. 
Corpo de delito 
É o conjunto de vestígios materiais deixados pela 
infração penal. 
Pode ser: 
Direto 
Quando o perito examina diretamente os vestígios. 
Exemplo: 
• cadáver; 
• lesão corporal; 
• arma. 
Indireto 
Quando os vestígios desapareceram. 
Utilizam-se: 
• fotografias; 
• prontuários; 
• testemunhos; 
• exames anteriores. 
Nexo causal 
Talvez seja o aspecto mais importante da perícia. 
Consiste na relação entre: 
causa → efeito 
O perito deve demonstrar que determinado evento 
foi efetivamente responsável pela lesão, 
incapacidade ou morte. 
Essa conclusão exige critérios científicos, evitando 
relações meramente temporais. 
Sigilo profissional 
Durante a perícia, parte do sigilo médico sofre 
relativização. 
O perito deve informar apenas os dados 
necessários ao esclarecimento do processo, 
preservando informações irrelevantes para a 
finalidade pericial. 
Responsabilidade do perito 
O perito responde: 
• civilmente; 
• penalmente; 
• administrativamente; 
• eticamente. 
Pode responder por falsidade ideológica, fraude 
processual ou infrações éticas caso atue com dolo, 
fraude, negligência ou omissão relevante. 
Características de um bom laudo pericial 
Segundo a doutrina clássica de Genival Veloso de 
França, um laudo deve ser: 
• objetivo; 
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• claro; 
• preciso; 
• completo; 
• fundamentado; 
• imparcial; 
• coerente; 
• científico; 
• cronológico; 
• inteligível para profissionais do Direito. 
Pontos-chave para provas 
• A perícia médica não tem finalidade 
terapêutica, mas probatória. 
• O perito é auxiliar da Justiça e deve 
atuar com imparcialidade. 
• O laudo pericial é a principal peça 
técnica produzida pelo perito. 
• Descrição e interpretação devem ser 
separadas no laudo. 
• O corpo de delito corresponde aos 
vestígios materiais da infração. 
• O nexo causal é um dos elementos 
centrais da conclusão pericial. 
• O juiz não está vinculado ao laudo, mas 
deve fundamentar eventual decisão 
divergente. 
• O perito responde por seus atos nas 
esferas civil, penal, administrativa e 
ética. 
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