Prévia do material em texto
CAPÍTULO 01 – CLIMA OBJETIVOS DO CAPÍTULO • Compreender a dinâmica dos elementos e fatores climáticos. • Entender a formação, as características e os efeitos das massas de ar que influenciam o território nacional. • Identificar e descrever os padrões climáticos presentes no Brasil. • Reconhecer os impactos dos fenômenos climáticos, como El Niño e La Niña. Estações do ano no mesmo lugar 1 O QUE É CLIMA? Para compreendermos o significado de clima, é fundamental diferenciá-lo do tempo atmosférico. O tempo atmosférico refere-se às condições atmosféricas momentâneas em um determinado lugar e tempo, incluindo elementos como temperatura, umidade, vento, precipitação e pressão atmosférica. Essas condições podem mudar rapidamente, variando de horas a dias. Imagine a situação: um dia ensolarado na praia com temperaturas em torno de 30°C, umidade de 40% e algumas nuvens esparsas. Ao longo do dia, pode ocorrer uma mudança, com a chegada de uma frente fria que traz chuvas intensas e queda da temperatura, mudando rapidamente as condições climáticas locais. Essa situação ilustra como o tempo atmosférico pode variar rapidamente em um curto espaço de tempo. Por outro lado, o clima é a média das condições atmosféricas de uma região ao longo de um período extenso, geralmente 30 anos ou mais. O clima abrange padrões de temperatura, precipitação, umidade e outros elementos que ocorrem em uma área específica, permitindo uma compreensão mais ampla das características meteorológicas daquela região. Imagine a situação: O nordestino que nasceu há 30 anos no bioma da Caatinga e nunca deixou essa região só conheceu as mesmas características de clima. Em resumo, o tempo atmosférico é a situação imediata do ambiente, enquanto o clima representa o comportamento médio das condições meteorológicas ao longo do tempo. 2 5 horas depois 30 anos depois ELEMENTOS CLIMÁTICOS X FATORES CLIMÁTICOS ELEMENTOS CLIMÁTICOS: São as características que definem o clima, como a temperatura, a umidade, a pressão atmosférica e a radiação solar. TEMPERATURA A temperatura é a intensidade de calor existente na atmosfera. Os raios solares atravessam a camada da atmosfera sem aquecê-la e atingem as terras e as águas da superfície do planeta. Só depois de aquecida, as terras e as águas irradiam o calor para a atmosfera, como no esquema abaixo: (MOREIRA, João Carlos. Geografia: volume único, São paulo, Scipione, 2005.) Esquema do funcionamento da radiação solar UMIDADE A umidade é a quantidade de vapor de água na atmosfera. Quanto maior o percentual de umidade no ar, mais chances de precipitação (chuva). Imagine a situação: a atmosfera atua como uma esponja de pia que absorve muita água, só que nesse caso em forma de vapor, mas quando chega a sua capacidade total de 100% de absorção ela começa a liberar água, assim funciona a atmosfera. 3 Tipos de precipitações Chamamos de precipitação quando qualquer líquido ou água congelada se forma na atmosfera e cai de volta na Terra. Esquema básico de precipitação Há o processo de evapotranspiração, logo, o vapor d’água (que como a maior parte dos gases, não é visível) ascende e na troposfera a lógica é quanto maior a altitude, menor a temperatura, ou seja, nessa ascensão, em um certo ponto tal vapor deixa de ser gasoso passa a ser líquido (essa porção líquida são as nuvens). As nuvens ao chocarem com os núcleos de condensação (ou seja, pequenas partículas em suspensão) fazem com que as gotas de água comecem a “juntar” (muitas vezes formando flocos), logo, aumentando o peso e precipitando. (LIMA, Priscila, 2023) Essas precipitações em forma de chuva (estado líquido) podem ser: FRONTAL, CONVECTIVA (verão) ou OROGRÁFICA (relevo). FRONTAL São formadas quando duas massas de ar com características diferentes se chocam, uma quente e úmida e outra fria e seca. O ar quente sobe, pois é menos denso, e o ar frio permanece abaixo, pois é mais pesado. O ar quente é resfriado, condensando o vapor d'água. As nuvens formadas ficam saturadas e ocorre a precipitação. 4 Ilustração: stihii / Shutterstock.com CONVECTIVA / VERÃO São um tipo de precipitação que ocorre quando o tempo fica mais quente, devido à diferença de temperatura na superfície terrestre. O aumento da temperatura provoca a evaporação da água do solo A água evapora e condensa ao atingir a atmosfera A água condensa e retorna à terra em forma de chuva. Adaptado de ALMEIDA, Lúcia M. A. de. Fronteiras da globalização. OROGRÁFICA / RELEVO São chuvas causadas por condições do relevo. Elas ocorrem quando uma massa de ar úmida, vinda do oceano, encontra uma barreira natural, como uma montanha ou serra, e é forçada a subir. Ao subir, a massa de ar resfria-se, condensa-se e precipita-se. Adaptado de MARQUES, V. Toda matéria PRESSÃO ATMOSFÉRICA É o peso da atmosfera contra determinada área do planeta. Quando o ar é aquecido, fica menos denso e sobre, o que diminui a pressão sobre a superfície e forma as áreas de baixa pressão ou ciclonal que é receptora de ventos, quando o ar é resfriado , fica menos denso e desce formando áreas de alta pressão ou anticiclonal que é emissora de ventos. (MOREIRA, João Carlos. Geografia: volume único, São paulo, Scipione, 2005.) 5 CIRCULAÇÃO GERAL DA ATMOSFERA As baixas latitudes recebem maior radiação solar durante todo o ano (média anual), logo, se constitui com a porção mais quente do planeta, por isso é nossa zona de baixa pressão. Em oposição a isso, temos os polos, onde a radiação difusa cria o ponto de menores temperaturas, logo, uma zona de alta pressão. Entretanto, os centros de alta e baixa pressão não se resume a essas duas regiões, e, podem ser formados por fatores dinâmicos, ou seja, em comparação àqueles que os cercam, se tornam ascendentes ou descendentes. Assim, quando o assunto é a circulação geral da atmosfera, temos quatro campos de pressão por hemisfério, focaremos nas duas que podem aparecer na sua prova: ● Baixa Equatorial: a elevada e constante insolação fazem com que grande quantidade de energia seja armazenada nessa porção do planeta. Tal energia torna o ar menos denso, logo, essa é uma região quente e úmida (já que a menor densidade significa baixa pressão, ou seja, uma área que atrai os ventos úmidos). É nessa região que se forma a chamada Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), cuja a localização oscila de acordo o período do ano – lembrando que essa é uma zona regida pelo “calor”, logo o verão é a estação que a detém (na prática: mais ao sul quando é verão nesse hemisfério e mais ao norte em julho, por exemplo). Vale destacar que dentro da ZCIT temos os doldrums, ou seja, ventos mais calmos, as chamadas calmarias Imagem 05: Circulação Geral da Atmosfera ● Alta subtropical: o que faz essa zona ser de alta pressão não é a temperatura, mas sim a dinâmica mecânica que acontece nela, ou seja, o ar é empurrado para baixo. Lembre-se, estamos falando de um sistema interligado. É dessa porção que partem os ventos alísios em direção à ZCIT, logo a umidade também carregada para fora dessa zona. Isso justifica a concentração dos principais desertos da Terra dentro do cinturão subtropical. (LIMA, Priscila, 2023) (MOREIRA, João Carlos. Geografia: volume único, São paulo, Scipione, 2005.) 6 FATORES CLIMÁTICOS: São os aspectos do meio ambiente e da atmosfera que influenciam os elementos climáticos, como a latitude, a altitude, a continentalidade, a maritimidade, as massas de ar, as correntes marítimas, o relevo, vegetação e outros. LATITUDE Latitude é uma coordenada geográfica que indica a distância em graus entre um ponto na Terra e a linha do equador. A latitude varia de 0º no equador até 90º nos polos, tanto no hemisfério norte quanto no hemisfério sul. Assim sendo, quanto mais nos afastamos do Equador em direção aos polos menores serão as temperaturas anuais. Desta forma, a variaçãode latitude se torna o mais importante fator de diferença de zonas climáticas, sendo elas: polar, temperada e tropical. ALTITUDE Aqui vale lembrar que ALTITUDE é diferente de ALTURA. A diferença entre altura e altitude está no referencial de medição: a altura é a distância vertical entre a base e o topo de um objeto, enquanto a altitude é a distância vertical em relação ao nível do mar. Imagine a situação: uma montanha pode ter uma altura de 1000 metros, mas uma altitude de 4000 metros, se a base da montanha estiver a 3000 metros de altitude. (CRUZ, Carla Madureira – 2021) 7 A altitude é um fator do climáticas que influência a temperatura e a pressão atmosférica. A altitude pode ser positiva ou negativa: quando o ponto está acima do nível do mar, é considerado altitude positiva, e quando está abaixo, é considerado altitude negativa (aprofeno., 2021) MASSA DE AR São porções (pedaços) da atmosfera que se estende por milhares de quilômetros, onde possuem características de pressão, umidade e temperatura do lugar de origem. Imagine a situação: Uma massa de ar sedo formada em cima dos oceanos recebendo característica de úmida, em cima dos continentes sendo assim seca; Caso seja perto dos Trópicos ou Equador ele já se torna quente, e se for nas zonas Temperadas e polares se torna fria. Assim cada área da superfície terrestre transmite suas características de temperatura e umidade para o ar que esta em cima dela. E quando essa massar de ar se desloca para outros lugares ela vai perdendo suas características iniciais. MASSA DE AR CORPO ZONA OCEANO CONTINENTE TROPICAL/ EQUADOR TEMPERADA/ POLAR ÚMIDA SECA* QUENTE FRIA 8 FIQUE LIGADO: Massa de Ar continental nem sempre é Seca, há exceções em áreas de floresta devido a elevada evapotranspiração. São os famosos rios voadores como nossa Floresta Amazônica> Rios Voadores da Floresta Amazônica. FIQUE LIGADO! Massas de Ar no Brasil O Brasil possui predominância de climas quentes e úmidos, pois 92% do seu território está localizado na zona intertropical do planeta com uma grande extensão no sentido norte-sul e um extenso litoral. Somente em 8% do território, ao sul do Trópico de Capricórnio, ocorre o clima subtropical, que apresenta maior variação térmica e uma certa definição das estações do ano. 9 Massas Equatoriais (Por ter origem próximo a Linha do Equador): • mEa: quente e úmida (sobre o oceano) – atua com maior intensidade no nordeste. • mEc: quente e úmida (sobre áreas com muitos rios) – responsável pelo calor durante o verão em grande parte do país. Massas Tropicais (Por ter origem próximo aos Trópicos): • mTa: quente e úmida (sobre o oceano) – influencia o litoral do Brasil. • mTc: quente e seca – com maior atuação no sul do país. Massa Polar (origina-se no Polo Sul, com maior intensidade, ou na Patagônia, com menor intensidade): • mPa: fria e úmida – provoca o fenômeno da “friagem” no norte do Brasil e é responsável pelas chuvas de inverno no litoral nordestino. No Brasil: • Apenas uma massa seca: mTc. • Apenas uma massa fria: mPa. Friagem A friagem é caracterizada pela chegada de ar frio, de origem polar, em áreas de baixas latitudes. Esse fenômeno ocorre anualmente no sudoeste da Amazônia, mas, em alguns anos, o ar frio pode ser tão intenso que ultrapassa a Linha do Equador, atingindo até o hemisfério norte. 10 RESUMO – MASSA DE AR NO BRASIL MASSA DE AR ORIGEM LOCAL DE ATUAÇÃO AÇÕES M.E.C AMAZÔNIA VERÃO: TODAS AS REGIÕES DO BRASIL. INVERNO: RESTRITA A AMAZÔNIA, ACRE E RORAIMA. ELEVADAS TEMPERATURAS E PRECIPITAÇÕES. “CHUVAS DE VERÃO” NO VERÃO. M.E.A OCEANO ATLÂNTICO NORTE VERÃO: LITORAL NORTE E NORDESTE DO BRASIL INVERNO: LITORAL NORTE. DAR ORIGEM AOS VENTOS ALÍSIOS DE NORDESTE. “CHUVAS DE RELEVO NA PARTE LESTE DO NORDESTE NO VERÃO. “CHUVAS FRONTAIS” DE ENCONTRO A M.P.A NO INVERNO. M.T.C PLANÍCIE DO CHACO (ARGENTINA) CENTRO-OESTE, INTERIOR DO SUL E SUDESTE. GRANDE AQUECIMENTO NO VERÃO M.T.A OCEANO ATLÂNTICO (PERTO DO TROPICO DE CAPRICÓRNIO) VERÃO: ATUA NO LITORAL SUL E SUDESTE ATÉ PARTE DA BAHIA. INVERNO: COBRE QUASE TODO LITORAL DE NORDESTE A SUL. PROVOCA CHUVAS. M.P.A ATLÂNTICO- SUL ATUA SOBRE TODAS REGIÕES NO INVERNO. PRÓXIMO AO SUL E SUDESTE FORMA GEADAS E ATÉ NEVES. PRÓXIMO AO NORTE E NORDESTE PERDE FORÇA, POREM PROVOCA QUEDAS DE TEMPERATURAS E FRIAGEM. 11 CORRENTES MARÍTIMAS São porções de água que se desloca dentro do próprio oceano, causam grande influência nos climas pois alteram as temperaturas atmosféricas, podem ser quentes ou frias dependendo do local de origem. Imagine a situação: As correntes marítimas são como grandes “rios” que fluem dentro dos oceanos, impulsionados principalmente pela rotação da Terra e pelos ventos. Um exemplo popular disso é mostrado no filme Procurando Nemo, quando os personagens entram em uma corrente oceânica que os carrega muito mais rápido do que se estivessem nadando por conta própria. Essas correntes podem ser quentes ou frias, e influenciam diretamente o clima e os ecossistemas por onde passam. 12 As correntes marítimas podem ser identificadas pelas variações de temperatura que apresentam. Com base em suas temperaturas e nas regiões de onde se originam, elas podem ser classificadas da seguinte forma: • Correntes quentes: originadas em zonas equatoriais, como as correntes das Guianas, do Golfo do México (Gulf Stream), do Brasil e a Sul Equatorial; • Correntes frias: vindas de regiões polares ou de áreas mais frias, como as correntes do Labrador, de Humboldt, das Malvinas, de Benguela e a Circumpolar Antártica. FIQUE LIGADO! No Oceano Atlântico, a Corrente Sul Equatorial, que flui de leste para oeste, ao atingir a costa nordeste do Brasil, se divide em duas ramificações: a Corrente do Brasil, que segue em direção ao sul, e a Corrente das Guianas, que se dirige para o noroeste, em direção ao Caribe. Ambas são correntes superficiais e quentes, movendo-se próximas à costa. 13 CLIMOGRAMAS DO BRASIL O climograma é uma representação gráfica dos padrões climáticos, que permite visualizar as principais características de um clima específico. Através dele, é possível analisar a periodicidade e as variações climáticas de uma determinada região. Esse gráfico exibe as variações de temperatura e pluviosidade ao longo de 12 meses, facilitando a identificação e classificação dos tipos de clima. Exemplo: Eixo Vertical: • Barra: representa a precipitação, medida em milímetros. • Linha: indica a temperatura média, expressa em graus Celsius. Eixo Horizontal: • Exibe a distribuição da precipitação e da temperatura ao longo dos meses do ano. CLIMA EQUATORIAL ÚMIDO O clima equatorial é predominante na região Norte do Brasil, cobrindo grande parte da Floresta Amazônica. Vou explicar suas principais características e as áreas onde ele é encontrado. Tendo como característica: 14 1. Temperaturas Altas e Constantes: As temperaturas são elevadas o ano todo, com médias que variam entre 24°C e 27°C. Não há uma grande variação de temperatura entre as estações. 2. Altos Índices de Chuva: Chove bastante durante o ano todo, com precipitações superiores a 2.000 mm anuais, podendo chegar a 3.000 mm em algumas regiões. 3. Pequena Amplitude Térmica: As diferenças de temperatura entre o dia e a noite, e entre as estações do ano, são pequenas. Ou seja, o clima é quente e úmido de forma constante. 4. Alta Umidade: A umidade relativa do ar é muito alta, geralmente acima de 80%, criando um ambiente constantemente abafado. 5. Floresta Tropical Úmida: A vegetação predominante nesse clima é a Floresta Amazônica, que se desenvolve por causa do calor e das umidades abundantes. Presidente Figueiredo – AM CLIMA TROPICALO clima tropical é um dos mais predominantes no Brasil, cobrindo grande parte do território. Vou te explicar as características principais e as variações regionais desse clima no país. Tendo como características: 1. Temperaturas Elevadas: As médias anuais de temperatura costumam ficar acima de 18°C, sendo comuns temperaturas elevadas durante o ano todo. 2. Duas Estações Bem Definidas: • Estação Chuvosa: Geralmente ocorre no verão, com chuvas intensas e concentradas. • Estação Seca: No inverno, há uma redução significativa das chuvas, com algumas áreas experimentando seca severa. 15 3. Alta Umidade: Nas regiões mais próximas à costa e florestas tropicais, como na Amazônia e parte do litoral nordestino, a umidade é muito alta. Tipos de Clima Tropical no Brasil: 1. Clima Tropical Úmido (Litorâneo): • Localizado nas áreas próximas ao litoral do Brasil, principalmente no Sudeste e parte do Nordeste. • Tem chuvas mais regulares e distribuídas ao longo do ano. • Exemplos: Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Santos. Santos-SP 2. Clima Tropical de Altitude: • Comum em regiões de serras e planaltos, como no interior de São Paulo e em Minas Gerais. • Tem temperaturas mais amenas devido à altitude, com verões quentes e úmidos e invernos secos e mais frescos. • Exemplos: Belo Horizonte, São Paulo. Belo Horizonte – MG 16 3. Clima Tropical Semiárido: • Ocorre no Sertão Nordestino (interior do Nordeste) e é marcado por uma longa estação seca, com baixa precipitação, sendo as chuvas escassas e irregulares, com a média anual variando entre 300 mm e 800 mm. As chuvas ocorrem geralmente entre dezembro e março, durante o verão. • As temperaturas são elevadas o ano todo, e a vegetação predominante é a caatinga. • Exemplos: Petrolina, Juazeiro. São Raimundo Nonato – PI 4. Clima Tropical Tipico: • também chamado de clima tropical continental é uma das principais variações do clima tropical no Brasil. Ele é caracterizado por duas estações bem definidas — uma estação chuvosa no verão e uma estação seca no inverno — e predomina em regiões do interior do país. • É encontrado principalmente em regiões de: Centro-Oeste: Estados como Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul têm esse tipo de clima predominante, especialmente nas áreas de Cerrado. Interior do Sudeste: Em áreas de Minas Gerais e São Paulo, longe do litoral, o clima tropical típico é dominante. Parte do Norte: Algumas áreas de transição entre o clima equatorial da Amazônia e o tropical do Cerrado têm características de clima tropical típico. • Exemplo de Cidades com Clima Tropical Típico: Brasília (DF); Cuiabá (MT): Goiânia (GO). 17 Goiânia – GO CLIMA SUBTROPICAL O clima subtropical no Brasil é uma das variações climáticas que ocorrem no país, principalmente nas regiões mais ao sul. É caracterizado por temperaturas amenas, umidade e estações bem definidas, com verões quentes e invernos frios. O clima subtropical no Brasil é típico das áreas onde a influência de massas de ar polar e tropical se faz sentir. Características do Clima Subtropical: 1. Temperaturas Variadas: As temperaturas médias anuais geralmente variam entre 16°C e 22°C, com invernos mais frios e verões quentes. As temperaturas mínimas podem cair abaixo de 0°C durante o inverno em algumas áreas. 2. Estações Bem Definidas: O clima subtropical apresenta quatro estações bem marcadas: • Verão: Quente, com chuvas frequentes e temperaturas que podem ultrapassar os 30°C. • Outono: Temperaturas amenas e diminuição das chuvas. • Inverno: Frio, com possibilidade de geadas, especialmente nas áreas mais altas. Em algumas regiões, como o Sul do Brasil, as temperaturas podem cair bastante. • Primavera: Transição entre o frio do inverno e o calor do verão, com aumento das chuvas. 3. Precipitação: As chuvas são bem distribuídas ao longo do ano, mas geralmente há uma concentração maior no verão. A média anual de precipitação varia entre 1.000 mm e 2.000 mm. 4. Umidade Relativa: A umidade é geralmente moderada a alta, com a presença de massas de ar úmido que contribuem para a formação de chuvas. 18 Distribuição no Brasil: O clima subtropical está presente principalmente na região Sul do Brasil, abrangendo os estados de: • Paraná • Santa Catarina • Rio Grande do Sul Chapecó – SC FENÔMENOS CLIMÁTICOS E SEUS IMPACTOS EL NIÑO O fenômeno El Niño é um dos eventos climáticos mais significativos do mundo, afetando o clima global e as condições atmosféricas em várias regiões. Ele ocorre quando as águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial se aquecem anormalmente, resultando em alterações nas correntes oceânicas e nos padrões de vento. É como se o oceano tivesse um “humor” que muda, trazendo calor e umidade em algumas regiões e secas em outras. Como Funciona? Aquecimento das Águas: Normalmente, as águas do Pacífico Equatorial são mais frias, mas durante o El Niño, essas águas se aquecem muito. Isso acontece porque os ventos que normalmente empurram as águas quentes para o oeste (em direção à Austrália) ficam mais fracos 19 Esquema pratico do El Niño Impactos do El Niño no Brasil Norte: Redução das chuvas Nordeste: Aumento e prolongamento da seca Sul/porção do Sudeste e do Centro-Oeste: Aumento da temperatura e das chuvas. 20 LA NIÑA La Niña é um fenômeno climático oposto ao El Niño, que ocorre no Oceano Pacífico equatorial. Enquanto o El Niño se caracteriza pelo aquecimento das águas superficiais do Pacífico, a La Niña é marcada pelo resfriamento dessas águas. Como Funciona? 1. Resfriamento das Águas: Durante a La Niña, os ventos alísios (ventos que sopram de leste para oeste) se intensificam, empurrando as águas quentes para longe da costa da América do Sul. Isso permite que águas mais frias do fundo do oceano subam à superfície. 2. Mudanças nos Padrões Climáticos: Esse resfriamento altera os padrões climáticos em várias partes do mundo: • América do Sul: Regiões como o Peru e o Equador podem experimentar menos chuvas e secas, enquanto o Sul do Brasil pode ter um aumento nas precipitações. Esquema pratico da La Niña 21 Impactos da La Niña no Brasil Norte: Aumento das chuvas Nordeste: Diminuição da seca Sul/porção do Sudeste e do Centro-Oeste: Redução da temperatura e das chuvas Vamos resumir….. INVERSÃO TÉRMICA A inversão térmica é um fenômeno atmosférico que ocorre quando a temperatura do ar aumenta com a altitude, em vez de diminuir, como é normalmente esperado. Esse fenômeno pode ter impactos significativos no clima local e na qualidade do ar. 22 Como Ocorre? 1. Camadas de Ar: Normalmente, o ar próximo à superfície da Terra é mais quente do que o ar em altitudes mais elevadas. No entanto, em uma inversão térmica, uma camada de ar mais quente se forma acima de uma camada de ar mais fria que está mais próxima do solo. 2. Condições Favoráveis: A inversão térmica geralmente ocorre em condições de céu limpo e calmaria, frequentemente durante a noite ou em áreas com relevo montanhoso. À noite, o solo resfria rapidamente, fazendo com que o ar próximo a ele também esfrie. Se houver uma camada de ar mais quente em altitudes superiores, essa camada age como uma “tampa”, impedindo que o ar mais frio suba. Esquema pratico de Inversão Térmica Efeitos da Inversão Térmica 1. Poluição do Ar: A inversão térmica pode causar a concentração de poluentes e particulados em áreas próximas ao solo, uma vez que o ar frio não consegue se dissipar para as camadas superiores da atmosfera. Isso resulta em piora da qualidade do ar e pode levar a problemas de saúde, como doenças respiratórias. 2. Névoa e Neblina: A formação de nevoeiro é comum durante a inversão térmica, pois o ar frio próximo ao solo pode conter umidade, que se condensa e forma gotículas de água. 3. Alteração Climática Local: Em algumas regiões, a inversão térmica pode levar a um resfriamento do solo, o que pode afetar a vegetação e as atividades agrícolas. 4. Precipitação:Em certas situações, a inversão térmica pode inibir a formação de nuvens e a precipitação, contribuindo para condições de seca em algumas áreas. 23 Exemplos de Inversão Térmica • Regiões Urbanas: Em cidades grandes, como São Paulo e Los Angeles, a inversão térmica é comum e pode resultar em smog (neblina poluente) nos meses de inverno, quando o ar frio fica preso sob a camada de ar quente. • Vales Montanhosos: Em áreas montanhosas, como os vales de alguns parques nacionais, a inversão térmica pode ocorrer frequentemente, especialmente durante as noites. ILHAS DE CALOR As ilhas de calor são áreas urbanas que apresentam temperaturas significativamente mais altas do que as áreas rurais circundantes. Esse fenômeno ocorre devido à combinação de fatores relacionados ao urbanismo, como a densidade populacional, a impermeabilização do solo e a presença de materiais que retêm calor, como concreto e asfalto. Esquema pratico – Ilha de calor Como Ocorrem? 1. Superfícies Impermeáveis: As cidades são compostas por superfícies impermeáveis (asfalto, concreto), que absorvem e retêm calor durante o dia e liberam lentamente à noite, resultando em temperaturas mais altas. 2. Densidade de Construções: A concentração de edifícios e estruturas reduz a circulação do ar, dificultando o resfriamento natural da área. 24 3. Veículos e Indústrias: O aumento da atividade humana, como o tráfego de veículos e a operação de indústrias, também contribui para o aumento das temperaturas devido à emissão de calor e poluentes. 4. Vegetação Reduzida: A diminuição de áreas verdes e vegetação urbana impede a evapotranspiração, um processo natural que ajuda a resfriar o ar. As plantas liberam umidade que, ao evaporar, absorve calor do ambiente. Efeitos das Ilhas de Calor 1. Aumento da Temperatura: As ilhas de calor podem ser até 5°C a 10°C mais quentes do que as áreas rurais adjacentes, especialmente durante a noite. 2. Impacto na Saúde: As altas temperaturas podem agravar problemas de saúde, como doenças respiratórias e cardiovasculares, e aumentar o risco de doenças relacionadas ao calor, como insolação e exaustão térmica. 3. Aumento do Consumo de Energia: O aumento das temperaturas leva a uma maior demanda por ar-condicionado e refrigeração, resultando em picos de consumo de energia e sobrecarga nas redes elétricas. 4. Alteração nos Padrões de Precipitação: As ilhas de calor podem influenciar os padrões de vento e precipitação, potencialmente afetando o clima local e regional. 5. Aumento da Poluição: O calor excessivo pode aumentar a formação de poluentes atmosféricos, como ozônio, o que pode afetar a qualidade do ar. Exemplos de Ilhas de Calor • Cidades Grandes: Cidades como São Paulo, Nova Iorque e Tóquio são exemplos clássicos de ilhas de calor, onde as temperaturas urbanas são significativamente mais altas do que nas áreas rurais circundantes. • Áreas Industriais: Regiões com alta concentração de indústrias e tráfego intenso também tendem a ser áreas de ilhas de calor. 25 Mitigação das Ilhas de Calor 1. Aumento de Áreas Verdes: Criar parques, jardins e telhados verdes para aumentar a vegetação urbana, promovendo a evapotranspiração e o resfriamento do ambiente. 2. Uso de Materiais Refletivos: Implementar técnicas de construção que utilizem materiais que reflitam a luz solar e reduzam a absorção de calor, como telhados e pavimentos reflexivos. 3. Planejamento Urbano Sustentável: Promover o planejamento urbano que inclua áreas verdes, ventilação natural e menor densidade de construções. 4. Transporte Sustentável: Incentivar o uso de transporte público, ciclovias e áreas para pedestres para reduzir a poluição e a emissão de calor proveniente dos veículos. CHUVA ÁCIDA A chuva ácida é um fenômeno causado pela poluição atmosférica, no qual a precipitação (chuva, neve ou neblina) contém níveis elevados de ácidos, como o ácido sulfúrico e o ácido nítrico. Essa acidez anormal é resultado da reação entre gases poluentes liberados principalmente por atividades humanas, como a queima de combustíveis fósseis, e a água presente na atmosfera. Monumento corroído por chuva ácida 26 Como Ocorre? 1. Emissão de Poluentes: A principal causa da chuva ácida é a emissão de dióxido de enxofre (SO₂) e óxidos de nitrogênio (NOx) na atmosfera. Esses poluentes são liberados principalmente pela queima de carvão, petróleo e gás em indústrias, veículos e usinas de energia. 2. Reações Químicas: Quando esses gases poluentes entram em contato com a água presente na atmosfera (em forma de vapor d'água), eles sofrem reações químicas e se transformam em ácidos: • O dióxido de enxofre se transforma em ácido sulfúrico. • Os óxidos de nitrogênio se transformam em ácido nítrico. 3. Precipitação Ácida: Esses ácidos se misturam com as gotículas de chuva e caem na superfície terrestre na forma de chuva ácida. Esquema pratico – Chuva Ácida Impactos da Chuva Ácida 1. Solo e Vegetação: • A chuva ácida altera o pH do solo, tornando-o mais ácido, o que pode prejudicar as plantas e culturas agrícolas. Isso afeta a capacidade das plantas de absorver nutrientes essenciais. • Em florestas, a acidez pode danificar as folhas das árvores e enfraquecer suas raízes, tornando-as mais suscetíveis a doenças e pragas. 2. Água e Vida Aquática: • Lagos, rios e riachos podem se tornar ácidos, afetando a vida aquática. A queda no pH das águas pode matar peixes, anfíbios e outros organismos que dependem de um ambiente aquático equilibrado. 27 • A acidez excessiva pode dissolver minerais tóxicos, como o alumínio, que se acumulam na água e prejudicam ainda mais a fauna aquática. 3. Edifícios e Monumentos: • A chuva ácida também pode corroer construções e monumentos, especialmente aqueles feitos de materiais como mármore e calcário, que são vulneráveis à acidez. Isso é um problema em áreas com prédios históricos e monumentos de valor cultural. • 4. Saúde Humana: • Embora a chuva ácida em si não cause danos diretos à saúde humana, os gases que a provocam, como o dióxido de enxofre e os óxidos de nitrogênio, são prejudiciais. Eles podem agravar problemas respiratórios, como asma e bronquite, especialmente em áreas urbanas poluídas. Exemplos de Chuva Ácida • Grandes Cidades e Regiões Industriais: Em áreas altamente industrializadas, como a região dos Grandes Lagos nos Estados Unidos e o Sudeste da China, a chuva ácida é mais comum devido à alta emissão de poluentes industriais. • Áreas Urbanas: Cidades grandes com tráfego intenso, como São Paulo e Nova Iorque, podem ter maiores chances de formação de chuva ácida devido à poluição proveniente dos veículos. 28 Tipos de Clima Tropical no Brasil: Características do Clima Subtropical: Distribuição no Brasil: Como Funciona? Aquecimento das Águas: Normalmente, as águas do Pacífico Equatorial são mais frias, mas durante o El Niño, essas águas se aquecem muito. Isso acontece porque os ventos que normalmente empurram as águas quentes para o oeste (em direção à Austrália) ficam mais fracos Como Funciona? Impactos da La Niña no Brasil Norte: Aumento das chuvas Nordeste: Diminuição da seca Sul/porção do Sudeste e do Centro-Oeste: Redução da temperatura e das chuvas Efeitos da Inversão Térmica Exemplos de Inversão Térmica Esquema pratico – Ilha de calor Como Ocorrem? Efeitos das Ilhas de Calor Exemplos de Ilhas de Calor Mitigação das Ilhas de Calor Monumento corroído por chuva ácida Como Ocorre? Esquema pratico – Chuva Ácida Impactos da Chuva Ácida Exemplos de Chuva Ácida