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CONCEITO e PARTIDO ARQUITETÔNICO

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Disciplina : Projeto Arquitetônico I I 
Período: 3º arquitetura e urbanismo 
Pesquisa: Prof. Ricardo Albuquerque de Oliveira e Prof. Ruisdael de Freitas Lima Neto 
 
Partido e Conceito Arquitetônico 
 
O conceito é algo abstrato que vai permear toda decisão de projeto, é uma espécie de pauta para dar coerência ao conjunto sem 
achismo. Partido é a informação mais pura de como esta arquitetura vai acontecer. 
 
Um exemplo com uma obra bem conhecida é a catedral de Nossa Senhora em Brasília. Conceitualmente ela procura (a) uma 
relação claro-escuro igual à das igrejas paleocristãs, procura (b) uma expressão síntese do cristianismo que, não por acaso, 
exprime também o espírito de partilha e igualdade comunista do autor. [processo:] Niemeyer, do gesto de partir a hóstia, 
depreende o ato do partir o pão. Do movimento de quebrar a hóstia sai o desenho das 12 colunas repetidas e uma peça circular 
(hóstia)estrutura as 12 peças em cima. 
 
O partido do projeto pode ser sintetizado como: [uma mesma peça estrutural, curva, repetida 12 vezes] + [acesso enterrado para 
conseguir a zona escura e o efeito]. Tudo isso expresso num desenho que tem mais informações. 
 
O partido pode até ser escrito, mas em geral é um desenho ou maquete que expressa esta síntese. Depois, elaborando melhor o 
projeto, o arquiteto vê como os vidros vão fechar a lateral, define como a estrutura é possível ajustando as curvas, vê o quanto 
enterra pra conseguir o efeito, etc. Mas o que sustenta a busca do projeto é 1º o conceito, que em caso de alteração no partido, é 
o primeiro parâmetro e em 2º lugar o partido, que norteia a elaboração do projeto com clareza do que define sua expressão 
 
O Conceito X O Partido 
Aqui vai um pequeno apanhado geral para tirar as dúvidas entra as definições de conceito e partido na arquitetura. 
 
O CONCEITO 
No processo de projeto, o arquiteto define um conceito. O conceito expressa a ideia subjacente no desenho e orienta 
as decisões de projeto em uma determinada direção, organizando e excluindo as variantes (LEUPEN, 2004). 
 
 
Milwaukee Art Museum – Santiago Calatrava 
Conceito situa-se num plano abstrato, pode-se admitir várias soluções espaciais e formais viáveis, que devem ser 
testadas quanto às suas qualidades formais, construtivas ou funcionais para a definição do melhor partido. No dicio-
nário Conceito é definido como: 
 
1. Representação de um objeto pelo pensamento, por meio de suas características gerais; 
2. Ação de formular uma ideia por meio de palavras, definição, caracterização; 
3. Pensamento, ideia, opinião. 
 
O PARTIDO 
O partido arquitetônico define as características gerais do projeto, como uma “consequência formal derivada de uma 
série de condicionantes ou determinantes, como um resultado físico da intervenção sugerida” (RABELLO, 2007). 
Entre as condicionantes ou determinantes que norteiam o partido arquitetônico estão o clima, condições físicas e 
topográficas do local escolhido, assim como seu entorno legislação pertinente, as técnicas construtivas disponíveis e 
o orçamento pré-definido. (SILVA, 1983). 
O partido arquitetônico só pode ser imaginado após ter-se clareza plena dos aspectos conceituais do tema, do 
programa arquitetônico, das articulações de suas partes, de seu pré-dimensionamento e dos aspectos físicos do 
terreno, de sua forma, de seu relevo, da sua orientação solar e de ventos, de sua posição na malha urbanística, de 
seus acessos e das exigências da legislação. 
 
 
 Determinantes do projeto 
 
O Partido arquitetônico pode surgir: 
1- Da análise do terreno- Localização / Fotos do local / Entorno / Visitas / Ligações / Acessos. 
 
2- Do programa de necessidades – Setorizarização/ Arranjo vertical / horizontal 
 
3- Dos Aspectos da implantação-Orientação / Insolação / Luz natural / Privilegiar o meio ambiente existente. 
 
4- Dos Aspectos Construtivos - Materiais / Partido estrutural 
 
5- Do Volume pretendido - Forma / Fachadas / Movimento / Transparência / Cor / Linhas curvas ou retas 
 
6- Dos Fluxos - Distribuição espacial das funções / Circulação principal / Integração espacial / Eixo norteador. 
 
7- Da Identidade - Imagem do lugar 
 
8- Dos Aspectos conceituais - Tema / História... 
 
9- Dos Critérios de viabilidade do Projeto - Econômica / Tecnico-construtiva / Respeito ao Meio Ambiente 
 
10- Da Posição Arquitetônica - determinado Arquiteto e/ou Tendência Contemporânea 
 
11- De Teorias / Idéias (Fruto de leituras, análises de projeto e reflexão sobre o tema). 
 
12- Da necessidade de Flexibilidade do projeto ( para crescimento futuro e/ou adaptações possíveis) 
 
13- Da legislação regulamentadora ( Código de obras, Leis de uso do solo, Ambiental,etc..) 
 
 
 
 
 
 
Partido Arquitetônico - Professor Alfredo Coelho 
Entre todos os aspectos componentes de um projeto de Arquitetura, o conforto térmico e acústico bem como a 
funcionalidade são itens de extrema importância. O conforto térmico leva em conta aspectos naturais como 
ventilação e iluminação, aspectos estes que são obtidos tirando-se proveito da situação e condições topográficas do 
terreno. Já a funcionalidade depende muito da articulação das peças (salas, quartos, cozinha etc. e ou outros 
elementos, quando é o caso) os quais devem estar racionalmente distribuídas atendendo a um fluxograma que 
contemple os três setores (social, íntimo e serviço) sem atropelos e misturas; tudo isso de modo a atender às 
necessidades do cliente. 
O Arquiteto ao conceber um projeto, este deverá ser capaz de traduzir as expectativas do cliente em relação a 
diversos atributos, muitas vezes subjetivos como, por exemplo, conforto, requinte e beleza, que são atributos únicos 
inerentes a cada pessoa. Cada um apresenta conceitos diferentes para entender e aceitar os conceitos de conforto, 
requinte e beleza. Um adulto e uma criança têm interesses bem diferentes e veem as coisas mais diferentes ainda, 
assim como acontece com o homem e uma mulher, os quais ainda sofrem influências pela classe social, níveis 
culturais, formação, assim como outros condicionantes que advém das necessidades de cada um. O gosto é uma 
questão de várias sugestões, tudo influencia e, cabe ao arquiteto está comprometido com o interesse do cliente; e 
esse é o desafio: conseguir compreender os seus desejos e atender as suas necessidades e expectativas de morar 
ou mesmo de empreender, se for o caso. 
O arquiteto deve agregar valor ao seu projeto, isto é, deve atender a todos os atenuantes visando sempre um menor 
custo, mas sem agredir o acabamento e bom gosto. O arquiteto ao atender aos “horripilantes” Códigos de Obras não 
deve sacrificar as suas ideias e a funcionalidade do projeto, não deve por em cheque o bom funcionamento entre as 
peças, e dispor de artifícios que venham, num futuro próximo, prejudicar e macular o seu trabalho. O arquiteto entes 
de tudo deve ser um “sertanejo”, segundo Euclides da Cunha: “um forte”. Um arquiteto comprometido com o seu 
cliente; comprometido com os códigos reguladores e a ética, jamais se dá por vencido e entregue a interesses vil. Ele 
segue em frente à procura de melhores soluções. 
A maior arma do arquiteto chama-se: PARTIDO ARQUITETÔNICO. É com essa arma que o arquiteto consegue êxito 
em seu labor, segundo Lucio Costa. 
... “enquanto satisfaz apenas às exigências técnicas e funcionais - não é ainda arquitetura; mas quando - popular ou 
erudita - aquele que a ideou para e hesita ante a simples escolha de um espaçamento de pilar ou de relação entre 
altura e largura de um vão e se detém na procura obstinada da justa medida entre cheios e vazios, na fixação dos 
volumes e

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