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ATENDIMENTO À PESSOA COM DEFICIÊNCIA Presidência dos Correios Diretoria de Gestão de Pessoas Superintendência Executiva de Gestão de Pessoas Departamento de Relacionamento Organizacional Superintendência Executiva de Educação Universidade Corporativa dos Correios Superintendência Estadual de Goiás Elaboração: Coordenação educacional Bárbara Cintra Athanazio Vieira Conteúdo Carla Rodrigues Silva de Jesus Marcos Antônio da Silva Marcos Roberto Matos Ribeiro Emerson Fernandes Gomes Desenho instrucional Rita Torrecilia Netzel Projeto gráfico Alexsandro de Brito Almeida Paula Andréia dos Santos Ronaldo Baía da Silva Brasília-DF Maio/2020 Atualização: Coordenação educacional Fernanda Cavalini Martins Conteúdo Thiago Perné Santos Desenho instrucional Lidiane Marques Barbosa Projeto gráfico Alexsandro de Brito Almeida Paula Andréia dos Santos Ronaldo Baía da Silva Coordenação do Núcleo de Revisão de Textos Paula Andréia dos Santos Revisão de texto Alcione Caetano Rodrigues Abade Brasília-DF Dezembro/2024 É proibida a reprodução deste material fora do âmbito dos Correios. Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos Edifício-sede dos Correios SBN Quadra 1 Bloco A, Asa Norte 70002-900 Brasília/DF Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. EAD Atendimento à pessoa com deficiência / Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. - Brasília: Correios, 2024. 45p. : il. Inclui bibliografia 1.Deficiência. 2. Tipos de deficiência. 3. Atendimento. 4. Comunidade Surdo Cega SUMÁRIO Introdução ....................................................................................................... 9 Lição I – O que é deficiência .......................................................................... 9 Lição II - Tipos de deficiência.........................................................................13 Lição III - Conhecendo a comunidade Surda, Cega e Surda-Cega................................24 Anexos...........................................................................................................39 Resumo do módulo ........................................................................................... 42 Referências .................................................................................................... 43 Objetivo geral Capacitar os empregados que atuam no atendimento ao público para atender as pessoas com deficiência, com respeito e dignidade. Objetivo de aprendizagem Ao final do estudo do Curso: Atendimento à pessoa com deficiência, esperamos que você possa alcançar os seguintes objetivos: Definir corretamente o que é deficiência e pessoa com deficiência. Registrar uma ordem de serviço no Help Desk de acordo com o manual de serviços. Identificar os diferentes tipos de deficiência física e intelectual. Descrever a melhor forma de atender pessoas com deficiência. Aprender a atender cada uma delas com empatia e acolhimento. Utilizar os termos corretos ao referir-se a pessoas com deficiência. Conteúdo Lição I: O que é deficiência Lição II: Tipos de Deficiência Lição III: Conhecendo a Comunidade Surda, Cega e Surda-Cega “A inclusão acontece quando se aprende com as diferenças e não com as igualdades.” Paulo Freire Introdução Olá! Seja bem-vindo(a) ao curso Atendimento à pessoa com deficiência! Neste curso, você vai conhecer a definição de deficiência, os tipos de deficiência e receber dicas de como atender, de maneira específica, cada um deles. Ou seja, você vai estudar um assunto importantíssimo para os Correios e para a sociedade: o atendimento às pessoas com deficiência. 9 Ótimo estudo para você! O que é deficiência? Segundo o Ministério da Saúde, pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimento de médio ou longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o que, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas. Por que esse assunto é importante? É assegurado na Constituição Federal de 1988, como um dos princípios básicos a “dignidade humana”. E os Correios têm buscado estar em sintonia com a modernidade e um novo olhar social, de modo que incluiu na sua Identidade Corporativa, dentre os seus valores: a “Diversidade”. Sendo então necessário “Assegurar a Diversidade e a Equidade”, que também fazem parte dos Objetivos Estratégicos da empresa. Assim, devemos garantir a pluralidade EAD ATENDIMENTO À PESSOA COM DEFICIÊNCIA - LIÇÃO I Lição I – O que é deficiência 10 na Empresa, com a diversidade como começo e a equidade como caminho. Ao abordar os diversos elementos que geram distinções individuais e servem como guia para a busca por maneiras de atuar como organização que promove a edificação de uma sociedade equitativa, igualitária e inclusiva, destaca-se a importância de oferecer apoio e acessibilidade a todas as pessoas, levando em consideração suas particularidades de ordem física, mental, intelectual e sensorial. Mas como podemos começar a contribuir efetivamente para a inclusão das pessoas com deficiência na nossa unidade? Os Correios, em suas agências já prestam o atendimento prioritário às pessoas com deficiência, os idosos com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos, as gestantes, as lactantes, as pessoas com crianças de colo e os obesos, em atenção à Lei Federal 1.048/2000. Mas prestar atendimento prioritário é o suficiente para agir de forma inclusiva? A resposta é não, pois a Lei 13.146/2015, conhecida como Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência - LBI, tem como objetivo garantir e promover de forma igualitária a prática dos direitos e liberdades fundamentais das pessoas com 11 deficiência, com vista à sua integração social e cidadania. Ou seja, um bom atendimento à pessoa com deficiência vai além de oferecer atendimento prioritário nas agências, é necessário garantir acolhimento e acessibilidade em todas ás áreas da empresa, levando também em consideração suas necessidades individuais. Hoje vamos aprender alguns tipos de deficiência, de forma a identificarmos as suas múltiplas manifestações e intensidades. Além disso, abordaremos as melhores práticas para interagir com as pessoas que enfrentam tais desafios bem como as nomenclaturas aceitas e politicamente corretas. Assim estaremos prontos para valorizarmos um convívio com respeito, cortesia e solidariedade, contribuindo ainda para uma comunidade ecetista mais inclusiva, segura e acessível para todos. Como se define a pessoa com deficiência? O artigo 2º da LBI, traz a seguinte definição: 12 “Considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, a qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.” Citação Demonstrar respeito à pessoa com deficiência visa impedir a existência de obstáculos e discriminação que possam dificultar o acesso e/ou presença das pessoas com deficiências nos Correios, podendo eles serem tanto clientes internos como externos. Reflexão 13 Sabendo que as deficiências podem ser de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, vamos listar algumas delas e como podemos contribuir para que as pessoas que as têm, sintam-se parte da nossa organização. EAD ATENDIMENTO À PESSOA COM DEFICIÊNCIA- LIÇÃO II Lição II – Tipos de deficiência Deficiência não é doença! Uma pessoa em uma cadeira de rodas está privada de andar, mas sua saúde pode estar tão boa ou melhor que a sua que não precisa da cadeira de rodas para se locomover. Assim, devemos tratá-la normalmente como tratamos todas as demais pessoas: com respeito, educação e empatia. Atenção 14 Quando encontramos uma pessoa com deficiência, independente de qual seja, é importante se dirigir diretamente a ela. Muitas vezes, a companhia de uma outra pessoa se deve às suas necessidades específicas, como por exemplo de deslocamento, no caso de uma pessoa com deficiência física, mas isso não indica que ela seja incapaz de se comunicar ou ouvir. Pessoas com deficiências físicas O “Manual de Convivência – Pessoas com Deficiência e Mobilidade Reduzida”, de Mara Gabrili nos fornece dicas de como nos relacionarmos com as pessoas com deficiência, e nos ajuda a despirmos de ideias retrogradas e capacitistas. Dica 15 Quem é a pessoa com deficiência física? Paraplegia: refere-se a paralisia total ou parcial dos membros inferiores que afeta os movimento das pernas, tronco e/ou outras funções do corpo. Tetraplegia: é a incapacidade total ou parcial de movimentar os membros superiores e inferiores, resultante de danos no sistema nervoso. Hemiplegia: paralisia total ou parcial de movimentar um lado do corpo devido a danos no cérebro, como acontece em casos de AVC Paralisia cerebral: uma condição que se refere a diversas limitações psicomotoras causadas por danos no sistema nervoso central. Em geral, indivíduos com paralisia cerebral apresentam movimentos involuntários e espasmos musculares repentinos que também podem ser observados em outras deficiências, porém com menor frequência. Amputação: perda total ou parcial de um ou mais membros do corpo. 16 Como demonstrar apoio e empatia às pessoas com deficiência física? O relacionamento com uma pessoa com deficiência física deve ser o mesmo que com uma pessoa sem deficiência. Porém é importante tomar cuidados para evitar constrangimentos à pessoa. Os tetraplégicos, paraplégicos e algumas outras pessoas com deficiência física necessitam de cadeiras de rodas para se locomover. De modo que é importante que você se posicione de forma que a linha da altura de seu olhar esteja alinhada com a da pessoa, essa é uma forma respeitosa e empática de demonstrar que você está atento às suas necessidades, e evita desconfortos físicos a essas pessoas. Ao conversar com um cadeirante, procure sempre estar na mesma altura que ele. Se estiver de pé, puxe uma cadeira. Exemplo 17 Se em alguma ocasião você entender que pode ajudar uma pessoa com deficiência física, utilize o bom senso e sempre pergunte de forma respeitosa se pode ajudá-lo, e como você deve proceder. Jamais se apoie ou manipule a cadeira de rodas, bengala ou a muleta de outra pessoa sem a devida permissão, esses objetos são considerados parte integrante de seus corpos por aqueles que dependem deles. Caso identifique que uma pessoa com alguma limitação física necessita de auxílio para acessar algum lugar (como escada, elevador ou rampa), ofereça sua ajuda de forma cordial e respeitosa. Se a oferta for aceita, pergunte como pode ajudar de maneira mais adequada, levando em consideração que cada pessoa possui sua própria forma de lidar com as situações. Não se ofenda caso a ajuda seja recusada. 18 Nos casos em que for aceito sua ajuda, é importante os seguintes cuidados: Ao auxiliar alguém em uma cadeira de rodas a vencer um desnível, certifique-se de utilizar a manopla da cadeira para dar apoio e levante as rodas dianteiras para superar o obstáculo. Uma vez que as primeiras rodas tenham transposto o desnível, as rodas traseiras tendem a passar com mais facilidade. No entanto, é importante ter força e segurança ao realizar essa manobra. Quando for auxiliar alguém com tetraplegia a descer um degrau ou inclinação, faça-o sempre de marcha ré para que a pessoa esteja apoiada na cadeira e mais segura com seu próprio corpo. No caso de pessoas com paraplegia, elas geralmente preferem enfrentar os degraus de frente. Nesse caso, apenas ofereça ajuda se for solicitado. Dicas 19 Sim, parece pejorativo, mas é assim mesmo que se chama a pessoa que necessita usar muletas para se locomover. Mais à frente falaremos sobre outros termos que devem, ou não, ser usados para se referir às pessoas com deficiência (Anexo l). Os muletantes, que é o caso de amputados dos membros inferiores, por exemplo, têm um pouco mais de autonomia que os cadeirantes, mas, ainda assim, podem precisar de ajuda em algumas situações. Para ajudar um muletante, a receita é a mesma: sempre se informe e pergunte se pode ajudar e como deve proceder. Ofereça sua ajuda, mas dê preferência para que a pessoa peça. E no caso de pessoas com paralisia cerebral, como proceder? Importante registrar que as pessoas com paralisia cerebral, enfrentam desafios significativos de coordenação motora, como locomoção e fala, devido à dificuldade do corpo em interpretar os comandos do cérebro. Além disso, podem manifestar As pessoas que necessitam de muletas para se locomover são chamadas de muletantes. Você sabia? 20 expressões faciais e movimentos involuntários dos membros. No entanto, é importante ressaltar que suas dificuldades são de ordem motora e não cognitiva, pois possuem capacidade de raciocínio e pensamento semelhantes aos demais. Ao nos comunicar com uma pessoa com paralisia cerebral, é fundamental o uso da empatia e paciência, sendo necessário adaptar-se ao ritmo da pessoa, visto que sua comunicação pode ser mais lenta às vezes, e talvez complicada de compreender. Sempre que necessário, solicite que repitam o que estão dizendo. Se você está tentando se comunicar com uma pessoa que tenha dificuldade em se expressar, busque formular perguntas que possam ser respondidas de maneira breve ou com um simples gesto de concordância. Outra possibilidade é tentar repetir o que você acha que a pessoa disse e ela poderá confirmar se está correto com um “sim” ou um “não”. Se não entendeu o que foi dito inicialmente, não há problema em pedir para repetir. Dicas 21 É importante nunca subestimar as pessoas com paralisia cerebral, pois as mesmas podem ter capacidade cognitiva e maturidade equivalentes às nossas. Essas orientações são igualmente válidas para a interação com pessoas hemiplégicas, que por vezes também enfrentam dificuldades na comunicação e precisam de apoio, em função da paralisia em metade do corpo, como cadeiras de rodas ou muletas. Caso presencie alguém com alguma limitação física caindo, esteja pronto para oferecer auxílio de forma imediata, sempre se certificando de consultar a pessoa sobre como pode ser útil. Atenção 22 Pessoas com mobilidade reduzida Nem sempre é a deficiência que faz com que seja necessário algum tipo de adaptação ou personalização. Há os casos das pessoas que têm mobilidade reduzida, como por exemplo, os idosos e as pessoas obesas. acidentes. Não force, nem puxe sua mão. -se de que as muletas, bengalas ou andador estejam sempre acessíveis. -se na frente; ao subir, posicione-se atrás para dar suporte, se necessário. Pessoas com nanismo Geralmente medindo entre 70 cm e 1,40 cm na fase adulta, os anões enfrentam desafios de locomoção em ambientes urbanos adaptados para pessoas de estatura média ou alta. 23 Contudo, os desafios enfrentados pelos mesmos não se limitam apenas à estrutura física, uma vez que são alvos frequentes de discriminação. Por exemplo: Muitas pessoas sentem receio ao se depararem com eles. E alguns os tratam de maneira infantilizadaou como alvo de zombaria, de modo até afetar a qualidade de vida destes. O maior índice de suicídio entre as pessoas com deficiência é na comunidade anã. Você sabia? 24 Pessoas com deficiência auditiva A pessoa com deficiência auditiva ou surda é aquela que possui a perda auditiva ou a redução da capacidade de ouvir determinados sons, em diferentes graus (grave e agudo) e intensidades (leve, moderada, severa e profunda). EAD ATENDIMENTO À PESSOA COM DEFICIÊNCIA - LIÇÃO III Lição III – Conhecendo a Comunidade Surda, Cega e Surda-Cega Geralmente as pessoas com perdas leves e moderadas que não usam Libras, preferem ser identificadas como deficientes auditivas, e os de perda severa e profunda, podem preferir serem identificados como surdos. Na dúvida e/ou para não ofender nenhum deles, pergunte como preferem ser identificados. Atenção 25 Alguns surdos podem ouvir e participar razoavelmente de uma conversa, e outros podem ouvir mas não compreender algumas partes ou palavras. Há casos, que estes precisam de legendas e algum tipo de apoio. Alguns podem apenas escutar sons como uma sirene, uma bomba, um foguete, e outros não conseguem ouvir e/ ou compreender absolutamente nada. Quem tem essa perda pode encontrar grande dificuldade para acompanhar uma reunião, uma palestra, até uma simples conversa. Nesses casos como a comunicação é quase impossível, geralmente é realizada usando língua de sinais e leitura labial com o apoio da leitura e escrita. O aparelho auditivo, é um excelente aliado para os surdos, mas mesmo os que o utilizam, não recebem “curas milagrosas”, que os tornam capazes de ouvir ou compreender tudo o que lhe é dito. Cuidado com os julgamentos! Independente do grau de perda, para que se sintam parte e importante para e empresa, precisamos ter atenção a alguns cuidados: Para iniciar uma conversa com uma pessoa surda, acene ou toque levemente em seu ombro ou braço. Fale diretamente com a pessoa, e não de lado ou atrás dela. 26 Seja expressivo ao falar, mas não arrogante. Como as pessoas surdas não podem ouvir mudanças sutis de tom vocal que transmitem sentimentos, as expressões faciais e corporais, serão excelentes indicações do que você quer dizer. Não grite, fale com tom de voz normal, a não ser que lhe peçam para falar mais alto. Quando falar com uma pessoa surda, tente ficar num lugar iluminado. Evite ficar contra a luz (de uma janela, por exemplo), pois isso dificulta ver o seu rosto. Certifique-se de que sua boca esteja completamente visível, pois em certas situações, uma pessoa surda pode precisar fazer a leitura labial. Evite segurar objetos na frente da boca. Além disso, alguns estilos de barba também podem dificultar a leitura labial. Enquanto estiver conversando, mantenha sempre contato visual, se você desviar o olhar, a pessoa surda pode achar que a conversa terminou, ou que você não está dando a atenção que ela precisa e merece. A escrita pode ser uma ótima ferramenta para a comunicação, mas lembre-se que cerca de 20% dos surdos não são alfabetizados com o português, uma vez que sua língua materna é a Língua Brasileira de Sinais – Libras; 27 Quando a pessoa surda estiver acompanhada de um intérprete de Libras, dirija- se à pessoa surda, não ao intérprete. Além destes cuidados, algumas adaptações no ambiente também podem facilitar a compreensão pelos surdos, são elas: Identificar os sinais sonoros existentes no ambiente de trabalho, para que sejam acompanhados por sinais luminosos; Para os surdos que conhecem o português, utilize meios que que possibilitem o recebimento e ou envio de mensagens escritas, como WhatsApp, e-mail e SMS. Uma vez que cada surdo possua suas particularidades e necessidades individuais, adapte o ambiente, incluindo os mesmos nas decisões de adaptações, evitando assumir que compreende totalmente suas experiências,ou seja, o que funciona pra um, pode não funcionar para outros. Mostre sensibilidade e esteja aberto a adaptações futuras, pois nada nunca é definitivo. Trate-os como gostaria de ser tratado. Pratique a Empatia, o respeito e a paciência. 28 O que é a Língua de Sinais? Todos podem aprender? Aprender Língua Brasileira de Sinais - Libras, que é reconhecida no Brasil, pela LEI 10.436, de 22 de abril de 2002, é uma jornada muito gratificante. Aqui estão algumas informações para ajudar nesse processo: Comece pelo Alfabeto Manual - Aprender o alfabeto manual é fundamental, pois permite soletrar palavras que você ainda não aprendeu o sinal correspondente (VIDE ANEXO II). Conheça Novas Frases, como os cumprimentos e palavras chaves como o “por favor e obrigado” - Tente aprender de 10 a 20 sinais novos todos os dias e use- os em frases para praticar. Utilize Aplicativos - Existem aplicativos que podem ajudar no aprendizado de Libras, aproveitando a tecnologia para facilitar o ensino. Mas lembre-se que servem apenas para consulta e apoio ao aprendizado, não substituem um professor ou interprete graduado. Atenção às Expressões Faciais - As expressões faciais são parte integrante da comunicação em Libras, então é importante praticá-las. 29 Estabeleça Meta - Defina metas claras de aprendizado e pratique regularmente para manter o progresso. Divirta-se - Aprender uma nova língua deve ser um processo divertido. Procure maneiras criativas de praticar, como traduzir músicas ou assistir a vídeos em Libras. Interaja com a Comunidade - Tente fazer amizades com pessoas surdas ou que também estão aprendendo Libras. Isso pode enriquecer sua experiência e oferecer prática real. Cursos e Recursos Online - Há muitos recursos online gratuitos e pagos que oferecem cursos estruturados de Libras. Para quem trabalha nos Correios, está disponível na UniCorreios, o EaD – Aprendendo Libras ocmo segunda lígua- básico. Há outro muito bom também, publicado na página da Escola Nacional de Administração Pública – Enap, aberto a todos funcionários públicos das esferas Federal, Estadual e Municipal. Lembre-se, a prática constante e a imersão na língua são chaves para o sucesso. Boa sorte na sua jornada de aprendizado de Libras! 30 Pessoas com deficiência visual A pessoa com deficiência visual é aquela com redução ou ausência da capacidade visual em ambos os olhos. São deficiências visuais a: Cegueira: na qual há perda total da visão. Baixa visão: caracteriza-se pela incapacidade funcional e diminuição do desempenho visual dos olhos. Algumas pessoas com cegueira utilizam o sistema Braile para leitura e no caso de baixa visão as podem conseguir ler textos ampliados com a ajuda de dispositivos óticos especiais. Você sabia? 31 Para ajudar as pessoas com deficiência visual, tome os seguintes cuidados: Ao se apresentar, diga seu nome, explique suas características físicas. Converse com a pessoa em tom de voz normal. Se tiver que se ausentar do local onde estão, avise que o que fará, e ao retornar, avise que voltou. Não interaja com o cão-guia, sem permissão. Pois isso pode fazer com que ele entenda que chegou o momento de sua “folga” e, pelo contrário, o cão deve estar atento ao seu trabalho, que é guiar o seu dono. Ao conduzir uma pessoa com deficiência visual, ofereça seu braço para que ele se apoie e não o contrário. Pergunte qual lado ele prefere. Se for guia-lo por portas estreitas e corredores vá na frente e deixe seu braço esticado para trás para que ele segure e possa segui-lo. 32 Ao explicar uma direção, seja claro ao indicar distâncias e pontos de referência. Quando chegar em algum local, ou ao sentar na mesa para uma refeição, não esqueça de narrar as características do lugar e dos objetos. As pessoas vão ficar satisfeitas em perceberem todo o interesse em faze-los sentirbem e parte da nossa organização. Pessoas surdas-cegas O surdo cego é considerado como uma deficiência múltipla e única pois envolve duas deficiências: Surdez e cegueira. A característica dessa deficiência é a perda da visão e da audição simultaneamente em diferentes estágios. Ao falar com o alguém com deficiência visual, converse sempre com ele. Não pergunte a um acompanhante aquilo que ele mesmo pode responder. Atenção 33 Há tempos, essa deficiência era considerada como deficiência múltipla sensorial, mas suas particularidades comunicacionais estabeleceram a necessidade de uma designação e especificação de deficiência própria. A pessoa surda-cega consegue, a depender, do grau de deficiência, desenvolver diferentes formas de comunicação para entender e interagir com pessoas e meio ambiente. Como se relacionar com um surdo cego? Pergunte como deve se comunicar com o surdo-cego ao seu guia-intérprete ou ao acompanhante. As formas são variadas e extremamente particulares. Os surdos-cegos andam, normalmente, com um guia-intérprete ao seu lado para conseguir estabelecer a comunicação com outras pessoas. Quando chegar perto de um surdo-cego, toque-o levemente na mão para sinalizar que está ao seu lado. O guia-intérprete é quem vai guiar essa interação. 34 Pessoas com deficiências múltiplas A deficiência múltipla é uma associação de duas ou mais deficiências primárias como a deficiência física, mental, visual, intelectual ou auditiva na mesma pessoa. Alguns surdos-cegos podem se comunicar colocando a mão em sua boca para sentir a vibração do som que você está emitindo, outros aprendem Libras. Você sabia? Se o surdo-cego lhe informar que algum tem resíduo visual, e que consegue ler, lembre-se de garantir que o material esteja em letra de fôrma grande e com tinta preta ou azul. Utilize papel branco ou amarelo, que dão maior contraste, e não se esqueça de sempre estar bem próximo do seu campo de visão. Informe- se! Atenção 35 As pessoas com deficiência múltipla apresentam comprometimentos que causam atrasos no desenvolvimento, na aprendizagem e na capacidade administrativa. Segundo o decreto federal nº 5.296/04, deficiência múltipla trata-se de uma “associação de duas ou mais deficiências” podendo ser de ordem física, sensorial, mental, emocional ou de comportamento social, podendo ser agravada por alguns aspectos, tais como a idade de aquisição, o grau das deficiências e a quantidade de associações que o indivíduo apresenta. Como ajudar pessoas com deficiências múltiplas? O relacionamento com uma pessoa com deficiência deve ser o mesmo realizado com uma pessoa sem deficiência, porém a observação à deficiência da mesma auxiliará para manter um ambiente personalizado e acolhedor. Pessoas com deficiência intelectual As pessoas com deficiência intelectual apresentam limitações significativas no desenvolvimento cognitivo adquirido até aos 18 anos, que podem ser percebidas através da fala, na forma de caminhar, escrever, autocuidado, habilidades sociais, trabalho, entre outras. 36 A doença mental é a alteração da percepção individual e da realidade, o que, nem sempre acontece com pessoas com deficiência intelectual, as quais não apresentam sintomas e patologias presentes nas doenças mentais como neuroses graves, psicoses agudas ou casos de demência. A pessoa com deficiência intelectual compreende normalmente a sua realidade, ela tem uma deficiência não uma doença. Não confunda deficiência intelectual com doença mental. Atenção Doenças mentais: depressão, transtorno afetivo bipolar, esquizofrenia e outras psicoses. Deficiência intelectual: Autismo, Síndrome de Down, Síndrome de Angelman, entre outros. Exemplos 37 Para fornecer um ambiente seguro a uma pessoa com deficiência intelectual devemos seguir alguns passos: Ao recepcionar ou atender o pessoa com deficiência intelectual, trate-o com respeito e dignidade, observando sua faixa etária. É muito comum a infantilização, que deve ser evitada, caso a pessoa seja adulta. Cumprimente-o normalmente. Em geral as pessoas com deficiência intelectual são comunicativas e carinhosas, portanto, mostre satisfação em encontrá-las. Não tenha receio de orientá-las, quando perceber situação duvidosa ou inadequada. Utilize a linguagem clara e simples. Procure dar instruções objetivas e claras, tenha paciência e explique quantas vezes forem necessárias para que ela possa entender o que está sendo pedido. Utilize frases curtas e simples. Dê tempo a ela para processar o que você disse e assim possa responder. 38 Se estiverem em uma área com muitas distrações, se possível, tentem ir para um local mais tranquilo ou privado. Valorize suas potencialidades e não supervalorize suas dificuldades. A deficiência é apenas uma dentre várias características que pode ter uma pessoa. A comunicação é uma das barreiras no relacionamento com pessoas com deficiências, pois muitas vezes utilizamos termos inadequados para nos referirmos a essas pessoas ou às suas características, no caso, suas deficiências. Utilizar os termos portadores de deficiência, deficientes ou portadores de necessidades especiais é inadequado. O correto é utilizarmos o termo pessoa com deficiência, pois utilizando essa forma, o que fica em evidência, por vir primeiro, é a palavra pessoa e logo em seguida sua característica. Ou seja, o importante é a pessoa! Exemplo 39 Anexo I – Terminologias CERTO (USE SEM MODERAÇÃO) ERRADO (NÃO USAR JAMAIS) Criança, adolescente ou adulto sem deficiência Criança, adolescente ou adulto normal Criança com deficiência intelectual Criança excepcional Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS Linguagem dos Sinais, Linguagem Brasileira dos Sinais Pessoa com deficiência Aleijado, defeituoso, incapacitado ou inválido; Portador de deficiência; Portador de necessidades especiais; Deficiente físico; Pessoas ditas deficientes. EAD ATENDIMENTO À PESSOA COM DEFICIÊNCIA Anexos 40 Pessoa com deficiência auditiva, pessoa surda ou surdo Mudinho; Surdinho; Surdo-mudo. Pessoa com deficiência física Defeituoso físico; Deficiente físico. Pessoa com deficiência intelectual Pessoa com retardo; Retardado. Pessoa com deficiência visual, pessoa cega, cego Ceguinho Pessoal com doença mental, pessoa com transtorno mental, paciente psiquiátrico Deficiente mental Pessoa sem deficiência Pessoa normal 41 Anexo II – Alfabeto Manual 42 Resumo do módulo Parabéns! Você finalizou o curso: Atendimento à Pessoa com Deficiência. Neste curso, você estudou: O que são e os tipos de deficiência, para realizar um excelente atendimento para o público que as possui. A Lei que resguarda o direito do atendimento prioritário, mas que somente esse direito não é suficiente para um bom atendimento de igualdade com as demais pessoas. A necessidade de entender como a deficiência é definida, sendo ela de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, e que, tendo esse conhecimento, você pode atender de acordo com cada uma. A principal barreira para atender uma pessoa com deficiência é a comunicação. Mas o conhecimento, um sorriso, aliada ao acolhimento e a empatia são aliados para um atendimento com excelência. Os termos que devem ser evitados quando for atender esse público. 43 Referências Brasil. Congresso. Senado Federal. Comissão Especial de Acessibilidade. Acessibilidade: passaporte para a cidadania das pessoas com deficiência. Guia de orientações básicas para a inclusão de pessoas com deficiência / Comissão Especial de Acessibilidade. Brasília, DF: Senado Federal, 2005. Como atender o cliente com deficiência.São Paulo: Sebrae SP, 2015. Disponível em: http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/ufs/sp/bis/como-atender-o-cliente- comdeficiencia,d0476d461ed47510VgnVCM1000004c00210aRCRD. Acesso em: 21 out. 2019. Dicas de relacionamento com as pessoas com deficiência. Publicação da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida – SMPED Prefeitura de São Paulo, 2012. Disponível em: Dicas de Relacionamento - Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência - Prefeitura (capital.sp.gov.br). Acesso em: 10 maio 2024. GABRILLI, Mara. Manual de Convivência - Pessoas com Deficiência e Mobilidade Reduzida - 2a. Edição, ampliada e revista, 2007.