Prévia do material em texto
UNIDADE 1 – DEFICIÊNCIA VISUAL: CONTEXTO HISTÓRICO ATÉ A ATUALIDADE... TÓPICO 1 – DEFICIÊNCIA VISUAL: UM BREVE HISTÓRICO • Conceituar deficiência; • Proporcionar ao educando compreender os diferentes conceitos do termo deficiência ao longo da história; • Apresentar ao acadêmico um breve histórico da deficiência visual no Brasil; • Analisar a importância da sociedade na inclusão da pessoa com deficiência; • Reconhecer a importância da formação do professor para o trabalho com a pessoa com deficiência; • Compreender a legislação acerca da classificação e legislação da deficiência visual; • Relacionar a classificação da deficiência visual de acordo com a Organização Mundial da Saúde e educacional. O QUE É DEFICIÊNCIA? Segundo Amiralian (2000), em 1976 surgiu uma nova conceituação, que se apresentou como a Classificação Internacional de Deficiências, Incapacidades e Desvantagens sendo esse manual publicado em 1989. Lembrando que a conceituação apresentada se refere ao conceito médico da palavra “deficiência” e, apesar de ter se tornado parte de um manual, esse conceito não é unânime e você pode encontrar bibliografias com outros conceitos. Quando se refere ao processo educacional da integração da pessoa com deficiência, remete-se a Januzzi (2004, p. 29), o qual afirma que: “[...] a história da educação dos deficientes vem se manifestando através de tentativas práticas, muitas vezes criações deles próprios para vencer os desafios com que se confrontam nos diversos tempos e lugares”. Observa-se que o processo de inclusão foi lento e gradativo, e, conforme Menezes (2013), num primeiro momento foram integrados deficientes visuais e auditivos, seguidos dos físicos e, por último, dos mentais, processo esse que iniciou na Europa, vindo a acontecer mais tarde no Brasil. https://www.youtube.com/watch?v=dGaaVtYeklU&t=308s Vídeo: A Visão Histórica da Deficiência. I- Fase da negligência, durante a época pré-cristã, na qual era quase nulo o atendimento aos indivíduos, sendo estes, muitas vezes, excluídos do convívio com a sociedade. II- Fase da institucionalização, com a reclusão e atendimento em casas de abrigo (o que aconteceu também com os hansenianos). III- Fase da criação das escolas especiais que forneciam aos deficientes uma educação exclusiva, com atendimento assistencialista médicopedagógico e psicopedagógico, substitutivo ao ensino regular; e por último. IV- Fase do movimento de integração social, o qual tentava incorporar os alunos “excepcionais” em ambientes escolares, mas somente até onde se achava que a capacidade dos mesmos podia alcançar. Quatro fases da educação das pessoas com deficiência. DEFICIÊNCIA VISUAL: UM BREVE OLHAR Sempre foi tratada pela humanidade com preocupação. Silva (2013), cita que os povos bárbaros tratavam as doenças dos olhos com uso de drogas ou exorcismo, eram atribuídos aos cegos sentimentos ambíguos, pois, ao mesmo tempo em que eram considerados frágeis e indefesos, também se acreditava que possuíam poderes místicos. A construção da identidade destas pessoas não acontece pautada na deficiência, para elas, conforme defende Winnicott (1975), elas se sentem normais como são e só se percebem deficientes no contato com outro. A cegueira, ao criar uma formação peculiar de personalidade, reanima novas fontes, muda as direções normais do funcionamento e, de uma forma criativa e orgânica, refaz e forma o psiquismo da pessoa. Portanto, a cegueira não é somente um defeito, uma debilidade, senão também em certo sentido, uma fonte de manifestação das capacidades, uma força. É preciso considerar a diversidade, é preciso se preocupar com o ser humano, levando em consideração sua situação de sujeito complexo, e é necessário “ensinar a condição humana” e saber conviver com ela. Para Silva (2013), a deficiência visual pode ser conceituada a partir de duas perspectivas, a médica e a pedagógica. Na perspectiva médica, de acordo com o autor, a cegueira se define como a capacidade visual das pessoas que são portadoras de deficiência no órgão da visão, e a medida que é utilizada para determinar a cegueira é a acuidade visual. Silva (2013) traz alguns exemplos de doenças que podem causar cegueira, como a Retnose Pigmentar, que é um distúrbio degenerativo dos bastonetes, com atrofia secundária da retina e do epitélio pigmentar. Nos casos de baixa visão, conforme Silva (2013), apresentam-se doenças como o glaucoma, que é uma enfermidade que atinge o nervo óptico causando a perda do campo visual, na maioria das vezes, por aumento da pressão intraocular. Na maioria dos casos, o paciente não sente dor, diminuição da acuidade visual, ardor ou qualquer outro sintoma. Outra doença bastante comum é a catarata, que pode ser definida como a opacificação do cristalino, que é uma lente transparente localizada dentro do olho. Essa opacificação causa diminuição da entrada de luz para dentro do olho e, como consequência, a visão torna-se menos nítida, borrada e escura. Essa mudança geralmente é gradativa e as causas mais comuns que contribuem para o surgimento desta doença são: a senilidade, a congênita, traumática e inflamatória. Há que se considerar também o Diabetes Melitus, que é um distúrbio causado pela falta absoluta ou relativa de insulina no organismo. Quando a insulina produzida pelo pâncreas se torna insuficiente, a glicose é impedida de ser absorvida pelas células, acarretando na elevação dos níveis sanguíneos de glicose, cuja taxa normal, em jejum, é de 70 a 110 mg por 100 ml de sangue. O Diabetes é um dos mais graves problemas de saúde, sendo a terceira maior causa de morte no mundo, superada apenas pelas doenças cardiocirculatórias e câncer. No Brasil acomete 7,6% da população (SILVA, 2013). As doenças apresentadas são apenas exemplos de doenças que podem causar cegueira ou baixa visão, sendo que no Brasil há um dado estatístico considerável de pessoas que perdem a visão durante a vida, seja com casos de prematuridade, acidentes ou outras doenças provenientes de condições de vida e saúde. Na visão pedagógica (SILVA, 2013 apud AMIRALIAN, 1992), até meados da década de 1970, eram considerados cegos e deviam desenvolver o aprendizado pelo método braile os indivíduos cujos exames oftalmológicos revelassem tal necessidade nos diagnósticos clínicos. Após esse período passaram a ser considerados cegos os indivíduos para os quais o tato, o olfato e a sinestesia eram sentidos fundamentais para a apreensão do mundo externo, trazendo uma mudança significativa na concepção da cegueira, que era embasada em processos médicos e clínicos e posteriormente passou a considerar cegas aquelas pessoas que, pelo seu próprio comportamento visual, indicavam ausência de uma percepção eficaz (SILVA, 2013 apud AMIRALIAN, 1992). Miranda (2008) traz como conceito de deficiência visual “incapacidade ou limitação no ato de ver”, ou seja, uma incapacidade total ou parcial da capacidade visual. Percebe-se, na literatura, que não há consenso na utilização do termo cego ou pessoa com deficiência visual, dessa forma, neste livro de estudos utilizar-se-á o termo pessoa com deficiência visual. Conforme você estudará mais à frente, a legislação trata da mudança de nomenclatura, onde a inclusão da palavra “pessoa” tem como objetivo o olhar para o ser humano como um ser social e completo e não para a deficiência como constituinte de sua identidade. A HISTÓRIA DA DEFICIÊNCIA VISUAL São diferentes os sentimentos que movem os homens no tratamento da pessoa cega. Compaixão, temor ou admiração misturam-se através dos tempos. Segundo Miranda (2008), a Síria, Jerusalém e a França, nos séculos V, VII, X, XI e XII, foram precursores em providenciar assistência e alojamento aos cegos, com a fundação de asilos e lares. A ideia de ensinar-lhes um ofício e reintegrá-los à sociedade foi desenvolvida por Valentin Hauy, em 1784, com a fundação do Instituto Nacional dos Jovens Cegos, em Paris. Neste Instituto, no ano de 1825, estudou o jovem Louis Braille, que ficou cego na infância durante uma atividadena ferraria do pai, e se encarregou de elaborar um sistema de escrita com as 26 letras do alfabeto, os numerais, a pontuação e os sinais matemáticos (cabe aqui ressaltar que anterior ao desenvolvimento da escrita braile, como é denominada). O Sistema Braile, de acordo com Silva (2013), é conhecido universalmente como código ou meio de leitura e escrita de pessoas cegas e baseia-se na combinação de 63 pontos que representam as letras do alfabeto, os números e outros símbolos gráficos. https://www.google.com/search?sca_esv=65b627a4699ea87d&rlz=1C1GCEA_enBR1102BR1102&sxsrf=ACQVn0-ggdEjAA8K19xj5Fczx5C0cTBnkw:1713440207766&q=O+SURGIMENTO+DO+BRAILLE&tbm=vid&source=lnms&prmd=ivtzbnms&sa=X&ved=2ahUKEwjz2LWX1suFAxVtFLkGHZyFDWsQ0pQJegQIEBAB&biw=1536&bih=695&dpr=1.25#fpstate=ive&vld=cid:069b8742,vid:yO43P2tV_OQ,st:0 Louis Braille Outros importantes avanços com relação ao atendimento de pessoas com deficiência visual aconteceram, de acordo com Miranda (2008), na Alemanha, em 1911, quando foi criada a primeira sala de recursos para amblíopes, e posteriormente a França também criou uma sala com o objetivo de dar escolarização e formação profissional aos deficientes visuais, diferentemente do atendimento ofertado aos cegos. No Brasil, de acordo com Rosado (2009), as primeiras iniciativas com relação à inclusão de pessoas com deficiência ocorreram na segunda metade do século XIX com a criação do Imperial Instituto dos Meninos Cegos, em 1854, e o Instituto dos Meninos Surdos-Mudos em 1856, criados por decretos imperiais, por D. Pedro II, no Rio de Janeiro, e ofereciam educação elementar e profissionalizante. A fundação do Instituto dos Meninos Cegos, hoje denominado Instituto Benjamin Constant (IBIC), segundo Pires e Plácido (2018), foi considerada o marco inicial da educação especial no Brasil. No século XIX: houve pouco investimento do governo na educação especial. No século XX aconteceram as implantações das primeiras instituições filantrópicas e privadas especializadas, em sua maioria com convênios com a iniciativa pública. Em 1926: fundou-se em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, o Instituto Pestalozzi, especializado em atendimento aos deficientes mentais, posteriormente aconteceram criações de outros, com a finalidade de atendimento a deficientes em estados como Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Em 1946: Oficializou-se o Curso Ginasial do IBIC, possibilitando o acesso dos alunos à educação, equiparada ao ginásio do ensino comum. Em 1946: No Estado de São Paulo, Dorina de Gouvêa, que ficou cega aos 17 anos sem causa aparente, iniciou com um grupo de amigas “as atividades da fundação para o Livro do Cego no Brasil”, que tinha como finalidade, integrar o deficiente visual na comunidade como pessoa produtiva e autossuficiente. Em 1954, foi criada a primeira Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais – APAE, em Minas Gerais. A APAE vai se desenvolvendo ocupando “o espaço vazio da educação especial como rede nacional” Em 1950 foi implantada a “primeira sala de recursos para deficientes visuais estudarem em classes comuns”, com aporte da Fundação para o Livro do Cego no Brasil, instituição esta que também foi a primeira a capacitar professores para trabalharem com este público em escolas públicas. Em 1° de agosto de 1958 foi criada a Campanha Nacional de Educação e Reabilitação de Deficientes da Visão, posteriormente chamada de Campanha Nacional de Educação de Cegos (CNEC) e que estava vinculada ao Gabinete do Ministro da Educação. As escolas que atendiam pessoas com deficiência visual não eram suficientes no país, desta forma, mesmo após as campanhas realizadas, o governo sofreu pressões de pessoas engajadas na luta pela educação especial de qualidade, e desta forma, empenhou-se em enquadrar a Educação Especial na Lei de Diretrizes e Bases da Educação em 1960, além de criar um órgão central que é responsável pelo atendimento educacional dos deficientes do país. o Movimento Diretas Já, em 1983, e a nova ordem instaurada com o processo de redemocratização e a proclamação da Constituição de 1988, trazem um novo olhar para a Educação Especial, que a partir da década de 1990 intensifica-se com o crescente movimento pela inclusão. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei n° 9.394/96, traz pela primeira vez um capítulo inteiro dedicado à Educação Especial. É preciso compreender, conforme Amiralian (2009, p. 22), que “a inclusão é uma organização social em que todos são considerados iguais”, vale salientar que na realidade todos somos diferentes, embora alguns tenham uma diferença mais significativa que os outros, e estas diferenças é que enriquecem nossa convivência em sociedade. Processo em constante construção, pois somos seres diferentes em cultura, concepções e entendimentos, carregamos conosco conceitos e princípios enraizados e que precisam ser desconstruídos para alcançarmos uma sociedade mais justa, com igualdade de oportunidades, pois, “hoje essa paradoxal sociedade tem também como valor uma sociedade inclusiva cujo princípio é a aceitação de todos como cidadão com os mesmos direitos e deveres”. Dessa forma, é preciso compreender o papel da sociedade na inclusão da pessoa com deficiência, como família, escola e demais pessoas que compõem essa rede, que podem atuar como facilitador ou barreira na inclusão da pessoa com deficiência visual, sempre buscando uma visão holística do ser humano e suas necessidades, o que, segundo Amiralian (2009, p. 36), “nos leva a pensar na inclusão como uma árdua e longa conquista de todos os indivíduos que vivem em uma determinada sociedade”. A SOCIEDADE NA INCLUSÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA VISUAL transição Da perspectiva individual e médica perspectiva estrutural e social Do “modelo médico” “modelo social” O modelo médico e o modelo social costumam ser apresentados como separados, mas a deficiência não deve ser vista como algo puramente médico, nem como algo puramente social: pessoas com deficiência frequentemente podem apresentar problemas decorrentes de seu estado físico, dessa forma é necessário fazer uma abordagem mais equilibrada, que dê o devido peso aos diferentes aspectos da deficiência (OMS, 2011). “A inclusão social é a adequação da sociedade às necessidades de seus membros para que eles possam exercer plenamente seu direito à cidadania”. E para ser considerada inclusiva, a sociedade deve atender todas as necessidades especiais da pessoa com deficiência; a democracia se materializa no atendimento a todas estas diversidades. A inclusão social, na prática, apresenta alguns princípios que até então eram tidos como incomuns, “tais como: aceitação das diferenças individuais, a valorização de cada pessoa, a convivência dentro da diversidade humana, a aprendizagem através da cooperação”. Verifica-se que é responsabilidade da sociedade dizimar as barreiras existentes, tornando acessível às pessoas com deficiência tudo o que é necessário para o desenvolvimento pessoal, social, educacional e profissional. Para Chacon (2009), a lei é clara ao afirmar que família e Estado devem agir em conjunto na promoção da educação, ou seja, a educação não é somente obrigação da família, nem somente do Estado, mas de ambos, em um processo conjunto. Apesar de Vygotsky já em 1989 defender a inclusão das pessoas com deficiência na sociedade e ter a esperança de que num futuro todas as barreiras possam ser vencidas, o que se observa ainda é um longo caminho pela frente quando se fala em inclusão, e isso pode ser observado em dados trazidos pelo IBGE. De acordo com o Censo do IBGE, de 2010, as crianças com alguma deficiência estão menos presentes na escola quando comparadas às crianças sem deficiência, percentualmente. Além disso, entre deficientes com mais de 15 anos, a taxa de analfabetismo é de 18%, uma diferença de 8,9 pontos percentuais em relação ao total de 9,4% (IBGE, 2010). A FORMAÇÃO DOCENTE NO PROCESSO DEINCLUSÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA Assim como os alunos, os professores também têm sua história de vida, não são um corpo vazio em busca de formação, trazem em sua prática as vivências e experiências que adquiriram ao longo da vida. Não há uma fórmula para a formação docente, uma receita divina que determine os caminhos a serem tomados em sala de aula. O que deve existir é uma preparação para que o professor consiga lidar com as adversidades e que compreenda que cada aluno, assim como ele, traz consigo conhecimentos adquiridos na sua vida, na convivência com o outro, com a família e com o meio em que vive, e que esta diversidade é que enriquece o processo pedagógico. A formação de professores deve estar ligada à capacidade desse profissional de lidar com a diversidade que a escola abriga. A formação inicial e continuada precisa ter relevância não apenas no contexto dos alunos sem deficiência, mas também aos aspectos que envolvem a aprendizagem dos alunos que compõem a educação especial, pois estes sujeitos estão inseridos no contexto social-histórico-cultural, afetando e sendo afetados pelos atravessamentos culturais humanos. Para que a diversidade seja acolhida na escola, é preciso que os professores disponham de conhecimentos para trabalhar com todo e qualquer aluno inserido em um grupo diversificado, o que é expresso, no trecho de Motta (2004), pelo termo “em salas de aula regulares”, ou seja, em salas em que estudem alunos com e sem deficiência. Para Fleuri (2009), a formação docente inicial e continuada não é o único aspecto a ser considerado em relação aos professores que atuam na Educação Especial e que trabalhem para a inclusão. Suas histórias de vida e suas experiências socioeducacionais, assim como todo o conjunto de saberes adquiridos a partir dessas vivências, também formam e dão sentido à formação instrucional adquirida academicamente. Ainda sobre formação docente para pessoas com deficiência, a LDB 9.394/96, em seu artigo 59, inciso III, afirma que os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com necessidades especiais professores com especialização adequada em nível médio ou superior, para atendimento especializado, bem como professores no ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns. As práticas inclusivas “precisam estar embasadas em abordagens mais diversificadas, flexíveis e colaborativas, a fim de que todos possam participar do processo de ensino-aprendizagem”. “em vez de serem envidados esforços para fornecer à pessoa condições de adaptar-se à escola, procurar-se-ia construir uma escola para atender às pessoas concretas que fazem parte dela” Pode-se compreender que a função da escola é proporcionar atividades que incluam todos, independentemente de possuir ou não uma deficiência com atividades diferenciadas que signifiquem a aprendizagem dos alunos e a participação ativa de todos na construção do conhecimento. O desafio para uma escola inclusiva é o de desenvolver uma pedagogia centrada no aluno, uma pedagogia capaz de educar com sucesso todos os alunos, incluindo aqueles com deficiências. “O princípio fundamental da escola inclusiva é o de que todas as crianças devem aprender juntas, sempre que possível, não importam quais dificuldades ou diferenças elas possam ter”. Ao citar a responsabilidade da família na educação da criança com deficiência visual, segundo Drago e Manga, Amiralian (2009, p. 29) reforça que [...] “os profissionais jamais devem esquecer que, fundamentalmente, o responsável pela formação e educação de seus filhos é a família”, os demais profissionais, incluindo os professores ou qualquer outro profissional da educação, têm a função apenas de ajudá-los. É importante salientar essa questão para que o professor não se sinta responsável em seu processo formativo em abraçar toda a educação da criança, sendo que a família e o Estado, conforme previsto em lei, têm sua responsabilidade nesse processo também e todos devem trabalhar juntos nas suas responsabilidades. Masini (2007), pontua aspectos que merecem a atenção da escola e do educador nas relações de educabilidade, quais sejam: Fazer contato por meio dos sentidos de que seu educando dispõe, manifestando consideração e evitando o sentimento de isolamento; Mostrar expectativas que considerem suas possibilidades e limites ante a deficiência, em vez de expectativas cujos padrões de referência são os do desenvolvimento da criança vidente; Estabelecer e esclarecer padrões apropriados de execução de atividades que a motivem a ajustar-se a suas possibilidades e seus limites; Estar atento(a) à reação emocional de aceitação à deficiência visual e aos limites impostos por ela, atribuindo à pessoa com deficiência responsabilidades, de acordo com sua idade e desenvolvimento; Propiciar oportunidades para falar de suas descobertas sobre as pessoas e objetos e de suas experiências perceptivas (PIRES; PLÁCIDO, 2018 apud MASINI, 2007, p. 32-33). O educador pode ser criativo, buscando vários caminhos, pois é necessário que tenha paciência e energia ao trabalhar com a criança com deficiência visual, pois a criança com deficiência visual “tem mais semelhanças do que diferenças com a criança que não tem deficiência visual. Elas têm as mesmas necessidades básicas físicas, emocionais e intelectuais” (MASINI, 2013, p. 36). O olhar atento para aquilo que é próprio do mundo da pessoa com deficiência visual “Organizar e transmitir com clareza seu pensamento e transformar condições insatisfatórias, contribuindo para que o aluno desenvolva confiança em si mesmo: na sua própria capacidade de realizar uma aprendizagem significativa, elaborando informações e apontando” TÓPICO 2 A DEFICIÊNCIA VISUAL: CLASSIFICAÇÃO E LEGISLAÇÃO LEGISLAÇÃO MUNDIAL SOBRE A DEFICIÊNCIA A Declaração dos Direitos Humanos de 1948 declara em seus artigos 1º e 2º que todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição. Apesar da Declaração dos Direitos Humanos não tratar especificamente das pessoas com deficiência, é a partir desta declaração que há um olhar mais apurado para tal segmento. Na década de 1990 surgiram a Declaração Mundial de Educação para Todos de Jomtien (1990) e a Declaração de Salamanca (1994). A Declaração Mundial de Educação para Todos de Jomtien em 1990, em seu artigo 3º que preconiza universalizar o acesso à educação e promover a equidade, apresenta: 1. A educação básica deve ser proporcionada a todas as crianças, jovens e adultos. Para tanto, é necessário universalizá-la e melhorar sua qualidade, bem como tomar medidas efetivas para reduzir as desigualdades. 2. Para que a educação básica se torne equitativa, é mister oferecer a todas as crianças, jovens e adultos, a oportunidade de alcançar e manter um padrão mínimo de qualidade da aprendizagem. A prioridade mais urgente é melhorar a qualidade e garantir o acesso à educação para meninas e mulheres, e superar todos os obstáculos que impedem sua participação ativa no processo educativo. Os preconceitos e estereótipos de qualquer natureza devem ser eliminados da educação. 4. Um compromisso efetivo para superar as disparidades educacionais deve ser assumido. Os grupos excluídos - os pobres: os meninos e meninas de rua ou trabalhadores; as populações das periferias urbanas e zonas rurais, os nômades e os trabalhadores migrantes; os povos indígenas; as minorias étnicas, raciais e linguísticas: os refugiados; os deslocados pela guerra; e os povos submetidos a um regime de ocupação - não devem sofrer qualquer tipo de discriminação no acesso às oportunidades educacionais. 5. As necessidades básicas de aprendizagem das pessoas portadoras de deficiências requerem atenção especial. É preciso tomar medidas que garantam a igualdade de acesso à educação aos portadores de todo e qualquer tipo de deficiência, como parte integrante dosistema educativo (UNESCO, 1990). Apesar de não tratar especificamente da pessoa com deficiência, a Declaração abrange todas as minorias e pessoas excluídas por algum motivo do processo educacional e que têm seu direito à educação cerceado. Ainda nessa Declaração de Salamanca foi indicado ao governo que dedicasse alta prioridade às matrículas de crianças com deficiência em escolas regulares, que fossem encorajados intercâmbios com países que possuam experiências com escolas inclusivas, encorajem e facilitem a participação de pais, comunidades e organizações de pessoas portadoras de deficiências nos processos de planejamento e tomada de decisão concernentes à provisão de serviços para necessidades educacionais especiais. Qualquer pessoa portadora de deficiência tem o direito de expressar seus desejos com relação à sua educação, tanto quanto estes possam ser realizados. Pais possuem o direito inerente de serem consultados sobre a forma de educação mais apropriadas às necessidades, circunstâncias e aspirações de suas crianças (SALAMANCA, 1994, p. 3). As legislações que foram marcos na educação especial e mencionadas, não fazem menção às pessoas com deficiência visual, tratando de deficiências como um todo e também de pessoas em situação de exclusão social. LEGISLAÇÃO BRASILEIRA SOBRE A DEFICIÊNCIA VISUAL De acordo com o Decreto n° 3.298, de 20 de dezembro de 1999, que dispõe sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência. Esse mesmo decreto caracteriza os tipos de deficiência como: I- Deficiência permanente – aquela que ocorreu ou se estabilizou durante um período de tempo suficiente para não permitir recuperação ou ter probabilidade de que se altere, apesar de novos tratamentos; e II- Incapacidade – Redução efetiva e acentuada da capacidade de integração social, com necessidade de equipamentos, adaptações, meios ou recursos especiais para que a pessoa portadora de deficiência possa receber ou transmitir informações necessárias ao seu bem-estar pessoal e ao desempenho de função ou atividade a ser exercida (BRASIL, 1999). Em seu artigo 4º, considera como portador de deficiência a que se enquadra nas seguintes características: I- deficiência física - alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentando-se sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções; II- deficiência auditiva - perda bilateral, parcial ou total, de quarenta e um decibéis (dB) ou mais, aferida por audiograma nas frequências de 500HZ, 1.000HZ, 2.000Hz e 3.000Hz; III- deficiência visual - cegueira, na qual a acuidade visual é igual ou menor que 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; a baixa visão, que significa acuidade visual entre 0,3 e 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; os casos nos quais a somatória da medida do campo visual em ambos os olhos for igual ou menor que 60o ; ou a ocorrência simultânea de quaisquer das condições anteriores; IV- deficiência mental – funcionamento intelectual significativamente inferior à média, com manifestação antes dos dezoito anos e limitações associadas a duas ou mais áreas de habilidades adaptativas, tais como: a)comunicação; b) cuidado pessoal; c) habilidades sociais; d) utilização dos recursos da comunidade;(Redação dada pelo Decreto nº 5.296, de 2004); e) saúde e segurança; f) habilidades acadêmicas; g) lazer; e h) trabalho - deficiência múltipla – associação de duas ou mais deficiências (BRASIL, 1999). A Convenção Sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência “surgiu para promover, defender e garantir condições de vida com dignidade e a emancipação dos cidadãos e cidadãs do mundo que apresentam alguma deficiência”. A Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015, que institui a lei brasileira de inclusão da pessoa com deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência), em seu artigo 1º objetiva assegurar e promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos da pessoa com deficiência, visando a sua inclusão social e cidadania. Considera ainda em seu 2º artigo que pessoa com deficiência é toda aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação na sociedade em questões de igualdade de condições com as demais pessoas (BRASIL, 2015). A Constituição Federal de 1988 faz menção aos portadores de deficiência em sete de seus 250 artigos. No capítulo relativo aos direitos sociais, proíbe-se qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do trabalhador portador de deficiência (art. 7º, Com relação aos postos de trabalho, de acordo com o art. 37, VIII, a administração pública deve reservar um percentual dos cargos ou empregos aos portadores de deficiência toda vez que realizar um concurso para admissão de servidores. A obrigatoriedade da reserva de vagas aplica-se aos três Poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário – e às três esferas de governo – federal, estadual e municipal (BRASÍLIA, 2004). No que diz respeito à educação, direito de todos e dever da família e do Estado, cabe a este proporcionar atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino (art. 208, III). Compete-lhe também proporcionar assistência integral à saúde da criança e do adolescente e, como parte dela, promover a “criação de programas de prevenção e atendimento especializado para os portadores de deficiência física, sensorial ou mental, bem como de integração social do adolescente portador de deficiência” (art. 30 227, § 1º, II). Ainda de acordo com a legislação vigente, o eleitor cego poderá (Código Eleitoral, art. 150, I a III): I- Assinar o caderno de votação, utilizando-se de letras do alfabeto comum ou do Sistema Braile; II- Usar qualquer instrumento mecânico que trouxer consigo, ou lhe for fornecido pela mesa, e que lhe possibilite exercer o direito de voto; III- Utilizar-se do sistema de áudio, quando disponível; IV- Utilizar-se do princípio da marca de identificação da tecla número 5; V- Assinalar as cédulas, utilizando o alfabeto comum ou o Sistema Braile, no caso de votação por cédulas. Em 19 de dezembro de 2000 criou-se a Lei n° 10.098, chamada de Lei da Acessibilidade, e que define o termo como a “possibilidade e condição de alcance para utilização, com segurança e autonomia, dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, dos transportes e dos sistemas e meios de comunicação, por pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida” (art. 2º, I), é uma importante garantia de que os cidadãos nessa condição possam exercer o seu direito de ir e vir e viver normalmente em sociedade (BRASÍLIA, 2000). Nas instituições de Ensino Superior também devem existir adaptações de espaço, mobiliário e equipamentos com o intuito de dar condições adequadas e seguras de acessibilidade autonomia, ou seja, prever Sinalização luminosa e sonora nos acessos de estacionamentos com cruzamento de fluxos de veículos e pedestres e existência de dispositivo a ser acionado pelo portador de deficiência visual nas travessias de pedestres onde houver semáforo; Comunicação auditiva dentro da cabine do elevador, indicando o andar onde o elevador se encontra parado – esse padrão se aplica aos edifícios de uso público e de uso multifamiliar em que o número de paradas do elevador for superior a dois; Comunicação tátil nos telefones públicos onde houver possibilidade de ligações interurbanas/internacionais (BRASIL, 1999). Com relação à educação, a legislação define a modalidade de educação escolar voltada para pessoas portadoras de deficiência como “Educação Especial”.a Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB) determina em seu art. 58 é que a educação especial seja oferecida “dentro das classes de ensino regular”, na forma de apoio especializado; somente no caso de não ser possível a integração do aluno é que seus atendimentos educacionais se farão em classes, escolas ou serviços especializados. Quanto a aspectos, recursos e metas da educação especial, no art. 59 a LDB determina que os sistemas de ensino devem assegurar aos educandos com necessidades especiais: I- Currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos para atender às suas necessidades; II- Terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para a conclusão do Ensino Fundamental em virtude de suas deficiências [...]; III- Professores com especialização adequada em nível médio ou superior, para atendimento especializado, bem como professores do ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns; IV- Educação especial para o trabalho [...]; V- Acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais suplementares disponíveis para o respectivo nível do ensino regular”. Enquanto a LDB se refere a recursos educativos em termos genéricos (inciso I acima), a Lei 10.172, de 9/1/2001 (Plano Nacional de Educação) é, a esse respeito, precisa. CLASSIFICAÇÃO DA DEFICIÊNCIA VISUAL A deficiência visual, compreende as pessoas cegas e com baixa visão, ou seja, deficiência visual não é sinônimo de cego nem de baixa visão. Ambos os termos possuem suas definições e características próprias. De acordo com dados obtidos pela Organização Mundial da Saúde, estima-se que no Brasil existem mais de 750 mil pessoas com deficiência visual. Cegueira (ausência total de visão e luminosidade): definida como falta do sentido da visão, podendo ser total ou parcial. Existem vários tipos de cegueira e seu diagnóstico depende do grau e tipo de perda de visão, como visão reduzida, cegueira parcial (de um olho) ou daltonismo. Classifica-se dependendo do dano que impede a visão, podendo ser: nas estruturas transparentes do olho, na retina, no nervo óptico ou mesmo no cérebro. Pode afetar desde o bebê até a pessoa adulta, ocorrendo por diversos motivos: • Pode ser congênita ou adquirida. • Questões hereditárias - incompatibilidade sanguínea. • Doenças infecciosas: sífilis, toxoplasmose, herpes vaginal, glaucoma, diabetes, rubéola, tumores, entre outros. • Ferimentos. • Envenenamento. • Problemas durante o parto. • Prematuridade e acidentes traumáticos, entre outros acometimentos. • Apesar de não enxergar, o indivíduo tem a chance de poder vir a ler e a escrever. Visão Parcial: têm limitações da visão à distância, mas são capazes de ver objetos e materiais quando estão a poucos centímetros ou no máximo a meio metro de distância. Baixa Visão ou Visão Subnormal (condição de visão que vai desde a capacidade de indicar projeção de luz até a redução da acuidade visual, grau que exige atendimento especializado): é considerado portador de baixa visão aquele que apresenta a capacidade de perceber luz, até o grau em que a deficiência visual limita seu desempenho, que pode ter seu problema corrigido por cirurgias ou pela utilização de lentes (VENTAVOLI, 2012, p. 36-37, grifo nosso). CLASSIFICAÇÃO EDUCACIONAL De Masi e Miranda (2008) também afirmam que atualmente os educadores estão valorizando a avaliação funcional da visão, realizada pelo professor, com a finalidade de complementar a avaliação clínica. Esta avaliação com fins educacionais consiste na observação criteriosa da capacidade visual da criança, revelando os possíveis recursos utilizados por ela no aproveitamento de seu resíduo visual. Os estudantes com baixa visão dispõem de um resíduo visual que pode ser muito útil para seu processo de ensino e aprendizagem (GASPARETTO; NOBRE, 2007). A visão residual pode auxiliar na leitura através de fontes específicas e letras em tamanho ampliado. A estratégia de contraste também é bastante válida, ou seja, entre a letra/fundo e figura/fundo. As cores fortes e contrastantes devem ser também levadas em consideração Diagnosticar precocemente a deficiência visual é primordial para que o desenvolvimento da criança não seja prejudicado, sendo assim, além da família, cabe ao professor estar atento aos sinais que podem estar relacionados a algum tipo de deficiência visual. É necessário que o professor, em sala de aula, fique atento a algumas atitudes dos alunos, principalmente com baixa visão, com relação a algumas condutas, conforme De Sá, Campos e Silva (2007, p. 18): Esses alunos manifestam algumas dificuldades de percepção em determinadas circunstâncias, tais como: objetos situados em ambientes mal iluminados, ambiente muito claro ou ensolarado, objetos ou materiais que não proporcionam contraste, objetos e seres em movimento, visão de profundidade, percepção de formas complexas, representação de objetos tridimensionais, e tipos impressos ou figuras não condizentes com o potencial da visão. Nesse sentido, conforme De Sá, Campos, Silva, trabalhar com o aluno com baixa visão baseia-se no princípio de estimular a utilização plena do potencial de visão e dos sentidos remanescentes, bem como na superação de dificuldades e conflitos emocionais e observar atitudes, conhecer e identificar, por meio da observação contínua, alguns sinais ou sintomas físicos característicos e condutas frequentes, tais como: Tentar remover manchas, esfregar excessivamente os olhos, franzir a testa, fechar e cobrir um dos olhos, balançar a cabeça ou movê-la para frente ao olhar para um objeto próximo ou distante, levantar para ler o que está escrito no quadro negro, em cartazes ou mapas, copiar do quadro negro faltando letras, tendência de trocar palavras e mesclar sílabas, dificuldade na leitura ou em outro trabalho que exija o uso concentrado dos olhos, piscar mais que o habitual, chorar com frequência ou irritar-se com a execução de tarefas, tropeçar ou cambalear diante de pequenos objetos, aproximar livros ou objetos miúdos para bem perto dos olhos, desconforto ou intolerância à claridade. Esses alunos costumam trocar a posição do livro e perder a sequência das linhas em uma página ou mesclar letras semelhantes. Eles demonstram falta de interesse ou dificuldade em participar de jogos que exijam visão de distância (2007, p. 18). No que diz respeito à escola é que os professores saibam sobre os efeitos da ausência ou limitação da visão no processo de desenvolvimento e aprendizagem, sobre a melhor atitude com essas crianças de modo que venham a aprender e a se desenvolver plenamente (AMIRALIAN, 2009). O trabalho pedagógico com alunos com deficiência visual pode ser ofertado com vários recursos que auxiliem a qualificar o processo de ensino-aprendizagem, a utilização destes recursos deve ser avaliada para cada aluno, não havendo um padrão de utilização e eficácia para todos. Os recursos que podem ser utilizados são chamados de ópticos e não ópticos e são indicados de acordo com cada patologia. Recursos ou auxílios ópticos são lentes de uso especial ou dispositivo formado por um conjunto de lentes, geralmente de alto poder, com o objetivo de magnificar a imagem da retina. Esses recursos são utilizados mediante prescrição e orientação oftalmológica. • Recursos ópticos para longe: telescópio: usado para leitura no quadro negro, restringe muito o campo visual; telessistemas, telelupas e lunetas. • Recursos ópticos para perto: óculos especiais com lentes de aumento que servem para melhorar a visão de perto. (Óculos bifocais, lentes esferoprismáticas, lentes monofocais esféricas, sistemas telemicroscópicos). • Lupas manuais ou lupas de mesa e de apoio: úteis para ampliar o tamanho de fontes para a leitura, as dimensões de mapas, gráficos, diagramas, figuras etc. Quanto maior a ampliação do tamanho, menor o campo de visão, com diminuição da velocidade de leitura e maior fadiga visual. Os recursos não ópticos podem serclassificados, de acordo com De Sá, Campos e Silva (2007), em: • Tipos ampliados: ampliação de fontes, de sinais e símbolos gráficos em livros, apostilas, textos avulsos, jogos, agendas, entre outros. • Acetato amarelo: diminui a incidência de claridade sobre o papel. • Plano inclinado: carteira adaptada, com a mesa inclinada para que o aluno possa realizar as atividades com conforto visual e estabilidade da coluna vertebral. • Acessórios: lápis 4B ou 6B, canetas de ponta porosa, suporte para livros, cadernos com pautas pretas espaçadas, tiposcópios (guia de leitura), gravadores. • Softwares com magnificadores de tela e Programas com síntese de voz. Chapéus e bonés: ajudam a diminuir o reflexo da luz em sala de aula ou em ambientes externos. • Circuito fechado de televisão – CCTV: aparelho acoplado a um monitor de TV monocromático ou colorido que amplia até 60 vezes as imagens e as transfere para o monitor. O importante, ao trabalhar com o aluno com deficiência, é organizar o processo de aprendizagem de acordo com as características do aluno, sua vivência, sua história e suas possibilidades, pois a criança aprende ao interagir com o outro, ao socializar o conhecimento e, desta forma, amplia seu olhar sobre os objetos e o meio em que está inserida. É provável que mais cedo ou mais tarde a humanidade triunfe sobre a cegueira, sobre a surdez e sobre a deficiência mental. Mas as vencerá no plano social e pedagógico muito antes que no plano biológico e medicinal. É possível que não esteja longe o tempo em que a pedagogia se envergonhe do próprio conceito que tem sobre a criança deficiente, ou seja, considera como um defeito não eliminável de sua natureza. O surdo falante, o trabalhador cego participantes da vida em toda a sua plenitude, não sentirão sua deficiência e não darão motivos para que outros a sintam. Em nossas mãos está tratar de que o surdo, o cego e o deficiente mental não sejam pessoas com defeito [...] o número de cegos e de surdos se reduzirá de um modo incrível. Pode ser que a cegueira e a surdez desapareçam definitivamente. Porém, muito antes, elas serão vencidas socialmente. Vygotsky (1989, p. 61). image4.png image3.png image5.png image6.png image7.png image8.png image9.png image10.png image11.png image12.png image13.jpeg image14.png image15.png image16.png image17.jpeg image2.png