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CENTRO UNIVERSITÁRIO PLANALTO DO DISTRITO FEDERAL – UNIPLAN 
CURSO DE PEDAGOGIA 
LARISSE ELIAS GOMES 
SABRINA DA SILVA CUNHA 
TAIZA CARDOSO ELIAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A IMPORTÂNCIA DA DIDÁTICA NA FORMAÇÃO DOCENTE E NA PRÁTICA 
PEDAGÓGICA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
BRAGANÇA – PA 
2025 
UNIDADE BRAGANÇA 
SUMÁRIO 
1. INTRODUÇÃO ................................................................................................... 3 
2. A DIDÁTICA E SEU CONCEITO: UMA REFLEXÃO NECESSÁRIA ...... 4 
2.1 A disciplina didática na formação docente........................................................ 6 
2.2 A prática reflexiva e o crescimento profissional ............................................... 7 
2.3 Didática crítica: cortonos e desafios................................................................... 8 
2.4 A importância da atuação docente e do planejamento para uma 
aprendizagem significativa............................................................................... 10 
3. CONCLUSÃO .................................................................................................... 11 
REFERÊNCIAS............................................................................................................ 12 
 
3 
 
 
1. INTRODUÇÃO 
A didática é um dos pilares fundamentais da formação docente, pois fornece os 
princípios, métodos e estratégias que orientam o processo de ensino-aprendizagem. Ao longo 
da história da educação, diversos estudiosos e teóricos ressaltaram a importância dessa 
disciplina na prática pedagógica, destacando-a como um instrumento essencial para garantir 
que o conhecimento seja transmitido de maneira eficiente e significativa. 
No contexto educacional contemporâneo, em que a diversidade de perfis estudantis e as 
novas tecnologias desafiam constantemente os professores, a didática se torna ainda mais 
relevante, pois possibilita a adaptação dos conteúdos às necessidades dos alunos, tornando o 
ensino mais dinâmico e acessível. 
A formação docente exige não apenas o domínio dos conteúdos a serem ensinados, mas 
também a capacidade de estruturar e aplicar metodologias adequadas a diferentes realidades 
escolares. Nesse sentido, a didática não deve ser vista como um conjunto fixo de regras, mas 
sim como um campo de conhecimento que proporciona ao educador ferramentas para refletir 
sobre sua própria prática e aprimorá-la constantemente. 
Segundo Libâneo (2002), o professor precisa articular teoria e prática para que sua 
atuação pedagógica seja eficaz, garantindo que o planejamento educativo esteja alinhado com 
os objetivos do ensino. Assim, a didática auxilia na construção de um ambiente de 
aprendizagem mais interativo, no qual o aluno deixa de ser um mero receptor de informações e 
passa a ser um sujeito ativo no processo educacional. 
Além disso, a didática tem papel essencial na organização das atividades pedagógicas, 
pois orienta a seleção dos conteúdos, a definição das metodologias de ensino, a utilização de 
recursos didáticos e a avaliação da aprendizagem. Ao compreender os diferentes estilos de 
aprendizado dos alunos, o professor pode diversificar suas estratégias, utilizando abordagens 
que estimulem o interesse e a participação ativa dos estudantes. Comênio, ainda no século XII, 
já destacava a didática como um elemento indispensável para tornar o ensino mais eficiente, ao 
propor técnicas que facilitassem a assimilação do conhecimento. Essa perspectiva permanece 
atual, uma vez que a prática docente exige flexibilidade e inovação para atender às demandas 
educacionais do século XXI. 
Diante dessas considerações, percebe-se que a didática desempenha um papel 
indispensável na formação do docente, pois lhe fornece subsídios teóricos e práticos para 
exercer sua profissão com competência e compromisso. A qualidade da educação está 
4 
 
diretamente relacionada à maneira como o ensino é conduzido, e a didática, quando aplicada de 
forma reflexiva e inovadora, contribui para tornar o aprendizado mais significativo e eficaz. 
 
2. A DIDÁTICA E SEU CONCEITO: UMA REFLEXÃO NECESSÁRIA 
A compreensão da didática apresenta variações conforme diferentes autores, mesmo 
entre aqueles alinhados à perspectiva crítica. Para Candau (1984), a didática se configura como 
uma reflexão sistemática que busca alternativas para os desafios da prática pedagógica, 
abordando o processo de ensino-aprendizagem em sua complexidade. 
Dessa forma, sua abordagem considera três dimensões interligadas: a humana, que 
responde à questão do "para que ensinar"; a técnica, relacionada ao "saber fazer"; e a político-
social, que discute o "por que ensinar". 
Já Libâneo (1994) posiciona a didática como um dos principais campos de estudo da 
pedagogia, definindo-a como a teoria do ensino responsável por articular a preparação teórica 
e prática na formação dos professores. Nesse sentido, a didática deve analisar os objetivos 
educacionais, os conteúdos ministrados, os métodos aplicados, a relação entre ensino e 
aprendizagem, além das condições materiais e sociais que influenciam esse processo. 
Seu foco está na realidade da sala de aula, considerando os fatores que determinam a 
interação entre professor e aluno e a efetividade do aprendizado. Na formação docente, a 
didática desempenha um papel essencial ao integrar teoria e prática na construção da atividade 
pedagógica. Ela orienta o trabalho do professor, organizando o ensino por meio de operações 
interligadas, como planejamento, condução das aulas e avaliação do aprendizado. 
A questão dos métodos se subordina à dos conteúdos: se o objetivo é privilegiar a 
aquisição do saber, e de um saber vinculado às realidades sociais, é preciso que os 
métodos favoreçam a correspondência dos conteúdos com os interesses dos alunos, e 
que estes possam reconhecer nos conteúdos o auxílio ao seu esforço de compreensão 
da realidade (Libâneo, 1984, p. 40). 
 
Libâneo (2006) conceitua a didática como uma disciplina integradora que reúne 
conhecimentos de diversas áreas, como teoria da educação, teoria do conhecimento, psicologia, 
sociologia, filosofia e história. Segundo o autor, a compreensão do fenômeno educativo exige 
contribuições de diferentes campos do saber, cada um com sua abordagem epistemológica, mas 
é a pedagogia que centraliza e estrutura esse conhecimento. 
Veiga (1994) também define a didática como uma disciplina teórico-prática essencial 
na formação de professores, cujo objeto de estudo é o ensino. Para a autora, essa área do 
conhecimento converge princípios e teorias oriundos da história, filosofia, psicologia e 
sociologia da educação, fornecendo subsídios para transformar o ensino em um processo 
5 
 
intencional e sistemático. Seu foco de estudo é o processo ensino-aprendizagem, para o qual 
busca fundamentação em diversas áreas, como história, psicologia, sociologia, filosofia, 
pedagogia, antropologia e economia, todas indispensáveis à formação docente. A pedagogia, 
enquanto ciência voltada à educação, serve como suporte para os educadores na busca por 
soluções para os desafios concretos do ensino. 
Nessa mesma linha, Rays (2008, p. 12) ressalta que a didática não é um processo fechado 
ou definitivo. Segundo o autor, a visão meramente instrumental e desprovida de contexto 
histórico se contrapõe à didática crítica, a qual compreende que "todo ato educativo tem 
especificidade própria e varia conforme as circunstâncias do contexto histórico em que o 
mesmo ocorre", evidenciando, assim, a necessidade de uma abordagem contextualizada e 
reflexiva. 
Para Rays (2008, p. 15) a função da didática é 
[...] proporcionar meios para o educador realizar mediações entre os conteúdos-meios-
fins da educação, com suas respectivas consequências pedagógicas e políticas 
explicitamente definidas. Lutar e comprometer-se, pois, com a necessidade que a 
sociedade de classe tem de uma prática pedagógica crítica.Com esse propósito, os 
conteúdos-meios-fins da ação didática necessitam ser trabalhados de forma não 
atomizada, isto é, como uma totalidade coerente e coesa, não esquecendo de que a 
ação didática desenvolve-se dentro de estruturas sociais nas quais os destinos da 
prática social são amplamente diversificados. 
 
Para o referido autor, inicialmente, o político determinada o pedagógico do ato didático. 
Porém, aquele não pode prescindir deste, pois elemento de organização e de processamento do 
trabalho docente, ocorrendo uma integração dialética entre político e pedagógico e deste com o 
didático. 
Assim, os métodos e as técnicas de ensino estão vinculados à didática e a um 
entendimento político-pedagógico. Significam um ordenamento do ensino, implicando recusa 
à improvisação, pois orientam, teórica e praticamente, o ensino e a aprendizagem, expressando 
a concepção e execução do processo, o “como se ensina” (ARAÚJO, 2006). 
Pois, a didática é, segundo Oliveira (1993 apud TAVARES, s/d, p.1), 
[...] teoria pedagógica de caráter prático, ou seja, teoria que busca prover respostas as 
demandas apresentadas pela sociedade à área pedagógica, sobre o desenvolvimento 
da prática no dia-a-dia da sala de aula, por meio de princípios construídos sobre a 
realidade concreta dessa prática, envolvendo um saber tecnológico que implique 
técnicas e regras sobre como ensinar. [...] estuda e ensina como transformar o saber 
escolar, ou seja, o processo de pedagogização do saber científico. 
 
E, coadunando com Oliveira (1993), Tavares (s/d) entende a Didática como uma 
concepção de ensino e prática social articulada a outras práticas sociais na formação histórico-
social. O que impõe situá-la no tempo e no espaço, a fim de visualizar seus determinantes. 
 
6 
 
2.1 A disciplina didática na formação docente 
Fica evidente que um dos grandes desafios da educação, no que diz respeito à didática, 
está na separação entre teoria e prática. Enquanto a teoria traça o caminho e a prática representa 
a execução, a falta de conexão entre ambas impede o professor de concretizar o que foi 
planejado, fazendo com que essa desconexão comprometa a aplicação de conhecimento, 
tornando a prática menos eficaz. 
Os educadores devem ter pleno domínio das bases teóricas, científicas e tecnológicas, 
bem como sua aplicação às exigências concretas do ensino. É esse conhecimento que lhes 
permite refletir, analisar e aperfeiçoar sua atuação pedagógica. 
Como aponta Libâneo (2002, p. 28), esse domínio possibilita a constante revisão e 
aprimoramento da prática educativa. 
A formação docente não deve ocorrer de maneira aleatória ou sem planejamento, pelo 
contrário, precisa ser orientada por metas e estratégias bem definidas, tendo a didática como 
um guia que permite alcançar os objetivos traçados dentro das possibilidades concretas da 
educação. 
Conforme Comênio, no século XII, a didática se configura como uma norma técnica do 
ensino, pois proporciona aos docentes diretrizes que levam a propostas pedagógicas mais 
eficientes no processo de ensino-aprendizagem. Para isso, deve estar sempre articulada à teoria, 
sendo indispensável no contexto do conhecimento pedagógico. 
Qualquer prática educativa que ignore a didática como norteadora de objetivos pode 
abrir espaço para falhas e desorientação em relação ao que foi planejado. Desde que passou a 
ser considerada um componente curricular em 1930, a didática tem sido vista como um conjunto 
de diretrizes organizadas que estruturam o trabalho pedagógico, buscando sua melhoria e 
prevenindo problemas decorrentes da ausência de planejamento. 
Além disso, é fundamental diversificar os recursos didáticos, uma vez que cada aluno 
possui formas distintas de aprender, e diferentes métodos podem ser utilizados para 
potencializar esse processo. Contudo, a didática não se resume à simples transmissão de 
conteúdo; é necessário oferecer estratégias envolventes que despertem o interesse dos alunos, 
já que uma didática eficiente depende tanto da motivação quanto da habilidade do professor em 
ensinar. 
Considerando que o aluno é o sujeito ativo da aprendizagem, a didática deve permitir 
que ele explore suas diversas capacidades. Segundo Cipriano Luckesi, a didática vai além da 
técnica de ensinar, pois auxilia na organização do pensamento, na escolha dos métodos mais 
apropriados e na definição das melhores estratégias para sua aplicação. 
7 
 
É inegável que a integração da didática na formação docente contribui para a articulação 
entre diferentes disciplinas, incentivando reflexões sobre as práticas pedagógicas. Dessa forma, 
o professor que atua com responsabilidade e segurança no ensino de seus conteúdos, utilizando 
materiais adequados para facilitar a compreensão dos alunos, está efetivamente aplicando a 
didática e concretizando seus objetivos educacionais. 
Sendo assim, pode-se afirmar que a didática é um elemento essencial do ensino, pois 
busca estratégias adequadas para estimular nos alunos o desejo pelo aprendizado, incentivando 
o pensamento crítico, a criatividade e a formação cidadã. Afinal, a educação não se resume à 
mera transmissão de conhecimento, mas sim à criação de oportunidades para que cada indivíduo 
construa seu próprio saber. 
Segundo Feire (1996) o processo de ensino-aprendizagem é uma seta de mão dupla, de 
um lado, o professor ensina e aprende e, do outro, o estudante aprende e ensina. 
É evidente que a transformação da sociedade está diretamente ligada à evolução do 
ensino, que, por sua vez, depende tanto da formação dos educadores quanto da renovação das 
práticas pedagógicas. Essas mudanças impactam não apenas a esfera educacional, mas também 
aspectos políticos e sociais. 
Libâneo enfatiza que as transformações individuais só ocorrem quando há mudanças no 
ambiente e nas práticas pedagógicas. Para ele, a educação transcende a necessidade básica de 
aprender, promovendo o desenvolvimento do conhecimento e da experiência em diversas áreas 
da ciência, capacitando os indivíduos para atuar ativamente na sociedade e contribuir para sua 
transformação. 
 
2.2 A prática reflexiva e o crescimento profissional 
A prática reflexiva é um conceito fundamental no desenvolvimento profissional dos 
professores, pois permite que eles analisem criticamente suas ações e decisões pedagógicas. 
Segundo Schön (1983), o professor deve atuar como um “profissional reflexivo”, ou seja, 
alguém que aprende com a própria experiência e adapta suas práticas conforme as necessidades 
dos alunos. Para ele, essa reflexão pode ocorrer na ação, quando o professor ajusta sua 
abordagem durante a aula, e sobre a ação, quando a análise acontece posteriormente, 
possibilitando melhorias para o futuro. 
Além de Schön, Zeichner (1993) destaca que a prática reflexiva envolve uma postura 
investigativa do professor sobre seu próprio ensino, levando-o a questionar métodos, estratégias 
e o impacto de suas decisões na aprendizagem dos alunos. Para o autor, essa abordagem permite 
8 
 
que os docentes desenvolvam um ensino mais crítico e inovador, ajustando-se às constantes 
transformações do contexto educacional. 
Nessa perspectiva, Perrenoud (2002) afirma que a reflexão sobre a prática docente deve 
ser contínua e fundamentada em teorias educacionais e experiências concretas. Ele ressalta que 
os professores precisam abandonar uma postura passiva e assumir um papel ativo na busca por 
melhorias no ensino, utilizando ferramentas como registros reflexivos, auto avaliação e a troca 
de experiências com outros profissionais. 
A prática reflexiva, portanto, não se limita a um processo individual, mas também se 
fortalece no diálogo com outros educadores. Segundo Alarcão (2010), a colaboração entre 
professores e a participação em formações continuadas são elementos essenciais para o 
aperfeiçoamento profissional. A autora reforça que, ao compartilhar experiências e analisar 
desafios comuns,os docentes ampliam sua compreensão sobre o ensino e encontram soluções 
mais eficazes para os problemas educacionais. 
Dessa forma, a prática reflexiva contribui significativamente para o aprimoramento 
contínuo do professor, tornando-o mais consciente de suas escolhas pedagógicas e mais 
preparado para lidar com as demandas da educação contemporânea. Ao refletir sobre sua 
atuação, o docente não apenas melhora sua prática, mas também fortalece sua autonomia e 
compromisso com a qualidade do ensino. 
 
2.3 Didática crítica: cortonos e desafios 
Para Veiga (1994; 2004), a didática crítica busca superar dicotomias e reducionismos 
de outras teorias pedagógicas. Ela entende a educação como uma contradição dentro de uma 
sociedade dividida em classes, em que a escola é parte integrante dessa realidade, sendo um 
espaço de difusão do conhecimento. Seu foco está na formação do ser humano, com ênfase na 
autonomia e reciprocidade entre os envolvidos no processo educativo. 
O aluno traz consigo saberes que devem ser valorizados e reelaborados para gerar 
mudanças, enquanto o professor facilita a transição desses saberes para conteúdos culturais 
universais, que são reavaliados constantemente. A didática crítica visa um ensino que prioriza 
os interesses das classes populares, com a intenção de transformar relações de opressão e 
democratizar a escola pública, considerando a sala de aula como um espaço de avanço no saber 
didático-prático (TAVARES, s/d, p. 1). 
Fundamentada no marxismo, a didática crítica se articula com a pedagogia histórico-
crítica (PHC), que compreende a educação como um instrumento de transformação social. A 
9 
 
PHC busca interpretar as questões educacionais a partir do materialismo histórico, entendendo 
a história a partir das condições materiais da existência humana (SAVIANI, 2000, p. 102). 
Atualmente, a educação enfrenta desafios significativos, como a inclusão de estudantes 
com diferentes necessidades, a incorporação de tecnologias no ensino e a busca por 
metodologias inovadoras que engajem os alunos em um mundo cada vez mais digital. A 
didática crítica, ao enfatizar a autonomia do aluno e a mediação do professor, pode contribuir 
para enfrentar esses desafios. Por exemplo, a valorização dos saberes prévios dos alunos dialoga 
com a necessidade de inclusão educacional, reconhecendo que cada estudante tem uma 
realidade única. Isso é essencial para o ensino de alunos com deficiência ou de diferentes 
contextos sociais e culturais. 
O avanço tecnológico também impacta a prática pedagógica. A PHC e a didática crítica 
podem integrar tecnologias digitais, como plataformas interativas, inteligência artificial e 
ensino híbrido, sem perder de vista a necessidade de uma reflexão crítica sobre o uso dessas 
ferramentas. O professor não deve ser apenas um transmissor de conteúdos digitalizados, mas 
sim um mediador que ajuda os alunos a compreenderem e questionarem criticamente a 
informação disponível na era digital. 
Além disso, as metodologias ativas, como a aprendizagem baseada em projetos e a sala 
de aula invertida, podem ser incorporadas à didática crítica, pois estimulam o protagonismo do 
aluno e sua participação ativa no processo de construção do conhecimento. A problematização 
da realidade, proposta pela PHC, pode ser potencializada por essas abordagens, levando os 
alunos a desenvolverem projetos que dialoguem com suas vivências e com os desafios sociais 
contemporâneos. 
Gasparin (2007), ao se apoiar em Saviani (2008), propõe uma sistematização didática 
em cinco movimentos, iniciando pela análise crítica da realidade social. Esse processo permite 
o desenvolvimento de novas perspectivas pedagógicas, dialogando entre a totalidade social e a 
sala de aula. O ponto de partida para o professor é o conhecimento prévio dos alunos, que, por 
meio da mediação, é superado em direção ao conhecimento científico, requerendo planejamento 
e domínio do conteúdo. 
A prática docente, ao ser mediada pela PHC, segue os princípios de síncrese, síntese e 
catarse. A síncrese envolve o levantamento da prática social do aluno, a síntese é a mediação 
do professor, e a catarse representa a reelaboração do saber pelo aluno (SAVIANI, 2003). Dessa 
forma, a didática crítica promove uma educação comprometida com a transformação da 
realidade social, valorizando o conhecimento científico e cultural. 
 
10 
 
2.4 A importância da atuação docente e do planejamento para uma aprendizagem 
significativa 
O professor desempenha um papel essencial como mediador do conhecimento, 
possibilitando que os alunos avancem em seu processo de aprendizagem. Mais do que um mero 
transmissor de informações, ele atua como um facilitador, guiando os estudantes na construção 
do saber por meio da interação e da problematização da realidade. Para que essa mediação 
ocorra de forma eficaz, o planejamento didático se torna um elemento indispensável, pois 
permite estruturar intencionalmente as ações pedagógicas e garantir que o ensino seja coerente 
com os objetivos educacionais. 
Segundo Vygotsky (2007, p. 112), "o aprendizado desperta processos internos de 
desenvolvimento que só operam quando a criança interage com outras pessoas no ambiente 
social e na cultura". Essa perspectiva evidencia a importância do professor como mediador, 
pois é por meio da interação com o docente e os colegas que o aluno amplia suas capacidades 
cognitivas e se apropria do conhecimento científico. O ensino, portanto, deve ser planejado para 
favorecer essas interações, criando situações em que o estudante possa desenvolver novas 
habilidades. 
Nesse sentido, o planejamento didático se apresenta como um instrumento fundamental 
na organização do ensino. Libâneo (2013, p. 150) afirma que "o planejamento didático é uma 
ação intencional do professor, orientada para a organização do ensino e para a construção de 
condições que favoreçam a aprendizagem dos alunos". Dessa forma, o professor precisa 
estabelecer estratégias, selecionar conteúdos, definir metodologias e avaliar constantemente o 
processo educativo, garantindo que a mediação aconteça de maneira significativa e que os 
estudantes possam avançar em sua formação. 
Além disso, o professor tem o compromisso de proporcionar aos alunos o acesso ao 
conhecimento historicamente acumulado, permitindo-lhes superar o senso comum e 
desenvolver uma compreensão crítica da realidade. De acordo com Saviani (2008, p. 69), o 
professor pode tornar possível a ruptura entre a experiência pouco elaborada e dispersa dos 
alunos em direção aos conteúdos culturais universais que são permanentemente reavaliados 
frente à sociedade". Isso demonstra que a mediação docente não é neutra, mas sim um processo 
intencional que visa garantir o direito à educação e à emancipação dos sujeitos. 
Dessa forma, a atuação do professor como mediador e o planejamento didático são 
elementos interdependentes para a construção de uma educação de qualidade. A mediação 
qualificada possibilita que os alunos avancem no processo de aprendizagem, enquanto o 
planejamento didático garante que esse avanço ocorra de forma organizada e eficaz. 
11 
 
3. CONCLUSÃO 
A didática é um elemento fundamental na formação docente, uma vez que envolve a 
articulação entre os conhecimentos teóricos e práticos necessários ao processo de ensino e 
aprendizagem. Ela se manifesta de diversas formas, dependendo da teoria pedagógica adotada, 
e se reflete diretamente na organização da prática pedagógica. Como aponta Saviani (2003), a 
organização pedagógica requer uma elaboração coerente, na qual sejam especificados os 
conteúdos, os métodos e os procedimentos técnicos. Esses elementos, que compreendem todos 
os recursos e estratégias utilizados no processo de ensino, são determinantes para garantir que 
o ensino e a aprendizagem sejam desenvolvidos de forma eficaz e transformadora 
Entretanto, a educação, quando inserida em uma sociedadecapitalista, não é um 
processo neutro. Ela está intrinsecamente vinculada às relações sociais e, na sociedade dividida 
em classes sociais antagônicas, essas relações permeiam todo o processo educativo. Nesse 
sentido, a educação pode atuar tanto como um mecanismo de reprodução das desigualdades 
sociais quanto como um espaço de transformação e superação dessas relações. Saviani (2003) 
sugere que uma didática crítica, ao se fundamentar em teorias que visam transformar a 
sociedade, propõe um compromisso político do docente. Esse compromisso não é apenas com 
a técnica de ensino, mas com a função social da educação, que deve ser voltada para a 
emancipação dos alunos e para a superação das condições de exploração e dominação existentes 
na sociedade. 
Esse compromisso se reflete na transformação intelectual do professor, que, ao adotar 
uma postura crítica em sua prática pedagógica, propicia um ambiente de aprendizagem mais 
crítico e reflexivo. A mudança na concepção do conteúdo, que se dá a partir da reelaboração 
constante de sua prática docente, tem como resultado um nível mais profundo de compreensão 
científica, social e histórica. Essa evolução não se limita apenas ao docente, mas se estende aos 
alunos, que, ao serem expostos a uma educação crítica, são estimulados a questionar e 
transformar a realidade ao seu redor. 
Portanto, a formação do professor, especialmente no que diz respeito à Didática Crítica, 
é imprescindível. Ao ser orientada por essa perspectiva, a formação docente propicia ao 
professor as ferramentas necessárias para que ele desenvolva uma prática pedagógica que, além 
de técnica, seja também comprometida com os interesses da classe trabalhadora. Nesse 
contexto, a didática se torna um instrumento fundamental para promover a transformação das 
relações de exploração e opressão presentes na sociedade, garantindo um ensino que seja, de 
fato, libertador e transformador. 
 
12 
 
REFERÊNCIAS 
Vygotsky, Lev. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 2007. Disponível em: 
https://www.google.com.br/books. Acesso em: 18 mar. 2025. 
 
Libâneo, José Carlos. Didática. 6. ed. São Paulo: Cortez, 2013. Disponível em: 
https://www.amazon.com.br/didática-libâneo. Acesso em: 18 mar. 2025. 
 
Saviani, Dermeval. Pedagogia Histórico-Crítica: Contribuições para a educação brasileira. 
São Paulo: Cortez, 2008. Disponível em: https://www.scielo.br/j/scielo. Acesso em: 18 mar. 
2025. 
 
Comênio, Jan Amos. Didática Magna. São Paulo: Loyola, 1992. Disponível em: 
https://www.livrariascuritiba.com.br/didatica-magna-comenio. Acesso em: 22 mar. 2025. 
 
Cipriano Luckesi, Elvira. Avaliação da aprendizagem: Prática e realidade. São Paulo: Cortez, 
1996. Disponível em: https://www.cortez.com.br/livros/avaliacao-da-aprendizagem. Acesso 
em: 22 mar. 2025. 
 
Zeichner, Kenneth. Reflexive Teaching in Education: An Introduction. London: Routledge, 
1993. Disponível em: https://www.routledge.com/Reflexive-Teaching-in-Education. Acesso 
em: 22 mar. 2025. 
 
Perrenoud, Philippe. Construir as competências desde a escola. Porto Alegre: Artmed, 2002. 
Disponível em: https://www.artmed.com.br/perrenoud. Acesso em: 27 mar. 2025. 
 
Alarcão, Isabel. A prática reflexiva na formação de professores. Lisboa: McGraw-Hill, 2010. 
Disponível em: https://www.mcgrawhill.com.br/isc/alarcao. Acesso em: 27 mar. 2025. 
 
Tavares, Nélio. Didática e prática docente: questões de ensino e aprendizagem. São Paulo: 
Edusp, 1997. Disponível em: https://www.edusp.com.br/tavares. Acesso em: 29 mar. 2025. 
 
Gasparin, Maria Aparecida. Didática e transformação educacional. São Paulo: Cortez, 2007. 
Disponível em: https://www.cortez.com.br/didatica-transformacao-educacional. Acesso em: 29 
mar. 2025. 
13 
 
 
Saviani, Dermeval. Pedagogia histórico-crítica e educação pública: uma introdução ao 
pensamento de Dermeval Saviani. São Paulo: Cortez, 2003. Disponível em: 
https://www.cortez.com.br/pedagogia-historico-critica. Acesso em: 29 mar. 2025.

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