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GESTÃO DE OBRAS AULA 5 Prof.ª Fernanda dos Santos Gentil 2 2 CONVERSA INICIAL Nesta aula, serão trabalhados de forma mais aprofundada sobre os assuntos relacionados com cronograma, abordagem probabilística, recursos, curva S e o acompanhamento. Diante de cada item, será apresentada a importância de entender e realizar o controle de tais etapas que compõem um planejamento de obra. Dentro do planejamento de obras, a parte de previsões é predominante. Existem maneiras de minimizar as incertezas provenientes das previsões por meio da abordagem probabilística. Em virtude da relevância desse assunto, há um tema destinado para o seu aprofundamento. TEMA 1 – CRONOGRAMA Segundo Mattos (2019), é com base no cronograma que o planejador e sua equipe conseguem tomar algumas atitudes diante das programações dos serviços das equipes de campo, instrução das equipes; realização de pedidos de compra; aluguel de equipamentos; contratação de colaboradores; monitoramento das atividades; replanejamento da obra, dentre outras. Conforme o PMI (2017), o gerenciamento do cronograma inclui os processos necessários para assegurar a conclusão do projeto no prazo previsto. Dessa forma, é importante ressaltar a necessidade de acompanhamento de gestão desde a concepção do planejamento até a entrega final. No planejamento e controle de obras, existem dois formatos de cronograma, conhecidos como cronograma de Gantt e cronograma integrado Gantt-PERT/CPM. O primeiro introduziu o cronograma de barras, considerado uma ferramenta de controle de produção das atividades. O cronograma de Gantt é um gráfico simples, onde à esquerda são descritas as atividades e à direita são representadas as barras que percorrem uma escala de tempo. Vale ressaltar que o comprimento da barra representa a duração das atividades. Tal cronograma pode ser visualizado no Quadro 1. 3 3 Quadro 1 – Cronograma de Gantt (cronograma de barras) ATIVIDADE DIA 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Terraplenagem Fundação Estrutura Instalações Acabamento Fachada Limpeza Final Fonte: Elaborado com base em Mattos, 2019. O cronograma de Gantt é uma ferramenta de controle que facilmente pode ser lida. As atividades são posicionadas de maneira simples e imediata ao longo do tempo e apresentam um visual atrativo. No entanto, uma desvantagem desse cronograma é que ele não possibilita a visualização da ligação entre as atividades, não considera as folgas e não apresenta o caminho crítico. Com o objetivo de elaborar uma ferramenta de controle mais eficiente, os planejadores desenvolveram o cronograma integrado Gantt-PERT/CPM. No cronograma Gantt-PERT/COM, os planejadores conseguiram compilar em um único lugar a numeração das atividades; sequência das atividades; datas mais cedo e mais tarde de início e de fim; folgas; atividades críticas e a situação real do projeto. Dentro de um cronograma, são especificados os marcos, que são pontos de controle que se destacam na rede. Recomenda-se identificá-los no cronograma, pois eles auxiliam na rápida visualização da data em que o projeto atinge em determinados momentos. Existem dois tipos de marcos, o de planejamento ou contratuais, conforme pode ser visualizado no Quadro 2. Para exemplificar, considere os seguintes marcos de planejamento: início de obra; final da terraplenagem; estrutura concluída; liberação de área e pavimentação finalizada. 4 4 Como marcos contratuais, considera-se a ordem de serviço; entrega do primeiro trecho da estrada; liberação da primeira parcela de recursos; reunião de coordenação com o cliente e inauguração da obra. Dessa forma, pode-se concluir que marcos de planejamento são definidos pelo planejador e as datas são estabelecidas a partir da rede. Já o marco contratual são datas impostas que obrigatoriamente deverão ser cumpridas (Mattos, 2019). Quadro 2 – Cronograma com marcos de planejamento e contratuais MARCO JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL Ordem de serviço Término da Fundação Início da Estrutura Término da Estrutura Final da Obra Fonte: Elaborado com base em Mattos, 2019. No cronograma, é possível retratar as atividades realizadas de forma sequencial (dias corridos), como também é possível retratar as atividades executadas apenas nos dias úteis. O primeiro é conhecido como cronograma paramétrico, onde as atividades estão dispostas em dias sequenciais, conforme apresentado no Quadro 3. Quadro 3 – Cronograma Paramétrico ATIVIDADE DIA 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 A B C D E F Caminho crítico 5 5 Fonte: Elaborado com base em Mattos, 2019. O outro tipo de cronograma é o que se chama de cronograma em dias de calendário. Para melhor entendimento desse cronograma, considere que as atividades em uma obra só funcionem de segunda a sexta-feira e que um determinado dia haverá feriado. Neste exemplo, o dia é 21 de abril, e o cronograma será apresentado de acordo com o Quadro 4. Quadro 4 – Cronograma em dias de calendário ATIVIDADE ABRIL Q Q S S D S T Q Q S S D S T Q Q S 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 A B C D E F Assim como qualquer ferramenta, existem as vantagens e desvantagens referente à sua utilização. De acordo com Mattos (2019), as vantagens do cronograma são: • apresentação simples e fácil assimilação; • fácil compreensão das folgas; • importante para alocação dos recursos; • importante para o cronograma físico-financeiro; • excelente ferramenta de monitoramento e controle; • possibilita acompanhar o progresso das atividades. Com relação às desvantagens da utilização do cronograma, segundo Mattos (2019) é que a sequência lógica as atividades são mais bem Caminho crítico Finais de semana Feriados 6 6 compreendidas no diagrama de rede; difícil percepção de como o atraso ou adiantamento de uma determinada atividade prejudica de forma geral a rede e não elimina o recálculo da rede para a atualização do programa. TEMA 2 – ABORDAGEM PROBABILÍSTICA Como abordado em conteúdos anteriores, os planejadores fazem uma previsão para a determinação das durações das atividades. Com a finalidade de obterem maiores certezas, é recomendado que eles utilizem em seus cálculos uma abordagem probabilística. Para iniciar os estudos estatísticos, é importante conhecer a duração probabilística, que é a base do PERT. Dessa forma, segundo Mattos (2019), “toda duração tem uma margem de variabilidade associada e que arbitrar um valor único não é muito prudente ou confiável”. Dentro da abordagem probabilística, existem três tipos de durações, que são a otimista, a pessimista e a mais provável. A duração otimista (O) refere-se ao período que o serviço levará se tudo correr muito bem, ou seja, é a duração relativa ao melhor cenário. A duração pessimista (P) refere-se ao período que a atividade levará para ser executada se tudo correr mal, caracterizando como sendo uma duração relativa ao pior cenário. Já a duração mais provável (M) é caracterizada como a melhor apostado planejador e refere-se ao período em que a atividade será executada, levando em conta todas as circunstâncias em que ela ocorre (Mattos, 2019). A partir do entendimento dos três tipos de durações, é possível que o planejador calcule a duração esperada, a qual leva em conta os valores das durações mencionadas anteriormente. Para cada duração é estipulado um peso, conforme pode ser visualizado na fórmula abaixo, sendo que para a duração otimista e pessimista, tem o peso 1, e a duração mais provável tem o peso 4. Justifica-se este último valor por apresentar maiores chances de ocorrência. 𝐸 = 𝑂 + 4𝑀 + 𝑃 6 Onde: • E = duração esperada; • O = duração otimista; 7 7 • M = duração mais provável; • P = duração pessimista. As durações são representadas graficamente por meio da distribuição beta, como pode ser mais bem visualizada nas figuras a seguir. O gráfico da distribuição beta relaciona o tempo com a frequência da ocorrência das atividades e a curva que se forma representa a probabilidade de cada intervalo de tempo ser alcançado. Figura 1 – Distribuição beta: (a) simétrica; (b) assimétrica distorcida para a direita e (c) assimétrica distorcida para a esquerda Fonte: elaborado com base em UFSC, S.d. Ao observar cada gráfico apresentado anteriormente, é possível realizar algumas interpretações com relação à formação das curvas. Chama-se distribuição simétrica, representada no gráfico (a), quando as durações otimistas e pessimistas são equidistantes da duração mais provável, assim a duração esperada coincide com a mais provável. Distribuição assimétrica distorcida para a direita, representada no gráfico (b), é quando a duração pessimista está mais distante da duração mais provável do que a otimista. O gráfico (c) representa uma distribuição assimétrica distorcida para a esquerda, pois a duração otimista está mais distante da duração mais provável do que a pessimista. Dentro da abordagem probabilística, existem duas grandezas muito importantes para análise dos dados levantados, que são o desvio-padrão e a 8 8 variância. O desvio-padrão (σ), de acordo com Lunet, Barros e Severo (2006), é caracterizado como os desvios de cada amostra em relação à média. Dentro dessa ideia, o desvio-padrão levando em consideração às durações mencionadas anteriormente é dado por: 𝜎 = 𝑃 − 𝑂 6 Onde: • P = duração pessimista; • O = duração otimista. A interpretação que o planejador precisa ter em mente é que quanto maior o desvio-padrão, mais será a incerteza. Dessa forma, um grande afastamento entre a duração pessimista e a duração otimista fará com que se tenha um alto desvio-padrão, caracterizando assim maior risco. A representação gráfica do desvio-padrão é apresentada na Figura 2. Figura 2 – Desvio-padrão Fonte: Startupi, S.d. A partir do gráfico, é possível ter os seguintes entendimentos: • 68,2% dos valores encontram-se a menos de um desvio-padrão em relação à média. • 95,4% dos valores encontram-se a menos de dois desvios-padrão em relação à média. 9 9 • 99,7% dos valores encontram-se a menos de três desvios-padrão em relação à média. A outra grandeza muito importante dentro da abordagem probabilística é a variância (σ²), que também retrata o grau de incerteza dos valores em torno da média. Assim como existem as durações probabilísticas, também há o caminho crítico probabilístico. Para melhor entendimento deste item, considere um determinado exemplo. Existem atividades de A a H, representado no diagrama de flechas ilustrado na Figura 3, com suas respectivas durações otimistas, mais provável e pessimista, retratado na Tabela 1. Figura 3 – Diagrama de flechas Crédito: Fernanda dos Santos Gentil. Tabela 1 – Atividades e durações probabilísticas ATIVIDADE O M P A 2 6 10 B 1 3 4 C 4 8 9 D 3 3 3 E 5 6 8 F 3 7 11 G 6 11 14 H 3 4 9 Fonte: Elaborado com base em Mattos, 2019. A próxima etapa é calcular para cada atividade os valores de duração esperada, o desvio padrão e a variância. Os resultados de cada item estão descritos na Tabela 2. Tabela 2 – Cálculo da duração esperada, do desvio-padrão e da variância 10 10 ATIVIDADE O M P E= (O+4M+P)/6 σ = (P-O)/6 σ² A 2 6 10 6,00 1,33 1,78 B 1 3 4 2,83 0,50 0,25 C 4 8 9 7,50 0,83 0,69 D 3 3 3 3,00 0,00 0,00 E 5 6 8 6,17 0,50 0,25 F 3 7 11 7,00 1,33 1,78 G 6 11 14 10,67 1,33 1,78 H 3 4 9 4,67 1,00 1,00 Fonte: Elaborado com base em Mattos, 2019. A partir dos dados das durações esperadas, representados na Tabela 2, é possível estabelecer o caminho crítico, sendo a seguinte sequência: A-B-C-F- H. Somando as durações esperadas destas atividades, o prazo total é de 28 dias. A determinação do caminho crítico é apresentada na Figura 4. Figura 4 – Caminho crítico Crédito: Fernanda dos Santos Gentil. O próximo passo é encontrar o valor da variância considerando o prazo total. Para isso, somam-se as variâncias de cada atividade: 𝜎2 = 𝜎2𝐴 + 𝜎2𝐵 + 𝜎2𝐶 + 𝜎2𝐹 + 𝜎2𝐻 𝜎2 = 1,78 + 0,25 + 0,69 + 1,78 + 1 𝜎2 = 5,5 Então, o desvio-padrão considerando o prazo total é obtido extraindo a raiz quadrada da variância. 𝜎 = √𝜎2 𝜎 = √5,5 11 11 𝜎 = 2,35 𝑑𝑖𝑎𝑠 Com o valor da variância e do desvio-padrão considerando o prazo total pode-se obter as seguintes análises: • Existe 68% de probabilidade de o projeto finalizar entre T-1 𝜎 e T+1 𝜎, ou seja, entre 25,7 e 30,4 dias; • Existe 95% de probabilidade de o projeto finalizar entre T-2 𝜎 e T+2 𝜎, ou seja, entre 23,3 e 32,7 dias; • Existe 99,7% de probabilidade de o projeto finalizar entre T-3 𝜎 e T+3 𝜎, ou seja, entre 21 e 35 dias. Tais análises estão representadas na Figura 5. Figura 5 – Desvio-padrão e probabilidades Crédito: Fernanda dos Santos Gentil. TEMA 3 – RECURSOS Dentro do planejamento e controle de obras, muito se fala sobre alocação de recursos. Antes de entender esse conceito, é preciso compreender a 12 12 definição de recurso. Recursos são elementos fundamentais para a realização de uma determinada atividade, os quais podem ser mão de obra, material, equipamento, dinheiro, dentre outros. Após definição, pode-se entender que a alocação de recursos significa destinar de forma estratégica o recurso adequado para o andamento da atividade de acordo com o planejamento. Dessa forma, a alocação de recursos pode ter um caráter qualitativo quanto quantitativo. Na etapa do planejamento, é elaborado um cronograma simples que apresenta a sequência programada para início mais cedo, com as folgas, as atividades críticas e a quantidade de dias necessários para que o colaborador possa realizar uma determinada atividade. Tal cronograma pode ser visualizado no Quadro 5. Quadro 5 – Cronograma início mais cedo ATIV DIA 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 0-10 2 2 10 -20 - - - - 2 2 10 -30 6 6 6 6 20-40 - - - - 5 5 30-40 1 1 1 1 40-50 2 Recursos (Colaborador) 2 2 8 8 11 11 1 1 1 1 2 Acumulado 2 4 12 20 31 42 43 44 45 46 48 Fonte: Elaborado com base em Mattos, 2019. A partir da montagem do cronograma simples de início mais cedo, conforme apresentado no Quadro 5, é possível elaborar o histograma de recurso referente ao início mais cedo das atividades. Tal histograma pode ser visualizado no Gráfico 1. Atividades críticas 13 13 Gráfico 1 – Histograma de recursos referente ao início mais cedo das atividades Fonte: Elaborado com base em Mattos, 2019. Como mencionado em conteúdos anteriores, o planejador consegue fazer alterações nas atividades consideradas não críticas, por meio do seu deslocamento dentro da flexibilidade das folgas, assim o prazo total do projeto não é afetado. A seguir é apresentado, no Quadro6, o cronograma de início mais tarde das atividades, onde as atividades não críticas foram reposicionadas. Quadro 6 – Cronograma de início mais tarde ATIV DIA 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 0-10 2 2 10 -20 - - - - 2 2 10 -30 6 6 6 6 20-40 - - - - 5 5 30-40 1 1 1 1 40-50 2 Recursos (Colaborador) 2 2 6 6 6 6 3 3 6 6 2 Acumulado 2 4 10 16 22 28 31 34 40 46 48 Crédito: Fernanda dos Santos Gentil. 2 2 8 8 11 11 1 1 1 1 2 0 2 4 6 8 10 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 R ec u rs o s Dia Histograma mais cedo 14 14 Gráfico 2 – Histograma de recursos referente ao início mais tarde das atividades Crédito: Fernanda dos Santos Gentil. A partir da elaboração dos histogramas, é possível traçar a curva S e a curva banana, a partir dos valores que constituem os cronogramas. Neste momento, iniciaremos a abordagem sobre a construção dessas curvas, mas no Tema 4 serão apresentadas mais informações sobre esse assunto. A curva S se mostra no gráfico de maneira crescente, apresentando a construção do total acumulado do recurso ao decorrer do tempo. Considere os valores dos acumulados descritos no Quadro 5 e 6, a partir desses resultados gera-se a curva S para cada histograma, conforme mostra o Gráfico 3. Gráfico 3 – Curva S (histograma mais cedo; histograma mais tarde) Crédito: Fernanda dos Santos Gentil. 2 2 6 6 6 6 3 3 6 6 2 0 1 2 3 4 5 6 7 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 R ec u rs o s Dia Histograma mais tarde 0 10 20 30 40 50 60 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 R ec u rs o s Dia Histograma mais cedo Histograma mais tarde 15 15 A partir do Gráfico 3, comparando as duas curvas S, é possível constatar que o histograma mais cedo proporciona uma alocação mais intensa de recursos nos primeiros dias, consequentemente vai requerer um investimento inicial maior, já o histograma mais tarde possibilita um investimento inicial mais reduzido, no entanto, o aumento desse valor acontecerá nas etapas finais de projeto. Como também pode ser visualizado no Gráfico 3 o desenho que as duas curvas S formam é de uma banana, em virtude disso, justifica-se o nome ser curva banana. Com a finalidade de suavizar as flutuações do histograma, é possível que o planejador pense em soluções intermediárias que serão representadas graficamente no interior na “banana”. Tais soluções podem ser apresentadas como sendo uma solução ideal entre os dois extremos (mais cedo e mais tarde), contribuindo com a distribuição mais razoável dos investimentos ao longo do projeto e otimizando a quantidade de recursos. Então, é nesta etapa que é desenvolvido o nivelamento de recursos. Considerando os dados do Gráfico 3, uma solução de nivelamento sugerida pode ser visualizada no Gráfico 4. Gráfico 4 – Histograma nivelado Crédito: Fernanda Dos Santos Gentil. TEMA 4 – CURVA S Neste tema, daremos continuidade ao assunto sobre a curva S. É interessante compreender de onde surge a denominação curva S. Primeiramente, é importante entender que os níveis de atividade do projeto apresentam o mesmo comportamento de uma curva de Gauss. Há essa 0 10 20 30 40 50 60 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 R ec u rs o s Dia Histograma mais cedo Histograma nivelado Histograma mais tarde 16 16 concepção, pois o serviço começa em um ritmo mais lento, com poucas atividades acontecendo. Em seguida, passa-se para uma etapa mais intensa, com várias atividades acontecendo simultaneamente. Já no final do projeto, o ritmo das atividades começa a diminuir. Tal processo pode ser retratado em um gráfico, conforme ilustrado na Figura 6. Figura 6 – Curva de Gauss Fonte: Proeducacional, S.d. Continuando esta ideia, ao considerar o trabalho acumulado e utilizá-lo para a construção gráfica em função do tempo, a curva que será obtida terá o formato da letra S, por isso a nomenclatura de curva S, como pode ser verificada na Figura 7. Figura 7 – Curva S Fonte: Qconcursos, S.d. Após observar as figuras 6 e 7, é possível chegar a algumas conclusões: a curva acumulada de uma curva de Gauss é considerada uma curva S e o ponto máximo da curva de Gauss é o momento em que ocorre a mudança da concavidade da curva S, ou seja, é considerado como o ponto de inflexão. TEMPO AVANÇO DAS ATIVIDADES TRABALHO ACUMULADO 17 17 Nesta aula, serão abordados dois tipos de curva S: a de trabalho e a de custo. Na curva S de trabalho, é necessário determinar um parâmetro comum para a medição, como, por exemplo, homem-hora. Após a montagem do cronograma, o planejador seleciona o parâmetro e faz o acúmulo dos valores a cada unidade de tempo. A partir disso, é montado o gráfico da curva S. É dentro dessa mesma ideia que também é realizada a curva S de custo. O que difere é que o parâmetro escolhido neste segundo caso é o valor monetário. Diante do que já foi mencionado até o momento sobre a Curva S, é possível estabelecer alguns benefícios dessa ferramenta. Assim, pode-se dizer que a curva S é única que apresenta o desenvolvimento do projeto do início ao fim; é aplicável tanto em projetos simples quanto complexos; possibilita que o planejador visualize o parâmetro acumulado em qualquer etapa do projeto; é uma ferramenta excelente para o monitoramento e controle do previsto versus realizado; dentre outras vantagens da sua utilização (Mattos, 2019). TEMA 5 – ACOMPANHAMENTO É importante ressaltar que uma obra que não tenha acompanhamento nada tem relevância. O acompanhamento possibilita ao construtor que compare o que foi previsto com o que de fato foi realizado para que possa verificar se a pretensão inicial de prazos está sob controle ou se serão necessárias outras tomadas de decisões. Dentro da etapa de acompanhamento, muito se fala sobre linha de base, que nada mais é que o planejamento referencial, ou seja, ideal a ser buscado pela equipe de projeto, pois apresenta toda a estrutura lógica, os recursos distribuídos e identifica o caminho crítico. A linha de base consiste em um plano de trabalho validado, viável, racional e de uso comum. A partir da linha de base, o planejador poderá comparar a realização de fato do projeto, servindo de referência para a identificação de atrasos e adiantamentos. Dessa forma, a ideia é que quanto mais próxima da linha de base a obra se desenvolver, melhor será, porque assim haverá menores variações que poderão acontecer. Para realizar um bom acompanhamento, de acordo com Mattos (2019), é preciso seguir algumas etapas, sendo que a primeira a ser realizada é a aferição do desenvolvimento das atividades em campo para em sequência serem comparados com o previsto; há a etapa da atualização do planejamento, onde 18 18 se recalculam as atividades que faltam ser concluídas e existe a etapa da interpretação do desempenho, ou seja, deve-se realizar uma avaliação crítica da tendência de atrasos ou adiantamento das atividades do projeto. Como mencionado anteriormente, uma etapa importante do acompanhamento é a aferição do progresso das atividades. Vale ressaltar que existem formas de realizar a medição do avanço das atividades. Dentre elas, estão a forma por unidades físicas, sendo a forma de apropriação preferível entre os planejadores; existe a forma por rateio, onde o planejador se baseia em uma estimativa percentual; há por marcos ponderados, sendo caracterizada pela atribuição de pesos para cada componente da atividade pelo planejador, passando a ser um marco de controle e também, existe a forma de apropriação por data, ou seja, quando a atividade se baseia em um determinado prazo de entrega. Na etapa de aferição, é muito utilizada a linha de progresso, sendo muito útil para verificação das atividades que estão atrasadas, asque estão sendo executadas no prazo e as que estão adiantadas. A linha de progresso funciona da seguinte maneira: existe uma sucessão de segmentos de reta, no sentido de cima para baixo, retratadas no cronograma, respeitando o tempo de execução. À medida que as atividades vão sendo realizadas, tais informações são desenhadas no cronograma, e a linha vai fazendo um ziguezague. Assim, o planejador consegue ter uma visão macro de como está o andamento dos serviços na obra. Para facilitar o entendimento sobre a linha de progresso, considere o exemplo abaixo, cujas informações estão dispostas na Tabela 3, onde constam as atividades do projeto e o percentual de realização e o previsto de cada atividade. No Quadro 7, consta o cronograma da obra. Tabela 3 – Percentual do realizado versus previsto ATIVIDADE REALIZADO PREVISTO A 100% 100% B 100% 100% C 60% 50% D 40% 40% E 30% 60% F 0% 33% G 0% 0% Fonte: Elaborado com base em Mattos, 2019. 19 19 Quadro 7 – Cronograma de obra ATIV SEMANA 1 2 3 4 5 6 7 8 9 A B C D E F G Fonte: Elaborado com base em Mattos, 2019. A partir dos dados apresentados na Tabela 3, é possível representar a linha de progresso no cronograma mostrado no Quadro 8. Quadro 8 – Cronograma com linha de progresso Fonte: Elaborado com base em Mattos, 2019. Constata-se a partir do cronograma com a linha de progresso apresentado no Quadro 8 que a atividade C está mais adiantada, a D está em dia, E e F são serviços que estão atrasadas. As atividades A e B foram todas já concluídas e a atividade G ainda não se iniciou. 20 20 FINALIZANDO Nesta aula, foi mencionado que o cronograma integrado leva em consideração as ideias previamente estabelecidas e materializa de forma gráfica o resultado dos cálculos realizados de acordo com o PERT/CPM. Verificou-se que o PERT tem como base as durações probabilísticas. Pode-se constatar nesta aula que utilizar as durações otimistas, pessimistas e mais prováveis para cada atividade proporciona ao planejador ter mais segurança na elaboração do cronograma e na geração do prazo total da obra. De acordo com o que foi apresentado nesta aula, a inserção dos recursos na rede possibilita ao planejador gerar um histograma que apresenta a quantidade de recursos necessários em cada período do projeto e, assim, conseguir avaliar se é possível atender essa determinada demanda. Com relação à curva S, os principais aprendizados dessa ferramenta é que tal curva representa o avanço do projeto ao decorrer do tempo. Existem dois tipos de curva S referente ao trabalho e ao custo. Outra informação relevante é que a curva S tem um comportamento crescente, em virtude de estar sempre trabalhando com os valores acumulados. Outra questão que precisa ser bem compreendida é que se em uma obra não tiver acompanhamento, nada tem relevância. O acompanhamento possibilita ao construtor que compare o que foi previsto com o que de fato foi realizado para que possa verificar se a pretensão inicial de prazos está sob controle ou se serão necessárias outras tomadas de decisões. 21 21 REFERÊNCIAS LUNET, N.; BARROS, H.; SEVERO, M. Desvio padrão ou erro padrão. Arquimed, v. 20, 2006. MATTOS, A. D. Planejamento e Controle de Obras. São Paulo: Oficina de Textos, 2019. PROJECT MANAGEMENT INSTITUTE. Um guia do conhecimento em gerenciamento de projetos. 6. ed. 2017.