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TEORIA DAS OBRIGAÇÕES 
	PROGRAMA 
1)Conceito de obrigação. 1.1. Conceito de relação jurídica obrigacional. 1.2. Diferenças entre obrigação, dever jurídico, ônus jurídico e estado de sujeição. 1.3. Elementos constitutivos da obrigação: sujeitos; objeto; vínculo (Diferença entre obrigação e responsabilidade). 1.4. Características da obrigação: transitoriedade; pessoalidade; globalidade. 1.5. Distinção entre direitos obrigacionais e direitos reais. 1.6. Fontes das obrigações. 1.8. Obrigações derivadas de atos unilaterais.
A obrigação no sentido que vamos estudar, é uma relação de natureza pessoal na qual uma pessoa se compromete a uma prestação, positiva ou negativa, em favor de outra, visando à satisfação de interesses e respondendo com o seu patrimônio, inclusive com execução forçada pelo Poder Judiciário.
1.1)CONCEITO DE RELAÇÃO JURÍDICA OBRIGACIONAL 
DIR. das Obrigações é o ramo do direito que regula o complexo das relações de direito patrimonial e que têm por objetivo fatos ou prestações de uma pessoa em relação à outra (credor e devedor).
 “A obrigação é a relação jurídica, de caráter transitório, estabelecida entre devedor e credor e cujo objeto consiste numa prestação pessoal econômica, positiva ou negativa, devida pelo primeiro ao segundo, garantindo-lhe o adimplemento através de seu patrimônio, (e com possibilidade de execução específica” (Washington de Barros Monteiro).
EXECUÇÃO ESPECÍFICA: Art. 35. Se o fornecedor de produtos ou serviços recusar cumprimento à oferta, apresentação ou publicidade, o consumidor poderá, alternativamente e à sua livre escolha:       I - exigir o cumprimento forçado da obrigação, nos termos da oferta, apresentação ou publicidade;
“Obrigação é a relação transitória de direito, que nos constrange a dar, a fazer ou não fazer alguma coisa economicamente apreciável em proveito de alguém, que, por ato nosso ou de alguém conosco juridicamente relacionado, ou em virtude de lei, adquiriu o direito de exigir de nós essa ação ou omissão.” (Clóvis Beviláqua)
HISTÓRICO
A noção de obrigação surgiu com o caráter coletivo, quando todo grupo empreendeu negociações e estabeleceu o comércio. O desenvolvimento de tal prática passou da obrigação coletiva para a individual, mas sempre tendo um caráter punitivo na hipótese de descumprimento do avençado.
No Direito Romano, em razão da vinculação das pessoas, o devedor respondia com o próprio corpo pelo cumprimento da obrigação. Com o surgimento da Lex Poetelia Papiria, de 428 a.C., foi abolida a execução sobre a pessoa do devedor, deslocando-a para os seus bens. 
Idade Média: imperava o Direito Canônico e a obrigação tinha a mesma estrutura que no direito romano. Sacramentalização da obrigação. Pacta sunt servanta.
Nessa evolução, o Direito Obrigacional passou por diversas transformações, acompanhando a expansão da economia, o desenvolvimento do comércio, a Revolução Industrial, a mais recente evolução tecnológica a aplicação de direitos fundamentais as relações cíveis (dir. civil consituticional, dignidade da pessao humana, proteção do bem de família, limite de penhora acima de 40 Sal Min, impenhorabilidade de salários). 
A constitucionalização do Direito Civil: aplicação e interpretação do negócio jurídico obrigacional à luz da CF (princ. dignidade pessoa), o que confere maior dinamicidade ao negócio, pois sai do individualismos do cc/1916 (que se preocupava apenas com a obrigação do devedor e alcança a concepção de boa-fé objetiva (padrão de conduta). Tênis x Frescobol.
CPC, Art. 833. São impenhoráveis:
VIII - a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que trabalhada pela família;
X - a quantia depositada em caderneta de poupança, até o limite de 40 (quarenta) salários-mínimos;
§ 1º A impenhorabilidade não é oponível à execução de dívida relativa ao próprio bem, inclusive àquela contraída para sua aquisição.
§ 2º O disposto nos incisos IV e X do caput não se aplica à hipótese de penhora para pagamento de prestação alimentícia, independentemente de sua origem, bem como às importâncias excedentes a 50 (cinquenta) salários-mínimos mensais, devendo a constrição observar o disposto no art. 528, § 8º , e no art. 529, § 3º .
1.2)DIFERENÇAS ENTRE OBRIGAÇÃO, DEVER JURÍDICO, ÔNUS JURÍDICO E ESTADO DE SUJEIÇÃO 
Embora semelhantes em muitos aspectos, não indicam a mesma coisa
a)Estado de sujeição significa obediência. A pessoa está sujeita às consequências mesmo contra a sua vontade, como o despejo do locatário e nos impedimentos matrimoniais (O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, em 1 de fevereiro de 2024, que pessoas com mais de 70 anos podem escolher o regime de bens a ser aplicado no casamento ou na união estável). 
b)Ônus jurídico: é a necessidade de obedecer a ordens ou comandos do ordenamento jurídico. O ônus é um vínculo imposto à vontade do sujeito em razão do seu próprio interesse. 
A obrigação visa obter comportamento para satisfazer interesse do titular do direito subjetivo.  O ônus é uma condição que pode ser ignorada, mas cujo não cumprimento acarreta em consequências. Ao contrário da obrigação, o descumprimento do ônus não gera um direito de ação por parte de terceiros, mas pode prejudicar quem o ignorou.Ex.: no processo, ninguém é obrigado a provar, mas se tem algum ônus qto a isso, a não–prova pode levar ao não reconhecimento do direito
c)Dever jurídico: 
O dever e a obrigação envolvem normas de conduta, seja ela derivada da lei ou de um contrato. 
A diferença principal é que na obrigação, se o devedor não cumprir o acordado, o credor tem direito a mecanismos legais de reparação, o que não ocorre necessariamente no caso do dever. Podemos considerar que a obrigação é um dever que, caso não cumprido, acarrete numa responsabilização do devedor.
Dever e obrigação são regras impostas, sendo o primeiro uma espécie de respeito ideológico e a segunda uma ordem legal. Por exemplo: "um aluno assiste aula por dever, não por obrigação".
1.3)ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DA RELAÇÃO OBRIGACIONAL
• As partes na relação obrigatória (sujeitos - elemento pessoal ou subjetivo)
• A prestação (objeto - elemento material)
• O vínculo jurídico
CC, Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando:
I - celebrado por pessoa absolutamente incapaz;
II - for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto;
III - o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito;
IV - não revestir a forma prescrita em lei;
V - for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade;
VI - tiver por objetivo fraudar lei imperativa;
VII - a lei taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhe a prática, sem cominar sanção.
A)As Partes
Elemento subjetivo da obrigação.
*Sujeito ativo – credor ou accipiens – pode exigir o cumprimento da obrigação ou a execução – art. 331 CC.
*Sujeito passivo – devedor ou solvens – tem um dever perante o credor, sob pena de responder com seu patrimônio
Ambos podem ser PJ ou PF
Características do elemento subjetivo:
• Transmissibilidade ou Mudança subjetiva (ou seja, os sujeitos originais da obrigação podem mudar).
• Determinabilidade (partes determinadas ou determináveis) (art2º. Par. único CDC – direitos coletivos)
Exceções:
- Obrigações personalíssimas (não se transmitem)
- O sujeito (ativo ou passivo) pode ser indeterminado quando da constituição da obrigação ou no momento do pagamento – art. 335 CC
B) Objeto
* Imediato ou direito – a prestação
* Mediato ou remoto – é o bem material que se insere dentro da prestação (Venosa)
A ação devida, o bem negociado
Características do elemento objetivo (prestação):
• Licitude (104 e 166, II, CC).
• Possibilidade física ou material (166, II, CC).
• Possibilidade jurídica (CC, art. 426). Atualmente temos Jogos e postas esportivas de cota certa
• Determinado ou Determinável – liquidação de sentença
• Patrimonialidade - a obrigação tem que ter valor econômico. O comportamento devido deve ter uma valoração econômica. Confere a ideia tb que a cobrança do comportamento somente pode focar o patrimônio do devedor. 
Entretanto, estavisão também pode ser contestada, sob o argumento de que atualmente o direito prevê outras formas de reparação dos danos que não a simples condenação a uma reparação pecuniária. Seria exemplo do caso de execução específica da obrigação ou do caso de retratação pública de uma afirmação que tenha afetado a honra de outra pessoa. Nestes casos o que deve ser observado é se o interesse do credor é digno de tutela pelo ordenamento, pois, do contrário, de obrigação não se tratará.
dizia Pontes de Miranda: “A patrimonialidade constitui o caráter específico da obrigação. Através desse elemento, distingue-se a obrigação, no sentido técnico, dos deveres de outra natureza, morais, religiosos, sociais e até jurídicos de índole diversa” (MIRANDA apud MONTEIRO, 2003, p. 39).
Ainda segundo Marcelo Calixto, essa visão também obteve consagração legislativa no Código Civil Português de 1966, em vigor, já que o art. 398, número 2, diz que a prestação não necessita ter valor pecuniário, mas deve corresponder a um interesse do credor, digno de proteção legal.
c)Vínculo jurídico
Consiste no dever do sujeito passivo de satisfazer a prestação e o correlato direito do credor de exigir judicialmente o seu cumprimento, investindo contra o patrimônio do devedor, visto que o mesmo fato gerador do débito produz a responsabilidade.
• Teoria monista – o vínculo era um elo simples, um exigia o cumprimento e o outro devia pagamento.
• Teoria dualista da obrigação – o vínculo se subdivide em dois elementos (em duas fases).
Elementos que compõem seu conceito:
1. Dívida (debitum - shuld)
2. Responsabilidade (obligatio – haftung)
DIFERENÇA ENTRE Obrigação e Responsabilidade
Existem dois elementos que compõem a obrigação:
- o débito (schuld) (CULPA)
- a responsabilidade (haftung). 
DÉBITO é a prestação que deve ser espontaneamente cumprida pelo devedor. Esta é a obrigação que surge ao devedor pelo inadimplemento daquele e recai sobre o patrimônio do devedor, não sobre sua pessoa. 
A RESPONSABILIDADE É SEMPRE UMA OBRIGAÇÃO DERIVADA, já que surge apenas quando a obrigação não for adimplida no prazo.
O devedor responderá, havendo a responsabilidade, com todo o seu patrimônio para o cumprimento da obrigação, ressalvadas as restrições legais dos bens de família, bens absolutamente impenhoráveis e inalienáveis etc.
Logo, como a execução não recai sobre a pessoa e sim sobre o patrimônio do próprio devedor, há que se dizer que ela é real. Somente existe execução pessoal no caso de recusa de alimentos e no direito penal.
Responsabilidade patrimonial:
-CC, Art. 391. Pelo inadimplemento das obrigações respondem todos os bens do devedor.
* O Supremo Tribunal Federal (STF) editou, em 16 de dezembro de 2009, a Súmula Vinculante nº 25, que traduz: “É ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a modalidade do depósito”.
- CPC, Art. 789. O devedor responde com todos os seus bens presentes e futuros para o cumprimento de suas obrigações, salvo as restrições estabelecidas em lei.
Embora os dois conceitos – obrigação e responsabilidade – estejam normalmente ligados, nada impede que haja uma obrigação sem responsabilidade ou uma responsabilidade sem obrigação.
Débito sem responsabilidade: dívida prescrita e dívida de jogo ILEGAL – Ob. Natural
Trata-se de obrigações incompletas, na medida em que apresentam como características essenciais as particularidades de não serem judicialmente exigíveis, porém, se forem adimplidas espontaneamente, será sempre tido por válido o pagamento, que não poderá ser repetido, uma vez que há a retenção do pagamento, soluti retentio, não importando se a prestação era lícita ou ilícita o pagamento de dívidas de jogo [Arts. 814 a 817, do Código Civil], o adimplemento de dívidas prescritas [Art. 882, do Código Civil], a vedação ao benefício da própria torpeza [Art. 883 e parágrafo único, do Código Civil]).
Responsabilidade sem débito: fiança, aval, direitos reais de garantia prestados por terceiros.
1.4)CARACTERÍSTICAS DA OBRIGAÇÃO: TRANSITORIEDADE; PESSOALIDADE; GLOBALIDADE
TRANSITORIEDADE= A obrigação tem um fim e não é eterna. Ela nasce com o objetivo de ser extinta com o cumprimento
PESSOALIDADE = A obrigação é uma relação entre pessoas. Há dois sujeitos: o credor e o devedor.
GLOBALIDADE = A obrigação é uma conduta decorrente de uma relação jurídica que se espera de uma pessoa em relação a outra ou em relação à sociedade como um todo
1.5)DISTINÇÃO ENTRE DIREITO OBRIGACIONAL (PESSOAL) E DIREITO REAL.
Direitos reais: definem-se como o poder jurídico, direto e imediato do titular sobre a coisa, com exclusividade e contra todos. O sujeito passivo do direito real é toda a coletividade que deve abster-se de violá-lo, sendo de caráter erga omnes.
Direitos obrigacionais (pessoais): Relação jurídica pela qual o sujeito ativo pode exigir do sujeito passivo determinada prestação. No direito das obrigações somente se vinculam aqueles que fizeram parte do que contrataram e anuíram para comprometer-se a prestar ou exigir algo.
Relação Jurídica Obrigacional:
Sujeito Ativo (credor) ----- relação jurídica obrigacional ----- Sujeito Passivo (devedor)
Relação Jurídica Real:
Titular do Direito Real ------------relação jurídica real------------ Bem/Coisa
	Direito Pessoal ou Obrigacional 
	Direito Real
	Vincula somente pessoas
	Estabelece relação entre o titular e a coisa
	É direito relativo
	É direito absoluto (erga omnes)
	Tem dois sujeitos (ativo e passivo) e a prestação (objeto de relação)
	Um só titular, que exerce seu poder sobre a coisa objeto de seu direito de forma direta e imediata
	Concede direito a uma ou mais prestações efetuadas por uma pessoa
	Concede o gozo e a fruição de bens
	Caráter transitório
	Tem um sentido de inconsumibilidade, de
permanência
	Tem apenas garantia geral do patrimônio do devedor (execução), não podendo escolher em quais bens recairão a satisfação de seu crédito.
	Possui direito de sequela
	São ilimitadas, se apresentam com um número indeterminado
	São numerus clausus, só os considerados na lei.
Art. 1.225. São direitos reais:
I - a propriedade;
...
 
1.6)FONTE DAS OBRIGAÇÕES
São fatos jurídicos que dão margem à criação, ao surgimento das obrigações. Diferentemente das fontes do direito, de onde nascem os preceitos e as normas gerais e abstratas que regem a vida de todos na sociedade, as fontes das obrigações surgem de relações concretas que dizem respeito ao sujeito ativo e passivo dessas relações, constituindo o fato que dá origem à obrigação e podem ser divididas em fontes mediatas (condição determinante do nascimento das obrigações) e imediatas (lei como causa eficiente das obrigações).
São fontes (MEDIATAS) de obrigações:
• Contrato
• Atos unilaterais (Promessa de Recompensa, Gestão de Negócios, Pagamento Indevido, Testamento)
• Ato ilícito (Responsabilidade Civil)
• Lei
1.8) OBRIGAÇÕES DERIVADAS DE ATOS UNILATERAIS.
Os quase-contratos
Os atos unilaterais são obrigações assumidas por alguém, independentemente da certeza do credor. Os contratos podem ser atípicos, mas os atos unilaterais só podem ser criados pela lei
A)Da Promessa de Recompensa (854 a 860 CC)
- Art. 854. Aquele que, por anúncios públicos, se comprometer a recompensar, ou gratificar, a quem preencha certa condição, ou desempenhe certo serviço, contrai obrigação de cumprir o prometido.
- Art. 855. Quem quer que, nos termos do artigo antecedente, fizer o serviço, ou satisfizer a condição, ainda que não pelo interesse da promessa, poderá exigir a recompensa estipulada.
- Art. 856. Antes de prestado o serviço ou preenchida a condição, pode o promitente revogar a promessa, contanto que o faça com a mesma publicidade; se houver assinado prazo à execução da tarefa, entender-se-á que renuncia o arbítrio de retirar, durante ele, a oferta. Parágrafo único. O candidato de boa-fé, que houver feito despesas, terá direito a reembolso.
- Art. 857. Se o ato contemplado na promessa for praticado por mais de um indivíduo, terá direito à recompensa o que primeiro o executou.
B)Do PagamentoIndevido (876 a 883)
Art. 882. Não se pode repetir o que se pagou para solver dívida prescrita, ou cumprir obrigação judicialmente inexigível.
Art. 883. Não terá direito à repetição aquele que deu alguma coisa para obter fim ilícito, imoral, ou proibido por lei. Parágrafo único. No caso deste artigo, o que se deu reverterá em favor de estabelecimento local de beneficência, a critério do juiz.
- Art. 876. Todo aquele que recebeu o que lhe não era devido fica obrigado a restituir; obrigação que incumbe àquele que recebe dívida condicional antes de cumprida a condição.
-Art. 877. Àquele que voluntariamente pagou o indevido incumbe a prova de tê-lo feito por erro.
- Art. 880. Fica isento de restituir pagamento indevido aquele que, recebendo-o como parte de dívida verdadeira, inutilizou o título, deixou prescrever a pretensão ou abriu mão das garantias que asseguravam seu direito; mas aquele que pagou dispõe de ação regressiva contra o verdadeiro devedor e seu fiador.
C)Do Enriquecimento Sem Causa (884 a 886)
Art. 884. Aquele que, sem justa causa, se enriquecer à custa de outrem, será obrigado a restituir o indevidamente auferido, feita a atualização dos valores monetários.
Art. 886. Não caberá a restituição por enriquecimento, se a lei conferir ao lesado outros meios para se ressarcir do prejuízo sofrido (ex. ação de cobrança).
Enriquecimento com causa= artigo 42, p.único do CDC = restituição em dobro ao cobrar valor indevido do consumidor
C)Da Gestão de Negócios (861 a 875)
Art. 861. Aquele que, sem autorização do interessado, intervém na gestão de negócio alheio, dirigi-lo-á segundo o interesse e a vontade presumível de seu dono, ficando responsável a este e às pessoas com que tratar.
Art. 862. Se a gestão foi iniciada contra a vontade manifesta ou presumível do interessado, responderá o gestor até pelos casos fortuitos, não provando que teriam sobrevindo, ainda quando se houvesse abatido.
Art. 866. O gestor envidará toda sua diligência habitual na administração do negócio, ressarcindo ao dono o prejuízo resultante de qualquer culpa na gestão.
Art. 868. O gestor responde pelo caso fortuito quando fizer operações arriscadas, ainda que o dono costumasse fazê-las, ou quando preterir interesse deste em proveito de interesses seus.
O objetivo e tornar –se um contrato de mandato
1.9) NOVOS PARADIGMAS APLICÁVEIS ÀS OBRIGAÇÕES
A)Princípio da Socialidade: A socialidade serve para harmonizar os princípios da autonomia da vontade e da solidariedade social, já que, por ser ela o fim do direito subjetivo obrigacional, deverá ser mantida uma relação de cooperação entre os partícipes da relação obrigacional – e entre eles e a sociedade – a fim de que seja possível a consecução do fim comum. A finalidade do princípio da socialidade é afastar a mera aplicação do Direito Civil às relações dos particulares, eis que esses vínculos, em diversas oportunidades, podem interessar à sociedade como um todo, autorizando, por conseguinte, a intervenção estatal. Em suma: o princípio da socialidade objetiva afastar a visão individualista, egoística e privatística do Código Civil de 1916, influenciado pela visão oitocentista de primeira dimensão civilista.
B)Princípio da Eticidade: Hoje, as obrigações devem ser pautadas por um comportamento ético, de mútua cooperação, observando-se as cláusulas gerais de boa fé, função social, abuso de direito, equidade e bons costumes. O princípio da eticidade tem por escopo valorizar o ser humano na sociedade, o que se dá mediante a efetivação dos princípios constitucionais, mormente o da dignidade da pessoa humana.
Carlyle Popp enfatiza que a dignidade da pessoa humana "significa a superioridade do homem sobre todas as demais coisas que o cercam; é o homem como protagonista da vida social. Representa, então, a subordinação do objeto ao sujeito de direito".
C)Tu Quoque, Supressio, Surrectio, Venire Contra Factum Proprium, Stoppel: tipos de atos cujas
presenças são repudiadas pelo Direito, sendo práticas abusivas.
Tu quoque: proibição de que o torpe se aproveite de sua própria torpeza. 
Venire contra factum proprium ou Teoria dos Atos Próprios, que proíbe o comportamento contraditório. Isso porque ninguém pode voltar atrás, unilateralmente, numa postura que tenha criado uma legítima expectativa na outra parte. São pressupostos para a aplicação do venire:
a) Conduta inicial (factum proprium);
b) Legítima confiança da outra parte na conservação do sentido objetivo desta primeira conduta;
c) Um comportamento contraditório e violador da confiança;
d) Um dano efetivo ou potencial daí resultante.
Supressio e surrectio: Pela primeira, constata-se que o não exercício de um direito durante longo tempo poderá significar a extinção desse direito, ou ao menos o impedimento de seu exercício, quando contrariar o princípio da boa fé por se demonstrar abusiva a inatividade de seu titular, gerando uma expectativa legítima na outra parte. Logo, são
seus elementos:
a) Omissão no exercício do direito;
b) Transcurso de determinado período, geralmente variável;
c) Indícios objetivos de que esse direito não mais seria exercido2.
Como diferenciar o venire da supressio? O principal diferencial está no fator temporal. No venire, importam as condutas contraditórias em si mesmas consideradas, ainda que pouco tempo tenha se passado. Na supressio, imperioso decorrer determinado lapso temporal para configurar a hipótese de perda do direito. Ambos são, no entanto, decorrentes da violação da cláusula geral da boa fé objetiva3.
Já a surrectio seria o nascimento de um direito, a contraface da supressio.

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