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1
Higiene 
Ocupacional: 
História, Conceitos 
e Legislação
2
3
Sumário
História da higiene ocupacional 
 O que é higiene ocupacional: uma visão preliminar 
 Origens práticas e teóricas da higiene ocupacional 
 Origens teóricas da higiene ocupacional: primeiros estudos 
e pesquisas 
 História da saúde ocupacional no Brasil 
Higiene ocupacional: conceitos básicos 
 Definindo higiene ocupacional 
 Saúde e risco como elementos da higiene ocupacional
 Termos de uso da higiene ocupacional 
O profissional da área de Higiene ocupacional 
 Diferenciando o profissional de higiene ocupacional 
 O higienista ou técnico ocupacional 
 Interdisciplinaridade e ética na atuação do profissional de 
higiene ocupacional 
Legislação em higiene ocupacional 
 Marcos históricos legais relacionados à higiene ocupacional 
no Brasil 
 Higiene ocupacional e legislação sobre segurança do 
trabalho 
Referências 
CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO
5
6
9
14
17
20
21
25
32
34
35
39
42
46
47
54
61
4
Objetivos Definição
Explicando Melhor Você Sabia?
Acesse Resumindo
Nota Importante
Saiba Mais Reflita
Atividades Testando
Para o início do 
desenvolvimento de uma 
nova competência;
Se houver necessidade 
de se apresentar um novo 
conceito;
Algo precisa ser melhor 
explicado ou detalhado;
Curiosidades indagações 
lúdicas sobre o tema em 
estudo, se forma necessárias;
Se for preciso acessar um 
ou mais sites para fazer 
download, assistir vídeos, ler 
textos, ouvir podcast;
Quando for preciso se fazer 
um resumo acumulativo 
das últimas abordagens;
Quando forem necessárias 
observações ou 
complementações para o 
seu conhecimento;
As observações escritas 
tiveram que ser priorizadas 
para você;
Textos, referências 
bibliográficas e links para 
aprofundamento do seu 
conhecimento;
Se houver a necessidade 
de chamar a atenção 
sobre algo a ser refletido ou 
discutido sobre;
Quando alguma atividade 
de autoaprendizagem for 
aplicada;
Quando o desenvolvimento de 
uma competência for concluído 
e questões forem explicadas. 
5
@faculdadelibano_
1
História 
da higiene 
ocupacional
6
Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Capitulo 1
História da higiene 
ocupacional
O que é higiene ocupacional: uma visão preliminar
Você parou para pensar sobre os riscos aos quais sua saúde e integridade como ser 
humano saudável estão expostos quando você está se desempenhando uma atividade 
qualquer? Se não parou para pensar de forma proposital, intuitivamente você faz isso no 
seu dia a dia. 
Por exemplo, enquanto você se ocupa em cozinhar, ao mesmo tempo, intuitivamente, 
toma cuidado para não se queimar ao se expor o fogo, concorda? Pois bem, ainda 
nesse ambiente você pode inalar gás em caso de vazamento de gás de cozinha ou 
ainda pode se cortar a manipular objetos cortantes, etc.
Considerando essa reflexão, tomamos o cozinhar como ocupação e a cozinha como 
ambiente ocupacional. Por exemplo, para você, um corte ao manipular uma faca não 
passa de um acidente doméstico, mas agora vejamos de forma diferente. 
Objetivos
Ao término deste capítulo você será capaz de compreender as bases 
teórica e prática que sustentam a higiene ocupacional desde sua 
origem. Isso é de suma importância para a sua atuação profissional, 
uma vez que a partir desse conhecimento você terá condições de 
observar de forma crítica como são estabelecidas as relações/
condições de trabalho no cenário atual e como elas impactam na 
saúde do trabalhador. E então? Motivado para desenvolver esta 
competência? Vamos lá. Avante!
7
Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação História da higiene ocupacional Capitulo 1
A cozinha pode não ser seu ambiente de trabalho, mas, para uma funcionária doméstica 
ou um cozinheiro de um restaurante, é um ambiente de trabalho, de modo que qualquer 
um dos riscos relatados passam a ser riscos ocupacionais, e é nesse sentido que surge 
a higiene ocupacional.
Mas, enfim o que é higiene ocupacional? Bem, vamos aprofundar a definição desse termo 
como área do conhecimento ou ciência mais à frente, contudo precisamos conceber a 
priori uma conceituação preliminar.
O termo em questão é composto por duas palavras: higiene e ocupacional. Nesse 
sentido, para encontrarmos uma conceituação objetiva do termo, recorremos ao 
significado de ambas as palavras em um dicionário de língua portuguesa. Segundo o 
Dicionário on-line de Português, higiene é:
Conjunto de regras e práticas relativas à conservação da saúde: ter a preocupação 
da higiene. Conjunto de práticas, regras, hábitos e costumes que visam ao bem-
estar, à preservação da saúde; limpeza, conservação. (DICIO, 2022).
A palavra ocupacional é derivada da palavra ocupação. O Dicionário on-line de 
Português apresenta a seguinte definição para ocupação: “Serviço; o trabalho mais 
importante da vida de alguém; os afazeres com os quais nos ocupamos: você precisa 
arrumar uma ocupação” (DICIO, 2022). 
Se analisarmos essa definição em relação aos afazeres com os quais nos ocupamos, 
podemos rapidamente concluir que um dos principais afazeres do ser humano é o 
trabalho.
8
Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação História da higiene ocupacional Capitulo 1
Nesse sentido, o significado de ocupação remete ao significado de trabalho. No Dicionário, 
a palavra trabalho pode ser empregada com vários significados. 
No contexto de trabalho como ocupação, podemos destacar os seguintes significados 
apresentados pelo Dicionário online de Português: 
“O emprego, o ofício ou a profissão de alguém” e “Conjunto das atividades realizadas 
por alguém para alcançar um determinado fim ou propósito” (DICIO, 2022).
Considerando os significados de higiene, ocupação e trabalho, podemos, então, 
definir de modo objetivo e preliminar higiene ocupacional como: conjunto de regras, 
práticas, hábitos e costumes que objetivam o bem-estar e a preservação da saúde 
de um indivíduo no ambiente no qual esse é empregado e desempenha as atividades 
referentes a sua profissão ou ao seu ofício.
Definição
Higiene ocupacional remete ao conjunto de regras, práticas, hábitos e 
costumes que objetivam o bem-estar e a preservação da saúde de um 
indivíduo em seu ambiente de trabalho.
Você Sabia?
O trabalho na perspectiva econômica é definido como um fator de 
produção, considerado como toda e qualquer atividade desempenhada 
pelo homem com o objetivo de satisfação de necessidades. Portanto, o 
trabalho é uma condição específica do homem desde seu aparecimento 
na Terra.
9
Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação História da higiene ocupacional Capitulo 1
Agora você já entendeu que a higiene ocupacional trata dos riscos que acometem o 
trabalhador e que podem comprometer sua saúde e integridade em seu ambiente de 
trabalho, não é mesmo? 
Para nos aprofundarmos no assunto, a seguir veremos as origens práticas e teóricas da 
higiene ocupacional.
Origens práticas e teóricas da higiene ocupacional
Para nos aprofundarmos nos aspectos particulares da higiene ocupacional são 
necessários a priori entendemos suas origens práticas e teóricas. As origens práticas 
remetem a quando no dia a dia de trabalho passou a existir uma preocupação com a 
conservação da saúde do trabalhador, e a teórica, aos fatos que conferem cientificidade 
a essa preocupação. 
Objetivamente, a Figura 1 apresenta algumas das origens práticas que levaram à 
construção da higiene ocupacional como concebemos nos dias atuais.
Você Sabia?
As origens práticas da higiene ocupacional remetem-se às condições 
de trabalho às quais o homem foi submetido desde sua origem 
até os dias atuais. Contudo, as condições de trabalho às quais o 
homem foi exposto durante a Revolução Industrial, no século XVIII, 
e a I Guerra Mundial XX merecem destaque nesse cenário, uma 
vez que essas condições deram origem a um grande número de 
doenças ocupacionais na época, fato que chamou a atenção e 
incentivou estudos que tornaram a higiene ocupacionaluma área de 
conhecimento científico e prático relevante.
10
Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação História da higiene ocupacional Capitulo 1
11
Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação História da higiene ocupacional Capitulo 1
FIGURA 1
Origens práticas da Higiene Ocupacional
FONTE
Elaborada pela autora (2022).
Conforme podemos observar na Figura 1, o trabalho é inerente ao homem, e a exposição 
dele ao risco muda em função do tipo, da estrutura, da forma e do ambiente em que 
esse trabalho acontece. Assim, podemos concluir que, até a Revolução Industrial, poucas 
observações podem ser feitas em relação à saúde dos trabalhadores e seu ambiente 
de trabalho. 
Nesse contexto, ao se estudar a história de nossa civilização até a Revolução 
Industrial, encontram-se poucas observações sobre a saúde dos trabalhadores 
e seu ambiente de trabalho. No início, o esforço dispendido pelo homem para 
garantir sua existência e sobrevivência era um fator que gerava doenças 
“ocupacionais”, mais tarde com a estratificação da sociedade, o trabalho comum 
era desempenhado por escravos, em geral povos que haviam sido dominados por 
outros. (FUNDACENTRO, 2004, p. 12)
12
Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação História da higiene ocupacional Capitulo 1
Então, nesse primeiro momento, o que precisamos guardar em nossa mente como 
registro das origens práticas da saúde ocupacional? Resumidamente, precisamos 
saber que, em uma sociedade escravocrata (embora hoje destaquemos a necessidade 
de intervir nos casos de maus tratos no trabalho), a preocupação com a saúde do 
trabalhador não era prática vigente. 
Nesse sentido, o que se pode observar com base nos relatos históricos é que só escravos 
trabalhavam e, consequentemente, apenas eles eram expostos aos riscos, de modo que, 
com a abundância de mão de obra escrava, não se observava grande preocupação da 
classe dominadora com garantir proteção à classe dominada na realização do trabalho.
Nesse cenário, pouquíssimos fatos na história podem ser destacados como raízes 
práticas do que entendemos hoje como higiene pessoal, como destaca Camisassa 
(2016):
O que se via naquela época eram alguns estudos isolados de investigação das 
doenças do trabalho, como aqueles realizados pelo médico e filósofo grego 
Hipócrates (460-375 a.c.), que em um de seus trabalhos descreveu um quadro de 
“intoxicação saturnina” em um mineiro (o saturnismo é o nome dado à intoxicação 
causada pelo chumbo). Plínio, O Velho, escritor e naturalista romano, que viveu no 
início da era Cristã (23-79 d.C.), descreveu, em seu tratado “De Historia Naturalis”, 
as condições de saúde dos trabalhadores com exposição ao chumbo e poeiras. 
Ele fez uma descrição dos primeiros equipamentos de proteção conhecidos, como 
panos ou membranas de bexiga de animais para o rosto (improvisados pelos 
próprios escravos), como forma de atenuar a inalação de poeiras nocivas; também 
descreveu diversas moléstias do pulmão entre mineiros e envenenamento devido 
ao manuseio de compostos de enxofre e zinco. (CAMISASSA, 2016, p. 36)
Enfim, os fatos que antecedem a Revolução Industrial nos permitem definir uma premissa 
importante a ser considerada pela higiene ocupacional: a exposição do trabalhador ao 
risco pode ser reflexo da estratificação social e das relações de poder. 
De modo que hoje embora o contexto tecnológico e econômico seja totalmente diferente 
podemos atentar a respeito da escravidão contemporânea e seus reflexos na saúde do 
trabalhador.
13
Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação História da higiene ocupacional Capitulo 1
Conforme vimos anteriormente, os fatos que constituem as raízes práticas mais fortes da 
higiene ocupacional remetem ao período durante e após a Revolução Industrial. A Figura 
1 elencou de forma objetiva os principais fatos que conduziram a uma preocupação 
social com a saúde do trabalhador e a relação desta com o ambiente de trabalho. 
Esses fatos conduziram a criação de legislação relacionada à saúde do trabalhador e 
atitudes dos empregadores em resposta às leis nos séculos seguintes (Figura 1). Como 
exemplo dessas leis temos a “Lei da Saúde e Moral dos Aprendizes” e a “Lei das Fábricas”.
 
A “Lei das Fábricas” de 1833 foi ampliada em 1864 e apresentava as primeiras 
exigências sobre Higiene Ocupacional. “Todas as fábricas deveriam ser ventiladas 
para remover qualquer gases nocivos, poeiras e outras impurezas que poderiam 
causar danos à saúde” é o que hoje chamamos de ventilação diluidora. 
(FUNDACENTRO, 2004, p. 16)
No século XX, é importante destacarmos que a I Guerra Mundial trouxe à tona novos 
problemas relacionados à saúde do trabalhador, como a exposição ao chumbo nas 
fábricas de armamentos. 
É também nesse século que se observa o surgimento de instituições voltadas ao estudo 
e desenvolvimento de acordos internacionais na área de higiene ocupacional.
Então, nesse segundo momento das raízes práticas, o que temos de em mente? 
Objetivamente, os acontecimentos durante e após a Revolução Industrial nos conduzem 
Reflita
A quais riscos a escravidão contemporânea expõe o trabalhador? Mesmo 
com o avanço nas leis sobre higiene ocupacional e relações de trabalho, 
por que essa prática existe? O que gera a escravidão contemporânea? 
Faça uma breve pesquisa na internet e busque responder a essas 
questões de forma reflexiva, para fundamentar seu ponto de vista 
sobre esse problema social e sua relação com a higiene ocupacional e 
prevenção de riscos.
14
Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação História da higiene ocupacional Capitulo 1
a uma segunda premissa importante a ser considerada pela higiene ocupacional: 
as leis são um mecanismo que influenciam diretamente o controle da exposição do 
trabalhador ao risco e a qualidade do ambiente ocupacional.
Ainda podemos inferir, com base no que vimos até aqui, que as pesquisas e os estudos no 
âmbito das fábricas conduziram e influenciam algumas práticas relacionadas à higiene 
ocupacional. Para tanto, a seguir destacamos esses estudos como raízes teóricas dessa 
área do conhecimento.
 
Origens teóricas da higiene ocupacional: primeiros estudos e 
pesquisas
Agora você já conhece as raízes práticas da higiene ocupacional, mas não as teóricas. 
Pois bem, ao mesmo tempo que raízes práticas cresciam, também surgiam trabalhos 
de pesquisadores que em seus estudos buscavam compreender a relação entre saúde 
do trabalhador, atividades de trabalho e ambiente ocupacional.
Para facilitar nosso conhecimento, o Quadro 1 elenca de forma objetiva alguns desses 
estudos e suas contribuições para o estabelecimento científico da higiene ocupacional. 
As publicações e descobertas resultantes desses estudos e pesquisas é o que chamamos 
aqui de raízes teóricas da higiene ocupacional.
15
Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação História da higiene ocupacional Capitulo 1
16
Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação História da higiene ocupacional Capitulo 1
Observando as informações dispostas no Quadro 1, podemos concluir que as raízes 
teóricas da higiene ocupacional surgiram na Alemanha e nos Estados Unidos, sendo 
fruto de pesquisas realizadas por engenheiros e médicos. 
Ainda com base no Quadro 1, vimos que a higiene ocupacional surgiu no contexto 
industrial, contudo hoje ela não se aplica apenas no ambiente industrial, assim temos 
em nossa mente uma noção de que essa área do conhecimento surgiu de forma 
QUADRO 1
Origens teóricas da higiene ocupacional
FONTE
Adaptado de Fundacentro (2004).
17
Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação História da higiene ocupacional Capitulo 1
abrangente. Agora já temos conhecimento das raízes práticas e teóricas da higiene 
ocupacional. Então, e no Brasil, como a higiene ocupacional se estabeleceu? A seguir 
vamos conhecer de forma breve a história da saúde ocupacional no País.
História da saúde ocupacional no Brasil
No Brasil, as raízespráticas da higiene ocupacional seguiram o perfil dos demais países. 
Nesse sentido, são fatos que motivaram no Brasil a preocupação com a saúde dos 
trabalhadores no período antes, durante e após a revolução industrial: mão de obra 
escrava, crescimento industrial, más condições de trabalho, jornadas prolongadas de 
trabalho sem remuneração de hora-extra, acidentes e doenças profissionais, entre 
outros. A respeito desses fatores e de como eles levaram aos avanços no país no que 
tange à saúde e aos direitos do trabalhador,
Durante esse período inicial na industrialização em nosso país, a higiene ocupacional, 
já praticada em países desenvolvidos como Estados Unidos e Inglaterra, não era 
conhecida, e de maneira muito semelhante ao que aconteceu nesses países, as 
primeiras preocupações com o assunto partiram de denúncias de trabalhadores, 
dos jornais da época, dos estudos em universidades, entre outros. 
A partir desse movimento social e sob a influência direta das imigrações, que 
refletiam os movimentos sindicais europeus as lideranças conseguiram mobilizar 
a classe operária para grande “questão social”. (FUNDACENTRO, 2004, p. 16)
Então não podemos nos esquecer de que no contexto brasileiro a classe trabalhadora 
desempenhou importante papel para a aplicação e prática dos preceitos da higiene 
ocupacional. 
Já na perspectiva teórica, ou seja, da publicação de pesquisas e estudos relacionados 
à saúde e ao ambiente de trabalho no Brasil, entre as primeiras raízes estão os estudos 
realizados pela Universidade da Bahia entre 1880 e 1903, e as contribuições de Osvaldo 
Cruz, Warren Dean, entre outros.
A Universidade da Bahia, entre 1880 e 1903, realizou estudos em fábricas de charutos, 
rapé e velas de sebo, e também pesquisas sobre intoxicação por chumbo. Oswaldo 
18
Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação História da higiene ocupacional Capitulo 1
Cruz deu contribuições para o campo, com estudos e trabalhos voltados ao combate 
às epidemias de doenças infecciosas relacionadas ao trabalho. 
Já Warren Dean teve como principal contribuição a descrição sobre as condições do 
ambiente de trabalho na época e destacou os seguintes fatores como causas de doenças 
e acidentes de trabalho: estruturas inadequadas e não projetadas especificamente que 
abrigavam máquinas usadas na produção, má iluminação e ventilação, e ausência de 
instalações sanitárias.
Saiba Mais
Oswaldo Cruz dirigiu uma frente de trabalho na ferrovia Madeira–
Mamoré no Brasil. Para saber um pouco mais sobre a presença médica 
na construção dessa ferrovia, acesse o QR-Code:
Saiba Mais
Oswaldo Cruz dirigiu uma frente de trabalho na ferrovia Madeira–
Mamoré no Brasil. Para saber um pouco mais sobre a presença médica 
na construção dessa ferrovia, acesse o QR-Code:
19
Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação História da higiene ocupacional Capitulo 1
No Brasil, o avanço das preocupações relacionadas à higiene ocupacional se destaca 
no âmbito jurídico-institucional, e trataremos desse tema ao longo dos nossos estudos.
Resumindo
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? 
Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o 
tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você 
aprendeu que higiene ocupacional remete ao conjunto de regras, 
práticas, hábitos e costumes que objetivam o bem-estar e a preservação 
da saúde de um indivíduo em seu ambiente de trabalho. Nesse sentido, 
assim como o trabalho, os aspectos relacionados à higiene ocupacional 
são inerentes ao homem. Vimos que a higiene ocupacional como área 
do conhecimento surgiu da preocupação do estudo científico dos fatos 
observados no ambiente de trabalho. Para facilitar o entendimento, 
concebemos que a higiene ocupacional tem raízes práticas e teóricas. 
As raízes práticas nos permitiram concluir duas premissas importantes 
a serem consideradas pela higiene ocupacional: a exposição do 
trabalhador ao risco pode ser reflexo da estratificação social e relações 
de poder, e as leis são um mecanismo que influenciam diretamente o 
controle da exposição do trabalhador ao risco e a qualidade do ambiente 
ocupacional. No que tange às raízes teóricas, vimos que os estudos 
de higiene ocupacional começaram na Inglaterra, nos Estados Unidos 
e na Alemanha, e buscavam compreender a relação entre saúde do 
trabalhador, atividades de trabalho e ambiente ocupacional. Por último, 
vimos que o Brasil seguiu o mesmo caminho dos outros países, contudo 
com destaque para a mobilização e participação da classe operária 
nesse processo.
20
@faculdadelibano_
2
Higiene ocupacional: 
conceitos básicos
21
Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Capitulo 2
Higiene ocupacional: 
conceitos básicos
Definindo higiene ocupacional
No capítulo anterior estabelecemos a seguinte definição preliminar de higiene 
ocupacional: “Higiene ocupacional remete ao conjunto de regras, práticas, hábitos e 
costumes que objetivam o bem-estar e a preservação da saúde de um indivíduo em 
seu ambiente de trabalho”. Então, agora chegou o momento de nos aprofundamos no 
assunto.
Na literatura pertinente à higiene ocupacional ou higiene no trabalho, como também 
é conhecida, podemos encontrar algumas definições atribuídas por pesquisadores e 
instituições da área. Para facilitar nossa visualização, o Quadro 2 apresenta algumas 
delas.
Objetivos
Ao término deste capítulo você será capaz de discernir sobre os conceitos 
relacionados à definição da higiene ocupacional. Aqui você entenderá 
os elementos e conceitos que a higiene ocupacional envolve, bem como 
a relação existente entre higiene ocupacional/medicina do trabalho e 
segurança do trabalho. Esses conceitos nortearão sua prática profissional 
quando for necessário analisar e intervir em ambientes de trabalho para 
garantir a saúde e integridade física do trabalhador. E então? Motivado 
para desenvolver esta competência? Vamos lá. Avante!
22
Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Higiene ocupacional: conceitos básicos Capitulo 2
23
Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Higiene ocupacional: conceitos básicos Capitulo 2
Agora, analise as definições de higiene ocupacional dispostas no Quadro 3. O que você 
pode concluir imediatamente? Concluímos que são homogêneas, ou seja, não diferem 
muito umas das outras. 
Assim, podemos extrair desses conceitos os seguintes elementos principais que definem 
a higiene ocupacional em seu campo de atuação: campo científico, local ou ambiente 
de trabalho, fatores de riscos ou estresse ambiental, e saúde do trabalhador.
QUADRO 2
Definições de higiene ocupacional
FONTE
Adaptado de Fundacentro (2004, p. 16-17); Peixoto, Hofstadler e Silveira (2012, p. 16-17) e Rossete 
(2014).
Importante
A higiene ocupacional, ou do trabalho, é apenas um dos campos de 
estudo da saúde ocupacional. Nesse sentido, ela se difere da medicina 
do trabalho e segurança do trabalho, que são os demais campos que 
compõem uma abordagem multiprofissional da saúde ocupacional. A 
Figura 2 apresenta a diferença de foco entre esses campos.
24
Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Higiene ocupacional: conceitos básicos Capitulo 2
A higiene do trabalho é considerada um campo científico por ser embasada em análise 
e estudos de fatos observáveis. A esse respeito:
A higiene ocupacional é uma ciência, porque está baseada em fatos 
comprováveis, empíricos e analisáveis por método científico por meio da física, 
química, bioquímica, toxicologia, medicina, engenharia e saúde pública. [...] Por 
possuir caráter essencialmente preventivo, as ações de higiene ocupacional 
devem se fundamentar prioritariamente na prevenção da exposição em estudos 
epistemológicos prospectivos, registram-se as exposições ao longo do tempo para 
que se conheça alguma relação entre exposição ocupacional e o efeito a saúde. 
(Fundacentro, 2004, p. 44)
Então, não devemos nos esquecer de que a higiene ocupacionalé um campo de estudo 
que busca gerar conhecimento científico preventivo, ou seja, que promova a redução 
ou evite a ocorrência de doenças relacionadas ao ambiente de trabalho.
Assim, temos outro elemento que compõe a definição de higiene ocupacional: o 
ambiente de trabalho, serviço ou de ocupação.
FIGURA 2
Abordagem 
multifuncional 
da saúde 
ocupacional
FONTE
Adaptado de 
Rossete (2014, 
p. 9).
25
Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Higiene ocupacional: conceitos básicos Capitulo 2
Saúde e risco como elementos da higiene ocupacional
Responda a esse questionamento: qual é a importância da higiene ocupacional? Pare 
agora e pense a esse respeito. Pensou? Acredito que na sua resposta deve conter 
“Proteger o trabalhador” ou “Evitar acidentes de trabalho”. 
Em linhas gerais, a importância da higiene ocupacional se resume a isso, contudo 
é necessário entendermos de que forma esse campo científico busca proteger o 
trabalhador.
A higiene ocupacional busca proteger o trabalhador de danos à sua saúde, por meio da 
aplicação de mecanismos que reduzam a níveis aceitáveis ou eliminem a sua exposição 
a fatores ou agentes de risco em ambiente de trabalho. Então, temos dos conceitos 
importantes aqui, o primeiro é saúde e o segundo, fatores de risco.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) adota um conceito amplo para saúde:
 
A saúde pode ser vista como um estado completo de bem-estar físico, mental e 
social e não meramente a ausência de doença [...]. Para atingir essa meta, o ser 
humano estabelece uma batalha contínua, com o intuito de manter um balanço 
positivo contra as forças biológicas, físicas e químicas, mentais e sociais que 
tendem a romper o equilíbrio. (FUNDA-CENTRO, 2004, p. 45).
Definição
Ambiente de trabalho é o local no qual os indivíduos desenvolvem 
atividades de labor e envolve tudo ao que esse indivíduo é exposto e 
interage ao desempenhar atividades relacionados ao seu trabalho. Dois 
elementos da definição de higiene ocupacional devem ser destacados 
com maior ênfase: fatores de risco e estresse ambiental, e saúde do 
trabalhador.
26
Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Higiene ocupacional: conceitos básicos Capitulo 2
Essa definição é genérica, portanto necessitamos definir a que diz respeito 
especificamente a saúde do trabalhador:
Saúde do trabalhador representa um esforço de compreensão do processo 
saúde-doença, como e porque ocorre, e o desenvolvimento de alternativas que 
levem à transformação e direção à apropriação pelos trabalhadores na dimensão 
humana de trabalho. [...] entende-se por saúde do trabalhador, um conjunto 
de atividades que se destina, a través de ações de vigilância epidemiológica e 
vigilância sanitária, à promoção e proteção da saúde dos trabalhadores, assim 
como visa a recuperação e reabilitação da saúde dos trabalhadores submetidos 
aos riscos a e agravos advindo das condições de trabalho. (FUNDACENTRO, 2004, 
p. 46)
Com base nesses conceitos e na diferença entre os campos que compõem uma visão 
multifuncional da saúde ocupacional, a medicina do trabalho assume a visão ampla do 
conceito de saúde, ou seja: estado completo de bem-estar físico, mental e social, e não 
meramente a ausência de doença. 
Essa visão também é compartilhada pela saúde ocupacional, mas a higiene ocupacional 
tem como foco a promoção de controle e ausência de doenças de trabalho originadas 
da exposição do trabalhador ao risco advindo forças biológicas, físicas e química 
presentes no ambiente de trabalho.
Definição
Saúde do trabalhador é estado de bem-estar decorrente do controle e 
da ausência de doenças de trabalho originadas da sua exposição ao 
risco advindo forças biológicas, físicas e químicas presentes no ambiente 
de trabalho.
27
Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Higiene ocupacional: conceitos básicos Capitulo 2
Entendeu o que consiste a saúde do trabalhador no campo da higiene ocupacional? 
Então, você percebeu que ela está relacionada a outro conceito importante: risco. A 
respeito de risco e seus fatores, temos que:
Qualquer pessoa está exposta as mais diversas condições que podem 
ocasionar eventos ou danos indesejados, seja dentro do ambiente de 
trabalho, ou fora dele, e que poderão afetar a sua qualidade de vida, como 
doenças, acidentes, perda do patrimônio, entre outros. A essa probabilidade 
de ocorrer danos denominamos de risco. O risco, portanto, é a combinação da 
probabilidade e magnitude de um evento desejado. (FUNDACENTRO, 2004, p. 
47)
Traduzindo e trazendo o conceito de risco para o campo da higiene ocupacional, temos 
que o risco é o resultado da chance de ocorrer um evento gerador de dano à saúde do 
trabalhador, resultante de seu trabalho, somada à gravidade da consequência do dano, 
caso o evento ocorra. 
Para facilitar o entendimento, o Quadro 3 apresenta um exemplo de análise de risco no 
ambiente de trabalho de fabricação de artigos de mármore, resultante de uma pesquisa 
realizada por Chagas (2016).
ANÁLISE E AVALIAÇÃO DE RISCOS PROFISSIONAIS NA FABRICAÇÃO DE ARTIGOS 
EM MÁRMORE
Avaliação de riscos é a base de uma gestão eficaz da segurança e da saúde do 
trabalho para reduzir os acidentes de trabalho e as doenças profissionais. 
Este estudo tem por objetivo descrever a avaliação de riscos nas tarefas de cada 
atividade na fabricação de artigos em mármore. Utilizou-se o método de análise 
e avaliação de riscos William T. Fine. A atividade em estudo foi categorizada em 
três grupos: corte, polimento e acabamento dos artigos.
28
Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Higiene ocupacional: conceitos básicos Capitulo 2
Classificação do riscos: Atribui-se um índice às situações de risco identificadas 
baseado na gravidade e na probabilidade de ocorrência do perigo a elas 
associado. 
O produto das três variáveis, Consequência (C), Exposição (E) e Probabilidade 
(P) dá origem à Magnitude do Risco (R) ou Grau de Perigosidade (GP). Para 
determinar as prioridades de intervenção recorreu- se à escala de índice de 
risco, em que: o GP400, o nível de risco é 1 (grave/
eminente).
Na análise de riscos por atividade foi tida em conta a qualidade dos 
equipamentos e das instalações existentes, que por si só, já elimina alguns 
possíveis fatores de risco. 
Assim, na Tabela 1 encontram-se o grau de Perigosidade do Risco relacionado 
à atividade de corte, resultante da classificação obtida em relação ao nível de 
consequência, exposição e probabilidade.
29
Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Higiene ocupacional: conceitos básicos Capitulo 2
QUADRO 3
Estudo de risco no ambiente de trabalho de fabricação de artigos de mármore
FONTE
Freepik
Saiba Mais
Para conhecer mais riscos existentes no ambiente de trabalho de 
fabricação de artigos de mármore, clique aqui e leia na íntegra o artigo 
de Chagas (2016), intitulado “Análise e avaliação de riscos profissionais 
na fabricação de artigos em mármore”.
30
Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Higiene ocupacional: conceitos básicos Capitulo 2
Com base no exemplo disposto do Quadro 3, compreende-se que a definição de 
risco está atrelada aos seguintes conceitos: consequência, fonte de risco, perigo e 
probabilidade. As definições desses conceitos estão contidas na NBR ISO 31000, como 
nos traz Rossete (2014):
Vale ressaltar também outras definições a NBR ISO 31000:
• Consequência – resultado de um evento que afeta os objetivos [...]
• Fonte de risco – elemento que, individual- mente ou combinado, tem potencial 
intrínseco para dar origem ao risco [...]
• Perigo – fonte de potencial dano. [...]
• Probabilidade – chance de algo acontecer. (ROSSETE, 2014, p. 11)
A respeito da definição de risco, com base no exemplo disposto no Quadro 3 e nas 
definições consequência, fonte de risco, perigo e probabilidade, temos que, quantomaior o resultado de um evento que afeta a saúde do trabalhador e a sua chance de 
acontecer, maior será o risco atribuído a uma dada atividade. Então, não se esqueça: 
Risco = probabilidade x consequência (CAMPOS, 2013).
Definição
RISCO = probabilidade x consequência (CAMPOS, 2013).
A higiene ocupacional, assim, tem entre seus objetivos reduzir o risco no contexto do 
ambiente de trabalho, ao identificar, monitorar e controlar a exposição do trabalhador 
aos fatores e agentes de risco. Um fator agente de risco é o elemento gerador ao qual 
o risco está associado.
 
Retomando o exemplo da fabricação de artigos em mármore, a perda da acuidade 
auditiva é um risco, cujo fator/agente gerador é o ruído. Outro exemplo é a fadiga, que 
é um risco que possui como fator/agente a postura inadequada no trabalhador em 
atividade. Nesses exemplos, destacamos um fator/agente de risco físico (ruído) e outro 
ergonômico (postura inadequada).
31
Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Higiene ocupacional: conceitos básicos Capitulo 2
Os fatores/agente de risco podem ser classificados em: físicos, químicos, biológicos e 
ergonômicos. O Quadro 4 apresenta resumidamente cada tipo de risco.
QUADRO 4
Classificação dos fatores ou agentes de risco
FONTE
Adaptado de Alves (2015, p. 16-22).
Agora que aprendemos um pouco sobre os dois conceitos importantes ligados à 
definição de higiene ocupacional (saúde e risco), é importante entendermos também 
alguns termos e palavras que são de uso da área. No tópico a seguir apresentamos 
algumas dessas palavras ou termos.
 
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Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Higiene ocupacional: conceitos básicos Capitulo 2
Termos de uso da higiene ocupacional
Para finalizar sua base inicial de conhecimento, destacamos no Quadro 5 algumas 
palavras e termos comumente usados pelos profissionais que atuam na área.
QUADRO 5
Termos utilizados na área de higiene ocupacional
FONTE
Adaptado de Fundacentro (2004, p. 59-63).
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Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Higiene ocupacional: conceitos básicos Capitulo 2
Resumindo
E agora? Você já se sente capaz de discernir sobre os conceitos 
relacionados à definição da higiene ocupacional? Para garantir, vamos 
resumir o que aprendemos aqui. Vimos inicialmente nesse capítulo que 
diversos autores e pesquisadores da área apresentam uma definição 
de higiene ocupacional, contudo essas definições são homogêneas, ou 
seja, não diferem muito umas das outras. Nesse sentido, identificamos 
que uma definição de higiene ocupacional sempre remete aos seguintes 
elementos: campo científico, local ou ambiente de trabalho, fatores 
de risco ou estresse ambiental, e saúde do trabalhador. Concluímos 
que a higiene ocupacional, ou do trabalho, é apenas um dos campos 
de estudos da saúde ocupacional e que se difere da medicina do 
trabalho e segurança do trabalho (demais campos que compõem uma 
abordagem multiprofissional da saúde ocupacional) por ter seu foco 
voltado para conforto e eficiência do trabalho, buscando um ambiente 
adequado a manutenção e saúde do trabalhador. Por fim, vimos que a 
saúde do trabalhador está ligada à sua exposição ao risco, que é igual 
à probabilidade x consequência, e que higiene ocupacional, no contexto 
do ambiente de trabalho, identifica, monitora e controla a exposição do 
trabalhador aos fatores e agentes de
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@faculdadelibano_
3
O profissional da 
área de Higiene 
ocupacional
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Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Capitulo 3
O profissional da área de 
Higiene ocupacional
Diferenciando o profissional de higiene ocupacional
Vimos que a higiene ocupacional é a área da ciência que reconhece, avalia e controla 
os riscos originados dos ambientes profissionais e capazes de provocar alterações 
na saúde dos trabalhadores, tendo como objetivo colaborar com a promoção e 
conservação da saúde dos operários por meio de condições adequadas no ambiente 
de serviço (ROSSETE, 2014). É com base nessa definição que diferenciaremos o 
profissional de higiene ocupacional dos demais profissionais que atuam com a saúde 
ocupacional.
Objetivos
Ao término deste capítulo você será capaz de definir as atribuições 
e características de um profissional atuante na área de higiene 
ocupacional. Saber quais são as características e atribuições de um 
profissional da área de higiene ocupacional ajudará você a identificar 
quais dessas características é preciso desenvolver para atuar na área 
ou selecionar pessoas adequadas para desempenhar esse papel. E 
então? Pronto para desenvolver esta habilidade? Vamos lá. Avante!
Nota
A higiene ocupacional, ou do trabalho, é apenas um dos campos de 
estudo da saúde ocupacional. Nesse sentido, ela se difere da medicina 
do trabalho e segurança do trabalho, que são os demais campos que 
compõem uma abordagem multiprofissional da saúde ocupacional.
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Higiene Ocupacional: História, 
Conceitos e Legislação
O profissional da área de Higiene ocupacional Capitulo 3
Já que você tem clara a definição de higiene ocupacional, antes de fazermos uma 
diferenciação entre os profissionais da área, primeiro vamos definir a medicina do 
trabalho e a segurança do trabalho, uma vez que são os demais campos que compõem 
uma abordagem multifuncional da saúde ocupacional.
A medicina do trabalho tem como foco a saúde física e mental dos trabalhadores, por 
meio da vigilância da saúde para o aumento da produtividade.
A medicina do trabalho preocupa-se com a saúde física e mental do trabalhador, 
tendo em vista a vigilância à saúde dos profissionais perante os riscos que estão 
expostos. Isso pode contribuir para o aumento da produtividade e disponibilidade 
da mão de obra, devido à redução de afastamentos para tratamento dos casos 
de doenças e acidentes relacionados ao trabalho. (ROSSETE, 2014, p. 8).
Já a segurança no trabalho tem como foco medidas técnicas, médicas e profissionais 
para cuidado do trabalhador, visando à prevenção de acidentes. A respeito da segurança 
do trabalho, Peixoto, Hofstadler e Silveira (2012) destacam:
Podemos definir Segurança do Trabalho como uma série de medidas técnicas, 
administrativas, médicas e, sobretudo, educacionais e comportamentais, 
empregadas a fim de prevenir acidentes, e eliminar condições e procedimentos 
inseguros no ambiente de trabalho. A segurança do trabalho destaca também a 
importância dos meios de prevenção estabelecidos para proteger a integridade 
e a capacidade de trabalho do colaborador. Para a execução dessas medidas, 
não bastam apenas ações dos profissionais ligados à área (SESMT e CIPA), mas 
é necessária a participação de todos os envolvidos, ou seja, desde a direção da 
empresa até os trabalhadores de chão de fábrica, pois o sucesso das ações vai 
depender de uma adequada política de segurança do trabalho, na qual todos 
têm suas responsabilidades. (PEIXOTO; HOFSTADLER; SILVEIRA (2012, p. 28-29)
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Higiene Ocupacional: História, 
Conceitos e Legislação
O profissional da área de Higiene ocupacional Capitulo 3
É importante destacarmos que a medicina do trabalho, a higiene ocupacional e a 
segurança no trabalho, quando aplicadas dentro das organizações, apresentam vários 
benefícios, entre os quais: a redução de despesas com pagamento de sanções por 
descumprimento de lei do trabalho, redução da frequência de acidentes de trabalho, 
prevenção de doenças, redução de morbidade e mortalidade, entre outros benefícios.
É importante diferenciar bem medicina do trabalho, higiene ocupacional e segurança 
do trabalho, porque cada um desses campos tem em sua atuação profissionais 
especializados, conforme mostram as Figuras 3, 4 e 5.
Você Sabia?
Você sabia que organizações com mais de 50 funcionários têm a 
obrigatoriedade de possuir um órgão responsável pela prevenção de 
acidentes? Esse órgão é a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes 
e Assédio decorrentes do trabalho (CIPA).
Importante
É importante que você saiba a diferença entre morbidade e 
mortalidade.Morbidade refere-se à relação entre trabalhadores doentes 
e não doentes expostos às mesmas condições e mesmo ambiente de 
trabalho. Já mortalidade remete à relação de mortos comparada com 
a população de trabalhadores expostos às mesmas condições.
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Higiene Ocupacional: História, 
Conceitos e Legislação
O profissional da área de Higiene ocupacional Capitulo 3
FIGURA 3
Profissionais da saúde 
ocupacional – Médico do 
trabalho
FONTE
Freepik 
FIGURA 4
Profissionais da saúde ocupacional 
– Higienista ocupacional
FONTE
Pixabay
FIGURA 5
Profissionais da saúde ocupacional 
– Engenheiro do trabalho ou Técnico 
de segurança do trabalho
FONTE
Pixabay
39
Higiene Ocupacional: História, 
Conceitos e Legislação
O profissional da área de Higiene ocupacional Capitulo 3
Assim, o profissional da medicina do trabalho é o médico do trabalho, com formação 
superior em medicina e que desempenha o trabalho de avaliar trabalhadores a fim de 
identificar possíveis complicações de saúde oriundas do trabalho. 
É, também, o profissional responsável pela emissão de Atestados de Saúde Ocupacional 
(ASO). A respeito do campo de atuação desse profissional, Lucca e Campos (2011) 
esclarecem que:
O mercado de trabalho deste profissional é amplo, possibilitando as mais variadas 
inserções, como médicos assistentes, coordena-dores, consultores, peritos ou 
auditores, com atuação em serviços médicos de empresas públicas ou privadas, 
sindicatos, Ministérios do Trabalho e Emprego e da Saúde, Previdência Social, 
Ministério Público, dentre outras. (LUCCA; CAMPOS, 2011, p. 1)
Já o profissional da segurança do trabalho é denominado engenheiro do trabalho ou 
técnico de segurança do trabalho, de acordo com sua formação a nível superior ou 
técnico. Cabe a ele prever riscos de atividades de trabalho, proteger o trabalhador em 
suas unidades laborais e elaborar documentos técnicos. 
São exemplos de relatórios técnicos sob responsabilidade desse profissional o Programa 
de Condições e Meio de Trabalho na Indústria e da Construção (PCMAT) e o Programa de 
prevenção de riscos ambientais. O engenheiro do trabalho, em muitos casos, também 
desempenha o papel do higienista ocupacional.
Por fim, temos o profissional da higiene ocupacional, o denominado higienista 
ocupacional, que é o foco de nossos estudos.
O higienista ou técnico ocupacional
O higienista ocupacional, e/ou técnico de higiene ocupacional, é o profissional que 
trabalha com higiene ocupacional, habilitado para identificar problemas e riscos 
ocupacionais, propondo soluções. O higienista ocupacional tem entre suas funções a 
gestão de riscos, desenvolver as etapas do processo.
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Higiene Ocupacional: História, 
Conceitos e Legislação
O profissional da área de Higiene ocupacional Capitulo 3
Então, basicamente o trabalho do higienista ocupacional, ou técnico de higiene 
ocupacional, consiste em avaliar e gerenciar riscos ocupacionais no seu campo de 
atuação. Destacamos que o campo de atuação do higienista ocupacional é o ambiente 
de trabalho.
O processo de avaliação de risco é composto por duas fases - a análise de risco e a 
análise de opções -, enquanto no gerenciamento de riscos temos quatro: tomada de 
decisão, implementação, monitoração e avaliação, e gerenciamento de riscos. 
O Quadro 6 apresenta de forma objetiva o papel/atribuição do higienista, ou técnico 
ocupacional, em cada uma das fases do processo de avaliação e gerenciamento de 
riscos.
Nota
Lembre-se de que ambiente de trabalho é o local no qual os indivíduos 
desenvolvem atividades de labor e envolve tudo ao que esse indivíduo 
é exposto e interage ao desempenhar atividades relacionadas ao seu 
trabalho. Nesse sentido, os higienistas ocupacionais atuam em fábricas, 
organizações etc.
41
Higiene Ocupacional: História, 
Conceitos e Legislação
O profissional da área de Higiene ocupacional Capitulo 3
QUADRO 6
Papel/atribuição do profissional de higiene do trabalho no processo de avaliação e 
gerenciamento de riscos
FONTE
Adaptado de Fundacentro (2004, p. 53-55).
Agora vamos refletir um pouco: diante das atribuições profissionais, qual é o perfil 
adequado de formação de um higienista, ou técnico de higiene do trabalho? Esse 
profissional deve ter formação superior ou técnica em qualquer uma dessas áreas: 
Engenharia, Física, Química, Biologia, Higiene ocupacional, Segurança do trabalho ou 
áreas afins. 
Os cursos de formação específica e em higiene ocupacional abrangem em seu 
currículo conhecimentos em matemática, física, química, biologia, anatomia e 
fisiologia (requisitos básicos); toxicologia, fisiologia do trabalho, doenças ocupacionais, 
estatística e epidemiologia, ergonomia, fatores psicoemocionais, segurança e saúde 
pública (requisitos de suporte); e aspectos fundamentais da higiene ocupacional 
42
Higiene Ocupacional: História, 
Conceitos e Legislação
O profissional da área de Higiene ocupacional Capitulo 3
(reconhecimento de riscos, tecnologia de controle ambiental e pessoal; ventilação 
industrial etc.) (FUNDACENTRO, 2014).
Interdisciplinaridade e ética na atuação do profissional de higiene 
ocupacional
Como vimos no tópico anterior, o currículo básico de um curso a nível superior ou 
técnico que tem por objetivo formar profissionais para atuarem em higiene ocupacional 
é composto por diferentes áreas do conhecimento (disciplina), porque a higiene 
ocupacional é um campo de atuação de conhecimento interdisciplinar. 
O que isso significa? Isso quer dizer que a prática de higiene ocupacional depende da 
sua interação com profissionais de diversas áreas do conhecimento.
Saiba Mais
Para compreender mais sobre a interdisciplinaridade no campo da 
saúde do trabalhador, clique aqui e leia o artigo escrito por Consolino et 
al., que identificam em bases científicas as produções acadêmicas que 
relacionam interdisciplinaridade, saúde e trabalho.
Na prática, o profissional de higiene ocupacional atua nas empresas com o objetivo de 
proteger o trabalhador dos riscos existentes e previstos no ambiente de trabalho. Nesse 
contexto, ele atua em conjunto com médicos de trabalho, gestores e engenheiros de 
produção. Vejamos o seguinte exemplo:
O médico do trabalho ao encontrar o trabalhador doente, poderá optar por 
tratar e curar o trabalhador devolvendo-o para o ambiente nocivo à saúde, 
tornar a encontralo depois de algum tempo com o mesmo problema, ou afastá-
lo definitivamente do ambiente nocivo para poupá-lo da doença, mais isso 
acarretará em desviá-lo de sua profissão ou de seu meio de subsistência. Atuando 
43
Higiene Ocupacional: História, 
Conceitos e Legislação
O profissional da área de Higiene ocupacional Capitulo 3
em conjunto, porém, os profissionais de medicina, higiene ocupacional e outros 
que sejam necessários nesse processo poderão agir na correção do ambiente, 
eliminando ou minimizando a ocorrência das doenças. (FUNDACENTRO, 2004, p. 74)
Vejamos outro exemplo. Um engenheiro de produção projetou o layout de disposição 
das máquinas de uma linha de produção. Após a inauguração dessa linha de produção, 
muitos funcionários apresentaram dores na lombar. 
Fazendo uma análise, o higienista ocupacional dessa indústria descobriu que o layout 
não considerava princípios básicos de ergonomia, sendo esse o motivo das dores 
presentes nos operários dessa linha. 
Nesse exemplo, o engenheiro e o higienista ocupacional trabalharam de forma isolada. 
Consideremos agora que esses dois profissionais atuaram juntos na concepção do 
projeto da nova linha de produção. Esse trabalho interdisciplinar evitaria o problema de 
saúde causado nos operários, uma vez que os conhecimentos de ergonomia de posse 
do higienista ambiental preveniriam o ocorrido na fase de concepção do projeto.
Outro profissional indispensável nesse contexto do trabalho interdisciplinar é o 
profissional na área de educação. O técnico, ou higienista ocupacional, pode identificar 
as necessidades de mudança nos hábitos dos trabalhadores a fim de garantir a 
preservaçãoda saúde deles e traçar planos de ação, mas educar o funcionário para que 
ele cumpra o proposto só é possível com maior eficiência e parceria de um profissional 
de educação. 
Um exemplo de trabalho interdisciplinar realizado pelo profissional de higiene com 
um profissional de higiene é a construção de uma cartilha informativa sobre riscos 
ocupacionais. O profissional de educação, nesse caso, saberia com qual linguagem 
didática abordar os assuntos pontuados pelo profissional de higiene.
Entendeu a importância da interdisciplinaridade na higiene ocupacional? O trabalho 
interdisciplinar gera melhores resultados e decisões mais corretas do que o trabalho 
isolado dos profissionais envolvidos no processo.
Além da interdisciplinaridade, outro aspecto que merece atenção são as questões 
éticas. Agir com ética, entre outros aspectos, é cumprir os direitos e deveres a profissão. 
44
Higiene Ocupacional: História, 
Conceitos e Legislação
O profissional da área de Higiene ocupacional Capitulo 3
O Quadro 7 destaca alguns direitos e deveres de um profissional de higiene ocupacional 
e algumas atitudes éticas atribuídas a esse profissional como reflexo do conhecimento 
de seus direitos e deveres.
QUADRO 7
Direitos e deveres de um profissional de higiene ocupacional e algumas atitudes éticas
FONTE
Adaptado de Fundacentro (2004, p. 75-77).
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Higiene Ocupacional: História, 
Conceitos e Legislação
O profissional da área de Higiene ocupacional Capitulo 3
Diante do exposto no Quadro 7, o desafio em higiene ocupacional é garantir a atuação do 
profissional de acordo com os princípios éticos. Para tanto, ao se encontrar em situações 
que o conduza a um dilema de ética, aconselha-se que o profissional de higiene recorra 
às políticas e aos códigos de conduta profissional, bem como às leis regulamentadoras 
da saúde ocupacional, pois assim ele pode sanar suas dúvidas e respaldar sua postura 
ética em caso de julgamento de terceiros.
Resumindo
Gostou de entender a formação e atuação do profissional da área de 
higiene ocupacional? Para garantirmos que você seja capaz de definir as 
atribuições e características de um profissional atuante na área de higiene 
ocupacional, vamos resumir o que estudamos. Primeiramente vimos que 
o profissional de higiene ocupacional se difere em foco e nomenclatura 
dos profissionais de medicina do trabalho e segurança do trabalho. 
Aprendemos que o profissional da medicina do trabalho é o médico 
do trabalho; o profissional de segurança do trabalho é denominado 
engenheiro ou técnico de segurança do trabalho; e o profissional de 
higiene do trabalho é chamado de higienista ocupacional ou técnico 
de higiene ocupacional. O higienista ocupacional e/ou técnico de 
higiene ocupacional trabalha com higiene ocupacional, habilitado para 
identificar problemas e riscos ocupacionais, propondo soluções. Assim, 
sua formação requer conhecimento de diversas áreas do conhecimento 
e sua atuação prática envolve trabalhar com profissionais de diversas 
áreas, de forma interdisciplinar. Por fim, destacamos que uma conduta 
ética desse profissional remete ao cumprimento de suas atribuições e 
deveres, bem como o conhecimento e uso de políticas e códigos de 
conduta profissional, e leis regulamentadoras da saúde ocupacional.
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Legislação 
em higiene 
ocupacional
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Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Capitulo 4
Legislação em higiene 
ocupacional
Marcos históricos legais relacionados à higiene ocupacional no 
Brasil
Você percebeu que a higiene ocupacional evoluiu como ciência e que suas raízes 
remetem a leis voltadas à proteção do trabalhador. Agora, vamos resgatar os 
acontecimentos históricos que conduziram o desenvolvimento de leis voltadas à higiene 
ocupacional no Brasil.
No contexto brasileiro, a primeira coisa que devemos ter em mente é que a intervenção 
do Estado nas questões trabalhistas foi reflexo dos movimentos sociais organizados pela 
classe trabalhadora.
Em decorrência desses movimentos, tem início a intervenção do Estado, com a 
fixação das relações de trabalho por meio de legislação específica. É aprovada, então 
a primeira Lei sobre Acidentes (Decreto-legislativo no3.754 de 15/01/1919), [...] esta lei 
tinha como fundamento jurídico a teoria do risco profissional, e a necessidade policial 
em todas as ocorrências de acidentes de trabalho. (FUNDACENTRO, 2004, p. 23)
Como resultado da aplicação da Lei sobre Acidentes, o Brasil, no século XX, teve sua 
legislação direcionada para os infortúnios ou riscos industriais, de modo que no contexto 
Objetivos
Ao término deste capítulo você será capaz de reconhecer as 
implicações legais relacionadas à prática dos preceitos da higiene 
ocupacional. Conhecer os aspectos legais relacionados à higiene 
ocupacional irá direcioná-lo em sua prática profissional a definir ações 
de higiene ocupacional em conformidade com essas leis. E então? Pronto 
para desenvolver esta habilidade? Vamos lá. Avante!
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Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Legislação em higiene ocupacional Capitulo 4
jurídico-institucional pode-se identificar, na primeira metade do século XX, alguns fatos 
relacionados à higiene ocupacional. O Quadro 8 apresenta esses fatos em ordem 
cronológica.
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Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Legislação em higiene ocupacional Capitulo 4
Além dos fatos destacados no Quadro 8, é importante evidenciar que no mesmo 
período começaram a surgir instituições que se dedicavam a pesquisa, estudo e 
disseminação das questões relacionadas à higiene ocupacional, entre as quais 
podemos destacar: Escola de Higiene e Saúde Pública, Serviço Social da Indústria 
(SESI), Associação Brasileira para a Prevenção de Acidentes (ABPA), Serviço Social 
da Indústria, Confederação Nacional das Indústrias e Fundação Centro Nacional de 
Segurança, Higiene e Medicina do Trabalho (Fundacentro). 
Diante a sua atuação representativa no campo até hoje, entre essas instituições 
destacamos a Fundacentro. O Quadro 9 apresenta um breve histórico dessa fundação 
e aponta algumas das suas contribuições para o âmbito da higiene ocupacional.
Importante
Os fatos históricos da consolidação da higiene do trabalho remetem à 
legislação estabelecida pela CLT e conduziram a criação das normas 
que regulamentam a segurança do trabalho.
Criada oficialmente em 1966, a FUNDACENTRO teve os primeiros passos de sua 
história dados no início da década, quando a preocupação com os altos índices 
de acidentes e doenças do trabalho crescia no Governo e entre a sociedade. 
Já em 1960, o Governo brasileiro iniciou gestões com a Organização Internacional 
do Trabalho (OIT), com a finalidade de promover estudos e avaliações do 
problema e apontar soluções que pudessem alterar esse quadro.
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Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Legislação em higiene ocupacional Capitulo 4
A ideia de criar uma instituição voltada para o estudo e pesquisa das condições 
dos ambientes de trabalho, com a participação de todos os agentes sociais 
envolvidos na questão, começou a ganhar corpo. Proposta nesse sentido foi 
apresentada em março de 1964, durante o Congresso Americano de Medicina do 
Trabalho, realizado em São Paulo.
Em 1965, após a visita ao País de especialistas da OIT, e de novos estudos sobre 
as condições necessárias para a implantação da iniciativa, o Governo Federal 
decidiu pela criação de um centro especializado, tendo a cidade de São Paulo 
como sede da nova instituição, em função do porte de seu parque industrial.
Assim, em 1966, durante o Congresso Nacional de Prevenção de Acidentes, 
realizado em São Paulo, foi oficializada a criação da FUNDACENTRO, que teve sua 
primeira sede instalada no bairro de Perdizes. 
Datam dessa fase inicial da entidade os primeiros estudos e pesquisas no País 
sobre os efeitos de inseticidas organoclorados na saúde; da bissinose (doença 
ocupacional respiratória que atinge trabalhadores do setor de fiação, expostos 
apoeira de algodão e juta); sobre as consequências das vibrações e ruídos em 
trabalhadores que operam marteletes; sobre o teor da sílica nos ambientes de 
trabalho na indústria cerâmica e ainda sobre os riscos da exposição ocupacional 
ao chumbo.
No decorrer de sua história, a FUNDACENTRO viria ainda afirmar sua vocação 
pioneira na área, com as pesquisas sobre as Doenças Osteomusculares 
Relacionadas ao Trabalho - DORT (à época chamada de lesões por Esforços 
Repetitivas - LER).
Com a vinculação, em 1974, da FUNDACENTRO ao Ministério do Trabalho, cresceram 
as atribuições e atividades da instituição, exigindo um novo salto da entidade: 
a implantação do Centro Técnico Nacional, cuja construção teve início em 1981, 
sendo concluído em 1983, no bairro de Pinheiros, em São Paulo.
51
Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Legislação em higiene ocupacional Capitulo 4
Hoje, a FUNDACENTRO está presente em todo País, por meio de suas unidades 
descentralizadas, distribuídas em 11 Estados e no Distrito Federal. 
Atuando de acordo com os princípios do tripartimos, a Fundacentro tem no 
Conselho Curador sua instância máxima. Nele estão representados, além do 
governo, os trabalhadores e empresários, por meio de suas organizações de 
classe.
O ineditismo e a importância de seus estudos deram à FUNDACENTRO a liderança 
na América Latina no campo da pesquisa na área de segurança e saúde no 
trabalho. A Fundacentro é designada como centro colaborador da Organização 
Mundial da Saúde (OMS), além de ser colaboradora da Organização Internacional 
do Trabalho (OIT).
 
Ainda no plano internacional, a FUNDACENTRO mantém intercâmbio com países 
das três Américas, da Europa, além do Japão e da Austrália. São ações que 
envolvem desde trabalhos na área de educação até o desenvolvimento de 
projetos de sistemas de gestão ambiental.
Outras informações sobre a FUNDACENTRO:
Missão: Produzir conhecimento aplicado para subsidiar políticas públicas que 
promovam o trabalho seguro, saudável e produtivo.
Visão: Um futuro melhor pela ciência aplicada à prevenção.
Valores: Integridade científica, profissionalismo, transparência, cooperação e 
inovação.
Atuação: A Fundacentro dispõe de uma rede de laboratórios em segurança, higiene 
e saúde no trabalho, e de uma das mais completas bibliotecas especializadas, 
além de profissionais formados em várias áreas, muitos deles pós-graduados no 
Brasil e exterior, que atuam basicamente em duas frentes:
• Desenvolvimento de pesquisas em segurança e saúde no trabalho.
• Difusão de conhecimento, por meio de ações educativas, como cursos, 
congressos, seminários, palestras, produção de material didático e publicações 
periódicas cientificas e informativas.
52
Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Legislação em higiene ocupacional Capitulo 4
Outro período que merece destaque é o período após o estabelecimento da Constituição 
de 1988, que foi marcado pelos seguintes fatos:
• Ampliação das atribuições e responsabilidades dos estados e municípios em relação 
à área de saúde e segurança do trabalho.
• Adoção do Programa Nacional de Qualidade e Produtividade, as conhecidas normas 
ISO.
• Mudanças na legislação na área de saúde e segurança do trabalho.
• Surgimento de novos programas no âmbito do Ministério do Trabalho, como Programa 
de Riscos Ambientais (PPRA), Programa de Controle Médico em Saúde Ocupacional 
(PCMSO), entre outros.
Para enfrentar os desafios, a Fundacentro vem promovendo continuamente a 
melhoria da estrutura organizacional e o realinhamento de suas ações, passando 
pela modernização de seus recursos técnicocientíficos e culminando numa gama 
de projetos e atividades em sintonia com as necessidades atuais.
QUADRO 9
O que é a FUNDACENTRO
FONTE
Adaptado de Fundacentro (2020, p. 27).
Importante
A PPRA não existe mais, pois houve uma alteração na NR 9 substituindo-a 
pelo PGR – Programa de Gerenciamento de Riscos.
PPRA é focado mais estritamente na avaliação e controle de riscos ambientais, como 
ruído, calor, produtos químicos etc. Já o PGR abrange riscos ergonômicos, mecânicos, 
de acidentes e até psicossociais, oferecendo uma visão mais abrangente da segurança 
no ambiente de trabalho.
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Integração
O PGR integra outros programas como o Programa de Controle Médico de Saúde 
Ocupacional (PCMSO) e considera informações fornecidas por inspeções de segurança, 
Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) e outros programas existentes na 
empresa, criando uma estratégia de gestão mais completa.
Setores de Aplicação
O PPRA é aplicável a todos os setores que exponham os trabalhadores a riscos ambientais. 
O PGR tem um foco mais direcionado para setores com atividades de risco elevado, 
como mineração, construção civil e atividades que envolvam manuseio de inflamáveis.
Vantagens da Substituição
Amplitude de Ação: o PGR permite um acompanhamento mais amplo e integrado de 
diversos tipos de riscos.
Atualização Normativa: a criação do PGR representa uma modernização das diretrizes 
de segurança ocupacional, alinhando-se às melhores práticas internacionais.
Flexibilidade: o PGR permite mais autonomia para as empresas, que podem adaptar os 
programas de acordo com as especificidades e os riscos reais de suas atividades.
Responsabilização: o PGR tende a ser mais rigoroso em termos de responsabilidades 
legais, o que pode incentivar as empresas a investir mais efetivamente em medidas de 
segurança e saúde ocupacional.
Desafios da Transição
Custo: a implementação do PGR pode exigir investimentos em novas tecnologias e 
treinamentos.
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Cultura organizacional: a transição pode exigir mudanças na cultura da empresa, que 
terá que se adaptar a novas formas de gerenciar riscos.
Complexidade: a abrangência do PGR torna sua elaboração e implementação mais 
complexas em comparação com o PPRA.
Em suma, a substituição do PPRA pelo PGR representa uma evolução nas práticas de 
segurança e saúde ocupacional, mas também traz desafios que exigem preparação 
e investimento por parte das empresas. É crucial que as organizações estejam cientes 
dos novos requisitos e se preparem devidamente para garantir uma transição suave e 
eficaz.
Higiene ocupacional e legislação sobre segurança do trabalho
Como vimos, a segurança do trabalho como foco medidas técnicas, médicas e 
profissionais para cuidado do trabalhador, objetivando a prevenção de acidentes. A 
respeito da segurança do trabalho, Peixoto, Hofstadler e Silveira (2012) destacam:
Podemos definir Segurança do Trabalho como uma série de medidas técnicas, 
administrativas, médicas e, sobretudo, educacionais e comportamentais, 
empregadas a fim de prevenir acidentes, e eliminar condições e procedimentos 
inseguros no ambiente de trabalho. A segurança do trabalho destaca também a 
importância dos meios de prevenção estabelecidos para proteger a integridade 
e a capacidade de trabalho do colaborador. (PEIXOTO; HOFSTADLER; SILVEIRA, 2012; 
p. 28-29)
Diante do exposto, a higiene ocupacional, em sua prática, segue as diretrizes legais 
estabelecidas pela Segurança do Trabalho. 
No Brasil, hoje a Legislação de Segurança do Trabalho baseia-se na Constituição 
Federal, na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), nas Normas Regulamentadoras e 
em outras leis complementares, como portarias, decretos e convenções internacionais 
da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e Organização Mundial da Saúde (OMS). 
O quadro 10 apresenta e resume algumas dessas normas.
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Então, o que podemos concluir é que a higiene ocupacional é parte integrante da 
segurança do trabalho, de modo que as normas apresentadas no Quadro 10 especificam 
requisitos específicos para a proteção da saúde do trabalhador e sua integridade física 
em diferentes condições de trabalho e situações.
QUADRO 10
Normas de segurança do trabalho
FONTE
Adaptado de Peixoto (2010, p. 30-34).
Resumindo
Chegamos ao fim dessa unidade e você aprendeu implicações 
legais relacionadas à prática dos preceitos da higiene ocupacional. 
Reconheceu os avanços da higiene ocupacional no campo jurídico-legal 
e, especialmente, conheceu 33 normas que regulamentam a segurança 
no trabalho e reforçam a prática dos preceitos da higiene ocupacional, 
de modo que o descumprimento de qualquer uma delas pode expor o 
trabalhador aos mais diferentes riscos que podem comprometer sua 
saúde e integridade como ser humano.
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Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação
Referências
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humana. 2015. Dissertação (Mestrado em Tecnologia Nuclear - Aplicações) - Instituto de 
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https://www.dicio.com.br/trabalho/. Acesso em: 30 jun. 2022.
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	História da higiene ocupacional
	O que é higiene ocupacional: uma visão preliminar
	Origens práticas e teóricas da higiene ocupacional
	Origens teóricas da higiene ocupacional: primeiros estudos e pesquisas
	História da saúde ocupacional no Brasil
	Higiene ocupacional: conceitos básicos
	Definindo higiene ocupacional
	Saúde e risco como elementos da higiene ocupacional
	Termos de uso da higiene ocupacional
	O profissional da área de Higiene ocupacional
	Diferenciando o profissional de higiene ocupacional
	O higienista ou técnico ocupacional
	Interdisciplinaridade e ética na atuação do profissional de higiene ocupacional
	Legislação em higiene ocupacional
	Marcos históricos legais relacionados à higiene ocupacional no Brasil
	Higiene ocupacional e legislação sobre segurança do trabalho
	Referências

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