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1 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação 2 3 Sumário História da higiene ocupacional O que é higiene ocupacional: uma visão preliminar Origens práticas e teóricas da higiene ocupacional Origens teóricas da higiene ocupacional: primeiros estudos e pesquisas História da saúde ocupacional no Brasil Higiene ocupacional: conceitos básicos Definindo higiene ocupacional Saúde e risco como elementos da higiene ocupacional Termos de uso da higiene ocupacional O profissional da área de Higiene ocupacional Diferenciando o profissional de higiene ocupacional O higienista ou técnico ocupacional Interdisciplinaridade e ética na atuação do profissional de higiene ocupacional Legislação em higiene ocupacional Marcos históricos legais relacionados à higiene ocupacional no Brasil Higiene ocupacional e legislação sobre segurança do trabalho Referências CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO 5 6 9 14 17 20 21 25 32 34 35 39 42 46 47 54 61 4 Objetivos Definição Explicando Melhor Você Sabia? Acesse Resumindo Nota Importante Saiba Mais Reflita Atividades Testando Para o início do desenvolvimento de uma nova competência; Se houver necessidade de se apresentar um novo conceito; Algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; Curiosidades indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forma necessárias; Se for preciso acessar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; Quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últimas abordagens; Quando forem necessárias observações ou complementações para o seu conhecimento; As observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; Textos, referências bibliográficas e links para aprofundamento do seu conhecimento; Se houver a necessidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou discutido sobre; Quando alguma atividade de autoaprendizagem for aplicada; Quando o desenvolvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas. 5 @faculdadelibano_ 1 História da higiene ocupacional 6 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Capitulo 1 História da higiene ocupacional O que é higiene ocupacional: uma visão preliminar Você parou para pensar sobre os riscos aos quais sua saúde e integridade como ser humano saudável estão expostos quando você está se desempenhando uma atividade qualquer? Se não parou para pensar de forma proposital, intuitivamente você faz isso no seu dia a dia. Por exemplo, enquanto você se ocupa em cozinhar, ao mesmo tempo, intuitivamente, toma cuidado para não se queimar ao se expor o fogo, concorda? Pois bem, ainda nesse ambiente você pode inalar gás em caso de vazamento de gás de cozinha ou ainda pode se cortar a manipular objetos cortantes, etc. Considerando essa reflexão, tomamos o cozinhar como ocupação e a cozinha como ambiente ocupacional. Por exemplo, para você, um corte ao manipular uma faca não passa de um acidente doméstico, mas agora vejamos de forma diferente. Objetivos Ao término deste capítulo você será capaz de compreender as bases teórica e prática que sustentam a higiene ocupacional desde sua origem. Isso é de suma importância para a sua atuação profissional, uma vez que a partir desse conhecimento você terá condições de observar de forma crítica como são estabelecidas as relações/ condições de trabalho no cenário atual e como elas impactam na saúde do trabalhador. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Vamos lá. Avante! 7 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação História da higiene ocupacional Capitulo 1 A cozinha pode não ser seu ambiente de trabalho, mas, para uma funcionária doméstica ou um cozinheiro de um restaurante, é um ambiente de trabalho, de modo que qualquer um dos riscos relatados passam a ser riscos ocupacionais, e é nesse sentido que surge a higiene ocupacional. Mas, enfim o que é higiene ocupacional? Bem, vamos aprofundar a definição desse termo como área do conhecimento ou ciência mais à frente, contudo precisamos conceber a priori uma conceituação preliminar. O termo em questão é composto por duas palavras: higiene e ocupacional. Nesse sentido, para encontrarmos uma conceituação objetiva do termo, recorremos ao significado de ambas as palavras em um dicionário de língua portuguesa. Segundo o Dicionário on-line de Português, higiene é: Conjunto de regras e práticas relativas à conservação da saúde: ter a preocupação da higiene. Conjunto de práticas, regras, hábitos e costumes que visam ao bem- estar, à preservação da saúde; limpeza, conservação. (DICIO, 2022). A palavra ocupacional é derivada da palavra ocupação. O Dicionário on-line de Português apresenta a seguinte definição para ocupação: “Serviço; o trabalho mais importante da vida de alguém; os afazeres com os quais nos ocupamos: você precisa arrumar uma ocupação” (DICIO, 2022). Se analisarmos essa definição em relação aos afazeres com os quais nos ocupamos, podemos rapidamente concluir que um dos principais afazeres do ser humano é o trabalho. 8 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação História da higiene ocupacional Capitulo 1 Nesse sentido, o significado de ocupação remete ao significado de trabalho. No Dicionário, a palavra trabalho pode ser empregada com vários significados. No contexto de trabalho como ocupação, podemos destacar os seguintes significados apresentados pelo Dicionário online de Português: “O emprego, o ofício ou a profissão de alguém” e “Conjunto das atividades realizadas por alguém para alcançar um determinado fim ou propósito” (DICIO, 2022). Considerando os significados de higiene, ocupação e trabalho, podemos, então, definir de modo objetivo e preliminar higiene ocupacional como: conjunto de regras, práticas, hábitos e costumes que objetivam o bem-estar e a preservação da saúde de um indivíduo no ambiente no qual esse é empregado e desempenha as atividades referentes a sua profissão ou ao seu ofício. Definição Higiene ocupacional remete ao conjunto de regras, práticas, hábitos e costumes que objetivam o bem-estar e a preservação da saúde de um indivíduo em seu ambiente de trabalho. Você Sabia? O trabalho na perspectiva econômica é definido como um fator de produção, considerado como toda e qualquer atividade desempenhada pelo homem com o objetivo de satisfação de necessidades. Portanto, o trabalho é uma condição específica do homem desde seu aparecimento na Terra. 9 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação História da higiene ocupacional Capitulo 1 Agora você já entendeu que a higiene ocupacional trata dos riscos que acometem o trabalhador e que podem comprometer sua saúde e integridade em seu ambiente de trabalho, não é mesmo? Para nos aprofundarmos no assunto, a seguir veremos as origens práticas e teóricas da higiene ocupacional. Origens práticas e teóricas da higiene ocupacional Para nos aprofundarmos nos aspectos particulares da higiene ocupacional são necessários a priori entendemos suas origens práticas e teóricas. As origens práticas remetem a quando no dia a dia de trabalho passou a existir uma preocupação com a conservação da saúde do trabalhador, e a teórica, aos fatos que conferem cientificidade a essa preocupação. Objetivamente, a Figura 1 apresenta algumas das origens práticas que levaram à construção da higiene ocupacional como concebemos nos dias atuais. Você Sabia? As origens práticas da higiene ocupacional remetem-se às condições de trabalho às quais o homem foi submetido desde sua origem até os dias atuais. Contudo, as condições de trabalho às quais o homem foi exposto durante a Revolução Industrial, no século XVIII, e a I Guerra Mundial XX merecem destaque nesse cenário, uma vez que essas condições deram origem a um grande número de doenças ocupacionais na época, fato que chamou a atenção e incentivou estudos que tornaram a higiene ocupacionaluma área de conhecimento científico e prático relevante. 10 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação História da higiene ocupacional Capitulo 1 11 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação História da higiene ocupacional Capitulo 1 FIGURA 1 Origens práticas da Higiene Ocupacional FONTE Elaborada pela autora (2022). Conforme podemos observar na Figura 1, o trabalho é inerente ao homem, e a exposição dele ao risco muda em função do tipo, da estrutura, da forma e do ambiente em que esse trabalho acontece. Assim, podemos concluir que, até a Revolução Industrial, poucas observações podem ser feitas em relação à saúde dos trabalhadores e seu ambiente de trabalho. Nesse contexto, ao se estudar a história de nossa civilização até a Revolução Industrial, encontram-se poucas observações sobre a saúde dos trabalhadores e seu ambiente de trabalho. No início, o esforço dispendido pelo homem para garantir sua existência e sobrevivência era um fator que gerava doenças “ocupacionais”, mais tarde com a estratificação da sociedade, o trabalho comum era desempenhado por escravos, em geral povos que haviam sido dominados por outros. (FUNDACENTRO, 2004, p. 12) 12 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação História da higiene ocupacional Capitulo 1 Então, nesse primeiro momento, o que precisamos guardar em nossa mente como registro das origens práticas da saúde ocupacional? Resumidamente, precisamos saber que, em uma sociedade escravocrata (embora hoje destaquemos a necessidade de intervir nos casos de maus tratos no trabalho), a preocupação com a saúde do trabalhador não era prática vigente. Nesse sentido, o que se pode observar com base nos relatos históricos é que só escravos trabalhavam e, consequentemente, apenas eles eram expostos aos riscos, de modo que, com a abundância de mão de obra escrava, não se observava grande preocupação da classe dominadora com garantir proteção à classe dominada na realização do trabalho. Nesse cenário, pouquíssimos fatos na história podem ser destacados como raízes práticas do que entendemos hoje como higiene pessoal, como destaca Camisassa (2016): O que se via naquela época eram alguns estudos isolados de investigação das doenças do trabalho, como aqueles realizados pelo médico e filósofo grego Hipócrates (460-375 a.c.), que em um de seus trabalhos descreveu um quadro de “intoxicação saturnina” em um mineiro (o saturnismo é o nome dado à intoxicação causada pelo chumbo). Plínio, O Velho, escritor e naturalista romano, que viveu no início da era Cristã (23-79 d.C.), descreveu, em seu tratado “De Historia Naturalis”, as condições de saúde dos trabalhadores com exposição ao chumbo e poeiras. Ele fez uma descrição dos primeiros equipamentos de proteção conhecidos, como panos ou membranas de bexiga de animais para o rosto (improvisados pelos próprios escravos), como forma de atenuar a inalação de poeiras nocivas; também descreveu diversas moléstias do pulmão entre mineiros e envenenamento devido ao manuseio de compostos de enxofre e zinco. (CAMISASSA, 2016, p. 36) Enfim, os fatos que antecedem a Revolução Industrial nos permitem definir uma premissa importante a ser considerada pela higiene ocupacional: a exposição do trabalhador ao risco pode ser reflexo da estratificação social e das relações de poder. De modo que hoje embora o contexto tecnológico e econômico seja totalmente diferente podemos atentar a respeito da escravidão contemporânea e seus reflexos na saúde do trabalhador. 13 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação História da higiene ocupacional Capitulo 1 Conforme vimos anteriormente, os fatos que constituem as raízes práticas mais fortes da higiene ocupacional remetem ao período durante e após a Revolução Industrial. A Figura 1 elencou de forma objetiva os principais fatos que conduziram a uma preocupação social com a saúde do trabalhador e a relação desta com o ambiente de trabalho. Esses fatos conduziram a criação de legislação relacionada à saúde do trabalhador e atitudes dos empregadores em resposta às leis nos séculos seguintes (Figura 1). Como exemplo dessas leis temos a “Lei da Saúde e Moral dos Aprendizes” e a “Lei das Fábricas”. A “Lei das Fábricas” de 1833 foi ampliada em 1864 e apresentava as primeiras exigências sobre Higiene Ocupacional. “Todas as fábricas deveriam ser ventiladas para remover qualquer gases nocivos, poeiras e outras impurezas que poderiam causar danos à saúde” é o que hoje chamamos de ventilação diluidora. (FUNDACENTRO, 2004, p. 16) No século XX, é importante destacarmos que a I Guerra Mundial trouxe à tona novos problemas relacionados à saúde do trabalhador, como a exposição ao chumbo nas fábricas de armamentos. É também nesse século que se observa o surgimento de instituições voltadas ao estudo e desenvolvimento de acordos internacionais na área de higiene ocupacional. Então, nesse segundo momento das raízes práticas, o que temos de em mente? Objetivamente, os acontecimentos durante e após a Revolução Industrial nos conduzem Reflita A quais riscos a escravidão contemporânea expõe o trabalhador? Mesmo com o avanço nas leis sobre higiene ocupacional e relações de trabalho, por que essa prática existe? O que gera a escravidão contemporânea? Faça uma breve pesquisa na internet e busque responder a essas questões de forma reflexiva, para fundamentar seu ponto de vista sobre esse problema social e sua relação com a higiene ocupacional e prevenção de riscos. 14 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação História da higiene ocupacional Capitulo 1 a uma segunda premissa importante a ser considerada pela higiene ocupacional: as leis são um mecanismo que influenciam diretamente o controle da exposição do trabalhador ao risco e a qualidade do ambiente ocupacional. Ainda podemos inferir, com base no que vimos até aqui, que as pesquisas e os estudos no âmbito das fábricas conduziram e influenciam algumas práticas relacionadas à higiene ocupacional. Para tanto, a seguir destacamos esses estudos como raízes teóricas dessa área do conhecimento. Origens teóricas da higiene ocupacional: primeiros estudos e pesquisas Agora você já conhece as raízes práticas da higiene ocupacional, mas não as teóricas. Pois bem, ao mesmo tempo que raízes práticas cresciam, também surgiam trabalhos de pesquisadores que em seus estudos buscavam compreender a relação entre saúde do trabalhador, atividades de trabalho e ambiente ocupacional. Para facilitar nosso conhecimento, o Quadro 1 elenca de forma objetiva alguns desses estudos e suas contribuições para o estabelecimento científico da higiene ocupacional. As publicações e descobertas resultantes desses estudos e pesquisas é o que chamamos aqui de raízes teóricas da higiene ocupacional. 15 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação História da higiene ocupacional Capitulo 1 16 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação História da higiene ocupacional Capitulo 1 Observando as informações dispostas no Quadro 1, podemos concluir que as raízes teóricas da higiene ocupacional surgiram na Alemanha e nos Estados Unidos, sendo fruto de pesquisas realizadas por engenheiros e médicos. Ainda com base no Quadro 1, vimos que a higiene ocupacional surgiu no contexto industrial, contudo hoje ela não se aplica apenas no ambiente industrial, assim temos em nossa mente uma noção de que essa área do conhecimento surgiu de forma QUADRO 1 Origens teóricas da higiene ocupacional FONTE Adaptado de Fundacentro (2004). 17 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação História da higiene ocupacional Capitulo 1 abrangente. Agora já temos conhecimento das raízes práticas e teóricas da higiene ocupacional. Então, e no Brasil, como a higiene ocupacional se estabeleceu? A seguir vamos conhecer de forma breve a história da saúde ocupacional no País. História da saúde ocupacional no Brasil No Brasil, as raízespráticas da higiene ocupacional seguiram o perfil dos demais países. Nesse sentido, são fatos que motivaram no Brasil a preocupação com a saúde dos trabalhadores no período antes, durante e após a revolução industrial: mão de obra escrava, crescimento industrial, más condições de trabalho, jornadas prolongadas de trabalho sem remuneração de hora-extra, acidentes e doenças profissionais, entre outros. A respeito desses fatores e de como eles levaram aos avanços no país no que tange à saúde e aos direitos do trabalhador, Durante esse período inicial na industrialização em nosso país, a higiene ocupacional, já praticada em países desenvolvidos como Estados Unidos e Inglaterra, não era conhecida, e de maneira muito semelhante ao que aconteceu nesses países, as primeiras preocupações com o assunto partiram de denúncias de trabalhadores, dos jornais da época, dos estudos em universidades, entre outros. A partir desse movimento social e sob a influência direta das imigrações, que refletiam os movimentos sindicais europeus as lideranças conseguiram mobilizar a classe operária para grande “questão social”. (FUNDACENTRO, 2004, p. 16) Então não podemos nos esquecer de que no contexto brasileiro a classe trabalhadora desempenhou importante papel para a aplicação e prática dos preceitos da higiene ocupacional. Já na perspectiva teórica, ou seja, da publicação de pesquisas e estudos relacionados à saúde e ao ambiente de trabalho no Brasil, entre as primeiras raízes estão os estudos realizados pela Universidade da Bahia entre 1880 e 1903, e as contribuições de Osvaldo Cruz, Warren Dean, entre outros. A Universidade da Bahia, entre 1880 e 1903, realizou estudos em fábricas de charutos, rapé e velas de sebo, e também pesquisas sobre intoxicação por chumbo. Oswaldo 18 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação História da higiene ocupacional Capitulo 1 Cruz deu contribuições para o campo, com estudos e trabalhos voltados ao combate às epidemias de doenças infecciosas relacionadas ao trabalho. Já Warren Dean teve como principal contribuição a descrição sobre as condições do ambiente de trabalho na época e destacou os seguintes fatores como causas de doenças e acidentes de trabalho: estruturas inadequadas e não projetadas especificamente que abrigavam máquinas usadas na produção, má iluminação e ventilação, e ausência de instalações sanitárias. Saiba Mais Oswaldo Cruz dirigiu uma frente de trabalho na ferrovia Madeira– Mamoré no Brasil. Para saber um pouco mais sobre a presença médica na construção dessa ferrovia, acesse o QR-Code: Saiba Mais Oswaldo Cruz dirigiu uma frente de trabalho na ferrovia Madeira– Mamoré no Brasil. Para saber um pouco mais sobre a presença médica na construção dessa ferrovia, acesse o QR-Code: 19 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação História da higiene ocupacional Capitulo 1 No Brasil, o avanço das preocupações relacionadas à higiene ocupacional se destaca no âmbito jurídico-institucional, e trataremos desse tema ao longo dos nossos estudos. Resumindo E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você aprendeu que higiene ocupacional remete ao conjunto de regras, práticas, hábitos e costumes que objetivam o bem-estar e a preservação da saúde de um indivíduo em seu ambiente de trabalho. Nesse sentido, assim como o trabalho, os aspectos relacionados à higiene ocupacional são inerentes ao homem. Vimos que a higiene ocupacional como área do conhecimento surgiu da preocupação do estudo científico dos fatos observados no ambiente de trabalho. Para facilitar o entendimento, concebemos que a higiene ocupacional tem raízes práticas e teóricas. As raízes práticas nos permitiram concluir duas premissas importantes a serem consideradas pela higiene ocupacional: a exposição do trabalhador ao risco pode ser reflexo da estratificação social e relações de poder, e as leis são um mecanismo que influenciam diretamente o controle da exposição do trabalhador ao risco e a qualidade do ambiente ocupacional. No que tange às raízes teóricas, vimos que os estudos de higiene ocupacional começaram na Inglaterra, nos Estados Unidos e na Alemanha, e buscavam compreender a relação entre saúde do trabalhador, atividades de trabalho e ambiente ocupacional. Por último, vimos que o Brasil seguiu o mesmo caminho dos outros países, contudo com destaque para a mobilização e participação da classe operária nesse processo. 20 @faculdadelibano_ 2 Higiene ocupacional: conceitos básicos 21 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Capitulo 2 Higiene ocupacional: conceitos básicos Definindo higiene ocupacional No capítulo anterior estabelecemos a seguinte definição preliminar de higiene ocupacional: “Higiene ocupacional remete ao conjunto de regras, práticas, hábitos e costumes que objetivam o bem-estar e a preservação da saúde de um indivíduo em seu ambiente de trabalho”. Então, agora chegou o momento de nos aprofundamos no assunto. Na literatura pertinente à higiene ocupacional ou higiene no trabalho, como também é conhecida, podemos encontrar algumas definições atribuídas por pesquisadores e instituições da área. Para facilitar nossa visualização, o Quadro 2 apresenta algumas delas. Objetivos Ao término deste capítulo você será capaz de discernir sobre os conceitos relacionados à definição da higiene ocupacional. Aqui você entenderá os elementos e conceitos que a higiene ocupacional envolve, bem como a relação existente entre higiene ocupacional/medicina do trabalho e segurança do trabalho. Esses conceitos nortearão sua prática profissional quando for necessário analisar e intervir em ambientes de trabalho para garantir a saúde e integridade física do trabalhador. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Vamos lá. Avante! 22 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Higiene ocupacional: conceitos básicos Capitulo 2 23 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Higiene ocupacional: conceitos básicos Capitulo 2 Agora, analise as definições de higiene ocupacional dispostas no Quadro 3. O que você pode concluir imediatamente? Concluímos que são homogêneas, ou seja, não diferem muito umas das outras. Assim, podemos extrair desses conceitos os seguintes elementos principais que definem a higiene ocupacional em seu campo de atuação: campo científico, local ou ambiente de trabalho, fatores de riscos ou estresse ambiental, e saúde do trabalhador. QUADRO 2 Definições de higiene ocupacional FONTE Adaptado de Fundacentro (2004, p. 16-17); Peixoto, Hofstadler e Silveira (2012, p. 16-17) e Rossete (2014). Importante A higiene ocupacional, ou do trabalho, é apenas um dos campos de estudo da saúde ocupacional. Nesse sentido, ela se difere da medicina do trabalho e segurança do trabalho, que são os demais campos que compõem uma abordagem multiprofissional da saúde ocupacional. A Figura 2 apresenta a diferença de foco entre esses campos. 24 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Higiene ocupacional: conceitos básicos Capitulo 2 A higiene do trabalho é considerada um campo científico por ser embasada em análise e estudos de fatos observáveis. A esse respeito: A higiene ocupacional é uma ciência, porque está baseada em fatos comprováveis, empíricos e analisáveis por método científico por meio da física, química, bioquímica, toxicologia, medicina, engenharia e saúde pública. [...] Por possuir caráter essencialmente preventivo, as ações de higiene ocupacional devem se fundamentar prioritariamente na prevenção da exposição em estudos epistemológicos prospectivos, registram-se as exposições ao longo do tempo para que se conheça alguma relação entre exposição ocupacional e o efeito a saúde. (Fundacentro, 2004, p. 44) Então, não devemos nos esquecer de que a higiene ocupacionalé um campo de estudo que busca gerar conhecimento científico preventivo, ou seja, que promova a redução ou evite a ocorrência de doenças relacionadas ao ambiente de trabalho. Assim, temos outro elemento que compõe a definição de higiene ocupacional: o ambiente de trabalho, serviço ou de ocupação. FIGURA 2 Abordagem multifuncional da saúde ocupacional FONTE Adaptado de Rossete (2014, p. 9). 25 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Higiene ocupacional: conceitos básicos Capitulo 2 Saúde e risco como elementos da higiene ocupacional Responda a esse questionamento: qual é a importância da higiene ocupacional? Pare agora e pense a esse respeito. Pensou? Acredito que na sua resposta deve conter “Proteger o trabalhador” ou “Evitar acidentes de trabalho”. Em linhas gerais, a importância da higiene ocupacional se resume a isso, contudo é necessário entendermos de que forma esse campo científico busca proteger o trabalhador. A higiene ocupacional busca proteger o trabalhador de danos à sua saúde, por meio da aplicação de mecanismos que reduzam a níveis aceitáveis ou eliminem a sua exposição a fatores ou agentes de risco em ambiente de trabalho. Então, temos dos conceitos importantes aqui, o primeiro é saúde e o segundo, fatores de risco. A Organização Mundial de Saúde (OMS) adota um conceito amplo para saúde: A saúde pode ser vista como um estado completo de bem-estar físico, mental e social e não meramente a ausência de doença [...]. Para atingir essa meta, o ser humano estabelece uma batalha contínua, com o intuito de manter um balanço positivo contra as forças biológicas, físicas e químicas, mentais e sociais que tendem a romper o equilíbrio. (FUNDA-CENTRO, 2004, p. 45). Definição Ambiente de trabalho é o local no qual os indivíduos desenvolvem atividades de labor e envolve tudo ao que esse indivíduo é exposto e interage ao desempenhar atividades relacionados ao seu trabalho. Dois elementos da definição de higiene ocupacional devem ser destacados com maior ênfase: fatores de risco e estresse ambiental, e saúde do trabalhador. 26 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Higiene ocupacional: conceitos básicos Capitulo 2 Essa definição é genérica, portanto necessitamos definir a que diz respeito especificamente a saúde do trabalhador: Saúde do trabalhador representa um esforço de compreensão do processo saúde-doença, como e porque ocorre, e o desenvolvimento de alternativas que levem à transformação e direção à apropriação pelos trabalhadores na dimensão humana de trabalho. [...] entende-se por saúde do trabalhador, um conjunto de atividades que se destina, a través de ações de vigilância epidemiológica e vigilância sanitária, à promoção e proteção da saúde dos trabalhadores, assim como visa a recuperação e reabilitação da saúde dos trabalhadores submetidos aos riscos a e agravos advindo das condições de trabalho. (FUNDACENTRO, 2004, p. 46) Com base nesses conceitos e na diferença entre os campos que compõem uma visão multifuncional da saúde ocupacional, a medicina do trabalho assume a visão ampla do conceito de saúde, ou seja: estado completo de bem-estar físico, mental e social, e não meramente a ausência de doença. Essa visão também é compartilhada pela saúde ocupacional, mas a higiene ocupacional tem como foco a promoção de controle e ausência de doenças de trabalho originadas da exposição do trabalhador ao risco advindo forças biológicas, físicas e química presentes no ambiente de trabalho. Definição Saúde do trabalhador é estado de bem-estar decorrente do controle e da ausência de doenças de trabalho originadas da sua exposição ao risco advindo forças biológicas, físicas e químicas presentes no ambiente de trabalho. 27 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Higiene ocupacional: conceitos básicos Capitulo 2 Entendeu o que consiste a saúde do trabalhador no campo da higiene ocupacional? Então, você percebeu que ela está relacionada a outro conceito importante: risco. A respeito de risco e seus fatores, temos que: Qualquer pessoa está exposta as mais diversas condições que podem ocasionar eventos ou danos indesejados, seja dentro do ambiente de trabalho, ou fora dele, e que poderão afetar a sua qualidade de vida, como doenças, acidentes, perda do patrimônio, entre outros. A essa probabilidade de ocorrer danos denominamos de risco. O risco, portanto, é a combinação da probabilidade e magnitude de um evento desejado. (FUNDACENTRO, 2004, p. 47) Traduzindo e trazendo o conceito de risco para o campo da higiene ocupacional, temos que o risco é o resultado da chance de ocorrer um evento gerador de dano à saúde do trabalhador, resultante de seu trabalho, somada à gravidade da consequência do dano, caso o evento ocorra. Para facilitar o entendimento, o Quadro 3 apresenta um exemplo de análise de risco no ambiente de trabalho de fabricação de artigos de mármore, resultante de uma pesquisa realizada por Chagas (2016). ANÁLISE E AVALIAÇÃO DE RISCOS PROFISSIONAIS NA FABRICAÇÃO DE ARTIGOS EM MÁRMORE Avaliação de riscos é a base de uma gestão eficaz da segurança e da saúde do trabalho para reduzir os acidentes de trabalho e as doenças profissionais. Este estudo tem por objetivo descrever a avaliação de riscos nas tarefas de cada atividade na fabricação de artigos em mármore. Utilizou-se o método de análise e avaliação de riscos William T. Fine. A atividade em estudo foi categorizada em três grupos: corte, polimento e acabamento dos artigos. 28 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Higiene ocupacional: conceitos básicos Capitulo 2 Classificação do riscos: Atribui-se um índice às situações de risco identificadas baseado na gravidade e na probabilidade de ocorrência do perigo a elas associado. O produto das três variáveis, Consequência (C), Exposição (E) e Probabilidade (P) dá origem à Magnitude do Risco (R) ou Grau de Perigosidade (GP). Para determinar as prioridades de intervenção recorreu- se à escala de índice de risco, em que: o GP400, o nível de risco é 1 (grave/ eminente). Na análise de riscos por atividade foi tida em conta a qualidade dos equipamentos e das instalações existentes, que por si só, já elimina alguns possíveis fatores de risco. Assim, na Tabela 1 encontram-se o grau de Perigosidade do Risco relacionado à atividade de corte, resultante da classificação obtida em relação ao nível de consequência, exposição e probabilidade. 29 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Higiene ocupacional: conceitos básicos Capitulo 2 QUADRO 3 Estudo de risco no ambiente de trabalho de fabricação de artigos de mármore FONTE Freepik Saiba Mais Para conhecer mais riscos existentes no ambiente de trabalho de fabricação de artigos de mármore, clique aqui e leia na íntegra o artigo de Chagas (2016), intitulado “Análise e avaliação de riscos profissionais na fabricação de artigos em mármore”. 30 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Higiene ocupacional: conceitos básicos Capitulo 2 Com base no exemplo disposto do Quadro 3, compreende-se que a definição de risco está atrelada aos seguintes conceitos: consequência, fonte de risco, perigo e probabilidade. As definições desses conceitos estão contidas na NBR ISO 31000, como nos traz Rossete (2014): Vale ressaltar também outras definições a NBR ISO 31000: • Consequência – resultado de um evento que afeta os objetivos [...] • Fonte de risco – elemento que, individual- mente ou combinado, tem potencial intrínseco para dar origem ao risco [...] • Perigo – fonte de potencial dano. [...] • Probabilidade – chance de algo acontecer. (ROSSETE, 2014, p. 11) A respeito da definição de risco, com base no exemplo disposto no Quadro 3 e nas definições consequência, fonte de risco, perigo e probabilidade, temos que, quantomaior o resultado de um evento que afeta a saúde do trabalhador e a sua chance de acontecer, maior será o risco atribuído a uma dada atividade. Então, não se esqueça: Risco = probabilidade x consequência (CAMPOS, 2013). Definição RISCO = probabilidade x consequência (CAMPOS, 2013). A higiene ocupacional, assim, tem entre seus objetivos reduzir o risco no contexto do ambiente de trabalho, ao identificar, monitorar e controlar a exposição do trabalhador aos fatores e agentes de risco. Um fator agente de risco é o elemento gerador ao qual o risco está associado. Retomando o exemplo da fabricação de artigos em mármore, a perda da acuidade auditiva é um risco, cujo fator/agente gerador é o ruído. Outro exemplo é a fadiga, que é um risco que possui como fator/agente a postura inadequada no trabalhador em atividade. Nesses exemplos, destacamos um fator/agente de risco físico (ruído) e outro ergonômico (postura inadequada). 31 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Higiene ocupacional: conceitos básicos Capitulo 2 Os fatores/agente de risco podem ser classificados em: físicos, químicos, biológicos e ergonômicos. O Quadro 4 apresenta resumidamente cada tipo de risco. QUADRO 4 Classificação dos fatores ou agentes de risco FONTE Adaptado de Alves (2015, p. 16-22). Agora que aprendemos um pouco sobre os dois conceitos importantes ligados à definição de higiene ocupacional (saúde e risco), é importante entendermos também alguns termos e palavras que são de uso da área. No tópico a seguir apresentamos algumas dessas palavras ou termos. 32 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Higiene ocupacional: conceitos básicos Capitulo 2 Termos de uso da higiene ocupacional Para finalizar sua base inicial de conhecimento, destacamos no Quadro 5 algumas palavras e termos comumente usados pelos profissionais que atuam na área. QUADRO 5 Termos utilizados na área de higiene ocupacional FONTE Adaptado de Fundacentro (2004, p. 59-63). 33 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Higiene ocupacional: conceitos básicos Capitulo 2 Resumindo E agora? Você já se sente capaz de discernir sobre os conceitos relacionados à definição da higiene ocupacional? Para garantir, vamos resumir o que aprendemos aqui. Vimos inicialmente nesse capítulo que diversos autores e pesquisadores da área apresentam uma definição de higiene ocupacional, contudo essas definições são homogêneas, ou seja, não diferem muito umas das outras. Nesse sentido, identificamos que uma definição de higiene ocupacional sempre remete aos seguintes elementos: campo científico, local ou ambiente de trabalho, fatores de risco ou estresse ambiental, e saúde do trabalhador. Concluímos que a higiene ocupacional, ou do trabalho, é apenas um dos campos de estudos da saúde ocupacional e que se difere da medicina do trabalho e segurança do trabalho (demais campos que compõem uma abordagem multiprofissional da saúde ocupacional) por ter seu foco voltado para conforto e eficiência do trabalho, buscando um ambiente adequado a manutenção e saúde do trabalhador. Por fim, vimos que a saúde do trabalhador está ligada à sua exposição ao risco, que é igual à probabilidade x consequência, e que higiene ocupacional, no contexto do ambiente de trabalho, identifica, monitora e controla a exposição do trabalhador aos fatores e agentes de 34 @faculdadelibano_ 3 O profissional da área de Higiene ocupacional 35 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Capitulo 3 O profissional da área de Higiene ocupacional Diferenciando o profissional de higiene ocupacional Vimos que a higiene ocupacional é a área da ciência que reconhece, avalia e controla os riscos originados dos ambientes profissionais e capazes de provocar alterações na saúde dos trabalhadores, tendo como objetivo colaborar com a promoção e conservação da saúde dos operários por meio de condições adequadas no ambiente de serviço (ROSSETE, 2014). É com base nessa definição que diferenciaremos o profissional de higiene ocupacional dos demais profissionais que atuam com a saúde ocupacional. Objetivos Ao término deste capítulo você será capaz de definir as atribuições e características de um profissional atuante na área de higiene ocupacional. Saber quais são as características e atribuições de um profissional da área de higiene ocupacional ajudará você a identificar quais dessas características é preciso desenvolver para atuar na área ou selecionar pessoas adequadas para desempenhar esse papel. E então? Pronto para desenvolver esta habilidade? Vamos lá. Avante! Nota A higiene ocupacional, ou do trabalho, é apenas um dos campos de estudo da saúde ocupacional. Nesse sentido, ela se difere da medicina do trabalho e segurança do trabalho, que são os demais campos que compõem uma abordagem multiprofissional da saúde ocupacional. 36 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação O profissional da área de Higiene ocupacional Capitulo 3 Já que você tem clara a definição de higiene ocupacional, antes de fazermos uma diferenciação entre os profissionais da área, primeiro vamos definir a medicina do trabalho e a segurança do trabalho, uma vez que são os demais campos que compõem uma abordagem multifuncional da saúde ocupacional. A medicina do trabalho tem como foco a saúde física e mental dos trabalhadores, por meio da vigilância da saúde para o aumento da produtividade. A medicina do trabalho preocupa-se com a saúde física e mental do trabalhador, tendo em vista a vigilância à saúde dos profissionais perante os riscos que estão expostos. Isso pode contribuir para o aumento da produtividade e disponibilidade da mão de obra, devido à redução de afastamentos para tratamento dos casos de doenças e acidentes relacionados ao trabalho. (ROSSETE, 2014, p. 8). Já a segurança no trabalho tem como foco medidas técnicas, médicas e profissionais para cuidado do trabalhador, visando à prevenção de acidentes. A respeito da segurança do trabalho, Peixoto, Hofstadler e Silveira (2012) destacam: Podemos definir Segurança do Trabalho como uma série de medidas técnicas, administrativas, médicas e, sobretudo, educacionais e comportamentais, empregadas a fim de prevenir acidentes, e eliminar condições e procedimentos inseguros no ambiente de trabalho. A segurança do trabalho destaca também a importância dos meios de prevenção estabelecidos para proteger a integridade e a capacidade de trabalho do colaborador. Para a execução dessas medidas, não bastam apenas ações dos profissionais ligados à área (SESMT e CIPA), mas é necessária a participação de todos os envolvidos, ou seja, desde a direção da empresa até os trabalhadores de chão de fábrica, pois o sucesso das ações vai depender de uma adequada política de segurança do trabalho, na qual todos têm suas responsabilidades. (PEIXOTO; HOFSTADLER; SILVEIRA (2012, p. 28-29) 37 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação O profissional da área de Higiene ocupacional Capitulo 3 É importante destacarmos que a medicina do trabalho, a higiene ocupacional e a segurança no trabalho, quando aplicadas dentro das organizações, apresentam vários benefícios, entre os quais: a redução de despesas com pagamento de sanções por descumprimento de lei do trabalho, redução da frequência de acidentes de trabalho, prevenção de doenças, redução de morbidade e mortalidade, entre outros benefícios. É importante diferenciar bem medicina do trabalho, higiene ocupacional e segurança do trabalho, porque cada um desses campos tem em sua atuação profissionais especializados, conforme mostram as Figuras 3, 4 e 5. Você Sabia? Você sabia que organizações com mais de 50 funcionários têm a obrigatoriedade de possuir um órgão responsável pela prevenção de acidentes? Esse órgão é a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e Assédio decorrentes do trabalho (CIPA). Importante É importante que você saiba a diferença entre morbidade e mortalidade.Morbidade refere-se à relação entre trabalhadores doentes e não doentes expostos às mesmas condições e mesmo ambiente de trabalho. Já mortalidade remete à relação de mortos comparada com a população de trabalhadores expostos às mesmas condições. 38 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação O profissional da área de Higiene ocupacional Capitulo 3 FIGURA 3 Profissionais da saúde ocupacional – Médico do trabalho FONTE Freepik FIGURA 4 Profissionais da saúde ocupacional – Higienista ocupacional FONTE Pixabay FIGURA 5 Profissionais da saúde ocupacional – Engenheiro do trabalho ou Técnico de segurança do trabalho FONTE Pixabay 39 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação O profissional da área de Higiene ocupacional Capitulo 3 Assim, o profissional da medicina do trabalho é o médico do trabalho, com formação superior em medicina e que desempenha o trabalho de avaliar trabalhadores a fim de identificar possíveis complicações de saúde oriundas do trabalho. É, também, o profissional responsável pela emissão de Atestados de Saúde Ocupacional (ASO). A respeito do campo de atuação desse profissional, Lucca e Campos (2011) esclarecem que: O mercado de trabalho deste profissional é amplo, possibilitando as mais variadas inserções, como médicos assistentes, coordena-dores, consultores, peritos ou auditores, com atuação em serviços médicos de empresas públicas ou privadas, sindicatos, Ministérios do Trabalho e Emprego e da Saúde, Previdência Social, Ministério Público, dentre outras. (LUCCA; CAMPOS, 2011, p. 1) Já o profissional da segurança do trabalho é denominado engenheiro do trabalho ou técnico de segurança do trabalho, de acordo com sua formação a nível superior ou técnico. Cabe a ele prever riscos de atividades de trabalho, proteger o trabalhador em suas unidades laborais e elaborar documentos técnicos. São exemplos de relatórios técnicos sob responsabilidade desse profissional o Programa de Condições e Meio de Trabalho na Indústria e da Construção (PCMAT) e o Programa de prevenção de riscos ambientais. O engenheiro do trabalho, em muitos casos, também desempenha o papel do higienista ocupacional. Por fim, temos o profissional da higiene ocupacional, o denominado higienista ocupacional, que é o foco de nossos estudos. O higienista ou técnico ocupacional O higienista ocupacional, e/ou técnico de higiene ocupacional, é o profissional que trabalha com higiene ocupacional, habilitado para identificar problemas e riscos ocupacionais, propondo soluções. O higienista ocupacional tem entre suas funções a gestão de riscos, desenvolver as etapas do processo. 40 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação O profissional da área de Higiene ocupacional Capitulo 3 Então, basicamente o trabalho do higienista ocupacional, ou técnico de higiene ocupacional, consiste em avaliar e gerenciar riscos ocupacionais no seu campo de atuação. Destacamos que o campo de atuação do higienista ocupacional é o ambiente de trabalho. O processo de avaliação de risco é composto por duas fases - a análise de risco e a análise de opções -, enquanto no gerenciamento de riscos temos quatro: tomada de decisão, implementação, monitoração e avaliação, e gerenciamento de riscos. O Quadro 6 apresenta de forma objetiva o papel/atribuição do higienista, ou técnico ocupacional, em cada uma das fases do processo de avaliação e gerenciamento de riscos. Nota Lembre-se de que ambiente de trabalho é o local no qual os indivíduos desenvolvem atividades de labor e envolve tudo ao que esse indivíduo é exposto e interage ao desempenhar atividades relacionadas ao seu trabalho. Nesse sentido, os higienistas ocupacionais atuam em fábricas, organizações etc. 41 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação O profissional da área de Higiene ocupacional Capitulo 3 QUADRO 6 Papel/atribuição do profissional de higiene do trabalho no processo de avaliação e gerenciamento de riscos FONTE Adaptado de Fundacentro (2004, p. 53-55). Agora vamos refletir um pouco: diante das atribuições profissionais, qual é o perfil adequado de formação de um higienista, ou técnico de higiene do trabalho? Esse profissional deve ter formação superior ou técnica em qualquer uma dessas áreas: Engenharia, Física, Química, Biologia, Higiene ocupacional, Segurança do trabalho ou áreas afins. Os cursos de formação específica e em higiene ocupacional abrangem em seu currículo conhecimentos em matemática, física, química, biologia, anatomia e fisiologia (requisitos básicos); toxicologia, fisiologia do trabalho, doenças ocupacionais, estatística e epidemiologia, ergonomia, fatores psicoemocionais, segurança e saúde pública (requisitos de suporte); e aspectos fundamentais da higiene ocupacional 42 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação O profissional da área de Higiene ocupacional Capitulo 3 (reconhecimento de riscos, tecnologia de controle ambiental e pessoal; ventilação industrial etc.) (FUNDACENTRO, 2014). Interdisciplinaridade e ética na atuação do profissional de higiene ocupacional Como vimos no tópico anterior, o currículo básico de um curso a nível superior ou técnico que tem por objetivo formar profissionais para atuarem em higiene ocupacional é composto por diferentes áreas do conhecimento (disciplina), porque a higiene ocupacional é um campo de atuação de conhecimento interdisciplinar. O que isso significa? Isso quer dizer que a prática de higiene ocupacional depende da sua interação com profissionais de diversas áreas do conhecimento. Saiba Mais Para compreender mais sobre a interdisciplinaridade no campo da saúde do trabalhador, clique aqui e leia o artigo escrito por Consolino et al., que identificam em bases científicas as produções acadêmicas que relacionam interdisciplinaridade, saúde e trabalho. Na prática, o profissional de higiene ocupacional atua nas empresas com o objetivo de proteger o trabalhador dos riscos existentes e previstos no ambiente de trabalho. Nesse contexto, ele atua em conjunto com médicos de trabalho, gestores e engenheiros de produção. Vejamos o seguinte exemplo: O médico do trabalho ao encontrar o trabalhador doente, poderá optar por tratar e curar o trabalhador devolvendo-o para o ambiente nocivo à saúde, tornar a encontralo depois de algum tempo com o mesmo problema, ou afastá- lo definitivamente do ambiente nocivo para poupá-lo da doença, mais isso acarretará em desviá-lo de sua profissão ou de seu meio de subsistência. Atuando 43 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação O profissional da área de Higiene ocupacional Capitulo 3 em conjunto, porém, os profissionais de medicina, higiene ocupacional e outros que sejam necessários nesse processo poderão agir na correção do ambiente, eliminando ou minimizando a ocorrência das doenças. (FUNDACENTRO, 2004, p. 74) Vejamos outro exemplo. Um engenheiro de produção projetou o layout de disposição das máquinas de uma linha de produção. Após a inauguração dessa linha de produção, muitos funcionários apresentaram dores na lombar. Fazendo uma análise, o higienista ocupacional dessa indústria descobriu que o layout não considerava princípios básicos de ergonomia, sendo esse o motivo das dores presentes nos operários dessa linha. Nesse exemplo, o engenheiro e o higienista ocupacional trabalharam de forma isolada. Consideremos agora que esses dois profissionais atuaram juntos na concepção do projeto da nova linha de produção. Esse trabalho interdisciplinar evitaria o problema de saúde causado nos operários, uma vez que os conhecimentos de ergonomia de posse do higienista ambiental preveniriam o ocorrido na fase de concepção do projeto. Outro profissional indispensável nesse contexto do trabalho interdisciplinar é o profissional na área de educação. O técnico, ou higienista ocupacional, pode identificar as necessidades de mudança nos hábitos dos trabalhadores a fim de garantir a preservaçãoda saúde deles e traçar planos de ação, mas educar o funcionário para que ele cumpra o proposto só é possível com maior eficiência e parceria de um profissional de educação. Um exemplo de trabalho interdisciplinar realizado pelo profissional de higiene com um profissional de higiene é a construção de uma cartilha informativa sobre riscos ocupacionais. O profissional de educação, nesse caso, saberia com qual linguagem didática abordar os assuntos pontuados pelo profissional de higiene. Entendeu a importância da interdisciplinaridade na higiene ocupacional? O trabalho interdisciplinar gera melhores resultados e decisões mais corretas do que o trabalho isolado dos profissionais envolvidos no processo. Além da interdisciplinaridade, outro aspecto que merece atenção são as questões éticas. Agir com ética, entre outros aspectos, é cumprir os direitos e deveres a profissão. 44 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação O profissional da área de Higiene ocupacional Capitulo 3 O Quadro 7 destaca alguns direitos e deveres de um profissional de higiene ocupacional e algumas atitudes éticas atribuídas a esse profissional como reflexo do conhecimento de seus direitos e deveres. QUADRO 7 Direitos e deveres de um profissional de higiene ocupacional e algumas atitudes éticas FONTE Adaptado de Fundacentro (2004, p. 75-77). 45 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação O profissional da área de Higiene ocupacional Capitulo 3 Diante do exposto no Quadro 7, o desafio em higiene ocupacional é garantir a atuação do profissional de acordo com os princípios éticos. Para tanto, ao se encontrar em situações que o conduza a um dilema de ética, aconselha-se que o profissional de higiene recorra às políticas e aos códigos de conduta profissional, bem como às leis regulamentadoras da saúde ocupacional, pois assim ele pode sanar suas dúvidas e respaldar sua postura ética em caso de julgamento de terceiros. Resumindo Gostou de entender a formação e atuação do profissional da área de higiene ocupacional? Para garantirmos que você seja capaz de definir as atribuições e características de um profissional atuante na área de higiene ocupacional, vamos resumir o que estudamos. Primeiramente vimos que o profissional de higiene ocupacional se difere em foco e nomenclatura dos profissionais de medicina do trabalho e segurança do trabalho. Aprendemos que o profissional da medicina do trabalho é o médico do trabalho; o profissional de segurança do trabalho é denominado engenheiro ou técnico de segurança do trabalho; e o profissional de higiene do trabalho é chamado de higienista ocupacional ou técnico de higiene ocupacional. O higienista ocupacional e/ou técnico de higiene ocupacional trabalha com higiene ocupacional, habilitado para identificar problemas e riscos ocupacionais, propondo soluções. Assim, sua formação requer conhecimento de diversas áreas do conhecimento e sua atuação prática envolve trabalhar com profissionais de diversas áreas, de forma interdisciplinar. Por fim, destacamos que uma conduta ética desse profissional remete ao cumprimento de suas atribuições e deveres, bem como o conhecimento e uso de políticas e códigos de conduta profissional, e leis regulamentadoras da saúde ocupacional. 46 @faculdadelibano_ 4 Legislação em higiene ocupacional 47 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Capitulo 4 Legislação em higiene ocupacional Marcos históricos legais relacionados à higiene ocupacional no Brasil Você percebeu que a higiene ocupacional evoluiu como ciência e que suas raízes remetem a leis voltadas à proteção do trabalhador. Agora, vamos resgatar os acontecimentos históricos que conduziram o desenvolvimento de leis voltadas à higiene ocupacional no Brasil. No contexto brasileiro, a primeira coisa que devemos ter em mente é que a intervenção do Estado nas questões trabalhistas foi reflexo dos movimentos sociais organizados pela classe trabalhadora. Em decorrência desses movimentos, tem início a intervenção do Estado, com a fixação das relações de trabalho por meio de legislação específica. É aprovada, então a primeira Lei sobre Acidentes (Decreto-legislativo no3.754 de 15/01/1919), [...] esta lei tinha como fundamento jurídico a teoria do risco profissional, e a necessidade policial em todas as ocorrências de acidentes de trabalho. (FUNDACENTRO, 2004, p. 23) Como resultado da aplicação da Lei sobre Acidentes, o Brasil, no século XX, teve sua legislação direcionada para os infortúnios ou riscos industriais, de modo que no contexto Objetivos Ao término deste capítulo você será capaz de reconhecer as implicações legais relacionadas à prática dos preceitos da higiene ocupacional. Conhecer os aspectos legais relacionados à higiene ocupacional irá direcioná-lo em sua prática profissional a definir ações de higiene ocupacional em conformidade com essas leis. E então? Pronto para desenvolver esta habilidade? Vamos lá. Avante! 48 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Legislação em higiene ocupacional Capitulo 4 jurídico-institucional pode-se identificar, na primeira metade do século XX, alguns fatos relacionados à higiene ocupacional. O Quadro 8 apresenta esses fatos em ordem cronológica. 49 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Legislação em higiene ocupacional Capitulo 4 Além dos fatos destacados no Quadro 8, é importante evidenciar que no mesmo período começaram a surgir instituições que se dedicavam a pesquisa, estudo e disseminação das questões relacionadas à higiene ocupacional, entre as quais podemos destacar: Escola de Higiene e Saúde Pública, Serviço Social da Indústria (SESI), Associação Brasileira para a Prevenção de Acidentes (ABPA), Serviço Social da Indústria, Confederação Nacional das Indústrias e Fundação Centro Nacional de Segurança, Higiene e Medicina do Trabalho (Fundacentro). Diante a sua atuação representativa no campo até hoje, entre essas instituições destacamos a Fundacentro. O Quadro 9 apresenta um breve histórico dessa fundação e aponta algumas das suas contribuições para o âmbito da higiene ocupacional. Importante Os fatos históricos da consolidação da higiene do trabalho remetem à legislação estabelecida pela CLT e conduziram a criação das normas que regulamentam a segurança do trabalho. Criada oficialmente em 1966, a FUNDACENTRO teve os primeiros passos de sua história dados no início da década, quando a preocupação com os altos índices de acidentes e doenças do trabalho crescia no Governo e entre a sociedade. Já em 1960, o Governo brasileiro iniciou gestões com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), com a finalidade de promover estudos e avaliações do problema e apontar soluções que pudessem alterar esse quadro. 50 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Legislação em higiene ocupacional Capitulo 4 A ideia de criar uma instituição voltada para o estudo e pesquisa das condições dos ambientes de trabalho, com a participação de todos os agentes sociais envolvidos na questão, começou a ganhar corpo. Proposta nesse sentido foi apresentada em março de 1964, durante o Congresso Americano de Medicina do Trabalho, realizado em São Paulo. Em 1965, após a visita ao País de especialistas da OIT, e de novos estudos sobre as condições necessárias para a implantação da iniciativa, o Governo Federal decidiu pela criação de um centro especializado, tendo a cidade de São Paulo como sede da nova instituição, em função do porte de seu parque industrial. Assim, em 1966, durante o Congresso Nacional de Prevenção de Acidentes, realizado em São Paulo, foi oficializada a criação da FUNDACENTRO, que teve sua primeira sede instalada no bairro de Perdizes. Datam dessa fase inicial da entidade os primeiros estudos e pesquisas no País sobre os efeitos de inseticidas organoclorados na saúde; da bissinose (doença ocupacional respiratória que atinge trabalhadores do setor de fiação, expostos apoeira de algodão e juta); sobre as consequências das vibrações e ruídos em trabalhadores que operam marteletes; sobre o teor da sílica nos ambientes de trabalho na indústria cerâmica e ainda sobre os riscos da exposição ocupacional ao chumbo. No decorrer de sua história, a FUNDACENTRO viria ainda afirmar sua vocação pioneira na área, com as pesquisas sobre as Doenças Osteomusculares Relacionadas ao Trabalho - DORT (à época chamada de lesões por Esforços Repetitivas - LER). Com a vinculação, em 1974, da FUNDACENTRO ao Ministério do Trabalho, cresceram as atribuições e atividades da instituição, exigindo um novo salto da entidade: a implantação do Centro Técnico Nacional, cuja construção teve início em 1981, sendo concluído em 1983, no bairro de Pinheiros, em São Paulo. 51 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Legislação em higiene ocupacional Capitulo 4 Hoje, a FUNDACENTRO está presente em todo País, por meio de suas unidades descentralizadas, distribuídas em 11 Estados e no Distrito Federal. Atuando de acordo com os princípios do tripartimos, a Fundacentro tem no Conselho Curador sua instância máxima. Nele estão representados, além do governo, os trabalhadores e empresários, por meio de suas organizações de classe. O ineditismo e a importância de seus estudos deram à FUNDACENTRO a liderança na América Latina no campo da pesquisa na área de segurança e saúde no trabalho. A Fundacentro é designada como centro colaborador da Organização Mundial da Saúde (OMS), além de ser colaboradora da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Ainda no plano internacional, a FUNDACENTRO mantém intercâmbio com países das três Américas, da Europa, além do Japão e da Austrália. São ações que envolvem desde trabalhos na área de educação até o desenvolvimento de projetos de sistemas de gestão ambiental. Outras informações sobre a FUNDACENTRO: Missão: Produzir conhecimento aplicado para subsidiar políticas públicas que promovam o trabalho seguro, saudável e produtivo. Visão: Um futuro melhor pela ciência aplicada à prevenção. Valores: Integridade científica, profissionalismo, transparência, cooperação e inovação. Atuação: A Fundacentro dispõe de uma rede de laboratórios em segurança, higiene e saúde no trabalho, e de uma das mais completas bibliotecas especializadas, além de profissionais formados em várias áreas, muitos deles pós-graduados no Brasil e exterior, que atuam basicamente em duas frentes: • Desenvolvimento de pesquisas em segurança e saúde no trabalho. • Difusão de conhecimento, por meio de ações educativas, como cursos, congressos, seminários, palestras, produção de material didático e publicações periódicas cientificas e informativas. 52 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Legislação em higiene ocupacional Capitulo 4 Outro período que merece destaque é o período após o estabelecimento da Constituição de 1988, que foi marcado pelos seguintes fatos: • Ampliação das atribuições e responsabilidades dos estados e municípios em relação à área de saúde e segurança do trabalho. • Adoção do Programa Nacional de Qualidade e Produtividade, as conhecidas normas ISO. • Mudanças na legislação na área de saúde e segurança do trabalho. • Surgimento de novos programas no âmbito do Ministério do Trabalho, como Programa de Riscos Ambientais (PPRA), Programa de Controle Médico em Saúde Ocupacional (PCMSO), entre outros. Para enfrentar os desafios, a Fundacentro vem promovendo continuamente a melhoria da estrutura organizacional e o realinhamento de suas ações, passando pela modernização de seus recursos técnicocientíficos e culminando numa gama de projetos e atividades em sintonia com as necessidades atuais. QUADRO 9 O que é a FUNDACENTRO FONTE Adaptado de Fundacentro (2020, p. 27). Importante A PPRA não existe mais, pois houve uma alteração na NR 9 substituindo-a pelo PGR – Programa de Gerenciamento de Riscos. PPRA é focado mais estritamente na avaliação e controle de riscos ambientais, como ruído, calor, produtos químicos etc. Já o PGR abrange riscos ergonômicos, mecânicos, de acidentes e até psicossociais, oferecendo uma visão mais abrangente da segurança no ambiente de trabalho. 53 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Legislação em higiene ocupacional Capitulo 4 Integração O PGR integra outros programas como o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) e considera informações fornecidas por inspeções de segurança, Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) e outros programas existentes na empresa, criando uma estratégia de gestão mais completa. Setores de Aplicação O PPRA é aplicável a todos os setores que exponham os trabalhadores a riscos ambientais. O PGR tem um foco mais direcionado para setores com atividades de risco elevado, como mineração, construção civil e atividades que envolvam manuseio de inflamáveis. Vantagens da Substituição Amplitude de Ação: o PGR permite um acompanhamento mais amplo e integrado de diversos tipos de riscos. Atualização Normativa: a criação do PGR representa uma modernização das diretrizes de segurança ocupacional, alinhando-se às melhores práticas internacionais. Flexibilidade: o PGR permite mais autonomia para as empresas, que podem adaptar os programas de acordo com as especificidades e os riscos reais de suas atividades. Responsabilização: o PGR tende a ser mais rigoroso em termos de responsabilidades legais, o que pode incentivar as empresas a investir mais efetivamente em medidas de segurança e saúde ocupacional. Desafios da Transição Custo: a implementação do PGR pode exigir investimentos em novas tecnologias e treinamentos. 54 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Legislação em higiene ocupacional Capitulo 4 Cultura organizacional: a transição pode exigir mudanças na cultura da empresa, que terá que se adaptar a novas formas de gerenciar riscos. Complexidade: a abrangência do PGR torna sua elaboração e implementação mais complexas em comparação com o PPRA. Em suma, a substituição do PPRA pelo PGR representa uma evolução nas práticas de segurança e saúde ocupacional, mas também traz desafios que exigem preparação e investimento por parte das empresas. É crucial que as organizações estejam cientes dos novos requisitos e se preparem devidamente para garantir uma transição suave e eficaz. Higiene ocupacional e legislação sobre segurança do trabalho Como vimos, a segurança do trabalho como foco medidas técnicas, médicas e profissionais para cuidado do trabalhador, objetivando a prevenção de acidentes. A respeito da segurança do trabalho, Peixoto, Hofstadler e Silveira (2012) destacam: Podemos definir Segurança do Trabalho como uma série de medidas técnicas, administrativas, médicas e, sobretudo, educacionais e comportamentais, empregadas a fim de prevenir acidentes, e eliminar condições e procedimentos inseguros no ambiente de trabalho. A segurança do trabalho destaca também a importância dos meios de prevenção estabelecidos para proteger a integridade e a capacidade de trabalho do colaborador. (PEIXOTO; HOFSTADLER; SILVEIRA, 2012; p. 28-29) Diante do exposto, a higiene ocupacional, em sua prática, segue as diretrizes legais estabelecidas pela Segurança do Trabalho. No Brasil, hoje a Legislação de Segurança do Trabalho baseia-se na Constituição Federal, na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), nas Normas Regulamentadoras e em outras leis complementares, como portarias, decretos e convenções internacionais da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e Organização Mundial da Saúde (OMS). O quadro 10 apresenta e resume algumas dessas normas. 55 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Legislação em higiene ocupacional Capitulo 4 56 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Legislação em higiene ocupacional Capitulo 4 57 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Legislação em higiene ocupacional Capitulo 4 58Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Legislação em higiene ocupacional Capitulo 4 59 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Legislação em higiene ocupacional Capitulo 4 60 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Legislação em higiene ocupacional Capitulo 4 Então, o que podemos concluir é que a higiene ocupacional é parte integrante da segurança do trabalho, de modo que as normas apresentadas no Quadro 10 especificam requisitos específicos para a proteção da saúde do trabalhador e sua integridade física em diferentes condições de trabalho e situações. QUADRO 10 Normas de segurança do trabalho FONTE Adaptado de Peixoto (2010, p. 30-34). Resumindo Chegamos ao fim dessa unidade e você aprendeu implicações legais relacionadas à prática dos preceitos da higiene ocupacional. Reconheceu os avanços da higiene ocupacional no campo jurídico-legal e, especialmente, conheceu 33 normas que regulamentam a segurança no trabalho e reforçam a prática dos preceitos da higiene ocupacional, de modo que o descumprimento de qualquer uma delas pode expor o trabalhador aos mais diferentes riscos que podem comprometer sua saúde e integridade como ser humano. 61 Higiene Ocupacional: História, Conceitos e Legislação Referências ALVES, A. S. Estudo dos agentes de risco ocupacional e seus prováveis agravos na saúde humana. 2015. Dissertação (Mestrado em Tecnologia Nuclear - Aplicações) - Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2015. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE HIGIENISTAS OCUPACIONAIS. 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Acesso em: 30 jun. 2022. 63 História da higiene ocupacional O que é higiene ocupacional: uma visão preliminar Origens práticas e teóricas da higiene ocupacional Origens teóricas da higiene ocupacional: primeiros estudos e pesquisas História da saúde ocupacional no Brasil Higiene ocupacional: conceitos básicos Definindo higiene ocupacional Saúde e risco como elementos da higiene ocupacional Termos de uso da higiene ocupacional O profissional da área de Higiene ocupacional Diferenciando o profissional de higiene ocupacional O higienista ou técnico ocupacional Interdisciplinaridade e ética na atuação do profissional de higiene ocupacional Legislação em higiene ocupacional Marcos históricos legais relacionados à higiene ocupacional no Brasil Higiene ocupacional e legislação sobre segurança do trabalho Referências