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Higiene do 
trabalho
Unidade 1 - Livro Didático Digital
Sumário
 
CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO
História da higiene ocupacional 
 O que é higiene ocupacional: uma visão preliminar 
 Origens práticas e teóricas da higiene ocupacional 
 Origens teóricas da higiene ocupacional: primeiros estudos 
e pesquisas
 História da saúde ocupacional no Brasil
Higiene ocupacional: conceitos básicos 
 Definindo higiene ocupacional 
 Saúde e risco como elementos da higiene ocupacional 
 Termos de uso da higiene ocupacional 
O profissional da área de higiene ocupacional
 Diferenciando o profissional de higiene ocupacional 
 O higienista ou técnico ocupacional
 Interdisciplinaridade e ética na atuação do profissional 
de higiene ocupacional
Legislação em higiene ocupacional
 Marcos históricos legais relacionados à higiene ocupacional 
no Brasil
 Higiene ocupacional e legislação sobre segurança do 
trabalho
Referências 
5
18
32
44
60
Objetivos Definição
Explicando Melhor Você Sabia?
Acesse Resumindo
Nota Importante
Saiba Mais Reflita
Atividades Testando
Para o início do 
desenvolvimento de uma 
nova competência;
Se houver necessidade 
de se apresentar um novo 
conceito;
Algo precisa ser melhor 
explicado ou detalhado;
Curiosidades indagações 
lúdicas sobre o tema em 
estudo, se form necessarias;
Se for preciso acesar um 
ou mais sites para fazer 
dowload, assistir videos, ler 
textos, ouvir podcast;
Quando for preciso se fazer 
um resumo acumulativo 
das últimas abordagens;
quando forem necessárias 
observações ou 
complementações para o
seu conhecimento;
As observações escritas 
tiveram que ser priorizadas 
para você;
Textos, referências 
bibliográficas e links para 
aprofundamento do seu 
conhecimento;
Se houver a necessidade 
de chamar a atenção 
sobre algo a ser refletido ou 
discutido sobre;
Quando alguma atividade 
de autoaprendizagem for 
aplicada;
Quando o desenvolvimento 
de uma competência for 
concluído e questões forem 
explicadas. 
@faculdadelibano_
1
História da higiene 
ocupacional
Higiene do trabalho Capítulo 1
História da higiene 
ocupacional
Objetivos
Ao término deste capítulo você será capaz de compreender as bases 
teórica e prática que sustentam a higiene ocupacional desde sua origem. 
Isso é de suma importância para a sua atuação profi sional, uma vez que 
a partir desse conhecimento você terá condições de observar de forma 
crítica como são estabelecidas as relações/condições de trabalho no 
cenário atual e como elas impactam na saúde do trabalhador. E então? 
Motivado para desenvolver esta competência? Vamos lá. Avante!
O que é higiene ocupacional: uma visão preliminar
Você parou para pensar sobre os riscos aos quais sua saúde e integridade como ser 
humano saudável estão expostos quando você está se desempenhando uma atividade 
qualquer? Se não parou para pensar de forma proposital, intuitivamente você faz isso 
no seu dia a dia. Por exemplo, enquanto você se ocupa em cozinhar, ao mesmo tempo, 
intuitivamente, toma cuidado para não se queimar ao se expor o fogo, concorda? Pois 
bem, ainda nesse ambiente você pode inalar gás em caso de vazamento de gás de 
cozinha ou ainda pode se cortar a manipular objetos cortantes, etc.
Considerando essa reflexão, tomamos o cozinhar como ocupação e a cozinha como 
ambiente ocupacional. Por exemplo, para você, um corte ao manipular uma faca não 
passa de um acidente doméstico, mas agora vejamos de forma diferente. A cozinha 
pode não ser seu ambiente de trabalho, mas, para uma funcionária doméstica ou um 
cozinheiro de um restaurante, é um ambiente de trabalho, de modo que qualquer um 
dos riscos relatados passam a ser riscos ocupacionais, e é nesse sentido que surge a 
higiene ocupacional. Mas, enfim o que é higiene ocupacional? Bem, vamos aprofundar 
a definição desse termo como área do conhecimento ou ciência mais à frente, contudo 
precisamos conceber a priori uma conceituação preliminar. O termo em questão é 
Higiene do trabalho História da higiene ocupacional Capítulo 1
composto por duas palavras: higiene e ocupacional. Nesse sentido, para encontrarmos 
uma concei- tuação objetiva do termo, recorremos ao significado de ambas as palavras 
em um dicionário de língua portuguesa. Segundo o Dicionário on-line de Português, 
higiene é:
Conjunto de regras e práticas relativas à con- servação da saúde: ter 
a preocupação da hi- giene. Conjunto de práticas, regras, hábitos e 
costumes que visam ao bem-estar, à preservação da saúde; limpeza, 
conservação. (DICIO, 2022).
A palavra ocupacional é derivada da palavra ocupação. O Dicionário on-line de Português 
apresenta a seguinte definição para ocupação: “Serviço; o trabalho mais importante da 
vida de alguém; os afazeres com os quais nos ocupamos: você precisa arrumar uma 
ocupação” (DICIO, 2022). Se analisarmos essa definição em relação aos afazeres com 
os quais nos ocupamos, podemos rapidamente concluir que um dos principais afazeres 
do ser humano é o trabalho.
Nesse sentido, o significado de ocupação remete ao significado de trabalho. No 
Dicionário, a palavra trabalho pode ser empregada com vários significados. No contexto 
de trabalho como ocupação, podemos destacar os seguintes significados apresentados 
pelo Dicionário online de Português: “O emprego, o ofício ou a profissão de alguém” e 
“Conjunto das atividades realizadas por alguém para alcançar um determinado fim ou 
propósito” (DICIO, 2022).
Considerando os significados de higiene, ocupação e trabalho, podemos, então, definir 
de modo objetivo e preliminar higiene ocupacional como: conjunto de regras, práticas, 
Você Sabia?
O trabalho na perspectiva econômica é definido como um fator de 
produção, considerado como toda e qualquer atividade desempenhada 
pelo homem com o objetivo de satisfação de necessidades. Portanto, o 
trabalho é uma condição específica do homem desde seu aparecimento 
na Terra.
Higiene do trabalho História da higiene ocupacional Capítulo 1
hábitos e costumes que objetivam o bem-estar e a preservação da saúde de um 
indivíduo no ambiente no qual esse é empregado e desempenha as atividades referentes 
a sua profissão ou ao seu ofício.
Agora você já entendeu que a higiene ocupacional trata dos riscos que acometem o 
trabalhador e que podem comprometer sua saúde e integridade em seu ambiente 
de trabalho, não é mesmo? Para nos aprofundarmos no assunto, a seguir veremos as 
origens práticas e teóricas da higiene ocupacional.
Origens práticas e teóricas da higiene ocupacional
Para nos aprofundarmos nos aspectos particulares da higiene ocupacional são 
necessários a priori entendemos suas origens práticas e teóricas. As origens práticas 
remetem a quando no dia a dia de trabalho passou a existir uma preocupação com a 
conservação da saúde do trabalhador, e a teórica, aos fatos que conferem cientificidade 
a essa preocupação. Objetivamente, a Figura 1 apresenta algumas das origens práticas 
que levaram à construção da higiene ocupacional como concebemos nos dias atuais.
Definição
Higiene ocupacional remete ao conjunto de regras, práticas, hábitos e 
costumes que objetivam o bem-estar e a preservação da saúde de um 
indivíduo em seu ambiente de trabalho.
Você Sabia?
As origens práticas da higiene ocupacional remetem-se às condições 
de trabalho às quais o homem foi submetido desde sua origem até os 
dias atuais. Contudo, as condições de trabalho às quais o ho- mem 
foi exposto durante a Revolução Industrial, no século XVIII, e a I Guerra 
Mundial XX merecem destaque nesse cenário, uma vez que essas con- 
dições deram origem a um grande número de doenças ocupacionais na 
Higiene do trabalho História da higiene ocupacional Capítulo 1
época, fato que chamou a atenção e incentivou estudos que tornaram 
a higiene ocupacional uma área de conhecimento científico e prático 
relevante.
FIGURA SEGUE
 NA PRÓXIMA 
 PÁGINA
Origem da civilização
 Reconhecimento 
da toxidade de 
substâncias
Re
vo
lu
çã
o 
In
dumais amplo e integrado de 
diversos tipos de riscos.
Atualização Normativa: a criação do PGR representa uma modernização das diretrizes 
de segurança ocupacional, alinhando-se às melhores práticas internacionais.
Flexibilidade: o PGR permite mais autonomia para as empresas, que podem adaptar os 
programas de acordo com as especificidades e os riscos reais de suas atividades.
Responsabilização: o PGR tende a ser mais rigoroso em termos de responsabilidades 
legais, o que pode incentivar as empresas a investir mais efetivamente em medidas de 
segurança e saúde ocupacional.
Desafios da Transição
Custo: a implementação do PGR pode exigir investimentos em novas tecnologias e 
treinamentos.
Cultura organizacional: a transição pode exigir mudanças na cultura da empresa, que 
terá que se adaptar a novas formas de gerenciar riscos.
Complexidade: a abrangência do PGR torna sua elaboração e implementação mais 
complexas em comparação com o PPRA.
Em suma, a substituição do PPRA pelo PGR representa uma evolução nas práticas de 
segurança e saúde ocupacional, mas também traz desafios que exigem preparação 
e investimento por parte das empresas. É crucial que as organizações estejam cientes 
dos novos requisitos e se preparem devidamente para garantir uma transição suave e 
eficaz.
 
Higiene do trabalho Legislação em higiene ocupacional Capítulo 4
Higiene ocupacional e legislação sobre segurança do trabalho
Como vimos, a segurança do trabalho como foco medidas técnicas, médicas e 
profissionais para cuidado do trabalhador, objetivando a prevenção de acidentes. A 
respeito da segurança do trabalho, Peixoto, Hofstadler e Silveira (2012) destacam:
Podemos definir Segurança do Trabalho como uma série de medidas 
técnicas, administrativas, médicas e, sobretudo, educacionais e 
comportamentais, empregadas a fim de prevenir acidentes, e 
eliminar condições e procedimentos inseguros no ambiente de 
trabalho. A segurança do trabalho destaca também a importância 
dos meios de prevenção estabelecidos para proteger a integridade 
e a capacidade de trabalho do colaborador. (PEIXOTO; HOFSTADLER; 
SILVEIRA, 2012; p. 28-29)
Diante do exposto, a higiene ocupacional, em sua prática, segue as diretrizes legais 
estabelecidas pela Segurança do Trabalho. No Brasil, hoje a Legislação de Segurança do 
Trabalho baseia-se na Constituição Federal, na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), 
nas Normas Regulamentadoras e em outras leis complementares, como portarias, 
decretos e convenções internacionais da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e 
Organização Mundial da Saúde (OMS). O quadro 10 apresenta e resume algumas dessas 
normas.
Norma Descrição
NR 1 – 
Disposições 
Gerais:
Estabelece o campo de aplicação de todas as Normas 
Regulamentadoras de Segurança e Medicina do Trabalho 
Urbano, bem como os direitos e obrigações do Governo, dos 
empregadores e dos trabalhadores no tocante a este tema 
específico. A fundamentação legal, ordinária e específica 
que dá embasamento jurídico à existência desta NR são 
os artigos 154 à 159 da Consolidação das Leis do Trabalho 
(CLT).
Higiene do trabalho Legislação em higiene ocupacional Capítulo 4
NR 3 – Embargo 
ou interdição:
Estabelece as situações em que as empresas se sujeitam 
a sofrer paralisação de seus serviços, máquinas ou 
equipamentos, bem como os procedimentos a serem 
observados pela fiscalização trabalhista na adoção de tais 
medidas punitivas no tocante à Segurança e à Medicina do 
Trabalho.
NR 4 – Serviços 
especializados 
em Medicina do 
Trabalho:
Estabelece a obrigatoriedade das empresas públicas e 
privadas que possuam empregados regidos pela CLT, de 
organizarem e manterem em funcionamento Serviços 
Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina 
do Trabalho – SESMT com a finalidade de promover a saúde 
e proteger a integridade do trabalhador no local de trabalho.
NR 5 – 
Comissão 
Interna de 
Prevenção de 
Acidentes e 
Assédios – CIPA:
Estabelece a obrigatoriedade das empresas públicas e 
privadas organizarem e manterem em funcionamento, por 
estabelecimento, uma comissão constituída exclusivamente 
por empregados com o objetivo de prevenir infortúnios 
laborais, através da apresentação de sugestões e 
recomendações ao empregador, para que melhore as 
condições de trabalho, eliminando as possíveis causas de 
acidentes do trabalho e de doenças ocupacionais.
NR 6 – 
Equipamentos 
de Proteção 
Individual – EPI:
Estabelece e define os tipos de EPI a que as empresas estão 
obrigadas a fornecer aos seus empregados, sempre que as 
condições de trabalho exigirem, a fim de resguardar a saúde 
e a integridade física dos trabalhadores.
NR 7 – 
Programas de 
Controle Médico 
de Saúde 
Ocupacional – 
PCMSO:
Estabelece a obrigatoriedade de elaboração e implantação 
por parte de todos os empregadores e instituições que 
admitam trabalhadores como empregados, do Programa 
de Controle Médico de Saúde Ocupacional, com o objetivo 
de promoção e preservação da saúde do conjunto dos seus 
trabalhadores. 
NR 8 – 
Edificações:
Dispõe sobre os requisitos técnicos mínimos que devem 
ser observados nas edificações para garantir segurança e 
conforto aos que nelas trabalham.
Higiene do trabalho Legislação em higiene ocupacional Capítulo 4
NR 9 – Avaliação 
e Controle de 
exposições 
ocupacionais a 
agentes físicos,
químicos e 
biológicos:
Estabelece a obrigatoriedade de elaboração e implantação 
por parte de todos os empregadores e instituições que 
admitam trabalhadores como empregados do Programa de 
Gerenciamento de Riscos. Visa à preservação da saúde e da 
integridade física dos trabalhadores, através da antecipação, 
reconhecimento, avaliação e consequente controle da 
ocorrência de riscos ambientais existentes ou que venham a 
existir no ambiente de trabalho, considerando a proteção do 
meio ambiente e dos recursos naturais.
NR 10 – 
Segurança em 
Instalações
e serviços em 
eletricidade:
Estabelece as condições mínimas exigíveis para garantir a 
segurança dos empregados que trabalham em instalações 
elétricas, em suas diversas etapas. Inclui elaboração de 
projetos, execução, operação, manutenção, reforma e 
ampliação, assim como a segurança de usuários e de 
terceiros em quaisquer das fases de geração, transmissão, 
distribuição e consumo de energia elétrica, observando-se, 
para tanto, as normas técnicas oficiais vigentes e, na falta
delas, as normas técnicas internacionais.
NR 11 – 
Transporte, 
movimentação, 
armazenagem
e manuseio de 
materiais:
Estabelece os requisitos de segurança a serem observados 
nos locais de trabalho, no que se refere ao transporte, à 
movimentação, à armazenagem e ao manuseio de materiais, 
tanto de forma mecânica quanto manual, objetivando a 
prevenção de infortúnios laborais.
NR 12 – 
Segurança no 
Trabalho
em Máquinas e 
equipamentos:
Estabelece as medidas prevencionistas de segurança e 
higiene do trabalho a serem adotadas pelas empresas em 
relação à instalação, operação e manutenção de máquinas 
e equipamentos, visando à prevenção de acidentes do 
trabalho.
NR 13 – 
Caldeiras, vasos 
de pressão e 
tubulações e
tanques 
metálicos de 
armazena- 
mento:
Estabelece requisitos mínimos para a gestão da integridade 
estrutural de caldeiras, vasos de pressão, suas tubulações
de interligação e tanques metálicos de armazenamento nos 
aspectos relacionados à instalação, inspeção, operação e 
manutenção, visando a segurança e saúde dos trabalhadores.
Higiene do trabalho Legislação em higiene ocupacional Capítulo 4
NR 14 – Fornos: Estabelece as recomendações técnico-legais pertinentes à 
construção, operação e manutenção de fornos industriais 
nos ambientes de trabalho.
NR 15 – 
Atividades e 
operações 
insalubres
Descreve as atividades, operações e agentes insalubres, 
inclusive seus limites de tolerância, definindo, assim, as 
situações que, quando vivenciadas nos ambientes de 
trabalho pelos trabalhadores, ensejam a caracterização 
do exercício insalubre e, também, os meios deproteger os 
trabalhadores de tais exposições nocivas à sua saúde.
NR 16 – 
Atividades e 
operações 
perigosas:
Regulamenta as atividades e as operações legalmente 
consideradas perigosas, estipulando as recomendações 
prelecionistas correspondentes.
NR 17 – 
Ergonomia:
Visa estabelecer parâmetros que permitam a adaptação 
das condições de trabalho às condições psicofisiológicas 
dos trabalhadores, de modo a proporcionar um máximo de 
conforto, segurança e desempenho eficiente.
NR 18 – 
Segurança 
e saúde no 
trabalho na 
indústria da 
construção:
Estabelece diretrizes de ordem administrativa, de 
planejamento de organização, que objetivem a implantação 
de medidas de controle e sistemas preventivos de segurança 
nos processos, nas condições e no meio ambiente de trabalho 
na indústria da construção civil.
NR 19 – 
Explosivos:
Estabelece as disposições regulamentadoras acerca do 
depósito, manuseio e transporte de explosivos, objetivando 
a proteção da saúde e integridade física dos trabalhadores 
em seus ambientes de trabalho.
NR 20 – 
Segurança 
e Saúde no 
Trabalho com 
inflamáveis e 
combustíveis:
Estabelece as disposições regulamentares acerca do 
armazenamento, manuseio e transporte de líquidos 
combustíveis e inflamáveis, objetivando a proteção da saúde 
e a integridade física dos trabalhadores em seu ambiente de 
trabalho.
Higiene do trabalho Legislação em higiene ocupacional Capítulo 4
NR 21 – Trabalho 
a céu aberto:
Tipifica as medidas prevencionistas relacionadas com a 
prevenção de acidentes nas atividades desenvolvidas a céu 
aberto, como em minas ao ar livre e em pedreiras.
NR 22 – 
Segurança 
e saúde 
ocupacional na 
mineração:
Estabelece métodos de segurança a serem observados 
pelas empresas que desenvolvam trabalhos subterrâneos, 
de modo a proporcionar aos seus empregados satisfatórias 
condições de Segurança e Medicina do Trabalho.
NR 23 – 
Proteção contra 
incêndios:
Estabelece as medidas de proteção contra incêndios, que 
devem dispor os locais de trabalho, visando à prevenção da 
saúde e da integridade física dos trabalhadores.
NR 24 – 
Condições 
sanitárias e 
de conforto 
nos locais de 
trabalho:
Disciplina os preceitos de higiene e de conforto a serem 
observados nos locais de trabalho, especialmente no 
que se refere a banheiros, vestiários, refeitórios, cozinhas, 
alojamentos e ao tratamento da água potável, visando à 
higiene dos locais de trabalho e à proteção da saúde dos 
trabalhadores.
NR 25 – Resíduos 
industriais:
Estabelece as medidas preventivas a serem observadas 
pelas empresas no destino final a ser dado aos resíduos 
industriais resultantes dos ambientes de trabalho, de modo 
a proteger a saúde e a integridade física dos trabalhadores.
NR 26 – 
Sinalização de 
segurança:
Estabelece a padronização das cores a serem utilizadas 
como sinalização de segurança nos ambientes de trabalho, 
de modo a proteger a saúde e a integridade física dos 
trabalhadores.
NR 28 – 
Fiscalização e 
penalidades:
Estabelece os procedimentos a serem adotados pela 
fiscalização em Segurança e Medicina do Trabalho, tanto no 
que diz respeito à concessão de prazos às empresas para 
a correção das irregularidades técnicas, como também, no 
que concerne ao procedimento de autuação por infração 
às Normas Regulamentadoras de Segurança e Medicina do 
Trabalho.
Higiene do trabalho Legislação em higiene ocupacional Capítulo 4
NR 29 – Norma 
regulamen
tadora de 
segurança e 
saúde no
trabalho 
portuário:
Tem por objetivo regular a proteção obrigatória contra 
acidentes e doenças profissionais, facilitar os primeiro 
socorros a acidentados e alcançar as melhores condições 
possíveis de segurança e saúde aos trabalhadores portuários
NR 30 – Norma 
regulamenta-
dora do traba-
lho aquaviário:
Regula a proteção contra acidentes e doenças ocupacionais 
objetivando melhores condições e segurança no 
desenvolvimento de trabalhos aquaviários.
NR 31 –
Segurança 
e saúde no 
trabalho na 
agricultura, 
pecuária 
silvicultura,
exploração 
florestal e
aquicultura:
Regula os preceitos a serem observados na organização e 
no ambiente de trabalho rural, de forma a tornar compatível 
o planejamento e o desenvolvimento das atividades do setor 
com a prevenção de acidentes e doenças relacionadas ao 
trabalho rural.
NR 32 – 
Segurança 
e saúde no 
trabalho em 
serviços de 
saúde:
Tem por finalidade estabelecer as diretrizes básicas para a 
implantação de medidas de proteção à segurança e à saúde 
dos trabalhadores em estabelecimentos de assistência à 
saúde, bem como daqueles que exercem atividades de 
promoção e assistência à saúde em geral.
NR 33 – Norma 
regulamenta-
dora de segu-
rança e saúde 
nos trabalhos 
em espaços 
confinados:
Esta Norma tem como objetivo estabelecer os requisitos 
mínimos para identificação de espaços confinados, seu 
reconhecimento, monitoramento e controle dos riscos 
existentes, de forma a garantir permanentemente a 
segurança e saúde dos trabalhadores.
Higiene do trabalho Legislação em higiene ocupacional Capítulo 4
NR 33 – Norma 
regulamenta-
dora de segu-
rança e saúde 
nos trabalhos 
em espaços 
confinados:
Esta Norma tem como objetivo estabelecer os requisitos 
mínimos para identificação de espaços confinados, seu 
reconhecimento, monitoramento e controle dos riscos 
existentes, de forma a garantir permanentemente a 
segurança e saúde dos trabalhadores.
NR 34 - 
Condições e 
meio ambiente 
de trabalho na 
indústria
da construção, 
reparação e
desmonte naval
Esta Norma Regulamentadora estabelece os requisitos 
mínimos e as medidas de proteção à segurança, à saúde e 
ao meio ambiente de trabalho nas atividades da indústria de 
construção, reparação e desmonte naval.
NR 35 - Trabalho 
em altura
O objetivo dessa norma é estabelecer os requisitos mínimos 
para a avaliação, controle e monitoramento dos riscos 
existentes nas atividades desenvolvidas na indústria de 
abate e processamento de carnes e derivados destinados ao 
consumo humano, de forma a garantir permanentemente a 
segurança, a saúde e a qualidade de vida no trabalho, sem 
prejuízo da observância do disposto nas demais Normas 
Regulamentadoras - NR do Ministério do Trabalho e Emprego
NR 36 - 
Segurança 
e saúde no 
trabalho em 
empresas 
de abate e 
processamento 
de carnes e 
derivados
O objetivo dessa norma é estabelecer os requisitos mínimos 
para a avaliação, controle e monitoramento dos riscos 
existentes nas atividades desenvolvidas na indústria de 
abate e processamento de carnes e derivados destinados ao 
consumo humano, de forma a garantir permanentemente a 
segurança, a saúde e a qualidade de vida no trabalho, sem 
prejuízo da observância do disposto nas demais Normas 
Regulamentadoras - NR do Ministério do Trabalho e Emprego
NR 37 - 
Segurança 
e saúde em 
plataformas de 
petróleo
Essa norma se aplica ao trabalho nas plataformas nacionais 
e estrangeiras, bem como nas Unidades de Manutenção e 
Segurança - UMS, devidamente autorizadas a operar em AJB.
Higiene do trabalho Legislação em higiene ocupacional Capítulo 4
Então, o que podemos concluir é que a higiene ocupacional é parte integrante da 
segurança do trabalho, de modo que as normas apresentadas no Quadro 10 especificam 
requisitos específicos para a proteção da saúde do trabalhador e sua integridade física 
em diferentes condições de trabalho e situações.
Resumindo
Chegamos ao fim dessa unidade e você aprendeu implicações 
legais relacionadas à prática dos preceitos da higiene ocupacional. 
Reconheceu os avanços da higiene ocupacional no campo jurídico-legal 
e, especialmente, conheceu 33 normas que regulamentam a segurança 
no trabalho e reforçam a prática dos preceitos da higiene ocupacional, 
de modo que o descumprimento de qualquer uma delas pode expor o 
trabalhador aos mais diferentes riscos que podem comprometer sua 
saúde e integridade como ser humano.
NR 38 - 
Segurança 
e saúde no 
trabalho nas 
atividades de 
limpeza urbana 
e manejo de 
resíduos sólidos
Essa NormaRegulamentadora tem o objetivo de estabelecer 
os requisitos e as medidas de prevenção para garantir as 
condições de segurança e saúde dos trabalhadores nas 
atividades de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos.
Q U A D R O 1 0
Normas de segurança do trabalho
F O N T E
Adaptado de Peixoto (2010, p. 30-34).
Higiene do trabalho
Referências
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LUCCA, S. R.; CAMPOS, C. R. A Medicina do Trabalho no mundo contemporâneo: o perfil dos 
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https://www.dicio.com.br/trabalho/. Acesso em: 30 jun. 2022.st
ria
l
Sé
cu
lo
 X
IX
Estratificação da
sociedade
 Iniciativas de 
identificação de 
perigos
Esforço dispendido pelo homem para 
garantir sua existência e sobrevivência.
Desenho de trabalho
determinado pela 
dominação dos 
povos.
Reflexos da 
exposição dos 
trabalhadores.
Apenas 
reconhecimento.
Mudanças econômicas e tecnológicas.
Aceleramento do processo de produção.
Aumento considerável do número de problemas de saúde em 
geral relacionado ao trabalho .
Uso de mão de obra de mulheres, pessoas idosas e crianças.
Aumento da mortalidade populacional.
Surgimento de epidemias em países industrializados.
Revindicações trabalhistas em movimentos sociais.
Surgimento de políticas e medidas legais de proteção a saúde 
do trabalhador.
Denúncia de maus tratos em jornais impressos da época.
Contratação de médicos por parte de empregadores com o objetivo 
de obter auxilo no cumprimento de leis, análise e cuidados de 
problemas de saúde de operários (origem da medicina do trabalho).
Higiene do trabalho História da higiene ocupacional Capítulo 1
Conforme podemos observar na Figura 1, o trabalho é inerente ao homem, e a exposição 
dele ao risco muda em função do tipo, da estrutura, da forma e do ambiente em que 
esse trabalho acontece. Assim, podemos concluir que, até a Revolução Industrial, poucas 
observações podem ser feitas em relação à saúde dos trabalhadores e seu ambiente 
de trabalho. 
Nesse contexto, ao se estudar a história de nossa civilização até a 
Revolução Industrial, encontram-se poucas observações sobre a 
saúde dos trabalhadores e seu ambiente de trabalho. No início, 
o esforço dispendido pelo homem para garantir sua existência e 
sobrevivência era um fator que gerava doenças “ocupacionais”, 
mais tarde com a estratificação da sociedade, o trabalho comum 
era desempenhado por escravos, em geral povos que haviam sido 
dominados por outros. (FUNDACENTRO, 2004, p. 12)
 
Primeiros passos na investigação e no controle da silicose na indústria 
de mineração.
I Guerra Mundial- surgimento de novos problemas relacionados a 
indústria de mineração e armamentos como a exposição a chumbo.
Estados Unidos - Criação de instituições do governo e entidades 
de classe que realizassem trabalhos em colaboração com as 
universidades do país.
Outros acontecimentos e práticas.
1919 - Criação da OTI (Organização Internacional do trabalho) 
Estudo e desenvolvimento de acordos internacionais na área de 
higiene ocupacional.
Sé
cu
lo
 X
X
FIGURA 1
Origens práticas da Higiene Ocupacional.
FONTE
Elaborada pela autora (2022).
Higiene do trabalho História da higiene ocupacional Capítulo 1
Então, nesse primeiro momento, o que precisamos guardar em nossa mente como 
registro das origens práticas da saúde ocupacional? Resumidamente, precisamos 
saber que, em uma sociedade escravocrata (embora hoje destaquemos a necessidade 
de intervir nos casos de maus tratos no trabalho), a preocupação com a saúde do 
trabalhador não era prática vigente. Nesse sentido, o que se pode observar com base 
nos relatos históricos é que só escravos trabalhavam e, consequentemente, apenas eles 
eram expostos aos riscos, de modo que, com a abundância de mão de obra escrava, 
não se observava grande preocupação da classe dominadora com garantir proteção 
à classe dominada na realização do trabalho.
Nesse cenário, pouquíssimos fatos na história podem ser destacados como raízes 
práticas do que entendemos hoje como higiene pessoal, como destaca Camisassa 
(2016):
O que se via naquela época eram alguns estudos isolados de 
investigação das doenças do trabalho, como aqueles realizados 
pelo médico e filósofo grego Hipócrates (460-375 a.c.), que em um 
de seus trabalhos descreveu um quadro de “intoxicação saturnina” 
em um mineiro (o saturnismo é o nome dado à intoxicação causada 
pelo chumbo). Plínio, O Velho, escritor e naturalista romano, que viveu 
no início da era Cristã (23-79 d.C.), descreveu, em seu tratado “De 
Historia Naturalis”, as condições de saúde dos trabalhadores com 
exposição ao chumbo e poeiras. Ele fez uma descrição dos primeiros 
equipamentos de proteção conhecidos, como panos ou membranas 
de bexiga de animais para o rosto (improvisados pelos próprios 
escravos), como forma de atenuar a inalação de poeiras nocivas; 
também descreveu diversas moléstias do pulmão en tre mineiros e 
envenenamento devido ao ma- nuseio de compostos de enxofre e 
zinco. (CAMISASSA, 2016, p. 36)
Enfim, os fatos que antecedem a Revolução Industrial nos permitem definir uma premissa 
importante a ser considerada pela higiene ocupacional: a exposição do trabalhador ao 
risco pode ser reflexo da estratificação social e das relações de poder. De modo que hoje 
embora o contexto tecnológico e econômico seja totalmente diferente podemos atentar 
a respeito da escravidão contemporânea e seus reflexos na saúde do trabalhador.
Higiene do trabalho História da higiene ocupacional Capítulo 1
Reflita
A quais riscos a escravidão contemporânea expõe o trabalhador? Mesmo 
com o avanço nas leis sobre higiene ocupacional e relações de trabalho, 
por que essa prática existe? O que gera a escravidão contemporânea? 
Faça uma breve pesquisa na internet e busque responder a essas 
questões de forma reflexiva, para fundamentar seu ponto de vista 
sobre esse problema social e sua relação com a higiene ocupacional e 
prevenção de riscos.
Conforme vimos anteriormente, os fatos que constituem as raízes práticas mais fortes da 
higiene ocupacional remetem ao período durante e após a Revolução Industrial. A Figura 
1 elencou de forma objetiva os principais fatos que conduziram a uma preocupação 
social com a saúde do trabalhador e a relação desta com o ambiente de trabalho. 
Esses fatos conduziram a criação de legislação relacionada à saúde do trabalhador e 
atitudes dos empregadores em resposta às leis nos séculos seguintes (Figura 1). Como 
exemplo dessas leis temos a “Lei da Saúde e Moral dos Aprendizes” e a “Lei das Fábricas”.
A “Lei das Fábricas” de 1833 foi ampliada em 1864 e apresentava as 
primeiras exigências sobre Higiene Ocupacional. “Todas as fábricas 
deveriam ser ventiladas para remover qualquer gases nocivos, 
poeiras e outras impure- zas que poderiam causar danos à saúde” é 
o que hoje chamamos de ventilação diluidora. (FUNDACENTRO, 2004, 
p. 16)
No século XX, é importante destacarmos que a I Guerra Mundial trouxe à tona novos 
problemas relacionados à saúde do trabalhador, como a exposição ao chumbo nas 
fábricas de armamentos. É também nesse século que se observa o surgimento de 
instituições voltadas ao estudo e desenvolvimento de acordos internacionais na área 
de higiene ocupacional.
Então, nesse segundo momento das raízes práticas, o que temos de em mente? 
Objetivamente, os acontecimentos durante e após a Revolução Industrial nos conduzem 
a uma segunda pre- missa importante a ser considerada pela higiene ocupacional: 
as leis são um mecanismo que influenciam diretamente o controle da exposição do 
Higiene do trabalho História da higiene ocupacional Capítulo 1
trabalhador ao risco e a qualidade do ambiente ocupacional.
Ainda podemos inferir, com base no que vimos até aqui, que as pesquisas e os estudos no 
âmbito das fábricas conduziram e influenciam algumas práticas relacionadas à higiene 
ocupacional. Para tanto, a seguir destacamos esses estudos como raízes teóricas dessa 
área do conhecimento. 
Origens teóricas da higiene ocupacional: primeiros estudos e 
pesquisas
Agora você já conhece as raízes práticas da higiene ocupacional, mas não as teóricas. 
Pois bem, ao mesmo tempo que raízes práticas cresciam, também surgiam trabalhos 
de pesquisadores que em seus estudos buscavam compreender a relação entre saúde 
do trabalhador, atividades de trabalho e ambiente ocupacional.
Para facilitar nosso conhecimento, o Quadro 1 elenca de forma objetiva alguns desses 
estudos e suas contribuições para o estabelecimento científico da higiene ocupacional. 
As publicações e descobertas resultantesdesses estudos e pesquisas é o que chamamos 
aqui de raízes teóricas da higiene ocupacional.
Ato inseguro
Publicação 
de panfleto 
sobre doença 
ocupacional (1473)
Publicação de livro: 
De re metallica 
(Alemanha, 1556; 
Estados
Unidos 1919)
Autores/ 
Pesquisadores 
Contribições
Editora Ulrich Instruções a respeito da higiene 
ocupacional.
Georgius 
(agrícola alemão)
Descrição dos fatores de risco 
associados à indústria de 
mineração.
Higiene do trabalho História da higiene ocupacional Capítulo 1
Bernadino 
Ramazzini 
(médico italiano)
O livro é reconhecido como o 
primeiro tratado sistematizado 
sobre doenças ocupacionais.
Descrição de doenças de trabalho 
relacionadas a 50 ocupações e 
apresentação de cuidados para 
diminuir os fatores de risco
das indústrias.
George Baker Esclareceu que a “Cólica de 
Devonshire” era causada pela 
utilização de chumbo na indústria 
de vinho de maçã (sidra) e 
colaborou com a remoção de seu 
uso.
Percival Pott Reconheceu a fuligem como uma 
das causas de câncer sacrotal, 
que principalmente em limpadores 
de chaminé em 1788, na Inglaterra.
Willian Far (1851) Assinalou que a mortalidade entre 
os fabricantes de vasos entre 35-
45 anos era excessivamente alta e 
que a fabricação de cerâmica na 
Inglaterra era um dos ofícios mais 
insalubres.
Charles Thackrah 
(político influente e 
médico) e Percival 
Pott
Escrita de um tratado de 200 
páginas de orientações sobre 
medicina do trabalho.
Deu início à moderna literatura 
de reconhecimento das doenças 
ocupacionais.
Benjamin W. Mc 
Cready
Primeiro compêndio de medici- na 
ocupacional no país.
Publicação de livro: 
De morbis artificium 
diatriba (1700)
Descoberta: 
problemas 
de higiene 
ocupacional (séc. 
XVIII)
Escritos doenças 
ocupacionais (séc. 
XIX)
Publicação de livro: 
On the influence of 
trades, profession, 
and ocupations in 
the United States, 
in the production of 
disease
Higiene do trabalho História da higiene ocupacional Capítulo 1
Charles Bikens Chamou a atenção dos preblemas 
existentes dentro das fábricas que 
estavam causando acidentes e 
doenças profissionais.
Abriu caminho para uma nova 
legislação relativa à higiene 
ocupacional, em vigor até hoje
na Inglaterra.
Descoberta: 
problemas 
de higiene 
ocupacional (séc. 
XIX)
QUADRO 1
Origens teóricas da higiene ocupacional
FONTE
Adaptado de Fundacentro (2004).
Observando as informações dispostas no Quadro 1, podemos concluir que as raízes 
teóricas da higiene ocupacional surgiram na Alemanha e nos Estados Unidos, sendo 
fruto de pesquisas realizadas por engenheiros e médicos. Ainda com base no Quadro 1, 
vimos que a higiene ocupacional surgiu no contexto industrial, contudo hoje ela não se 
aplica apenas no ambiente industrial, assim temos em nossa mente uma noção de 
que essa área do conhecimento surgiu de forma abrangente. 
Agora já temos conhecimento das raízes práticas e teóricas da higiene ocupacional. 
Então, e no Brasil, como a higiene ocupacional se estabeleceu? A seguir vamos conhecer 
de forma breve a história da saúde ocupacional no País.
História da saúde ocupacional no Brasil
No Brasil, as raízes práticas da higiene ocupacional seguiram o perfil dos demais países. 
Nesse sentido, são fatos que motivaram no Brasil a preocupação com a saúde dos 
trabalhadores no período antes, durante e após a revolução industrial: mão de obra 
escrava, crescimento industrial, más condições de trabalho, jornadas prolongadas 
de trabalho sem remuneração de horaextra, acidentes e doenças profissionais, entre 
outros. A respeito desses fatores e de como eles levaram aos avanços no país no que 
tange à saúde e aos direitos do trabahador:
Higiene do trabalho História da higiene ocupacional Capítulo 1
Durante esse período inicial na industrialização em nosso país, 
a higiene ocupacional, já praticada em países desenvolvidos 
como Estados Unidos e Inglaterra, não era conhecida, e de 
maneira muito semelhante ao que aconteceu nesses países, as 
primeiras preocupações com o assunto partiram de denúncias de 
trabalhadores, dos jornais da época, dos estudos em universidades, 
entre outros. A partir desse movimento social e sob a influência direta 
das imigrações, que refletiam os movimentos sindicais europeus as 
lideranças conseguiram mobilizar a classe operária para grande 
“questão social”. (FUNDACENTRO, 2004, p. 16)
Então não podemos nos esquecer de que no contexto brasileiro a classe trabalhadora 
desempenhou importante papel para a aplicação e prática dos preceitos da higiene 
ocupacional. Já na perspectiva teórica, ou seja, da publicação de pesquisas e estudos 
relacionados à saúde e ao ambiente de trabalho no Brasil, entre as primeiras raízes estão 
os estudos realizados pela Universidade da Bahia entre 1880 e 1903, e as contribuições de 
Osvaldo Cruz, Warren Dean, entre outros.
A Universidade da Bahia, entre 1880 e 1903, realizou estudos em fábricas de charutos, 
rapé e velas de sebo, e também pesquisas sobre intoxicação por chumbo. Oswaldo 
Cruz deu contribuições para o campo, com estudos e trabalhos voltados ao combate 
às epidemias de doenças infecciosas relacionadas ao trabalho. Já Warren Dean teve 
como principal contribuição a descrição sobre as condições do ambiente de trabalho 
na época e destacou os seguintes fatores como causas de doenças e acidentes de 
trabalho: estruturas inadequadas e não projetadas especificamente que abrigavam 
máquinas usadas na produção, má iluminação e ventilação, e ausência de instalações 
sanitárias.
No Brasil, o avanço das preocupações relacionadas à higiene ocupacional se destaca 
no âmbito jurídico-institucional, e trataremos desse tema ao longo dos nossos estudos.
Higiene do trabalho História da higiene ocupacional Capítulo 1
Resumindo
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? 
Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema 
de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você aprendeu 
que higiene ocupacional remete ao conjunto de regras, práticas, hábitos 
e costumes que objetivam o bem-estar e a preservação da saú- de 
de um indivíduo em seu ambiente de trabalho. Nesse sentido, assim 
como o trabalho, os aspectos relacionados à higiene ocupacional são 
inerentes ao homem. Vimos que a higiene ocupacional como área do 
conhecimento surgiu da preocupação do estudo científico dos fatos 
observados no ambiente de trabalho. Para facilitar o entendimento, 
concebemos que a higiene ocupacional tem raízes práticas e teóricas. 
As raízes práticas nos permiti- ram concluir duas premissas importantes 
a serem consideradas pela higiene ocupacional: a exposição do 
trabalhador ao risco pode ser reflexo da estratificação social e relações 
de poder, e as leis são um mecanismo que influenciam diretamente o 
controle da exposição do trabalhador ao risco e a qualidade do ambiente 
ocupacional. No que tange às raízes teóricas, vimos que os estudos 
de higiene ocupacional começaram na Inglaterra, nos Estados Unidos 
e na Alemanha, e buscavam compreender a relação entre saúde do 
trabalhador, atividades de trabalho e ambiente ocupacional. Por último, 
vimos que o Brasil seguiu o mesmo caminho dos outros países, contudo 
com destaque para a mobilização e participação da classe operária 
nesse processo.
@faculdadelibano_
2
Higiene 
ocupacional: 
conceitos básicos
Higiene do trabalho Capítulo 2
Higiene ocupacional: 
conceitos básicos
Objetivos
Ao término deste capítulo você será capaz de discernir sobre os 
conceitos relacionados à definição da higiene ocupacional. Aqui você 
entenderá os elementos e conceitos que a higiene ocupacional envolve, 
bem como a relação existente entre higiene ocupacional/medicina do 
trabalho e segurança do trabalho. Esses conceitos nortearão sua práti 
ca profissional quando for necessário analisar e intervir em ambientes 
de trabalho para garantir a saúde e integridade física do trabalhador. E 
então? Motivado para desenvolver esta competência? Vamos lá. Avante!
Definindo higieneocupacional
No capítulo anterior estabelecemos a seguinte definição preliminar de higiene 
ocupacional: “Higiene ocupacional remete ao conjunto de regras, práticas, hábitos e 
costumes que objetivam o bem-estar e a preservação da saúde de um indivíduo em 
seu ambiente de trabalho”. Então, agora chegou o momento de nos aprofundamos no 
assunto.
Na literatura pertinente à higiene ocupacional ou higiene no trabalho, como também 
é conhecida, podemos encontrar algumas definições atribuídas por pesquisadores e 
instituições da área. Para facilitar nossa visualização, o Quadro 2 apresenta algumas 
delas.
Higiene do trabalho Higiene ocupacional: conceitos básicos Capítulo 2
Autor (ano) Definição
Olishifski 
(1988)
Aquela ciência e arte devotada à antecipação, ao 
reconhecimento, à avaliação e ao controle dos fatores de 
risco ou estresse ambientais originados no ou a partir do local 
de trabalho, que podem causar doenças, prejudicar a saúde 
e o bem-estar, ou causar significante desconforto para os 
trabalhadores ou entre os cidadãos de uma comunidade.
American 
Industrial 
Hygiene 
Association 
AIHA (1996)
Ciência que trata da antecipação, do reconhecimento, da 
avaliação e do controle dos riscos originados nos locais de 
trabalho e que podem prejudicar a saúde e o bem-estar dos 
trabalhadores, tendo em vista também o possível impacto 
nas comunidades vizinhas e no ambiente.
Fundacentro 
(2004)
Campo de atuação da ciência que se dedica ao estudo dos 
ambientes de trabalho e à prevenção das doenças causadas 
por eles. É uma ciência de caráter essencialmente preventivo.
American 
Conference of 
Governmental 
Industrial 
Hygienists 
(ACGIH, 2012)
Uma ciência e uma arte que objetiva a antecipação, o 
reconhecimento, a avaliação e o controle dos fatores 
ambientais e estres-se originados nos locais de trabalho, que 
podem provocar doenças, prejuízos à saúde ou ao bem-estar, 
desconforto significativo e ineficiência nos trabalhadores ou 
entre as pessoas da comunidade.
National 
Safety Council 
(NSC, 2012)
É a ciência e arte devotadas à antecipação, reconhecimento, 
avaliação e controle dos fatores ou sobrecargas ambientais, 
originadas nos locais de trabalho que podem causar doenças, 
prejudicando à saúde e o bem-estar ou gerando considerável 
desconforto e ineficiência entre trabalhadores ou cidadãos 
da comunidade.
British 
Occupational 
Hygiene 
Society (BOHS, 
2012)
É a prevenção de problemas de saúde do trabalho, por meio 
de reconhecimento, avaliação e controle dos riscos.
International 
Occupational 
Hygiene 
Association 
(IOHA, 2012)
É a antecipação, o reconhecimento, a avaliação e o controle 
de riscos para a saúde no ambiente de trabalho, com o 
objetivo de proteger a integridade física e o bem-estar do 
trabalhador, e salvaguardar a comunidade em geral.
Higiene do trabalho Higiene ocupacional: conceitos básicos Capítulo 2
QUADRO 2
Definições de higiene ocupacional
FONTE
Adaptado de Fundacentro (2004, p. 16-17); Peixoto, Hofstadler e 
Silveira (2012, p. 16-17) e Rossete (2014).
Rossete (2014) É a área que reconhece, avalia e controla os riscos originados 
dos ambientes profis- sionais capazes de provocar alterações 
na saúde dos trabalhadores, tendo por objetivo colaborar 
com a promoção e conservação da saúde dos operários por 
meio de condições adequadas no ambiente de serviço.
Agora, analise as definições de higiene ocupacional dis- postas no Quadro 3. O que você 
pode concluir imediatamente? Concluímos que são homogêneas, ou seja, não diferem 
muito umas das outras. 
Assim, podemos extrair desses conceitos os se- guintes elementos principais que 
definem a higiene ocupacional em seu campo de atuação: campo científico, local ou 
ambiente de trabalho, fatores de riscos ou estresse ambiental, e saúde do trabalhador.
Importante
A higiene ocupacional, ou do trabalho, é apenas um dos campos de 
estudo da saúde ocupacional. Nesse sentido, ela se difere da medicina 
do trabalho e segurança do trabalho, que são os demais campos que 
compõem uma abordagem multiprofissional da saúde ocupacional. A 
Figura 2 apresenta a diferença de foco entre esses campos.
Higiene do trabalho Higiene ocupacional: conceitos básicos Capítulo 2
FIGURA 2
Abordagem 
multifuncional 
da saúde 
ocupacionalo
FONTE
Adaptado de 
Rossete (2014, p. 9).
A higiene do trabalho é considerada um campo científico por ser embasada em análise 
e estudos de fatos observáveis. A esse respeito:
A higiene ocupacional é uma ciência, porque está baseada em 
fatos comprováveis, empíricos e analisáveis por método científico 
por meio da física, química, bioquímica, toxicologia, medicina, 
engenharia e saúde pública. [...] Por possuir caráter essencialmente 
preventi- vo, as ações de higiene ocupacional devem se fundamentar 
prioritariamente na prevenção da exposição em estudos 
epistemológicos prospectivos, registram-se as exposições ao longo 
do tempo para que se conheça alguma relação entre exposição 
ocupacional e o efeto a saúde. (Fundacentro, 2004, p. 44)
Então, não devemos nos esquecer de que a higiene ocupacional é um campo de estudo 
que busca gerar conhecimento científico preventivo, ou seja, que promova a redução 
ou evite a ocorrência de doenças relacionadas ao ambiente de trabalho.
Assim, temos outro elemento que compõe a definição de higiene ocupacional: o 
ambiente de trabalho, serviço ou de ocupação.
Higiene do trabalho Higiene ocupacional: conceitos básicos Capítulo 2
Saúde e risco como elementos da higiene ocupacional
Responda a esse questionamento: qual é a importância da higiene ocupacional? Pare 
agora e pense a esse respeito. Pensou? Acredito que na sua resposta deve conter 
“Proteger o trabalhador” ou “Evitar acidentes de trabalho”. Em linhas gerais, a importância 
da higiene ocupacional se resume a isso, contudo é necessário entendermos de que 
forma esse campo científico busca proteger o trabalhador.
A higiene ocupacional busca proteger o trabalhador de danos à sua saúde, por meio da 
aplicação de mecanismos que reduzam a níveis aceitáveis ou eliminem a sua exposição 
a fato- res ou agentes de risco em ambiente de trabalho. Então, temos dos conceitos 
importantes aqui, o primeiro é saúde e o segundo, fatores de risco. A Organização Mundial 
de Saúde (OMS) adota um conceito amplo para saúde:
A saúde pode ser vista como um estado completo de bem-estar 
físico, mental e social e não meramente a ausência de doença 
[...]. Para atingir essa meta, o ser humano estabelece uma batalha 
contínua, com o intuito de manter um balanço positivo contra as 
forças biológicas, físicas e químicas, mentais e sociais que tendem a 
romper o equilíbrio. (FUNDA-CENTRO, 2004, p. 45).
Essa definição é genérica, portanto necessitamos definir a que diz respeito especificamente 
a saúde do trabalhador:
Saúde do trabalhador representa um esforço de compreensão do 
processo saúdedoença, como e porque ocorre, e o desenvolvimento 
Definição
Ambiente de trabalho é o local no qual os indivíduos desenvolvem 
atividades de labor e envolve tudo ao que esse indivíduo é exposto e 
interage ao desempenhar atividades relacionados ao seu trabalho. Dois 
elementos da definição de higiene ocupacional devem ser destacados 
com maior ênfase: fatores de risco e estresse ambiental, e saúde do 
trabalhador.
Higiene do trabalho Higiene ocupacional: conceitos básicos Capítulo 2
de alternativas que levem à transformação e direção à apropriação 
pelos trabalhadores na dimensão humana de trabalho. [...] entende 
se por saúde do trabalhador, um conjunto de atividades que se 
destina, a través de ações de vigilância epidemiológica e vigilância 
sanitária, à promoção e proteção da saúde dos trabalhadores, assim 
como visa a recuperação e reabilitação da saúde dos trabalhadores 
submetidos aos riscos a e agravos advindo das condições de 
trabalho. (FUNDACENTRO, 2004, p. 46)
Com base nesses conceitos e na diferença entre os campos que compõem uma visão 
multifuncional da saúde ocupacional, a medicina do trabalhoassume a visão ampla 
do conceito de saúde, ou seja: estado completo de bem-estar físico, mental e social, 
e não meramente a ausência de doença. Essa visão também é compartilhada pela 
saúde ocupacional, mas a higiene ocupacional tem como foco a promoção de controle 
e ausência de doenças de trabalho originadas da exposição do trabalhador ao risco 
advindo forças biológicas, físicas e química presentes no ambiente de trabalho.
Entendeu o que consiste a saúde do trabalhador no campo da higiene ocupacional? 
Então, você percebeu que ela está relacionada a outro conceito importante: risco. A 
respeito de risco e seus fatores, temos que:
Qualquer pessoa está exposta as mais diver- sas condições que 
podem ocasionar eventos ou danos indesejados, seja dentro do 
ambien- te de trabalho, ou fora dele, e que poderão afetar a sua 
qualidade de vida, como doenças, acidentes, perda do patrimônio, 
entre outros. A essa probabilidade de ocorrer danos denominamos 
de risco. O risco, portanto, é a com- binação da probabilidade e 
Definição
Saúde do trabalhador é estado de bem-estar decorrente do controle e 
da ausência de doenças de trabalho originadas da sua exposição ao 
risco advindo forças biológicas, físicas e químicas presentes no ambiente 
de trabalho.
Higiene do trabalho Higiene ocupacional: conceitos básicos Capítulo 2
magnitude de um evento desejado. (FUNDACENTRO, 2004, p. 47)
Traduzindo e trazendo o conceito de risco para o campo da higiene ocupacional, temos 
que o risco é o resultado da chance de ocorrer um evento gerador de dano à saúde do 
trabalhador, resultante de seu trabalho, somada à gravidade da consequência do dano, 
caso o evento ocorra. Para facilitar o entendimento, o Quadro 3 apresenta um exemplo 
de análise de risco no ambiente de trabalho de fabricação de artigos de mármore, 
resultante de uma pesquisa realizada por Chagas (2016).
ANÁLISE E AVALIAÇÃO DE RISCOS PROFISSIONAIS NA FABRICAÇÃO DE 
ARTIGOS EM MÁRMORE
Avaliação de riscos é a base de uma gestão eficaz da segurança e da saúde do trabalho 
para reduzir os acidentes de trabalho e as doenças profissionais. Este estudo tem por 
objetivo descrever a avaliação de riscos nas tarefas de cada atividade na fabricação de 
artigos em mármore. Utilizou-se o método de análise e avaliação de riscos William T. Fine. 
A atividade em estudo foi categorizada em três grupos: corte, polimento e acabamento 
dos artigos.
Classificação do riscos: Atribui-se um índice às situações de risco identificadas baseado 
na gravidade e na probabilidade de ocorrência do perigo a elas associado. O produto 
das três variáveis, Consequência (C), Exposição (E) e Probabilidade (P) dá origem à 
Magnitude do Risco (R) ou Grau de Perigosidade (GP). Para determinar as prioridades 
de intervenção recorreu- se à escala de índice de risco, em que: o GP400, o nível de risco é 1 (grave/eminente).
Na análise de riscos por atividade foi tida em conta a qualidade dos equipamentos e das 
instalações existentes, que por si só, já elimina alguns possíveis fatores de risco. Assim, 
na Tabela 1 encontram-se o grau de Perigosidade do Risco relacionado à atividade de 
corte, resultante da classificação obtida em relação ao nível de consequência, exposição 
e probabilidade.
Higiene do trabalho Higiene ocupacional: conceitos básicos Capítulo 2
Equipamento/ 
Produto
Máquinas 
de corte
Máquinas
de corte
Empilhador
Torno
Riscos Grau 
Risco
Corte 1
Amputação do
membro superior
1
Perda da acuida de auditiva 3
Eletrocussão 3
Eletrização 3
Fadiga 2
Lesões osteomusculares 2
Lesões muscoes queléticas 
(LME)
2
Lesões esforço repetitivo 
(LER)
2
Lesões múltiplas 2
Atropelamento 2
Danificação da infraestrura/
equipamento
2
Esmagamento 2
Esmagamento 2
Contusões 2
Lesões múltiplas 2
Hematomas 3
Esmagamento 3
Fraturas 3
Perigos
Corte de 
mármore
Exposição ao 
ruído 1919)
Riscos elétricos
Postura 
inadequada
Máquina em 
movimento
Queda de 
matéria-prima
Trabalho com 
equipamentos 
manuais
QUADRO 3
Estudo de risco no ambiente de trabalho de fabricação de artigos de mármore
FONTE
Adaptado de Chagas (2016, p. 16-22).
Higiene do trabalho Higiene ocupacional: conceitos básicos Capítulo 2
Definição
Para conhecer mais riscos existentes no ambiente de trabalho de 
fabricação de artigos de mármore, clique aqui e leia na íntegra o artigo 
de Chagas (2016), intitulado “Análise e avaliação de riscos profissionais 
na fabricação de artigos em mármore”.
Definição
RISCO = probabilidade x consequência (CAMPOS, 2013).
Com base no exemplo disposto do Quadro 3, compreende-se que a definição de 
risco está atrelada aos seguintes con- ceitos: consequência, fonte de risco, perigo e 
probabilidade. As definições desses conceitos estão contidas na NBR ISO 31000,
como nos traz Rossete (2014):
Vale ressaltar também outras definições a NBR ISO 31000:
• Consequência – resultado de um evento que afeta os objetivos [...]
• Fonte de risco – elemento que, individual- mente ou combinado, 
tem potencial intrínseco para dar origem ao risco [...]
• Perigo – fonte de potencial dano. [...]
• Probabilidade – chance de algo acontecer. (ROSSETE, 2014, p. 11)
A respeito da definição de risco, com base no exemplo disposto no Quadro 3 e nas 
definições consequência, fonte de risco, perigo e probabilidade, temos que, quanto 
maior o resul- tado de um evento que afeta a saúde do trabalhador e a sua chance de 
acontecer, maior será o risco atribuído a uma dada atividade. Então, não se esqueça: 
Risco= probabilidade x consequência (CAMPOS, 2013).
A higiene ocupacional, assim, tem entre seus objetivos reduzir o risco no contexto do 
ambiente de trabalho, ao identificar, monitorar e controlar a exposição do trabalhador 
aos fatores e agentes de risco. Um fator agente de risco é o elemento gerador ao qual 
Higiene do trabalho Higiene ocupacional: conceitos básicos Capítulo 2
o risco está associado.
Retomando o exemplo da fabricação de artigos em mármore, a perda da acuidade 
auditiva é um risco, cujo fator/agente gerador é o ruído. Outro exemplo é a fadiga, que 
é um risco que possui como fator/agente a postura inadequada no trabalhador em 
atividade. Nesses exemplos, destacamos um fator/agente de risco físico (ruído) e outro 
ergonômico (postura inadequada).
Os fatores/agente de risco podem ser classificados em: físicos, químicos, biológicos e 
ergonômicos. O Quadro 4 apresenta resumidamente cada tipo de risco.
Agora que aprendemos um pouco sobre os dois conceitos importantes ligados à 
definição de higiene ocupacional (saúde e risco), é importante entendermos também 
QUADRO 4
Classificação dos fatores ou agentes de risco
FONTE
Adaptado de Alves (2015, p. 16-22).
Fator/Agente Descrição 
Físicos Diversas formas de energia às quais possam estar expostos 
os trabalhadores, como: ruído, vibração, pressões anormais, 
temperaturas, radiações ionizantes, radiações não ionizantes etc.
Químicos Substâncias, compostos ou produtos que possam penetrar no 
organismo pelas vias respiratórias, absorção da pele ou ingestão. 
Exemplos: poeira e gases.
Biológicos São microrganismos por meio dos quais o trabalhador, ao obter 
contato, pode adquirir doenças. Exemplos: bactérias, fungos, 
bacilos, parasitas, protozoários, vírus, entre outros.
Ergonômicos São decorrentes da organização e gestão do trabalho. 
Exemplos: esforço físico, postura inadequada, controle rígido de 
produtividade, jornada de trabalho prolongada, monotonia e 
repetitividade de movimentos, falhas no treinamento e supervisão 
dos trabalhadores, entre outros.
Higiene do trabalho Higiene ocupacional: conceitos básicos Capítulo 2
Fator/Agente Descrição 
Agente de risco Agente necessário para provocar riscos à saúde, à 
segurança e ao meio ambiente.
Agente tóxico
Qualquer substância química que pode causar dano a 
um organismo vivo, como resultado de interação físico-
química.
Análise de riscoExame detalhado para compreender a natureza de 
consequências indispensáveis para a vida e saúde humana, 
a propriedade e o meio ambiente.
Avaliação Ato ou situação de determinar a importância, a magnitude 
de valor de algo.
Avaliação da 
estimativa da 
exposição 
Processo que mede ou estima a intensidade, duração e 
frequência da exposição humana a um agente estressor.
Avaliação de 
risco
Processo global de estimar a magnitude do risco e decidir 
se o risco é tolerável, aceitável ou não.
Concentração 
ambiental
Estimativa de quantidade de uma substância em um meio 
ambiente específico.
Dano a saúde
Alteração do estado de saúde que resulte em doença, ou 
alteração do processo de crescimento e desenvolvimento, 
ou até morte.
alguns termos e palavras que são de uso da área. No tópico a seguir apresentamos 
algumas dessas palavras ou termos.
Termos de uso da higiene ocupacional
Para finalizar sua base inicial de conhecimento, destacamos no Quadro 5 algumas 
palavras e termos comumente usados pelos profissionais que atuam na área.
Higiene do trabalho Higiene ocupacional: conceitos básicos Capítulo 2
Doença 
profissional
Doença produzida ou desencadeada pelo exercício do 
trabalho peculiar a determinada atividade.
Doença do 
trabalho
Doença adquirida ou desencadeada em função de 
condições especiais em que o trabalho é realizado.
Dose Quantidade de um agente de risco que entra em contato 
com o organismo
Estimativa Determinação por cálculo ou avaliação valor fundado em 
probabilidade.
Exposição Situação ou condição de uma ou mais pessoas que podem 
estar sujeitas à interação com agentes ou fatores de riscos.
Gerenciamento 
de risco
Processo de selecionar e implementar medidas para a 
alterar a magnitude do risco.
Monitorização
Vigilância periódica ou contínua, ou ainda a realização de 
testes para determinar as características de fatores de risco, 
os níveis de contaminação ou exposição, ou a condição de 
saúde de pessoas, animais, ou outros seres vivos.
Risco 
ocupacional
Possibilidade de uma pessoa sofrer determinado dano para 
a sua saúde em virtude das condições de trabalho.
Toxidade Propriedade de qualquer substância que pode ocasionar 
danos a um organismo vivo.
QUADRO 5
Termos utilizados na área de higiene ocupacional
FONTE
Adaptado de Fundacentro (2004, p. 59-63).
Higiene do trabalho Higiene ocupacional: conceitos básicos Capítulo 2
Resumindo
E agora? Você já se sente capaz de discernir sobre os conceitos 
relacionados à definição da higiene ocupacional? Para garantir, vamos 
resumir o que aprendemos aqui. Vimos inicialmente nesse capítulo que 
diversos autores e pesquisadores da área apresentam uma definição 
de higiene ocupacional, contudo essas definições são homogêneas, ou 
seja, não diferem muito umas das outras. Nesse sentido, identificamos 
que uma definição de higiene ocupacional sempre remete aos seguintes 
elementos: campo científico, local ou ambiente de trabalho, fatores 
de risco ou estresse ambiental, e saúde do trabalhador. Concluímos 
que a higiene ocupacional, ou do trabalho, é apenas um dos campos 
de estudos da saúde ocupacional e que se difere da medicina do 
trabalho e segurança do trabalho (demais campos que compõem uma 
abordagem multiprofissional da saúde ocupacional) por ter seu foco 
voltado para conforto e eficiência do trabalho, buscando um ambiente 
adequado a manutenção e saúde do trabalhador. Por fim, vimos que a 
saúde do trabalhador está ligada à sua exposição ao risco, que é igual 
à probabilidade x consequência, e que higiene ocupacional, no contexto 
do ambiente de trabalho, identifica, monitora e controla a exposição do 
trabalhador aos fatores e agentes de riscos físicos, químicos, biológicos 
e ergonômicos.
@faculdadelibano_
3
O profissional 
da área de
higiene 
ocupacional
Higiene do trabalho Capítulo 3
O profissional da área de
higiene ocupacional
Objetivos
Ao término deste capítulo você será capaz de definir as atribuições 
e características de um profissional atuante na área de higiene 
ocupacional. Saber quais são as características e atribuições de um 
profissional da área de higiene ocupacional ajudará você a identificar 
quais dessas características é preciso desenvolver para atuar na área 
ou selecionar pessoas adequadas para desempenhar esse papel. E 
então? Pronto para desenvolver esta habilidade? Vamos lá. Avante!
Diferenciando o profissional de higiene ocupacional
Vimos que a higiene ocupacional é a área da ciência que reconhece, avalia e controla 
os riscos originados dos ambientes profissionais e capazes de provocar alterações 
na saúde dos trabalhadores, tendo como objetivo colaborar com a promoção e 
conservação da saúde dos operários por meio de condições adequadas no ambiente 
de serviço (ROSSETE, 2014). É com base nessa definição que diferenciaremos o profissional 
de higiene ocupacional dos demais profissionais que atuam com a saúde ocupacional.
Nota
A higiene ocupacional, ou do trabalho, é apenas um dos campos de 
estudo da saúde ocupacional. Nesse sentido, ela se difere da medicina 
do traba- lho e segurança do trabalho, que são os demais campos que 
compõem uma abordagem multipro-fissional da saúde ocupacional.
Higiene do trabalho O profissional da área de higiene ocupacional Capítulo 3
Já que você tem clara a definição de higiene ocupacional, antes de fazermos uma 
diferenciação entre os profissionais da área, primeiro vamos definir a medicina do 
trabalho e a segurança do trabalho, uma vez que são os demais campos que compõem 
uma abordagem multifuncional da saúde ocupacional.
A medicina do trabalho tem como foco a saúde física e mental dos trabalhadores, por 
meio da vigilância da saúde para o aumento da produtividade.
A medicina do trabalho preocupa-se com a saúde física e mental 
do trabalhador, tendo em vista a vigilância à saúde dos profissionais 
perante os riscos que estão expostos. Isso pode contribuir para o 
aumento da produtividade e disponibilidade da mão de obra, devido 
à redução de afastamentos para tratamento dos casos de doenças 
e acidentes relacionados ao trabalho. (ROSSETE, 2014, p. 8).
Já a segurança no trabalho tem como foco medidas técnicas, médicas e profissionais 
para cuidado do trabalhador, visando à prevenção de acidentes. A respeito da segurança 
do trabalho, Peixoto, Hofstadler e Silveira (2012) destacam:
Podemos definir Segurança do Trabalho como uma série de medidas 
técnicas, administrativas, médicas e, sobretudo, educacionais e 
comportamentais, empregadas a fim de prevenir acidentes, e eliminar 
condições e procedimentos inseguros no ambiente de trabalho. 
A segurança do trabalho destaca também a importância dos 
meios de prevenção estabelecidos para proteger a integridade e a 
capacidade de trabalho do colaborador. Para a execução dessas 
medidas, não bastam apenas ações dos profissionais ligados à 
área (SESMT e CIPA), mas é necessária a participação de todos os 
envolvidos, ou seja, desde a direção da empresa até os trabalhadores 
de chão de fábrica, pois o sucesso das ações vai depender de uma 
adequada política de segurança do trabalho, na qual todos têm suas 
responsabilidades. (PEIXOTO; HOFSTADLER; SILVEIRA (2012, p. 28-29)
Higiene do trabalho O profissional da área de higiene ocupacional Capítulo 3
Você Sabia?
Você sabia que organizações com mais de 50 funcionários têm a 
obrigatoriedade de possuir um órgão responsável pela prevenção de 
acidentes? Esse órgão é a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes 
e Assédio decorrentes do trabalho (CIPA).
É importante destacarmos que a medicina do trabalho, a higiene ocupacional e a 
segurança no trabalho, quando aplicadas dentro das organizações, apresentam vários 
benefícios, entre os quais: a redução de despesas com pagamento de sanções por 
descumprimento de lei do trabalho, redução da frequência de acidentes de trabalho, 
prevenção de doenças, redução de morbidade e mortalidade, entre outros benefícios.
É importante diferenciar bem medicina do trabalho, higiene ocupacional esegurança 
do trabalho, porque cada um desses campos tem em sua atuação profissionais 
especializados, conforme mostram as Figuras 3, 4 e 5.
Importante
É importante que você saiba a diferença entre morbidade e mortalidade. 
Morbidade refere- se à relação entre trabalhadores doentes e não 
doentes expostos às mesmas condições e mesmo ambiente de 
trabalho. Já mortalidade remete à relação de mortos comparada com 
a população de trabalhadores expostos às mesmas condições.
Higiene do trabalho O profissional da área de higiene ocupacional Capítulo 3
FIGURA 3
Profissionais da saúde 
ocupacional – Médico 
do trabalho
FONTE
Freepik
FIGURA 4
Profissionais da 
saúde ocupacional – 
Higienista ocupacional
FONTE
Pixabay
FIGURA 5
Profissionais da 
saúde ocupacional 
– Engenheiro do 
trabalho ou Técnico de 
segurança
do trabalho
FONTE
Pixabay
Higiene do trabalho O profissional da área de higiene ocupacional Capítulo 3
Assim, o profissional da medicina do trabalho é o médico do trabalho, com formação 
superior em medicina e que desempenha o trabalho de avaliar trabalhadores a fim 
de identificar possíveis complicações de saúde oriundas do trabalho. É, também, o 
profissional responsável pela emissão de Atestados de Saúde Ocupacional (ASO). A 
respeito do campo de atuação desse profissional, Lucca e Campos (2011) esclarecem 
que:
O mercado de trabalho deste profissional é amplo, possibilitando 
as mais variadas inser- ções, como médicos assistentes, coordena- 
dores, consultores, peritos ou auditores, com atuação em serviços 
médicos de empresas públicas ou privadas, sindicatos, Ministérios 
do Trabalho e Emprego e da Saúde, Previdên- cia Social, Ministério 
Público, dentre outras. (LUCCA; CAMPOS, 2011, p. 1)
Já o profissional da segurança do trabalho é denomina- do engenheiro do trabalho ou 
técnico de segurança do trabalho, de acordo com sua formação a nível superior ou 
técnico. Cabe a ele prever riscos de atividades de trabalho, proteger o trabalha- dor 
em suas unidades laborais e elaborar documentos técnicos. São exemplos de relatórios 
técnicos sob responsabilidade desse profissional o Programa de Condições e Meio de 
Trabalho na Indústria e da Construção (PCMAT) e o Programa de prevenção de riscos 
ambientais. O engenheiro do trabalho, em muitos casos, também desempenha o 
papel do higienista ocupacional. Por fim, temos o profissional da higiene ocupacional, o 
denominado higienista ocupacional, que é o foco de nossos estudos.
O higienista ou técnico ocupacional
O higienista ocupacional, e/ou técnico de higiene ocupacional, é o profissional que 
trabalha com higiene ocupacional, habilitado para identificar problemas e riscos 
ocupacionais, propondo soluções. O higienista ocupacional tem entre suas funções a 
gestão de riscos, desenvolver as etapas do processo.
Então, basicamente o trabalho do higienista ocupacional, ou técnico de higiene 
ocupacional, consiste em avaliar e gerenciar riscos ocupacionais no seu campo de 
atuação. Destacamos que o campo de atuação do higienista ocupacional é o ambiente 
de trabalho.
Higiene do trabalho O profissional da área de higiene ocupacional Capítulo 3
O processo de avaliação de risco é composto por duas fases a análise de risco e a 
análise de opções, enquanto no gerenciamento de riscos temos quatro: tomada de 
decisão, implementação, monitoração e avaliação, e gerenciamento de riscos. O Quadro 
6 apresenta de forma objetiva o papel/atribuição do higienista, ou técnico ocupacional, 
em cada uma das fases do processo de avaliação e gerenciamento de riscos.
Nota
Lembre-se de que ambiente de trabalho é o lo- cal no qual os indivíduos 
desenvolvem atividades de labor e envolve tudo ao que esse indivíduo 
é exposto e interage ao desempenhar atividades relacionadas ao seu 
trabalho. Nesse sentido, os higienistas ocupacionais atuam em fábricas, 
organizações etc.
Fase Papel / Atribuição
Identificação dos
fatores e risco
-Reconhecer e identificar fontes ou situações com 
potencial provocador de danos ou consequências 
indesejáveis à saúde humana.
-Estabelecer relação causal entre fator/dano 
consequência.
Estimativa de risco -Determinar e produzir por cálculo ou avaliação 
medidas quantitativas de risco.
Análise de opções 
de gerenciamento
-Comparar os riscos e benefícios das opções.
- Analisar o problema dos pontos de vista individual e 
social.
- Identificar a viabilidade das opções e seus impactos
econômicos e ambientais.
- Averiguar as implicações sociais, políticas e culturais 
de cada opção.
Implementação - Conduzir o processo de implementação do plano, 
programa ou projeto de execução.
Higiene do trabalho O profissional da área de higiene ocupacional Capítulo 3
QUADRO 6
Papel/atribuição do profissional de higiene do trabalho no processo de avaliação
e gerenciamento de riscos
FONTE
Adaptado de Fundacentro (2004, p. 53-55).
Monitoração e 
avaliação
- Acompanhar e avaliar periodicamente como 
as medidas do plano, programa ou projeto, e 
execução estão sendo implantadas e se os padrões 
estabelecidos estão sendo executados.
Revisão - Analisar os resultados da monitorização e avaliação.
- Identificar necessidades de retomada do processo.
Agora vamos refletir um pouco: diante das atribuições profissionais, qual é o perfil 
adequado de formação de um higienista, ou técnico de higiene do trabalho? Esse 
profissional deve ter formação superior ou técnica em qualquer uma dessas áreas: 
Engenharia, Física, Química, Biologia, Higiene ocupacional, Segurança do trabalho ou 
áreas afins. Os cursos de formação específica e em higiene ocupacional abrangem 
em seu currículo conhecimentos em matemática, física, química, biologia, anatomia e 
fisiologia (requisitos básicos); toxicologia, fisiologia do trabalho, doenças ocupacionais, 
estatística e epidemiologia, ergonomia, fatores psicoemocionais, segurança e saúde 
pública (requisitos de suporte); e aspectos fundamentais da higiene ocupacional 
(reconhecimento de riscos, tecnologia de controle ambiental e pessoal; ventilação 
industrial etc.) (FUNDACENTRO, 2014).
Interdisciplinaridade e ética na atuação do profissional de higiene 
ocupacional
Como vimos no tópico anterior, o currículo básico de um curso a nível superior ou 
técnico que tem por objetivo formar profissionais para atuarem em higiene ocupacional 
é composto por diferentes áreas do conhecimento (disciplina), porque a higiene 
ocupacional é um campo de atuação de conhecimento interdisciplinar. O que isso 
significa? Isso quer dizer que a prática de higiene ocupacional depende da sua interação 
com profissio- nais de diversas áreas do conhecimento.
Higiene do trabalho O profissional da área de higiene ocupacional Capítulo 3
Na prática, o profissional de higiene ocupacional atua nas empresas com o objetivo de 
proteger o trabalhador dos riscos existentes e previstos no ambiente de trabalho. Nesse 
contexto, ele atua em conjunto com médicos de trabalho, gestores e engenheiros de 
produção. Vejamos o seguinte exemplo:
O médico do trabalho ao encontrar o trabalhador doente, poderá 
optar por tratar e curar o trabalhador devolvendo-o para o ambiente 
nocivo à saúde, tornar a encontra-lo depois de algum tempo com o 
mesmo problema, ou afastá-lo definitivamente do ambiente nocivo 
para poupá-lo da doença, mais isso acarretará em desviá-lo de 
sua profissão ou de seu meio de subsistência. Atuando em conjunto, 
porém, os profissionais de medicina, higiene ocupacional e outros 
que sejam necessários nesse processo poderão agir na correção do 
ambiente, eliminando ou minimizando a ocorrência das doenças. 
(FUNDACENTRO, 2004, p. 74)
Vejamos outro exemplo. Um engenheiro de produção projetou o layout de disposição 
das máquinas de uma linha de produção. Após a inauguração dessa linha de produção, 
muitos funcionários apresentaram dores na lombar. Fazendo
 
uma análise, o higienista ocupacional dessa indústria descobriu que o layout não 
considerava princípios básicos de ergonomia, sendo esse o motivo das dores presentesnos operários dessa linha. Nesse exemplo, o engenheiro e o higienista ocupacional 
trabalharam de forma isolada. Consideremos agora que esses dois profissionais 
atuaram juntos na concepção do projeto da nova linha de produção. 
Esse trabalho interdisciplinar evitaria o problema de saúde causado nos operários, uma 
Saiba Mais
Para compreender mais sobre a interdisciplinaridade no campo da 
saúde do trabalhador, clique aqui e leia o artigo escrito por Consolino et 
al., que identificam em bases científicas as produções acadêmicas que 
relacionam interdisciplinaridade, saú- de e trabalho.
Higiene do trabalho O profissional da área de higiene ocupacional Capítulo 3
vez que os conhecimentos de ergonomia de posse do higienista ambiental preveniriam 
o ocorrido na fase de concepção do projeto.
Outro profissional indispensável nesse contexto do trabalho interdisciplinar é o 
profissional na área de educação. O técnico, ou higienista ocupacional, pode identificar 
as necessidades de mudança nos hábitos dos trabalhadores a fim de garantir a 
preservação da saúde deles e traçar planos de ação, mas educar o funcionário para que 
ele cumpra o proposto só é possível com maior eficiência e parceria de um profissional 
de educação. 
Um exemplo de trabalho interdisciplinar realizado pelo profissional de higiene com 
um profissional de higiene é a construção de uma cartilha informativa sobre riscos 
ocupacionais. O profissional de educação, nesse caso, saberia com qual linguagem 
didática abordar os assuntos pontuados pelo profissional de higiene.
Entendeu a importância da interdisciplinaridade na higiene ocupacional? O trabalho 
interdisciplinar gera melhores resultados e decisões mais corretas do que o trabalho 
isolado dos profissionais envolvidos no processo.
Além da interdisciplinaridade, outro aspecto que merece atenção são as questões 
éticas. Agir com ética, entre outros aspectos, é cumprir os direitos e deveres a profissão. 
O Quadro 7 destaca alguns direitos e deveres de um profissional de higiene ocupacional 
e algumas atitudes éticas atribuídas a esse profissional como reflexo do conhecimento 
de seus direitos e deveres.
Higiene do trabalho O profissional da área de higiene ocupacional Capítulo 3
QUADRO 7
Direitos e deveres de um profissional de higiene ocupacional e algumas atitudes 
éticas
FONTE
Adaptado de Fundacentro (2004, p. 75-77).
Deveres e obrigações Atitudes éticas
Aperfeiçoamento profissional
Manter o trabalhador informado
Porvidenciar adoção imediata 
de medidas de controle 
necessárias.
Estabelecer, propor, interpretar 
e sugerir melhorias de politicas 
de prevenção e controle.
Não ocultar informações relacionadas 
com riscos à saude dos trabalhadores 
e da comunidade.
Estabelecer, propor, interpretar e 
sugerir melhorias de politicas de 
prevenção e controle.
Estabelecer e manter comunicação 
clara entre as partes envolvidas nas 
decisões de higiene ocupacional.
Estabelecer e manter comunicação 
clara entre as partes envolvidas nas 
decisões de higiene ocupacional.
Agir com profissionalismo observando 
regras de sigilo em relação ao empre-
gador e trabalhador.
Tratar de modo imparcial todos 
os trabalhadores.
Diante do exposto no Quadro 7, o desafio em higiene ocupacional é garantir a atuação do 
profissional de acordo com os princípios éticos. Para tanto, ao se encontrar em situações 
que o conduza a um dilema de ética, aconselha-se que o profissional de higiene recorra 
às políticas e aos códigos de conduta profissional, bem como às leis regulamentadoras 
da saúde ocupacional, pois assim ele pode sanar suas dúvidas e respaldar sua postura 
ética em caso de julgamento de terceiros.
Higiene do trabalho O profissional da área de higiene ocupacional Capítulo 3
Resumindo
Gostou de entender a formação e atuação do profissional da área de 
higiene ocupacional? Para garantirmos que você seja capaz de definir as 
atribuições e características de um profissional atuante na área de higiene 
ocupacional, vamos resumir o que estudamos. Primeiramente vimos que 
o profissional de higiene ocupacional se difere em foco e nomenclatura 
dos profissionais de medicina do trabalho e segurança do trabalho. 
Aprendemos que o profissional da medicina do trabalho é o médico 
do trabalho; o profissional de segurança do trabalho é denominado 
engenheiro ou técnico de segurança do trabalho; e o profissional de 
higiene do trabalho é chamado de higienista ocupacional ou técnico 
de higiene ocupacional. O higienista ocupacional e/ou técnico de 
higiene ocupacional trabalha com higiene ocupacional, habilitado para 
identificar problemas e riscos ocupacionais, propondo soluções. Assim, 
sua formação requer conhecimento de diversas áreas do conhecimento 
e sua atuação prática envolve trabalhar com profissionais de diversas 
áreas, de forma interdisciplinar. Por fim, destacamos que uma conduta 
ética desse profissional remete ao cumprimento de suas atribuições e 
deveres, bem como o conhecimento e uso de políticas e códigos de 
conduta profissional, e leis regulamentadoras da saúde ocupacional.
@faculdadelibano_
4
Legislação 
em higiene 
ocupacional
Higiene do trabalho Capítulo 4
Legislação em higiene 
ocupacional
Objetivos
Ao término deste capítulo você será capaz de reconhecer as implicações 
legais relacionadas à prática dos preceitos da higiene ocupacional. 
Conhecer os aspectos legais relacionados à higiene ocupacional irá 
direcioná-lo em sua prática profissional a definir ações de higiene 
ocupacional em conformidade com essas leis. E então? Pronto para 
desenvolver esta habilidade? Vamos lá. Avante!
Marcos históricos legais relacionados à higiene ocupacional no 
Brasil
Você percebeu que a higiene ocupacional evoluiu como ciência e que suas raízes 
remetem a leis voltadas à proteção do trabalhador. Agora, vamos resgatar os 
acontecimentos históricos que conduziram o desenvolvimento de leis voltadas à higiene 
ocupacional no Brasil.
No contexto brasileiro, a primeira coisa que devemos ter em mente é que a intervenção 
do Estado nas questões trabalhistas foi reflexo dos movimentos sociais organizados pela 
classe trabalhadora.
Em decorrência desses movimentos, tem iní- cio a intervenção do Estado, com a fixação 
das relações de trabalho por meio de legislação específica. É aprovada, então a primeira 
Lei sobre Acidentes (Decreto-legislativo no3.754 de 15/01/1919), [...] esta lei tinha como 
fundamento jurídico a teoria do risco profissional, e a necessidade policial em todas as 
ocorrências de acidentes de trabalho. (FUNDACEN- TRO, 2004, p. 23)
Higiene do trabalho Legislação em higiene ocupacional Capítulo 4
Como resultado da aplicação da Lei sobre Acidentes, o Brasil, no século XX, teve 
sua legislação direcionada para os infortúnios ou riscos industriais, de modo que no 
contexto jurídico-institucional pode-se identificar, na primeira metade do século XX, 
alguns fatos relacionados à higiene ocupacional. O Quadro 8 apresenta esses fatos em 
ordem cronológica. 
QUADRO 8 
Fatos marcantes da legislação relacionada à higiene ocupacional no Brasil
FONTE
Adaptado de Fundacentro (2004, p. 25).
Ano Condição insegura
 1923 Criação da Inspetoria de Higiene Industrial e Profissional, junto ao 
Departamento Nacional de Saúde, embrião do Ministério da Saúde, 
que se estabeleceu até 1930.
1934 Foi decretada, a segunda Lei de Acidentes do trabalho, sendo 
criada a Inspetoria de Higiene e Segurança do Trabalho, no âmbito 
do Departamento Nacional do Trabalho, do Ministério do Trabalho, 
Indústria e Comércio.
Ministério do Trabalho nomeou os primeiros “inspetores-médicos” 
com o objetivo de procederem à inspeção higiênica nos locais de 
trabalho e estudos sobre acidentes e doenças profissionais.
1938 A Inspetoria transformou-se em Serviço de Higiene do Trabalho.
1942 O Serviço de Higiene do Trabalho transformou-se em Divisão de 
Higiene e Segurança do Trabalho.
1943 A legislação do trabalho, que se encontrava até então dispersa e 
redundante, foi analisada,agrupada e condensada na primeira 
Consolidação das Leis do Trabalho CLT, que incluía um capítulo 
sobre Higiene e Segurança do Trabalho. A legislação brasileira, 
baseada na Recomendação 112 da Organização Internacional do 
Trabalho (OIT), foi expressa no Capítulo V da CLT.
1944 A legislação sobre acidentes do trabalho é reformulada, por meio 
de Decreto-Lei.
1950 O Ministério do Trabalho apoiou alguns trabalhos realizados pelo 
Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM)
Higiene do trabalho Legislação em higiene ocupacional Capítulo 4
Importante
Os fatos históricos da consolidação da higiene do trabalho remetem à 
legislação estabelecida pela CLT e conduziram a criação das normas 
que regulamentam a segurança do trabalho.
Além dos fatos destacados no Quadro 8, é importante evidenciar que no mesmo período 
começaram a surgir instituições que se dedicavam a pesquisa, estudo e disseminação 
das questões relacionadas à higiene ocupacional, entre as quais podemos destacar: 
Escola de Higiene e Saúde Pública, Serviço Social da Indústria (SESI), Associação Brasileira 
para a Prevenção de Acidentes (ABPA), Serviço Social da Indústria, Confederação 
Nacional das Indústrias e Fundação Centro Nacional de Segurança, Higiene e Medicina 
do Trabalho (Fundacentro). Diante a sua atuação representativa no campo até hoje, 
entre essas instituições destacamos a Fundacentro. O Quadro 9 apresenta um breve 
his- tórico dessa fundação e aponta algumas das suas contribuições para o âmbito da 
higiene ocupacional.
Criada oficialmente em 1966, a FUNDACENTRO teve os primeiros passos de sua 
história dados no início da década, quando a preocupação com os altos índices 
de acidentes e doenças do trabalho crescia no Governo e entre a sociedade. Já 
em 1960, o Governo brasileiro iniciou gestões com a Organização Internacional 
do Trabalho (OIT), com a finalidade de promover estudos e avaliações do 
problema e apontar soluções que pudessem alterar esse quadro. 
A ideia de criar uma instituição voltada para o estudo e pesquisa das condições 
dos ambientes de trabalho, com a participação de todos os agentes sociais 
envolvidos na questão, começou a ganhar corpo. Proposta nesse sentido foi 
Higiene do trabalho Legislação em higiene ocupacional Capítulo 4
apresentada em março de 1964, durante o Congresso Americano de Medicina 
do Trabalho, realizado em São Paulo.
Em 1965, após a visita ao País de especialistas da OIT, e de novos estudos sobre 
as condições necessárias para a implantação da iniciativa, o Governo Federal 
decidiu pela criação de um centro especializado, tendo a cidade de São Paulo 
como sede da nova instituição, em função do porte de seu parque industrial.
Assim, em 1966, durante o Congresso Nacional de Prevenção de Acidentes, 
realizado em São Paulo, foi oficializada a criação da FUNDACENTRO, que teve 
sua primeira sede instalada no bairro de Perdizes. Datam dessa fase inicial da 
entidade os primeiros estudos e pesquisas no País sobre os efeitos de inseticidas 
organoclorados na saúde; da bissinose (doença ocupacional respiratória que 
atinge trabalhadores do setor de fiação, expostos a poeira de algodão e juta); 
sobre as consequências das vibrações e ruídos em trabalhadores que operam 
marteletes; sobre o teor da sílica nos ambientes de trabalho na indústria 
cerâmica e ainda sobre os riscos da exposição ocupacional ao chumbo.
No decorrer de sua história, a FUNDACENTRO viria ainda afirmar sua vocação
pioneira na área, com as pesquisas sobre as Doenças Osteomusculares 
Relacionadas ao Trabalho - DORT (à época chamada de lesões por Esforços 
Repetitivas - LER).
Com a vinculação, em 1974, da FUNDACENTRO ao Ministério do Trabalho, 
cresceram as atribuições e atividades da instituição, exigindo um novo salto 
da entidade: a implantação do Centro Técnico Nacional, cuja construção teve 
início em 1981, sendo concluído em 1983, no bairro de Pinheiros, em São Paulo.
Hoje, a FUNDACENTRO está presente em todo País, por meio de suas unidades 
descentralizadas, distribuídas em 11 Estados e no Distrito Federal. Atuando de 
acordo com os princípios do tripartimos, a Fundacentro tem no Conselho 
Curador sua instância máxima. Nele estão representados, além do governo, os 
trabalhadores e empresários, por meio de suas organizações de classe.
Higiene do trabalho Legislação em higiene ocupacional Capítulo 4
O ineditismo e a importância de seus estudos deram à FUNDACENTRO a liderança 
na América Latina no campo da pesquisa na área de segurança e saúde no 
trabalho. A Fundacentro é designada como centro colaborador da Organização 
Mundial da Saúde (OMS), além de ser colaboradora da Organização Internacional 
do Trabalho (OIT).
 
Ainda no plano internacional, a FUNDACENTRO mantém intercâmbio com países 
das três Américas, da Europa, além do Japão e da Austrália. São ações que 
envolvem desde trabalhos na área de educação até o desenvolvimento de 
projetos de sistemas de gestão ambiental.
Outras informações sobre a FUNDACENTRO:
Missão: Produzir conhecimento aplicado para subsidiar políticas públicas que 
promovam o trabalho seguro, saudável e produtivo.
Visão: Um futuro melhor pela ciência aplicada à prevenção.
Valores: Integridade científica, profissionalismo, transparência, cooperação e
inovação.
Atuação: A Fundacentro dispõe de uma rede de laboratórios em segurança, 
higiene e saúde no trabalho, e de uma das mais completas bibliotecas 
especializadas, além de profissionais formados em várias áreas, muitos deles 
pós-graduados no Brasil e exterior, que atuam basicamente em duas frentes:
• Desenvolvimento de pesquisas em segurança e saúde no trabalho.
• Difusão de conhecimento, por meio de ações educativas, como cursos, 
congressos, seminários, palestras, produção de material didático e publicações 
periódicas cientificas e informativas.
Para enfrentar os desafios, a Fundacentro vem promovendo continuamente a 
melhoria da estrutura organizacional e o realinhamento de suas ações, passando 
pela modernização de seus recursos técnico- científicos e culminando numa 
gama de projetos e atividades em sintonia com as necessidades atuais.
QUADRO 9
O que é a FUNDACENTRO
FONTE
Adaptado de Fundacentro (2020, p. 27).
Higiene do trabalho Legislação em higiene ocupacional Capítulo 4
Outro período que merece destaque é o período após o estabelecimento da Constituição 
de 1988, que foi marcado pelos seguintes fatos:
• Ampliação das atribuições e responsabilidades dos estados e municípios em relação 
à área de saúde e segurança do trabalho.
• Adoção do Programa Nacional de Qualidade e Produtividade, as conhecidas normas 
ISO.
• Mudanças na legislação na área de saúde e segurança do trabalho.
• Surgimento de novos programas no âmbito do Ministé- rio do Trabalho, como Programa 
de Riscos Ambientais (PPRA), Programa de Controle Médico em Saúde Ocupacional 
(PCMSO), entre outros.
PPRA é focado mais estritamente na avaliação e controle de riscos ambientais, como 
ruído, calor, produtos químicos etc. Já o PGR abrange riscos ergonômicos, mecânicos, 
de acidentes e até psicossociais, oferecendo uma visão mais abrangente da segurança 
no ambiente de trabalho.
Integração
O PGR integra outros programas como o Programa de Controle Médico de Saúde 
Ocupacional (PCMSO) e considera informações fornecidas por inspeções de segurança, 
Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) e outros programas existentes na 
empresa, criando uma estratégia de gestão mais completa.
Setores de Aplicação
O PPRA é aplicável a todos os setores que exponham os trabalhadores a riscos ambientais. 
O PGR tem um foco mais direcionado para setores com atividades de risco elevado, 
Importante
A PPRA não existe mais, pois houve uma alteração na NR 9 substituindo-a 
pelo PGR – Programa de Gerenciamento de Riscos.
Higiene do trabalho Legislação em higiene ocupacional Capítulo 4
como mineração, construção civil e atividades que envolvam manuseio de inflamáveis.
 
Vantagens da Substituição
Amplitude de Ação: o PGR permite um acompanhamento

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