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Higiene do trabalho Unidade 1 - Livro Didático Digital Sumário CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO História da higiene ocupacional O que é higiene ocupacional: uma visão preliminar Origens práticas e teóricas da higiene ocupacional Origens teóricas da higiene ocupacional: primeiros estudos e pesquisas História da saúde ocupacional no Brasil Higiene ocupacional: conceitos básicos Definindo higiene ocupacional Saúde e risco como elementos da higiene ocupacional Termos de uso da higiene ocupacional O profissional da área de higiene ocupacional Diferenciando o profissional de higiene ocupacional O higienista ou técnico ocupacional Interdisciplinaridade e ética na atuação do profissional de higiene ocupacional Legislação em higiene ocupacional Marcos históricos legais relacionados à higiene ocupacional no Brasil Higiene ocupacional e legislação sobre segurança do trabalho Referências 5 18 32 44 60 Objetivos Definição Explicando Melhor Você Sabia? Acesse Resumindo Nota Importante Saiba Mais Reflita Atividades Testando Para o início do desenvolvimento de uma nova competência; Se houver necessidade de se apresentar um novo conceito; Algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; Curiosidades indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se form necessarias; Se for preciso acesar um ou mais sites para fazer dowload, assistir videos, ler textos, ouvir podcast; Quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últimas abordagens; quando forem necessárias observações ou complementações para o seu conhecimento; As observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; Textos, referências bibliográficas e links para aprofundamento do seu conhecimento; Se houver a necessidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou discutido sobre; Quando alguma atividade de autoaprendizagem for aplicada; Quando o desenvolvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas. @faculdadelibano_ 1 História da higiene ocupacional Higiene do trabalho Capítulo 1 História da higiene ocupacional Objetivos Ao término deste capítulo você será capaz de compreender as bases teórica e prática que sustentam a higiene ocupacional desde sua origem. Isso é de suma importância para a sua atuação profi sional, uma vez que a partir desse conhecimento você terá condições de observar de forma crítica como são estabelecidas as relações/condições de trabalho no cenário atual e como elas impactam na saúde do trabalhador. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Vamos lá. Avante! O que é higiene ocupacional: uma visão preliminar Você parou para pensar sobre os riscos aos quais sua saúde e integridade como ser humano saudável estão expostos quando você está se desempenhando uma atividade qualquer? Se não parou para pensar de forma proposital, intuitivamente você faz isso no seu dia a dia. Por exemplo, enquanto você se ocupa em cozinhar, ao mesmo tempo, intuitivamente, toma cuidado para não se queimar ao se expor o fogo, concorda? Pois bem, ainda nesse ambiente você pode inalar gás em caso de vazamento de gás de cozinha ou ainda pode se cortar a manipular objetos cortantes, etc. Considerando essa reflexão, tomamos o cozinhar como ocupação e a cozinha como ambiente ocupacional. Por exemplo, para você, um corte ao manipular uma faca não passa de um acidente doméstico, mas agora vejamos de forma diferente. A cozinha pode não ser seu ambiente de trabalho, mas, para uma funcionária doméstica ou um cozinheiro de um restaurante, é um ambiente de trabalho, de modo que qualquer um dos riscos relatados passam a ser riscos ocupacionais, e é nesse sentido que surge a higiene ocupacional. Mas, enfim o que é higiene ocupacional? Bem, vamos aprofundar a definição desse termo como área do conhecimento ou ciência mais à frente, contudo precisamos conceber a priori uma conceituação preliminar. O termo em questão é Higiene do trabalho História da higiene ocupacional Capítulo 1 composto por duas palavras: higiene e ocupacional. Nesse sentido, para encontrarmos uma concei- tuação objetiva do termo, recorremos ao significado de ambas as palavras em um dicionário de língua portuguesa. Segundo o Dicionário on-line de Português, higiene é: Conjunto de regras e práticas relativas à con- servação da saúde: ter a preocupação da hi- giene. Conjunto de práticas, regras, hábitos e costumes que visam ao bem-estar, à preservação da saúde; limpeza, conservação. (DICIO, 2022). A palavra ocupacional é derivada da palavra ocupação. O Dicionário on-line de Português apresenta a seguinte definição para ocupação: “Serviço; o trabalho mais importante da vida de alguém; os afazeres com os quais nos ocupamos: você precisa arrumar uma ocupação” (DICIO, 2022). Se analisarmos essa definição em relação aos afazeres com os quais nos ocupamos, podemos rapidamente concluir que um dos principais afazeres do ser humano é o trabalho. Nesse sentido, o significado de ocupação remete ao significado de trabalho. No Dicionário, a palavra trabalho pode ser empregada com vários significados. No contexto de trabalho como ocupação, podemos destacar os seguintes significados apresentados pelo Dicionário online de Português: “O emprego, o ofício ou a profissão de alguém” e “Conjunto das atividades realizadas por alguém para alcançar um determinado fim ou propósito” (DICIO, 2022). Considerando os significados de higiene, ocupação e trabalho, podemos, então, definir de modo objetivo e preliminar higiene ocupacional como: conjunto de regras, práticas, Você Sabia? O trabalho na perspectiva econômica é definido como um fator de produção, considerado como toda e qualquer atividade desempenhada pelo homem com o objetivo de satisfação de necessidades. Portanto, o trabalho é uma condição específica do homem desde seu aparecimento na Terra. Higiene do trabalho História da higiene ocupacional Capítulo 1 hábitos e costumes que objetivam o bem-estar e a preservação da saúde de um indivíduo no ambiente no qual esse é empregado e desempenha as atividades referentes a sua profissão ou ao seu ofício. Agora você já entendeu que a higiene ocupacional trata dos riscos que acometem o trabalhador e que podem comprometer sua saúde e integridade em seu ambiente de trabalho, não é mesmo? Para nos aprofundarmos no assunto, a seguir veremos as origens práticas e teóricas da higiene ocupacional. Origens práticas e teóricas da higiene ocupacional Para nos aprofundarmos nos aspectos particulares da higiene ocupacional são necessários a priori entendemos suas origens práticas e teóricas. As origens práticas remetem a quando no dia a dia de trabalho passou a existir uma preocupação com a conservação da saúde do trabalhador, e a teórica, aos fatos que conferem cientificidade a essa preocupação. Objetivamente, a Figura 1 apresenta algumas das origens práticas que levaram à construção da higiene ocupacional como concebemos nos dias atuais. Definição Higiene ocupacional remete ao conjunto de regras, práticas, hábitos e costumes que objetivam o bem-estar e a preservação da saúde de um indivíduo em seu ambiente de trabalho. Você Sabia? As origens práticas da higiene ocupacional remetem-se às condições de trabalho às quais o homem foi submetido desde sua origem até os dias atuais. Contudo, as condições de trabalho às quais o ho- mem foi exposto durante a Revolução Industrial, no século XVIII, e a I Guerra Mundial XX merecem destaque nesse cenário, uma vez que essas con- dições deram origem a um grande número de doenças ocupacionais na Higiene do trabalho História da higiene ocupacional Capítulo 1 época, fato que chamou a atenção e incentivou estudos que tornaram a higiene ocupacional uma área de conhecimento científico e prático relevante. FIGURA SEGUE NA PRÓXIMA PÁGINA Origem da civilização Reconhecimento da toxidade de substâncias Re vo lu çã o In dumais amplo e integrado de diversos tipos de riscos. Atualização Normativa: a criação do PGR representa uma modernização das diretrizes de segurança ocupacional, alinhando-se às melhores práticas internacionais. Flexibilidade: o PGR permite mais autonomia para as empresas, que podem adaptar os programas de acordo com as especificidades e os riscos reais de suas atividades. Responsabilização: o PGR tende a ser mais rigoroso em termos de responsabilidades legais, o que pode incentivar as empresas a investir mais efetivamente em medidas de segurança e saúde ocupacional. Desafios da Transição Custo: a implementação do PGR pode exigir investimentos em novas tecnologias e treinamentos. Cultura organizacional: a transição pode exigir mudanças na cultura da empresa, que terá que se adaptar a novas formas de gerenciar riscos. Complexidade: a abrangência do PGR torna sua elaboração e implementação mais complexas em comparação com o PPRA. Em suma, a substituição do PPRA pelo PGR representa uma evolução nas práticas de segurança e saúde ocupacional, mas também traz desafios que exigem preparação e investimento por parte das empresas. É crucial que as organizações estejam cientes dos novos requisitos e se preparem devidamente para garantir uma transição suave e eficaz. Higiene do trabalho Legislação em higiene ocupacional Capítulo 4 Higiene ocupacional e legislação sobre segurança do trabalho Como vimos, a segurança do trabalho como foco medidas técnicas, médicas e profissionais para cuidado do trabalhador, objetivando a prevenção de acidentes. A respeito da segurança do trabalho, Peixoto, Hofstadler e Silveira (2012) destacam: Podemos definir Segurança do Trabalho como uma série de medidas técnicas, administrativas, médicas e, sobretudo, educacionais e comportamentais, empregadas a fim de prevenir acidentes, e eliminar condições e procedimentos inseguros no ambiente de trabalho. A segurança do trabalho destaca também a importância dos meios de prevenção estabelecidos para proteger a integridade e a capacidade de trabalho do colaborador. (PEIXOTO; HOFSTADLER; SILVEIRA, 2012; p. 28-29) Diante do exposto, a higiene ocupacional, em sua prática, segue as diretrizes legais estabelecidas pela Segurança do Trabalho. No Brasil, hoje a Legislação de Segurança do Trabalho baseia-se na Constituição Federal, na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), nas Normas Regulamentadoras e em outras leis complementares, como portarias, decretos e convenções internacionais da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e Organização Mundial da Saúde (OMS). O quadro 10 apresenta e resume algumas dessas normas. Norma Descrição NR 1 – Disposições Gerais: Estabelece o campo de aplicação de todas as Normas Regulamentadoras de Segurança e Medicina do Trabalho Urbano, bem como os direitos e obrigações do Governo, dos empregadores e dos trabalhadores no tocante a este tema específico. A fundamentação legal, ordinária e específica que dá embasamento jurídico à existência desta NR são os artigos 154 à 159 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Higiene do trabalho Legislação em higiene ocupacional Capítulo 4 NR 3 – Embargo ou interdição: Estabelece as situações em que as empresas se sujeitam a sofrer paralisação de seus serviços, máquinas ou equipamentos, bem como os procedimentos a serem observados pela fiscalização trabalhista na adoção de tais medidas punitivas no tocante à Segurança e à Medicina do Trabalho. NR 4 – Serviços especializados em Medicina do Trabalho: Estabelece a obrigatoriedade das empresas públicas e privadas que possuam empregados regidos pela CLT, de organizarem e manterem em funcionamento Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho – SESMT com a finalidade de promover a saúde e proteger a integridade do trabalhador no local de trabalho. NR 5 – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e Assédios – CIPA: Estabelece a obrigatoriedade das empresas públicas e privadas organizarem e manterem em funcionamento, por estabelecimento, uma comissão constituída exclusivamente por empregados com o objetivo de prevenir infortúnios laborais, através da apresentação de sugestões e recomendações ao empregador, para que melhore as condições de trabalho, eliminando as possíveis causas de acidentes do trabalho e de doenças ocupacionais. NR 6 – Equipamentos de Proteção Individual – EPI: Estabelece e define os tipos de EPI a que as empresas estão obrigadas a fornecer aos seus empregados, sempre que as condições de trabalho exigirem, a fim de resguardar a saúde e a integridade física dos trabalhadores. NR 7 – Programas de Controle Médico de Saúde Ocupacional – PCMSO: Estabelece a obrigatoriedade de elaboração e implantação por parte de todos os empregadores e instituições que admitam trabalhadores como empregados, do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional, com o objetivo de promoção e preservação da saúde do conjunto dos seus trabalhadores. NR 8 – Edificações: Dispõe sobre os requisitos técnicos mínimos que devem ser observados nas edificações para garantir segurança e conforto aos que nelas trabalham. Higiene do trabalho Legislação em higiene ocupacional Capítulo 4 NR 9 – Avaliação e Controle de exposições ocupacionais a agentes físicos, químicos e biológicos: Estabelece a obrigatoriedade de elaboração e implantação por parte de todos os empregadores e instituições que admitam trabalhadores como empregados do Programa de Gerenciamento de Riscos. Visa à preservação da saúde e da integridade física dos trabalhadores, através da antecipação, reconhecimento, avaliação e consequente controle da ocorrência de riscos ambientais existentes ou que venham a existir no ambiente de trabalho, considerando a proteção do meio ambiente e dos recursos naturais. NR 10 – Segurança em Instalações e serviços em eletricidade: Estabelece as condições mínimas exigíveis para garantir a segurança dos empregados que trabalham em instalações elétricas, em suas diversas etapas. Inclui elaboração de projetos, execução, operação, manutenção, reforma e ampliação, assim como a segurança de usuários e de terceiros em quaisquer das fases de geração, transmissão, distribuição e consumo de energia elétrica, observando-se, para tanto, as normas técnicas oficiais vigentes e, na falta delas, as normas técnicas internacionais. NR 11 – Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais: Estabelece os requisitos de segurança a serem observados nos locais de trabalho, no que se refere ao transporte, à movimentação, à armazenagem e ao manuseio de materiais, tanto de forma mecânica quanto manual, objetivando a prevenção de infortúnios laborais. NR 12 – Segurança no Trabalho em Máquinas e equipamentos: Estabelece as medidas prevencionistas de segurança e higiene do trabalho a serem adotadas pelas empresas em relação à instalação, operação e manutenção de máquinas e equipamentos, visando à prevenção de acidentes do trabalho. NR 13 – Caldeiras, vasos de pressão e tubulações e tanques metálicos de armazena- mento: Estabelece requisitos mínimos para a gestão da integridade estrutural de caldeiras, vasos de pressão, suas tubulações de interligação e tanques metálicos de armazenamento nos aspectos relacionados à instalação, inspeção, operação e manutenção, visando a segurança e saúde dos trabalhadores. Higiene do trabalho Legislação em higiene ocupacional Capítulo 4 NR 14 – Fornos: Estabelece as recomendações técnico-legais pertinentes à construção, operação e manutenção de fornos industriais nos ambientes de trabalho. NR 15 – Atividades e operações insalubres Descreve as atividades, operações e agentes insalubres, inclusive seus limites de tolerância, definindo, assim, as situações que, quando vivenciadas nos ambientes de trabalho pelos trabalhadores, ensejam a caracterização do exercício insalubre e, também, os meios deproteger os trabalhadores de tais exposições nocivas à sua saúde. NR 16 – Atividades e operações perigosas: Regulamenta as atividades e as operações legalmente consideradas perigosas, estipulando as recomendações prelecionistas correspondentes. NR 17 – Ergonomia: Visa estabelecer parâmetros que permitam a adaptação das condições de trabalho às condições psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar um máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente. NR 18 – Segurança e saúde no trabalho na indústria da construção: Estabelece diretrizes de ordem administrativa, de planejamento de organização, que objetivem a implantação de medidas de controle e sistemas preventivos de segurança nos processos, nas condições e no meio ambiente de trabalho na indústria da construção civil. NR 19 – Explosivos: Estabelece as disposições regulamentadoras acerca do depósito, manuseio e transporte de explosivos, objetivando a proteção da saúde e integridade física dos trabalhadores em seus ambientes de trabalho. NR 20 – Segurança e Saúde no Trabalho com inflamáveis e combustíveis: Estabelece as disposições regulamentares acerca do armazenamento, manuseio e transporte de líquidos combustíveis e inflamáveis, objetivando a proteção da saúde e a integridade física dos trabalhadores em seu ambiente de trabalho. Higiene do trabalho Legislação em higiene ocupacional Capítulo 4 NR 21 – Trabalho a céu aberto: Tipifica as medidas prevencionistas relacionadas com a prevenção de acidentes nas atividades desenvolvidas a céu aberto, como em minas ao ar livre e em pedreiras. NR 22 – Segurança e saúde ocupacional na mineração: Estabelece métodos de segurança a serem observados pelas empresas que desenvolvam trabalhos subterrâneos, de modo a proporcionar aos seus empregados satisfatórias condições de Segurança e Medicina do Trabalho. NR 23 – Proteção contra incêndios: Estabelece as medidas de proteção contra incêndios, que devem dispor os locais de trabalho, visando à prevenção da saúde e da integridade física dos trabalhadores. NR 24 – Condições sanitárias e de conforto nos locais de trabalho: Disciplina os preceitos de higiene e de conforto a serem observados nos locais de trabalho, especialmente no que se refere a banheiros, vestiários, refeitórios, cozinhas, alojamentos e ao tratamento da água potável, visando à higiene dos locais de trabalho e à proteção da saúde dos trabalhadores. NR 25 – Resíduos industriais: Estabelece as medidas preventivas a serem observadas pelas empresas no destino final a ser dado aos resíduos industriais resultantes dos ambientes de trabalho, de modo a proteger a saúde e a integridade física dos trabalhadores. NR 26 – Sinalização de segurança: Estabelece a padronização das cores a serem utilizadas como sinalização de segurança nos ambientes de trabalho, de modo a proteger a saúde e a integridade física dos trabalhadores. NR 28 – Fiscalização e penalidades: Estabelece os procedimentos a serem adotados pela fiscalização em Segurança e Medicina do Trabalho, tanto no que diz respeito à concessão de prazos às empresas para a correção das irregularidades técnicas, como também, no que concerne ao procedimento de autuação por infração às Normas Regulamentadoras de Segurança e Medicina do Trabalho. Higiene do trabalho Legislação em higiene ocupacional Capítulo 4 NR 29 – Norma regulamen tadora de segurança e saúde no trabalho portuário: Tem por objetivo regular a proteção obrigatória contra acidentes e doenças profissionais, facilitar os primeiro socorros a acidentados e alcançar as melhores condições possíveis de segurança e saúde aos trabalhadores portuários NR 30 – Norma regulamenta- dora do traba- lho aquaviário: Regula a proteção contra acidentes e doenças ocupacionais objetivando melhores condições e segurança no desenvolvimento de trabalhos aquaviários. NR 31 – Segurança e saúde no trabalho na agricultura, pecuária silvicultura, exploração florestal e aquicultura: Regula os preceitos a serem observados na organização e no ambiente de trabalho rural, de forma a tornar compatível o planejamento e o desenvolvimento das atividades do setor com a prevenção de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho rural. NR 32 – Segurança e saúde no trabalho em serviços de saúde: Tem por finalidade estabelecer as diretrizes básicas para a implantação de medidas de proteção à segurança e à saúde dos trabalhadores em estabelecimentos de assistência à saúde, bem como daqueles que exercem atividades de promoção e assistência à saúde em geral. NR 33 – Norma regulamenta- dora de segu- rança e saúde nos trabalhos em espaços confinados: Esta Norma tem como objetivo estabelecer os requisitos mínimos para identificação de espaços confinados, seu reconhecimento, monitoramento e controle dos riscos existentes, de forma a garantir permanentemente a segurança e saúde dos trabalhadores. Higiene do trabalho Legislação em higiene ocupacional Capítulo 4 NR 33 – Norma regulamenta- dora de segu- rança e saúde nos trabalhos em espaços confinados: Esta Norma tem como objetivo estabelecer os requisitos mínimos para identificação de espaços confinados, seu reconhecimento, monitoramento e controle dos riscos existentes, de forma a garantir permanentemente a segurança e saúde dos trabalhadores. NR 34 - Condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção, reparação e desmonte naval Esta Norma Regulamentadora estabelece os requisitos mínimos e as medidas de proteção à segurança, à saúde e ao meio ambiente de trabalho nas atividades da indústria de construção, reparação e desmonte naval. NR 35 - Trabalho em altura O objetivo dessa norma é estabelecer os requisitos mínimos para a avaliação, controle e monitoramento dos riscos existentes nas atividades desenvolvidas na indústria de abate e processamento de carnes e derivados destinados ao consumo humano, de forma a garantir permanentemente a segurança, a saúde e a qualidade de vida no trabalho, sem prejuízo da observância do disposto nas demais Normas Regulamentadoras - NR do Ministério do Trabalho e Emprego NR 36 - Segurança e saúde no trabalho em empresas de abate e processamento de carnes e derivados O objetivo dessa norma é estabelecer os requisitos mínimos para a avaliação, controle e monitoramento dos riscos existentes nas atividades desenvolvidas na indústria de abate e processamento de carnes e derivados destinados ao consumo humano, de forma a garantir permanentemente a segurança, a saúde e a qualidade de vida no trabalho, sem prejuízo da observância do disposto nas demais Normas Regulamentadoras - NR do Ministério do Trabalho e Emprego NR 37 - Segurança e saúde em plataformas de petróleo Essa norma se aplica ao trabalho nas plataformas nacionais e estrangeiras, bem como nas Unidades de Manutenção e Segurança - UMS, devidamente autorizadas a operar em AJB. Higiene do trabalho Legislação em higiene ocupacional Capítulo 4 Então, o que podemos concluir é que a higiene ocupacional é parte integrante da segurança do trabalho, de modo que as normas apresentadas no Quadro 10 especificam requisitos específicos para a proteção da saúde do trabalhador e sua integridade física em diferentes condições de trabalho e situações. Resumindo Chegamos ao fim dessa unidade e você aprendeu implicações legais relacionadas à prática dos preceitos da higiene ocupacional. Reconheceu os avanços da higiene ocupacional no campo jurídico-legal e, especialmente, conheceu 33 normas que regulamentam a segurança no trabalho e reforçam a prática dos preceitos da higiene ocupacional, de modo que o descumprimento de qualquer uma delas pode expor o trabalhador aos mais diferentes riscos que podem comprometer sua saúde e integridade como ser humano. NR 38 - Segurança e saúde no trabalho nas atividades de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos Essa NormaRegulamentadora tem o objetivo de estabelecer os requisitos e as medidas de prevenção para garantir as condições de segurança e saúde dos trabalhadores nas atividades de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos. Q U A D R O 1 0 Normas de segurança do trabalho F O N T E Adaptado de Peixoto (2010, p. 30-34). Higiene do trabalho Referências ALVES, A. S. Estudo dos agentes de risco ocupacional e seus prováveis agravos na saúde humana. 2015. Dissertação (Mestrado em Tecnologia Nuclear - Aplicações) - Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2015. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE HIGIENISTAS OCUPACIONAIS. Área SST - Saúde e Segurança do Trabalho. Associação Brasileira de Higienistas Ocupacionais, [s.d.]. Disponível em: https://areasst. com/abho/. Acesso em: 13 jul. 2022. CAMICASSA, M. 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Surgimento de políticas e medidas legais de proteção a saúde do trabalhador. Denúncia de maus tratos em jornais impressos da época. Contratação de médicos por parte de empregadores com o objetivo de obter auxilo no cumprimento de leis, análise e cuidados de problemas de saúde de operários (origem da medicina do trabalho). Higiene do trabalho História da higiene ocupacional Capítulo 1 Conforme podemos observar na Figura 1, o trabalho é inerente ao homem, e a exposição dele ao risco muda em função do tipo, da estrutura, da forma e do ambiente em que esse trabalho acontece. Assim, podemos concluir que, até a Revolução Industrial, poucas observações podem ser feitas em relação à saúde dos trabalhadores e seu ambiente de trabalho. Nesse contexto, ao se estudar a história de nossa civilização até a Revolução Industrial, encontram-se poucas observações sobre a saúde dos trabalhadores e seu ambiente de trabalho. No início, o esforço dispendido pelo homem para garantir sua existência e sobrevivência era um fator que gerava doenças “ocupacionais”, mais tarde com a estratificação da sociedade, o trabalho comum era desempenhado por escravos, em geral povos que haviam sido dominados por outros. (FUNDACENTRO, 2004, p. 12) Primeiros passos na investigação e no controle da silicose na indústria de mineração. I Guerra Mundial- surgimento de novos problemas relacionados a indústria de mineração e armamentos como a exposição a chumbo. Estados Unidos - Criação de instituições do governo e entidades de classe que realizassem trabalhos em colaboração com as universidades do país. Outros acontecimentos e práticas. 1919 - Criação da OTI (Organização Internacional do trabalho) Estudo e desenvolvimento de acordos internacionais na área de higiene ocupacional. Sé cu lo X X FIGURA 1 Origens práticas da Higiene Ocupacional. FONTE Elaborada pela autora (2022). Higiene do trabalho História da higiene ocupacional Capítulo 1 Então, nesse primeiro momento, o que precisamos guardar em nossa mente como registro das origens práticas da saúde ocupacional? Resumidamente, precisamos saber que, em uma sociedade escravocrata (embora hoje destaquemos a necessidade de intervir nos casos de maus tratos no trabalho), a preocupação com a saúde do trabalhador não era prática vigente. Nesse sentido, o que se pode observar com base nos relatos históricos é que só escravos trabalhavam e, consequentemente, apenas eles eram expostos aos riscos, de modo que, com a abundância de mão de obra escrava, não se observava grande preocupação da classe dominadora com garantir proteção à classe dominada na realização do trabalho. Nesse cenário, pouquíssimos fatos na história podem ser destacados como raízes práticas do que entendemos hoje como higiene pessoal, como destaca Camisassa (2016): O que se via naquela época eram alguns estudos isolados de investigação das doenças do trabalho, como aqueles realizados pelo médico e filósofo grego Hipócrates (460-375 a.c.), que em um de seus trabalhos descreveu um quadro de “intoxicação saturnina” em um mineiro (o saturnismo é o nome dado à intoxicação causada pelo chumbo). Plínio, O Velho, escritor e naturalista romano, que viveu no início da era Cristã (23-79 d.C.), descreveu, em seu tratado “De Historia Naturalis”, as condições de saúde dos trabalhadores com exposição ao chumbo e poeiras. Ele fez uma descrição dos primeiros equipamentos de proteção conhecidos, como panos ou membranas de bexiga de animais para o rosto (improvisados pelos próprios escravos), como forma de atenuar a inalação de poeiras nocivas; também descreveu diversas moléstias do pulmão en tre mineiros e envenenamento devido ao ma- nuseio de compostos de enxofre e zinco. (CAMISASSA, 2016, p. 36) Enfim, os fatos que antecedem a Revolução Industrial nos permitem definir uma premissa importante a ser considerada pela higiene ocupacional: a exposição do trabalhador ao risco pode ser reflexo da estratificação social e das relações de poder. De modo que hoje embora o contexto tecnológico e econômico seja totalmente diferente podemos atentar a respeito da escravidão contemporânea e seus reflexos na saúde do trabalhador. Higiene do trabalho História da higiene ocupacional Capítulo 1 Reflita A quais riscos a escravidão contemporânea expõe o trabalhador? Mesmo com o avanço nas leis sobre higiene ocupacional e relações de trabalho, por que essa prática existe? O que gera a escravidão contemporânea? Faça uma breve pesquisa na internet e busque responder a essas questões de forma reflexiva, para fundamentar seu ponto de vista sobre esse problema social e sua relação com a higiene ocupacional e prevenção de riscos. Conforme vimos anteriormente, os fatos que constituem as raízes práticas mais fortes da higiene ocupacional remetem ao período durante e após a Revolução Industrial. A Figura 1 elencou de forma objetiva os principais fatos que conduziram a uma preocupação social com a saúde do trabalhador e a relação desta com o ambiente de trabalho. Esses fatos conduziram a criação de legislação relacionada à saúde do trabalhador e atitudes dos empregadores em resposta às leis nos séculos seguintes (Figura 1). Como exemplo dessas leis temos a “Lei da Saúde e Moral dos Aprendizes” e a “Lei das Fábricas”. A “Lei das Fábricas” de 1833 foi ampliada em 1864 e apresentava as primeiras exigências sobre Higiene Ocupacional. “Todas as fábricas deveriam ser ventiladas para remover qualquer gases nocivos, poeiras e outras impure- zas que poderiam causar danos à saúde” é o que hoje chamamos de ventilação diluidora. (FUNDACENTRO, 2004, p. 16) No século XX, é importante destacarmos que a I Guerra Mundial trouxe à tona novos problemas relacionados à saúde do trabalhador, como a exposição ao chumbo nas fábricas de armamentos. É também nesse século que se observa o surgimento de instituições voltadas ao estudo e desenvolvimento de acordos internacionais na área de higiene ocupacional. Então, nesse segundo momento das raízes práticas, o que temos de em mente? Objetivamente, os acontecimentos durante e após a Revolução Industrial nos conduzem a uma segunda pre- missa importante a ser considerada pela higiene ocupacional: as leis são um mecanismo que influenciam diretamente o controle da exposição do Higiene do trabalho História da higiene ocupacional Capítulo 1 trabalhador ao risco e a qualidade do ambiente ocupacional. Ainda podemos inferir, com base no que vimos até aqui, que as pesquisas e os estudos no âmbito das fábricas conduziram e influenciam algumas práticas relacionadas à higiene ocupacional. Para tanto, a seguir destacamos esses estudos como raízes teóricas dessa área do conhecimento. Origens teóricas da higiene ocupacional: primeiros estudos e pesquisas Agora você já conhece as raízes práticas da higiene ocupacional, mas não as teóricas. Pois bem, ao mesmo tempo que raízes práticas cresciam, também surgiam trabalhos de pesquisadores que em seus estudos buscavam compreender a relação entre saúde do trabalhador, atividades de trabalho e ambiente ocupacional. Para facilitar nosso conhecimento, o Quadro 1 elenca de forma objetiva alguns desses estudos e suas contribuições para o estabelecimento científico da higiene ocupacional. As publicações e descobertas resultantesdesses estudos e pesquisas é o que chamamos aqui de raízes teóricas da higiene ocupacional. Ato inseguro Publicação de panfleto sobre doença ocupacional (1473) Publicação de livro: De re metallica (Alemanha, 1556; Estados Unidos 1919) Autores/ Pesquisadores Contribições Editora Ulrich Instruções a respeito da higiene ocupacional. Georgius (agrícola alemão) Descrição dos fatores de risco associados à indústria de mineração. Higiene do trabalho História da higiene ocupacional Capítulo 1 Bernadino Ramazzini (médico italiano) O livro é reconhecido como o primeiro tratado sistematizado sobre doenças ocupacionais. Descrição de doenças de trabalho relacionadas a 50 ocupações e apresentação de cuidados para diminuir os fatores de risco das indústrias. George Baker Esclareceu que a “Cólica de Devonshire” era causada pela utilização de chumbo na indústria de vinho de maçã (sidra) e colaborou com a remoção de seu uso. Percival Pott Reconheceu a fuligem como uma das causas de câncer sacrotal, que principalmente em limpadores de chaminé em 1788, na Inglaterra. Willian Far (1851) Assinalou que a mortalidade entre os fabricantes de vasos entre 35- 45 anos era excessivamente alta e que a fabricação de cerâmica na Inglaterra era um dos ofícios mais insalubres. Charles Thackrah (político influente e médico) e Percival Pott Escrita de um tratado de 200 páginas de orientações sobre medicina do trabalho. Deu início à moderna literatura de reconhecimento das doenças ocupacionais. Benjamin W. Mc Cready Primeiro compêndio de medici- na ocupacional no país. Publicação de livro: De morbis artificium diatriba (1700) Descoberta: problemas de higiene ocupacional (séc. XVIII) Escritos doenças ocupacionais (séc. XIX) Publicação de livro: On the influence of trades, profession, and ocupations in the United States, in the production of disease Higiene do trabalho História da higiene ocupacional Capítulo 1 Charles Bikens Chamou a atenção dos preblemas existentes dentro das fábricas que estavam causando acidentes e doenças profissionais. Abriu caminho para uma nova legislação relativa à higiene ocupacional, em vigor até hoje na Inglaterra. Descoberta: problemas de higiene ocupacional (séc. XIX) QUADRO 1 Origens teóricas da higiene ocupacional FONTE Adaptado de Fundacentro (2004). Observando as informações dispostas no Quadro 1, podemos concluir que as raízes teóricas da higiene ocupacional surgiram na Alemanha e nos Estados Unidos, sendo fruto de pesquisas realizadas por engenheiros e médicos. Ainda com base no Quadro 1, vimos que a higiene ocupacional surgiu no contexto industrial, contudo hoje ela não se aplica apenas no ambiente industrial, assim temos em nossa mente uma noção de que essa área do conhecimento surgiu de forma abrangente. Agora já temos conhecimento das raízes práticas e teóricas da higiene ocupacional. Então, e no Brasil, como a higiene ocupacional se estabeleceu? A seguir vamos conhecer de forma breve a história da saúde ocupacional no País. História da saúde ocupacional no Brasil No Brasil, as raízes práticas da higiene ocupacional seguiram o perfil dos demais países. Nesse sentido, são fatos que motivaram no Brasil a preocupação com a saúde dos trabalhadores no período antes, durante e após a revolução industrial: mão de obra escrava, crescimento industrial, más condições de trabalho, jornadas prolongadas de trabalho sem remuneração de horaextra, acidentes e doenças profissionais, entre outros. A respeito desses fatores e de como eles levaram aos avanços no país no que tange à saúde e aos direitos do trabahador: Higiene do trabalho História da higiene ocupacional Capítulo 1 Durante esse período inicial na industrialização em nosso país, a higiene ocupacional, já praticada em países desenvolvidos como Estados Unidos e Inglaterra, não era conhecida, e de maneira muito semelhante ao que aconteceu nesses países, as primeiras preocupações com o assunto partiram de denúncias de trabalhadores, dos jornais da época, dos estudos em universidades, entre outros. A partir desse movimento social e sob a influência direta das imigrações, que refletiam os movimentos sindicais europeus as lideranças conseguiram mobilizar a classe operária para grande “questão social”. (FUNDACENTRO, 2004, p. 16) Então não podemos nos esquecer de que no contexto brasileiro a classe trabalhadora desempenhou importante papel para a aplicação e prática dos preceitos da higiene ocupacional. Já na perspectiva teórica, ou seja, da publicação de pesquisas e estudos relacionados à saúde e ao ambiente de trabalho no Brasil, entre as primeiras raízes estão os estudos realizados pela Universidade da Bahia entre 1880 e 1903, e as contribuições de Osvaldo Cruz, Warren Dean, entre outros. A Universidade da Bahia, entre 1880 e 1903, realizou estudos em fábricas de charutos, rapé e velas de sebo, e também pesquisas sobre intoxicação por chumbo. Oswaldo Cruz deu contribuições para o campo, com estudos e trabalhos voltados ao combate às epidemias de doenças infecciosas relacionadas ao trabalho. Já Warren Dean teve como principal contribuição a descrição sobre as condições do ambiente de trabalho na época e destacou os seguintes fatores como causas de doenças e acidentes de trabalho: estruturas inadequadas e não projetadas especificamente que abrigavam máquinas usadas na produção, má iluminação e ventilação, e ausência de instalações sanitárias. No Brasil, o avanço das preocupações relacionadas à higiene ocupacional se destaca no âmbito jurídico-institucional, e trataremos desse tema ao longo dos nossos estudos. Higiene do trabalho História da higiene ocupacional Capítulo 1 Resumindo E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você aprendeu que higiene ocupacional remete ao conjunto de regras, práticas, hábitos e costumes que objetivam o bem-estar e a preservação da saú- de de um indivíduo em seu ambiente de trabalho. Nesse sentido, assim como o trabalho, os aspectos relacionados à higiene ocupacional são inerentes ao homem. Vimos que a higiene ocupacional como área do conhecimento surgiu da preocupação do estudo científico dos fatos observados no ambiente de trabalho. Para facilitar o entendimento, concebemos que a higiene ocupacional tem raízes práticas e teóricas. As raízes práticas nos permiti- ram concluir duas premissas importantes a serem consideradas pela higiene ocupacional: a exposição do trabalhador ao risco pode ser reflexo da estratificação social e relações de poder, e as leis são um mecanismo que influenciam diretamente o controle da exposição do trabalhador ao risco e a qualidade do ambiente ocupacional. No que tange às raízes teóricas, vimos que os estudos de higiene ocupacional começaram na Inglaterra, nos Estados Unidos e na Alemanha, e buscavam compreender a relação entre saúde do trabalhador, atividades de trabalho e ambiente ocupacional. Por último, vimos que o Brasil seguiu o mesmo caminho dos outros países, contudo com destaque para a mobilização e participação da classe operária nesse processo. @faculdadelibano_ 2 Higiene ocupacional: conceitos básicos Higiene do trabalho Capítulo 2 Higiene ocupacional: conceitos básicos Objetivos Ao término deste capítulo você será capaz de discernir sobre os conceitos relacionados à definição da higiene ocupacional. Aqui você entenderá os elementos e conceitos que a higiene ocupacional envolve, bem como a relação existente entre higiene ocupacional/medicina do trabalho e segurança do trabalho. Esses conceitos nortearão sua práti ca profissional quando for necessário analisar e intervir em ambientes de trabalho para garantir a saúde e integridade física do trabalhador. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Vamos lá. Avante! Definindo higieneocupacional No capítulo anterior estabelecemos a seguinte definição preliminar de higiene ocupacional: “Higiene ocupacional remete ao conjunto de regras, práticas, hábitos e costumes que objetivam o bem-estar e a preservação da saúde de um indivíduo em seu ambiente de trabalho”. Então, agora chegou o momento de nos aprofundamos no assunto. Na literatura pertinente à higiene ocupacional ou higiene no trabalho, como também é conhecida, podemos encontrar algumas definições atribuídas por pesquisadores e instituições da área. Para facilitar nossa visualização, o Quadro 2 apresenta algumas delas. Higiene do trabalho Higiene ocupacional: conceitos básicos Capítulo 2 Autor (ano) Definição Olishifski (1988) Aquela ciência e arte devotada à antecipação, ao reconhecimento, à avaliação e ao controle dos fatores de risco ou estresse ambientais originados no ou a partir do local de trabalho, que podem causar doenças, prejudicar a saúde e o bem-estar, ou causar significante desconforto para os trabalhadores ou entre os cidadãos de uma comunidade. American Industrial Hygiene Association AIHA (1996) Ciência que trata da antecipação, do reconhecimento, da avaliação e do controle dos riscos originados nos locais de trabalho e que podem prejudicar a saúde e o bem-estar dos trabalhadores, tendo em vista também o possível impacto nas comunidades vizinhas e no ambiente. Fundacentro (2004) Campo de atuação da ciência que se dedica ao estudo dos ambientes de trabalho e à prevenção das doenças causadas por eles. É uma ciência de caráter essencialmente preventivo. American Conference of Governmental Industrial Hygienists (ACGIH, 2012) Uma ciência e uma arte que objetiva a antecipação, o reconhecimento, a avaliação e o controle dos fatores ambientais e estres-se originados nos locais de trabalho, que podem provocar doenças, prejuízos à saúde ou ao bem-estar, desconforto significativo e ineficiência nos trabalhadores ou entre as pessoas da comunidade. National Safety Council (NSC, 2012) É a ciência e arte devotadas à antecipação, reconhecimento, avaliação e controle dos fatores ou sobrecargas ambientais, originadas nos locais de trabalho que podem causar doenças, prejudicando à saúde e o bem-estar ou gerando considerável desconforto e ineficiência entre trabalhadores ou cidadãos da comunidade. British Occupational Hygiene Society (BOHS, 2012) É a prevenção de problemas de saúde do trabalho, por meio de reconhecimento, avaliação e controle dos riscos. International Occupational Hygiene Association (IOHA, 2012) É a antecipação, o reconhecimento, a avaliação e o controle de riscos para a saúde no ambiente de trabalho, com o objetivo de proteger a integridade física e o bem-estar do trabalhador, e salvaguardar a comunidade em geral. Higiene do trabalho Higiene ocupacional: conceitos básicos Capítulo 2 QUADRO 2 Definições de higiene ocupacional FONTE Adaptado de Fundacentro (2004, p. 16-17); Peixoto, Hofstadler e Silveira (2012, p. 16-17) e Rossete (2014). Rossete (2014) É a área que reconhece, avalia e controla os riscos originados dos ambientes profis- sionais capazes de provocar alterações na saúde dos trabalhadores, tendo por objetivo colaborar com a promoção e conservação da saúde dos operários por meio de condições adequadas no ambiente de serviço. Agora, analise as definições de higiene ocupacional dis- postas no Quadro 3. O que você pode concluir imediatamente? Concluímos que são homogêneas, ou seja, não diferem muito umas das outras. Assim, podemos extrair desses conceitos os se- guintes elementos principais que definem a higiene ocupacional em seu campo de atuação: campo científico, local ou ambiente de trabalho, fatores de riscos ou estresse ambiental, e saúde do trabalhador. Importante A higiene ocupacional, ou do trabalho, é apenas um dos campos de estudo da saúde ocupacional. Nesse sentido, ela se difere da medicina do trabalho e segurança do trabalho, que são os demais campos que compõem uma abordagem multiprofissional da saúde ocupacional. A Figura 2 apresenta a diferença de foco entre esses campos. Higiene do trabalho Higiene ocupacional: conceitos básicos Capítulo 2 FIGURA 2 Abordagem multifuncional da saúde ocupacionalo FONTE Adaptado de Rossete (2014, p. 9). A higiene do trabalho é considerada um campo científico por ser embasada em análise e estudos de fatos observáveis. A esse respeito: A higiene ocupacional é uma ciência, porque está baseada em fatos comprováveis, empíricos e analisáveis por método científico por meio da física, química, bioquímica, toxicologia, medicina, engenharia e saúde pública. [...] Por possuir caráter essencialmente preventi- vo, as ações de higiene ocupacional devem se fundamentar prioritariamente na prevenção da exposição em estudos epistemológicos prospectivos, registram-se as exposições ao longo do tempo para que se conheça alguma relação entre exposição ocupacional e o efeto a saúde. (Fundacentro, 2004, p. 44) Então, não devemos nos esquecer de que a higiene ocupacional é um campo de estudo que busca gerar conhecimento científico preventivo, ou seja, que promova a redução ou evite a ocorrência de doenças relacionadas ao ambiente de trabalho. Assim, temos outro elemento que compõe a definição de higiene ocupacional: o ambiente de trabalho, serviço ou de ocupação. Higiene do trabalho Higiene ocupacional: conceitos básicos Capítulo 2 Saúde e risco como elementos da higiene ocupacional Responda a esse questionamento: qual é a importância da higiene ocupacional? Pare agora e pense a esse respeito. Pensou? Acredito que na sua resposta deve conter “Proteger o trabalhador” ou “Evitar acidentes de trabalho”. Em linhas gerais, a importância da higiene ocupacional se resume a isso, contudo é necessário entendermos de que forma esse campo científico busca proteger o trabalhador. A higiene ocupacional busca proteger o trabalhador de danos à sua saúde, por meio da aplicação de mecanismos que reduzam a níveis aceitáveis ou eliminem a sua exposição a fato- res ou agentes de risco em ambiente de trabalho. Então, temos dos conceitos importantes aqui, o primeiro é saúde e o segundo, fatores de risco. A Organização Mundial de Saúde (OMS) adota um conceito amplo para saúde: A saúde pode ser vista como um estado completo de bem-estar físico, mental e social e não meramente a ausência de doença [...]. Para atingir essa meta, o ser humano estabelece uma batalha contínua, com o intuito de manter um balanço positivo contra as forças biológicas, físicas e químicas, mentais e sociais que tendem a romper o equilíbrio. (FUNDA-CENTRO, 2004, p. 45). Essa definição é genérica, portanto necessitamos definir a que diz respeito especificamente a saúde do trabalhador: Saúde do trabalhador representa um esforço de compreensão do processo saúdedoença, como e porque ocorre, e o desenvolvimento Definição Ambiente de trabalho é o local no qual os indivíduos desenvolvem atividades de labor e envolve tudo ao que esse indivíduo é exposto e interage ao desempenhar atividades relacionados ao seu trabalho. Dois elementos da definição de higiene ocupacional devem ser destacados com maior ênfase: fatores de risco e estresse ambiental, e saúde do trabalhador. Higiene do trabalho Higiene ocupacional: conceitos básicos Capítulo 2 de alternativas que levem à transformação e direção à apropriação pelos trabalhadores na dimensão humana de trabalho. [...] entende se por saúde do trabalhador, um conjunto de atividades que se destina, a través de ações de vigilância epidemiológica e vigilância sanitária, à promoção e proteção da saúde dos trabalhadores, assim como visa a recuperação e reabilitação da saúde dos trabalhadores submetidos aos riscos a e agravos advindo das condições de trabalho. (FUNDACENTRO, 2004, p. 46) Com base nesses conceitos e na diferença entre os campos que compõem uma visão multifuncional da saúde ocupacional, a medicina do trabalhoassume a visão ampla do conceito de saúde, ou seja: estado completo de bem-estar físico, mental e social, e não meramente a ausência de doença. Essa visão também é compartilhada pela saúde ocupacional, mas a higiene ocupacional tem como foco a promoção de controle e ausência de doenças de trabalho originadas da exposição do trabalhador ao risco advindo forças biológicas, físicas e química presentes no ambiente de trabalho. Entendeu o que consiste a saúde do trabalhador no campo da higiene ocupacional? Então, você percebeu que ela está relacionada a outro conceito importante: risco. A respeito de risco e seus fatores, temos que: Qualquer pessoa está exposta as mais diver- sas condições que podem ocasionar eventos ou danos indesejados, seja dentro do ambien- te de trabalho, ou fora dele, e que poderão afetar a sua qualidade de vida, como doenças, acidentes, perda do patrimônio, entre outros. A essa probabilidade de ocorrer danos denominamos de risco. O risco, portanto, é a com- binação da probabilidade e Definição Saúde do trabalhador é estado de bem-estar decorrente do controle e da ausência de doenças de trabalho originadas da sua exposição ao risco advindo forças biológicas, físicas e químicas presentes no ambiente de trabalho. Higiene do trabalho Higiene ocupacional: conceitos básicos Capítulo 2 magnitude de um evento desejado. (FUNDACENTRO, 2004, p. 47) Traduzindo e trazendo o conceito de risco para o campo da higiene ocupacional, temos que o risco é o resultado da chance de ocorrer um evento gerador de dano à saúde do trabalhador, resultante de seu trabalho, somada à gravidade da consequência do dano, caso o evento ocorra. Para facilitar o entendimento, o Quadro 3 apresenta um exemplo de análise de risco no ambiente de trabalho de fabricação de artigos de mármore, resultante de uma pesquisa realizada por Chagas (2016). ANÁLISE E AVALIAÇÃO DE RISCOS PROFISSIONAIS NA FABRICAÇÃO DE ARTIGOS EM MÁRMORE Avaliação de riscos é a base de uma gestão eficaz da segurança e da saúde do trabalho para reduzir os acidentes de trabalho e as doenças profissionais. Este estudo tem por objetivo descrever a avaliação de riscos nas tarefas de cada atividade na fabricação de artigos em mármore. Utilizou-se o método de análise e avaliação de riscos William T. Fine. A atividade em estudo foi categorizada em três grupos: corte, polimento e acabamento dos artigos. Classificação do riscos: Atribui-se um índice às situações de risco identificadas baseado na gravidade e na probabilidade de ocorrência do perigo a elas associado. O produto das três variáveis, Consequência (C), Exposição (E) e Probabilidade (P) dá origem à Magnitude do Risco (R) ou Grau de Perigosidade (GP). Para determinar as prioridades de intervenção recorreu- se à escala de índice de risco, em que: o GP400, o nível de risco é 1 (grave/eminente). Na análise de riscos por atividade foi tida em conta a qualidade dos equipamentos e das instalações existentes, que por si só, já elimina alguns possíveis fatores de risco. Assim, na Tabela 1 encontram-se o grau de Perigosidade do Risco relacionado à atividade de corte, resultante da classificação obtida em relação ao nível de consequência, exposição e probabilidade. Higiene do trabalho Higiene ocupacional: conceitos básicos Capítulo 2 Equipamento/ Produto Máquinas de corte Máquinas de corte Empilhador Torno Riscos Grau Risco Corte 1 Amputação do membro superior 1 Perda da acuida de auditiva 3 Eletrocussão 3 Eletrização 3 Fadiga 2 Lesões osteomusculares 2 Lesões muscoes queléticas (LME) 2 Lesões esforço repetitivo (LER) 2 Lesões múltiplas 2 Atropelamento 2 Danificação da infraestrura/ equipamento 2 Esmagamento 2 Esmagamento 2 Contusões 2 Lesões múltiplas 2 Hematomas 3 Esmagamento 3 Fraturas 3 Perigos Corte de mármore Exposição ao ruído 1919) Riscos elétricos Postura inadequada Máquina em movimento Queda de matéria-prima Trabalho com equipamentos manuais QUADRO 3 Estudo de risco no ambiente de trabalho de fabricação de artigos de mármore FONTE Adaptado de Chagas (2016, p. 16-22). Higiene do trabalho Higiene ocupacional: conceitos básicos Capítulo 2 Definição Para conhecer mais riscos existentes no ambiente de trabalho de fabricação de artigos de mármore, clique aqui e leia na íntegra o artigo de Chagas (2016), intitulado “Análise e avaliação de riscos profissionais na fabricação de artigos em mármore”. Definição RISCO = probabilidade x consequência (CAMPOS, 2013). Com base no exemplo disposto do Quadro 3, compreende-se que a definição de risco está atrelada aos seguintes con- ceitos: consequência, fonte de risco, perigo e probabilidade. As definições desses conceitos estão contidas na NBR ISO 31000, como nos traz Rossete (2014): Vale ressaltar também outras definições a NBR ISO 31000: • Consequência – resultado de um evento que afeta os objetivos [...] • Fonte de risco – elemento que, individual- mente ou combinado, tem potencial intrínseco para dar origem ao risco [...] • Perigo – fonte de potencial dano. [...] • Probabilidade – chance de algo acontecer. (ROSSETE, 2014, p. 11) A respeito da definição de risco, com base no exemplo disposto no Quadro 3 e nas definições consequência, fonte de risco, perigo e probabilidade, temos que, quanto maior o resul- tado de um evento que afeta a saúde do trabalhador e a sua chance de acontecer, maior será o risco atribuído a uma dada atividade. Então, não se esqueça: Risco= probabilidade x consequência (CAMPOS, 2013). A higiene ocupacional, assim, tem entre seus objetivos reduzir o risco no contexto do ambiente de trabalho, ao identificar, monitorar e controlar a exposição do trabalhador aos fatores e agentes de risco. Um fator agente de risco é o elemento gerador ao qual Higiene do trabalho Higiene ocupacional: conceitos básicos Capítulo 2 o risco está associado. Retomando o exemplo da fabricação de artigos em mármore, a perda da acuidade auditiva é um risco, cujo fator/agente gerador é o ruído. Outro exemplo é a fadiga, que é um risco que possui como fator/agente a postura inadequada no trabalhador em atividade. Nesses exemplos, destacamos um fator/agente de risco físico (ruído) e outro ergonômico (postura inadequada). Os fatores/agente de risco podem ser classificados em: físicos, químicos, biológicos e ergonômicos. O Quadro 4 apresenta resumidamente cada tipo de risco. Agora que aprendemos um pouco sobre os dois conceitos importantes ligados à definição de higiene ocupacional (saúde e risco), é importante entendermos também QUADRO 4 Classificação dos fatores ou agentes de risco FONTE Adaptado de Alves (2015, p. 16-22). Fator/Agente Descrição Físicos Diversas formas de energia às quais possam estar expostos os trabalhadores, como: ruído, vibração, pressões anormais, temperaturas, radiações ionizantes, radiações não ionizantes etc. Químicos Substâncias, compostos ou produtos que possam penetrar no organismo pelas vias respiratórias, absorção da pele ou ingestão. Exemplos: poeira e gases. Biológicos São microrganismos por meio dos quais o trabalhador, ao obter contato, pode adquirir doenças. Exemplos: bactérias, fungos, bacilos, parasitas, protozoários, vírus, entre outros. Ergonômicos São decorrentes da organização e gestão do trabalho. Exemplos: esforço físico, postura inadequada, controle rígido de produtividade, jornada de trabalho prolongada, monotonia e repetitividade de movimentos, falhas no treinamento e supervisão dos trabalhadores, entre outros. Higiene do trabalho Higiene ocupacional: conceitos básicos Capítulo 2 Fator/Agente Descrição Agente de risco Agente necessário para provocar riscos à saúde, à segurança e ao meio ambiente. Agente tóxico Qualquer substância química que pode causar dano a um organismo vivo, como resultado de interação físico- química. Análise de riscoExame detalhado para compreender a natureza de consequências indispensáveis para a vida e saúde humana, a propriedade e o meio ambiente. Avaliação Ato ou situação de determinar a importância, a magnitude de valor de algo. Avaliação da estimativa da exposição Processo que mede ou estima a intensidade, duração e frequência da exposição humana a um agente estressor. Avaliação de risco Processo global de estimar a magnitude do risco e decidir se o risco é tolerável, aceitável ou não. Concentração ambiental Estimativa de quantidade de uma substância em um meio ambiente específico. Dano a saúde Alteração do estado de saúde que resulte em doença, ou alteração do processo de crescimento e desenvolvimento, ou até morte. alguns termos e palavras que são de uso da área. No tópico a seguir apresentamos algumas dessas palavras ou termos. Termos de uso da higiene ocupacional Para finalizar sua base inicial de conhecimento, destacamos no Quadro 5 algumas palavras e termos comumente usados pelos profissionais que atuam na área. Higiene do trabalho Higiene ocupacional: conceitos básicos Capítulo 2 Doença profissional Doença produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar a determinada atividade. Doença do trabalho Doença adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que o trabalho é realizado. Dose Quantidade de um agente de risco que entra em contato com o organismo Estimativa Determinação por cálculo ou avaliação valor fundado em probabilidade. Exposição Situação ou condição de uma ou mais pessoas que podem estar sujeitas à interação com agentes ou fatores de riscos. Gerenciamento de risco Processo de selecionar e implementar medidas para a alterar a magnitude do risco. Monitorização Vigilância periódica ou contínua, ou ainda a realização de testes para determinar as características de fatores de risco, os níveis de contaminação ou exposição, ou a condição de saúde de pessoas, animais, ou outros seres vivos. Risco ocupacional Possibilidade de uma pessoa sofrer determinado dano para a sua saúde em virtude das condições de trabalho. Toxidade Propriedade de qualquer substância que pode ocasionar danos a um organismo vivo. QUADRO 5 Termos utilizados na área de higiene ocupacional FONTE Adaptado de Fundacentro (2004, p. 59-63). Higiene do trabalho Higiene ocupacional: conceitos básicos Capítulo 2 Resumindo E agora? Você já se sente capaz de discernir sobre os conceitos relacionados à definição da higiene ocupacional? Para garantir, vamos resumir o que aprendemos aqui. Vimos inicialmente nesse capítulo que diversos autores e pesquisadores da área apresentam uma definição de higiene ocupacional, contudo essas definições são homogêneas, ou seja, não diferem muito umas das outras. Nesse sentido, identificamos que uma definição de higiene ocupacional sempre remete aos seguintes elementos: campo científico, local ou ambiente de trabalho, fatores de risco ou estresse ambiental, e saúde do trabalhador. Concluímos que a higiene ocupacional, ou do trabalho, é apenas um dos campos de estudos da saúde ocupacional e que se difere da medicina do trabalho e segurança do trabalho (demais campos que compõem uma abordagem multiprofissional da saúde ocupacional) por ter seu foco voltado para conforto e eficiência do trabalho, buscando um ambiente adequado a manutenção e saúde do trabalhador. Por fim, vimos que a saúde do trabalhador está ligada à sua exposição ao risco, que é igual à probabilidade x consequência, e que higiene ocupacional, no contexto do ambiente de trabalho, identifica, monitora e controla a exposição do trabalhador aos fatores e agentes de riscos físicos, químicos, biológicos e ergonômicos. @faculdadelibano_ 3 O profissional da área de higiene ocupacional Higiene do trabalho Capítulo 3 O profissional da área de higiene ocupacional Objetivos Ao término deste capítulo você será capaz de definir as atribuições e características de um profissional atuante na área de higiene ocupacional. Saber quais são as características e atribuições de um profissional da área de higiene ocupacional ajudará você a identificar quais dessas características é preciso desenvolver para atuar na área ou selecionar pessoas adequadas para desempenhar esse papel. E então? Pronto para desenvolver esta habilidade? Vamos lá. Avante! Diferenciando o profissional de higiene ocupacional Vimos que a higiene ocupacional é a área da ciência que reconhece, avalia e controla os riscos originados dos ambientes profissionais e capazes de provocar alterações na saúde dos trabalhadores, tendo como objetivo colaborar com a promoção e conservação da saúde dos operários por meio de condições adequadas no ambiente de serviço (ROSSETE, 2014). É com base nessa definição que diferenciaremos o profissional de higiene ocupacional dos demais profissionais que atuam com a saúde ocupacional. Nota A higiene ocupacional, ou do trabalho, é apenas um dos campos de estudo da saúde ocupacional. Nesse sentido, ela se difere da medicina do traba- lho e segurança do trabalho, que são os demais campos que compõem uma abordagem multipro-fissional da saúde ocupacional. Higiene do trabalho O profissional da área de higiene ocupacional Capítulo 3 Já que você tem clara a definição de higiene ocupacional, antes de fazermos uma diferenciação entre os profissionais da área, primeiro vamos definir a medicina do trabalho e a segurança do trabalho, uma vez que são os demais campos que compõem uma abordagem multifuncional da saúde ocupacional. A medicina do trabalho tem como foco a saúde física e mental dos trabalhadores, por meio da vigilância da saúde para o aumento da produtividade. A medicina do trabalho preocupa-se com a saúde física e mental do trabalhador, tendo em vista a vigilância à saúde dos profissionais perante os riscos que estão expostos. Isso pode contribuir para o aumento da produtividade e disponibilidade da mão de obra, devido à redução de afastamentos para tratamento dos casos de doenças e acidentes relacionados ao trabalho. (ROSSETE, 2014, p. 8). Já a segurança no trabalho tem como foco medidas técnicas, médicas e profissionais para cuidado do trabalhador, visando à prevenção de acidentes. A respeito da segurança do trabalho, Peixoto, Hofstadler e Silveira (2012) destacam: Podemos definir Segurança do Trabalho como uma série de medidas técnicas, administrativas, médicas e, sobretudo, educacionais e comportamentais, empregadas a fim de prevenir acidentes, e eliminar condições e procedimentos inseguros no ambiente de trabalho. A segurança do trabalho destaca também a importância dos meios de prevenção estabelecidos para proteger a integridade e a capacidade de trabalho do colaborador. Para a execução dessas medidas, não bastam apenas ações dos profissionais ligados à área (SESMT e CIPA), mas é necessária a participação de todos os envolvidos, ou seja, desde a direção da empresa até os trabalhadores de chão de fábrica, pois o sucesso das ações vai depender de uma adequada política de segurança do trabalho, na qual todos têm suas responsabilidades. (PEIXOTO; HOFSTADLER; SILVEIRA (2012, p. 28-29) Higiene do trabalho O profissional da área de higiene ocupacional Capítulo 3 Você Sabia? Você sabia que organizações com mais de 50 funcionários têm a obrigatoriedade de possuir um órgão responsável pela prevenção de acidentes? Esse órgão é a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e Assédio decorrentes do trabalho (CIPA). É importante destacarmos que a medicina do trabalho, a higiene ocupacional e a segurança no trabalho, quando aplicadas dentro das organizações, apresentam vários benefícios, entre os quais: a redução de despesas com pagamento de sanções por descumprimento de lei do trabalho, redução da frequência de acidentes de trabalho, prevenção de doenças, redução de morbidade e mortalidade, entre outros benefícios. É importante diferenciar bem medicina do trabalho, higiene ocupacional esegurança do trabalho, porque cada um desses campos tem em sua atuação profissionais especializados, conforme mostram as Figuras 3, 4 e 5. Importante É importante que você saiba a diferença entre morbidade e mortalidade. Morbidade refere- se à relação entre trabalhadores doentes e não doentes expostos às mesmas condições e mesmo ambiente de trabalho. Já mortalidade remete à relação de mortos comparada com a população de trabalhadores expostos às mesmas condições. Higiene do trabalho O profissional da área de higiene ocupacional Capítulo 3 FIGURA 3 Profissionais da saúde ocupacional – Médico do trabalho FONTE Freepik FIGURA 4 Profissionais da saúde ocupacional – Higienista ocupacional FONTE Pixabay FIGURA 5 Profissionais da saúde ocupacional – Engenheiro do trabalho ou Técnico de segurança do trabalho FONTE Pixabay Higiene do trabalho O profissional da área de higiene ocupacional Capítulo 3 Assim, o profissional da medicina do trabalho é o médico do trabalho, com formação superior em medicina e que desempenha o trabalho de avaliar trabalhadores a fim de identificar possíveis complicações de saúde oriundas do trabalho. É, também, o profissional responsável pela emissão de Atestados de Saúde Ocupacional (ASO). A respeito do campo de atuação desse profissional, Lucca e Campos (2011) esclarecem que: O mercado de trabalho deste profissional é amplo, possibilitando as mais variadas inser- ções, como médicos assistentes, coordena- dores, consultores, peritos ou auditores, com atuação em serviços médicos de empresas públicas ou privadas, sindicatos, Ministérios do Trabalho e Emprego e da Saúde, Previdên- cia Social, Ministério Público, dentre outras. (LUCCA; CAMPOS, 2011, p. 1) Já o profissional da segurança do trabalho é denomina- do engenheiro do trabalho ou técnico de segurança do trabalho, de acordo com sua formação a nível superior ou técnico. Cabe a ele prever riscos de atividades de trabalho, proteger o trabalha- dor em suas unidades laborais e elaborar documentos técnicos. São exemplos de relatórios técnicos sob responsabilidade desse profissional o Programa de Condições e Meio de Trabalho na Indústria e da Construção (PCMAT) e o Programa de prevenção de riscos ambientais. O engenheiro do trabalho, em muitos casos, também desempenha o papel do higienista ocupacional. Por fim, temos o profissional da higiene ocupacional, o denominado higienista ocupacional, que é o foco de nossos estudos. O higienista ou técnico ocupacional O higienista ocupacional, e/ou técnico de higiene ocupacional, é o profissional que trabalha com higiene ocupacional, habilitado para identificar problemas e riscos ocupacionais, propondo soluções. O higienista ocupacional tem entre suas funções a gestão de riscos, desenvolver as etapas do processo. Então, basicamente o trabalho do higienista ocupacional, ou técnico de higiene ocupacional, consiste em avaliar e gerenciar riscos ocupacionais no seu campo de atuação. Destacamos que o campo de atuação do higienista ocupacional é o ambiente de trabalho. Higiene do trabalho O profissional da área de higiene ocupacional Capítulo 3 O processo de avaliação de risco é composto por duas fases a análise de risco e a análise de opções, enquanto no gerenciamento de riscos temos quatro: tomada de decisão, implementação, monitoração e avaliação, e gerenciamento de riscos. O Quadro 6 apresenta de forma objetiva o papel/atribuição do higienista, ou técnico ocupacional, em cada uma das fases do processo de avaliação e gerenciamento de riscos. Nota Lembre-se de que ambiente de trabalho é o lo- cal no qual os indivíduos desenvolvem atividades de labor e envolve tudo ao que esse indivíduo é exposto e interage ao desempenhar atividades relacionadas ao seu trabalho. Nesse sentido, os higienistas ocupacionais atuam em fábricas, organizações etc. Fase Papel / Atribuição Identificação dos fatores e risco -Reconhecer e identificar fontes ou situações com potencial provocador de danos ou consequências indesejáveis à saúde humana. -Estabelecer relação causal entre fator/dano consequência. Estimativa de risco -Determinar e produzir por cálculo ou avaliação medidas quantitativas de risco. Análise de opções de gerenciamento -Comparar os riscos e benefícios das opções. - Analisar o problema dos pontos de vista individual e social. - Identificar a viabilidade das opções e seus impactos econômicos e ambientais. - Averiguar as implicações sociais, políticas e culturais de cada opção. Implementação - Conduzir o processo de implementação do plano, programa ou projeto de execução. Higiene do trabalho O profissional da área de higiene ocupacional Capítulo 3 QUADRO 6 Papel/atribuição do profissional de higiene do trabalho no processo de avaliação e gerenciamento de riscos FONTE Adaptado de Fundacentro (2004, p. 53-55). Monitoração e avaliação - Acompanhar e avaliar periodicamente como as medidas do plano, programa ou projeto, e execução estão sendo implantadas e se os padrões estabelecidos estão sendo executados. Revisão - Analisar os resultados da monitorização e avaliação. - Identificar necessidades de retomada do processo. Agora vamos refletir um pouco: diante das atribuições profissionais, qual é o perfil adequado de formação de um higienista, ou técnico de higiene do trabalho? Esse profissional deve ter formação superior ou técnica em qualquer uma dessas áreas: Engenharia, Física, Química, Biologia, Higiene ocupacional, Segurança do trabalho ou áreas afins. Os cursos de formação específica e em higiene ocupacional abrangem em seu currículo conhecimentos em matemática, física, química, biologia, anatomia e fisiologia (requisitos básicos); toxicologia, fisiologia do trabalho, doenças ocupacionais, estatística e epidemiologia, ergonomia, fatores psicoemocionais, segurança e saúde pública (requisitos de suporte); e aspectos fundamentais da higiene ocupacional (reconhecimento de riscos, tecnologia de controle ambiental e pessoal; ventilação industrial etc.) (FUNDACENTRO, 2014). Interdisciplinaridade e ética na atuação do profissional de higiene ocupacional Como vimos no tópico anterior, o currículo básico de um curso a nível superior ou técnico que tem por objetivo formar profissionais para atuarem em higiene ocupacional é composto por diferentes áreas do conhecimento (disciplina), porque a higiene ocupacional é um campo de atuação de conhecimento interdisciplinar. O que isso significa? Isso quer dizer que a prática de higiene ocupacional depende da sua interação com profissio- nais de diversas áreas do conhecimento. Higiene do trabalho O profissional da área de higiene ocupacional Capítulo 3 Na prática, o profissional de higiene ocupacional atua nas empresas com o objetivo de proteger o trabalhador dos riscos existentes e previstos no ambiente de trabalho. Nesse contexto, ele atua em conjunto com médicos de trabalho, gestores e engenheiros de produção. Vejamos o seguinte exemplo: O médico do trabalho ao encontrar o trabalhador doente, poderá optar por tratar e curar o trabalhador devolvendo-o para o ambiente nocivo à saúde, tornar a encontra-lo depois de algum tempo com o mesmo problema, ou afastá-lo definitivamente do ambiente nocivo para poupá-lo da doença, mais isso acarretará em desviá-lo de sua profissão ou de seu meio de subsistência. Atuando em conjunto, porém, os profissionais de medicina, higiene ocupacional e outros que sejam necessários nesse processo poderão agir na correção do ambiente, eliminando ou minimizando a ocorrência das doenças. (FUNDACENTRO, 2004, p. 74) Vejamos outro exemplo. Um engenheiro de produção projetou o layout de disposição das máquinas de uma linha de produção. Após a inauguração dessa linha de produção, muitos funcionários apresentaram dores na lombar. Fazendo uma análise, o higienista ocupacional dessa indústria descobriu que o layout não considerava princípios básicos de ergonomia, sendo esse o motivo das dores presentesnos operários dessa linha. Nesse exemplo, o engenheiro e o higienista ocupacional trabalharam de forma isolada. Consideremos agora que esses dois profissionais atuaram juntos na concepção do projeto da nova linha de produção. Esse trabalho interdisciplinar evitaria o problema de saúde causado nos operários, uma Saiba Mais Para compreender mais sobre a interdisciplinaridade no campo da saúde do trabalhador, clique aqui e leia o artigo escrito por Consolino et al., que identificam em bases científicas as produções acadêmicas que relacionam interdisciplinaridade, saú- de e trabalho. Higiene do trabalho O profissional da área de higiene ocupacional Capítulo 3 vez que os conhecimentos de ergonomia de posse do higienista ambiental preveniriam o ocorrido na fase de concepção do projeto. Outro profissional indispensável nesse contexto do trabalho interdisciplinar é o profissional na área de educação. O técnico, ou higienista ocupacional, pode identificar as necessidades de mudança nos hábitos dos trabalhadores a fim de garantir a preservação da saúde deles e traçar planos de ação, mas educar o funcionário para que ele cumpra o proposto só é possível com maior eficiência e parceria de um profissional de educação. Um exemplo de trabalho interdisciplinar realizado pelo profissional de higiene com um profissional de higiene é a construção de uma cartilha informativa sobre riscos ocupacionais. O profissional de educação, nesse caso, saberia com qual linguagem didática abordar os assuntos pontuados pelo profissional de higiene. Entendeu a importância da interdisciplinaridade na higiene ocupacional? O trabalho interdisciplinar gera melhores resultados e decisões mais corretas do que o trabalho isolado dos profissionais envolvidos no processo. Além da interdisciplinaridade, outro aspecto que merece atenção são as questões éticas. Agir com ética, entre outros aspectos, é cumprir os direitos e deveres a profissão. O Quadro 7 destaca alguns direitos e deveres de um profissional de higiene ocupacional e algumas atitudes éticas atribuídas a esse profissional como reflexo do conhecimento de seus direitos e deveres. Higiene do trabalho O profissional da área de higiene ocupacional Capítulo 3 QUADRO 7 Direitos e deveres de um profissional de higiene ocupacional e algumas atitudes éticas FONTE Adaptado de Fundacentro (2004, p. 75-77). Deveres e obrigações Atitudes éticas Aperfeiçoamento profissional Manter o trabalhador informado Porvidenciar adoção imediata de medidas de controle necessárias. Estabelecer, propor, interpretar e sugerir melhorias de politicas de prevenção e controle. Não ocultar informações relacionadas com riscos à saude dos trabalhadores e da comunidade. Estabelecer, propor, interpretar e sugerir melhorias de politicas de prevenção e controle. Estabelecer e manter comunicação clara entre as partes envolvidas nas decisões de higiene ocupacional. Estabelecer e manter comunicação clara entre as partes envolvidas nas decisões de higiene ocupacional. Agir com profissionalismo observando regras de sigilo em relação ao empre- gador e trabalhador. Tratar de modo imparcial todos os trabalhadores. Diante do exposto no Quadro 7, o desafio em higiene ocupacional é garantir a atuação do profissional de acordo com os princípios éticos. Para tanto, ao se encontrar em situações que o conduza a um dilema de ética, aconselha-se que o profissional de higiene recorra às políticas e aos códigos de conduta profissional, bem como às leis regulamentadoras da saúde ocupacional, pois assim ele pode sanar suas dúvidas e respaldar sua postura ética em caso de julgamento de terceiros. Higiene do trabalho O profissional da área de higiene ocupacional Capítulo 3 Resumindo Gostou de entender a formação e atuação do profissional da área de higiene ocupacional? Para garantirmos que você seja capaz de definir as atribuições e características de um profissional atuante na área de higiene ocupacional, vamos resumir o que estudamos. Primeiramente vimos que o profissional de higiene ocupacional se difere em foco e nomenclatura dos profissionais de medicina do trabalho e segurança do trabalho. Aprendemos que o profissional da medicina do trabalho é o médico do trabalho; o profissional de segurança do trabalho é denominado engenheiro ou técnico de segurança do trabalho; e o profissional de higiene do trabalho é chamado de higienista ocupacional ou técnico de higiene ocupacional. O higienista ocupacional e/ou técnico de higiene ocupacional trabalha com higiene ocupacional, habilitado para identificar problemas e riscos ocupacionais, propondo soluções. Assim, sua formação requer conhecimento de diversas áreas do conhecimento e sua atuação prática envolve trabalhar com profissionais de diversas áreas, de forma interdisciplinar. Por fim, destacamos que uma conduta ética desse profissional remete ao cumprimento de suas atribuições e deveres, bem como o conhecimento e uso de políticas e códigos de conduta profissional, e leis regulamentadoras da saúde ocupacional. @faculdadelibano_ 4 Legislação em higiene ocupacional Higiene do trabalho Capítulo 4 Legislação em higiene ocupacional Objetivos Ao término deste capítulo você será capaz de reconhecer as implicações legais relacionadas à prática dos preceitos da higiene ocupacional. Conhecer os aspectos legais relacionados à higiene ocupacional irá direcioná-lo em sua prática profissional a definir ações de higiene ocupacional em conformidade com essas leis. E então? Pronto para desenvolver esta habilidade? Vamos lá. Avante! Marcos históricos legais relacionados à higiene ocupacional no Brasil Você percebeu que a higiene ocupacional evoluiu como ciência e que suas raízes remetem a leis voltadas à proteção do trabalhador. Agora, vamos resgatar os acontecimentos históricos que conduziram o desenvolvimento de leis voltadas à higiene ocupacional no Brasil. No contexto brasileiro, a primeira coisa que devemos ter em mente é que a intervenção do Estado nas questões trabalhistas foi reflexo dos movimentos sociais organizados pela classe trabalhadora. Em decorrência desses movimentos, tem iní- cio a intervenção do Estado, com a fixação das relações de trabalho por meio de legislação específica. É aprovada, então a primeira Lei sobre Acidentes (Decreto-legislativo no3.754 de 15/01/1919), [...] esta lei tinha como fundamento jurídico a teoria do risco profissional, e a necessidade policial em todas as ocorrências de acidentes de trabalho. (FUNDACEN- TRO, 2004, p. 23) Higiene do trabalho Legislação em higiene ocupacional Capítulo 4 Como resultado da aplicação da Lei sobre Acidentes, o Brasil, no século XX, teve sua legislação direcionada para os infortúnios ou riscos industriais, de modo que no contexto jurídico-institucional pode-se identificar, na primeira metade do século XX, alguns fatos relacionados à higiene ocupacional. O Quadro 8 apresenta esses fatos em ordem cronológica. QUADRO 8 Fatos marcantes da legislação relacionada à higiene ocupacional no Brasil FONTE Adaptado de Fundacentro (2004, p. 25). Ano Condição insegura 1923 Criação da Inspetoria de Higiene Industrial e Profissional, junto ao Departamento Nacional de Saúde, embrião do Ministério da Saúde, que se estabeleceu até 1930. 1934 Foi decretada, a segunda Lei de Acidentes do trabalho, sendo criada a Inspetoria de Higiene e Segurança do Trabalho, no âmbito do Departamento Nacional do Trabalho, do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio. Ministério do Trabalho nomeou os primeiros “inspetores-médicos” com o objetivo de procederem à inspeção higiênica nos locais de trabalho e estudos sobre acidentes e doenças profissionais. 1938 A Inspetoria transformou-se em Serviço de Higiene do Trabalho. 1942 O Serviço de Higiene do Trabalho transformou-se em Divisão de Higiene e Segurança do Trabalho. 1943 A legislação do trabalho, que se encontrava até então dispersa e redundante, foi analisada,agrupada e condensada na primeira Consolidação das Leis do Trabalho CLT, que incluía um capítulo sobre Higiene e Segurança do Trabalho. A legislação brasileira, baseada na Recomendação 112 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), foi expressa no Capítulo V da CLT. 1944 A legislação sobre acidentes do trabalho é reformulada, por meio de Decreto-Lei. 1950 O Ministério do Trabalho apoiou alguns trabalhos realizados pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) Higiene do trabalho Legislação em higiene ocupacional Capítulo 4 Importante Os fatos históricos da consolidação da higiene do trabalho remetem à legislação estabelecida pela CLT e conduziram a criação das normas que regulamentam a segurança do trabalho. Além dos fatos destacados no Quadro 8, é importante evidenciar que no mesmo período começaram a surgir instituições que se dedicavam a pesquisa, estudo e disseminação das questões relacionadas à higiene ocupacional, entre as quais podemos destacar: Escola de Higiene e Saúde Pública, Serviço Social da Indústria (SESI), Associação Brasileira para a Prevenção de Acidentes (ABPA), Serviço Social da Indústria, Confederação Nacional das Indústrias e Fundação Centro Nacional de Segurança, Higiene e Medicina do Trabalho (Fundacentro). Diante a sua atuação representativa no campo até hoje, entre essas instituições destacamos a Fundacentro. O Quadro 9 apresenta um breve his- tórico dessa fundação e aponta algumas das suas contribuições para o âmbito da higiene ocupacional. Criada oficialmente em 1966, a FUNDACENTRO teve os primeiros passos de sua história dados no início da década, quando a preocupação com os altos índices de acidentes e doenças do trabalho crescia no Governo e entre a sociedade. Já em 1960, o Governo brasileiro iniciou gestões com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), com a finalidade de promover estudos e avaliações do problema e apontar soluções que pudessem alterar esse quadro. A ideia de criar uma instituição voltada para o estudo e pesquisa das condições dos ambientes de trabalho, com a participação de todos os agentes sociais envolvidos na questão, começou a ganhar corpo. Proposta nesse sentido foi Higiene do trabalho Legislação em higiene ocupacional Capítulo 4 apresentada em março de 1964, durante o Congresso Americano de Medicina do Trabalho, realizado em São Paulo. Em 1965, após a visita ao País de especialistas da OIT, e de novos estudos sobre as condições necessárias para a implantação da iniciativa, o Governo Federal decidiu pela criação de um centro especializado, tendo a cidade de São Paulo como sede da nova instituição, em função do porte de seu parque industrial. Assim, em 1966, durante o Congresso Nacional de Prevenção de Acidentes, realizado em São Paulo, foi oficializada a criação da FUNDACENTRO, que teve sua primeira sede instalada no bairro de Perdizes. Datam dessa fase inicial da entidade os primeiros estudos e pesquisas no País sobre os efeitos de inseticidas organoclorados na saúde; da bissinose (doença ocupacional respiratória que atinge trabalhadores do setor de fiação, expostos a poeira de algodão e juta); sobre as consequências das vibrações e ruídos em trabalhadores que operam marteletes; sobre o teor da sílica nos ambientes de trabalho na indústria cerâmica e ainda sobre os riscos da exposição ocupacional ao chumbo. No decorrer de sua história, a FUNDACENTRO viria ainda afirmar sua vocação pioneira na área, com as pesquisas sobre as Doenças Osteomusculares Relacionadas ao Trabalho - DORT (à época chamada de lesões por Esforços Repetitivas - LER). Com a vinculação, em 1974, da FUNDACENTRO ao Ministério do Trabalho, cresceram as atribuições e atividades da instituição, exigindo um novo salto da entidade: a implantação do Centro Técnico Nacional, cuja construção teve início em 1981, sendo concluído em 1983, no bairro de Pinheiros, em São Paulo. Hoje, a FUNDACENTRO está presente em todo País, por meio de suas unidades descentralizadas, distribuídas em 11 Estados e no Distrito Federal. Atuando de acordo com os princípios do tripartimos, a Fundacentro tem no Conselho Curador sua instância máxima. Nele estão representados, além do governo, os trabalhadores e empresários, por meio de suas organizações de classe. Higiene do trabalho Legislação em higiene ocupacional Capítulo 4 O ineditismo e a importância de seus estudos deram à FUNDACENTRO a liderança na América Latina no campo da pesquisa na área de segurança e saúde no trabalho. A Fundacentro é designada como centro colaborador da Organização Mundial da Saúde (OMS), além de ser colaboradora da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Ainda no plano internacional, a FUNDACENTRO mantém intercâmbio com países das três Américas, da Europa, além do Japão e da Austrália. São ações que envolvem desde trabalhos na área de educação até o desenvolvimento de projetos de sistemas de gestão ambiental. Outras informações sobre a FUNDACENTRO: Missão: Produzir conhecimento aplicado para subsidiar políticas públicas que promovam o trabalho seguro, saudável e produtivo. Visão: Um futuro melhor pela ciência aplicada à prevenção. Valores: Integridade científica, profissionalismo, transparência, cooperação e inovação. Atuação: A Fundacentro dispõe de uma rede de laboratórios em segurança, higiene e saúde no trabalho, e de uma das mais completas bibliotecas especializadas, além de profissionais formados em várias áreas, muitos deles pós-graduados no Brasil e exterior, que atuam basicamente em duas frentes: • Desenvolvimento de pesquisas em segurança e saúde no trabalho. • Difusão de conhecimento, por meio de ações educativas, como cursos, congressos, seminários, palestras, produção de material didático e publicações periódicas cientificas e informativas. Para enfrentar os desafios, a Fundacentro vem promovendo continuamente a melhoria da estrutura organizacional e o realinhamento de suas ações, passando pela modernização de seus recursos técnico- científicos e culminando numa gama de projetos e atividades em sintonia com as necessidades atuais. QUADRO 9 O que é a FUNDACENTRO FONTE Adaptado de Fundacentro (2020, p. 27). Higiene do trabalho Legislação em higiene ocupacional Capítulo 4 Outro período que merece destaque é o período após o estabelecimento da Constituição de 1988, que foi marcado pelos seguintes fatos: • Ampliação das atribuições e responsabilidades dos estados e municípios em relação à área de saúde e segurança do trabalho. • Adoção do Programa Nacional de Qualidade e Produtividade, as conhecidas normas ISO. • Mudanças na legislação na área de saúde e segurança do trabalho. • Surgimento de novos programas no âmbito do Ministé- rio do Trabalho, como Programa de Riscos Ambientais (PPRA), Programa de Controle Médico em Saúde Ocupacional (PCMSO), entre outros. PPRA é focado mais estritamente na avaliação e controle de riscos ambientais, como ruído, calor, produtos químicos etc. Já o PGR abrange riscos ergonômicos, mecânicos, de acidentes e até psicossociais, oferecendo uma visão mais abrangente da segurança no ambiente de trabalho. Integração O PGR integra outros programas como o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) e considera informações fornecidas por inspeções de segurança, Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) e outros programas existentes na empresa, criando uma estratégia de gestão mais completa. Setores de Aplicação O PPRA é aplicável a todos os setores que exponham os trabalhadores a riscos ambientais. O PGR tem um foco mais direcionado para setores com atividades de risco elevado, Importante A PPRA não existe mais, pois houve uma alteração na NR 9 substituindo-a pelo PGR – Programa de Gerenciamento de Riscos. Higiene do trabalho Legislação em higiene ocupacional Capítulo 4 como mineração, construção civil e atividades que envolvam manuseio de inflamáveis. Vantagens da Substituição Amplitude de Ação: o PGR permite um acompanhamento