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UNIVERSIDADE MAURÍCIO DE NASSAU Curso de Enfermagem Disciplina: Parasitologia Maceió/AL - 2024 Amebíase Introdução Entamoeba histolytica é o agente causador da amebíase intestinal Importante problema de saúde pública que leva ao óbito anualmente cerca de 100.000 pessoas. Mesmo com a descoberta da Entamoeba dispar parasitando o homem, a Entamoeba histolytica continua sendo o agente etiológico da amebíase (sintomática ou assintomática). Calcula-se que no início do século XX, 12% da população mundial portava o parasita. Entamoeba histolytica / E. dispar Classificação 1. Entamoeba contendo cistos com 8 núcleos: E. coli (humanos); E. muris (roedores); E. gallinarum (aves domésticas) 2. Entamoeba de cistos com 4 núcleos: E. histolytica (humanos); E. dispar (humanos); E. ranarum (sapos e rãs); E. invadens (cobras e répteis); E. moshkoviskii (vida livre). 3. Entamoeba de cistos com 1 núcleo: E. polecki (porco, macaco e eventualmente humanos); E. suis (porco). 4. Entamoeba cujos cistos não são conhecidos: E. gingivalis (humanos e macacos). Morfologia Cisto São esféricos ou ovais Medindo de 8 a 20 µm Varia de 1 a 4 núcleos Bem visíveis após coloração com lugol Eliminados junto com as fezes Morfologia Metacisto Forma multinucleada Emerge do cisto no intestino delgado Sofre divisões originando trofozoítos Morfologia Trofozoíto Mede de 20 a 40 µm (pode chegar a 60 µm em lesões tissulares Habitam o intestino grosso (outros órgãos) Possuem (normalmente) 1 núcleo O trofozoíto apresenta-se pleomórfico, ativo, alongado, com emissão contínua de pseudópodes (grossos e hialinos) Citoplasma Ectoplasma Claro e hialino Endoplasma Granuloso, com vacúolos, núcleos e restos de substâncias alimentares Morfologia Pré-cisto Fase intermediária entre trofozoíto e cisto Oval e ligeiramente arredondado, menor que o trofozoíto Possui apenas 1 núcleo Semelhante ao trofozoíto Biologia Os trofozoítos da E. histolytica vivem no intestino grosso Podem penetrar na mucosa Produz ulcerações intestinais Migram para outros órgãos: fígado, pulmão, rim e, mais raramente, cérebro São anaeróbios Mas podem consumir oxigênio sendo hábeis para viver em ambientes com até 5% Sua locomoção acontece através dos pseudópodes Ingestão de alimentos através de fagocitose e pinocitose Multiplicação através de divisão binária Habita principalmente o intestino grosso (especialmente o colón), embora possa, excepcionalmente, alcançar outros órgãos, como o fígado, os pulmões e o sistema nervoso. Ciclo de vida Patogenia e Virulência Amebíase Infecção do homem causada por Entamoeba histolytica Com ou sem manifestação clínica A invasão amebiana é resultante da ruptura do equilíbrio parasito-hospedeiro em favor do parasito Fatores ligados ao hospedeiro Localização geográfica, sexo, idade, resposta imune, estado nutricional, dieta, alcoolismo, clima e hábitos sexuais. Patogenia e Virulência Amebíase Fatores ligados a onde o parasito vive Microbiota bacteriana, principalmente bactérias anaeróbias Escherichia coli, Salmonella, Shiguela, Enterobacter e Clostridium Colesterol, passagem sucessiva em diversos hospedeiros ou reinfecções sucessivas Invasão dos tecidos pelos parasitos Parece que a ameba tem dificuldade em penetrar regiões intactas da mucosa Regiões intragladulares Patogenia da amebíase A infecção por E. histolytica, quando sintomática, divide-se em intestinal e extraintestinal. A amebíase intestinal apresenta variados sintomas que podem ocorrer em níveis distintos, porém, de forma geral, divide-se entre as formas não disentérica e disentérica. A amebíase extraintestinal atinge especialmente o fígado, o pulmão e o cérebro, onde a E. histolytica multiplica-se e determina abscessos amebianos graves, a amebíase invasiva é rara no Brasil e caracterizada por dor intensa, febre, hepatomegalia e, por vezes, acompanhada de infecções secundárias por bactérias. Quadros de abscessos cutâneos são também relatados, tendo origem em abscessos hepáticos ou não. Manifestações da amebíase A amebíase pode ser totalmente assintomática ou provocar distúrbios intensos, como diarreia sanguinolenta, febre, dores abdominais, anemia e emagrecimento. As manifestações extraintestinais dependem da localização do parasita: tosse e expectoração, quando ele está alojado no pulmão; manifestações semelhantes a uma hepatite, quando há comprometimento do fígado; dor de cabeça, vômitos e convulsões, quando no sistema nervoso. Ciclo patogênico Condições não muito conhecidas Trofozoítos invadem submucosa intestinal Multiplicação ativa no interior das úlceras Através da circulação porta Atingem outros órgãos: Fígado pulmão, rim, cérebro ou pele Amebíase extraintestinal Trofozoíto denominado forma invasiva ou virulenta Transmissão Ingestão de cistos maduros Água sem tratamento Contaminada com dejetos humanos Ingestão de alimentos contaminados Verduras cruas, frutas Cistos veiculados por patas de insetos Manipuladores de alimentos Diagnóstico Clínico Na maioria dos casos podem ser facilmente confundidas com outras infecções Superposição de sintomas comuns a várias doenças intestinais Laboratorial Usualmente feito com fezes, soros e exsudatos1 Exame de fezes é o mais usado Identificar trofozoítos e/ou cistos Deve ser coletada sem urina, sem contaminantes, nem após contato com o solo, pois nele há amebas de vida livre. 1Produto seroso, purulento, composto de células, proteínas e outros materiais, que passa através das paredes de um vaso para os tecidos adjacentes, resultante de processo inflamatório ou infeccioso. Diferenciação morfológica entre as amebas Epidemiologia Mundo - 650 milhões de infectados, 10% apresentando formas invasoras Alterações intestinais e extraintestinais Brasil Prevalência Sul e Sudeste – 2,5 a 11%; Amazônia até 19%; demais regiões por volta de 10%. Não é observada a gravidade que se observa em outros países, como México. Predominância de colites não disentéricas e casos assintomáticos Epidemiologia Transmissão oral, via cistos nos alimentos ou água. Endêmica, porém não causa epidemias. Mais frequente nos adultos. Algumas profissões são mais atingidas Trabalhadores que entram em contato com esgoto, por exemplo. Coelhos, gatos, cães, porcos, e primatas são em tese, sensíveis à E. histolytica; porém os grandes “difusores” são os portadores humanos assintomáticos. Sob condições adequadas, cistos são viáveis até cerca de 20 dias. Profilaxia Engenharia e educação sanitária Detectar e tratar portadores assintomáticos Grandes disseminadores de cistos Exame frequente de manipuladores de alimentos Combate às moscas Domesticamente: Lavar verduras com solução (0,3 g/10 L) de permanganato de potássio ou três gotas de iodo por litro, por 15 minutos. Em seguida, lavar as verduras em água corrente Vacinas Experimentalmente apresentaram sucesso. Tratamento Amebicidas que atuam diretamente na luz intestinal Derivados de quinoleína Di-iodoidroxiquinoleína, iodocloroidroxiquinoleína, cloridroxiquinoleína Antibióticos Eritromicina e paramomicina Furoato de diloxamina, clorobetamida, clorofenoxamida, teclosan e etofamida Amebicidas de ação tissular Cloridrato de emetina, cloridrato de di-idroemetina e cloroquina (esta só atua no fígado) Tratamento Amebicidas que atuam tanto na luz intestinal quanto nos tecidos Antibióticos Tetraciclinas e derivados, eritromicina, espiramicina e paramomicina) Derivados imidazólicos (metronidazol, ornidazol, secnidazol e tinidazol) Dúvidas? Obrigada!