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🍼
Aleitamento materno 
Definições:
Aleitamento materno exclusivo: 
Apenas leite materno, independente se mama direto ao seio ou se recebe o leite ordenhado. 
Também pode receber medicações.
Aleitamento materno predominante: 
Leite materno e outros líquidos, como água ou chá. 
Mas NÃO recebe outros tipos de leite.
Aleitamento misto ou parcial: 
Leite materno e outros tipos de leites.
Aleitamento materno complementado: 
Leite materno e alimentação (entra em vigor após o início da introdução alimentar).
Orientações:
Deve ser exclusivo até os 6 meses de idade.
Deve ser em livre demanda → sem intervalo definido e sem duração de mamada definida.
Deve ser complementado (leite materno + alimentação) após os 6 meses até pelo menos 2 anos de vida.
Deve ser iniciado em sala de parto, ainda na 1ª hora de vida Golden Hour), trazendo benefícios como:
Favorecer o vínculo da mãe com o bebê.
Favorecer a descida mais rápida do leite.
Lactogênese:
Fases:
Fase I  2ª metade da gestação:
Aleitamento materno 1
Os dois hormônios principais nesta fase são o estrogênio e a progesterona, os quais são responsáveis 
pelo preparo da mama para a lactação.
A prolactina está inibida nessa fase, devido a progesterona elevada.
Fase II  primeiros dias após o parto:
Com a saída da placenta há uma queda da progesterona e aumento da prolactina.
Ocorre a apojadura (descida do leite), entre o 3º e 4º dia pós-parto.
Esse processo INDEPENDE DA SUCÇÃO.
Fase III  galactopoiese:
Fase de manutenção da lactação.
Depende de dois fatores: sucção e esvaziamento adequado da mama.
Hormônios envolvidos:
Características do leite materno:
Fases do leite materno:
Colostro:
Primeiros 3 a 5 dias.
Rico em fatores de proteção (imunoglobulinas  IgA  são proteínas).
Contém mais proteínas, eletrólitos, vitaminas (principalmente vitamina A e menos gorduras e 
carboidratos em relação ao leite maduro.
Função: sobretudo fornecer a proteção imunológica ao bebê.
Leite de transição:
Mudança do colostro até o leite maduro.
Leite maduro:
Após 1015 dias.
Mais gorduras, carboidratos e lactose em relação ao colostro.
Função: dar energia para o crescimento e desenvolvimento da criança.
Caracterização do leite anterior e do leite posterior:
O leite posterior teria maior presença de lipídios e de calorias, em relação ao leite anterior, e ele seria 
liberado somente ao final da mamada.
No entanto, atualmente essa definição NÃO é mais utilizada, pois durante toda a mamada é liberado tanto 
leite anterior quanto leite posterior.
Componentes principais:
Principal componente: 
Aleitamento materno 2
Água 90%.
Principal carboidrato: 
Lactose → leite humano tem mais lactose que o leite de vaca.
Principal proteína: 
Lactoalbumina → proteína do soro.
Mais facilmente digerida pelo bebê e com menor potencial alergênico quando comparada à caseína. 
O leite materno tem uma relação de proteínas do soro/caseína mais elevada em relação ao leite de 
vaca.
LCPUFA (ácidos graxos poli-insaturados de cadeia longa)  DHA, ARA 
Participam da mielinização do sistema nervoso, fazendo parte do desenvolvimento neurológico e 
retiniano.
Fatores de proteção:
IgA 
Principal imunoglobulina do leite materno → confere proteção das mucosas.
Oligossacarídeos: 
Impedem a ligação de bactérias na mucosa intestinal e modulam a microbiota intestinal.
Pré/probióticos: 
Modulam a microbiota intestinal → favorece a proliferação de bactérias boas e reduz a proliferação de 
bactérias com potenciais patogênicos.
Fator bífido: 
Estimula o crescimento de lactobacilos bífidos → leva a acidificação das fezes → dificulta a 
proliferação de bactérias patogênicas.
Lisozima, lactoferrina e leucócitos: 
Também são fatores de proteção.
Comparação entre o leite de vaca e o leite humano:
O leite de vaca é “excessivoˮ para um bebê humano:
Tem todos os componentes a mais em sua composição, se comparado ao leite humano, exceto 
lactose.
Eletrólitos em excesso no leite de vaca: 
Causam sobrecarga proteica e eletrolítica no RN humano, que tem TGI e rins imaturos.
Leite materno de mães de RN pré-termo (prematuro):
Possui mais proteínas, lipídios, calorias, fatores de proteção, eletrólitos e vitaminas.
Aleitamento materno 3
Mas possui menos lactose que o leite materno do RN termo → o RN pré-termo não possui uma boa 
maturação do TGI.
É mais adequado às demandas do bebê prematuro.
💡 OBS As vitaminas em pouca quantidade no leite humano são as mesmas que se faz reposição:
O bebê recebe suplementação de vit. K ainda na maternidade para evitar doença hemorrágica do 
RN.
Também recebe suplementação de Fe e vit. D nos primeiros 2 anos de vida.
💡 OBS Fórmula infantil:
 É feita de leite de vaca modificado com intuito de ser mais semelhante ao humano, mas ainda assim 
não se compara ao leite materno.
Benefícios da amamentação:
Para o bebê:
Composição nutricional adequada à demanda e à capacidade digestiva/renal.
Diminuição da mortalidade infantil → reduz a ocorrência de quadros diarreicos e de infecções 
respiratórias IgA.
Reduz processos alérgicos → ex: dermatite atópica.
Reduz a incidência de doenças crônicas na vida adulta → ex: sobrepeso, obesidade e DM2.
Melhora o desenvolvimento cognitivo e intelectual.
A sucção estimula o desenvolvimento adequado da cavidade oral.
Desenvolvimento adequado do vínculo da mãe com o bebê.
Para a mãe:
Vínculo mãe-bebê.
Reduz a incidência de hemorragia pós-parto.
Economia e praticidade → fórmulas tendem a ser bem caras e andar com mamadeira é menos prático.
Reduz a chance de câncer de mama, ovário, endométrio.
Pode promover o status de amenorreia lactacional, desde que em aleitamento materno exclusivo nos 
primeiros 6 meses.
Reduz a incidência de DM2 e depressão pós-parto.
Técnica de amamentação:
Posicionamento:
Rosto do bebê de frente para a mama → nariz do bebê de frente, em oposição ao mamilo.
Corpo do bebê próximo ao da mãe → “barriga com barriga .ˮ
Bebê com cabeça, pescoço e tronco alinhados.
Bebê bem apoiado.
OBS a mãe deve apresentar a mama ao bebê com a mão em formato de C.
Aleitamento materno 4
Pega: → forma com que a boca do bebê vai estar relacionada com a mama.
Bebê engloba toda a aréola, não só o mamilo → facilita a extração do leite e evita fissuras.
Aréola mais visível acima do que abaixo.
Boca bem aberta.
Lábio inferior evertido (pra fora).
Queixo toca a mama, enquanto o nariz está livre.
Sinais de técnica inadequada:
Bochecha encovada.
Ruídos/estalidos → quando abocanha a aréola deve haver uma vedação adequada, não emitindo nenhum 
ruído.
Mama esticada ou deformada → leite não sai e machuca a mama gerando fissuras.
Mamilo achatado após a amamentação.
Presença de dor e/ou fissuras → a mãe pode apresentar desconforto nos primeiros dias, mas não deve 
sentir dor e, com passar dos dias, deve haver melhora do desconforto.
💡 POSICIONAMENTO  PEGA
Essa técnica é a recomendação para o início da amamentação. 
Com o crescimento e desenvolvimento do bebê, a partir dos 69 meses, não precisamos interferir 
na técnica, desde que o bebê esteja ganhando peso e a mãe não tenha queixas.
Ordenha e armazenamento:
Aleitamento materno 5
Relevância: 
A maioria das mães precisa ordenhar, já que a maioria das licenças de maternidade no Brasil duram 4 
meses, enquanto que o amamentamento exclusivo exclusivo deve durar 6 meses.
Passos:
Higiene → colocar touca e máscara cirúrgica, lavar as mãos e lavar a mama somente com água.
Massagem da mama → para facilitar a ejeção do leite.
Realizar a ordenha → manual (em C ou com bomba.
Armazenar → em frasco de vidro (esterelizado/fervido) com tampa de plástico.
Tempo de duração do leite ordenhado: 
Até 12 horas na geladeira (meio dia) e 15 dias no congelador (meio mês).
Descongelar em banho-maria com fogo desligado.
Oferecer via copo ou colher dosadora → evitar mamadeira pois esta está associada a desmame precoce 
e confusão de bico.
Dificuldades na amamentação:
Trauma mamilar, fissura, dor:
Ocorre por técnica inadequada.Além de corrigir a técnica, a mãe deve:
Manter o mamilo seco → o ambiente úmido dificulta a cicatrização.
Iniciar amamentação pela mama menos afetada → a sucção desencadeia o reflexo de ejeção na 
mama contralateral (machucada), facilitando a amamentação.
Interromper a mamada adequadamente → colocar o dedo no canto da boca do bebê para 
interromper o vácuo.
Ordenhar um pouco antes da amamentação → a mama tensa dificulta a pega e sucção.
Amamentar em diferentes posições.
Não usar intermediários → ex: mamilos de silicone → estão associados a mais fissuras mamilares.
Analgesia materna via oral.
Aplicar o próprio leite materno para cicatrização → não aplicar outros produtos.
Ingurgitamento mamário:
Fisiológico: 
Logo após a apojadura → maior produção do que o consumo. 
Aleitamento materno 6
A mama pode ficar tensa e dolorosa.
Patológico: 
Quadro clínico: apresentações clínicas semelhantes ao fisiológico, porém exacerbadas → mamas 
quentes, pesadas, tensas e “empredradasˮ → provavelmente o bebê não está mamando 
adequadamente.
Tratamento: esvaziar adequadamente as mamas → mamadas frequentes, além de massagem e 
ordenha antes e, se necessário, após as mamadas, analgesia via oral, compressas frias entre as 
mamadas, sutiã firme.
Candidíase Mamária:
Apresentação: 
Dor, prurido, ardor/fisgadas, pele friável, descamação.
Tratamento: manter mamilo seco, exposição transitória à luz solar, retirar bichos (chupeta e 
intermediários), antifúngico tópico na mama e antifúngico tópico oral para o bebê.
Diagnóstico diferencial: Fenômeno de Raynaud mamário, no qual ocorre isquemia intermitente dos 
mamilos, causando palidez, dor intensa, fisgadas e queimação. O manejo deve ser feito com a 
correção da pega, amamentação em ambiente aquecido, uso de compressas mornas e evitando 
expor mamilos ao frio.
Mastite puerperal:
Inflamação que pode ou não estar relacionada a infecção bacteriana (principal agente: S. aureus). 
Pode ser uma evolução da ingurgitação / fissura mamária.
Quadro clínico: hiperemia, edema, calor local, normalmente em um só quadrante da mama,
associado a dor e febre.
Conduta: Manter aleitamento, esvaziar as mamas adequadamente (mamadas frequentes, se necessário 
ordenha), antibioticoterapia VO (cefalexina, amoxicilina + clavulanato), analgesia
Abscesso mamário:
Evolução da mastite
Quadro clínico: zona de flutuação, descarga purulenta, podendo ter sinais sistêmicos, inclusive sepse.
Investigação: Ultrassom
Conduta: drenagem, antibiótico EV, manter AM (se possível, nas 2 mamas), esvaziar as mamas.
Baixo ganho ponderal:
Fortalecer a mãe que não existe “leite fraco .ˮ
Lembrar da perda de peso fisiológica do RN, perdendo até 10% do peso ao nascer, recuperando em até 
1014 dias de vida.
Lembrar que no primeiro trimestre o bebê deve ganhar em torno de 2530g/dia e no segundo trimestre 
por volta de 20g/dia. Caso bebê fora dessa faixa, vamos:
Avaliar desidratação e alteração do exame físico.
Avaliar diurese e evacuações, deve ocorrer em torno de 58 diureses por dia após a descida do leite. 
Para a evacuação não temos uma medida específica, mas em média o bebê deve evacuar após cada 
mamada, após a saida de todo mecônio (até 5 dias de vida).
Avaliar técnica de amamentação.
Examinar a mama materna.
Conduta: orientar a técnica, manter o aleitamento e retorno precoce.
Aleitamento materno 7

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