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COMPREENDER A ABORDAGEM DE SINTOMAS 
DEPRESSIVOS E ANSIEDADE NA APS
Integração Ensino-Serviço-Comunidade - V 
Dr. Bruno César
–Abner Ferreira
“Ansiedade é excesso de futuro, depressão é excesso de passado 
e o estresse é excesso de presente.” 
TRANSTORNOS DE ANSIEDADE
• A ansiedade é caracterizada por um sentimento vago, difuso e 
desagradável de apreensão, que pode ser experimentado das mais 
diversas maneiras por cada indivíduo. 
• Está presente no desenvolvimento normal do serhumano, permitindo que 
a pessoa se prepare para situações adversas, como ameaças físicas, dor, 
ou situações deseparação ou perda.
TRANSTORNOS DE ANSIEDADE
• SINAIS E SINTOMAS FÍSICOS:
• Autonômicos: taquicardia, vasoconstrição, sudorese, aumento do peristaltismo, náusea, 
midríase, piloereção, vertigem.
• Musculares: dores, contraturas, tremor, tensão.
• Cinestésicos: parestesias, calafrios, ondas de calor.
• Respiratórios: sensação de sufocamento e asfixia.
• SINAIS E SINTOMAS PSÍQUICOS
• Nervosismo, apreensão, insegurança, dificuldade de concentração, sensação de estranheza, 
despersonalização (estranheza referida a si mesmo) e desrealização (sensação de irrealidade 
referida ao ambiente).
TRANSTORNOS DE ANSIEDADE
Algumas condições clínicas que podem cursar com sinais e sintomas de ansiedade. 
• Doenças neurológicas: tumores cerebrais, epilepsia, enxaqueca, doença cerebrovascular, síndrome pós- concussiva, 
esclerose múltipla, encefalite.
• Doenças endócrinas: disfunção tireoidiana, síndrome carcinoide, feocromocitoma, doença de Addison, síndrome de 
Cushing.
• Doenças pulmonares: asma, hiperventilação, embolia pulmonar, hipóxia, DPOC.
• Doenças cardiovasculares: angina, HAS, ICC, arritmias, IAM.
• Intoxicação por substâncias: cocaína, alucinógenos, cafeína, nicotina, anfetaminas, anticolinérgicos, corticosteroides.
• Abstinência a drogas: álcool, anti-hipertensivos, opioides, benzodiazepínicos.
• Outras condições: intoxicações por metais pesados, infecções sistêmicas, uremia, distúrbios hidroeletrolíticos,
• hipoglicemia, anemia.
TRANSTORNO DE PÂNICO E AGORAFOBIA
• O transtorno do pânico se caracteriza pela ocorrência espontânea, 
inesperada de ataques de pânico, de forma recorrente (GATILHOS). 
• Os ataques de pânico são ataques agudos e graves de ansiedade, de 
curta duração, e seus sintomas podem ser confundidos com outras 
condições clínicas. Por este motivo, os pacientes frequentemente 
procuram serviços de emergência clínica. 
• O transtorno do pânico costuma ser acompanhado por agorafobia, isto é, 
medo de estar sozinho em locais públicos – especialmente aqueles onde 
sair possa ser difícil ou o auxílio pode não estar disponível, caso 
sobrevenha um ataque de pânico.
TRANSTORNO DE PÂNICO E AGORAFOBIA
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS 
• O primeiro ataque de pânico, na maioria das vezes, ocorre de forma completamente espontânea. 
No entanto, pode ter início após exercício físico, trauma emocional, atividade sexual ou uso de 
substâncias, como cafeína, álcool e outras.
• Frequentemente, tem duração de aproximadamente 20 a 30 minutos, com rápida progressão 
dos sintomas, atingindo o máximo de sua intensidade em dez minutos. Raramente ultrapassam 
uma hora.
• Os sintomas psíquicos principais são: extremo medo e sensação de morte e catástrofe 
iminentes; medo de enlouquecer ou perder o controle; desrealização e despersonalização. 
• Os sintomas físicos incluem palpitações, sudorese, tremores, boca seca, calafrios ou sensações 
de calor, sensação de falta de ar ou de asfixia, dor ou desconforto torácico, náusea ou dor 
abdominal, tontura e parestesias.
TRANSTORNO DE PÂNICO E AGORAFOBIA
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
• Na emergência, condições médicas gerais, como IAM, doenças da 
tireoide e da paratireoide, arritmias, abuso de substâncias, devem ser 
excluídas, principalmente quando há sintomas atípicos ou início tardio. 
• É importante também fazer o diagnóstico diferencial com outros 
transtornos mentais – fobia social e fobias específicas.
TRANSTORNO DE PÂNICO E AGORAFOBIA
• O tratamento do ataque de pânico baseia-se no uso de antidepressivos, com atenção 
especial ao perfil de efeitos colaterais, visto que estes pacientes costumam ser mais 
sensíveis aos efeitos adversos. 
• Farmacoterapia com inibidores de recaptação de serotonina ou venlafaxina, em doses 
mais baixas do que as usadas nos transtornos depressivos. No entanto, tricíclicos 
também podem ser utilizados. 
• Os benzodiazepínicos de ação curta, como o alprazolam, apresentam uma resposta 
rápida e, por isso, podem ser usados em curto prazo com coadjuvantes na fase inicial 
do tratamento. 
• A duração do tratamento costuma ser de 8 a 12 meses após a melhora do quadro. 
Sempre que possível, é indicado orientar os pacientes a procurarem um tratamento 
psicoterápico.
Transtorno de Ansiedade Generalizada - TAG
• É provavelmente o transtorno de ansiedade mais comum entre as 
pessoas que procuram um serviço de Atenção Primária.
• Consiste em uma preocupação excessiva e abrangente, acompanhada 
por uma variedade de sintomas somáticos, que causa comprometimento 
significativo no funcionamento sócio-ocupacional, ou acentuado 
sofrimento.
• Não ocorre exclusivamente, nem mesmo de modo preferencial, em uma 
determinada situação, a ansiedade tem caráter “flutuante”.
Transtorno de Ansiedade Generalizada - TAG
EPIDEMIOLOGIA:
• A prevalência anual é de 3 a 8% na população geral;
• É mais frequente em mulheres (2:1), com início na segunda década de 
vida;
• Está relacionado a situações de vida de estresse constante 
(ESTRESSE);
• Apenas um terço dos pacientes procuram atendimento psiquiátrico.
Transtorno de Ansiedade Generalizada - TAG
ETIOLOGIA 
• Neurotransmissores serotoninérgicos e gabaérgicos parecem estar 
envolvidos. Estudos de neuroimagem indicam que o lobo occipital, assim 
como o sistema límbico e o córtex frontal, está relacionado ao transtorno. 
• Observa-se uma taxa de concordância entre gêmeos monozigóticos de 50%, 
e 25% entre parentes de primeiro grau. 
• Teorias psicossociais estariam associadas à hipótese de que os pacientes 
estejam respondendo incorretamente aos perigos que percebem, ou ainda, 
que os sintomas de ansiedade estão relacionados a conflitos inconscientes 
não solucionados.
Transtorno de Ansiedade Generalizada - TAG
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS 
• O quadro clínico é caracterizado por ansiedade generalizada e persistente, não 
restrita a uma situação ambiental ou objeto específico, acompanhada de queixas 
clínicas que envolvem três áreas principais:
• Tensão motora: tremor, abalos, tensão muscular, inquietação, fadiga fácil, 
dores;
• Hiperatividade autonômica: palpitações, sensação de asfixia, sudorese, 
mãos frias e úmidas, dificuldade de deglutir, sensação de nó na garganta;
• Vigilância: impaciência, sobressaltos, sensação de incapacidade, dificuldade 
de concentração, insônia, irritabilidade, lapsos de memória.
Transtorno de Ansiedade Generalizada - TAG
DIAGNÓSTICO (3 ou + sintomas por 6 meses) 
• Descartar causas orgânicas
• O diagnóstico baseia-se na presença de ansiedade ou preocupação excessiva sobre diferentes 
circunstâncias da vida, por pelo menos seis (SEIS) meses. 
• Há dificuldade em controlar essas preocupações e a ansiedade causa intensa aflição ou prejuízo 
significativo. 
• Três ou mais sintomas descritos acima devem estar presentes. 
• O diagnóstico diferencial deve ser feito com as condições clínicas que possam causar ansiedade, 
como: 
• intoxicação por cafeína ou abuso de estimulantes; abstinência de álcool e sedativos; transtorno do 
pânico, fobias, TOC, TAB
Transtorno de Ansiedade Generalizada - TAG
PROGNÓSTICO E TRATAMENTO 
• O curso tende a ser crônico e flutuante. Em casos leves, os pacientes podem ser 
encaminhados para psicoterapia, muitas vezes sem que seja necessária 
intervenção medicamentosa. 
• Orientações gerais como a prática de exercícios e redução do uso de cafeína e 
álcooltambém podem ser úteis.
• O tratamento medicamentoso é baseado no uso de antidepressivos ISRS (inicia-se 
com doses baixas e reavaliar tratamento após 14-21 dias.
• Mantém-se o tratamento por pelo menos 12 meses. Duração do tratamento pode 
ser longa, em alguns casos, por toda vida. 
TRANSTORNO OBSESSIVO-COMPULSIVO
• O TOC é caracterizado pela existência de pensamentos obsessivos e/ou 
comportamentos compulsivos. 
• Os pensamentos obsessivos são ideias, sentimentos ou imagens 
intrusivos, ou seja, que invadem o pensamento da pessoa de forma 
repetida e contra a sua vontade. 
• Estes trazem muita ansiedade e a realização dos atos compulsivos a 
diminui. 
• As compulsões são comportamentos repetitivos ou atos mentais 
estereotipados, que têm como objetivo aliviar os pensamentos obsessivos.
TRANSTORNO OBSESSIVO-COMPULSIVO
• O sintoma mais comum é a obsessão de contaminação, seguido pela 
compulsão de lavagem ou esquiva compulsiva de objetos supostamente 
contaminados. Pacientes com estes sintomas podem chegar a produzir 
lesões dermatológicas nas mãos pelas repetidas lavagens. 
• O segundo padrão mais comum é uma obsessão de dúvida, seguida por 
rituais de verificação, por exemplo, retornar diversas vezes para casa para 
verificar se a porta estava fechada. 
• O terceiro padrão mais comum é o de pensamentos intrusivos sem 
compulsões.
TRANSTORNO OBSESSIVO-COMPULSIVO
DIAGNÓSTICO 
• Os critérios diagnósticos são baseados na presença dos pensamentos 
obsessivos recorrentes, e que causem ansiedade significativa, ou 
sintomas compulsivos, executados na tentativa de neutralizar os sintomas 
obsessivos. 
• O paciente pode ter consciência de que as crenças do transtorno não são 
verdadeiras, ou seja, pode ter insight.
TRANSTORNO OBSESSIVO-COMPULSIVO
• TRATAMENTO 
• O tratamento medicamentoso é feito com antidepressivos emdoses 
elevadas (ISRS). Outros psicofármacos (risperidona) podem ser utilizados 
em associação aos antidepressivos. 
• A psicoterapia cognitivo-comportamental é muito utilizada e traz ganhos 
significativos ao curso do TOC.
TRANSTORNOS DE HUMOR 
DEPRESSÃO
• As síndromes depressivas têm como elemento central o humor entristecido. No 
entanto, outros sintomas podem estar presentes, com gravidade e frequência muito 
diversas.
• Sintomas afetivos: tristeza, melancolia, choro fácil e/ou frequente, apatia (indiferença 
afetiva), sentimento de falta de sentimento, incapacidade de sentir prazer, tédio e 
aborrecimento crônico, irritabilidade aumentada, angústia ou ansiedade, desespero.
• Alterações físicas: 
• fadiga, cansaço fácil e constante, distúrbios do sono (insônia terminal ou 
hipersonia), perda ou aumento do apetite/peso, constipação, indigestão, 
distúrbios sexuais (diminuição da libido, disfunção erétil), palidez; alterações na 
menstruação, cefaleia.
TRANSTORNOS DE HUMOR 
DEPRESSÃO
• Distúrbios do pensamento: ideação negativa, pessimismo, ideias de 
arrependimento e culpa, ideias de abandono e autopunição, ideias de 
morte, desejo de desaparecer; ideação, planos ou tentativas suicidas.
• Alterações da autovaloração: sentimento de baixa autoestima e desvalia, 
sentimento de vergonha, autodepreciação e autoacusação.
• Alterações da psicomotricidade e volição: aumento da latência entre as 
perguntas e as respostas, lentificação psicomotora, diminuição do 
discurso, redução do tom de voz, fala lentificada; mutismo (negativismo 
verbal), negativismo (recusa alimentar, recusa à interação pessoal), 
ausência de planos e perspectivas.
TRANSTORNOS DE HUMOR 
DEPRESSÃO
QUADRO CLÍNICO + DIAGNÓSTICO 
• O paciente deve por 14 ou mais dias E apresentar 5 ou + dos seguintes sintomas, sendo pelo menos um
• 01 - Humor deprimido 
• 02 - Perda do interesse/prazer 
• 3 - Alterações de peso ou apetite
• 4 - Insônia ou hipersônia
• 5 - Agitação ou retardo psicomotor 
• 6 - Fadiga 
• 7 - Sentimento de inutilidade ou culpa
• 8 - Diminuição da capacidade de pensar ou concetrar-se
• 9 - Pensamentos recorrentes sobre a morte morte, ideação de suicídio 
TRANSTORNOS DE HUMOR 
DEPRESSÃO
• A DEPRESSÃO PODE SER CLASSIFICADA COMO:
• LEVE: Não impede atividades diárias (PSICOTERAPIA ou ISRS)
• MODERADA: intermediária (PSICOTERAPIA e ISRS)
• GRAVE: muito prejuízo funcional (PSICOTERAPIA e ISRS)

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