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Ansiedade

Apostila sobre transtornos ansiosos: apresenta definição e critérios de ansiedade patológica, causas e manifestações físicas, síndromes e diferenciais; descreve transtorno de ansiedade generalizada (quadro, critérios, epidemiologia) e aborda tratamento não farmacológico, psicoterapêutico e ISRS.

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PSIQUIATRIA – JÚLIA COLOGNEZI 29 DE SETEMBRO DE 2023 
 
TRANSTORNOS ANSIOSOS 
A ansiedade é uma resposta natural em situações 
que envolve um fator desencadeante 
Diante dessa situação, temos fatores de 
adaptação para essa ansiedade 
 
O medo e a ansiedade atuam como uma 
sinalização de perigo, desencadeando uma 
resposta adequaada e bem adaptada 
 
CARACTERÍSTICAS DA ANSIEDADE PATOLÓGICA 
É patológica quando causa impacto na 
funcionalidade do indivíduo 
 Tem autonomia (ocorre sem fator 
desencadeante) 
 Intensidade desproporcional (causa um 
sofrimento muito intenso e baixa 
capacidade de tolerá-lo) 
 Duração persistente ou recorrente 
 Comportamento: mal adaptativo, com 
prejuízo global do funcionamento 
 
Causa de transtorno ansioso - hipóteses: 
 Vulnerabilidade genética 
 Temperamento inibido na infância 
(tendência a exibir medo e de evitar 
situações/eventos novos) 
 Influência ambiental (estressores, eventos 
traumáticos, uso de substâncias, condições 
clínicas associadas) 
 Disfunção do sistema noradrenérgico 
ascendente, do sistema de inibição septo-
hipocampal ou do sistema executivo do 
medo (amigdala, hipotálamo anterior e 
medial e susbtancia cinzenta 
periaquedutal)  uso abusivo de bebida 
alcóolica 
 
Manifestações físicas da ansiedade 
 Síncope 
 Taquicardia 
 Formigamento das extremidades 
 Tremores 
 Perturbação estomacal (“borboletas”) 
 Frequência, hesitação, urgência urinária 
 Diareia 
 Vertigem 
 Hiperhidrose 
 Reflexos aumentados 
 Palpitações 
 Dilatação da pupila 
 Inquietação 
 
Diagnóstico diferenciais 
- causam sintomas que simulam a ansiedade 
 
 
SÍNDROMES ANSIOSAS 
A síndrome ansiosa é um diagnóstico sindrômico e 
dentro dele há alguns diagnósticos nosológicos: 
 Sintomas ansiosos de causa orgânica 
 Transtorno de ansiedade generalizada 
 Crise de pânico 
 Transtorno de ansiedade social 
 Transtorno do pânico 
 Intoxicação por substâncias psicoativas 
 Abstinência de substância psicoativa 
 
TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA 
(TAG) 
Transtorno crônico que envolve ansiedade 
excessiva e preocupações sobre diversos eventos 
ou situações, na maioria dos dias, por pelo menos 
6 meses 
 
Quadro clínico 
 Dificuldade marcante em controlar as 
preocupações - antecipação de coisas 
futuras 
 Sensação constante de tensão muscular 
(dor cervical, região dorsal) 
 Queixas físicas mais comuns: tensão 
muscular, mãos úmidas e frias, boca seca, 
sudorese, náusea, diarreia, dores no corpo 
 Sintomas psicológicos: insônia, 
irritabilidade, dificuldade de concentração 
e problemas de memória 
PSIQUIATRIA – JÚLIA COLOGNEZI 29 DE SETEMBRO DE 2023 
 
Critérios diagnósticos (DSM-5) 
 
 
Perguntas de triagem 
 
 
Epidemiologia 
• Prevalência ao longo de 12 meses: 1-4% 
• Prevalência ao longo da vida: 6% 
• Prevalência na infância: 3% 
• Prevalência na adolescência: 10,8% 
• 3,7% da população (risco ao longo da vida – 
cidade de São Paulo)1 
• Causa comum de incapacitação no trabalho nos 
EUA2 
• Evolução: início aos 15 anos, recorrente, 
associado com depressão recorrente, pior 
evolução associado com outras comorbidades 
psiquiátricas (bipolar tipo II, dependência de 
drogas, fobia social)3 
• Associado a maior risco de tentativas de suicídio 
e ideação suicida 
• Quando associado a Transtorno Bipolar, aumenta 
o risco de não remissão (se tem depressão, risco 
de suicídio E ANSIEDADE, é mais grave do que um 
paciente com depressão e risco de suicídio) 
 
Abordagem terapêutica 
 Mudança no estilo de vida 
 Psicoeducação 
 Atividade física aeróbica regular 
 Diminuição de fontes de estresse 
 Reavaliação da carga de trabalho 
 Relaxamento 
Mindfulnessbrasil.com 
 Tratamento psicológico 
 Tratamento farmacológico 
 
Tratamento farmacológico 
Anti-depressivo não causa dependência, mas pode 
causar uma síndrome de descontinuação 
serotoninérgica (quando para o remédio 
abruptamente causa efeito colateral or mudança 
na quantidade de droga que inibe a receptação de 
serotonina) 
 
ISRS 
Primeira escolha 
Uso contínuo por 12 meses a partir do momento 
que o paciente entra em remissão do quadro e 
retira aos poucos 
Começa com dose mínima (risco de ficarem mais 
ansiosos ao começar o medicamento) 
Escolhemos um ou outro de acordo com o 
mecanismo de ação – são todos a mesma classe 
farmacológica, mas são diferentes em relação ao 
mecanismo de ação de serotonina – um pode ser 
mais potente em um determinado receptor da 
serotonina e outro ao contrário 
Escitalopram e paroxetina: maior poder 
ansiolítuco 
Fluoxetina: maior meia vida 
Paroxetina: maior efeito ansiolótico mas a que 
mais aumenta o apetite 
Paroxetina e fluvoxamina: maior efeito anti-
obsessivo 
Sertralina e escitalopram: menos interação 
medicamentosa 
 
 
Antidepressivos duais 
Inibidores seletivos de receptação de serotonina e 
noradrenalia – não são as primeiras drogas mas 
são drogas com bom potencial terapêutico
 
E desvenlafaxina 
 
 
 
PSIQUIATRIA – JÚLIA COLOGNEZI 29 DE SETEMBRO DE 2023 
 
Antidepressivos tricíclicos 
Não são primeira escolha pois dão muito efeito 
colateral 
 
 
Remédio, droga, classe que pertence e pra que 
serve 
 
Outras 
 
Pregabalina: anticonvulsivante modulador do 
canal de cálcio análogo ao GABA; melhora insônia 
(estimula o sono) e tem potencial baixo de 
produzir aumento de apetite 
Buspirona: efeito serotoninergico mas não tem 
efeito anti-depressivo (receptor 5HP1A do 
neurônio pré sináptico) 
 
Benzodiazepínico 
MUITA cautela com uso de benzodiazepínicos 
Não são eficazes em longo prazo. Usado em crise 
de ansiedade e não em uso crônico 
Costumas causar sonolência, retardo psicomotor, 
tolerância e dependência, Além de do risco de 
abstinência em caso de suspensão abrupta. 
Portanto: clonazepam, alprazolam, lorazepam, 
diazepam, bromazepam, cloxazolam e outras 
drogas da classe dos benzodiazepínicos não 
devem ser usados, a princípio, no tratamento de 
longo prazo dos transtornos ansiosos. 
 
CRISE DE PÂNICO 
 Muito frequente 
 1/3 da população geral apresenta ao 
menos uma crise de pânico ao longo de 
vida – e isso não implica em tratamento 
 É uma crise súbita de intensos sintomas 
ansiosos motivados por descarga 
adrenérgica que atingem um pico em até 
10 minutos e tem duração limitada (por 
volta de 20 a 60 min) 
 Podem ocorrer em qualquer transtorno 
psiquiátrico e mesmo na ausência de 
doenças psiquiátricas 
 
Sintomas 
• Sintomas adrenérgicos como palpitações, 
taquicardia, sudorese, tremores ou abalos, 
sensações de falta de ar ou sufocamento, 
sensações de asfixia, dor ou desconforto 
torácico 
• Náusea ou desconforto abdominal, 
sensação de tontura, instabilidade, 
vertigem ou desmaio 
• Calafrios ou ondas de calor 
• Parestesias 
• Desrealização (sensações de irrealidade) 
ou despersonalização (sensação de estar 
distanciado de si mesmo) 
• Medo de perder o controle ou 
“enlouquecer”, medo de morrer 
 
TRANSTORNO DO PÂNICO 
• Ocorrência de ataques de pânico 
recorrentes e inesperados e que sejam 
seguidos de pelo menos 1 dos seguintes 
sintomas: 
• Preocupação persistente sobre a 
possibilidade de ter novos ataques 
• Preocupação sobre as implicações ou 
consequências dos ataques 
• Mudança comportamental significativa 
Não consegue mais sair de casa, 
dirigir... 
 
Pode ser acompanhado de agorafobia = medo de 
ter sintomas em lugares em que a saída pode ser 
difícil, embaraçosa ou que não haja ajuda 
disponível 
 
Avaliação inicial do paciente 
• Investigação de etiologia orgânica é 
fundamental quando o quadro não é 
crônico 
• Medicamentos atualmente em uso 
(corticoide) 
• Uso de álcool, drogas ilícitas ou ingestão 
de cafeína 
PSIQUIATRIA – JÚLIA COLOGNEZI 29 DE SETEMBRO DE 2023 
 
• Avaliação laboratorial 
• Hemograma completo 
• Eletrólitos, glicemia de jejum, TSH 
• Enzimas hepáticas 
• Triglicérides e perfil lipídico 
 
Sd do Pânico é um termoerrado pois não é um 
diagnóstico sindrômico 
 
Perguntas de triagem para transtorno do pânico 
 
 
Epidemiologia 
• 4% a 8% da pop. geral na atenção básica 
• Europa: 1,8% da pop. geral ao logo de 12 meses 
 
Diagnóstico diferencial com doenças somáticas 
Condições médicas gerais deverão ser descartadas 
antes do diagnóstico de transtorno do pânico, 
pois seus sintomas podem mimetizar uma crise de 
pânico: 
• Angina e arritmia cardíaca 
• Doença pulmonar obstrutiva crônica, asma 
e tromboembolismo pulmonar 
• Epilepsia de lobo temporal 
• Hipertireoidismo e feocromocitoma 
• Efeitos adversos de medicamentos 
utilizados para outras doenças 
 
Abordagem terapêutica 
• Psicoeducação 
Explicação sobre os transtornos ansiosos 
diminuem a resistência do paciente em 
aceitar que seus sintomas são causados 
por um transtorno mental 
• Tratamento psicoterápico 
Terapia Cognitivo Comportamental e 
Mindfullness 
• Mudança de hábitos 
Diminuição do uso de estimulantes 
(sobretudo cafeína) e prática regular de 
atividade física aeróbica e outras (como 
meditação) 
• Tratamento farmacológico 
 
Tratamento farmacológico 
• Antidepressivos 
• Inibidores Seletivos da Recaptação da 
Serotonina (ISRS)1: paroxetina, 
escitalopram, citalopram, fluoxetina, 
fluvoxamina, sertralina  primeira 
linha 
• Inibidores da Recaptação da 
Serotonina e da Noradrenalina (IRSN): 
venlafaxina , duloxetina  em estudo 
• Antidepressivos tricíclicos (ADT): 
clomipramina, imipramina, amitripilina, 
nortriptilina, desipramina  segunda 
linha de tto por efeito colateral 
• Benzodiazepínicos: clonazepam, 
alprazolam, lorazepam 
• Tto no pânico é muito importante 
• Uso na crise de pânico e em curto e 
médio prazo (4-8 semanas) 
• Risco de dependência e tolerância 
• Ideal é clonazepam sublingual; em 
gotas ou 0,5mg em rede pública 
• Anticonvulsivantes: pregabalina, 
gabapentina 
 
Começa com ISRS e benzodiazepínico juntos 
Começar com ISRS com dose mínima 
 
Duração do tratamento farmacológico do TP 
• Não existem estudos que abordem 
sistematicamente a duração ideal do 
tratamento 
• Início: BZD + ISRS 
• Suspensão do benzodiazepínico após 8 
semanas do controle das crises de pânico 
• Antidepressivo deve ser mantido por pelo 
menos um ano após o controle dos 
sintomas 
 
TRANSTORNO DE ANSIEDADE SOCIAL 
(Fobia social) 
• Medo ou ansiedade acentuados acerca de 
uma ou mais situações sociais em que o 
indivíduo é exposto a possível avaliação 
por outras pessoa 
• Encontrar pessoas que não são familiares, 
comer ou falar em lugares públicos 
• Sente-se avaliado negativamente, 
constrangido, humilhado ou rejeitado, 
inadequado, fora do lugar 
• Evita as situações sociais ansiogênicas, 
limita o círculo de amizade 
PSIQUIATRIA – JÚLIA COLOGNEZI 29 DE SETEMBRO DE 2023 
 
• Sofrimento e prejuízos ao longo da vida 
• Mais vulnerável a desenvolver transtornos 
depressivos e uso de substâncias 
 
Abordagem terapêutica 
Associação entre psicoterapia e medicamentos é 
mais eficaz do que terapêutica isolada 
Medicamentos indicados: 
• ISRS 
• Benzodiazepínicos (cautela) 
• Venlafaxina (principal estratégia) – duais 
• Buspirona 
• Inibidores da monoaminoxidase (IMAO) 
 
TAS associado com situações de desempenho 
(ansiedade de performance) 
Ex: precisa fazer uma apresentação e não 
consegue falar em público 
• Pode ser usado antagonistas β-
adrenérgicos um pouco antes da exposição 
a um estímulo fóbico 
• Atenolol, 50 a 100 mg ou propranolol, 20 a 
40 mg administrados cerca de 1 hora antes 
do desempenho (beta bloqueador)  
melhora dos sintomas adrenérgicos sem 
sedação

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