Prévia do material em texto
1 Fundamentos da Produção de Texto 2 3 Sumário Conceitos e Princípios da Base Textual em Língua Portuguesa Produção textual Base da produção textual A norma culta na escrita textual Texto, Textualidade e Processo de Textualização Produção textual A importância da textualidade Linguística Textual e sua Relação com o Texto A linguística textual e o conceito de texto LINGUÍSTICA GERAL LINGUÍSTICA SINCRÔNICA LINGUÍSTICA DIACRÔNICA LINGUÍSTICA TEXTUAL O Discurso no Texto e os Gêneros Textuais Discurso Gêneros textuais Referências CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO 5 6 12 15 18 19 27 30 31 32 32 32 32 42 43 48 54 4 Objetivos Definição Explicando Melhor Você Sabia? Acesse Resumindo Nota Importante Saiba Mais Reflita Atividades Testando Para o início do desenvolvimento de uma nova competência; Se houver necessidade de se apresentar um novo conceito; Algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; Curiosidades indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forma necessárias; Se for preciso acessar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; Quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últimas abordagens; Quando forem necessárias observações ou complementações para o seu conhecimento; As observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; Textos, referências bibliográficas e links para aprofundamento do seu conhecimento; Se houver a necessidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou discutido sobre; Quando alguma atividade de autoaprendizagem for aplicada; Quando o desenvolvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas. 5 @faculdadelibano_ 1 Conceitos e Princípios da Base Textual em Língua Portuguesa 6 Fundamentos da Produção de Texto Capitulo 1 Conceitos e Princípios da Base Textual em Língua Portuguesa Produção textual A produção textual é algo que faz parte do cotidiano da grande maioria das pessoas, mesmo que em pequenas quantidades. Isso ocorre porque, com o passar do tempo, escrever, ler e analisar textos foi se configurando uma experiência de imprescindível importância para a vida em sociedade, na medida em que garante, afinal de contas, a efetiva comunicação entre indivíduos para os mais diferentes fins. Objetivos Neste capítulo, serão abordados alguns conceitos que contribuem para a produção de textos. Para isso, será feita, inicialmente, uma contextualização indicando como os textos estão inseridos no cotidiano das pessoas. Em seguida, serão abordados os aspectos que facilitam a elaboração textual. Por fim, discutiremos a importância da norma culta na escrita. 7 Fundamentos da Produção de Texto Conceitos e Princípios da Base Textual em Língua Portuguesa Capitulo 1 Em razão disso, não é incomum que, muitas vezes, os sujeitos ativos na vida em sociedade se engajem na produção textual sem nem ao menos perceber que estão fazendo isso, sendo uma consequência, portanto, da habituação dessa atividade no dia a dia das pessoas, propiciando que esta passe despercebida nos diferentes momentos de sua vida. Com base nisso, observa-se que produzir um texto é algo que pode ser feito nos mais variados âmbitos da vida de determinado indivíduo. Desse modo, o mais comum e observável é na vida escolar ou na acadêmica dos sujeitos em processo de formação. É nesse período da vida que os educandos aprendem as habilidades técnicas para a produção de textos com qualidade e de fácil entendimento. Com isso, passam a utilizar essas habilidades para escrever redações e trabalhos nos campos acadêmico e educativo, bem como responder a avaliações e testes escolares, necessários para a checagem do seu conhecimento durante essa etapa da aprendizagem. FIGURA 1 Na contemporaneidade, a produção textual está presente no cotidiano da maioria das pessoas FONTE Freepik 8 Fundamentos da Produção de Texto Conceitos e Princípios da Base Textual em Língua Portuguesa Capitulo 1 Dessa forma, entende-se que, desde o início da idade escolar, os sujeitos em processo de aprendizagem passam pelo complexo e importante processo de alfabetização. É a partir deste, então, que esses indivíduos conseguem reconhecer as diferentes letras e sílabas que, unidas, formam as palavras. Posteriormente, é entendido que essas palavras são utilizadas para formar frases que, por sua vez, dão origem aos textos. Compreender como escrever, ler e interpretar esses textos configura-se, portanto, um objetivo importante do período de aprendizagem dos sujeitos em idade escolar. Mais tarde, ainda por meio do conteúdo oferecido pela instituição escolar, o aluno passa a conhecer, com maior clareza, os diferentes tipos de texto, suas classificações, seus gêneros e sua tipologia. É com isso que esses indivíduos em processo de formação começam a se aprofundar nesse assunto, cujo ensino é reservado, sobretudo, para a área de Linguagens e suas Tecnologias. A produção textual é, enfim, utilizada em diferentes contextos da vida do aluno, sendo fundamental, até mesmo, durante o processo seletivo para ingresso nas instituições de Ensino Superior e dar continuidade à sua formação, mesmo após a conclusão do ensino médio da Educação Básica. FIGURA 2 As habilidades utilizadas na produção textual costumam ser aprendidas na escola FONTE Freepik 9 Fundamentos da Produção de Texto Conceitos e Princípios da Base Textual em Língua Portuguesa Capitulo 1 EXEMPLO Para ingressar em uma instituição de Ensino Superior, o sujeito interessado precisa passar por um processo de seleção, no qual os conhecimentos que este desenvolveu durante todo o processo de construção das habilidades e das capacidades adquiridas durante a Educação Básica são avaliados. Sendo assim, é preciso que o estudante tenha adequado conhecimento sobre textos para conseguir interpretar e responder aos questionamentos apresentados nesse momento avaliativo. Além disso, é comum que o processo seletivo envolva a produção de um texto, cujos gênero e tipologia são variáveis. Por isso, tal processo exige efetivo domínio por parte do educando avaliado. Já no Ensino Superior, o contato com os textos continua, na medida em que o processo de aprendizagem também é feito por meio de leitura, interpretação e escrita, bem como o ouvir e o falar. Com isso, é possível perceber que a linguagem verbal está presente em todo e qualquer curso de nível superior, mesmo aqueles que não estejam inseridos na área de Linguagens. Em contrapartida, o indivíduo também pode optar por um curso técnico que, como o próprio nome sugere, foca na obtenção das capacidades técnicas para desempenhar determinada profissão, mas ainda não rejeita o uso da linguagem no seu processo de ensino– aprendizagem. Mais tarde, no meio profissional, o hábito de se comunicar pela produção textual não é encerrado. Pelo contrário, os conhecimentos, as habilidades e as capacidades, desenvolvidos durante todo o processo de formação do indivíduo, desde seus primeiros anos escolares até a conclusão deste em qualquer nível de ensino, são aplicados diretamente no exercício de sua profissão, de modo a garantir a efetivação de suas funções no trabalho. Dessa forma, é perceptível que cada profissão tem suas especificidades em relação ao que é exigido do trabalhador e, por esse motivo, o nível de contato que esse indivíduo tem com a produção e a interpretação de textos pode ser variável. 10 Fundamentos da Produção de Texto Conceitos e Princípios da Base Textual em Língua Portuguesa Capitulo 1 Apesar disso, é possível observar que esses âmbitos da Linguística estão presentes no cotidiano profissional de diversas pessoas, ajudando-as, por exemplo, a se comunicar com os seus superiores e seus colegas, desempenhar uma formação continuada e repassar informações relevantes para terceiros. Apesar de sua evidente relevância nos contextos educativo e profissional,da maneira mais realista possível, as características concretas de algo ou de alguém, sem que o escritor exponha suas impressões subjetivas. Um exemplo de descrições são os dicionários. TEXTOS DISSERTATIVOS ARGUMENTATIVOS Os textos dissertativos-argumentativos são os responsáveis por apresentar determinado assunto por meio de argumentações, evidenciando o ponto de vista do autor como forma de persuadir o leitor. São exemplos de textos dissertativos-argumentativos: carta de opinião, artigo, monografia, ensaio, editorial jornalístico, resenha, entre outros. Sua estrutura textual é dividida em: • Tese (apresentação). • Antítese (desenvolvimento). • Nova tese (conclusão). Na produção da redação, esse tipo textual é utilizado, por ter características em que predomina a defesa de algum ponto de vista, sendo muito cobrado nas provas de vestibulares e no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Esse tipo textual ressalta a impessoalidade, e é marcado por argumentos na construção do texto escritos em terceira pessoa. 51 Fundamentos da Produção de Texto O Discurso no Texto e os Gêneros Textuais Capitulo 4 TEXTO EXPOSITIVO Os textos expositivos têm a função de expor, seja conceito, circunstância ou ideia, por meio de mecanismos como conceituação, definição, comparação, informação e descrição. São exemplos de gêneros textuais expositivos: palestra, entrevistas, seminários, trabalhos acadêmicos, conferências, enciclopédias etc. TEXTO INJUNTIVO O texto injuntivo é aquele que indica um modo ou uma ordem, de maneira que o emissor tenha como objetivo orientar o receptor. É um texto marcado por verbos no imperativo. Alguns exemplos de gêneros textuais injuntivos: receita culinária, bula de remédio, manual de instruções, propaganda, regulamento etc. Para definir qual gênero textual usar em determinado contexto, é importante considerar os seguintes aspectos. FIGURA 22 O texto dissertativo- argumentativo costuma ser utilizado em provas, em razão do seu caráter impessoal e da presença de argumentos FONTE Freepik 52 Fundamentos da Produção de Texto O Discurso no Texto e os Gêneros Textuais Capitulo 4 Existe uma infinidade de tipos de gêneros textuais, já que eles são completamente mutáveis e adaptáveis aos seus contextos. Acabamos de ver alguns desses gêneros, no entanto, é importante ressaltar a diferenciação entre gênero textual e tipos textuais, apesar de parecem a mesma coisa, eles apresentam características totalmente diferentes. O gênero textual possui imensa vastidão de tipos textuais. FIGURA 23 Aspectos do texto injuntivo FONTE Elaborada pelo autor (2022) 53 Fundamentos da Produção de Texto O Discurso no Texto e os Gêneros Textuais Capitulo 4 Resumindo Concluímos a explanação do conteúdo deste capítulo. É de extrema importância para o leitor que nenhuma dúvida permaneça no ar, não é mesmo? Por esse motivo, reservamos esse momento para resumir os conhecimentos apresentados aqui. Preparado? Durante a leitura deste capítulo, foram vistos os conceitos de discurso e de gêneros textuais. Dessa maneira, ficou compreendido que o discurso é parte importante das produções textuais, na medida em que garante a mensagem que aquele texto irá passar. Além disso, têm como objetivos acrescentar valores ao texto, assegurar sua contextualização política, social e cultural, e acrescentar uma ideologia a este. Em razão disso, foi visto que o discurso pode se apresentar de diferentes maneiras, a depender do gênero do texto que está sendo construído. Correlacionado a isso, foram estudados os diferentes gêneros textuais e algumas de suas características particulares, conforme o discurso se faz presente nestes de distintas formas. Destacaram-se, assim, diversos gêneros textuais, o que incluiu o texto dissertativo- argumentativo, cuja presença é notável em avaliações e vestibulares que garantem o ingresso dos alunos no Ensino Superior. 54 Fundamentos da Produção de Texto Referências BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 2003. COSERIU, E. Determinación y entorno. Dos problemas de una lingüística del hablar. In: WERLE, P. (ed.). Romanistiches jahrbuch. Deutschland: De Gruyter, 1955. GRICE, H. P. Logic and conversation. In: COLE, P.; MORGAN, J. Pragmatics (Syntax and semantics). New York: Academic Press, 1975. KOCH, I. G. V. Argumentação e linguagem. São Paulo: Cortez, 1984. KOCH, I. G. V. O texto e a construção dos sentidos. 9. ed. São Paulo: Contexto, 2010. O QUE é textualidade? [S. l.: s. n.], 2020. 1 vídeo (6 min.). Publicado pelo canal Caminhos da Linguagem. Disponível em: https://www.youtube. com/watch?v=7LVKbvp9KnA. Acesso em: 04 ago. 2022. MARCUSCHI, L. A. Linguística de texto: o que é e como se faz? São Paulo: Parábola Editorial, 1983. MARCUSCHI, L. A. Leitura como processo inferencial num universo cultural- cognitivo. In: ENCONTRO INTERDISCIPLINAR DE LEITURA, 1., [S. l.], 1984. Anais [...]. [S. l. s. n.], 1984. PETTER, M. Linguagem, língua, Linguística. In: FIORIN, J. L. Introdução à Linguística. São Paulo: Contexto, 2005. 55 Conceitos e Princípios da Base Textual em Língua Portuguesa Produção textual Base da produção textual A norma culta na escrita textual Texto, Textualidade e Processo de Textualização Produção textual A importância da textualidade Linguística Textual e sua Relação com o Texto A linguística textual e o conceito de texto LINGUÍSTICA GERAL LINGUÍSTICA SINCRÔNICA LINGUÍSTICA DIACRÔNICA LINGUÍSTICA TEXTUAL O Discurso no Texto e os Gêneros Textuais Discurso Gêneros textuais Referênciasos textos não se fazem apenas presentes nestes. Dessa maneira, é possível notar que a produção de textos pode ser feita em diferentes momentos do dia a dia de um indivíduo que busca apenas navegar em seu espaço pessoal e íntimo, bem como interagir socialmente com outras pessoas. Essa ação é, ainda, facilitada na contemporaneidade pela presença das tecnologias que fornecem alternativas para a comunicação entre sujeitos de diferentes partes do mundo, assim como a propagação de informações. No passado, uma forma de estabelecer contato a distância com determinada pessoa era, portanto, por meio de cartas. Atualmente, esse meio de comunicação ainda pode ser utilizado, mas existem novos veículos que permitem que o mesmo objetivo seja atingido de maneira mais rápida. Você Sabia? Em determinadas profissões, é comum que o indivíduo que trabalha continue seu processo de formação mesmo após a conclusão do seu curso técnico ou de Ensino Superior. É o caso de professores da área de Linguagens, que, durante seu exercício como educadores, continuam a passar por formações, que têm por finalidade principal atualizar seu repertório de conhecimentos com as mais novas tendências e pesquisas da área em que eles atuam. Para tanto, o sujeito não só usa dos textos durante o processo de ensino–aprendizagem para com os seus alunos como também para adquirir novos conhecimentos e continuar crescendo como profissional eficiente. 11 Fundamentos da Produção de Texto Conceitos e Princípios da Base Textual em Língua Portuguesa Capitulo 1 Apesar dessa facilidade e dessa urgência do contato, a produção de textos ainda está presente, na medida em que uma mensagem é escrita de uma pessoa para outra, que deve ler e interpretar esse mesmo texto de modo a captar as informações que estão sendo passadas e, se for o caso, respondê-las. Outra forma de perceber a presença dos textos no cotidiano humano é por meio dos veículos de informação. Entende-se, dessa maneira, que manter-se informado faz parte do dia a dia das pessoas, na medida em que buscam obter conhecimento sobre os fatos que acontecem ao seu redor. Na atualidade, a obtenção dessa informação depende cada vez menos de veículos impressos, como jornais e revistas, mas estes ainda não estão extintos, tampouco a produção textual se tornou obsoleta. Em decorrência disso, o material impresso abre espaço, na contemporaneidade, para os veículos de informação digital que, por sua vez, são adaptados para atingir maior número de pessoas em menor espaço de tempo. É comum, assim, que os textos se tornem mais curtos e objetivos, mas não deixam de existir. Saber identificar e entender essas produções textuais se faz necessário, portanto, para utilizar-se plataformas de comunicação da melhor maneira possível, aplicando seu senso crítico e retendo as informações ali dispostas. FIGURA 3 Os textos ainda são essenciais na busca por informação sobre os acontecimentos cotidianos FONTE Freepik 12 Fundamentos da Produção de Texto Conceitos e Princípios da Base Textual em Língua Portuguesa Capitulo 1 Adicionalmente, a escrita de textos também pode ser aplicada em outros contextos da vida humana, mesmo que estes pareçam simples ações do dia a dia. Ao preparar um novo prato culinário, por exemplo, as pessoas tendem a seguir as instruções de uma receita e, por isso, devem prestar atenção nas informações ali contidas. A receita, assim, se configura como produção textual, que tem como principal objetivo direcionar o leitor a conceber determinado produto, nesse caso, o prato. De maneira semelhante a isso, as instruções de um jogo contribuem para que os jogadores entendam como este funciona, por isso, devem ser consultadas com atenção. Base da produção textual Como visto anteriormente, o contato com os textos por parte dos indivíduos inseridos na vida em sociedade pode acontecer em diferentes momentos do seu cotidiano comum. Isso não é, ainda, um fenômeno novo na convivência do homem com os seus pares. Afinal de contas, é a invenção da escrita que separa a pré-história do restante da história, sendo esta considerada marco de imensurável importância, que revolucionou a comunicação entre as pessoas. FIGURA 4 O surgimento da escrita foi um marco importante para a comunicação entre pessoas FONTE Freepik 13 Fundamentos da Produção de Texto Conceitos e Princípios da Base Textual em Língua Portuguesa Capitulo 1 Vale destacar, ainda, que o texto não se reduz àquele que é feito por intermédio da escrita. Desde os primórdios da história humana, a comunicação utilizou diferentes recursos que possibilitam a transmissão de uma mensagem de determinada pessoa para outra, o que inclui ferramentas visuais e sonoras. Assim, os sentidos da visão e da audição se adicionam à capacidade de um indivíduo de ler e interpretar determinado texto, compreendendo o recado que este pretende repassar para o leitor. Entender esses recursos e utilizá-los de forma adequada são, dessa maneira, essenciais na construção de textos que sejam envolventes e captem a atenção do indivíduo que o ler, sem distraí-lo do ponto a ser abordado por essa produção. Consequentemente, existem algumas medidas que funcionam como a base para a produção de um texto que tenha qualidade e entregue a mensagem que pretende ser passada pelo indivíduo que o produz, garantindo que este atinja todos os seus objetivos e alcance os leitores desejados. Observe, nos itens a seguir, quais as medidas que podem ser tomadas para facilitar a elaboração de um texto. • Estabelecer uma temática: antes de mais nada, é importante que o autor do texto saiba do que ele quer falar. Isso é de extrema importância para decidir outros aspectos dessa produção textual, moldando-os para se encaixar da melhor forma possível no tema que será abordado. Além disso, o autor deve considerar qual é o objetivo do seu texto, isto é, que finalidade ele busca atingir. • Organizar as ideias: uma vez decidida a temática do texto, organizar as ideias é o segundo passo a ser tomado pelo autor. É nesse momento que ele irá, então, decidir quais informações sobre aquele assunto serão incluídas em sua produção e como estas serão elencadas no decorrer do texto. É relevante, ainda, revisar as ideias, para evitar que haja repetições de informações ou que algum conteúdo importante seja deixado de fora. • Considerar o público-alvo: outro aspecto que não pode ser desconsiderado antes de iniciar a produção de um texto é o público-alvo que deverá ser atingido. Conhecer seus leitores, o que os atrai e que recursos podem ser utilizados para aumentar seu interesse na leitura daquela obra é de grande importância para que o texto seja, de fato, disseminado entre aqueles indivíduos e ganhe notoriedade no meio em que busca se inserir. • Decidir a tipologia e o gênero do texto: não existe apenas um tipo de texto. Isso é algo que será abordado de maneira mais profunda em futuras unidades desta disciplina, mas os textos têm diferentes tipos e gêneros, que variam de acordo com 14 Fundamentos da Produção de Texto Conceitos e Princípios da Base Textual em Língua Portuguesa Capitulo 1 sua linguagem, seus recursos utilizados, sua organização, dentre outros aspectos. Dessa maneira, uma vez decidida a temática, as ideias e o público-alvo do texto, é o momento de apontar em quais tipologia e gênero esse texto deverá se encaixar, seguindo os padrões técnicos destes. • Fazer o devido uso de recursos que enriqueçam o texto: como citado anteriormente, a escrita não é o único recurso que pode ser utilizado durante a construção de um texto. Sendo assim, o autor pode utilizar imagens, sons e/ou vídeos que contribuam para a transmissão da mensagem que será passada pela sua obra. Apesar disso, é importante considerar com cuidado quais e como esses recursos serão inseridos no texto, de modo a evitar que estes distraiam a atenção do leitor das informações ali elencadas. • Utilizar a linguagem adequada: outra qualidadeque não pode ser ignorada no momento de escrever um texto é o uso da linguagem adequada para se comunicar com os leitores. É observado, com isso, que a linguagem se adequa ao tipo e ao gênero do texto, bem como precisa ser acessível para os indivíduos que o autor busca atingir com a sua obra. Para tanto, é observado que cada texto tem suas individualidades, nesse aspecto. • Fazer uso das regras gramaticais adequadamente: por fim, uma característica que não pode ser ignorada durante a construção de um texto são as regras gramaticais, que podem ser utilizadas para o benefício do autor e do seu próprio texto. É possível observar, portanto, que essas regras vão além do uso da linguagem citada no item anterior. Utilizar gramática significa, também, fazer uso da pontuação correta, dos conectivos e de outros recursos da Língua Portuguesa, que, no final das contas, facilitam o entendimento do leitor, na mesma medida em que torna o texto mais fácil de ser consumido. Essas ferramentas são, assim, um meio de garantir a acessibilidade do seu texto para o público-alvo a ser atingido. Nota-se, com isso, que as qualidades técnicas desses textos, como a formalidade da linguagem utilizada neles, depende do contexto e das relações estabelecidas pelos indivíduos que dialogam entre si. Uma conversa entre dois amigos, por exemplo, tende a utilizar uma linguagem informal, marcada por abreviaturas que servem para tornar o processo de escrita e leitura mais rápido. 15 Fundamentos da Produção de Texto Conceitos e Princípios da Base Textual em Língua Portuguesa Capitulo 1 Em contrapartida, uma comunicação estabelecida entre um funcionário e o seu chefe deve ser formalizada, respeitando as relações profissionais. Uma notícia, ainda, também obedece às normas cultas da língua, ao mesmo tempo em que busca manter o texto acessível e de fácil entendimento para o público. A norma culta na escrita textual Como já discorrido, a linguagem é uma parte essencial da construção de um texto. Por esse motivo, é importante saber como aplicá-la de maneira correta para construir um texto que faça sentido, apresentando coesão e coerência. Já vimos, também, que esses aspectos podem ser melhorados com a ajuda de ferramentas audiovisuais, bem como a aplicação das regras gramaticais, de modo a garantir que o texto se torne fluido e a sua leitura seja facilitada. Além desses, existe um outro aspecto que pode se tornar essencial na escrita: a norma culta. FIGURA 1 As características do texto dependem de fatores como o contexto em que este é inserido FONTE Freepik 16 Fundamentos da Produção de Texto Conceitos e Princípios da Base Textual em Língua Portuguesa Capitulo 1 Em razão disso, entender a norma culta é necessário para os indivíduos que buscam desenvolver um hábito de escrita maior, sobretudo, em obras textuais não literárias, mas que, ainda, demanda certa seriedade do autor. Esse tipo de texto está presente na vida das pessoas em diferentes contextos do seu cotidiano, por isso, costuma passar despercebido em diversos momentos. É possível perceber, assim, que os textos que utilizam a norma culta não estão restritos àqueles do âmbito profissional. É verdade que, no cotidiano de trabalho, de modo a facilitar a comunicação, a objetividade e o entendimento de todos os indivíduos envolvidos neste, é comum usara norma culta. Também é possível perceber que textos jornalísticos fazem uso dessa norma, na medida em que buscam evitar interpretações subjetivas das informações que estão sendo repassadas nestes. Apesar de tudo isso, a norma culta também está na vida das pessoas, mesmo antes destas ingressarem na vida profissional. Em decorrência disso, pode-se exemplificar como um aluno, no decorrer de sua formação, passa a utilizar a escrita em distintos momentos da sua educação escolar. Assim sendo, na hora de responder às questões de uma avaliação escolar, por exemplo, os alunos exercitam a norma culta, de modo a garantir a clareza das suas respostas. Em paralelo a isso, também usam essa norma na escrita de redações, essenciais para o seu desenvolvimento nessa fase da sua formação, bem como para ingressarem no Ensino Superior. Você Sabia? A chamada norma padrão equivale à forma idealizada de determinada língua. Na Língua Portuguesa, portanto, a norma padrão é a determinada pelas regras gramaticais e que, no dia a dia, não costuma ser utilizada pelas pessoas em sua comunicação. Dessa maneira, a norma culta surge como forma de se aproximar dessa norma padrão, diminuindo suas idealizações, mas mantendo seu caráter formal. Assim, é entendível que esse tipo de linguagem está presente em textos acadêmicos ou profissionais, que exigem essa formalidade. 17 Fundamentos da Produção de Texto Conceitos e Princípios da Base Textual em Língua Portuguesa Capitulo 1 Resumindo Dessa maneira, encerramos aqui a elaboração do conteúdo do primeiro capítulo desta unidade. Deu para entender todas as informações introdutórias disponibilizadas até aqui? Não vai sair com nenhuma dúvida, né? Por garantia, deixamos esse momento para resumir o que foi visto no decorrer do capítulo, vamos lá? Antes de mais nada, foi visto que a produção textual faz parte do cotidiano das pessoas, na medida em que estas desenvolvem a leitura, interagem e escrevem textos com diferentes finalidades durante o seu dia a dia. Assim, as habilidades adquiridas para conseguir fazer isso são desenvolvidas desde os primeiros anos da idade escolar do indivíduo, e permanecem em formação contínua até a sua vida adulta. Dessa forma, os textos são essenciais para que as pessoas se mantenham informadas, se comuniquem entre si e consigam oportunidades para continuar sua formação em nível superior ou adentrar e se manter no mercado de trabalho. Pensando nisso, foram elencadas algumas características que podem facilitar a construção de textos por parte de um autor, dentre elas, a decisão da temática a ser abordada, a consideração de qual será o público-alvo e a utilização das normas gramaticais para tornar o texto mais fácil de ser compreendido pelo leitor. Por fim, vimos a importância de determinar a linguagem a ser utilizada em uma produção textual e como a norma culta mantém sua relevância na escrita em diferentes contextos. 18 @faculdadelibano_ 2 Texto, Textualidade e Processo de Textualização 19 Fundamentos da Produção de Texto Capitulo 2 Texto, Textualidade e Processo de Textualização Produção textual Foi citado, no capítulo anterior, que os textos fazem parte dos cotidianos acadêmico, profissional e pessoal dos indivíduos. Desse modo, é possível compreender que, mesmo que não sejam perceptíveis, as produções textuais estão presentes na vida desses indivíduos, ainda que em níveis pequenos. Tendo isso em vista, conseguimos entender que esses textos são encontrados nos mais diferentes cenários, tendo objetivos distintos e apresentando suas próprias especificidades estrutural, estética e técnica. Objetivos Neste capítulo, serão abordados os conceitos de texto e textualidade. Em razão disso, será apresentado o que faz um texto e como este pode ser classificado em relação à sua linguagem, ao seu objetivo e aos códigos presentes em sua composição. Em seguida, será descrito o papel da textualidade durante a elaboração de um texto. FIGURA 6 Os textos podem ser encontrados em diferentes contextos, apresentando especificidades na estrutura e estética FONTE Freepik 20 Fundamentos da Produção de Texto Texto, Textualidade e Processo de Textualização Capitulo 2 Em decorrência disso, esses indivíduos passam por um processo de aprendizagem que se inicia desde os primeiros anos escolares, que tem por objetivo principal efetivar sua alfabetização, isto é, a capacidade dessas pessoas de lerem e escreverem frases verbais. Com isso, os sujeitos alfabetizados adquirem as habilidades básicas necessárias para, de fato, engajarem-se nas produções textuais, utilizando-as em seu cotidianopara distintos fins. Mais tarde, é observável que o processo de aprendizagem em relação aos textos não é finalizado. Na medida em que o indivíduo passa para os diferentes níveis da Educação Básica, ele adquire mais conhecimentos sobre esse campo do conhecimento, que o ajudarão a não apenas ler e escrever como também a interpretar as informações que estão elencadas em determinado texto. Tal processo é feito, principalmente, dentro da área de Linguagens, que busca aproximar o sujeito em aprendizagem com as qualidades técnicas da Língua Portuguesa. Por fim, o aluno em formação também passa a adquirir as habilidades necessárias para produzir seus próprios textos. Isso é algo que, como indicado anteriormente, já costuma ser parte do seu cotidiano, conforme ele utiliza a escrita em diferentes momentos de sua vida para atingir diversos objetivos. Apesar disso, o momento de aprender não é encerrado, na medida em que esse aluno começa a entender que existem diferentes tipos de texto, bem como o que diferencia cada um deles. FIGURA 7 Compreender que existem diferentes tipos de texto e o que difere cada um deles faz parte do processo de aprendizagem da Educação Básica FONTE Freepik 21 Fundamentos da Produção de Texto Texto, Textualidade e Processo de Textualização Capitulo 2 Todas essas etapas são de suma relevância para o desenvolvimento do educando e a sua participação em sociedade. Afinal, como já destacado em diferentes momentos dessa unidade, as produções textuais estão associadas a diversas atividades do dia a dia, e podem ser utilizadas para beneficiar o próprio indivíduo que saiba fazer bom uso destas, tanto ao interpretá-las quanto ao produzir seus próprios textos. Além disso, é possível perceber, ainda, que o conhecimento sobre textos é relevante, também, na garantia da comunicação das pessoas. Estando o mundo cada vez mais globalizado e unido por meio das novas ferramentas tecnológicas e digitais, entender o que são os textos e como estes podem estar inseridos na vida do indivíduo que participa de atividades na escola, na instituição de Ensino Superior, no trabalho ou até mesmo em sua casa torna-se importante para que este consiga manter o diálogo com outros indivíduos, mesmo a distância. EXEMPLO Em determinadas profissões da atualidade, por exemplo, o funcionário precisa manter a comunicação com seus colegas de trabalho, bem como com seus superiores. Para isso, existem software digitais que possibilitam que esse diálogo seja feito a distância, estando sincronizado com o correio eletrônico dos indivíduos que participam daquele trabalho. Dessa maneira, conseguir escrever textos, de modo a efetivar essa comunicação digital, é necessário para o desempenho do sujeito que busca se integrar ao cotidiano profissional da instituição na qual trabalha, evitando problemas decorrentes de uma comunicação ineficiente entre colegas e superiores. Além de todas essas questões elencadas, é indiscutível que os textos são importantes para a difusão e a recepção de informações por parte do indivíduo que vive em sociedade. Nota-se, por exemplo, que, na atualidade, a propagação de conteúdos científicos, informativos e pessoais é, igualmente, facilitada pelas novas tecnologias, que fazem com que estes percorram longas distâncias em questão de segundos. Os jornais virtuais, por exemplo, são uma plataforma moderna essencial para aquele sujeito que busca se manter informado em relação a notícias não só do seu próprio ciclo sociocultural como também a informações de diferentes partes do mundo e de 22 Fundamentos da Produção de Texto Texto, Textualidade e Processo de Textualização Capitulo 2 realidades sociais, econômicas e culturais distintas. Assim, quando publicado em uma plataforma digital, esse conteúdo é disponibilizado para toda e qualquer pessoa com acesso às tecnologias virtuais. Em razão disso, ter contato com os textos, saber o que caracteriza uma produção textual e entender como esta pode estar inserida em diferentes contextos é ideal para compreender, afinal, o que é um texto, que função este exerce no meio em que se insere e como ele pode ser utilizado para o pleno beneficiamento não apenas do indivíduo que o lê mas também do sujeito que o escreve. Afinal, essa é uma via de mão dupla, na qual todas as partes engajadas nela recebem algo que é oferecido pela produção textual. Mas, afinal, o que é um texto? Como ele pode ser identificado no cotidiano humano e o que o diferencia de uma simples sequência de palavras que não apresentam nenhum sentido significativo? Leia a definição a seguir para compreender melhor esse conceito. Desse modo, é possibilitada a observação de que o texto se utiliza de códigos para ser construído. Em razão disso, passam a existir diferentes tipos de produções textuais que divergem em relação ao código que é utilizado na sua elaboração por parte do escritor. São esses códigos, portanto, que devem ser observados pelo leitor durante sua interpretação. Consequentemente, é notado que os textos podem ser classificados nos tipos a seguir. • Texto verbal: são construídos por meio da utilização exclusiva de palavras, para elaborar determinada mensagem. • Texto não verbal: não faz uso das palavras, portanto, utiliza recursos visuais ou sonoros Definição Definir o que é texto pode ser uma tarefa complexa, na medida em que diferentes correntes da área da Linguística apresentam suas próprias especificidades para determinar o que se encaixa como definição desse termo. Apesar disso, podemos considerar como texto toda construção feita por meio de códigos, com o objetivo principal de promover a comunicação. 23 Fundamentos da Produção de Texto Texto, Textualidade e Processo de Textualização Capitulo 2 para transmitir sua mensagem. • Texto misto: utiliza simultaneamente palavras e elementos visuais ou sonoros para passar determinada mensagem. Com base nesses conceitos, é também compreensível que o texto tem por finalidade principal transmitir uma mensagem. Para isso, deve existir um sujeito que tenha o interesse de passar essa mensagem para outro sujeito. Observe melhor esse processo por meio do esquema ilustrado a seguir. Desse modo, é importante destacar que o transmissor e o receptor da mensagem não são, necessariamente, sujeitos individuais. Em um anúncio de venda de determinado produto, por exemplo, o transmissor é o anunciante, geralmente, a empresa que oferece esse produto, enquanto o receptor são todos os compradores em potencial, isto é, um grupo de pessoas que possam se interessar por aquele produto e buscar adquiri-lo. Em decorrência disso, é compreendido que os sujeitos envolvidos na transmissão de um texto são variáveis, assim como a mensagem que é enviada e recebida por eles. Desse modo, cada mensagem tem seu objetivo específico. Em uma notícia, os receptores também são plurais, enquanto o transmissor é o noticiário. Aqui, a intenção não é convencer o leitor a comprar um produto, mas oferecer a ele informações sobre dado fato ou acontecimento que pode ser de seu interesse. FIGURA 8 Partes envolvidas na transmissão de uma mensagem por meio do texto FONTE Elaborada pelo autor (2022) 24 Fundamentos da Produção de Texto Texto, Textualidade e Processo de Textualização Capitulo 2 Em virtude disso, observa-se também que os textos não são construídos de modo isolado. Eles fazem parte de um contexto, que é indispensável para sua construção, bem como para a compreensão da mensagem que está sendo repassada de maneira adequada. Veja, a seguir, a definição de contexto, para entender com maior facilidade. Dessa maneira, entende-se que um mesmo texto pode ser interpretado de modos diferentes quando considerado o contexto no qual este foi inserido. Além disso, aspectos do próprio receptor da mensagem podem influenciar em como este encara o texto que lê. Isso significa dizer que, a depender de como cada indivíduo entra em contato com determinada produção textual, sua interpretaçãopode ser diferente daquela feita por outro sujeito, ao mesmo tempo em que pode diferir da mensagem que o transmissor buscava passar. É por esse motivo que as produções textuais devem ser encaradas com cuidado. Assim, o contexto no qual este se insere não pode ser ignorado. Por vezes, textos diferentes têm qualidades técnicas semelhantes, mas transmitem mensagens distintas. Propagandas e regras, por exemplo, costumam utilizar a mesma linguagem imperativa que, comumente, indicam ordem, mas as primeiras não precisam ser, necessariamente, seguidas pelo leitor, diferentemente das últimas que, em seu valor normativo, não podem ser ignoradas. Definição O contexto pode ser observado em diferentes aspectos do texto. Primeiramente, todo texto e seu autor estão inseridos dentro de um contexto social, cultural e econômico. Em razão disso, a mensagem que esse texto busca transmitir está diretamente ligada a esse contexto. Fora isso, também é importante entender o objetivo e a ideia central dessa produção textual, seja passar uma instrução, transmitir uma informação, estabelecer um diálogo entre dois ou mais sujeitos. Todas essas questões contribuem para a contextualização do texto e, por isso, devem ser levadas em consideração durante sua leitura e sua interpretação. 25 Fundamentos da Produção de Texto Texto, Textualidade e Processo de Textualização Capitulo 2 Em razão disso, compreende-se que a leitura de um texto é uma tarefa feita de modo individual, cujas especificidades do leitor interferirão na sua efetiva interpretação. Apesar dessa condição, é de extrema relevância que o indivíduo que interage com uma produção textual consiga identificar o contexto no qual ela está inserida, de modo a considerá-lo e, assim, conseguir interpretá-lo de maneira devidamente adequada. Para tanto, também é preciso entender aspectos técnicos do texto. Isso significa conseguir identificar a linguagem que é utilizada na sua construção, os signos dos quais faz uso, a finalidade do autor e a sua relação com o texto em nível pessoal ou impessoal. Em adição a isso, entende-se que os textos também podem ser divididos em dois tipos, independentes daqueles já citados. Observe: • Texto literário: costuma ter por finalidade a arte. Por esse motivo, tem linguagem mais subjetiva, que tenta instigar no leitor a reflexão e o pensamento crítico, e apresenta maior preocupação com a estética. Assim, sua interpretação pode ser variável, com base nos sentimentos que esse texto desencadeia no receptor. • Texto não literário: seus objetivos podem ser distintos, mas não têm por finalidade a criação da arte. Assim, esse tipo de texto tem linguagem mais objetiva, e se preocupa, sobretudo, em repassar uma mensagem de maneira clara, deixando um espaço menor para distintas interpretações. É o caso de textos jornalísticos, cujo objetivo principal é informar o receptor sobre determinado evento ou informação. Por esse motivo, o receptor de uma mensagem que é transmitida por meio de um texto deve conseguir identificar esses diferentes tipos de produção textual, de modo a FIGURA 9 O receptor de um texto deve considerar o contexto deste durante sua leitura e sua interpretação FONTE Freepik 26 Fundamentos da Produção de Texto Texto, Textualidade e Processo de Textualização Capitulo 2 compreendê-la melhor e conseguir captar aquilo que o autor pretende repassar pela sua produção. Por consequência disso, é notado que há um processo pelo qual o leitor passa, de modo a identificar, em totalidade, as características do texto em mãos e compreender o que este aborda e quais são seus objetivos. Observe, a partir do esquema a seguir. Dessa forma, o primeiro passo, ao se deparar com determinado texto, é decodificá-lo, isto é, determinar quais códigos e signos estão presentes em sua composição. A partir disso, o leitor pode apontar se o texto em questão se encaixa como verbal, não verbal ou misto, o que é essencial para examinar a mensagem que está sendo transmitida por meio desse texto e como esta está presente. Muitas vezes, é preciso entender as informações que estão contidas na produção textual. Nesse momento, o leitor passa a ser capaz de determinar se o texto é considerado literário ou não literário, na medida em que pode identificar a linguagem que é utilizada e a FIGURA 10 As fases da leitura de um texto que permitem a sua efetiva compreensão FONTE Elaborada pelo autor (2022) 27 Fundamentos da Produção de Texto Texto, Textualidade e Processo de Textualização Capitulo 2 temática que está sendo abordada nele, compreendendo, em linhas gerais, o conteúdo que é trazido por meio dos códigos já apontados. Após isso, o leitor pode realizar, enfim, a interpretação do texto. É importante ressaltar que a interpretação se difere do entendimento, citado anteriormente, conforme vai além da compreensão das informações contidas no texto. Interpretar significa, afinal de contas, impor sobre o conteúdo do texto um olhar crítico. Isso é, portanto, algo particular ao receptor, que deve analisar as informações ali elencadas, o que o autor do texto tem a dizer sobre elas e se ele concorda ou não com aquilo. Por fim, cabe ao indivíduo que ler o texto reter tudo aquilo que foi adquirido durante sua leitura a longo prazo. Isso não significa, no entanto, apenas memorizar o que foi dito pelo autor mas também guardar o que foi interpretado pelo próprio leitor, o conteúdo do texto e a crítica que pode ser feita a ele. Assim sendo, reter não é apenas o ato de decorar a mensagem como foi colocada mas levar consigo o significado daquela mensagem e fazer uso deste em outros momentos de sua vida. A importância da textualidade Como visto anteriormente, a leitura e a escrita de textos são parte do cotidiano humano, por isso, são aprendidas por meio da instituição de ensino desde os primeiros anos da idade escolar do aluno. Em razão disso, entende-se que a aprendizagem relacionada à FIGURA 11 A interpretação implica a imposição do olhar crítico do leitor sobre o texto analisado FONTE Freepik 28 Fundamentos da Produção de Texto Texto, Textualidade e Processo de Textualização Capitulo 2 produção textual tem início quando o indivíduo passa a entender o que são as letras e as sílabas, e como essas, quando unidas, formam palavras. Mais tarde, os alunos passam a se engajar nas aulas da área de Linguagens, e entendem que as palavras, por sua vez, se unem para formar frases. O texto, como já apontado, forma-se a partir do conjunto de frases, mas vai além disso. É verdade, afinal, que as frases são essenciais para a construção de um texto. No entanto, é também compreensível que essas frases precisam apresentar um sentido, na medida em que se articulam entre si para construir uma mensagem a ser transmitida por meio do texto que é formado. Sendo assim, chamamos esse sentido, que garante que o texto tenha funcionalidade, de textualidade. Em razão disso, pode ser apontado que a textualidade é essencial para a elaboração de um texto que faça sentido. Assim sendo, o texto nada mais é do que um produto de uma textualidade eficiente e bem aplicada, isto é, caracterizando-o com frases e palavras que se conectem entre si, apresentem sentido e sejam fluidas. Para tanto, o autor faz uso de elementos de coesão, de modo a garantir que a mensagem a ser transmitida por sua produção textual atinja o receptor e obtenha o resultado esperado. Conclui-se, assim, que, apesar de o leitor ter função importante na interação com um texto, elaborada anteriormente neste capítulo, o autor também tem um papel a ser cumprido. É este último, portanto, quem aplicará a textualidade durante a sua escrita, de modo a fazer com que os seus objetivos na elaboração daquela produção textual sejam efetivados e a mensagem seja repassada da melhor forma possível. Saiba Mais ACESSE este link para assistir ao vídeo “O que é textualidade?”, do canal Caminhos da Linguagem. Nele, é elencado um breve resumo sobreesse conteúdo, demonstrando sua relevância no campo da Linguística e sua importância para a construção de textos que façam sentido e transmitam, eficientemente, a mensagem desejada. https://www.youtube.com/watch?v=7LVKbvp9KnA 29 Fundamentos da Produção de Texto Texto, Textualidade e Processo de Textualização Capitulo 2 Resumindo Dessa maneira, encerra-se aqui o conteúdo do segundo capítulo desta unidade. Todas as informações disponibilizadas até aqui ficaram bem fixadas na sua mente? Não vai deixar nenhuma dúvida no ar, né? Por garantia, vamos fazer um rápido resumo de tudo o que foi visto até aqui, que tal? Então vamos lá. Primeiramente, foi relembrado, no início deste capítulo, que os textos estão presentes no cotidiano de todas as pessoas, por isso, entender o que são é importante para o seu dia a dia. Assim, foi entendido que o texto é um conjunto de frases e palavras que tem por objetivo passar uma mensagem de um transmissor para um receptor. Ficou entendido, portanto, que essas duas partes são de extrema importância para que a mensagem do texto seja passada e absorvida de forma eficiente. Com isso, foi elencado que os textos podem ser verbais, não verbais e mistos, a depender dos códigos e dos signos que utilizam em sua composição. Fora isso, também há os textos literários e não literários, que se diferem em relação à sua linguagem e aos seus objetivos. Além disso, notou-se que o simples conjunto de frases e palavras não forma um texto, mas sim o sentido, a fluidez e o conteúdo coeso que este apresenta, algo que é feito durante a sua elaboração por intermédio da textualidade. 30 @faculdadelibano_ 3 Linguística Textual e sua Relação com o Texto 31 Fundamentos da Produção de Texto Capitulo 3 Linguística Textual e sua Relação com o Texto A linguística textual e o conceito de texto A Linguística estuda a linguagem verbal humana, sua compreensão e sua manifestação da fala por meio de estudos investigativos sobre as variações linguísticas que advêm da linguagem oral em seus vários contextos, em detrimento da norma culta, ou seja, os pesquisadores da Linguística observam, de maneira minuciosa, a língua de forma a compreender as variações e as manifestações da fala em detrimento da norma culta. Em razão disso, muitas vezes, a Linguística tem respaldo em outras áreas, como as apresentadas na Figura 12, a seguir. Objetivos Neste capítulo, será estudada a relação entre a linguística textual e o texto. Para tanto, será apresentado o conceito de linguística textual e como esta pode ser encontrada na escrita. Em seguida, faremos a ponte entre esse conceito e as produções textuais, presentes no cotidiano de todas as pessoas. FIGURA 12 Áreas da Linguística FONTE Elaborada pelo autor (2022) 32 Fundamentos da Produção de Texto Linguística Textual e sua Relação com o Texto Capitulo 3 LINGUÍSTICA GERAL Teve como precursor dos estudos linguísticos Ferdinand Saussure, e é uma das áreas da Linguística que abrange os conceitos e todas os instrumentos de análise por essa ciência. Além disso, a Linguística pode ser analisada a partir das seguintes questões: língua, fala, signo linguístico, sintagma, significante, significado, sincrônico e diacrônico. LINGUÍSTICA SINCRÔNICA A Linguística Sincrônica está diretamente ligada à Linguística Teórica, também conhecida como Linguística Descritiva, e estuda a forma em que se encontra a língua, como a maneira de descrever os aspectos do sistema e o funcionamento em determinado momento histórico. Nessa perspectiva metodológica, diversas falas são observadas simultaneamente em determinada fase, conforme estão inseridas na passagem do tempo. LINGUÍSTICA DIACRÔNICA A Linguística Diacrônica interessa-se em analisar as manifestações linguísticas e suas causas observadas ao longo do tempo, e busca entender as relações que os fatos estabelecem com os que vieram antes ou depois deles, ou seja, as mudanças e os processos de evolução da língua que acontecem ao longo do tempo em uma perspectiva retórica e prospectiva. A Linguística Diacrônica dedica-se aos fatos sucessivos, ou seja, tudo que muda, muda em todo o sistema linguístico, portanto, os fatos diacrônicos são imperativos, pois levam em consideração o decorrer do tempo. LINGUÍSTICA TEXTUAL Na Linguística Textual, o objeto de análise são os textos e sua relação no processo de comunicação estabelecido entre o autor, o leitor e o texto dentro de um contexto. É por essa interação entre eles que se dá a textualidade de um texto. Um dos principais conceitos dessa vertente é a coesão textual, a qual é analisada por diversos fatores de textualidade, como a intertextualidade, a situacionalidade e a informatividade. 33 Fundamentos da Produção de Texto Linguística Textual e sua Relação com o Texto Capitulo 3 A intertextualidade é a presença textual de elementos formais e/ ou semânticos que apresentam, de forma integral ou parcial, partes semelhantes ou idênticas de outros textos produzidos anteriormente, possibilitando que o leitor identifique a existência de outros textos, tanto de maneira explícita como implícita, nesse caso, sendo identificada apenas para o leitor que já conhece a referência do texto. É por meio dessa associação entre diferentes textos que a intertextualidade permite amplificação do sentido, novas possibilidades e novos sentidos. Dessa forma, a intertextualidade pode ser utilizada para aprimorar senso crítico, explicação e apresentar uma crítica, promovendo novas perspectiva diante do texto. A situacionalidade textual refere-se a um fato responsável pela coerência em determinada situação, podendo partir da situação para o texto ou do texto para a situação, analisando a significância ou não da produção textual para o modo da comunicação, a partir do contexto ao qual o texto está inserido, visto que um texto só pode ser discernido como tal se ele estiver contextualizado de modo apropriado. A informatividade parte do pressuposto da capacidade de acrescentar informações novas ao texto, que decorre de fatores básicos que conduzem a finalidade da escrita, sendo determinada por textos com menor ou maior grau de informatividade. O primeiro teórico a fazer uso da nomenclatura “Linguística Textual” foi Cosériu (1955). A partir de então, o objeto de estudo do texto passa a ser analisado por meio das manifestações da linguagem, e não mais condicionado apenas a frases isoladas, como já mencionado nesta unidade, levando em consideração as expressões da linguagem, com o objetivo de compreender a concepção e a construção do conceito de Linguística da teoria do texto escrito quanto os textos orais. Koch (1984, p. 21) define o conceito de texto em duas vertentes, ampla e restrita. A maneira ampla, para ele, é “o texto é qualquer manifestação através de um estoque de sinais de um código.” O objeto de estudo da Linguística Textual se antepõe ao texto, envolvendo ações linguísticas, cognitivas e sociais, que, de forma articulada, contribuem para a organização, a produção, a compreensão e o funcionamentos dos textos no meio social. Todavia, como toda ciência, tem perceptivelmente os seus limites. 34 Fundamentos da Produção de Texto Linguística Textual e sua Relação com o Texto Capitulo 3 A Linguística divide-se em diversos ramos do estudo das linguagens escrita e oral. Vejamos, a seguir, os principais ramos. FONOLOGIA O ramo da Fonologia dedica-se à ordenação sistemática dos sons nas línguas que trata das caracterizações abstrata e gramatical de sistemas ou signos sonoros, voltadas, inicialmente, aos sistemas de fonemas das línguas e da análise linguística. MORFOLOGIA A Morfologia analisa a estrutura do estudo das palavras e de como elas são formadas, e sua relação com outras palavras na mesma língua, estudando as partes da fala e suas entonações, pronúncias e significados. FIGURA 13 Principais ramos da Linguística FONTE Elaborada pelo autor (2022) 35 Fundamentos da Produção de Texto LinguísticaTextual e sua Relação com o Texto Capitulo 3 SINTAXE A Sintaxe é um conjunto de regras e processos que rege a estrutura das sentenças e a ordem das palavras e das pontuações, como constatar e observar as regras sintáticas comuns a todas as línguas. FONÉTICA A Fonética circunda a pesquisa das percepções fônicas da linguagem humana e os aspectos equivalentes dos signos, competindo às propriedades físicas dos sons ou dos sinais da fala, desde a capacidade fisiológica, as propriedades acústicas e a compreensão auditiva e seu estado neurofisiológico. SEMÂNTICA A Semântica é o estudo linguístico e filosófico do significado, na linguagem, tanto da formal e da semiótica como das linguagens de programação, analisando a relação do sentido, as representações das palavras, as frases, os sinais e os símbolos e sua denotação. A semântica, na esfera da Linguística, analisa as interpretações dos símbolos e os signos dentro de contextos particulares, dentro do campo dos sons, das linguagens corporais e das expressões faciais. PRAGMÁTICA Trata-se de uma área da Linguística que analisa as maneiras pelas quais o contexto fornece significado na comunicação, abrangendo a teoria da fala, e as concepções do comportamento da linguagem em várias ciências. LEXICOGRAFIA A Lexicografia é dividida em dois ramos: Lexicografia Prática e Lexicografia Teórica. A Lexicografia Prática está ligada à escrita e a editar dicionários. Já a Lexicografia Teórica tem o papel de analisar as relações semânticas, sintagmáticas e paradigmáticas dentro do léxico, ou seja, do vocabulário da língua. 36 Fundamentos da Produção de Texto Linguística Textual e sua Relação com o Texto Capitulo 3 LEXICOLOGIA A Lexicologia é a parte da Linguística que estuda as palavras no significado epistemológico e suas regras a partir de composição, tanto a natureza quanto a função dos símbolos. LEXICOLOGY A Lexicology refere-se às relações entre as palavras, que inclui a Semântica, a utilização, a Sociolinguística e a análise de todo o léxico de uma língua. De acordo com estudos desenvolvidos por pesquisadores, a Linguística Textual é formada por três momentos. Vejamos, no organograma a seguir. Para a Linguística Textual, o conceito de texto refere-se à unidade mais elevada no sistema linguístico, um método de estudo das línguas escrita e oral, por meio da análise de textos, sejam eles extensos ou curtos. No entanto, nem sempre a Linguística Textual foi compreendida de forma tão ampla. Há algumas décadas, o objeto de estudo do texto estava condicionado apenas à frase, alguns estudiosos da área detinham- se somente a explicar os fenômenos sintático-semânticos e suas relações entre enunciados ou sequências de enunciados, ou seja, nesse primeiro momento, a Linguística estava voltada às analises transfrásticas, em que as pesquisas eram analisadas tão somente da frase FIGURA 14 Os momentos da Linguística Textual FONTE Elaborada pelo autor (2022) 37 Fundamentos da Produção de Texto Linguística Textual e sua Relação com o Texto Capitulo 3 para o texto, sem considerar o texto como objeto de análise, no qual existiram os textos de acordo com uma sequência Linguística baseada em dois seguimentos, os textos coerentes em si e os não textos, que, na teoria, seriam as sequências linguísticas, ou seja, nas análises transfrásticas, a linguagem é considerada argumentativa, conforme age na constituição do texto. Em um segundo momento, desponta a gramática de texto, que tem como objetivo pensar os fenômenos linguísticos incompressíveis por meio da gramática. É nessa fase que se destaca o teórico Noan Chomsky, que, durante seus estudos, buscou ir além das abordagens estruturalista, distribucionista e comportamentalista, que existiam até então no estudo da linguagem natural, em que a aprendizagem da língua não se trata de uma combinação condicionada, mas uma atividade racional cognitiva e racionalista ao processo criativo, resultando, assim, na Teoria Gerativa, que ficou conhecida como gramática gerativo-transformacional. Chomsky (1957, apud PETTER, 2005) preconiza duas regras na gramática transformacional: as sintagmáticas, que concebem estruturas abstratas, e as de transformação, que modificam essas estruturas abstratas em sequências terminais, que são as frases da língua. Com o propósito de entender a textualidade com base na gramática, os pesquisadores da área da gramática de texto constataram que o texto, ao ser lido algumas vezes, gerava sentidos diversos pelos próprios leitores ou por outros. Com isso, os gramáticos chegaram à conclusão de que não existe apenas um único sentido para determinado texto, na realidade, os leitores dispõem de estratégias. A partir de então, foi desenvolvida uma das bases da Linguística de Texto. FIGURA 15 Existem duas teorias que concebem e modificam as estruturas abstratas dos textos FONTE Freepik 38 Fundamentos da Produção de Texto Linguística Textual e sua Relação com o Texto Capitulo 3 Foi por meio das pesquisas realizadas por Austin (1956), sobre os atos da fala, e de Grice (1975), sobre as máximas conversacionais, que a linguagem passa a ser compreendida como função social, estabelecida pela influência do contexto sobre o indivíduo. Diferentemente dos gramáticos que presumem competência linguística, e dos gramáticos de texto, que têm uma compreensão a partir da circunstância comunicativa, os pragmáticos preconizam um conjunto de regras sociais da competência comunicativa, definida como atuacional, no qual considera-se a ação situacional do indivíduo estabelecida como o conjunto de significados, apresentando semântica instrucional. A teoria do texto preceitua que a frase seja compreendida a partir da atuação comunicativa com base no texto, tendo em consideração o texto como um meio, no qual os enunciados são alcançados de maneira cognitiva, por meio da coerência e da graduação das informações, estabelecendo a relação existente entre texto e contexto. Diante disso, Marcuschi (1983, p. 34) reitera que “um estudo das operações linguísticas, cognitivas e argumentativas reguladoras e controladoras da produção, construção, funcionamento e recepção de textos escritos ou orais.” FIGURA 16 As frases contidas em determinado texto precisam ser compreendidas no seu contexto FONTE Freepik 39 Fundamentos da Produção de Texto Linguística Textual e sua Relação com o Texto Capitulo 3 Os princípios da Linguística, que se concebe a Linguística de Texto, são formados por estudos linguísticos, que passam a ter o texto como objeto de estudo, no qual o texto é tido como unidade de estudo, partindo deste à frase. Advindo desse entendimento, compreendemos a Linguística Textual como disciplina de caráter interdisciplinar. De acordo com Marcuschi (1983), o texto dentro dessa esfera, enquanto condição funcional, ramifica-se em fatores, como: • Os que equivalem a elementos pragmáticos e são perceptíveis durante a atualização de um texto, sendo estes de conexão de ações. • Aqueles que, em suma, garantem que exista coesão em determinado texto, sendo elementos que constituem a textualidade, mas não são suficientes, por si só, para que esta aconteça, sendo, portanto, de conexão sequencial. • Aqueles que garantem a construção de expectativa em relação a determinada produção textual, sendo de contextualização. • Os que estão relacionados à conexão conceitual cognitiva, isto é, equivalem à coerência de um texto, que permite sua organização e garante o entendimento do leitor. Ainda de acordo com Marcuschi (1983), sobre a Linguística Textual, enquanto condições funcionais, acrescenta que essas esferas funcionais não esgotam as perspectivas de observação do texto, para tal, é preciso que se tenha mecanismo teórico que abranja as teorias da semântica e gramatical receptível às informações contextuais e uma teoria pragmática do funcionamento linguístico, bem como da comunicação e dos princípios da psicologia cognitiva. Para Schmidt (1978, p. 163) “dãoa entender que o texto deve ser abordado não como fenômeno meramente linguístico, mas a partir de um modo de textualidade.”. É nessa perspectiva que os pesquisadores da Linguística passam a analisar o que faz com que um texto seja um texto, a partir da investigação dos elementos e dos aspectos responsáveis pela textualidade, perante o exposto de que o objeto de estudo da Linguística Textual se antepõe ao texto, envolvendo ações linguísticas, cognitivas e sociais, que, de forma articulada, contribuem para a organização, a produção, a compreensão e os funcionamentos dos textos no meio social. Todavia, como toda ciência, tem perceptivelmente os seus limites. Marcuschi (1983, apud KOCH, 2010), logo no início das suas pesquisas em relação à Linguística Textual, estabeleceu que o texto se encontrava em posição hierárquica superior à frase. Dessa maneira, é possível perceber que, de acordo com a visão desse 40 Fundamentos da Produção de Texto Linguística Textual e sua Relação com o Texto Capitulo 3 pesquisador, a comunicação humana era feita por meio dos textos, e não das frases. Os textos, por sua vez, são formados por frases que, por si só, não conseguem atingir caráter funcional independente e, por isso, dependem da textualidade para que se juntem com outras frases e construam um texto que permita a troca de informações e a comunicação efetiva entre dois ou mais indivíduos. Para Motsch e Pasch (1987, apud KOCH, 2010), o conceito de texto trata-se de uma sequência de atividade organizada hierarquicamente pelos interlocutores. Assim sendo, podemos fazer uma comparação, de acordo com esses teóricos, de como o texto era concebido e como é configurado atualmente. Vejamos, a seguir, a primeira fase dos estudos de como era configurado o texto. • O texto era visto apenas como unidade linguística do sistema linguístico superior à frase. • Complexo de argumentação semântica. • Sucessão e/ou combinação de frases. • Cadeia de pronominalizações interruptas. • Cadeia de isotopias. No entanto, como já vimos, a concepção da teoria do conceito de texto, atualmente, é concebida da seguinte maneira. • Teorias acionais, como uma continuação da ação da fala. • Levando em consideração os aspectos cognitivos, como fenômenos psíquicos, resultados das ações mentais. • Das orientações sobre a teoria da atividade verbal como parte das atividades globais de comunicação, para além do texto em si. Ou seja, a Linguística Textual investiga as operações linguísticas e cognitivas, sejam elas reguladoras ou controladas de concepção, construção e funcionamento de textos, tanto escritos quanto orais, baseando-se na coesão superficial e na coerência conceitual, em pressuposições e no envolvimento do sentido na ação e nos objetivos. 41 Fundamentos da Produção de Texto Linguística Textual e sua Relação com o Texto Capitulo 3 Resumindo Concluímos a explanação do conteúdo deste capítulo. Deu para compreender tudo o que foi elencado até aqui? Tem certeza? Para assegurar que não restou nenhuma dúvida, reservamos esse momento para resumir o que foi abordado até aqui, vamos lá? Primeiramente, foi traçado neste capítulo o conceito de Linguística Textual. Ficou compreendido, assim, que a Linguística faz parte de diferentes contextos da vida humana, podendo ser encontrada na Psicologia, na Neurologia, na Sociologia e na Etnografia. Isso porque esse conceito é de extrema importância para a comunicação humana, na medida em que fornece as ferramentas necessárias para a construção e a interpretação dos diferentes tipos de texto. Em razão disso, foi observado, ainda, que a Linguística Textual pode se apresentar de diferentes formas, tendo classificações distintas, a depender das suas qualidades. Posteriormente a isso, foi entendido que a compreensão de um texto acontece por meio de diferentes etapas, nas quais a Linguística está presente. Entender esse termo é, portanto, fundamental para compreender, de fato, como a análise e a elaboração de textos pode ser efetivada. 42 @faculdadelibano_ 4 O Discurso no Texto e os Gêneros Textuais 43 Fundamentos da Produção de Texto Capitulo 4 O Discurso no Texto e os Gêneros Textuais Discurso O discurso é a prática humana de construir texto, ou seja, um conjunto comum de ideias compartilhado por um grupo, sejam elas escritas ou orais, que se apresenta-se como um pensamento coletivo, compreendendo o texto como demonstração concreta do discurso por meio da linguagem verbal ou não verbal, bem como os personagens e a produção do texto. Diante disso, consideramos o discurso como sendo prática social. Objetivos Neste capítulo, abordaremos o discurso no texto e sua relação com os diferentes gêneros textuais. Em decorrência disso, será feita uma conceituação do discurso, evidenciando o que este é, quais são suas principais características e como este se relaciona ao texto. Em seguida, discutiremos os gêneros textuais e suas particularidades. FIGURA 17 O discurso é caracterizado por ser a prática de construir um texto FONTE Freepik 44 Fundamentos da Produção de Texto O Discurso no Texto e os Gêneros Textuais Capitulo 4 O discurso é caracterizado pelos seguintes objetivos: • Expressa um agrupamento de valores, práticas, significados e princípios, que excedem o texto e englobam todo o campo de atividade social. • Configura diferentes formas e ideologias de compreensão da realidade. • Encontra-se instaurado no social, histórica e culturalmente, colaborando com a definição do contexto. Ou seja, o discurso abrange a comunicação de determinado contexto na seguinte perspectiva: a quem fala, para quem se fala e o que se fala. No texto narrativo, o autor decide por três tipos de discurso: discurso direto, indireto e indireto livre; no entanto, esses três discursos podem também aparecer juntos no texto, e isso dependerá exclusivamente de quem o produziu. Vejamos, a seguir, cada um deles. DISCURSO DIRETO Nesse tipo de discurso, é muito visível os traços da fala e da personalidade da personagem expostos no texto, sem que haja interferência do narrador, ou seja, no discurso direto, as personagens ganham voz. Encontramos esse tipo de discurso, normalmente, em diálogos, no quais percebe-se exatamente as falas das personagens, acompanhadas de recursos gráficos, como as aspas, os travessões e as exclamações. É comum, também, a utilização de verbos como perguntar, falar e dizer, permitindo que a personagem ganhe vida no texto. Vejamos o exemplo a seguir. • Por que você não foi à aula? — perguntou Tereza. • João, com certo aspecto de doente, respondeu: — Não estava me sentindo bem. DISCURSO INDIRETO No discurso indireto, o narrador conta a história e reproduz a fala, isto é, a fala da personagem é definida sob a influência do narrador, utilizando palavras suas para contar o que foi dito pela personagem. Normalmente, esse tipo de discurso é escrito em terceira pessoa, e é muito comum citar o nome de quem pronunciou a fala no texto. Outra coisa a ser observada no discurso indireto é que os tempos verbais são modificados para que 45 Fundamentos da Produção de Texto O Discurso no Texto e os Gêneros Textuais Capitulo 4 haja entendimento quanto à pessoa que fala. Vejamos o exemplo a seguir, desse tipo de discurso. Marcos falava muito alto, quase gritando, sem se deter por estar em público, e todos o olhavam, recriminando sua atitude. Então, ele, ao observar todos aqueles olhares, perguntou, em tom ainda mais alto: “Por que me olham dessa maneira? Estão achando que sou louco?” E o silêncio fez-se naquele ambiente. DISCURSO INDIRETO LIVRE O discurso indireto livre é marcado pela junção dos discursos direto e indireto, assim dizendo, quando há intervenções do narrador e da fala das personagens, ou até mesmo quando as vozes, tanto do narrador quanto das personagens se misturam. Em geral, isso acontece no texto quando não existem marcas para mostrar a mudança do discurso. Habitualmente, o texto é escritoem terceira pessoa, e o narrador conta a história. Todavia, de acordo com o autor do texto, as personagens podem vir a ter voz própria e tempos verbais próprios, como futuro do pretérito, pretérito imperfeito, entre outros. A pontuação comumente utilizada são as exclamações e as interrogações. FIGURA 18 No discurso indireto, o narrador apenas conta eventos que aconteceram com outras pessoas FONTE Freepik 46 Fundamentos da Produção de Texto O Discurso no Texto e os Gêneros Textuais Capitulo 4 EXEMPLO: Recorda de sua mãe: Dona Marilia, mulher simples, forte, sem ambição na vida. Poderia ter sido o que quisesse na vida. Seria errado. Querer? Ter algo a mais que lhe permitisse viver com mais calmaria e menos sofrimento naquele fim de mundo. Para sabermos a diferenciação entre gênero ou tipo de texto, é necessário observamos o domínio discursivo, que acontece no âmbito da comunicação. Como exemplo de discurso, temos o científico, o jornalístico e o religioso. O conceito de gênero discursivo foi empregado pela primeira vez pelo teórico e filósofo Mikhail Bakhtin, e refere-se a um agrupamento de enunciados de linguagem estáveis que têm características comuns entre si e que são determinados por cultura e fatores linguísticos que possibilitam organizar tanto a escrita quanto a oralidade. Os gêneros discursivos têm como atribuição a comunicação entre um falante ou remetente e um destinatário ou receptor. Isso significa que trata de estruturas que ordenam, de maneira particular, as palavras de um locutor, em que o emissor utiliza instrumentos linguísticos para a elaboração da mensagem para que haja, de certa forma, uma interpretação correta pelo receptor. Segundo Bakhtin (2003), os gêneros do discurso têm como caraterísticas gerais os seguintes: • Ordenar a comunicação para mantê-la eficaz; • Ter coerência dentro de determinado contexto. • Ser dinâmicos, permitindo coerência e sentido à ação do indivíduo. • São contextualizados em um ambiente, seja cultural e/ou contextual específico, um texto literário, ou até mesmo em uma sala de aula ou reunião de profissionais. • Refletir as condições externas do locutor, na capacidade de interagir com outras pessoas, em influências da cultural, fatores sociolinguísticos, entre outros. • Construir estruturas sociais, como um grupo de alunos, profissionais ou amadores. TIPOS DE GÊNEROS DO DISCURSO Os tipos de gênero de fala dividem-se em dois grupos gerais, os gêneros discursivos primários e os secundários, apresentados a seguir. • Gêneros discursivos primários são os que apresentam comunicação informal, ou seja, comunicação espontânea, simples. Por exemplo: uma conversa entre pessoas 47 Fundamentos da Produção de Texto O Discurso no Texto e os Gêneros Textuais Capitulo 4 que tenham certa intimidade. • Gêneros discursivos secundários são os que se referem a uma comunicação mais formal e elaborada. Por exemplo, um relatório científico. Bakhtin (2003) aponta que os gêneros discursivos podem refletir a individualidade do locutor, mas nem todos os gêneros se permitem captar um estilo pessoal. Os enunciados constituem uma conexão na comunicação discursiva, que é determinada por três elementos presentes em todo gênero discursivo. • De acordo com Marcuschi (1983), os gêneros são inseridos na sociedade mais por suas funções cognitivas e comunicativas do que por suas funções estrutural e linguística. Para esse teórico, os gêneros textuais surgiram de acordo com três fases: primeiro, no período em que a oralidade era o principal meio de comunicação entre os povos, partindo daí a necessidade de se elaborar alguns tipos de gêneros, a partir de lendas, mitos, poemas, todos, até então, apenas falados. Em um segundo momento, ocorreu com o surgimento da escrita, no século 7 a.C., em que os gêneros foram se desenvolvendo da oralidade para a escrita, e, por fim, a terceira fase acontece por volta do século XVIII. Com a industrialização, os gêneros chegam ao êxtase do desenvolvimento. FIGURA 19 Elementos do gênero discursivo FONTE Elaborada pelo autor (2022) 48 Fundamentos da Produção de Texto O Discurso no Texto e os Gêneros Textuais Capitulo 4 Gêneros textuais Marcuschi (1983) ressalta que os gêneros textuais são considerados fenômenos históricos, intimamente vinculados à vida cultural e social. Ou seja, os gêneros mudam de acordo com o desenvolvimento das atribuições comunicativas e sociais. Atualmente, os gêneros estão em alto grau de desenvolvimento, e isso se dá pelo surgimento e pelo crescimento da cultura eletrônica, bem como pelo avanço dos meios tecnológicos e da internet, concebendo o surgimento de novos gêneros textuais, como e-mail, chat, blog, entre outros. Existem muitos gêneros textuais, e eles são denominados em relação à linguagem e ao conteúdo ao qual permitem uma interação entre os interlocutores de determinado discurso. Esse gênero também pode apresentar mais de um tipo textual no mesmo texto, um exemplo disso é a receita culinária, em que temos a parte dos ingredientes a serem utilizados na receita, que, nesse caso, trata-se de um texto descritivo, e o modo de preparo, que se enquadra no texto injuntivo. Portanto, os gêneros textuais são materializados e têm como propriedade características sociocomunicativas do dia a dia, enquanto os tipos textuais são nomeados por uma ação prática e fazem parte do domínio discursivo. São definidos por seus aspectos lexicais, sintáticos, tempos verbais e suas relações lógicas, que, por conseguinte, são inseridos na narração, na argumentação, na exposição, na descrição e na injunção. Vejamos, a seguir, cada um deles. FIGURA 20 Existem diferentes gêneros textuais que são classificados com base em suas características FONTE Freepik 49 Fundamentos da Produção de Texto O Discurso no Texto e os Gêneros Textuais Capitulo 4 TEXTO NARRATIVO Os textos narrativos discorrem pelas ações de personagens no tempo e no espaço. São exemplos de gêneros textuais narrativos: novelas, contos, romances, crônicas, lendas, fábulas. Normalmente, esse tipo de texto é escrito em prosa, e conta algum acontecimento ou fato. A narração divide-se em: • Introdução, em que o autor apresenta os personagens, o local e o tempo em que acontece a história. • Desenvolvimento, em que a história se desenrola com foco nas ações dos personagens. • Conclusão, parte final da narrativa, em que os conflitos vão tendo um desfecho. TEXTO DESCRITIVO Os textos descritivos têm a atribuição de relatar, de maneira detalhada, pessoa, acontecimento, objeto e lugar, de modo a transmitir para o leitor a descrição detalhada de algo. Para tal objetivo, alguns enfoques são analisados, como função, sensação, cor, peso, localização, dentre outros. Esses enfoques são importantes nesse tipo texto. Diante disso, os textos descritivos são aqueles que se ocupam em relatar e expor determinada pessoa, objeto, lugar e acontecimento. Dessa forma, são textos carregados de adjetivos. São exemplos de gêneros textuais descritivos: relatos, notícias, diários, currículos, lista de compras, anúncios, cardápio etc. Sua estrutura segue a mesma do gênero narrativo, composta por introdução, desenvolvimento e conclusão. FIGURA 21 Os textos descritivos têm como principal objetivo descrever algum objeto, pessoa ou acontecimento FONTE Freepik 50 Fundamentos da Produção de Texto O Discurso no Texto e os Gêneros Textuais Capitulo 4 As características do gênero descritivo são: • Retrato verbal. • Predominância de adjetivos e locuções adjetivas. • Emprego de comparação e enumeração. • Presença de verbos de ligação. • Verbos flexionados no presente ou no pretérito. • Emprego de orações coordenadas justapostas. De acordo com o objetivo do texto, as descrições podem ser classificadas em: • Subjetivas: descrevem algo, evidenciando as impressões pessoais do emissor do texto, ou seja, são aqueles textos literários carregados de marcas do escritor. • Objetivas: o texto procura descrever,