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RESUMO TUTORIAL 1 MÓDULO 3 1. Reconhecer as principais farmacodermias graves: DRESS; eritema multiforme; NET; SSJ; PEGA • Síndrome DRESS o Drug Reaction with Eosinophilia and Systemic Symptoms o Anticonvulsivantes aromáticos e sulfonamidas (dapsona) o Erupção cutânea clinicamente inespecífica -> macular ou papulosa pruriginosa, de distribuição cefalocaudal ▪ Edema facial!!! ▪ Febre ▪ Dor articular ▪ Lesão hepática • Hepatoesplenomegalia ▪ Miocardite ▪ Nefrite ▪ Pneumonite ▪ Linfadenopatia generalizada ▪ Eosinofilia o Geralmente ocorre na 1ª exposição (2-6 semanas após) o Leucocitose, linfócitos atípicos e eosinofilia o Órgãos-alvo ▪ Rim ▪ Coração ▪ Pulmão ▪ Fígado • Insuficiência hepática é a principal causa de morte • Eritema multiforme • Síndrome de instalação aguda, de etiologia nem sempre conhecida, autolimitada, caracterizada por lesões cutâneas e/ou mucosas de morfologia variada, em geral recorrente, com comprometimento visceral ocasional • Lesões eritematopapulosas ou eritematovesicobolhosas, súbitas, purpúricas ou urticadas • “Lesão em alvo” → lesão eritematosa com 3 zonas concêntricas • Palma e planta • Dor e queimação o Pode haver ardor ou prurido discretos • Acomete mais frequentemente cabeça e membros • Só 1 mucosa • SSJ/NET → Azulay o Entendidas, por muitos anos, como entidades distintas, a SJS e a NET são atualmente consideradas espectros opostos de uma mesma doença denominada necrólise epidérmica o Síndrome de Stevens-Johnson ▪ 2 ou + mucosas, com 30% da superfície corpórea acometida o Caracterizadas por por necrose de queratinócitos que resultam no descolamento da epiderme, acometimento mucoso (uretrite, estomatite, balanite, vulvovaginite, conjuntivite, uveíte e até mesmo pan-oftalmia com cegueira subsequente) e por sintomas gerais como febre, mialgias e artralgias • PEGA o Clínica ▪ Pustulose exantemática generalizada aguda (PEGA) ▪ Erupção aguda autolimitada caracterizada por eritema generalizado, sobre o qual surgem pequenas e numerosas pústulas ▪ Geralmente inicia-se nas dobras ▪ Por vezes, as pústulas têm disposição arciforme (arco) ou, ao confluírem, formam lagos de pus ▪ Pode ser observado edema da face e mãos ▪ Febre (38°C) e leucocitose com eventual eosinofilia ▪ Prurido e sensação de queimação podem estar presentes 2. Conhecer os fármacos mais comumente associados a farmacodermia • DRESS o Caracteristicamente causada por anticonvulsivantes (1/3 dos casos) como fenitoína, fenobarbital e carbamazepina ▪ Devido à reação cruzada entre eles (dispõem de anel aromático) • A metabolização é feita por oxidação, que os transforma em aromáticos reativos (óxidos arenos) Estes, por sua vez, devem ser metabolizados em metabólitos não tóxicos pelas enzimas hidroxilase epoxide ou transferase glutationa. Quando a ação destas está deficiente, ocorre acúmulo dos óxidos arenos, que se ligam a macromoléculas proteicas dos tecidos, desencadeando apoptose, necrose celular tóxica ou respostas imunes, inclusive com ativação de alguns tipos de herpes- vírus ▪ A substituição deve ser feita por medicamentos não aromáticos, como ácido valproico, gabapentina, topiramato e levitiracetam. o Alopurinol é uma causa frequente. • Eritema multiforme o Em sua forma minor, o eritema multiforme (EM) está implicado com infecções (herpes simples, Mycoplasma pneumoniae, psitacose, influenza tipo A, adenovírus, histoplasmose etc.) e secundariamente com as substâncias, sobretudo sulfas, penicilinas, fenolftaleína, fenobarbitúricos, alopurinol e dipirona o Dentre as causas dessas manifestações destacam-se os fármacos; uma anamnese bem conduzida pode revelar a etiologia medicamentosa; distinguem-se as sulfas, a penicilina, as fenotiazinas, a isoniazida, o ácido acetilsalicílico e outros • NET/SSJ o Anticonvulsivantes aromáticos, betalactâmicos, sulfonamidas, alopurinol e AINEs (em negrito os que mais causam) o Predisposição genética pode aumentar a chance dessa interação. ▪ Alguns antígenos leucocitários humanos (HLA) já foram relacionados com a maior predisposição para SJS/NET após contato com determinadas substâncias • PEGA o Etiopatogenia ▪ Essencialmente desencadeada por medicamentos, com destaque aos antibióticos, como cefalosporinas, penicilinas e macrolídios, além de outras substâncias, como itraconazol, enalapril, hidroxicloroquina, dobesilato de sódio, talidomida, dissulfiram, terbinafina, alopurinol, paracetamol e inibidores da protease. ▪ Cerca de 80% dos pacientes apresentarão teste de contato positivo para o fármaco desencadeador; raramente algumas infecções como enteroviroses podem desencadeá-la ▪ Foram descritos quatro casos de PEGA fotoinduzida e, desses, além da exposição solar, três estavam em uso de quinolona; em todos eles, a erupção pustulosa limitava-se às áreas fotoexpostas. ▪ Alguns aspectos genéticos já foram identificados, como HLA- B5, DR11 e DQ3. 3. Diagnóstico diferencial das farmacodermias DRESS; eritema multiforme; NET; SSJ; PEGA • DRESS o Exames complementares ▪ Hemograma com eosinofilia ▪ Elevação de AST e ALT ▪ Elevação de CPK → miocardite o Ddx: Exantemas de outras etiologias, pustulose exantemática aguda generalizada (curso pequeno, benigno, sem envolvimento visceral), SSJ– NET, pseudolinfoma induzido por drogas (curso crônico, lesões indolentes, evolução arrastada), doença do soro-like (geralmente urticariforme, com início dos sintomas em mais de 2 semanas, com artralgia e sem envolvimento de órgãos internos), doença de Kawasaki e mononucleose infecciosa. • Eritema multiforme o O início abrupto com lesões simétricas eritematopapulobolhosas polimorfas, localizadas preferentemente no dorso dos pés e das mãos e na face extensora dos membros, sugere o diagnóstico. o É de fundamental importância uma anamnese dirigida, visando à identificação do agente causal. o No diagnóstico diferencial, devem ser considerados: penfigoide bolhoso (depósitos de IgG e C3 na camada basal), urticária policíclica (caracterizada por ser pruriginosa), pênfigo (acantólise), síndrome de Behçet (aftas, úlcera na genitália e uveíte), artrite reativa (uretrite, artrite e conjuntivite) e necrólise epidérmica tóxica (grandes áreas desnudas, como nos grandes queimados). • NET/SSJ o Principal objetivo → identificar a reação antes do descolamento da pele ▪ 3 sinais • Odinofagia • Tosse • Febre ▪ Perguntar se faz uso de alguma medicação ▪ “Dor na pele” → hiperestesia cutânea o Por se tratar de um quadro potencialmente fatal, o diagnóstico deve ser feito prontamente e a diferenciação se faz necessária, principalmente em crianças com suspeita de síndrome da pele escaldada estafilocócica (SSSS) o Atlas Azulay ▪ Eritema multiforme major, eritema polimorfo associado ao herpes simples, queimaduras, erupção fixa medicamentosa generalizada, pustulose exantemática generalizada aguda, erupção fixa medicamentosa, síndrome da pele escaldada estafilocócica, eritrodermia edematosa, penfigoide bolhoso, dermatose por IgA linear, pênfigo paraneoplásico, doença enxerto versus hospedeiro, lúpus eritematoso sistêmico com lesões cutâneas agudas tipo NET ▪ Diferenças entre SSSS e NET • PEGA o O diagnóstico é feito por meio de anamnese (devendo-se observar surgimento agudo das lesões e febre, muitas vezes, após quadro infeccioso tratado com antibiótico) e de histopatologia. o A PEGA se diferencia da psoríase pustulosa generalizada por apresentar correlação com a ingestão de fármacos, ser autolimitada e, eventualmente, revelar vasculitena histopatologia. o O paciente não tem história anterior de psoríase. o A presença de psoríase prévia dificulta a diferença com a psoríase pustulosa generalizada. Outros diagnósticos a serem considerados são doença de SneddonWilkinson (pustulose subcórnea), vasculite pustulosa e DRESS (rash ou reação ao fármaco com eosinofilia e sintomas sistêmicos). Nas formas graves pode assemelharse à síndrome estafilocócica da pele escaldada (SSSS). 4. Manejo das farmacodermias • DRESS o Tto ▪ Corticoide oral em altas doses (diminuir lentamente) • 1-1,5 mg/kg/dia de prednisona o Lidar com efeitos • Por pelo menos 2 meses o Azulay ▪ O tratamento consiste na pronta interrupção do fármaco envolvido, associado ao uso de corticosteroides sistêmicos (1 a 1,5 mg de prednisona ou equivalente), devendo ser mantido até absoluto controle da doença (4 a 6 semanas) antes de se iniciar uma redução lenta e gradual. ▪ Em caso de piora do quadro, deve-se considerar pulso de corticosteroide ou uso de imunoglobulina • Eritema multiforme o Tto ▪ Tratar o HSV • Recidiva herpes = recidiva eritema ▪ Suspender o medicamento ▪ Idiopático → corticoide oral AZULAY: o Sintomático (hidratação, compressas, banhos) e antibioticoterapia. o Quando há suspeita de etiologia herpética, deve ser utilizada a terapia antiviral sistêmica, que, entretanto, pode não modificar o curso depois de iniciado o processo. o Há autores que indicam corticosteroides bem logo no início do quadro (prednisona com doses iniciais elevadas: 60 a 80 mg), porém o benefício é controverso. o Tem sido preconizado, atualmente, o tratamento com imunoglobulina humana na dose de 0,5 a 0,75 g/kg/dia, por 4 dias ou mais. ▪ São possíveis efeitos adversos da terapia com imunoglobulina: cefaleia, dor lombar, cãibras, febre, mialgias, náuseas, vômitos e anafilaxia, porém são raros e, em geral, autolimitados, com possibilidade de serem mitigados com o uso prévio de anti-histamínicos. • SSJ/NET o Tratamento de suporte / sintomático ▪ Raramente se faz corticoide • Cicatrização lenta • Aumento do risco de infecção ▪ Isolamento de contato • Para diminuir a chance de infecção secundária (o que + mata) ▪ Hidratação ▪ Correção de dist hidroeletrolíticos ▪ Curativos → estomaterapia ▪ Ciclosporina ou imunoglobulina ▪ Terapia intensiva ▪ Cuidados de um grande queimado • PEGA o Essencialmente sintomático o Nos casos mais extensos e com manifestações sistêmicas intensas, o corticosteroide sistêmico é empregado, além da retirada do medicamento desencadeante. o A ciclosporina na dose de 3 mg/kg de peso, 2 vezes/dia, por 1 semana, seguida de 1,5 mg/kg também por 1 semana, parece ser superior à corticoterapia sistêmica, sendo, portanto, uma excelente indicação para pacientes com contraindicação ao uso de esteroides.