Prévia do material em texto
Professor(a) Me. Marcela Cristina da Silva QUÍMICA INSTRUMENTAL II 2023 by Editora Edufatecie. Copyright do Texto C 2023. Os autores. Copyright C Edição 2023 Editora Edufatecie. O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correção e confiabilidade são de responsabilidade exclusiva dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Permitido o download da obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem a possibilidade de alterá-la de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais. REITORIA Prof. Me. Gilmar de Oliveira DIREÇÃO ADMINISTRATIVA Prof. Me. Renato Valença DIREÇÃO DE ENSINO PRESENCIAL Prof. Me. Daniel de Lima DIREÇÃO DE ENSINO EAD Profa. Dra. Giani Andrea Linde Colauto DIREÇÃO FINANCEIRA Eduardo Luiz Campano Santini DIREÇÃO FINANCEIRA EAD Guilherme Esquivel COORDENAÇÃO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO Profa. Ma. Luciana Moraes COORDENAÇÃO ADJUNTA DE ENSINO Profa. Dra. Nelma Sgarbosa Roman de Araújo COORDENAÇÃO ADJUNTA DE PESQUISA Profa. Ma. Luciana Moraes COORDENAÇÃO ADJUNTA DE EXTENSÃO Prof. Me. Jeferson de Souza Sá COORDENAÇÃO DO NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal COORDENAÇÃO DE PLANEJAMENTO E PROCESSOS Prof. Me. Arthur Rosinski do Nascimento COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA EAD Profa. Ma. Sônia Maria Crivelli Mataruco COORDENAÇÃO DO DEPTO. DE PRODUÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS Luiz Fernando Freitas REVISÃO ORTOGRÁFICA E NORMATIVA Beatriz Longen Rohling Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante Caroline da Silva Marques Eduardo Alves de Oliveira Isabelly Oliveira Fernandes de Souza Jéssica Eugênio Azevedo Louise Ribeiro Marcelino Fernando Rodrigues Santos Vinicius Rovedo Bratfisch PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Bruna de Lima Ramos Carlos Firmino de Oliveira Hugo Batalhoti Morangueira Giovane Jasper Vitor Amaral Poltronieri ESTÚDIO, PRODUÇÃO E EDIÇÃO André Oliveira Vaz DE VÍDEO Carlos Henrique Moraes dos Anjos Pedro Vinícius de Lima Machado Thassiane da Silva Jacinto FICHA CATALOGRÁFICA Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP S586q Silva, Marcela Cristina da Química instrumental II / Marcela Cristina da Silva. Paranavaí: EduFatecie, 2024. 106 p.: il. Color. 1. Química. 2. Eletroquímica. 3. Microbiologia médica 4. Espectrômetro. I. Centro Universitário UniFatecie. II. Núcleo de Educação a Distância. III. Título. CDD: 23. ed. 543.08 Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577 As imagens utilizadas neste material didático são oriundas do banco de imagens Shutterstock . 3 AUTORA Professor(a) Me. Marcela Cristina da Silva • Bacharela em Química pela Universidade Estadual de Maringá; • Mestre em Química pela Universidade Estadual de Maringá; • Doutoranda em Ciências pela Universidade Estadual de Maringá. Graduada e mestre em química pela Universidade Estadual de Maringá, com doutorado em andamento na mesma universidade. Exerço a função de pesquisadora dentro da universidade desde fevereiro de 2017 quando iniciei o mestrado na área de química analítica com ênfase em química de materiais, sigo nesta mesma linha de pesquisa atualmente com o doutorado. Informações e contato: Currículo Plataforma Lattes: http://lattes.cnpq.br/6399668432505376 Professor(a) Me. Marcela Cristina da Silva http://lattes.cnpq.br/6399668432505376 4 APRESENTAÇÃO Olá querido(a) Aluno(a)! Seja muito bem-vindo ao início desta jornada de construção de conhecimentos no universo da química. A química é uma ciência fundamental que desempenha um papel crucial na nossa compreensão e desenvolvimento do mundo ao nosso redor. Ela estuda a composição, estrutura, propriedades e transformações da matéria. A química instrumental desempenha um papel essencial no avanço da química como ciência. Ela envolve o uso de técnicas e instrumentos analíticos para identificar, quantificar e caracterizar compostos químicos, além de investigar suas propriedades e interações. Portanto, nesta matéria, Química Instrumental II, vamos nos aprofundar ainda mais nas técnicas e instrumentos estudados em química instrumental. Na Unidade I, retomaremos conceitos básicos de química instrumental, métodos analíticos e instrumentação científica, além de conhecer a importância da etapa de preparo de amostras. Na Unidade II, abordaremos os métodos térmicos de análise, como termogravimetria (TG) e análise térmica diferencial (DTA). Esses métodos se baseiam nas propriedades térmicas dos materiais, e as propriedades físicas ou químicas são monitoradas em um ambiente controlado, permitindo avaliar variações de massa, estabilidade térmica, entre outras propriedades. Na Unidade III, você conhecerá mais sobre os métodos eletroquímicos, incluindo técnicas como voltametria, amperometria e coulometria. Na Unidade IV, finalizaremos o conteúdo da disciplina com o estudo de novas técnicas de espectroscopia, como a espectroscopia de massas (MS) e a espectroscopia de ressonância magnética nuclear (RMN). Permaneça atento ao longo do conteúdo, tire todas as suas dúvidas, realize as atividades e consulte a bibliografia recomendada para obter um bom desempenho nesta disciplina tão importante. Bons estudos 5 SUMÁRIO Métodos espectroscópicos Métodos eletroquímicos de análise Métodos térmicos de análise Introdução à química instrumental II Professor(a) Me. Marcela Cristina da Silva INTRODUÇÃO À QUÍMICA INSTRUMENTAL II1UNIDADEUNIDADE PLANO DE ESTUDO 7 Plano de Estudos • Métodos Analíticos; • Instrumentação Científica; • Calibração e Validação dos Métodos analíticos; • Processo Analítico. Objetivos da Aprendizagem • Compreender a diferença entre métodos clássicos e instrumentais; • Conhecer os tipos de instrumentação científica; • Estabelecer a importância da calibração e validação dos métodos instrumentais; • Entender as etapas do processo analítico e aprender a selecionar o melhor método analítico para análises específicas. INTRODUÇÃO À QUÍMICA INSTRUMENTAL IIUNIDADE 1 8 INTRODUÇÃO Olá, tudo bem? Seja bem-vindo (a) a Unidade I da disciplina de Química Instrumental II. Vamos iniciar mais uma trilha em busca de conhecimento, separe um tempo para estudar os temas seguintes com atenção, e siga comigo nesta jornada. Nesta unidade, vamos dar continuidade aos estudos sobre química instrumental, retomar e aprofundar conceitos. A química instrumental é crucial para a obtenção de informações detalhadas sobre as substâncias químicas e o estudo de suas propriedades. Ela desempenha um papel fundamental em diversas áreas da química, contribuindo para a pesquisa científica, o desenvolvimento de produtos, a segurança e a qualidade dos processos químicos. Primeiramente, vamos retomar a diferença entre métodos clássicos e instrumentais, aprendendo a fazer distinção e identificar as principais características desses dois grupos de métodos. Em seguida, iremos conhecer novos tipos de instrumentação e como são classificadas. No terceirodesprendidos e Análise de Volatilização, Térmica, tornaram-se métodos extremamente úteis na caracterização ou no estudo de propriedades térmicas, no desempenho do material, avaliação de, decomposição, controle de reações químicas, falhas de processo e operação, elucidação da cinética e do mecanismo dos processos, além do controle e, garantia da qualidade de produtos. FILME/VÍDEO • Título: Radioactive • Ano: 2020 • Sinopse: Movida por uma mente brilhante e uma grande paixão, Marie Curie embarca em uma jornada científica com o marido, Pierre, para explicar elementos radioativos até então desconhecidos. Logo se torna evidente que seu trabalho pode levar salvar milhares de vidas se aplicado na medicina - ou destruir bilhões se for usado na guerra. MÉTODOS TÉRMICOS DE ANÁLISEUNIDADE 2 48 MATERIAL COMPLEMENTAR WEB • Nome: Termogravimetria - TG 7300 - operação do equipamento e software • Resumo: Apresentação de como operar o equipamento TG/DTA 7300, Marca Hitachi (antiga SII Nano/ Seiko). Neste caso, uma amostra de oxalato de cálcio monohidratada, sob atmosfera de nitrogênio com faixa de aquecimento de 30 a 850 °C e razão de aquecimento de 10 °C por minuto. • Link do site: https://www.youtube.com/watch?v=nwCJB2e6e3U MÉTODOS TÉRMICOS DE ANÁLISEUNIDADE 2 https://www.youtube.com/watch?v=nwCJB2e6e3U Professor(a) Me. Marcela Cristina da Silva MÉTODOS ELETROQUÍMICOS DE ANÁLISE3UNIDADEUNIDADE PLANO DE ESTUDO 50 Plano de Estudos • Análise Voltamétrica; • Análise Amperométrica; • Análise Coulométrica Objetivos da Aprendizagem • Conhecer os princípios, instrumentação e aplicações da voltametria, amperometria e coulometria. • Entender as diferenças entre as técnicas voltamétricas, amperométricas e coulométricas. • Aprender a interpretar as respostas das técnicas estudadas. MÉTODOS ELETROQUÍMICOS DE ANÁLISEUNIDADE 3 51 Olá, aluno (a)! Preparado (a) para iniciar mais uma unidade? É com satisfação que damos as boas-vindas à terceira unidade da disciplina de Química Instrumental II. Agradecemos por estar aqui, pois juntos embarcaremos em uma jornada de exploração dos métodos eletroquímicos. Queremos instigá-lo a mergulhar no conhecimento dessas técnicas, que desempenham um papel fundamental na compreensão das propriedades elétricas das soluções contendo analitos de interesse. Nesta unidade, apresentaremos informações essenciais para esclarecer definições, diferenças e aplicações dos métodos eletroquímicos. Ao focarmos em técnicas voltamétricas, amperométricas e coulométricas, discutiremos seus princípios, a instrumentação envolvida e, claro, suas aplicações práticas. Compreendemos a importância da sua participação ativa nesta jornada, pois a compreensão dos métodos eletroquímicos aqui abordados é crucial. Você verá como essas técnicas têm um papel fundamental na determinação qualitativa e quantitativa de compostos orgânicos e inorgânicos, abrangendo diversas áreas da química. Preparado para começar? Sugerimos que se dedique atentamente ao estudo deste material. Além disso, incentivamos a leitura dos artigos e livros complementares recomendados, bem como a exploração dos filmes e vídeos indicados, que enriquecerão ainda mais sua compreensão. Aproveite esta oportunidade de aprendizado e esteja certo de que estamos aqui para apoiá-lo em sua jornada rumo ao conhecimento dos métodos eletroquímicos. Vamos começar juntos! INTRODUÇÃO MÉTODOS ELETROQUÍMICOS DE ANÁLISEUNIDADE 3 52 Os métodos voltamétricos se fundamentam na avaliação da corrente em relação ao potencial aplicado a um diminuto eletrodo. Nesse contexto, a voltametria se desenvolve por meio da aplicação de um potencial elétrico variável entre o eletrodo de trabalho e o eletrodo de referência. A corrente que surge é mensurada, o que proporciona insights acerca das espécies eletroativas presentes na solução (Pacheco et al., 2013). O procedimento típico engloba a variação do potencial aplicado ao eletrodo de trabalho em relação ao eletrodo de referência. Essa variação ocorre em um ritmo constante, e durante esse processo, a corrente resultante é avaliada. À medida que o potencial vária, reações redox acontecem na interface entre o eletrodo e a solução. Essas reações compreendem a transferência de elétrons entre o eletrodo e as espécies presentes na solução (Aleixo, 2003). No contexto das celas eletroquímicas utilizadas na voltametria, é possível empregar configurações com dois ou três eletrodos. Essas células, em sua maioria, são projetadas para criar um ambiente sob controle para a reação eletroquímica, garantindo medidas precisas e reprodutíveis (Pacheco et al., 2013). Na disposição de dois eletrodos, encontramos um eletrodo de trabalho com área superficial relativamente pequena em conjunto com um eletrodo de referência de área proporcionalmente maior. Nesse arranjo, o potencial é aplicado ao eletrodo de trabalho em relação ao eletrodo de referência. Todavia, essa configuração traz consigo algumas desvantagens, uma vez que a corrente resultante da variação percorre o eletrodo de referência (Pacheco et al., 2013). ANÁLISE VOLTAMÉTRICA1 TÓPICO MÉTODOS ELETROQUÍMICOS DE ANÁLISEUNIDADE 3 53MÉTODOS ELETROQUÍMICOS DE ANÁLISEUNIDADE 3 Diante disso, as células eletroquímicas com três eletrodos se destacam como a abordagem preponderante na voltametria, tendo o terceiro eletrodo referido como eletrodo contra ou auxiliar. Tal eletrodo foi introduzido com o objetivo de evitar interferências no eletrodo de referência, uma vez que, nesse arranjo, a corrente flui entre o eletrodo de trabalho e o auxiliar, minimizando quaisquer perturbações na integridade do eletrodo de referência (Pacheco et al., 2013). É no eletrodo de trabalho que ocorre a reação eletroquímica de interesse. Ele é geralmente feito de materiais condutores, como platina, ouro ou eletrodo de carbono vítreo. O eletrodo de trabalho é o responsável por receber a varredura de potencial e medir a corrente resultante da reação. Enquanto o eletrodo de referência é responsável por fornecer um potencial fixo e estável de referência contra o qual o potencial do eletrodo de trabalho é medido. O potencial do eletrodo de referência deve ser constante e conhecido para que as medições sejam calibradas corretamente. Alguns exemplos comuns de eletrodos de referência são o eletrodo de prata/cloreto de prata (Ag/AgCl) e o eletrodo de calomelanos (SCE). E por fim, o eletrodo auxiliar é responsável por fornecer uma corrente elétrica constante e suficientemente alta para compensar a corrente resultante no eletrodo de trabalho durante a varredura de potencial. Isso garante que a corrente medida seja devida apenas às reações eletroquímicas ocorrendo no eletrodo de trabalho, sem alterações significativas no potencial do eletrodo de referência (Skoog et al., 2015). Esses três eletrodos trabalham em conjunto para medir a corrente resultante durante a varredura de potencial na voltametria. A célula eletroquímica é normalmente preenchida com uma solução eletrolítica que contém a espécie de interesse ou analito, além de um eletrólito suporte que melhora a condutividade iônica e estabiliza o potencial elétrico. Um eletrólito é uma substância que, ao ser dissolvida em um determinado solvente, gera uma solução com uma condutividade elétrica superior à do próprio solvente. Quando a água é solvente, exemplos de eletrólitos incluem sais, como o cloreto de sódio, ácidos, como o ácido sulfúrico, e bases, como o hidróxido de sódio. Essas substâncias, ao interagirem com a água, se dissociam em íons, os quais têm a capacidade de transportar cargas elétricas através da solução, conferindo-lhes propriedades condutoras (Agostinho et al., 2004). As células eletroquímicas utilizadas em voltametria são projetadas para serem herméticas e garantir que o ambiente seja controlado e livre de interferências externas, garantindo medidas precisas e reprodutíveis. 54MÉTODOSELETROQUÍMICOS DE ANÁLISEUNIDADE 3 FIGURA 1: ESQUEMA DE CÉLULA ELETROQUÍMICA EM CONFIGURAÇÃO DE TRÊS ELETRODOS. Fonte: Rezende et al., 2017 Na voltametria, a corrente resultante (i) está em função do potencial aplicado, o registro da corrente em função do potencial é denominado voltamograma e a magnitude da corrente obtida pela transferência de elétrons durante um processo de oxirredução, pode ser relacionada com a quantidade de analito presente na interface do eletrodo e consequentemente, na cela eletroquímica. Os voltamogramas fornecem informações valiosas sobre as espécies eletroativas presentes na solução, incluindo os potenciais de pico, a intensidade das correntes e os potenciais de meia onda. Essas informações podem ser usadas para identificar os componentes de uma amostra e determinar suas concentrações (Skoog et al., 2015) A voltametria é especialmente útil para o estudo de espécies eletroativas que não têm absorção óptica significativa ou quando a quantidade de amostra é muito pequena para técnicas espectroscópicas. É amplamente utilizada em diversas áreas, como análise química, ciências ambientais, eletroquímica, estudos de eletrocatalisadores, monitoramento de poluentes, análise de metais em amostras biológicas, amplamente empregada em laboratórios de pesquisa, indústria e controle de qualidade. Existem diferentes variações da técnica de voltametria, como voltametria de varredura linear (onde o potencial é varrido linearmente), voltametria de onda quadrada (onde o potencial é variado em pulsos retangulares) e voltametria de pulso diferencial (onde a corrente é medida durante pulsos de tensão). 55MÉTODOS ELETROQUÍMICOS DE ANÁLISEUNIDADE 3 1.1 Voltametria de varredura linear A voltametria de varredura linear é uma técnica eletroquímica muito utilizada para estudar reações redox e determinar a concentração de espécies eletroativas em uma solução. Nessa técnica, o potencial aplicado ao eletrodo de trabalho é varrido linearmente em relação ao tempo, geralmente de forma contínua e repetitiva. Esta técnica possibilita a aplicação de velocidades de varredura relativamente altas (até́ 1000 mV s-1), no entanto, não é uma técnica muito sensível (Skoog et al., 2015). A voltametria de varredura linear é amplamente utilizada em pesquisa, análises laboratoriais e controle de qualidade em diversas áreas, incluindo química, ciências ambientais, eletroquímica, e ciências dos materiais. Ela é particularmente útil para estudar a cinética de reações redox e para analisar substâncias que não têm absorção óptica significativa ou cujas concentrações são baixas demais para serem detectadas por outras técnicas analíticas. O procedimento básico da voltametria de varredura linear consiste na preparação da célula eletroquímica contendo três eletrodos, sendo eles o eletrodo de trabalho (geralmente uma platina, ou ouro, ou eletrodo de carbono vítreo), o eletrodo de referência (que estabelece um potencial fixo de referência) e o eletrodo auxiliar (que fornece uma corrente constante para compensar a corrente do eletrodo de trabalho). Inicia-se a varredura do potencial aplicado ao eletrodo de trabalho em relação ao eletrodo de referência (Pacheco et al., 2013). O potencial é aumentado ou diminuído linearmente ao longo do tempo em uma direção específica. Durante a varredura de potencial, a corrente resultante é medida e registrada em função do potencial aplicado. Esse gráfico corrente-potencial é chamado de voltamograma. O voltamograma exibe picos de corrente, que correspondem a reações redox específicas na interface eletrodo/solução. Esses picos são característicos de espécies eletroativas presentes na solução. Com base na intensidade dos picos de corrente, é possível quantificar a concentração das espécies eletroativas na solução, desde que seja conhecida a relação entre a corrente e a concentração (Skoog et al., 2015). 56MÉTODOS ELETROQUÍMICOS DE ANÁLISEUNIDADE 3 FIGURA 2. REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DA VOLTAMETRIA COM VARREDURA LINEAR: A) VARIAÇÃO DO POTENCIAL EM FUNÇÃO DO TEMPO, B) VARIAÇÃO DA CORRENTE EM FUNÇÃO DO POTENCIAL Fonte: Pacheco et al., 2013 1.2 Voltametria cíclica A voltametria cíclica é uma técnica eletroquímica amplamente utilizada para investigar reações redox, determinar concentrações de espécies eletroativas em uma solução e estudar a cinética das reações eletroquímicas. Nessa técnica, o potencial aplicado ao eletrodo de trabalho é varrido linearmente em relação ao tempo, mas de maneira cíclica, ou seja, a varredura é repetida continuamente (Skoog et al., 2015). Assim como em outras técnicas voltamétricas, uma célula eletroquímica é montada com três eletrodos: o eletrodo de trabalho, o eletrodo de referência e o eletrodo auxiliar. A solução eletrolítica contendo o analito de interesse também é preparada. Inicia-se a varredura de potencial aplicado ao eletrodo de trabalho em relação ao eletrodo de referência. O potencial é aumentado linearmente e, em seguida, diminuído de volta ao valor inicial. Esse processo é repetido continuamente para criar o ciclo (Skoog et al., 2015). Durante a varredura de potencial, a corrente resultante é medida e registrada como função do potencial aplicado. O gráfico corrente-potencial resultante é chamado de voltamograma cíclico. O voltamograma cíclico exibe picos de corrente, que são características das reações redox ocorrendo na interface eletrodo/solução. Esses picos fornecem informações sobre as espécies presentes na solução, seus potenciais de pico e outros parâmetros relacionados. Com base nas propriedades dos picos de corrente, é 57MÉTODOS ELETROQUÍMICOS DE ANÁLISEUNIDADE 3 possível determinar as concentrações das espécies eletroativas presentes na solução, bem como estudar a cinética das reações redox (Campestrini, 2010). Os voltamogramas cíclicos fornecem informações valiosas sobre os processos eletroquímicos que ocorrem em uma solução e são amplamente empregados em laboratórios de pesquisa, indústria e controle de qualidade para a análise quantitativa e qualitativa de substâncias eletroativas. FIGURA 3: (A) APLICAÇÃO DO POTENCIAL NA VOLTAMETRIA CÍCLICA E (B) PERFIL DO VOLTAMOGRAMA CÍCLICO. Fonte: Campestrini, 2010 1.3 Voltametria de pulso diferencial A voltametria de pulso diferencial é especialmente útil para a determinação quantitativa de espécies eletroativas em solução e para estudar reações redox. A DPV é uma variação da voltametria de pulso, onde um pulso de tensão é aplicado ao eletrodo de trabalho, seguido por uma pausa antes de medir a corrente resultante (Skoog et al., 2009). O procedimento básico da voltametria de pulso diferencial envolve a preparação da célula eletroquímica contendo os três eletrodos (eletrodo de trabalho, eletrodo de referência e eletrodo auxiliar) é montada, assim como na voltametria de varredura linear. A aplicação do pulso de tensão ao eletrodo de trabalho é feita por um período curto e bem definido de tempo. Esse pulso de tensão tem amplitude suficiente para promover reações redox nas espécies eletroativas presentes na solução. Após o término do pulso de tensão, há uma pausa curta antes de medir a corrente resultante. Essa pausa permite que as reações redox atinjam o equilíbrio na interface eletrodo/solução (Pacheco et al., 2013). Durante a pausa, a corrente resultante é medida e registrada. Essa corrente é a diferença entre a corrente de oxidação e a corrente de redução das espécies eletroativas na interface eletrodo/solução. O voltamograma resultante mostra picos de corrente 58MÉTODOS ELETROQUÍMICOS DE ANÁLISEUNIDADE 3 característicos que correspondem às reações redox das espécies presentes na solução. A posição do pico (potencial de pico) e sua intensidade são informações valiosas para a determinação da concentração das espécies eletroativas na solução (Pacheco et al., 2013). A vantagem da voltametria de pulso diferencial em relação a outras técnicas de voltametriareside na sua alta sensibilidade e capacidade de separar os sinais eletroquímicos de espécies diferentes, mesmo em soluções complexas. A técnica é frequentemente utilizada para quantificação precisa de analitos em baixas concentrações e em amostras que contêm várias espécies eletroativas. Além disso, a DPV é especialmente útil para estudos de cinética de reações redox, devido ao curto tempo de aplicação do pulso de tensão e da pausa antes da medição da corrente (Skoog et al., 2015). Em resumo, a voltametria de pulso diferencial é uma técnica eletroquímica avançada que usa pulsos de potencial para melhorar a sensibilidade, seletividade e precisão das medições de corrente, tornando-a uma escolha poderosa para a análise de espécies redox em soluções complexas. FIGURA 4: SINAIS DE EXCITAÇÃO PARA VOLTAMETRIA DE PULSO DIFERENCIAL E VARIAÇÃO DA CORRENTE EM FUNÇÃO DO POTENCIAL. Fonte: Pacheco et al., 2013 1.4 Voltametria de onda quadrada A voltametria de onda quadrada é uma técnica eletroquímica que envolve a aplicação de pulsos de potencial em forma de onda quadrada ao eletrodo de trabalho. Essa técnica é usada para determinar a concentração de espécies eletroativas em uma solução e estudar suas características redox. A principal característica da voltametria de onda quadrada é a aplicação de uma série de pulsos de potencial de amplitude fixa e duração específica ao 59MÉTODOS ELETROQUÍMICOS DE ANÁLISEUNIDADE 3 eletrodo de trabalho. A frequência de aplicação dos pulsos é geralmente mantida constante. A corrente resultante é medida durante a parte de subida ou descida da onda quadrada, resultando em um gráfico corrente-tempo (Skoog et al., 2009). A tensão é aplicada em forma de pulsos de potencial, que têm uma forma de onda quadrada. Esses pulsos têm uma amplitude fixa e duração específica. A frequência de aplicação dos pulsos é constante. Durante cada pulso, a corrente resultante é medida. Essa corrente é registrada como função do tempo. A análise dos gráficos corrente-tempo resultantes pode revelar picos de corrente que indicam as reações redox que ocorrem na interface eletrodo/solução. A posição e a intensidade desses picos podem fornecer informações sobre as espécies eletroativas presentes e suas concentrações. A voltametria de onda quadrada é conhecida por sua alta sensibilidade, o que a torna particularmente útil para a detecção de espécies em concentrações baixas (Pacheco et al., 2009). A voltametria de onda quadrada é frequentemente usada em pesquisas e aplicações analíticas onde alta sensibilidade e seletividade são necessárias. Ela pode ser aplicada em uma variedade de amostras, incluindo soluções aquosas, amostras biológicas, alimentos, produtos farmacêuticos e materiais diversos. Além disso, a técnica é menos afetada por interferências e ruídos de fundo do que algumas outras técnicas voltamétricas, o que a torna uma escolha vantajosa em muitos contextos analíticos (Campestrini et al., 2010). FIGURA 5: SINAIS DE EXCITAÇÃO PARA VOLTAMETRIA DE ONDA QUADRADA E VARIAÇÃO DA CORRENTE EM FUNÇÃO DO POTENCIAL Fonte: Pacheco et al., 2013 60 A amperometria é uma técnica eletroquímica onde a corrente, proporcional à concentração do analito, é monitorada mantendo o potencial fixo. Essa técnica é usada para determinar a concentração de espécies eletroativas ou redutoras em uma solução, bem como para estudar reações eletroquímicas em sistemas diversos (Skoog et al., 2009). Na amperometria um eletrodo de trabalho é imerso na solução de interesse. Quando a reação redox ocorre na interface eletrodo/solução, os elétrons são transferidos entre o eletrodo e as espécies presentes na solução. Um potencial fixo é aplicado ao eletrodo de trabalho em relação a um eletrodo de referência. Esse potencial é ajustado para permitir que a reação redox ocorra e a corrente flua (Skoog et al., 2009). A corrente elétrica gerada pela transferência de elétrons na reação é medida. Essa corrente é diretamente proporcional à taxa de reação e à concentração das espécies eletroativas na solução. A amperometria pode ser realizada de várias maneiras, dependendo do objetivo da análise (Quintino, 2003). A amperometria é amplamente aplicada em diversas áreas, como análise clínica (determinação de glicose no sangue, por exemplo), análise de alimentos, monitoramento ambiental, estudos de eletrocatalisadores e sistemas bioeletroquímicos, entre outros. Sua simplicidade, sensibilidade e ampla faixa de aplicação a tornam uma técnica valiosa em muitos laboratórios de pesquisa e análises (Quintino, 2003). ANÁLISE AMPEROMÉTRICA2 TÓPICO MÉTODOS ELETROQUÍMICOS DE ANÁLISEUNIDADE 3 61MÉTODOS ELETROQUÍMICOS DE ANÁLISEUNIDADE 3 FIGURA 6: APLICAÇÃO DE UM ÚNICO DEGRAU DE POTENCIAL (A) E RESPOSTA DE CORRENTE PARA UM EXPERIMENTO DE DEGRAU ÚNICO DE POTENCIAL (B). Fonte: Quintino, 2003) 2.1 Amperometria de Injeção em Fluxo A Amperometria de Injeção em Fluxo é uma técnica eletroquímica que combina os princípios da amperometria com a análise em fluxo. Nessa técnica, uma solução de amostra é injetada continuamente na célula eletroquímica, onde a corrente elétrica resultante da reação redox é medida em função do tempo. A Amperometria de Injeção em Fluxo é uma técnica automatizada que oferece vantagens de alta taxa de amostragem e menor consumo de reagentes em comparação com outros métodos eletroquímicos convencionais (Resende et al., 2020). Um sistema de injeção é usado para introduzir a amostra na célula eletroquímica. Isso pode ser feito usando uma bomba peristáltica ou um injetor de amostras. A amostra é injetada em um fluxo contínuo de uma solução de eletrólito suporte, que também atua como uma matriz para a análise. A corrente resultante da reação redox é medida enquanto a amostra flui através da célula eletroquímica. A corrente é diretamente proporcional à concentração das espécies eletroativas presentes na amostra (Resende et al., 2020). A corrente medida é registrada em função do tempo, resultando em um gráfico corrente-tempo (amperograma). Picos de corrente no amperograma indicam a presença e a concentração de espécies eletroativas na amostra. A análise dos picos de corrente e de sua posição nos amperogramas pode fornecer informações sobre a concentração e a natureza das espécies presentes na amostra (Skoog, 2009). A Amperometria de Injeção em Fluxo é frequentemente usada em aplicações analíticas que envolvem uma alta taxa de amostragem e a necessidade de análise automatizada. Ela é utilizada em uma variedade de áreas, como análises clínicas, controle de qualidade industrial, monitoramento ambiental e estudos bio eletroquímicos. A técnica 62MÉTODOS ELETROQUÍMICOS DE ANÁLISEUNIDADE 3 é especialmente útil quando se trabalha com amostras que contêm espécies redox de interesse em concentrações baixas, onde a sensibilidade é crucial (Santos et al., 2011). FIGURA 7: ESQUEMA ILUSTRATIVO DE MODELO DE CÉLULA ELETROQUÍMICA PARA ANÁLISE AMPEROMETRICA EM FLUXO CONTÍNUO. Fonte: Resende et al., 2020 2.2 Amperometria Pulsada A Amperometria Pulsada envolve a aplicação de pulsos intermitentes de potencial ao eletrodo de trabalho para medir a corrente resultante. Essa técnica é utilizada para estudar reações redox rápidas, determinar a concentração de espécies eletroativas e melhorar a seletividade e sensibilidade das medições (Santos et al., 2011). Na Amperometria Pulsada, pulsos de potencial são aplicados ao eletrodo de trabalho. Cada pulso tem uma amplitude fixa e uma duração específica. Esses pulsos podem ser aplicados em diferentes frequências e padrões, dependendo do sistema em estudo. Durante cada pulso de potencial, a corrente resultante da reação redox é medida. A corrente gerada pela reação é proporcional à concentração das espécies eletroativas presentes na solução (Skoog et al., 2009). Entre cada pulso de potencial, há um intervalo de espera durante o qual a corrente de fundoé medida. Isso ajuda a retornar a corrente ao seu valor inicial antes do próximo pulso. A análise dos dados da corrente resultante em função do potencial ou do tempo 63MÉTODOS ELETROQUÍMICOS DE ANÁLISEUNIDADE 3 pode revelar picos de corrente característicos. Esses picos são usados para determinar a presença e a concentração de espécies eletroativas na solução. A principal vantagem da Amperometria Pulsada é sua capacidade de estudar reações redox rápidas e melhorar a sensibilidade e a seletividade das medidas de corrente. Isso é particularmente útil quando se trabalha com amostras que contêm espécies redox de interesse em concentrações baixas ou em sistemas complexos. A técnica é frequentemente usada em análises clínicas, análises de alimentos, estudos bio eletroquímicos e em aplicações que requerem uma detecção mais precisa e eficiente (Santos et al., 2011). 64 A análise coulométrica é uma técnica eletroquímica que se baseia na medição quantitativa de eletricidade (carga elétrica) transferida durante uma reação eletroquímica. Essa técnica é usada para determinar a concentração de uma espécie eletroativa em uma amostra, com base no princípio de que a quantidade de eletricidade transferida é diretamente proporcional à quantidade de substância presente (Skoog et al., 2009). Um eletrodo de trabalho é usado na célula eletroquímica para realizar a reação eletroquímica de interesse. O eletrodo de trabalho é imerso em uma solução contendo o analito. Um potencial elétrico é aplicado ao eletrodo de trabalho para induzir a reação eletroquímica. A carga elétrica é transferida entre o eletrodo de trabalho e as espécies na solução durante a reação. A quantidade de eletricidade transferida (carga elétrica) é medida durante a reação eletroquímica. Isso é feito registrando a corrente elétrica ao longo do tempo. Com base na carga elétrica medida e nas constantes eletroquímicas relevantes, é possível determinar a quantidade da espécie eletroativa presente na amostra. Isso requer uma calibração prévia para relacionar a quantidade de eletricidade transferida com a concentração do analito (Harris, 2008). A coulometria é particularmente útil quando se trata de amostras com concentrações muito baixas ou para estudar reações redox específicas. Existem dois tipos de coulometria, a amperostática e a potenciodinâmica. Na coulometria amperostática uma corrente fixa é aplicada ao longo de todo o experimento e o potencial varia: ANÁLISE COULOMÉTRICA3 TÓPICO MÉTODOS ELETROQUÍMICOS DE ANÁLISEUNIDADE 3 65MÉTODOS ELETROQUÍMICOS DE ANÁLISEUNIDADE 3 Onde: Q é a carga em Coulombs, I é a corrente em amperes e t é o tempo em segundos. FIGURA 8: REPRESENTAÇÃO GRÁFICA SIMBÓLICA DA VARIAÇÃO DA CORRENTE COM A VARIAÇÃO DO TEMPO A CORRENTE CONSTANTE (COULOMETRIA AMPEROSTÁTICA). Fonte: a autora E na coulometria potenciodinâmica, o potencial do eletrodo de trabalho é mantido constante ao longo de toda a eletrólise, ocorrendo consequentemente um decréscimo da corrente conforme o analito é removido da solução. A carga (em coulombs) é obtida pela integração da curva corrente/tempo: Onde: Q é a carga em Coulombs, I é a corrente em amperes e t é o tempo em segundos. 66MÉTODOS ELETROQUÍMICOS DE ANÁLISEUNIDADE 3 FIGURA 9: REPRESENTAÇÃO GRÁFICA SIMBÓLICA DA VARIAÇÃO DA CORRENTE COM A VARIAÇÃO DO TEMPO A POTENCIAL CONSTANTE (COULOMETRIA POTENCIODINÂMICA). Fonte: a autora, 2023 3.1 Coulometria Amperostática A coulometria amperostática é uma técnica eletroquímica que envolve a aplicação de uma corrente elétrica constante a um eletrodo de trabalho durante um período de tempo definido para quantificar a quantidade de substância eletroativa presente em uma amostra. Essa técnica é utilizada para determinar concentrações de espécies redox ou analisar a quantidade de carga elétrica necessária para uma reação eletroquímica específica (Skoog et al., 2009). Um eletrodo de trabalho é imerso na solução contendo a espécie redox de interesse. Esse eletrodo é geralmente feito de um material condutor, como platina ou ouro. Uma corrente elétrica constante é aplicada ao eletrodo de trabalho por um período de tempo específico. A quantidade de carga elétrica transferida durante esse tempo é determinada pela multiplicação da corrente pela duração da aplicação. A quantidade de carga elétrica transferida é medida e registrada. Isso é frequentemente feito através da medição do tempo necessário para transferir uma quantidade específica de carga. Com base na quantidade de carga elétrica transferida, nas constantes eletroquímicas e nas relações estequiométricas da reação, é possível determinar a quantidade de substância redox presente na amostra (Skoog et al., 2009). 67MÉTODOS ELETROQUÍMICOS DE ANÁLISEUNIDADE 3 A coulometria amperostática é particularmente útil quando se deseja determinar concentrações de espécies eletroativas em amostras que possam conter interferências ou quando outras técnicas analíticas não são apropriadas. Ela é amplamente aplicada em análises clínicas, controle de qualidade industrial, análise de metais em amostras ambientais, determinação de componentes farmacêuticos e muito mais (Domingos et al., 2015). No entanto, é importante observar que a coulometria amperóstática requer uma boa compreensão da reação eletroquímica em estudo, bem como a calibração prévia do sistema para relacionar a quantidade de carga elétrica com a concentração do analito. Além disso, a técnica pode ser sensível a variações na resistência da solução e às condições experimentais, portanto, o controle preciso desses parâmetros é essencial para obter resultados confiáveis. 3.2 Coulometria Potenciodinâmica A coulometria potenciodinâmica é uma técnica eletroquímica que envolve a aplicação de um potencial elétrico constante a um eletrodo de trabalho durante um período de tempo específico para determinar a quantidade de carga elétrica transferida durante uma reação eletroquímica. Essa técnica é usada para estudar a cinética de reações redox, bem como para quantificar a quantidade de espécies eletroativas em uma amostra (Skoog et al., 2009). Na coulometria potenciodinâmica, o eletrodo de trabalho é colocado em uma solução contendo a espécie redox de interesse, o potencial elétrico constante é aplicado ao eletrodo de trabalho para induzir a reação eletroquímica, por um tempo específico. Durante esse tempo, ocorre uma reação eletroquímica na interface eletrodo/solução (Skoog et al., 2009). A quantidade de carga elétrica transferida durante a reação é medida e registrada. Isso pode ser feito através da medição da corrente elétrica ao longo do tempo. A análise dos dados de carga elétrica transferida em função do tempo pode fornecer informações sobre a cinética da reação eletroquímica. Isso inclui a taxa de reação, a ordem da reação e outros parâmetros cinéticos. Com base na quantidade de carga elétrica transferida e nas constantes eletroquímicas, é possível determinar a quantidade de substância redox presente na amostra (Harris, 2008). A coulometria potenciodinâmica é frequentemente usada para estudar reações redox rápidas e complexas, onde a taxa de reação é uma variável importante. Ela também é empregada em análises quantitativas de substâncias eletroativas, especialmente em amostras com baixa concentração ou onde outras técnicas analíticas podem ser limitadas (Domingos et al., 20015). Assim como na coulometria amperostática, é essencial ter um bom entendimento da reação eletroquímica em estudo e calibrar o sistema adequadamente para relacionar a quantidade de carga elétrica com a concentração do analito. O controle preciso das condições experimentais é crucial para obter resultados confiáveis na coulometria potenciodinâmica. 68 A eletroquímica se faz presente em nossa rotina diária incluindo aparelhos tão utilizados como celulares, relógios e computadores, ou seja, quando falamos nestes dispositivos que possuem uma bateria, desconectados de uma fontede energia elétrica, que seja oriunda de uma fonte geradora, estamos falando em processos relacionados a essa área da química. Fonte: VOIGT, Carmen Lúcia. Tendências Progressos da Eletroquímica e Eletroanalítica no Brasil. São Paulo: Atena, 2018. Disponível em: https://educapes.capes.gov.br/handle/capes/432246?mode=full. Acesso em: 19 ago. 2023. REFLITA Os sensores eletroquímicos são ferramentas de análise que oferecem maior portabilidade, facilidade de automação, capacidade de miniaturização e baixo custo em relação a outras técnicas e métodos analíticos. Por essas razões, existe uma crescente busca pelo desenvolvimento desses eletrodos a fim de se obter melhores condições de análise. Esse avanço reflete em novas patentes e artigos que se intensificaram, principalmente com o surgimento dos eletrodos quimicamente modificados e equipamentos autossuficientes. Em suma, esse estudo reúne e discute aspectos fundamentais concernentes aos métodos eletroquímicos, o avanço no desenvolvimento dos eletrodos e seus modificantes, além das perspectivas para essas ferramentas eletroanalíticas. Fonte: MONTEIRO, M. D. S.; SANTOS Júnior, J. C.; SUSSUCHI, E. M. Eletroquímica: Eletrodos Modificados e suas Potencialidades. Rev. Virtual Quim., 12 (5), 2020. Disponível em: https://s3.sa-east-1. amazonaws.com/static.sites.sbq.org.br/rvq.sbq.org.br/pdf/v12n5a08.pdf. Acesso em: 19 ago. 2023. SAIBA MAIS MÉTODOS ELETROQUÍMICOS DE ANÁLISEUNIDADE 3 https://educapes.capes.gov.br/handle/capes/432246?mode=full https://s3.sa-east-1.amazonaws.com/static.sites.sbq.org.br/rvq.sbq.org.br/pdf/v12n5a08.pdf https://s3.sa-east-1.amazonaws.com/static.sites.sbq.org.br/rvq.sbq.org.br/pdf/v12n5a08.pdf 69 Chegamos ao término da terceira unidade, marcando um significativo avanço em nossa jornada de conhecimento. É gratificante constatar o seu progresso na assimilação dos diversos métodos instrumentais abordados até este ponto. Tenho plena confiança de que os conhecimentos adquiridos nesta disciplina de Química Instrumental II desempenharam um papel vital em sua trajetória como analista profissional. Ao aprofundar-se no universo da química analítica instrumental, você construiu uma base sólida, fundamental para compreender as técnicas eletroquímicas aplicadas em laboratório. Espero que os conceitos abordados tenham encontrado eco em sua compreensão, pois constituem alicerces cruciais para a sua formação. Dentro dessa perspectiva, é relevante ressaltar que esta unidade se concentrou nas ferramentas da eletroquímica, uma gama de métodos instrumentais de profunda importância analítica. Os temas relacionados aos métodos eletroquímicos, incluindo voltametria, amperometria e coulometria, revelaram-se pilares essenciais para a qualificação e quantificação de compostos orgânicos e inorgânicos em amostras diversas. No entanto, lembre-se de que sua jornada de estudo não termina aqui. Agora é o momento de explorar ainda mais: mergulhe em livros, revistas, pesquisas online e outras fontes valiosas de conhecimento. Mantenha a sua determinação enquanto avançamos para a próxima unidade desta emocionante jornada. Estou ansioso para continuar nossa jornada de aprendizado juntos. Obrigada pela atenção, até a próxima unidade. CONSIDERAÇÕES FINAIS MÉTODOS ELETROQUÍMICOS DE ANÁLISEUNIDADE 3 70 Artigo: Condutividade do suor e teste coulométrico quantitativo na triagem de fibrose cística neonatal Resumo: Comparar os resultados obtidos no teste do suor pelo método da condutividade e a dosagem coulométrica de cloreto no suor em recém nascidos (RN) suspeitos da triagem neonatal para fibrose cística (FC). Métodos: O teste do suor foi feito simultaneamente pelos dois métodos em crian ̧cas com e sem FC. Os valores de corte para confirmar FC foram na condutividade > 50 mmol/L e no teste coulométrico > 60 mmol/L. Resultados: Fizeram o teste do suor por condutividade e dosagem coulométrica simultanea- mente 444 RN sem FC (185 do sexo masculino, 234 do feminino e 24 não informado) e obtiveram resultado mediano de 32 mmol/L e 12 mmol/L respectivamente. Para os noventa RN com FC os valores medianos de condutividade e dosagem coulométrica foram 108mmol/L e 97mmol/L respectivamente. O índice de falso positivo para condutividade foi de 16,7% e em todos os paci- entes FC foi superior a 50 mmol/L, o que confere ao método 100% de sensibilidade (IC 95% = 93,8 a 97,8), especificidade de 96,2% (IC 95% = 93,8 a 97,8), valor preditivo positivo 83,3 (IC 95% = 74,4 a 91,1), valor preditivo negativo 100% (IC 95% = 90,5 a 109,4) e acurácia 9,8%. A correla ̧cão entre os métodos foi de r = 0,97 (p > 0,001).O melhor valor de corte sugerido foi de 69,0 mmol/L, coeficiente de kappa = 0,89. Conclusão: O teste da condutividade apresentou excelente correla ̧cão com o quantitativo cou- lométrico, alta sensibilidade e especificidade e pode ser usado no diagnóstico da FC em crian ̧cas detectadas pela triagem neonatal. Fonte: Domingos M. T. et al. Sweat conductivity and coulometric quantitative test in neonatal cystic fibrosis screening. J Pediatr (Rio J). 91:590-5. 2015. Disponível em:https://www.scielo.br/j/jped/a/G4NXvGTxnPZRZJPBwfZcDZn/?lang=pt&format=pdf. Acesso em: 20 ago 2023. LEITURA COMPLEMENTAR MÉTODOS ELETROQUÍMICOS DE ANÁLISEUNIDADE 3 https://www.scielo.br/j/jped/a/G4NXvGTxnPZRZJPBwfZcDZn/?lang=pt&format=pdf 71 MATERIAL COMPLEMENTAR FILME/VÍDEO • Título: Chernobyl • Ano: 2019 • Sinopse: Chernobyl conta a história da explosão que aconteceu na Usina Nuclear que dá nome ao título. Em 1986, na Ucrânia, o acidente dizimou dezenas de pessoas e acabou por se tornar o maior desastre nuclear da história. Enquanto o mundo lamentava o ocorrido, o cientista Valery Legasov (Jared Harris), a física Ulana Khodyuk (Emily Watson) e o vice-presidente do Conselho de Ministros Boris Shcherbina (Stellan Skarsgård) tentam descobrir as causas do acidente. Depois do devastador acidente, todos que tiveram contato direto com a radiação da usina sofreram terríveis efeitos colaterais, desenvolvendo queimaduras e feridas por todo o corpo. Entre eles, o bombeiro Vasily (Adam Nagaitis), um dos primeiros a chegar no local do acidente. Sua esposa grávida, Lyudmilla (Jessie Buckley), também é exposta a altos níveis de radiação quando finalmente encontra o marido no hospital, em isolamento. Valery e Ulana enfrentam pessoas extremamente poderosas na tentativa de expor a negligência e descuido por trás do acidente. LIVRO • Título: Iniciação à eletroquímica • Autor: Tibor Rabóczkay • Editora: EDUSP; 1ª edição (21 dezembro 2020) • Sinopse: “A eletroquímica é uma ciência multidisciplinar com aplicações importantes em campos tão diversos como a química, a física e a biologia. Neste livro, o leitor encontrará uma introdução ao estudo da eletroquímica, destinada a estudantes de graduação e pós-graduação e a todos que necessitem ou queiram adquirir uma visão geral, propiciando que deem os primeiros passos para atuar nessa área. A estruturação do texto baseia-se nos aspectos principais desse campo de conhecimento: transporte de íons, interações íon-solvente e íon-íon, termodinâmica de células galvânicas, interfase eletródica e cinética eletroquímica. A diretriz didática aqui adotada é a de que nada é óbvio a todos, devendo o texto científico-didático sacrificar a estética em favor da clareza. Consequentemente, um livro de estudo deve ser o mais autossuficiente possível para um aprendizado mais eficaz”. MÉTODOS ELETROQUÍMICOS DE ANÁLISEUNIDADE 3 https://www.amazon.com.br/s/ref=dp_byline_sr_book_1?ie=UTF8&field-author=Tibor+Rab%C3%B3czkay&text=Tibor+Rab%C3%B3czkay&sort=relevancerank&search-alias=stripbooks 72 MATERIAL COMPLEMENTAR FILME/VÍDEO • Título: Differential Stripping Voltammetry • Sinopse: Apresentação de uma análise voltamétrica em laboratório. • Link do Vídeo: https://abre.ai/kkVS FILME/VÍDEO • Título: Voltametria de Pulso Diferencial - PSTrace • Sinopse: Apresentaçãoda programação do software de um potenciostato para a realização de uma análise de voltametria de pulso diferencial. • Link do Vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=XldVW6atTyo”. MÉTODOS ELETROQUÍMICOS DE ANÁLISEUNIDADE 3 https://abre.ai/kkVS https://www.youtube.com/watch?v=XldVW6atTyo Professor(a) Me. Marcela Cristina da Silva MÉTODOS ESPECTROSCÓPICOS4UNIDADEUNIDADE PLANO DE ESTUDO 74 Plano de Estudos • Espectrometria de massas (MS). • Espectroscopia de ressonância magnética nuclear (RMN). Objetivos da Aprendizagem • Conhecer os princípios, da espectrometria de massas e da espectroscopia de ressonância magnética nuclear. • Entender as aplicações das técnicas de MS e RMN. • Aprender a interpretar os espectros de MS e RMN. MÉTODOS ESPECTROSCÓPICOSUNIDADE 4 75 Olá, aluno (a)! Vamos juntos começar nossa última unidade. É com grande satisfação que damos as boas-vindas à quarta unidade da disciplina de Química Instrumental II. Expressamos nossa gratidão por sua presença aqui, pois estamos prontos para embarcar juntos em uma jornada fascinante de exploração dos métodos espectroscópicos. Desejamos inspirá-lo a mergulhar profundamente no conhecimento dessas técnicas, que desempenham um papel central na identificação e quantificação de analitos de interesse. Nesta etapa, compartilharemos informações fundamentais que esclarecerão definições, diferenças e aplicações das técnicas de espectrometria de massas e espectroscopia de ressonância magnética nuclear. Focaremos nessas técnicas, abordando seus princípios subjacentes, a complexidade da instrumentação envolvida e, é claro, suas aplicações práticas. É de vital importância a sua participação ativa nesta jornada. A compreensão profunda dos conteúdos apresentados é essencial. Ao explorar essas técnicas, você perceberá o papel crucial que elas desempenham na determinação qualitativa e quantitativa de compostos orgânicos e inorgânicos, abrangendo diversos campos da química. Você está preparado para iniciar essa nova etapa? Recomendamos que se dedique profundamente ao estudo do material oferecido. Além disso, incentivamos fortemente a exploração de artigos e livros complementares recomendados, bem como a imersão nos filmes e vídeos indicados. Esses recursos enriquecerão ainda mais sua compreensão e visão sobre o assunto. Aproveite esta oportunidade de aprendizado ao máximo. Saiba que estamos aqui para apoiá-lo integralmente em sua jornada de exploração e domínio dos métodos analíticos instrumentais. Juntos, vamos desbravar esse emocionante caminho do conhecimento. Bons estudos! INTRODUÇÃO MÉTODOS ESPECTROSCÓPICOSUNIDADE 4 76 Os princípios que estabelecem os fundamentos da espectrometria de massa antecedem consideravelmente outras técnicas instrumentais. Sua origem remonta ao final da década de 1890, quando J. J. Thomson elucidou a relação entre a massa e a carga do elétron. Concomitantemente, Wien conduziu investigações sobre a deflexão magnética de raios anódicos, chegando à conclusão de que tais raios ostentavam uma carga positiva. Esses marcos históricos constituem os alicerces iniciais dessa disciplina (Paiva et al., 2010). O primeiro espectrômetro de massa, como se sabe hoje, foi construído por A. J Dempster, em 1918. Contudo, o método de espectrometria de massa não se popularizou até mais ou menos 50 anos atrás, quando foram disponibilizados instrumentos baratos e confiáveis (Lanças, 2019). Na atualidade, a indústria de biotecnologia faz uso extensivo da espectrometria de massa para investigar e sequenciar proteínas, oligonucleotídeos e polissacarídeos. A indústria farmacêutica incorpora a espectrometria de massa em todos os estágios do processo de desenvolvimento de medicamentos, abrangendo desde a identificação de compostos cruciais e análise estrutural até o desenvolvimento sintético, a química combinatória, a farmacologia e o estudo do metabolismo de fármacos (Costa et al., 2022). Em clínicas de saúde ao redor do globo, a espectrometria de massa é aplicada em testes sanguíneos e urinários para uma variedade de finalidades, que englobam desde a detecção da presença e nível de compostos específicos, funcionando como marcadores de condições patológicas, incluindo diversos tipos de câncer, até a identificação e quantificação de substâncias ilícitas ou anabolizantes. Cientistas ambientais confiam na espectrometria ESPECTROMETRIA DE MASSAS (MS)1 TÓPICO MÉTODOS ESPECTROSCÓPICOSUNIDADE 4 77MÉTODOS ESPECTROSCÓPICOSUNIDADE 4 de massa como ferramenta essencial para monitorar a qualidade da água e do ar. Por sua vez, geólogos empregam essa técnica para avaliar a qualidade das reservas de petróleo (Paiva et al., 2010). Dessa forma, a espectrometria de massa emerge como uma tecnologia altamente versátil e indispensável, desempenhando um papel crucial em uma variedade de campos e aplicações. Sua influência abrange desde a pesquisa científica até o diagnóstico médico e a análise ambiental, representando um recurso valioso para avançar nossa compreensão em múltiplas disciplinas. Até o momento, pelo menos cinco cientistas foram agraciados com o Prêmio Nobel por suas contribuições diretamente relacionadas à espectrometria de massa. J.J. Thomson recebeu o Nobel de Física em 1906 por suas “investigações teóricas e experimentais sobre a condução de eletricidade por gases”. F.W. Aston foi laureado com o Nobel de Química em 1922 pela “descoberta, através de um espectrógrafo de massa, de isótopos em um grande número de elementos não radioativos”. W. Paul recebeu o Nobel de Física em 1989 pela “elaboração da técnica de armadilha de íons”. Mais recentemente, J.B. Fenn e K. Tanaka foram agraciados com o Nobel de Química em 2002 pelo “desenvolvimento de métodos suaves de ionização e dessorção em análises espectrométricas de massa de macromoléculas biológicas” (Paiva et al., 2010). Esses prêmios destacam a importância e o impacto significativo da espectrometria de massa no avanço da ciência e da compreensão dos fenômenos naturais. 1.1 Espectrômetro de Massas O espectrômetro de massa, em sua forma mais elementar, consiste em cinco componentes fundamentais. O primeiro desses componentes é a unidade de introdução da amostra, responsável por transportar a amostra do ambiente laboratorial (a pressão atmosférica) para a pressão significativamente mais baixa do espectrômetro de massa. A unidade de introdução da amostra, guia a amostra até a fonte de ionização, onde as moléculas da amostra são convertidas em íons na fase gasosa. Esses íons são então acelerados por meio de um campo eletromagnético (Skoog et al., 2009). Na sequência, o analisador de massa entra em ação, segregando os íons da amostra de acordo com suas razões: massa/carga (m/z). Os íons, então, são quantificados pelo detector, e o sinal resultante é registrado e processado pelo sistema de dados, geralmente um computador (Skoog et al., 2009). O resultado final do sistema de dados é o espectro de massa, uma representação gráfica do número de íons detectados em função da sua relação m/z (razão massa/carga). Nesse 78MÉTODOS ESPECTROSCÓPICOSUNIDADE 4 gráfico, a distribuição dos íons fornece informações cruciais sobre os diferentes componentes da amostra, permitindo a identificação e quantificação de substâncias presentes. FIGURA 1: COMPONENTES DE UM ESPECTRÔMETRO DE MASSA. Fonte: Paiva et al., 2010 1.1.1 Introdução da Amostra Antes que os íons possam ser criados, é necessário introduzir um fluxo de moléculas na fonte de ionização (também conhecida como câmara de ionização), onde ocorre a ionização. Esse fluxo de moléculas é gerado por uma unidade de injeção de amostra (Paiva et al., 2010). As amostras sujeitas à análise por espectrometria de massa podem se apresentar como um gás, líquido ou sólido. É crucial transformar uma quantidade suficiente da amostra em estado de vapor, de modo a obter um fluxo contínuo de moléculas. Esse fluxode moléculas deve então ser direcionado para dentro da câmara de ionização, onde ocorrerá o processo de ionização das moléculas para formar íons carregados eletricamente. Isso marca o início da análise no espectrômetro de massa, uma vez que os íons formados serão então manipulados e analisados para fornecer informações valiosas sobre a composição e estrutura da amostra (Lanças, 2019). Em caso de amostras gasosas ou líquidas e sólidas voláteis, a substância já está vaporizada, e assim pode-se usar um sistema de injeção direta para introdução da amostra. Nesse método, a amostra é inserida diretamente em um grande reservatório, a partir do qual as moléculas de vapor podem ser deslocadas para dentro da câmara de ionização, que está em baixa pressão (Lanças, 2019). Com amostras não voláteis, o método comumente utilizado é a sonda direta. Neste método, a amostra é colocada sobre um fio fino de arame ou prendida na ponta de uma sonda, que é então inserida, por meio de uma comporta em vácuo, na câmara de ionização. Então, a sonda pode ser aquecida, desenvolvendo assim vapor da amostra próximo à fonte de ionização (Paiva et al., 2010). 79MÉTODOS ESPECTROSCÓPICOSUNIDADE 4 Porém, unidades de injeção de amostra mais interessantes são construídas conectando-se um cromatógrafo a um espectrômetro de massa. Um sistema de cromatografia líquida (LC) ou cromatografia gasosa (GC), onde a amostra é separada em componentes individuais, é acoplado ao espectrômetro de massas (MS). O que é especialmente útil para amostras complexas, onde a separação dos componentes melhora a detecção e a identificação (Paiva et al., 2010). 1.1.2 Fonte de Ionização As fontes de ionização são componentes essenciais em espectrômetros de massas, responsáveis por transformar as moléculas neutras da amostra em íons carregados, que podem ser analisados no analisador de massas. Existem várias técnicas de ionização utilizadas em espectrometria de massas, cada uma com suas características e aplicações específicas (Lanças, 2019). 1.1.2.1 Ionização por impacto de elétrons (EI) A EI é uma técnica clássica de ionização utilizada em espectrometria de massas. Nessa técnica, elétrons de alta energia colidem com as moléculas da amostra, resultando na formação de íons carregados, que são então analisados no espectrômetro de massas. Na fonte de ionização por impacto de elétrons, a amostra é introduzida em uma câmara de vácuo. Elétrons de alta energia são disparados em direção à amostra por meio de um filamento aquecido (cátodo). Quando esses elétrons de alta energia colidem com as moléculas da amostra, ocorrem colisões inelásticas. Isso significa que os elétrons transferem energia para as moléculas, o que pode resultar na ionização da molécula (Paiva et al., 2010). A energia transferida aos elétrons pode levar à quebra de ligações químicas nas moléculas da amostra. Isso resulta na formação de íons positivos e fragmentos neutros. Os íons positivos formados são então analisados no analisador de massa. Em contraste com outras técnicas de ionização, a ionização por impacto de elétrons é agressiva e leva a uma maior fragmentação das moléculas. Portanto, a escolha da técnica de ionização depende das características da amostra e dos objetivos da análise (Paiva et al., 2010). 1.1.2.2 Ionização Química (CI) A CI é uma técnica de ionização que envolve reações químicas para gerar íons a partir da amostra. Isso pode incluir a formação de íons por meio de reações com moléculas reagentes ou pela transferência de cargas de moléculas neutras. Duas das principais 80MÉTODOS ESPECTROSCÓPICOSUNIDADE 4 técnicas de ionização química são a ionização química por atmosfera pressurizada (APCI) e a ionização química por fotoionização (PICI) (Paiva et al., 2010). Na APCI, a amostra é introduzida na fonte de ionização como um aerossol, geralmente por nebulização ou desgaseificação. Em seguida, os íons são gerados através de reações químicas entre a amostra e moléculas reagentes ionizantes, que são introduzidas por meio de uma corrente de gás. Essa técnica é especialmente útil para compostos de baixa polaridade e moléculas não facilmente ionizáveis por outras técnicas (Paiva et al., 2010). Enquanto que na PICI, um laser de alta energia é usado para ionizar a amostra. O laser cria íons através da transferência de energia para as moléculas da amostra, o que resulta na ionização. Essa técnica é sensível a compostos com baixas afinidades de ionização e é útil para a detecção de compostos de baixa polaridade (Lanças 2019). 1.1.2.3 Ionização por Electrospray (ESI) A ESI é uma técnica amplamente utilizada na espectrometria de massas para a ionização de compostos químicos, especialmente em cromatografia líquida acoplada à espectrometria de massas (LC-MS). Ela é especialmente eficaz para a análise de compostos polares e biomoléculas, como proteínas, peptídeos, ácidos nucléicos e carboidratos (Paiva et al., 2010). A amostra é dissolvida em um solvente compatível e adequado, geralmente uma mistura de água e solvente orgânico, para formar uma solução homogênea. Isso é importante para criar uma mistura bem dispersa para a ionização. A solução da amostra é introduzida em uma agulha fina e é bombeada através de um sistema de alta tensão. À medida que a solução emerge da agulha, a tensão aplicada gera uma série de gotículas carregadas eletricamente. Isso ocorre devido ao desprendimento de elétrons dos solventes, deixando os íons positivos e negativos na superfície das gotículas. Em vista disso, à medida que as gotículas carregadas passam através da fonte de ionização, elas passam por uma região de alta temperatura e vácuo, onde ocorre a evaporação do solvente. Isso resulta na formação de íons gasosos a partir dos componentes da amostra. Conforme a dessolvatação ocorre, os íons gasosos formados são transferidos para o analisador de massas, onde são separados e analisados com base em suas massas e cargas (Skoog et al., 2009). A ionização por electrospray é uma técnica suave, o que significa que ela tende a preservar as moléculas intactas, minimizando a fragmentação em comparação com outras técnicas de ionização mais agressivas, como a ionização por impacto de elétrons. Ela é 81MÉTODOS ESPECTROSCÓPICOSUNIDADE 4 particularmente útil para a análise de biomoléculas, onde a preservação da estrutura é importante para a identificação precisa (Skoog et al., 2009). 1.1.3 Analisador de Massa Um analisador de massa é um componente fundamental de um espectrômetro de massas, responsável por separar os íons gerados a partir da amostra de acordo com suas razões massa/carga (m/z). Existem diferentes tipos de analisadores de massa, cada um com princípios diferentes de separação (Lanças 2019). 1.1.3.1 Analisador de massa de setor magnético Nesse tipo de analisador de massa, os íons são curvados em um campo magnético. A curvatura é determinada pela razão massa/carga dos íons. Isso permite a separação e a seleção de íons com base em suas massas. Os espectrômetros de massas de setor magnético são conhecidos por sua capacidade de resolução e precisão em relação à massa, tornando-o valioso em várias aplicações analíticas (Paiva et al., 2019). Os íons gerados na fonte de ionização são introduzidos no espectrômetro de massa. Esses íons carregados são acelerados para uma velocidade adequada antes de entrar no analisador de massa. No analisador de massa de setor magnético, os íons passam por um campo magnético perpendicular à sua trajetória. Esse campo magnético curva os íons, e a curvatura é proporcional à razão massa/carga (m/z) dos íons. Íons mais leves se curvam mais do que íons mais pesados. Uma abertura ou uma fenda é usada para selecionar os íons que possuem um determinado valor de razão massa/carga (m/z) para passar. Os íons selecionados passam por essa abertura e atingem um detector que registra sua chegada (Paiva et al., 2019). Asaída obtida pelo sistema de detecção é representada na forma de um gráfico que mostra o número de íons em função dos valores de m/z. Essa representação gráfica, chamada de espectro de massa, fornece informações valiosas sobre a composição das amostras analisadas. Ela revela a presença de diferentes íons com base em suas relações massa/carga (m/z) e suas abundâncias relativas, permitindo a identificação e quantificação de componentes específicos. 82MÉTODOS ESPECTROSCÓPICOSUNIDADE 4 FIGURA 2: ESQUEMA DE UM ANALISADOR DE MASSA DE SETOR MAGNÉTICO. Fonte:Paiva et al., 2019 1.1.3.2 Analisador de Quadrupolo Este tipo de analisador de massa é um dos tipos mais comuns de analisadores de massa e é utilizado em diversas aplicações, incluindo análises de rotina, quantificação e identificação de compostos (Skoog et al., 2009). O analisador de quadrupolo é composto por quatro hastes cilíndricas paralelas que são mantidas em posições específicas por meio de um sistema de tensões alternadas aplicadas. A tensão aplicada às hastes forma um campo elétrico que interage com os íons em movimento. O analisador de quádruplo opera com dois modos principais: modo de varredura e modo de filtragem (Skoog et al., 2009). No modo de varredura, as tensões aplicadas às hastes são ajustadas para que apenas íons com um determinado valor de razão massa/carga (m/z) possa passar pelas hastes e alcançar o detector. À medida que a tensão é gradualmente alterada, diferentes m/z podem ser selecionados e registrados, gerando um espectro de massas que mostra a intensidade dos íons detectados em função da sua m/z (Paiva et al., 2010). Enquanto que no modo de filtragem, as tensões aplicadas às hastes são ajustadas para filtrar íons indesejáveis, permitindo apenas que íons com um m/z específico passem pelo analisador de quadrupolo. Isso é frequentemente usado para direcionar íons para análises posteriores, como análise de fragmentação em um espectrômetro de massas de setor triplo (triple quadrupole) em uma configuração MS/MS (Paiva et al., 2010). 83MÉTODOS ESPECTROSCÓPICOSUNIDADE 4 FIGURA 3: ANALISADOR DE MASSA QUADRUPOLAR. Fonte: Paiva et al., 2010 1.1.3.3 Analisador de Tempo de Vôo (TOF - Time-of-Flight) Nesse tipo de analisador, os íons são acelerados por uma diferença de potencial elétrico em direção a um detector. A diferença de tempo que os íons levam para alcançar o detector é proporcional à sua relação massa/carga (m/z). Os íons mais leves alcançam o detector mais rapidamente do que os íons mais pesados (Skoog et al., 2009). Assim, os tempos de voo dos íons são registrados pelo detector, e os dados são processados para determinar as massas dos íons com base nas diferenças nos tempos de voo. A coleta de dados de tempos de voo para diferentes íons resulta em um espectro de massas, onde a intensidade dos picos está relacionada à abundância dos íons detectados em função da sua razão massa/carga (m/z). O analisador de tempo de voo é particularmente útil para análises de alta velocidade, onde é necessário processar uma grande quantidade de íons em um curto período de tempo. Também é eficaz para determinar massas precisas de íons de alta massa. TOF é frequentemente utilizado em instrumentos de espectrometria de massas de alta resolução, bem como em sistemas de espectrometria de massas de alta performance em aplicações como proteômica, análises metabólicas e análises de proteínas complexas. A capacidade do TOF de medir tempos de voo com alta precisão e rapidez o torna uma escolha valiosa para uma ampla variedade de experimentos analíticos (Skoog et al., 2009). 84MÉTODOS ESPECTROSCÓPICOSUNIDADE 4 FIGURA 4: REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DE UM ESPECTRÔMETRO DE MASSA COM ANALISADOR DE MASSA TIPO TOF. Fonte: Paiva et al., 2010 1.1.4 Detector Em um espectrômetro de massas, o detector é um componente essencial que mede os íons gerados a partir da amostra após passarem pelo analisador de massa. O detector converte os íons em sinais elétricos que podem ser quantificados e registrados para criar um espectro de massas. Existem diferentes tipos de detectores utilizados em espectrometria de massas, cada um com suas próprias características e aplicações específicas. A seguir temos alguns exemplos de detectores e como eles operam (Paiva et al., 2010). • Detecção por Eletro íons: Os íons atingem um detector que mede a corrente elétrica resultante do impacto dos íons. Essa corrente é proporcional à intensidade dos íons, permitindo a quantificação (Lanças, 2019). • Detectores de Canal Múltiplo (MCP - Microchannel Plate): São usados principalmente em espectrômetros de massas de tempo de voo (TOF). Os íons atingem uma placa de canal múltiplo que gera elétrons secundários, que são amplificados eletronicamente. Isso aumenta a sensibilidade da detecção (Lanças, 2019). • Fotodetectores: Em alguns casos, os íons são convertidos em fótons por meio de reações de ionização e, em seguida, detectados por fotomultiplicadores ou outros dispositivos fotossensíveis (Lanças, 2019). O sinal captado pelo detector é encaminhado a um registrador, que gera o espectro de massa. Em equipamentos modernos, a saída do detector é encaminhada a um 85MÉTODOS ESPECTROSCÓPICOSUNIDADE 4 computador por meio de uma interface. O computador possui a capacidade de armazenar os dados, exibi-los tanto em formato tabular quanto gráfico, e compará-los com espectros padrão. Esses espectros de referência estão contidos em bibliotecas armazenadas no próprio computador (Skoog et al., 2009). A escolha do detector depende das características da amostra, da aplicação específica e do tipo de análise que está sendo realizada. Cada tipo de detector tem suas vantagens e desvantagens em termos de sensibilidade, faixa dinâmica, resolução e faixa de massa. Em muitos casos, a combinação de diferentes tipos de detectores em um sistema de espectrometria de massas pode proporcionar um melhor desempenho analítico (Paiva et al., 2010). 1.1.5 Sistema de Dados Um sistema de dados refere-se ao conjunto de dispositivos, software e processos que permitem a aquisição, processamento, armazenamento e análise dos dados gerados durante uma análise de massas. Esse sistema desempenha um papel fundamental na obtenção de informações significativas a partir dos sinais produzidos pelo detector do espectrômetro de massas (Paiva et al., 2010). O sistema de dados em espectrometria de massas inclui: • Interface com o Detector: É a conexão física e eletrônica entre o detector do espectrômetro de massas e o sistema de aquisição de dados. Pode ser uma porta USB, Ethernet ou outro meio de transmissão de sinal. • Aquisição de Dados: O sistema de aquisição de dados coleta os sinais elétricos gerados pelo detector e os converte em formato digital. Isso envolve processos como conversão analógico-digital (ADC) e amplificação do sinal. • Software de Aquisição: O software de aquisição controla o processo de coleta de dados, determinando as configurações do analisador de massa (como modo de aquisição, tempo de aquisição, etc.) e organizando os dados recebidos. • Processamento de Dados: Os dados brutos coletados pelo sistema de aquisição podem precisar de processamento para melhorar a qualidade e a utilidade. Isso pode incluir correções de fundo, calibrações de massa, normalização e outros ajustes. • Software de Análise: O software de análise de dados de espectrometria de massas é usado para interpretar os dados, identificar picos, calcular massas, realizar análises quantitativas e qualitativas, e gerar relatórios. Esse software também pode permitir a comparação com bibliotecas de espectros padrão. • Bancos de Dados: Alguns sistemas de dados integram bancos de dados de espectros de massas, onde espectros de compostos conhecidos são armazenados 86MÉTODOS ESPECTROSCÓPICOSUNIDADE 4 para comparação. Isso facilita a identificação de compostos desconhecidos com base em padrões de espectrosconhecidos. • Visualização: A exibição visual dos resultados é uma parte importante do sistema de dados. O software permite a criação de gráficos de espectros de massas, cromatogramas e outros tipos de visualizações. Os gráficos gerados são os ditos espectros de massas, os picos presentes nos espectros representam os íons detectados e suas respectivas razões massa/carga (m/z). A interpretação adequada do espectro de massas pode fornecer informações valiosas sobre a composição química da amostra. Para uma boa interpretação, examine os picos no espectro de massas e identifique as massas dos íons principais. Cada pico representa um íon com uma massa específica. Identifique o pico mais intenso no espectro, que é frequentemente o íon molecular (íon base) do composto. Ele representa a massa total da molécula, muitas vezes adicionando ou perdendo cargas, dependendo da técnica de ionização (Skoog et al., 2009). Além do pico base, outros picos menores podem estar presentes no espectro. Esses picos representam íons fragmentados, que resultam da quebra da molécula original durante o processo de ionização, eles fornecem informações sobre a estrutura da molécula. Ao analisar os picos de fragmentação, observe os padrões de fragmentação recorrentes que podem indicar grupos funcionais específicos ou estruturas características (Skoog et al., 2009). Em alguns casos, picos adicionais podem ser observados devido à presença de isótopos naturais (átomos com o mesmo número de prótons, mas diferente número de nêutrons). Eles geralmente aparecem a uma diferença de 1 m/z em relação ao pico principal (Paiva et al., 2010). Por fim, os resultados obtidos devem ser comparados a espectros de amostras padrões e bancos de dados disponíveis, para uma interpretação precisa e confiável dos espectros obtidos. 87MÉTODOS ESPECTROSCÓPICOSUNIDADE 4 FIGURA 5: ESPECTRO DE MASSAS DO (A) BENZENO, (B) BUTILBENZENO. Fonte: Skoog et al., 2009 A interpretação de um espectro de massas pode ser desafiadora e requer conhecimento de química orgânica, estrutura molecular e técnicas de ionização. É importante lembrar que a interpretação de um espectro de massas geralmente é uma combinação de análise científica, conhecimento prévio e experiência. 88 ESPECTROSCOPIA DE RESSONÂNCIA MAGNÉTICA NUCLEAR (RMN)2 TÓPICO MÉTODOS ESPECTROSCÓPICOSUNIDADE 4 A espectroscopia de Ressonância Magnética Nuclear (RMN) fundamenta-se na detecção da absorção de radiação eletromagnética na faixa de radiofrequência, geralmente situada entre 4 e 900 MHz. A característica distintiva que diferencia a RMN de outras técnicas, como a espectroscopia ultravioleta, visível e infravermelha, é que, em vez de elétrons externos estarem envolvidos no processo de absorção, são os núcleos dos átomos que desempenham esse papel (Paiva et al., 2010). Um ponto crucial é que, para que os núcleos adquiram o estado de energia necessário para a absorção, é necessário colocar a amostra sob um campo magnético intensivo. Esse campo magnético orienta os núcleos dos átomos, preparando-os para interagir com a radiação eletromagnética (Skoog et al., 2009). Os principais tipos de RMN são a RMN de 1H (próton) e a RMN de núcleos diferentes, como 13C, 31P, 19F, entre outros. Cada tipo de núcleo possui propriedades magnéticas únicas e fornece informações específicas sobre a estrutura e a dinâmica da molécula em estudo. Por meio desta técnica, é possível obter informações detalhadas sobre a estrutura molecular, interações químicas e dinâmica molecular de substâncias, oferecendo valiosas informações em áreas que vão desde a química orgânica até a biologia estrutural e a pesquisa de materiais. 2.1 Estado de Spin Os “estados de spin” referem-se aos diferentes estados quânticos que um núcleo atômico pode ocupar em relação à sua orientação de spin dentro de um campo magnético. 89MÉTODOS ESPECTROSCÓPICOSUNIDADE 4 Na Ressonância Magnética Nuclear (RMN), a interação entre os núcleos atômicos e um campo magnético externo resulta na separação dos níveis de energia dos estados de spin (Paiva et al., 2010). Os núcleos atômicos possuem um momento magnético intrínseco devido à carga positiva dos prótons e ao movimento dos elétrons ao redor do núcleo. Quando um núcleo é colocado em um campo magnético, ele pode assumir diferentes estados de spin que têm diferentes energias associadas (Paiva et al., 2010). Na RMN, dois estados de spin são os mais relevantes: • Estado de Spin Para Cima: Também conhecido como “spin paralelo”, este estado ocorre quando o momento magnético do núcleo está alinhado com o campo magnético externo. • Estado de Spin Para Baixo: Também conhecido como “spin antiparalelo”, este estado ocorre quando o momento magnético do núcleo está alinhado em direção oposta ao campo magnético externo. Quando um núcleo é exposto a uma energia de radiofrequência (RF) correspondente à diferença de energia entre os estados de spin, ele pode absorver essa energia e mudar de um estado de spin para o outro. Esse fenômeno é chamado de “ressonância magnética nuclear”. A frequência da RF necessária para induzir a transição entre os estados de spin está diretamente relacionada à força do campo magnético externo e às propriedades do núcleo em questão (Skoog et al., 2009). Na prática, ao aplicar um pulso de RF em uma amostra, os núcleos absorvem energia e mudam seus estados de spin. Quando o pulso de RF é desligado, os núcleos relaxam de volta para seus estados de equilíbrio, liberando energia na forma de sinais de RMN que podem ser detectados e usados para construir espectros de RMN (Skoog et al., 2009). A posição e a intensidade desses sinais de ressonância fornecem informações valiosas sobre a estrutura e as propriedades das moléculas em análise. 90MÉTODOS ESPECTROSCÓPICOSUNIDADE 4 FIGURA 6: OS DOIS ESTADOS DE SPIN PERMITIDOS PARA UM PRÓTON. Fonte: Paiva et al., 2010 2.2 Efeito de Blindagem para prótons (1H) Em Ressonância Magnética Nuclear (RMN), a “blindagem” refere-se ao efeito de redução do campo magnético líquido experimentado pelos núcleos atômicos em um ambiente molecular, devido à influência dos elétrons circundantes. Esse fenômeno é um dos fatores que contribuem para a diferença nas frequências de ressonância observadas para diferentes tipos de núcleos atômicos (Paiva et al., 2010). Prótons localizados em diferentes ambientes químicos experimentam diferentes efeitos de blindagem, dependendo da densidade eletrônica ao seu redor. Grupos de átomos adjacentes à posição do próton afetam a distribuição de elétrons e, consequentemente, o efeito de blindagem. Prótons em ambientes eletricamente ricos (com mais elétrons circundantes) experimentam maior blindagem, resultando em frequências de ressonância mais baixas. Prótons em ambientes eletricamente pobres (com menos elétrons circundantes) experimentam menor blindagem, resultando em frequências de ressonância mais altas (Nascimento, 2018). A variação nas frequências de ressonância dos prótons devido ao efeito de blindagem é o que permite a análise de espectros de RMN de prótons. Cada grupo químico ou ambiente molecular específico em uma molécula resulta em um sinal de RMN de prótons em uma posição única no espectro. A posição e a intensidade desses sinais fornecem informações sobre a estrutura e as interações da molécula (Nascimento, 2018). 91MÉTODOS ESPECTROSCÓPICOSUNIDADE 4 FIGURA 7: ESQUEMA SIMPLIFICADO DE UM ESPECTRO DE RMN. Fonte: https://patyqmc.paginas.ufsc.br/files/2019/07/Material-de-aula-de-RMN.pdf) FIGURA 8: QUADRO DE CORRELAÇÃO SIMPLIFICADA ENTRE VALORES DE DESLOCAMENTO QUÍMICOS DE PRÓTONS (1H). Fonte: Skoog et al., 2009 Na Fig. 8 podemos observar como a blindagem afeta deslocando o sinal correspondente aos H ligados a diferentes átomos, quanto mais eletronegativo for o átomo vizinho mais exposto está o H, assim, ele irá absorver em um campo magnético menor, emitindo o sinal em uma frequênciamaior enquanto os H blindados, ou seja, mais distantes de heteroátomos irá absorver energia em um campo magnético maior emitindo sinal em uma frequência menor. https://patyqmc.paginas.ufsc.br/files/2019/07/Material-de-aula-de-RMN.pdf 92MÉTODOS ESPECTROSCÓPICOSUNIDADE 4 Cada pico observado no espectro representa um tipo de H, quanto maior o sinal observado no espectro maior a quantidade do tipo de H observado. FIGURA 9: ESPECTRO DE H’ RMN DO IODETO DE ETILA. Fonte: Skoog et al., 2009 Na Fig. 9, temos o espectro de hidrogênio para o iodeto de etila, e neste é possível observar que os dois H ligados ao átomo de C ligado diretamente ao átomo de iodo tem o pico no espectro em uma frequência maior que o os três H ligado ao átomo de C, por sua vez ligado a outro átomo de carbono. Isso acontece porque grupos eletronegativos diminuem a densidade eletrônica em volta do núcleo (desblindam). Como o iodo é mais eletronegativo que o carbono, deixando os H mais próximos a ele expostos, enquanto que os H mais distantes estão blindados dos efeitos dos elétrons de valência do átomo de iodo. 2.3 Espectrômetro de RMN Um espectrômetro de Ressonância Magnética Nuclear (RMN) é um equipamento utilizado para realizar experimentos de RMN e obter informações detalhadas sobre a estrutura, dinâmica e interações de moléculas. Ele consiste em várias partes essenciais que trabalham em conjunto para gerar, manipular e detectar os sinais de RMN emitidos pelos núcleos atômicos em um campo magnético (Skoog et al., 2009). Os principais componentes são: • Magneto (imã): O coração do espectrômetro é o magneto, que cria um campo magnético forte e uniforme no qual a amostra é colocada. O campo magnético é necessário para alinhar os momentos magnéticos dos núcleos atômicos (Skoog et al., 2009). • Transmissão de Radiofrequência (RF): O sistema de RF inclui transmissores e antenas de RF que geram pulsos de energia de radiofrequência na frequência 93MÉTODOS ESPECTROSCÓPICOSUNIDADE 4 de ressonância dos núcleos que estão sendo estudados. Esses pulsos de RF são usados para perturbar os momentos magnéticos dos núcleos e iniciar o processo de ressonância (Skoog et al., 2009). • Sonda: A sonda é a parte do espectrômetro onde a amostra é colocada. Ela contém antenas de RF para transmitir pulsos de RF à amostra e para receber os sinais de RMN emitidos pelos núcleos após a excitação (Skoog et al., 2009). • Amplificadores e Detectores: Os sinais de RMN emitidos pela amostra são fracos e precisam ser amplificados antes de serem detectados. Os amplificadores e detectores são usados para amplificar e converter os sinais de RMN em um formato que pode ser analisado (Skoog et al., 2009). • Sistema de Aquisição de Dados: O sistema de aquisição de dados digitaliza os sinais de RMN detectados ao longo do tempo, convertendo-os em sinais digitais que podem ser processados e analisados por computadores. • Computador e Software: O computador e o software associado controlam o espectrômetro, adquirem e processam os dados de RMN e geram espectros de RMN interpretáveis. Além disso, eles permitem realizar análises avançadas, como ajustes de curvas e simulações teóricas (Skoog et al., 2009). O processo básico de aquisição de um espectro de RMN envolve a excitação dos núcleos por pulsos de RF, a detecção dos sinais de RMN emitidos e a conversão desses sinais em um espectro, que exibe a intensidade dos sinais em função da frequência de ressonância (Nascimento, 2018). FIGURA 10. ESQUEMA DE UM ESPECTRÔMETRO DE RMN. Fonte: Gonzales, 2020 94 Hoje os computadores são componentes obrigatórios de todo sistema moderno de espectrometria de massas. Com a rápida evolução da informática, introduzindo conceitos e filosofias de integração de sistemas, como a Internet e a Indústria 4.0, pode ser observado a ampla adaptação do MS nos processos analíticos, fazendo a manipulação de dados em Nuvem e participando de ideias conhecidas como Big Data. Essa área de desenvolvimento permite ampliar o quadro de pessoal envolvido em várias atividades, como técnicos e profissionais da Tecnologia da Informação (TI) e Inteligência Artificial (IA). Esses conceitos envolvem a chamada convergência digital que é fundamental nos processos de inclusão em redes de computadores. Portanto, a criação de uma Eletrônica Dedicada, conhecida como Eletrônica Embarcada, ao MS é hoje um modelo tecnológico que exige profissionais qualificados neste setor, onde já existe um déficit de especialistas em TI na área de MS. Fonte: BUSTILLOS, Oscar Vega. Processamento de dados na espectrometria de massas. Revista Analytica Edição, 107, 2020. Disponível em: https://revistaanalytica.com.br/processamento-de-dados-na- espectrometria-de-massas/. Acesso em 30 ago. 2023. SAIBA MAIS A descrição do fenômeno de ressonância magnética nuclear (RMN) foi publicada em 1946 por dois grupos independentes: o dos físicos Purcell, Torrey e Pound, da Universidade de Harvard, e o de Bloch, Hansen e Packard, da Universidade de Stanford. Logo no início da década de 1950 a RMN já era usada para a solução de problemas químicos. Em menos de dez anos após a sua descoberta, o primeiro espectrômetro de RMN de alta resolução para 1H em onda continua já estava no mercado. Fonte: Colnago, Luiz Alberto; de Andrade, Fabiana Diuk. RMN no domínio do tempo: Fundamentos e aplicações offline e inline. Biotecnologia Aplicada à Agro&Indústria. Capitulo 12, 2017. Disponível em: https://abre.ai/kkYl. Acesso em 30 ago. 2023 REFLITA MÉTODOS ESPECTROSCÓPICOSUNIDADE 4 https://revistaanalytica.com.br/processamento-de-dados-na-espectrometria-de-massas/ https://revistaanalytica.com.br/processamento-de-dados-na-espectrometria-de-massas/ https://abre.ai/kkYl 95 As técnicas de elucidação de moléculas e estruturas de compostos orgânicos por meio da RMN são importantes para o cotidiano da química orgânica. Sendo assim, os profissionais da área que realizam trabalhos voltados para descobrimento, estudos, organização e produção em larga escala de novas substâncias baseadas em compostos naturais, sintéticos ou misturas complexas, necessitam de equipamentos que tornem essa tarefa mais ágil. Dessa forma, a espectroscopia de Ressonância Magnética Nuclear (RMN) foi desenvolvida ao longo dos anos em busca de aperfeiçoar os trabalhos realizados no campo da química orgânica. Fonte: SILVA, Luiz Guilherme de Melo. Uma breve revisão sobre RMN e algumas de suas aplicações. Universidade Federal de Uberlândia, 2018. Disponível em: https://repositorio.ufu.br/ bitstream/123456789/22234/3/BreveRevis%c3%a3oRMN.pdf. Acesso em 30 ago. 2023. SAIBA MAIS MÉTODOS ESPECTROSCÓPICOSUNIDADE 4 https://repositorio.ufu.br/bitstream/123456789/22234/3/BreveRevis%c3%a3oRMN.pdf https://repositorio.ufu.br/bitstream/123456789/22234/3/BreveRevis%c3%a3oRMN.pdf 96 É inspirador ver o seu comprometimento e progresso ao longo desta disciplina de Química Instrumental II. Aprofundar-se nas técnicas de espectrometria de massas (MS) e espectroscopia de ressonância magnética nuclear (RMN) é um feito notável, pois essas são ferramentas fundamentais para analisar e compreender a composição e estrutura de compostos orgânicos. A espectrometria de massas é uma técnica poderosa que permite a identificação precisa de compostos através da análise das massas e cargas das partículas ionizadas. Já a espectroscopia de RMN oferece informações valiosas sobre a estrutura molecular, revelando ligações químicas, grupos funcionais e arranjos espaciais. É animador ver como você reconheceu a importância dessas técnicas para a análise qualitativa e quantitativa de amostras diversas. O conhecimento adquirido até agora certamente abrirá portas para sua carreira profissional. Aproveite as sugestões de leitura e os vídeos recomendados para continuar expandindo seu entendimento. Manter-se envolvido nas atividades e nas últimas aulas é uma abordagem sólida para consolidar o conhecimento adquirido e concluir estatópico desta unidade, avançaremos no sentido de entender melhor as instrumentações científicas e a importância da calibração dos equipamentos e validação dos métodos analíticos, além de conhecer os tipos de calibrações que podem ser empregadas. Por fim, vamos aprender como selecionar um método de análise partindo do problema que precisamos resolver, visto que atualmente uma grande quantidade de ferramentas estão disponíveis, vamos entender como escolher a melhor opção em algumas situações. Siga esta jornada comigo. Bons estudos! INTRODUÇÃO À QUÍMICA INSTRUMENTAL IIUNIDADE 1 9 A partir da análise química é possível identificar e quantificar os componentes de uma amostra utilizando-se de métodos analíticos. A análise que permite identificar os componentes de uma amostra, é chamada análise qualitativa, enquanto a análise que permite determinar a quantidade dos componentes de uma amostra é a análise quantitativa. As substâncias identificadas e quantificadas são chamadas de analitos e as amostras são chamadas de matriz (Matos et al., 2015). Os métodos analíticos podem ser classificados em dois grupos principais: métodos analíticos clássicos e métodos analíticos instrumentais. Nos métodos analíticos clássicos, para identificar um analito, este era tratado com reagentes a fim de gerar produtos que podem ser reconhecidos por mudanças de coloração, precipitação, ponto de fusão e ebulição, cheiro e propriedades ópticas. Para a análise quantitativa, a quantidade do analito é determinada por medidas gravimétricas, baseadas na massa do analito, ou volumétricas, baseadas no volume do analito ou de algum reagente padrão (Matos et al., 2015). Enquanto os métodos instrumentais exploram propriedades físicas dos analitos como condutividade, potencial de eletrodo, absorção ou emissão de luz, razão massa/carga e fluorescência. Métodos mais eficientes de separação como cromatografia e eletroforese também são empregadas no lugar de métodos clássicos como a destilação, filtração e precipitação (Matos et al., 2015). Algumas das propriedades físicas e químicas exploradas por métodos instrumentais estão listadas na Tabela 1, onde são agrupadas por características. MÉTODOS ANALÍTICOS1 TÓPICO INTRODUÇÃO À QUÍMICA INSTRUMENTAL IIUNIDADE 1 10 TABELA 1: MÉTODOS INSTRUMENTAIS E PROPRIEDADES EXPLORADAS. Fonte: (E-book - Análise Instrumental - Uma Abordagem Prática Hiram Araújo; Ademário Iris). INTRODUÇÃO À QUÍMICA INSTRUMENTAL IIUNIDADE 1 11 O desenvolvimento desses instrumentos de análise química ocorre paralelamente ao desenvolvimento da tecnologia e da computação. Esses instrumentos têm por finalidade converter as informações sobre as características físicas ou químicas do analito de interesse, em informação que pode ser manipulada e interpretada pelo analista (Skoog et al., 2009). Para a obtenção da informação requerida é necessário o fornecimento de um estímulo comumente da forma de energia eletromagnética, mecânica ou nuclear. Este estímulo interage com o analito e gera um sinal de resposta que pode ser interpretado pelo analista como exemplificado da Figura 1. FIGURA 1: DIAGRAMA DE BLOCOS Fonte: Skoog et al. (2009) O processo de medida instrumental é auxiliado por vários dispositivos que convertem informação de uma forma a outra. Os equipamentos possuem um sistema de detecção que registra os sinais resultantes da interação entre a amostra e a técnica analítica. Esses sinais são convertidos em dados quantitativos ou qualitativos para análise posterior. INSTRUMENTOS PARA ANÁLISES2 TÓPICO INTRODUÇÃO À QUÍMICA INSTRUMENTAL IIUNIDADE 1 12 Atualmente, esses equipamentos de análise instrumental contêm ou estão ligados a conversores de dados como amplificadores, circuitos integrados, conversores de sinal analógico para sinal digital ou vice e versa , microcomputadores e processadores que possibilitam uma grande gama de análises e possibilidades de identificação e quantificação de analitos (Skoog et al., 2009). A medida analítica é auxiliada por vários dispositivos que convertem informação de uma outra forma, é importante também entender como a informação pode ser codificada por meio de características físicas e químicas e, especialmente por sinais elétricos como a corrente, a diferença de potencial e carga. As diferentes formas de codificar os dados são denominadas domínio de dados, esses por sua vez são classificados como domínios elétricos e domínios não elétricos. Uma vez codificados, os dados são convertidos de uma forma que possa ser compreendida pelo analista por um transdutor (Skoog et al. 2009). A medida analítica sempre está associada a um fenômeno que pode ser, absorção, emissão, potencial elétrico, razão massa/carga, envolvendo o analito. A informação obtida a partir deste fenômeno é então convertida pelo transdutor em um número ou um gráfico exibido na tela de um computador acoplado ao equipamento. Assim, os instrumentos para análise química instrumental podem variar amplamente em sua configuração e componentes, dependendo do tipo de análise a ser realizada. No entanto, alguns componentes principais são comumente encontrados em muitos instrumentos, como a fonte de energia, detector, o seletor de informação, transdutor de entrada, domínio de dados, processador de sinal. Na Tabela 2 a seguir, estão exemplificados alguns componentes de instrumentos TABELA 2: ALGUNS EXEMPLOS DE COMPONENTES DE INSTRUMENTOS Instrumento Fonte de energia Informação analítica Seleção de informação Domínio de dados Transdutor de entrada Processador de sinal Fotômetro Lâmpada de tungstênio Feixe de luz Filtro Corrente elé- trica Fotodiodo Amplificador, digitalizador, mostrador de LEDs Espectrôme- tro de emis- são atômica Plasma Radiação UV ou visível Monocroma- dor Corrente elé- trica Tubo fotomul- tiplicador Amplificador, digitalizador, mostrador digital Coulômetro Fonte de corrente con- tínua Carga re- querida para reduzir ou oxidar um analito Potencial da célula Tempo Eletrodos Amplificador relógio digital INTRODUÇÃO À QUÍMICA INSTRUMENTAL IIUNIDADE 1 13 pHmetro eletrodo de vidro atividade do íon hidrogê- nio Eletrodo de vidro Voltagem elétrica Eletrodos de vidro e calo- melano Amplificador digitalizador, mostrador digital Espectrôme- tro de mas- sas Fonte de íons Razão mas- sa/carga Analisador de massas Corrente elé- trica Multiplicador de elétrons Amplificador digitalizador, sistema com- putacional Cromatogra- fia gasosa Chama Concentra- ção de íons vs. tempo Cromatogra- fia em coluna Corrente elé- trica Eletrodos polarizados Eletrômetro digitalizador, sistema com- putacional Fonte: SKOOG, HOLLER,CROUCH. Princípios de análise instrumental . Tradução da 6 Edição norte- americana. Editora Thomson: São Paulo, p. 18, 2009. Esses são apenas alguns dos componentes principais de alguns instrumentos de análise química instrumental. Cada instrumento específico pode ter componentes adicionais ou diferentes, dependendo da técnica de análise utilizada e dos requisitos do equipamento. É muito importante conhecer cada componente do instrumento que se pretende utilizar com o objetivo de planejar e executar as análises com excelência. INTRODUÇÃO À QUÍMICA INSTRUMENTAL IIUNIDADE 1 14 Calibração e validação de métodos analíticos são duas atividades distintas, mas relacionadas, que são comumente realizadas em laboratórios para garantir a confiabilidade e a precisão das análises químicas. A calibração é o processo de estabelecer uma relação entre as respostas instrumentais (por exemplo, sinais de um detector) e as concentrações conhecidas do analito de interesse (Skoog et al., 2015). Enquanto a validação de métodos analíticos é um processo pelo qual se avalia se um método analítico é adequado para um determinado propósito e se atende aos requisitos específicos de desempenho (Perez, 2010). Sendodisciplina com excelência. Parabéns por sua dedicação até agora, e boa sorte na reta final! Se surgirem mais dúvidas ou se precisar de assistência, estou aqui para ajudar. Obrigada por me acompanhar até o fim desta disciplina. CONSIDERAÇÕES FINAIS MÉTODOS ESPECTROSCÓPICOSUNIDADE 4 97 Artigo: Avaliação de resíduos de agrotóxicos em amostras de farinha de trigo por espectrometria de massas. Resumo: Os cereais são uma importante fonte alimentícia e econômica, dentre eles se destaca o trigo e sua farinha. Durante o cultivo, visando o controle de pragas, frequentemente são utilizados os agrotóxicos, porém seu uso abusivo pode acarretar danos à saúde humana e ao meio ambiente. O trabalho teve como objetivo avaliar a presença de resíduos de agrotóxicos em amostras de farinha de trigo comercializadas no estado de São Paulo, utilizando o método QuEChERS (Rápido, Fácil, Barato, Efetivo, Robusto e Seguro) modificado, seguido de análise por CG-EM/EM e CLUE-EMAR para identificação e quantificação. No total, 124 ingredientes ativos (i.a.) estavam dentro dos critérios de aceitação para linearidade, limites de detecção e quantificação, exatidão e precisão (intervalo de confiança de 95%; k = 2). Os resultados de 25 amostras indicaram a presença de bifentrina, fenitrotiona, clorpirifós, deltametrina, lambda-cialotrina e pirimifós-metílico em farinha de trigo comum e os quatro últimos i.a. também foram detectados em farinha de trigo orgânica. O pirimifósmetílico foi detectado em 92% das amostras. Os i.a. encontrados nas amostras estavam abaixo do Limite Máximo de Resíduos (LMR) estabelecidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para farinha de trigo e as amostras foram consideradas próprias para o consumo. Fonte: Costa, A. R., Santa Cruz, L. M., Fernandes, V. A., Nakano, V. E., Kimura, I. de A., & Alaburda, J. Avaliação de resíduos de agrotóxicos em amostras de farinha de trigo por espectrometria de massas. Revista Do Instituto Adolfo Lutz, 81, 1–12, 2022. Disponível em: https://periodicos.saude.sp.gov.br/RIAL/article/view/37179. Acesso em 30 ago. 2023. LEITURA COMPLEMENTAR MÉTODOS ESPECTROSCÓPICOSUNIDADE 4 https://periodicos.saude.sp.gov.br/RIAL/article/view/37179 98 MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO • Título: Ressonância Magnética Nuclear • Autor: Claudia Nascimento • Editora: Blucher, 23 maio 2016 • Sinopse: Este livro é destinado, principalmente, a químicos, biólogos, farmacêuticos e bioquímicos, em qualquer nível, que desejam aprender a técnica. Ele introduz os conceitos mais básicos da RMN, o que lhe permitirá trilhar novos caminhos nas diferentes aplicações da técnica. Não se preocupe se você ainda não tem muitos conhecimentos: este livro foi escrito para iniciantes. Um aluno que tenha terminado um bom Ensino Médio tem os fundamentos necessários para a compreensão do que é apresentado aqui. O livro começa apresentando o conceito de espectroscopia, mostrando onde se encaixa a RMN. Os conceitos básicos da técnica são introduzidos pouco a pouco por meio da RMN de hidrogênio e de carbono-13, com explicações sobre o equipamento e como um espectro é gerado. Também são abordados a RMN-2D e o efeito Overhauser nuclear (NOE), que apresenta enorme gama de aplicações na química, na biologia e na farmácia. Convido o leitor a começar a aprender RMN, e tenho certeza de que terá a capacidade e ficará fascinado com o poder dessa técnica. Boa viagem! LIVRO • Título: Introdução à Espectroscopia • Autor: Donald L. Pavia; Gary M. Lampman; George S. Kriz; James R. Vyvyan. • Editora: Cengage Learning, 2010. • Sinopse: Este é um livro de espectroscopia voltado para estudantes de química orgânica. Seu objetivo não é apenas ensinar a interpretar espectros, mas também apresentar conceitos teóricos básicos. Os autores tentaram focar nos aspectos importantes de cada técnica espectroscópica sem insistir excessivamente em teorias ou em análises matemáticas complexas. Os capítulos trazem exercícios para que os estudantes possam desenvolver a técnica de solução de problemas de espectroscopia. Nos apêndices os alunos encontrarão as respostas para os problemas selecionados. MÉTODOS ESPECTROSCÓPICOSUNIDADE 4 https://www.cengage.com.br/?s=Donald L. Pavia%7C Gary M. Lampman%7C George S. Kriz%7C James R. Vyvyan&post_type=livro https://www.cengage.com.br/?s=Donald L. Pavia%7C Gary M. Lampman%7C George S. Kriz%7C James R. Vyvyan&post_type=livro 99 MATERIAL COMPLEMENTAR FILME/VÍDEO • Nome: Interpretando Espectro de Massas (Exercício comentado) • Sinopse: Nesse vídeo analiso com você a resolução de um problema envolvendo espectrometria de massas e infravermelho. • Link doVídeo: https://www.youtube.com/watch?v=AchBEMFlm50 FILME/VÍDEO • Nome: Como interpretar um espectro de ressonância magnética nuclear (RMN-H) • Sinopse: Tutorial resumido, de como interpretar um espectro de ressonância magnética nuclear (RMN-H). • Link do Vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=z16IHu3F9Ug FILME/VÍDEO • Título: Interstellar • Ano: 2014 • Sinopse: As reservas naturais da Terra estão chegando ao fim e um grupo de astronautas recebe a missão de verificar possíveis planetas para receberem a população mundial, possibilitando a continuação da espécie. Cooper é chamado para liderar o grupo e aceita a missão sabendo que pode nunca mais ver os filhos. Ao lado de Brand, Jenkins e Doyle, ele seguirá em busca de um novo lar. MÉTODOS ESPECTROSCÓPICOSUNIDADE 4 https://www.youtube.com/watch?v=AchBEMFlm50 https://www.youtube.com/watch?v=z16IHu3F9Ug https://www.youtube.com/watch?v=z16IHu3F9Ug 100 CONCLUSÃO GERAL Prezado(a) aluno(a), É com grande satisfação que chegamos ao final desta disciplina, que desempenha um papel crucial no seu desenvolvimento profissional. Durante todo o curso, exploramos técnicas de análise instrumental que são fundamentais e amplamente aplicadas tanto no ambiente empresarial quanto na pesquisa e desenvolvimento. Iniciamos nossa jornada na disciplina de Química Instrumental introduzindo conceitos básicos e ressaltando a importância da calibração e validação dos métodos de análise instrumental. Isso serviu como uma base sólida para o nosso estudo das diversas técnicas de análise. Na Unidade II, aprofundamos nosso conhecimento nos métodos térmicos de análise, compreendendo o funcionamento, a instrumentação e a interpretação de dados das técnicas de TG, DTG e DSC. Seguindo para a Unidade III, conhecemos os métodos eletroquímicos de análise, explorando em detalhes a voltametria, a amperometria e a coulometria. Compreendemos a disposição e a importância de diferentes tipos de eletrodos, bem como as distinções entre essas técnicas. Finalmente, na Unidade IV, estudamos os métodos espectroscópicos de análise, que são amplamente utilizados hoje em dia para a identificação e quantificação de analitos, sejam eles conhecidos ou desconhecidos. Nesse contexto, exploramos as instrumentações envolvidas e conhecemos diversas aplicações dessas técnicas. Gostaria de expressar meu sincero agradecimento a você, caro aluno, por trilhar essa jornada de aprendizado comigo. Foi uma experiência enriquecedora e gratificante, na qual pudemos crescer e aprender juntos ao longo desta disciplina. Desejo a você muito sucesso em sua carreira e em todos os seus empreendimentos futuros. Até uma próxima oportunidade. Muito Obrigada! 101 REFERÊNCIAS AGOSTINHO, S., et. al. O eletrólito suporte e suas múltiplas funções em processos de eletrodo. Revista. Quim. Nova, Vol. 27, No. 5, 813-817, 2004. Disponível em: https://www. scielo.br/j/qn/a/MdsQNLxX7Zfbb9ZmMzZGSzP/. Acesso em: 19 ago. 2023. ALEIXO, L. M. Voltametria: Conceitos e Técnicas. Chemkeys, 2003. Disponível em: https:// www.ufjf.br/nupis/files/2011/07/Voltametria.pdf. Acesso em: 19 ago. 2023. ARAÚJO, Hiram; IRIS, Ademário. E-book - Análise Instrumental - Uma Abordagem Prática. São Paulo: Grupo GEN, 2021. Disponível em:https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521637486/. Acesso em 03 de jun. 2023. BACCAN, Nivaldo. Química analítica quantitativa elementar. São Paulo: Editora Blucher, 2001. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521215219/. Acesso em: 03 de jun. 2023. BUSTILLOS, Oscar Vega. Processamento de dados na espectrometria de massas. Revista Analytica. Edição 107, 2020. Disponível em: https://revistaanalytica.com.br/processamento- de-dados-na-espectrometria-de-massas/. Acesso em 30 ago. 2023. CAMPESTRINI, I. Preparação e aplicação de um eletrodo de filme de bismuto para determinação eletroanalítica de Sn(IV) e sulfadiazina. p. 43-48 Dissertação de Mestrado, Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil, 2010. Disponível em: https://repositorio. ufsc.br/bitstream/handle/123456789/93600/280611.pdf?sequence=1&isAllowed=y. Acesso em: 19 ago. 2023. COLNAGO, Luiz Alberto; DE ANDRADE, Fabiana Diuk. RMN no domínio do tempo: Fundamentos e aplicações offline e inline. Biotecnologia Aplicada à Agro&Indústria, 2017. Disponível em: https://www.researchgate.net/profile/Luiz-Colnago/publication/313493721_ RMN_no_dominio_do_tempo_fundamentos_e_apl icacoes_off l ine_e_in l ine/ https://www.scielo.br/j/qn/a/MdsQNLxX7Zfbb9ZmMzZGSzP/ https://www.scielo.br/j/qn/a/MdsQNLxX7Zfbb9ZmMzZGSzP/ https://www.ufjf.br/nupis/files/2011/07/Voltametria.pdf https://www.ufjf.br/nupis/files/2011/07/Voltametria.pdf https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521637486/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521637486/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521215219/ https://revistaanalytica.com.br/processamento-de-dados-na-espectrometria-de-massas/ https://revistaanalytica.com.br/processamento-de-dados-na-espectrometria-de-massas/ https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/93600/280611.pdf?sequence=1&isAllowed=y https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/93600/280611.pdf?sequence=1&isAllowed=y https://www.researchgate.net/profile/Luiz-Colnago/publication/313493721_RMN_no_dominio_do_tempo_fundamentos_e_aplicacoes_offline_e_inline/links/58a605f54585150402e2155a/RMN-no-dominio-do-tempo-fundamentos-e-aplicacoes-offline-e-inline.pdf https://www.researchgate.net/profile/Luiz-Colnago/publication/313493721_RMN_no_dominio_do_tempo_fundamentos_e_aplicacoes_offline_e_inline/links/58a605f54585150402e2155a/RMN-no-dominio-do-tempo-fundamentos-e-aplicacoes-offline-e-inline.pdf 102 links/58a605f54585150402e2155a/RMN-no-dominio-do-tempo-fundamentos-e-aplicacoes- offline-e-inline.pdf. Acesso em: 30 ago. 2023 COSTA, A. R; SANTA CRUZ, L. M; FERNANDES, V. A; NAKANO, V. E; KIMURA, I. de A; ALABURDA, J. Avaliação de resíduos de agrotóxicos em amostras de farinha de trigo por espectrometria de massas. Revista Do Instituto Adolfo Lutz, 81, 1–12, 2022. Disponível em: https://periodicos.saude.sp.gov.br/RIAL/article/view/37179. Acesso em: 30 ago. 2023. DOMINGOS, M. et. al. Sweat conductivity and coulometric quantitative test in neonatal cystic fibrosis screening. J Pediatria. (Rio de Janeiro). 91:590-5. 2015. Disponível em:https://www.scielo.br/j/jped/a/G4NXvGTxnPZRZJPBwfZcDZn/?lang=pt&format=pdf. Acesso em: 20 ago. 2023. GONZALES, M. M. Ressonância Magnética Nuclear (2020). Disponível em: https:// pt.slideshare.net/MarvinMendezGonzales2/tema-5-pq-317-20201-rmn-1pdf. Acesso em: 20 nov. 2023. HARRIS, D.C. Análise Química Quantitativa. Rio de Janeiro: LTC, 7a ed., 2008. INCROPERA, Frank P. Fundamentos de Transferência de calor e de massa. LTC Editora, Sexta Edição, (2007). Disponível em: http://ftp.demec.ufpr.br/disciplinas/TMEC030/ Prof_Luciano/Fundamentos-de-transferencia-de-calor-e-de-massa-incropera.pdf. Acesso em: 20 jul 2023. IONASHIRO, M. E GIOLITO, I. Fundamentos da termogravimetria, análise térmica diferencial, calorimetria exploratória diferencial. São Paulo: Giz Editorial, 2005. Disponível em: Princípios Básicos da Termogravimetria e Análise Térmica ...Moodle USPhttps://edisciplinas.usp.br › resource › view. Acesso em: 20 jul 2023. LAGE, Eduardo. Capacidades Caloríficas. Revista Ciência Elementar, volume 7, (2019). Disponível em: doi.org/10.24927/rce2019.032. Acesso em: 20 jul 2023. https://www.researchgate.net/profile/Luiz-Colnago/publication/313493721_RMN_no_dominio_do_tempo_fundamentos_e_aplicacoes_offline_e_inline/links/58a605f54585150402e2155a/RMN-no-dominio-do-tempo-fundamentos-e-aplicacoes-offline-e-inline.pdf https://www.researchgate.net/profile/Luiz-Colnago/publication/313493721_RMN_no_dominio_do_tempo_fundamentos_e_aplicacoes_offline_e_inline/links/58a605f54585150402e2155a/RMN-no-dominio-do-tempo-fundamentos-e-aplicacoes-offline-e-inline.pdf https://periodicos.saude.sp.gov.br/RIAL/article/view/37179 https://www.scielo.br/j/jped/a/G4NXvGTxnPZRZJPBwfZcDZn/?lang=pt&format=pdf https://pt.slideshare.net/MarvinMendezGonzales2/tema-5-pq-317-20201-rmn-1pdf https://pt.slideshare.net/MarvinMendezGonzales2/tema-5-pq-317-20201-rmn-1pdf https://www.researchgate.net/publication/profile/F-Incropera http://ftp.demec.ufpr.br/disciplinas/TMEC030/Prof_Luciano/Fundamentos-de-transferencia-de-calor-e-de-massa-incropera.pdf http://ftp.demec.ufpr.br/disciplinas/TMEC030/Prof_Luciano/Fundamentos-de-transferencia-de-calor-e-de-massa-incropera.pdf https://edisciplinas.usp.br/mod/resource/view.php?id=2314642 https://edisciplinas.usp.br/mod/resource/view.php?id=2314642 http://doi.org/10.24927/rce2019.032 103 LANÇAS, Fernando M. Espectrometria de massas: fundamentos, instrumentação e aplicações. Campinas: Átomo, 2019. LUKASZEWSKI, G. M. and REDFERN J. P. (1961) Lab Practice, volume 10, página 552. MATOS, Simone Pires de. Técnicas de análise química - métodos clássicos e instrumentais - 1ª edição. São Paulo: Editora Saraiva, 2015. Disponível em: https:// integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788536531359/. MOTHÉ, Cheila Gonçalves, AZEVEDO, Aline Damico. Análise Térmica de Materiais. São Paulo: Editora Artliber, 2009. NASCIMENTO, Claudia. Ressonância Magnética Nuclear. 1ª Edição, Blucher, 2016. Pacheco, W. F., et. al. Uma Breve Revisão Sobre os Conceitos. Rev. Virtual Quim., 5 (4), 516-537, 2013. Disponível em: https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/209/o/VC_RVQ_ v5N4_2013.pdf?1386612358. Acesso em: 19 ago. 2023. PAVIA, Donald L.; LAMPMAN, Gary M., KRIZ, George S.; VYVYAN, James R. Introdução à Espectroscopia. Cengage Learning, 25 novembro 2010. Disponível em: https://www2. ufjf.br/quimicaead/wp-content/uploads/sites/224/2013/05/8-Espectrometria-de-massa.pdf. https://www2.ufjf.br/quimicaead/wp-content/uploads/sites/224/2013/05/3-Espectroscopia- de-resson%C3%A2ncia-magn%C3%A9tica-nuclear-Pt.1.pdf. Acesso em: 23 ago 2023. PEREZ, Maary. Validação de métodos analíticos. Como fazer? Por que ela é importante? Boletim de tecnologia e desenvolvimento de embalagens. Vol. 22 (2010) Disponível em:https://ital.agricultura.sp.gov.br/arquivos/cetea/informativo/v22n3/v22n3_artigo2.pdf. Acesso em: 03 jun. 2023. QUINTINO, M. Desenvolvimento de sensores eletroquímicos associados a batch injection analysis (bia) para aplicações analíticas. p 8-14. Tese de Doutorado. Universidade https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788536531359/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788536531359/ https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/209/o/VC_RVQ_v5N4_2013.pdf?1386612358 https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/209/o/VC_RVQ_v5N4_2013.pdf?1386612358 https://www.cengage.com.br/?s=Donald L. Pavia%7C Gary M. Lampman%7C George S. Kriz%7C James R. Vyvyan&post_type=livro https://www2.ufjf.br/quimicaead/wp-content/uploads/sites/224/2013/05/8-Espectrometria-de-massa.pdf https://www2.ufjf.br/quimicaead/wp-content/uploads/sites/224/2013/05/8-Espectrometria-de-massa.pdf https://www2.ufjf.br/quimicaead/wp-content/uploads/sites/224/2013/05/3-Espectroscopia-de-resson%C3%A2ncia-magn%C3%A9tica-nuclear-Pt.1.pdf https://www2.ufjf.br/quimicaead/wp-content/uploads/sites/224/2013/05/3-Espectroscopia-de-resson%C3%A2ncia-magn%C3%A9tica-nuclear-Pt.1.pdf104 de São Paulo. 2003. Disponível em: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/46/46133/tde- 11102006-144342/publico/TeseMariaDoSocorro.pdf. Acesso em: 19 ago. 2023. RESENDE, C. et. al. Avaliação da Eficiência de Inibidores de Corrosão para Concretos em Ambientes Contaminados com CO2 e Íons Cloretos. Rev. Virtual Quim., 2017. Disponível em: https://www.researchgate.net/figure/Figura-1-Modelo-de-celula- eletroquimica-utilizada-nos-experimentos-eletrodo-de-aco-1020_fig1_316500876. Acesso em 20 nov. 2023. RESENDE, M.; Silva, D. N.; Pereira, A. C. Sistemas de Injeção em Fluxo e em Batelada com Detecção Eletroquímica Aplicados na Determinação de Fármacos. Rev. Virtual Quim., 12 (5), 2020. Disponível em: https://s3.sa-east-1.amazonaws.com/static.sites.sbq.org.br/rvq. sbq.org.br/pdf/RVq070820-a1.pdf. Acesso em: 19 ago. 2023. SANTOS W., et. al. Análise por injeção em fluxo com detecção amperométrica de múltiplos pulsos: potencialidades e aplicações. Quim. Nova, Vol. 34, No. 10, 1753-1761, 2011. Disponível em: https://www.scielo.br/j/qn/a/D4RJnCc3SScCGBrsV5VYjrP/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 19 ago. 2023. SILVA, Luiz Guilherme de Melo. Uma breve revisão sobre RMN e algumas de suas aplicações. Universidade Federal de Uberlândia, 2018. Disponível em: https://repositorio. ufu.br/bitstream/123456789/22234/3/BreveRevis%c3%a3oRMN.pdf. Acesso em: 30 ago. 2023. SKOOG, D.A.; HOLLER, F.J.; NIEMAN, T.A. Princípios de Análise Instrumental, 6a ed. São Paulo, Bookman, 2009. SKOOG, Douglas A.; WEST, Donald M.; HOLLER, F J.; CROUCH, Stanley R. Fundamentos de Química Analítica: Tradução da 9ª edição norte-americana. [São Paulo - SP]: Cengage Learning Brasil, 2015. E-book. ISBN 9788522121373. Disponível em: https://integrada. minhabiblioteca.com.br/#/books/9788522121373/. Acesso em: 03 jun. 2023. https://teses.usp.br/teses/disponiveis/46/46133/tde-11102006-144342/publico/TeseMariaDoSocorro.pdf https://teses.usp.br/teses/disponiveis/46/46133/tde-11102006-144342/publico/TeseMariaDoSocorro.pdf https://www.researchgate.net/figure/Figura-1-Modelo-de-celula-eletroquimica-utilizada-nos-experimentos-eletrodo-de-aco-1020_fig1_316500876 https://www.researchgate.net/figure/Figura-1-Modelo-de-celula-eletroquimica-utilizada-nos-experimentos-eletrodo-de-aco-1020_fig1_316500876 https://s3.sa-east-1.amazonaws.com/static.sites.sbq.org.br/rvq.sbq.org.br/pdf/RVq070820-a1.pdf https://s3.sa-east-1.amazonaws.com/static.sites.sbq.org.br/rvq.sbq.org.br/pdf/RVq070820-a1.pdf https://www.scielo.br/j/qn/a/D4RJnCc3SScCGBrsV5VYjrP/?format=pdf&lang=pt https://repositorio.ufu.br/bitstream/123456789/22234/3/BreveRevis%c3%a3oRMN.pdf https://repositorio.ufu.br/bitstream/123456789/22234/3/BreveRevis%c3%a3oRMN.pdf https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788522121373/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788522121373/ 105 SKOOG, Douglas A.; WEST, Donald M.; HOLLER, F J.; CROUCH, Stanley R. Fundamentos de Química Analítica: Tradução da 9ª edição norte-americana. [São Paulo - SP]: Cengage Learning Brasil, 2015. E-book. ISBN 9788522121373. Disponível em: https://integrada. minhabiblioteca.com.br/#/books/9788522121373/. SKOOG, Douglas A.; WEST, Donald M.; HOLLER, F J.; CROUCH, Stanley R. Fundamentos de Química Analítica. São Paulo: Cengage Learning Brasil. Disponível em: https:// integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788522121373/ VOGEL, Arthur I. Análise Química Quantitativa. São Paulo: Grupo GEN, 2002. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-216-2580-3/. Acesso em: 03 jun. 2023. VOGEL, Arthur. Análise Química Quantitativa. São Paulo: Grupo GEN, 2002. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-216-2580-3/. Acesso em: 20 jul 2023. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788522121373/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788522121373/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788522121373/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788522121373/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-216-2580-3/ ENDEREÇO MEGAPOLO SEDE Praça Brasil , 250 - Centro CEP 87702 - 320 Paranavaí - PR - Brasil TELEFONE (44) 3045 - 9898 Unidade 1 - 2024 Unidade 2 - 2024 Unidade 3 - 2024 Unidade 4 - 2024 Site UniFatecie 3: Botão 19: Botão 18: Botão 17: Botão 16:assim a calibração é parte importante da validação, pois estabelece a base para as medidas quantitativas necessárias. Os dados obtidos durante a calibração são usados na avaliação da linearidade, precisão e exatidão durante a validação. Enquanto validação vai além da calibração, abrangendo outros aspectos do método, como seletividade, robustez e limites de detecção. 3.1 Calibração A calibração de métodos instrumentais é um processo essencial para garantir a precisão e a confiabilidade das análises realizadas. Envolve a determinação da relação entre os sinais medidos pelo equipamento e as concentrações conhecidas de uma substância de referência (Skoog et al., 2015). Praticamente, todos os métodos analíticos requerem algum tipo de calibração com padrões, exceto os métodos gravimétricos e alguns métodos coulométricos. CALIBRAÇÃO E VALIDAÇÃO DOS MÉTODOS ANALÍTICOS3 TÓPICO INTRODUÇÃO À QUÍMICA INSTRUMENTAL IIUNIDADE 1 15 Entre os tipos de procedimentos de calibração estão a comparação com padrões, a calibração com padrões externos, métodos de adição padrão, método do padrão interno (Skoog et al., 2009). A comparação com padrões pode ser direta, onde uma propriedade do analito é comparada com padrões conhecidos de forma direta, ou por titulação, onde o analito reage com um reagente padronizado em uma reação com estequiometria conhecida, chegando se assim a concentração do analito na amostra. Na calibração com padrões externos, uma série de soluções padrão com concentrações conhecidas do analito de interesse é preparada e analisada pelo instrumento (Skoog et al., 2009). Os sinais ou respostas geradas pelo instrumento para cada concentração padrão são registrados e uma curva de calibração é construída. A construção da curva de calibração envolve a plotagem dos valores das concentrações padrão no eixo x e os sinais ou respostas correspondentes no eixo y. Geralmente, utiliza-se uma regressão linear para traçar a curva de calibração, assumindo uma relação linear entre o sinal do instrumento e a concentração do analito. A equação da curva de calibração é então determinada e pode ser usada posteriormente para quantificar a concentração desconhecida do analito em amostras de interesse com base em sua resposta. A calibração com padrões externos é um método versátil e amplamente utilizado na análise química instrumental, permitindo a quantificação precisa de analitos em amostras desconhecidas (Skoog et al., 2009). No entanto, é essencial seguir as boas práticas de calibração e considerar as características específicas do analito, instrumento e matriz da amostra para garantir resultados confiáveis e precisos. O método de adição de padrão envolve a adição de uma quantidade conhecida do analito (padrão) em uma amostra desconhecida (Skoog et al., 2009). A amostra é então analisada pelo instrumento e o sinal resultante é comparado ao sinal de uma solução- padrão com concentração conhecida do analito. A diferença entre os sinais é usada para calcular a concentração do analito na amostra. Esse método é particularmente útil quando há interferências na matriz da amostra ou quando a recuperação do analito é afetada durante a etapa de extração ou preparo da amostra, permitindo uma correção direta dos efeitos da matriz e fornecendo uma medida precisa da concentração do analito na amostra. No método do padrão interno, um composto conhecido como padrão interno é adicionado tanto à amostra quanto aos padrões externos com concentrações conhecidas INTRODUÇÃO À QUÍMICA INSTRUMENTAL IIUNIDADE 1 16 do analito. A relação entre os sinais ou respostas do analito e do padrão interno é usada para calcular a concentração do analito na amostra (Skoog et al., 2009). Este método permite corrigir variações na matriz da amostra e nas condições de análise, fornecendo uma medida mais precisa da concentração do analito. No entanto, é fundamental selecionar um padrão interno adequado que não esteja presente na amostra e que seja compatível com o analito em termos de comportamento químico e resposta do instrumento. Além disso, é importante garantir a preparação precisa das soluções-padrão e a realização adequada da análise pelo instrumento analítico. O método do padrão interno é frequentemente utilizado em análises complexas, como em amostras biológicas ou ambientais, onde a matriz pode afetar a exatidão e precisão das medidas analíticas (Skoog et al., 2009). O uso de um padrão interno fornece uma correção interna para as variações nas condições experimentais, melhorando a confiabilidade e a precisão dos resultados analíticos. 3.2 Validação Os critérios de desempenho de um instrumento podem variar dependendo da técnica analítica específica e da aplicação em questão. No entanto, existem alguns critérios comuns que são frequentemente considerados ao avaliar o desempenho de um instrumento. Abaixo estão situados e contextualizados esses critérios (Perez, 2010). • Sensibilidade: Refere-se à capacidade do instrumento de detectar pequenas variações na concentração ou na quantidade de um analito. Quanto maior a sensibilidade, menor a quantidade necessária do analito para produzir um sinal mensurável acima do ruído de fundo. • Linearidade: Indica a capacidade do instrumento de fornecer uma resposta proporcional à concentração do analito. Um instrumento linear exibirá uma relação linear entre o sinal de resposta e a concentração do analito ao longo de uma faixa específica. • Precisão: Refere-se à capacidade do instrumento de reproduzir resultados consistentes e próximos entre si. A precisão pode ser avaliada em termos de precisão intraday (repetibilidade dos resultados em um único dia) e precisão interday (reprodutibilidade dos resultados em diferentes dias). • Exatidão: Indica a proximidade dos resultados medidos pelo instrumento em relação ao valor verdadeiro ou aceito da quantidade, ou concentração do analito. A exatidão pode ser avaliada usando-se materiais de referência certificados ou comparando os resultados com outros métodos de referência. INTRODUÇÃO À QUÍMICA INSTRUMENTAL IIUNIDADE 1 17 • Limite de detecção (LD) e limite de quantificação (LQ): O LD é a menor quantidade do analito que o instrumento pode detectar com confiabilidade, enquanto o LQ é a menor quantidade que pode ser quantificada com uma precisão aceitável. Esses limites são importantes para determinar a sensibilidade do instrumento. • Seletividade e especificidade: Referem-se à capacidade do instrumento de detectar e medir com precisão o analito de interesse, distinguindo-o de outros componentes ou interferentes presentes na amostra. A seletividade e a especificidade são fundamentais para evitar falsos positivos ou falsos negativos. • Estabilidade: Refere-se à capacidade do instrumento de manter seu desempenho ao longo do tempo. Isso inclui a estabilidade dos sinais de resposta, das condições de operação, da calibração e da precisão ao longo de várias análises. • Tempo de resposta: Indica o tempo necessário para que o instrumento forneça uma resposta após a introdução da amostra. Dependendo da aplicação, um tempo de resposta rápido pode ser desejável para análises em tempo real ou em processos contínuos. É importante lembrar que esses critérios podem variar de acordo com a técnica analítica, a aplicação específica e os requisitos do usuário. INTRODUÇÃO À QUÍMICA INSTRUMENTAL IIUNIDADE 1 18 O processo analítico é um conjunto de etapas que devem ser seguidas para a resolução de problemas analíticos, seja pela aplicação de métodos clássicos ou instrumentais. Dentre as estampas do processo analítico estão planejamento, amostragem, preparo de amostra, medição e tratamento dos dados. Uma falha em qualquer etapa do processo analítico pode comprometer a qualidade e a confiabilidade dos resultados, sendo todas as etapas do processo muito importantes. 4.1 Planejamento e seleção do método analítico O planejamento ajudaa determinar claramente o objetivo da análise, como identificar um composto específico, quantificar a concentração de um analito, avaliar a pureza de uma substância. Para chegar a essas conclusões e fazer um planejamento coerente é necessário fazer uma pesquisa bibliográfica sobre o analito e as formas de análise. A seleção de um método analítico adequado depende de vários fatores, incluindo o tipo de amostra, a natureza do analito, o objetivo da análise, os recursos disponíveis e as limitações do método. É importante avaliar inicialmente as propriedades físicas e químicas da amostra, como estado físico (sólido, líquido, gás), composição matricial, estabilidade, pH e interferentes presentes. Essas características podem influenciar a escolha do método analítico mais adequado. Outra variável que deve ser analisada é a natureza do analito a ser analisado, como se é, um íon, uma molécula orgânica, um metal, um composto volátil, etc. PROCESSO ANALÍTICO4 TÓPICO INTRODUÇÃO À QUÍMICA INSTRUMENTAL IIUNIDADE 1 19 Definir claramente o objetivo da análise, seja quantificar a concentração de um analito, identificar a presença de um componente específico, avaliar a pureza de uma substância, determinar propriedades físico-químicas, entre outros. O objetivo da análise guiará a escolha do método adequado. Considerar a faixa de concentração esperada do analito e a sensibilidade requerida para o método é indispensável. Alguns métodos são mais sensíveis em baixas concentrações, enquanto outros podem ser mais adequados para concentrações mais altas. Por fim, a avaliação de fatores como disponibilidade de equipamentos e recursos, tempo de análise, custo e validade regulatória são importantes para selecionar o método ideal para cada análise. Ao considerar esses pontos, é possível selecionar um método analítico que atenda às necessidades específicas da análise desejada, garantindo resultados precisos e confiáveis. A fim de auxiliar na escolha do método analítico, Skoog et al., (2009) sugerem as seguintes questões: Para selecionar um método analítico de forma inteligente, é essencial que se defina claramente a natureza do problema analítico. Tal definição a resposta às seguintes questões: 1. Qual é a exatidão necessária? 2. Qual é a quantidade de amostra disponível? 3. Qual é a faixa de concentração do analito? 4. Quais componentes da amostra podem causar interferências? (Skoog et al., 2009, p. 31). É ideal que o método escolhido seja um método validado. Métodos validados estabelecem quais os analitos que poderão ser determinados, sendo devidamente especificados a matriz ou as matrizes e os riscos de interferências, ou seja, fornece as condições seguras e apropriadas com o objetivo de encontrar a solução do problema. Assim, para seleção de um método analítico é essencial definir claramente a natureza do problema analítico. 4.2 Amostragem A amostragem é uma etapa crítica na análise química, pois envolve a coleta de uma porção representativa da matriz para análise. É essencial garantir que a amostra coletada seja representativa do todo, para que os resultados da análise sejam precisos e confiáveis. Elaborar um plano de amostragem que inclua informações sobre o tamanho da amostra, a frequência de amostragem, o local de coleta, o método de coleta, os recipientes de amostragem, a INTRODUÇÃO À QUÍMICA INSTRUMENTAL IIUNIDADE 1 20 preservação da amostra, a documentação necessária e outras considerações específicas para a amostragem, aumenta as probabilidades do sucesso do processo de amostragem. É fundamental que a amostra coletada seja representativa da população ou do material que está sendo analisado. Para isso, é importante considerar a heterogeneidade da amostra, variando características como localização, tamanho, composição e outras propriedades relevantes. Selecionar o método de coleta apropriado é crucial para garantir a integridade e a representatividade da amostra. Alguns métodos comuns incluem coleta manual, coleta por amostradores automáticos, amostragem pontual, amostragem em trajetória contínua e amostragem por perfuração. Dependendo do tipo de amostra e da análise a ser realizada, pode ser necessário preservar a amostra para evitar alterações químicas, biológicas ou físicas durante o transporte e o armazenamento. Isso pode envolver o uso de conservantes, controle de temperatura, evitando contaminação. É importante documentar todas as informações relevantes sobre a amostra, como local de coleta, data e hora da coleta, identificação da pessoa responsável pela coleta, informações sobre preservação, condições ambientais, entre outros. Isso permite a rastreabilidade e a validação dos resultados obtidos. A amostragem adequada é fundamental para garantir a representatividade e a confiabilidade dos resultados analíticos. A atenção aos detalhes, o uso de métodos apropriados e a adesão a boas práticas de amostragem são essenciais para obter amostras de alta qualidade para análise química. 4.3 Preparo de amostra O preparo de amostra envolve o processamento da amostra original para torná-la adequada para a análise. O objetivo do preparo de amostra é obter uma porção representativa da amostra que seja compatível com o método analítico escolhido. Primeiramente é necessário identificar corretamente a amostra e rotulá-la de acordo com as informações necessárias, como identificação única, local de coleta, data e hora da coleta, entre outros dados relevantes. Se a amostra for heterogênea ou contiver partículas grandes, ela deve ser homogeneizada para garantir uma distribuição uniforme do analito na amostra. Isso pode ser feito por agitação, trituração, moagem ou outros métodos adequados para a natureza da amostra. Caso a amostra seja grande ou contenha partículas grandes, pode ser necessário INTRODUÇÃO À QUÍMICA INSTRUMENTAL IIUNIDADE 1 21 reduzir seu tamanho para facilitar a manipulação e melhorar a representatividade da porção analisada. Isso pode ser feito por trituração, moagem ou outras técnicas apropriadas. A extração do analito de interesse presente em uma matriz complexa ou seletivamente distribuída em diferentes fases, pode ser necessário a separação do analito da matriz por meio de solventes adequados ou métodos de extração específicos que variam desde filtração até o emprego de agentes químicos que degradem parte da matriz expondo o analito de interesse de maneira que este possa ser identificado ou quantificado de acordo com o objetivo. Após a extração do analito deve se identificar se a concentração do analito encontra- se dentro ou fora da faixa de detecção, ou quantificação do método analítico, pode ser necessário diluir a amostra. Isso envolve adicionar um volume conhecido de solvente ou solução de diluição à amostra para obter uma concentração adequada para análise. Em alguns casos ainda, pode ser necessário realizar uma derivação ou modificação química da amostra para tornar o analito mais estável, solúvel ou detectável pelo método analítico escolhido. Isso pode envolver reações químicas, alterações de pH, adição de reagentes específicos, entre outros procedimentos. É importante seguir procedimentos adequados de preparo de amostra, incluindo o uso de equipamentos e reagentes limpos, evitar a contaminação cruzada, seguir as boas práticas de laboratório e documentar todas as etapas realizadas. O preparo de amostra adequada contribui para resultados analíticos precisos e confiáveis. 4.4 Tratamento dos dados O tratamento de dados é uma etapa essencial no processo analítico, que envolve a análise, interpretação e apresentação dos resultados obtidos a partir das medições realizadas. Como todas as medidas físicas, os resultados obtidos estão sujeitos a alguma incerteza e é necessário estabelecer a grandeza desta incerteza para apresentar resultados que tenham algum significado (Vogel, 2002). Em muitas análises, é necessário considerara incerteza associada aos resultados. A incerteza pode ser estimada usando métodos estatísticos ou de propagação de erros, levando em conta os erros experimentais, as limitações dos instrumentos e outros fatores que podem afetar a precisão dos resultados. A estatística descritiva é usada para resumir e descrever os dados de maneira informativa. Ela inclui medidas como média, mediana, desvio padrão, intervalo de confiança, INTRODUÇÃO À QUÍMICA INSTRUMENTAL IIUNIDADE 1 22 histogramas e gráficos de dispersão. Essas medidas estatísticas podem ajudar a entender a distribuição dos dados e identificar tendências ou padrões. Por fim, os resultados analíticos devem ser apresentados de forma clara e concisa. Use gráficos, tabelas e figuras adequadas para visualizar os dados. Descreva as conclusões principais e forneça informações relevantes sobre os métodos utilizados, as limitações e as fontes de incerteza (Baccan, 2001). A escolha correta e o uso eficiente dos instrumentos analíticos modernos requerem um conhecimento dos princípios fundamentais da operação destes dispositivos de medida. Apenas quando o analista estudante atinge tal nível de compreensão, a escolha dentre os muitos meios alternativos de resolver um problema analíticos pode ser feita razoavelmente; somente, então, estará livre das armadilhas que acompanham as medidas físicas e estará atento às limitações na sensibilidade, precisão e exatidão da medida instrumental” Fonte: Skoog et al., 2009. SAIBA MAIS Você sabia que a ciência pode impulsionar e melhorar os processos industriais? Um dos segmentos científicos que é imprescindível para o controle de qualidade dos processos é a química analítica. Fonte: Talk Science. Química analítica de processos em indústrias de alimentos: o que é preciso saber sobre o tema? 2021. Disponível em: https://www.talkscience.com.br/quimica-analitica/quimica-analitica-de- processos-em-industrias-de-alimentos-o-que-e-preciso-saber-sobre-o-tema. Acesso em 29 de jun. 2023. REFLITA INTRODUÇÃO À QUÍMICA INSTRUMENTAL IIUNIDADE 1 https://www.talkscience.com.br/quimica-analitica/quimica-analitica-de-processos-em-industrias-de-alimentos-o-que-e-preciso-saber-sobre-o-tema https://www.talkscience.com.br/quimica-analitica/quimica-analitica-de-processos-em-industrias-de-alimentos-o-que-e-preciso-saber-sobre-o-tema 23 Estamos chegando ao final da Unidade I e, com isso, espero que você tenha aprofundado e relembrado seus conhecimentos em relação à química analítica instrumental de maneira geral. Lembre-se de que esta foi apenas a primeira etapa desta disciplina, e a seguir daremos continuidade com temas mais aprofundados sobre os métodos instrumentais. Portanto, dedique-se a entender os tópicos abordados nesta unidade, resolvendo os exercícios propostos e realizando a leitura do material de referência, assim como dos materiais sugeridos como complementares. Entender como selecionar e executar o melhor método analítico para a análise de interesse é o primeiro passo para garantir bons resultados. Você, futuro profissional da química, precisa compreender o processo analítico e executá-lo com excelência, contribuindo assim para a obtenção de resultados confiáveis. Continue nesta jornada comigo; nas unidades seguintes, vamos nos aprofundar em métodos e equipamentos específicos, esclarecendo ainda mais as possibilidades disponíveis na química analítica instrumental para a identificação e quantificação dos mais diversos analitos de interesse. Quero agradecer a sua participação e até a próxima unidade! Abraço! CONSIDERAÇÕES FINAIS INTRODUÇÃO À QUÍMICA INSTRUMENTAL IIUNIDADE 1 24 Artigo: Análise química instrumental e sua aplicação em controle de qualidade de biocombustíveis. Resumo: As técnicas analíticas instrumentais de maior uso nos laboratórios de análise química tanto para controle de qualidade como para fins industriais e ambientais são as cromatográficas, as eletroquímicas e as espectroscópicas. Para o correto entendimento de tais técnicas são abordados os aspectos técnico-científicos e econômicos envolvidos na escolha para uso na determinação genérica de analitos orgânicos ou inorgânicos, além de discutidas aplicações em casos reais voltados para o controle químico de qualidade na indústria de biocombustível, conforme resoluções da ANP, utilizando-se diferentes técnicas de maneira associada. Fonte: SÍLVIO, Vaz Jr. Análise Química Instrumental e sua Aplicação em Controle de Qualidade de Biocombustíveis, Brasília, 2010. Disponível em: https://www. infoteca.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/872917/1/CIT03.pdf Acesso: em 3 jul. 2023. LEITURA COMPLEMENTAR INTRODUÇÃO À QUÍMICA INSTRUMENTAL IIUNIDADE 1 https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/872917/1/CIT03.pdf https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/872917/1/CIT03.pdf 25 MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO • Título: Princípios de Análise instrumental • Autores: Douglas A. Skoog, James F. Holler, Stanley R. Crouch. • Editora: Cengage Learning; 6ª edição (2009) • Sinopse: A nova edição de Princípios de análise instrumental mantém o estilo abrangente sem abrir mão de uma abordagem profunda da matéria. Enfatiza as bases teóricas de cada tipo de técnica analítica instrumental, seu campo de aplicação, sensibilidade, precisão, vantagens e limitações. Trata também de conceitos fundamentais em eletrônica analógica e digital, computadores e manipulação de dados. FILME/VÍDEO • Título: Dark Waters - O Preço da Verdade • Ano: 2020 • Sinopse: Em Dark Waters - O Preço da Verdade, Robert Bilott (Mark Ruffalo) é um advogado de defesa corporativo que ganhou prestígio trabalhando em casos de grandes empresas de químicos. Quando um fazendeiro chama sua atenção para mortes de gado que podem estar ligadas ao lixo tóxico de uma grande corporação, ele embarca em uma luta pela verdade, em um processo judicial que dura anos e põe em risco sua carreira, sua família e seu futuro. WEB • Resumo: The Mystery of Matter: Search for the Elements é uma minissérie documental americana de 2014, que estreou em todo o país em 19 de agosto de 2015. O documentário da PBS, tem três episódios de uma hora cada. A série retrata desde os primeiros alquimistas até os cientistas obcecados com o próprio átomo, o conhecimento coletivo de séculos de ousados pensadores construiu o que hoje é a base da química moderna. Esta é a história dos pioneiros cuja curiosidade sobre seu mundo ajudou a desvendar alguns dos segredos mais bem guardados da natureza. • Link de Acesso: https://www.youtube.com/watch?v=z3Gt5IOjAuc. Acesso em 03 Jun 2023. INTRODUÇÃO À QUÍMICA INSTRUMENTAL IIUNIDADE 1 https://www.youtube.com/watch?v=z3Gt5IOjAuc Professor(a) Me. Marcela Cristina da Silva MÉTODOS TÉRMICOS DE ANÁLISE2UNIDADEUNIDADE PLANO DE ESTUDO 27 Plano de Estudos • Propriedades térmicas da matéria; • Análise termogravimétrica; • Análise térmica diferencial; • Calorimetria exploratória diferencial. Objetivos da Aprendizagem • Entender as propriedades térmicas da matéria; • Conhecer os métodos térmicos de análise; • Conhecer a instrumentação de cada método; • Entender e identificar aplicações para os métodos térmicos de análise; • Aprender a interpretar os resultados obtidos nos métodos térmicos de análise. MÉTODOS TÉRMICOS DE ANÁLISEUNIDADE 2 28 Olá, caro(a) aluno(a), Iniciaremos mais uma unidade da nossa disciplina. Nesta segunda unidade, vamos aprofundar nossos conhecimentos sobre os métodos térmicos de análise. Conhecer as propriedades térmicas da matéria é essencial para entender esses métodos. De início, vamos relembrar as propriedades térmicas da matéria e como elas são influenciadas pelas mudanças de temperatura. Em seguida, estudaremos a análise térmica mais utilizada, a termogravimetria, abordando sua instrumentação, análise de dados e aplicações. Além disso, discutiremos a análise térmica diferencial, explorando como ela se diferencia da termogravimetria, incluindosua instrumentação e aplicações. Por fim, estudaremos a calorimetria exploratória diferencial, seus fundamentos e suas principais aplicações na indústria e na academia. Ao final desta segunda unidade, espero que você consiga diferenciar cada um desses métodos instrumentais, interpretar seus resultados e compreender suas aplicações analíticas nas diversas áreas. Lembre-se de que é fundamental realizar pesquisas em outras fontes. Bons Estudos pra você! INTRODUÇÃO MÉTODOS TÉRMICOS DE ANÁLISEUNIDADE 2 29 As propriedades térmicas da matéria são características que descrevem a maneira como a matéria responde às mudanças de temperatura e transferência de calor. Essas propriedades estão relacionadas ao comportamento térmico dos materiais e são importantes para entender seu desempenho e aplicação em diversas áreas. Algumas das principais propriedades térmicas da matéria incluem: Capacidade calorífica; Condutividade térmica; Dilatação térmica; Transições de fase; Calor específico e Coeficiente de transferência de calor. 1.1 Capacidade calorífica A capacidade calorífica é a quantidade de energia térmica necessária para elevar a temperatura de uma determinada quantidade de material em uma unidade de temperatura. Ela descreve a capacidade do material de armazenar energia térmica (Lage, 2019). A capacidade calorífica depende da temperatura. Em muitos casos, ela varia com a temperatura, especialmente em materiais que passam por transições de fase, como fusão ou vaporização. Por isso, a capacidade calorífica é frequentemente expressa como uma função da temperatura (Lage, 2019). Esta propriedade é importante para entender como os materiais respondem a mudanças de temperatura. Ela é usada em diversas áreas, incluindo ciência dos materiais, engenharia térmica, termodinâmica, processos de aquecimento e resfriamento, cálculos de eficiência energética e projetos de sistemas de aquecimento e resfriamento. 1.2 Condutividade térmica A condutividade térmica é uma propriedade térmica que descreve a capacidade de um material conduzir o calor. Ela representa a taxa de transferência de calor através de um material PROPRIEDADES TÉRMICAS DA MATÉRIA1 TÓPICO MÉTODOS TÉRMICOS DE ANÁLISEUNIDADE 2 30 por unidade de área e por unidade de tempo, em resposta a um gradiente de temperatura. Esta propriedade é influenciada por diversos fatores, incluindo a estrutura do material, a composição química, a densidade, a presença de impurezas, a temperatura e o estado físico. Materiais com alta condutividade térmica são bons condutores de calor, enquanto materiais com baixa condutividade térmica são considerados isolantes térmicos (Incropera et al., 2017). 1.3 Dilatação térmica A dilatação térmica refere-se à expansão ou contração de um material em resposta às mudanças de temperatura. Ela descreve como as dimensões físicas de um material mudam quando aquecido ou resfriado. Quando um material é aquecido, seus constituintes se movem mais energeticamente, resultando em um aumento no volume ou nas dimensões do material. Por outro lado, quando o material é resfriado, ocorre uma diminuição no volume ou nas dimensões (Lages, 2019). Existem três tipos principais de dilatação térmica: dilatação linear, dilatação superficial e dilatação volumétrica. 1.4 Transições de fase As transições de fase são mudanças físicas que ocorrem em um material em resposta a alterações de temperatura. Exemplos comuns incluem fusão (de sólido para líquido), solidificação (de líquido para sólido), vaporização (de líquido para gás) e condensação (de gás para líquido). 1.5 Calor específico O calor específico é a quantidade de calor necessária para elevar a temperatura de uma unidade de massa de um material em uma unidade de temperatura. Ele descreve a capacidade de armazenamento de calor por unidade de massa. 1.6 Coeficiente de transferência de calor O coeficiente de transferência de calor é uma medida da taxa de transferência de calor entre um material e seu ambiente. Ele descreve a taxa de transferência de calor por unidade de área e difere dependendo do modo de transferência de calor (condução, convecção ou radiação) (Incropera et al., 2017). Essas são algumas das principais propriedades térmicas da matéria. O conhecimento e a compreensão dessas propriedades são fundamentais para o projeto e a aplicação de materiais em áreas como engenharia, ciência dos materiais, termodinâmica, climatização, processos de fabricação e muitas outras disciplinas relacionadas à transferência de calor e energia térmica (Incropera et al., 2017). MÉTODOS TÉRMICOS DE ANÁLISEUNIDADE 2 https://www.researchgate.net/publication/profile/F-Incropera https://www.researchgate.net/publication/profile/F-Incropera https://www.researchgate.net/publication/profile/F-Incropera 31 A análise termogravimétrica (TG) utiliza-se da variação de massa de uma determinada amostra para identificar seus componentes, onde uma massa conhecida da amostra é submetida a uma taxa de aquecimento em relação ao tempo sob uma atmosfera controlada. A variação de massa é registrada em um gráfico em função do tempo ou da temperatura, este chamado de termograma ou curva de decomposição térmica (Skoog et al., 2009). FIGURA 1: EXEMPLO DE TERMOGRAMA Fonte: Lucas et al., 2001 Quando um material é aquecido, podem ocorrer mudanças químicas ou físicas em sua estrutura, dependendo se o calor térmico é maior ou menor que a energia das suas ligações. Conhecer as propriedades térmicas de materiais e os componentes formados em ANÁLISE TERMOGRAVIMÉTRICA2 TÓPICO MÉTODOS TÉRMICOS DE ANÁLISEUNIDADE 2 32 suas composições é de interesse das indústrias de desenvolvimento que visam a obtenção de novos materiais. 2.1 Instrumentação A instrumentação da análise termogravimétrica consiste basicamente em uma balança de precisão e um forno programável para que a temperatura varie em uma taxa de aquecimento linearmente com o tempo (Vogel et al., 2002). Além de um sistema de gás de purga que fornece uma atmosfera inerte para realização da análise e também um computador com software adequado para aquisição e processamento dos dados (Skoog et al., 2009). 2.2 A termobalança A termobalança permite a pesagem contínua da amostra enquanto ela é aquecida, no entanto, enquanto o suporte de amostra deve ser colocado no forno, o restante da balança deve estar isolado termicamente (Skoog et al., 2009). Geralmente, a velocidade de aquecimento pode variar de 1 a 100 0C min-1, podendo se atingir a temperatura final de até 2000 0C. As termobalanças são capazes de fornecer informações sobre amostras com massa de 1 mg a 100 g, podendo se identificar variações de peso da ordem de 0,1 ug. Alguns fatores, como velocidade de aquecimento, atmosfera do forno, geometria do cadinho e efeitos característicos da amostra, podem afetar as medidas da análise termogravimétrica (Vogel et al., 2002). Os principais componentes de uma termobalança são a balança e o forno. As amostras são colocadas em um cadinho raso de platina ligado a uma microbalança registradora automática. O forno é responsável por fornecer o ambiente controlado de temperatura necessário para o experimento. Ele é geralmente construído com materiais de alta resistência ao calor, como cerâmica ou metais refratários. O aquecimento é realizado por meio de resistências elétricas, que são controladas por um sistema de controle de temperatura. O suporte de amostra geralmente é um cadinho de platina durante a análise termogravimétrica. A platina é um material resistente ao calor e não reativo, o que é importante para evitar reações indesejadas com a amostra. O cadinho é colocado na balança de ponto nulo, onde qualquer variação de peso da amostra é detectada pelo desvio da balança (Vogel et al., 2002). A microbalança registradora automática é responsável por medir e registrar as variações de peso da amostra ao longo do tempo. Ela é conectada à balança e registra os dados demassa de forma contínua ou em intervalos regulares. Os dados podem ser MÉTODOS TÉRMICOS DE ANÁLISEUNIDADE 2 33 posteriormente analisados para determinar a perda ou ganho de massa da amostra em função da temperatura. O controle de temperatura e a geração de programas são realizados pelo computador, através de um software específico, o usuário pode definir o perfil de temperatura desejado, que pode incluir etapas de aquecimento, resfriamento e patamares de temperatura. O computador controla as resistências do forno de acordo com o programa definido, garantindo a precisão e a repetibilidade das condições de temperatura durante o experimento. No geral, as termobalanças modernas oferecem uma ampla gama de possibilidades de programação e controle de temperatura, permitindo a realização de experimentos termogravimétricos precisos e sofisticados em diversas áreas, como química, materiais, alimentos e ciências ambientais. Em relação às características de uma boa termobalança, Lukaszewski e Redfern (1961) destacam que: • A termobalança deve ser capaz de registrar continuamente a variação do peso da amostra em função da temperatura e do tempo; • O forno deve atingir a temperatura máxima desejada. (Em algumas termobalanças modernas pode-se trabalhar entre –150 e 2400°C); • A taxa de aquecimento deve ser linear e reprodutível; • A câmara da amostra deve estar na zona quente do forno que, por sua vez, deve ter temperatura uniforme. • A termobalança deve permitir o aquecimento em diversas velocidades e permitir o aquecimento em diversas atmosferas controladas e no vácuo. O instrumento deve ser também capaz de permitir estudos em condições isotérmicas. • O mecanismo da balança deve estar protegido do forno e do efeito de gases corrosivos. • A temperatura da amostra deve ser medida o mais acuradamente possível. • Deve-se usar uma balança com sensibilidade adequada ao estudo de quantidades muito pequenas de amostras. • Aquecimento e resfriamento rápido. Isto permite completar várias análises em um tempo relativamente curto. • O instrumento deve ser capaz de obter as curvas termogravimétricas derivadas (DTG). • No caso da EGA, o acoplamento adequado entre a termobalança e o analisador de gases (cromatógrafo a gás, espectrômetro de massas, infravermelho com transformadas de Fourier) deve ser eficiente. MÉTODOS TÉRMICOS DE ANÁLISEUNIDADE 2 34 • Velocidade de aquecimento dinâmica. Isto permite altas velocidades de aquecimento nas regiões em que não há perda de peso e variações contínuas em função da velocidade de decomposição da amostra. FIGURA 02: PRINCIPAIS COMPONENTES DE UMA TERMOBALANÇA. Fonte: Vogel et al., 2002 2.3 Atmosfera do forno A natureza da atmosfera no forno de uma termobalança pode ter um impacto significativo na temperatura de decomposição dos materiais. A escolha da atmosfera adequada depende das propriedades da amostra e dos objetivos do experimento. No caso da decomposição do carbonato de cálcio, por exemplo, a presença de dióxido de carbono (CO2) como atmosfera no forno pode elevar a temperatura necessária para a decomposição em comparação com o uso de nitrogênio. Isso ocorre porque o CO2 pode reagir com o carbonato de cálcio, aumentando a estabilidade do composto e retardando sua decomposição. As três atmosferas mais comuns em termogravimetria são o ar estático, o ar dinâmico e o nitrogênio. O ar estático refere-se à atmosfera ambiente que se difunde naturalmente pelo forno. O ar dinâmico envolve o uso de ar comprimido proveniente de um cilindro, que passa pelo forno em uma taxa de fluxo controlada. O nitrogênio é frequentemente usado como uma atmosfera inerte, livre de oxigênio, para evitar reações indesejadas durante o aquecimento da amostra (Vogel, 2002). MÉTODOS TÉRMICOS DE ANÁLISEUNIDADE 2 35 Em alguns casos, atmosferas reativas, como ar úmido, podem ser usadas para estudar a decomposição de compostos específicos, como sais hidratados de metais. A presença de umidade na atmosfera pode influenciar a taxa de decomposição e as reações envolvidas. FIGURA 2: TERMOGRAMA PARA A DECOMPOSIÇÃO DO CAC2O4H2O EM UMA ATMOSFERA INERTE. Fonte: Skoog, 2009 2.4 Aplicações da termogravimetria Como a análise termogravimétrica monitora a massa do analito em função da temperatura, a informação fornecida é quantitativa, assim as principais aplicações mais relevantes são análise da composição e os perfis de decomposição de sistemas multicomponentes (Skoog et al., 2009). A análise termogravimétrica é frequentemente utilizada para avaliar a estabilidade térmica de materiais, como polímeros, compostos orgânicos, produtos farmacêuticos e combustíveis. Através da análise da variação de massa em função da temperatura, é possível determinar a temperatura de decomposição, perda de umidade, volatilização de compostos e outras transformações térmicas. Além de ser aplicada para investigar reações químicas, como oxidação, redução, decomposição e cristalização. Ao monitorar a variação de massa durante o aquecimento ou resfriamento, é possível identificar os efeitos térmicos associados às reações e determinar a cinética das transformações (Mothé e Azevedo, 2009). Outra importante aplicação da termogravimetria é a determinação da composição de misturas complexas, como polímeros, biomateriais, fármacos, alimentos e resíduos. Através da análise das curvas termogravimétricas, é possível identificar os componentes presentes nas amostras, bem como suas proporções relativas. MÉTODOS TÉRMICOS DE ANÁLISEUNIDADE 2 36 Neste sentido, a TG também é empregada para determinar a pureza de substâncias, analisar a estabilidade de materiais a altas temperaturas e avaliar a presença de impurezas ou resíduos. Essas informações são importantes em áreas como a indústria farmacêutica, química e de materiais (Skoog et al., 2009). A avaliação de processos de secagem e desidratação de materiais, por termogravimetria é também comumente empregada, com alimentos, cerâmicas e produtos farmacêuticos. Ela permite a determinação da taxa de perda de umidade e a identificação de etapas de secagem, como a evaporação da água livre e a remoção de água ligada. A técnica oferece uma variedade de possibilidades de análise térmica, permitindo a caracterização e o estudo de uma ampla gama de materiais e processos. FIGURA 3: TERMOGRAMA DE ALGUNS MATERIAIS POLIMÉRICOS. CLORETO DE POLIVINILA (PVC), POLIMETILMETACRILATO (PMMA), POLIETILENO DE BAIXA DENSIDADE (LDPE), POLITETRAFLUORETILENO (PTFE), POLIPIROMELITIMIDA AROMATICA (PI). Fonte: Skoog, 2009 MÉTODOS TÉRMICOS DE ANÁLISEUNIDADE 2 37 A análise térmica diferencial (ATD) é uma técnica analítica utilizada para estudar as propriedades térmicas de materiais. É frequentemente combinada com a termogravimetria (TG) para fornecer informações mais abrangentes sobre as mudanças físicas e químicas que ocorrem em uma amostra quando submetida a variações de temperatura (Vogel et al., 2002). Na ATD, a diferença de temperatura entre a amostra é um material de referência é medida enquanto ambos são aquecidos ou resfriados em um programa de temperatura controlado. A amostra e o material de referência são submetidos às mesmas condições de aquecimento ou resfriamento, e a diferença de temperatura entre eles é registrada em função do tempo ou temperatura. A ATD permite identificar eventos térmicos, como transições de fase, mudanças na estrutura cristalina, processos de fusão ou solidificação, decomposição térmica, entre outros. Essas mudanças são observadas como picos ou vales na curva de ATD, indicando alterações na capacidade térmica da amostra em relação ao material de referência. A principal vantagem da ATD é sua sensibilidade para detectar pequenas variações de temperatura, o que a torna útil para identificar e caracterizar fenômenos térmicos sutis. Além disso, a ATD pode ser combinada com a termogravimetria, em uma técnica conhecida como análise térmica diferencial-termogravimétrica(ATD-TG), para fornecer informações simultâneas sobre mudanças de massa e de temperatura em uma amostra (Skoog et al., 2009). 3.1 Propriedades térmicas investigadas por ATD A análise térmica diferencial (ATD) fornece uma variedade de informações sobre as propriedades térmicas de materiais. Algumas das principais informações que podem ser obtidas por meio da ATD incluem: ANÁLISE TÉRMICA DIFERENCIAL3 TÓPICO MÉTODOS TÉRMICOS DE ANÁLISEUNIDADE 2 38 • Transições de fase: A ATD pode identificar as temperaturas de transição de fase, como fusão, solidificação, evaporação, sublimação, transição vítrea e cristalina. Ela fornece informações sobre a temperatura em que ocorrem essas transições e a quantidade de energia envolvida no processo. • Capacidade térmica: A ATD permite determinar a capacidade térmica de uma amostra, ou seja, a quantidade de energia necessária para elevar sua temperatura. Isso pode revelar informações sobre a estrutura, composição e mudanças térmicas da amostra. • Mudanças estruturais: A ATD é útil para identificar mudanças estruturais que ocorrem em materiais durante aquecimento ou resfriamento. Ela pode indicar a ocorrência de reações químicas, rearranjos moleculares, mudanças cristalográficas e outras transformações estruturais. • Estabilidade térmica: A ATD pode fornecer informações sobre a estabilidade térmica de materiais. Isso inclui a temperatura em que ocorrem alterações significativas na amostra, como decomposição, perda de umidade, volatilização de componentes, oxidação, entre outros processos. 3.2 Instrumentação O calorímetro diferencial é o principal componente do equipamento de ATD. Ele consiste em dois compartimentos independentes, um para a amostra e outro para o material de referência. Ambos os compartimentos são aquecidos ou resfriados simultaneamente, e a diferença de temperatura entre a amostra e o material de referência é medida. A ATD requer o controle preciso da temperatura. Portanto, os equipamentos de ATD incluem fornos e sistemas de aquecimento/ refrigeração que permitem o aquecimento e o resfriamento das amostras em uma faixa de temperatura específica. Esses sistemas garantem que a temperatura seja controlada com precisão ao longo do experimento (Ionashiro e Giolito, 2005). Sensores de temperatura são usados para medir a temperatura da amostra e do material de referência. Eles são geralmente termopares ou termoresistências que fornecem sinais elétricos proporcionais à temperatura. Esses sensores são conectados aos dispositivos de aquisição de dados para registro contínuo da temperatura. Dispositivos de aquisição de dados são usados para registrar as medições de temperatura ao longo do experimento. Eles captam os sinais elétricos dos sensores de temperatura e os convertem em dados digitais. Os dados podem ser armazenados em um computador ou em registradores dedicados para análise posterior. MÉTODOS TÉRMICOS DE ANÁLISEUNIDADE 2 39 A ATD é controlada e analisada por meio de software especializado. O software permite definir programas de temperatura, controlar o aquecimento e o resfriamento das amostras, registrar os dados de temperatura, e realizar análises e interpretações dos resultados. Também é possível realizar cálculos termodinâmicos e cinéticos com base nas informações obtidas. FIGURA 4: DIAGRAMA ESQUEMÁTICO DE UM INSTRUMENTO TÍPICO DE ATD. Fonte: Skoog, 2009 Legenda = TC - Termopar 3.3 Aplicações A análise térmica diferencial (ATD) tem uma ampla gama de aplicações em diversas áreas de pesquisa e indústria. Dentre as quais a caracterização de materiais, para estudar as propriedades térmicas de materiais, como polímeros, metais, cerâmicas e compostos inorgânicos. Ela fornece informações sobre as transições de fase, como fusão, solidificação, transição vítrea e cristalina, além de mudanças estruturais e reações químicas. Outra aplicação frequente é a determinação de pureza de substâncias, identificando picos de fusão ou solidificação característicos da substância pura. Comparando os dados de ATD da amostra com os do material de referência puro, é possível determinar a quantidade de impurezas presentes na amostra (Mothé e Azevedo, 2009). MÉTODOS TÉRMICOS DE ANÁLISEUNIDADE 2 40 A ATD também é usada para avaliar a estabilidade térmica de materiais em diferentes condições, como polímeros, produtos farmacêuticos, combustíveis e materiais de construção. Ela pode detectar a temperatura em que ocorrem mudanças significativas na amostra, como decomposição, perda de água, sublimação, entre outras transformações. Na indústria, a ATD é amplamente utilizada no controle de qualidade de produtos, como polímeros, revestimentos, materiais cerâmicos e produtos farmacêuticos. Ela pode detectar variações nas propriedades térmicas que afetam a qualidade do produto final. Essas são apenas algumas das muitas aplicações da ATD. A técnica é versátil e oferece uma série de informações valiosas sobre as propriedades térmicas dos materiais, auxiliando em pesquisas científicas, desenvolvimento de produtos e controle de qualidade. 3.4 Termograma Diferencial A análise de um termograma diferencial, obtido por meio da análise térmica diferencial (ATD), fornece várias informações importantes sobre as mudanças térmicas e processos que ocorrem na amostra. Algumas das informações que podem ser obtidas são as seguintes (Skoog, 2009): Os picos observados no termograma são máximos e mínimos de temperatura que correspondem a eventos térmicos específicos. Eles indicam as mudanças de temperatura associadas a processos exotérmicos e endotérmicos. Os picos máximos no termograma são resultados de processos exotérmicos, nos quais ocorre a liberação de calor da amostra. Exemplos de processos exotérmicos incluem reações de oxidação, polimerização e reações catalíticas. Os picos mínimos no termograma são consequências de processos endotérmicos, nos quais ocorre a absorção de calor pela amostra. Processos endotérmicos podem incluir fusão, vaporização, absorção, dessorção, desidratação, redução em uma atmosfera gasosa e decomposição. Mudanças físicas na amostra, como fusão, solidificação e cristalização, são registradas no termograma como picos. Essas mudanças estão associadas a variações na capacidade calorífica da amostra, que são registradas como deslocamentos da linha base do termograma. O termograma diferencial fornece uma representação visual das mudanças térmicas que ocorrem na amostra. A análise desses picos e sua interpretação permitem a identificação de eventos térmicos, a determinação de temperaturas de transição de fase, a avaliação de reações químicas e a caracterização das propriedades térmicas da amostra. É importante ressaltar que a interpretação dos termogramas requer conhecimento e compreensão das propriedades do material em estudo, bem como a consideração de MÉTODOS TÉRMICOS DE ANÁLISEUNIDADE 2 41 outros fatores experimentais, como a taxa de aquecimento, atmosfera do experimento e a presença de impurezas (Skoog, 2009). FIGURA 5: TERMOGRAMA DIFERENCIAL MOSTRANDO OS TIPOS DE MUDANÇAS ENCONTRADAS COM MATERIAIS POLIMÉRICOS. Fonte: Skoog, 2009 MÉTODOS TÉRMICOS DE ANÁLISEUNIDADE 2 42 A calorimetria exploratória diferencial (DSC - do inglês Differential Scanning Calorimetry) é uma técnica utilizada para medir as trocas de calor associadas a eventos térmicos em uma amostra. Ela é frequentemente utilizada na caracterização de materiais e na análise de suas propriedades térmicas. A DSC mede a diferença de fluxo de calor entre a amostra é um material de referência, conforme ambos são aquecidos ou resfriados em uma taxa controlada. A amostra e o material de referência são submetidos às mesmas condições de temperatura, e a diferença de fluxo de calor é registrada em função do tempo ou da temperatura (Skoog, 2009). Os principais componentes de um sistema de DSC incluem a célula de medição, sensor de temperatura, fornose sistemas de aquecimento/refrigeração, dispositivo de referência e o sistema de aquisição de dados. A célula de medição é onde a amostra e o material de referência são colocados. Ela é projetada para garantir uma transferência de calor adequada entre a amostra e o sensor de temperatura. O sensor de temperatura é usado para medir a temperatura da amostra e do material de referência. Geralmente, é um termopar ou uma termorresistência que converte a variação de temperatura em um sinal elétrico proporcional. O sistema de DSC inclui um forno e um sistema de aquecimento/refrigeração para controlar a taxa de aquecimento ou resfriamento da amostra e do material de referência. Isso permite que a temperatura seja aumentada ou diminuída de forma controlada. O dispositivo de referência é um material com propriedades térmicas bem conhecidas que serve como uma linha de base para a medição. Ele não passa por nenhuma mudança térmica significativa durante o experimento e é usado para calibrar a medição de fluxo de calor. CALORIMETRIA EXPLORATÓRIA DIFERENCIAL4 TÓPICO MÉTODOS TÉRMICOS DE ANÁLISEUNIDADE 2 43 O sistema de aquisição de dados registra as variações de fluxo de calor em função do tempo ou temperatura. Ele converte o sinal elétrico do sensor de temperatura em dados digitais que podem ser posteriormente analisados. A DSC fornece informações sobre eventos térmicos, como transições de fase, fusão, solidificação, cristalização, reações químicas, mudanças de capacidade calorífica, entre outros. Com base nas características dos picos de calor observados no gráfico DSC, é possível obter informações sobre a temperatura de ocorrência, entalpia associada e cinética das transformações térmicas (Skoog, 2009). Essa técnica é amplamente utilizada em áreas como ciência dos materiais, química, farmacêutica, alimentos, polímeros e muitas outras, fornecendo dados valiosos sobre as propriedades térmicas e comportamento térmico dos materiais. A DSC é também utilizada na indústria farmacêutica para avaliar a pureza, estabilidade e comportamento térmico de medicamentos, excipientes e formulações. Ela pode detectar interações, como transições polimórficas, decomposição e reações de degradação, que podem afetar a eficácia e a estabilidade dos produtos farmacêuticos (Mothé e Azevedo, 2009). FIGURA 6: (A) CURVA DSC DO CAPTOPRIL OBTIDA SOB ATMOSFERA DINÂMICA DE NITROGÊNIO EM RAZÃO DE AQUECIMENTO DE 10 °C/MIN. (B) CURVAS DSC DA MISTURA 1:1 DO CAPTOPRIL COM AEROSIL®(1). TALCO (2). CROSCARMELOSE SÓDICA (3), LACTOSE (4) E CELULOSE MICROCRISTALINA (5) OBTIDAS SOB ATMOSFERA DINÂMICA DE NITROGÊNIO E RAZÃO DE AQUECIMENTO DE 10 °C/MIN. Fonte: Bazzo e Silva, 2005 MÉTODOS TÉRMICOS DE ANÁLISEUNIDADE 2 44 O que materiais tão diversos como polímeros, alimentos, combustíveis, fármacos e explosivos têm em comum? Muitas respostas interessantes poderiam surgir desta questão, mas a conexão esperada dentro do contexto desta unidade é que o calor retirado ou fornecido provido de mudanças em todos esses materiais. Fonte: Denari, Gabriela Bueno.; Cavalheiro, Éder Tadeu Gomes. Princípios e aplicações de análise térmica. Universidade de São Paulo, Instituto de Química. 2012. REFLITA Vários assuntos da área farmacêutica demonstram a grande importância da aplicação de análises térmicas, especialmente TG e DSC para o futuro da indústria farmacêutica, nomeadamente: caracterização dos fármacos com a definição de eventos térmicos, em estudos de pureza de fármacos, na identificação de polimorfos, em estudos de compatibilidade de formulações farmacêuticas de dosagem sólida, na estabilidade térmica de fármacos e formulações farmacêuticas e na determinação do prazo de validade para a cinética de degradação isotérmica. Fonte: Oliveira, Marcelo Antonio.; Yoshida, Maria Irene.; Gomes, Elionai Cassiana de Lima. Análise térmica aplicada a fármacos e formulações farmacêuticas na indústria. Revista Quim. Nova, Vol. 34, No. 7, 1224-1230, 2011. SAIBA MAIS MÉTODOS TÉRMICOS DE ANÁLISEUNIDADE 2 45 Chegamos ao final da nossa segunda unidade sobre Análises Térmicas. Espero que você esteja gostando dos conteúdos apresentados até o momento. Compreender as propriedades térmicas e como elas são investigadas em análises térmicas é fundamental para a formação dos profissionais da química. Durante esta unidade, tivemos a oportunidade de conhecer e entender os equipamentos necessários para a realização das análises térmicas, bem como compreender as aplicações da termogravimetria, análise térmica diferencial e calorimetria exploratória diferencial. Observamos como essas análises são importantes para o avanço científico e industrial. Adicionalmente, pudemos conhecer e interpretar os termogramas que apresentam os resultados dessas análises. Com isso, esperamos que você consiga reconhecer e solucionar problemas relacionados aos métodos térmicos, além de ampliar seus conhecimentos sobre suas aplicabilidades. Por fim, o encerramento desta unidade nos dá a oportunidade de dar continuidade às unidades seguintes. A leitura dos materiais complementares e a pesquisa em outras fontes auxiliarão bastante na construção do seu conhecimento científico. Conto com a sua participação para darmos continuidade na próxima unidade. Até mais! CONSIDERAÇÕES FINAIS MÉTODOS TÉRMICOS DE ANÁLISEUNIDADE 2 46 Artigo: Estudo termoanalítico de comprimidos revestidos contendo captopril através de termogravimetria (TG) e calorimetria exploratória diferencial (DSC). Resumo: No presente trabalho foram desenvolvidos comprimidos de captopril revestidos com hidroxipropilmetilcelulose (HPMC), Opadry®, polivinilpirrolidona (PVP), Eudragit® e goma laca. Foi realizado estudo termoanalítico do fármaco e das formulações através de termogravimetria (TG) e calorimetria exploratória diferencial (DSC). Através da análise das curvas DSC verificou-se que não houve a ocorrência de interação entre o fármaco e os excipientes lactose, celulose microcristalina, croscarmelose sódica, Aerosil® e talco, utilizados na formulação do comprimido. Através desta técnica detectou-se a possibilidade de interação entre captopril e estearato de magnésio. De acordo com os resultados obtidos através de DSC não foram observadas alterações na cristalinidade do fármaco decorrentes dos processos de compressão e revestimento. A termogravimetria foi utilizada para o estudo da cinética de degradação do captopril e dos comprimidos. Os parâmetros cinéticos foram determinados através do método de Ozawa. Os resultados demonstraram que não houve alteração da estabilidade térmica do captopril na forma de comprimido. A formulação revestida com HPMC foi a que apresentou maior estabilidade térmica, quando comparada às demais formulações de revestimento. Fonte: Bazzo, Giovana Carolina.; Sagattto, Marcos Antonio. Estudo termoanalítico de comprimidos revestidos contendo captopril através de termogravimetria (TG) e calorimetria exploratória diferencial (DSC). Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas, vol. 41, n. 3, jul/set., 2005. LEITURA COMPLEMENTAR MÉTODOS TÉRMICOS DE ANÁLISEUNIDADE 2 47 MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO • Título: Análise Térmica De Materiais • Autor: Cheila Gonçalves Mothe e Aline Damico de Azevedo • Editora: Artliber • Sinopse:”Análise Térmica de Materiais” é um livro no qual apresenta os fundamentos teóricos e práticos das técnicas de uma maneira clara e de fácil leitura, com aplicações, equipamentos e resultados, além de exemplos experimentais oriundos do nosso país, ilustrando a nossa diversidade e potencial, industrial em Alimentos, Compósitos, Fibras vegetais, Hidrocolóides, Medicina, Polímeros, Tratamento-Reciclagem e Aproveitamento energético de Resíduos, dentre outros. As técnicas termoanalíticas tais como: Termogravimetria, Termogravimetria derivada, Análise Térmica Diferencial, Calorimetria Exploratória Diferencial, Análise Mecânica Térmica, Análise Mecânica Dinâmica, Detecção de Gases