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BOCAGE COPIADORA Bloco B sala 103 Pag. 111-A 19/03/18 POEMAS ESCOLHIDOS Seleção, prefácio e notas de ÁLVARO CARDOSO GOMES (do Centro de Estudos Portugueses da Universidade de S. Paulo) EDITORA CULTRIX SÃO PAULONo etéreo prado a Lua apascentava 87 Camões, grande Camões, quão semelhante 88 Alvaro Cardoso Em sórdida masmorra aferrolhado 88 Tudo acaba: esse monstro carrancudo 89 1982. Rei dos reis, ó do. mundo 89 Tu, por Deus entre todas escolhida 90 Senhor, que. estás no Céu, que vês na 90 Minh'alma quer lutar com meu tormento 91 Nesta, do feio opróbrio estância feia 91 Quando na rósea nuvem sobe o dia 92 INTRODUÇÃO Nise mimosa, como as Graças pura 92 Nas horas de Morfeu vi a meu lado 93 Bem hajas, ó Morfeu! A fantasia 93 Manuel Maria Barbosa du Bocage nasceu em Setúbal, em Na acesa fantasia estou medindo 94 1765. Filho do bacharel em Cânones José Luís Soares Barbosa Excedo lustros seis por mais três anos 94 Do Tempo sobre as asas volve o dia 95 e de D. Maria Joaquina Xavier Lestof du Bocage, como não Aqui, onde, arquejando, estou curvado 95 fosse o primogênto, pais destinaram-no à carreira das armas. Tão negro como a turba que vagueia 96 Em casa, recebeu lições de Português, Francês e Latim. Aos vós que lamentais de Elmano a sorte 96 10 anos de idade, morreu-lhe a mãe. Aos 16, fugiu para o quar- Meus dias, que já foram tão luzentes 97 tel de Infantaria, instalado em Setúbal, talvez furtando-se à auto- Vítima do rigor da tristeza 97 Para as sombras da Morte aqui me ensaio 98 ridade do irmão mais velho. Em 1783, resolveu alistar-se na Não sinto me arrojasse duro Fado 98 Marinha de Guerra. Ao mesmo tempo, apaixonou-se por Ger- Pouco a pouco a Doença 99 trudes (celebrizada como Gertrúria em sua poesia). Em 1786, Meu ser evaporei na lida insana 99 Em vão, para tecer-me um ledo engano 100 partiu para as com escalas pelo Rio de Janeiro. Em Goa, Ave da morte, que piando agoiros 100 graças à dedicação aos estudos e à ação militar foi promovido à De um nume aos ais de Elmano, oh dom mimoso! 101 tenente do Exército, e transferido para Damão. Incompatibili- No abismo tragador da Humanidade 101 zando-se, porém, com a rigidez da vida militar, desertou. Veio Se o Grande, que nos orbes diamantinos 102 Pela voz do trovão corisco intenso 102 a Macau, passando por Cantão e, só através da ajuda dos amigos, Desejo iluso e vão! Para que traças 103 é que pôde regressar a Portugal. Em 1790, ao mesmo tempo Agora, que a seu lôbrego retiro 103 que ingressou na Nova Arcádia, com o pseudônimo de Elmano ELMA Não mais, Tejo meu, formoso e brando 104 Sadino, entregou-se a uma vida desregrada, talvez desalentado SADI Nestóreos dias que sonhava Elmano 104 com a inconstância de Gertrúria, que se casara com seu irmão Cantor que a fronte erguia engrinaldada 105 Já Bocage não sou!... A cova escura 105 Gil du Bocage. Em 1797, perseguido pelos esbirros do Inten- dente Pina Manique, foi preso, sob a acusação de autor de "pápeis Questionário 106 sediciosos". Doutrinado pelo Santo Ofício, regenerou-se e recon- ODE, IDÍLIO, CANTATA ciliou-se com os inimigos. Morreu em 21 de dezembro de 1805, Os Amores 107 na miséria e arrependido. Elmano a Gertrúria 113 Época culturalmente agitada, o século XVIII presencia a Queixumes do Pastor Elmano Contra a Falsidade da Pastora Urselina 118 A Morte de Inês de Castro 127 coexistência polêmica entre Arcadismo agonizante e o Roman- Pena de Talião 135 tismo incipiente. A obra poética de Bocage reflete intensamente Questionário 145 essa dualidade, que só desapareceria por completo no primeiro GLOSSÁRIO 147 quartel do século XIX. ROTEIRO DE PESQUISA 155 reflete a coexistência entre Arcadismo ee amor simbolo do com tureza implica em do No início da sua carreira, o poeta prefere temas cujas raízes, Nessa altura, OS padrões arcádicos condicionam poeta a encontradiças na tradição clássica, espelham os ideais da poesia sufocar o individualismo, uma vez que, aceitando a Arte como greco-latina em moda no tempo, como o apreço da natureza e imitação, tinha de buscar uma integração com a Natureza. Ora, a descrição do amor como sentimento leve e passageiro, símbolo integração implica esquecimento do preocupado em aderir da perfeição e equilíbrio. à Idade do Ouro, ou seja, à Antiguidade greco-latina, equipara-se Não obstante, distingue-se de seus contemporâneos por uma a todos outros adeptos do mesmo ideal, a ponto de exprimir singular visão do mundo, vazada numa poesia inquieta, sofrida, sentimentos artificiais e insinceros, encobertos sob um pseudô- fruto do choque com a realidade concreta, entranhada no mais nimo Elmano Sadino como a esconder, mascarando-se, da tradição poética portuguesa, como bem sintetizam seus impulsos pessoais. Por outro lado, desloca-se da cidade para seguintes o campo e, com uma atitude francamente epicurista, vê as horas versos: choque a passarem, cortesmente, em meio a uma Natureza que lembra E se entre versos mil de sentimento Encontrardes alguns, cuja aparência mais um jardim que o primitivismo das selvas. Em verdade, Nat Indique festival contentamento, quer o poeta construir a imagem do equilíbrio e da ordenação: Crede, ó mortais, que foram com violência Varrendo os ares, o sutil Nordeste Os torna azuis; as aves de mil cores Escritos pela mão do Fingimento, Cantados pela voz da Dependência. Adejam entre Zéfiros e Amores, E toma o fresco Tejo a cor celeste. do Aí o (cerne da poesia confissão dolorosa de uma Dá-se, pois, perfeita identidade entre a alma do poeta vida que, presa às convenções, busca libertar-se projetando o mundo, como se não houvesse separação entre OS elementos da R. "eu" para fora de si: tal conflito se manifesta, esteticamente, na Natureza e a razão humana. Comunitário, o poeta jamais se FORMA revisão dos valores básicos da atitude poética: ou o autor lança exprime sozinho; tem perfeita consciência do interlocutor, ericar- mão da tradição clássica que o precede, aceitando uma concepção nado sobretudo na mulher amada. Esta, por sua vez, se lhe afi- enci absolutista no mundo, ou atribui um papel todo especial ao "eu". gura obediente às convenções, dotada de fisionomia e sentimentos REVO Significa, desta perspectiva, adotar forma rígida para um con- que suscitam na memória o ideal de mulher: terlowt teúdo revolucionário. perfeições! dons encantadores! A poesia bocageana evolui a par e passo com essa dicoto- De quem sois? Sois de Vênus? - é mentira; mia de raiz: num primeiro estágio, tem-se a impressão de since- Sois de Marília, sois dos meus amores. ridade ou ausência de conflito. Perfeitamente enquadrada nos limites do Arcadismo, nutre-se de ideais cristalinos, símbolo da Os valores defendidos por Bocage nesta fase de sua carreira unidade do homem com o mundo: poética, porque exprimem categorias ultrapassadas e gastas, estão longe de ser originais. Nota-se, inclusive, uma repetição exaus- A loira Fílis na estação das flores, tiva de temas e situações que pouco o distinguem de outros poe- Comigo passeou por este prado. Mil vezes, por sinal, trazia ao lado tas arcádicos. Com efeito, mais artífice que criador, devido a As Graças, os Prazeres e Amores. esta visão algo estreita da realidade, Bocage se confunde, nesse estágio, com a maioria dos autores do Arcadismo que permane- Nota-se que o sentimento de tranqüilidade em relação à cem até hoje no anonimato. Além disso, cumpre salientar que, Primavera exprime-se numa atitude convencional, baseada nas depois da morte de Camões abriu um claro na Poesia Portu- tradições grego-latinas: dominadas as paixões, o ser pode gozar guesa, haja vista que Barroco não produziu uma figura de da Natureza, vista como modelo de paz, sossego e calma. renome. E Arcadismo, ainda que houvesse procedido a uma de sincerida- 11 de, de UNIDADE ENTRE HOMEM E paixões Natureza comosaw, ident. entre expressão e alma do poesia depuração formal na retórica cultista e conceptista, parece ter-se Me estão negras paixões n'alma fervendo conformado com preparar o terreno para a renovação romântica, Como fervem no pego as crespas vagas. onde o poeta vingaria com o gênio sobre o artesão. Tivesse Boca- ge ficado preso a essa fase, decerto seria remetido ao limbo em Tal modificação se opera no momento em que, percebendo que jazem os poetas menores de seu tempo. Salvou-se, na esteira a contradição entre sua existência e sua poesia, verifica em si de Camões, pela liberação dos sentimentos, da individualidade. o estigma de um destino ingrato. Venceu, pois, a experiência dolorosa do poeta sobre a Portanto, ao contrário da fase arcádica, centrada no "fes- ordem e o equilíbrio: aí reside a grande novidade da poesia boca- tival a segunda fase do poeta gravita em torno do sentimento. Neste momento, sua poesia se diferencia dos geana. Deixando de lado o arsenal clássico, envereda pelo cami- nho da confissão, repudiando os versos anteriormente "Escritos modelos estabelecidos, revelando algo estranho aos padrões poé- pela mão do Fingimento,/Cantados pela da Dependência." ticos do século XVIII. Cumpre também ressaltar o rompi- Transformando-se, o poeta se dispõe a combater a falsa alegria, mento entre o poeta e o mundo, mercê do seu crescente indivi- dualismo. Voltado para si, a contemplar intensamente os seus sinônimo de perfeita integração do homem com o mundo: sentimentos, entra a explorar camadas interiores até então desco- Chorosos versos meus desentoados, nhecidas. O afeto suave, transmudado numa explosão amorosa, Sem arte, beleza e sem brandura, transforma-se em paixão avassalante. Reduzido às penas do Cora- CAN Urdidos pela mão da Desventura, Pela baça Tristeza envenenados: ção, desequilibra-se o poeta, visto que a "paixão requer paixão; fervor e extremo". A poesia passa a exprimir sentimentos des- Percebe-se que estes versos anunciam francamente a revo- controlados: lução romântica, já que "um romântico, Musset, afirmou em verso famoso que OS poemas mais belos eram os desesperados, que Eu descoro, eu praguejo, cu ardo, eu gemo; Eu choro, eu desespero, eu clamo, eu tremo; chegavam ao extremo de despojar-se da consciência estética para surgirem como pura expressão psicológica (...)"*. Tal se dá, Em outros momentos, fatalmente aparecem idéias conflitan- na medida em que o poeta confessa: tes, como se o poeta perdesse o controle de suas Desculpa tendes se valeis tão pouco; Razão, de que me serve o teu socorro? Que não pode cantar com melodia Mandas-me não amar, eu ardo, eu amo; Um peito de gemer cansado e rouco. Como conseqüência, o mundo e a natureza transformam-se, Dir-se-ia processar-se plena identificação entre a expressão adquirindo caráter individualista. Ao invés do suave jardim e a alma do poeta. O peito "de gemer cansado e rouco" produz, arcádico, surgem a floresta virgem e os rochedos cavernosos onde tão-somente, poesia de sofrimento e desordem, tendo como o mar vem debater-se com toda a fúria. E o poeta, preferindo objeto os sentimentos íntimos, num permanente diálogo consigo a Noite ao Dia, a escuridão à claridade, descobre, em meio a mesmo. Desembaraçado das normas e convenções, o poeta entra uma série de novidades subjetivas, sentimento do mistério: a exprimir conturbação em lugar da paz e alegria: retrato da Morte! Noite amiga, Sobre estas duras, cavernosas fragas, Por cuja escuridão suspiro há tanto! Que o marinho furor vai carcomendo, e a comunhão com o horror: * Antonio Cândido, "O Romantismo como Posição do Espírito e da pela E vós, ó cortesãos da escuridade, Sensibilidade", in Formação da Literatura Brasileira, 2.° vol., S. Paulo, Mar- Fantasmas vagos, mochos piadores, tins, 1959, 23. Inimigos, como eu, da claridade! 12 Obj. da Sentimentos Afeto transf. 13 exprime sentimentos DIALOGO CONSIGO MESMO.uma alegorizada do Em bando acudi aos meus clamores; tivo para as dores do mundo, percorre grande parte da poesia Quero a vossa medonha sociedade, bocageana: Quero fartar meu coração de horrores. E enquanto insana multidão procura Como se vê, Bocage atravessa as fronteiras com Roman- Essas quimeras, esses bens do mundo; tismo, chegando a a consciência mórbida e fantasista Suspiro pela paz da sepultura. do "mal do século", limitado apenas por uma fôrma condensada Identificando-se com a Morte, chama-a de "calada teste- e fixa, o soneto, e por uma visão alegorizada do mundo. É munha de meu pranto", e divisa-a como último refúgio: neste momento que se lhe dimensiona o profundo drama desejoso de libertar-se dos padrões arcádicos, vê-se enredado nas Ah!, não me roubou tudo a negra Sorte: teias da herança clássica. Talvez o insolúvel conflito, em que Inda tenho este abrigo, inda me resta pranto, a queixa, a solidão e a morte. mergulha, explique a tendência para arrependimento, como se lhe carecesse certeza absoluta ou sofresse a nostalgia do apazi- A este desejo de aniquilação, poder-se-ia também somar a guamento passado: redução do mundo ao nada. Medindo as coisas, os seres, a partir Ansias terríveis, íntimos tormentos, de sua óptica dolorida, reduz o Cosmos ao Caos: Negras imagens, hórridas lembranças, Amargosas, mortais desconfianças, Adeus, ó mundo! natureza! nada! Deixai-me sossegar alguns momentos. E é justamente nesta fase que Bocage produz duas de suas Idêntico esquema se nota quando a Razão se lhe afigura o obras-primas: "Meu ser evaporei na lida insana" e "Já Bocage meio de recuperar o antigo equilíbrio: não sou!...", das quais valeria a pena transcrever esta última: Oh, poder da paixão, que me alucina! Já Bocage não sou!... A cova escura Oh, cego Amor! Oh, frágil natureza! Meu estro vai parar desfeito em vento N'alma busco a razão e encontro Alcina. Eu aos Céus ultrajei! meu tormento Leve me torne sempre a terra dura. Encontramos-lhe, portanto, dois níveis: o da consciência que Conheço agora já quão vã figura deseja a Razão, como forma de equilíbrio, e o do íntimo ou do Em prosa e verso fez meu louco intento. pende instinto que o lança num abismo de dúvidas e tormentos. É Musa!... Tivera algum merecimento, essa dualidade que realmente interessa em Bocage. Ao contrário Se um raio da razão seguisse, pura! prega da primeira fase, em que predominava a unidade, pela simpli- Eu me arrependo; a língua quase fria tilidade ficação dos valores e pelo domínio absoluto da razão sobre os Brade em alto pregão à mocidade, Que atrás do som fantástico corria: unidade sentimentos, a poesia pré-romântica de Bocage é marcada pelo conflito, pela dúvida. A agonia expressa resulta sempre de "Outro Aretino A santidade tensão, uma vez que o poeta oscila entre sentimentos extremos. Manchei... Oh!, Se me creste, gente impia, Rasga meus versos, crê na Eternidade. Dir-se-ia que o drama de Bocage se resume, portanto, na sua a consciência burguesa atormentada por exagerado sentimento de Como se vê, trata-se de poesia da mais pura contrição: con- culpa. O "demoníaco" instalando-se-lhe na alma, provocando-lhe turbado, a ponto de quebrar a unidade do soneto evidente nas desequilíbrio. interrupções que lembram suspiros, o poeta arrepende-se e prega O próximo passo na lógica sentimental em que se move a inutilidade de tudo, inclusive do que lhe fora o cerne da própria Bocage desejada ardorosamente, entendida como leni- existência: a poesia. 14 15 consciencia Abismo deNessa sua tentativa de ascensão (ou descensão?), Bocage depara-se com um drama terrível) a confissão, o íntimo, o expôs duramente aos embates com a realidade. "eu", desejoso de exprimir-se, renova o choque com mundo, criando um conflito insolúvel. É o narcisismo do poeta que provoca a obliteração de tudo e a conseqüente redução do uni- verso ao Nada. A saída que elege, como resolução de todos os SAIDA problemas, preludia nitidamente a fuga sentimental romântica: BIBLIOGRAFIA o aniquilamento do "eu", o medo e o desejo de morte e, por FUGA fim, a crença numa Eternidade cristã. DO AUTOR: Caberia ainda, à guisa de conclusão, dizer da estatura do poeta e sua atualidade. Bocage obteve reconhecimento somente após a morte, mas um reconhecimento dúbio que, ao invés de Poesias de Manuel Maria Barbosa du Bocage. Ed. de situá-lo merecidamente, só fez lançar dúvidas quanto a seu valor. Inocêncio Francisco da Silva, com um estudo de L. A. A poesia satírica de largo consumo, raiando por vezes no obsceno Rebelo da Silva. Lisboa, Tip. de Antônio Lopes, 1853, e pornográfico, embòra lhe erguesse o nome e a fama, apenas 6 vols. veio a obscurecer a lírica, inegavelmente a mais válida de Obras Poéticas de Bocage. Ed. dirigida por Teófilo Braga. sua obra. A satírica vale enquanto manifesta um sentimento de Porto, Imp. Portuguesa Ed., Biblioteca da Atualidade, libertação, a ruptura do academismo carregado de regras e mode- 1875-1876, 8 vols. los de comportamento, nem sempre acordes com sua persona- Obras Poéticas de Bocage. Lisboa, Parceria Antônio Maria lidade. A sátira, pois, constitui parte secundária na obra de Pereira, 1910, 3 vols. Bocage. Bocage, Poesias. Sel., Pref. e Notas pelo Prof. Guerreiro Na poesia lírica, Bocage inscreve seu nome entre grandes Murta. Lisboa, Sá da Costa, 1943./ Ed. em: 1950-1956- da Poesia Portuguesa. Em cotejo com os seus contemporâneos -1966/ que se prendiam às frias e inexpresivas "regras" ou ensaiavam Sonetos de Bocage. Apres., sel. e notas por Fernando Men- timidamente atitudes românticas, Bocage revela uma tensão que des de Almeida, Rio de Janeiro, Ed. de Ouro, 1968. o distingue logo e quase o torna único na Literatura Portuguesa. Poesia de confissão, exacerbada além dos limites do confessio- Opera Omnia. Ed. dirigida por Hernâni Cidade. Pref., prep. de texto e notas de José Gonçalo Herculano de Car- nalismo piegas dos românticos, semelha ligar-se a uma experiên- cia realmente vital, longe de posturas sentimentais determinadas valho et alii. Lisboa, Bertrand, 1969. por movimentos literários. Deixando de lado o constrangimento arcádico, prolongou a tradição camoneana, ou seja, o livre mani- A RESPEITO DO AUTOR: festar de um sentimento pessoal, rebelde a valores e convenções. E é precisamente essa tensão que lhe empresta atualidade e alti- CIDADE, Hernâni, Lições de Cultura e Literatura Portugue- tude. sas, 2.° vol., ed., Coimbra, 1948. (Visão aprofundada do Arcadismo e de Bocage, incluindo breve notícia biográfica) Poesia sent. de COELHO, Nelly Novaes, Três Momentos Poéticos, São Pau- lo, Imprensa Oficial do Estado, 1970. (Análise dos prin- 16 com 17