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EDIÇÃO DE VÍDEO AULA 1 Prof. André Corradini CONVERSA INICIAL Não é nenhuma novidade falarmos que o vídeo é parte integrante de nossas vidas, e isso é algo que já acontece há bastante tempo. Temos vídeos em quase todos os lugares e em todas as formas de acesso e visualização. Basta acordar e manusear o smartphone e já estaremos empunhando uma câmera de vídeo. Em grande parte das residências e em praticamente todos os condomínios existem câmeras de segurança que nos monitoram 24 horas por dia. Nos transportes públicos, nas ruas, nas praças, nos restaurantes, cinemas etc. temos câmeras espalhadas por todos os lugares. Com toda essa oferta de imagens, é normal esperar que muita gente queira fazer algo, ou seja, editar e, consequentemente, exibir essas imagens. É nessa fase que entram vários tipos de softwares oferecendo diferentes níveis de complexidade de edição, e para todo tipo de usuário, desde o mais amador até o mais profissional. O YouTube, sucesso indiscutível há vários anos, é o canal de televisão particular a que todos têm acesso gratuito, disponível para quem quiser assistir, ao alcance de alguns cliques. Toda essa mania audiovisual que vivemos tem um preço. Temos uma avalanche de videoproduções que em sua grande maioria não prima por qualquer técnica ou qualidade. O simples fato de ter acesso a tudo não significa que vamos ter diretores, cinegrafistas, roteiristas, iluminadores etc. em profusão. Assim, vamos começar estudando a edição de vídeo sob os seguintes tópicos-chave: Conceitos e definições O que é edição de vídeo? Roteiro e linguagem Diferença entre Edição Linear e Não Linear Softwares mais utilizados. Independentemente de tudo isso, ainda precisamos de toda técnica e conhecimento que nos levarão a produzir um vídeo de qualidade, tecnicamente adequado aos nossos objetivos, sejam eles um simples hobby ou uma profissão. 3 A partir de agora, vamos entrar no mundo da videoprodução. E não pense que bastam uma ideia na cabeça e uma câmera na mão! Você verá que tem muito mais coisas por trás disso. CONTEXTUALIZANDO Editar um vídeo exige muito mais do que conhecimento técnico. Claro que conhecer os equipamentos e os softwares, sabendo operá-los com maestria é imprescindível, mas montar um vídeo exige muito mais. Exige sensibilidade e, sobretudo, referências. Para editar muito bem é preciso conhecer as boas edições, aprender com tudo aquilo que já existe no mercado. Cinema, TV, internet etc. temos vídeos e filmes aos milhares, e todos têm o seu valor. Podemos aprender com cada vídeo ou filme que assistimos, e é isso que um bom editor tem de fazer: assistir a vídeos e filmes, de todos os tipos, estilos e gêneros. É importante aprender cada detalhe, desde os roteiros, passando pelos movimentos de câmera, pela atuação dos atores, pela edição, até chegar aos efeitos especiais na finalização e sonorização. É preciso aprender com tudo isso, criando referências para poder aplicá-las naquilo que for necessário. E aí eu faço uma pergunta: Qual foi o último filme que você viu no cinema? Qual programa de televisão você assiste? E as novelas? Séries? Documentários? São tantas opções disponíveis para aprender que, com certeza, não teremos tempo para assistir a tudo. Além disso, são poucas as profissões nas quais você pode aprender se divertindo. Com certeza, ser editor é uma delas! O desafio está lançado. Assista a um filme ou a vídeo – enfim, qualquer produto audiovisual – e aumente sua percepção sobre a edição e seus detalhes técnicos. Procure perceber como são os cortes, os efeitos especiais e a trilha sonora. Depois disso, troque essa experiência com seus colegas de classe! Vamos lá. Divirta-se e bons filmes! TEMA 1 – CONCEITOS E DEFINIÇÕES Antes de pensar na edição propriamente dita, é preciso que exista um planejamento de produção. Não é viável pensar a edição como um processo 4 isolado, independente. Muito pelo contrário, ela depende diretamente de outras etapas, como o roteiro e a produção, e também vai influenciar outras etapas, como a gravação e a finalização, por exemplo. Devemos planejar tudo, desde o que será escrito e de que forma será visto até os lugares nos quais poderá ser exibido e quem deverá assistir. Por isso, vamos saber rapidamente como e quais são as etapas que compõem o processo de produção de um audiovisual. O primeiro passo consiste em definir o que vamos produzir. Para isso, vamos responder a três perguntas básicas: Qual será o tema do vídeo? – o tema não é necessariamente o título. Vamos pensar no assunto, sobre do que se trata o vídeo. Qual é o público alvo? – Quem vai assistir ao vídeo? Qual a característica dessa ou dessas pessoas? Do que elas gostam? Qual o perfil desse público? Qual a ação desejada? – O que eu quero com esse vídeo? Qual seu objetivo/finalidade? Essas três perguntas ajudarão a direcionar o rumo da nossa produção. Com as respostas obtidas de maneira fiel e eficiente, poderemos determinar e criar a “linguagem” do vídeo, a maneira como vamos ”conversar” com o público e, com isso, obter o resultado planejado. Para que esse planejamento seja eficiente e produtivo, podemos dividir toda a produção de um audiovisual em etapas bem distintas: Pesquisa Pré-roteiro Roteiro Versão do roteiro para artes, áudio, gravação e decupagem Gravação e preparação das artes Edição Finalização Essas etapas são partes integrantes de 3 grandes divisões: 5 Pré produção – é a etapa em que são definidos os aspectos iniciais de uma produção, com escolha do argumento, contratação dos profissionais, cálculo final do orçamento, busca dos recursos financeiros, locação e todos os demais itens que farão com que a produção possa começar. Produção – é quando o vídeo começa a ser executado, ou seja, a realização e a execução de tudo aquilo que foi planejado na pré-produção. É a fase das execuções, em que o vídeo começa a tomar forma. Gravam- se as imagens, faz-se a decupagem, minuta-se os vídeos e prepara-se todos os materiais para a edição, como as artes (simples) e os sons. Pós-Produção – é a fase do “acabamento” do vídeo – edição, criação das artes mais detalhadas, desenhos, 2D, 3D, infográficos, animações etc. Também são produzidas a sonorização, com a colocação da trilha sonora e dos efeitos de áudio, e a sonoplastia. 1.1 Codecs Codec é a abreviatura de Compressor/Descompressor, Codificar/decodificar. Vamos falar de Codecs porque não existe vídeo digitalizado sem Codec. É ele que faz os cálculos e a codificação de uma imagem, transformando-a em um arquivo digital. Os Codecs estão presentes em todos os lugares nos quais existam vídeos, seja nas câmeras, nos smartphones, nos players ou nos softwares. A história dos Codecs é antiga. Tudo começou por volta dos anos de 1980, com um projeto que desenvolveu o MPEG (Moving Picture Experts Group). Esse projeto visava criar arquivos de vídeo com alta compactação para serem armazenados e reproduzidos nos mais diversos lugares (mas que ainda não existiam). Esse foi o primeiro passo para a possibilidade de ler vídeos em computadores e, posteriormente, em mídias móveis, como CDs, DVDs e, agora, celulares, smartphones, internet etc. Esse desenvolvimento não parou mais; hoje temos centenas de formatos de arquivos, cada qual com uma finalidade diferente. Todo Codec cria um tipo de arquivo e, com ele, sua assinatura, sua marca, acrescida de algumas restrições para que outros Codecs não o leiam. Essa intransigência acaba afetando diretamente quem trabalha com vídeo e, 6 consequentemente, o público que os assiste. Um vídeo criado por um Codec acaba fazendo com que o dispositivo que faz a sua leitura e quem o assiste tenham também o mesmo Codec. Ascâmeras também possuem Codec para que possam gerar os arquivos e gravá-los nos cartões ou em suas memórias internas. Para quem trabalha com vídeo, é preciso ter cuidado redobrado, pois a escolha do Codec errado na saída da edição (exportação) pode comprometer a qualidade de todo o trabalho, ou mesmo impedir alguém de assistir ao vídeo. Temos então uma nova etapa no trabalho, quando será finalizada a edição. Podemos converter o produto final em vários formatos, de acordo com o modo ou o local da exibição. Para isso, basta escolher o Codec certo. Os softwares de edição possuem dezenas de opções de exportação, cada qual com suas finalidades e objetivos. 1.2 Sistemas digitais Como vimos, os Codecs são responsáveis pela codificação dos vídeos, ou seja, por transformar uma imagem em um arquivo digital que será lido em um computador (lembre-se que um smartphone ou um tablet também são uma espécie de computador). Os Codecs estão relacionados aos formatos e aos sistemas digitais dos vídeos. Esses sistemas também evoluem, e novos sistemas acabam surgindo sempre que uma nova tecnologia é desenvolvida. A TV é uma prova disso: passamos dos sistemas analógicos de transmissão para o sistema digital. O vídeo também acompanha essa evolução: passamos das antigas fitas de vídeo, como o VHS, para os DVDs, os Blu-rays; agora, praticamente todos os vídeos são exibidos em mídias virtuais, sem a existência de um componente físico. Para o processo de edição, é muito importante conhecer os sistemas que envolvem diretamente a produção de vídeo, além de sua história. 1.2.1 DV O Formato DV surgiu da união de esforços e de pesquisas de várias empresas mundiais, como Sony, Phillips, JVC, dentre outras. No início dos anos de 1990, esse grupo desenvolveu um formato, prevendo sua utilização na futura TV digital, que também estava sendo desenvolvida. 7 Uma das grandes preocupações era a de criar um formato digital que tivesse compatibilidade com diversos tipos de equipamentos produzidos pelas diferentes empresas que compunham esse grupo de desenvolvimento. Com isso, surgiu o sistema DV para atender à grande maioria das empresas, além de outros formatos, como o DVCAM, para atender à Sony, o DVPRO, para atender à Panasonic, e o digital-S, para atender à JVC. Dentro dessa disputa pela aceitação do mercado, o formato DV acabou sendo o mais aceito, e as famosas Mini-DV reinaram quase que absolutas em grande parte do mercado. O Mini-DV acabou sendo o sucessor direto do vídeo analógico (SD, ou standard definition), mantendo suas características técnicas (NTSC): Frame Size – 720X480/Frame rate – 29,97 fps/Aspect ratio – 4:3 e 16:9. O DVD trabalha com as mesmas características de imagem SD. É importante ressaltar que a imagem Mini-DV ainda é uma imagem SD com as características relacionadas acima, embora seja um arquivo digital. 1.2.2 HDV O formato HDV acabou sendo “jogado” para a produção de vídeos pela demora em definirmos qual seria realmente o formato da TV digital no Brasil. Muitas empresas produtoras de câmeras e equipamentos de vídeo desenvolveram sistemas próprios na esperança de que muitos países os adotassem. Foi quase uma repetição pela popularização do VHS e do Betamax no século passado, quando duas grandes empresas lançaram formatos apostando que o mercado os consumisse quase que oficialmente. Naturalmente, em uma disputa, uns ganham e outros perdem. O HDV foi desenvolvido para suceder o formato convencional analógico (SD ou standard definition), levando a produção a uma nova era, a da alta definição. Contudo, o resultado não é bem o que o nome promete. Embora seja um formato de alta definição, muito superior ao SD, o HDV não é Full HD, ou seja, não é o formato de alta definição que o Brasil adotou para a sua TV digital. As câmeras que gravam em HDV podem fazê-lo ainda em fitas (HDV) ou em cartões de memória, e gravam as imagens com as seguintes características: Frame Size: 1440X1080/Frame rate: 29,97/Aspect ratio – Wide (Square pixel). É possível ainda gravar imagens em HDV com outros tamanhos, em outro Frame size, mas o mais indicado é realmente o que mencionamos acima. 8 É possível produzir discos de Blu-ray com esse formato, embora não seja o formato “oficial” para isso. 1.2.3 Full HD Este é o formato oficial da TV digital brasileira de alta definição (altíssima definição). É importante ressaltar a palavra “Full”, que vai diferenciar tal formato das imagens HD ou HDV. As câmeras que gravam esse formato utilizam cartões de memória ou HD interno. Também é o formato apropriado para gerar discos de Blu-ray. As imagens possuem as seguintes características: Frame Size: 1920X1080/Frame rate: 29,97/Aspect ratio – Wide (Square pixel). TEMA 2 – O QUE É EDIÇÃO DE VÍDEO? É possível definir “edição de vídeo” como cortar e colar um vídeo/cortar uma cena e juntá-la à próxima. Outra definição básica seria: o processo de cortar sequências de imagens de vídeo ou cinema e montar segundo um roteiro pré- estabelecido ou, no mínimo, pensado. Mas será que é só isso? Editar é muito mais do que cortar e colar, pode ter certeza. Editar é uma forma de arte e, como tal, exige técnica, estudo, sensibilidade e talento. Exige também planejamento. Nenhum trabalho em vídeo consegue cativar e prender a atenção do público se não tiver pelo menos o esboço de projeto. Editar, mais que criar, exige um discurso e uma estrutura narrativa, exige a criação de uma linguagem. O que acontece é que, com o avanço tecnológico tanto dos equipamentos como dos softwares, o poder dado a um simples PC (preparado para a edição, é claro) confere a ele uma capacidade fantástica de produzir efeitos adicionais e especiais ao vídeo. O que antes era considerado pós-produção, ou finalização, muitas vezes é aplicado diretamente na edição devido às facilidades dos recursos e do usuário. E todas essas possibilidades acabam por criar uma perigosa armadilha, a de confundir edição com finalização, efeitos especiais etc. O que não se pode confundir é que, embora esse poder esteja presente em softwares como o Adobe Premiere Pro e o Final Cut, dentre outros, efeitos especiais e animações (2 e 3D) continuam a fazer parte da finalização, ou pós- produção, e devem ser encarados, trabalhados e comercializados como tal. 9 A edição pode ser composta de imagens em vídeo, fotos, desenhos gráficos, ilustrações animações etc., todos organizados e dispostos de acordo com planejado no roteiro. Durante a gravação das imagens, as cenas nem sempre são feitas na sequência prevista na história (ou no enredo ou roteiro). Para aperfeiçoar a produção, geralmente elas são agrupadas por locação, também chamada de set de filmagem, e por isso não são gravadas necessariamente na ordem em que serão apresentadas nas telas na estreia da obra para o público. A edição, devido a esse fato, também pode ser definida como o ordenamento das imagens gravadas na sequência em que o vídeo será finalizado. Deve ainda ser considerado que, para otimizar o fluxo de trabalho e permitir a criatividade da equipe técnica – composta por diretor geral da obra, diretor de fotografia, técnicos de iluminação e de áudio –, uma mesma cena é gravada diversas vezes. Algumas delas, podendo ser captadas em ângulos e planos diferentes. Para facilitar o trabalho do editor, surgiu a função do continuísta. Não, ele não é peça de museu! Ainda existe, e é muito importante na produção. Esse profissional tem como incumbência registrar todas as tomadas gravadas, numa espécie de relatório. O continuísta anota não apenas esses dados técnicos, como também registra minuciosamente cada detalhe, adereço, figurino, móvel e cenário das cenas gravadas. Desse trabalho de continuidade dependem não só o diretor, o iluminador e o ator, mas principalmente o editor de imagens. É importante ressaltar que a ediçãodepende de todo o processo de produção, e principalmente de um bom roteiro. Com isso, deve ser criada uma linguagem de edição, que estará de acordo com a linguagem de todo o vídeo. TEMA 3 – ROTEIRO E LINGUAGEM É muito difícil editar um vídeo sem que exista um roteiro. Existem muitas definições do que é um roteiro, mas, simplificando, um roteiro é uma maneira de contar uma história combinando imagens em vídeos, fotos, desenhos etc. e áudios. Vamos ver algumas definições de roteiro: O roteiro é a forma escrita de qualquer audiovisual. É uma forma literária efêmera, pois só existe durante o tempo que se leva para ser convertido em um produto audiovisual. No entanto, sem material escrito não se pode dizer nada, por isso um bom roteiro não é garantia de um bom filme, mas sem um roteiro não existe um bom filme. (Comparato, 2018) 10 Um roteiro representa um estado transitório, uma forma passageira destinada a desaparecer, como a larva ao se transformar em borboleta. Quando o filme existe, da larva resta apenas uma pele seca, de agora em diante inútil, estritamente condenada a poeira. [...]o roteiro significa a primeira forma de um filme. E quanto mais o próprio filme estiver presente no texto escrito, incrustado, preciso, entrelaçado, pronto para o voo, como a borboleta, que já possui órgãos e todas as cores sob a aparência de larva, mais a aliança secreta [...] entre o escrito e o filme terá chances de se mostrar forte e viva. (Carrière; Bonitzer, 1996) Roteiro é [...] um discurso verbal, escrito de forma a permitir a pré- visualização do filme por parte do diretor, dos atores, dos técnicos e dos possíveis financiadores. Um instrumento de trabalho e de convencimento. [...] uma utopia criativa a serviço de um objetivo fundamentalmente econômico: uma boa definição não só de roteiro, mas da própria essência do cinema. (Brasil, 2003) O roteirista vai além do escritor: o escritor escreve uma história com todo o realismo dos personagens e locais, e o roteirista deve traduzir tudo isso de forma que as pessoas possam visualizar as cenas enquanto leem. Com o roteiro em mãos e os processos de gravação terminados, inicia-se o processo de decupagem das imagens, ou seja, as imagens (vídeos, fotos etc.) e os áudios (trilha sonora, locução, narração, som ambiente etc.) serão escolhidos e separados para que possam ser utilizados na edição. 3.1 Linguagem A linguagem é a maneira como “conversamos” com o público-alvo. É preciso que esse público crie uma identificação com o que está assistindo e, de uma forma ou de outra, possa executar a “ação” planejada. Linguagem não é apenas a maneira como escrevemos ou falamos. É tudo: desde a cor que usamos nas artes, a trilha sonora, o tipo de câmera e seus movimentos, a edição e a finalização e até mesmo o tempo de duração do vídeo. Achar a linguagem certa para o público-alvo desejado não é tarefa das mais simples. Exige atenção especial à forma como esse público se comunica, o que ele gosta de ouvir e ver, fazendo com que ele se interesse pelo que está assistindo e, assim, cumpra a ação desejada. A Linguagem pode ser aprimorada ao longo do processo de produção, mas é de vital importância para o sucesso do vídeo que ela seja estabelecida em sua essência o quanto antes. Linguagem errada ou não compreendida pelo público-alvo é sinônimo de vídeo ineficiente. 11 Saiba mais Decupar é um processo importantíssimo na produção e, consequentemente, na edição de um vídeo. É a seleção, a separação e a limpeza dos vídeos brutos gravados, escolhendo os melhores e mais adequados trechos a utilizar na edição. Para saber mais sobre essa importante etapa do processo de edição, acesse: ALURA. Utilizando decupagem nos seus projetos de vídeo. Disponível em: . Acesso em: 6 dez. 2018. TEMA 4 – DIFERENÇA ENTRE EDIÇÃO LINEAR E NÃO LINEAR A edição nem sempre foi feita em um software; ela literalmente “cortava” as películas cinematográficas, colando-as com fitas adesivas. Esse tipo de edição é chamado de “Edição Linear”, diferente das edições feitas nos computadores, chamadas de Não Lineares. Vamos saber com detalhes a diferença entre esses dois tipos de edição 4.1 Edição Linear Embora esse tipo de edição esteja quase que ultrapassado, ainda existe quem o utilize. Se o conceito inicial de edição é o de cortar e colar, na chamada Edição Linear isso é feito quase ao pé da letra. Para editar corretamente, são necessários, no mínimo, dois videogravadores e um monitor (edição linear). Um dos aparelhos, que pode ser a própria câmera, chamado Play, reproduzirá a fita com o material bruto. Outro, chamado Rec (recorder), gravará os takes gerados pelo Play em outra fita, produzindo a versão editada. As cenas são escolhidas na chamada fita play – a fita em que foram gravadas as imagens “matriz”, gravadas na câmera. Na fita rec (a fita editada) será copiada a cena escolhida e marcada na fita play. A fita editada nada mais é que uma cópia de trechos da fita matriz. É possível editar na própria câmera no momento da gravação, porém, esse processo não dá bons resultados. Com o desenvolvimento dos trabalhos e o aumento do grau de exigência, são incorporados outros equipamentos a esses, como mais uma máquina play, http://blog.alura.com.br/utilizando-decupagem-nos-seus-projetos-de-video/ http://blog.alura.com.br/utilizando-decupagem-nos-seus-projetos-de-video/ 12 misturadores de imagem (mixers), editor para cortes mais precisos, misturadores de áudio, mesa de efeitos, gerador de caracteres etc. Como a fita editada é uma cópia da fita matriz, ou original, a sua qualidade tende a ser um pouco menor do que a da original. Nos equipamentos profissionais, a diferença de qualidade é muito pequena, quase imperceptível. Figura 1 – Edição linear Fonte: elaborada pelo autor. Desde o aparecimento do videoteipe, nos anos de 1960, o processo da Edição Linear se vale de fitas de vídeo fabricadas com material plástico coberto com um produto magnetizável – um polímero composto por pigmentos magnéticos de óxidos de ferro ou cromo. A fita de vídeo, diferentemente da película de filme, não pode ser cortada fisicamente em pedaços e unida de outro modo. O editor precisa copiar ou gravar cada trecho de vídeo desejado em uma fita master (“mestre”). Como vimos, o processo envolve até três fitas brutas, e o editor decide em qual irá trabalhar primeiro. A ordem do processo de edição não altera o resultado final. Seja como for, ele transferirá os trechos que serão utilizados na montagem para uma quarta fita virgem – chamada de master. Para fazer isso, o editor primeiro reproduz a fita bruta num cassete, a fim de que o trecho escolhido seja gravado na fita master, em outro cassete. Em seguida, repete o processo com as outras duas fitas brutas. É uma técnica de edição baseada em processos de edição linear, ou seja, um corte de cada vez. 13 Note que o editor tem de assistir a todas as fitas brutas e à master, operando a mesa controladora por botões mecânicos. Daí a importância do trabalho do continuísta. Como em seu relatório consta o timecoder, com o código em números do tempo de gravação, o editor serve-se disso para agilizar seu trabalho. Alguns copiavam em uma terceira fita – “virgem” – as sequências escolhidas. Caso houvesse um erro, era possível gravar “por cima” da gravação existente na fita magnética; porém, se o tempo da nova cena fosse maior do que o da cena substituída, a edição deveria ser refeita, porque não se podia "empurrar" para frente algo já gravado na fita. Os controles de edição podiam ser programáveis e controlar diversas máquinas. Resumindo: como vimos na figura anterior, a ilha de edição linear mínima precisava de dois videocassetes (um para reproduzir e outro para gravar) e de uma mesa,chamada edit controller ou controladora. Antes das fitas magnéticas de vídeo, aparece, na década de 1960, a montagem das películas de acetato dos filmes feita numa máquina chamada Moviola, inventada por Iwan Serrurier, em 1917. A Moviola tinha dois carretéis, uma manivela manual, engrenagens que movimentavam a película celuloide de um carretel para o outro e um visor, permitindo selecionar os trechos que seriam cortados para, em seguida, colar e montar o filme como desejado. A colocação de títulos é algo que merece ser recordado como técnica das mais utilizadas na história do cinema. Uma dessas técnicas consistia em pintar os títulos de apresentação e créditos finais em uma placa de vidro, que era posicionada diante da objetiva. Os caracteres eram capturados sobre a imagem da cena que estava sendo gravada. A outra técnica, mais simples, era escrever os títulos e créditos sobre cartolinas, gravá-las e intercalar esse material durante a montagem das sequências. Já o misturador, mais conhecido em seu termo em inglês (mixer), é uma máquina que permite fazer transições com fade in ou fade out (“dissoluções”), chroma key, wipes e outros efeitos. Saiba mais Em MOVIOLA. About us. Disponível em: , você pode acessar um pouco da história da Moviola e conhecer o que a empresa faz hoje, como é o caso dos treinamentos on-line de filmmakers e videomakers. http://moviola.com/about-us/ 14 Assista ao documentário amador que apresenta a história da Moviola e de seu inventor: A INCRÍVEL INVENÇÃO DE IWAN SERRURIER QUE REVOLUCIONOU A INDÚSTRIA DO CINEMA. Canal do André. 19 jun. 2016. Disponível em: . No tempo da Moviola, o trabalho era quase artesanal, já que o montador ou editor manuseava a película, assistia ao material bruto no mesmo equipamento e, com uma simples tesoura, cortava o celuloide em pedaços e juntava com fita adesiva na ordem desejada. A título de curiosidade, vale a pena lembrar que a película de fotografia ou de cinema tem base plástica, geralmente triacetato de celulose, sobre a qual é depositada uma emulsão, formada por uma fina camada de gelatina, que contém cristais de sais de prata sensíveis à luz 4.2 Edição Não Linear Na Edição Não Linear, as imagens gravadas na câmera são digitalizadas ou capturadas para dentro de um computador. É claro que esse computador precisa estar preparado para tal tarefa, tanto no que se refere ao hardware quanto ao software. Feita a captura das imagens, o que se pode dizer é que o processo de edição de vídeo e áudio é praticamente todo digital. Depois de capturadas, as imagens são importadas para dentro do software de edição, como o Adobe Premiere Pro, e poderão ser cortadas, coladas e preparadas – pode-se fazer quase tudo com elas. Na Edição Não Linear, também é possível realizar praticamente todo tipo de trabalho de pós-produção e finalização, como a aplicação de efeitos de vídeo, áudio, desenhos em 2 e 3 D etc. 15 Figura 2 – Edição não linear Fonte: Philipimage. Disponível em: . Acesso em: 7 dez. 2018. Saiba mais O teleprompter (que possui esse nome devido ao primeiro fabricante que o produziu) apresenta uma imagem dos textos de um monitor de vídeo refletida em um espelho colocado a 45º. A imagem do texto é invertida no monitor, da esquerda para a direita, para que a imagem no espelho possa aparecer corretamente. O espelho reflete a imagem gerada na tela do “telepronto”, permitindo que o apresentador leia o texto olhando diretamente para a objetiva da câmera. O telepronto evoluiu do chamado hardcopy para o atual softcopy. No primeiro modelo, o texto era datilografado com letras grandes e frases curtas, e o papel era afixado em dois cilindros motorizados. A imagem era captada por uma câmera e mostrada no monitor colocado abaixo da objetiva que captava a imagem do apresentador. Os rolos iam se movimentando (desenrolando no primeiro cilindro e enrolando no segundo cilindro), e o apresentador podia ler. No modelo atual, o texto é gerado num computador, geralmente um laptop cujo monitor é posicionado para o espelho num ângulo de 45º. A movimentação do texto é feita usando o mouse para ir baixando o texto à medida que for lido. Os mais recentes usam tablet. Não havendo esses recursos, o texto pode ainda ser reproduzido em cartolinas, com letras grandes, chamadas de dálias, colocadas abaixo ou ao lado da objetiva, mas num ângulo e distância tais do apresentador que permitam a 16 sensação ao telespectador de que o apresentador está olhando diretamente para ele, ou seja, para o centro da objetiva. Não restando nenhuma outra alternativa, o apresentador terá de decorar o texto e apresentá-lo como o fazem os atores e atrizes em programas de ficção (telenovela, filmes, humorísticos e de variedades em auditórios). Seja como for, o que importa mesmo é a qualidade, a concisão, a objetividade e a clareza do texto. Assista o vídeo no link a seguir e conheça mais sobre o uso do teleprompter. COMO FUNCIONA UM TELEPROMPTER. Michael Oliveira. 1 ago 2016. Disponível em: . Acesso em: 6 dez. 2018. TEMA 5 – SOFTWARES MAIS UTILIZADOS Depois de tudo que vimos, é possível concluir que você vai editar no sistema Não Linear, é claro. Afinal, encontrar equipamentos de Edição Linear nos dias de hoje não será muito fácil. Brincadeiras à parte, é preciso saber que existem vários softwares de Edição Não Linear. O primeiro passo é decidir entre softwares profissionais e amadores. Alguns softwares amadores são gratuitos, o que pode ser uma grande vantagem. Por outro lado, a maioria é limitada no que se refere a recursos que a criatividade de um bom profissional deve exigir para trabalhar. Os softwares usados por profissionais são pagos, e normalmente exigem que sejam utilizados em máquinas (computadores) mais potentes, preparadas para essa atividade. A seguir, confira considerações sobre os programas mais utilizados por editores de imagens. São também os mais bem avaliados pela crítica especializada. 5.1 Para iniciantes em edição de vídeo Para quem está começando a editar vídeos, e esses vídeos não exigem muito do editor, mostramos dois programas: um para PC e outro para Mac. 5.1.1 Windows Story Remix O conhecido programa de edição da Microsoft foi descontinuado em janeiro de 2017, sendo substituído pelo Windows Story Remix, novo editor de http://www.techtudo.com.br/tudo-sobre/microsoft.html http://www.techtudo.com.br/noticias/noticia/2017/01/microsoft-encerra-o-live-essentials-kit-contem-o-editor-movie-maker.html http://www.techtudo.com.br/noticias/noticia/2017/01/microsoft-encerra-o-live-essentials-kit-contem-o-editor-movie-maker.html 17 vídeo gratuito do Windows 10. Por ser um programa mais novo, o Story Remix possui mais recursos de edição que o antigo editor. Uma das novidades é a maneira de acessá-lo, pois funciona de forma integrada a novos recursos do sistema operacional, por meio do APP “Fotos”. É um programa “amistoso” para quem está iniciando no mundo da edição de vídeo e fotos, com facilidades, como o modo de edição em storyboard e um monitor para visualização prévia, além de uma biblioteca de mídia. Logicamente, não podemos exigir muito de um programa voltado para o público amador; mesmo assim, com ele é possível cortar, inserir transições, colocar efeitos básicos de cor, além de textos. No quesito exportação, possui as opções básicas mais utilizadas. Figura 3 – Windows Story Remix http://www.techtudo.com.br/tudo-sobre/windows.html 18 19 Fonte: Windows Story Remix, 2017. 5.1.2 iMovie O iMovie pertence à plataforma Mac. É muito simples e indicado para produções em vídeo que não exijam maiores conhecimentos técnicos. Funcionabem tanto no Mac quanto nos iPhone e no iPad da Apple. O iMovie também permite que você corte, insira áudio, textos simples e até alguns efeitos e transições em seus vídeos, mas também tem limitações quanto aos formatos de vídeo suportados na importação e gerados na exportação. Algumas das características e funcionalidades presentes são: aplicação de câmera lenta automaticamente; inserção de fotos (redimensiona automaticamente, ajustando à proporção previamente escolhida para editar o vídeo, recorta a foto para preencher toda a tela, e a opção Ken Burns adiciona automaticamente um efeito de zoom nas fotos); duração do tempo de exposição da foto inserida; envio automático para o iCloud (a opção theater). Também permite apagar e remover arquivos de renderização das bibliotecas abertas, liberando espaço de armazenamento. 20 Figura 4 – iMovie Fonte: iMovie. 5.1.3 Final Cut Pro Agora, entramos na categoria de programas profissionais, e o Final Cut é um bom exemplo disso. É um software profissional de edição de vídeo Não Linear desenvolvido pela Apple Computer para seu sistema operacional Mac OS X, ou seja, é exclusivo do Mac, o que às vezes dificulta a comunicação entre ele e os programas usados pelo Windows. No entanto, tem vários templates, que facilitam a edição e o tornam bastante atraente. Possui diversos recursos de edição para deixar seus filmes com qualidade profissional. Uma característica importante é a capacidade de adicionar efeitos, transições e filtros de alta qualidade aos projetos. Assim como qualquer outro programa voltado para o público profissional, para operá-lo é necessário muito estudo e dedicação, além de conceitos técnicos básicos imprescindíveis para escolher as melhores opções em suas muitas ferramentas de edição. 21 Figura 5 – Final Cut Pro Fonte: Apple. Disponível em: . Acesso em: 7 dez. 2018. É um programa bastante utilizado pelo mercado profissional e, a exemplo do Premiere, o Final Cut também foi usado para editar vários filmes de Hollywood. Entre esses, longas-metragens como Cold Mountain, Noiva Cadáver, Napoleon Dynamite e Capitão Sky e o Mundo de Amanhã. 5.1.4 Adobe Premiere O Adobe Premiere Pro CC é um dos programas de Edição Não Linear mais utilizados no mercado atual. É um programa padrão de edição em muitas produtoras, companhias de cinema e televisões. Grande parte dos profissionais, quando questionados a respeito de conhecerem a Edição Não Linear, logo entendem que a pergunta se refere ao programa de edição de vídeo da Adobe. Com uma nova maneira de oferecer seus softwares, a Adobe revolucionou o mercado, baixando o preço de seus programas, criando pacotes de serviços, tornando-os acessíveis a todos os públicos, com política de preços voltada para estudantes, professores e usuários em geral. Seu desenvolvimento e atualizações são constantes; seus usuários têm a possibilidade de utilizar os programas tanto na plataforma Windows quanto na Apple (PC e Mac). 22 Figura 6 – Adobe Premiere Pro CC Fonte: Adobe, 2016. Assim como o Final Cut, este é um programa de Edição Não Linear completo, e exige de seus operadores estudo, técnica e conhecimentos básicos para extrair dele o máximo de suas potencialidades. Mas não se assuste: com um pouco de prática e dedicação você conseguirá operá-lo. É justamente o Adobe Premiere Pro CC que vamos estudar nos próximos conteúdos; com isso, você poderá conferir todo o poder dos softwares profissionais. 23 Este é um software completo, que oferece diferentes recursos de edição. Funciona de forma integrada com outros programas do pacote Adobe Criative Cloud, como Photoshop, After Effects e Audition. Com o After Effects, ele já foi utilizado em Avatar, de James Cameron, A Invenção de Hugo Cabret, de Martin Scorsese, Garota Exemplar, de David Fincher, e o último filme dos Irmãos Coen, Hail, Caesar! Saiba mais Assista e ouça a opinião de Tim Miller, diretor do filme Deadpool, sobre como decidiu editar o filme com o software Premiere e o After Effects. Acesse o link: ADOBE BRASIL. Disponível em: . Acesso em: 6 dez. 2018. TROCANDO IDEIAS Este é o início de uma atividade que encanta muita gente: a edição de vídeo. Como você pode perceber, é uma atividade complexa, que exige muito planejamento, organização e técnica, e que pode produzir resultados fantásticos. Comece a prestar mais atenção às edições dos vídeos e filmes que você assiste. Note os tipos de corte, a trilha sonora, e como a história está sendo contada. Você verá que um novo mundo se abrirá diante de seus olhos. NA PRÁTICA Vamos preparar um roteiro? Será uma experiência bem interessante, pois é uma boa maneira de imaginar a produção de um vídeo em suas etapas iniciais. Vamos pensar em um roteiro para um documentário. Divida uma página A4 em duas colunas: uma para vídeo e outra para áudio. Se for ficção, nada de colunas: o texto será corrido na A4, com intertítulos com os nomes dos personagens. O tempo total do roteiro será de 10 minutos. Escreva o texto em uma coluna e descreva as imagens que você considera ideais para cada trecho de texto na outra coluna. Boas histórias! 24 FINALIZANDO Mostramos aqui um pouco da história da montagem, ou da edição, dos filmes e vídeos. Falamos sobre os equipamentos de edição e a maneira como esta era feita “linearmente”, até se tornar o que temos hoje, a edição feita em computadores, a chamada Edição Não Linear. Também falamos sobre a necessidade de planejar uma obra audiovisual, com a prévia edição de texto, ou seja, a criação de roteiros e os scripts. Apresentamos ainda alguns dos softwares (programas ou aplicativos) mais populares, gratuitos e de uso profissional, do mercado da edição de vídeo. Para finalizar, queremos lembrar algo bastante elementar: quem faz o vídeo é você, não os programas de edição. Antes de gravar, comece pelo planejamento. Tenha definido o roteiro, que inclui a parte da edição. É preciso ter ao menos noções sobre ângulos, cortes e contraplanos. E então? Pensou a respeito da evolução dos computadores pessoais até a edição de vídeo em PCs, Macs e smartphones? Qual sua resposta imediata para tanta tecnologia e facilidade para produzir filmes e vídeos e distribuí-los via internet? 25 REFERÊNCIAS ADOBE. Premiere Pro, Helps and Tutorials. 2016. BRASIL, G. A. A escritura do roteiro. Curso de Realização Audiovisual. Porto Alegre: Unisinos, 2003. CARRIÈRE, J.-C.; BONITZER, P. Prática do roteiro cinematográfico. Trad. Tereza Almeida. São Paulo: JSN Editora, 1996. COMPARATO, D. Da criação ao roteiro: teoria e prática. São Paulo: Summus Editorial, 2018.