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Etnomatemática nas Escolas Indígenas

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UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO-UERJ 
LICENCIATURA EM MATEMÁTICA 
MAIARA SIMÕES ROCHA 
A ETNOMATEMÁTICA NAS ESCOLAS INDÍGENAS 
DUQUE DE CAXIAS-RJ 
2023 
2 
SUMÁRIO 
I. INTRODUÇÃO 3 
II. DESENVOLVIMENTO 4 
III. CONCLUSÃO 7 
IV. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 8 
 
 
3 
INTRODUÇÃO 
A matemática é uma disciplina fundamental que está presente em diversas culturas 
ao redor do mundo. No entanto, muitas vezes ela é vista como uma matéria difícil por está 
distante do cotidiano das crianças e jovens. Nas aldeias indígenas, o ensino de matemática 
vai além das salas de aula convencionais, sendo ensinada de forma prática e 
contextualizada levando em consideração o contexto sociocultural dos estudantes. 
Portanto, o presente trabalho visa compreender as formas de se ensinar matemática 
nas aldeias indígenas, contestando assim, as formas tradicionais ensinadas nas escolas que 
são oriundas de uma cultura ocidental, ou seja, de uma única cultura. Consequentemente, 
a escola é reprodutora de uma cultura ocidental que passa a ser um local de transmissão 
de valores morais e culturais, a fim de moldar o individuo. 
Dessa forma, o conceito de etnomatemática surge como uma abordagem que busca 
integrar a matemática ao contexto cultural dos estudantes, reconhecendo e valorizando 
diferentes formas de conhecimento. Essa perspectiva é fundamental no ambiente escolar, 
pois proporciona uma educação mais inclusiva além de, contribuir para a formação de 
cidadãos mais críticos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
DESENVOLVIMENTO 
Os povos indígenas se estabeleceram no Brasil muito antes da chegada dos 
portugueses em 1500, entretanto, durante a invasão os portugueses apelidaram os nativos 
como “selvagens” e posteriormente “indígenas”. A diferença cultural que havia entre eles 
conduziu os portugueses a propagar o ensino cristão aos povos indígenas, assim eles 
acreditavam que, tornando os “índios cristãos” eles se tornariam “civilizados”. De acordo 
com Luciano (2006, p. 41): 
 
Os povos indígenas, ao longo de 500 anos de colonização, foram 
obrigados, por força física e cultural, a reprimir e a negar suas 
culturas e identidades como forma de sobrevivência diante da 
sociedade colonial, que lhes negava qualquer direito e 
possibilidade de vida própria. 
 
Desde o processo de expansão da coroa portuguesa no Brasil, as formas de 
conhecimento dos povos colonizados foram consideradas pelos colonizadores como 
inferiores e sem valor. Essa concepção implicou um acelerado processo de “abandono” da 
cultura dos colonizados. Os indígenas do Brasil colonial, por exemplo, foram submetidos 
a uma educação escolar em que o objetivo das práticas era aniquilar culturas e incorporar 
a mão de obra indígena. 
Após a dominação de Portugal no território brasileiro e por consequência de 
diversos conflitos, mortes de indígenas causadas por doenças trazidas pelos portugueses, 
escravização, parte da cultura indígena foi sendo descaracterizada. Diante desse aspecto 
histórico, é importante pensar na educação indígena para que esses erros cometidos em 
1500 não venham a ser repetidos. Portanto, a cultura proveniente dos povos indígenas, 
sejam eles Guarani, Yanomami, deve ser assegurada. 
Pensando nisso, o termo Etnomatemática surgiu nos anos 70 como uma 
contraproposta do ensino tradicional da matemática. Tendo Ubiratan D’ Ambrósio como 
precursor, a palavra tem origem dos termos techné, mátema e etno. Ele diz que: 
 
Tem seu comportamento alimentado pela aquisição de 
conhecimento, de fazer (es) e de saber(es) que lhes permitam 
sobreviver e transcender, através de maneiras, de modos, de 
técnicas, de artes (techné ou 'ticas') de explicar, de conhecer, de 
5 
entender, de lidar com, de conviver com (mátema) a realidade 
natural e sociocultural (etno) na qual ele, homem, está inserido. 
(D’AMBROSIO, 2005, p. 99-120). 
 
Nessa perspectiva, percebe-se que a Etnomatemática por ele sugerida, não se trata 
de um método de ensino, nem de uma ciência, mas sim de uma proposta educacional que 
contribui para o aprendizado dos estudantes, além de ampliar a diversidade de 
conhecimentos e práticas matemáticas abordadas em sala de aula. Ao relacionar a 
matemática com a cultura e a realidade dos estudantes, é possível despertar o interesse 
pelo aprendizado. Assim, ao abordar esses saberes, a escola proporciona ao aluno uma 
educação mais abrangente, reconhecendo as diversidades culturais e evitando a 
perpetuação de estereótipos negativos acerca da matemática. 
Para analisar melhor no âmbito da Etnomatemática, o trabalho tem como base duas 
aldeias indígenas. A Aldeia Mata Verde Bonita, construída em 2013, abriga cerca de 20 
famílias da etnia Guarani Mbyá, e fica localizada em Maricá em uma área de proteção 
ambiental. E a outra, a Aldeia Sítio do Céu (Tekoa Ara Hovy) em Itaipuaçu, abriga cerca 
de 50 indígenas que também usam a língua materna, uma variedade do idioma tupi 
guarani. 
As escolas situadas nas duas aldeias têm o ensino bilíngue Português-Guarani, 
porém a língua portuguesa é usada com a população de fora, dentro é usado apenas o 
idioma tradicional, o Guarani. A escola Para- Poty localizada na aldeia Mata Verde Bonita 
se divide em: uma turma de Educação Infantil, uma turma de 1° a 3° ano e outra turma de 
4° a 5° ano. Já a escola Ara Hovy localizada na Aldeia Sítio do Céu, possui uma turma de 
4° e 5° ano, do estilo multissérie. 
As atividades pedagógicas são sempre relacionadas a cultura do seu povo e a sua 
língua materna. Por exemplo, a turma de educação infantil ainda está no processo de 
alfabetização então foi planejado ler com eles uma história, a “História Antiga: A água e 
a pedra”, este livro tinha os textos tanto em português como em guarani, quando chegamos 
na sala de aula pedimos ajuda a um pai que estava acompanhando sua filha e ele fez o 
papel de intérprete, enquanto liamos em português em seguida ele lia em guarani. Foi uma 
atividade bem enriquecedora, porque víamos que as crianças estavam gostando e rindo da 
história, até o próprio pai gostou. 
No ensino da matemática, no processo de contagem foi feito uma dinâmica no qual 
as crianças colocavam as tampinhas de garrafa Pet em um recipiente com água e elas 
tinham que pescar essas tampinhas com dois palitos, pregador, colher e peneira. Elas 
6 
executavam os nossos comandos, ou seja, os bolsistas falavam “peguem 3 tampinhas” e 
as crianças realizavam essa comparação. 
A escola situada na aldeia só tem o suporte até o Ensino Fundamental I, entretanto, 
quando os estudantes passam para o Ensino Fundamental II vão para Escola 
Municipalizada de Inoã, no município de Maricá, que é uma escola com o ensino 
tradicional, porém como recebem os estudantes indígenas eles realizam atividades de 
inclusão, em que os alunos da escola aprendem sobre a cultura indígena e os indígenas 
aprendem sobre a cultura dos não-indígenas, possibilitando assim, um compreendimento 
e ligação entre as culturas. 
Em síntese, o que é feito nas escolas indígenas é exatamente exercer a 
Etnomatemática como uma proposta educacional, nós, como Juruá (não-indígenas), 
devemos pensar em atividades pedagógicas contextualizadas, mas de acordo com a cultura 
indígena, com o espaço escolar o qual está inserida. Além disto, a etnomatemática, como 
ação pedagógica, possibilita aos estudantes o desejo de aprender, o buscar entender, ou 
seja, estimula um estudante crítico. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
7 
CONCLUSÃO 
 Em conclusão, fica evidente que a inserção da etnomatemática no ensino de 
matemática nas escolas indígenas é de extrema importância. Através dessa abordagem, os 
estudantes indígenas têm a oportunidade de aprender a matemática a partir de seu contexto 
cultural, fortalecendo sua identidade e valorizando seus conhecimentos próprios. Além 
disso, a etnomatemática possibilita um ensino mais rico e conectadocom a realidade dos 
alunos, tornando a aprendizagem mais efetiva e aprazível. 
É preciso, portanto, promover a inclusão dessa abordagem nos currículos 
escolares, garantindo assim uma educação matemática de qualidade e que respeite a 
diversidade cultural presente nas escolas indígenas. A etnomatemática oferece um 
caminho promissor para a transformação do ensino de matemática, possibilitando um 
ensino mais inclusivo e respeitoso das diferentes formas de conhecer e entender o mundo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
8 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
COSTA, W. N. G.; BORBA, M. de C. O porquê da etnomatemática na educação 
indígena. Zetetike, Campinas, SP, v. 4, n. 2, p.87-95, 2009. 
 
D’AMBROSIO, U. Etnomatemática: arte ou técnica de explicar e conhecer. 5. ed. 
São Paulo: Ática, 1998 
 
D’AMBROSIO, U. Etnomatemática: elo entre as tradições e a modernidade. 4. ed. 
Belo Horizonte: Autêntica, 2011. 
 
FERREIRA, M. K. L. A educação escolar indígena: um diagnóstico crítico da situação 
no Brasil. In: ARACY, L. S.; FERREIRA, M. K. L. (Org.). Antropologia, história e 
educação: a questão indígena e a escola. São Paulo: Global, 2001 
 
MATTOS, S.; MATTOS, J. Etnomatemática e prática docente indígena: a cultura 
como eixo norteador. Revista Brasileira de História, Educação e Matemática, Instituto 
Federal de São Paulo, v. 4, n. 1, junho 2019. 
 
SCANDIUZZI, PEDRO. Educação indígena X Educação escolar indígena: uma 
relação etnocida em uma pesquisa etnomatemática. São Paulo: Editora Unesp, 2009. 
 
 
	UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO-UERJ
	SUMÁRIO
	INTRODUÇÃO
	DESENVOLVIMENTO
	CONCLUSÃO
	REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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