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“Foi a partir desse [promulgação da Constituição de 88] momento que se acelerou a “emergência” de comunidades indígenas que estavam submersas por várias razões: porque tinham sido ensinadas a não dizer mais que eram indígenas, ou ensinadas a dizer que não eram mais indígenas; porque tinham sido colocadas em um liquidificador político-religioso, um moedor cultural que misturara etnias, línguas, povos, regiões e religiões, para produzir uma massa homogênea capaz de servir de “população”, isto é, de sujeito (no sentido de súdito) do Estado. [...] Essas reflexões são uma tentativa de criar uma definição a mais larga possível, que reconheça que a resposta à questão de quem é índio cabe às comunidades que se sentem concernidas, implicadas por ela. […] Hoje a população urbana do país, que sempre teve vergonha da existência dos índios no Brasil, está em condições de começar a tratar com um pouco mais de respeito a si mesma, porque, como eu disse, aqui todo mundo é índio, exceto quem não é”. (Castro, Eduardo Viveiros de. No Brasil todo mundo é índio, exceto quem não é. Disponível em: http://pib.socioambiental.org)
De acordo com as reflexões, avalie as afirmacoes a seguir:
I – Anteriormente a promulgação da Constituição de 1988, os povos indígenas brasileiros eram vistos de maneira homogênea, perdendo as singularidades étnicas e culturais das diversas etnias brasileiras.
II – O termo índio foi com o tempo sendo manuseado de maneira mais ampla, em virtude das diversas etnias presentes no território brasileiro, e atrelado às comunidades que se sentem implicadas a ele.
III - Qualquer pessoa pode ser considerada índio, uma vez que no Brasil todos têm ascendência indígena e compartilham da cultura indígena de alguma forma.
II e III, apenas.
I e III, apenas.
I e II, apenas.
I, II e III.
III, apenas.

Documento I E, segundo que a mim e a todos pareceu, esta gente não lhes falece outra coisa para ser toda cristã, senão entender-nos, porque assim tomavam aquilo que nos viam fazer, como noÌ•s mesmos, por onde nos pareceu a todos que nenhuma idolatria, nem adoração teÌ‚m. E bem creio que, se Vossa Alteza aqui mandar quem entre eles mais devagar ande, que todos serão tornados ao desejo de Vossa Alteza. E por isso, se algueÌ•m vier, não deixe logo de vir cleÌ•rigo para os batizar, porque jaÌ• então terão mais conhecimento de nossa feÌ•, pelos dois degredados, que aqui entre eles ficam, os quais, ambos, hoje tambeÌ•m comungaram. Carta de Pero Vaz de Caminha. In: PEREIRA, Paulo Roberto (org). Os treÌ‚s uÌ•nicos testemunhos do Descobrimento do Brasil. 2. ed. Rio de Janeiro: Lacerda, 1999. p. 54;57. Documento II [...] nenhuma feÌ• têm, nem adoram a algum deus; nenhuma lei guardam ou preceitos, nem têm rei que lha dê e a quem obedeçam, senão eÌ• um capitão, mais pera a guerra que pera a paz. SALVADOR, Frei Vicente do. HistoÌ•ria do Brasil (1500-1627). 6 ed. São Paulo: Edições Melhoramentos, 1975.
A partir da ana̕lise desses documentos conclui-se que, no peri̕odo compreendido entre a produção do primeiro e do segundo:
a predominância das ações de natureza religiosa, por meio da catequese junto às populações indi̕genas, preservou sua cultura e impediu que elas fossem escravizadas.
a Coroa deixou integralmente a cargo da Igreja Cato̕lica a responsabilidade pela integração das populações indi̕genas ao modo de vida europeu, conforme as sugestões dos autores dos documentos.
os colonizadores empenharam-se em transplantar para o interior das comunidades indi̕genas as formas de organização da sociedade portuguesa, usando a religião e a presença de europeus entre eles.
a administração portuguesa no Brasil orientou-se pelas observações dos autores dos documentos e optou pelo isolamento das populações indi̕genas por considerar que eram inu̕teis ao processo de colonização.
o entendimento dos portugueses acerca das populações indi̕genas e de seus costumes favoreceu o seu processo de integração pela religião, finalizado no se̕culo XVII.

A Constituição de 1988 reconheceu os direitos indígenas sobre suas terras e estabeleceu os critérios para a sua demarcação: DOS ÍNDIOS Art. 231. São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens. § 1º São terras tradicionalmente ocupadas pelos índios as por eles habitadas em caráter permanente, as utilizadas para suas atividades produtivas, as imprescindíveis à preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar e as necessárias à sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições. § 2º As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios destinam-se a sua posse permanente, cabendo-lhes o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes. § 3º O aproveitamento dos recursos hídricos, incluídos os potenciais energéticos, a pesquisa e a lavra das riquezas minerais em terras indígenas só podem ser efetivados com autorização do Congresso Nacional, ouvidas as comunidades afetadas, ficando-lhes assegurada participação nos resultados da lavra, na forma da lei. § 4º As terras de que trata este artigo são inalienáveis e indisponíveis, e os direitos sobre elas, imprescritíveis. § 5º É vedada a remoção dos grupos indígenas de suas terras, salvo, "ad referendum" do Congresso Nacional, em caso de catástrofe ou epidemia que ponha em risco sua população, ou no interesse da soberania do País, após deliberação do Congresso Nacional, garantido, em qualquer hipótese, o retorno imediato logo que cesse o risco. § 6º São nulos e extintos, não produzindo efeitos jurídicos, os atos que tenham por objeto a ocupação, o domínio e a posse das terras a que se refere este artigo, ou a exploração das riquezas naturais do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes, ressalvado relevante interesse público da União, segundo o que dispuser lei complementar, não gerando a nulidade e a extinção direito a indenização ou a ações contra a União, salvo, na forma da lei, quanto às benfeitorias derivadas da ocupação de boa-fé. § 7º Não se aplica às terras indígenas o disposto no art. 174, § 3º e § 4º. Art. 232. Os índios, suas comunidades e organizações são partes legítimas para ingressar em juízo em defesa de seus direitos e interesses, intervindo o Ministério Público em todos os atos do processo. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
Com base nisso, a demarcação
deve levar em consideração os espaços para habitação e reprodução econômica, além da sua importância cultural.
reconhece o direito indígena à terra, limitando-se a identificar os espaços para reprodução econômica e habitação.
é meramente simbólica, uma vez que os povos nativos já possuem a posse de suas terras há anos resguarda.
avança no reconhecimento, mas não rompe com as políticas assimilacionistas historicamente instituídas.
passou a ser integralmente respeitada, não havendo tentativas no sentido de impedir a posse de terras pelos indígenas.

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Questões resolvidas

“Foi a partir desse [promulgação da Constituição de 88] momento que se acelerou a “emergência” de comunidades indígenas que estavam submersas por várias razões: porque tinham sido ensinadas a não dizer mais que eram indígenas, ou ensinadas a dizer que não eram mais indígenas; porque tinham sido colocadas em um liquidificador político-religioso, um moedor cultural que misturara etnias, línguas, povos, regiões e religiões, para produzir uma massa homogênea capaz de servir de “população”, isto é, de sujeito (no sentido de súdito) do Estado. [...] Essas reflexões são uma tentativa de criar uma definição a mais larga possível, que reconheça que a resposta à questão de quem é índio cabe às comunidades que se sentem concernidas, implicadas por ela. […] Hoje a população urbana do país, que sempre teve vergonha da existência dos índios no Brasil, está em condições de começar a tratar com um pouco mais de respeito a si mesma, porque, como eu disse, aqui todo mundo é índio, exceto quem não é”. (Castro, Eduardo Viveiros de. No Brasil todo mundo é índio, exceto quem não é. Disponível em: http://pib.socioambiental.org)
De acordo com as reflexões, avalie as afirmacoes a seguir:
I – Anteriormente a promulgação da Constituição de 1988, os povos indígenas brasileiros eram vistos de maneira homogênea, perdendo as singularidades étnicas e culturais das diversas etnias brasileiras.
II – O termo índio foi com o tempo sendo manuseado de maneira mais ampla, em virtude das diversas etnias presentes no território brasileiro, e atrelado às comunidades que se sentem implicadas a ele.
III - Qualquer pessoa pode ser considerada índio, uma vez que no Brasil todos têm ascendência indígena e compartilham da cultura indígena de alguma forma.
II e III, apenas.
I e III, apenas.
I e II, apenas.
I, II e III.
III, apenas.

Documento I E, segundo que a mim e a todos pareceu, esta gente não lhes falece outra coisa para ser toda cristã, senão entender-nos, porque assim tomavam aquilo que nos viam fazer, como noÌ•s mesmos, por onde nos pareceu a todos que nenhuma idolatria, nem adoração teÌ‚m. E bem creio que, se Vossa Alteza aqui mandar quem entre eles mais devagar ande, que todos serão tornados ao desejo de Vossa Alteza. E por isso, se algueÌ•m vier, não deixe logo de vir cleÌ•rigo para os batizar, porque jaÌ• então terão mais conhecimento de nossa feÌ•, pelos dois degredados, que aqui entre eles ficam, os quais, ambos, hoje tambeÌ•m comungaram. Carta de Pero Vaz de Caminha. In: PEREIRA, Paulo Roberto (org). Os treÌ‚s uÌ•nicos testemunhos do Descobrimento do Brasil. 2. ed. Rio de Janeiro: Lacerda, 1999. p. 54;57. Documento II [...] nenhuma feÌ• têm, nem adoram a algum deus; nenhuma lei guardam ou preceitos, nem têm rei que lha dê e a quem obedeçam, senão eÌ• um capitão, mais pera a guerra que pera a paz. SALVADOR, Frei Vicente do. HistoÌ•ria do Brasil (1500-1627). 6 ed. São Paulo: Edições Melhoramentos, 1975.
A partir da ana̕lise desses documentos conclui-se que, no peri̕odo compreendido entre a produção do primeiro e do segundo:
a predominância das ações de natureza religiosa, por meio da catequese junto às populações indi̕genas, preservou sua cultura e impediu que elas fossem escravizadas.
a Coroa deixou integralmente a cargo da Igreja Cato̕lica a responsabilidade pela integração das populações indi̕genas ao modo de vida europeu, conforme as sugestões dos autores dos documentos.
os colonizadores empenharam-se em transplantar para o interior das comunidades indi̕genas as formas de organização da sociedade portuguesa, usando a religião e a presença de europeus entre eles.
a administração portuguesa no Brasil orientou-se pelas observações dos autores dos documentos e optou pelo isolamento das populações indi̕genas por considerar que eram inu̕teis ao processo de colonização.
o entendimento dos portugueses acerca das populações indi̕genas e de seus costumes favoreceu o seu processo de integração pela religião, finalizado no se̕culo XVII.

A Constituição de 1988 reconheceu os direitos indígenas sobre suas terras e estabeleceu os critérios para a sua demarcação: DOS ÍNDIOS Art. 231. São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens. § 1º São terras tradicionalmente ocupadas pelos índios as por eles habitadas em caráter permanente, as utilizadas para suas atividades produtivas, as imprescindíveis à preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar e as necessárias à sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições. § 2º As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios destinam-se a sua posse permanente, cabendo-lhes o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes. § 3º O aproveitamento dos recursos hídricos, incluídos os potenciais energéticos, a pesquisa e a lavra das riquezas minerais em terras indígenas só podem ser efetivados com autorização do Congresso Nacional, ouvidas as comunidades afetadas, ficando-lhes assegurada participação nos resultados da lavra, na forma da lei. § 4º As terras de que trata este artigo são inalienáveis e indisponíveis, e os direitos sobre elas, imprescritíveis. § 5º É vedada a remoção dos grupos indígenas de suas terras, salvo, "ad referendum" do Congresso Nacional, em caso de catástrofe ou epidemia que ponha em risco sua população, ou no interesse da soberania do País, após deliberação do Congresso Nacional, garantido, em qualquer hipótese, o retorno imediato logo que cesse o risco. § 6º São nulos e extintos, não produzindo efeitos jurídicos, os atos que tenham por objeto a ocupação, o domínio e a posse das terras a que se refere este artigo, ou a exploração das riquezas naturais do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes, ressalvado relevante interesse público da União, segundo o que dispuser lei complementar, não gerando a nulidade e a extinção direito a indenização ou a ações contra a União, salvo, na forma da lei, quanto às benfeitorias derivadas da ocupação de boa-fé. § 7º Não se aplica às terras indígenas o disposto no art. 174, § 3º e § 4º. Art. 232. Os índios, suas comunidades e organizações são partes legítimas para ingressar em juízo em defesa de seus direitos e interesses, intervindo o Ministério Público em todos os atos do processo. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
Com base nisso, a demarcação
deve levar em consideração os espaços para habitação e reprodução econômica, além da sua importância cultural.
reconhece o direito indígena à terra, limitando-se a identificar os espaços para reprodução econômica e habitação.
é meramente simbólica, uma vez que os povos nativos já possuem a posse de suas terras há anos resguarda.
avança no reconhecimento, mas não rompe com as políticas assimilacionistas historicamente instituídas.
passou a ser integralmente respeitada, não havendo tentativas no sentido de impedir a posse de terras pelos indígenas.

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Pincel Atômico - 24/08/2026 16:43:05 1/4
LAINE CRISTINA DE
CARVALHO FONSÊCA
Avaliação Online (SALA EAD) - Capitulos/Referencias 1,2,3
Atividade finalizada em 13/06/2026 22:36:43 (6673511 / 1)
LEGENDA
Resposta correta na questão
# Resposta correta - Questão Anulada
X Resposta selecionada pelo Aluno
Disciplina:
OPTATIVA II: HISTÓRIA E CULTURA AFRODESCENDENTES E INDÍGENA [494284] - Avaliação com 5 questões, com o peso total de 15,00 pontos
[capítulos - 1,2,3]
Turma:
Graduação: Educação Física - Bacharelado - Grupo: OUTUBRO/2022 - EDFISBAC/OUT22 [71027]
Aluno(a):
91352911 - LAINE CRISTINA DE CARVALHO FONSÊCA - Respondeu 5 questões corretas, obtendo um total de 15,00 pontos como nota
[375074_43]
Questão
001
“Foi a partir desse [promulgação da Constituição de 88] momento que se acelerou a
“emergência” de comunidades indígenas que estavam submersas por várias razões: porque
tinham sido ensinadas a não dizer mais que eram indígenas, ou ensinadas a dizer que não
eram mais indígenas; porque tinham sido colocadas em um liquidificador político-religioso, um
moedor cultural que misturara etnias, línguas, povos, regiões e religiões, para produzir uma
massa homogênea capaz de servir de “população”, isto é, de sujeito (no sentido de súdito) do
Estado.
[...]
Essas reflexões são uma tentativa de criar uma definição a mais larga possível, que reconheça
que a resposta à questão de quem é índio cabe às comunidades que se sentem concernidas,
implicadas por ela. […] Hoje a população urbana do país, que sempre teve vergonha da
existência dos índios no Brasil, está em condições de começar a tratar com um pouco mais de
respeito a si mesma, porque, como eu disse, aqui todo mundo é índio, exceto quem não é”.
(Castro, Eduardo Viveiros de. No Brasil todo mundo é índio, exceto quem não é. Disponível em:
http://pib.socioambiental.org)
Os trechos acima foram selecionados do artigo do antropólogo brasileiro, Eduardo Viveiros de
Castro. De acordo com as reflexões, avalie as afirmações a seguir:
I – Anteriormente a promulgação da Constituição de 1988, os povos indígenas brasileiros eram
vistos de maneira homogênea, perdendo as singularidades étnicas e culturais das diversas
etnias brasileiras.
II – O termo índio foi com o tempo sendo manuseado de maneira mais ampla, em virtude das
diversas etnias presentes no território brasileiro, e atrelado às comunidades que se sentem
implicadas a ele.
III - Qualquer pessoa pode ser considerada índio, uma vez que no Brasil todos têm
ascendência indígena e compartilham da cultura indígena de alguma forma.
Estão corretas as assertivas:
II e III, apenas.
I e III, apenas.
X I e II, apenas.
I, II e III.
III, apenas.
[375074_26]
Questão
002
( IFRR – Professor de Ensino Básico) A Lei Federal no 11.645/2008 alterou a Lei de Diretrizes
e Bases - LDB (Lei Federal no 9.394/1996), para incluir no curri̕culo oficial da rede de ensino a
obrigatoriedade da tema̕tica histo̕ria e cultura afro-brasileira e indi̕gena. O caput do artigo
26-A prevê expressamente que "Nos estabelecimentos de Ensino Fundamental e de Ensino
Me̕dio, torna- se obrigato̕rio o estudo da histo̕ria e cultura afro-brasileira e indi̕gena". No
para̕grafo segundo consta que: "Os conteu̕dos referentes à histo̕ria e cultura afro-
brasileira e dos povos indi̕genas brasileiros serão ministrados no âmbito de todo curri̕culo
escolar, em especial nas a̕reas de
Literatura e Histo̕ria Brasileiras e de Filosofia.
X Educação Arti̕stica e de Literatura e Histo̕ria.
Educação Arti̕stica e de Filosofia.
Educação Arti̕stica e de Matema̕tica
Matema̕tica e de Literatura e Histo̕ria Brasileiras.
Pincel Atômico - 24/08/2026 16:43:05 2/4
[375074_16]
Questão
003
(Enade)
Documento I
E, segundo que a mim e a todos pareceu, esta gente não lhes falece outra coisa para ser
toda cristã, senão entender-nos, porque assim tomavam aquilo que nos viam fazer, como
no̕s mesmos, por onde nos pareceu a todos que nenhuma idolatria, nem adoração têm.
E bem creio que, se Vossa Alteza aqui mandar quem entre eles mais devagar ande, que todos
serão tornados ao desejo de Vossa Alteza. E por isso, se algue̕m vier, não deixe logo de
vir cle̕rigo para os batizar, porque ja̕ então terão mais conhecimento de nossa fe̕, pelos
dois degredados, que aqui entre eles ficam, os quais, ambos, hoje tambe̕m comungaram.
Carta de Pero Vaz de Caminha. In: PEREIRA, Paulo Roberto (org). Os três u̕nicos
testemunhos do Descobrimento do Brasil. 2. ed. Rio de Janeiro: Lacerda, 1999. p. 54;57.
Documento II
[...] nenhuma feÌ• têm, nem adoram a algum deus; nenhuma lei guardam ou preceitos, nem têm
rei que lha dê e a quem obedeçam, senão eÌ• um capitão, mais pera a guerra que pera a
paz.
SALVADOR, Frei Vicente do. Histo̕ria do Brasil (1500-1627). 6 ed. São Paulo: Edições
Melhoramentos, 1975.
A partir da ana̕lise desses documentos conclui-se que, no peri̕odo compreendido entre a
produção do primeiro e do segundo 
a predominância das ações de natureza religiosa, por meio da catequese junto às
populações indi̕genas, preservou sua cultura e impediu que elas fossem escravizadas.
a Coroa deixou integralmente a cargo da Igreja Cato̕lica a responsabilidade pela
integração das populações indi̕genas ao modo de vida europeu, conforme as
sugestões dos autores dos documentos.
X
os colonizadores empenharam-se em transplantar para o interior das comunidades indi̕genas
as formas de organização da sociedade portuguesa, usando a religião e a presença de
europeus entre eles.
a administração portuguesa no Brasil orientou-se pelas observações dos autores dos
documentos e optou pelo isolamento das populações indi̕genas por considerar que eram
inu̕teis ao processo de colonização.
o entendimento dos portugueses acerca das populações indi̕genas e de seus costumes
favoreceu o seu processo de integração pela religião, finalizado no se̕culo XVII.
Pincel Atômico - 24/08/2026 16:43:05 3/4
[375075_15]
Questão
004
A Constituição de 1988 reconheceu os direitos indígenas sobre suas terras e estabeleceu os
critérios para a sua demarcação:
DOS ÍNDIOS
Art. 231. São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e
tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à
União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens.
§ 1º São terras tradicionalmente ocupadas pelos índios as por eles habitadas em caráter
permanente, as utilizadas para suas atividades produtivas, as imprescindíveis à preservação
dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar e as necessárias à sua reprodução física
e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições.
§ 2º As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios destinam-se a sua posse permanente,
cabendo-lhes o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes.
§ 3º O aproveitamento dos recursos hídricos, incluídos os potenciais energéticos, a pesquisa e
a lavra das riquezas minerais em terras indígenas só podem ser efetivados com autorização do
Congresso Nacional, ouvidas as comunidades afetadas, ficando-lhes assegurada participação
nos resultados da lavra, na forma da lei.
§ 4º As terras de que trata este artigo são inalienáveis e indisponíveis, e os direitos sobre elas,
imprescritíveis.
§ 5º É vedada a remoção dos grupos indígenas de suas terras, salvo, "ad referendum" do
Congresso Nacional, em caso de catástrofe ou epidemia que ponha em risco sua população,
ou no interesse da soberania do País, após deliberação do Congresso Nacional, garantido, em
qualquer hipótese, o retorno imediato logo que cesse o risco.
§ 6º São nulos e extintos, não produzindo efeitos jurídicos, os atos que tenham por objeto a
ocupação, o domínio e a posse das terras a que se refere este artigo, ou a exploração das
riquezas naturais do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes, ressalvado relevante interesse
público da União, segundo o que dispuserlei complementar, não gerando a nulidade e a
extinção direito a indenização ou a ações contra a União, salvo, na forma da lei, quanto às
benfeitorias derivadas da ocupação de boa-fé.
§ 7º Não se aplica às terras indígenas o disposto no art. 174, § 3º e § 4º.
Art. 232. Os índios, suas comunidades e organizações são partes legítimas para ingressar em
juízo em defesa de seus direitos e interesses, intervindo o Ministério Público em todos os atos
do processo.
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
Com base nisso, a demarcação
X
deve levar em consideração os espaços para habitação e reprodução econômica, além da sua
importância cultural.
reconhece o direito indígena à terra, limitando-se a identificar os espaços para reprodução
econômica e habitação.
é meramente simbólica, uma vez que os povos nativos já possuem a posse de suas terras há
anos resguarda.
avança no reconhecimento, mas não rompe com as políticas assimilacionistas historicamente
instituídas.
passou a ser integralmente respeitada, não havendo tentativas no sentido de impedir a posse
de terras pelos indígenas.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
Pincel Atômico - 24/08/2026 16:43:05 4/4
[375076_1]
Questão
005
Gráfico e tabela 1: Dados demográficos da população indígena no Brasil.
Disponível em: http://www.funai.gov.br/index.php/indios-no-brasil/quem-sao
De acordo com os dados apresentados acima, podemos afirmar que:
a perda populacional ocorrida a partir de 1500 foi uma contingência histórica inevitável, fruto do
contato com os colonizadores.
o extermínio indígena foi fundamentalmente ocasionado em decorrência das epidemias
consequentes dos contatos.
em função dos contatos em 1500, o que se observa é um ganho populacional indígena tendo
em vista as iniciativas de isolamento por parte dos grupos nativos.
até 1990, a população indígena sofreu oscilações quanto a sua quantidade se estabilizando em
1991.
X
a perda populacional indígena deve ser explicada por diversos fatores desde a desorganização
social em função da exploração até às mortes em decorrência das epidemias, fomes e guerras.
http://www.funai.gov.br/index.php/indios-no-brasil/quem-sao

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