Prévia do material em texto
1 O Perfil Empreendedor 2 3 Sumário Fundamentos de empreendedorismo O que é ser empreendedor O que é empreendedorismo? Empreendedor versus administrador Empreendedor versus empresário Intraempreendedorismo A lógica do empreendedorismo O processo do empreendedorismo Oportunidade Ideia Ação O perfil de um empreendedor Comportamentos empreendedores Ambição Atitude Coragem Resiliência Persuasão Organização As ferramentas do empreendedor Principais ferramentas CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO 6 8 10 12 14 15 19 21 21 24 26 28 30 30 31 32 33 34 34 36 37 4 Sumário Pesquisa de mercado Planejamento estratégico Liderança Marketing pessoal Gerenciamento de projetos Outras ferramentas Referências CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO 38 39 40 40 41 42 45 5 Objetivos Definição Explicando Melhor Você Sabia? Acesse Resumindo Nota Importante Saiba Mais Reflita Atividades Testando Para o início do desenvolvimento de uma nova competência; Se houver necessidade de se apresentar um novo conceito; Algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; Curiosidades indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forma necessárias; Se for preciso acessar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; Quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últimas abordagens; Quando forem necessárias observações ou complementações para o seu conhecimento; As observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; Textos, referências bibliográficas e links para aprofundamento do seu conhecimento; Se houver a necessidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou discutido sobre; Quando alguma atividade de autoaprendizagem for aplicada; Quando o desenvolvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas. 6 @faculdadelibano_ 1 Fundamentos de empreendedorismo 7 O Perfil Empreendedor Capitulo 1 Fundamentos de empreendedorismo O empreendedorismo não é uma arte, técnica ou ciência restrita a poucos, mas é inegável admitir a existência de pessoas que já nascem com essa predisposição. Estamos falando de um perfil comportamental não muito comum entre as pessoas de uma população. Essas pessoas já nascem com uma programação mental diferente das outras, mas nem sempre têm a oportunidade de despertar e desenvolver esse potencial em prol de um projeto empreendedor. Muitas vezes, é necessário um evento insólito, como a perda de um emprego ou de um arrimo de família, para que o empreendedor em potencial comece a demonstrar suas habilidades e agir rumo à construção de um empreendimento. Ao longo deste capítulo, estudaremos alguns conceitos e debateremos alguns fundamentos sobre o que é ser empreendedor, intraempreendedor, empresário e administrador. Objetivos Ao término deste capítulo, você será capaz de en- tender o conceito e o real sentido do que é ser um empreendedor. Isso será fundamental para o exercício de sua profissão. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Vamos lá. Avante! 8 O Perfil Empreendedor Fundamentos de empreendedorismo Capitulo 1 O que é ser empreendedor Em que pese ao fato de o Empreendedorismo ter se desenvolvido bastante nas últimas décadas como uma ciência, ainda há muitos conceitos difusos sobre o que verdadeiramente significa ser um empreendedor. Vamos analisar algumas definições? FIGURA 1 Ilustração de um empreendimento FONTE Freepik Definição Empreendedor – para Schumpeter (1949 apud DORNELAS, 2005, p. 39), empreendedor é “aquele que destrói a ordem econômica existente pela introdução de novos produtos e serviços, pela criação de novas formas de organização ou pela exploração de novos recursos e materiais”. 9 O Perfil Empreendedor Fundamentos de empreendedorismo Capitulo 1 Essa definição de empreendedor é bastante abrangente e, porque não dizer, completa! Quando Schumpeter (1949 apud DORNELAS, 2005) falava em destruir a ordem econômica existente, ele já previa o que aconteceria décadas mais tarde em um ritmo alucinante. A cada ano vemos novos produtos e serviços simplesmente acabarem com negócios e transformarem hábitos seculares, como pegar um táxi, por exemplo. Quanto a esse hábito, a Uber simplesmente destruiu a ordem econômica do mercado de transportes urbanos de passageiros das grandes cidades ao introduzir um novo serviço e, ao mesmo tempo, uma nova forma de organização de um processo existente desde o início do século XX. Mas, retomando o conceito de empreendedor, perceba que, em nenhum momento, foram utilizadas palavras como empresas e negócios, por exemplo. Para Schumpeter (1949), empreender não estava restrito a fundação de uma empresa, mas a qualquer movimento no sentido de inovar. Por falar em inovar, acabamos de mencionar uma palavra intimamente associada ao empreendedorismo. Quem inova empreende, mas será que todos os que empreendem estão inovando? FIGURA 2 Joseph Schumpeter (1863-1950) FONTE :Wikimedia Commons 10 O Perfil Empreendedor Fundamentos de empreendedorismo Capitulo 1 Para muitos autores, o limiar entre esses dois termos é tênue, quase inexistente. Mas, a rigor, podemos afirmar que é possível empreender sem necessariamente inovar. Por exemplo, se levamos uma franquia de perfumes de um local para outro, não podemos dizer propriamente que inovamos, pois, o serviço já existia. Mas existiu um movimento criador de um novo serviço para um determinado local, tendo exigido uma atitude empreen- dedora de quem o fez. Bem, inovando ou empreendendo, o responsável por um projeto dessa natureza é um realizador, que produz novas ideias por meio da congruência entre criatividade e imaginação. O que é empreendedorismo? Vimos o que é ser empreendedor, mas o que realmente significa empreendedorismo? Definição Inovação – ato ou efeito de inovar. Produzir ou tornar algo novo. Renovar. Restaurar (DICIO, 2017). Definição Empreendedorismo – é a disposição para identificar problemas e oportunidades e investir recursos e competências na criação de um negócio, projeto ou movimento que seja capaz de alavancar mudanças e gerar um impacto positivo (ENDEAVOR, 2015). 11 O Perfil Empreendedor Fundamentos de empreendedorismo Capitulo 1 Pela definição anterior percebemos que empreendedorismo é o ato ou a disposição de empreender. Sendo assim, todos nós podemos nos apropriar dessa disposição, que vem se transformando cada vez mais em uma ciência ou área de conhecimento da administração. Mas, por que é importante estudar empreendedorismo? Somente no Estado de São Paulo, a taxa de fechamento de empresas atingiu 9%, a mais alta desde 2009, que era de 2,9%, e isso aconteceu em quase todos os segmentos de atuação. Além disso, uma pesquisa realizada em 2018 pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), aponta que mais de 80% das empresas brasileiras não chegam ao segundo ano de funcionamento. O que isso quer dizer para você? Por que nossas empresas morrem tão jovens? Sem dúvida, a explicação está na qualificação de nossos empreendedores. Via de regra, quem decide montar um negócio no Brasil é, normalmente, motivado por uma contingência qualquer, como a perda de um emprego. 12 O Perfil Empreendedor Fundamentos de empreendedorismo Capitulo 1 Empreendedor versus administrador O empreendedor deve ter a consciência de que existem diferenças substanciais entre empreender e administrar. Vivemos em um país que todo mundo acha que é bom empresário, marqueteiro e técnico de futebol. Se administrar uma empresa fosse fácil, não seria necessário haver cursos de administração com quatro anos de duração, não é mesmo? O fato de você ter sido capaz de empreender um negócio, não o qualifica a administrá- lo. Claro que, muitas vezes, não há outra opção, mas é importante que se entenda que estamos falando de dois perfis profissionais completamentediferentes. O trabalho do empreendedor se inicia na concepção do negócio e se finda na implantação. Depois disso, ele tem que assumir as posturas e os comportamentos inerentes ao administrador, deixando um pouco de lado o entusiasmo excessivo e todas as características impulsionadoras que o levaram ao êxito no seu empreendimento inicial. Apesar de várias dessas características comportamentais serem comuns aos dois perfis, ao contrário do empreendedor, o administrador tem que ser mais frio, calculista, enfim, “pé no chão”. Saiba Mais Interessado em saber mais sobre a mortalidade e outras informações sobre os empreendedores brasileiros? Acesse e leia, na íntegra, o artigo “Sobrevivência e mortalidade de empresas”, publicado em 1916 e atualizado em 2019, no site do Sebrae, o qual apresenta uma série de pesquisas sobre a sobrevivência e a mortalidade das empresas. Para acessá-lo, clique no link disponível aqui. 13 O Perfil Empreendedor Fundamentos de empreendedorismo Capitulo 1 O empreendedor, por sua vez, se tivesse fincado seus dois pés no chão, provavelmente não teria conseguido empreender seu negócio. Então, qual é o melhor cenário para o sucesso de um negócio? Contratar um administrador para gerir nosso empreendimento recém-criado? Absorver os conhecimentos, as competências e as habilidades de um administrador? Enfim, o que é mais seguro e eficaz? Mais uma vez afirmamos – não há receita de bolo – mas, se você está à frente de um negócio recém-nascido (start-up), procure um sócio com perfil administrador, que possa contrabalancear sua impulsividade, criatividade e ousadia. Não tem um sócio assim? Então, procure formar um colaborador, em seu staff, capaz de lhe ajudar a gerir sua empresa e que tenha um perfil eminentemente de gestor. Não tem recursos para contratar alguém assim? Portanto, invista na sua qualificação profissional na área de gestão (desenvolvimento gerencial), o que, aliás, deve ser feito em qualquer situação. Saiba Mais Você pode buscar ferramentas para selecionar pessoas com esse perfil. Recomendamos, para isso, um portal de identificação de perfil comportamental, como o e-Talent, por exemplo. Esses portais oferecem um questionário para ser aplicado ao candidato e devolvem um relatório extenso, contendo o perfil profissiográfico da pessoa em avaliação. Para acessá-lo, clique no link disponível aqui. 14 O Perfil Empreendedor Fundamentos de empreendedorismo Capitulo 1 Outro questionamento importante para se fazer nesse momento: um bom administrador tem que ser um empreendedor? Decerto que todos nós devemos trazer, em nossa conduta comportamental, muito do perfil empreendedor. Isso nos ajuda a superar vários obstáculos e a empreender nossa própria carreira, mas a história tem demonstrado diversos casos de sucesso de gestores com comportamento bastante diferente do que estudaremos ao longo dessa disciplina. Talvez isso responda a pergunta: um administrador não tem que ser um empreendedor, necessariamente. Ele deve, sim, ser um intraempreendedor, ou seja, um profissional com liderança e muitas das características positivas de um empreendedor. O empreendedor precisa de um contrapeso na gestão de seu negócio. Logo, é de suma importância que um empreendimento já seja iniciado com alguém que possa administrar o negócio, juntamente com o fundador que o empreendeu. Empreendedor versus empresário Vamos a mais um questionamento intrigante? Um empresário de sucesso tem que ser um bom administrador e um bom empreendedor? Perceba que estamos falando de um terceiro perfil: o empresário. Imagine uma situação em que um empreendimento foi concebido e implantado por um empreendedor e, na sequência, administrado por um administrador. Após alguns anos, alguém vislumbrou a possibilidade de ganhar dinheiro com esse negócio e o adquiriu para revendê-lo após um determinado tempo. Estamos falando de um empresário, Definição Empresário – é todo aquele que empresaria um negócio, ou seja, é legalmente e financeiramente responsável por uma empresa. 15 O Perfil Empreendedor Fundamentos de empreendedorismo Capitulo 1 ou seja, alguém que não necessariamente precisa ser um empreendedor ou um administrador. Acreditamos que isso responde claramente a essa pergunta, porém, é muito comum que um empreendedor seja, ao mesmo tempo, o administrador e o empresário de seu próprio negócio. Você deve estar se perguntando: para que toda essa elucubração conceitual? A que essas reflexões irão me levar? Mais uma vez, chamamos a atenção de que o conhecimento claro desses conceitos pode ser decisivo na recuperação de um negócio que não vai muito bem em razão da inexperiência administrativa de seu empreendedor, ou, ainda, devido à falta de empreendedorismo de seu administrador. Há, também, aqueles negócios que, tendo um excelente empreendedor a sua frente, guarnecido por um exímio administrador, carece, ainda, da presença de um empresário que aposte e invista naquela ideia. Intraempreendedorismo Você pode ser um empreendedor de sucesso sem nunca ter tido um CNPJ ou vendido um produto ou serviço. Estamos falando do intraempreendedor. Já se foi o tempo em que as empresas gostavam de contratar funcionários que não pensassem e apenas cumprissem ordens. Esse tipo de profissional morreu com a Era da Definição Intraempreendedorismo – é uma modalidade de empreendedorismo praticada por funcionários dentro da empresa em que trabalham. São profis- sionais que possuem uma capacidade diferenciada de analisar cenários, criar ideias, inovar e buscar novas oportunidades para essas empresas (PE- RIARD, 2010 apud REGAZZI; BONTORIM; KIRZEN-BLATT, 2015). 16 O Perfil Empreendedor Fundamentos de empreendedorismo Capitulo 1 Revolução Industrial, quando pessoas faziam o trabalho que hoje é feito pelas máquinas. De fato, naqueles tempos, pensar demais poderia comprometer um trabalho mecânico, podendo causar, inclusive, sérios acidentes de trabalho ou queda da produção. Com a Era Digital, as empresas perceberam que poderiam substituir boa parte do trabalho manual e repetitivo pelos computadores e máquinas computadorizadas. Ao contrário do que se pensava, a Era da Informação não acarretou desemprego, mas sim uma releitura ocupacional, destruindo uma série de cargos e funções, criando novos postos de trabalho, com atribuições mais nobres e criativas. O medo do desemprego foi surpreendido pelo altíssimo valor agregado aos salários que não paravam de subir para quem usava mais a cabeça do que as mãos para trabalhar. Um novo conceito se estabeleceu no mercado: a mão de obra cedeu lugar às mentes de obra. Centenas de novas profissões foram criadas, com cursos de formação antes inimagináveis, como Gastronomia, Cachaçologia, Enologia, Esteticista, Designer, entre tantas outras. Mas, quem é esse novo profissional da Era da Informação? Qual o seu perfil? Que comportamentos e habilidades são desejáveis pelas empresas? O profissional almejado pelas empresas deve desenvolver o seu comportamento empreendedor, aplicando as mesmas ferramentas e perfil dos empreendedores, porém, para dentro da organização, daí o nome intraempreendedor: intra (dentro) + empreendedor. A característica mais marcante desse novo profissional é, sem dúvida, a sua capacidade de criar e inovar. Empresas como a Microsoft e a Google, por exemplo, têm nos ensinado a lidar com esse novo perfil. Nessas empresas, é comum presenciar funcionários sem horário rígido de trabalho, podendo passar dias em casa, porém conectados ao fluxo de trabalho da empresa. Bermudas e camisetas estampadas substituem os velhos e formais fardamentos. Decisões são compartilhadas entre a alta gestão e o mais simplório técnico. Salários relativamente baixos, no entanto, com participações expressivas nos resultados da empresa. Essas são algumas das marcas eminentes dessa nova ambiência laboral. Mas será que isso dá resultado? Há como controlar a produtividade dessas pessoas dentro dos projetos? A respostaé simples: gestão por resultados. 17 O Perfil Empreendedor Fundamentos de empreendedorismo Capitulo 1 Os colaboradores da Google e da Microsoft não são medidos por indicadores lineares como frequência ou assiduidade, mas pelo resultado concreto que eles conseguem produzir em relação aos desafios propostos pela organização. Empresas como essas contratam pessoas perfeitamente capazes de empreender outras corporações similares, mas que, pela proposta de trabalho e perspectivas de ganhos financeiros sempre crescentes, deixam esses desejos em forma latente, direcionando todo seu potencial empreendedor para dentro da pró- pria organização onde trabalham. Para as empresas modernas, essas pessoas são seus verdadeiros ativos e são tratadas com mais cuidado e zelo do que os próprios sócios acionistas, porque elas sabem que um concorrente em potencial se encontra adormecido dentro da mente de cada uma delas. Essas gigantes têm a consciência de que elas começaram pequenas, como seus próprios funcionários, e imprimem todo esforço em motivá-los a fazer parte de seus times. Esse é o perfil do intraempreendedor. E você? Está preparado para formar sua equipe de intraempreendedores para alavancar o seu negócio? Ou você prefere ser um intraempreendedor na empresa onde trabalha ou pretende trabalhar? Saiba Mais Quer se aprofundar nos temas dessa competência? Recomendamos o acesso à seguinte fonte de consulta e aprofundamento, o artigo “Empreendedorismo em rede: o poder do give back”. Para acessá-lo, clique no link disponível aqui. 18 O Perfil Empreendedor Fundamentos de empreendedorismo Capitulo 1 Resumindo E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que o tema estudado apresentou os fundamentos básicos da teoria que embasa o empreendedorismo, no que se refere ao que é ser um empreendedor, um intraempreen- dedor, um empresário e/ou um administrador. É importante ressaltar que, para empreender, não basta apenas ter uma predisposição, mas sim compreender toda a literatura já elaborada sobre o tema, para, assim, diminuir os riscos de erros e caminhar rumo ao sucesso. 19 @faculdadelibano_ 2 A lógica do empreendedorismo 20 O Perfil Empreendedor Capitulo 2 A lógica do empreendedorismo Empreender é um processo dividido em etapas. Tudo começa com uma oportunidade de negócio, que pode ser identificada ou criada. Uma vez mapeada e analisada, o empreendedor constrói uma ideia de negócio em cima dessa oportunidade. Mas, atenção! Ideia não “enche barriga”! Ela tem que ser transformada em ação! Só assim podemos dizer que temos um projeto empreendedor nas mãos. Vamos entender melhor a lógica desse processo? Objetivos Ao término deste capítulo, você será capaz de com- preender a lógica de um projeto de empreendedo- rismo. Isso será fundamental para o exercício de sua profissão. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então, vamos lá. Avante! FIGURA 3 Representação de um processo interno de uma indústria FONTE Freepik 21 O Perfil Empreendedor A lógica do empreendedorismo Capitulo 2 O processo do empreendedorismo O processo do empreendedorismo pode ser representado por um fluxograma que consiste em três fases distintas, podendo ser recorrentes, ou seja, uma vez avaliada uma ideia de forma negativa, por exemplo, pode-se retornar à etapa de reavaliação da oportunidade, e assim por diante. • Oportunidade. • Ideia. • Ação. Vejamos cada fase a seguir. Oportunidade Para identificar uma oportunidade, tudo o que você precisar ter é VISÃO. Mas o que é ter visão? Para as organizações, visão (ou visão corporativa) pode ser definida da seguinte maneira: Perceba que a visão de uma organização está relacionada a algo que ela almeja para seu futuro. Mas, será que é essa a visão que norteia um empreendedor? A visão empreendedora pode ser classificada entre visão objetiva (restrita a uma área de atuação) ou ampla (como um radar ou rede de pesca – o que cair é “peixe”). Em outras palavras, para alguém que sabe o que quer, sua visão será concentrada em um tipo Definição Visão corporativa – para Vieira (2012), visão é como a organização se vê no futuro. A visão é a organização aspirando a algo (o que será alcançado?) e inspirando partes interessadas (por que esse algo merece ser alcançado?). A visão de uma organização traduz um conjunto de intenções e aspirações para o futuro, mas não detalha o modo de alcançá-las. 22 O Perfil Empreendedor A lógica do empreendedorismo Capitulo 2 específico de negócio. Ele estará constantemente buscando algo que possa servir de oportunidade para seu intento. Já para alguém que possui uma visão ampla, ele não estará limitado a um tipo de negócio, podendo literalmente “fisgar” qualquer oportuni- dade que apareça e que possa ser transformada em um negócio. No mercado, podemos identificar empreendedores de sucesso em ambos os casos. Há empresários que conseguiram er- guer fortunas montando ou adquirindo negócios nas mais variadas áreas de atuação. Essas pessoas têm a capacidade de enxergar oportunidades de riqueza em outros empresários que iniciaram pequenos negócios. Normalmente, elas adquirem esses negócios e multiplicam seu valor de mercado. Como exemplo desse perfil, temos o Marcus Lemonis, empresário, consultor e idealizador do famoso programa de TV: “O sócio” (“The profit”, em inglês) do History Channel. Já outros empresários escolheram um segmento para exercitarem suas visões de negócio, e também conseguiram obter bastante sucesso, como Steve Jobs, que focou a área de Tecnologia da Informação para fazer história. FIGURA 4 Exemplo de um empreendedor de sucesso: Marcus Lemonis FONTE Freepik 23 O Perfil Empreendedor A lógica do empreendedorismo Capitulo 2 Steve Jobs fundou a Apple na década de 1970. Ele passou toda a sua vida tendo visões de como a vida das pessoas poderia ser melhor com o uso da tecnologia. Muito à frente de seu tempo, Jobs enxergou inúmeras lacunas no mercado, como a necessidade de se utilizar dispositivos móveis integrados, unindo ligações telefônicas a músicas, filmes e outras funcionalidades. Foi assim que surgiu o iPhone em 2007, sua última grande invenção. O iPhone rendeu à Apple a liderança no mercado de telefonia celular durante muitos anos, além da hegemonia em um nicho de mercado extremamente fiel, que são os usuários do iOS. Tanto esse perfil quanto o primeiro devem exercer uma lei universal do empreendedorismo, conhecida como a lei da visão: Pense fora da caixa! Para exercitar a sua visão de negócio, comece tentando enxergar o mercado de outro ângulo. Faça a você mesmo as seguintes perguntas: a. O que é feito de um jeito há muito tempo, mas poderia ser de um jeito diferente? Melhor? Mais rápido? Mais barato? b. O que não é feito para atender a uma necessidade, mas, se o fosse, poderia ajudar muita gente e gerar lucro para quem o fizesse? FIGURA 5 Steve Jobs, fundador da Apple Inc FONTE Freepik 24 O Perfil Empreendedor A lógica do empreendedorismo Capitulo 2 c. O que é feito há muito tempo e, se simplesmente deixasse de sê-lo, poderia funcionar do mesmo jeito? d. O que poderia ser substituído por alguma tecnologia? e. O que falta ou é escasso em um lugar que poderia ser trazido de outro? O hábito de refletir e se questionar pode ajudá-lo a cons- truir, em sua tela mental, um processo contínuo de construção de ideias e, assim, fazê-lo enxergar oportunidades que, muitas vezes, “batem na sua porta”. As oportunidades sempre nos são sinalizadas a partir de velhos problemas. Um bom exemplo disso é o sistema de sinalização de vagas em estacionamentos de shopping centers, recentemente implantado nas principais capitais do Brasil. Ideia Você já sentiu na pele o incômodo de ter que circular durante minutos, às vezes, horas, em estacionamentos lotados de shopping centers,aeroportos e demais complexos de grande aglomeração demográfica? Esse problema foi transformado em uma oportunidade de negócio para a Parkhelp, uma empresa que teve a seguinte ideia: Sinalizar previamente todas as vagas disponíveis em um andar de estacionamento, evitando, assim, que o motorista tenha de entrar em um recinto sem qualquer chance de encontrar uma vaga para seu automóvel, reduzindo o fluxo intenso de veículos e o tempo de espera para estacionar o carro. FIGURA 6 Estacionamento FONTE Pixabay 25 O Perfil Empreendedor A lógica do empreendedorismo Capitulo 2 Temos aqui um exemplo de uma IDEIA surgida a partir de uma OPORTUNIDADE, ou seja, um problema (oportunidade) gerou uma necessidade (ideia). Para a obtenção de uma ideia, existe uma ferramenta fundamental para todo e qualquer empreendedor: Criatividade – é uma habilidade que, embora presente em algumas pessoas desde que nasceram, pode ser desenvolvida por qualquer um. A literatura está repleta de bons livros de autoajuda que podem auxiliar nesse estudo. Existem muitos vídeos no YouTube e em outros mediacenters, que podem ajudar nesse processo de busca do desenvolvimento de sua criatividade. Para Gun (2017), existem sete dicas para ser mais criativo: • Como ter ideias novas com criatividade. • Como o ócio criativo ajuda a ter novas ideias. • Como as charadas ajudam a ser mais criativo. • Como funciona um cérebro criativo. • Como usar a criatividade para resolver problemas. • Como utilizar o humor para ser mais criativo. • Como treinar a criatividade e a sua imaginação. Saiba Mais Para compreender melhor o assunto, leia na íntegra o artigo: “9 dicas de como ser mais criativo”, de Murilo Gun. Para acessá-lo, clique no link disponível aqui. 26 O Perfil Empreendedor A lógica do empreendedorismo Capitulo 2 Ação Se alguém não tivesse tomado a iniciativa de transformar a ideia de sinalização de estacionamentos em uma AÇÃO, não teríamos uma empresa chamada Parkhelp oferecendo esse serviço em diversos lugares do mundo e, certamente, obtendo bastante lucro com seu empreendimento bem-sucedido. Ao contrário da Parkhelp, muitas pessoas e empresas desperdiçam oportunidades identificadas ou deixam de materializar suas ideias. Essa é a sutil, porém determinante, diferença de uma mente empreendedora. O empreendedor “FAREJA” oportunidades, formula IDEIAS e não descansa até transformá-las em AÇÃO. Essa capacidade de fazer ideias acontecerem é conhecida como: Proatividade – sem esse perfil comportamental é impos- sível se tornar um empreendedor de sucesso. Ideias são ideias, nada mais que ideias. A todo tempo, algumas centenas de milhares de pessoas estão tendo a mesma ideia ao mesmo tempo. Então, porque centenas de milhares de novos projetos empreendedores não são implementados simultaneamente, o tempo todo? Porque poucas dessas ideias conseguem ser transformadas em ação. Saiba Mais Quer se aprofundar no tema dessa competência? Recomendamos o acesso à seguinte fonte de consulta e aprofundamento, o programa “O sócio” (“The Profit”). Para acessá-lo, clique no link disponível aqui . 27 O Perfil Empreendedor A lógica do empreendedorismo Capitulo 2 Resumindo E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que ideias não têm pai nem mãe. Em que pese ao fato de haver meios de se patentear ideias inovadoras, se elas não conseguem ser implementadas, rapidamente o serão por outra pessoa. Portanto, a alma do negócio, atualmente, não é mais o segredo, como se pensava até o final do século XX, mas tão somente a velocidade com que esses “segredos” são transformados em ação. Para se ter sucesso como empreendedor, é preciso identificar uma oportunidade, criar uma ideia e transformá-la em ação. Para isso, você precisa pensar “fora da caixa” para ser mais criativo. Construiu uma ideia? Seja proativo e transforme-a rapidamente em uma ação. 28 @faculdadelibano_ 3 O perfil de um empreendedor 29 O Perfil Empreendedor Capitulo 3 O perfil de um empreendedor O empreendedor é um ser inquieto, não se enquadra em rotinas e sempre questiona se há um jeito melhor, mais simples ou mais eficiente de fazer a mesma coisa. Normalmente, ele não é muito bom com rotinas e controladoria, ou seja, desempenha mal tudo aquilo que exige um comportamento detalhista e repetitivo. O empreendedor é criativo por natureza e necessariamente um líder, ou seja, exerce sobre as outras pessoas um poder de liderança natural, um magnetismo que contagia e acaba por gerar o mesmo desejo de criar e inovar. Ao contrário do que muita gente pensa, ele não vive de ideias, mas tem a habilidade e a capacidade de pô-las em prática. Ele não é utópico e não tem apego às suas próprias ideias. Se algo não dá para ser implantado, ele descarta e tenta de outro jeito. Mas de uma coisa podemos ter certeza: o empreendedor nunca desiste. Ele vai fundo e em frente até atingir seus objetivos. E aí? Você está gostando desse perfil? Está achando que ser empreendedor é a melhor coisa do mundo? Cuidado! A felicidade nem sempre está do lado dele. Esse perfil focado, persistente e aguerrido dos empreendedores, muitas vezes, os levam a sérios erros. Alguns equívocos são muito comuns entre os empreendedores e, pode ter certeza, todos eles têm muitas histórias de sucesso e de fracasso para contar. A seguir, vamos conhecer as características e os erros mais marcantes na personalidade empreendedora. Objetivos Ao término deste capítulo, você será capaz de entender o perfil de um empreendedor. Isso será fundamental para o exercício de sua profissão. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Vamos lá. Avante! 30 O Perfil Empreendedor O perfil de um empreendedor Capitulo 3 Comportamentos empreendedores Reunimos, aqui, algumas características comuns ao perfil dos maiores empreendedores da história da humanidade. Sem citar nomes, a seguir, vamos discorrer sobre cada um dos indicadores comportamentais identificados nesses empreendedores. Ambição A ambição é a mola propulsora do empreendedor de sucesso. Quer seja o dinheiro, a fama ou o altruísmo, algo tem que movê-lo rumo a seus objetivos. Mas vale a pena salientar o lado obscuro da ambição: a GANÂNCIA. Tentar ir em busca de seus objetivos, passando por cima de seus princípios éticos, causando dor e prejuízo ao seu próximo, pode transformar uma mola propulsora em uma cilada que o levará, certamente, a um grande tombo, com perdas irreparáveis na sua imagem, reputação e, até mesmo, nos seus resultados financeiros. FIGURA 7 Perfil empreendedor FONTE Freepik 31 O Perfil Empreendedor O perfil de um empreendedor Capitulo 3 Vivemos em uma sociedade cada vez mais globalizada, onde as fronteiras são rompidas a cada ano e as pessoas ficam cada vez mais próximas umas das outras. Não dá mais para aplicar a velha lei do “Gerson”, em que o que importa é levar vanta- gem em tudo. Em contraposição a essa lei, existe a lei do retorno, em que “bateu-levou”. Em pleno século 21, não é mais possível ganhar sozinho. Os ganhos em rede, impulsionados pelas parce- rias, são cada vez mais lucrativos. Atualmente, é comum se ouvir falar que: UM NEGÓCIO SÓ É BOM QUANDO É BOM PARA TODOS OS ENVOLVIDOS. Em um mundo globalizado, a palavra “todos” ganha um novo sentido, transpondo os limites de uma sociedade e, até mes- mo, dos funcionários da empresa, abarcando clientes, fornecedo- res e a sociedade civil organizada. Todos, sem exceção, devem ser encarados como atores de seu negócio. Atitude Assim como vimos no exemplo da Parkhelp, sem atitude não conseguimos transformar ideias em ação, porém, os grandes empreendedores da história não são conhecidos apenas por terem tido a atitude de iniciar seus negócios. Atitude é uma característica marcante e recorrente na história desses vencedores. A vida empresarial éum constante processo de tomadas de decisões. O sucesso no mundo dos negócios é o somatório das decisões acertadas subtraído do somatório das decisões equivocadas. Mas, lembre-se: uma decisão não tomada, ou simplesmente protelada por um longo tempo, pode pesar como ponto negativo nessa balança, de sorte que: entre acertar ou errar, o melhor a fazer é simplesmente tentar. Mas, por outro lado, é importante registrarmos, aqui, a enorme diferença entre atitude e INCONSEQUÊNCIA. Muitos empreendedores, movidos pelo impulso, tendem a tomar decisões precipitadas, ignorando importantes ferramentas e recursos como a pesquisa, o aconselhamento (ouvir mais do que falar) e, o mais importante, utilizar TODO O TEMPO DISPONÏVEL antes de tomar aquela decisão. Para ilustrar essa diferença, vamos recorrer ao basquete- bol. Quem aprecia esse esporte conhece bem o drama de se estar a 30 segundos do final do jogo, com a posse de bola, 32 O Perfil Empreendedor O perfil de um empreendedor Capitulo 3 e ter que fazer uma cesta salvadora para ganhar por, apenas, um ponto de diferença. Qual o segredo tático que um técnico pode utilizar nessa situação de jogo? Simples: pedir tempo para orientar a equipe e traçar o plano de ataque e de defesa. E o time? Qual o comportamento esperado? Gastar todo o tempo de 30 segundos sem perder a posse de bola e, nos últimos cinco segundos a que tem direito, tentar a cesta de dois pontos. Mesmo aqueles que gostam desse esporte ignoram esse importante recurso de que dispõem: o TEMPO. No mundo dos ne- gócios, a decisão é algo que se deve tomar com tempo suficiente para dissipar as pressões e dar chance às oportunidades de se nutrirem da pesquisa e do aconselhamento necessários. Sem uti- lizar bem o TEMPO, uma atitude pode se transformar em um ato INCONSEQUENTE e, consequentemente, acarretar duras perdas para o seu negócio. Coragem Muitas vezes, ter atitude requer bem mais que tempo, aconselhamento e pesquisa. É necessário um requisito fundamental para o empreendedor: CORAGEM. Esse é um atributo que passa, necessariamente, pela confiança que você tem nos seus conselheiros, sócios e, principalmente, em você mesmo. Mais uma vez, é importante não confundir CORAGEM com INCONSEQUÊNCIA. Algumas vezes, por orgulho ou vaidade, o empreendedor é levado a tomar decisões apenas para mostrar que tem coragem. Esqueça essa ideia. Esses sentimentos devem ser banidos do vocabulário de um empreendedor de sucesso. Baixar a guarda, em alguns momentos, faz parte do jogo no mundo dos negócios. Mais uma vez, o remédio para se precaver contra a inconsequên- cia é o mesmo tratado no item anterior: TEMPO. Esse fundamental recurso também serve para avaliar melhor se uma atitude é fruto do coração (ego) ou da razão. Portanto, não confunda coragem com IMPULSIVIDADE. 33 O Perfil Empreendedor O perfil de um empreendedor Capitulo 3 Resiliência Costuma-se dizer que empreender é um ato agridoce. No início, tudo são flores, como a expectativa de ganhar dinheiro, a empolgação da construção da marca e da escolha do ponto, enfim, a cada nova conquista, uma nova comemoração. Mesmo após a inauguração, o empresário vive um momento de lua de mel com o seu empreendimento, até advirem as primeiras barreiras: falta de recursos, pressão da concorrência, questões trabalhistas, entre uma infinidade de outros problemas. Boa parte das empresas fecham nos primeiros dois anos de funcionamento por conta de, entre outros fatores, falta de RESILIÊNCIA de seus empreendedores. Mas a final de contas, o que é RESILIÊNCIA? Ser resiliente é ser perseverante, sem ser insistente. É persistir em seus ideais sem se revoltar com os tropeços, se alimentando dos erros e levando em conta apenas os ensinamentos, além de vibrar com os acertos, sem elevar a soberba. Muita gente confunde RESILIÊNCIA com PERSISTÊNCIA. A persistência, por si só, insiste em “bater na mesma tecla”, mesmo sabendo que não é a “tecla” correta. Parafraseando um velho adágio popular: errar é humano – insistir no erro é burrice. O empreendedor de sucesso é resiliente porque não desiste de seus ideais e, quando percebe que está no caminho errado, não hesita em tomar outro rumo, contanto que o leve ao mesmo local. A resiliência é, sem dúvida alguma, um dos comportamentos mais nobres, não apenas do empreendedor, mas do administrador, do gerente e de todo e qualquer profissional que deseja construir uma carreira de sucesso. 34 O Perfil Empreendedor O perfil de um empreendedor Capitulo 3 Persuasão É um ledo engano achar que se pode desenvolver um novo empreendimento sozinho. Empreender é, antes de qualquer coisa, vender ideias e convencer pessoas a embarcar no projeto. Ainda que você disponha de recursos próprios o suficiente para não precisar de sócios investidores ou capital de terceiros, você precisa persuadir funcionários, fornecedores, parceiros e, principalmente, clientes. Mas, como todo comportamento tem seu lado obscuro, é importante não confundir PERSUASÃO com ENGANAÇÃO. Persuadir é convencer alguém a comungar de suas ideias, sem omitir fatos ou vender falsas ilusões. Esse é o grande desafio do empreendedor: construir seu negócio em bases sólidas é conquistar o maior número de seguidores para embarcar em seu projeto. Organização Engana-se quem diz que o empreendedor não precisa ser organizado, e que basta ter um sócio organizado ou contratar um administrador com esse perfil para ter êxito em seus negócios. A organização é uma cultura que deve ser cultivada e desenvolvida de cima para baixo. Saiba Mais O termo “resiliência”, amplamente utilizado e difundido na área de gestão e negócios, foi tomado por empréstimo da física. A resiliência é uma propriedade apresentada por alguns materiais sólidos que se caracterizam por resgatar a sua forma original após uma deformação forçada. Isso ocorre com o aço. Até o seu ponto de resiliência, um vergalhão de aço pode ser dobrado e ter a sua forma original perfeitamente retomada após cessar a tensão que o mantém dobrado. Ao passar desse ponto, ele se deforma e não mais consegue retomar sua forma original. 35 O Perfil Empreendedor O perfil de um empreendedor Capitulo 3 Sem organização você até consegue elaborar um projeto e até mesmo implantá-lo com algum índice de sucesso, mas, dificilmente irá muito longe sem aguçar essa habilidade, cada vez mais indispensável em um mercado extremamente competitivo. Saiba Mais Quer se aprofundar no tema dessa competência? Recomendamos o acesso ao artigo “A relação entre o jeitinho brasileiro e o perfil empreendedor: possíveis interfaces no contexto da atividade empreendedora no Brasil”. Para acessá-lo, clique no link disponível aqui. Resumindo E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que o tema discorreu sobre algumas características comuns ao perfil dos maiores empreendedores da história da humanidade, sendo elas: ambição, atitude, coragem, resiliência, persuasão e organização. Ser empreendedor é ser criativo por natureza e necessariamente um líder, ou seja, exercer sobre as outras pessoas um poder de liderança natural, um magnetismo que contagia e acaba por gerar o mesmo desejo de criar e inovar. 36 @faculdadelibano_ 4 As ferramentas do empreendedor 37 O Perfil Empreendedor Capitulo 4 As ferramentas do empreendedor Aprendemos anteriormente quais condutas e comportamentos são desejáveis para um empreendedor. A seguir, iremos estudar quais ferramentas devem ser utilizadas dentro de um projeto exitoso de empreendedorismo. Tais ferramentas são extremamente necessárias e não devem ser prescindidas, considerando-se, contudo, a aplicabilidade de cada uma delas. São essas as principais ferramentas das quais você poderá lançar mão em diversos momentos de seu projeto empreendedor: • Pesquisa. • Planejamento estratégico. •Liderança. • Marketing pessoal. • Gerência de projetos. Vamos discorrer sobre cada uma dessas ferramentas, sem a pretensão de nos aprofundarmos demais, pois cada uma delas se constitui em um universo de informações. Principais ferramentas Agora, vamos discorrer sobre as cinco principais ferramentas do empreendedor. Não estamos falando de software ou instrumentos, mas sim de metodologias úteis para o desenvolvimento de projetos empreendedores. Objetivos Ao término deste capítulo, você será capaz de utilizar as ferramentas do empreendedor. Isso será fundamental para o exercício de sua profissão. E então? Motivado para desenvolver essa competência? Vamos lá. Avante! 38 O Perfil Empreendedor As ferramentas do empreendedor Capitulo 4 Pesquisa de mercado Existe um preconceito muito grande dos empreendedores brasileiros em relação à pesquisa. Existem várias piadas pondo em xeque a necessidade de se fazer pesquisa para iniciar um empreendimento ou lançar um produto no mercado, por exemplo: “se Steve Jobs tivesse feito uma pesquisa antes de lançar o iPad, talvez ele jamais o tivesse lançado”. De fato, algumas pesquisas são demasiadamente intangíveis, como aquelas que visam auscultar o mercado quanto ao lançamento de um produto muito inovador, mas é inegável a eficácia de uma boa pesquisa para nos livrar de alguns desastres, como levantar o perfil do público consumidor para um produto a ser comercializado em uma região, ou mesmo mapear a distribuição do mercado entre seus concorrentes. Mais adiante veremos como trabalhar com pesquisa de mercado dentro de um estudo de caso. Por hora, podemos segu- ramente adiantar o seguinte: um pequeno investimento em pesquisa pode nos livrar de uma fortuna em prejuízo. A negligência quanto ao uso dessa importante ferramenta é um dos motivos da alta taxa de mortalidade das empresas brasileiras, sobretudo as start-ups. FIGURA 8 Pesquisa de mercado FONTE Freepik 39 O Perfil Empreendedor As ferramentas do empreendedor Capitulo 4 Planejamento estratégico Como uma ideia se transforma em uma ação? Por qual processo ela passa? Quais as ferramentas necessárias para planejá-la e executá-la a contento? A resposta para todas essas dúvidas passa por uma ciência intitulada: Planejamento Estratégico. Em linhas gerais, o planejamento estratégico é um documento, elaborado principalmente pelo empreendedor do negócio, que delineia, no tempo e no espaço, como o projeto de implantação de seu negócio será conduzido. Alguns indicadores são determinantes para o planejamento estratégico do empreendimento, tais como: • Objetivo. • Missão. • Visão. • Valores. • Público-alvo. • Mercado. • Concorrentes. Muita gente pensa que o planejamento estratégico é algo que só se elabora para angariar investidores, o que é outro engano clássico. Iniciar um negócio sem um planejamento estratégico, por mais simples que seja, é como entrar em um avião sem um plano de voo definido. Imagine só decolar em uma aeronave sem saber a distância a ser percorrida e quanto combustível será necessário para a navegação? O destino desse voo é líquido e certo: um desastre aéreo. Mas, pasme: é exatamente assim que ocorre com a maioria dos pequenos negócios montados no Brasil. As empresas abrem as portas sem saber o que querem e onde desejam chegar. Batem às portas dos bancos em busca de recursos de curto prazo sem saber se irão poder cumprir com os acordos no longo prazo. 40 O Perfil Empreendedor As ferramentas do empreendedor Capitulo 4 Liderança Se você pensa que liderança é um dom que já nasce com a pessoa, acertou. Mas, felizmente, essa ferramenta é algo que se pode desenvolver em qualquer perfil comportamental. Nunca se escreveu tanto sobre liderança quanto nos últimos 50 anos. De Peter Drucker para cá, o mundo dos negócios vem se voltando, cada vez mais, para o desenvolvimento gerencial de seus executivos. Termos como “coaching”, “executive head hunter”, entre outros, enchem as bibliotecas no afã de encontrar o jeito ideal para desenhar a mente do executivo perfeito. Porém, uma coisa é certa: a liderança é uma das ferramentas mais necessárias e determinantes para o sucesso de um empreendimento, tanto para o empreendedor quanto para seus liderados. Marketing pessoal O empreendedor tem que ter a consciência de que a imagem da sua empresa passa pela sua própria imagem, e de que a construção de sua marca empresarial é o resultado do esforço de construção da linha de comunicação institucional da empresa como um todo, perpassando os funcionários e dirigentes. Para vender bem a imagem de seu negócio, você precisa trabalhar a sua imagem pessoal, utilizando as ferramentas do marketing pessoal. Essa imagem pessoal será naturalmente transmitida a todos os seus liderados, fornecedores e, em alguns casos, até mesmo seus clientes. A história recente mostra muitas empresas se perderem em seu marketing institucional por conta da má conduta de seus gestores. O empreendedor de sucesso sabe que ele se tornará uma pessoa pública, e essa publicidade tende a aumentar à medida que seus negócios vão ganhando visibilidade e obtendo sucesso. Hoje, por exemplo, vemos grandes corporações cuja imagem se confunde com a de seus fundadores, como é o caso do Grupo Pão de Açúcar (Abílio Diniz), Votorantim (Antônio Hermínio de Morais), SBT (Sílvio Santos), Grupo Bompreço (João Carlos Paes Mendonça), entre muitos outros. 41 O Perfil Empreendedor As ferramentas do empreendedor Capitulo 4 Gerenciamento de projetos Outra ferramenta da administração importantíssima para o empreendedor é o gerenciamento de projetos. Existem, inclusive, algumas certificações nessa área, como a PMP (Project Management Professional), entre outras. Claro que, se sua intenção é tão somente elaborar e implantar o seu projeto de empreendedorismo, não se faz necessário tirar essa ou qualquer outra certificação, porém, não é uma má ideia conhecer todos os fundamentos do PMBOK (project management body of knowledge), conhecido como a cartilha do gerenciamento de projetos, segundo o PMI (Project Management Institute). Mas, o que vem a ser gerenciamento de projetos? O que é necessário para gerenciar um projeto? Gerenciar um projeto nada mais é do que articular habilidades nas seguintes áreas de conhecimento: Escopo – o que realmente você vai fazer? Estamos falando do objetivo do projeto e das entregas que serão realizadas. Tempo – em quanto tempo você vai desenvolver cada eta- pa e atividade de seu projeto, e em que ordem de precedência? Como acompanhar, monitorar e controlar os tempos realizados em função dos prazos planejados? Como compactar o cronograma de um projeto em meio a sua execução? Custo – quanto vai lhe custar cada atividade de seu projeto? Como racionalizar os custos Definição Gerenciamento de projetos – é o conjunto de técni- cas, conceitos e boas práticas que auxilia o profissional a gerenciar projetos. Gerenciar um projeto, por sua vez, consiste em planejar, executar, monitorar, controlar e encerrar um ciclo de atividades que tem começo, meio e fim. A esse ciclo de atividades dá-se o nome de projeto. 42 O Perfil Empreendedor As ferramentas do empreendedor Capitulo 4 em meio a imprevistos como falta de verba ou estouro de orçamento? Qualidade – quais os indicadores que você irá definir para medir a qualidade de seu produto? Que plano você tem para acompanhar essa qualidade ao longo da execução de seu projeto? Riscos – quais os riscos que você terá que mitigar ou eliminar ao longo da implantação de seu projeto? Como você irá administrá-los? Comunicações – de que maneira você pretende assegurar a boa comunicação entre você e sua equipe de projeto? Que ferramentas e tipos de software você irá utilizar? De que maneira? Recursos humanos – quem são as pessoas e qual a dedicação que elas terão ao projeto, de modo que você possa mensurar? Aquisições – que itens materiais você terá que adquirir e que serviços deverão ser contratados para viabilizar a implantaçãode seu projeto? Partes interessadas – quem são as pessoas direta e indiretamente envolvidas com o seu projeto? Essas pessoas devem se constituir em ponto de atenção permanente do gerente de projetos. O termo técnico mais utilizado para essa área de conhecimento vem do inglês: “stakeholders”. Integração – como as nove áreas anteriormente citadas irão se integrar? Não temos a pretensão de lhe ensinar as técnicas de gerenciamento de projetos, mas sim a conscientização de sua importância para o êxito de seu empreendimento, além de várias dicas sobre como gerenciar a implantação de seu empreendimento. Assim, recomendamos que você estude de forma aprofundada essa ciência, não esquecendo que o seu empreendimento passa necessariamente por um projeto de implantação. Outras ferramentas As ferramentas que vimos anteriormente se referem especificamente à fase de projeto do empreendimento, mas você não deve esquecer de que o empreendedor de hoje será o administrador de amanhã. Portanto, antes ou durante o seu projeto de empreendedorismo, recomendamos que você invista na sua educação empresarial, complementando sua formação empreendedora com áreas de conhecimento referentes à administração como um todo. 43 O Perfil Empreendedor As ferramentas do empreendedor Capitulo 4 Nesse sentido, elencamos ferramentas importantíssimas para você utilizar na fase de administração de sua empresa: • Gestão do marketing. • Gestão de recursos humanos. • Gestão financeira. • Gestão contábil. • Gestão de contratos. • Gestão da tecnologia da informação (TI). • Gestão de processos. Dependendo da especificidade de sua área de atuação, outras ferramentas poderão ser importantes, tais como: • Gestão logística. • Gestão de compras e suprimentos. • Gestão da produção industrial. Outras ferramentas, ainda mais específicas, podem ser necessárias à gestão de seu negócio. Fique atento a elas e não deixe de investir em seu conhecimento. Saiba Mais Quer se aprofundar no tema dessa competência? Recomendamos a leitura do artigo “A importância do gerenciamento de projetos no desenvolvimento empresarial”. Para acessá-lo, clique no link disponível aqui. 44 O Perfil Empreendedor As ferramentas do empreendedor Capitulo 4 Resumindo E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido sobre as ferramentas que devem ser utilizadas dentro de um projeto exitoso de empreendedorismo, são elas: pesquisa, planejamento estratégico, liderança, marketing pessoal e gerência de projetos. Tais ferramentas são extremamente necessárias e não devem ser prescindidas, considerando-se, contudo, a aplicabilidade de cada uma delas. 45 O Perfil Empreendedor Referências INOVAÇÃO. In: DICIO, Dicionário Online de Português. Porto: 7Graus, 2023. Disponível em: https://www.dicio.com.br/inovacao/. Acesso em: 13 jan. 2021. DORNELAS, J. C. A. Empreendedorismo na prática: mitos e verdades do empreendedor de sucesso. 2. ed. Rio de Janeiro: Editora Campus, 2005. GUN, M. 7 dicas de como ser mais criativo. [S. l.]: Keep Learning School, 2017. REGAZZI, R.; BONTORIM, M.; KIRZENBLATT, C. (orgs.). Intraempreendedorismo e inovação: uma abordagem especial. Rio de Janeiro: Sebrae, 2015. VIEIRA, P. O que é visão para uma empresa? Administradores, 2012. Disponível em: https:// bit.ly/3pBhzql. Acesso em: 13 jan. 2021. 46 Fundamentos de empreendedorismo O que é ser empreendedor O que é empreendedorismo? Empreendedor versus administrador Empreendedor versus empresário Intraempreendedorismo A lógica do empreendedorismo O processo do empreendedorismo Oportunidade Ideia Ação O perfil de um empreendedor Comportamentos empreendedores Atitude Coragem Resiliência Persuasão Organização As ferramentas do empreendedor Principais ferramentas Pesquisa de mercado Planejamento estratégico Liderança Marketing pessoal Gerenciamento de projetos Outras ferramentas Referências