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O Impacto da Reforma Tributária para 
Empresas do Simples Nacional
 
Apresentação 
Você está diante de um material que pode transformar sua atuação profissional nos 
próximos anos. A Reforma Tributária brasileira, implementada pela Emenda 
Constitucional nº 132/2023 e detalhada pela Lei Complementar 214/2025, representa 
a maior mudança no sistema tributário do país em décadas. 
Este ebook, desenvolvido como parte integrante do Workshop "Revolução do 
Departamento Fiscal", aprofunda os conceitos apresentados na Aula 02, com foco 
específico no impacto da reforma para as empresas de Contabilidade optantes pelo 
Simples Nacional. 
Aqui você encontrará não apenas teoria, mas também cálculos detalhados, 
comparações práticas e estratégias aplicáveis para enfrentar as mudanças que estão 
por vir. Seja você é contador, analista fiscal ou estudante de contabilidade, este 
material fornecerá o conhecimento necessário para se posicionar como um 
especialista nesse novo cenário. 
 
Contexto da tributação brasileira 
O sistema tributário brasileiro é complexo e atualmente, as empresas lidam com 
dezenas de tributos diferentes, cada um com suas próprias regras de apuração, 
recolhimento e obrigações acessórias. 
O atual modelo tributário brasileiro é fundamentado em uma tributação com diversos 
tributos incidindo sobre as mesmas bases econômicas: 
 Sobre o consumo: ICMS (estadual), ISS (municipal), PIS, COFINS e IPI 
(federais) 
 Sobre a renda: IRPJ e CSLL (federais) 
 Sobre a folha de pagamento: INSS, RAT, Sistema S, entre outros 
O Simples Nacional como regime diferenciado 
O Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar 123/2006, surgiu como uma 
tentativa de simplificar a vida tributária das micro e pequenas empresas, permitindo o 
recolhimento unificado de diversos tributos. 
O regime abrange: 
 Tributos federais: IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, IPI e CPP 
 Tributo estadual: ICMS 
 Tributo municipal: ISS 
As principais características do Simples Nacional são: 
1. Recolhimento unificado: Todos os tributos são pagos em uma única guia 
(DAS). 
2. Progressividade: Alíquotas crescentes conforme a receita bruta nos últimos 
12 meses. 
3. Simplificação das obrigações acessórias: Menos declarações e 
documentos a serem entregues. 
4. Divisão por anexos: Dependendo da atividade exercida, a empresa se 
enquadra em um dos anexos, cada um com sua tabela de alíquotas e 
distribuição dos tributos. 
A complexidade do sistema tributário atual 
Apesar do Simples Nacional representar uma simplificação, ele ainda carrega 
diversas complexidades: 
 Restrições de atividades: Muitas atividades não podem optar pelo regime. 
 Sublimites estaduais: Alguns estados estabelecem limites de faturamento 
menores para o recolhimento do ICMS. 
 Exclusões do regime: Diversas situações podem levar à exclusão do Simples. 
 Complicações no cálculo: A fórmula da alíquota efetiva não é intuitiva. 
 Diferenças entre anexos: Cada anexo tem distribuição diferente entre os 
tributos. 
Para ilustrar a complexidade, vejamos apenas um aspecto: o número de obrigações 
acessórias que uma empresa brasileira precisa cumprir anualmente: 
 Federais: DEFIS (para Simples), ECF, ECD, EFD-Contribuições, EFD-Reinf, 
DCTFWeb, entre outras. 
 Estaduais: GIA, EFD ICMS/IPI, DeSTDA, entre outras. 
 Municipais: Declarações específicas de cada município para o ISS. 
É neste cenário de alta complexidade que a Reforma Tributária se apresenta como 
uma promessa de simplificação e racionalização do sistema. 
 
A REFORMA TRIBUTÁRIA: FUNDAMENTOS 
A Emenda Constitucional nº 132/2023 
A Reforma Tributária teve seu primeiro grande marco com a aprovação da Emenda 
Constitucional nº 132, em dezembro de 2023. Esta emenda alterou o sistema 
tributário nacional, introduzindo mudanças estruturais significativas: 
1. Criação de dois novos tributos sobre o consumo: 
o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços): de competência estadual e 
municipal, substituindo ICMS e ISS. 
o CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços): de competência federal, 
substituindo PIS e COFINS. 
2. Tributação no destino: O tributo passa a ser devido onde ocorre o consumo, 
não mais onde está o produtor ou prestador de serviço. 
3. Não-cumulatividade ampla: Direito a crédito sobre praticamente todos os 
bens e serviços utilizados na atividade empresarial. 
4. Alíquota uniforme: Uma única alíquota para todos os bens e serviços, com 
exceções específicas. 
5. Base de cálculo "por fora": O imposto não compõe sua própria base de 
cálculo. 
6. Fim dos benefícios fiscais: Eliminação gradual dos incentivos fiscais até 
2032, com exceção da Zona Franca de Manaus. 
7. Tratamento específico para o Simples Nacional: Possibilidade de opção 
entre manter tudo no sistema simplificado ou recolher CBS e IBS pelo regime 
normal. 
Lei Complementar 214/2025 
A Lei Complementar 214/2025 veio regulamentar os dispositivos constitucionais 
introduzidos pela EC 132/2023, trazendo detalhes operacionais sobre como o novo 
sistema funcionará na prática. 
Principais pontos Lei Complementar 214/2025: 
1. Alíquota de referência: Inicialmente projetada para 26,5%, mas estudos do 
Ministério da Fazenda já indicam que pode chegar a 27,98% devido às 
alterações feitas pelo Congresso Nacional nas regras de transição e exceções. 
2. Alíquotas reduzidas: Determinados setores e atividades terão reduções de 
60% ou 30% na alíquota padrão. Atividades intelectuais, como contabilidade, 
advocacia e engenharia, terão redução de 30%. 
3. Regras para créditos tributários: Detalha como será a apropriação de 
créditos, incluindo créditos financeiros para bens do ativo imobilizado. 
4. Regimes específicos: Tratamento particular para setores como combustíveis, 
imóveis, serviços financeiros, entre outros. 
5. Regras para o Simples Nacional: Empresas optantes pelo Simples Nacional 
poderão exercer a opção de apurar e recolher o IBS e a CBS pelo regime 
regular. 
Cronograma de implementação 
A Reforma Tributária não será implementada de uma vez, mas seguirá um 
cronograma gradual: 
2026: 
 Início dacobrança da CBS (alíquota de teste de 0,9% a 1%) 
 Início da cobrança do IBS (alíquota de teste de 0,1%) 
 Mantém-se a cobrança de PIS, COFINS, ICMS e ISS com alíquotas reduzidas 
2027 
 Extinção completa de PIS e COFINS 
 CBS em vigor com alíquota completa 
 
2029: Início da Transição do ICMS e ISS para IBS 
 90% 
2030 
 80% 
2031 
 70% 
2032 
 60% 
2033 
 Fim do ICMS e ISS, completamente substituídos pelo IBS 
 
Este cronograma gradual visa permitir uma adaptação suave tanto para o fisco quanto 
para os contribuintes, minimizando impactos abruptos na arrecadação e nos 
negócios. 
 
SIMPLES NACIONAL ATUAL: FUNCIONAMENTO DETALHADO 
Anexo III e suas particularidades 
O Anexo III do Simples Nacional, regulamentado pela Resolução CGSN 140/2018, 
abrange diversas atividades de prestação de serviços, incluindo os escritórios de 
contabilidade. Este anexo tem particularidades importantes que o diferenciam dos 
demais: 
 Não contempla o IPI: Diferentemente dos Anexos I e II. 
 Alíquota maior de ISS: 33,5% do valor recolhido é destinado ao ISS. 
 Menor percentual de CPP: 43,40% comparado aos 41,5% do Anexo I. 
 
 
 
 
 
 
 
 
A tabela do Anexo III estrutura-se da seguinte forma: 
Faixa RBT12 Alíquota 
Nominal 
Parcela a Deduzir 
1ª Até R$ 180.000,00 6,0% - 
2ª De R$ 180.000,01 a R$ 360.000,00 11,2% R$ 9.360,00 
3ª De R$ 360.000,01 a R$ 720.000,00 13,5% R$ 17.640,00 
4ª De R$ 720.000,01 a R$ 
1.800.000,00 
16,0% R$ 35.640,00 
5ª De R$ 1.800.000,01 a R$ 
3.600.000,00 
21,0% R$ 125.640,00 
6ª De R$ 3.600.000,01 a R$ 
4.800.000,00 
33,0% R$ 648.000,00 
A distribuição dos tributos no Anexo III é: 
 
Faixas Percentual de Repartição dos Tributos 
IRPJ CSLL Cofins PIS/Pasep CPP ISS (*) 
1ª Faixa 4,00% 3,50% 12,82% 2,78% 43,40% 33,50% 
2ª Faixa 4,00% 3,50% 14,05% 3,05% 43,40% 32,00% 
3ª Faixa 4,00% 3,50% 13,64% 2,96% 43,40% 32,50% 
4ª Faixa 4,00% 3,50% 13,64% 2,96% 43,40% 32,50% 
5ª Faixa 4,00% 3,50% 12,82% 2,78% 43,40% 33,50% (*) 
6ª Faixa 35,00% 15,00% 16,03% 3,47% 30,50% - 
 
Esta distribuição é particularmente importante quando analisamos o impacto da 
Reforma Tributária, pois PIS, COFINS e ISS 
 
O cálculo da alíquota efetiva 
Uma das maiores complexidades do Simples Nacional está no cálculo da alíquota 
efetiva. Diferentemente do que muitos imaginam, a alíquota aplicada não é a nominal 
que aparece na tabela, mas o resultado de uma fórmula específica: 
 
Alíquota Efetiva = (RBT12 × Alíquota Nominal Parcela a Deduzir) ÷ RBT12 
Onde: 
 RBT12: Receita Bruta Total acumulada nos 12 meses anteriores 
 Alíquota Nominal: Percentual previsto na tabela para a faixa de 
enquadramento 
 Parcela a Deduzir: Valor fixo previsto na tabela para a faixa de enquadramento 
Esta fórmula foi criada para suavizar a transição entre as faixas de faturamento, 
evitando saltos abruptos na carga tributária. No entanto, ela torna o cálculo menos 
intuitivo e exige atenção redobrada dos profissionais contábeis. 
Distribuição dos tributos no recolhimento 
O valor recolhido através da DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional) 
é automaticamente distribuído entre os diferentes tributos conforme os percentuais 
estabelecidos para cada anexo. 
Esta distribuição tem implicações importantes: 
 Determina a base de cálculo para parcelamentos específicos 
 Influencia compensações e restituições 
 Afeta o planejamento tributário da empresa 
 
Exemplo prático: O escritório de contabilidade 
Para demonstrar o funcionamento atual, vamos analisar o caso de um escritório de 
contabilidade com as seguintes características: 
 Receita mensal: R$ 50.000,00 
 Receita acumulada nos últimos 12 meses (RBT12): R$ 614.320,00 
Passo 1: Identificar a faixa de enquadramento 
 Com RBT12 de R$ 614.320,00 o escritório se enquadra na 3ª faixa do Anexo 
III 
Passo 2: Identificar alíquota nominal e parcela a deduzir 
 Alíquota nominal: 13,5% 
 Parcela a deduzir: R$ 17.640,00 
 
Passo 3: Calcular a alíquota efetiva 
Alíquota Efetiva = (614.320 × 13,5% 17.640) ÷ 614.320 
Alíquota Efetiva = (82.933,20 17.640) ÷ 614.320 
Alíquota Efetiva = 65.293,20 ÷ 614.320 
Alíquota Efetiva = 10,63% 
 
Passo 4: Calcular o valor do DAS mensal 
DAS = Receita do mês × Alíquota Efetiva 
DAS = 50.000 × 10,63% 
DAS = R$ 5.314,27 
 
Passo 5: Distribuição por tributo 
IRPJ = 5.314,27 × 4,00% = R$ 212,57 
CSLL = 5.314,27 × 3,50% = R$ 186,00 
COFINS = 5.314,27 × 13,64% = R$ 724,87 
PIS/PASEP = 5.314,27 × 2,96% = R$ 157,30 
CPP = 5.314,27 × 43,40% = R$ 2.306,39 
ISS = 5.314,27 × 32,50% = R$ 1.727,14 
Este é o cenário atual para o escritório de contabilidade no exemplo, com uma carga 
tributária mensal de R$ 5.314,27, representando 10,63% da receita bruta. Agora, 
vamos analisar como esse mesmo cenário será impactado pela Reforma Tributária. 
 
A NOVA TRIBUTAÇÃO: IBS E CBS 
Características do novo sistema 
O sistema tributário introduzido pela Reforma Tributária apresenta características 
fundamentalmente diferentes do modelo atual, especialmente em relação à tributação 
sobre o consumo: 
1. Simplificação: Substituição de cinco tributos (PIS, COFINS, IPI, ICMS e ISS) 
por apenas dois (CBS e IBS). 
2. Harmonização: Regras uniformes em todo território nacional, eliminando a 
guerra fiscal entre estados e municípios. 
3. Transparência: Valor do tributo claramente discriminado para o consumidor 
final. 
4. Neutralidade econômica: Redução de distorções nas decisões de produção 
e consumo. 
5. Não-cumulatividade plena: Ampliação do direito a crédito para praticamente 
todos os bens e serviços. 
6. Cobrança no destino: Tributo pertence ao local onde ocorre o consumo, não 
à origem da produção. 
A adoção desse modelo aproxima o Brasil dos padrões internacionais de tributação, 
particularmente do IVA (Imposto sobre Valor Agregado) adotado em mais de 170 
países. 
Tributação por fora vs. tributação por dentro 
Uma das mudanças conceituais mais significativas da Reforma Tributária é a adoção 
do modelo de tributação "por fora", em contraste com o modelo "por dentro" 
predominante no sistema atual. 
O fim da tributação na origem e seus impactos 
A mudança da tributação na origem para tributação no destino é um dos pilares da 
Reforma Tributária, com consequências significativas: 
Impactos econômicos: 
 Fim da guerra fiscal entre estados e municípios 
 Redução de distorções na localização de empresas 
 Tendência à descentralização industrial e logística 
 Distribuição mais equitativa da receita tributária 
Impactos operacionais: 
 Simplificação de operações interestaduais e intermunicipais 
 Eliminação do diferencial de alíquota (DIFAL) 
 Fim da substituição tributária como conhecemos hoje 
 Novos critérios para definição do "local do consumo" 
Impactos no planejamento empresarial: 
 Reavaliação da localização de fábricas e centros de distribuição 
 Revisão dos esquemas logísticos baseados em benefícios fiscais 
 Possível repatriação de operações artificialmente deslocadas por incentivos 
fiscais 
 Neutralidade fiscal nas decisões de localização 
Estados como Goiás, Tocantins, Espírito Santo, entre outros, que historicamente 
utilizam incentivos fiscais como estratégia de atração de empresas, deverão 
desenvolver novos mecanismos de desenvolvimento regional. 
Sistema não-cumulativo amplo 
A não-cumulatividade ampla é outro aspecto revolucionário da Reforma Tributária. No 
sistema atual, a não-cumulatividade é limitada e cercada de restrições: 
Sistema atual: 
 PIS/COFINS: Créditos limitados a insumos diretos e alguns custos específicos 
 ICMS: Créditos apenas sobre mercadorias e alguns serviços de transporte e 
comunicação 
 ISS: Não permite créditos (tributo cumulativo) 
 Restrições por categorias de despesas e regimes especiais 
Novo sistema: 
 Crédito sobre praticamente todos os bens e serviços utilizados na atividade 
empresarial 
 Ressalvadas apenas exceções expressamente previstas (como itens de uso 
pessoal) 
 Crédito financeiro para bens doativo imobilizado (apropriação imediata) 
 Possibilidade de transferência e ressarcimento de créditos acumulados 
Esta mudança trará consequências profundas: 
 Redução da carga tributária efetiva para cadeias produtivas mais longas 
 Eliminação do "efeito cascata" dos tributos 
 Incentivo à formalização de toda a cadeia produtiva 
 Pressão competitiva sobre fornecedores não formalizados ou não geradores 
de crédito 
 
O SIMPLES NACIONAL NA REFORMA TRIBUTÁRIA 
O sistema dual de tributação 
A Reforma Tributária introduz uma inovação significativa para as empresas do 
Simples Nacional: a possibilidade de um sistema dual de tributação. Esta novidade 
está prevista na Emenda Constitucional nº 132/2023 e detalhada Lei Complementar : 
"Os optantes pelo Simples Nacional poderão exercer a opção de apurar e recolher o 
IBS e a CBS pelo regime regular, hipótese na qual o IBS e a CBS serão apurados e 
recolhidos conforme o disposto nesta Lei Complementar." 
Isso significa que a empresa poderá manter-se no Simples Nacional para IRPJ, CSLL 
e CPP, mas optar por recolher IBS e CBS pelo regime normal, gerando créditos para 
seus clientes. 
Este sistema dual representa: 
 Flexibilidade: Adaptação às necessidades específicas de cada empresa 
 Complexidade adicional: Gestão de dois regimes tributários 
simultaneamente 
 Oportunidade estratégica: Posicionamento competitivo no mercado 
 Desafio de transição: Necessidade de análise detalhada para tomada de 
decisão 
Opção pelo IBS/CBS dentro ou fora do Simples 
A escolha entre manter IBS/CBS dentro do Simples ou optar pelo regime normal 
envolve diversos fatores: 
Fatores a considerar para a decisão: 
1. Perfil dos clientes: 
o Clientes que necessitam de créditos (B2B) 
o Clientes consumidores finais (B2C) 
o Clientes do terceiro setor (não contribuintes) 
2. Estrutura de custos: 
o Volume de despesas que geram créditos 
o Tipos de fornecedores (regime de tributação) 
o Perfil de investimentos (ativo imobilizado) 
3. Margens operacionais: 
o Relação entre receitas e despesas 
o Impacto da não cumulatividade no setor 
o Capacidade de absorção/repasse do aumento da carga 
4. Capacidade operacional: 
o Estrutura para gestão de obrigações adicionais 
o Sistemas de controle para apuração dual 
o Equipe contábil/fiscal qualificada 
A decisão deverá ser tomada anualmente, com vigência para todo o ano-calendário, 
sendo irretratável dentro do mesmo exercício. 
Impactos para diferentes tipos de negócios 
O impacto da Reforma Tributária varia significativamente conforme o tipo de negócio: 
Empresas B2C (que vendem para consumidor final): 
 Menor pressão para gerar créditos 
 Possibilidade de manter o sistema atual (IBS/CBS dentro do Simples) 
 Comparativo puramente matemático entre as duas opções 
 Exemplos: salões de beleza, restaurantes, lojas de varejo de pequeno porte 
Empresas que atendem o terceiro setor: 
 Clientes não contribuintes, sem necessidade de créditos 
 Pouca pressão de mercado para mudança 
 Pode ser vantajoso manter o sistema atual 
 Exemplos: serviços para igrejas, ONGs, associações 
Empresas B2B (que vendem para outras empresas): 
 Forte pressão para gerar créditos 
 Clientes terão preferência por fornecedores que geram crédito 
 Análise comparativa deve considerar o valor do crédito na negociação 
 Exemplos: escritórios contábeis, consultorias, prestadores de serviços para 
empresas 
Empresas com fornecedores predominantemente do Simples: 
 Menor aproveitamento de créditos nas compras 
 Possível desvantagem na opção pelo regime normal 
 Necessidade de revisão da cadeia de fornecimento 
 Exemplos: empresas com fornecedores locais de pequeno porte 
O efeito da geração de créditos 
A geração de créditos se tornará um fator competitivo determinante no mercado, 
criando uma dinâmica nova nas relações comerciais: 
Pressão de mercado: 
 Empresas maiores pressionarão seus fornecedores a gerar créditos 
 Fornecedores do Simples que não gerarem créditos poderão perder 
competitividade 
 Possível migração de clientes para fornecedores geradores de crédito 
 Negociação de preços considerando o valor do crédito gerado 
Efeito cascata na formalização: 
 Incentivo à formalização em toda a cadeia 
 Pressão para que MEIs se tornem empresas normais do Simples 
 Empresas do Simples pressionadas a optar pelo regime dual 
 Processo de "arrasto" para o sistema formal e gerador de créditos 
Revisão da cadeia de fornecedores: 
 Empresas avaliarão fornecedores também pelo critério de geração de créditos 
 Potencial substituição de fornecedores não geradores por geradores de crédito 
 Possível consolidação de mercado em alguns setores 
 Oportunidade para fornecedores que se adaptarem rapidamente 
 
7. SIMULAÇÃO PRÁTICA: ANTES E DEPOIS 
Cálculo detalhado no sistema atual 
Vamos aprofundar o exemplo do escritório de contabilidade no sistema atual, para 
estabelecer uma base de comparação clara, utilizando dados reais de simulação: 
Estrutura de custos do escritório 
Para uma análise completa, precisamos considerar a estrutura de custos do escritório, 
que influenciará diretamente o aproveitamento de créditos no novo sistema: 
 
Despesa Valor Mensal 
Software R$ 2.000,00 
Energia R$ 500,00 
Papelaria R$ 300,00 
Telefone R$ 200,00 
Internet R$ 200,00 
Consultoria R$ 500,00 
Cursos e treinamentos R$ 300,00 
Marketing R$ 500,00 
Imobilizado (mensal) R$ 500,00 
Serviços de TI R$ 300,00 
Aluguel (PJ) R$ 2.000,00 
Total de despesas fixas R$ 7.300,00 
Além disso, o escritório possui outros custos operacionais significativos: 
 Folha de pagamento: R$ 12.500,00 
 FGTS: R$ 1.000,00 
 Pró-labore: R$ 1.500,00 
Total de custos operacionais: R$ 27.580,00 
Esta estrutura de custos é determinante para calcular o potencial de créditos a serem 
aproveitados no regime de IBS/CBS. 
Cálculo no novo sistema com IBS/CBS por fora 
Agora, vamos calcular como ficaria a situação desse mesmo escritório se optasse por 
recolher IBS e CBS pelo regime normal, mantendo IRPJ, CSLL e CPP no Simples 
Nacional, utilizando a planilha de simulação: 
Passo 1: Calcular o que permanecerá no Simples Nacional (IRPJ, CSLL e CPP) 
Identificando o percentual da alíquota que permanecerá no Simples: 
 
Total de tributos no Simples: 100% 
PIS/COFINS/ISS: 49,10% 
Tributos que permanecem: 100% - 49,10% = 50,90% 
Calculando a nova alíquota efetiva para o Simples Nacional reduzido: 
 
Alíquota efetiva original: 10,63% 
Nova alíquota efetiva: 10,63% × 50,90% = 5,41% 
Portanto, o valor a recolher no Simples Nacional será: 
 
50.000,00 × 5,41% = R$ 2.704,96 
 
Passo 2: Cálculo dos créditos de IBS e CBS 
Com base nas despesas que geram crédito (R$ 7.300,00), precisamos converter para 
o valor sem impostos (considerando uma alíquota de 28%): 
 
Valor sem impostos = 7.300,00 ÷ 1,28 = R$ 5.703,12 
O crédito de IBS e CBS será: 
Crédito IBS/CBS = 5.703,12 × 28% = R$ 1.596,87 
5Passo 3: Cálculo do débito de IBS e CBS 
Para calcular o débito, consideramos a alíquota reduzida de 19,6% (redução de 30% 
sobre 28%) para serviços intelectuais como contabilidade: 
Valor sem impostos = 50.000,00 ÷ 1,196 = R$ 41.806,02 
Débito IBS/CBS = 41.806,02 × 19,6% = R$ 8.193,98 
 
Passo 4: Cálculo do valor líquido a pagar de IBS e CBS 
Valor líquido IBS/CBS = 8.193,98 - 1.596,87 = R$ 6.597,11 
 
Passo 5: Cálculo do total de tributos a pagar 
Total = Simples Nacional + IBS/CBS líquido 
 
Total = 2.704,96 + 6.597,11 = R$ 9.302,07 
 
Análise comparativa do impacto financeiro 
Comparando os dois cenários com base nos dados da planilha: 
Item Sistema Atual Reforma 
Tributária 
Simples Nacional R$ 5.280,00 R$ 2.704,96 
IBS/CBS - R$ 6.597,11 
Total R$ 5.280,00 R$ 9.302,07 
Alíquota efetiva 10,56% 18,60% 
Variação - + 76,18% 
O impacto financeiro é bastante significativo, com um aumento de 76,18% na carga 
tributária direta. A alíquota efetiva passa de 10,56% para 18,60%, quase dobrando a 
tributação sobre o faturamento.Como o crédito tributário muda a equação 
O elemento fundamental nesta análise é o valor do crédito tributário gerado para os 
clientes, que altera completamente a dinâmica comercial: 
 
Valor do crédito gerado para clientes: 
Este valor representa um "desconto indireto" de aproximadamente 16,39% para 
clientes que possam aproveitar integralmente os créditos, o que pode tornar o 
escritório mais competitivo, mesmo com o aumento da carga tributária. 
 
Considerações estratégicas: 
Um aspecto crucial é o perfil dos clientes. Para o escritório de contabilidade: 
 Clientes do regime normal (Lucro Real ou Presumido): aproveitarão 
integralmente os créditos 
 Clientes do Simples Nacional sem opção por IBS/CBS fora: não aproveitarão 
os créditos 
 Clientes pessoa física ou do terceiro setor: não aproveitarão os créditos 
A estratégia de preços deverá considerar a composição da carteira de clientes e, 
potencialmente, desenvolver políticas de preços diferenciadas para cada segmento. 
 
ESTRATÉGIAS PARA MITIGAR IMPACTOS 
Análise da cadeia de fornecedores 
Com base na estrutura de custos apresentada, uma estratégia eficaz para mitigar o 
impacto da Reforma Tributária é otimizar a cadeia de fornecedores 
Esta distribuição é particularmente importante quando analisamos o impacto da 
Reforma Tributária, pois PIS, COFINS e ISS - que juntos representam 49,10% do 
tributo recolhido - serão substituídos pelos novos IBS e CBS.

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