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UNIVERSIDADE PAULISTA
Elielza Garcia Ramos Oliveira- 
Gabriel de Lucca Macedo Costa- RA: G080491
Priscila Figueredo- RA: T621CG4
ATIVIDADE PRÁTICA SUPERVISIONADA
Implementação e desafios da Reforma Tributária
SÃO JOSÉ DOS CAMPOS/SP
2025
Elielza Garcia Ramos Oliveira
Gabriel de Lucca Macedo Costa
Priscila Figueredo
ATIVIDADE PRÁTICA SUPERVISIONADA
Implementação e desafios da Reforma Tributária
Atividade Prática Supervisionada solicitada ao sexto/sétimo semestre do curso de Direito apresentado à Universidade Paulista- UNIP, orientador 
SÃO JOSÉ DOS CAMPOS
2025
SUMÁRIO
RESUMO
Este trabalho analisa criticamente as inovações e perspectivas da Reforma Tributária brasileira, estabelecida pela Lei Complementar nº 214, de 2025. A reforma introduz um novo paradigma para a tributação do consumo, substituindo cinco tributos (ICMS, ISS, IPI, PIS, Cofins) por um modelo de Imposto sobre Valor Agregado (IVA) dual, composto pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) de competência federal e pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) de competência compartilhada entre estados e municípios, além de instituir um Imposto Seletivo (IS) sobre produtos prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. Objetiva-se a simplificação do sistema, aumento da transparência, redução da complexidade e litigiosidade, eliminação da cumulatividade ("tributação em cascata") e da "guerra fiscal". Dentre as principais inovações, destacam-se a cobrança no destino, a não cumulatividade plena através de um amplo sistema de créditos, a implementação do sistema split payment para arrecadação direta, a introdução do cashback (devolução de imposto) para famílias de baixa renda e a instituição de alíquota zero para produtos da Cesta Básica Nacional de Alimentos, além de alíquotas reduzidas para serviços essenciais como saúde e educação. A implementação será gradual, com período de transição previsto até 2033. Apesar das promessas de modernização e justiça social, persistem incertezas quanto à alíquota padrão final, que pode posicionar o Brasil entre os países com maior IVA do mundo, e aos impactos reais sobre a carga tributária total e setorial.
Palavras- chave: reforma tributária; IVA Dual; Cashback; cesta básica; Imposto sobre Bens e Serviços (IBS); Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). 
ABSTRACT
This paper critically analyzes the innovations and perspectives of the Brazilian Tax Reform, established by Complementary Law No. 214, of 2025. The reform introduces a new paradigm for consumption taxation, replacing five taxes (ICMS, ISS, IPI, PIS, Cofins) with a dual Value Added Tax (VAT) model, composed of the Contribution on Goods and Services (CBS) under federal jurisdiction and the Tax on Goods and Services (IBS) under shared jurisdiction between states and municipalities, in addition to establishing a Selective Tax (IS) on products harmful to health or the environment. The objectives are the simplification of the system, increased transparency, reduction of complexity and litigation, elimination of cumulativeness ("cascading taxation"), and the "tax war" [fiscal competition between states]. Among the main innovations are taxation at the destination, full non-cumulativeness through a broad credit system, the implementation of the split payment system for direct collection, the introduction of cashback (tax refund) for low-income families, and the establishment of a zero rate for products in the National Basic Food Basket, as well as reduced rates for essential services such as health and education. Implementation will be gradual, with a transition period planned until 2033. Despite the promises of modernization and social justice, uncertainties persist regarding the final standard rate, which could place Brazil among the countries with the highest VAT in the world, and the real impacts on the total and sectoral tax burden.
Keywords: tax reform; Dual VAT; Cashback; basic food basket; Tax on Goods and Services (IBS); Contribution on Goods and Services (CBS).
1 INTRODUÇÃO
Um príncipe, não podendo exercer a qualidade de liberal de forma que ela seja reconhecida, sem se prejudicar com isso, se ele for sábio, não temerá a reputação de ser miserável, pois como o passar do tempo, será bem-visto assim do que por sua liberdade, porque ficará claro que com sua economia a receita é suficiente, e ele poderá se defender contra todos os ataques e poderá realizar empreendimento sem ser um peso sobre o povo. Assim, o que ocorre é que ele vem a usar a liberdade para com todos aqueles e quem não tira nada, que são muitos, e a empregar a parcimônia para com todos os outros aos quais não dá nada, que são poucos. MACHIAVELLI, Niccolo - 2018
Este trabalho propõe uma análise crítica, conforme problema apresentado à turma do 6º semestre do curso de Direito, “as principais inovações ocorridas e, quais as perspectivas, positivas ou negativas”, para a economia e para a sociedade, referindo-se à Lei Complementar sob n. 214, de 2025, que estabeleceu a Reforma Tributária no Brasil.
Antes de adentrar no tema, este faz jus uma síntese apanhada na história tributária conforme exibe a epígrafe do filósofo, historiador, diplomata e músico Nicolau Maquiavel. Em sua obra “ O Príncipe”, no capítulo XVI, ele discute a importância do príncipe do dever de administrar seus recursos e sua imagem pública; sugere que ele seja generoso sem comprometer suas finanças, “ele vem a usar a liberdade para com todos aqueles e quem não tira nada, que são muitos, e a empregar a parcimônia para com todos os outros aos quais não dá nada, que são poucos”, relacionando à ideia de que o governante, ao atribuir tributos excessivos, pode perder o apoio do seu povo, diferente daquele que administra os recursos com prudência, podendo assim, evitar revoltas e manter estabilidade do seu Estado. 
 Antes da obra “O príncipe”, segundo o autor Cristóvão Barcelos da Nóbrega, que foi Auditor-fiscal da Receita Federal do Brasil, graduado em Direito, ocorreu no século XV, em Florença, uma espécie de tributo progressivo denominado de Décima Scalata, “não teve longa duração, porque atingia os mais abastados, que não aceitavam arcar com maior carga tributária. Com a reintrodução do regime aristocrático, não só a Décima Scalata, mas também outros tributos diretos sobre a riqueza desapareceram”. Com certeza, politicamente, ofuscava a imagem do governante.
Contudo, devemos nos lembrar do artigo 153, inciso VII, da Constituição Federal, o qual se refere à competência de a União constituir impostos sobre grandes fortunas, o que contraria há mais de 36 anos a própria letra, e o que resultou foi a redução nas taxas para as classes sociais mais abastadas. Tudo isso só nos lembra o quão complexos são os tributos. Como a relevância neste trabalho é a Lei Complementar 214, de 2025, o assunto abordado acima nos serviu apenas como reflexão e aqui se finda, a fim de abraçarmos o nosso propósito analítico. 
A Reforma Tributária é composta por 544 artigos, desmembrados em três livros; tratado de normas gerais, impostos seletivos e regras peculiares para a trajetória ao novo sistema tributários tendo como desígnio a unificação e modernização dos impostos sobre consumo. A lei originou-se do Projeto de Lei Complementar 68/2024 que trazia em seu bojo a instituição ao imposto e a contribuição sobre Bens e Serviços, incluído o imposto.
Em janeiro de 2025, depois de alguns vetos e modificações para que se ajustasse às formas normativas e ao contexto político e para que evitasse conflitos entre grupos que poderiam ser impactados de maneira negativa pelo projeto 68/24, assim, abrolhou a Reforma Tributária 214/2025, sancionada pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva. 
 A Reforma Tributária deu-se, por meio da Emenda Constitucional 132 de 2023, que, decompondo a Constituição, permitido a criação de novos impostos, assim, a consequência dos projetos da Emenda complementar 132 de 2023 e da lei 68 de 2024, foi que constituíramas bases da Reforma Tributária, ocasionariam algumas inovações como a do Sistema Dual de Imposto Sobre o Valor Agregado, ajustado pela Contribuição Sobre Bens e Serviços e Imposto sobre Bens e Serviços.
Para tanto, era importante a harmonia entre os poderes; em 2023, o Senador Rodrigo Pacheco aludiu à necessidade da Reforma e a importância do liame dos Poderes “É muito importante que o Executivo participe. Reforma tributária sem a participação e sem a vontade do Executivo ela não sai, porque é a arrecadação do Estado brasileiro, de responsabilidade do Poder Executivo”[footnoteRef:1]. A importância do envolvimento dos três poderes. [1: Agência Senado, 02/2023] 
Com razões voltadas ao social e não apenas pautada na economia, mas sem esquecer a importância dessa, ressaltou o Deputado Arthur Lira “Essa questão pontual se insere, é claro, no contexto da busca por uma sintonia fina entre os objetivos econômicos e as prioridades sociais, que são muitas.”[footnoteRef:2] Segundo ele é preciso seriedade nas prioridades sociais e econômicas desta Reforma, argumentou também, que ao “Integrar essas duas linhas de trabalho é imprescindível para que o Brasil reencontre o caminho do crescimento com responsabilidade.”[footnoteRef:3] [2: Idem.] [3: Idem.] 
Em um Estado com a imensidão do Brasil e com tamanha desigualdade socioeconômico é impossível pensar em qualquer espécie de Reforma, principalmente a Tributária, sem invocar a deusa Têmis da mitologia grega, a pôr na balança essas questões, pois não há desenvolvimento em nação desestruturada e com gigantesca desigualdade social, o que nos faz lembrar a obra “O Povo Brasileiro” do autor Darcy Ribeiro; “o Brasil, último país a acabar com a escravidão tem uma perversidade intrínseca na sua herança, que torna a nossa classe dominante enferma de desigualdade, de descaso”. Embora, possa parecer um problema histórico, na verdade é um problema que afeta até hoje, também, as estruturas e os processos de tributação no mecanismo de redistribuição de renda e financiamento dos serviços públicos. 
Este trabalho tem como tema “DIREITO TRIBUTÁRIO, REFORMA E O CONTEXTO SOCIOECONÔMICO”, o que já se apresenta nas entrelinhas desta introdução, será baseado pelos métodos bibliográfico normativo do Direto e jurisprudencial. Procura-se analisar obras jurídicas e normativas e os mais que se façam necessários para a compreensão do aprendizado e compreensão, em prol ao desenvolvimento acadêmico, o trabalho será dividido em três partes: Introdução, desenvolvimento e conclusão, entre eles tópicos e subtópicos.
Breve comparativo. Afinal, o que mudou? 
O atual modelo de tributação do consumo no Brasil apresenta uma alta complexidade, marcada pela sobreposição de diferentes impostos sobre as mesmas transações. Essa estrutura gera instabilidade jurídica, altos custos de adequação para as empresas e um volume expressivo de disputas fiscais. Além disso, a acumulação tributária onera o preço final, e a competição fiscal entre estados e municípios (guerra fiscal) agrava as distorções. 
A atual sistemática caracteriza-se ainda pela fragmentação de competências entre União, estados e municípios. Cada um desses entes federativos institui tributos sobre bases de incidência legalmente distintas, em âmbito Estadual, tem-se o ICMS incidindo sobre a circulação de mercadorias, em âmbito municipal, o ISS que incide sobre a prestação de serviços, e em âmbito federal, o PIS- Programa de Integração Social e a Cofins- Contribuição para Financiamento da Seguridade Social incidem sobre o faturamento. Não obstante, sob a ótica econômica, todos esses encargos são, em última análise, transferidos para os preços de bens e serviços, repassado aos consumidores por meio da composição dos preços finais dos produtos e serviços adquiridos. 
A reforma tributária visa a simplificação do sistema, com a unificação de tributos, aumento da transparência, eliminação das desigualdades entre setores e regiões, redução da sonegação e a evasão fiscal, entre outros benefícios. Como resposta a esses desafios, a EC 132/2023 introduz um novo paradigma baseado no Imposto sobre Valor Agregado (IVA), visando unificar e racionalizar a cobrança. Este será implementado por meio de dois tributos com bases de incidência idênticas: o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), cuja competência será partilhada entre os entes subnacionais (estados, DF e municípios), e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), que ficará sob a competência da União.
Diante desse cenário, a reforma tributária introduz alterações substanciais no modelo vigente, com ênfase na criação de novos tributos que visam alinhar a tributação do consumo a um modelo similar ao Imposto sobre Valor Adicionado- IVA, com o objetivo simplificar a cobrança de tributos e eliminar problemas que impactam a capacidade de competição e o desenvolvimento da economia.
Segundo Palma (2007), no âmbito do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), avalia-se que não deve haver margem para o aumento dos tributos, sendo crucial direcionar os esforços para o combate à fraude e evasão fiscal, assim como, na simplificação dos tributos. Conclui-se que, diante das transformações globais, o sistema tributário necessita de constante atualização, modernizando-se e simplificando-se, e além de tudo, adaptando-se para responder às crises que intensificam as desigualdades e impactam a arrecadação fiscal, além de enfrentar os desafios climáticos e ambientais.
Conforme informações compiladas na enciclopédia online Wikipedia, O Imposto sobre Valor Agregado-IVA já é utilizado em vários países, teve sua origem em 1954 na França. Inicialmente, a aplicação do IVA francês restringiu-se às grandes empresas, mas seu alcance foi posteriormente ampliado para abranger todos os setores de negócios. Hodiernamente, o IVA representa a mais significativa fonte de receita para o Estado francês, correspondendo a quase 50% do total arrecadado. 
 Ainda consoante enciclopédia online Wikipedia, o sucesso na implementação do IVA está fortemente ligado ao seu mecanismo de crédito, que incentiva as empresas a se registrarem e a manterem faturas. Ao se registrar, a empresa pode recuperar o IVA pago sobre os bens e serviços que utiliza em seu negócio (seus insumos), por intermédio de créditos ou regimes como a alíquota zero, o que funciona como um estímulo à formalização e à manutenção de registros.
Segundo sítio da Federação nacional do Fisco Estadual e Distrital- FENAFISCO, cerca de 170 (cento e setenta) países adotam o Imposto sobre Valor Agregado-IVA. O modelo de IVA implementado no Brasil apresenta uma característica dual, resultando na prática em dois tributos distintos: primeiramente, a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de âmbito federal, que substituirá o IPI, PIS e Cofins; e, em segundo lugar, o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de competência estadual e municipal, que unificará o ICMS e o ISS.
De acordo com informativo divulgado pela Agência Senado, a alteração central introduzida pela recente legislação tributária é a adoção do Imposto sobre Valor Agregado (IVA). Este tributo caracteriza-se pela incidência apenas sobre o valor adicionado em cada elo da cadeia produtiva, mediante o desconto do imposto pago nas fases anteriores, o que impede a incidência cumulativa ("em cascata") de tributos. O modelo brasileiro será um IVA dual, composto pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de competência federal, e pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de competência compartilhada entre estados e municípios. Juntos, CBS e IBS substituirão cinco tributos atuais (ICMS, ISS, PIS, Cofins e IPI), promovendo uma reestruturação da tributação sobre o consumo. Prevê-se também a criação do Imposto Seletivo (IS), de caráter extrafiscal, sobre produtos nocivos à saúde ou ao ambiente (AGÊNCIA SENADO, 2025).
A implementação do novo regime será gradual. Em 2026, iniciará uma fase de testes para CBS e IBS, sem recolhimento efetivo, permitindo ajustes no sistema. A transição completa está prevista para ser concluídaem 2033, com avaliações legislativas a cada cinco anos sobre os efeitos da reforma. A alíquota padrão, a ser fixada por lei complementar, é estimada em torno de 28% pelo Secretário Extraordinário da Reforma Tributária, Bernard Appy, embora haja uma diretriz para que o Executivo busque um patamar inferior a 26,5% até 2030. O princípio é que essa alíquota padrão seja uniforme para a maioria dos bens e serviços, simplificando o sistema e onerando o consumo final, não a produção (AGÊNCIA SENADO, 2025). 
Segundo sítio da Associação Paulista de Estudos Tributários, diante da referida alíquota do IVA brasileiro ser estimada em torno de 28%, o Brasil poderá ocupar o primeiro lugar entre os maiores IVAS do mundo, superando países como Hungria que atualmente lidera o ranking possuindo uma alíquota de 27%, Dinamarca, Finlândia e Suécia com 25%, Grécia e Islândia ambas com 24%. 
Aspectos introdutórios sobre a Reforma Tributária
A reforma tributária no Brasil engloba duas fases: a fase constitucional, instituída por meio da Emenda Constitucional nº132 de 20 de janeiro de 2023 e a fase infraconstitucional, regulada por meio da Lei Complementar 214 de 16 de janeiro de 2025.
A promulgação Lei Complementar nº214/2025, tem o objetivo de regulamentar a Emenda Constitucional nº132/2023. Com a promulgação e publicação da referida Lei Complementar, concluiu-se a reforma tributária. No entanto, para a sua aplicabilidade, serão expedidos Atos administrativos (Decretos, Instruções Normativas, Portarias, Regulamentos) da Administração Tributária a fim de regular a aplicação da lei. 
A referida Lei Complementar possui 544 (quinhentos e quarenta e quatro) artigos, a título comparativo, isto significa que ela equivale a três vezes o tamanho do Código Tributário Nacional. 
A nova lei reserva boa parte da redação sobre os aspectos contábeis dos novos tributos, identifica-se ainda que muitos artigos são direcionados aos servidores do Fisco. Portanto, os advogados e contribuintes não somos os destinatários da maior parte da norma.
A ementa da lei complementar consigna o seu conteúdo fundamental, nos seguintes termos: Institui o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), a Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto Seletivo (IS); cria o Comitê Gestor do IBS e altera a legislação tributária. Em suma, a lei complementar instituiu três novos tributos: IBS, CBS e o Imposto Seletivo.
A lei complementar nº214/2025 está dividida em três livros. O Livro I trata da instituição da IBS e CBS, consignados nos artigos 01 ao 408. No livro I, o legislador asseverou sobre a base de incidência de ambos os tributos (IBS e CBS); momento da ocorrência do fato gerador; local da operação; base de cálculo; alíquota; sujeição passiva; modalidades de extinção do débito; pagamento; split payment, etc. 
O IBS e a CBS não são substitutos perfeitos do ICMS- Imposto dobre Circulação de Mercadoria, poque uma mercadoria é algo completamento distinto de um bem. O ICMS incide sobre a circulação de mercadoria, já o IBS e a CBS têm o fato gerador, infinitamente, mais amplo, incidindo sobre quaisquer operações onerosas com bens e serviços, inclusive a circulação de mercadorias. 
O sistema de cobrança dos tributos foi denominado na nova norma de split payment. Este sistema faz a divisão dos tributos pagos pelo contribuinte, à vista disto, no momento do pagamento é realizada a arrecadação compartilhada, sendo enviada diretamente a parte da contribuição destinada ao prestador de serviço e a parte da contribuição destinada ao Fisco. Em utras palavras, o Fisco já recebe no momento do pagamento a parte que lhe cabe de tributo. O mesmo raciocínio também é aplicado a repartição de receitas, pelo sistema split pyment, a arrecadação já é entregue a cada uma das entidades diretamente. 
Diferentemente do que acontece hoje com o ICMS, em que o próprio contribuinte recebe o tributo e repassa para o Fisco, gerando um alto risco de sonegação. Com o novo sistema split payment, ocorre a distribuição do montante da operação entre o titular do valor do tributo e os Fiscos, evitando a sonegação. 
 
Outra inovação com relação aos dois tributos, foi a instituição da devolução personalizada para a população carente, chamado de cashback, com reduções de 30%, 60% e até 100% do valor dos tributos para alguns itens da economia. Inclusive prevê a isenção dos tributos para dispositivos médicos, dispositivos para acessibilidade próprios para pessoas portadoras de deficiência, entre outras. 
O livro II que trata do Imposto Seletivo, apelidado por Imposto do pecado, consignados nos artigos 409 ao 438, com o objetivo de desestimular o consumo de produtos considerados prejudiciais à saúde a ao meio ambiente. A EC 132/2023 instituiu um novo princípio tributário da proteção ao meio ambiente, desta forma, o Imposto Seletivo é coerente com este novo princípio constitucional. 
Por derradeiro, o Livro 3, denominado de demais disposições, previstos nos artigos 439 a 544, neste livro, tem-se temas bastante distintos, a título exemplificativo, destaco alguns deles: disciplina o regime jurídico da Zona Franca de Manaus, regulamenta as ALCS- Áreas de Livre Comércio, previsão de devolução da IBS e CBS ao turista estrangeiro, disciplina o Comitê gestor do IBS, consigna também sobre o período de transição com bens imóveis, dentre outros diversos assuntos. 
Reforma tributária e a Constituição Federal de 1988
 Há um sentimento generalizado na sociedade brasileira de que a reforma tributária se tornou um assunto de mera importância. As rápidas transformações pelas quais a economia mundial vem passando nos últimos anos, em particular a intensa integração entre os merca-dos, deixam pouca margem a um sistema tributário fazendo com que o crescimento econômico e sofra certa redução e a produção da economia do país. Grande parte das deficiências do sistema tributário nacional tem origem na Constituição federal de 1988, que reformou amplamente o papel do Estado na economia, inclusive a tributação, conforme o autor (piketti Thomas, 2014). 
a reforma tributária, de mera importância, é uma medida em que foi criada e mencionada na constituição de 1988, o qual o objetivo é cobrar impostos sobre bens ou serviços, sendo um recurso importante para política econômica visando tributos como a taxa e as contribuições de melhoria que seriam algumas de sua espécie, mencionada no art 3º do código tributário nacional.
 Atkinson e Stiglitz (1980) fazem uma interessante discussão sobre o papel normativo das finanças públicas. O exemplo é um imposto indireto sobre todas as mercadorias. A questão é se a alíquota deveria ser a mesma para todos os bens ou deveria ser diferenciada de acordo com o grau de essencialidade do produto. A resposta depende do objetivo. Se o objetivo é maximizar-se a eficiência do sistema econômico, então uma alíquota uniforme é a mais recomendada porque minimiza distorções.
 No Entanto o objetivo do sistema tributário é distribuir renda, bens de luxo deveriam ser tributados mais pesadamente. A conclusão a que se chega é que o desenho do sistema tributário ótimo não indica a alíquota exata sobre cada mercadoria, mas procura relacionar os objetivos de política e as políticas propriamente ditas, conforme o autor ( Atkinson e stiglitz, 1980).
o imposto indireto tem um grande papel normativo das finanças públicas, pois o objetivo desse imposto é buscar a taxa nas transações comerciais, de modo que é repassado ao consumidor final, transando consigo um impacto econômico em relação ao poder de compra das pessoas. No entanto, a alíquota sobre a mercadoria não é exata em relação ao sistema tributário Mas procurando relacionar os objetivos políticos. 
O tributo indireto é um grande desafio da gestão tributária nas empresas, por exemplo, mas sujeito a riscos fiscais. Esses tributos são Embutidos no preço final dos produtos e pagos de forma indireta pelos consumidores, com isso maximizando o sistema econômico. O sistema tributário seria nada menos que um conjuntodo recolhimento de taxas, impostos e por fim as contribuições em que o estado irá obter recursos para cumprir tais funções.
A tributação e a desigualdade social 
 O combate às desigualdades sociais pela via da tributação se dá não só pela redistribuição de renda, por intermédio da introdução de prestações positivas aos mais pobres, a partir de recursos orçamentários obtidos por meio da tributação dos mais ricos, mas ainda pela distribuição de rendas, que não tem propriamente o conteúdo distributivo, mas baseia-se se apenas nas receitas e na ideia de divisão justa do ônus fiscal pela capacidade contributiva, por meio da progressividade e da tributação sobre as grandes riquezas, a fim de evitar a concentração de renda. Deste modo, independentemente das prestações estatais positivas a serem financiadas pelas receitas públicas, a tributação das altas rendas e patrimônios constitui uma forma de fazer dos ricos um pouco menos ricos, o que acaba por assegurar uma maior igualdade social já que esses recursos são destinados a outros segmentos sociais, conforme o autor ( thomas piketty, 1997).
 O combate as desigualdades sociais ocorre em duas situações, pela redistribuição em que consiste taxas as pessoas mais ricas para benefício dos pobres, e pela distribuição de renda em que a arrecadação faz com que as pessoas mais ricas se tornem menos ricas, trazendo a igualdade social e o controle das crises financeiras.
 Quanto às desigualdades sociais, por meio da tributação ocorre pela redistribuição de renda, visto que recursos dos mais ricos ajudam os mais pobres. Isso inclui também uma divisão justa dos impostos, baseada na capacidade de cada um contribuir. A tributação sobre grandes riquezas de alguma forma evita a concentração de renda, tornando os ricos um pouco menos ricos e promovendo maior igualdade social, já que esses recursos vão para outros grupos.
Cashback e a Desoneração da Cesta Básica para a População de Baixa Renda
Segundo o sítio da Agência Câmara de notícias, uma novidade no sistema tributário nacional, é a devolução de tributos a pessoas de baixa renda, com o objetivo de beneficiar o responsável por família inscrita no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) com renda familiar mensal por pessoa declarada de até meio salário-mínimo.
A pessoa que receber a devolução deverá residir no território nacional e possuir CPF ativo, mas o mecanismo envolve as compras de todos os membros da família com CPF. As regras para o cashback valerão a partir de janeiro de 2027 para a CBS e a partir de 2029 para o IBS. Um regulamento definirá o método de cálculo e de devolução, mas desde já o texto prevê que serviços ou bens com periodicidade mensal de consumo terão o valor de devolução concedido na conta, a exemplo de energia elétrica, água e esgoto e gás natural. Em outras situações, o governo transferirá o dinheiro aos bancos em 15 dias após a apuração, que terão outros 10 dias para repassar aos beneficiados (Agência Câmara de Notícias)
As famílias de baixa renda comprometem a maior parte da sua renda com a sua subsistência, nesta perspectiva, a previsão de alíquota zero para itens da cesta básica pode aumentar o poder de compra da camada mais pobre. Vejamos o artigo 125 e 126 da Lei Complementar nº 214/2025, in verbis: 
Art. 125. Ficam reduzidas a zero as alíquotas do IBS e da CBS incidentes sobre as vendas de produtos destinados à alimentação humana relacionados no Anexo I desta Lei Complementar, com a especificação das respectivas classificações da NCM/SH, que compõem a Cesta Básica Nacional de Alimentos, criada nos termos do art. 8º da Emenda Constitucional nº 132, de 20 de dezembro de 2023.
Parágrafo único. Aplica-se o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 126 desta Lei Complementar às reduções de alíquotas de que trata o caput deste artigo.
Art. 126. Ficam instituídos regimes diferenciados do IBS e da CBS, de maneira uniforme em todo o território nacional, conforme estabelecido neste Título, com a aplicação de alíquotas reduzidas ou com a concessão de créditos presumidos, assegurados os respectivos ajustes nas alíquotas de referência do IBS e da CBS, com vistas a reequilibrar a arrecadação.
O anexo I da referida lei, relaciona os produtos destinados à alimentação, tais como: arroz; leite; manteiga; margarina; feijão; café; farinha de trigo; açúcar; pão; carnes; peixes; sal; mate; etc. Depreende-se, portanto, que a legislação abrangeu os itens alimentícios básicos, com o objetivo de garantir o equilíbrio alimentar. 
A produção agropecuária no Brasil é incentivada, pois deve garantir a segurança alimentar do País. Não se trata de um privilégio ao agronegócio, mas sim de assegurar a geração/produção de alimentos, de assegurar a geração de energia, de gerar postos de trabalho, e consequentemente movimentar a economia brasileira. 
A segurança alimentar é um tema de extrema importância, garantido inclusive no texto constitucional, vejamos o artigo 23 da lei maior: 
  Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios:
VIII - fomentar a produção agropecuária e organizar o abastecimento alimentar.
Neste sentido, a fim de garantir a segurança alimentar a toda a população, a reforma tributária regulamentou a forma do cashback (alíquotas do IBS e CBS reduzidas a zero) a fim de garantir o acesso ao alimento para as populações mais vulneráveis. 
 
Importante destacar ainda, a previsão de redução em Serviços Essenciais, como serviços de saúde e educação que terão alíquota reduzida em 60%, o que pode baratear esses serviços para a população.
Nesta linha, o Anexo II e Anexo III da referida Lei Complementar, elenca os serviços abrangidos pelo redutor de 60% da alíquota do IBS e da CBS, a título exemplificativos, está previsto nos serviços de educação, ensino: infantil, fundamental e médio, de línguas nativas, educação especial, entre outros. Assim como, no tocante aos serviços de saúde, abrange: serviços: cirúrgicos, psiquiátricos, enfermagem, ambulância, vigilância sanitária, farmacêutico, funerários, etc. 
Neste momento é prematuro afirmar se haverá aumento de carga tributária, tudo indica que para alguns setores haverá aumento substancial. Pergunta-se ainda, como será o imposto seletivo (imposto do pecado), será um risco para o agronegócio? É muito difícil dizer neste momento o que será a reforma tributária, como mencionado anteriormente, a reforma tributária ainda passará pelas normas que regulamentarão a sua aplicabilidade, como por exemplo, a definição das alíquotas. 
As alíquotas da CBS e IBS serão fixadas por lei específica, assim como as alíquotas de referência serão fixadas por Resolução do Senado Federal, vejamos a redação dos artigos 14, 18 e 19, da Lei Complementar nº 214/2025, in verbis: 
Art. 14. As alíquotas da CBS e do IBS serão fixadas por lei específica do respectivo ente federativo, nos seguintes termos:
I - a União fixará a alíquota da CBS;
II - cada Estado fixará sua alíquota do IBS;
III - cada Município fixará sua alíquota do IBS; e
IV - o Distrito Federal exercerá as competências estadual e municipal na fixação de suas alíquotas.
Art. 18. As alíquotas de referência serão fixadas por resolução do Senado Federal:
I - para a CBS, de 2027 a 2035, nos termos dos arts. 353 a 359, 366, 368 e 369 desta Lei Complementar;
II - para o IBS, de 2029 a 2035, nos termos dos arts. 361 a 366 e 369 desta Lei Complementar;
III - para o IBS e a CBS, após 2035, as vigentes no ano anterior.
Art. 19. Qualquer alteração na legislação federal que reduza ou eleve a arrecadação do IBS ou da CBS:
I - deverá ser compensada pela elevação ou redução, pelo Senado Federal, da alíquota de referência da CBS e das alíquotas de referência estadual e municipal do IBS, de modo a preservar a arrecadação das esferas federativas;
II - somente entrará em vigor com o início da produção de efeitos do ajuste das alíquotas de referência de que trata o inciso I deste caput.
Em suma, não é possível afirmar com precisão se a reforma tributária trará aumento ou redução dostributos. Ainda haverá o período de transição entre os dois regimes tributários (novo e antigo), do qual consequentemente, trará custos adicionais aos empresários, com previsão de implementação completa até o ano de 2033. Diante dos dispositivos legais, a Reforma tributária tem o potencial de beneficiar os mais pobres por meio da redução da tributação sobre o consumo básico e de mecanismos de cashback para as famílias de baixa renda. 
A referida legislação complementar introduz significativas novidades, como o tratamento unificado da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Outro ponto de destaque é a concepção do IBS como um imposto de âmbito federativo compartilhado (União, Estados e Municípios). Trata-se de inovações relevantes cuja adequação e impacto real no sistema tributário só poderão ser avaliados após a sua efetiva aplicação.
CONCLUSÃO 
A análise da Lei Complementar nº 214/2025, que regulamenta a Reforma Tributária sobre o consumo no Brasil, revela uma profunda reestruturação do sistema, alinhada a modelos internacionais de Imposto sobre Valor Agregado (IVA). A substituição de cinco tributos por um IVA Dual (CBS e IBS) e a criação do Imposto Seletivo representam um esforço significativo para superar a complexidade, a cumulatividade, a falta de transparência e a litigiosidade que caracterizavam o sistema anterior.   
As inovações trazidas pela reforma são notáveis, com destaque para a implementação do princípio do destino, a garantia de não cumulatividade plena e a introdução de mecanismos com potencial de promover maior justiça fiscal e social. O sistema split payment visa aumentar a eficiência arrecadatória e reduzir a sonegação. O cashback para famílias de baixa renda e a desoneração completa da Cesta Básica Nacional de Alimentos, juntamente com alíquotas reduzidas para serviços essenciais, são instrumentos importantes com potencial para mitigar a regressividade da tributação sobre o consumo e beneficiar as camadas mais vulneráveis da população.   
Contudo, a magnitude da reforma traz consigo desafios e incertezas consideráveis. A definição das alíquotas finais da CBS e do IBS, que ocorrerá por leis específicas dos entes federativos e resoluções do Senado, é um ponto crítico que determinará o impacto real na carga tributária geral e setorial, havendo preocupações sobre a possibilidade de o Brasil ter uma das maiores alíquotas de IVA do mundo. O longo período de transição, previsto até 2033, exigirá adaptação complexa por parte das empresas e da administração tributária, gerando custos adicionais. A efetividade da governança do Comitê Gestor do IBS e a operacionalização eficiente de mecanismos como o cashback também são cruciais para o sucesso da reforma.   
Em suma, a Reforma Tributária instituída pela LC nº214/2025 representa um marco modernizador para o sistema tributário brasileiro, com potencial para simplificar obrigações, melhorar o ambiente de negócios e introduzir maior equidade social. No entanto, seu êxito dependerá fundamentalmente da adequada regulamentação infralegal, da calibragem correta das alíquotas, da capacidade de implementação eficaz pelos entes federativos e pelo Comitê Gestor, e de um monitoramento contínuo dos seus impactos socioeconômicos durante o período de transição e após sua plena vigência.
REFERÊNCIAS
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