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SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL REALIZAÇÃO ESCOLA DE NEGÓCIOS E SEGUROS SUPERVISÃO E COORDENAÇÃO METODOLÓGICA DIRETORIA DE ENSINO TÉCNICO ASSESSORIA TÉCNICA JOSÉ EDUARDO TEIXEIRA ARIAS – 2023/ 2022/ 2021 PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO ESCOLA DE NEGÓCIOS E SEGUROS – GERÊNCIA DE CONTEÚDO E PLANEJAMENTO PICTORAMA DESIGN Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca da Escola de Negócios e Seguros E73s Escola de Negócios e Seguros. Diretoria de Ensino Técnico. Seguros de responsabilidade civil geral / Supervisão e coordenação metodológica da Diretoria de Ensino Técnico; assessoria técnica de José Eduardo Teixeira Arias. – 28. ed. – Rio de Janeiro : ENS, 2023. 3,34 Mb ; PDF 1. Seguros de responsabilidade civil. I. Arias, José Eduardo Teixeira. II. Título. 0022-2678 CDU 368.41.016.1(072) 28ª EDIÇÃO RIO DE JANEIRO 2023 É proibida a duplicação ou reprodução deste volume, ou de partes dele, sob quaisquer formas ou meios, sem permissão expressa da Escola. SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL A ENS, promove, desde 1971, diversas iniciativas no âmbito educacional, que contribuem para um mercado de seguros, previdência complementar, capitalização e resseguro cada vez mais qualificado. Principal provedora de serviços voltados à educação continuada, para profissionais que atuam nessa área, a Escola de Negócios e Seguros oferece a você a oportunidade de compartilhar conhecimento e experiências com uma equipe formada por especialistas que possuem sólida trajetória acadêmica. A qualidade do nosso ensino, aliada à sua dedicação, é o caminho para o sucesso nesse mercado, no qual as mudanças são constantes e a competitividade é cada vez maior. Seja bem-vindo à Escola de Negócios e Seguros. SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL 1. RESPONSABILIDADE CIVIL: ASPECTOS JURÍDICOS 8 INTRODUÇÃO 9 Considerações sobre a Circular Susep 637/2021 9 A Obrigação de Indenizar 10 A SUBSCRIÇÃO DO RISCO NOS SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL 11 O Risco Moral 11 O Risco Físico 11 O Risco Jurídico 12 DIFERENÇA ENTRE RESPONSABILIDADE CIVIL E RESPONSABILIDADE PENAL 13 ELEMENTOS ESSENCIAIS DA RESPONSABILIDADE CIVIL 14 Ação ou Omissão do Agente 15 Culpa ou Dolo do Agente 16 Nexo de Causalidade entre a Ação/ Omissão do Agente e o Dano 17 Dano experimentado pela vítima 17 TEORIAS DA RESPONSABILIDADE CIVIL: RESPONSABILIDADE OBJETIVA E RESPONSABILIDADE SUBJETIVA 18 RESPONSABILIDADE CONTRATUAL E RESPONSABILIDADE EXTRACONTRATUAL 20 Responsabilidade Contratual 20 Responsabilidade Extracontratual ou Aquiliana 21 TERCEIROS 21 PRESCRIÇÃO 21 JURISPRUDÊNCIA 22 FIXANDO CONCEITOS 1 23 SUMÁRIO INTERATIVO SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL 2. CONHECENDO AS CARACTERÍSTICAS E OS PRINCÍPIOS DO SEGURO DE RCG 24 CONSIDERAÇÕES INICIAIS 25 MAIS SOBRE A CIRCULAR SUSEP 637/2021 26 OBJETO DO SEGURO 27 FORMA DE INDENIZAÇÃO 27 PROTEÇÃO AO PATRIMÔNIO 29 TIPOS DE APÓLICES 29 Apólice à Base de Ocorrência 29 Apólice à Base de Reclamação 30 Conclusões sobre os tipos de apólices de Responsabilidade Civil 36 CLASSIFICAÇÃO DOS SEGUROS 36 Códigos dos Ramos dos Seguros de Responsabilidade Civil – Grupo 03 37 LIMITES DE RESPONSABILIDADE 37 Considerações Importantes sobre Limites Segurados 39 ESGOTAMENTO DOS LIMITES SEGURADOS 40 FIXANDO CONCEITOS 2 41 3. DISPOSIÇÕES TARIFÁRIAS GERAIS 42 CONHECENDO AS DISPOSIÇÕES TARIFÁRIAS GERAIS 43 Proposta e Questionário 43 Garantia Única 44 Prazo do Seguro 44 Pluralidade de Coberturas – RCG 44 Critérios Adotados para o Cálculo dos Prêmios 45 Franquias 46 FIXANDO CONCEITOS 3 50 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL 4. RESPONSABILIDADE CIVIL MODALIDADES E CONDIÇÕES ESPECIAIS 51 CONSIDERAÇÕES INICIAIS SOBRE AS MODALIDADES DE COBERTURAS DO RCG 52 LIMITES DE ATUAÇÃO DO SEGURO DE RCG 53 Riscos Não abrangidos pelo RCG 53 Seguros de Riscos de Engenharia: Seguros de Obra Civil em Construção e Instalação e Montagem 54 Riscos Excluídos 55 MODALIDADES E CONDIÇÕES ESPECIAIS 58 MODALIDADES DE RCG MAIS UTILIZADAS NO MERCADO BRASILEIRO 60 RC – Estabelecimentos Comerciais e/ou Industriais 60 RC – Empregador 62 RC – Riscos Contingentes – Veículos Terrestres Motorizados 63 RC – Produtos no Território Nacional 65 RC – Produtos no Exterior 69 RC – Condomínios, Proprietários e/ou Locatários de Imóveis 70 RC – Guarda de Veículos de Terceiros 71 RC – Obras Civis e/ou Serviços de Montagem e Instalação de Máquinas e/ou Equipamentos 74 RC – Prestação de Serviços em Locais de Terceiros 78 RC – Familiar 79 DEMAIS RAMOS DO GRUPO 03 – RESPONSABILIDADES 81 RC – Profissional – Ramo 78 81 RC – Profissional de Corretores de Seguros 82 RC – Administradores e Diretores (D&O) – Ramo 10 83 RC – Compreensivo Riscos Cibernéticos – Ramo 27 84 RC – Riscos Ambientais – Ramo 13 85 FIXANDO CONCEITOS 4 86 5. RISCOS AMBIENTAIS 87 INTRODUÇÃO 88 LEGISLAÇÃO 89 Cobertura Adicional de Poluição Súbita 91 Cobertura de Poluição Súbita em RC – Produtos 92 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL RC – POLUIÇÃO AMBIENTAL 92 Objeto do Seguro 92 Riscos Excluídos 93 Obrigações do Segurado 94 Liquidação de Sinistros 95 Renovação 95 FIXANDO CONCEITOS 5 96 6. SINISTROS 97 NOÇÕES DE REGULAÇÃO E LIQUIDAÇÃO DE SINISTROS 98 Características Básicas do Regulador 99 Documentação Pertinente à Regulação 99 Providências na Regulação 100 Utilização de Checklist 101 Regras para Liquidação de Sinistros 102 FIXANDO CONCEITOS 6 107 ESTUDOS DE CASO 108 ANEXOS 110 GABARITO 115 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 117 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL 8 UNIDADE 101 ■ Compreender os aspectos jurídicos aos quais os futuros clientes estejam expostos, interpretando como se processa a formação da responsabilidade. Após ler esta unidade, você deverá ser capaz de: ⊲ INTRODUÇÃO ⊲ A SUBSCRIÇÃO DO RISCO NOS SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL ⊲ DIFERENÇA ENTRE RESPONSABILIDADE CIVIL E RESPONSABILDADE PENAL ⊲ ELEMENTOS ESSENCIAIS DA RESPONSABILIDADE CIVIL ⊲ TEORIAS DA RESPONSABILIDADE CIVIL ⊲ RESPONSABILIDADE CONTRATUAL E RESPONSABILIDADE EXTRACONTRATUAL ⊲ TERCEIROS ⊲ PRESCRIÇÃO ⊲ JURISPRUDÊNCIA ⊲ FIXANDO CONCEITOS 1 TÓPICOS DESTA UNIDADE RESPONSABILIDADE CIVIL: ASPECTOS JURÍDICOS SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL 9 UNIDADE 1 INTRODUÇÃO — Considerações sobre a Circular Susep 637/2021 A circular Susep 637, de 27/07/2021, trouxe grandes modificações à come- cialização dos seguros de responsabilidade civil no Brasil, cujos detalhes veremos no decorrer do estudo deste manual. Em razão dessas modificações, diversos normativos foram cancelados, como apresentado em mais detalhes logo no início da Unidade 2. No entanto, o principal normativo que deixou de existir foi a Circular SUSEP 437, de 14 de junho de 2012, que estabelecia as regras básicas das con- dições contratuais do Plano Padronizado dos seguro de responsabilidade civil geral (RCG). Tanto a nova circular 637/2021 quanto a antiga, e ago- ra extinta, circular 437/2012 não determinam normas de precificação às seguradoras; daí não conter disposições tarifárias referentes à efetivação do cálculo do prêmio, ficando por conta da seguradora tal prerrogativa, e agora de forma muito mais flexível. Não obstante a necessidade de mencionarmos partes das antigas condições padronizadas, unicamente com intuito de melhor explicar o fun- cionamento do seguro de Responsabilidade Civil Geral – RCG, o estudo das diversas modalidades aqui tratadas é suficiente para que os alunos possam compreender os pressupostos e as nuanças desse ramo, de tal modo que estejam capacitados a operar com qualquer tipo de planos e contratos novos de Planos não Padronizados. 10 UNIDADE 1 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL — A Obrigação de Indenizar Vamos entrarfacilitando as operações administrativas do segurado e da seguradora. Todavia, não podemos confundir as diversas modalidades de cobertu- ras possíveis de serem garantidas no seguro de Responsabilidade Civil Geral com os outros ramos que, juntos com o próprio RCG, integram o Atenção Cada modalidade deve ter seus limites perfeitamente demarcados, sob pena de o segurado requerer, numa eventual insuficiência de valor, a utilização de capital inerente à cobertura não utilizada. É conveniente que isso fique esclarecido no contrato. 45 UNIDADE 3 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL grupo de seguros de responsabilidade. Mais especificamente, estamos falando dos seguros de Responsabilidade Civil de Diretores e Adminis- tradores de Empresas (RC-D&O); Responsabilidade Civil Profissional (RC-Profissional); Responsabilidade Civil Compreensivo Riscos Cibernéti- cos (RC-Riscos Cibernéticos) e Responsabilidade Civil Riscos Ambientais (RC-Riscos Ambientais). Assim sendo, para cada modalidade coberta no RCG, será necessário discriminar na apólice o limite máximo de indenização (LMI), a franquia, o limite agregado (LA) e o limite máximo de garantia (LMG). Cabendo lembrar que, quando se esgotarem os limites de responsabilidades de uma das modalidades, esta cobertura específica estará automaticamen- te cancelada, sem influenciar, porém, na cobertura das outras modalidades constantes da apólice. — Critérios Adotados para o Cálculo dos Prêmios De modo geral, em quase todos os ramos de seguro, o prêmio é calculado por meio da multiplicação de uma taxa pelo valor segurado. No caso de RCG, o prêmio é calculado por meio de parâmetros (infor- mações) diferenciados para cada risco de responsabilidade civil. Esses parâmetros são definidos com base nas informações do questionário preenchido pelo segurado, entregue com a proposta. Essas informações, necessárias ao cálculo do prêmio de seguro, servem, também, para análise do risco por parte do subscritor da seguradora. De posse dessas informações, as seguradoras aplicam, de acordo com o risco, suas fórmulas e critérios específicos para o cálculo de prêmio. Importante A partir do início da década de 1990, mais precisamente com a publicação do Decreto 605, de 17/07/1992 e outras normas complementares, o mercado de seguros foi auto- rizado a desenvolver e aprovar junto à Susep novos modelos de seguros, conhecidos como seguros compreensivos. Com essa inovação, as formas de taxação dos riscos puderam também ser alteradas, permitindo a cada seguradora criar seus produtos de acordo com a suas expertises. Decorridos quase 30 anos dessa reformulação, podemos afirmar que existe hoje no mercado uma série de produtos diferenciados, cada um com um critério diferente para o cálculo do prêmio. Subscritor Técnico com muita experiência no ramo de seguro em que atua, que faz a análise técnica de aceitação e precificação do risco. 46 UNIDADE 3 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Nos seguros de responsabilidade civil, os fatores primordias considerados pelas seguradoras para o cáclulo do prêmio são bem parecidos com os critérios que já vimos para orientar o cliente para fins de determinação dos limites segurados, como sendo: ■ Tipo de atividade desenvolvida pelo segurado, se industrial, comercial ou prestação se serviços; ■ Abrangência da atuação das atividades do segurado, se apenas no âmbito regional ou nacional; ■ Nível de faturamento, para fins de enquadramento da empresa como pequeno, médio ou grande porte; ■ Limites de responsabilidade determinados pelo segurado. Basicamente, para fins de cálculo do prêmio, os módulos de cotação das seguradoras somam a esses fatores os seus resultados de sinistralida- de e a experiência em cada uma das diversas modalidades e tipos de seguros de responsabilidade civil, aliandos a alguns outros fatores que veremos a seguir. Outros fatores que podem influenciar o cálculo final do prêmio Desconto por Experiência No desenvolvimento de uma tarifa de Responsabilidade Civil, a seguradora pode prever a concessão de desconto por experiência para os riscos que apresentarem boa experiência ao longo de sucessivas renovações. Boa experiência quer dizer baixa sinis- tralidade. Ou seja, ocorrência de sinistros dentro do que se pode entender como razoável atuarialmente falando. Dependendo do produto de cada Segurador, a metodologia para concessão desse desconto certamente sofrerá variações. — Franquias A franquia, como sabemos, corresponde à parte do sinistro dos prejuízos assumida pelo segurado e pode ser aplicada normalmente nos Seguros de Responsabilidade Civil. Quando previstas nas condições contratuais do seguro, as franquias nor- malmente utilizadas são do tipo dedutíveis por sinistro e são aplicadas sobre os prejuízos apurados, podendo ou não representar a concessão de descontos na apuração do prêmio final. 47 UNIDADE 3 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Exemplo de aplicação da franquia (em caso de sinistro) 1) LMI = R$ 30.000,00 Franquia = R$ 5.000,00 Prejuízo = R$ 40.000,00 Valor da indenização = R$ 40.000,00 – R$ 5.000,00 = R$ 35.000,00 (como o LMI é o valor máximo indenizável, neste caso, o valor da indenização será igual a R$ 30.000,00) Valor da indenização = R$ 30.000,00 2) LMI = R$ 500.000,00 Franquia = R$ 2.000,00 Prejuízo = R$ 27.000,00 Valor da indenização = R$ 27.000,00 – R$ 2.000,00 = R$ 25.000,00 Participação Obrigatória do Segurado – POS Quando incluída na apólice, a POS significa a participação obrigatória do segurado, com um percentual normalmente aplicado sobre os pre- juízos apurados em cada sinistro. Geralmente, essas participações estabelecem também, além do percen- tual, limites monetários mínimos e/ou máximos, que também devem constar da especificação da apólice. A exemplo das franquias, a POS também pode representar a concessão de descontos no cálculo do prêmio final. 48 UNIDADE 3 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Exemplo de aplicação da POS (em caso de sinistro) 1) LMI = R$ 30.000,00 POS = 15%, com Mínimo de R$ 500,00 Máximo de R$ 2.000,00 Prejuízo = R$ 15.000,00 Valor da POS = R$ 15.000,00 × 15% = 2.250,00 (como o valor máximo é igual a R$ 2.000,00, a POS a ser aplicada será de R$ 2.000,00) Valor da indenização = R$ 15.000,00 – R$ 2.000,00 = R$ 13.000,00 2) LMI = R$ 500.000,00 POS = 10% com Mínimo de R$ 1.000,00 Máximo de R$ 4.000,00 Prejuízo = R$ 7.000,00 Valor da POS = R$ 7.000,00 × 10% = 700,00 (como o valor mínimo é igual a R$ 1.000,00, a POS será de R$ 1.000,00) Valor da indenização = R$ 7.000,00 – R$ 1.000,00 = R$ 6.000,00 IMPORTANTE: Observe que, no primeiro exemplo, a franquia é estabe- lecida na apólice por meio de valor monetário, enquanto a participação obrigatória do segurado (POS), no segundo exemplo, é fixada por meio de um percentual. No primeiro exemplo, o valor é fixo e do conhe- cimento antecipado do segurado; no segundo (POS), o valor varia de acordo com o prejuízo. 49 UNIDADE 3 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Organizando as Ideias Foram estudadas, nesta unidade, a proposta, o questionário, a garantia, os prazos, as modalidades de coberturas, os critérios para taxação de riscos e as franquias. Essas são as disposições tarifárias gerais. Podemos dizer que não há um contrato de seguro se não houver uma proposta apre- sentada à seguradora, para que ela possa avaliar o risco. Por outro lado, é por meio do questionário que a seguradora busca informações sobre o risco a ser segurado. Quando se fala em seguro, fala-se obviamente em garantia de indenizações. No merca- do, brasileiro, dá-se preferência pela garantia única, ou seja, um único capital segurado abrange indenizações por danos corporais e/ou materiais causados a terceiros. E tudo isso dentro de um determinado prazo (vigência). A depender da atividade do segurado, uma apólice do tipo RCG pode abranger mais de uma modalidadede cobertura. Cada modalidade terá seu limite de garantia discrimina- do. Isso significa que, esgotada a garantia de uma das modalidades, ela estará automa- ticamente cancelada sem que isso influencie na cobertura das outras modalidades. Finalmente, é importante lembrar que o prêmio de Seguro de Responsabilidade Civil é calculado mediante uma série de parâmetros, diferenciados para cada tipo de risco e que pode ser diferente de seguradora para seguradora. 50 FIXANDO CONCEITOS SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL FIXANDO CONCEITOS 3 Marque a alternativa correta 1. Tanto a proposta quanto o questionário de avaliação de risco – QAR são encaminhados à seguradora para que possa ser realizada uma ava- liação criteriosa e, se necessário, uma inspeção de risco no local a ser segurado. Nesse contexto, podemos afirmar que a Proposta e o QAR têm duas fina- lidades básicas. Aponte quais são essas duas finalidade: (a) Aceitação do Risco e Regulação de Sinistros. (b) Regulação e Liquidação de Sinistros. (c) Inspeção do Risco e Avaliação dos Limites Segurados. (d) Renovação do Seguro e Cálculo do Prêmio. (e) Aceitação do Risco e Cálculo do Prêmio. Marque a alternativa correta 2. Em todo seguro, existe um método de taxação do risco, ou seja, o modo como se determina o prêmio a ser cobrado do segurado. No Seguro de RC, para fins de cálculo do prêmio é correto afirmar que: (a) O prêmio a cobrar depende exclusivamente dos riscos excluídos. (b) O cálculo do prêmio depende exclusivamente do desconto a ser aplicado. (c) Deve-se respeitar os critérios aprovados por cada seguradora para o produto. (d) Sempre haverá aplicação do coeficiente de agravação. (e) O cálculo está diretamente ligado ao valor da franquia. Consulte o gabarito clicando aqui. SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL 51 UNIDADE 404 RESPONSABILIDADE CIVIL MODALIDADES e CONDIÇÕES ESPECIAIS ■ Compreender as características gerais das principais modalidades do Seguro de RCG, bem como o das coberturas acessórias, interpretando qual é a modalidade ou o conjunto de modalidades que melhor atende ao segurado. Após ler esta unidade, você deverá ser capaz de: TÓPICOS DESTA UNIDADE ⊲ CONSIDERAÇÕES INICIAIS SOBRE AS MODALIDADES DE COBERTURAS DO RCG ⊲ LIMITES DE ATUAÇÃO DO SEGURO DE RCG ⊲ MODALIDADES E CONDIÇÕES ESPECIAIS ⊲ MODALIDADES DE RCG MAIS UTILIZADAS NO MERCADO BRASILEIRO ⊲ DEMAIS RAMOS DO GRUPO 03 – RESPONSABILIDADES ⊲ FIXANDO CONCEITOS 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL 52 UNIDADE 4 CONSIDERAÇÕES INICIAIS SOBRE AS MODALIDADES DE COBERTURAS DO RCG O ramo 51 – Responsabilidade Civil Geral-RC é composto por um gran- de número de modalidades, abrangendo uma grande variedade de atividades econômicas. Porém, antes de estudarmos a aplicação das diversas modalidades do ramo, é importante frisar que até a expedição da Circular Susep 637/2021, todas essas modalidades possuiam condições e cláusulas totalmente padronizadas. Como o objetivo da referida circular 637 é promover, no mercado segurador, a simplificação das condições contratuais dos seguros de responsabilidade civil, a redação de todas as cláusulas das diversas modalidades de cober- turas que compõem o seguro de RCG deixaram de ter o caráter obrigátorio de uso na forma padronizada que se apresentam, face o cancelamento da circular Susep 437 de 14/06/2012, que instituiu tal padronização pela Circular 637/2021. Contudo, cabe salientar que o uso das condições padronizadas não está proibido, mesmo porque as coberturas continuarão sendo normalmente comercializadas, porém, agora, tendo seus termos desenvovidos por cada seguradora ou negociados diretamente com os clientes. Lembrando, tam- bém, que as seguradoras terão o prazo de 180 dias para promoverem as alterações em seus produtos, conforme anteriormente mencionado. Por essas razões, o conteúdo do nosso manual apresentará os termos e as condições das modalidades dos seguro de RCG, na forma ainda padroniza- da, destancando, na medida que o texto permitir, as mudanças permitidas pela circular 637/2021. 53 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL LIMITES DE ATUAÇÃO DO SEGURO DE RCG — Riscos Não abrangidos pelo RCG Teoricamente, os Seguros de Responsabilidade Civil serão tantos quantas forem as atividades humanas. Mas, por diversos motivos, alguns Seguros de Responsabilidade Civil não são abrangidos pelo ramo RCG, como os vinculados à circulação de veículos, por exemplo. Alguns riscos de Responsabilidade Civil não se enquadram nos limites de atuação do Ramo RCG, por estarem amparados em outros ramos de seguro mais específicos e, assim, foram retirados do RCG visando à busca de melhor tratamento técnico-atuarial, já que apresentam características marcantes e grande número de unidades expostas ao risco, o que requer gerenciamento e subscrição diferenciados. Vejamos os exemplos na tabela a seguir: OPERADORES SEGURO ESPECÍFICO Proprietários de Veículos Responsabilidade Civil Facultativa – Veículos – RCF-V Transportador Rodoviário Responsabilidade Civil do Transportador Rodiviário de Carga – RCTR-C Transportador Rodoviário Internacional Responsabilidade Civil do Tranportador Internacional – RCTV-I Transportador Aéreo Responsabilidade Civil do Transportador Aéreo – RETA Transportador Aéreo de Carga Responsabilidade Civil do Transportador Aéreo – RETA-C Armador – Carga Responsabilidade Civil do Armador RCA-C Operadores de Usinas Nucleares Seguro de Riscos Nucleares Serviços de Prospecção e Exploração de Petróleo Seguro de Riscos de Petróleo Prestadores de Serviços e Proprietários de Aeronaves Seguro Aeronáutico Construtor de Imóveis financiados pelo Sistema Financeiro da Habitação Seguro Habitacional Construtor Naval Seguro Cascos 54 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL — Seguros de Riscos de Engenharia: Seguros de Obra Civil em Construção e Instalação e Montagem Existem, ainda, outros ramos que operam modalidades de Seguros de Responsabilide Civil, com coberturas e subscrição específicas, em razão da peculiaridade da carteira. Como exemplo, temos as modalidade opera- das nos seguros de Riscos de Engenharia. Além dos riscos cobertos específicos das apólices de Seguros de Riscos de Engenharia, existe uma série de coberturas adicionais que podem ser utilizadas como ampliação da cobertura básica, de acordo com a conve- niência do segurado. As coberturas adicionais são contratadas juntamente com a cobertura básica mediante solicitação expressa do segurado e cobrança do respec- tivo prêmio adicional. É necessário que se tenha a cobertura básica para contratar as coberturas adicionais. A vantagem principal das coberturas adicionais é ampliar a garantia neces- sária para cada tipo de risco, devido aos diversos fatores presentes numa obra, como clima, topografia, tipo de solo, vizinhança, distância, possíveis despesas extras. As cláusulas que regem as coberturas adicionais oferecidas nos Seguros de Obra Civil em Construção e Instalação e Montagem, que dizem respeito ao Ramo RCG, são as seguintes: Cobertura de Responsabilidade Civil Geral A cobertura de Responsabilidade Civil Geral cobre os danos materiais e pessoais causados a terceiros em decorrência dos trabalhos pertinentes à obra. Todos os funcionários e bens dos empreiteiros e subempreiteiros envolvidos na obra não estão abrangidos por essa cobertura, já que não são considerados terceiros. A seguradora responsabiliza-se por indeniza- ções até o limite estabelecido na garantia da apólice. O critério para a taxação da cobertura leva em consideração os seguintes parâmetros: ■ A classificação do risco quanto à vizinhança; ■ A verificação, no contrato, se os serviços são de execução com projeto ou de montagem com o fornecimento de equipamentos; e ■ A definição do coeficiente de agravação de taxa em função do limite de responsabilidadeescolhido pelo segurado. 55 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Cobertura de Responsabilidade Civil Cruzada A cobertura de Responsabilidade Civil Cruzada estende-se aos participan- tes da apólice: segurado, empreiteiros, subempreiteiros e contratados, como se cada um deles tivesse contratado uma apólice separadamente. Assim, todos são considerados terceiros entre si. Essa cobertura tem como justificativa maior o fato de serem usuais as ocorrências de danos pes- soais e materiais (equipamentos envolvidos na execução do projeto) que os empreiteiros sofrem durante a obra. A responsabilidade da seguradora fica limitada à garantia estabelecida na apólice. Essa cobertura é um complemento da cláusula de Responsabilidade Civil Geral e não pode ser contratada separadamente. Propriedade Circunvizinha Cobre danos materiais a outros bens de propriedade do segurado ou bens de terceiros sob a sua guarda, custódia ou controle, existentes no cantei- ro de obras, desde que comprovadamente decorrentes dos trabalhos de execução ou testes. Responsabilidade Civil do Empregador Garante as quantias pelas quais o segurado vier a ser responsável civilmen- te, devido aos danos corporais causados involuntariamente a empregados ou a seus representantes quando estiverem exclusivamente a seu serviço no canteiro de obras. — Riscos Excluídos Os Riscos Excluídos fazem parte das apólices de qualquer ramo e servem para delimitar a amplitude das coberturas concedidas. Para se adaptar à realidade do mercado, as seguradoras podem alterar essas exclusões reduzindo ou ampliando à medida que isso se torne necessário. As novas diretrizes estabelecidas para os seguros de responsabilidade civil pela Circular Susep 637/2021 especifica, em seu artifgo 6º, que não podem ser excluídos da garantia os danos atribuídos ao segurado causados por: I. atos ilícitos culposos ou dolosos praticados por seus empregados ou pessoas a estes assemelhados; II. atos ilícitos culposos praticados pelo segurado, pelo beneficiário ou pelo representante legal de um ou de outro, se o segurado for pessoa física; ou III. atos ilícitos culposos praticados pelos sócios controladores, diri- gentes, administradores legais, beneficiários, subcontratados e respectivos representantes legais, se o segurado for pessoa jurídica. 56 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL É sempre bom lembrar que, normalmente, as condições contratuais dos seguros de responsabilidade excluem também os riscos que possam ser cobertos por ramos ou coberturas específicas. Porém, existem riscos que, tradicionalmente, são excluidos da ecobertura e sua inclusão, normalmente, não é admitida. Vejamos alguns exemplos: a) Danos decorrentes de atos de hostilidade ou de guerra, tumultos, greve, lockout, rebelião, insurreição, revolução, confisco, naciona- lização, destruição ou requisição, decorrentes de qualquer ato de autoridade de fato ou de direito, civil ou militar e, em geral, todo e qualquer ato ou consequência dessas ocorrências; b) Danos decorrentes de atos praticados por qualquer pessoa, agindo por parte de ou em ligação com qualquer organização cujas atividades visem derrubar, pela força, o governo ou instigar a sua queda, pela perturbação da ordem política e social do País, por meio de atos de terrorismo, guerra revolucionária, subversão e guerrilhas, saque ou pilhagem; c) Responsabilidades assumidas pelo segurado, por contratos ou convenções, que não sejam decorrentes de obrigações civis legais; d) Danos consequentes do inadimplemento de obrigações por força exclusiva de contratos e/ou convenções; e) Quando, entre o segurado e o terceiro reclamante, existir par- ticipação acionária ou por cota, até o nível de pessoas físicas que, isoladamente ou em conjunto, exerçam ou tenham possi- bilidade de exercer controle comum da empresa segurada e da empresa reclamante; f) Indenizações a título de punição (punitive damage) ou a título exemplar (exemplary damage). Exemplos de riscos excluídos pelas condições contratuais, mas que a cobertura pode ser negociada ou pertencem a outro ramo mais específico. a) Danos causados a empregados ou prepostos do segurado quando a serviço. Como garantir? Negociar a inclusão da cobertura de RC Empregador. b) Danos a veículos sob guarda do segurado. Como garantir? Negociar a inclusão da cobertura de RC Guarda de Veículos. 57 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL c) Danos causados pela circulação de veículos eventualmente a serviço do segurado. Como garantir? Negociar cobertura adicional de veículos do segurado. d) Danos causados pelo manuseio, uso ou por imperfeição de pro- dutos fabricados, vendidos, negociados ou distribuídos pelo segurado, depois de entregues a terceiros, definitiva ou provisoria- mente, e fora dos locais ocupados ou controlados pelo segurado. Como garantir? Negociar a cobertura de RC Produtos. e) Danos relacionados à prestação de serviços profissionais a ter- ceiros, tais como serviço médico, odontológico, de enfermagem, advocacia, engenharia, arquitetura, auditoria, contabilidade, processamento de dados e similares. Como garantir? Negociar o seguro específico de RC Profissional. f) Danos morais. Como garantir? Negociar a cobertura de adicional de Danos Morais. De todas as exclusões apresentadas, quatro devem ser observadas com mais detalhe: Danos a Bens de Terceiros sob a Responsabilidade do Segurado O segurado que tem a posse direta de bens de terceiros deve, por lei, preservá-los como se fossem seus. A cobertura para esses riscos encontra-se nos seguros mais específicos, como os de Incêndio, Roubo, com cláusula beneficiária em favor do proprietário do bem. Essa exclusão faz com que o segurado assuma o risco do seu pró- prio negócio (business risk), pois não é função do Seguro de RCG transferir para a seguradora riscos ligados ao interesse do próprio segurado com terceiros, embora em algumas modalidades do Seguro de RCG isso seja admitido, como nos casos de RC – Guarda de Veículos, RC – Guarda de Embarcações e RC – Armazéns Gerais. Responsabilidades Assumidas pelos Segurados O objetivo dessa exclusão é evitar que o segurador tenha que aca- tar alguma obrigação civil, além do ordenamento jurídico, assumida pelo segurado, uma vez que não pode previamente dimensioná-la. Exemplo: se um segurado garantir, em propaganda, que se res- ponsabilizará pelo pagamento em dobro por algum tipo de dano corporal que seu produto cause ao cliente, a seguradora somente garantirá cobertura sobre valor do dano, enquanto o valor prome- tido em dobro terá de ser assumido pelo segurado. 58 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Inadimplemento de Obrigações Contratuais As apólices de RCG atuam, basicamente, na esfera da Respon- sabilidade Civil Extracontratual. As responsabilidades civis contratuais podem ser cobertas por meio do Ramo Garantia de Obrigações Contratuais. Perdas Financeiras Só existe cobertura para perdas financeiras e lucros cessantes quando esses riscos são diretamente decorrentes de danos corporais e/ou materiais cobertos pelo contrato de seguro. Exemplo: uma fábrica explode e danifica uma fábrica vizinha, que fica sem produzir por 1 mês. Aquele vizinho atingido teve um lucro cessante, decorrente da explosão da fábrica do segurado. Nesse caso, haverá cobertura, pois o lucro cessante foi consequência de um risco coberto (explosão). MODALIDADES E CONDIÇÕES ESPECIAIS Relacionamos algumas das modalidades de Responsabilidade Civil Geral que o mercado oferece. Elas são aplicadas de acordo com o risco contratado. Procuramos destacar as mais utilizadas no mercado brasileiro, apresentando, resumidamente, o objeto do seguro de cada uma, bem como os riscos cobertos, excluídos e os tipos de coberturas. Em alguns casos, acrescentam-se observações relevantes sobre suas características. Algumas dasModalidades de Responsabilidade Civil Geral ■ Anúncios e Antenas; ■ Armazéns Gerais e Similares; ■ Auditórios; ■ Clubes, Agremiações e Associações Recreativas; ■ Condomínios, Proprietários e Locatários de Imóveis; ■ Empregador; ■ Estabelecimentos Comerciais e/ou Industriais; ■ Estabelecimentos de Ensino; ■ Estabelecimentos de Hospedagem, Restaurantes, Bares e Similares; 59 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL ■ Exposições e Feiras de Amostras; ■ Familiar; ■ Farmácias e Drogarias; ■ Guarda de Embarcações de Terceiros; ■ Guarda de Veículos de Terceiros; ■ Obras Civis e/ou Instalação e/ou Montagem de Equipamentos; ■ Operações de Carga e Descarga; ■ Operações de Vigilância; ■ Parques de Diversões, Zoológicos e Circos; ■ Prestações de Serviços em Locais de Terceiros; ■ Produtos no Exterior; ■ Produtos no Território Nacional; ■ Promoção de Eventos Artísticos, Esportivos; ■ Riscos Contingentes – Veículos Terrestres Motorizados; ■ Shopping centers; ■ Teleféricos e Similares; ■ Transporte de Passageiros em Embarcações; ■ Concessionárias ou não de Serviços de Produção e Distribuição de Gás; ■ Concessionárias ou não de Serviços de Produção e Distribuição de Eletricidade; ■ Concessionárias ou não de Serviços de Abastecimento de Água e/ ou Saneamento Básico; ■ Concessionárias ou não de Pontes e/ou Rodovias; ■ Concessionárias ou não de Ferrovias. 60 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL MODALIDADES DE RCG MAIS UTILIZADAS NO MERCADO BRASILEIRO — RC – Estabelecimentos Comerciais e/ou Industriais Essa modalidade é mais conhecida no mercado brasileiro como RC – Operações e é o principal seguro para riscos comerciais e industriais do RCG. Para tanto, as coberturas oferecidas devem ser as mais abrangentes, visando dar cobertura a diversas atividades. Riscos Cobertos Considera-se risco coberto a responsabilidade civil do segurado decorrente de: ■ Existência, uso e conservação dos imóveis especificados na apóli- ce. O termo “garantir a existência, uso e conservação dos imóveis especificados na apólice” engloba uma infinidade de situações, fatos, atos e ocorrências de riscos, como: incêndios, explosões, quedas de objetos, e outras; ■ Operações comerciais e/ou industriais do segurado, inclusive ope- rações de carga e descarga em local de terceiros; ■ Existência e conservação de painéis de propaganda, letreiros e anúncios pertencentes ao segurado; ■ Eventos programados pelo segurado sem cobrança de ingres- sos, limitados aos seus empregados, familiares e pessoas comprovadamente convidadas; ■ Danos causados por mercadorias transportadas pelo segurado ou a seu mando, em local de terceiros ou em via pública, excluídos, no entanto, os danos decorrentes de acidente com o veículo transportador. Riscos Excluídos Em RC – Estabelecimentos Comerciais e/ou Industriais, tradicionalmente, não estão cobertas reclamações decorrentes de: ■ Danos causados por construção, demolição, reconstrução ou alteração estrutural do imóvel, bem como qualquer tipo de obra, inclusive instalações e montagens, admitidos, porém, pequenos trabalhos de reparos destinados à manutenção do imóvel; ■ Danos causados a/ou por embarcações de qualquer espécie; 61 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL ■ Competições e jogos de qualquer natureza, salvo convenção em contrário; ■ Instalações e montagens, bem como de qualquer prestação de serviço em locais ou recinto de propriedade de terceiros ou por estes controlados ou utilizados. Importante: Em razão das modificações promovidas pela Circular 637/2021, nada impede que as seguradoras passem a dar cobertura a qualquer um desses riscos. Tipos de Coberturas Coberturas adicionais São admitidas, ainda, coberturas adicionais para serem aplicadas de acordo com a necessidade de cada segurado, destacando-se as seguintes: » Circulação de equipamentos nas adjacências dos estabelecimentos; » Competição e jogos esportivos; » Objetos pessoais de empregados sob a guarda do segurado; » Danos causados por profissionais da área médica e outras. Cobertura acessória Existe, também, a cobertura de Poluição Súbita, que pode ser contratada como acessória de RC – Operações. Embora tais riscos sejam específicos da modalidade de RC – Poluição Ambiental, a Poluição Súbita é aqui admitida por se tratar de uma forma de poluição com características próprias. Os parâmetros adotados para limitar a cobertura desse risco são: » A ocorrência do sinistro deve acontecer durante a vigência da apólice e em data claramente identificada; » O término do sinistro não pode exceder 72 horas, contadas do início do fato gerador – caso exceda esse prazo, é conside- rado evento contínuo e caracterizado como poluição gradual; » O sinistro não pode ter se originado em depósitos, dutos e tubula- ções subterrâneas ou submersas e, consequentemente, expostos aos efeitos da corrosão ou qualquer outra causa externa. 62 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Atenção As empresas poderão ficar obrigadas a contratar seguro sempre que adquirirem licença ambiental. A obrigatoriedade está prevista em projeto de lei e vai obrigar a empresa que conseguir licença a fazer um Seguro de Responsabilidade Civil por danos ambien- tais em eventuais acidentes. A intenção é que se possa ter uma forma de criar mais responsabilidades em todas essas empresas que estabelecem, por natureza de atuação, qualquer relacionamento com o ambiente. — RC – Empregador Essa modalidade objetiva garantir o pagamento das indenizações devidas, pelo segurado aos seus empregados, em decorrência de danos corporais sofridos por eles durante o exercício de suas funções. Os danos materiais não estão cobertos. Ela garante a indenização correspondente à responsabilidade do segurado no evento, independentemente de pagamento pela Previdência Social e pelas prestações por acidente de trabalho previstas na Lei 8.213, de 24/07/91. O Seguro de RC – Empregador está totalmente dissociado das prestações previdenciárias relativas ao Seguro Obrigatório de Acidentes do Trabalho, do qual o empregado é beneficiário no caso de acidente. O trabalhador, nessa situação, portanto, além de fazer jus aos benefícios da Previdência Social, perfaz, adicionalmente, direito à indenização do empregador sem que esse benefício venha a complementar o anterior. Riscos Cobertos Considera-se risco coberto a responsabilidade civil do segurado, relati- va a danos corporais sofridos por seus empregados ou prepostos, quando a serviço do segurado ou durante o percurso de ida e volta do trabalho, sempre que a viagem for realizada por veículo contratado pelo segurado. Os danos corporais cobertos restringem-se a danos que resultem em morte ou invalidez permanente do empregado, provenientes de aci- dente súbito e/ou inesperado que ocorra durante o exercício de suas funções ou durante o percurso de ida e de volta do trabalho (residência/ trabalho ou trabalho/residência), desde que a viagem seja realizada por veículo contratado pelo segurado. 63 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Riscos Excluídos Em RC – Empregador, tradicionalmente, não estão cobertas as reclamações decorrentes de: ■ Descumprimento de obrigações trabalhistas relativas à seguridade social, seguros de acidentes do trabalho, pagamento de salários e similares; ■ Danos resultantes de dolo ou culpa grave do segurado, de seus diretores, administradores e/ou sócios; ■ Danos relacionados à circulação de veículos licenciados, de pro- priedade do segurado, fora dos locais ocupados por ele; ■ Doença profissional, doença do trabalho ou similar (as doenças profissionais são de natureza gradual; não se enquadram, portan- to, na exigência do risco dessa modalidade, cuja natureza é súbita); ■ Danos relacionados a radiações ionizantes ou energia nuclear, salvo convençãoem contrário; ■ Ações de regresso contra o segurado, promovidas pela Previdência Social. Importante: Em razão das modificações promovidas pela Circuluar 637/2021, nada impede que as seguradoras passem a dar cobertura a qualquer um desses riscos. Atualmente, não é permitida a contratação da cobertura de RC – Empregador de forma isolada. Ela deve ser complementar a outras, como RC – Operações, RC – Obras Civis. — RC – Riscos Contingentes – Veículos Terrestres Motorizados Essa modalidade tem como objetivo proteger o segurado do risco de danos causados a terceiros por veículo que esteja, eventualmente, a seu serviço, mas que não seja de sua propriedade. O objetivo da cobertura é a proteção dos interesses do segurado, ou seja, o proprietário do veículo não pode se beneficiar desse seguro. Contudo, se os veículos forem de propriedade do segurado, deverão ser garantidos na carteira de Automóveis. Culpa grave Caracteriza-se pela negligência extrema do agente, não prevendo aquilo que é previsível ao comum dos homens. 64 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Riscos Cobertos Considera-se risco coberto a responsabilidade civil do segurado decorrente de: ■ Acidentes relacionados à circulação de veículos quando, com- provadamente, a serviço eventual do segurado, só se aplicando na proteção dos interesses deste e, em nenhuma hipótese, em benefício dos proprietários dos veículos em questão. Para que haja cobertura nessa modalidade, o veículo deve: ■ estar a serviço eventual do segurado; ■ ser de propriedade de empregados do segurado e/ou; ■ ser de terceiros, sem qualquer vínculo com o segurado. Riscos Excluídos Tradicionalmente, não estão cobertas, nessa modalidade de RC, as reclamações decorrentes de acidentes causados por: ■ veículos de propriedade do próprio segurado; ■ veículos de empregados, quando a utilização desses veículos for condição inerente ao exercício de suas funções; ■ veículos vinculados contratualmente ao segurado, sob forma expressa ou tácita. Importante: Em razão das modificações promovidas pela Circular 637/2021, nada impede que as seguradoras passem a dar cobertura a qualquer uma dessas condições. Exemplo Uma loja de pizzas está com todos os seus veículos fazendo entregas na rua. O dono da pizzaria recebe um telefonema de um cliente importante, pedindo a entrega imedia- ta de 20 pizzas gigantes. O dono solicita a um de seus empregados, que estava de carro no dia, que entregue as pizzas. Durante o percurso, o empregado perde o controle do carro e colide em um muro, causando danos materiais ao dono da casa. Os danos materiais causados ao dono do muro serão, nesse caso, indenizados pelo se- guro, porém, a avaria ocorrida no veículo do funcionário da pizzaria não terá cobertura. Atualmente, não é permitida a contratação dessa cobertura de forma isolada. Ela deve ser complementar a outras, como RC – Operações. 65 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL — RC – Produtos no Território Nacional O Seguro de RC – Produtos no Território Nacional tem como objetivo proteger o segurado das perdas patrimoniais que venha sofrer em decor- rência de produto por ele fabricado, vendido ou distribuído com defeito de fabricação, que cause danos corporais ou materiais a terceiros. Essa modalidade pode ser contratada tanto pelo fabricante quanto pelo distribuidor ou vendedor do produto. São passíveis de cobertura os produtos que, por qualquer motivo, apresen- tem durante o processo de fabricação ou durante a fase de armazenamento qualquer tipo de imperfeição. O Código de Defesa do Consumidor (CDC) é uma das ferramentas que dão amparo legal ao assunto, estabelecendo critérios em relação à responsabilidade civil sobre produtos e serviços. O CDC menciona as seguintes situações: Responsabilidade pelo fato do produto e do serviço É a responsabilidade decorrente de acidente de consumo, ou seja, quando o produto apresenta um defeito e causa um dano corporal ou material ao consumidor. Nesse caso, existe a cobertura do seguro. Exemplo: um consumidor compra um chuveiro elétrico que, ao ser usado, apresenta um defeito qualquer e explode, causando danos corporais ao consumidor. Responsabilidade por vício do produto e do serviço É a responsabilidade decorrente de vícios de qualidade ou quanti- dade do produto, sem que haja a produção de um dano corporal ou material ao consumidor. Nesse caso, não existe a cobertura do segu- ro, pois se trata da reposição do produto viciado junto ao consumidor. Exemplo: um consumidor compra um chuveiro elétrico que, ao ser usado, não esquenta a água. Riscos Cobertos Considera-se risco coberto a responsabilidade civil do segurado decor- rente de acidentes provocados por defeito dos produtos especificados na apólice, fabricados, vendidos e/ou distribuídos pelo segurado. Essa cobertura abrange reclamações por danos ocorridos somente após a entrega dos produtos a terceiros, definitiva ou provisoriamente, e fora dos locais ocupados ou controlados pelo segurado e por danos causados por produtos originários de um mesmo processo defeituoso de fabricação 66 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL ou afetados por uma mesma condição inadequada de armazenamento, acondicionamento ou manipulação. Nesse caso, serão considerados como um único sinistro, independentemente do número de reclamantes. Considera-se, nessa situação, a data do sinistro o dia em que o segurado toma conhecimento do primeiro dano ocorrido, mesmo que o terceiro prejudicado não tenha apresentado reclamação. O segurado é obrigado a incluir na apólice toda a linha de produtos fabrica- dos no local de risco, evitando-se, assim, a seleção de risco, com cobertura apenas os produtos de maior probabilidade de causar danos a terceiros. Riscos Excluídos Tradicionalmente, não estão cobertas as reclamações decorrentes de: ■ Distribuição e/ou comercialização ilegal de produtos; ■ Distribuição e/ou comercialização além do prazo de validade; Justificativa da exclusão Essa exclusão destina-se a produtos que estão sujeitos a deterioração entre sua fabri- cação e o uso. Lembre-se de que o seguro não responde por atos ilegais. ■ Despesas com a substituição parcial ou integral do produto, bem como a retirada do mercado; ■ Utilização de produtos como componentes de aeronaves; Justificativa da exclusão Existe o Seguro Aeronáutico para cuidar especificamente desses riscos, que são, em tese, considerados catastróficos. ■ Utilização de produtos em competições e provas desportivas de modo geral; 67 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Justificativa da exclusão Esses produtos são, quase sempre, submetidos ao limite máximo de sua capacidade de resistência. ■ Utilização de produtos que estiverem em fase de experiência e/ou tenham sido geneticamente modificados/produtos transgênicos; Justificativa da exclusão Testar os produtos antes de colocá-los no mercado é uma obrigação do segurado, que não pode transferi-la para o segurador. ■ Danos consequentes à utilização do produto, em virtude de propa- ganda inadequada, recomendações ou informações errôneas do segurado, seus sócios, prepostos e/ou empregados; Justificativa da exclusão Representa risco moral do segurado fazer propaganda com promessas exageradas ou não alertar o consumidor sobre os riscos do produto. ■ Imperfeição do produto devido a erro de plano, fórmula, desenho e projeto; ■ Danos resultantes de alterações genéticas ocasionadas pela utilização de produtos; Justificativa da exclusão Esse risco é potencialmente catastrófico por poder afetar um grande número de pessoas. 68 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL ■ Não funcionamento ou desempenho fora dos padrões projetados. Estarão cobertos, no entanto, os danos corporais e materiais conse- quentes de acidente provocado pelo defeito apresentado pelo produto; Justificativada exclusão A parcela do risco ligada à falta de desempenho do produto, ou seja, quando a performance do produto não corresponde à esperada, é diretamente ligada ao risco empresarial do segurado, não podendo ser repassada ao segurador. ■ Poluição, contaminação ou vazamento, a menos que resultem de um acontecimento súbito e inesperado, iniciado em data claramente identificada e com duração máxima de 72 horas. Importante: Em razão das modificações promovidas pela Circuluar 637/2021, nada impede que as seguradoras passem a dar cobertura a qualquer uma dessas condições. Tipos de Coberturas Acessórias De acordo com as condições da apólice de RCG, modalidade RC Produtos, podem ser contratadas coberturas acessórias para os seguintes riscos: ■ Erro de Projeto; ■ Retirada de Produtos do Mercado (recall), cujo risco pode ser aceito de forma acessória pelo segurador. Frequentemente, leem-se notícias nos jornais sobre casos de recall. Essa cobertura é contratada usualmente por segurados que fabricam produtos que, ao apresentarem defeito, colo- cam em risco a vida ou a segurança do consumidor, como as indústrias automobilística e alimentícia, dentre outras. A cobertura de recall reembolsa o segurado as despesas decorrentes de: » Anúncios em veículos de comunicação; » Correspondência pessoal dirigida a clientes, como cartas, telefonemas; » Transporte dos produtos retirados; » Armazenamento do produto defeituoso até o reparo dele ou destruição; » Contratação de pessoal externo especializado em estratégia de marketing com o objetivo de minimizar os efeitos do evento. 69 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Para essa cobertura, o mercado pratica, atualmente, um percentual de 10% do LMG, como LMI para garantia dessas despesas. — RC – Produtos no Exterior O Seguro de RC – Produtos no Exterior visa à cobertura dos produtos do segurado que causem danos a terceiros fora do Brasil. As coberturas e exclusões são semelhantes às de RC – Produtos no Território Nacional. Existe a necessidade, para a contratação desse seguro, de relatório sobre Sistemas de Controle de Qualidade, além da proposta de seguro e do questionário. Esse relatório é imprescindível para a análise e a cota- ção do risco de Produtos no Exterior e deve ser assinado por um engenheiro da seguradora. As apólices podem ser contratadas à base de ocorrência ou à base de reclamação, tendo cada uma delas suas próprias Condições Gerais, não precisando, portanto, do texto básico da tarifa de Responsabilidade Civil. O segurado pode optar, na apólice, pela demanda judicial em foro brasileiro ou em foro no exterior. No caso de o segurado optar pelo foro brasileiro, toda sentença de tribunal no exterior fica condicionada à homo- logação da Justiça brasileira. O segurado opta, também, pela emissão da apólice em moeda brasileira (reais) ou em moeda estrangeira. São expressamente excluídos da apólice os danos punitivos (punitive damage ou exemplary damage), normalmente arbitrados em tribunais norte-americanos. Essa sentença caracteriza-se por indenização comple- mentar à vítima, a título de punição ao causador do dano, além das perdas e danos propriamente ditos. Exemplo: um cidadão causou dano a um terceiro no valor de R$ 10.000,00. O juiz, além de condenar o causador do dano a pagar à vítima os R$ 10.000,00, também o sentencia a pagar mais R$ 2.000,00 a título de punição, que não estaria garantida pelo seguro. É normal que ocorram alguns casos de exportação indireta, ou seja, aque- la que não é feita pelo próprio segurado, mas por outra pessoa jurídica. Os produtos indiretamente exportados estarão segurados automaticamente, desde que a cobertura da apólice abranja o país onde o dano ocorrer. 70 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL — RC – Condomínios, Proprietários e/ou Locatários de Imóveis Esse seguro é aplicado, principalmente, aos riscos em imóveis residen- ciais, condomínios comerciais, industriais, profissionais e mistos também possam contratá-lo. O RC – Condomínio protege o condomínio, mas, em nenhuma hipótese, protege os condôminos de suas próprias responsabilidades. Em contrapar- tida, os condôminos são considerados terceiros perante a responsabilidade do condomínio. Caso o condômino deseje contratar esse seguro para sua fração do condo- mínio (apartamento, loja), pode solicitar à seguradora a cobertura e pagar, como prêmio, a fração correspondente ao seu apartamento (ou loja), em relação ao total do risco segurado. Destaque-se que a apólice cobre apenas as responsabilidades pertinentes ao condomínio. Em hipótese alguma, portanto, cobre responsabilidades do proprietário do apartamento e/ou do locatário (inquilino) do imóvel. Para essa cobertura, eles teriam de contratar o RC – Familiar. Riscos Cobertos Considera-se coberta a responsabilidade civil do segurado decorrente de acidentes: ■ Relacionados à existência, à conservação e ao uso de imóvel espe- cificado no contrato, equiparando-se os condôminos a terceiros. Riscos Excluídos Normalmente, não estão cobertas as reclamações por: ■ Danos causados a veículos quando em locais de propriedade, alugados ou controlados pelo segurado, inclusive os danos cau- sados também pelos portões, automáticos ou não, existentes no imóvel segurado; ■ Danos provenientes de operações industriais, comerciais e/ou profissionais; ■ Danos causados por construção, demolição, reconstrução ou alteração estrutural do imóvel, bem como qualquer tipo de obra, inclusive instalações e montagens, admitidos, porém, os pequenos trabalhos de reparos destinados à manutenção do imóvel; 71 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL ■ Danos ao próprio imóvel e ao seu conteúdo, decorrentes de vaza- mento ou infiltração de água, quando resultantes do entupimento de calhas ou da má conservação das instalações de água e esgoto; ■ Danos ao próprio imóvel e ao seu conteúdo, decorrentes de incên- dio e/ou explosão. Atenção Cobertura para Veículos em Edifícios Residenciais: ■ Como, normalmente, a modalidade RC – Condomínios não oferece cobertura para danos a veículos sob a sua responsabilidade, é necessário que o segurado (condomínio) contra- te a modalidade RC – Guarda de Veículos de Terceiros para se proteger de reclamações; ■ A cobertura será aplicada, de forma inequívoca, se o segurado for responsável pelo dano e/ou prejuízo sofrido pelo condômino. — RC – Guarda de Veículos de Terceiros Essa modalidade cobre os danos causados a veículos de terceiros sob a guarda do segurado. Abrange estacionamentos em geral, oficinas mecânicas, postos de abastecimento, garagens em condomínios e qual- quer outro estabelecimento que tenha veículos sob sua responsabilidade. Esse seguro cobre, também, as operações das atividades do segu- rado nos riscos de estacionamentos rotativos profissionais, oficinas mecânicas e postos de abastecimento, sendo, portanto, desnecessária, nesses casos, a contratação do RC – Operações. Nos estabelecimentos cuja atividade-fim seja a guarda de veículos de terceiros, esse seguro abrange a responsabilidade civil do segurado decorrente da existência, da conservação ou do uso do local especifica- do no contrato, uma vez que também abrange as atividades decorrentes das operações de abastecimento, reparo ou manutenção de veículos desenvolvidas no referido local. No caso de imóveis em condomínios residenciais e comerciais, os condô- minos são equiparados a terceiros, estando seus veículos cobertos por esse seguro no caso de danos sofridos no local especificado no contrato. Riscos Cobertos Considera-se risco coberto a responsabilidade civil do segurado, decorrente de danos sofridos por veículos de terceiros, enquanto sob guarda do segurado nos locais indicados na apólice. 72 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL O seguro abrange, também, as hipóteses de roubo ou furto total dessesveículos, salvo convenção em contrário: ■ Nos estabelecimentos em que não houver registro por escrito de entrada e saída de veículos, com a sua identificação e horário de permanência, a cobertura de furto só prevalecerá nos casos em que ficar comprovada a destruição ou rompimento de obstáculo para a subtração do veículo; ■ Fica entendido e acordado que a cobertura não abrange qualquer bem deixado sob guarda ou custódia do segurado que não seja veículo. No caso de imóveis em condomínio, os condôminos ficam equiparados a terceiros. No caso de posto de abastecimento, de oficina mecânica ou de estabe- lecimento cuja atividade-fim seja a guarda de veículos de terceiros, fica entendido e acordado que o seguro abrangerá, também, a responsabili- dade civil do segurado decorrente da existência, conservação ou uso do local especificado na apólice, bem como das operações de abastecimento, reparo ou manutenção de veículos desenvolvidas nos referidos locais. Riscos Excluídos Atualmente, não estão cobertas as reclamações decorrentes de: ■ Roubo ou furto de veículos que não estejam nos locais especificados no contrato; ■ Roubo, furto ou extravio de quaisquer peças, ferramentas, acessórios ou sobressalentes, salvo se o próprio veículo for roubado ou furtado; ■ Apropriação indébita, bem como roubo ou furto do veículo, se pra- ticado por/ou em conivência com qualquer preposto do segurado; ■ Danos causados por obras civis, montagem ou instalação no local segurado, sendo admitidos pequenos trabalhos de reparo destina- dos à manutenção do local, desde que o valor da obra não exceda o limite de 0,5% da importância segurada; ■ Danos a veículos, resultantes de serviços executados de forma insu- ficiente ou defeituosa (todavia estarão cobertos os danos corporais e materiais causados pelo veículo, em consequência de acidentes relacionados à execução de serviços insuficientes ou defeituosos); ■ Danos a veículos sob a guarda do segurado, decorrentes de inundação ou alagamento. 73 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Tipos de Cobertura O segurado pode optar, nessa modalidade, por uma das seguintes coberturas: Cobertura global Cobre colisão, incêndio, roubo e furto. Cobertura parcial Há duas alternativas à escolha do segurado: » Cobertura exclusiva de colisão; » Cobertura exclusiva de incêndio, roubo e furto. Coberturas acessórias Podem ser, ainda, contratadas, adicionalmente, coberturas acessórias, como: ■ Chapas de Experiência: com duas alternativas de cobertura: » Danos causados a veículos em experiência mecânica; » Danos causados por veículos em experiência mecânica ou em demonstração para fins de venda. O segurado pode contratar as duas, sendo que cada cobertura e cada chapa de experiência deverão ter importância segurada própria, nunca superior à cobertura principal. Exemplo: uma oficina realiza testes, na rua, no veículo de um clien- te, causando um acidente. Os danos decorrentes desse acidente, que atingirem o veículo em teste, e os danos materiais ou corporais causados a terceiros ficam cobertos se a oficina tiver contratado as duas coberturas de Chapas de Experiência. ■ Percurso: Essa cobertura é para as reclamações por danos decorrentes da circulação de veículos de clientes, inclusive o roubo desses veículos quando conduzidos por empregados do segurado, devidamente habilitados, no percurso entre o esta- belecimento especificado na apólice e as respectivas garagens. 74 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Observação No caso específico de edifícios residenciais, as situações comumente cobertas são aquelas em que há: ■ Defeito súbito em portão automático, causando dano ao veículo que passa no momento; ■ Veículos roubados ou furtados no interior das garagens do condomío; ■ Objetos esquecidos por empregados do prédio na garagem – baldes e latas – com potencial de provocar incidentes como avarias na lataria e automóveis durante ope- rações de manobra; ■ Objetos que caiam de janelas do condomínio em cima de veículos, desde que não se identifique o apartamento diretamente responsável; ■ Incêndio nas garagens; ■ Pequenas obras no edifício. De forma acessória, o segurado pode ainda contratar a cobertura para alagamento na garagem e outras. Algumas situações não cobertas em edifícios: ■ Roubo ou furto parcial – acessórios, equipamentos, partes dos veículos; ■ Apropriação indébita, roubo ou furto parcial ou total se praticado por empregado do edifício ou com a conivência dele; ■ Obras de grande porte; ■ Vazamentos e infiltrações constantes; ■ Danos causados pelos próprios condôminos. — RC – Obras Civis e/ou Serviços de Montagem e Instalação de Máquinas e/ou Equipamentos Essa modalidade visa à responsabilidade civil do segurado por danos causados a terceiros, em consequência de atividades relacionadas a: ■ Construção, demolição e reformas de imóveis residenciais, comerciais e industriais; ■ Instalação, montagem/desmontagem e reparos de máquinas e/ou equipamentos. 75 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Para a cotação do prêmio de RC – Obras Civis, são necessárias informa- ções sobre fatores que influenciam o cálculo, como: tipo de obra, valor do contrato, número de pavimentos, tipo de vizinhança. Riscos Cobertos Considera-se risco coberto a responsabilidade civil do segurado decorrente de acidentes causados por: ■ Obras civis especificadas no contrato; e/ou ■ Serviços de montagem, desmontagem, reparo e instalação especificados no contrato. Riscos Excluídos Normalmente, não estão cobertas, nessa modalidade, as reclamações decorrentes de: ■ Responsabilidade a que se refere o artigo 618 (garantia da obra) do Código Civil Brasileiro; “Art. 618. Nos contratos de empreitada de edifícios ou outras construções consideráveis, o empreiteiro de mate- riais e execução responderá, durante o prazo irredutível de cinco anos, pela solidez e segurança do trabalho, assim, em razão dos materiais, como do solo. Parágrafo único. Decairá do direito assegurado neste artigo o dono da obra que não propuser a ação contra o emprei- teiro, nos cento e oitenta dias seguintes ao aparecimento do vício ou defeito.” ■ Danos causados a imóveis ou seus conteúdos pelo derramamento, infiltração ou descarga de água; ■ Danos causados por inobservância voluntária das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas e/ou disposições espe- cíficas de outros órgãos competentes; ■ Danos causados pelo uso de materiais ainda não testados ou por métodos de trabalho ainda não experimentados ou aprovados; ■ Falta de funcionamento ou baixo desempenho do objeto instalado/ montado, como máquina e/ou equipamento ou obra executada; ■ Danos ou prejuízos à própria obra, à máquina e/ou aos equipa- mentos em processo de montagem e/ou instalação; ■ Danos materiais causados a empreiteiros, subempreiteiros ou a quaisquer terceiros que trabalhem ou executem serviços na obra, sob contrato firmado com o segurado ou seus empreiteiros; Comentário Normalmente, apenas os danos causados a terceiros que não façam parte da obra estão cobertos. Os danos causados à própria obra em execução não preveem cobertura, pois esse risco é coberto no Ramo Riscos de Engenharia. 76 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL ■ Obras e/ou instalações e montagens em embarcações e/ou em plataformas de prospecção de petróleo (onshore ou offshore); ■ Limpeza final, pintura e reparos de bens de propriedade de tercei- ros, decorrentes da queda contínua de argamassa, concreto, tintas e/ou materiais de revestimento; ■ Danos causados por erro de projeto; ■ Danos causados por sondagens de terreno, rebaixamento de lençol freático, escavações, aberturas de galerias, estaqueamento e serviços correlatos (fundações); ■ Danos materiais causados ao proprietário da obra; ■ Danos causados e/ou por embarcações. Tiposde Coberturas Adicionais Essa modalidade de seguro oferece as coberturas adicionais: Erro de Projeto Cobre os danos causados a terceiros, alheios à obra, decorrentes de erro de projeto. Exemplo: o desabamento de uma construção mal projetada, que causa danos aos prédios vizinhos e às pessoas que passavam no local. Fundações Cobre os danos causados a terceiros decorrentes de sondagem de estaqueamento (fixação de estacas da fundação), sondagem de terreno, escavações. Exemplo: ao fincar as estacas no terreno a ser construído, a estrutura do prédio vizinho fica abalada, causando risco de desmoronamento. Danos Materiais causados ao Proprietário da Obra Cobre danos a imóveis, móveis ou quaisquer coisas que estejam no local e que pertençam ao proprietário da obra, desde que não estejam sendo trabalhados, manipulados ou transportados pelo construtor/segurado. Exemplo: em um condomínio residencial vertical, os moradores resolvem construir um salão de festas e uma piscina. Durante as obras, o guindaste que estava sendo utilizado na construção bate no edifício preexistente e causa danos. Somente haverá cobertura desse sinistro se houver a contratação da cobertura adicional de Danos Materiais Causados ao Proprietário da Obra. 77 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL EDIFÍCIO PREEXISTENTE OBRA DA PISCINA OBRA DO SALÃO Cruzada Cobre os danos corporais e/ou materiais causados aos diversos executantes da obra, quando ocasionados por um deles, exceto no tocante a bens diretamente envolvidos na obra objeto do seguro. Exemplo: uma empreiteira de serviços hidráulicos está em fase de montagem da tubulação de esgoto na obra. Durante essa eta- pa, porém, um funcionário da empresa, que realizava instalação elétrica, é vítima de danos corporais após um tubo cair e provocar ferimentos na cabeça dele. Embarcações Cobre os danos causados a/ou por embarcações. Essa cobertura é recomendada para obras desenvolvidas em portos, píeres, mari- nas ou em locais próximos a embarcações. Exemplo: em uma construção próxima a um cais, um pedaço de parede em construção cai em cima de um barco de terceiros, ancorado no local, causando danos a esse barco. 78 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL — RC – Prestação de Serviços em Locais de Terceiros Podem contratar essa modalidade do Seguro de RCG segurados que execu- tam serviços de limpeza e/ou manutenção de imóveis e serviços de assistência técnica/manutenção de equipamentos em locais de terceiros, como: ■ Firmas de limpeza; ■ Firmas de manutenção ou conservação de imóveis; ■ Firmas que prestam serviços de escritório; ■ Firmas de assistência técnica, entre outras. É necessária a existência de contrato entre o segurado e o terceiro a quem está sendo prestado o serviço. O objetivo desse seguro é garantir os bens já existentes e pertencentes ao cliente do segurado, não cobrindo, entretanto, os danos aos bens que sejam objeto da prestação de serviços. Exemplo: uma firma tem como atividade a limpeza de fachada de prédios. Durante o trabalho de limpeza, portanto, um funcionário do segurado, inad- vertidamente, provoca a queda de uma das placas de granito da fachada no meio da rua. O incidente provoca danos corporais em um pedestre e danos materiais à portaria do prédio no qual realizava a manutenção. Nesse caso, apenas os danos corporais ao pedestre e os danos materiais à portaria estarão cobertos, pois os danos causados à fachada (perda da pla- ca de granito) não estão cobertos, uma vez que a manipulação da fachada é o objeto da prestação do serviço. Riscos Cobertos Considera-se risco coberto a responsabilidade civil do segurado decor- rente de acidentes relacionados à prestação dos serviços especificados no contrato, em locais de terceiros, ficando a cobertura condicionada à existência de contrato entre segurado e seus clientes. Para efeito do Seguro RC – Prestação de Serviços em Locais de Terceiros, também será considerado como terceiro o contratante dos serviços. 79 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Riscos Excluídos Normalmente, não estão cobertas as reclamações decorrentes de: ■ Desaparecimento, extravio, furto e roubo de bens, inclusive dinhei- ro e valores. Consideram-se valores, para efeito desse seguro: metais preciosos, pedras preciosas ou semipreciosas, pérolas, joias, cheques, títulos de crédito de qualquer espécie, selos, apóli- ces e quaisquer outros instrumentos ou contratos, negociáveis ou não, que representem dinheiro; ■ Danos ou prejuízos consequentes da insuficiente ou defeituosa execução de serviços. Estarão cobertos, no entanto, os danos corporais e/ou materiais que decorram de acidente diretamente causado por falha de execução de serviço; ■ Danos aos bens, objeto do contrato de prestação de serviços; ■ Danos consequentes à utilização de produtos, em virtude de pro- paganda inadequada, recomendações ou informações errôneas do segurado, seus sócios, prepostos e/ou empregados. A necessidade de impor limitações a essa modalidade objetiva impedir que o Seguro de RCG cubra uma parcela do risco empresarial que deve ser assumida pelo segurado. — RC – Familiar A modalidade RC – Familiar é também chamada, em algumas segu- radoras, de RC – Chefe de Família. Destaque-se que as condições aqui explicitadas levam em conta as coberturas geralmente oferecidas por boa parte das seguradoras, podendo haver difrenças entre elas. Essa cobertura nada mais é do que um seguro que cobre as operações de uma família, que abrangem a existência, o uso e a conservação do imóvel, a vigilância dos filhos menores (culpa in vigilando), a guar- da de animais domésticos e os danos causados por empregados domésticos no exercício do seu trabalho. Riscos Cobertos Considera-se risco coberto a responsabilidade civil do segurado decorrente de danos causados a terceiros pelo próprio segurado, por seu cônjuge, filhos menores que estiverem sob seu poder e em sua companhia; por emprega- dos domésticos no exercício do trabalho que lhes competir ou por ocasião dele; por animais domésticos, cuja posse o segurado detenha; pela queda de objetos ou seu lançamento em lugar indevido. Atenção A cobertura não abrange somente os danos causados pelo segurado na sua residência, mas também as reclamações por danos causados por ele em todo o território nacional. Caso o segurado deseje cobertura para outros países, terá que contratar extensão da cobertura com a seguradora. 80 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Riscos Excluídos Normalmente, não estão cobertas as reclamações decorrentes de: ■ Danos causados por quaisquer veículos terrestres motorizados; ■ Danos causados por qualquer tipo de embarcação, exceção feita a barcos a remo e veleiros de até sete metros de comprimento; ■ Danos causados pelo exercício de atividade profissional; ■ Danos causados por construção, demolição, reconstrução ou alteração estrutural do imóvel e qualquer tipo de obra, inclusive insta lações e montagens, admitindo-se, porém, pequenos trabalhos de reparos destinados à manutenção do imóvel; ■ Exercício ou prática dos seguintes esportes: caça (inclusive subma- rina), tiro ao alvo, equitação, esqui aquático, surfe, windsurfe, voo livre, vela, pesca, canoagem, esgrima, boxe e artes marciais, salvo pedido expresso do segurado e mediante prêmio adicional. Tipos De Coberturas Adicionais Empregados Domésticos Acidentes sofridos por empregados domésticos. Tacos de Golfe Contra os riscos de roubo, incêndio, raio e suas consequências, até o limite fixado. Hole-in-One Indenização até o limite previsto no contrato de Seguro, das despesas do segurado pela comemoração, na sede do clube, no dia em que se verificar o ocasional Hole-in-One; Prática de Esportes O segurado deverá discriminar, na apólice, qual (ou quais) o(s) espor- te(s) que pratica e pagar um prêmio adicional por esportepraticado. 81 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL DEMAIS RAMOS DO GRUPO 03 – RESPONSABILIDADES — RC – Profissional – Ramo 78 Esse seguro é direcionado a pessoas físicas ou jurídicas que possuam conhecimento ou treinamento técnico específico em uma determinada atividade, como médicos, advogados, corretores, engenheiros, além de hospitais, escritórios de engenharia e outros. A aceitação desse seguro requer análise criteriosa por parte da seguradora, tendo em vista a característica individual de cada risco. São considera dos e observados os seguintes aspectos: ■ Gabarito técnico e tempo de atuação daqueles profissionais no mercado; ■ Prazo de contração do seguro não superior a um ano; ■ Preferência por apólices à base de reclamações; ■ Avaliação do risco por especialistas na categoria profissional em estudo. Os riscos profissionais são oferecidos aos resseguradores, atualmente, de forma facultativa para conhecimento das respectivas bases de contratação do resseguro. As coberturas e exclusões são diferenciadas por atividade, como RC – Profissionais de Estabelecimentos Médicos, RC – Profissionais de Empresas de Engenharia, RC – Profissionais de Corretores de Seguros. Riscos Cobertos Esse seguro cobre a responsabilidade civil do segurado decorrente de falhas ou acidentes relacionados a: ■ Ações ou omissões inerentes ao exercício da atividade profissional discriminada na apólice. Riscos Excluídos Entre as várias modalidades de RC – Profissional existentes, vejamos, a seguir, algumas exclusões aplicadas a elas: ■ Danos estéticos (algumas seguradoras já oferecem essa cobertura); ■ Quebra de sigilo profissional; ■ Uso de técnicas experimentais; 82 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL ■ Competições e jogos de qualquer natureza; ■ Insolvência do segurado; ■ Injúria, difamação ou calúnia; ■ Erros de avaliação; ■ Despesas com a revisão total ou parcial de projetos, entre outras. — RC – Profissional de Corretores de Seguros A cobertura de RC – Profissional de Corretores de Seguros é concedida no mercado brasileiro desde o final da década de 1970. A definição da atividade de corretor pode ser resumida da seguinte forma: “É o intermediário, pessoa física ou jurídica, legalmente autorizado a angariar e a promover contratos de seguros entre as seguradoras e as pessoas físicas ou jurídicas de direito privado.” Obviamente, hoje em dia, a função do corretor é muito mais abrangente, pois ele acompanha sinistros, realiza inspeções, além de uma variedade de outros serviços que podem ser prestados a seus clientes. A Responsabilidade Civil do corretor pode advir de diversas formas: ■ O corretor esquece de entregar, na seguradora, o pedido de reno- vação de uma apólice em tempo hábil. Caso ocorra um sinistro, o corretor poderá ser responsabilizado pelo cliente dele; ■ O cliente deixa a cargo do corretor o pagamento das prestações do seguro, e o corretor atrasa uma das parcelas, falha que poderá, no limite, provocar o cancelamento da apólice; ■ O cliente atribui ao corretor a responsabilidade de manter o valor do bem constantemente atualizado, e este deixa de fazê-lo. Em caso de sinistro, a seguradora não indenizará ao segurado o valor atualizado do bem. 83 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Riscos Excluídos Algumas exclusões constantes da apólice de RC – Riscos Profissionais de Corretores de Seguros: ■ Insolvência do segurado; ■ Injúria, difamação ou calúnia; ■ Danos causados por construção, demolição, reconstrução ou alteração estrutural do imóvel ou qualquer tipo de obra, inclusive instalações e montagens, admitidos, porém, pequenos trabalhos de reparos destinados à manutenção do imóvel; ■ Quebra de sigilo profissional; ■ Extravio, furto ou roubo de documentos; ■ Erros de avaliação. Tipos de Cobertura Adicionais ■ Extravio; Furto e Roubo de Documentos; ■ Erros de Avaliação de Bens (funcionários engenheiros, arquitetos ou agrônomos). — RC – Administradores e Diretores (D&O) – Ramo 10 Riscos Cobertos Riscos decorrentes da responsabilização civil do segurado vinculada ao exercício de cargos de direção ou administração em empresas. Definições Importantes no Seguros de RC D&O: ■ Segurado: são as pessoas físicas beneficiárias do seguro que ocupam, nas empresas, suas subsidiárias ou coligadas, os seguintes cargos: a) cargo de Diretor, Administrador, Conselheiro ou qualquer outro cargo executivo, para os quais tenham sido eleitas e/ou nomea- das, condicionado a que, se legalmente exigido, a eleição e/ou nomeação tenham sido ratificadas por órgãos competentes, ou b) cargo de gestão, no qual tenham sido investidas, em relação aos atos e decisões praticados no exercício de suas funções. Importante A entrada em vigor do Código Civil impôs regras mais rígidas sobre a responsabilidade de executivos de empresas, por atos por eles praticados durante a administração de seus negócios, mesmo sem culpa. Nesses casos, há a desconsideração da personalidade jurídica, e os bens do administrador respondem por eventuais danos causados. 84 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL ■ Subsidiária: sociedade controlada, direta ou indiretamente, por outra sociedade, sendo que o controle deve estar estabelecido antes ou no início da vigência da apólice. ■ Coligada: sociedade na qual a investidora tenha influência signifi- cativa, nos termos da legislação vigente. Riscos Excluídos Normalmente, não estão cobertos por esse seguro: ■ Reclamações em consequência de atos intencionais ilícitos dolosos ou por culpa grave atribuídos ao Segurado, beneficiário ou seu representante. ■ Não estão cobertas ainda as reclamações consequentes de frau- de, dolo, simulação, lavagem de dinheiro, evasão ou sonegação fiscal, enriquecimento ilícito, vantagens indevidas, crime contra a ordem tributária, evasão de divisas, peculato, falsidade ideológica, contrabando ou descaminho, falsificação de documentos ou de produtos, bem como quaisquer outros atos ilícitos dolosos cometi- dos ou alegadamente cometidos pelo Segurado. — RC – Compreensivo Riscos Cibernéticos – Ramo 27 Riscos Cobertos Considera-se risco coberto no seguro de riscos cibernéticos a respon- sabilidade do segurado decorrente de violação de informação de dados pessoal e/ou corporativos e ainda as mesmas informações quando perten- centes a empresas terceirizadas, desde que gerem consequências, reais ou presumidas, que resultem em uma reclamação contra o Segurado. Riscos Excluídos Normalmente, não estão cobertos por esses seguros: ■ Danos relacionados direta ou indiretamente ao uso, intencio- nal ou não, por parte do segurado, de programas ilegais ou não licenciados que infrinjam direitos autorais ou que violem leis de proteção de software; ■ Perdas decorrentes de danos em qualquer mídia portátil não criptografada pelo segurado, incluindo laptops, smartphones, tablets e pendrives. ■ Perdas decorrente de qualquer violação de legislação anti-spam ou de telemarketing no mundo. 85 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL — RC – Riscos Ambientais – Ramo 13 Dada a importância do Ramo, estudaremos suas características em deta- lhes na Unidade 5. 86 FIXANDO CONCEITOS SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL FIXANDO CONCEITOS 4 Marque a alternativa correta 1. Considerando que a apólice RC – Condomínios exclui todo e qualquer dano a veículos sob a guarda do condomínio, faz-se necessária, para uma contratação abrangente, a contratação simultânea da seguinte modalidade: (a) RC – Familiar. (b) RC – Guarda de Veículos. (c) RC – Profissional de Síndico. (d) RC – Obras Civis. (e) RC – Antenas. 2. O seguro de Responsabilidade Civil Geral, através da Cobertura de RC-Empregador, permite que o segurado garanta a sua responsabilidade por eventos sofridos pelos seus empregados. Indique abaixoquais são os eventos garantidos por essa cobertura: (a) Danos materiais sofridos por empregados do segurado. (b) Doenças profissionais sofridas pelos empregados. (c) Doenças do trabalho adquiridas pelos empregados. (d) Danos corporais, de natureza súbita/acidental, sofridos por empregados. (e) Danos corporais, de natureza gradual, sofridos por empregados. Consulte o gabarito clicando aqui. SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL 87 UNIDADE 505 RISCOS AMBIENTAIS ■ Conhecer as estipulações constitucionais acerca da proteção ao ambiente em nosso país, considerando as razões das exclusões e/ou limitações de certos riscos ambientais e compreendendo as obrigações dos segurados, seja no tocante à legislação pertinente, seja relativamente às condições de um contrato de seguro. Após ler esta unidade, você deverá ser capaz de: TÓPICOS DESTA UNIDADE ⊲ INTRODUÇÃO ⊲ LEGISLAÇÃO ⊲ RC – POLUIÇÃO AMBIENTAL ⊲ FIXANDO CONCEITOS 5 88 UNIDADE 5 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Os danos ao ambiente tornam-se cada vez mais nocivos e surpreendentes. As medidas protetivas, por seu turno, buscam multiplicar-se. O setor de seguros vem se esforçando para aumentar a participação na recomposição dos prejuízos, apesar dos interesses que envolvem o tema. INTRODUÇÃO O seguro de Responsabilidade Civil – Riscos Ambientais, classificado como Ramo 13, dentro do Grupo 03 – Seguros de Responsabilidades, cada vez mais consolida-se como um dos segmentos mais importantes para o novo cenário socioeconômico contemporâneo. A cobertura para danos ambientais é de extrema importância para empre- sas que utilizam produtos químicos e/ou geram resíduos tóxicos durante seus processos produtivos. Os custos causados por esses danos podem ser muito altos. Podem gerar poluição, além de causar danos materiais e corporais: ■ Uma refinaria de petróleo, que pode contaminar um lençol freático; ■ Um contratado de uma indústria que pode, negligentemente, cau- sar derrame de líquido poluente e contaminar um rio; ■ Um funcionário ou prestador de serviço que trabalhe em deter- minada indústria pode causar, acidentalmente, dispersão de inseticida, capaz de danificar propriedades vizinhas; 89 UNIDADE 5 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL ■ Um transportador, contratado para transportar resíduos tóxicos, que sofre acidente com o caminhão, poderá provocar dispersão de resíduos; ■ Um incêndio ou mau funcionamento de um aparelho podem cau- sar dispersão de líquido poluente. As Condições Gerais de responsabilidade civil, assim como as de outros ramos de seguro, excluem, no entanto, como regra geral, a cobertura para poluição ambiental. Nas Condições Especiais, quando ela é oferecida, geralmente restringe-se à poluição súbita. As Condições Especiais de RC – Produtos oferecem cobertura automática para poluição súbita. A cobertura também é automática em RC – Shopping center, mas apenas para determinado grau de poluição. Aplica-se a qual- quer outra modalidade, ainda que de forma limitada, a cobertura adicional para poluição súbita (exceto, naturalmente, a RC – Produtos, que já a ofe rece automaticamente). Poluição súbita é a poluição gerada por evento repentino e não esperado, como: ■ Um vento que derruba um poste, que fura um tanque de armaze- namento de produtos químicos; ■ O empregado que manipula um produto erradamente, causando derrame; ■ Um incêndio em armazém que causa dispersão de produtos químicos; ■ O tombamento de uma carreta que provoca dispersão de amônia. Poluição gradual é a poluição gerada por dispersão ou emissão, que dura um período de tempo, como: ■ Vazamento paulatino de poluente de um tanque durante meses; ■ Corrosão de tanques; de dutos, provocando lento e contínuo vazamento; ■ Emissão constante de fumaça; ■ Contaminação do ar, afetando empregados durante anos. LEGISLAÇÃO A legislação brasileira passa a ser a cada dia mais rigorosa em relação aos danos ambientais. Veja, a seguir, um resumo do trecho da Constituição Federal que trata sobre o assunto: 90 UNIDADE 5 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL CONSTITUIÇÃO FEDERAL DO BRASIL “CAPÍTULO VI – DO MEIO AMBIENTE Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equi- librado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. § 1º – Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público: I – preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas; II – preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético; III – definir, em todas as unidades da Federação, espaços terri- toriais e seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção; IV – exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou ativi- dade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade; V – controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente; VI – promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente; VII – proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as prá- ticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade. § 2º – Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recu- perar o meio ambiente degradado, de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público competente, na forma da lei. § 3º – As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados. 91 UNIDADE 5 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL § 4º – A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira são patri- mônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma da lei, dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais. § 5º – São indisponíveis as terras devolutas ou arrecadadas pelos Estados, por ações discriminatórias, necessárias à proteção dos ecossistemas naturais. § 6º – As usinas que operem com reator nuclear deverão ter sua loca- lização definida em lei federal, sem o que não poderão ser instaladas.” — Cobertura Adicional de Poluição Súbita A cobertura adicional, que pode ser contratada para quase todas as modalidades, responde por danos corporais e materiais decorrentes de poluição, contaminação ou vazamento súbitos e acidentais ocorridos durante a vigência do contrato (base de ocorrência). Há, contudo, limitações: ■ A cobertura só responde se a emissão, descarga, dispersão, desprendimento, escape, emanação ou vazamento da substân- cia tóxica ou poluente tiverem se iniciado em data claramente identificada e tenham cessado até 72 horas após seu início, caracterizando-se, portanto, como poluição súbita; ■ Os danos corporais e ou materiais sofridos por terceiros também deverão se manifestar no prazo de 72 horas, contadas do início das ocorrências; ■ Só estão cobertas as ocorrências (emissão, descarga, disper- são) originadas de depósitos, dutos, tubulações ou quaisquer equipamentos localizados no nível ou acima da superfície do solo ou da água (perdas abaixo do solo só são cobertas pelo RC – Poluição Ambiental). As condições especiaisem um mundo fascinante. Diz respeito ao modo como as pessoas devem tratar umas às outras de forma que, em convivência pací- fica, possam evitar danos a si mesmas. Mas como isso é possível? Na sociedade moderna, na qual as grandes cidades estão apinhadas de gente e quase não há lugar para todos, fica difícil viver sem estar sujeito a causar problemas a outras pessoas, ainda que sem intenção. Realmente, não é tarefa das mais simples, sobretudo porque sabemos ser responsabilidade do poder público traçar políticas públicas com objetivo de solucionar ou ainda, tentar evitar as consequências decorrentes dos problemas surgidos nas interações humanas. Nem sempre os governos, no entanto, estão suficientemente preparados para agir a contento de demandas como essa. Carros velozes, produtos perigosos, prédios inseguros, indústrias com controle de qualidade que deixa a desejar, serviços nem sempre pres- tados com a segurança requerida, crianças criadas com poucos limites são aspectos, enfim, cujo entrelaçamento é capaz de constituir-se em potencial de dano à coletividade. Muito bem, surgidos os problemas, sobretudo aqueles de natureza eco- nômica, vem à mente uma questão. Quem responderá por eles? Mais objetivamente, quem pagará por eles? Em termos gerais, nas catástro- fes, o poder público é chamado a intervir. Já no âmbito das pessoas, sejam naturais ou jurídicas, cada um deve responder pelos prejuízos a que derem causa. E aí reside o problema. Cada vez mais os acidentes acontecem com gran- de potencial de dano. Os cidadãos e as empresas nem sempre estão preparados para, em âmbito particular, suportar condenações judiciais decorrentes de atos danosos por ele praticados. A solução, portanto, é a contratação de um seguro de responsabilidade civil, em que o potencial de causar danos a terceiros possa ser reparado por conta de uma seguradora, a reparação devida. O cidadão, a indústria, a loja, o produto vendido, o filho menor do chefe de família, o shopping center, o restaurante, enfim, todos eles, e cada um de per si, podem não ter recursos financeiros para indenizar eventuais prejuí- zos por eles causados, mas, certamente, terão como pagar o prêmio de seguro requerido para esse fim. É disso que vamos tratar: Seguros de Responsabilidades! 11 UNIDADE 1 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL A SUBSCRIÇÃO DO RISCO NOS SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL Há três fatores, entre outros, dependendo do risco, que devem ser conside rados para fins de subscrição do seguro: ■ Risco Moral. ■ Risco Físico. ■ Risco Jurídico. Tais dimensões, em conjunto, fornecerão ao subscritor as variáveis e seus respectivos pesos, determinantes à aceitação, ou não, do risco. O corretor não precisa ser um especialista em subscrição, até porque cada seguradora tem normas específicas para cada risco. Ele precisa entender, contudo, de aspectos gerais pertinentes ao tema, de tal maneira que pos- sa pensar como o segurador. É nessa direção que vamos analisar alguns aspectos centrais, os quais podem nos revelar, com clareza, as chances de o contrato ser aceito pelo segurador. — O Risco Moral A seguradora deve examinar detidamente a vida patrimonial do segurado. Os requisitos de honestidade, probidade e retidão são importantes aspectos na apreciação da aceitação do risco, no tocante ao risco moral. A propensão do segurado em causar danos a terceiros, com o objetivo de se locupletar dolosamente do contrato, pode existir (fraude). É hipóte- se a ser considerada. Não se trata de conceito subjetivo, portanto sujeito à opinião e/ou interpretação do analista. É análise vital no contrato de responsabilidade civil, pois se trata de seguro de responsabilidade. — O Risco Físico Qual será o risco objeto do contrato? Um produto, uma indústria, um hos- pital, uma escola, um hotel, uma igreja, enfim, seja o que for, há específica propensão ao risco que deve ser objeto de análise e aí, de forma pontual, já que é objeto de mensuração. As seguradoras exigem o preenchimento de um questionário de análise de risco, que será complementado por uma vistoria a ser realizada, em regra, sobretudo nos riscos que exijam maiores cautelas. 12 UNIDADE 1 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL — O Risco Jurídico Não menos relevante é o risco jurídico. Há empresas cuja responsabilidade se caracteriza por meio da apuração de culpa. Em outras, porém, bastam apenas o fato e a relação de causalidade, para que se configure a obri- gação de indenizar. Nada obstante, durante a apuração da culpa podem surgir as chamadas excludentes de responsabilidade, que desobrigarão o causador do dano de qualquer responsabilidade. Muitas vezes o pagamento do sinistro vai depender de interpretação judi- cial. Outras variáveis, no entanto, podem surgir. Seja sobre a cobertura propriamente dita, seja sobre as condições gerais que excluem determina- da causa que a justiça entenda ser objeto de pagamento, enfim, quando adentramos no campo da interpretação ficamos à disposição do intérprete, que nem sempre entende o contrato da forma que foi concluído pelas partes (cia. de seguros e segurado). Estudaremos a seguir as principais legislações que devem ser objeto de análise. DO SEGURO DE RESPONSABILIDADE CIVIL “Art. 787. No seguro de responsabilidade civil, o segurador garante o pagamento de perdas e danos devidos pelo segurado a terceiro.” O seguro de responsabilidade civil é espécie do seguro de dano. Os seguros de responsabilidade civil são aqueles em que o segurado transfere ao segurador as perdas que possam advir ao seu patrimônio, resultante de indenizações que tenha de satisfazer a terceiros em razão de danos causa- dos a eles. O segurado transfere, portanto, as perdas financeiras resultantes da ocorrência do risco. O risco, no seguro de responsabilidade civil, caracteriza-se pela obrigação que o segurado possa vir a ter para com terceiros (obrigação de indenizar) que por sua vez está prevista no conjunto das leis brasileiras que disciplina a questão da responsabilidade civil. O Código de Defesa do Consumidor O Código de Defesa do Consumidor, Lei 8.078/90, criou o sistema de proteção e defesa do consumidor que impôs profunda alteração ao orde- namento jurídico nacional. A lei determina a responsabilidade objetiva (independentemente da existência de culpa) de todas as empresas forne- cedoras de produtos e/ou prestadoras de serviços, como segue em alguns artigos transcritos parcialmente, a saber: A lei é taxativa quando afirma que “independentemente da existência de culpa”. O causador do dano responderá pelos prejuízos causados, o que 13 UNIDADE 1 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL caracteriza a responsabilidade objetiva (teoria do risco) onde, ainda que não tenha sido culpado, deverá reparar o dano, o que torna, portanto, irre- levante a apuração da culpa. A única exceção a essa regra, relativamente à prestação de serviços, diz respeito à responsabilidade do profissional liberal, consoante os termos da lei: “A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada mediante a verificação de culpa”. O profissional liberal responderá, por- tanto, com base na responsabilidade subjetiva; a saber: somente se for comprovada a sua culpa no evento danoso. Convém chamarmos a atenção, para a repercussão dessa norma nos Seguros de RCG, pois a imensa maioria de nossos segurados, pessoas jurídicas (empresas industriais, comerciais e prestadoras de serviços), está enquadrada na definição do Código do Consumidor, ou seja, respondem independentemente da existência de culpa (responsabilidade objetiva, teoria do risco). É fácil concluir que, após o advento do Código do Consumidor, inúmeros sinistros que não previam cobertura passaram a prevê-la, o que alterou, significativamente, o modo de análise e subscrição de risco das empresas seguradoras, já que passaram a garantir coberturada cobertura estabelecem, ainda, as seguintes exigências: ■ Cabe ao segurado provar que a ocorrência iniciou-se em data claramente identificada e que terminou no prazo de 72 horas. A seguradora só acolherá a reclamação de sinistro se aceitar a prova apresentada pelo segurado. ■ O segurado obriga-se a desenvolver e manter em perfeitas condi- ções programas de gerenciamento de riscos e de gerenciamento/ monitoramento ambiental para prevenir e dotar os locais indicados na apólice de segurança contra eventuais acidentes. 92 UNIDADE 5 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL ■ O segurado é obrigado a executar e custear operações destinadas a neutralizar, isolar, limitar ou eliminar os agentes poluentes susce- tíveis de causar danos. Tais despesas, no entanto, não são objeto de garantia por essa cobertura adicional. As seguradoras, normalmente, estipulam um prêmio de pelo menos 20% do prêmio de cada cobertura que envolva o risco de poluição súbita. — Cobertura de Poluição Súbita em RC – Produtos Em RC – Produtos, a cobertura para poluição súbita normalmente é automática, não havendo, portanto, necessidade de contratação da cobertura adicional descrita. As Condições Especiais de RC – Produtos (território nacional) e RC – Produtos no Exterior excluem os riscos de poluição, contaminação ou vazamento, a menos que resultem de um acontecimento súbito e inesperado, iniciado em data claramente identificada e com duração máxima de 72 horas. RC – POLUIÇÃO AMBIENTAL — Objeto do Seguro O Seguro de RC – Poluição Ambiental objetiva garantir ao segurado cobertura sobre as quantias pelas quais vier a ser responsável civilmente, relativas a reparações por danos corporais ou materiais, involuntariamente causados a terceiros em decorrência de poluição ambiental, provoca- dos pelas operações do(s) estabelecimento(s) especificado(s) na apólice. A cobertura só prevalece se forem verificadas, simultaneamente, as seguintes condições: ■ O fato gerador do dano reclamado não pode ser anterior à data limite para ocorrências, prevista na apólice (a ocorrência do dano tem que ser posterior à data de retroatividade); ■ Os danos têm de ter sido causados a bens e pessoas em território brasileiro; ■ As reclamações devem ser apresentadas por terceiros na vigência do contrato ou durante os prazos suplementares (base de reclamação). 93 UNIDADE 5 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL A cobertura também abrange: ■ Custas judiciais e honorários do(s) advogado(s) nomeado(s) de acordo com ela; ■ Despesas feitas pelo segurado para neutralizar ou restringir as con- sequências do sinistro, limitadas a 20% da importância segurada; ■ Despesas com a defesa do segurado na esfera criminal, dentro do limite da IS, desde que tal defesa possa influir em ação cível da qual advenha responsabilidade amparada pelo contrato. Atenção Para efeito do RC – Poluição Ambiental, entende-se por: ■ Dano corporal – doença, lesão corporal, invalidez ou morte, excluindo-se do contrato o pagamento por reparações que venham a ser devidas pelo segurado por dano moral; ■ Dano material – dano físico à propriedade tangível, inclusive todas as perdas finan- ceiras relacionadas ao uso dessa propriedade; ■ Poluição ambiental – emissão, dispersão ou depósito de substância ou produto que venha a prejudicar as condições existentes na atmosfera, nas águas e no solo, como se apresentavam antes do fato poluente; e/ou a produção de odores, ruídos, vibra- ções, ondas, radiações, emanações ou variações de temperatura que ultrapassem os limites de tolerância legalmente admitidos, excluídos, contudo, os danos relaciona- dos a radiações ionizantes ou com energia nuclear. ■ Terceiro – qualquer pessoa física ou jurídica, exceto: » o segurado, seu cônjuge, ascendentes, descendentes ou pessoas dele depen- dentes economicamente; » os empregados ou prepostos do segurado quando a seu serviço; » o sócio, diretor ou administrador da empresa segurada; » a pessoa física ou jurídica controlada ou controladora de empresa segurada, bem como seus sócios, diretores ou administradores. — Riscos Excluídos Normalmente, além das exclusões previstas nas Condições Gerais, o RC – Poluição Ambiental não cobre reclamações por: ■ Danos decorrentes de guerra, terremotos ou sabotagem. ■ Danos a bens do segurado para guarda ou custódia, transporte, uso, manipulação ou execução de quaisquer trabalhos. ■ Responsabilidades assumidas pelo segurado por contratos ou convenções que não sejam decorrentes de obrigações civis legais. 94 UNIDADE 5 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL ■ Danos consequentes do inadimplemento de obrigações por força exclusiva de contratos e/ou convenções. ■ Danos resultantes de dolo ou de atos praticados em estado de insanidade mental, de embriaguez ou sob efeito de substâncias tóxicas. No caso de pessoa jurídica, essa exclusão se aplica ape- nas aos atos praticados pelos sócios controladores da empresa segurada, seus diretores e administradores. Há cobertura para danos resultantes de dolo de um empregado. ■ Multas de qualquer natureza impostas ao segurado. ■ Danos decorrentes da circulação de veículos fora do estabe- lecimento especificado na apólice, sendo tais riscos objeto de apólice específica. ■ Danos causados por produtos fabricados, vendidos, negociados ou distribuídos pelo segurado, depois de entregues a terceiros, definitiva ou provisoriamente e fora dos locais ocupados ou con- trolados pelo segurado (o objetivo da apólice é cobrir a poluição gerada por operações, e não por produtos). ■ Danos causados por qualquer tipo de obra, inclusive instalações e montagens, admitidos, porém, pequenos reparos destinados à manutenção do imóvel. ■ Danos resultantes do mau estado de conservação ou da insufi- ciente manutenção dos equipamentos destinados à prevenção de acidentes, caso fique comprovado que tais fatores de agra- vação eram conhecidos, ou não, e poderiam ser ignorados pelo segurado ou seus dirigentes. — Obrigações do Segurado São obrigações do segurado: ■ Zelar e manter em bom estado de conservação, segurança e funcio- namento os bens de sua propriedade e posse que sejam capazes de causar danos cuja responsabilidade lhe possa ser atribuída; ■ Comunicar por escrito à seguradora as alterações ou mudanças que possam agravar os riscos cobertos; ■ Desenvolver e manter, em condições ótimas, programas de gerenciamento de resíduos, de gerenciamento de riscos e de gerenciamento/monitoramento ambiental; ■ Fornecer todos os dados e documentos necessários às inspeções técnicas efetuadas pela seguradora. 95 UNIDADE 5 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Comentário A seguradora tem o direito de inspecionar as instalações do segurado, em qualquer momen- to, mediante aviso prévio. Dessas inspeções, a seguradora produzirá relatórios trimestrais. Se for detectado, nas instalações, algum defeito que tenha causado ou possa vir a cau- sar danos, o segurado é obrigado a tomar as providências necessárias para remediar o defeito, dentro de prazo compatível com a situação, sob pena de aplicação do disposto no artigo 768 do Código Civil (“o segurado perderá o direito à garantia se agravar inten- cionalmente o risco objeto do contrato”). — Liquidação de Sinistros No caso de sinistro, qualquer acordo judicial ou extrajudicial, com o terceiro prejudicado, seus beneficiários e herdeiros só somente será reconhecido se houver anuência prévia e expressa da seguradora. — Renovação O contrato de RC – Poluição Ambiental não é objeto de renovação automática. Sua renovação está sujeita à anuência da seguradora e do segurado, e condicionada à correta conservação e manutenção dos equipamentos destinados à prevenção de acidentes. Atenção Se o segurado recusar o acordo recomendado pela seguradora e aceito pelo terceiro prejudicado, a seguradora não responderá por quantias acimadaquelas pelas quais o sinistro seria liquidado pelo referido acordo. 96 FIXANDO CONCEITOS SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL FIXANDO CONCEITOS 5 Analise as proposições a seguir e depois marque a alternativa correta. 1. Um transportador, contratado para transportar resíduos tóxicos, sofre acidente com o caminhão, causando dispersão dos resíduos transporta- dos ao longo de todo o leito de um importante rio da região. Qual o tipo de evento caracterizado por esse evento? (a) Danos ao veículo transportador. (b) Poluição Interna. (c) Poluição da terra. (d) Proteção ao meio ambiente. (e) Poluição Ambiental. 2. A cobertura adicional de Poluição Súbita, pode ser contratada para quase todas as modalidades do seguro de RC, no entanto, para sua efe- tividade, existem algumas limitações e/ou condições para que o sinistro decorrente desse risco seja considerado como risco coberto. Indique abai- xo essa condição: (a) Está coberta somente o evento de danos materiais com duração superior a 72 horas. (b) Está coberto somente o evento de danos corporais com duração superior a 72 horas. (c) Está coberto desde que os eventos de danos corporais e materiais tenham duração inferior a 72 horas. (d) Está coberto desde que os eventos de danos corporais e materiais tenham duração superior a 72 horas. (e) Estão cobertos os eventos de danos corporais e materiais indepen- dente do tempo de duração. Consulte o gabarito clicando aqui. SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL 97 UNIDADE 606 SINISTROS ■ Compreender todas as etapas de um processo de regulação e liquidação de um sinistro em seguros de RCG, interpretando por parte do corretor, a finalidade de cada documento solicitado e como será desenvolvido o processo de regulação e liquidação. Após ler esta unidade, você deverá ser capaz de: TÓPICOS DESTA UNIDADE ⊲ NOÇÕES DE REGULAÇÃO E LIQUIDAÇÃO DE SINISTROS ⊲ FIXANDO CONCEITOS 6 98 UNIDADE 6 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL A regulação do sinistro no Ramo RCG apresenta certas peculiaridades. Isso porque há interesses dos segurados e dos terceiros, que nem sempre são coincidentes, a serem satisfeitos pela seguradora. O segurador deve se cercar, assim, de cuidados com o objetivo de evi- tar demandas judiciais, por vezes desgastantes para as partes, devido a uma tendência do segurado em proteger-se dos danos causados, o que aumenta, em muitos casos, os prejuízos de terceiros a serem reparados. NOÇÕES DE REGULAÇÃO E LIQUIDAÇÃO DE SINISTROS Assim como na emissão e na cotação das apólices, também na regula- ção de sinistros os riscos de Responsabilidade Civil se diferenciam dos riscos de propriedade (incêndio, roubo, automóvel), devido à sua extensa abrangência no que diz respeito aos tipos de danos que podem ser causados a terceiros. Comentário O Seguro de Responsabilidade Civil Geral cobre as mais diversas atividades comer- ciais, industriais e privadas existentes, por meio das mais diversas e variadas cobertu- ras, cada uma com o seu detalhamento de exclusões e franquias próprias. Essa com- plexidade de coberturas e exclusões, sem dúvidas, dificulta a regulação de sinistros nos seguros de Responsabilidade Civil. Um corretor, em diversas situações, pode ser chamado a acompanhar uma regulação de sinistro como representante do segurado. Apesar de não haver necessidade de o corretor ser habilitado a regular um sinistro, é necessário que ele saiba avaliar a qualidade técnica dos reguladores 99 UNIDADE 6 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL que realizarão a inspeção, pois uma regulação mal realizada pode gerar prejuízos aos clientes. Sendo assim, o corretor deve tomar conheci- mento do processo de regulação e liquidação de sinistros, bem como das características técnicas básicas que um regulador deve ter para poder avaliar a qualidade do evento. — Características Básicas do Regulador Podemos citar como características básicas de um regulador de sinistros nos seguros de responsabilidade civil: ■ Clareza e objetividade na comunicação com o segurado e com os terceiros; ■ Conhecimento básico de seguro; ■ Conhecimento dos procedimentos de regulação; ■ Noções de Direito Civil; ■ Noções de Contabilidade; ■ Habilidade no trato com as partes; ■ Facilidade na identificação de problemas e soluções. Atenção É importante que o regulador saiba qual é a sua alçada de regulação (até onde ele pode decidir sozinho) para que não tome decisões que comprometam a seguradora. O resseguro também é um dos fatores a serem levados em conta pelo corretor, já que, de acordo com o contrato de resseguro que tiver sido feito para a carteira de RC, a seguradora poderá ser obrigada a ceder ou dividir a regulação do risco com o ressegurador, podendo, em alguns casos, apenas acompanhar a regulação. Nesses casos, o corretor deve estar atento para deixar o segurado sempre ciente de que forma procederá a regulação do sinistro. — Documentação Pertinente à Regulação Cabe ao corretor orientar e/ou providenciar com o segurado toda a documentação necessária para que a seguradora realize a regu- lação da maneira mais rápida e eficiente possível. Como os sinistros do Seguro de Responsabilidade Civil ocorrem quando o segurado causa um dano a um terceiro, alguns documentos são necessários para que se organize corretamente o processo do sinistro. 100 UNIDADE 6 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Alguns deles são fundamentais para a caracterização da responsabi- lidade do segurado, como: ■ Relato do segurado sobre o sinistro (aviso de sinistro); ■ Boletim de ocorrência policial; ■ Certidão dos bombeiros; ■ Laudo do Instituto de Criminalística; ■ Orçamentos e comprovantes de custos em geral; ■ Termos do acordo celebrado; ■ Documentos integrantes de processo judicial; ■ Laudo de análise laboratorial; ■ Laudo judicial; ■ Comprovante de pagamento do prêmio de seguro (normalmente, a própria seguradora detém o controle dos pagamentos e não exige esse documento. Não obstante, é um direito da seguradora solicitar o comprovante de pagamento do prêmio, caso julgue necessário). — Providências na Regulação Antes e durante a regulação, algumas providências devem ser empreendidas pelo regulador para que todo o processo de regulação seja eficiente e não precise ser refeito, cabendo ao corretor intermediar e facilitar o acesso ao local do sinistro e às informações necessárias: ■ Vistoriar o local (de posse da apólice); ■ Identificar os terceiros (nomes, moradia); ■ Verificar se a competência da regulação é da seguradora ou do ressegurador; ■ Pesquisar se existe documentação fotográfica ou em vídeo do sinistro; ■ Verificar circunstâncias e formalidades legais; ■ Estudar a conveniência da liberação do local ou do bem sinistrado; ■ Verificar a necessidade de contratação de perito; ■ Verificar meios de comprovação de prejuízos; ■ Analisar se existe necessidade de vistoria judicial; ■ Tomar providências para proteger os salvados e/ou evitar a agra- vação dos danos; ■ Tomar providências de caráter provisório ou emergencial (loca- ções, instalações); 101 UNIDADE 6 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL ■ Verificar a ocorrência de economia de despesas por parte do terceiro; ■ Verificar a possibilidade de ressarcimento contra corresponsáveis ou responsáveis em segunda instância; ■ Verificar ocorrências anteriores semelhantes; ■ Estudar a necessidade de acordo formal sobre a extensão das responsabilidades; ■ Acompanhar e coordenar encontros entre as partes para determi- nação de valores e responsabilidades; ■ Sugerir providências na medida das necessidades; ■ Acompanhar a fixação de valores; ■ Sempre procurar o caminho do acordo extrajudicial (amigável); ■ Estudar a conveniência de adiantamentos por conta da indenização final; ■ Evitar que o segurado assuma responsabilidade indevida por interesses comerciais do terceiroou do próprio segurado; ■ Agir com presteza; ■ Priorizar o bom-senso. — Utilização de Checklist Um dos fatores principais para uma boa regulação é a preparação de um checklist, no qual o regulador possa se orientar durante as várias etapas da regulação. Atenção Deve-se fazer, usualmente, um checklist por modalidade de seguro, já que o escopo de cobertura é diferenciado. Um corretor que queira se especializar em acompanhamento de sinistros deve desen- volver um checklist próprio por segmento de seguro, baseado naqueles apresentados pelas seguradoras ou desenvolvido por ele próprio. Esse checklist servirá, no entanto, apenas como base de avaliação do trabalho realiza- do pelo regulador, pois, se durante a regulação, o regulador deixar de cumprir algumas etapas, isso servirá como argumento para que o corretor possa apresentar reclamação quanto à qualidade da regulação. 102 UNIDADE 6 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL — Regras para Liquidação de Sinistros As regras constam das tarifas e, normalmente, fazem parte das apólices de RC. Elas devem ser sempre apresentadas e esclarecidas pelo corretor ao segurado, no momento da contratação do seguro, para que ele fique ciente das suas obrigações em caso de sinistros. Obrigações do Segurado O segurado obriga-se a: ■ Dar imediato aviso à seguradora, por carta registrada ou protocolada, da ocorrência de qualquer fato de que possa advir responsabilidade civil, nos termos do contrato; ■ Comunicar à seguradora, imediatamente, qualquer citação, carta ou documento que se relacione ao sinistro coberto pelo contrato; ■ Zelar e manter em bom estado de conservação, segurança e funcionamento os bens de sua propriedade e posse que sejam capazes de causar danos cuja responsabilidade lhe possa ser atri- buída, comunicando à seguradora, por escrito, qualquer alteração ou mudança que venham a sofrer os referidos bens; ■ Dar ciência à seguradora da contratação ou da rescisão de qualquer outro seguro referente aos mesmos riscos previstos no contrato. Liquidação de Sinistros A liquidação de sinistro coberto pelo seguro será processada mediante as seguintes regras: ■ Apurada a responsabilidade civil do segurado, de acordo com o objeto do seguro, a seguradora efetuará diretamente ao terceiro prejudicado ou ao próprio segurado, dependendo do estipulado nas condições da apólice. ■ A seguradora indenizará o montante dos prejuízos regularmente apurados, observando o limite de responsabilidade por sinistro; ■ Qualquer acordo judicial ou extrajudicial com o terceiro prejudi- cado, seus beneficiários e herdeiros só será reconhecido pela seguradora com a sua anuência prévia. Na hipótese de recusa do segurado em aceitar o acordo, recomendado pela seguradora e aceito pelo terceiro prejudicado, a seguradora não responderá por quaisquer quantias acima daquelas pelas quais o sinistro seria liquidado pelo acordo; ■ Se proposta qualquer ação civil, o segurado emitirá aviso imediato à seguradora, nomeando, de acordo com ela, os advogados de defesa; 103 UNIDADE 6 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL ■ Embora não figure na ação, a seguradora fornecerá as instruções para seu processamento, intervindo diretamente nessa ação, se lhe convier, na qualidade de assistente; ■ Fixada a indenização devida, seja por sentença judicial ou por acordo entre as partes, a seguradora efetuará o pagamento da importância devida a que estiver obrigada nos prazos estipu- lados nas condicões da apólice, a contar da apresentação dos respectivos documentos; ■ Dentro do limite máximo previsto no contrato de seguro, a segura- dora também responderá pelas custas judiciais do foro civil e pelos honorários do(s) advogado(s) nomeado(s) de acordo com ela; ■ Se a reparação pecuniária devida pelo segurado compreender pagamento em dinheiro e prestação de renda ou pensão, a segu- radora, dentro do limite de responsabilidade previsto no contrato, pagará, preferencialmente, a parte em dinheiro. Quando a segura- dora, ainda dentro daquele limite, tiver de contribuir também para o capital assegurador da renda ou pensão, poderá fazê-lo com vis tas ao fornecimento ou à aquisição de títulos em seu próprio nome, cujas rendas serão inscritas em nome da(s) pessoa(s) com direito a recebê-las com cláusula estabelecendo que, cessada a obrigação, os títulos retornarão ao patrimônio da seguradora. Contribuição Proporcional Quando, na data da ocorrência de um sinistro, existirem outros seguros garantindo os mesmos riscos previstos nesse contrato, a seguradora con- tribuirá, apenas, com a quota de indenização das perdas e danos sofridos pelo segurado na proporção existente entre a importância que houver garantido para os riscos ocorridos e a totalidade da importância segurada por todas as apólices em vigor naquela data. Perda de Direito Além dos casos previstos em lei, a seguradora ficará isenta de qualquer obrigação se: ■ O segurado não fizer declarações verdadeiras e completas ou omitir circunstâncias de seu conhecimento que possam ter influen- ciado na aceitação da proposta ou na fixação do prêmio; ■ O segurado deixar de cumprir as obrigações convencionadas no contrato de seguro; ■ O segurado, por qualquer meio, procurar obter benefícios ilícitos do seguro a que se refere o contrato. 104 UNIDADE 6 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Prescrição A data da apresentação, ao segurado, da reclamação de terceiro – judicial ou extrajudicial – determinará o início da contagem do prazo prescricional estabelecido no Código Civil, o que igualmente aplica-se às hipóteses de paralisação do procedimento judicial ou extrajudicial por culpa do segurado. Fluxograma de um Processo de Sinistro Conhecimento, pelo segurado, de reclamação judicial. INÍCIO DANO A TERCEIRO Conhecimento, pelo segurado, do dano a terceiro. Comunicação à seguradora, feita, normalmente, pelo corretor. Discussão administrativa sobre o pedido do reclamante, incluída a regulação, se necessária. Pagamento da indenização pela seguradora. Discussão judicial Comunicação à Seguradora, feita, normalmente, pelo corretor. Nomeação dos advogados de defesa. CONDENAÇÃO OU ACORDO JUDICIAL Pagamento da indenização pela seguradora. FIM FIM SEGURADO SEGURADOR SEGURADO TERCEIRO REEMBOLSA PAGA $ $ 105 UNIDADE 6 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Ilustrando na Prática — Casos Reais Desastre de Bhopal Considerado por muitos como o pior acidente industrial de todos os tempos, o Desastre de Bhopal recebeu esse nome justamente por ter acontecido na cidade de Bhopal, na Índia. Na madrugada do dia 3 de dezembro de 1984, cerca de 40 toneladas de gases tóxicos vazaram da unidade da Union Carbide, uma fábrica de pesticidas de origem norte-americana. Estima-se que mais de 500 mil pessoas foram expostas ao isocianato de metila, um composto altamente danoso para o corpo humano. Os efeitos foram imediatos: muitos moradores das redondezas saíram de suas casas com náuseas, outros expeliram sangue e muitos foram vítimas de sérios problemas de visão. Ao menos 3 mil pessoas morreram. Sabe qual é a pior parte? Ainda existe grande quantidade de lixo tóxico nos arre- dores da fábrica abandonada, e a população de Bhopal ainda luta para tentar conseguir alguma indenização. Explosão da Plataforma P-36 Considerada a maior plataforma petrolífera do mundo, a P-36 era operada pela Petrobras na Bacia de Campos, a 130 km da costa do Rio de Janeiro. No dia 15 de março de 2001, duas explosões nas colunas de sustentação provocaram a morte de 11 integrantes da equipe de emergência que estava a bordo, além de fazer com que a estrutura tombasse 16 graus. Em poucas horas, a plataforma já estava inteiramente submersa. Felizmente, o restante da tripulação conseguiu ser salva – um total de 164 trabalhadores. De acordo com a Agência Nacional de Petróleo (ANP), a causa do incidente foi a “nãoconformidade quanto a procedimentos ope- racionais, de manutenção e de projeto”. Desastre de Minamata Embora seja comumente empregado em termômetros e outros produtos que utilizamos no dia a dia, o mercúrio é uma substância bastante perigosa – e o Desastre de Minamata traduz-se em exemplo para demonstrar esse nível de periculosidade. Tudo começou em 1965, quando vários habitantes da pequena cidade de Minamata, no Japão, deram entrada em hospitais com exatamen- te os mesmos sintomas: convulsões gravíssimas, surtos de psicose, perda de consciência e febre altíssima. Todos morreram. As investiga- ções apontaram que as vítimas apresentavam característica pitoresca em comum: todos consumiram quantidade considerável de peixes retirados da baía de Minamata. 106 UNIDADE 6 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Após mais investigações, foi constatado que uma fábrica local utilizava compostos de mercúrio na produção de PVC e os lançava diretamente na baía da cidade afetada, contaminando peixes, moluscos e aves naquele ecossistema. Hoje, estima-se que as vítimas fatais do incidente cheguem a aproximadamente 900 pessoas. Se contabilizássemos os moradores que ficaram com sequelas graves, no entanto, esse número certamente seria muito maior. 107 FIXANDO CONCEITOS SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL FIXANDO CONCEITOS 6 Marque a alternativa correta. 1. Considere o texto: “Qualquer acordo judicial ou extrajudicial com o ter- ceiro prejudicado só será reconhecido pela seguradora se esta obtiver anuência prévia. Na hipótese de recusa do segurado em aceitar o acordo, recomendado pela seguradora e aceito pelo terceiro prejudicado, a segu- radora não responderá por quaisquer quantias acima daquelas pelas quais o sinistro seria liquidado pelo acordo”. Sendo assim, é correto afirmar que: (a) A prévia anuência dispensa autorização formal. (b) O segurado não deverá seguir à risca o que foi acordado com a seguradora. (c) O segurado pode pagar, do seu bolso, eventuais diferenças a mais. (d) Na Justiça, o segurado poderá fazer acordo com o terceiro sem autorização da seguradora. (e) A seguradora nunca fará qualquer acordo que atenda aos interesses do segurado. Marque a alternativa que preencha corretamente a(s) lacuna(s): 2. O corretor deve estar atento para deixar o segurado sempre ciente sobre todas as etapas do processo de regulação de um sinistro. Espe- cificamente sobre o resseguro, qual a informação importante a ser levada ao conhecimento do segurado? (a) Informar ao segurado que a seguradora poderá ser obrigada a ceder ou dividir a regulação do risco com o ressegurador, podendo, em alguns casos, apenas acompanhar a regulação. (b) O segurado precisa receber cópia do contrato de resseguro realiza- do pela seguradora. (c) Informar ao segurado que a resseguradora será sempre responsável por 50% da indenização. (d) Informar ao segurado que havendo resseguro, a resseguradora será a única responsável pelo pagamento da indenização. (e) Não há qualquer fato que mereça ser levado ao conhecimento do segurado com relação ao resseguro. Consulte o gabarito clicando aqui. 108SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL ESTUDOS DE CASO Caso 1 Um idoso é atropelado sem gravidade em via pública. Sofreu apenas alguns arranhões. Não obstante, o atropelador observou que o idoso esta- va muito nervoso. Levou-o ao pronto-socorro da região. O médico que o atendeu disse que passasse dali algumas horas, pois iriam aplicar um sedativo na vítima. Horas depois, o atropelador compareceu ao hospital, tendo recebido a notícia do falecimento da vítima, em razão da aplicação de um medicamento que havia causado uma reação grave no paciente, levando-o a óbito. 1. Houve nexo de causalidade entre o atropelamento e o resultado morte? 2. A vítima faleceu em razão do atropelamento? Essa foi a causalidade adequada? Caso 2 “Problemas Jurídicos Resultantes de Clausulado Inadequado ou Insuficiente” Um hospital contratou uma apólice de RCG na modalidade RC – Estabe- lecimentos Comerciais e/ou Industriais (RC – Operações). Das condições especiais, constava: Riscos Cobertos: Considera-se risco coberto a Responsabilidade Civil do segurado, caracterizada na forma da Cláusula I das Condições Gerais, e decorrente de acidentes relacionados com: a) A existência, uso e conservação do imóvel especificado neste contrato; b) Operações comerciais e/ou industriais do segurado, inclusive operações de carga e descarga em local de terceiros; c) A existência e conservação de painéis de propaganda, letreiros e anúncios pertencentes ao segurado; d) Os eventos programados pelo segurado sem cobrança de ingressos, limitados aos seus empregados, familiares e pessoas comprovada- mente convidadas; e) Danos causados por mercadorias transportadas pelo segurado, ou a seu mando, em local de terceiros ou em via pública, excluídos, toda- via, os danos decorrentes de acidente com o veículo transportador. ESTUDOS DE CASO 109SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Das condições gerais, constava: 2 – O presente contrato não cobre, ainda, salvo convenção em contrário: t) Danos relacionados à prestação de serviços profissionais a terceiros, tais como serviço médico, odontológico, de enfermagem, advocacia, engenha- ria, arquitetura, auditoria, contabilidade, processamento de dados e similares. Certo dia, uma paciente faleceu na mesa de cirurgia, em razão de pro- blemas decorrentes de erro médico, segundo ficou apurado mais tarde, em inquérito policial. Soube-se, igualmente, que o médico não agiu dolosamente; o evento perpetrou-se em razão de negligência, já que o profissional não observou todo o procedimento exigido para o caso. Trata- va-se, portanto, de profissional bastante experiente, porém negligente em relação às conferências devidas e requeridas pelo protocolo, muito prova- velmente por perceber-se em domínio absoluto desses processos. Os beneficiários da paciente falecida ajuizaram ação contra o hospital. Este, por sua vez, informou no processo que tinha Seguro de RCG – Operações e chamou a seguradora para integrar o processo, ou seja, para responder por eventual condenação do hospital. Além disso, o hospital alegou que a culpa foi do médico, cabendo a ele responder pela indenização. Na sentença, o juiz condenou a seguradora ao pagamento da indenização, embora ela tivesse alegado que o sinistro não previa cobertura, em razão da exclusão constante das condições gerais. Sendo assim, comente a posição de cada um dos envolvidos na questão, à luz dos pressupostos da responsabilidade civil em geral, do Código Civil Brasileiro e, em particular, do Código de Defesa do Consumidor. Atenção Não é necessário que sejamos advogados para comentar o caso. Vamos utilizar os fundamentos legais da responsabilidade civil constantes deste manual. O importante é treinarmos o raciocínio, pois a questão apresentada e outras similares estão diretamen- te relacionadas ao Seguro de RCG e, portanto, guarda relação com o desejável conhe- cimento da matéria. Consulte o gabarito clicando aqui. ESTUDOS DE CASO 110 ANEXOS SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL ANEXOS — Anexo 1– Exemplo de Questionário de Seguro de RC – Estabelecimentos Comerciais e/ou Industriais O objetivo é acompanhar o processo de solicitação de cobertura por parte de um corretor com determinada seguradora. RC – Estabelecimentos Comerciais e/ou Industriais para uma Indústria de Brinquedos 1º passo: O segurado solicita ao corretor uma cobertura de RCG. O corretor deve ter o cuidado de, sempre que houver uma cotação de Responsabilidade Civil, observar quais as modalidades mais adequadas à ati- vidade do segurado e, após essa análise, solicitar à seguradora uma cotação. 2º passo: Preencher os questionários ou as informações necessárias para a correta subscrição do risco pela seguradora. O corretor fornece o questionário da modalidade aosegurado, que o preenche para posteriormente ser enviado à seguradora para o devido cálculo do prêmio. Fornecemos, abaixo, o questionário preenchido pelo segurado: Seguro de Responsabilidade Civil Estabelecimentos Comerciais e/ou Industriais, Empregador e Riscos Contingentes Veículos Terrestres Motorizados Questionário Anexo à Proposta do Seguro 1. Nome do proponente: Companhia ABC S.A. 2. Data de início das operações: 03/10/1960 3. Durante os últimos 5 anos, foi alterada a sua denominação social, efetuada qualquer incorporação, compra ou fusão com outra firma? Caso positivo, informe detalhes: Razão social sem alterações. Associação com a empresa Acme Ltda. 4. Atividades do proponente: a) principal: Indústria de Brinquedos; b) outras, inclusive as realizadas fora dos locais especificados no item 5 abaixo: 111 ANEXOS SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL 5. Natureza e endereço dos estabelecimentos do proponente – matriz, filiais, escritórios, fábricas, lojas e depósitos: (Rua-Cidade-Estado) 1) Avenida Lopes Quintas, nº 12.378 São Bernardo do Campo – SP 5.1 No caso de estabelecimentos industriais ou de estabelecimen- tos destinados à armazenagem de substâncias tóxicas, corrosivas, inflamáveis ou explosivas, deverá ser indicada, por meio de croqui simplificado, a situação do estabelecimento em relação à vizi- nhança, com informações sobre o afastamento e a ocupação dos prédios vizinhos (residencial, comercial ou industrial, assinalando, nestes dois últimos casos, o tipo de atividade desenvolvida). 6. Trânsito ou permanência de terceiros (pessoas ou bens) nos estabe- lecimentos do proponente. Assinalar a frequência: Alta ( ) Média (X) Baixa ( ) 7. Faturamento bruto da empresa a preço constante: Nos últimos 12 meses: R$ 48.000.000,00 Previsão para 12 meses período seguro: R$ 50.000.000,00 a) Receita operacional decorren- te da atividade fim: R$ 50.000.000,00 b) Outras receitas: R$ – Total: R$ 50.000.000,00 8. Número de empregados: 500 9. Informar sobre a existência de (assinalar): ( ) Desvio ferroviário e/ou estrada de ferro própria. (X) Caldeiras. (X) Equipamentos móveis: pontes rolantes, empilhadeiras. ( ) Substâncias tóxicas, corrosivas, inflamáveis ou explosivas. (X) Restaurantes ou similares. ( ) Anúncios ou letreiros do proponente em via pública ou em local de terceiros. 10. Assinalar, caso haja interesse na contratação das seguintes cobertu- ras adicionais: ( ) Competições e jogos esportivos. ( ) Circulação de equipamentos mecânicos nas vias públicas adjacentes ao estabelecimento. ( ) Objetos pessoais de empregados sob guarda do proponente. 112 ANEXOS SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL 11. O proponente tem conhecimento de qualquer fato de que possa advir uma reclamação contra a empresa? Em caso afirmativo, forne- ça detalhes: NÃO 12. No tocante ao presente risco, o proponente tem conhecimento de alguma reclamação contra si nos últimos 5 anos? Em caso positivo, indicar a data, o valor e a causa de cada reclamação, ainda que não tenha havido seguro no período: NÃO 13. Alguma seguradora recusou proposta de seguro semelhante fei- ta pelo proponente, estabeleceu condições agravadas para a sua aceitação ou recusou a renovação de algum seguro seu? Em caso afirmativo, esclareça os motivos alegados pela seguradora: NÃO 14. No caso de o proponente possuir ou já ter possuído seguro para garantir quaisquer dos riscos propostos, indique a seguradora: NÃO 15. Existe alguma previsão para ampliação das atividades do proponen- te no período de vigência do seguro proposto? NÃO 16. Limite Máximo de Indenização pretendido: Estabelecimentos Comerciais/ Industriais: R$ 100.000,00 17. Declaro que as informações acima são verdadeiras e que estou cien- te de que, em caso de sinistro, se for verificado que os valores que serviram de base ao cálculo do prêmio foram inferiores aos contabi- lizados, a indenização será reduzida proporcionalmente à diferença entre o prêmio devido e o pago. São Paulo, 01/01/18 Companhia ABC S.A. Local e data Assinatura do Proponente ou seu Representante Legal 3º passo: Cálculo da cotação. Com as informações fornecidas no questionário, já é possível calcular o prêmio tarifário de R$ 5.000,00 4º passo: A seguradora apresenta ao corretor o valor do seguro. Por meio de correspondência formal, a seguradora fornece as bases do seguro para que o corretor possa submetê-las ao segurado. Nessa correspondência, portanto, deverá constar a relação das cobertu- ras, dos seus respectivos LMI, do prêmio do seguro, das franquias e das Condições Gerais, Especiais e Particulares do seguro. 5º passo: O segurado aceita as bases e solicita a efetivação do seguro. Com a “ordem firme” do segurado, o corretor/seguradora elabora a pro- posta para oficializar a efetivação do seguro. Após dar recebimento na proposta, a seguradora passa a ter 15 dias para recusar o risco. 113 ANEXOS SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Caso deseje declinar do risco, a seguradora é obrigada a formalizar essa recusa com o corretor/segurado. 6º passo: A seguradora emite a apólice. No caso de aceitação, a seguradora inicia o processo de emissão da pro- posta para que esta se torne uma apólice oficial. A formatação da apólice varia muito de seguradora para seguradora. O importante é que todas as informações constantes da proposta constem da apólice. Além do seu frontispício, a apólice também tem, como parte integrante, a especificação dos riscos, ou seja, o detalhamento de cada local segurado, com as suas respectivas coberturas, verbas, franquias e condições. 114 ANEXOS SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL — Anexo 2 – Referências Importantes CIRCULAR SUSEP – 637, de 27 de julho de 2021 Data de Publicação: 28/07/2021 Vigora a partir de: 01/09/2021 Ementa: Dispõe sobre todos os seguros do grupo – 03 Responsabilidades e estabelece as regras básicas para sua comercialização. Revogou: I – a Circular Susep nº 336, de 22 de janeiro de 2007; II – a Circular Susep nº 348, de 1º de agosto de 2007; III – a Circular Susep nº 437, de 14 de junho de 2012; IV – a Circular Susep nº 476, de 16 de setembro de 2013; V – a Circular Susep nº 553, de 23 de maio de 2017. 115 GABARITO SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL GABARITO Fixando Conceitos UNIDADE 1 UNIDADE 2 UNIDADE 3 1 – B 1 – D 1 – E 2 – E 2 – B 2 – C UNIDADE 4 UNIDADE 5 UNIDADE 6 1 – B 1 – E 1 – C 2 – D 2 – D 2 – A Considerações sobre os estudos de caso Caso 1 1. Sim. Se não houvesse o atropelamento nada disso teria acontecido. 2. Não. Surgiu um outro nexo causal: a aplicação do medicamento. Caso 2 1) A COBERTURA DO SEGURO: realmente, a cobertura de RCG – Ope- rações exclui os erros e/ou omissões decorrentes de atividades profissionais. A cobertura, como visto, tem como base os sinistros decor- rentes de acidentes relacionados com a existência, uso e conservação do imóvel especificado nesse contrato. Do ponto de vista do contrato, então, não haveria cobertura para erros e/ou omissões de cunho profis- sional. É o que nos demonstra a interpretação tarifária. Por outro lado, o juiz do processo interpretou de maneira diversa. Isso porque ques- tionou, em sua sentença, o que implicaria o uso e a existência de um hospital? Ele existe para realizar cirurgias e exames laboratoriais. Aliás, essa é a sua finalidade, concluiu. E, convenhamos, quem vê o contra- to de fora pode ser tentado a interpretar dessa forma. Sendo assim, é conveniente que a seguradora, em estabelecimentos como hospitais, clínicas, comercialize a cobertura de RC – Operações em conjunto com a de Erros e/ou Omissões dos profissionais da área médica. Evitar-se-ia oferecer cobertura a sinistros sem a correspondente cobrança de prê- mio. Como se vê, por mais cuidado que se tenha na elaboração das cláusulas de um contrato de seguro, quando a questão é levada a juízo, corre-se o risco de surgiremproblemas de interpretação. 116 GABARITO SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL 2) A POSIÇÃO DO HOSPITAL: o estabelecimento em questão é prestador de serviços. Como regra, segundo o Código de Defesa do Consumidor, ele responde por danos causados ao consumidor, independentemen- te da existência de culpa. Só não responderá por prejuízos se provar que, prestado o serviço, o defeito inexiste ou a culpa é exclusiva do consumidor ou de terceiro. O fato de o hospital alegar a culpa do médi- co – e foi provado que ele teve culpa – não retira a responsabilidade do hospital, já que o empregador responde por atos de seu emprega- do. A única hipótese de se responsabilizar um médico seria no caso de ele alugar um centro cirúrgico de um hospital, por exemplo, para reali- zar procedimentos médicos, e a paciente não ter nenhum contato com tal hospital, já que foi escolhido pelo médico. E, outra hipótese ainda é a de que um eventual dano ao paciente não decorresse de nenhum equipamento fornecido pelo hospital. 3) A POSIÇÃO DO MÉDICO: o fato de o médico não ter agido dolo- samente, não retira dele a responsabilidade pelo evento. A culpa, como sabido, decorre da negligência, da imprudência e da imperícia. É evidente que o médico também poderia ter sido responsabiliza- do por imperícia, que é a falta de habilidade na prática de atividade profissional. O inquérito policial optou, contudo, pela negligência em razão do maior peso que teve a omissão, nesse caso. Convém, ainda, assinalar que o médico, como regra, tem obrigação de meio; ou seja, ele é obrigado a utilizar todos os recursos a seu alcance, mas não pode ser responsabilizado por não ter salvo a vida de um paciente, já que há outros fatores que escapam ao seu controle. Mas, no presen- te caso, foi constatada a culpa dele. 117 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ESCOLA DE NEGÓCIOS E SEGUROS. Diretoria de Ensino Técnico. Seguros de responsabilidade civil geral. 18. ed. 1ª reimpressão. Assessoria técnica de João Marcos Brito Martins. Rio de Janeiro: Funenseg, 2015. 186 p. ESCOLA DE NEGÓCIOS E SEGUROS. Diretoria de Ensino Técnico. Seguros de responsabilidade civil geral. 19. ed. Assessoria técnica de João Marcos Brito Martins. Rio de Janeiro: Funenseg, 2016. 186 p. ESCOLA DE NEGÓCIOS E SEGUROS. Diretoria de Ensino Técnico. Seguros de responsabilidade civil geral. 20. ed. Assessoria técnica de João Marcos Brito Martins. Rio de Janeiro: Funenseg, 2017. 186 p. MARTINS, João Marcos Brito; MARTINS, Lidia de Souza. Direito de Segu- ro: Responsabilidade Civil das Seguradoras. 3. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2008. VENOSA, Sílvio de Salvo. Teoria Geral das Obrigações e Teoria Geral dos Contratos. São Paulo: Atlas, 2016. ESCOLA DE NEGOCIOS E SEGUROS. Diretoria de Ensino Técnico. Seguros de responsabilidade civil geral. 22. ed. Assessoria técnica de José Eduardo Teixeira Arias. Rio de Janeiro: ENS, 2022. 3,45 Mb; PDF. Legislação BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil: www.planalto.gov.br BRASIL. Lei 8.078, de 11 de setembro de 1990. Código de Proteção e Defesa do Consumidor. Diário Oficial da República Federativa do Brasil. Código de Proteção e Defesa do Consumidor. BRASIL. Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Diário Oficial da República Federativa do Brasil. RESPONSABILIDADE CIVIL: ASPECTOS JURÍDICOS introdução Considerações sobre a Circular Susep 637/2021 A Obrigação de Indenizar A SUBSCRIÇÃO DO RISCO NOS SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL O Risco Moral O Risco Físico O Risco Jurídico DIFERENçA ENTRE RESPONSABILIDADE CIVIL E RESPONSABILiDADE PENAL ELEMENTOS ESSENCIAIS DA RESPONSABILIDADE CIVIl Ação ou Omissão do Agente Culpa ou Dolo do Agente Nexo de Causalidade entre a Ação/ Omissão do Agente e o Dano Dano experimentado pela vítima Teorias da Responsabilidade Civil: Responsabilidade Objetiva e Responsabilidade Subjetiva Responsabilidade Contratual e Responsabilidade Extracontratual Responsabilidade Contratual Responsabilidade Extracontratual ou Aquiliana Terceiros Prescrição JURISPRUDÊNCIA Fixando Conceitos 1 CONHECENDO AS CARACTERÍSTICAS E OS PRINCÍPIOS do SEGURO DE RCG CONSIDERAÇÕES INICIAIS MAIS SOBRE A CIRCULAR SUSEP 637/2021 OBJETO DO SEGURO FORMA DE INDENIZAÇÃO Proteção ao Patrimônio TIPOS DE APÓLICES Apólice à Base de Ocorrência Apólice à Base de Reclamação Conclusões sobre os tipos de apólices de Responsabilidade Civil CLASSIFICAÇÃO DOS SEGUROS Códigos dos Ramos dos Seguros de Responsabilidade Civil – Grupo 03 LIMITES De responsabilidade Considerações Importantes sobre Limites Segurados ESGOTAMENTO DOS LIMITES SEGURADOS FIXANDO CONCEITOS 2 DISPOSIÇÕES TARIFÁRIAS GERAIS CONHECENDO AS DISPOSIÇÕES TARIFÁRIAS GERAIS Proposta e Questionário Garantia Única Prazo do Seguro Pluralidade de Coberturas – RCG Critérios Adotados para o Cálculo dos Prêmios Franquias FIXANDO CONCEITOS 3 RESPONSABILIDADE CIVIL MODALIDADES e CONDIÇÕES ESPECIAIS CONSIDERAÇÕES INICIAIS SOBRE AS MODALIDADES DE COBERTURAS DO RCG LIMITES DE ATUAÇÃO DO SEGURO DE RCG Riscos Não abrangidos pelo RCG Seguros de Riscos de Engenharia: Seguros de Obra Civil em Construção e Instalação e Montagem Riscos Excluídos MODALIDADES E CONDIÇÕES ESPECIAIS MODALIDADES DE RCG MAIS UTILIZADAS NO MERCADO BRASILEIRO RC – Estabelecimentos Comerciais e/ou Industriais RC – Empregador RC – Riscos Contingentes – Veículos Terrestres Motorizados RC – Produtos no Território Nacional RC – Produtos no Exterior RC – Condomínios, Proprietários e/ou Locatários de Imóveis RC – Guarda de Veículos de Terceiros RC – Obras Civis e/ou Serviços de Montagem e Instalação de Máquinas e/ou Equipamentos RC – Prestação de Serviços em Locais de Terceiros RC – Familiar Demais Ramos do GRUPO 03 – RESPONSABILIDADes RC – Profissional – Ramo 78 RC – PROFISSIONAL DE CORRETORES DE SEGUROS RC – Administradores e Diretores (D&O) – Ramo 10 RC – Compreensivo Riscos Cibernéticos – Ramo 27 RC – Riscos Ambientais – Ramo 13 FIXANDO CONCEITOS 4 RISCOS AMBIENTAIS INTRODUÇÃO LEGISLAÇÃO Cobertura Adicional de Poluição Súbita Cobertura de Poluição Súbita em RC – Produtos RC – POLUIÇÃO AMBIENTAL Objeto do Seguro Riscos Excluídos Obrigações do Segurado Liquidação de Sinistros Renovação FIXANDO CONCEITOS 5 SINISTROS Noções de regulação e liquidação de sinistros Características Básicas do Regulador Documentação Pertinente à Regulação Providências na Regulação Utilização de Checklist Regras para Liquidação de Sinistros FIXANDO CONCEITOS 6 Estudos de Caso Anexos Gabarito Referências Bibliográficaspelos danos causados aos consumidores, independentemente da existência de culpa; danos esses reconhecidos em sentença judicial ou por acordo com prévia e expressa autorização das seguradoras. Saiba mais Leitura recomendada ALBERTIN, Alberto Luiz. Comércio eletrônico: modelo, aspectos e contribuição de sua aplicação. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2010. CAVALIERI, F. Sérgio. Programa de Responsabilidade Civil. 12. São Paulo: Atlas, 2015 DIFERENÇA ENTRE RESPONSABILIDADE CIVIL E RESPONSABILIDADE PENAL A Responsabilidade Penal nasce da violação à norma constante da lei penal, já a Responsabilidade Civil emerge do prejuízo causado, que viola também o equilíbrio social, mas não exige as mesmas medidas, no sentido de restabelecê-lo. 14 UNIDADE 1 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL A reparação civil reintegra o prejudicado na situação patrimonial anterior; ao passo que a sanção penal tem por finalidade restituir a ordem social ao estado anterior à infração. Nosso ordenamento, como regra, dispõe no artigo 935: “A responsabilidade civil é independente da criminal; não se podendo questionar mais sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando estas questões se acharem decididas no juízo criminal”. Então, se houver condenação para ato criminoso, não há o que se discutir no juízo cível. Porém, em sentido contrário, a premissa não é verdadeira. Haven- do absolvição no crime, pode haver condenação no juízo cível. A rigor, existem discussões sobre essa interpretação, e nem poderia ser dife- rente, pois há valores distintos em jogo e apenas o caso concreto conduzirá o julgador na interpretação mais adequada. VAMOS RESUMIR? RESPONSABILIDADE CIVIL RESPONSABILIDADE PENAL Emerge do prejuízo Surge da violação à norma Reintegra o patrimônio Restitui a ordem social Ação da vítima Ação da sociedade Tende à reparação civil Tendente à punição Atenção: sempre que você se deparar com a expressão “reparação civil”, signi- fica que haverá pagamento em dinheiro (ou equivalente) a alguma vítima de ato danoso. A expressão indica sempre a necessidade de indenizar alguém. ELEMENTOS ESSENCIAIS DA RESPONSABILIDADE CIVIL O interesse em restabelecer o equilíbrio econômico-jurídico alterado pelo dano é a causa geradora da responsabilidade civil. Na caracterização da obrigação reparatória, devem estar presentes os seguintes elementos: I. Ação ou omissão do agente; II. Culpa ou dolo do agente; III. Nexo de causalidade; IV. Ocorrência do dano. Presentes esses elementos, ficará caracterizada a obrigação de reparar o dano por parte daquele que o causou. Lembrando que a responsabilidade 15 UNIDADE 1 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL objetiva (teoria do risco) dispensa o elemento “culpa”, ou melhor, sua veri- ficação se torna desnecessária haja vista exigir a simples presença dos elementos “dano” e “nexo causal”. — Ação ou Omissão do Agente A ação (ato comissivo) e a omissão (ato omissivo) constituem o primeiro pressuposto da responsabilidade civil, que, originando danos a terceiros, geram o dever de reparação. A responsabilidade pela reparação do dano pode surgir: a) por fato próprio, b) por fato da coisa, c) por fato de outrem, d) por fato do produto e/ou do serviço. a) Responsabilidade por fato próprio ou direta Tal responsabilidade é oriunda de danos que o cidadão possa causar a terceiros por meio de ações ou omissões praticadas por ele mesmo, sem o emprego de coisas que estejam sob a sua esfera de vigilância ou guarda, por exemplo, os crimes contra a honra das pessoas. b) Responsabilidade por fato da coisa O título sugere que a “coisa” possa causar prejuízos a terceiros por si mes- ma, o que não é verdade, pois o que se quer afirmar é que os prejuízos são causados por intermédio delas. Tal classificação é empregada largamente nos meios jurídicos, particularmente quando se trata de danos causados pelos automóveis, aviões, trens, embarcações, indústrias, produtos etc. c) Responsabilidade por fato de outrem A doutrina utiliza amplamente o termo para designar a responsabilida- de de pais, tutores, curadores, patrões, entre outros, pelos danos que aqueles que estão sob a esfera de vigilância, proteção ou fiscalização tiverem causado a terceiros, de modo que o patrão responde por atos de seus empregados. d) Responsabilidade por fato do produto e do serviço A lei 8078/90, Código de Proteção e Defesa do Consumidor, em seus artigos 12, 13 e 14, estabelece a responsabilidade objetiva dos fornece- dores de produtos e serviços. Caracterizada a relação de consumo, não há o que discutir relativamente à culpa do agente fornecedor, vez que essa é legalmente presumida. 16 UNIDADE 1 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL HIPOSSUFICIÊNCIA DO CONSUMIDOR: Implica admitir que o consumidor é a parte frágil da relação, como regra. Imagine o consumidor diante de um grande banco, de uma empresa multinacional, por exemplo, tentando fazer valer seus direitos. A desproporção é flagrante. No sentido de contornar essa desvantagem, o Código do Consumidor, no capítulo da proteção contratual, em seu artigo 47, dispõe: “As cláusulas contratuais serão interpretadas de maneira mais favorável ao consumidor”. — Culpa ou Dolo do Agente A Culpa ou dolo do agente é definida como o desvio de uma norma de conduta. A culpa, em termos genéricos, desdobra-se em dolo e culpa pro- priamente dita. O dolo reflete o ato da intenção de causar o resultado; na culpa, o resultado não é o desejado pelo agente e decorre da falta de diligência na observância da norma de conduta. Da culpa, caracterizada no art.186 do Código Civil, decorrem outras noções, a saber: negligência, imprudência e imperícia. ■ Negligência: decorre da inobservância de normas que exigem que operemos com atenção e discernimento. Ex.: a enfermeira deixou de ministrar o remédio ao paciente, que, em decorrência, veio a falecer. ■ Imprudência: decorre da falta de cautela na execução de qual- quer ato, cujas consequências poderiam ser previstas pelo agente. Ex.: o motorista, em um dia chuvoso, na pista molhada, desenvolve velocidade muito acima da permitida para o local. ■ Imperícia: decorre da falta de habilidade do agente no exercício da atividade profissional requerida. Ex.: o médico prescrever ao doente um medicamento em dose incompatível com o seu estado de saúde, vindo o paciente a falecer em razão disso. Registre-se que, na prática, essas limitações humanas (negligência, imprudência e imperícia), por vezes, revelam-se entrelaçadas, tornando difícil a sua classificação. Mas, de maneira geral, a dificuldade não altera a direção da responsabilidade, pois o agente responderá pelos atos ilícitos que cometer, independentemente dessa ou daquela classificação. 17 UNIDADE 1 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL — Nexo de Causalidade entre a Ação/ Omissão do Agente e o Dano A relação de causa e efeito entre o ato danoso e suas consequências precisa ficar estabelecida com clareza, uma vez que, se esse requisito não for atendido, não haverá obrigação de indenizar. A respeito do tema, destaque-se o estudo da Teoria da Causalidade Adequada, no qual se estabelece que causa constitui o antecedente necessário e adequado à produção do evento. Trata-se de causa relevante, portanto, que produziu efeito direto e evidente (relação de causa e efeito). O vínculo de causalidade não oferece maiores problemas quando a causa é simples. A dificuldade tende a se ampliar quando houver mais de um fator concorrente para o evento. É a situação em que uma ou várias circuns tâncias ou condições concorrem para o evento, sem que seja possível determinar qual delas foi a preponderante. Outro ponto de particular interesse para o presente estudo refere-se às Excludentes de Responsabilidade, que emergem da investigação sobre o nexo de causalidade entre a conduta do agente e o efetivo resultado danoso.É pertinente esclarecer que nem sempre o causador do dano deu origem a ele, assim como o fator gerador do evento teve origem na ação ou omissão do agente. — Dano experimentado pela vítima Quando pensamos na noção de dano, assumimos que ele constitui condi- ção indispensável para que o ato ilícito alcance repercussão na esfera do direito civil. O dano é definido pela diminuição ou subtração de um bem jurídico que abrange não só o patrimônio. Pode atingir também a vida, a saúde, a honra, entre outros. As espécies de danos podem ser resumidas em: dano patrimonial e dano moral. Consoante o artigo 402 do Código Civil, a reparação do dano patrimonial deve abranger o dano emergente (o que a vítima efetivamente perdeu) e o lucro cessante (o que razoavelmente deixou de lucrar). Na avaliação do lucro cessante, relativamente à fixação do valor da indenização, recor- remos ao princípio da razoabilidade. O dano moral, por sua vez, consiste na lesão a um interesse que visa à satisfação ou ao gozo de um bem jurídico extrapatrimonial, situado no âmbito dos direitos da personalidade, a saber: a vida, a integridade corporal, a liberdade, a honra, o decoro, a intimidade, os sentimentos afetivos, a própria imagem ou os atributos da pessoa. 18 UNIDADE 1 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Uma classificação simples e resumida de dano: ■ Dano corporal: refere-se à lesão corpórea ou à doença sofrida por pessoa física (inclusive morte ou invalidez) em decorrência de ação ou omissão de outra pessoa; ■ Dano material: refere-se ao dano físico à propriedade, aos animais, à deterioração de objetos tangíveis e destruição de substâncias; ■ Dano imaterial: refere-se ao dano resultante da privação de um direito, da interrupção de uma atividade ou da perda de um benefí- cio. Nos casos de interrupção de uma atividade, existem os danos de natureza pecuniária, como os lucros cessantes e/ou esperados. O seguro de Responsabilidade Civil Geral, resumidamente, é um tipo de seguro que indeniza o dono de alguma coisa ou o responsável por alguma pessoa por danos que essa coisa ou pessoa possam causar a terceiros. Por exemplo: o fabricante de TV cujo aparelho explode causando danos à família deverá indenizar esses danos. Da mesma forma, o aluno que foi feri- do na escola, porque escorregou na escada que estava sendo lavada pela servente, deverá ter eventuais danos pagos pelo dono da escola. Então, o seguro de RCG que foi contratado por essas organizações irá garantir cobertura àqueles que o contrataram. TEORIAS DA RESPONSABILIDADE CIVIL: RESPONSABILIDADE OBJETIVA E RESPONSABILIDADE SUBJETIVA Com base no elemento culpa, surgiram as teorias da respon- sabilidade subjetiva e da responsabilidade objetiva. Ou seja, há de se responsabilizar o causador do dano segundo uma ou outra teoria, consoante regras de direito, naturalmente, previamente estabelecidas. A Responsabilidade subjetiva refere-se à estrita necessidade de verificação da culpa, tal como expresso no art. 186 do Código Civil, ao estabelecer: “Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligên- cia ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito”. Atenção Não há que se falar em Responsabilidade Civil sem que haja a produção de um dano. O dano é elemento fundamental na configuração da obrigação de indenizar. 19 UNIDADE 1 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL O legislador reforça a garantia do ofendido, no art. 942 do mesmo código, quando prescreve: “Os bens do responsável pela ofensa ou violação do direito de outrem ficam sujeitos à reparação do dano causado; e, se a ofensa tiver mais de um autor, todos responderão solidariamente pela reparação.” Portanto, a regra no direito pátrio é a da aplicação da teoria subjetiva. Já a Responsabilidade Objetiva, também conhecida como a Teoria do Risco, prescinde da verificação do elemento culpa, bastando a comprovação do dano e do nexo de causalidade. Dessa forma, aquele que prejudicar alguém deve ressarcir o dano, independentemente da existência de culpa, na medida em que, segundo pressupostos dessa teoria, a culpa é presumida, o que torna desnecessária a sua investigação e prova. É comum dizer-se que a teoria objetiva se filia ao princípio da causalidade; ou seja, a culpa é configurável em face de suficien- te relação de causa e efeito entre o fato causador do dano e a efetividade dos prejuízos. A teoria objetiva, com o advento da máquina e a transformação completa das relações humanas, nasceu no final do século XIX na Europa. Em seguida, passou a ser aplicada também no Brasil, notadamente em processos relativos a acidentes de trabalho, bem como em relação aos transportes aeroviários e ferroviários e naqueles que envolviam a responsabilidade civil do Estado. A queda de objetos de uma casa e o fato do locatário responder pelo incêndio no prédio são exemplos da jurisprudência que consagram a teoria objetiva. O Código Civil brasileiro referenda a questão quando insere tal teoria no artigo 927: “Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo. Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem”. 20 UNIDADE 1 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL RESPONSABILIDADE CONTRATUAL E RESPONSABILIDADE EXTRACONTRATUAL Na responsabilidade civil contratual, antes mesmo de surgir a obrigação de indenizar por parte do inadimplente, existe um contrato, um vínculo jurídico de convenção entre as partes envolvidas. Por outro lado, na responsabilidade civil extracontratual ou aquiliana (o termo se origina da Lex Aquilia do direito romano), nenhuma relação jurídica existe entre o causador do dano e a vítima. Portanto, a responsabilidade extracontratual advém, independentemente da existência de um contrato pré-celebrado. Exemplos: a marquise que desaba ferindo pedestres; o martelo que despenca de uma obra na cabeça de quem passa; o botijão de gás que explode na cozinha de um shopping etc. Então, surgirá, para o causador do dano, a obrigação legal de ressarcir a(s) vítima(s) em relação aos danos causados. — Responsabilidade Contratual Nas questões inerentes à responsabilidade contratual cabem comentários acerca das obrigações de meio e de resultado. As obrigações de meio conduzem o agente a envidar todos os esforços necessários ao cumprimento da obrigação, sem, contudo, estar obrigado ao alcance do resultado esperado. É o caso do médico, do advogado, entre outros. As obrigações de resultado são aquelas que exigem do agente o cumpri- mento da obrigação nos termos do estipulado no contrato. Tem que dar certo. Construção de prédios e transportes são exemplos. Embora seja perceptível, até mesmo ao leigo, o que seja obrigação de resultado e obri- gação de meio, há ocasiões em que elas se misturam. Nessa hipótese, só o caso concreto permitirá a correta interpretação. RESUMINDO: não estão cobertos por apólice de seguro os contratos que extrapolam a natureza do seu objeto. Atenção Um contrato não precisa ser necessariamente escrito. Quando pegamos um ônibus existe um contrato de transporte previsto em lei, mas não assinamos nenhum papel e devolvemos ao motorista, não é mesmo? Quando entramos num restaurante existe um contrato de fornecimento por parte do estabelecimento, mas não assinamos nenhum papel antes de almoçar, não é mesmo? Atenção Algumas cláusulas de certos contratos não são cobertas por apólice de seguro de responsabilidade civil. Por exemplo, se o dentista segurado prometer ao cliente que a prótese vai torná-lo mais bonito e isso não ocorrer, a apólice de responsabilidade civil profissionalnão não garantirá cobertura do valor a ser pago em juízo numa possível condenação. Da mesma forma o cirurgião plástico, segurado por apólice de responsabilidade civil profissional, que promete devolver o dinheiro cobrado à cliente em caso de insucesso da cirurgia. Esse valor não será reembolsado pela seguradora. 21 UNIDADE 1 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL — Responsabilidade Extracontratual ou Aquiliana Como visto, na responsabilidade civil extracontratual ou aquiliana (o ter- mo se origina da Lex Aquilia do direito romano), nenhuma relação jurídica existe entre o causador do dano e a vítima, até que a ação ou omissão daquele desperte o mecanismo obrigacional reparatório. A doutrina dominante entende que ela pode surgir por fato próprio, por fato da coisa, por fato de outrem e por fato do produto ou do serviço. Reforçando os conceitos, a responsabilidade extracontratual pode surgir por ação do próprio segurado, por algo pelo qual ele responda juridicamente – por exemplo, seu barco, seu avião, sua fábrica –, por alguma pessoa por quem ele responda por força de lei – por exemplo, seus filhos, seus empregados – ou por algum serviço prestado e/ou produto fornecido. Esta última categoria foi destacada para que se dê ênfase à importância que tem a relação de consumo na sociedade atual, em face da complexidade de riscos pertinentes. TERCEIROS Para o Seguro de Responsabilidade Civil, o terceiro é um elemento de apa- rição incidental e que sofre o dano. Pode ser qualquer pessoa, desde que não seja o próprio segurado, seus ascendentes, seus descendentes, seu cônjuge, pessoas que dependam economicamente, ou que residam ou tenham sociedade econômica ou emprego com o segurado. Com a exclusão dessas pessoas das coberturas das apólices de RCG, por não se enquadrarem na definição de terceiro, evita-se que o segurado seja tentado a agravar o risco, prejudicando o segurador. Evita-se, também, que o causador do dano se beneficie do ato ilícito que cometeu. PRESCRIÇÃO A prescrição extintiva, em síntese, ocorre quando o titular de um direito subjetivo patrimonial deixa de acioná-lo dentro de determinado espaço de tempo previsto na lei. Assim, perde-se o direito de ação. A prescrição cons- titui medida de segurança jurídica para a sociedade de forma a evitar que certas pendências se prolonguem indefinidamente. Atenção A responsabilidade extracontratual é objeto de cobertura no ramo de Responsabilidade Civil Geral, dentro, evidentemente, dos riscos contratados. 22 UNIDADE 1 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL DIREITO DE AÇÃO: O cidadão não deverá entrar em juízo após passado o prazo previsto em Lei. A prescrição se acha disciplinada no Código Civil nos artigos 189 a 206. A prescrição só poderá ser interrompida uma única vez, a teor do artigo 202, que enumera as causas que a interrompe. RESUMINDO: ■ Prazo geral: 10 (dez) anos; ■ Ação do segurado X segurador: 1 ano; ■ Reparação de danos: 3 anos; ■ Do beneficiário de seguro: 3 anos; ■ No CDC: 5 (cinco) anos por fato do produto ou do serviço. JURISPRUDÊNCIA Resumidamente: é o conjunto das decisões e interpretações das leis fei- tas pelos tribunais superiores, aplicando as normas às situações de fato. Podem dar origem às súmulas vinculantes, que passam a ter repercussão geral, ou seja, aplicabilidade direta em casos semelhantes aos julgados. Vamos transcrever, neste manual, alguns julgados do Superior Tribunal de Justiça, para que o corretor possa ver a materialização dos conceitos estu- dados, em sua aplicabilidade no cotidiano. 23 FIXANDO CONCEITOS SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL FIXANDO CONCEITOS 1 Marque a alternativa correta 1. O empregado de um posto de gasolina danificou um veículo durante a operação de abastecimento. De acordo com o Código Civil Brasileiro, a solução a ser dada para esse caso, no tocante à reparação dos prejuízos no carro do cliente, é a seguinte: (a) O empregado deverá pagar o prejuízo. (b) O dono do posto deverá pagar o prejuízo, porque o patrão responde pelos atos de seus empregados. (c) Não há obrigação de indenizar, pois a conduta do empregado foi intencional. (d) Não há obrigação de indenizar, pois a conduta do empregado foi involuntária. (e) O dono do posto não tem obrigação de indenizar, pois quem deve pagar é quem causou o prejuízo. 2. Considere o fato de um empregado ter causado danos materiais a um cliente de um estabelecimento comercial. Certamente, o patrão responde- rá pelos prejuízos com base em que princípio: (a) Obrigação de resultado. (b) Responsabilidade Penal. (c) Obrigação de meio. (d) Responsabilidade subjetiva. (e) Responsabilidade por fato de outrem. Consulte o gabarito clicando aqui. SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL 24 UNIDADE 202CONHECENDO AS CARACTERÍSTICAS E OS PRINCÍPIOS do SEGURO DE RCG ■ Entender as características e os princípios do seguro de RCG, interpretando os tipos de seguro, se por ocorrência ou reclamação, seus limites seguráveis e de responsabilidade, bem como as garantias de indenização. Após ler esta unidade, você deverá ser capaz de: ⊲ CONSIDERAÇÕES INICIAIS ⊲ MAIS SOBRE A CIRCULAR SUSEP 637/2021 ⊲ OBJETO DO SEGURO ⊲ FORMA DE INDENIZAÇÃO ⊲ PROTEÇÃO AO PATRIMÔNIO ⊲ TIPOS DE APÓLICES ⊲ CLASSIFICAÇÃO DOS SEGUROS ⊲ LIMITES DE RESPONSABILIDADE ⊲ ESGOTAMENTO DOS LIMITES SEGURADOS ⊲ FIXANDO CONCEITOS 2 TÓPICOS DESTA UNIDADE 25 UNIDADE 2 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL CONSIDERAÇÕES INICIAIS Vamos agora estudar os Seguros de Responsabilidade Civil e seus fundamentos. No desenrolar dos assuntos, ficará claro que existem modalidades de Seguros de Responsabilidade Civil cujas coberturas nem sempre darão garantias ao segurado contra todas as suas obri- gações, as quais estão explicitadas nos fundamentos jurídicos da Responsabilidade Civil no Direito Brasileiro. Em outras palavras, a responsabilidade do segurado é ampla, enquanto que a cobertura da apólice pode ser restrita. Cada modalidade possui coberturas e exclusões específicas que atenderão aos princípios bási- cos do seguro. Além disso, dentro da diversidade de cláusulas, deve o profissional de seguro estar atento ao fato de que cada seguradora tem a liberdade de criar planos próprios, que nem sempre serão iguais aos de outras seguradoras. Os temas apresentados a seguir seguem um padrão de conduta geral, isto é, explicitados segundo um modo de operação aceito pela maioria dos operadores no mercado securitário. 26 UNIDADE 2 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL MAIS SOBRE A CIRCULAR SUSEP 637/2021 Antes de detalharmos o estudo técnico das diversas coberturas e os ramos que compõem o grupo de seguros de responsabilidade, precisamos apre- sentar as principais características da Circular Susep 637, de 27/07/2021. Uma das características mais significativas da referida Circular é o seu caráter liberal, que possibilita aos segurados desfrutar de condições mais simples, flexíveis e alinhadas às demandas do consumidor final de seguros. As alterações promovidas pela norma entraram em vigor a partir de 01 de setembro de 2021, obrigando que os planos de seguros de responsabilidade civil que não estejam em conformidade com as suas disposições adaptem-se à nova norma em até cento e oitenta dias após sua entrada em vigor. Em razão dessas alterações, o nosso material apresentará os temas para estudo indicando, na medida do possível, expressões como normalmente ou atualmente, para indicar que a condição de risco coberto ou risco excluído pode vir a ser flexibilizada, caso alguma seguradora decida comercializar aquela cobertura de forma diferente da prática atual. Como resultado da ampla modificação dos critérios técnicos até então em vigor, a referida circular 637, revogou as seguintes normas: a) Circular Susep nº 336, de 22 de janeiro de 2007, quedispõe sobre a operacionalização das apólices de seguro de responsabilidade civil à base de reclamações (claims madebasis); b) Circular Susep nº 348, de 01 de agosto de 2007, que altera dispositivos da Circular SUSEP nº 336, de 2007; c) Circular Susep nº 437, de 14 de junho de 2012, que estabe- lece as regras básicas para acomercialização do Seguro de Responsabilidade Civil Geral e disponibiliza as condições contra- tuais do Plano Padronizado deste seguro; d) Circular Susep nº 476, de 16 de setembro de 2013, que altera dispositivos da CircularSusep nº 437, de 2012; e) Circular Susep nº 553, de 23 de maio de 2017, que estabelece diretrizes gerais aplicáveis aos seguros de responsabilidade civil de diretores e administradores de pessoas jurídicas (seguro de RC D&O). Vamos então conhecer as bases técnicas dos seguros de responsabilidade civil. 27 UNIDADE 2 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL OBJETO DO SEGURO Uma apólice de RCG objetiva cobrir o risco da responsabilidade civil do segurado perante terceiros. De acordo com as normas divulgadas pela Cicular Susep 637/2021, as Condições Contratuais das apólices de responsabilidade civil devem apresentar, em linhas gerais, a seguinte definição para o termo “objeto do seguro”: “O presente seguro tem por objetivo garantir o interesse do segurado, até o limite máximo da importância segurada, das quan tias pelas quais vier a ser responsável civilmente, ou em acordo autorizado de modo expresso pela seguradora, relativas a reparações por danos invo luntários, corporais e/ou materiais causados a terceiros, ocorridos durante a vigência deste contrato e que decorram de riscos cobertos nele previstos.” FORMA DE INDENIZAÇÃO A forma de indenização dos prejuízos indenizáveis na maioria das apólices de outros ramos é realizada via pagamento direto ao segurado. Porém, no caso dos seguros de Responsabilidade Civil, a indenização dos prejuízos causados pelos segurados a terceiros, até a edição da Circular 637/2021, era feita exclusivamente por via de reembolso e após sentença judicial transitada em julgado. Sentença judicial transitada em julgado Decisão definitiva em processo judicial em relação à qual não cabe mais qualquer recurso. A partir da entrada em vigor da referida Circular, as seguradoras poderão desenhar seus produtos para realizar o pagamento da indenização direta- mente ao segurado, ao terceiro prejudicado ou mesmo estabelecer outra forma de pagamento, desde que previamente acordado entre as partes e devidamente expressa nas condições da apólice e sem a obrigatoriedade de aguardar o trânsito em julgado. A título de esclarecimento, o princípio do reembolso determinava que o segurado primeiro pagasse ao terceiro reclamante para depois, então, ter direito ao reembolso com a seguradora. 28 UNIDADE 2 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL A exceção a essa regra encontrava-se no Código Civil, a saber: “Art. 788. Nos seguros de responsabilidade legalmente obrigatórios, a indenização por sinistro será paga pelo segurador diretamente ao terceiro prejudicado. Parágrafo único. Demandado em ação direta pela víti- ma do dano, o segurador não poderá opor a exceção de contrato não cumprido pelo segurado, sem promover a citação deste para integrar o contraditório.” Os seguros de responsabilidade civil legalmente obrigatórios encontram-se discriminados no Decreto-Lei 73/66 e em algumas outras legislações mais específicas. Resumo 1: Com sistema de reembolso SEGURADO SEGURADOR SEGURADO TERCEIRO REEMBOLSA PAGA $ $ Resumo 2: Sem sistema de reembolso (a partir da Circ. Susep 637/21) TERCEIRO PAGA $ SEGURADORA Lembre-se As seguradoras terão prazo de 180 dias, contados a partir de setembro de 2021, para realizar nos seus produtos as modificações estabelecidas pela Circular Susep 637/2021, portanto, o princípio da indenização por reemboso e todas as demais práticas ainda serão utilizadas nas apólices por alguns meses. 29 UNIDADE 2 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL PROTEÇÃO AO PATRIMÔNIO Os Seguros de Responsabilidade Civil são considerados patrimoniais, porque uma de suas funções é a de proteger o patrimônio do segurado. Quando um segurado causa um dano a um terceiro, a lei o obriga a reparar esse dano, em última instância, com os seus próprios bens. Sendo assim, o objetivo do Seguro de RCG é proteger o patrimônio, pois, ao reembolsar o segurado no valor do sinistro ou ao pagar o prejuízo causado diretamente ao terceiro, o seguro serviu para restabelecer o patrimônio do segurado no mesmo patamar anterior ao sinistro. TIPOS DE APÓLICES A circular 637/2021 mantém a classificação das apólices de RCG, defini- das como apólice à base de ocorrência (occurrence basis) e apólice à base de reclamação (claims made). Essas tipologias guardam relação direta com o prazo que o segurado terá para reclamar reembolso ou realizar o pagamento diretamente ao terceiro prejudicado e, por via de consequência, do terceiro em ver seu prejuízo sanado. O que determi- nará qual o tipo a ser oferecido pela seguradora, naturalmente levando em conta aspectos mercadológicos, comerciais e atuariais de sua conve- niência, é a especificidade dos riscos, que se traduzirá como objeto do contrato da apólice de responsabilidade civil. — Apólice à Base de Ocorrência Na apólice à base de ocorrência (occurrence basis), é imprescindível que estejam presentes as seguintes situações: ■ o dano ou fato gerador, definido como a causa dos prejuízos sofridos por um terceiro, deve ocorrer durante o período de vigência da apólice; ■ o segurado, ou terceiro prejudicado, deve apresentar o pedido de indenização à seguradora durante a vigência da apólice ou nos prazos prescricionais legais em vigor (o prazo prescricional começa a partir da data da ciência do dano). Para que fique mais bem compreendido, essas regras são as mesmas adotadas nos seguros em geral (ramos incêndio, automóvel, vida, entre outros). O conceito é similar, devendo ser entendido que o prazo prescri- cional é aquele estipulado no Código Civil Brasileiro. 30 UNIDADE 2 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Observe, no gráfico, como ocorre uma situação hipotética dessas regras: Início da vigência da apólice Fim da vigência da apólice Reclamação Fim do prazo prescricional Ocorrência do dano — Apólice à Base de Reclamação Já na apólice à base de reclamação (claims made), deverão estar presentes as seguintes situações: ■ o dano ou fato gerador, definido como a causa dos prejuizos sofri- dos por um terceiro, deve ocorrer durante o período de vigência da apólice ou durante o período de retroatividade; ■ o terceiro prejudicado deve apresentar a reclamação ao segurado durante a vigência da apólice ou durante o prazo adicional, con- forme estabelecido no contrato de seguro. Os seguros de responsabilidade civil à base de reclamações destinam-se aos riscos de latência prolongada (risco oculto por longo período de tem- po) ou a sinistros com manifestação tardia. Período de Retroatividade Esse período de tempo é definido como a data igual ou anterior ao início da vigência da apólice à base de reclamações, a ser negociada pelas par- tes por ocasião da contratação inicial ou da renovação do seguro, e que caracteriza o início do período de retroatividade da cobertura. A partir da primeira renovação, aplica-se a retroatividade de cobertura para as apólices anteriores, ou seja, quando a apólice é renovada, aquela ocorrência da primeira apólice poderá ser reclamada até o final da nova apólice, e assim por diante, desde que não haja interrupção de cobertura. Para essa definição, a Circular 637/2021 não trouxe modificações nesse entendimento. 31 UNIDADE 2 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Importante A retroatividade é definida de acordo com os seguintes parâmetros: ■ Na primeira vigencia de umaapólice (seguro novo), normalmente esse período de retroatividade não é concedido pela seguradora, pelo desconhecimneto natural do risco, porém, não é proibido negociar retroatividade anterior ao início de vigência da primeira apólice. ■ A partir da primeira renovação e em todas as outras subsequentes, desde que não haja interrupção de cobertura, será aplicada a retroatividade, sempre a partir da data de início de vigência da primeira apólice. Observe como acontece, acompanhando os gráficos a seguir. COBERTURA/VIGÊNCIA 1º ANO COBERTURA/VIGÊNCIA 2º ANO COBERTURA/VIGÊNCIA 3º ANO Prazo Adicional A Circular Susep 637/2021 unificou os conceitos de prazo complementar e suplementar, sob a denominação de prazo adicional, de livre pactua- ção, com ou sem cobrança de prêmio correspondente. No entanto, para melhor compreender o novo conceito, vamos entender as definições anteriormente praticadas: ■ Prazo Complementar – prazo adicional para a apresentação de reclamações ao segurado, por parte de terceiros, concedido, obrigatoriamente, pela sociedade seguradora, sem cobrança de qualquer prêmio adicional e pelo prazo mínimo de um ano, tendo início na data do término de vigência da apólice ou na data de seu cancelamento. 32 UNIDADE 2 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL ■ Prazo suplementar – prazo adicional para a apresentação de reclamações ao segurado, por parte de terceiros, oferecido, obri- gatoriamente, pela sociedade seguradora, mediante a cobrança facultativa de prêmio adicional, tendo início na data do término do prazo complementar. Exemplos de apólice à base de reclamação, considerando ainda as definições de prazos complementares e suplementares: Um segurado não irá renovar sua apólice de RCG. A apólice que está por terminar tem o seu fim de vigência em 30/06. Um sinistro ocorrido durante a vigência pode ser reclamado até 1 ano após a data de 30/06 para ser reembolsado. Outra situação é a de o segurado descobrir que cometeu um dano con- tra um terceiro e que, provavelmente, haverá uma reclamação por aquele dano. Entretanto, até aquela data, não houve reclamação oficial do terceiro contra ele. Nesse caso, o segurado notifica à seguradora que cometeu um dano contra terceiros e que esse sinistro poderá ser reclamado no futuro. Essa notificação deve ser feita durante a vigência da apólice, e os eventuais terceiros notificados, que tenham sofrido danos referentes ao evento, têm prazo de 1 ano para reclamar. Nos dois exemplos, o prazo complementar seria iniciado após o término da vigência da apólice ou após o seu cancelamento. O segurado, no entanto, se desejasse, poderia dilatar o prazo automático, contratando o prazo suplementar por um período máximo de até três anos, desde que, para isso, pagasse um prêmio adicional. A introdução do novo conceito de prazo adicional objetiva facilitar a contra- ção de um período adicional de cobertura de uma forma muito mais simples e objetiva, tendo rigorosamente a mesma função dos prazos anteriores. Notas O prazo para reclamar faz parte dos dois tipos de apólice: Apólice à Base de Ocorrência (prazo prescricional do Código Civil) e Apólice à Base de Reclamação (prazo adicional). O Que Devem Conter As Apólices À Base De Reclamação? ■ Cláusula de Garantia: Estipulaar que o terceiro apresente a recla- mação ao segurado durante o período de vigência da apólice ou durante o prazo adicional, quando cabível e que as reclamações estejam vinculadas a danos ou fatos geradores ocorridos durante a vigência da apólice ou durante o período de retroatividade. 33 UNIDADE 2 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL ■ Cláusula de Prazo Adicional: Além de indicar o período de tempo do prazo adicional, deverá ainda garantir a sua manutenção nas seguintes hipóteses: I. no caso de o seguro não ser renovado; II. se o seguro à base de reclamações for transferido para outra seguradora que não admita, integralmente, o período de retroatividade da apólice precedente; III. se o seguro, ao final de sua vigência, for transformado em um seguro à base de ocorrência na mesma sociedade seguradora ou em outra; ou IV. se o seguro for extinto, desde que a extinção não tenha ocorrido por determinação legal, por falta de pagamento do prêmio ou por esgotamento do limite máximo de garantia do contrato com o pagamento das indenizações. Ainda com relação ao prazo adicional, as condições contra- tuais devem prever: I. a possibilidade de extensão do prazo adicional; II. que o prazo adicional não se aplica às coberturas cujo paga- mento de indenizações tenha esgotado o respectivo limite agregado ou limite máximo de garantia do contrato de seguro; III. que o prazo adicional também se aplica às coberturas previa- mente contratadas e que não foram incluídas na renovação do seguro, desde que estas não tenham sido extintas por determinação legal ou por falta de pagamento do prêmio; IV. a data limite fixada para o segurado exercer o direito de exten- são de prazo adicional e a data limite para efetuar, na hipótese de cobrança de prêmio adicional, o respectivo pagamento; V. os prêmios adicionais correspondentes, quando cobrados; e VI. a informação de que a contratação do prazo adicional não acarreta, em hipótese alguma, a ampliação do período de vigência da apólice de seguro. ■ Cláusula de Transformação: possibilidade de transformação do seguro à base de reclamações para seguro à base de ocorrências, devendo prever: I. a vigência e o período de retroatividade da apólice à base de reclamações; II. o prêmio adicional correspondente, quando devido; 34 UNIDADE 2 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL III. a data limite para o segurado exercer o direito de transfor- mação, bem como a data limite para efetuar o pagamento do prêmio correspondente, se for o caso; e IV. a informação de que a opção do segurado será efetuada mediante endosso ao contrato de seguro em vigor. Outras Formas De Contratação Das Apólices À Base De Reclamação Seguro de responsabilidade civil à base de reclamação (claims made) com notificações Nesse tipo de contratação de apólice, mantém-se os princípios básicos de uma seguro a base de reclamação, que determina que os danos ou o fato gerador tenham ocorrido durante o período de vigência da apólice, ou durante o período de retroatividade, porém, permite que o Segurado notifique a seguradora, antes mesmo de ser notificado pelos terceiros prejudicados, a expectativa de fatos ou circunstâncias que venha a ter conhecimento. Na hipótese de ocorrência dessa notificação à Seguradora, o prazo para reclamação do sinistro, por parte do terceiro ao Segurado, será estendido além da vigência da apólice, ou prazo adicional, até o término dos prazos prescricionais legais. Todavia, se o segurado não tiver conhecimento sobre qualquer expectativa de sinistros e, por isso, não apresentar comunicação à Seguradora, todas as demais condições estabelecidas na apólice permanecerão válidas, lem- brando que, para fins de indenização, a seguradora acatará a reclamação do terceiro ao segurado somente durante o prazo de vigência da apólice ou prazo adiconal estabelecido nas condições contratuais, como ocorre na contratação do seguro claims made tradicional. Seguro de responsabilidade civil à base de reclamação (claims made) com primeira notificação ou descoberta Nessa modalidade, permite-se também que o segurado comunique à Seguradora o fato ocorrido que seja de seu prévio conhecimento. Todavia, nesse caso, a comunicação deixa de ser uma mera expectativa e assume a característica de efetivo aviso de sinistro. Em resumo, podemos compreender que, no seguro claims made com noti- ficação, o segurado acha que cometeu um dano, mas não tem certeza e, por precaução, comunica o fato à Seguradora como expectativa de sinis- tro; já no seguro contratado como primeira notificação ou descoberta, o segurado tem acerteza dos danos causados. 35 UNIDADE 2 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Vejamos, no quadro a seguir, as aplicação de todas as formas de contrata- ção do seguro de Responsabilidade Civil. TIPO DE APÓLICE INÍCIO DO PROCESSO DE INDENIZAÇÃO APLICAÇÃO PRÁTICA Base de Ocorrência (Occurance Basis) Data de ocorrência do dano Situações nas quais os danos são consta- tados imediatamente após a ocorrência do evento. Exemplos: Seguros de RC – Operações; RC – Guarda de Veículos de Terceiros e similares. Base de Reclamação (Claims Made) Data da reclamação do dano pelo terceiro ao segurado Situações nas quais os danos não são de constatação imedia- ta, podendo aparecer muito tempo após à efeftiva ocorrência do evento (longa latência). Exemplos: Seguros de RC – Produtos; RC Em- pregador; RC – Riscos Profissionais (E&O); Seguros D&O Base de Reclamação e Notificações Data da reclamação do dano pelo terceiro ao segurado ou Data da notificação da expec- tativa do sinistro pelo Segurado à Segura- dora Situações nas quais os danos normalmente não são de constata- ção imediata, mas o segurado entende que possa ser responsável por eles. Exemplo: Seguro de RC – E&O para profissionais da área da sáude. Base de Reclamação Primeira Manifestação ou Descoberta Data da reclamação do dano pelo terceiro ao segurado ou Data do conhecimento e notificação do sinis- tro pelo Segurado à Seguradora Situações nas quais os danos poderiam não ser de constatação ime- diata, mas o segurado tem a certeza de ser o causador do dano e responsável pelo evento. Exemplo: Seguros de RC – Riscos Ambientais 36 UNIDADE 2 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL — Conclusões sobre os tipos de apólices de Responsabilidade Civil Não há melhor ou pior tipo de apólice. Não é essa a questão! O que existe é o tipo que melhor atende às conveniências das partes. Tomemos como exemplo um risco comercial, RC – Operação, que apresente a possibilidade de gerar eventos que, por sua própria natureza, ocorram com dia, hora e local determinados, de forma que os danos decorrentes sejam prontamente identificados e mensurados. Certamente, sua apólice será contratada com a cobertura à base de ocorrência. Já um Seguro de RC – Produtos, que cubra danos causados a terceiros por remédios fabricados pelo segurado, certamente terá sua apólice contratada à base de reclamações, pois trata-se de objeto segurado sujeito ao ris co de latência prolongada ou sinistros de percepção tardia, que se caracterizam por aqueles riscos cujos danos surgirão, na maioria dos casos, muito tempo depois de ocorrido o evento, já que tais danos nem sempre são de fácil percepção. Quando se trata de Responsabilidade Civil, nem sempre o dano surge imediatamente após a ocorrência do evento, podendo levar meses e até anos, como os efeitos colaterais de um remédio. Em geral, os produtos químicos, ao entrarem no organismo humano, podem mascarar determi- nadas reações e, durante algum tempo, dificultar a sua identificação. CLASSIFICAÇÃO DOS SEGUROS Os seguros de responsabilidade civil são classificados conforme a natureza dos riscos a serem cobertos e, assim, são enquadrados nos seguintes ramos: Responsabilidade Civil de Diretores e Administradores de Empresas (RC – D&O) Enquadram-se nesse ramo os riscos decorrentes da responsabili- dade civil do segurado vinculada ao exercício de cargos de direção ou administração em empresas. Responsabilidade Civil Profissional (RC – Profissional ou E&O) Englobam os riscos decorrentes da responsabilidade civil do segurado vinculada à prestação de serviços profissionais, como profissionais da área de saúde, corretores, advogados e outros. Atenção Após o estudo dos tipos de apólices utilizados nos seguros de Responsabilidade Civil, podem surgir algumas questões relevantes, a saber: Qual o melhor tipo de apólice? Quem escolhe a modalidade? A seguradora ou o segurado? Qual o critério a ser adotado na escolha? 37 UNIDADE 2 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Responsabilidade Civil Riscos Ambientais (RC – Riscos Ambientais) Riscos decorrentes da responsabilidade civil do segurado vinculada aos danos causados ao meio ambiente. Responsabilidade Civil Compreensivo Riscos Cibernéticos (RC – Riscos Cibernéticos) Nesse ramo, estão enquadrados os riscos decorrentes da responsabilidade civil do segurado vinculada aos danos cibernéti- cos causados a equipamentos, programas e sistemas da área de tecnologia da informação. Responsabilidade Civil Geral (RC – Geral) Todos os riscos decorrentes da responsabilidade civil do segurado que não se enquadrem nos demais ramos. — Códigos dos Ramos dos Seguros de Responsabilidade Civil – Grupo 03 Recentemente atualizados pela Circular Susep 682, de 19/12/2022, o quadro de ramos estabelece que: GRUPO: 03 NOME DO GRUPO: RESPONSABILIDADES CÓDIGO DO RAMO NOME DO RAMO 10 Responsabilidade civil Administradores e Driretores – D&O 13 Responsabilidade Civil Riscos Ambientais 51 Responsabilidade Civil Geral 78 Responsabilidade Civil Profissional 27 Compreensivo Riscos Cibernéticos LIMITES DE RESPONSABILIDADE O Seguro de RC apresenta peculiaridades que nos conduzem a raciocínios técnicos diferentes dos demais ramos. O principal deles se situa no campo da fixação do Limite Máximo de Garantia (LMG), também chamado de valor segurado ou importância segurada. Saiba mais A Susep classifica todas as modalidades de seguros de RC no grupo de ramos 03 – seguros de responsabilidades, de acordo com a Circular Susep nº 682/2022. 38 UNIDADE 2 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL No seguro contra Incêndio, sabemos que o valor segurado deve correspon- der ao valor do bem segurado, seja à edificação (prédio) ou às mercadoria ou equipamentos (conteúdo) existentes no local do risco. No Seguro de Automóvel, sabemos que o valor de mercado do veículo é a base para os cálculos do prêmio. E no Seguro de RC? Qual seria o limite máximo de garantia? Que aspectos devemos considerar para a sua fixação? A resposta não é tão simples. Por quê? Porque o limite máximo de garantia deverá corresponder a um valor monetário condizente com a potencialidade do segurado em causar danos a terceiros. Ou seja, qual o potencial de prejuízo implícito em suas operações? Não há resposta pronta. Isso porque a questão é subjetiva e vai depender da análise de uma série de aspectos relativos, quase nunca absolutos. Portanto, no momento de orientar o cliente sobre o processo de determinação dos valores a segurar, o Corretor deverá considerar os seguintes aspectos: ■ Ramo de atividade do segurado e a periculosidade inerente aos bens produzidos ou serviços prestados; ■ Área de abrangência das suas atividades, se regional ou nacional e ■ Nível de faturamento, que determinará o porte da empresa. É claro que outros fatores devem ser considerados no momento da deter- minação dos limites a segurar, mas basicamente se deve ter em mente que uma empresa de pequeno porte e de atuação voltada exclusivamente para um mercado regional tem um potencial de gerar riscos muito menor do que uma empresa de cujo produto tenha abrangência nacional. Superada essa dificuldade inicial e uma vez determinados os limites a segurar, para fins de identificação das garantias seguradas, os limites segurados se apresentam assim na apólice: Limite Máximo de Indenização (LMI): Representa o limite máximo de responsabilidade da seguradora, estipulado por cobertura contratada, e representa a reclama- ção ou série de reclamações de sinistros decorrentes do mesmo risco garantido pela apólice. Limite Agregado (LA) Corresponde ao valor total máximo indenizável, por cobertura, considerando a soma de todas as indenizações e demais gastos, relacionados aos sinistros indenizados durante a vigência da apólice.39 UNIDADE 2 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Limite Máximo de Garantia (LMG) Definido como limite máximo de responsabilidade da seguradora e corresponde ao conjunto das coberturas da apólice. Observe a aplicação prática a seguir: Aplicação prática Em uma apólice de RCG, temos a seguinte situação: Limite Máximo de Indenização – LMI (responsabilidade por sinistro): R$ 100.000 Limite Agregado – LA: 3 vezes (R$ 100.000 × 3 = R$ 300.000) Teto = R$ 300.000 1º sinistro: R$ 50.000 – indenização no valor de R$ 50.000 2º sinistro: R$ 150.000 – indenização no valor de R$ 100.000 3º sinistro: R$ 100.000 – indenização no valor de R$ 100.000 4º sinistro: R$ 200.000 – indenização no valor de R$ 50.000 Observe que, no 2º sinistro, o limite máximo indenizável foi o limite de responsabilidade por sinistro e que, no 4º sinistro, foi reembolsado o saldo final do limite agregado, que era de R$ 300.000 nessa apólice. Não havendo outras coberturas contratadas, o LMG do exemplo acima seria igual ao Limite Agregado – R$ 300.000,00. — Considerações Importantes sobre Limites Segurados Limite agregado (LA) No Seguro de Responsabilidade Civil, normalmente, não há previsão de reintegração do Limi te Máximo de Indenização da cobertura após a liquidação de um sinistro. Para contornar, ao menos parcialmente, a ausência da reintegração e, eventualmente, cobrir sinistros independentes abrigados pela mesma cobertura, utiliza-se o Limite Agregado, que representa o total máximo indenizável relativamente à cobertura considerada. O seu valor, previamente fixado, é normalmente estipulado como o produto do Limite Máximo de Indenização por um fator maior do que 1, como 1,5, ou 2, ou 3. Não é, no entanto, obrigatório que esse fator seja maior do que 1, considerando-se, nesses casos, que o Limite Agregado é igual ao Limite Máximo de Indenização. 40 UNIDADE 2 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Os Limites Agregados estabelecidos para coberturas distintas são independentes, não se somam nem se comunicam com os demais limites. Limite máximo de indenização por cobertura contratada (LMI) Limite Máximo de Indenização, por cobertura, relativo à reclama- ção ou série de reclamações decorrentes do mesmo fato gerador, também são independentes e não se somam nem se comunicam com os demais limites. ESGOTAMENTO DOS LIMITES SEGURADOS Em todos os tipos de Seguros de Responsabilidade Civil, em caso de sinistro, o valor do limite máximo de indenização (LMI), do limite agregado (LA) e do limite máximo de garantia (LMG) não retornarão ao seu valor original que constava antes do sinistro, como forma de reintegração automática. Dessa forma, e na hipótese de não ocorrer o cancelamento da apólice pelo esgotamento do LMG, a cobertura que tiver o seu limite de responsa bilidade esgotado não poderá ser reintegrada à apólice. 41 FIXANDO CONCEITOS SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL FIXANDO CONCEITOS 2 1. Marque a alternativa correta. A utilização de apólice à base de ocorrência ou apólice à base de recla- mação, nos Seguros de Responsabilidade Civil, tem aplicação específica. Então, sobre isso, podemos dizer que: (a) Sua utilização é indiferente, pois ambas são adequadas a qualquer tipo de risco. (b) A apólice à base de ocorrência é indicada para sinistros de latência prolongada. (c) O critério a ser adotado depende do limite máximo de garantia. (d) Sua aplicação é determinada em função da característica do risco. (e) A apólice à base de ocorrência é sempre melhor do que a apólice à base de reclamação. 2. Assinale a alternativa correta: Com relação à cláusula de Prazo Adicional, as condições contratuais devem especificar: (a) O periodo de tempo do prazo adicional nunca inferior a 2 anos. (b) Que o prazo adicional não se aplica às coberturas cujo pagamento de indenizações tenha esgotado o respectivo limite agregado ou limite máximo de garantia do contrato de seguro. (c) A impossibilidade de extensão do prazo adicional. (d) O prêmio adicional correspondente, sempre superior ao mínimo de 10% do prêmio da cobertura principal. (e) Que a contratação do prazo adicional representa a ampliação do período de vigência da apólice de seguro, para garantir a cobertura do seguro após a termíno da vigência. Consulte o gabarito clicando aqui. SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL 42 UNIDADE 3 DISPOSIÇÕES 03 TARIFÁRIAS GERAIS ■ Conhecer as disposições tarifárias gerais, interpretando-as claramente para uma melhor noção sobre a metodologia de negociação e efetivação de um seguro de RC. Após ler esta unidade, você deverá ser capaz de: TÓPICOS DESTA UNIDADE ⊲ CONHECENDO AS DISPOSIÇÕES TARIFÁRIAS GERAIS ⊲ FIXANDO CONCEITOS 3 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL 43 UNIDADE 3 CONHECENDO AS DISPOSIÇÕES TARIFÁRIAS GERAIS As disposições tarifárias gerais abrangem definições relativas à proposta, aos questionários, às garantias, aos prazos, às modalidades de cobertura, aos critérios para taxação de riscos, às franquias e às participações obrigatórias do segurado nos prejuízos (POS). Vamos estudar cada um deles! — Proposta e Questionário Como em qualquer ramo, a proposta antecede a apólice de seguro e o questionário de avaliação de risco – QAR antecede a proposta. A proposta é encaminhada pelo interessado (ou seu representante) à seguradora para que esta possa realizar uma avaliação criteriosa e, se necessário, proceder a inspeção do risco no local a ser segurado. Podemos afirmar que as duas funções principais da proposta e do questio- nário, tanto na visão do segurado quanto da seguradora, estão diretamente ligadas à aceitação do risco e ao cálculo do prêmio a ser cobrado, sempre considerando a maior ou menor exposição que aquele determinado risco possa oferecer. Observação O exemplo de questionário – Anexo 1 – no Seguro de Responsabilidade Civil contém subsídios importantes para que a seguradora analise o risco a ser segurado e calcule o prêmio do seguro. Tendo em vista o valor dessas informações, o questionário deve ser datado, assinado (pelo segurado ou corretor) e, obrigatoriamente, anexado à proposta. 44 UNIDADE 3 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Atenção É recomendável que o corretor exija que o segurado assine a proposta de seguro e o questionário, sob pena de ele, corretor, ser responsabilizado por questões judiciais de- correntes das informações constantes nesses documentos. O segurado poderá alegar que não disse ou não informou aqueles dados. — Garantia Única O mercado brasileiro trabalha hoje, basicamente, com a Garantia Única. Isso significa que um único capital segurado abrange a responsabilidade do segurado por danos corporais e/ou materiais causados a terceiros. Exemplo: se o segurado derruba um muro do vizinho e esse muro cai em cima de uma pessoa, os danos causados pelo segurado foram materiais (muro) e corporais (pessoa atingida). Nesse caso, a importância segurada pagará os dois tipos de danos, independentemente dos valores indivi- duais, obviamente limitados à própria importância segurada (limite máximo de indenização). — Prazo do Seguro Geralmente, os Seguros de Responsabilidade Civil são emitidos pelo prazo de 1 ano, salvo tratativas em contrário entre segurado e seguradora. Para os prazos superiores ou inferiores a um ano, as seguradoras aplicam majorações ou reduções em relação ao prêmio que seria normalmente cobrado pelo período anual, de acordo com regras tarifárias próprias. Porém, nada impede que as seguradoras, se assim desejarem, utilizem os percentuais das tradicionais tabelas de Prazo Curto, Prazo Longo e, até mesmo, o sistema proporcional Pró Rata Temporis. — Pluralidade de Coberturas – RCG O Seguro de Responsabilidade Civil Geral – RCG é dividido em várias modalidades e, dependendo da atividade do segurado, é comum a neces- sidade de contratação de mais de uma modalidade na mesma apólice,