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7 Esquemas rápidos de revisão Direito Penal Escolas do direito penal Direito penal romano Consuetudinário. Lei das XII Tábuas – proporcionalidade da lei de Talião. Direito penal germânico Tipicamente consuetudinário. De início, responsabilidade objetiva (o fato julga o homem). Legado: autocomposição Direito penal na idade média Essencialmente ligado à religião. Tribunal da santa inquisição (igreja católica). Direito canônico. Direito penal e iluminismo XVIII. Preocupação com crueldade das sanções. Movimento para humanização. Dos delitos e das penas. John Howard: penitenciarismo. Escola clássica Pena: retributiva. Individualismo. Livre arbítrio. Carrara. Aqui também engloba primeira fase da criminologia. Escola positiva Lombroso, Enrico Ferri e Rafael Garofalo. Teorias evolucionistas. Delinquente doente, precisa de cura. Percursora da criminologia: crime como fenômeno social. Escola crítica ou eclética Crime: ação culposa, ilegal e punível. Negação do livre arbítrio. Pena: defesa pessoal. Crime: fato individual e social. Escola moderna alemã Escola da política criminal. Crime: ente jurídico e fenômeno social. Pena: instrumento da segurança e da ordem social. Criminoso: ser livre que recebe influência do meio. Escola penal humanista Educação do delinquente. Crime: fato imoral antes de ser ilícito. Homem guiado por sentimentos, não ideias. 8 Escola técnico- jurídica Busca valorização da lei. Retoma ideias de responsabilidade moral e livre arbítrio (escola clássica). Crime: relação jurídica individual e social. Pena: função preventiva geral e especial. Karl Binding. Escola correcionalista Crime: ente jurídico. Pena: remédio social, serve para correção da vontade do criminoso. Ressocialização. Efeitos da condenação Lei de racismo Lei de tortura Lei de organização criminosa Lei de abuso de autoridade Perda NÃO automática do cargo ou função para servidor público; Suspensão do funcionamento estabelecimento particular por prazo NÃO SUPERIOR a TRÈS MESES; Não são automáticos: efeitos motivados em sentença. Perda automática do cargo, emprego ou função; Interdição para o exercício de função ou cargo público pelo dobro da pena aplicada; Perda automática do cargo, emprego ou função; Interdição para o exercício de função ou cargo público pelo prazo de oito anos após o cumprimento da pena; Perda NÃO automática do cargo, mandato ou função pública, condicionada à reincidência específica. Tornar certa a obrigação de indenizar; Inabilitação para o exercício de cargo, emprego ou função pelo prazo de 1 a 5 anos, condicionada à reincidência específica; Faz coisa julgada no âmbito administrativo- disciplinar a sentença penal que reconhecer ter sido o ato praticado em estrito cumprimento de dever legal. 9 Sursis – processual e da pena Suspensão condicional da pena – sursis simples Sursis humanitário e etário Sursis especial PPL não superior a dois anos poderá ser suspensa por 2 a 4 anos, desde que: i) não seja o agente reincidente em crime doloso; ii) art. 59 autorizar o benefício; e iii) não seja indicada ou cabível a substituição por PRD. Condenação anterior por pena de MULTA não obsta. Durante o primeiro ano: cumprir PSC ou se submeter à LFS. PPL não superior a quatro anos, período de prova de 4 a 6 anos, se: i) condenado maior de 70 anos; ou ii) razões de saúde que justifiquem. Reparação do dano, salvo impossibilidade + art. 59 inteiramente favorável. Substitui PSC e LFS por: i) proibição de frequentar certos lugares; ii) proibição de sair da comarca sem autorização; iii) comparecer mensalmente em juízo. Art. 79: sentença pode fixar outras condições. Elementos do crime •Conduta - dentro da conduta temos o dolo e a culpa. •Resultado •Nexo causal •Tipicidade Fato Típico - fala-se em tipicidade formal e tipicidade material. O princípio da insignificância exclui a tipicidade material •Excludentes de ilicitude •Legítima defesa •Estado de necessidade •Estrito Cumprimento do dever legal •Exercício Regular do Direito Fato Ilícito - presume-se que o fato típico é também ilícito; juntos, formam o injusto penal •Imputabilidade •Exigibilidade de conduta diversa •Potencial consciência da ilicitude Agente culpável 10 Iter criminis O exaurimento não faz parte do iter criminis. Pode contar para o art. 59 ou qualificar/majorar. Os crimes obstáculos são tipificação de atos preparatórios. Só há tentativa de crime doloso. Precisa, pelo menos, do início dos atos executórios. Art. 31 - O ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio, salvo disposição expressa em contrário, não são puníveis, se o crime não chega, pelo menos, a ser tentado. Requisitos para a tentativa: i. Prática de atos executórios; ii. Ausência de consumação por circunstâncias alheias à vontade do agente; iii. Dolo voltado para a consumação do delito; iv. Resultado possível. Natureza jurídica da tentativa: causa obrigatória de diminuição de pena ( -1/3 a 2/3). Norma de extensão ou de ampliação da conduta – ampliação temporal. Teoria subjetiva/voluntarística/monista da tentativa: não tem tentativa, porque leva em consideração o dolo do agente. Adotada excepcionalmente (Art. 14, §ún: salvo disposição em contrário). Aplica-se aos crimes de atentado ou de empreendimento (tentativa tem a mesma pena ou já é a consumação). Ex.: art. 352, CP. Teoria objetiva/realística/dualista da tentativa: a pena da tentativa tem que ser diferente da pena da consumação. Regra no CP. Cogitação (fase interna - nunca é punida) Atos preparatórios Atos executórios Consumação 11 Quanto mais próximo o agente chegar da consumação, menor a diminuição. • Tentativa imperfeita, inacabada ou propriamente dita: inicia a execução, mas não consegue utilizar todos os meios que tinha à disposição e tinha planejado usar. • Tentativa perfeita, acabada ou crime falho: inicia a execução, utilizada todos os meios que tinha à disposição e que tinha planejado usar. • Vermelha ou cruenta: o objeto material é atingido. • Branca ou incruenta: o objeto material do delito não é atingido. • Idônea: o resultado é possível de ser alcançado, mas não ocorre por razoes alheias à vontade do agente. • Inidônea: o resultado é impossível de ser alcançado, seja pela absoluta ineficácia do meio empregado, seja pela absoluta impropriedade do objeto material. Tentativa impossível ou crime impossível (art. 17, CP). Doutrina majoritária entende que é possível a tentativa em crimes de dolo eventual e de ímpeto. Não admitem tentativa: i. Contravenção penal. ii. Culposo; (culpa imprópria admite tentativa). iii. Condicionado ou de resultado vinculado. iv. Habitual. v. Omisso próprio; (crimes omissivos impróprios admitem a tentativa). vi. Unissubsistente. vii. Preterdoloso. viii. Atentado ou empreendimento. Desistência voluntária (art. 15, CP) Causa excludente de tipicidade e se comunica • Responde só pelos atos praticados; • Chamada ponte de ouro. Tentativa abandonada/qualificada. • Incompatível com culpa própria. • Posso prosseguir, mas não quero. Desiste de prosseguir. • Interrupção dos atos executórios por manifestação do próprio agente. • Omissivos impróprios: a desistência implica uma ação positiva. • Voluntário: tem que ser decisão do agente. Não precisa ser espontâneo, mas voluntário. Irrelevância dos motivos que levaram a mudar de ideia. Arrependimento eficaz (art. 15, CP) • Responde só pelos atos praticados. 12 Causa excludente de tipicidade e se comunica • Conduta voluntária do agente que impede o resultado após ter praticado todos os atos executórios. • Compatíveis somente com crimes materiais. Incompatível com culpa própria. • Chamada ponte de ouro. Tentativaabandonada/qualificada. • Voluntário: tem que ser decisão do agente. Não precisa ser espontâneo, mas voluntário. Irrelevância dos motivos que levaram a mudar de ideia. Arrependimento posterior (art. 16, CP) • Aqui o crime já se consumou. Natureza de causa de diminuição de pena (1/3 a 2/3). • Crimes sem violência ou grave ameaça à pessoa. • Reparado o dano ou restituída a coisa até o recebimento da denúncia. • Tem natureza objetiva e se comunica aos demais partícipes/autores. • Aplicabilidade: crimes contra o patrimônio ou com efeitos patrimoniais. • Ponte de prata. • Não precisa ser para vítima, pode ser à polícia, familiares. • STF: tem que ter ressarcimento do principal, juros e correção podem ser após o recebimento. Deve haver concordância da vítima para parcial. • Circunstância objetiva. Situações especificas Peculato culposo: reparação do dano, se precede à sentença condenatória irrecorrível, extingue a punibilidade; se posterior, reduz à metade a pena imposta. Peculato doloso: antes do recebimento é causa de diminuição de pena de 1/3 a 2/3; se posterior, é atenuante genérica. Crimes de menor potencial ofensivo: composição civil dos danos, em casos de AÇÃO PENAL PRIVADA ou CONDICIONADA à representação, extingue a punibilidade. Conduta Teoria da conduta: adota-se, no Brasil, a teoria finalista da conduta, para a qual a conduta é o comportamento humano (comissivo ou omissivo), consciente 13 e voluntario, dirigida a um fim, tipificado em lei como crime ou contravenção penal. Nos crimes omissivos impróprios o nexo é normativo à vai imputar algo ao agente por conta de uma valoração e não algo casuístico. Causas de exclusão da conduta • Caso fortuito (comportamento humano) ou força maior (ação da natureza); • Estado de inconsciência completa; • Movimentos reflexos (não se confunde com delito de ímpeto); • Coação física irresistível (vis absoluta). Ilicitude Conceito: contrariedade entre o fato típico e o ordenamento jurídico. Relação entre o fato típico e a ilicitude: presunção RELATIVA. Teoria da indiciariedade ou da ratio cognoscendi. Ratio essendi: todo fato típico é obrigatoriamente ilícito. Não é adotada no Brasil. Há as previstas no art. 23 do CP, bem como pode haver outras em leis específicas. Causas supralegais: existem. A hipótese mais aceita pela doutrina e jurisprudência é o consentimento do ofendido. Requisitos: • Consentimento com ofendido capaz e livre de coação. • Bens disponíveis. • Consentimento prévio ou concomitante. Ônus da prova: defesa tem que demonstrar a incidência de excludente de ilicitude. Elemento subjetivo: o agente precisa saber que está amparado pela excludente. Delegado pode deixar de atuar em flagrante quando manifesta a excludente? Sim, mas juridicamente há divergência. Doutrina classifica a antijuridicidade em: Antijuridicidade formal Conduta humana que contraria a norma penal 14 Antijuridicidade material Conduta humana que cause lesão ao bem ou interesse tutelado pela norma. Todavia, a concepção unitária dispensa essa distinção. Excesso das excludentes Doloso Sujeito se aproveita da situação para atacar sabendo que extrapola o limite. Ira, ódio. Reações estênicas. Culposo Decorre do descuido. Reações astênicas. Ex. desespero. Exculpante Hipótese que decorre de erro. A pessoa não é responsabilizada. Ex.: mulher estuprada que não percebe que o agente desmaiou e continua esfaqueando. Extensivo Se prolonga no tempo. Agressão sucessiva. Quando cessa a injusta agressão e o sujeito continua agindo para afastar agressão que não mais existe. Intensivo Reação se dá de modo mais intenso. Uso desmedido dos meios necessários. Causas excludentes da ilicitude Descriminante ou justificante (causas previstas na parte geral do CP. Há outras) • Estrito cumprimento do dever legal; • Exercício regular de um direito; • Legitima defesa: usando moderadamente dos meios necessários repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de terceiro. Comportamento humano: ação ou omissão, dolosa ou culposa e pode vir de um inimputável; Reação com os meios necessários: e disponíveis para afastar a agressão, sob pena de excedente. Tem que ser moderadamente. Precisa ter conhecimento da situação justificante. É possível legitima defesa putativa, mas será excludente de culpabilidade. Não cabe legitima defesa real contra legitima defesa real, nem contra estado de necessidade. 15 • Estado de necessidade: ideia de sopesamento de bens diante uma situação. Permite-se que um dos bens seja sacrificado em detrimento de outro. Possui requisitos objetivos e subjetivos. Os primeiros estão expressamente previstos no art. 24, CP. Já os requisitos subjetivos são os desdobramentos do finalismo: conduta dirigida a um fim. Objetivo: 1. Risco atual causado por conduta humana, comportamento de animal ou fato da natureza. Perigo não é dirigido à pessoa certa. Perigo iminente não é mencionado no art. 24. Todavia, prevalece na doutrina que o estado de necessidade abrange o perigo iminente. Somente o estado de necessidade real exclui a ilicitude, o putativo não. 2. A situação de perigo não pode ter sido causada voluntariamente pelo agente. Não pode ser dolosamente causado pelo agente, poderia ser culposo – essa é a posição majoritária. 3. Salvar direito próprio ou alheio (estado de necessidade de terceiro). Autorização é dispensável. 4. Inexistência do dever legal de enfrentar o perigo. 5. Inevitabilidade do comportamento lesivo. Esse foi o único meio de salvar o direito seu ou alheio. Não pode ser o mais cômodo, mas o esperado. 6. Inexigibilidade do sacrifício do interesse ameaçado. Requisito da proporcionalidade: direito protegido x direito sacrificado. Link da aula. Estado de Necessidade Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se. § 1º - Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de enfrentar o perigo. § 2º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, a pena poderá ser reduzida de um a dois terços A teoria unitária considera que o estado de necessidade é justificante quando o bem jurídico sacrificado tem valor igual ou inferior ao bem preservado. Se o bem sacrificado for de valor superior, a pena será reduzida de um a dois terços, mantendo-se o crime. 16 A teoria unitária não analisa a natureza dos bens jurídicos em conflito, nem estabelece uma diferenciação entre o estado de necessidade justificante e o estado de necessidade exculpante. Justificante: o bem jurídico sacrificado é menor ou igual. Exculpante: o bem jurídico sacrificado é MAIOR. Não é adotado no Brasil. O estado de necessidade é uma hipótese de exclusão de ilicitude, ou seja, quando não há crime, mesmo que o fato seja descrito como ilícito penal. A teoria unitária sobre o estado de necessidade é a adotada pelo Código Penal Brasileiro e defende que todo estado de necessidade é uma causa de exclusão da ilicitude. Para que se configure estado de necessidade, é necessário que: • Exista um perigo atual (a legítima defesa inclui iminente). • O bem jurídico seja próprio ou alheio • A situação não tenha sido provocada voluntariamente pelo agente • O agente tenha conhecimento da situação justificante • O sacrifício do bem ameaçado seja inexigível, não podendo de outro modo evitar. Quem tem o dever legal de evitar o perigo não pode alegar estado de necessidade. Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, a pena poderá ser reduzida de um a dois terços. A situação de perigo pode ser proveniente da natureza, de animais, conduta humana lícita ou ilícita. O estado de necessidadejustificante exclui a ilicitude do fato típico, afastando a infração penal. Desaparecendo em relação a algum dos envolvidos, comunica- se a todos os coautores e partícipes da infração penal. Classificação Defensivo A conduta do agente é direcionada a quem cria a situação de perigo. Faz coisa julgada no cível. Ofensivo A conduta se dirige a terceiro que não criou a situação. Não faz coisa julgada no cível. 17 Real As circunstâncias existem. Putativo O sujeito acredita que está diante de situação de perigo, mas as circunstâncias não existem. Escusável: exclui o dolo e a culpa (tipicidade). Inescusável: exclui o dolo, mas pune a título de culpa, caso haja previsão. (art. 20, §1º, CP. É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima. Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa e o fato é punível como crime culposo). Próprio Proteção de direito próprio. De terceiro Proteção de um direito de terceiro. Legítima defesa Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem. Parágrafo único. Observados os requisitos previstos no caput deste artigo, considera-se também em legítima defesa o agente de segurança pública que repele agressão ou risco de agressão a vítima mantida refém durante a prática de crimes. A agressão pode ser por ação ou omissão, e deve ser ilícita, bastando que ela constitua contrariedade ao direito. Tem que se usar dos meios necessários e moderados para repelir a injusta agressão. Se a agressão for culposa não se admite legítima defesa, mas sim estado de necessidade. Classificação Real As circunstâncias realmente existem. 18 Putativa O sujeito ACREDITA que está diante de uma agressão injusta, mas as circunstâncias não existem. Escusável: exclui o dolo e a culpa (tipicidade). Inescusável: exclui o dolo, mas pune a culpa, se previsto. Pré- ordenada Ofendículos. É necessário que haja um aviso, caso contrário responde pelo excesso. Há divergência doutrinária se é legítima defesa ou exercício regular de um direito. Sucessiva/ recíproca Se a conduta do agressor é justificada: não há que se falar em legítima defesa do outro agente porque não seria uma agressão injusta. Quando se repele o excesso, é possível falar em legítima defesa sucessiva. JURISPRUDÊNCIA STF reconheceu a inconstitucionalidade da tese da Legítima Defesa da Honra. Caso usado esse argumento, o julgamento será anulado (ADPF 779). Consentimento do ofendido Causa supralegal. Deve ser válido e sobre um bem disponível. Dupla natureza Excludente de tipicidade: quando o dissenso da vítima for elementar do crime, afetando a tipicidade. Ex.: estupro. Excludente de ilicitude: quando o dissenso não for elementar. Ex.: dano, lesão corporal. Culpabilidade Juízo de reprovação que incide sobre a conduta típica e ilícita praticada, juízo de necessidade de aplicação da sanção penal. Elementos Dirimentes (é isento de pena) Imputabilidade • Doença mental, ou desenvolvimento mental retardado ou incompleto; (critério biopsicológico – regra no CP). Tem 19 que, ao tempo da ação ou omissão, ser inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de se portar conforme esse entendimento. • Embriaguez acidental completa; (critério psicológico). • Menoridade penal (critério biológico). Potencial consciência da ilicitude • Erro de proibição inevitável (invencível, escusável). Exigibilidade de conduta diversa • Coação moral irresistível; • Obediência hierárquica a ordem não manifestamente ilegal. • Rol exemplificativo. Coculpabilidade: doutrina entende que pode ser compreendida como atenuante genérica, enquanto no STJ o assunto é controverso. 6ª turma entende que não pode, 5ª turma entende que sim. Prevalece nas provas que não pode. Coculpabilidade às avessas: não pode agravar a pena, mas pode valorar no 59. Ligado aos crimes de colarinho branco. Teorias da culpabilidade • Teoria clássica/causal/natural da conduta: adotava a teoria psicológica da culpabilidade. Conceito de crime era obrigatoriamente tripartite. i. Tipicidade: conduta, resultado, nexo causal e tipicidade. ii. Ilicitude iii. Culpabilidade: imputabilidade, dolo/culpa (elementos subjetivos). A culpabilidade é o vínculo psicológico entre o autor e a conduta. Analisa o dolo e culpa. Dolo normativo (volitivo + cognitivo + consciência da ilicitude). Único pressuposto da culpabilidade é a imputabilidade. • Teoria normativa ou psicológico normativa da culpabilidade: ligada à teoria neokantista da conduta (raiz causalista). Mantem o dolo e a culpa (vínculo psicológico) na culpabilidade, mas ela passa a analisar a motivação do agente. Motivação foi chamada inicialmente de circunstâncias concomitantes e posteriormente de exigibilidade de conduta diversa. 20 O dolo continua normativo (volitivo + cognitivo + consciência da ilicitude). Não explica a culpa inconsciente. • Tipicidade: conduta, resultado, nexo causal e tipicidade. • Ilicitude • Culpabilidade: imputabilidade, dolo/culpa (elementos subjetivos) e exigibilidade de conduta diversa. Teoria finalista da conduta: conduta é um comportamento dirigido a um fim. Tira o dolo e a culpa da culpabilidade e leva para a conduta, na tipicidade. Teoria normativa pura, extrema ou estrita da culpabilidade. não tenho mais elementos subjetivos na culpabilidade. Culpabilidade “vazia”. • Tipicidade: conduta (dolo e culpa), resultado, nexo causal e tipicidade. • Ilicitude • Culpabilidade: imputabilidade, potencial consciência da ilicitude e exigibilidade de conduta diversa. Dolo natural: leva somente volitivo + cognitivo. Todas as discriminantes putativas vão agir como excludentes de culpabilidade – erro de proibição. Teoria limitada da culpabilidade: adotada hoje. Somente muda a natureza jurídica das discriminantes putativas em relação à pura. Esquematizando Teoria culpabilidade Teoria da conduta Características Elementos 21 Psicológica Clássica/ causal/ natural Culpabilidade é vínculo psicológico entre autor e conduta. Dolo normativo (volitivo + cognitivo + consciência da ilicitude). Tipicidade: conduta, resultado, nexo causal e tipicidade. Ilicitude Culpabilidade: imputabilidade, dolo/culpa (elementos subjetivos). Normativa ou psicológico normativa Neokantista Dolo e culpa ainda na culpabilidade, mas ela analisa a motivação do agente. Dolo normativo. Tipicidade: conduta, resultado, nexo causal e tipicidade. Ilicitude Culpabilidade: imputabilidade, dolo/culpa (elementos subjetivos) e exigibilidade de conduta diversa. Normativa pura, extrema ou estrita da culpabilidade Finalista (conduta é um comportamento dirigido a um fim. Tira o dolo e a culpa da culpabilidade e leva para a conduta, na tipicidade) Não tenho mais elementos subjetivos na culpabilidade. Culpabilidade “vazia”. Dolo natural (volitivo + cognitivo). Todas as discriminantes putativas vão agir como excludentes de culpabilidade – erro de proibição Tipicidade: conduta (dolo e culpa), resultado, nexo causal e tipicidade. Ilicitude Culpabilidade: imputabilidade, potencial consciência da ilicitude e exigibilidade de conduta diversa. Limitada (adotada hoje) Finalista Somente muda a natureza jurídica das discriminantes putativas em relação à pura. Tipicidade: conduta (dolo e culpa), resultado, nexo causal e tipicidade. Ilicitude Culpabilidade: imputabilidade, potencial consciência da 22 ilicitude e exigibilidade de conduta diversa. Punibilidade Possibilidade jurídica de o Estado aplicar a sanção penal ao sujeito ativo da infraçãopenal. Causas extintivas da punibilidade Causas extintivas da punibilidade Art. 107, CP Rol exemplificativo I - Pela morte do agente; Qualquer crime II - Pela anistia, graça ou indulto; Não pode nos hediondos e equiparados III - pela retroatividade de lei que não mais considera o fato como criminoso; abolitio criminis Qualquer crime IV - Pela prescrição, decadência ou perempção; Prescrição: qualquer crime, salvo nos imprescritíveis Decadência: somente APprivada ou pública condicionada. Perempção: somente privada V - Pela renúncia do direito de queixa ou pelo perdão aceito, nos crimes de ação privada; Somente nas privadas. VI - Pela retratação do agente, nos casos em que a lei a admite; Somente quando a lei admitir. Súmula 18, STJ: a sentença concessiva do perdão judicial é declaratória da extinção da punibilidade, não subsistindo qualquer efeito condenatório. Extrapenais subsistem. IX - Pelo perdão judicial, nos casos previstos em lei. Se presente uma causa extintiva da punibilidade, o juiz deve declarar de ofício (art. 61, CP). 1. Pretensão punitiva: pretensão do Estado de aplicar uma pena no caso concreto. Atacam a pretensão punitiva: decadência, perempção, renúncia 23 do direito de queixa, perdão aceito, retratação do agente, perdão judicial e prescrição da pretensão punitiva. 2. Pretensão executória: a pretensão do Estado de executar a pena aplicada. Atacam a pretensão executória: indulto, graça e prescrição da pretensão executória. 3. Atacam ambas: morte, anistia e abolitio criminis. Efeitos da condenação Primários Sanção penal Secundários Penais: reincidência. Extrapenais: obrigação de reparar o dano. Efeitos Causas que atacam a pretensão punitiva Extinguem os efeitos penais primários e secundários – logo, não gera reincidência e a sentença não pode ser utilizada como título executivo no juízo cível. Todavia, o fato pode ser levado ao juízo cível para apuração de danos. Causas que só atacas a pretensão executória indulto, graça e prescrição da pretensão executória. Extinguem somente o efeito principal da condenação: a sanção penal. Logo, gera reincidência e a sentença pode ser utilizada no juízo cível. JURISPRUDÊNCIA Súmula 631, STJ: o indulto extingue os efeitos primários da condenação (pretensão executória), mas não atinge os efeitos secundários, penais e extrapenais. Regra: Todas as causas extintivas da punibilidade retiram os efeitos secundários penais. Exceção: causas extintivas que mantêm íntegros os efeitos penais: graça, o indulto e a prescrição da pretensão executória. Continua sendo reincidente. . Prescrição São imprescritíveis: Racismo e ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o estado democrático. 24 Prescrição espécies Pretensão punitiva Obsta a persecução penal. Impede todos os efeitos da condenação. Efeitos penais primários e secundários, e extrapenais. Propriamente dita: antes do trânsito em julgado. Intercorrente ou superveniente Retroativa Pretensão executória Subsiste a condenação criminal, mas impede sua execução. Todos os efeitos da condenação permanecem, salvo a pena. Juízo da execução que reconhece. Ocorre depois do trânsito em julgado. Prescrição da pretensão punitiva propriamente dita Art. 109, CP Regula-se pelo máximo da pena privativa de liberdade cominada ao crime Em vinte anos, se o máximo da pena é superior a doze. Em dezesseis anos, se o máximo da pena é superior a oito e não excede a doze. Em doze anos, se o máximo é superior a quatro anos e não excede a oito. Em oito anos, se o máximo é superior a dois anos e não excede a quatro. Em quatro anos, se o máximo é igual a um ano ou, sendo superior, não excede a dois. Em três anos, se o máximo é inferior a um ano. São reduzidos de metade os prazos de prescrição quando o criminoso era, ao tempo do crime, menor de 21 (vinte e um) anos, ou, na data da sentença, maior de 70 (setenta) anos. No caso de concurso de crimes, a extinção da punibilidade incidirá sobre a pena de cada um, isoladamente. JURISPRUDÊNCIA Súmula 497, STF: quando se tratar de crime continuado, a prescrição regula-se pela pena imposta na sentença, não se computando o acréscimo decorrente da continuação. 25 Pena privativa de liberdade Prazo prescricional Superior a 12 anos 20 anos Superior a 8 anos até 12 anos 16 anos Superior a 4 anos até 8 anos 12 anos Superior a 2 anos até 4 anos 8 anos Igual ou superior a 1 ano até 2 anos 4 anos Inferior a 1 ano 3 anos Multa unicamente cominada ou aplicada 2 anos Termo inicial antes de transitar em julgado a sentença I - Do dia em que o crime se consumou; II - No caso de tentativa, do dia em que cessou a atividade criminosa; III - Nos crimes permanentes, do dia em que cessou a permanência; IV - Nos de bigamia e nos de falsificação ou alteração de assentamento do registro civil, da data em que o fato se tornou conhecido. – Somente nesse caso. V - Nos crimes contra a dignidade sexual ou que envolvam violência contra a criança e o adolescente, previstos neste Código ou em legislação especial, da data em que a vítima completar 18 (dezoito) anos, salvo se a esse tempo já houver sido proposta a ação penal. Causas impeditivas/ suspensivas da prescrição I - Enquanto não resolvida, em outro processo, questão de que dependa o reconhecimento da existência do crime; II - Enquanto o agente cumpre pena no exterior; 26 III - Na pendência de embargos de declaração ou de recursos aos Tribunais Superiores, quando inadmissíveis; IV - Enquanto não cumprido ou não rescindido o acordo de não persecução penal. Causas interruptivas da prescrição Zera o prazo prescricional. Marco do primeiro dia do novo prazo prescricional Recebimento da denúncia ou da queixa. 1. Súmula 709 STF: salvo quando nula a decisão de 1º grau, o acordão que prove o recurso contra rejeição da denúncia vale, desde logo, pelo recebimento dela. 2. Se o recebimento se deu por juízo absolutamente incompetente, não haverá interrupção. 3. Se o recebimento vier a ser anulado, não haverá interrupção. Pela pronúncia. Súmula 191, STJ: pronúncia interrompe a prescrição, ainda que o Tribunal do Júri venha a desclassificar o crime. Decisão confirmatória da pronúncia. Pela publicação da sentença ou acordão condenatório recorríveis. Causas interruptivas da prescrição pretensão executória Início ou continuação do cumprimento da pena. Aqui não volta a contar todo o prazo, mas sim pela pena restante. Pela reincidência. Erro de tipo x erro de proibição 27 Erro de tipo: falsa percepção da realidade pelo agente. O agente não sabe o que está fazendo. Erro sobre a situação de fato. Exclui o dolo e a culpa e, por isso, é estudado em matéria de tipicidade. Estudado na TIPICIDADE. Pode ser essencial ou acidental. O essencial recai sobre as elementares e circunstâncias do tipo penal. Exclui o dolo e a culpa, quando inevitável, mas permite a punição por culpa, se previsto em lei, se evitável. Erro de proibição: Matéria afeta à culpabilidade. Estudado na culpabilidade porque exclui a potencial consciência da ilicitude, já que o agente não interpreta a ilicitude da situação. Interpreta-se a norma de maneira equivocada. A pessoa sabe oque faz, mas não sabe que é contrário à lei. Se inevitável, exclui a consciência da ilicitude (por isso estudado em CULPABILIDADE); se evitável, diminui a pena imposta de 1/6 a 1/3. Direto Erro de proibição Indireto Mandamental Erro de tipo permissivo: erro quanto aos pressupostos fáticos da excludente de ilicitude. Imagina que está acobertado por uma excludente de ilicitude por interpretar de modo equivocado a realidade. Erro sobre um pressuposto fático de uma excludentede ilicitude. Mesma coisa se evitável/inevitável. Erro de proibição indireto: erro quanto à existência e limites da excludente de ilicitude. Quando o agente imagina equivocadamente estar agindo sob o amparo de uma excludente de ilicitude, mas porque interpreta a norma que a prevê de forma equivocada. Aqui ele interpreta a norma de forma errada, não a situação. Erra quanto à existência ou abrangência. 28 Teoria do crime impossível adotada: teoria objetiva temperada à deve haver pelo menos perigo de lesão ao bem jurídico. Não haverá tentativa se a idoneidade do meio/objeto for absoluta. Erro de Tipo falsa percepção da realidade. erro sobre a situação de fato Essencial - recai sobre os elementos principais do tipo penal Inevitável Exclui o dolo E a culpa. Evitável Exclui o dolo, mas permite a punição por culpa, se previsto em lei Acidental - recai sobre dados irrelevantes para a configuração sobre o objeto sobre a pessoa sobre a execução resultado diverso do pretendido sobre o nexo causal Erro de proibição: se escusável/inevitável: isenta de pena. Se evitável: diminiu de 1/6 a 1/3 Direto Aquele em que o agente interpreta a própria norma penal de forma incorreta, imaginando que sua conduta não é abrangida pela lei penal Indireto Agente sabe que a conduta é típica, mas pressupõe uma norma que a autoriza. Acredita que está agindo em excludente de ilicitude Mandamental Crime omissivo no qual o agente desconhece seu dever de agir 29 Abolitio criminis A abolitio criminis cessa a execução e os efeitos penais da sentença condenatória, mas não cessa os efeitos extrapenais, como a obrigação civil de reparação do dano causado pelo crime e outros efeitos secundários de natureza extrapenal. Escusas absolutórias Art. 181 - É isento de pena quem comete qualquer dos crimes previstos neste título, em prejuízo I - Do cônjuge, na constância da sociedade conjugal; II - De ascendente ou descendente, seja o parentesco legítimo ou ilegítimo, seja civil ou natural. Art. 182 - Somente se procede mediante representação, se o crime previsto neste título é cometido em prejuízo I - Do cônjuge desquitado ou judicialmente separado; II - De irmão, legítimo ou ilegítimo; III - de tio ou sobrinho, com quem o agente coabita. Art. 183 - Não se aplica o disposto nos dois artigos anteriores: I - Se o crime é de roubo ou de extorsão, ou, em geral, quando haja emprego de grave ameaça ou violência à pessoa; II - Ao estranho que participa do crime. III – se o crime é praticado contra pessoa com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos. Art. 183-A. Nos crimes de que trata este Título, (crimes contra o patrimônio) quando cometidos contra as instituições financeiras e os prestadores de serviço de segurança privada, de que trata o Estatuto da Segurança Privada e da Segurança das Instituições Financeiras, as penas serão aumentadas de 1/3 (um terço) até o dobro. Concurso de pessoas Requisitos: 30 1. Pluralidade de agentes; ao menos dois agentes culpáveis, com uma exceção. Se um maior + um menor, haverá concurso de pessoas. 2. Relevância das condutas: a contribuição tem que ser relevante e, em regra, anterior à consumação. Pode ser posterior, desde que ajustada previamente. Pluralidade de condutas entra aqui também. 3. Liame subjetivo entre os agentes: os agentes devem estar conscientes que estão atuando de forma conjunta. Se não houver liame subjetivo, haverá autoria colateral. O ajuste prévio é dispensável. 4. Identidade de infração penal: teoria monista, em regra. Todos os agentes respondem pelo mesmo delito. Há exceções no direito penal. § 2º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe- á aplicada a pena deste; essa pena será aumentada até metade, na hipótese de ter sido previsível o resultado mais grave. Teorias do concurso de pessoa As teorias subjetiva/unitária e extensiva não diferenciam a autoria de participação e são chamadas de unitárias. As teorias objetiva/dualista e do domínio do fato distinguem autoria de participação. A primeira se divide em objetivo-material e objetivo formal. Adotamos no Brasil a teoria objetivo-formal. Teoria objetivo- formal O autor é punido por praticar a norma descrita no tipo penal. Deve ser complementada pela teoria da autoria mediata. Partícipe não pratica o verbo núcleo, só presta qualquer auxílio. Atualmente, todavia, STJ e STF aceitam a teoria do domínio do fato. A teoria do domínio do fato não permite, isoladamente, que se faça uma acusação pela prática de qualquer crime, eis que a imputação deve ser acompanhada da devida descrição, no plano fático, do nexo de causalidade entre a conduta e o resultado delituoso; Com efeito, essa teoria não se encaixa no perfil dos crimes culposos, pois não se pode conceber o controle final de um fato não desejado pelo autor da conduta. A teoria do domínio do fato, portanto, é acometida da mesma deficiência da teoria finalista da conduta, criticada por não se encaixar nesses delitos. Teoria do domínio do fato (teoria objetivo-subjetiva): Hans Welzel e desenvolvida por Roxin. Concorda com a objetivo-formal que autor é quem pratica o verbo, mas vai além. Autor é quem possui o controle final do fato, quem domina o transcorrer do crime e decide se e quando ele deve ocorrer. É uma teoria restritiva do conceito de autor, mas promove uma verdadeira 31 ampliação em quem pode ser autor. Serão autores quem possui: o domínio da ação, funcional e da vontade. Participação de menor importância: Se a participação for de menor importância, a pena será diminuída de 1/6 a 1/3. Cooperação dolosamente distinta: diferencia as condutas. Art. 29, § 2º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena deste; essa pena será aumentada até metade, na hipótese de ter sido previsível o resultado mais grave. Teorias da acessoriedade: decidem quando que os partícipes serão punidos. • Mínima: precisa de fato típico. • Limitada: fato típico + ilícito. Essa é a aplicada no nosso ordenamento. • Máxima ou extrema: típico + ilícito + agente culpável. Adotada por uma minoria. • Hiperacessoriedade: típico + ilícito + praticado por agente culpável + punível no caso concreto. Crimes culposos e omissivos próprios Admite-se coautoria? Sim, nos crimes culposos. Nos omissivos próprios, há divergência na doutrina. Nos impróprios é possível. Participação Não é admitida. Somente se admite nos crimes dolosos. Coautoria e participação em crimes próprios Condutas delegáveis. É possível. Coautoria e participação em crimes de mão própria Condutas indelegáveis. A coautoria não é possível, em regra, mas há exceção, o art. 342, na conduta de falsa perícia. É possível a participação. Ex.: advogado que instrui a testemunha a mentir. 32 Concurso de crimes Espécies 1. Concurso material: duas condutas ou mais geram dois ou mais crimes. Podem ser idênticos (homogêneo) ou diferentes (heterogêneo). Penas somadas. 2. Crime continuado: ficção jurídica. duas ou mais condutas que geram dois ou mais resultados, mas esses crimes devem ser da mesma espécie, mesmas condições de tempo, lugar e forma de execução. Responde por um crime apenas, mas com aumento de pena. +1/6 a 2/3. Não haverá continuidade delitiva: o Furto e roubo; o Roubo e extorsão; o Roubo e latrocínio. Haverá continuidade entre estupro e estupro de vulnerável. Conexão temporal: em regra, jurisprudência entende que o lapso temporal não pode ser superior a 30 dias. Doutrina entende que é necessária a unidade de desígnio. Número de delitos Exasperação 2 1/6 3 1/5 4 ¼ 5 1/3 6 1/2 7 ou mais 2/3 Crime continuado específico ou qualificado: crimes dolosos, contra vítimas diferentes, violência ou grave ameaça = exasperação pode ir atéo triplo. Admite-se a continuidade delitiva nos crimes dolosos contra a vida. 3. Concurso formal (ideal): uma conduta gera dois ou mais crimes. PERFEITO: não há desígnios autônomos. Aplica pena MAIOR e exasperada +1/6 até 1/2. IMPERFEITO: há desígnios autônomos: pena somada. Concurso material benéfico: quando mesmo diante de um concurso formal, aplica-se a soma das penas, já que mais benéfico. Ex.: homicídio e ocultação de cadáver. 33 Número de crimes Exasperação 2 1/6 3 1/5 4 ¼ 5 1/3 6 ou mais ½ JURISPRUDÊNCIA STJ: O roubo praticado contra vítimas diferentes em único contexto configura o CONCURSO FORMAL e não crime único, ante a pluralidade de bens jurídicos ofendidos. Entre no ônibus e assalta todo mundo. Em regra, será concurso formal PROPRIO (jurisprudência do STJ). Todavia, se chegou ao STJ que é impróprio (desígnios autônomos), o STJ não muda alegando revisão fático-probatório. Continuidade delitiva: Conforme jurisprudência dominante, o aumento da pena relativo à continuidade delitiva (art. 71 do CP) se faz em razão do número de infrações praticadas e de acordo com a seguinte correlação: 1/6 para duas infrações; 1/5 para três; 1/4 para quatro; 1/3 para cinco; 1/2 para seis; 2/3 para sete ou mais ilícitos (mesma tabela acima). Crimes em espécie Homicídio Causa de aumento: § 6º A pena é AUMENTADA de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for praticado por milícia privada, sob o pretexto de prestação de serviço de segurança, ou por grupo de extermínio. 34 Homicídio Art. 121, paragrafo 3º. 4o No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3 (um terço), se o crime resulta de inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima, não procura diminuir as consequências do seu ato, ou foge para evitar prisão em flagrante. Sendo doloso o homicídio, a pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 60 (sessenta) anos. § 5º - Na hipótese de homicídio culposo, o juiz poderá deixar de aplicar a pena, se as consequências da infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se torne desnecessária. (perdão judicial). • A corrente majoritária entende que é aplicável o ANPP porque a violência que obsta sua aplicação é aquela dolosa (art. 28-A, CPP). É discricionariedade regrada do MP. • Cabe suspensão condicional do processo (art. 89, lei 9099/95). • No direito penal não há compensação de culpas. A culpa concorrente da vítima pode atenuar a responsabilidade (avalia-se o comportamento da vítima no art. 59). • O fato de existirem, no caso concreto, dois homicídios cometidos em concurso formal, não autoriza a extensão dos efeitos do perdão judicial concedido para um dos crimes, se não restou comprovado, quanto ao outro, a existência do liame subjetivo entre o infrator e a outra vítima fatal. 35 JURISPRUDÊNCIA Perdão judicial. Sentença declaratória. Efeitos. - A sentença que concede perdão judicial, por ser meramente declaratória, não produz efeitos condenatórios de nenhuma ordem. (súmula 18, STJ). Aborto Quem anuncia processo, substância ou objeto destinado a provocar aborto responde pelo art. 20 da LCP, com pena de multa. Art. 124: sujeito ativo é somente a gestante. Há exceção à teoria monista aqui, porque quem faz o aborto responde pelo art. 126. • Prevalece o entendimento de que o sujeito passivo do crime de aborto é o produto da concepção (óvulo, embrião ou feto), de modo que uma gravidez gemelar interrompida configura um concurso formal de crimes. • Consuma-se com a morte do feto, mesmo que fora do útero, desde que decorrente de manobras abortivas. • Matar mulher que sabe estar grávida: responde em concurso formal pelos crimes de aborto e homicídio. Se houver desígnios autônomos, aplica-se o concurso formal improprio, com soma das penas. • Feminicídio: sabendo estar grávida no feminicídio, responderá o agente pelo feminicídio com causa de aumento em concurso com o aborto. • Art. 126, parágrafo único: dissenso presumido. Nessa hipótese desconsidera o consentimento da gestante. • Para incidir a majorante prevista no art. 127 a morte do feto é dispensável/prescindível. 36 A gestante, durante o processo de abortamento realizado por 3º, morre, mas o feto nasce com vida. Sabendo que o 3º não quis nem aceitou a morte da gestante, qual crime pratica? I) aborto consumado qualificado pela morte da gestante (crime preterdoloso não admite tentativa); ii) tentativa de aborto qualificado pela morte da gestante. Crime preterdoloso pode admitir tentativa se a parte frustrada é a dolosa, não admite somente quanto à culposa. Funcionário Público para fins penais (art. 327, CP) Art. 327 - Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem, embora transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública. § 1º - Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo, emprego ou função em entidade paraestatal, e quem trabalha para empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada para a execução de atividade típica da Administração Pública. § 2º - A pena será aumentada da terça parte quando os autores dos crimes previstos neste Capítulo forem ocupantes de cargos em comissão ou de função de direção ou assessoramento de órgão da administração direta, sociedade de economia mista, empresa pública ou fundação instituída pelo poder público. JURISPRUDÊNCIA Aplica-se a causa de aumento do paragrafo segundo ao chefe do Poder Executivo (informativo 757). Calúnia: art. 138: imputar falsamente fato definido como crime. Mesma pena: quem sabendo falsa, propala ou divulga. É punível contra os mortos. Admite-se prova da verdade, salvo: i) se, o fato imputado for de ação penal privada, o ofendido não foi condenado por sentença irrecorrível; ii) se o fato é imputado ao PR ou chefe de governo estrangeiro; iii) se do crime imputado, embora de ação pública, o ofendido foi absolvido por sentença irrecorrível. Difamação: art. 139: imputar fato ofensivo à reputação. Somente cabe exceção da verdade se o ofendido é funcionário público e a ofensa é relativa ao exercício de suas funções. 37 Injúria: injuriar alguém, ofender a dignidade ou o decoro. Juiz pode deixar de aplicar a pena se: i) o ofendido, de forma reprovável, provocou diretamente a injúria; ii) no caso de retorsão imediata que consista em outra injúria. Se tiver lesão, não é privada. O parágrafo terceiro indica a injúria qualificada: religião, pessoa idosa ou com deficiência à as outras hipóteses foram para a lei 7.716. Aqui é mediante representação do ofendido. • Somente cabe retratação da calúnia e da difamação à isenta de pena. • Cabe representação do ofendido se este é funcionário público e sofre as ofensas em razão de suas funções. • Se o crime é cometido mediante paga ou promessa de recompensa: pena em dobro. • Se o crime é cometido ou divulgado por meio de rede sociais da rede mundial de computadores: pena em triplo. Tráfico de influência Art. 332 - Solicitar, exigir, cobrar ou obter, para si ou para outrem, vantagem ou promessa de vantagem, a pretexto de influir em ato praticado por funcionário público no exercício da função: Parágrafo único - A pena é aumentada da metade, se o agente alega ou insinua que a vantagem é também destinada ao funcionário. • Não precisa ter capacidade de influenciar. Exploração de prestígio Art. 357 - Solicitar ou receber dinheiro ou qualquer outra utilidade, a pretexto de influir em juiz, jurado, órgão do Ministério Público, funcionário de justiça, perito, tradutor, intérprete ou testemunha: Parágrafo único - As penas aumentam-se de um terço, se o agente alega ou insinua que o dinheiro ou utilidade também se destina a qualquer das pessoas referidas neste artigo. Falso testemunho oufalsa perícia 38 Art. 343. Dar, oferecer ou prometer dinheiro ou qualquer outra vantagem a testemunha, perito, contador, tradutor ou intérprete, para fazer afirmação falsa, negar ou calar a verdade em depoimento, perícia, cálculos, tradução ou interpretação. Pena - reclusão, de três a quatro anos, e multa. Parágrafo único. As penas aumentam-se de um sexto a um terço, se o crime é cometido com o fim de obter prova destinada a produzir efeito em processo penal ou em processo civil em que for parte entidade da administração pública direta ou indireta. Furto Furto Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel: Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. • As coisas de interesse somente moral ou sentimental também podem ser objeto de furto, pois são parte do patrimônio de alguém. • A coisa de ninguém ou a abandonada não podem ser objetos de furto, porque não são alheias. Todavia, a coisa perdida pode ser objeto do crime de apropriação de coisa achada. • Furto de uso é atípico, desde que: a) intenção desde o início de uso momentâneo da coisa; b) coisa não consumível; e c) restituição imediata e integral da coisa (status quo ante). • Teoria da amotio ou apreensio: consuma-se quando a coisa passa para o poder do agente, mesmo que num curto espaço de tempo e independentemente de deslocamento ou posse mansa e pacífica. § 1º - A pena aumenta-se de um terço, se o crime é praticado durante o repouso noturno. • Não é possível aplicação desse parágrafo no furto qualificado. § 2º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor a coisa furtada, o juiz pode substituir a pena de reclusão pela de detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar somente a pena de multa. • Furto privilegiado. Pequeno valor: até 1 s.m. • É possível aplicar no furto qualificado se a qualificadora for de ordem objetiva. § 3º - Equipara-se à coisa móvel a energia elétrica ou qualquer outra que tenha valor econômico. 39 Subtração de energia Art. 155 Fraude no pagamento de energia consumida Art. 171 O agente não está autorizado a consumir a energia. O agente está autorizado a consumir a energia. Ligação clandestina. Vale-se de artificio para ludibriar o pagamento. Furto qualificado § 4º - A pena é de reclusão de dois a oito anos, e multa, se o crime é cometido: I - Com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa; II - Com abuso de confiança (subjetiva), ou mediante fraude, escalada (via anormal) ou destreza; Furto com fraude Estelionato A fraude visa a diminuir a vigilância da vítima e possibilitar a subtração. O bem é retirado SEM que a vítima perceba que está sendo despojada. Unilateral. Ex.: quando se passam por servidores da internet e usam disso para subtrair pertences. A fraude visa a fazer com que a vítima incida em ERRO e entregue VOLUNTARIAMENTE o objeto ao agente. Bilateral. III - com emprego de chave falsa; IV - Mediante concurso de duas ou mais pessoas. § 4º-A A pena é de reclusão de 4 (quatro) a 10 (dez) anos e multa, se houver emprego de explosivo ou de artefato análogo que cause perigo comum. • Hediondo. § 4º-B. A pena é de reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa, se o furto mediante fraude é cometido por meio de dispositivo eletrônico ou informático, conectado ou não à rede de computadores, com ou sem a violação de mecanismo de segurança ou a utilização de programa malicioso, ou por qualquer outro meio fraudulento análogo. • Aqui ele tem o acesso da tua conta e faz a transferência. • Não precisa estar conectado à rede de internet. 40 § 4º-C. A pena prevista no § 4º-B deste artigo, considerada a relevância do resultado gravoso: Majorantes da fraude eletrônica Aumenta-se de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços), Se o crime é praticado mediante a utilização de servidor mantido fora do território nacional; • Simples fato de estar o servidor fora do território nacional não atrai a competência da JF. Aumenta-se de 1/3 (um terço) ao dobro Se o crime é praticado contra idoso ou vulnerável. • Na justificativa do PL que resultou na lei 14.155/21, vulnerável é qualquer pessoa que está referida no art. 217-a, CP. § 5º - A pena é de reclusão de três a oito anos, se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior. • Aqui precisa da efetiva transposição de fronteiras. § 6o A pena é de reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos se a subtração for de semovente domesticável de produção, ainda que abatido ou dividido em partes no local da subtração. • Abigeato. § 7º A pena é de reclusão de 4 (quatro) a 10 (dez) anos e multa, se a subtração for de substâncias explosivas ou de acessórios que, conjunta ou isoladamente, possibilitem sua fabricação, montagem ou emprego. Furto de coisa comum Art. 156 - Subtrair o condômino, coerdeiro ou sócio, para si ou para outrem, a quem legitimamente a detém, a coisa comum: Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa. § 1º - Somente se procede mediante representação. § 2º - Não é punível a subtração de coisa comum fungível, cujo valor não excede a quota a que tem direito o agente. Roubo 41 Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência Crime complexo. Nasce da fusão do furto + constrangimento ilegal. Caput: roubo próprio Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa. Roubo impróprio. Não abrange a violência imprópria. Há divergência se é possível a tentativa. § 1º - Na mesma pena incorre quem, logo depois de subtraída a coisa, emprega violência contra pessoa ou grave ameaça, a fim de assegurar a impunidade do crime ou a detenção da coisa para si ou para terceiro. Majorantes § 2º A pena aumenta-se de 1/3 (um terço) até metade. O inciso III impede a aplicação do art. 183-A, sob pena de bis in idem. Roubo + desnecessária privação de liberdade = roubo + sequestro. Se a privação é necessária, incide o inciso V. II - Se há o concurso de duas ou mais pessoas; III - se a vítima está em serviço de transporte de valores e o agente conhece tal circunstância. IV - Se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior; • Aqui precisa da efetiva transposição de fronteiras. V - Se o agente mantém a vítima em seu poder, restringindo sua liberdade. VI – se a subtração for de substâncias explosivas ou de acessórios que, conjunta ou isoladamente, possibilitem sua fabricação, montagem ou emprego. 42 VII - se a violência ou grave ameaça é exercida com emprego de arma branca. § 2º-A A pena aumenta-se de 2/3 (dois terços) I – se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma de fogo; (hediondo) II – se há destruição ou rompimento de obstáculo mediante o emprego de explosivo ou de artefato análogo que cause perigo comum. § 2º-B. Se a violência ou grave ameaça é exercida com emprego de arma de fogo de uso restrito ou proibido, aplica-se em dobro a pena prevista no caput deste artigo. (hediondo). Qualificadoras § 3º Se da violência resulta I – Lesão corporal grave, a pena é de reclusão de 7 (sete) a 18 (dezoito) anos, e multa; II – Morte, a pena é de reclusão de 20 (vinte) a 30 (trinta) anos, e multa. Pluralidade de mortes numa só subtração: não desnatura a unidade do crime. Considera na fixação da pena-base. Roubo x extorsão Extorsão qualificada pela liberdade da vítima Vítima é essencial para o sucesso do crime. Vítima precisar agir ativamente. Ex. precisa digitar a senha no caixa para o agente fazer a transferência. Roubo com restrição da liberdade da vítima Vítima não é essencial para sucesso do crime. 43 Latrocínio o quedita o resultado é a vida! Subtração Morte Resultado Consumada Consumada Consumado Tentada Tentada Tentado Consumada Tentada Tentado Tentada Consumada Consumado Súmula 610, STF: há crime de latrocínio, quando o homicídio se consuma, ainda que não realize o agente a subtração de bens da vítima. Estelionato Art. 171 Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento: Induzir: o agente cria a falsa realidade; Manter: a vítima já estava enganada e o agente não desfez equívoco. § 1º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor o prejuízo, o juiz pode aplicar a pena conforme o disposto no art. 155, § 2º. Privilegiado §3º Aumenta-se de 1/3 se cometido em detrimento de entidade de direito público ou de instituto de economia popular, assistência social ou beneficência. A pena aumenta-se de 1/3 ao dobro (2x), se idoso ou vulnerável, considerada a relevância do resultado gravoso. Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa, de quinhentos mil réis a dez contos de réis. Somente se procede mediante representação, salvo se a vítima for: a. Administração pública direta ou indireta; b. Criança ou adolescente; c. Pessoa com deficiência mental; d. Maior de 70 anos ou incapaz. 44 STJ e STF dizem que vitima tem que autorizar no processo. (colocou como condição de prosseguibilidade). Forma qualificada – fraude eletrônica § 2º-A. A pena é de reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa, se a fraude é cometida com a utilização de informações fornecidas pela vítima ou por terceiro induzido a erro por meio de redes sociais, contatos telefônicos ou envio de correio eletrônico fraudulento, ou por qualquer outro meio fraudulento análogo. § 2º-B. A pena prevista no § 2º-A deste artigo, considerada a relevância do resultado gravoso, aumenta-se de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços), se o crime é praticado mediante a utilização de servidor mantido fora do território nacional. Aplica o §3º também. JURISPRUDÊNCIA Na modalidade de emissão de cheque sem fundos, a reparação do dano antes do recebimento da inicial obsta a instauração da ação penal (súmula 554, STF, a contrario sensu), não se aplicando o instituto do arrependimento posterior, previsto no art. 16, CP. Receptação Crime acessório ou parasitário. Tem que ser produto de crime, não contravenção. Prevalece o entendimento de que cabe receptação se for produto fruto de ato infracional. Art. 180 simples Adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa que sabe ser produto de crime (própria), ou influir para que terceiro, de boa-fé, a adquira, receba ou oculte (imprópria) Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa Admite ANPP e Suspensão (art. 89, lei 9099/95). A receptação própria é crime material, enquanto a receptação impropria é crime formal. Qualificada § 1º - Adquirir, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito, desmontar, montar, remontar, vender, expor à venda, ou de Pena - reclusão, de três a oito anos, e multa Cabe ANPP 45 qualquer forma utilizar, em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, coisa que deve saber ser produto de crime. Equiparada § 2º - Equipara-se à atividade comercial, para efeito do parágrafo anterior, qualquer forma de comércio irregular ou clandestino, inclusive o exercício em residência. Culposa § 3º - Adquirir ou receber coisa que, por sua natureza ou pela desproporção entre o valor e o preço, ou pela condição de quem a oferece, deve presumir-se obtida por meio criminoso Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa, ou ambas as penas. § 4º - A receptação é punível, ainda que desconhecido ou isento de pena o autor do crime de que proveio a coisa Privilégio § 5º - Na hipótese do § 3º (culposa), se o criminoso é primário, pode o juiz, tendo em consideração as circunstâncias, deixar de aplicar a pena. Na receptação dolosa aplica-se o disposto no § 2º do art. 155 Majorante § 6o Aplica-se em dobro a pena prevista no caput deste artigo. Tratando-se de bens do patrimônio da União, de Estado, do Distrito Federal, de Município ou de autarquia, fundação pública, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviços públicos Concussão Art. 316 - Exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. • O particular que concorda com a exigência de funcionário público nesta hipótese, entregando o valor pedido em razão do exercício da função, não comete nenhum crime. Aqui o particular é vítima. 46 Corrupção passiva Art. 317 - Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem: Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. Majorada: § 1º - A pena é aumentada de um terço, se, em consequência da vantagem ou promessa, o funcionário retarda ou deixa de praticar qualquer ato de ofício ou o pratica infringindo dever funcional. • Para o caput, não é necessário que seja ato de ofício ou com infração a dever funcional. Tais hipóteses são majorantes. Corrupção ativa Art. 333 - Oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público, para determiná-lo a praticar, omitir ou retardar ato de ofício: Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. Parágrafo único - A pena é aumentada de um terço, se, em razão da vantagem ou promessa, o funcionário retarda ou omite ato de ofício, ou o pratica infringindo dever funcional. Corrupção e concussão: cobiça, lucro fácil e art. 59 do CP: constituem elementares do delito, não podendo, assim, serem utilizadas novamente na apreciação das circunstâncias judiciais para justificar a elevação da pena base. Peculato Art. 312 - Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio: Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa. 47 • No peculato culposo, a reparação do dano funciona como causa de extinção da punibilidade se precede a sentença irrecorrível; se lhe é posterior, reduz da metade a pena imposta. Peculato-malversação é o emprego de verbas ou rendas privadas que estejam sob responsabilidade do poder público a fins diversos do estabelecido em lei, ainda que em favor da própria administração pública. • O crime de sonegação fiscal exige a constituição definitiva do crédito tributário, de modo que podem ser ajuizadas diferentes ações para averiguar os crimes de peculato e sonegação fiscal, ainda que conexos. Art. 307: quem mente seu nome. Art. 308: usa um documento de outra pessoa, mas ele não é falso, só é de outro. Art. 304: usa um documento que é falso. JURISPRUDÊNCIA Na falsidade ideológica, o termo inicial para prescrição da pretensão punitiva é o momento da consumação do delito e não da eventual reiteração de seus efeitos. Direito Administrativo