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AMOSTRA DO LIVRO AJUDA CIVIL! J . A U R I M A R M O R A I S N . 1 ª E D I Ç Ã O V O L U M E 2 2 0 2 4 N A T A L VOLUME 1: Etapas do projeto estrutural. Conhecendo os materiais. Método dos estados limites. Flexão de vigas. Flexão de lajes. Cisalhamento. Verificações do Estado Limite de Serviço (ELS). Detalhamento de vigas e lajes. P L A N O DA O B R A VOLUME 2: Conceitos fundamentais para a análise de pilares. Ação do vento. Desaprumo. Estabilidade global. Dimensionamento de pilares. Detalhamento de pilares. Dimensionamento de tirantes. Dimensionamento de pilares-parede. Prefácio 1 1 – Conceitos fundamentais 3 1.1 – Modelo de cálculo 5 1.2 – Análise: global x local x localizada 7 S U M Á R I O 1.2.1 – Análise global 7 1.2.2 – Análise local 8 1.2.3 – Análise localizada 8 1.3 – Não-linearidade 9 1.3.1 – Não-linearidade física 9 1.3.2 – Não-linearidade geométrica 11 1.4 – Flexão composta oblíqua 12 2 – Ação do vento 15 2.1 – Introdução 17 2.1.1 – Características 17 2.1.2 – Métodos de análise 17 2.2 – Cálculo da ação do vento 19 3 – Estabilidade global 39 3.1 – Conceitos de estabilidade global 41 3.2 – Desaprumo global 42 3.3 – Avaliação da estabilidade global 47 3.4 – Consideração da não-linearidade física 49 3.5 – Parâmetro α 50 3.6 – Coeficiente γz 53 3.7 – Contraventamento 56 4 – Dimensionamento de pilares 57 4.1 – Pilar x tirante x pilar-parede x viga inclinada 59 4.2 – Variáveis adimensionais 60 4.2.1 – Força normal adimensional (ν) 60 4.2.2 – Excentricidade relativa 61 4.2.3 – Momento fletor adimensional (μ) 62 5 – Detalhamento de pilares 125 4.2.4 – Taxa geométrica de armadura (ρ) 63 4.2.5 – Taxa mecânica de armadura (ω) 63 4.2.6 – Índice de esbeltez (λ) 63 4.3 – Classificação dos pilares 66 4.3.1 – Conforme a posição em planta 66 4.3.2 – Conforme a esbeltez 67 4.4 – Limite de esbeltez 69 4.4.1 – Excentricidade relativa de 1ª ordem 69 4.4.2 – Vinculações das extremidades do pilar 70 4.4.3 – Formato do diagrama de momentos 70 4.4.4 – Coeficiente αb 72 4.4.5 – Cálculo do limite de esbeltez λ1 74 4.5 – Análise das solicitações 74 4.5.1 – Excentricidades 75 4.5.2 – Combinações de excentricidades 79 4.5.3 – Ponderadores adicionais 80 4.6 – Solicitações em pilares centrais 81 4.6.1 – Exemplo do cálculo 81 4.7 – Solicitações em pilares laterais 87 4.7.1 – Exemplo do cálculo 87 4.8 – Solicitações em pilares de canto 95 4.8.1 – Exemplo do cálculo 95 4.9 – Capacidade resistente de pilares 104 4.9.1 – Montagem da envoltória resistente 106 4.9.2 – Envoltória resistente aproximada 108 4.9.3 – Exemplo de cálculo 109 4.9.4 – Envoltória resistente mínima 117 4.10 – Ábacos de dimensionamento 119 4.10.1 – Exemplo de aplicação 121 5.1 – Dimensões da seção transversal 127 5.2 – Diâmetro das barras longitudinais 127 5.3 – Taxa geométrica de armadura 128 Apêndices 155 Apêndice A: métodos de cálculo dos efeitos de 2ª ordem 157 5.4 – Distribuição das barras longitudinais 128 5.5 – Espaçamento entre barras 129 5.6 – Armadura transversal 129 5.7 – Gancho dos estribos 130 5.8 – Tubulação embutida 130 5.9 – Emendas por traspasse em pilares 131 5.9.1 – Pilares com mesma seção 131 5.9.2 – Pilares com leve redução de seção 131 5.9.3 – Pilares com elevada redução de seção 132 5.10 – Estribos suplementares 132 6 – Dimensionamento de pilares especiais 133 6.1 – Introdução 135 6.2 – Dimensionamento de tirantes 135 6.2.1 – Exemplo de cálculo 1 136 6.2.2 – Exemplo de cálculo 2 138 6.3 – Dimensionamento de pilares-parede 140 6.3.1 – Definição 141 6.3.2 – Comprimento equivalente 141 6.3.3 – Efeito localizado de 2ª ordem 143 6.3.4 – Exemplo de cálculo: armadura longitudinal 145 6.3.5 – Armadura transversal em pilares-parede 153 6.3.6 – Exemplo de cálculo: armadura transversal 154 Apêndice B: cálculo da excentricidade suplementar 164 Apêndice C: exemplo complementar do cálculo de pilares 172 CONCEITOS FUNDAMENTAIS 1. “ENQUANTO VOCÊ SONHA, VOCÊ ESTÁ FAZENDO O RASCUNHO DO SEU FUTURO.” CHARLES CHAPLIN 8 A análise local é focada em estudar um elemento estrutural específico da estrutura. Nessa análise, são considerados os esforços e deformações locais, levando em conta o comportamento dos materiais e as condições de contorno específicas da região em estudo. 1.2.2 – ANÁLISE LOCAL 1.2.3 – ANÁLISE LOCALIZADA Existem elementos que estão sujeitos a um comportamento dife- renciado em uma região isolada da sua estrutura. A análise de regiões específicas dentro de um elemento estrutural é chamada de “análise loca- lizada” e tem como objetivo avaliar o desempenho de uma região em condições particulares. Apesar da análise localizada ser mais comum em elementos de estruturas metálicas, como a flamba- gem da mesa ou alma de perfis tipo I, em estruturas de concreto armado esse tipo de análise também é necessária em pilares-parede, como é demonstrado no capítulo 6. 2.1 – INTRODUÇÃO Antes de entrarmos nos assuntos de estabilidade global e dimen- sionamento de pilares, é importante conhecer a ação do vento e como ela afeta a estrutura. 17 2.1.1 – CARACTERÍSTICAS É preciso ter em mente que quanto tratamos da ação do vento estamos falando de uma solicitação com as seguintes características: o É uma ação dinâmica; o Pode atuar em todas as direções; o Sua intensidade tende a ser proporcional à altura do edifício; o É influenciada por aspectos meteorológicos e aerodinâmicos. O conhecimento de tais características é importante para um calculista, pois a consideração da ação do vento pode envolver diversas simplificações, as quais nem sempre serão adequadas para determinados tipos de edificações. Cabe ao projetista avaliar se as considerações de cálculo estão adequadas ou não. 2.1.2 – MÉTODOS DE ANÁLISE A determinação da ação do ven- to é normalmente realizada por três métodos: através das recomendações dispostas na ABNT NBR 6123:2023, por meio de ensaios experimentais no túnel de vento e pela simulação de rajadas de vento em softwares computacionais. 20 Dimensões do morro: 40 𝑚 𝑑 = 12 𝑚 𝜃 = 17° DADOS: Dimensões da edificação: Δ𝑧 = 3 𝑚 𝑏 = 8 𝑚 𝑎 = 16 𝑚 ℎ = 12 𝑚 • 𝑑 = 12 𝑚 • 𝜃 = 17° • 𝑎 = 16 𝑚 • 𝑏 = 8 𝑚 • ℎ = 12 𝑚 23 O fator 𝑆1 é definido para as seguintes situações: A A B A B A A A C ≥ 4 𝑑 𝑑 𝜃 𝑑 𝜃 32 A ABNT NBR 6123:2023 disponibiliza ábacos para que possam ser extraídos os valores do coeficiente de arrasto da edificação. Para utilizar o ábaco basta calcular as relações: 𝐿1/𝐿2 ; ℎ/𝐿1 Onde, 𝐿1: dimensão horizontal da edificação perpendicular ao sentido do vento; 𝐿2: dimensão horizontal da edificação paralela ao sentido do vento; ℎ: altura da edificação. Como a ação do vento pode atuar em todos os sentidos, é necessário analisar as combinações que mais solicitam a estrutura e dimensionar cada elemento para a sua solicitação crítica. Para o exemplo em questão, é demonstrado o cálculo do vento a 0° e a 90°. Vale ressaltar que se tratam de dois casos de carregamentos individuais, não simultâneos. 0° 90°180° 270° ℎ = 12 𝑚 𝐿1 𝐿2 = 𝑏 𝑎 = 8 16 = 0,5 ℎ 𝐿1 = ℎ 𝑏 = 12 8 = 1,5 Vento a 0°: 𝐿1 𝐿2 = 𝑎 𝑏 = 16 8 = 2,0 ℎ 𝐿1 = ℎ 𝑎 = 12 16 = 0,75 Vento a 90°: ESTABILIDADE 3. GLOBAL “A IGNORÂNCIA NÃO É APENAS FALTA DE CONHECIMENTO, É A RECUSA ATIVA DE ADQUIRI-LO.” YUVAL NOAH HARARI 43 DADOS: 𝐹4 = 6,5 𝑘𝑁 𝑧1 = 3𝑚 𝑧2 = 6𝑚 𝑧3 = 9𝑚 𝑧4 = ℎ = 12 𝑚 𝐹3 = 13,6 𝑘𝑁 𝐹2 = 14,8 𝑘𝑁 𝐹1 = 16,0 𝑘𝑁 𝑃4 = 20 𝑘𝑁/𝑚 𝑃3 = 30 𝑘𝑁/𝑚 𝑃2 = 30 𝑘𝑁/𝑚 𝑃1 = 30 𝑘𝑁/𝑚 𝑏 = 8 𝑚 𝑛 = 3 𝑝𝑖𝑙𝑎𝑟𝑒𝑠 Para realizarmos a análise da ação do desaprumo, é conveniente simplificarmos a estrutura tridimensional da edificação em um pórtico plano. Para o nosso exemplo, adotaremos a seguinte configuração: Onde, 𝐹𝑖: força do vento no pavi- mento 𝑖 do pórtico; 𝑧𝑖 : altura de atuação da força do vento 𝑖; ℎ: Altura da edificação; 𝑏: Largura da edificação; 𝑃𝑖: carga vertical do pavi- mento 𝑖; 𝑛: número de pilaresverti- cais que contribuem para o efeito de desaprumo. 54 A fim de ilustrar o procedimento de cálculo do coeficiente 𝛾𝑧, resolveremos o seguinte exemplo: DADOS: Para o exemplo a seguir, os deslocamentos horizontais de cada pavimento já foram obtidos. Esta etapa é normalmente realizada com ajuda computacional devido à complexidade da análise estrutural de estruturas hiperestáticas. 𝐹𝑣1,𝑑 = 1500 𝑘𝑁 𝐹ℎ4,𝑑 = 40 𝑘𝑁 𝐹ℎ3,𝑑 = 70 𝑘𝑁 𝐹ℎ2,𝑑 = 60 𝑘𝑁 𝐹ℎ1,𝑑 = 50 𝑘𝑁 𝑒4 = 6,0 𝑐𝑚 𝑒3 = 5,5 𝑐𝑚 𝑒2 = 4,0 𝑐𝑚 𝑒1 = 2,0 𝑐𝑚 𝑧4 = 12𝑚 𝑧3 = 9𝑚 𝑧2 = 6𝑚 𝑧1 = 3𝑚 1º – MOMENTO DE TOMBAMENTO O momento de tombamento 𝑀1,𝑡𝑜𝑡,𝑑 é dado pela soma dos produtos de todas as forças horizontais pelas suas respectivas alturas em relação à base da edificação. 𝐹𝑣2,𝑑 = 1500 𝑘𝑁 𝐹𝑣3,𝑑 = 1500 𝑘𝑁 𝐹𝑣4,𝑑 = 1200 𝑘𝑁 59 4.1 – PILAR x TIRANTE x PILAR-PAREDE x VIGA INCLINADA Antes de tratarmos do dimensionamento propriamente dito dos pilares, é importante ter em mente que tipo de elemento estrutural estamos lidando. É comum confundirmos pilares, tirantes, pilares-parede e até vigas inclinadas como sendo o mesmo tipo de elemento. Entretanto, o dimensionamento de cada um deles difere bastante, sendo imprescindível a identificação do elemento analisado antes de partir para o cálculo estrutural. Veja como fazer essa diferenciação: Pilar Tirante Pilar-parede Viga inclinada 1. Os pilares são elementos lineares verticais que estão submetidos majoritariamente à compressão. 2. Já os tirantes são elementos lineares submetidos à tração, ou seja, caso um pilar esteja tracionado, chamamos ele de tirante. 3. Os pilares-parede são elementos superficiais planos, cuja maior dimensão da seção transversal é superior a cinco vezes a menor dimensão. 4. Quando a inclinação do pilar começa a gerar esforços significativos de cisalhamento e flexão, a compressão deixa de ser a solicitação prin- cipal. Logo, passamos a chama-lo de viga inclinada. Não existe um valor de inclinação fixo para essa diferenciação, cabe ao calculista essa classificação. 92 9º – ÍNDICE DE ESBELTEZ Obtido o valor do comprimento equivalente, é possível calcular o índice de esbeltez do pilar e classifica-lo: 𝜆𝑥 = 12 ⋅ 𝑙𝑒𝑦 ℎ𝑦 𝜆𝑦 = 12 ⋅ 𝑙𝑒𝑥 ℎ𝑥 𝜆𝑥 = 12 ⋅ 280 30 𝜆𝑦 = 12 ⋅ 279 14 𝜆𝑥 = 32 → 𝜆𝑥 ≤ 𝜆1𝑥 𝑃𝑖𝑙𝑎𝑟 𝑐𝑢𝑟𝑡𝑜 𝜆𝑦 = 69 → 𝜆1𝑦 ≤ 𝜆𝑦 ≤ 90 𝑀𝑒𝑑𝑖𝑎𝑛𝑎𝑚𝑒𝑛𝑡𝑒 𝑒𝑠𝑏𝑒𝑙𝑡𝑜 10º – EXCENTRICIDADE DE 2ª ORDEM Como o pilar é considerado medianamente esbelto em torno do eixo Y, é necessário o cálculo de 𝑒2𝑥, dado por: 𝑒2𝑥 𝑒2𝑥 = 𝑙𝑒𝑥 2 10 ⋅ 0,005 𝜈 + 0,5 ⋅ ℎ𝑥 𝑒2𝑥 = 2792 10 ⋅ 0,005 0,6 + 0,5 ⋅ 14 𝑒2𝑥 = 2,53 𝑐𝑚 𝜈 = 𝑁𝑆𝑑 ℎ𝑥 ⋅ ℎ𝑦 ⋅ 𝑓𝑐𝑑 → 𝜈 = 540 14 ⋅ 30 ⋅ 3 1,4 → 𝜈 = 0,60 𝑥 𝑦 Força normal adimensional: Excentricidade de 2ª ordem: 112 Como o valor obtido para a relação 𝑥/𝑑 é de 0,660, a estrutura se encontra no domínio 4 de deformação (0,628 ≤ 𝑥/𝑑 ≤ 1,000). −∞ D1 D2 D3 D4 D4a ∞ D5 0 ,0 0 0 0 ,2 5 9 0 ,6 2 8 1 ,0 0 0 ℎ /𝑑 0 ,6 6 0 4º – INDENTIFICAÇÃO DA DEFORMAÇÃO DE REFERÊNCIA Em cada um dos domínios, existe um ponto de deformação que não se altera com a mudança da posição da linha neutra. Este ponto é então utilizado como referência para a determinação das deformações ao longo da seção. Para o caso do domínio 4, o ponto de deformação de referência vale: Domínio 1: 𝜀𝑦 = 10‰ Domínio 2: 𝜀𝑦 = 10‰ Domínio 3: 𝜀𝑐 = −3,5‰ Domínio 4: 𝜀𝑐 = −3,5‰ Domínio 4a: 𝜀𝑐 = −3,5‰ Domínio 5: 𝜀 3ℎ 7 = −2,0‰ 𝜀𝑐 = −3,5‰ 5º – DEFORMAÇÃO NOS DEMAIS ELEMENTOS Admitindo que a seção permaneça plana e conhecendo os valores da deformação de referência e profundidade da linha neutra, é possível obter a deformação nos demais elementos da seção por uma simples relação trigonométrica. 𝑥 LN 𝑑 𝜀𝑐 𝜀𝑠 ′ 𝜀𝑠 Vista frontal Vista lateral 𝜀𝑐 𝑥 = 𝜀𝑠 ′ 𝑥 − 𝑑′ = 𝜀𝑠 𝑥 − 𝑑 Relações trigonométricas 𝑑′ 120 Uma forma de facilitar o emprego dos ábacos é tratar as variáveis em termos adimensionais. Deste modo, o mesmo ábaco pode ser utilizado para seções análogas entre si. Além disso, como as envoltórias são superfícies tridimensionais, os ábacos seguem a mesma lógica de representação bidimensional apresentada anteriormente. Neste caso, são definidos valores para a força normal adimensional (𝜈) e plotados segmentos das envoltórias. Como geralmente os pilares são simétricos, os valores da envoltória também se tornam espelhados, de modo que seus gráficos podem ser representados seccionados sem prejuízo às informações. 𝜇𝑦 𝜈 𝜇𝑥 𝜈 = 0,8𝜈 = 1,0 𝜈 = 1,4𝜈 = 1,2 ENVOLTÓRIAS ÁBACO DETALHAMENTO 5. DE PILARES “EU ACREDITO QUE É POSSÍVEL QUE PESSOAS COMUNS ESCOLHAM SER EXTRAORDINÁRIAS.” ELON MUSK 130 5.7 – GANCHO DOS ESTRIBOS O detalhamento do gancho dos estribos pode ser feito de duas maneiras. Com dobra de 90° para barras nervuradas e comprimento da ponta reta de 𝑐90°, ou com dobra de 135° e ancoragem de 𝑐135° para barras lisas ou nervuradas. Gancho com 90° Gancho com 135° 90° 135° 𝑐90° 𝑐135° 𝑐90° ≥ ቐ 7 𝑐𝑚 10 ⋅ ∅𝑡 𝑐135° ≥ ቐ 5 𝑐𝑚 5 ⋅ ∅𝑡 5.8 – TUBULAÇÃO EMBUTIDA Apesar de não ser uma prática muito recomendada devido à possibilidade de vazamentos e comprometimento da armadura, a ABNT NBR 6118:2023 permite que tubulações sejam embutidas em pilares, desde que sejam respeitadas as seguintes condições: 1. A área de concreto da seção transversal (descon- siderando a área do furo) deve respeitar o limite mínimo de 360 cm2; 2. Isolamento adequado para passagem de fluidos com 15°C de diferença da temperatura ambiente; 3. Pressão interna da tubulação inferior a 0,3 MPa; 4. Existência de abertura para drenagem. 132 5.9.3 – PILARES COM ELEVADA REDUÇÃO DE SEÇÃO Nas situações em que a redução de seção do pilar necessite de uma inclinação maior que 1:4 (horizontal : vertical) para a continuidade das barras longitudinais, é necessário adotar chumbadores no deta- lhamento, ou seja, barras adicionais para a ancoragem das armaduras. Dessa forma, as barras do pavimento inferior devem ser interrompidas a uma distância 𝑑0 da face superior da laje. ℎ 𝑙0 𝑑0 > ℎ/4 𝑙0 + ℎ 2 𝑑0 ≥ ቐ 5 𝑐𝑚 4 ⋅ ∅𝑙 5.10 – ESTRIBOS SUPLEMENTARES A proteção contra flambagem promovida pelos estribos poligonais é garantida apenas para as barras longitudinais situadas em seus can- tos e até mais duas outras barras em cada direção situadas no máximo à distância de 20 ∅𝑡 do canto. Quando houver mais de duas barras nesse trecho ou barras fora dele, devem haver estribos suplementares para promover a proteção das barras excedentes. O estribo suplementar pode ser constituído por outro estribo poligonal ou por uma barra reta com ganchos (semelhante a um “S”). Tais ganchos devem envolver a barra longitudinal. 20 ∅𝑡 20 ∅𝑡 20 ∅𝑡 20 ∅𝑡 20 ∅𝑡 20 ∅𝑡 142 𝑙𝑒 = 𝐿 Livre-livre 𝐿 𝑏 𝑙𝑒 = 𝐿 1 + 𝛽 3 2 Apoio-livre 𝐿 𝑏 𝑙𝑒 = 𝐿 1 + 𝛽2 Apoio-apoio 𝐿 𝑏 𝑙𝑒 = 𝐿 2 ⋅ 𝛽 Se 𝛽 ≤ 1: Se 𝛽 > 1: 𝑙𝑒 = 2 ⋅ 𝑏 ≤ 𝐿 Livre-engaste 𝐿 𝑏 Se 𝛽 ≥ 7,0: Se 𝛽tais esforços horizontais, o seu momento fletor solicitante é geralmente considerado em ambos os sentidos da direção de maior rigidez. DMF-My (𝒌𝑵𝒎) DMF-Mx (𝒌𝑵𝒎) 140 −84 ±1600 ±1600 DEN (𝒌𝑵) 7200 7200 𝑀𝑥 𝑀𝑦 𝑁 152 𝑀𝑑𝑦,𝑡𝑜𝑡,𝐹2 = 𝛼𝑏𝑥 ⋅ 𝑀𝑦,𝐹2 + 𝑁𝑡,𝐹2 ⋅ 𝑙𝑒 2 ⋅ 0,005 10 ⋅ ℎ𝑥 ⋅ 𝜈 + 0,5 ; 𝜈 + 0,5 ≥ 1 Momento fletor total: 𝑀𝑑𝑦,𝑡𝑜𝑡,𝐹2 = 0,6 ⋅ 43,1 + 2050 ⋅ 32 ⋅ 0,005 10 ⋅ 0,20 ⋅ 0,68 + 0,5 𝑀𝑑𝑦,𝑡𝑜𝑡,𝐹1 = 64,9 𝑘𝑁𝑚 7º.4 – CÁLCULO DAS ARMADURAS Admitindo a distância de 𝑑′ = 4 𝑐𝑚, barras de 20 mm e com base nos dados calculados, a quantidade de armadura que gera uma envoltória resistente capaz de resistir às solicitações da faixa F2 vale: ℎ𝑥 ; 𝑎𝑖 ; 𝑑′ 𝑓𝑐𝑘 ; 𝑓𝑦𝑑 𝑁𝑡,𝐹1 𝑀𝑑𝑦,𝑡𝑜𝑡,𝐹1 𝑅𝑑 = 𝑆𝑑 → 8 ∅ 16 𝑚𝑚 8º – DETALHAMENTO DO PILAR-PAREDE O último passo para completar o dimensionamento das armadu- ras longitudinais do pilar-parede é simplesmente juntar as barras de cada faixa para sua respectiva localização. Observe que ao realizar o dimensionamento considerando o efei- to localizado de 2ª ordem, naturalmente mais barras são dispostas nas extremidades laterais do pilar-parede, reforçando-o contra este tipo de instabilidade. 2 × 7 ∅ 16 𝑚𝑚 2 × 4 ∅ 16 𝑚𝑚 2 × 4 ∅ 16 𝑚𝑚 2 × 7 ∅ 16 𝑚𝑚 153 6.3.5 – ARMADURA TRANSVERSAL EM PILARES-PAREDE Assim como as barras longitudinais, as armaduras transversais nos pilares-parede também estão sujeitas a esforços de flexão. Como os pilares-parede são elementos de superfície, suas deformações na direção transversal nem sempre são uniformes. Essa característica gera esforços internos adicionais (em comparação com elementos lineares) que devem ser resistidos por suas armaduras longitudinais e transversais. Este fato é facilmente observado pelo padrão de deformação de um pilar-parede em U, ilustrado abaixo. Perceba que a deformação da superfície flexiona tanto no sentido longitudinal como também no transversal A maneira mais adequada de determinar a armadura transversal para pilares-parede é através da simulação da estrutura como elementos de placa, para que sejam determinados os esforços de flexão e então calculada a armadura transversal necessária para atender a tais solicita- ções. Contudo, para facilitar este tipo de análise, a ABNT NBR 6118:2023 também permite que, na ausência destes cálculos, seja considerada uma taxa mínima de 25% da armadura longitudinal por metro da maior face da lâmina calculada É importante destacar que, além da presença da armadura transversal, o detalhamento dos estribos suplementares discutidos no tópico 5.10 também é necessário no detalhamento dos pilares- parede para a proteção contra a flamba- gem das barras longitudinais 7º – COEFICIENTE DE FLUÊNCIA O coeficiente de fluência é um fator que mede o quão exposto o concreto está para a ocorrência do fenômeno da fluência. Para isso, devemos levar em consideração fatores como a umidade média do ambiente (𝑈), a espessura fictícia (ℎ𝑓𝑖𝑐), o tempo de desforma (𝑡0) e a classe do concreto. A espessura fictícia do concreto representa um fator que relaciona a área exposta da superfície da estrutura com as condições atmosféricas. Essa medida desempenha um papel crucial no cálculo da fluência, uma vez que está diretamente associada à perda de água do concreto para a atmosfera. Quanto mais exposta a estrutura estiver, maior será a sua dissipação de água para o meio ambiente, resultando em uma degradação proporcional da rigidez e resistência à fluência. O seu cálculo é dado por: ℎ𝑓𝑖𝑐 = 2 ⋅ 𝐴𝑐 𝑢 𝐴𝑐: área bruta da seção transversal; 𝑢: perímetro da seção exposto à secagem (em contato com a atmosfera). Admitindo que sejam executadas alvenarias sobre as vigas, a espessura fictícia do pilar vale: ℎ𝑥 ℎ𝑦 24 𝐴𝑐 = ℎ𝑥 ⋅ ℎ𝑦 → 𝐴𝑐 = 19 ⋅ 50 → 𝐴𝑐 = 950 𝑐𝑚2 𝑢 = ℎ𝑥 + ℎ𝑦 + ℎ𝑦 − 24 → 𝑢 = 19 + 50 + 50 − 24 𝑢 = 95 𝑐𝑚 ℎ𝑓𝑖𝑐 = 2 ⋅ 𝐴𝑐 𝑢 → ℎ𝑓𝑖𝑐 = 2 ⋅ 950 95 ℎ𝑓𝑖𝑐 = 20 𝑐𝑚 169 SE INTERESSOU PELO LIVRO? 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