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Aula 05 - Prof. Raphael
Reis
SEDUC-GO - Redação - 2022
(Pós-Edital) Sem Correção
Autor:
Carlos Roberto, Raphael de
Oliveira Reis
05 de Agosto de 2022
 
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Sumário 
Apresentação do Curso ..................................................................................................................................... 2 
Apresentação Pessoal ....................................................................................................................................... 3 
Alguns Depoimentos: em breve, o seu estará aqui ;) .................................................................................... 3 
1- A Sociedade e os indivíduos .......................................................................................................................... 5 
2 – Direitos e cidadania ...................................................................................................................................... 6 
3. Urbanização e Mobilidade Urbana .............................................................................................................. 11 
3. 1 Mobilidade Urbana ................................................................................................................................ 15 
4. A Gestão Escolar como promotora do sucesso .......................................................................................... 17 
5. Projeto Político Pedagógico ........................................................................................................................ 18 
Proposta de Redação 01: ................................................................................................................................. 20 
A importância do PPP para fortalecer construções coletivas no espaço escolar ........................................... 20 
Proposta de Redação 02: ................................................................................................................................. 20 
Cultura e Cidadania.......................................................................................................................................... 20 
Padrão de resposta da proposta 01 ................................................................................................................. 22 
Padrão de resposta da proposta 02 ................................................................................................................. 22 
 
 
Carlos Roberto, Raphael de Oliveira Reis
Aula 05 - Prof. Raphael Reis
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APRESENTAÇÃO DO CURSO 
Olá, tudo em paz? 
Aqui é o Professor Raphael Reis. Estou muito feliz em estar com você ao longo de sua preparação para a prova 
discursiva. É uma honra poder contribuir com o seu objetivo de mandar bem no concurso SEDUC-GO. 
A partir de agora, vamos entrar nas rodadas temáticas, que são cinco ao todo. Além dessas, teremos três 
rodadas temáticas especiais com temas de redação voltados para a área de educação (somente videoaulas). 
Elas têm como objetivo contribuir com a ampliação de seu repertório sociocultural, facilitando o 
desenvolvimento de ideias e de argumentos consistentes. Em cada uma delas, há temas potenciais discutidos 
na perspectiva acadêmica. 
Atenção! 
No item 11.16 do edital, que versa sobre a Prova Discursiva, a banca menciona que essa 
consistirá na elaboração de redação com extensão mínima de 20 (vinte) linhas e máxima 
de 30 (trinta) linhas, com base em tema formulado pela Banca Examinadora, primando 
pela clareza, precisão, consistência e concisão (item 11.16.9). A partir desse trecho e dos 
critérios de pontuação estabelecidos no item 11.16.12, parte-se do pressuposto que o 
tema será, provavelmente, uma combinação temática que contemple atualidades e 
educação. Contudo, no item 11.12, a banca menciona temas específicos. Dessa forma, as 
nossas rodadas temáticas irão trabalhar temas de atualidades e de educação. Temas 
específicos, por serem variados e de domínio de cada cargo profissional, não serão 
contemplados, mas fiquem tranquilos: vocês irão estudar esses conteúdos nas disciplinas 
específicas. 
Para completar e enriquecer as nossas aulas, irei disponibilizar videoaulas do meu curso de Ciências Humanas 
para Redação, no qual realizo debates temáticos e apresento conceitos e reflexões de filósofos, sociólogos e 
historiadores. 
O meu objetivo com você são três: 1) contribuir para que você busque a nota máxima, ou chegue o mais perto 
disso; 2) ampliar o seu repertório para pensar a realidade social; e 3) fazer com você tenha orgulho de sua 
produção textual ;) 
Eu sei que você já conhece as "regras do jogo", mas eu quero reforçar algumas que são muito importantes: 
- Aos alunos que optaram pelo pacote com correção, o curso dá direito a 3 correções; 
- Ao final das rodadas temáticas 1, 2 e 3 há propostas de redação – o aluno vai escolher uma 
para enviar. Assim, ao final das 3 rodadas temáticas iniciais, o aluno terá enviado 3 (três) 
redações; 
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- A Equipe de correção só irá corrigir as produções textuais realizadas a partir das propostas 
colocadas por mim no curso. Essas propostas seguem a linha pedagógica adotada em nosso 
curso. 
APRESENTAÇÃO PESSOAL 
Meu nome é Raphael Reis. Sou graduado em História (UFJF), Especialista em Políticas Públicas e Gestão 
Social (UFJF) e Mestre em Sociologia da Educação (UFJF). 
Quanto à atividade de professor, leciono desde 2007 - na área de concursos públicos desde 2016. No mundo 
de concursos tenho destaque nacional nas provas discursivas. 
Sou autor dos seguintes e-books best-sellers: 25 conceitos para usar na redação, 25 modelos de redação no 
estilo Cebraspe, 10 autores coringas mais 10 modelos de redação e 43 modelos de redação no estilo FCC. 
Alguns Depoimentos: em breve, o seu estará aqui ;) 
 
 
Carlos Roberto, Raphael de Oliveira Reis
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 Sigam-me os bons! 
E-mail: magodaredacao@gmail.com 
Instagram: @profraphaelreis 
Telegram: @profrapha 
YouTube: Professor Raphael Reis 
 
 
 
 
 
 
 
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1- A SOCIEDADE E OS INDIVÍDUOS 
Se analisarmos as sociedades tribais (indígenas), as sociedades da antiguidade (grega e romana) e a sociedade 
mediaval vamos perceber que a concepção de indíviduo era associada ao grupo do qual pertencia (família, 
Estado, clã, estamento). 
A ideia de indivíduo como nós a conhecemos, como um ser “livre” e “autônomo”, que busca a sua liberdade, 
começou a ser desenvolvido no século XVI, a partir do Renascimento e da Reforma Protestante. No século 
XVIII, com as ideias iluministas e o desenvolvimento do capitalismo, a concepção de indivíduo e 
individualismo se consolidou através do pensamento liberal (liberalismo), pois coloca a felicidade humana no 
centro. Essa felicidade é entendida como expressão material, isto é, a pessoa ser proprietária de sua 
própria força de trabalho, de propriedades e bens. 
A partir das considerações realizadas há uma separação entre indivíduo e sociedade, no entanto, ambos fazem 
parte de uma mesma “’engrenagem”, já que um influencia o outro por meio das relações sociais: os 
indivíduos formam a sociedade e são formados por ela. O nome sociológico para esse processo é 
conhecido como “socialização”. 
Quando nascemos já encontramos valores, normas, costumes e práticas sociais que independem de nossa 
vontade como, por exemplo: a língua utilizada para se expressar, leis, moeda e hábitos de determinado grupo
social que estamos inseridos, portanto, aquilo que achamos que é individual está ralacionado com o social. 
Veja um exemplo prático: 
Vamos imaginar uma cidade com 500 mil trabalhadores. Se 5 mil estiverem desempregados é um problema 
pessoal, que pode ser resolvido com a qualificação individual de cada um desses trabalhadores. Contudo, se 
tivermos 50 mil desempregados passa a ser uma questão social, porque nesse caso não depende de uma ação 
individual, mas sim política e econômica. 
A História nos mostra vários outros exemplos. A crise econômica de especulação financeira nos E.U.A de 
2008 além de influenciar sua própria sociedade, causou consequências em outros países. Isso foi resultado de 
uma configuração econômica e social criada por decisão de algumas pessoas e instituições, que provocaram 
consequências coletivas. 
Cada indivíduo em seu processo de socialização insere-se e se desenvolve por meio do contato com diversos 
grupos sociais e instituições. Ao conviver com a família, ao ter contato com as pessoas do bairro, ao assistir a 
TV, ao acessar a internet, ao ir à escola e à Igreja, etc., vai se socializando e, com isso, interioriza e exterioriza 
palavras, significados, estilos de vida do grupo social do qual pertence. 
O que isso tudo quer dizer? 
Duas coisas básicas: 1) o indíduo molda a sociedade e é moldada por ela e 2) há formas diferentes de 
socialização, as quais geram oportunidades sociais distintas: nascer e viver numa família pobre e que mora 
numa favela é bem diferente de nascer e viver numa família rica que mora em um condomínio fechado. 
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2 – DIREITOS E CIDADANIA 
Antes de iniciarmos a aula, lá vai uma dica de ouro que pode salvar sua redação: as bancas não gostam de 
argumentos que desrespeitem os direitos humanos, uma vez que o princípio da dignidade humana perpassa 
por toda Constituição Federal de 1988. Eu sei que é um tema que gera debates acalorados, mas é importante 
seguirmos o que dispõe a nossa Lei máxima e ficar por dentro dos debates acadêmicos. 
Nesta aula vamos entender o que são os direitos humanos, sua relação com a cidadania e seu processo de 
construção. 
 O debate sobre direitos humanos e sobre cidadania ocupa lugar de destaque na agenda política e no cotidiano 
de todos nós. Parte da população, a meu ver, sem o exercício da reflexão crítica e influenciada muitas vezes 
pelo senso comum, denomina os direitos humanos como algo de intelectuais de esquerda para proteger 
bandidos, o que revela desconhecimento e reducionismo sobre o assunto. 
A concepção de direitos humanos é vinculada à concepção de cidadania. Ambas fazem referência a uma 
composição de diversos direitos (civis, políticos e sociais), que atendam cada vez mais a todos (mulheres, 
negros, crianças, adolescentes, consumidor, idosos, etc.). 
Tanto os direitos humanos como o conceito de cidadania na concepção supracitada surgem a partir do Estado 
Moderno, principalmente com o Estado de bem-estar social e consolidado no Estado Democrático de Direito, 
ambos de fundamentação no pensamento liberal que defende as liberdades individuais e a igualdade de todos 
perante a lei. Ou seja, podemos desconstruir a ideia de que direitos humanos é uma concepção do pensamento 
de esquerda em sua origem. 
É comum, não somente no Brasil, partidos considerados de esquerda ou de centro-esquerda incorporarem em 
suas lutas a defesa dos direitos humanos, enquanto partidos considerados de direita fizeram uma guinada 
ideológica ao conservadorismo político e/ou religioso, os quais têm dificuldade em aceitar e reconhecer alguns 
dos direitos humanos. 
Outro senso comum é de que os direitos humanos são para defender bandidos ou que não existem direitos para 
os “humanos direitos” – esses bordões são utilizados em programas sensacionalistas de televisão que difundem 
essa ideia. Pelo contrário, os direitos humanos reconhecem a dignidade a todos e a aplicação da Lei a 
todos. Ou seja, para evitar a barbárie, a destruição de um pelo outro, ou de arbitrariedades do próprio 
Estado é que se defende a aplicação do que é disposto no conjunto de leis. 
Alguns podem pensar: “mas se uma pessoa rouba, mata ou estupra, como considerá-lo humano, portador de 
direitos?” Certamente são questões complexas que geram muitos debates. Os direitos humanos como veremos 
vão muito além da questão penal (crimes) e têm como ponto de partida que todos são portadores de direitos. 
Nesses casos, o primeiro impulso é o revide com violência, a raiva e o aniquilamento do outro, isto é, “fazer 
justiça com as próprias mãos”. No entanto, o Estado não pode permitir a barbárie dos cidadãos e de seus 
agentes, muito menos a “correção de um erro com outro”. Deve-se aplicar aquilo que é disposto em seu 
conjunto de leis e nos tratados internacionais nos quais é signatário, cujo objetivo idealizado 
institucionalmente, no caso penal, é a ressocialização daquele que infringiu as regras sociais por mais hediondo 
que um crime seja. 
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Ressalto, os Direitos Humanos vão muito além da questão penal. É uma iniciativa de reconhecer a dignidade 
inerente a todos, evitar a barbárie, promover a igualdade e a liberdade de todos independente de raça, de 
religião e de gênero. 
Em âmbito mundial é com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 1948, que se estende a liberdade 
e a igualdade de direitos a todos, em vários aspectos: econômico, social e cultural. Esses direitos estão acima 
de qualquer poder existente e em caso de violação devem ser punidos. 
A Declaração de 1948 condenou qualquer tipo de escravidão e de tortura, estabeleceu o direito à liberdade de 
expressão e de consciência, o direito de ir e vir e o direito à educação e à cidadania. 
Esse documento é excelente para você citá-lo na introdução ou como fundamentação de algum argumento. 
Conheça os 30 artigos da Declaração Universal dos Direitos 
Humanos de 1948, criada pela Assembleia Geral da Organização 
das Nações Unidas (ONU). 
 Conquistas de direitos e o exercício da cidadania estão associados nas sociedades modernas e democráticas. 
Ao estudar a concepção de cidadania, o sociólogo Thomas Marshall (1893-1981) afirma que cidadania não 
nasce pronta e acabada, mas é uma construção gradativa de novos direitos, conquistados por diferentes 
atores sociais, ao longo da sociedade capitalista. 
 
 
 
 
Marshall valoriza a cidadania como elemento de mudança social. Define 3 tipos de direitos (civis, 
políticos e sociais) que configuram as garantias aos cidadãos – suas reflexões partem do desenvolvimento da 
sociedade inglesa. 
 
 
 
 
 
Para Thomas Marshall, cidadania é a 
conquista de novos direitos 
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Direitos Descrição 
Direitos Civis - XVIII Esse tipo de direito surge no século XVIII. 
Defende as liberdades pessoais de expressão e de culto religioso, o 
direito à propriedade, à liberdade contratual e de Justiça para mediar 
as relações e garantir os direitos. 
Direitos Políticos - XIX Esse tipo de direito aparece no século XIX, com o Estado liberal 
baseado na representatividade. 
São criadas formas de participação política que por meio de 
movimentos sociais se efetivaram no século XIX, com a ampliação 
do direito ao voto por grande parte da população. 
Direitos Sociais - XVIII Esse tipo de direito é resultado das lutas do século XX. 
Visa garantir a uma proteção básica ao cidadão: educação, assistência 
à saúde, transporte coletivo, sistema previdenciário, acesso amplo ao 
sistema judiciário,
etc. 
Os direitos civis, políticos e sociais estão fundamentados no princípio da igualdade, mas não podem ser 
considerados universais – o processo de construção dos mesmos não se deu de forma igual em outros países e 
muitos não têm esse tipo de configuração. 
Como o próprio Marshall disse, cidadania é uma construção que perpassa pela luta e obtenção de novos 
direitos. No final do século XX e início do século XXI podemos perceber que outros direitos estão se 
consolidando, especificamente no que se refere aos consumidores (Código de Defesa do Consumidor), idosos 
(Estatuto do Idoso), crianças e adolescentes (Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA), LGBTTIs 
(reconhecimento em 2011 pelo STF da união de pessoas do mesmo sexo), dos animais (medidas protetivas), 
etc. 
Em resumo, nas sociedades democráticas, cidadão é aquele que tem a garantia dos direitos civis, políticos e 
sociais, cuja construção é constante e inserida em várias disputas. Para o pleno exercício da cidadania é 
importante lembrar que não basta estar no papel, mas sim que seja concretizada de fato e estendida a todos. 
Podemos indagar se esses direitos são de fatos acessíveis e praticados por todos. 
Na sociedade contemporânea, os capitais econômicos, políticos e simbólicos têm distribuição desigual entre 
as pessoas e entre os grupos sociais. Assim, a divisão dos direitos do cidadão em civis, políticos e sociais 
nem sempre dá conta de explicar a dinâmica social. Uma outra forma de pensar a cidadania em sua 
concretude são as concepções de cidadania formal e substantiva. 
A cidadania formal é aquela que é garantida pelas leis, que institui a igualdade das pessoas perante a lei, isto 
é, faculta ao cidadão a luta jurídica pelo reconhecimento de determinados direitos. Isso é importante porque 
evita a tirania e reconhece que todos merecem tratamento igual. Por outro lado, temos a cidadania substantiva, 
qual seja, aquela que vivenciamos no cotidiano, que muitas vezes impede a prática de fato da cidadania. Mostra 
que pode até existir a igualdade jurídica, que também é bastante questionável, mas principalmente aponta as 
diversas desigualdades entre as pessoas em seus direitos básicos como educação de qualidade, acesso à 
moradia e de reconhecimento de suas demandas específicas como acontece com as mulheres, com os negros, 
com as pessoas deficientes e com as pessoas LGBTQA+. 
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Os direitos em sua concretização real (não somente na lei) são vivenciados de formas diferentes, dependendo 
do grupo social pertencente. Um exemplo é o direito clássico de ir e vir. Alguns espaços públicos são 
apropriados por particulares, que impedem a entrada de outras pessoas, como já aconteceu em alguns casos de 
condomínios fechados de proibirem a passagem em determinada via pública, impedindo a circulação livre dos 
cidadãos. Outro exemplo são os magnatas que tentam apropriar parte de algumas praias que perpassam por 
suas mansões, impedindo o acesso de outras pessoas. Assim, temos várias outras situações como os shoppings 
centers que contratam seguranças e vigias que barram qualquer pessoa que aparentemente podem trazer algum 
transtorno, por se apresentarem de forma “não condizente”, isto é, pessoas sem poder de consumo. 
A defesa dos direitos humanos convive com sua violação e muitas vezes um entendimento limitado do que 
realmente são. A diminuição do fosso que há entre aquilo que está previsto (cidadania formal) e aquilo que 
realmente acontece (cidadania substantiva) só será possível à medida em que houver mais debates públicos, 
lutas constantes, fortalecimento das instituições democráticas e atuação dos movimentos sociais. 
Os movimentos sociais têm papel fundamental nesse processo de luta em defesa e conquista de direitos. São 
ações coletivas que visam manter ou mudar determinada situação, podendo ter atuação local, regional, nacional 
ou até internacional. 
E sobre o Brasil, especificamente, o que temos a dizer? 
Refletir sobre os direitos e a cidadania no Brasil é fazer uma reflexão “histórica a contrapelo”. Se na Europa 
de Marshall os direitos foram desenvolvidos na sequência direitos civis, políticos e sociais, no Brasil, segundo 
o historiador e cientista político José Murilo de Carvalho não se desenvolveu assim. Para ele, aqui tivemos 
primeiro os direitos sociais e depois os direitos políticos e civis. 
O Brasil desconheceu por muito tempo a noção liberal de liberdade individual e de igualdade perante a lei. A 
escravidão durou praticamente 4 séculos e os homens considerados livres tinham direitos civis e políticos 
restritos e muitos desses direitos ficavam só no papel. Os coronéis da República Velha (1889-1930) estavam 
acima da lei e ditavam suas influências naquilo que ficou denominado de oligarquia. O direito de ir e vir, a 
inviolabilidade de domicílios e a proteção da integridade física estavam submetidos aos seus mandos. 
Somente em meados da República Velha que começaram algumas conquistas como o direito de organização 
dos trabalhadores de poderem fazer greve, no entanto, aos olhos da oligarquia e dos governantes, a questão 
social e as reivindicações eram uma “questão de polícia”, de repressão. 
Outro fator é a restrição do direito de votar e ser votado, de escolher. O critério censitário e a exigência de 
alfabetização que vieram desde o Brasil Império faziam com que poucos pudessem fazer parte das eleições – 
essas ainda eram controladas pelos coronéis no chamado voto de cabresto, na República Velha. 
Os direitos civis, políticos e sociais praticamente inexistiam no período colonial, imperial e na primeira 
república. A assistência social ficava sob responsabilidade das irmandades religiosas ou de sociedade de 
auxílio mútuo organizadas por pessoas leigas. Essas instituições funcionavam para quem contribuía 
oferecendo empréstimos e garantindo auxílios em caso de doenças. Ou seja, o Estado não se envolvia nessas 
questões. 
Os direitos dos trabalhadores, que ganharam muita força nas cidades industrializadas como nas capitais do Rio 
de Janeiro e São Paulo, mesmo quando previstos não eram respeitados. As autoridades faziam vistas grossas, 
como foi o caso da regulamentação da mão de obra infantil (1891) e do direito às férias (1926). No campo, as 
condições ainda eram piores. Os trabalhadores rurais eram totalmente dependentes dos proprietários desde sua 
alimentação a um remédio, numa relação paternalista. 
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Embora previsto na Constituição Monarquista de 1824 a educação primária como obrigação do Estado nunca 
foi efetivada. Depois, com a Constituição Republicana de 1891, essa obrigação foi retirada e deixada para ser 
uma questão particular. Para se ter uma ideia, o Estado só se comprometeu com a educação obrigatória do 
ensino básico (o que hoje equivale o ensino fundamental) no período da Ditadura Militar, em 1971. Nesse 
contexto, precisava de mão de obra para o desenvolvimento da indústria. Não é à toa que nosso país encontra 
ainda hoje vários desafios educacionais como o alto índice de analfabetismo funcional. 
De 1930 a 1985, os direitos civis e os direitos políticos variaram bastante, sendo alguns restritos e outros 
abolidos. Na Constituição de 1946 houve avanços nos direitos políticos, com a extensão do voto tanto para 
homens como para mulheres maiores de 18 anos (excluídos os analfabetos), o que fez o nível de participação 
aumentar: em 1945 era de 13,4% da população. Em 1950 era de 15,9% e em 1960 de 18%. Embora baixo, a 
participação estava crescendo. 
Os direitos sociais tiveram certa evolução, embora sempre controlados e supervisionados pelo Estado. Essa 
configuração fez o sociólogo
Wanderley Guilherme dos Santos chamar de “cidadania regulada”, isto é, uma 
cidadania restrita e sempre vigiada pelo Estado, do ponto de vista legal e/ou policial. 
Em plena a Ditadura do Estado Novo (1937-1945), alguns direitos sociais foram implementados, como a 
criação do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio e com a Consolidação das Leis do Trabalho (1943), 
que estabeleceu um grande marco e, atualmente, está passando por modificações. Dentre as conquistas foi 
estabelecida a jornada de 8 horas diárias, a regulamentação do trabalho feminino e infantil, férias remuneradas 
e salário mínimo. 
Para garantir o que dispunha a CLT foi montada uma estrutura jurídica (Justiça do Trabalho), sindical e 
previdenciária (Instituto de Aposentadorias e Pensões). Nessa fase, os sindicatos ficaram sob a tutela do 
Estado, senão não eram reconhecidos e poderiam perder as proteções do Estado. Assim, acabavam perdendo 
a liberdade em agir de forma crítica e reivindicatória. 
No período da Ditadura Civil-Militar (1964-1985), os direitos civis e políticos foram restringidos. Através 
dos Atos Institucionais tornavam lei a falta de direitos, portanto podemos concluir que lei nem sempre 
corresponde a direitos, à justiça. 
A partir de 1978, no Governo Geisel, começou a abertura lenta e gradual. Foi votado o fim do AI-5 e, em 
1979, foi sancionada a Lei de Anistia, que permitiu a volta dos brasileiros exilados. 
Se no período da Ditadura Civil-Militar, os direitos civis e políticos foram extintos, alguns direitos sociais 
foram criados para transparecer um mínimo de cidadania para as autoridades internacionais. Foi implementado 
o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), que abrangeu o trabalhador rural, os empregados 
domésticos e os trabalhadores autônomos. Foi nesse contexto que se criou o regime próprio para o 
funcionalismo público. Estabeleceram como obrigatoriedade do Estado a garantia do ensino básico de 8 anos 
e incentivou a compra da casa própria pela população de baixa renda, através de crédito facilitado. 
Na redemocratização, pós 1985, pela primeira vez na História de nosso país, os direitos civis, 
políticos e sociais foram garantidos e estendidos a todos em Lei, com a Constituição de 1988. 
Esses direitos humanos estão acima dos governos e legalmente definidos. 
 
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3. URBANIZAÇÃO E MOBILIDADE URBANA 
Os temas Urbanização e Mobilidade Urbana são complementares. Primeiro vamos analisar o processo de 
urbanização e depois vamos focar na mobilidade urbana. Ambos temas já apareceram em várias provas 
discursivas, portanto, todo o cuidado é pouco! 
O filósofo Aristóteles conferia à cidade certo destaque em suas reflexões. Para ele, não era possível pensar o 
ser humano deslocado ou dissociado da ideia de cidade. Lembrando que para esse filósofo, o ser humano é 
um animal político e social. Isto é, vive em sociedade e estabelece relações entre si. 
Em sua etimologia, cidade vem de pólis que está associada à ideia de política e cidadania. Ora, então já 
podemos estabelecer um pressuposto importante, qual seja: há uma relação intrínseca entre políticas 
urbanas e cidadania e, por conseguinte, à qualidade de vida das pessoas. 
 
 
As palavras cidadania e qualidade de vida são palavras-chave que podem ser aplicadas em 
praticamente todas as redações e temas. 
Diferente da época de Aristóteles, as cidades passaram a ter maior importância e preponderância a partir do 
século XVIII. Isso não é à toa. É justamente nesse século que temos a 1ª Revolução Industrial (a partir de 
1750), que juntamente com a Revolução Francesa (1789-1799), vai dar forma àquilo que ficou cunhado como 
Idade Contemporânea. 
A Revolução Industrial iniciada na Inglaterra produziu um primeiro efeito: uma migração da população 
campesina para os centros urbanos que surgiam, em busca de empregos e melhores condições de vida. 
De lá para cá, o processo de urbanização se intensificou em escala mundial – atualmente está num ritmo 
acelerado. Segundo dados da ONU (2015) já somos mais de 7,2 bilhões de habitantes e a maioria vive nas 
cidades. 
Esse rápido crescimento tem colocado desafios na agenda política e são objetos de estudo de diversos 
especialistas. 
A 3ª Conferência da ONU sobre “Moradia e Desenvolvimento Urbano Sustentável”, realizada em 2015, 
preocupou-se em discutir como enfrentar as desigualdades sociais e a pobreza. Chegaram a 17 ações, cujos 
país signatários deveriam implementar nos próximos 20 anos. 
Essas ações direcionam o debate para o Direito à Cidade. 
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Guarde isso! 
A expressão DIREITO À CIDADE precisa aparecer na sua redação se o tema for 
urbanização ou mobilidade urbana! 
Quando falamos em direito à cidade, isto quer dizer que é preciso pensar como garantir à população uma 
melhor qualidade de vida por meio da apropriação da riqueza gerada, dos bens e serviços produzidos, acesso 
aos bens patrimoniais e culturais. Essa preocupação advém do fato de que cada vez mais a sociedade está 
desigual nos aspectos econômicos, simbólicos e culturais. Poucas pessoas conseguem se apropriar desses 
direitos, o que leva a uma segregação socioespacial intensificada pelo aceleramento da urbanização. 
O impacto da segregação socioespacial é visível, principalmente na vida daquelas pessoas da camada popular 
que habitam regiões periféricas na cidade. Precisam, por exemplo, fazer grandes deslocamentos para trabalhar 
e estudar, perdendo tempo considerável de seu dia. Ademais, há um aumento dos custos e piores condições na 
qualidade de vida. 
A tendência é que muitas regiões fiquem sem equipamentos e serviços públicos essenciais como linhas de 
transporte coletivo, postos de saúde, escolas, creches, etc. que não conseguem crescer na mesma proporção da 
demanda. Além disso, o acesso aos bens patrimoniais, turísticos e culturais da cidade ficam distantes dos 
bairros periféricos, o que fere o direito à cidade. 
Um caso emblemático são as políticas habitacionais como, por exemplo, o programa “Minha casa, Minha 
Vida”. É uma política pública, ao meu ver, muito importante que pretende diminuir o déficit habitacional, que 
é muito alto no Brasil (segundo dados recentes da Fundação João Pinheiro há um déficit de mais de 6 milhões 
de residências e cerca de 12 milhões de domicílios encontram-se inadequados para se viver no Brasil). Por 
outro lado, as construções do “Minha Casa, Minha Vida” são realizadas, geralmente, em bairros mais distantes 
do centro da cidade e não há um planejamento prévio dos municípios em ofertar às regiões que receberam ou 
recebem o programa mencionado. Assim, nessas regiões, a população carece de escolas e creches próximas à 
residência; muitas vezes não há postos de saúde, o que faz com que se recorra a outros bairros, congestionando 
a rede de atendimento; os horários das linhas do transporte coletivo são precários; e a segurança dos moradores 
se torna também uma problemática – muitos conjuntos habitacionais são invadidos e viraram pontos do tráfico 
de drogas. 
Outros dois efeitos da segregação socioespacial são a gentrificação e a construção de condomínios fechados, 
que atendem à demanda de segurança da classe média tradicional e da elite econômica. 
A gentrificação é um processo de valorização (especulação) imobiliária de uma região que leva à expulsão 
das famílias de renda mais baixa. Vou dar um exemplo concreto que aconteceu na minha cidade (Juiz de 
Fora/MG), mas que com certeza você vai identificar situação semelhante em outras cidades de médio e grande 
porte. Aqui temos um bairro chamado Dom Bosco. Ele possui uma população próxima a 18 mil habitantes 
que
é formada, em sua maioria, por pessoas negras, de baixa escolaridade e menor poder aquisitivo. A partir 
de 2005, a região passou por uma intensa especulação imobiliária, tendo como marco a instalação de um 
shopping center e a retirada de um dos espaços de lazer dos moradores (um campo de futebol de terra, que 
deu espaço a uma área verde que fica em frente ao shopping). Em seguida foram construídas outras obras: um 
hospital privado, prédios comerciais, hotéis, faculdade particular, etc. Isso fez com que os aluguéis e os 
produtos aumentassem, expulsando parte da população do bairro e fazendo com que outra parte literalmente 
subisse o morro, no que ficou conhecido como “chapadão”. Neste, não há redes de esgoto, não há coleta 
seletiva, muito menos transporte público. 
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Já os condomínios fechados têm sido a “vedete” das construtoras que realizam empreendimentos para a classe 
A. São formas de isolar determinado espaço do contato exterior “violento”, para garantir a segurança de seus 
moradores. É comum disponibilizarem dentro dos condomínios uma rede de serviços como segurança privada, 
academia de ginástica, espaço de lazer, ou seja, há uma intensificação da separação de classes sociais ou grupos 
sociais no espaço geográfico das cidades. 
Desafios da Urbanização: 
Econômicos Ambientais Sociais 
Uma vez que há uma 
migração para os centros 
urbanos, a economia formal 
apresenta dificuldades para 
absorver a força de trabalho, 
o que faz com que pessoas 
pobres e de menos 
qualificação encontre na 
economia informal sua 
sobrevivência. Isso sem 
nenhuma garantia 
trabalhista ou proteção 
social. 
A poluição, os constantes 
congestionamentos, a falta de 
saneamento básico são 
problemas dos países menos 
desenvolvidos 
economicamente; 
Como há uma alta taxa de 
migração interna, como 
acontece, por exemplo, no 
Brasil, de pessoas do Norte e 
Nordeste para o Sudeste, em 
busca de melhores condições de 
vida somado a outros fatores de 
exclusão, aumentam as áreas 
“subnormais”, isto é, o processo 
de “favelização”. São áreas sem 
regulamentação, sem 
planejamento habitacional e 
com ausência de serviços 
básicos: coleta de lixo, 
iluminação, saneamento básico, 
etc; 
Com o aceleramento da 
urbanização os recursos naturais 
têm sido exauridos e coloca-se 
em debate a sustentabilidade. 
Sustentabilidade essa que, 
segundo Bauman, não se 
preocupa com o meio-ambiente 
em si, mas com a continuidade 
de uma sociedade capaz de 
produzir sempre para o 
consumo. 
A pobreza tem sido discutida 
frequentemente pelos 
organismos internacionais, 
uma vez que é um problema 
crônico do sistema 
capitalista e de difícil 
amenização; 
Os serviços públicos não 
conseguem satisfazer as 
demandas para o 
atendimento de saúde, 
emprego, planejamento 
familiar, educação. 
Outra característica de nossa atualidade são as megacidades (população superior a 10 milhões de pessoas). 
Aliás, 12% da população mundial já vive em uma megacidade – as cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro 
são megacidades. Alguma delas como as de Tóquio, Nova York e Londres além de serem megacidades são 
consideradas também como cidades globais, uma vez que reúnem um complexo financeiro, de serviços 
(principalmente consultoria especializada), tecnológico e cultural que influenciam outras cidades. 
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Nessa era de globalização, uma outra preocupação da agenda internacional é com a sustentabilidade e com a 
governança. Nesse cenário, surgem as “cidades inteligentes” (smart cities), que são sistemas de pessoas 
interagindo e usando energia, materiais, serviços e financiamento para catalisar o desenvolvimento econômico 
e a melhoria na qualidade de vida. Para isso, a ideia de cidades inteligentes está estruturada em dois eixos 
principais: 
- uso estratégico de informação e comunicação na gestão urbana; 
- desenvolvimento sustentável e uso de soluções tecnológicas. 
As mais famosas smart cities são: Songdo (Coreia do Sul), que produziu novas alternativas para a mobilidade 
urbana como os táxis aquáticos, espaços verdes e sistema pneumático de gestão de resíduos); Copenhague 
(Dinamarca), que além de seus deliciosos chocolates rsrs baliza-se pelo conceito de carbono zero, criando uma 
infraestrutura para o uso de bicicletas como o principal meio de transporte; e Santa Ana (E.U.A), que tem um 
sistema de água reutilizável, inclusive a do vaso sanitário. 
No que se refere à governança das cidades, a administração pública municipal ganha destaque, principalmente 
a liderança de prefeitos. Isso porque os Estados-Nações cada vez mais mostram incapazes de lidar com as 
tendências globais e transferem aos municípios várias responsabilidades na chamada política de 
descentralização ou municipalização. Nesse sentido, para muitos especialistas como Manuel Castells, “as 
cidades globais tendem a resolver problemas econômicos e socioculturais de maneira muito mais efetiva”. 
À medida em que as cidades assumem uma nova importância no sistema global, o papel dos prefeitos muda. 
Ganham destaque e podem ser agentes capazes de mobilizarem agendas urbanas e melhorar o perfil 
internacional da cidade. As cidades de Lisboa e Barcelona, que se tornaram exemplo de centros urbanos bem 
planejados, é um indicativo da importância dos prefeitos nesse novo cenário globalizado, porque foram eles 
que lideraram os debates, as alternativas e a busca de financiamento. 
Por fim, destaco a relação entre esporte e revitalização urbana. Eventos mundiais como as Olimpíadas e a 
Copa do Mundo tendem a impulsionar mudanças urbanas nos países que vão sediá-los. Um bom exemplo foi 
a cidade de Londres quando sediou as Olimpíadas em 2012. Lá, conseguiram regenerar em torno de 500 acres 
de terra em regiões pobres (Zona Leste de Londres), trazendo melhorias de serviços, de transporte e empregos. 
Por outro lado, mesmo que o esporte tende a impulsionar a revitalização urbana, isso nem sempre gera 
consequências positivas. As Olimpíadas (2016) e a Copa do Mundo (2014) no Brasil mostraram que não 
ocorreram as mudanças urbanas esperadas: não existiram mudanças significativas na mobilidade urbana, 
muitas obras viraram “elefantes brancos”, casos de superfaturamento e aumento do déficit do orçamento 
público em diversas cidades e estados. 
 
Por fim, sintetizo aqui nossas reflexões sobre urbanização com as palavras do sociólogo Anthony Giddens: 
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“Assim como a globalização, a urbanização tem dois lados e é contraditória. Ela tem efeitos criativos e 
destrutivos sobre as cidades. Por um lado, permite a concentração de pessoas, bens, serviços e oportunidades, 
mas, ao mesmo tempo, fragmenta e enfraquece a coerência dos lugares, tradições e redes existentes”. 
 
 
Principais Leis que norteiam as políticas urbanas no Brasil: 
As principais leis que regulamentam a política urbana no Brasil são: o Estatuto da Cidade, o Plano Diretor e a 
Lei de Uso e Ocupação do Solo. 
O Estatuto da Cidade é uma legislação federal que norteia normas de ordem pública e de interesse social, 
regulamentando o uso da propriedade em prol do bem coletivo, da segurança e do bem-estar dos cidadãos, 
bem como o equilíbrio ambiental. 
Já o Plano Diretor, é aplicado nos estados e nos municípios. É o instrumento básico da política urbana e 
do planejamento estratégico, visando à qualidade de vida e um estudo aprofundado sobre o estado ou a 
cidade, apontando os seus limites, o que é preciso fazer
nos próximos anos (geralmente é válido por 10 anos) 
e onde e como as cidades podem crescer. Avalia também os impactos de vizinhança e ambiental, devido aos 
grandes empreendimentos previstos. 
Por último, temos a Lei de Uso e Ocupação do Solo, que é uma legislação de âmbito municipal. Ela precisa 
seguir os princípios do Estatuto da Cidade e estar de acordo com o previsto no Plano Diretor. Estabelece 
critérios e parâmetros de uso e ocupação do solo, isto é, o que pode ser construído, em quais condições e onde. 
Portanto, é uma forma de controlar o crescimento urbano e prever a necessidade de novos equipamentos 
públicos. 
3. 1 Mobilidade Urbana 
A mobilidade urbana está na agenda pública há bastante tempo, afinal, um dos maiores desafios das cidades 
de médio e grande porte são as políticas urbanas, especificamente, o planejamento da mobilidade urbana. 
É válido ressaltar as famosas “Manifestações de Junho” de 2013. Começaram com uma demanda bem 
específica que envolve a mobilidade urbana: protestos contra o aumento da passagem na cidade de São Paulo, 
reivindicações para a melhoria do transporte coletivo e passe livre estudantil. Por tudo isso, é um tema sempre 
potencial, que pode ser cobrado na prova discursiva. 
 
De forma bem sucinta, mobilidade urbana são as condições de deslocamento da população no espaço 
geográfico das cidades. 
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Quando falamos de cidade, podemos lembrar dos seguintes filósofos: Sócrates, Platão e Aristóteles. Para eles, 
felicidade está relacionada ao bem comum dos cidadãos. Nessa perspectiva e associado ao contexto social 
em que vivemos, o transporte coletivo deve se sobrepor ao transporte individual, visando à cidade como 
um espaço de todos, compartilhado e democrático. Assim, mobilidade urbana não é só o fluir do trânsito e 
o deslocamento da população, mas, sobretudo, um espaço de convivência democrática com os diversos 
tipos de locomoção, incluindo pessoas com deficiência e priorizando a segurança dos pedestres. 
Como são feitos os deslocamentos da população nas cidades: 
Transporte Individual Transporte Coletivo 
Carro Ônibus 
Moto Metrô 
Bicicleta Táxi 
Skate* Uber** 
A pé BRT 
Uber** VLT 
Veja que podemos separar os deslocamentos em dois principais grupos: transporte individual e transporte 
coletivo. 
Uma curiosidade é que o skate foi considerado em algumas cidades como um meio de transporte e passou por 
regulamentação. Já o sistema do aplicativo Uber tem trazido muitos debates e ainda estão em abertas muitas 
questões: é um transporte individual ou coletivo? Há críticas dos sindicatos de taxistas que defendem que o 
Uber é uma concorrência desleal, porque não paga os mesmos impostos que os táxis, não passam por vistorias 
e saturam o mercado. Outra crítica é a precarização do trabalho porque nesse sistema não há vínculo 
empregatício e nenhuma proteção trabalhista. 
Pensar a mobilidade urbana como ressaltamos é também pensar a inclusão. Como as pessoas com 
deficiência (cadeirantes, cegos, surdos) ou com mobilidade reduzida podem ter uma cidade que permita um 
deslocamento mais seguro e inclusivo? 
Outros desafios: diminuir o congestionamento e a poluição; evitar e controlar o adensamento urbano 
(ocupação intensa e desordenada do solo); garantir transporte público mais rápido, confortável e com preço 
justo; e criar infraestrutura por meio de planejamento exequível. 
 
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4. A GESTÃO ESCOLAR COMO PROMOTORA DO SUCESSO 
Os debates sobre o que faz a diferença no desempenho escolar do aluno (sucesso ou fracasso) iniciam na 
década de 1950. Certamente, é a partir da publicação do famoso Relatório Coleman, em 1966, que as 
discussões vão esquentar. 
A partir de uma pesquisa de larga escala, contemplando uma amostra de 645 mil alunos, os resultados do 
Relatório não fram nada animadores: os fatores externos à escola eram determinantes no desempenho escolar. 
Aspectos socioeconômicos (origem social do aluno) e pertencimento a determinados grupos étnicos (minoria) 
faziam diferença no desempenho escolar. Assim, os fatores intraescolares tiveram pouco impacto. 
No mesmo sentido do Relatório Coleman, o Relatório Plowden (Inglaterra) e a pesquisa seriada I.N.E.D 
(França), divulgadas nas décadas de 1960 e 1970, reforçaram as diferenças de desempenho escolar dos alunos, 
que estavam maciçamente relacionados às suas origens sociais do que às diferenças pedagógicas. 
Porém, ainda na década de 1970, diversos pesquisadores ficaram incomodados com os resultados, afinal, como 
assim as questões pedagógicas não tinham relevância nenhuma no desempenho do aluno... Então, o foco das 
pesquisas mudou: como explicar resultados distintos em escolas com o mesmo perfil de aluno (origem social)? 
A partir disso, os resultados apontaram que a escola (as questões pedagógicas) impacta no desempenho escolar, 
uma vez que havia escolas que promoviam sucesso escolar mesmo com alunos de origem social desfavorecida. 
Se há essas escolas, quais são suas características que promovem o sucesso escolar? 
De acordo com as pesquisas de Sammons, Hillman e Mortimore (1995), é um conjunto de características: 
liderança profissional do diretor, colaboração entre os atores da educação envolvidos no processo de ensino-
aprendizagem, um ambiente propício de aprendizagem, ensino com propósitos definidos, altas expectativas 
entre a equipe pedagógica, reforço positivo, monitoramento do progresso, direitos e deveres dos alunos bem 
estabelecidos, relação família-escola e organização orientada à aprendizagem. 
No caso brasileiro, o Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB), pesquisa de larga escala aplicada 
desde 1990, reforça que as condições físicas (infraestrutura) e ambiente escolar influenciam na proficiência 
dos alunos. Ademais, aponta que a liderança pedagógica dos diretores é essencial à escola eficaz, ou seja, 
quando as atividades pedagógicas se sobrepõem às questões administrativas. 
Mas, afinal, o que significa o conceito de gestão eficaz? 
As pesquisas mais recentes mostram que o conceito de gestão eficaz está relacionado ao papel central da 
direção voltada à dimensão pedagógica da gestão. Nesse sentido, a liderança de diretores atuantes impacta 
indiretamente e por caminhos diversos o rendimento dos alunos. Outro ponto chave das escolas eficazes são 
os meios que os diretores dessas escolas utilizam, podendo ser resumido nos seguintes aspectos: 
1- Capacidade de compartilhar autoridade e responsabilidades, aumentando a 
participação dos professores na tomada de decisões; 
2- Acompanhamento sistemático e pessoal das atividades escolares; 
3- Capacidade de estabelecer metas e prioridades claras e factíveis para a escola; 
4- Concepção sistémica de todos os envolvidos no ensino-aprendizagem; 
5- Preocupação preponderante dos aspectos pedagógicos; 
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6 - Capacidade de envolver e mobilizar a comunidade escolar, principalmente os pais. 
Portanto, esses seis elementos combinados da gestão eficaz geram comportamentos e valores que contribuem 
para as interações de todos os envolvidos na melhoria do ensino. 
Referências: 
BOMAMINO, A. & FRANCO, C. A pesquisa em eficácia escolar no Brasil. In: Educação on-line. Rio de 
Janeiro, PUC-Rio, 2005. 
SAMMONS, P.; HILLMAN, J. e MORTIMORE, P. Key Characteristics of Effective Schools: A Review of 
School Effectiveness Research. London: Office for Standards in Education [OFSTED], 1995. SLAVIN, R. 
Salas de aula eficazes, escolas eficazes: uma base para a reforma
da educação na América Latina. Rio de 
Janeiro: Preal, 1996. 
5. PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO 
De acordo com Saviani (1983), a escola deve proporcionar aos seus atores a vivência da cidadania, propondo 
pedagogia crítica e emancipatória. Dessa forma, há uma resistência e combate às discriminações e ao 
sucateamento da educação pública. 
Nesse sentido, o desafio em transformar a escola em espaço de cidadania, faz com que as escolas públicas 
procurem em suas práticas democráticas a educação igualitária para todos, construindo projeto coletivo capaz 
de integrar e incluir. 
Pelos primeiros temas, já ficou claro que o debate sobre gestão democrática é central nas discussões 
acadêmicas, isto é, a forma como a escola concebe, executa e avalia o seu trabalho, envolvendo a comunidade 
escolar nesse processo. Certamente, o alicerce para isso tudo é o famoso Projeto Político-Pedagógico (PPP). 
Ele possui três dimensões: o político se refere ao compromisso com a formação do cidadão para um 
determinado tipo de sociedade que se quer; pedagógico porque é necessário definir ações educativas e as 
características necessárias às escolas de cumprirem seus propósitos; e o projeto faz referência ao planejamento 
coletivo que unirá os aspectos políticos e pedagógicos para atender os compromissos da escola e os interesses 
coletivos da população. 
Nessa perspectiva, o projeto político-pedagógico é responsável pela organização e integração do trabalho 
escolar, portanto, é um instrumento que busca nortear as ações da direção. Além disso, o PPP é o documento 
que dá identidade à escola, por isso, não pode ser delegado a terceiros, e sim realizado por todos que fazem 
parte da comunidade escolar. 
Os artigos 12, 13 e 14 da LDB de 9394/96 normatizam o PPP, estabelecendo que cabe as escolas elaborar e 
executar sua proposta pedagógica em articulação com as famílias e a comunidade. Ademais, é enfática ao 
ressaltar a participação dos professores e seu respectivo compromisso em elaborar e cumprir plano de trabalho 
de acordo com o PPP da escola. 
Dessa forma, o PPP é uma exigência legal regulamentada pela LDB, porém, sabemos que as leis não se 
concretizam por vontade própria, sendo necessário a participação de pessoas de carne e osso para 
materializarem os mecanismos legais. 
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A importância desse dispositivo legal pode ser percebida em diversos fatores: possibilita a escola conceber, 
implementar e avaliar o seu próprio trabalho, evitando assim a improvisação e o senso comum. Ademais, ao 
mesmo tempo em que é um dever, é um direito, porque envolve autonomia e participação. 
Para atingir a função educativa, isto é, o sucesso dos alunos na aprendizagem, é necessário que o PPP leve em 
consideração a questão pedagógica, administrativa, financeira e jurídica, as quais são interdependentes. 
Dimensões Principais características 
Pedagógica Ações desenvolvidas dentro e fora da escola 
perpassando pela gestão, currículo e relação família-
escola. 
Administrativa Organização de atividades de gerenciamento da 
equipe de funcionários, do patrimônio, da merenda e 
de registros legais (matrícula, frequência, notas, etc.) 
Financeira Captação e aplicação de recursos financeiros, bem 
como a prestação de contas. 
Jurídica Retrata a legalidades das ações e a formalidade com 
as demais instâncias educativas. 
Conforme Veiga (1999), o PPP deve explicitar os seguintes princípios norteadores: relação família-escola, 
gestão democrática, democratização do acesso e da permanência do aluno na escola, autonomia, organização 
curricular, qualidade de ensino e valorização dos profissionais da educação. 
Para dar materialidade ao PPP, segundo Marçal e Sousa (2001), faz-se necessário realizar diagnóstico da 
realidade escolar, levantamento das concepções do coletivo da escola e definir as estratégias e pessoas que 
irão executar as ações planejadas. 
Cabe ressaltar que embora o PPP seja uma construção coletiva, não exime a equipe gestora de cumprir papel 
importante em seu processo de concepção, implementação e avaliação. O gestor deve mobilizar as pessoas a 
fim de esclarecer as etapas do processo, as funções de cada um e a busca do consenso. 
No momento do diagnóstico é preciso pensar como é a escola, a partir da identificação e caracterização, 
especificando onde ela está inserida geograficamente, o seu capital humano, o seu capital material. Já no 
momento de levantar as concepções do coletivo acerca do trabalho pedagógico, é importante saber a identidade 
que a escola quer construir, perpassando pelas ideias de cidadania, mecanismo de participação, concepção 
curricular, visão de avaliação, relação com a comunidade. Por último, o momento de definir ações e funções 
aos responsáveis é preciso montar planejamento factível com a realidade, especificando prazos e objetivos a 
serem alcançados. 
Referências: 
MARÇAL, J. & SOUSA, J. Como construir coletivamente o projeto político pedagógico da escola? CONSED, 
2001. 
SAVIANI, D. LDB: trajetória, limites e perspectivas. Autores Associados, 1998. 
VEIGA, I. Projeto político-pedagógico: uma construção possível. Papirus, 1999. 
 
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PROPOSTA DE REDAÇÃO 01: 
A IMPORTÂNCIA DO PPP PARA FORTALECER CONSTRUÇÕES 
COLETIVAS NO ESPAÇO ESCOLAR 
Texto Motivador: 
O Projeto Político Pedagógico, ou PPP, é um documento que garante a autonomia para as instituições de ensino 
em relação à proposta de orientação de suas práticas educacionais, estabelecendo os objetivos do ambiente 
educacional, podendo incluir desde a proposta curricular até a gestão administrativa no mesmo. 
Fonte: https://uniamerica.br/blog/o-que-e-projeto-politico-pedagogico 
Considerando que o texto anteriormente apresentado tem caráter unicamente motivador, redija um texto 
dissertativo acerca do seguinte tema. 
A importância do PPP para fortalecer construções coletivas no espaço escolar 
Ao elaborar seu texto, aborde os seguintes aspectos: 
1 O que é o PPP e sua importância. 
2 A relação do PPP com as construções coletivas. 
3. Ações para envolver a comunidade escolar na construção do PPP. 
PROPOSTA DE REDAÇÃO 02: 
CULTURA E CIDADANIA 
Textos Motivadores: 
Art. 215. O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura 
nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais. 
§ 1.º O Estado protegerá as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras, e das de outros 
grupos participantes do processo civilizatório nacional. Brasil. Constituição da República Federativa do Brasil. 
Brasília - DF: Senado Federal, 1988. 
Os direitos culturais protegem o potencial que cada pessoa possui — individualmente, em comunidade com 
outros e como grupo de pessoas — para desenvolver e expressar sua humanidade e visão de mundo, os 
significados que atribui a sua experiência e a maneira como o faz. Os direitos culturais podem ser considerados 
como algo que protege o acesso ao patrimônio e aos recursos culturais que permitem ocorrência desses 
processos de identificação e de desenvolvimento. 
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Entrevista com Farida Shaheed, da ONU. In: Revista Observatório Itaú Cultural, n.º 11, jan.-abr./2011 (com 
adaptações). 
Integrar os direitos culturais ao rol de direitos humanos — ou seja, considerá-los direitos inerentes ao ser 
humano — traz consequências importantes ao tratamento desses direitos, que não podem, por exemplo, sofrer 
nenhum tipo de distinção de raça, cor,
sexo, língua, religião, opinião política, origem social ou nacional ou 
condição de nascimento ou riqueza. Tais direitos incorporam, ainda, outras características dos direitos 
humanos: são fundados no respeito pela dignidade e no valor de cada pessoa; são universais, ou seja, são 
aplicados de forma igual e sem discriminação a todas as pessoas; são inalienáveis, de modo que ninguém pode 
ser privado de seus direitos humanos (apesar de eles poderem ser limitados em situações específicas); são 
indivisíveis, inter-relacionados e interdependentes, já que não é suficiente respeitar apenas parte dos direitos 
humanos; e devem ser vistos como de igual importância entre si. 
Nicolas Allen. Os direitos culturais como direitos humanos: breve sistematização de tratados internacionais. 
Internet: (com adaptações). 
Considerando que os fragmentos de textos apresentados anteriormente têm caráter unicamente motivador, 
redija um texto dissertativo abordando: 
A importância da cultura para o pleno exercício da cidadania 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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PADRÃO DE RESPOSTA DA PROPOSTA 01 
No primeiro parágrafo (introdução), o candidato deve apresentar o tema de forma a relacionar as palavras-
chaves dos três tópicos. 
 
No segundo parágrafo, deve ser apresentado a definição de PPP e sua importância no contexto escolar. 
 
No terceiro parágrafo, deve apresentar a importância do PPP para fortalecer construções coletivas no espaço 
escolar. Como referência, o candidato pode indicar que o PPP atende aos princípios democráticos 
constitucionais e que fortalece o princípio da gestão democrática. 
 
No quarto parágrafo, o aluno deve desenvolver duas ações concretas de como a direção pedagógica pode 
envolver a comunidade na construção do PPP. 
PADRÃO DE RESPOSTA DA PROPOSTA 02 
No primeiro parágrafo (introdução), o candidato deve apresentar o tema e a tese (posicionamento). 
 
Algumas possibilidades argumentativas: 
 
No segundo parágrafo, o candidato deve mostrar que a cultura é parte integrante do ser humano, portanto deve 
ser garantida pelo Estado. 
 
No terceiro parágrafo, o aluno deve partir do pressuposto de que a cultura é um direito, logo é essencial ao 
exercício da cidadania. 
 
No quarto parágrafo, o candidato deve mostrar que garantir a cultura e estimular sua preservação é uma 
atribuição do Estado. 
 
Modelo de Redação: 
A palavra “cultura” vem do latim e significa “cultivo”. Antes ligado às 
plantações, o termo define atualmente um outro tipo de cultivo, no qual se desenvolvem os 
seres humanos. O papel do patrimônio coletivo para a formação da subjetividade é imenso, 
além de o contato com esse bem ser condição necessária à cidadania. Por isso, o Estado é 
responsável por garantir o acesso de todos às muitas faces da diversidade brasileira. 
 Em primeiro plano, é essencial destacar o papel central da cultura para a formação do 
ser humano. Nesse sentido, o complexo sistema de crenças, valores simbólicos, tradições, 
rituais e manifestações artísticas no interior do qual o sujeito se torna membro da sociedade 
marca sua subjetividade de maneira indelével. Assim, é possível afirmar que o pleno gozo 
do direito de ter acesso a sua própria cultura é imperioso para a integralidade de sua 
formação. 
 Em segundo plano, a prerrogativa de ter acesso à cultura é parte irrevogável da 
condição de cidadania. Isso se dá, pois o cidadão é aquele que experimenta o usufruto dos 
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seus direitos previstos em lei, como a possibilidade de preservar e vivenciar o patrimônio 
material e imaterial coletivo. Ademais, somente alguém que participa da cultura pode sentir-
se plenamente pertencente à nação e, portanto, cidadão. 
 Logo, o Estado deve ser fomentador das práticas culturais para oferecer o pleno gozo 
dos direitos inalienáveis ao indivíduo por meio do acesso generalizado à cultura. Para isso, 
devem ser organizados grupos de estudo e fomento, espalhados pelas diversas regiões do 
Brasil, que buscarão mapear e motivar a prática cultural, ampliando o acesso ao nosso 
patrimônio comum. Além disso, as redes estatais de televisão deveriam ter programas que 
apresentassem aspectos da grande diversidade cultural brasileira. 
 
 
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