Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

<p>Aula 06 - Prof. Raphael</p><p>Reis</p><p>IFBA (Técnico Administrativo) Redação -</p><p>2022 (Pós-Edital) Sem Correção</p><p>Autor:</p><p>Carlos Roberto, Raphael de</p><p>Oliveira Reis</p><p>05 de Setembro de 2022</p><p>00306390507 - Thiago munekata</p><p>Sumário</p><p>5. As relações sociais no mundo do trabalho ................................................................................................ 2</p><p>3.1 O Trabalho Escravo Contemporâneo .................................................................................................. 7</p><p>6. Urbanização e Mobilidade Urbana .......................................................................................................... 10</p><p>6. 1 Mobilidade Urbana ........................................................................................................................... 15</p><p>7. Conflitos Migratórios .............................................................................................................................. 17</p><p>Proposta de redação 02: Espaço urbano e o direito à cidade ...................................................................... 21</p><p>Padrão de resposta da 2ª proposta: espaço Urbano e Direito à cidade ....................................................... 22</p><p>Modelo de Redação .................................................................................................................................... 23</p><p>Carlos Roberto, Raphael de Oliveira Reis</p><p>Aula 06 - Prof. Raphael Reis</p><p>IFBA (Técnico Administrativo) Redação - 2022 (Pós-Edital) Sem Correção</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>86510500306390507 - Thiago munekata</p><p>5. AS RELAÇÕES SOCIAIS NO MUNDO DO TRABALHO</p><p>De modo mais geral, trabalho pode ser entendido como um dispêndio de energia (física e mental) para a</p><p>realização de uma determinada ação e para satisfazer necessidades individuais ou coletivas.</p><p>Para o filósofo Karl Marx (XIX), o trabalho é uma atividade especificamente humana, pois implica um</p><p>projeto mental que modela a conduta a ser desenvolvida para se alcançar um objetivo. Lembrando que</p><p>para ele o trabalho não apenas transforma o material em que se trabalha, mas realiza-se nesse material o</p><p>projeto que trazia em sua consciência e isso nos diferenciaria de outros animais.</p><p>Nas palavras de Marx:</p><p>Uma aranha executa operações que se assemelham às manipulações do tecelão, e a</p><p>construção das colmeias pelas abelhas poderia envergonhar, por sua perfeição, mais do</p><p>que a de um mestre-de-obras. Mas há algo em que o pior mestre-de-obras é superior a</p><p>melhor abelha, e é o fato de que, antes de executar a construção, ele a projeta em seu</p><p>cérebro. (Marx, O Capital)</p><p>Marx tem uma postura crítica a um certo idealismo (de Hegel) sobre a concepção de trabalho, que vê em</p><p>termos individuais o trabalho como algo positivo, que permite expandir as energias e a criatividade e, com</p><p>isso, realizar suas potencialidades. Na concepção idealista, o trabalho é um elemento positivo para a</p><p>manutenção e satisfação da vida social, com a edificação da cultura e a solidariedade entre as pessoas.</p><p>Na interpretação de Marx, a dominação de uma classe social sobre a outra desvia a função positiva do</p><p>trabalho mencionada. Em vez de servir à coletividade, o resultado dos trabalhos produzidos pela sociedade</p><p>passou a enriquecer alguns. De recompensa de ato criativo e livre passou a ser considerado como castigo.</p><p>O termo trabalho vem do latim tripalium, nome dado a um instrumento constituído de três paus que era</p><p>utilizado nas tarefas do campo, mas que também foi usado para torturar pessoas. Dessa forma, o trabalho</p><p>estaria associado a castigo e a algo pesaroso, ruim.</p><p>Encontramos na pré-história a primeira divisão do trabalho, qual seja, a de gênero. Algumas tarefas eram</p><p>reservadas aos homens (caçar, guerrear e garantir a proteção do grupo), enquanto os trabalhos domésticos</p><p>e os cuidados dos filhos ficavam destinados às mulheres. Além da divisão do trabalho baseada no gênero</p><p>havia outros fatores como idade e força física.</p><p>Carlos Roberto, Raphael de Oliveira Reis</p><p>Aula 06 - Prof. Raphael Reis</p><p>IFBA (Técnico Administrativo) Redação - 2022 (Pós-Edital) Sem Correção</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>86510500306390507 - Thiago munekata</p><p>A partir de reflexões dos filósofos Platão e Aristóteles, percebemos que o trabalho manual era desprezado,</p><p>inferiorizado, porque esse se assemelhava à atividade dos animais e não permitia tempo para a</p><p>contemplação e exercício da cidadania (lembrando que para os gregos antigos cidadão era o homem maior</p><p>de 21 anos, filho de pai e mãe gregos, excluindo-se da cidadania as mulheres, os estrangeiros e os escravos).</p><p>Portanto, o trabalho intelectual era o mais valorizado e desejado, porque a partir dele podia exercer a</p><p>cidadania, o ócio e a contemplação.</p><p>Na Idade Média, período esse em que a sociedade está dividida em 3 estamentos principais: 1) clérigos</p><p>(aqueles que oram); 2) nobres (aqueles que guerreiam); e 3) servos (aqueles que trabalham) continua a</p><p>valorização do trabalho intelectual. O trabalho estaria associado à provação e fortalecimento do espírito</p><p>para alcançar o reino celeste. Segundo um dos filósofos medievais, São Tomás de Aquino (1221-1274),</p><p>defendia que o trabalho é um bem árduo, por meio do qual o indivíduo tornaria um ser humano melhor.</p><p>Com o advento da Idade Moderna, a mentalidade começa a ser transformada. Uma das influências foi a</p><p>Reforma Protestante (XVI), que mudou a visão religiosa perante o trabalho. O trabalho na perspectiva</p><p>protestante é bom e deve ser estimulado para todos. Todos devem buscar uma vida de sucesso</p><p>econômico, de uma vida ativa e lucrativa – a usura (juros) deixou de ser uma prática pecaminosa como na</p><p>visão da Igreja Católica medieval.</p><p>Relembrando o sociólogo Max Weber (1864-1920), a ética protestante valorizava o trabalho e a busca</p><p>da riqueza. O desenvolvimento do capitalismo se deu justamente naqueles países em que houve a</p><p>predominância desses valores.</p><p>Na Idade Contemporânea temos vários autores que irão refletir sobre o trabalho, com destaque para dois</p><p>filósofos, os quais já introduzimos alguns aspectos:</p><p>Hegel: recupera o sentido do trabalho como algo positivo, associado à autoconstrução do</p><p>ser humano. Seria uma forma de se aperfeiçoar pelo trabalho, mas também de se libertar</p><p>pelo domínio que exerce sobre a natureza.</p><p>Karl Marx: diferente de Hegel, enfatiza o aspecto negativo do trabalho nas sociedades</p><p>capitalistas, a qual separou pela primeira vez na História o homem dos meios de</p><p>produção, encontrando-se obrigado a vender sua força de trabalho para sobreviver.</p><p>Ademais, mostra que quem explora (compra essa força de trabalho) é quem enriquece.</p><p>Analisou as condições degradantes que os trabalhadores estavam submetidos naquele</p><p>contexto.</p><p>Um termo muito usado para se pensar o trabalho é o de alienação. Alienação, inicialmente, foi utilizado por</p><p>Hegel que via nela um processo pelo qual os indivíduos colocam suas potencialidades nos objetos por eles</p><p>criados. Nesse sentido, há uma exteriorização da criatividade humana. Marx, ao contrário da filosofia</p><p>hegeliana, identificou dois momentos distintos nesse processo de exteriorização da criatividade:</p><p>objetivação: capacidade da pessoa se objetivar através do objeto criado, o que é próprio</p><p>do seu saber-fazer.</p><p>Carlos Roberto, Raphael de Oliveira Reis</p><p>Aula 06 - Prof. Raphael Reis</p><p>IFBA (Técnico Administrativo) Redação - 2022 (Pós-Edital) Sem Correção</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>86510500306390507 - Thiago munekata</p><p>alienação: no capitalismo, quando o indivíduo coloca suas potencialidades no objeto</p><p>criado deixa de identificá-lo como seu, muitas vezes nem toma consciência de seu</p><p>produto final. Nesse sentido, o produto criado lhe é estranho no plano psicológico,</p><p>econômico e social.</p><p>A forma de organização do trabalho em linhas de operação e montagem do início do século XX, colocando</p><p>o operário em uma função específica no processo de produção (etapas) gerou uma fragmentação do</p><p>trabalho e do saber, fazendo com que o trabalhador perdesse</p><p>a noção do conjunto do processo produtivo.</p><p>Essa organização da produção produtiva ficou denominada de fordismo-taylorismo.</p><p>O operário sempre repete as mesmas operações, produzindo bens estranhos a sua consciência, a seus</p><p>desejos e as suas necessidades. O resultado não é garantir suas potencialidades, tampouco contemplar suas</p><p>satisfações, mas sim as necessidades do mercado, de outras pessoas. Muitas vezes produzem algo que não</p><p>conhece como produto final e nem terão condições de adquirir.</p><p>Karl Marx, em seus estudos sobre o sistema capitalista, observou que produção é ao mesmo tempo</p><p>consumo, já que além do uso de matéria-prima e dos instrumentos de produção, há o consumo das forças</p><p>vitais nesse trabalho. Consumo também é produção, pois os homens se produzem através do consumo,</p><p>seja nos aspectos biológicos (alimentação, cuidado com o corpo) como nos aspectos intelectuais e</p><p>emocionais.</p><p>Para o filósofo Jean Baudrillard (1929-2007), a lógica do consumo no mundo capitalista se baseia</p><p>exatamente na impossibilidade de que todos consumam. Para ele, o consumo funciona com uma forma</p><p>de afirmar a diferença de status entre os indivíduos. A propaganda trata de assegurar essa distinção ao</p><p>associar determinadas marcas consideradas de grife a comportamentos e padrões inacessíveis à maioria da</p><p>população.</p><p>No mesmo sentido de Jean Baudrillard, o sociólogo Pierre Bourdieu (1930-2002) chama a atenção para a</p><p>Distinção Social. Em suas reflexões, as classes sociais reproduzem determinados tipos de estilo de vida,</p><p>que podem ser observados em seus gostos, alimentação, vestimenta, espaços sociais nos quais as pessoas</p><p>se relacionam, suas amizades, etc. Isso gera a reprodução das classes, bem como um espaço social</p><p>hierarquizado.</p><p>A felicidade em nossa atualidade, bem diferente da concepção dos gregos antigos (de bem comum, bem da</p><p>coletividade), passa a ser o consumo. Para o filósofo Max Horkheimer (1885-1973), da Escola de Frankfurt,</p><p>“quanto mais intensa é a preocupação do indivíduo com o poder sobre as coisas, mais as coisas o</p><p>dominarão”.</p><p>Essa necessidade de produzir para um consumo alienado pode ficar evidente na produção de objetos que</p><p>logo ficam ultrapassados como, por exemplo: os celulares, computadores, roupas, etc. Muitos desses</p><p>objetos já têm um período de vida estimável, porque logo depois é estimulado sua troca por versões mais</p><p>atualizadas.</p><p>O consumo também influencia o nosso lazer, que passa a ser ditado pela lei do Mercado, isto é, aquilo que</p><p>garante lucratividade. Perde-se assim a espontaneidade criativa do sujeito. Nessa perspectiva, temos aquilo</p><p>Carlos Roberto, Raphael de Oliveira Reis</p><p>Aula 06 - Prof. Raphael Reis</p><p>IFBA (Técnico Administrativo) Redação - 2022 (Pós-Edital) Sem Correção</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>86510500306390507 - Thiago munekata</p><p>que os pensadores da Escola de Frankfurt (Max Horkheimer e Theodor Adorno) denominaram de Indústria</p><p>Cultural, conceito este muito versátil para ser usado em diversos temas e que já vimos anteriormente.</p><p>Uma mudança significativa no mundo do trabalho ocorreu no pós 2ª Guerra Mundial (1939-1945), quando a</p><p>organização produtiva começou a mudar suas características de uma concepção fordista-taylorista para a</p><p>concepção toyotista.</p><p>Com a crise de superprodução na década de 1930 nos E.UA e com a crise do petróleo na década de 1970,</p><p>começaram a surgir novas formas de organização da produção, com objetivo de aumentar a produtividade,</p><p>eficiência dos trabalhadores e expandir os lucros.</p><p>Esse conjunto de modificações ficou conhecido como toyotismo, que atualmente é o modelo predominante</p><p>na produção das grandes indústrias. Está fundamentado na flexibilização dos processos de trabalho e de</p><p>produção, bem como na mobilidade dos mercados de trabalho.</p><p>Através do conceito de automação, no qual as máquinas não precisam ser vigiadas por algum trabalhador,</p><p>há a eliminação do controle manual. O trabalhador agora é multitarefa, isto é, precisa aprender a</p><p>desenvolver várias funções, a lidar com várias máquinas e a adaptar-se às incertezas do mercado. O</p><p>engenheiro é um dos profissionais mais valorizados desse processo, por causa da sua operação de</p><p>planejamento e de intervenção eletrônica.</p><p>Os produtos seguem a lógica do just in time, isto é, produção sob demanda, sem desperdício, produzindo</p><p>somente o que é necessário e no tempo acordado, evitando estoques (crise de superprodução). As</p><p>matérias primas são compradas nos locais de menor custo, inclusive muitas empresas vão se instalar em</p><p>países, cuja remuneração é baixa e as leis trabalhistas flexíveis.</p><p>Há uma busca pela qualidade total e exigências de habilidades e competências como, por exemplo:</p><p>disciplina, concentração, resiliência, foco, criatividade, concorrência interna, etc.</p><p>Essas características se ramificam não somente para a indústria, mas para todas as outras áreas de</p><p>produção. Hoje há uma substituição crescente do emprego regular para os chamados “terceirizados”,</p><p>“temporários”. As leis trabalhistas e a segurança (estabilidade) passam a ser substituídas pela ideia de</p><p>empreendedorismo e parcerias, no qual o trabalhador, sem garantias, presta serviços de sua própria casa,</p><p>de forma autônoma, sem vínculo empregatício.</p><p>Os governos têm a tendência de seguir a lógica capitalista. Vários países têm permitido flexibilizações</p><p>trabalhistas que foram conquistas históricas dos trabalhadores, a exemplo do Brasil e suas chamadas</p><p>“reformas trabalhistas”.</p><p>Uma lógica presente no momento atual de nosso país é a elaboração de leis que visam transformar grande</p><p>parte dos trabalhadores em “CNPJ”, isto é, microempreendedores individuais que prestam serviços para</p><p>Carlos Roberto, Raphael de Oliveira Reis</p><p>Aula 06 - Prof. Raphael Reis</p><p>IFBA (Técnico Administrativo) Redação - 2022 (Pós-Edital) Sem Correção</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>86510500306390507 - Thiago munekata</p><p>empresas sem a exigência de contratação formal via carteira de trabalho, garantindo assim redução de</p><p>custos com salário, previdência social, férias, 13º, FGTS, etc.</p><p>Segundo o sociólogo e filósofo polonês Zygmunt Bauman, as mudanças atuais no mundo do trabalho é</p><p>um dos reflexos da “modernidade líquida”. É uma era de incertezas, de insegurança e de desemprego em</p><p>grande quantidade; um contexto no qual os interesses dos grandes capitalistas ditam os governos e geram</p><p>instabilidades sociais, políticas e econômicas.</p><p>O conceito de “Modernidade Líquida” ou de “Sociedade Líquida”, de Bauman é um</p><p>conceito curinga, uma vez que ele pode ser aplicado em quase todos os temas sociais da</p><p>nossa atualidade. Para ele, esse período é marcado por um momento sem forma definida,</p><p>incerto, de medos. As relações estão fragmentadas e não há um projeto coletivo de</p><p>sociedade. Inclusive, com as incertezas do mundo do trabalho é inviabilizado à maioria</p><p>das pessoas a realização de um planejamento de vida.</p><p>O sociólogo Robert Castel mostra que o trabalho e a previdência social já não significam segurança, o que</p><p>tem causado transtornos sociais e individuais – veja que esse é um debate atual no Brasil, com a proposta</p><p>da reforma previdenciária. Ele destaca quatro aspectos de nossa atualidade que está se generalizando</p><p>mundo a fora:</p><p>A desestabilização dos estáveis: antes uma pessoa entrava numa empresa, “crescia”</p><p>nela, passava por várias áreas e se aposentava na mesma empresa. Hoje, isso é</p><p>praticamente inexistente. As pessoas passam por várias empresas e devido a reformas</p><p>previdenciárias e no processo produtivo, correm o risco de nem aposentarem ou de</p><p>terem seus direitos precarizados.</p><p>A precariedade do trabalho: o mercado de reserva de mão de obra tem aumentado,</p><p>gerando desemprego constante e a maioria dos que conseguem emprego encontram-se</p><p>em situações instáveis, informais, de baixa remuneração e ocupam postos de trabalho</p><p>que não têm nada a ver com sua formação.</p><p>Déficit de Lugares: as pessoas consideradas mais “velhas” (com mais de 50 anos) são</p><p>consideradas inúteis para a maioria das funções. Jovens encontram</p><p>dificuldades para</p><p>entrar no mercado de trabalho, devido à inexperiência. É incentivado aos</p><p>desempregados que se qualifiquem, imputando-lhes uma responsabilidade individual</p><p>quando é, sobretudo, coletiva, a sua requalificação permanente e adaptação às novas</p><p>exigências do mercado.</p><p>Carlos Roberto, Raphael de Oliveira Reis</p><p>Aula 06 - Prof. Raphael Reis</p><p>IFBA (Técnico Administrativo) Redação - 2022 (Pós-Edital) Sem Correção</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>86510500306390507 - Thiago munekata</p><p>Qualificação do emprego: o mercado de trabalho cada vez mais é exigente com a</p><p>qualificação do profissional, inclusive para atividades que nem necessitam de</p><p>conhecimento formal, que bastaria simplesmente a experiência.</p><p>3.1 O Trabalho Escravo Contemporâneo</p><p>Esse tema ainda está presente em pleno o século XXI. Mesmo após 131 anos da Lei Áurea, que colocou fim</p><p>à escravidão, ainda há condições de trabalho análogas ao passado escravocrata.</p><p>No Código Penal brasileiro, em seu artigo 149, o Estado reconhece que reduzir alguém a condição análoga</p><p>à de escravo, por meio de trabalhos compulsórios ou de jornadas exaustivas, sujeitando a pessoa a</p><p>condições degradantes se assemelha ao trabalho escravo do período colonial e imperial.</p><p>O trabalho escravo contemporâneo vai além de uma mera infração trabalhista, porque é um crime contra o</p><p>princípio básico da Constituição de 1988: a dignidade humana, ferindo assim os direitos humanos. São</p><p>elementos que definem o trabalho escravo contemporâneo:</p><p>Trabalho forçado;</p><p>Jornada exaustiva;</p><p>Servidão por dívida; e</p><p>Condições degradantes.</p><p>O Estado brasileiro reconhece que há em várias regiões o trabalho escravo e foi uma das primeiras nações</p><p>a reconhecer isso perante a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Embora seja empregada em</p><p>atividades econômicas concentradas na zona rural (pecuária, produção de carvão, plantio de cana-de-</p><p>açúcar, soja e algodão) há casos encontrados em zonas urbanos que empregam o trabalho escravo,</p><p>principalmente, na produção têxtil e na construção civil.</p><p>Carlos Roberto, Raphael de Oliveira Reis</p><p>Aula 06 - Prof. Raphael Reis</p><p>IFBA (Técnico Administrativo) Redação - 2022 (Pós-Edital) Sem Correção</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>86510500306390507 - Thiago munekata</p><p>Carlos Roberto, Raphael de Oliveira Reis</p><p>Aula 06 - Prof. Raphael Reis</p><p>IFBA (Técnico Administrativo) Redação - 2022 (Pós-Edital) Sem Correção</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>86510500306390507 - Thiago munekata</p><p>A maioria das pessoas submetidas ao trabalho escravo nas zunas rurais são do sexo masculino e exercem</p><p>tarefas musculares. Essas pessoas, em sua maioria, migram de regiões pobres para áreas de expansão</p><p>agrícola, na qual o agronegócio predomina. Já nas zonas urbanas é comum o trabalho de imigrantes como</p><p>bolivianos, peruanos, haitianos e venezuelanos. Ademais, cabe destacar a prostituição infantil que,</p><p>infelizmente, cada vez mais é utilizada em regiões pobres como sustento familiar.</p><p>De acordo com dados do Ministério do Trabalho, nas últimas duas décadas, foram encontradas e resgatadas</p><p>mais de 50 mil pessoas em situação semelhante à escravidão.</p><p>Como forma de combater essa prática imoral e desumana, o Ministério do Trabalho criou a “lista suja”, na</p><p>qual há divulgação de empresas que foram flagradas utilizando desse expediente. Isso gerou discussões e</p><p>processos jurídicos, uma vez que muitos empregadores são de marcas reconhecidas.</p><p>A ideia do antigo Ministério do Trabalho além de penalizar com multas e restringir o acesso a empréstimos,</p><p>era conscientizar a população em não consumir produtos oriundos desses empregadores.</p><p>Última lista suja divulgada:</p><p>https://d37iydjzbdkvr9.cloudfront.net/arquivos/2019/01/21/cadastro-de-empregadores-</p><p>2019-1-17.pdf</p><p>Em 2014, o Congresso aprovou a PEC do Trabalho Escravo, tornando a Lei rigorosa como, por exemplo, a</p><p>previsão de que as terras e os imóveis nos quais fossem flagrados trabalhadores em condições semelhantes</p><p>à escravidão seriam expropriados e destinados à reforma agrária e a programas de habitação popular, além</p><p>de prever punições penais aos responsáveis. Contudo, aqui</p><p>Carlos Roberto, Raphael de Oliveira Reis</p><p>Aula 06 - Prof. Raphael Reis</p><p>IFBA (Técnico Administrativo) Redação - 2022 (Pós-Edital) Sem Correção</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>86510500306390507 - Thiago munekata</p><p>é Brasil. Até hoje a Lei não entrou em vigor, visto a resistência da bancada ruralista no Congresso Nacional.</p><p>Conheça a PEC:</p><p>https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/105791</p><p>6. URBANIZAÇÃO E MOBILIDADE URBANA</p><p>Os temas Urbanização e Mobilidade Urbana são complementares. Primeiro vamos analisar o processo de</p><p>urbanização e depois vamos focar na mobilidade urbana. Ambos temas já apareceram em várias provas</p><p>discursivas, portanto, todo o cuidado é pouco!</p><p>O filósofo Aristóteles conferia à cidade certo destaque em suas reflexões. Para ele, não era possível pensar</p><p>o ser humano deslocado ou dissociado da ideia de cidade. Lembrando que para esse filósofo, o ser humano</p><p>é um animal político e social. Isto é, vive em sociedade e estabelece relações entre si.</p><p>Em sua etimologia, cidade vem de pólis que está associada à ideia de política e cidadania. Ora, então já</p><p>podemos estabelecer um pressuposto importante, qual seja: há uma relação intrínseca entre políticas</p><p>urbanas e cidadania e, por conseguinte, à qualidade de vida das pessoas.</p><p>As palavras cidadania e qualidade de vida são palavras-chave que podem ser aplicadas</p><p>em praticamente todas as redações e temas.</p><p>Diferente da época de Aristóteles, as cidades passaram a ter maior importância e preponderância a partir</p><p>do século XVIII. Isso não é à toa. É justamente nesse século que temos a 1ª Revolução Industrial (a partir de</p><p>1750), que juntamente com a Revolução Francesa (1789-1799), vai dar forma àquilo que ficou cunhado como</p><p>Idade Contemporânea.</p><p>A Revolução Industrial iniciada na Inglaterra produziu um primeiro efeito: uma migração da população</p><p>campesina para os centros urbanos que surgiam, em busca de empregos e melhores condições de vida.</p><p>Carlos Roberto, Raphael de Oliveira Reis</p><p>Aula 06 - Prof. Raphael Reis</p><p>IFBA (Técnico Administrativo) Redação - 2022 (Pós-Edital) Sem Correção</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>86510500306390507 - Thiago munekata</p><p>De lá para cá, o processo de urbanização se intensificou em escala mundial – atualmente está num ritmo</p><p>acelerado. Segundo dados da ONU (2015) já somos mais de 7,2 bilhões de habitantes e a maioria vive nas</p><p>cidades.</p><p>Esse rápido crescimento tem colocado desafios na agenda política e são objetos de estudo de diversos</p><p>especialistas.</p><p>A 3ª Conferência da ONU sobre “Moradia e Desenvolvimento Urbano Sustentável”, realizada em 2015,</p><p>preocupou-se em discutir como enfrentar as desigualdades sociais e a pobreza. Chegaram a 17 ações, cujos</p><p>país signatários deveriam implementar nos próximos 20 anos.</p><p>Essas ações direcionam o debate para o Direito à Cidade.</p><p>Guarde isso!</p><p>A expressão DIREITO À CIDADE precisa aparecer na sua redação se o tema for</p><p>urbanização ou mobilidade urbana!</p><p>Quando falamos em direito à cidade, isto quer dizer que é preciso pensar como garantir à população uma</p><p>melhor qualidade de vida por meio da apropriação da riqueza gerada, dos bens e serviços produzidos,</p><p>acesso aos bens patrimoniais e culturais. Essa preocupação advém do fato de que cada vez mais a sociedade</p><p>está desigual nos aspectos econômicos, simbólicos e culturais. Poucas pessoas conseguem se apropriar</p><p>desses direitos, o que leva a uma segregação socioespacial intensificada pelo aceleramento da</p><p>urbanização.</p><p>O impacto da segregação socioespacial é visível, principalmente na vida daquelas pessoas da camada</p><p>popular que habitam regiões periféricas na cidade. Precisam, por exemplo, fazer grandes deslocamentos</p><p>para trabalhar e estudar, perdendo tempo considerável de seu dia. Ademais, há um aumento dos custos e</p><p>piores condições na qualidade de vida.</p><p>A</p><p>tendência é que muitas regiões fiquem sem equipamentos e serviços públicos essenciais como linhas de</p><p>transporte coletivo, postos de saúde, escolas, creches, etc. que não conseguem crescer na mesma</p><p>proporção da demanda. Além disso, o acesso aos bens patrimoniais, turísticos e culturais da cidade</p><p>ficam distantes dos bairros periféricos, o que fere o direito à cidade.</p><p>Um caso emblemático são as políticas habitacionais como, por exemplo, o programa “Minha casa, Minha</p><p>Vida”. É uma política pública, ao meu ver, muito importante que pretende diminuir o déficit habitacional,</p><p>que é muito alto no Brasil (segundo dados recentes da Fundação João Pinheiro há um déficit de mais de 6</p><p>milhões de residências e cerca de 12 milhões de domicílios encontram-se inadequados para se viver no</p><p>Brasil). Por outro lado, as construções do “Minha Casa, Minha Vida” são realizadas, geralmente, em bairros</p><p>mais distantes do centro da cidade e não há um planejamento prévio dos municípios em ofertar às regiões</p><p>que receberam ou recebem o programa mencionado. Assim, nessas regiões, a população carece de escolas</p><p>e creches próximas à residência; muitas vezes não há postos de saúde, o que faz com que se recorra a outros</p><p>Carlos Roberto, Raphael de Oliveira Reis</p><p>Aula 06 - Prof. Raphael Reis</p><p>IFBA (Técnico Administrativo) Redação - 2022 (Pós-Edital) Sem Correção</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>86510500306390507 - Thiago munekata</p><p>bairros, congestionando a rede de atendimento; os horários das linhas do transporte coletivo são precários;</p><p>e a segurança dos moradores se torna também uma problemática – muitos conjuntos habitacionais são</p><p>invadidos e viraram pontos do tráfico de drogas.</p><p>Outros dois efeitos da segregação socioespacial são a gentrificação e a construção de condomínios</p><p>fechados, que atendem à demanda de segurança da classe média tradicional e da elite econômica.</p><p>A gentrificação é um processo de valorização (especulação) imobiliária de uma região que leva à expulsão</p><p>das famílias de renda mais baixa. Vou dar um exemplo concreto que aconteceu na minha cidade (Juiz de</p><p>Fora/MG), mas que com certeza você vai identificar situação semelhante em outras cidades de médio e</p><p>grande porte. Aqui temos um bairro chamado Dom Bosco. Ele possui uma população próxima a 18 mil</p><p>habitantes que é formada, em sua maioria, por pessoas negras, de baixa escolaridade e menor poder</p><p>aquisitivo. A partir de 2005, a região passou por uma intensa especulação imobiliária, tendo como marco a</p><p>instalação de um shopping center e a retirada de um dos espaços de lazer dos moradores (um campo de</p><p>futebol de terra, que deu espaço a uma área verde que fica em frente ao shopping). Em seguida foram</p><p>construídas outras obras: um hospital privado, prédios comerciais, hotéis, faculdade particular, etc. Isso fez</p><p>com que os aluguéis e os produtos aumentassem, expulsando parte da população do bairro e fazendo com</p><p>que outra parte literalmente subisse o morro, no que ficou conhecido como “chapadão”. Neste, não há redes</p><p>de esgoto, não há coleta seletiva, muito menos transporte público.</p><p>Já os condomínios fechados têm sido a “vedete” das construtoras que realizam empreendimentos para a</p><p>classe A. São formas de isolar determinado espaço do contato exterior “violento”, para garantir a segurança</p><p>de seus moradores. É comum disponibilizarem dentro dos condomínios uma rede de serviços como</p><p>segurança privada, academia de ginástica, espaço de lazer, ou seja, há uma intensificação da separação de</p><p>classes sociais ou grupos sociais no espaço geográfico das cidades.</p><p>Desafios da Urbanização:</p><p>Econômicos Ambientais Sociais</p><p>Uma vez que há uma migração</p><p>para os centros urbanos, a</p><p>economia formal apresenta</p><p>dificuldades para absorver a</p><p>força de trabalho, o que faz</p><p>com que pessoas pobres e de</p><p>menos qualificação encontre</p><p>na economia informal sua</p><p>sobrevivência. Isso sem</p><p>nenhuma garantia trabalhista</p><p>ou proteção social.</p><p>A poluição, os constantes</p><p>congestionamentos, a falta de</p><p>saneamento básico são</p><p>problemas dos países menos</p><p>desenvolvidos</p><p>economicamente;</p><p>Como há uma alta taxa de</p><p>migração interna, como</p><p>acontece, por exemplo, no</p><p>Brasil, de pessoas do Norte e</p><p>Nordeste para o Sudeste, em</p><p>busca de melhores condições</p><p>de vida somado a outros</p><p>fatores de exclusão, aumentam</p><p>as áreas “subnormais”, isto é, o</p><p>processo de “favelização”. São</p><p>A pobreza tem sido</p><p>discutida frequentemente</p><p>pelos organismos</p><p>internacionais, uma vez que</p><p>é um problema crônico do</p><p>sistema capitalista e de</p><p>difícil amenização;</p><p>Os serviços públicos não</p><p>conseguem satisfazer as</p><p>demandas para o</p><p>atendimento de saúde,</p><p>emprego, planejamento</p><p>familiar, educação.</p><p>Carlos Roberto, Raphael de Oliveira Reis</p><p>Aula 06 - Prof. Raphael Reis</p><p>IFBA (Técnico Administrativo) Redação - 2022 (Pós-Edital) Sem Correção</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>86510500306390507 - Thiago munekata</p><p>áreas sem regulamentação,</p><p>sem planejamento</p><p>habitacional e com ausência de</p><p>serviços básicos: coleta de lixo,</p><p>iluminação, saneamento</p><p>básico, etc;</p><p>Com o aceleramento da</p><p>urbanização os recursos</p><p>naturais têm sido exauridos e</p><p>coloca-se em debate a</p><p>sustentabilidade.</p><p>Sustentabilidade essa que,</p><p>segundo Bauman, não se</p><p>preocupa com o meio-</p><p>ambiente em si, mas com a</p><p>continuidade de uma</p><p>sociedade capaz de produzir</p><p>sempre para o consumo.</p><p>Outra característica de nossa atualidade são as megacidades (população superior a 10 milhões de pessoas).</p><p>Aliás, 12% da população mundial já vive em uma megacidade – as cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro</p><p>são megacidades. Alguma delas como as de Tóquio, Nova York e Londres além de serem megacidades são</p><p>consideradas também como cidades globais, uma vez que reúnem um complexo financeiro, de serviços</p><p>(principalmente consultoria especializada), tecnológico e cultural que influenciam outras cidades.</p><p>Nessa era de globalização, uma outra preocupação da agenda internacional é com a sustentabilidade e com</p><p>a governança. Nesse cenário, surgem as “cidades inteligentes” (smart cities), que são sistemas de pessoas</p><p>interagindo e usando energia, materiais, serviços e financiamento para catalisar o desenvolvimento</p><p>econômico e a melhoria na qualidade de vida. Para isso, a ideia de cidades inteligentes está estruturada em</p><p>dois eixos principais:</p><p>- uso estratégico de informação e comunicação na gestão urbana.</p><p>- desenvolvimento sustentável e uso de soluções tecnológicas.</p><p>As mais famosas smart cities são: Songdo (Coreia do Sul), que produziu novas alternativas para a mobilidade</p><p>urbana como os táxis aquáticos, espaços verdes e sistema pneumático de gestão de resíduos); Copenhague</p><p>(Dinamarca), que além de seus deliciosos chocolates rsrs baliza-se pelo conceito de carbono zero, criando</p><p>uma infraestrutura para o uso de bicicletas como o principal meio de transporte; e Santa Ana (E.U.A), que</p><p>tem um sistema de água reutilizável, inclusive a do vaso sanitário.</p><p>No que se refere à governança das cidades, a administração pública municipal ganha destaque,</p><p>principalmente a liderança de prefeitos. Isso porque os Estados-Nações cada vez mais mostram incapazes</p><p>de lidar com as tendências globais e transferem aos municípios várias responsabilidades na chamada</p><p>Carlos Roberto, Raphael de Oliveira Reis</p><p>Aula 06 - Prof. Raphael Reis</p><p>IFBA (Técnico Administrativo) Redação - 2022 (Pós-Edital) Sem Correção</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>86510500306390507 - Thiago munekata</p><p>política de descentralização ou municipalização. Nesse sentido, para muitos especialistas como Manuel</p><p>Castells, “as cidades globais tendem a resolver problemas econômicos e socioculturais de maneira muito</p><p>mais efetiva”.</p><p>À medida em que as cidades assumem uma nova importância no sistema global, o papel dos prefeitos</p><p>muda. Ganham destaque e podem ser agentes capazes de mobilizarem agendas urbanas e melhorar o perfil</p><p>internacional da cidade. As cidades de Lisboa e Barcelona, que se tornaram exemplo de centros urbanos</p><p>bem planejados, é um indicativo da importância dos prefeitos nesse novo cenário globalizado,</p><p>porque foram</p><p>eles que lideraram os debates, as alternativas e a busca de financiamento.</p><p>Por fim, destaco a relação entre esporte e revitalização urbana. Eventos mundiais como as Olimpíadas e a</p><p>Copa do Mundo tendem a impulsionar mudanças urbanas nos países que vão sediá-los. Um bom exemplo</p><p>foi a cidade de Londres quando sediou as Olimpíadas em 2012. Lá, conseguiram regenerar em torno de 500</p><p>acres de terra em regiões pobres (Zona Leste de Londres), trazendo melhorias de serviços, de transporte e</p><p>empregos. Por outro lado, mesmo que o esporte tende a impulsionar a revitalização urbana, isso nem</p><p>sempre gera consequências positivas. As Olimpíadas (2016) e a Copa do Mundo (2014) no Brasil mostraram</p><p>que não ocorreram as mudanças urbanas esperadas: não existiram mudanças significativas na mobilidade</p><p>urbana, muitas obras viraram “elefantes brancos”, casos de superfaturamento e aumento do déficit do</p><p>orçamento público em diversas cidades e estados.</p><p>Por fim, sintetizo aqui nossas reflexões sobre urbanização com as palavras do sociólogo Anthony Giddens:</p><p>“Assim como a globalização, a urbanização tem dois lados e é contraditória. Ela tem efeitos criativos e</p><p>destrutivos sobre as cidades. Por um lado, permite a concentração de pessoas, bens, serviços e</p><p>oportunidades, mas, ao mesmo tempo, fragmenta e enfraquece a coerência dos lugares, tradições e redes</p><p>existentes”.</p><p>Principais Leis que norteiam as políticas urbanas no Brasil:</p><p>As principais leis que regulamentam a política urbana no Brasil são: o Estatuto da Cidade, o Plano Diretor e</p><p>a Lei de Uso e Ocupação do Solo.</p><p>O Estatuto da Cidade é uma legislação federal que norteia normas de ordem pública e de interesse social,</p><p>regulamentando o uso da propriedade em prol do bem coletivo, da segurança e do bem-estar dos cidadãos,</p><p>bem como o equilíbrio ambiental.</p><p>Carlos Roberto, Raphael de Oliveira Reis</p><p>Aula 06 - Prof. Raphael Reis</p><p>IFBA (Técnico Administrativo) Redação - 2022 (Pós-Edital) Sem Correção</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>86510500306390507 - Thiago munekata</p><p>==d3351==</p><p>Já o Plano Diretor, é aplicado nos estados e nos municípios. É o instrumento básico da política urbana e</p><p>do planejamento estratégico, visando à qualidade de vida e um estudo aprofundado sobre o estado ou a</p><p>cidade, apontando os seus limites, o que é preciso fazer nos próximos anos (geralmente é válido por 10 anos)</p><p>e onde e como as cidades podem crescer. Avalia também os impactos de vizinhança e ambiental, devido</p><p>aos grandes empreendimentos previstos.</p><p>Por último, temos a Lei de Uso e Ocupação do Solo, que é uma legislação de âmbito municipal. Ela precisa</p><p>seguir os princípios do Estatuto da Cidade e estar de acordo com o previsto no Plano Diretor. Estabelece</p><p>critérios e parâmetros de uso e ocupação do solo, isto é, o que pode ser construído, em quais condições e</p><p>onde. Portanto, é uma forma de controlar o crescimento urbano e prever a necessidade de novos</p><p>equipamentos públicos.</p><p>6. 1 Mobilidade Urbana</p><p>A mobilidade urbana está na agenda pública há bastante tempo, afinal, um dos maiores desafios das</p><p>cidades de médio e grande porte são as políticas urbanas, especificamente, o planejamento da mobilidade</p><p>urbana. É válido ressaltar as famosas “Manifestações de Junho” de 2013. Começaram com uma demanda</p><p>bem específica que envolve a mobilidade urbana: protestos contra o aumento da passagem na cidade de</p><p>São Paulo, reivindicações para a melhoria do transporte coletivo e passe livre estudantil. Por tudo isso, é um</p><p>tema sempre potencial, que pode ser cobrado na prova discursiva.</p><p>De forma bem sucinta, mobilidade urbana são as condições de deslocamento da população no espaço</p><p>geográfico das cidades.</p><p>Quando falamos de cidade, podemos lembrar dos seguintes filósofos: Sócrates, Platão e Aristóteles. Para</p><p>eles, felicidade está relacionada ao bem comum dos cidadãos. Nessa perspectiva e associado ao contexto</p><p>social em que vivemos, o transporte coletivo deve se sobrepor ao transporte individual, visando à cidade</p><p>como um espaço de todos, compartilhado e democrático. Assim, mobilidade urbana não é só o fluir do</p><p>trânsito e o deslocamento da população, mas, sobretudo, um espaço de convivência democrática com os</p><p>diversos tipos de locomoção, incluindo pessoas com deficiência e priorizando a segurança dos</p><p>pedestres.</p><p>Carlos Roberto, Raphael de Oliveira Reis</p><p>Aula 06 - Prof. Raphael Reis</p><p>IFBA (Técnico Administrativo) Redação - 2022 (Pós-Edital) Sem Correção</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>86510500306390507 - Thiago munekata</p><p>Como são feitos os deslocamentos da população nas cidades:</p><p>Transporte Individual Transporte Coletivo</p><p>Carro Ônibus</p><p>Moto Metrô</p><p>Bicicleta Táxi</p><p>Skate* Uber**</p><p>A pé BRT</p><p>Uber** VLT</p><p>Veja que podemos separar os deslocamentos em dois principais grupos: transporte individual e transporte</p><p>coletivo.</p><p>Uma curiosidade é que o skate foi considerado em algumas cidades como um meio de transporte e passou</p><p>por regulamentação. Já o sistema do aplicativo Uber tem trazido muitos debates e ainda estão em abertas</p><p>muitas questões: é um transporte individual ou coletivo? Há críticas dos sindicatos de taxistas que defendem</p><p>que o Uber é uma concorrência desleal, porque não paga os mesmos impostos que os táxis, não passam por</p><p>vistorias e saturam o mercado. Outra crítica é a precarização do trabalho porque nesse sistema não há</p><p>vínculo empregatício e nenhuma proteção trabalhista.</p><p>Pensar a mobilidade urbana como ressaltamos é também pensar a inclusão. Como as pessoas com</p><p>deficiência (cadeirantes, cegos, surdos) ou com mobilidade reduzida podem ter uma cidade que permita um</p><p>deslocamento mais seguro e inclusivo?</p><p>Outros desafios: diminuir o congestionamento e a poluição; evitar e controlar o adensamento urbano</p><p>(ocupação intensa e desordenada do solo); garantir transporte público mais rápido, confortável e com preço</p><p>justo; e criar infraestrutura por meio de planejamento exequível.</p><p>Carlos Roberto, Raphael de Oliveira Reis</p><p>Aula 06 - Prof. Raphael Reis</p><p>IFBA (Técnico Administrativo) Redação - 2022 (Pós-Edital) Sem Correção</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>86510500306390507 - Thiago munekata</p><p>7. CONFLITOS MIGRATÓRIOS</p><p>Dentre as mudanças na sociedade atual, a ideia de nação e de comunidade vem se delineando a partir de</p><p>novos contornos nas notícias e nas interações realizadas nas redes sociais. Não só no Brasil, mas no mundo,</p><p>temos um movimento que vem acompanhado de um acirramento da noção de cidadão pertencente ao</p><p>grupo. Internamente vemos que grupos com ideias opostas postulam o lugar de fala em nome da nação,</p><p>fazendo com que o argumento contrário seja visto sob o viés de destruir a nação.</p><p>É espantoso para quem acompanha a história recente do mundo ver que no início da década de 2000, o</p><p>tema majoritário nas discussões e propostas girava em torno da Globalização: um fenômeno que foi</p><p>potencializado pelas novas tecnologias de informação e de comunicação: satélite, fibra ótica, internet e</p><p>aumento da eficiência nos meios de transporte, que fizeram especialmente na economia e na cultura com</p><p>que o mundo se sentisse próximo e interligado.</p><p>Esse contexto está sendo marcado por uma grande relação entre as nações que seguidas pela economia</p><p>fortaleciam seus laços sociais com o aumento de viagens internacionais, o aumento do consumo de</p><p>produtos importados, na qual a política externa dos países era voltada para o estreitamento de laços.</p><p>Houve em decorrência desse fato uma grande interação entre as culturas, especialmente dos países</p><p>desenvolvidos que dominavam a produção para o mercado consumidor. Alguns pesquisadores chegavam</p><p>ao ponto de se questionar se a partir desse momento haveria a formação de uma cultura universal, ou</p><p>se esse fluxo constante de informações e produtos poderia causar a perda da identidade nacional.</p><p>Com a crise de 2008 e o aumento das restrições orçamentárias pelas grandes potências econômicas do</p><p>mundo, a política de austeridade foi a “bola” da vez. Boa parte do fluxo internacional</p><p>se manteve</p><p>exclusivamente para produtos de primeira necessidade, fazendo com que rearranjos produtivos tivessem</p><p>que ser levados a cabo para contornar os efeitos da crise, que assim como a globalização impactavam os</p><p>países em uma cascata planetária. Não muito distante desse momento inicial, os efeitos dessa crise foram</p><p>sentidos também em países periféricos, que sem um mercado produtor forte, se viram reféns de agentes</p><p>de crédito, de empréstimos.</p><p>Um dos grandes exemplos da crise foi a Grécia, que sofreu por não poder contar mais com a ajuda</p><p>financeira da União Europeia até que se adequasse a alguns postulados dos organismos internacionais</p><p>aliados ao pensamento econômico neoliberal. Foi imposto à Grécia reforma previdenciária, mudanças na</p><p>estrutura estatal, reforma trabalhista e cortes em políticas sociais, a fim de proporcionar equilíbrio das</p><p>contas públicas.</p><p>A crise mundial iniciada no setor imobiliário dos E.U.A, a partir de 2008, foi sentida alguns anos depois, de</p><p>uma maneira brutal por parte dos indivíduos inseridos nesse processo de globalização. Outro efeito que se</p><p>acentuou foi que muitos indivíduos ficaram impelidos do sonho de pertencer a uma sociedade mais</p><p>desenvolvida economicamente – uma ideia difundida pelos países mais desenvolvidos que vendiam seu</p><p>Carlos Roberto, Raphael de Oliveira Reis</p><p>Aula 06 - Prof. Raphael Reis</p><p>IFBA (Técnico Administrativo) Redação - 2022 (Pós-Edital) Sem Correção</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>86510500306390507 - Thiago munekata</p><p>estilo de vida como superior e gerador de felicidade1. Enquanto disputavam a hegemonia na visão das</p><p>pessoas como um país ideal para se viver, essas nações criavam um laço de dependência por parte dos</p><p>indivíduos, que passaram a almejar uma chance de viver em situações diferentes e melhores do que existiam</p><p>em seus países de origem.</p><p>Com o colapso global, associado a conflitos em países subdesenvolvidos, temos o aparecimento de um</p><p>fluxo migratório diferente do visto durante o boom da globalização: temos pela primeira vez neste século</p><p>uma massa de refugiados buscando em grande parte países europeus para viver em paz e em segurança.</p><p>Aliás, não somente na Europa. Os casos mais recentes de crise humanitário são o Haiti e Venezuela – muitos</p><p>imigrantes estão vindo para o Brasil.</p><p>Os imigrantes, movidos pelo sonho de viver em um país melhor, se lançam em jornadas de extremo</p><p>sofrimento e perigo para conseguir asilo diplomático. Além do valor abusivo cobrado pelos atravessadores,</p><p>as condições de travessia são precárias e muitas vezes acontecem acidentes que vitimam centenas de</p><p>pessoas no trajeto. Há casos extremos de refugiados que pagaram para fazer a travessia e foram vendidos</p><p>como escravos em países como a Líbia.</p><p>Apesar da comoção gerada pelas imagens desses refugiados, especialmente das crianças que sofrem</p><p>com a dureza dos trajetos ou até morrem tentando entrar em um país que recebe esse fluxo de</p><p>pessoas, o discurso dentro das nações por parte dos cidadãos segue em fluxo contrário ao</p><p>humanismo, ao cidadão global. Boa parte das opiniões contrárias a aceitar pessoas de outros</p><p>países são formadas a partir de dois elementos: medo do terrorismo e do desemprego, os quais</p><p>foram associados ao fluxo migratório.</p><p>Esses dois fatores fazem parte da “Modernidade Líquida” na qual vivemos, marcada conforme Zygmunt</p><p>Bauman por um contexto de medos e de incertezas.</p><p>Os ataques terroristas em sua grande maioria têm a autoria reivindicada por um movimento religioso</p><p>chamado de Estado Islâmico - muçulmanos extremistas que lutam por uma concepção de “guerra</p><p>santa” contra países que desafiem sua autoridade em questões políticas e culturais.</p><p>Um dos exemplos de retaliação foi movido contra a França pelo simples fato da burca – vestimenta utilizada</p><p>pelas mulheres muçulmanas – ter sido proibida em prédios públicos franceses. Esse ato simbólico e político</p><p>gerou ataques terroristas, já que na perspectiva dos extremistas seus símbolos estavam sendo atacados</p><p>pelos valores ocidentais.</p><p>1 Também conhecido como Soft Power, a capacidade de gerar influência por meios diferentes de força</p><p>(ideológica), como músicas, filmes, produtos de consumo e modos de viver.</p><p>Carlos Roberto, Raphael de Oliveira Reis</p><p>Aula 06 - Prof. Raphael Reis</p><p>IFBA (Técnico Administrativo) Redação - 2022 (Pós-Edital) Sem Correção</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>86510500306390507 - Thiago munekata</p><p>Um dado interessante é o da pesquisa de opinião encomendada pela Pew Research2, que demonstra que a</p><p>maioria dos cidadãos europeus associa o fluxo migratório ao terrorismo. Com isso, temos o fortalecimento</p><p>da xenofobia que nada mais é que o preconceito contra indivíduos vindos de outros países, que se agrava</p><p>devido à questão econômica que assola os países desenvolvidos.</p><p>Com o aumento das taxas de desemprego, principalmente no setor industrial, por conta da crise mundial e</p><p>da própria natureza do sistema capitalista, há a redução de verbas para programas sociais, portanto, receber</p><p>imigrantes é associado a cortes profundos em ambas as frentes: primeiro por demandarem mais</p><p>investimentos em programas de assistência e, segundo, por se tornarem uma massa de mão de obra</p><p>disponível, frequentemente associados a baixos salários e ao “roubo” dos postos de trabalho dos cidadãos</p><p>nativos.</p><p>Enquanto países que têm posturas pautadas no humanismo e na receptividade aos imigrantes enfrentam</p><p>uma considerável reação por parte de seus cidadãos, países de ideologia liberal vêm endurecendo políticas</p><p>de recepção de refugiados a ponto de romper com grandes acordos e entidades políticas para continuar</p><p>com sua postura austera.</p><p>Curiosamente, na “liderança” desse tipo de conduta estão o Reino Unido e os E.U.A, os quais lançaram na</p><p>década de 1970 o ideário neoliberal e os movimentos de globalização. Contudo, estão sendo os primeiros a</p><p>agirem contra a atual ordem, posicionando de forma antiglobal. O Reino Unido saiu da União Europeia</p><p>(Brexit) e os Estados Unidos recentemente anunciou sua saída da UNESCO, além de endurecer com Donald</p><p>Trump posicionamentos contrários à imigração, ao mercado global e aos acordos climáticos.</p><p>O presidente norte-americano Donald Trump fez sua eleição sob a pauta política de valorizar o nacional-</p><p>desenvolvimentismo contrariando os princípios do livre-mercado. Na Inglaterra, Theresa May endossa</p><p>abertamente a saída da Inglaterra da União Europeia e é comparada à figura de Margaret Thatcher,</p><p>conhecida como a “dama de ferro” por sua postura conservadora e autoritária.</p><p>O que alimenta a outra ponta do debate são conflitos de cunho religioso, mas que podem ser</p><p>desdobrados em fundamentos econômicos e políticos, a exemplo do fluxo de refugiados: os conflitos na</p><p>Síria, Iraque, Afeganistão. Além da luta por territórios e acesso aos oceanos vizinhos, temos uma disputa</p><p>lateral por recursos escassos na região, como água potável, terras férteis e jazidas de petróleo.</p><p>A ONU estima que apenas na Guerra da Síria, considerada como a maior tragédia humanitária, tenha</p><p>produzido um montante de 5 milhões de refugiados e mais de 400 mil mortos que se espalham nos países</p><p>vizinhos ao tentarem entrar, principalmente, em países da União Europeia que, teoricamente, têm</p><p>melhores condições econômicas e humanitárias para atender as massas de refugiados.</p><p>No caso da Síria, conflito que se iniciou em 2011 com a Primavera Árabe, cujo objetivo era retirar o ditador</p><p>Bashar al-Assad do poder, se faz presente até o momento, causando destruição quase total do país.</p><p>Al-Assad não aceitou a destituição do poder e com o apoio da Rússia, que tem negócio armamentista na</p><p>Síria, vem resistindo. Outras forças disputam o poder como, por exemplo, os rebeldes moderados e os</p><p>2 http://g1.globo.com/mundo/noticia/2016/07/maioria-dos-europeus-associa-refugiados-e-risco-terrorista.html</p><p>Carlos Roberto, Raphael de Oliveira Reis</p><p>Aula 06</p><p>- Prof. Raphael Reis</p><p>IFBA (Técnico Administrativo) Redação - 2022 (Pós-Edital) Sem Correção</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>86510500306390507 - Thiago munekata</p><p>jihadistas do Estado Islâmico. Estes são alvo do governo norte-americano que apoia os rebeldes para fazer</p><p>frente tanto ao Estado Islâmico como ao ditador Bashar al-Assad.</p><p>O Estado Islâmico por meio de recrutamento de jovens monta exércitos em seus campos de treinamento, e</p><p>coordena ataques terroristas tanto na Síria como em países que demonstrem apoio ao presidente Bashar</p><p>Al-Assad ou aos E.U.A.</p><p>A proximidade da Síria com a Europa faz com que refugiados se arrisquem tentando fugir dos conflitos e</p><p>das péssimas condições de vida, tanto pelo sudeste europeu quanto por rotas no Mediterrâneo, passando</p><p>pelo continente africano. Muitos não conseguem chegar ao seu destino devido a barreiras ou a acidentes no</p><p>percurso, deixando um saldo de milhares de mortos e feridos, além de perguntas sobre o que é ser um ser</p><p>humano no século XXI.</p><p>Carlos Roberto, Raphael de Oliveira Reis</p><p>Aula 06 - Prof. Raphael Reis</p><p>IFBA (Técnico Administrativo) Redação - 2022 (Pós-Edital) Sem Correção</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>86510500306390507 - Thiago munekata</p><p>PROPOSTA DE REDAÇÃO 02: ESPAÇO URBANO E O DIREITO À</p><p>CIDADE</p><p>Faça sua redação seguindo as exigências da tipologia do gênero dissertativo-argumentativo, obedecendo</p><p>as etapas clássicas de uma redação e capriche na fundamentação.</p><p>Texto I</p><p>Parágrafo único. Para todos os efeitos, esta Lei, denominada Estatuto da Cidade, estabelece normas de</p><p>ordem pública e interesse social que regulam o uso da propriedade urbana em prol do bem coletivo, da</p><p>segurança e do bem-estar dos cidadãos, bem como do equilíbrio ambiental.</p><p>Art. 2o A política urbana tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e</p><p>da propriedade urbana, mediante as seguintes diretrizes gerais:</p><p>I – garantia do direito a cidades sustentáveis, entendido como o direito à terra urbana, à moradia, ao</p><p>saneamento ambiental, à infra-estrutura urbana, ao transporte e aos serviços públicos, ao trabalho e ao</p><p>lazer, para as presentes e futuras gerações;</p><p>II – gestão democrática por meio da participação da população e de associações representativas dos vários</p><p>segmentos da comunidade na formulação, execução e acompanhamento de planos, programas e projetos</p><p>de desenvolvimento urbano; [...]</p><p>(Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/LEIS_2001/L10257.htm - Acesso em: 5 jun. 2018).</p><p>Texto II</p><p>Será que o espantoso ritmo e a escala da urbanização nos últimos 100 anos contribuíram para o bem-estar</p><p>humano? A cidade, nas palavras do sociólogo e urbanista Robert Park, é a tentativa mais bem-sucedida do</p><p>homem de refazer o mundo em que vive mais de acordo com os desejos do seu coração. Mas, se a cidade é</p><p>o mundo que o homem criou, é também o mundo onde ele está condenado a viver daqui por diante. Assim,</p><p>indiretamente, e sem ter nenhuma noção clara da natureza da sua tarefa, ao fazer a cidade o homem refez</p><p>a si mesmo.</p><p>Saber que tipo de cidade queremos é uma questão que não pode ser dissociada de saber que tipo de vínculos</p><p>sociais, relacionamentos com a natureza, estilos de vida, tecnologias e valores estéticos nós desejamos. O</p><p>direito à cidade é muito mais que a liberdade individual de ter acesso aos recursos urbanos: é um direito de</p><p>mudar a nós mesmos, mudando a cidade. Além disso, é um direito coletivo e não individual, já que essa</p><p>transformação depende do exercício de um poder coletivo para remodelar os processos de urbanização. A</p><p>liberdade de fazer e refazer as nossas cidades, e a nós mesmos é, a meu ver, um dos nossos direitos humanos</p><p>mais preciosos e ao mesmo tempo mais negligenciados.</p><p>(HARVEY, David. Direito à Cidade. Revista Piauí, Edição 82, Jul. 2013).</p><p>Carlos Roberto, Raphael de Oliveira Reis</p><p>Aula 06 - Prof. Raphael Reis</p><p>IFBA (Técnico Administrativo) Redação - 2022 (Pós-Edital) Sem Correção</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>86510500306390507 - Thiago munekata</p><p>Texto III</p><p>Chama-se gentrificação (do inglês gentrification) o fenômeno que afeta uma região ou bairro pela alteração</p><p>das dinâmicas da composição do local, tal como novos pontos comerciais ou construção de novos pontos</p><p>comerciais ou construção de novos edifícios, valorizando a região e afetando a população de baixa renda</p><p>local. Tal valorização é seguida de um aumento de custos de bens e serviços, dificultando a permanência de</p><p>antigos moradores de renda insuficiente para sua manutenção no local cuja realidade foi alterada.</p><p>Leia mais em: https://guiadoestudante.abril.com.br/coluna/redacao-para-o-enem-e-vestibular/nova-</p><p>proposta-de-redacao-vida-urbana-no-seculo-xxi/</p><p>PADRÃO DE RESPOSTA DA 2ª PROPOSTA: ESPAÇO URBANO E</p><p>DIREITO À CIDADE</p><p>Possíveis argumentos (ideias centrais):</p><p>I: Defender que o direito à cidade é básico para os indivíduos exercerem a sua cidadania.</p><p>II: O espaço urbano deve ser democratizado.</p><p>III: A mobilidade urbana vai além do deslocamento de veículos, por isso é necessário incluir pessoas com</p><p>deficiência no espaço urbano.</p><p>IV: O Brasil possui uma dependência do sistema rodoviário desde o governo de JK, o que gera sérios</p><p>problemas como, por exemplo, os congestionamentos por falta de alternativas de deslocamentos.</p><p>V: A desigualdade social gera segregação socioespacial.</p><p>Carlos Roberto, Raphael de Oliveira Reis</p><p>Aula 06 - Prof. Raphael Reis</p><p>IFBA (Técnico Administrativo) Redação - 2022 (Pós-Edital) Sem Correção</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>86510500306390507 - Thiago munekata</p><p>MODELO DE REDAÇÃO</p><p>Nada melhor aprender com que tirou nota 10, não é mesmo?!</p><p>Aluno: Igor Simões Concurso: Detran-SP Nota: 10</p><p>Carlos Roberto, Raphael de Oliveira Reis</p><p>Aula 06 - Prof. Raphael Reis</p><p>IFBA (Técnico Administrativo) Redação - 2022 (Pós-Edital) Sem Correção</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>86510500306390507 - Thiago munekata</p><p>Transcrição:</p><p>De acordo com o filósofo Aristóteles, a cidade deve proporcionar condições necessárias para que</p><p>seus habitantes tenham uma vida feliz e virtuosa (apresentação). Nessa perspectiva, o exercício da</p><p>cidadania de maneira exitosa tem relação intrínseca com as políticas públicas que visem dispor aos</p><p>indivíduos o direito à cidade em sua integralidade. Contudo, essas ainda sem mostram bastante</p><p>deficitárias em combater a segregação socioespacial, uma vez que falham em promover acesso e boa</p><p>qualidade aos itens básicos de locomoção com conforto e fluidez a todos os grupos sociais. (Tese mais</p><p>menção de tópicos).</p><p>Em primeira análise (conectivo), é indubitável a dificuldade estatal em equilibrar a utilização do</p><p>espaço urbano devido a cultural "carrocentrista" da sociedade hodierna (tópico frasal). Nesse contexto,</p><p>são realizados massivos investimentos rodovias à medida que as outras modalidades são</p><p>negligenciadas o que tem por corolário exaustivos e estressantes congestionamentos, enquanto a</p><p>malha ferroviária é insuficiente, o transporte público precário e as ciclovias, praticamente, inexistem.</p><p>Assim, esse desequilíbrio proveniente dos paupérrimos planos diretores elaborados por governantes</p><p>incapacitados reflete nos direitos constitucionais dos indivíduos, como lazer e descanso. Haja visto que</p><p>segundo dados do IPEA, os brasileiros das grandes cidades perdem quase 3 horas nos engarrafamentos</p><p>entre casa e trabalho, cerca de 36 horas por ano, tempo primordial que poderia ser convertido em</p><p>momentos com a família, atividades de lazer, práticas esportivas e repouso. (Fundamentação com</p><p>diversos recursos argumentativos: exemplificação, causas e consequências e dados estatísticos).</p><p>Ademais (conectivo), esse fenômeno cataclísmico do foco extremo motorizado acarreta</p><p>condições precárias das calçadas, o que por sua vez dificulta ou até mesmo impede o deslocamento</p><p>autônomo daqueles que são deficientes (ideia central). Com isso, para essas pessoas locomoverem-se</p><p>pela</p><p>cidade torna-se uma verdadeira epopeia, visto que os passeios são deveras irregulares, não</p><p>possuem condições de acessibilidade, não há piso tátil orientador para cegos. Desse modo, essa falta</p><p>de alteridade às necessidades alheias impossibilita que esses acessem todos os espaços públicos, o que</p><p>resulta em exclusão social. (Fundamentação a partir do recurso argumentativo da exemplificação). Tal</p><p>realidade atenta contra a dignidade humana e expõe a falta de engajamento do Estado em prover a</p><p>felicidade do homem através de serviços públicos qualitativos. (Conclusão do parágrafo).</p><p>Dessarte, diante do exposto (conectivo), infere-se que a mobilidade urbana não é só o fluir do</p><p>trânsito, mas também o uso democrático do espaço urbano pelos diversos meios de locomoção, com</p><p>inclusão social das pessoas com deficiência através da implementação de políticas públicas, além de</p><p>priorizar os pedestres. Dessa forma, é mister que haja total empenho dos aparelhos estatais a fim de</p><p>mitigar a segregação socioespacial que impacta diretamente a qualidade de vida dos cidadãos ao ferir</p><p>fulcrais direitos constitucionais e limitar o exercício da cidadania. (A Conclusão mesclou considerações</p><p>das ideias centrais e proposta de solução).</p><p>Carlos Roberto, Raphael de Oliveira Reis</p><p>Aula 06 - Prof. Raphael Reis</p><p>IFBA (Técnico Administrativo) Redação - 2022 (Pós-Edital) Sem Correção</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>86510500306390507 - Thiago munekata</p>

Mais conteúdos dessa disciplina