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Tratamento Fase Aguda do AVCi Albérico Rocha Lima Neto, residente em neurologia HG Introdução O acidente vascular cerebral (AVC) é uma emergência médica Diagnóstico e tratamento rápidos melhoram prognóstico Diferenciar entre AVC isquêmico e hemorrágico é essencial para conduta adequada ● O AVC é a segunda principal causa de morte e incapacidade no mundo ● Importância da conscientização da população para o reconhecimento precoce dos sintomas Definição de AVC AVC isquêmico: obstrução do fluxo sanguíneo cerebral, geralmente por trombo ou êmbolo AVC hemorrágico: ruptura de um vaso cerebral levando a sangramento intracraniano ● Fatores de risco incluem hipertensão, diabetes, tabagismo, dislipidemia, fibrilação atrial e histórico familiar ● AVC transitório (AIT): sintomas transitórios sem infarto cerebral definido na imagem Avaliação Inicial Anamnese rápida: identificar tempo de início dos sintomas (janela terapêutica) Exame físico: sinais neurológicos focais e nível de consciência Escala NIHSS: quantifica o déficit neurológico e auxilia na decisão terapêutica ● Diagnóstico diferencial: excluir crises epilépticas, enxaqueca, hipoglicemia, tumor cerebral e encefalopatia hipertensiva ● Sinais de alerta: déficit máximo ao ínicio, pode ser precedido por AIT, dor de cabeça é incomum, pressão sanguínea frequentemente elevada Avaliação Inicial Anamnese rápida: identificar tempo de início dos sintomas (janela terapêutica) Exame físico: sinais neurológicos focais e nível de consciência Escala NIHSS: quantifica o déficit neurológico e auxilia na decisão terapêutica ● Diagnóstico diferencial: excluir crises epilépticas, enxaqueca, hipoglicemia, tumor cerebral e encefalopatia hipertensiva ● Sinais de alerta: déficit máximo ao ínicio, pode ser precedido por AIT, dor de cabeça é incomum, pressão sanguínea frequentemente elevada Avaliação Inicial 10 minutos para avaliação médica inicial 15 minutos para acionar equipe de neurologia 25 minutos realização de neuroimagem 45 minutos resultado da neuroimagem 60 minutos inicio da trombólise Avaliação Inicial Avaliação Inicial Pacientes com déficit neurológico de início súbito, independente da idade, em decorrência de evento isquêmico encefálico em até 24 horas do início dos sintomas Critérios para abertura: ● Alteração de força ou sensibilidade súbitas (menos de 24 horas); ● Alteração da fala, com dificuldade repentina em falar ou compreender o que lhe é solicitado; ● Perda visual súbita, especialmente se unilateral; ● Cefaleia inédita e súbita, na maioria das vezes, descrita como a pior cefaleia da vida; ● Rebaixamento súbito do nível de consciência; Avaliação Inicial Diagnóstico Diferencial Hemorragia intraparenquimatosa: pode apresentar cefaleia e nauseas, déficits piora com o decorrer do tempo, perda de consciência é rara, pressão sanguínea geralmente elevada Hemorragia subaracnoide: Cefaleia em trovoadas, associada a perda de consciência, sintomas focais não são frequentes Diagnóstico Diferencial ● Convulsão com déficit pós- ictal: ocorre após crise convulsiva, déficit gradualmente melhoram ao passar das horas, pode ser diferenciado através da RNM, EEG pode demonstrar atividade epileptiforme ● Migrânea com aura: história de migrânea, pode ter paresia, afasia, negligência, alt. visuais, ocorre em pacientes jovens sem fatores de risco para AVC. ● Recorrência de déficit anterior piora de sintomas antigos de evento prévio (sem novos sintomas), causado por febre, hipóxia, hipoglicemia, hiponatremia ou outras alterações metabólicas. ● Hematoma subdural geralmente história de trauma, sintomas focais ou confusão subaguda, cefaleia é comum Diagnóstico Diferencial ● Tumor cerebral ou abcesso usualmente é subaudo e faz mimica de AVC, mas pode piorar abruptamente, pode causar cefaleia. ● Esclerose múltipla apresentação subaguda, pode ter outros déficits anteriores, diferenciada na RNM, mais comum em jovens sem fator de risco ● Vertigem periférica pode imitar AVC de tronco encefálico e cerebelo, pode ser diferenciado pelo exame físico, definição pode ser feita pela RNM. ● Encefalopatia hipertensiva comumente altera o estado mental, cefaleia, alteração visual, hipertensão ● Síndrome conversiva, diagnóstico de exclusão, exame neurológico com inconsistências, realizar manobras distratoras. Diagnóstico por Imagem TC de crânio sem contraste: primeiro exame para diferenciar AVC isquêmico de hemorrágico RM pode ser utilizada para avaliar lesões isquêmicas precoces e pequenas áreas afetadas Angio-TC e Angio-RM podem auxiliar na identificação de trombose, dissecção arterial ou estenose vascular Perfil A – paciente com déficit neurológico 200 mmHG causaram aumento da mortalidade MAPAS não demonstrou benefício na redução da PA durante fase aguda, sugerindo PA entre 161-180 mmHg ● RIGHT-2, redução da hipertensão não demonstrou resultados de melhora funcional ● 30-48H: ENOS não demonstrou alteração em resultados funcionais e risco de morte em 3 meses com introdução de anti-hipertensivos; ● Cossacks demonstrou que não houve diferença no resultado funcional, interrupição de anti- hipertensivos em 12h do evento demonstrou uma tendencia não significativa de menos mortes ou dependências Possíveis complicações Antes de iniciar a terapia trombolítica, recomenda-se o tratamento para que a pressão arterial sistólica seja ≤185 mmHg e a pressão arterial diastólica seja ≤110 mmHg A pressão arterial deve ser estabilizadae mantida igual ou inferior a 180/105 mmHg durante pelo menos 24 horas após o tratamento trombolítico Paciente tenha doença coronariana isquêmica ativa, insuficiência cardíaca, dissecção aórtica, encefalopatia hipertensiva ou pré- eclâmpsia/eclâmpsia a hipertensão deve ser tratada. Quando o tratamento é indicado, sugere-se uma redução cautelosa da pressão arterial em aproximadamente 15% durante as primeiras 24 horas após o início do AVC. Tratamento do AVC isquêmico Administração de trombolítico intravenoso (rtPA) dentro da janela de 4,5 horas, considerando contraindicações Avaliação para trombectomia mecânica em casos de oclusão de grandes vasos até 24 horas em pacientes selecionados ● Controle de fatores de risco: anticoagulação se indicado, controle pressórico e uso de estatinas ● Monitorização rigorosa nas primeiras 24-48 horas, evitando febre e hiperglicemia ● Prevenção de complicações como pneumonia aspirativa e TVP Tratamento do AVC isquêmico Critério de inclusão: ● Idade ≥18 anos; ● Tempo de déficit até 4,5h ou Ictus indefinido (Wake-up stroke) com presença de mismatch radiológico através da RM de Encéfalo; ● Tempo de déficit até 3h para usuários de anticoagulantes com INR compatível para trombólise; ● Exame de neuroimagem com exclusão de outros diagnósticos diferenciais e sem sinais de franca alteração isquêmica (AVC maligno) recente. ● Glicemia Normal (entre 60 – 400 mg/dl); ● PA 1,7; Tratamento do AVC isquêmico Tempo de tromboplastina parcial ativado (TTPa) >40 segundos; Uso de dose terapêutica de heparina de baixo peso molecular nas últimas 24 horas; Uso de inibidores diretos da trombina ou inibidores diretos do fator Xa, a menos que testes laboratoriais, tais como TTPa, RNI, plaquetas, Tempo de Trombina, ou ensaios de atividade do fator Xa, estejam normais ou o paciente não tenha recebido uma dose desses agentes nas últimas 48 horas (assumindo que a função renal esteja normal); Suspeita de endocardite bacteriana; Suspeita de dissecção aórtica; Presença de tumor cerebral intra-axial. O tratamento é provavelmente recomendado para pacientes com tumor cerebral extra-axial. Tratamento do AVC isquêmico Alteplase EV, na dose de 0,9 mg/kg (dose máxima de 90 mg), com 10% da dose total em bolus inicial em 1 minutos, segundo de infusão em bomba de infusão do restante em 60 minutos. Aplicar escala NIHHS: 15/15 min durante infusão, após o término, 1/1h nas primeiras 6 horas e de 6/6h até completarem as primeiras 24 horas. Deve ser realizada uma vez ao dia até o 10º dia. Cuidados pós-trombólise Cuidados pós-trombólise ● Não utilizar antitrombóticos, antiagregantes e anticoagulantes nas próximas 24 horas pós-trombolítico; ● Controle neurológico rigoroso, aplicar NIHSS 6/6 horas nas primeiras 24 horas, e neurocheck a cada 2/2horas; ● Monitorização cardíaca e pressórica (PA a cada 15 min nas duas primeiras horas; a cada 30 min da terceira a oitava hora; e a cada 1 hora na nona até 24h do início do tratamento, atentando para valores >180/110mmHg); ● Não realizar acesso venoso central ou punção arterial nas primeiras 24h; ● Não administrar soluções hipotônicas (p. ex soro glicosado) intravenosas; ● Evitar passar sonda vesical nas primeiras 24; se absolutamente essencial, aguardar pelo menos 30 minutos do término da infusão do rt-PA; ● Evitar passagem de sondas nasoenteral e/ou nasogástrica nas primeiras 24h; ● Manter o paciente em jejum de pelo menos 12 h e antes de alimentar, avaliar disfagia (avaliação da fonoaudiologia); ● Manter cabeceira elevada continua a 30°; Complicações Hemorragia cerebral relacionada ao uso da alteplase: Hb/Ht, TTPA/RNI, TAP, Tipagem Sanguínea e Fibrinogênio, nova Tomografia de Crânio sem contraste. Caso haja confirmação do sangramento intracraniano sintomático, considerar: Criopreciptado 10 UI IV (10 – 30 minutos), podendo dar dose adicional se fibrinogênio