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2 5 E stru tu ra d o s Á cid o s N u cle ico s menta de forma drástica, tornando este processo muito rápido. Lembre-se de que o pareamento entre as bases nitrogenadas das cadeias do DNA ocorre por comple- mentaridade das sequências e, portanto, é dependente da sequência de bases das fitas, o que torna este processo preciso. Em outras palavras, apenas duas fitas que apre- sentarem sequências complementares e forem antipara- lelas (uma fita na orientação 5'→3' e a outra complemen- tar na orientação 3'→5') irão reassociar-se. Se ocorrer um resfriamento abrupto, as fitas do DNA colapsam e a renaturação pode não ocorrer. Os pareamentos por pontes de hidrogênio entre as bases no DNA não apresentam a mesma estabilidade em relação aos agentes desnaturantes, devido à presença de duas pontes de hidrogênio entre os pares AT e três pontes entre os pares CG. Portanto, para o rompimento de um par CG são necessárias temperaturas mais ele- vadas, pH mais alcalino, ou maiores concentrações de agentes desnaturantes do que para a separação de um par AT. Assim, a Tm de um DNA depende da propor- ção de AT em relação a GC (lembre-se que as moléculas de DNA podem ter diferentes proporções de AT e GC, dependendo do organismo ou da região do DNA anali- sada). Quanto maior for a porcentagem de GC (índice de GC ou GC%), maior será a temperatura necessária para desnaturar a molécula de DNA e, portanto, maior será o valor de Tm (Figura 2.6). Na natureza, isso pode ser observado no genoma de alguns organismos. Por exem- plo, bactérias que habitam ambientes com temperaturas elevadas tendem a ter um genoma com maior índice GC que, potencialmente, teria maior estabilidade em tem- peratura mais elevada. Outro exemplo são regiões do genoma onde a hélice dupla é separada para o início da replicação ou da transcrição que tendem a ter índice AT maior (GC menor), facilitando a abertura (separação das cadeias da hélice dupla). É possível calcular o conteúdo de GC ou AT de um dado DNA a partir do valor da sua Tm, determinado, de forma experimental, utilizando as equações: Tm (oC) � 69,3 + 0,41 (GC%) e AT% � 1 – (GC%) Além da medida da absorbância de luz UV, outras técnicas podem ser utilizadas para acompanhar a desna- turação/renaturação do DNA, como, por exemplo: a sedi- mentação por centrifugação; o tratamento com enzimas específicas para fita simples (nuclease S1, por exemplo); e a microscopia eletrônica. É possível determinar o tamanho de um genoma uti- lizando medidas da renaturação do DNA. A velocidade de renaturação do genoma de um determinado organismo depende do tamanho desse genoma. A seguinte fórmula define essa relação: onde: C é a concentração de fita simples em um tempo t Co é a concentração de fita simples em um tempo zero K2 é uma constante t é tempo Quando a fração de reassociação C/Co é igual a 50%, então Cot � 1/k2. Esse valor, denominado (Cot)1/2, é pro- porcional a N, que é a medida direta do tamanho do DNA analisado. Assim, o tamanho de um determinado genoma pode ser definido comparando seu Cot1/2 com o de um DNA pa- drão com tamanho conhecido. Por exemplo: o cromosso- mo da bactéria E. coli corresponde a 4,2 x 106 pb. Então, a seguinte fórmula pode ser utilizada: A cinética de renaturação é muito importante para a caracterização do tamanho e da complexidade dos geno- mas, principalmente de organismos eucarióticos. O reanelamento (renaturação) do DNA também pode ser empregado na identificação de sequências de interesse. Esse processo, denominado hibridização, uti- liza a propriedade dos ácidos nucleicos de fita simples de parearem (formarem pontes de hidrogênio) com fitas complementares, mesmo na presença de grandes quanti- dades de DNA não complementar. Esse tipo de metodo- logia tem uma vasta aplicação prática e será discutida no Capítulo 16. 1.3 Supertorção Além da estrutura secundária da hélice dupla, o DNA as- sume uma estrutura terciária, denominada supertorcida, superenrolada ou super-helicoidal (Figura 2.7). Essa outra estrutura é basicamente o enrolamento da hélice dupla sobre si mesma. Lembre-se que a molécula de DNA é muito longa. A estrutura supertorcida é a conformação predominante do DNA na célula e é fundamental para o empacotamento do DNA nos genomas e na estrutura dos nucleosomos (Capítulo 3). Além disso, o superenro- lamento está envolvido na replicação, na transcrição e na recombinação, controlando a expressão de alguns genes. Os métodos comuns de isolamento de DNA, em ge- ral, alteram a estrutura tridimensional da molécula e, quando o superenrolamento foi descrito pela primeira vez, acreditava-se que ele ocorria somente em moléculas circulares pequenas, como genomas virais, plasmídeos, DNA mitocondrial e de cloroplastos. Atualmente, sabe- -se que esta é uma característica de quase todos os DNAs circulares e lineares e que é de extrema importância para a sua funcionalidade. As estruturas de DNA superenrolado são estudadas em um ramo da matemática denominado topologia. Para essas considerações, a molécula de DNA de hélice dupla pode ser representada como duas fitas elásticas Zaha_5ed_02.indd 25Zaha_5ed_02.indd 25 27/11/13 09:2027/11/13 09:20