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1 Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 2 DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS Fala aeeeee Bisonho(a)! Hoje iremos estudar os chamados direitos fundamentais previstos em nossa Constituição Federal,porém antes de adentramos em cada artigo e inciso é importante que você entenda algumas normas gerais sobre os Direitos Fundamentais que são cobrados corriqueiramente em Concursos Públicos,pode parecer “encheção de linguiça”,mas garanto que não é! É importante que você saiba essas informações para prosseguirmos aos estudos. REGRAS GERAIS Os direitos e garantias fundamentais expressos na CF/88, são reunidos em cinco grupos diferentes, a saber: 1. Direitos individuais e coletivos (art.5º): tais direitos se dividem em individuais, coletivos e difusos. Os direitos individuais são prerrogativas usadas pelo indivíduo para opor-se ao arbítrio estatal. Os direitos coletivos, por sua vez, pertencem a uma coletividade que se vincula juridicamente, como é o caso dos sindicatos, por exemplo. Os direitos difusos também pertencem a uma coletividade, porém essas coletividade não se vincula juridicamente, o que não permite a identificação dos titulares, como exemplo deste temos o direito a um meio ambiente sadio; 2. Direitos sociais (art. 6º a 11º): decorrem do fato de o indivíduo estar inserido em uma sociedade estatal; 3. Direitos de nacionalidade (art. 12º e 13º): é o direito de manter um vínculo jurídico com um Estado e de receber a proteção deste; 4. Direitos políticos (art. 14º a 16º): direitos através dos quais os cidadãos exercem a soberania popular; 5. Direitos relacionados à existência, organização e participação e partidos políticos (art. 17º): é o direito garantido à coletividade de poder ascender ao poder e impor à coletividade seu modo de governo. Os direitos e garantias fundamentais estão tratados no Título II da Constituição, porém, pode-se encontrar matérias referentes a tais direitos em outros dispositivos constitucionais e até mesmo fora da Constituição, como nos tratados e convenções internacionais dos quais o Brasil seja parte, como afirma o art. 5º, § 2º. Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 3 EVOLUÇÃO DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS Por sua característica de historicidade os direitos e garantias fundamentais são evolutivos , tendo que acompanhar a evolução da sociedade, assim tais direitos estão em constante evolução e o Estado em constante reconhecimento de novos direitos. A doutrina usa a denominação de dimensões ou gerações para classificar os direitos fundamentais de acordo com a sua evolução histórica, assim temos, a saber: 1. Direitos fundamentais de primeira geração: são os relativos às liberdades individuais do indivíduo, foram os primeiros a serem reconhecidos, e têm como objetivo levar o Estado a ter um comportamento a abstenção, de não intervenção na vida particular do indivíduo. Tal direito não tem nenhuma preocupação social (essa preocupação só surge com os direitos de segunda geração), limitam-se a impor ao Estado restrição ao seu direito de agir em favor das liberdades dos indivíduos, por isso são tidos como direitos negativos, liberdades negativas ou direitos de defesa dos indivíduos frente ao Estado. SÃO OS DIREITOS CIVIS E POLÍTICOS, constituindo as chamadas liberdades negativas; 2. Direitos fundamentais de segunda geração: são as chamadas liberdades positivas, que acentuam a igualdade entre os homens, tais direitos exigem uma prestação concreta dos direitos sociais. São os chamado direitos positivos ou direitos de bem estar. Há de se ressaltar que nem todos os direitos de segunda geração constituem-se em direitos positivos, há, também, direitos sociais negativos, como o de liberdade sindical e o direito de greve, por exemplo. Assim, enquanto os direitos de primeira geração buscam estabelecer liberdades aos indivíduos limitando a atuação estatal, os direitos sociais de segunda geração buscam estabelecer uma igualdade material entre as pessoas, através de políticas públicas, que deverão ser tomadas pelo Estado. SÃO OS DIREITOS ECONÔMICOS, SOCIAIS E CULTURAIS; 3. Direitos fundamentais de terceira geração: são direitos transindividuais, que preocupam-se com a proteção do ser humano como um todo. Consagram o princípio da fraternidade e da solidariedade. Protegem os interesses difusos de uma coletividade, como ocorre por exemplo no direito a um meio ambiente limpo, na defesa do consumidor etc. Tais direitos não se destinam à proteção de um indivíduo, de um grupo ou de um Estado. Sua titularidade é difusa ; Direitos fundamentais de quarta e de quinta e sexta geração: não há consenso doutrinário. Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 4 4. Quarta Geração de Direitos: Os direitos de quarta geração dizem respeito à globalização e à integração mundial, com foco em aspectos como a paz, a democracia e a informação. Esses direitos têm uma dimensão mais ampla, com o objetivo de garantir uma convivência harmônica entre os Estados e a preservação da paz global. Alguns dos principais aspectos incluem: Direito à democracia e ao acesso a uma governança global democrática. Direito à informação e à comunicação livre e transparente, reforçando o papel da mídia e das novas tecnologias. Direitos à cooperação internacional e à paz, reconhecendo que a paz mundial é essencial para o desenvolvimento humano. 5. Quinta Geração de Direitos: Os direitos de quinta geração estão fortemente relacionados à preservação do meio ambiente e ao desenvolvimento sustentável. Com o aumento das preocupações ambientais e da crise climática, esse conjunto de direitos busca assegurar um ambiente equilibrado e saudável para as futuras gerações. Entre os principais direitos de quinta geração estão: Direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, com foco na sustentabilidade e preservação de recursos naturais. Direito ao desenvolvimento sustentável, que promove a utilização consciente dos recursos naturais sem comprometer as futuras gerações. 6. Sexta Geração de Direitos: Ainda em debate, os direitos de sexta geração refletem avanços tecnológicos e questões éticas associadas à tecnologia e à biotecnologia, como a inteligência artificial, a bioética e a privacidade digital. Esses direitos buscam regular o impacto das inovações na vida humana. Incluem: Direito à privacidade digital e à proteção de dados pessoais, especialmente com o avanço da inteligência artificial e da coleta massiva de dados. Direitos bioéticos, como o controle e a regulamentação sobre avanços em manipulação genética e clonagem. Direitos relacionados à inteligência artificial e aos impactos éticos de sua integração na vida social e laboral. Vale ressaltar que o reconhecimento de um geração não exclui as demais, anteriormente reconhecidas. DIFERENÇA ENTRE DIREITOS E GARANTIAS Segundo o professor Rui Barbosa: "as disposições meramente declaratórias, são as que imprimem existência legal aos direitos Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 5 reconhecidos, e as disposições assecuratórias, que são as que, em defesa de direitos, limitam o poder. Aquelas instituem os direitos, estas as garantias, ocorrendo, não raro, juntar-se na mesma disposição constitucional, ou legal, a fixação de garantia com a declaração de direito". Os direitos são bens em si mesmo considerados, declarados como tais em textos legais, enquanto garantias são instrumentos de proteção a tais direitos. Assim temos que o direito à vida tem como garantia a garantia de vedação à pena de morte, ou seja, de não ser morto. As garantias também garantem a devida reparação no caso de violação indevida. Os "remédios constitucionais" são espécies do gênero garantia, isso porque uma vez consagrado o direito, sua garantia nem sempre estará assegurada em uma das regras constitucionais denominadas de "remédios constitucionais", sejam eles administrativos ou judiciais.Em determinadas situações a garantia pode está descrita na própria norma que assegura o direito. CARACTERÍSTICASpode recusar-se a realizar provas e exigir aprovação direta, com base na Constituição Federal. ( ) Certo ( ) Errado Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 33 Questão 4 É permitido a uma pessoa recusar-se a cumprir o serviço militar obrigatório, sem oferecer qualquer prestação alternativa, fundamentando sua decisão unicamente em sua crença religiosa. ( ) Certo ( ) Errado Questão 5 Um funcionário público pode, com base em sua convicção política, recusar-se a servir sob a administração de determinado governo, sem que isso configure abandono de cargo. ( ) Certo ( ) Errado Gabarito e Comentários 1.Gabarito: Errado Comentário: A Constituição Federal assegura a liberdade de crença e a possibilidade de escusa de consciência, mas quando a lei impõe uma obrigação (como o cumprimento de carga horária de trabalho), o servidor deve cumprir uma prestação alternativa, se disponível, acordada com a administração. 2.Gabarito: Errado Comentário: Apesar de a Constituição garantir a liberdade de convicção filosófica, o voto é obrigatório no Brasil para maiores de 18 anos, exceto para os facultativos. A justificativa por não votar não isenta o cidadão das obrigações legais, como pagar multas por não votar. 3. Gabarito: Errado Comentário: A Constituição assegura a liberdade de convicção política, mas isso não isenta o estudante de cumprir as obrigações acadêmicas, como a realização de provas. Não há previsão legal que permita a aprovação direta por convicções políticas. 4.Gabarito: Errado Comentário: A Constituição prevê a possibilidade de objeção de consciência, permitindo que o indivíduo se recuse a cumprir o serviço militar por motivos de crença religiosa, filosófica ou política. No entanto, ele deve cumprir uma prestação alternativa, fixada em lei. 5.Gabarito: Errado Comentário: A liberdade de convicção política é garantida pela Constituição, mas não autoriza o funcionário público a recusar-se a exercer suas funções, sob a administração de qualquer governo eleito democraticamente. Tal atitude pode ser considerada como abandono de cargo, sujeito às penalidades legais correspondentes. Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 34 QUESTÕES Questão 1 Segundo o artigo 5º, VIII, da Constituição Federal, em qual das seguintes situações um indivíduo NÃO poderia invocar sua crença religiosa para se eximir de uma obrigação legal? A) Recusar-se a realizar o serviço militar obrigatório, sem aceitar prestar serviço alternativo. B) Negar-se a vacinar seus filhos por convicções religiosas, mesmo com vacinas obrigatórias incluídas no Programa Nacional de Imunizações. C) Solicitar mudança de horário em seu local de trabalho para observar práticas religiosas, desde que compense o tempo de acordo com a política da empresa. D) Recusar-se a participar de cerimônias cívicas que contrariem seus princípios religiosos, desde que não desrespeite a lei. Questão 2 De acordo com a Constituição Federal, a escusa de consciência é um direito que permite ao indivíduo: A) Recusar-se a cumprir qualquer tipo de obrigação legal, desde que justifique essa recusa com suas convicções pessoais. B) Invocar suas convicções religiosas, filosóficas ou políticas para eximir-se de obrigações legais, desde que não ofereça uma prestação alternativa. C) Eximir-se de cumprir obrigações legais específicas, se estas contrariarem suas convicções religiosas, filosóficas ou políticas, desde que se submeta a uma prestação alternativa fixada em lei. D) Ignorar todas as determinações legais que contrariem suas crenças pessoais, sem necessidade de justificar sua posição ou oferecer alternativas. Questão 3 Qual das seguintes afirmações sobre a prestação de assistência religiosa, conforme a Constituição Federal, é CORRETA? A) A assistência religiosa em entidades civis e militares de internação coletiva é proibida. B) A prestação de assistência religiosa é assegurada apenas em instituições militares. C) A assistência religiosa é garantida em entidades civis e militares de internação coletiva, respeitando-se as normas internas dessas instituições. D) Somente religiosos de determinadas crenças podem prestar assistência em entidades de internação coletiva. Questão 4 Um cidadão pode ser privado de direitos por motivo de crença religiosa ou convicção filosófica ou política quando: A) Recusar-se a cumprir qualquer tipo de imposto com base em suas crenças. B) Invocar sua crença religiosa para justificar a não participação em consultas públicas obrigatórias. Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 35 C) Utilizar sua convicção política como motivo para não cumprir prestação alternativa fixada em lei, em substituição a uma obrigação da qual se eximiu. D) Optar por não votar em eleições gerais, justificando sua ausência com convicções religiosas. Questão 5 Qual das opções abaixo NÃO está em conformidade com o direito à escusa de consciência, conforme estabelecido na Constituição Federal? A) Um estudante que solicita realizar uma prova em data diferente da programada por motivos de crença religiosa. B) Um servidor público que recusa realizar tarefas essenciais de seu cargo, alegando contrariar suas convicções filosóficas. C) Um indivíduo que se recusa a servir ao exército por convicções religiosas, aceitando realizar serviço alternativo. D) Pais que não permitem que seus filhos frequentem determinadas aulas na escola, baseando-se em convicções religiosas, sem oferecer alternativa educacional compatível. Comentário e Gabarito 1.Gabarito: B Comentário: A Constituição assegura o direito à liberdade de crença, mas estabelece limites quando a prática dessa crença colide com obrigações legais impostas a todos, como é o caso da vacinação obrigatória, que visa ao bem-estar coletivo e à saúde pública. 2.Gabarito: C Comentário: A Constituição permite que o indivíduo se exima de cumprir determinadas obrigações legais se estas contrariarem suas convicções, mas ele deve aceitar uma prestação alternativa, quando prevista em lei. 3.Gabarito: C Comentário: A Constituição assegura a prestação de assistência religiosa em entidades civis e militares de internação coletiva, com a condição de que sejam observadas as normas internas das respectivas instituições. 4.Gabarito: C Comentário: A Constituição prevê que ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei. 5.Gabarito: D Comentário: A Constituição permite a escusa de consciência, mas quando se trata de educação, os pais ou responsáveis não podem simplesmente retirar seus filhos de atividades escolares obrigatórias sem oferecer uma alternativa educacional que cumpra com as Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 36 exigências legais, como parte do direito à educação garantido a todas as crianças e adolescentes. IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença; Explicação: O texto garante a liberdade de expressão em relação a 4 atividades: a) intelectual; b) artística; c) de comunicação e; d) científica; e garante que elas poderão ser exercidas livremente, sem censura ou licença. POSIÇÃO DO STF A atividade de músico é considerada uma manifestação artística e por isso não depende de inscrição na Ordem dos Músicos do Brasil para que se exerça essa profissão - tampouco que se pague anuidade a essa entidade. Essa é a posição do STF (Informativo nº 752 - RE/RG 795.467-SP Rel. Min. Teori Zavascki). X - são invioláveis a intimidade,a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação; Omorto tem direito à imagem? Sim, claro. O Superior Tribunal de Justiça, em acórdão conhecidíssimo, Resp 521.697, concedeu dano moral as filhas do jogador Garricha por uma obra que ofendia a sua imagem. “A pessoa famosamuitas vezes projeta efeitos econômicos para além de sua morte, pelo que seus sucessores passam a ter, por direito próprio, legitimidade para postularem indenização em juízo, seja por dano moral, seja por dano material.” E como fica o sigilo bancário? O Supremo Tribunal Federal firmou jurisprudência no sentido de que o sigilo bancário é espécie do direito à privacidade, inerente ao artigo 5º, incisos X e XI da Constituição. O sigilo bancário deve ceder diante do interesse público, do interesse social e do interesse da justiça, sendo, portanto, perfeitamente possível a quebra do sigilo bancário, desde que observados os procedimentos estabelecidos em lei e com respeito ao princípio da razoabilidade.Por outro lado a jurisprudência é firme no sentido da impossibilidade do Ministério Público determinar a quebra do sigilo bancário. O direito à privacidade de uma pessoa pode ser maior que de outra? Sim, claro. Um representante do povo deve ter, no caso concreto, uma privacidade mais restrita, pois isso envolve direitos políticos. Um candidato, por exemplo, que seja portador de uma doença grave não pode deixar isso escondido da população. A população tem o direito de saber, pois isso influencia na hora da escolha do voto. Quem garante que o candidato, se eleito, estará governando no próximo ano? Então isso interessa a sociedade e não pode ter a Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 37 mesma proteção. Por outra lado, quando referimos a um artista ou um jogador de futebol, e este possui uma doença grave, isso não interessa em nada a população a não ser por mera curiosidade. Vamos reformular as questões de concurso público sem utilizar a palavra "estilo" e mantendo a estrutura solicitada: Questão 1 (FGV) A respeito do direito à imagem após a morte, o Superior Tribunal de Justiça estabeleceu que: A) A proteção ao direito de imagem se extingue com amorte do indivíduo. B) Apenas indivíduos com notoriedade pública têm seu direito à imagem preservado após a morte. C) Os sucessores diretos não possuem legitimidade para reivindicar indenização por violação do direito de imagem do falecido. D) Os herdeiros possuem legitimidade para requerer indenização por danos morais ou materiais causados pela violação do direito de imagem do falecido. Questão 2 (CEBRASPE) Sobre o sigilo bancário, conforme jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, é correto afirmar que: A) O sigilo bancário é absoluto e não pode ser quebrado sob nenhuma circunstância. B) O sigilo bancário pode ser quebrado somente com consentimento expresso do titular. C) A quebra do sigilo bancário é permitida, desde que fundamentada por interesse público e observados os procedimentos legais. D) A determinação para a quebra do sigilo bancário pode ser exclusivamente feita pelo Ministério Público. Questão 3 (FCC) Considerando a proteção à privacidade garantida pela Constituição Federal, é INCORRETO afirmar que: A) O direito à privacidade é absoluto e não admite exceções. B) A privacidade de representantes públicos pode ser relativizada em função do interesse público. C) O direito à privacidade pode ser ponderado frente a direitos coletivos e ao interesse público. D) O sigilo bancário, como parte do direito à privacidade, pode ser quebrado seguindo procedimentos legais e sob certas condições. Questão 4 (CRS PMMG) Acerca do direito à imagem e sua proteção jurídica após a morte do indivíduo, é correto afirmar que: Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 38 A) A proteção ao direito de imagem não se aplica a indivíduos falecidos. B) Somente indivíduos que não possuem herdeiros legais têm seu direito à imagem protegido após a morte. C) Os herdeiros podem requerer indenização por danos causados à imagem de seus antecessores. D) A legislação brasileira não prevê a proteção ao direito de imagem de indivíduos falecidos. Questão 5 (AOCP) Em relação ao direito à privacidade e ao sigilo bancário, segundo o Supremo Tribunal Federal, assinale a alternativa correta: A) O sigilo bancário é uma extensão do direito à privacidade e, como tal, não pode ser violado. B) O sigilo bancário, embora protegido, pode ser quebrado em situações que envolvam o interesse público, respeitando-se os procedimentos legais. C) A quebra do sigilo bancário para investigação pode ser realizada a qualquer momento pelo Ministério Público sem necessidade de autorização judicial. D) O sigilo bancário só pode ser quebrado com a autorização expressa do titular da conta, em qualquer circunstância. Comentários às Questões: Questão 1 (FGV):** Destaca a extensão da proteção ao direito de imagem pós-morte, refletindo o entendimento jurídico de que a imagem de uma pessoa pode continuar gerando impactos e, portanto, deve ser protegida, permitindo aos herdeiros a busca por reparação em casos de violação. Questão 2 (CEBRASPE):** Aborda a flexibilidade do sigilo bancário diante do interesse público, mostrando que o direito à privacidade, embora fundamental, não é absoluto e pode ser relativizado para atender a interesses maiores da sociedade, seguindo procedimentos legais. Questão 3 (FCC):** Aponta para a compreensão de que o direito à privacidade pode ser ponderado frente a outros interesses, especialmente quando se trata de figuras públicas ou questões de relevante interesse público, estabelecendo que não há direitos absolutos. Questão 4 (CRS PMMG):** Reforça o entendimento de que o direito de imagem é protegido mesmo após a morte, permitindo que herdeiros busquem reparação por violações, alinhado com a jurisprudência que reconhece o valor e a dignidade da pessoa humana, mesmo postumamente. Questão 5 (AOCP):Clarifica a posição do STF sobre o sigilo bancário, indicando que, apesar de ser um direito protegido, pode ser excepcionalmente quebrado em situações justificadas, reiterando a ideia de que nenhum direito é incondicional e pode ser ajustado conforme o contexto social e jurídico. Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 39 XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial; O QUE É CONSIDERADO CASA ? Para os fins da proteção jurídica a que se refere o art. 5º, XI, da Constituição da República, o conceito normativo de "casa" revela-se abrangente e, por estender-se a qualquer compartimento privado não aberto ao público, onde alguém exerce profissão ou atividade (CP, art. 150, § 4º, III), compreende, observada essa específica limitação espacial (área interna não acessível ao público), os escritórios profissionais, inclusive os de contabilidade, "embora sem conexão com a casa de moradia propriamente dita" (Nelson Hungria). STF: A Busca e apreensão domiciliar sem mandado judicial em caso de crime permanente. (...) Fixada a interpretação de que a entrada forçada em domicílio sem mandado judicial só é lícita, mesmo em período noturno, quando amparada em fundadas razões, devidamente justificadas a posteriori, que indiquem que dentro da casa ocorre situação de flagrante delito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade dos atos praticados. [RE 603.616, rel. min. Gilmar Mendes, j. 5-11-2015, P, DJE de 10-5-2016, Tema 280.] Qual horário para ingressar na casa com ordem judicial ? A doutrina sempre se dividiu sobre o tema. Há autores que entendem que “dia” é o período compreendido entre as 06:00h e as 20:00h. ( LEI Nº 13.105/2015 Código de Processo Civil ) Outros utilizam um critério físico-astronômico, destacando que “dia” é o intervalo entre a aurora e o crepúsculo. Em setembro de 2019, todavia, foi promulgada a Lei no 13.869/2019 (Nova Lei de Abuso de Autoridade) no artigo Art. 22,III tipificou como crime a conduta daquele que cumpre mandado de busca e apreensão domiciliar após as 21h (vinte e uma horas) ou antes das 5h (cinco horas). Pode-se afirmar que, agora, há parâmetros legais e objetivos queregulamentam o conceito de “dia”, que vai das 5h até as 21h. Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%2013.105-2015?OpenDocument 40 Seria possível a autorização judicial para a colocação de escutas ambientais à noite em escritório de advocacia suspeito de praticar atividade criminosa? No caso concreto, ocorreu o seguinte: um escritório de advocacia era suspeito da prática de atos criminosos, participando de uma suposta quadrilha formada por autoridades de grande escalão na República Brasileira. A questão foi a de que, no âmbito das investigações, a Polícia requisitou ao Órgão Jurisdicional autorização para ingressar no escritório à noite para instalação de equipamento de escutas ambiental, o que seria a única forma de comprovar a atividade criminosa de que se suspeitava. Os advogados dos acusados, então, argumentaram perante o Supremo que a prova seria ilícita, já que realizada à noite, mesmo com autorização judicial. O tema enfrentou uma grave polêmica no próprio Supremo, sendo que parte dos Ministros achou que a prova seria ilícita por conta do horário de ingresso no domicílio, ferindo o artigo 5º, inciso XI, da Constituição (posição dos Ministros Marco Aurélio, Celso de Mello e Eros Grau; nestes termos, cf. STF, Inq 2.424, Rel. Min. Cezar Peluso, DJe nº 55, 26/03/2010, p. 123). Contudo, a posição majoritária foi no sentido da regularidade da prova, conclusão a que se chegou com base em dois argumentos principais: (1) o relevante interesse coletivo na investigação, já que a suposta quadrilha teria gerado enorme prejuízo para as instituições da República atingidas; (2) além disso, a proporcionalidade na colheita da prova, já que feita pela Polícia com discrição e equilíbrio, tendo havido a necessária autorização judicial, não sendo possível coletá-las por outro meio. Questões de Concurso Público 1. [FGV] Considerando o conceito normativo de "casa" para fins de proteção jurídica segundo o art. 5º, XI, da CF, qual das seguintes opções NÃO se enquadra como casa? a) Moradia do indivíduo. b) Escritório de contabilidade fechado ao público. c) Loja com atendimento ao público durante seu horário comercial. d) Escritório profissional localizado no interior de uma residência. e) Compartimento privado utilizado para atividades profissionais, não aberto ao público. 2. [CEBRASPE] A busca e apreensão domiciliar sem mandado judicial é permitida em qual das seguintes situações, conforme jurisprudência do STF? a) Durante o dia, por mera suspeita. b) Em qualquer horário, caso existam fundadas razões de flagrante delito. c) Somente com autorização judicial, independentemente do horário. d) À noite, sem necessidade de justificativa. e) Apenas em caso de desastre, para prestar socorro. Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 41 3. [FCC] Qual é o intervalo de horário definido pela Lei nº 13.869/2019 para execução de mandados de busca e apreensão domiciliar? a) Entre as 6h e as 18h. b) Entre as 5h e as 21h. c) Entre o nascer e o pôr do sol. d) Após as 21h, somente com autorização judicial específica. e) Não há restrição de horário para execução de mandados judiciais. 4. [CRS] A instalação de escutas ambientais em escritório de advocacia à noite, com autorização judicial, para investigação de atividade criminosa é considerada: a) Sempre ilícita, independentemente da autorização judicial. b) Lícita, se houver fundadas razões justificadas a posteriori. c) Ilícita, por violar o direito à privacidade. d) Lícita, se realizada entre as 5h e as 21h. e) Sempre lícita, desde que autorizada judicialmente. 5. [Instituto AOCP] O conceito de "dia" para a realização de busca e apreensão domiciliar, conforme a Nova Lei de Abuso de Autoridade (Lei nº 13.869/2019), é entendido como: a) O período entre o amanhecer e o anoitecer, segundo critério físico-astronômico. b) O período entre as 6h e as 18h, conforme entendimento doutrinário. c) O intervalo das 5h às 21h, segundo parâmetros legais e objetivos. d) O período de atividade comercial local. e) Qualquer horário, desde que justificado pela autoridade competente. 6. [FGV] Em relação ao ingresso em domicílio sem consentimento do morador, é correto afirmar que: a) É permitido apenas commandado judicial, em qualquer horário. b) Pode ocorrer a qualquer hora, em caso de flagrante delito. c) É sempre proibido à noite, mesmo commandado judicial. d) Requer consentimento do morador, salvo em situações de desastre. e) Depende exclusivamente da autorização da autoridade policial. Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 42 7. [CEBRASPE] A proteção à inviolabilidade do domicílio NÃO se estende a qual dos seguintes locais? a) Quartos de hotéis ocupados. b) Salas internas de uma empresa sem acesso ao público. c) Áreas comuns de um condomínio residencial. d) Interior de veículos pessoais. e) Escritórios de advocacia fechados ao público. 8. [FCC] A entrada forçada em domicílio semmandado judicial durante o período noturno é considerada lícita em qual das seguintes circunstâncias? a) Em qualquer situação, se considerada urgente pela polícia. b) Somente com autorização expressa do morador. c) Quando existem fundadas razões, justificadas a posteriori, de flagrante delito no interior. d) Para cumprimento de mandado de busca e apreensão emitido no mesmo dia. e) Sem restrições, baseando-se na discricionariedade policial. OCP] A inviolabilidade do domicílio, conforme o art. 5º, XI, da Constituição Federal, permite a entrada forçada em domicílio sem consentimento do morador em qual das seguintes hipóteses? a) Para cumprimento de ordem judicial, a qualquer hora. b) Em caso de flagrante delito, desastre ou para prestar socorro, independentemente do horário. c) Somente com consentimento verbal do morador, em qualquer circunstância. d) Durante a noite, se houver suspeita de atividade criminosa. e) Exclusivamente durante o dia, por determinação judicial, exceto em casos de flagrante delito ou desastre. 10. [CRS] O conceito de "casa" para efeitos da proteção à inviolabilidade domiciliar inclui: a) Apenas o espaço físico utilizado comomoradia permanente do indivíduo. b) Todos os compartimentos privados não abertos ao público onde se exerce profissão ou atividade. c) Exclusivamente locais de habitação coletiva, como hotéis e pousadas. d) Apenas áreas internas de uma residência, excluindo-se garagens e quintais. Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 43 e) Somente locais designados para atividades comerciais. Comentários sobre as Questões Questão 1: [FGV] A resposta correta é (c). O conceito de "casa" abrange não apenas a moradia propriamente dita mas também locais onde são exercidas atividades profissionais de forma privada e não aberta ao público, excluindo-se assim locais de atendimento público como lojas. Questão 2: [CEBRASPE] A alternativa correta é (b). A jurisprudência do STF permite a entrada forçada em domicílio sem mandado judicial, em qualquer horário, se houver fundadas razões de flagrante delito, conforme RE 603.616. Questão 3: [FCC] A opção (b) está correta, conforme a Lei nº 13.869/2019, que define o "dia" para fins de cumprimento de mandado de busca e apreensão domiciliar como o intervalo entre as 5h e as 21h. Questão 4: [CRS] A alternativa correta é (b). A instalação de escutas ambientais em escritório de advocacia à noite, com autorização judicial, pode ser considerada lícita se justificada por fundadas razões relacionadas à investigação de atividades criminosas. Questão 5: [Instituto AOCP] A resposta correta é (c). A Lei nº 13.869/2019 estabelece objetivamente o "dia" para ações de busca e apreensão domiciliar como sendo das 5h às 21h. Questão 6: [FGV] A alternativa (b) é a correta. A entrada sem consentimento do morador é permitida em caso de flagrante delito, além de desastre ou para prestar socorro, não se limitando a horários específicos para tais situações.Questão 7: [CEBRASPE] A opção (c) é a correta. A proteção à inviolabilidade do domicílio não se estende a áreas comuns de condomínios residenciais, que são consideradas abertas ao público residente e visitantes. Questão 8: [FCC] A resposta correta é (c). A entrada forçada em domicílio sem mandado judicial durante o período noturno é considerada lícita apenas quando existem fundadas razões de flagrante delito, que devem ser justificadas a posteriori. Questão 9: [Instituto AOCP] A continuação desta questão parece ter sido interrompida. No entanto, a abordagem pretendida parece alinhar-se com a necessidade de compreender as condições sob as quais a inviolabilidade do domicílio pode ser relativizada, conforme a Constituição Federal e a legislação pertinente. Questão 10: [CRS] A resposta correta é (b). O conceito de "casa" para efeitos de proteção à inviolabilidade domiciliar é amplo, incluindo todos os compartimentos privados não abertos ao público onde se exerce profissão ou atividade, conforme a interpretação do STF e o Código Penal. Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 44 XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal; POSSO GRAVAR MINHAS LIGAÇÕES!? É CRIME!? A gravação de conversa telefônica feita por um dos interlocutores, sem conhecimento do outro, quando ausente causa legal de sigilo ou de reserva da conversação, não é considerada prova ilícita. O SIGILO DA CORRESPONDÊNCIA PODE SER VIOLADO? O direito fundamental da inviolabilidade a interceptação de uma correspondência deve ser admitida quando justificada por questões de segurança pública ou quando estiver sendo utilizada como instrumento para práticas ilícitas. Por essa razão admite-se excepcionalmente, a interceptação da correspondência de um presidiário, quando utilizada para práticas ilícitas, desde que mediante ato motivado do diretor do estabelecimento prisional. Contudo, se a apreensão das cartas for domiciliar, somente pode ser admitida quando houver determinação específica no mandado judicial ou quando guarde pertinência com o crime objeto da investigação. 1. NOVELINO, Marcelo. Direito Constitucional. 4ª ed. rev., atual. e ampl. Rio de Janeiro:Forense; São Paulo: Método, 2010. pág. 417. Questões Questão 1: [FGV] Acerca do sigilo das comunicações telefônicas, assinale a opção correta: a) A gravação de uma conversa telefônica por um dos interlocutores é sempre considerada ilegal, independentemente do contexto. b) A gravação de conversa telefônica por um dos interlocutores, sem o conhecimento do outro, é considerada prova ilícita em qualquer circunstância. c) Um dos interlocutores pode gravar a conversa telefônica sem o conhecimento do outro, sem que isso constitua prova ilícita, desde que não haja causa legal de sigilo. d) Toda e qualquer gravação de conversa telefônica requer autorização judicial prévia, mesmo entre interlocutores. Questão 2: [CEBRASPE] Sobre o sigilo de correspondência, é correto afirmar: a) O sigilo de correspondência é absoluto, não podendo ser violado sob nenhuma circunstância. b) A interceptação da correspondência de um presidiário, utilizada para práticas ilícitas, só é permitida com autorização judicial. c) A violação do sigilo da correspondência pode ser admitida, excepcionalmente, quando Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 45 justificada por questões de segurança pública ou práticas ilícitas, mediante ato motivado. d) A apreensão domiciliar de correspondências sempre requer mandado judicial, independentemente do contexto ou da natureza da investigação. Questão 3: [VUNESP] Em relação à inviolabilidade do sigilo das comunicações, assinale a alternativa correta: a) A lei não permite, em nenhuma hipótese, a interceptação das comunicações telegráficas e dos dados. b) A interceptação das comunicações telefônicas, para fins de investigação criminal ou instrução processual penal, pode ser realizada sem ordem judicial. c) O sigilo das comunicações de dados é inviolável, salvo por ordem judicial, nas hipóteses e forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. d) A gravação ambiental realizada por um dos participantes sem o conhecimento dos demais é sempre considerada prova ilícita. Questão 4: [FCC] Considerando a proteção ao sigilo de correspondência e das comunicações, é correto afirmar que: a) A gravação de chamadas telefônicas entre interlocutores pode ser realizada livremente, sem restrições legais. b) Correspondências podem ser abertas por qualquer autoridade, desde que suspeite de conteúdo ilícito. c) A violação do sigilo da correspondência de um presidiário requer apenas a decisão do diretor do estabelecimento prisional, desde que haja suspeita de conteúdo ilícito. d) Interceptações telefônicas e de dados só podem ser autorizadas por ordem judicial, para fins específicos de investigação criminal ou instrução processual penal. Questão 5: [ESAF] Em relação ao sigilo das comunicações e sua proteção constitucional, identifique a afirmativa correta: a) O sigilo das comunicações telefônicas é absoluto, não admitindo exceção mesmo por ordem judicial. b) Apenas as comunicações telefônicas podem ser objeto de interceptação por ordem judicial, excluindo-se as comunicações de dados. c) A gravação de conversa telefônica por um dos interlocutores é permitida, desde que não exista causa legal que demande o sigilo da conversação. d) O direito ao sigilo de correspondência é incondicional, não admitindo violação mesmo em casos de investigação criminal. Comentários: Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 46 Questão 1: A alternativa correta é (c). Ela reflete o entendimento de que a gravação de conversa telefônica por um dos interlocutores, sem o conhecimento do outro e na ausência de causa legal de sigilo, não constitui prova ilícita. Questão 2: A opção correta é (c). Esta resposta destaca que a violação do sigilo da correspondência pode ser admitida em situações excepcionais, como questões de segurança pública ou uso para práticas ilícitas, com base em ato motivado. Questão 3: A alternativa (c) é a correta. Ela indica que o sigilo das comunicações de dados só pode ser violado por ordem judicial, dentro das hipóteses e formas estabelecidas por lei para investigação criminal ou instrução processual penal. Questão 4: A resposta correta é (d). Essa opção esclarece que interceptações telefônicas e de dados exigem autorização judicial, seguindo os fins e procedimentos estipulados legalmente para investigação ou processo penal. Questão 5: A alternativa correta é (c). Esta opção reconhece que a gravação de conversa telefônica por um dos interlocutores é permitida quando não há exigência legal de sigilo, refletindo XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer; Trata-se de norma constitucional de eficácia contida, que requer regulamentação de norma infraconstitucional. O aludido dispositivo garante, em síntese, a liberdade de trabalho aos indivíduos da sociedade. OBS¹: O exercício do jornalismo, a Corte julgou inconstitucional a exigência do diploma de graduação superior. OBS²:O STF também entendeu não ser exigível a inscrição em conselho de fiscalização como condição para o exercício da profissão de músico. Conforme entendimento dos Ministros, a regra é a liberdade de profissão, somente sendo necessário o estabelecimento de requisitos quando a atividade profissional apresentar algum potencial lesivo OBS³: Por fim, em relação à liberdade de profissão, o STF considerou crime de bagatela, com base no princípio da insignificância, o exercício da profissão de “flanelinha” sem registro na Delegacia Regional do Trabalho competente. A Lei nº 6.242/1975, que dispõesobre o exercício da profissão de guardador e lavador autônomo de veículos automotores, exige o referido registro. No entanto, a Corte entendeu Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 47 que o exercício ilegal da profissão, embora tipificado na Lei das Contravenções Penais, neste caso não gerou lesão relevante ao bem jurídico tutelado, como também não revelou elevado grau de reprovabilidade. XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional; O JORNALISTA TEM O DEVER DE INDICAR A FONTE DA SUA INFORMAÇÃO? Segundo Darcy Arruda Miranda: O jornalista ou radialista que publicou ou transmitiu a informação sigilosa, ainda que interpelado, não fica obrigado a indicar o nome de seu informante ou a fonte de suas informações. Este silêncio é direito seu, não podendo ser interpretado neste ou naquele sentido e não fica sujeito a sanção de qualquer natureza, nem a qualquer espécie de penalidade. Esclareça-se, porém: o que não sofre sanção civil, administrativa ou penal, é o silêncio do divulgador, não a publicação ou transmissão incriminada. XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens; Também conhecida como liberdade de ir e vir, é figura central para o sistema das liberdades fundamentais. Que pode ser asseguradas mediante a garantia de habeas corpus. POSSIBILIDADES DE “PERDA” “RESTRIÇÕES” DO DIREITO DE IR E VIR 1.Condução coercitiva de testemunhas ou mesmo de internação compulsória para tratamento médico (inclusive psiquiátrico) 2. Exigência de passaporte para o exercício da liberdade de deixar o País, ou nele ingressar. 3. Cobrança de pedágio para o uso de estradas mantidas pelo Poder Público (art. 150, V, da CF) Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 48 XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente; A Marcha da Maconha é permitida? Segundo o STF, A Marcha da Maconha é umamanifestação legítima por cidadãos da República, de duas liberdades individuais revestidas de caráter fundamental: o direito de reunião e o direito à livre expressão. É OBRIGATÓRIO O PRÉVIO AVISO ? A FALTA DE PRÉVIO AVISO TORNA O ATO ILIGEL? O STF fixou a seguinte tese: A exigência constitucional de aviso prévio relativamente ao direito de reunião é satisfeita com a veiculação de informação que permita ao poder público zelar para que seu exercício se dê de forma pacífica ou para que não frustre outra reunião no mesmo local. STF. Plenário. RE 806339/SE, Rel. Min. Marco Aurélio, redator do acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 14/12/2020 (Repercussão Geral – Tema 855) (Info 1003). Logo, como o intuito do aviso prévio é evitar que haja conflitos entre os participantes (reuniões rivais, por exemplo) e que o seu exercício não frustre outra reunião previamente marcada, o simples fato de inexistir comunicado não tornará o exercício ilegal caso não acarrete nas consequências acima. Fique atento às questões de prova: Se perguntar o que o STF: O aviso prévio é dispensável. [RE 806.339 -15/12/2020] Se perguntar o que a CF/88: O aviso prévio é indispensável. [art. 5º; XVI Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 49 XVII – é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar; XVIII – a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem de autorização,sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento; XIX – as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em julgado; A Constituição Federal estabelece que é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar. nossa Lei Maior dispõe que a criação de associações e – na forma da lei – cooperativas independem de autorização, sendo, por isso, vedada a interferência estatal em seu funcionamento. Embora a liberdade de associação seja plena, ela não é absoluta, pois se submete a limitações definidas na própria Constituição. Note, por exemplo, que não se admite a criação de associação com caráter paramilitar, isto é, instituições privadas que possuam as mesmas características das forças militares estatais. Como exemplo marcante de associação paramilitar, temos as FARC, na Colômbia. Em virtude disso, devemos ressaltar que constitui crime inafiançável e imprescritível, a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático. (Art. 5º, XLIV) Cabe enfatizar, que as normas inscritas no art. 5º, XVII a XXI, da atual CF, protegem as associações, inclusive as sociedades, da atuação eventualmente arbitrária do legislador e do administrador, somente o Poder Judiciário, por meio de processo regular, poderá decretar a suspensão ou a dissolução compulsórias das associações.Mesmo a atuação judicial encontra uma limitação constitucional: apenas as associações que persigam fins ilícitos poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou suspensas. Atos emanados do Executivo ou do Legislativo, que provoquem a compulsória suspensão ou dissolução de associações, mesmo as que possuam fins ilícitos, serão inconstitucionais. É inconstitucional a cobrança por parte de associação de taxa de manutenção e conservação de loteamento imobiliário urbano de proprietário não associado até o advento da Lei 13.465/17, ou de anterior lei municipal que discipline a questão, a partir da qual se torna possível a cotização dos proprietários de imóveis, titulares de direitos ou moradores em loteamentos de acesso Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 50 controlado, que i) já possuindo lote, adiram ao ato constitutivo das entidades equiparadas a administradoras de imóveis ou (ii) sendo novos adquirentes de lotes, o ato constitutivo da obrigação esteja registrado no competente Registro de Imóveis. [RE 695.911, rel. min. Dias Toffoli, j. 15-12-2020, P, DJE de 19-4-2021. Tema 492, commérito julgado.] XX – ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado; APROFUNDANDO O TEMA: Art. 2º, IV, a, b e c, da Lei 10.779/2003. Filiação à colônia de pescadores para habilitação ao seguro-desemprego (...). Viola os princípios constitucionais da liberdade de associação (art. 5º, XX) e da liberdade sindical (art. 8º, V), ambos em sua dimensão negativa, a norma legal que condiciona, ainda que indiretamente, o recebimento do benefício do seguro-desemprego à filiação do interessado a colônia de pescadores de sua região. XXI – as entidades associativas, quando expressamente autorizadas, têm legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente; Bisonhos, a regra é que quando se trata de representação por parte de associação,sindicato ou entidade de classe, é necessária a autorização dos seus associados para representação judicial ou extrajudicial. PORÉM TEMOS UMA EXCEÇÃO quando se trata de MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO INDEPENDE DE AUTORIZAÇÃO dos seus REPRESENTADOS. VEJA O QUE DIZ AS SÚMULAS DO STF (ATENÇÃO CAI EM PROVA!) A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor dos associados independe da autorização destes. [Súmula STF 629.] Súmula STF 630: A entidade de classe tem legitimação para o mandado de segurança ainda quando a pretensão veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva categoria. OUTROS ENTENDIMENTOS DO STF SOBRE O TEMA: (...) reafirma-se o entendimento da jurisprudência do STF, de que a autorização a que se refere o art. 5º, XXI, deve ser expressa por ato individual do associado ou por assembleia da Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 51 entidade, sendo insuficiente a mera autorização genéricaprevista em cláusula estatutária. Todavia, no caso concreto, a demanda foi proposta com base em autorizações individuais (não havendo notícia alguma sobre deliberação assemblear), sendo esses associados os únicos beneficiados pela sentença de procedência e, consequentemente, apenas eles dispõem de título jurídico para promover a execução. XXII – é garantido o direito de propriedade; XXIII – a propriedade atenderá a sua função social; APROFUNDANDO O TEMA: OBS¹: INVASÃO DE IMÓVEL ARBITRÁRIO: O processo de reforma agrária, em uma sociedade estruturada em bases democráticas, não pode ser implementado pelo uso arbitrário da força e pela prática de atos ilícitos de violação possessória, ainda que se cuide de imóveis alegadamente improdutivos, notadamente porque a Constituição da República – ao amparar o proprietário com a cláusula de garantia do direito de propriedade (CF, art. 5º, XXII) – proclama que “ninguém será privado (...) de seus bens, sem o devido processo legal” (art. 5º, LIV) OBS²: EXPROPRIAÇÃO DE PROPRIEDADE EM DECORRÊNCIA DO TRÁFICO DE DROGAS É possível o confisco de todo e qualquer bem de valor econômico apreendido em decorrência do tráfico de drogas, sem a necessidade de indagar a habitualidade, reiteração do uso do bem para tal finalidade, a sua modificação para dificultar a descoberta do local do acondicionamento da droga ou qualquer outro requisito além daqueles previstos expressamente no art. 243, parágrafo único, da CF. OBS³: O proprietário do prédio vizinho não ostenta o direito de impedir que se realize edificação capaz de impedir a vista desfrutada a partir de seu imóvel, fundando-se, para isso, no direito de propriedade. Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 52 XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição; Hely Lopes Meirelles conceitua desapropriação ou expropriação como “a transferência compulsória de propriedade particular (ou pública de entidade de grau inferior para a superior) para o Poder Público ou seus delegados, por utilidade ou necessidade pública ou, ainda, por interesse social, mediante prévia e justa indenização em dinheiro (CF, art. 5º, XXIV), salvo as exceções constitucionais de pagamento em títulos da dívida pública de emissão previamente aprovada pelo Senado Federal, no caso de área urbana não edificada, subutilizada ou não utilizada (CF, art. 182, § 4º, III desapropriação urbanística ), e de pagamento em títulos da dívida agrária, no caso de reforma agrária, por interesse social (CF, art. 184 - desapropriação rural)”. XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver dano; Requisição Administrativa é o instrumento de intervenção estatal mediante o qual, em situação de perigo público iminente, o Estado utiliza bens móveis, imóveis ou serviços particulares com indenização ulterior, se houver dano. A requisição administrativa pode ser civil ou militar. A requisição militar objetiva o resguardo da segurança interna e a manutenção da soberania nacional, diante de conflito armado, à saúde e aos bens da coletividade, diante de inundação, incêndio, sonegação de gêneros de primeira necessidade, epidemias, catástrofes etc. XXVI - a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que trabalhada pela família, não será objeto de penhora para pagamento de débitos decorrentes de sua atividade produtiva, dispondo a lei sobre os meios de financiar o seu desenvolvimento; Por meio desse inciso, o legislador constituinte deu, à pequena propriedade rural trabalhada pela família, a garantia de impenhorabilidade. Com isso, visou à proteção dos pequenos trabalhadores rurais, que, desprovidos de seus meios de produção, não teriam condições de subsistência. Entretanto, a impenhorabilidade depende da cumulação de dois requisitos: a) exploração econômica do bem pela família; Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 53 b) origem na atividade produtiva do débito que causou a penhora. Jurisprudência Importante É impenhorável a pequena propriedade rural familiar constituída de mais de 01 (um) terreno, desde que contínuos e com área total inferior a 04 (quatro) módulos fiscais do município de localização. [ARE 1.038.507, rel. min. Edson Fachin, j. 21-12-2020, P, DJE de 15-3-2021. Tema 961, commérito julgado.] XXVII - aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar; CUIDADO caso caia na sua prova que o direito que foi transmissível aos herdeiros é por tempo indeterminado? Está falsa essa hipótese! Depois que passa o tempo que a lei determinou, aquela obra passa a ser de domínio público. XXVIII - são assegurados, nos termos da lei: a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e à reprodução da imagem e voz humanas, inclusive nas atividades desportivas; b) o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das obras que criarem ou de que participarem aos criadores, aos intérpretes e às respectivas representações sindicais e associativas; A participação em obra coletiva, seriam as novelas, transmissão de campeonato de futebol onde teria repercussão para aquele jogador famoso, dentre outros... O direito de fiscalização se dá, quando o autor daquela obra tem o direito de saber por exemplo: quantos livros foram vendidos, quantos cd’s ou dvd’s foram vendidos... Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 54 XXIX - a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua utilização, bem como proteção às criações industriais, à propriedade das marcas, aos nomes de empresas e a outros signos distintivos, tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País; Aos autores de invento, o privilégio é temporário!!! E não exclusivo, como dos autores de obras! XXX - é garantido o direito de herança; Por herança, entende-se o patrimônio deixado pela pessoa que morreu e que será distribuído a quem tenha direito porque é herdeiro legítimo ou testamentário XXXI - a sucessão de bens de estrangeiros situados no País será regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do "de cujus"; “De cujus” é o falecido (a expressão significa de quem se fala) XXXII - o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor; XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado; A Constituição Federal de 1988 consagrou expressamente o princípio da publicidade como um dos vetores imprescindíveis à Administração Pública, conferindo-lhe absoluta prioridade na gestão administrativa e garantindo pleno acesso às informações a toda a Sociedade. À consagração constitucional de publicidade e transparência corresponde a obrigatoriedade do Estado em fornecer as informações solicitadas, sob pena de responsabilização política, civil e criminal, salvo nas hipóteses constitucionais de sigilo. Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 55 É legítima a publicação, inclusive em sítio eletrônico mantido pela administração pública, dos nomes dos seus servidores e do valor dos correspondentes vencimentos e vantagens pecuniárias.É proibido revelar o endereço residencial, o CPF e a CI de cada servidor. XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas: a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder; b) a obtenção de certidões em repartições públicas,para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal; Essa garantia fundamental não depende de concretização ou regulamentação legal, uma vez que se trata de garantia fundamental dotada de eficácia plena e aplicabilidade imediata. O direito à gratuidade das certidões, contido no art. 5º, XXXIV, b, da Carta Magna, também inclui as certidões emitidas pelo Poder Judiciário, inclusive aquelas de natureza forense. A Constituição Federal não fez qualquer ressalva com relação às certidões judiciais, ou àquelas oriundas do Poder Judiciário. Todavia, a gratuidade não é irrestrita, nem se mostra absoluta, pois está condicionada à demonstração, pelo interessado, de que a certidão é solicitada para a defesa de direitos ou o esclarecimento de situações de interesse pessoal. Essas finalidades são presumidas quando a certidão pleiteada for concernente ao próprio requerente, sendo desnecessária, nessa hipótese, expressa e fundamentada demonstração dos fins e das razões do pedido. Quando o pedido tiver como objeto interesse indireto ou de terceiros, mostra-se imprescindível a explicitação das finalidades do requerimento. XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito; O princípio da inafastabilidade, assim como o devido processo legal, objetiva fazer com que o Estado crie novas formas de solução de litígios, céleres, desburocratizadas e desvinculadas de ordenamentos ultrapassados que interditam o livre acesso à justiça; isso quer dizer que todos têm acesso à justiça para postular tutela preventiva ou reparatória; na verdade é o direito de ação, que todos possuem, quando sentirem-se lesados Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 56 XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada; Direito Adquirido - Consideram-se adquiridos assim os direitos que o seu titular, ou alguém que por ele, possa exercer, como aqueles cujo começo do exercício tenha termo prefixo, ou condição preestabelecida inalterável, a arbítrio de outrem. Ato Jurídico perfeito - É aquele que se aperfeiçoou, que reuniu todos os elementos necessários à sua formação, debaixo da lei velha. Isto não quer dizer, por si só, que ele encerre em seu bojo um direito adquirido. Do que está o seu beneficiário imunizado é de oscilações de forma aportadas pela lei nova. Coisa Julgada - Chama-se coisa julgada ou caso julgado a decisão judicial de que já não caiba recurso. Jurisprudência Importante Arquivado o inquérito policial, por despacho do juiz, a requerimento do promotor de justiça, não pode a ação penal ser iniciada, sem novas provas. [Súmula 524.] XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção; XXXVIII - é reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurados: a) a plenitude de defesa; b) o sigilo das votações; ° ° c) a soberania dos veredictos; d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida; Quando trata-se de tribunal do júri é necessário decorar os requisitos! PLE - SI - SO - CO É absoluta a nulidade do julgamento, pelo júri, por falta de quesito obrigatório. [Súmula 156.] A competência para o processo e julgamento de latrocínio é do juiz singular e não do tribunal do júri. [Súmula 603.] Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 http://www.stf.jus.br/cgi-bin/nph-brs?d=SUMU&n=&s1=156.NUME.&l=20&u=http://www.stf.jus.br/Jurisprudencia/Jurisp.asp&Sect1=IMAGE&Sect2=THESOFF&Sect3=PLURON&Sect6=SUMUN&p=1&r=1&f=G 57 XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal; XL - a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu; CONSAGRA-SE AQUI O PRINCÍPIO DA LEGALIDADE / ANTERIORIDADE PENAL. NO ARTIGO 1º DO CÓDIGO PENAL ESTÁ ESCRITO “Não há crime sem lei anterior que o define. Não há pena sem prévia cominação legal”. ATENÇÃO: O QUE PROÍBE É A RETROATIVIDADE MALÉFICA, PODENDO A LEI RETROAGIR PARA BENEFICIAR O RÉU. ( PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA LEI PENAL) Jurisprudência A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente, se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência. [Súmula 711.] Transitada em julgado a sentença condenatória, compete ao juízo das execuções a aplicação de lei mais benigna. [Súmula 611.] XLI - a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais; XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei; Segundo o Supremo Tribunal Federal (STF), atos de homofobia e de transfobia constituem manifestações concretas do crime de racismo. (Questão cobrada no concurso Ano: 2023 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: PM-PA - Oficial) Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO) 26: Até que sobrevenha lei emanada do Congresso Nacional destinada a implementar os mandados de criminalização definidos nos incisos XLI e XLII do art. 5º da Constituição da República, as condutas homofóbicas e transfóbicas, reais ou supostas, que envolvem aversão odiosa à orientação sexual ou à identidade de gênero de alguém, por traduzirem expressões de racismo, compreendido este em sua dimensão social, ajustam-se, por identidade de razão e mediante adequação típica, aos preceitos primários de incriminação definidos na Lei nº 7.716, de 08/01/1989, constituindo, também, na hipótese de homicídio doloso, circunstância que o qualifica, por configurar motivo torpe (Código Penal, art. 121, § 2º, I, “in fine”); Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 58 As igrejas podem ensinar segundo sua orientação doutrinária e/ou teológica que não será considerado crime de homotransfobia : A repressão penal à prática da homotransfobia não alcança nem restringe ou limita o exercício da liberdade religiosa, qualquer que seja a denominação confessional professada, a cujos fiéis e ministros (sacerdotes, pastores, rabinos, mulás ou clérigos muçulmanos e líderes ou celebrantes das religiões afro-brasileiras, entre outros) é assegurado o direito de pregar e de divulgar, livremente, pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, o seu pensamento e de externar suas convicções de acordo com o que se contiver em seus livros e códigos sagrados, bem assim o de ensinar segundo sua orientação doutrinária e/ou teológica, podendo buscar e conquistar prosélitos e praticar os atos de culto e respectiva liturgia, independentemente do espaço, público ou privado, de sua atuação individual ou coletiva, desde que tais manifestações não configurem discurso de ódio, assim entendidas aquelas exteriorizações que incitem a discriminação, a hostilidade ou a violência contra pessoas em razão de sua orientação sexual ou de sua identidade de gênero; 01 Ano: 2023 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: PM-PA Prova: CESPE / CEBRASPE - 2023 - PM-PA - Oficial Considerando a observância dos preceitos legais e dos entendimentos jurisprudenciais que dizem respeito às pessoas da comunidade LGBTQIAPN+, julgue os itens a seguir. I As pessoas trans somente adquirem o direito à substituição de prenome e da identificação do sexo diretamente no registro civil se comprovarem ter passado pela cirurgia de transgenitalização e por tratamentos hormonais ou patologizantes. II Segundo o Supremo Tribunal Federal (STF), atos de homofobia e de transfobia constituem manifestações concretas do crime de racismo. III Caso policiais sejam acionados por populares devido à manifestação de afeto de cunho não sexual, em praça pública, entre pessoas do mesmo sexo, eles deverão deslocar-se até o local da ocorrência e levar as pessoas acusadas para prestarem depoimento na delegacia. Assinale a opção correta. Alternativas A Apenas o item I está certo. B Apenas o item II está certo. C Apenas os itens I e III estão certos. D Apenas os itens II e III estão certos. E Todos os itens estão certos. Comentário: A questão aborda temas relacionados aos direitos e proteção das pessoas LGBTQIAPN+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais,Transgêneros, Queer, Intersexuais, Assexuais, Pansexuais e não binárias) e sua interação com a lei e jurisprudência brasileiras. I. A afirmativa está incorreta. Desde 2018, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconhece o direito à retificação do prenome e da identificação do sexo no registro civil, independentemente da realização de cirurgia de redesignação sexual ou de tratamentos hormonais. Portanto, a cirurgia de transgenitalização e tratamentos hormonais não são requisitos para a alteração desses registros. II. A afirmativa está correta. O Supremo Tribunal Federal (STF), por meio do julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5543 e do Mandado de Injunção (MI) 4733, reconheceu que a homofobia e a transfobia são equiparadas ao crime de racismo, até que o Congresso Nacional legisle sobre o assunto. III. A afirmativa está incorreta. A manifestação de afeto entre pessoas domesmo sexo não constitui crime, portanto, não justifica a intervenção policial. O Supremo Tribunal Federal, em diversas Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 59 ocasiões, já ressaltou a necessidade de combater a discriminação e violência contra a população LGBTQIAPN+. Comentário: A alternativa correta é a letra B, pois apenas o item II está correto. Os itens I e III estão incorretos, pois não refletem o entendimento jurisprudencial atual sobre os direitos das pessoas LGBTQIAPN+. XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura , o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem; XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático; BISONHOS! A prova simplesmente vai confundir os crimes imprescritíveis com os crimes insuscetíveis de graça ou anistia. É só você decorar o seguinte os crimes imprescritíveis são IRA,ou seja: IMPRESCRITÍVEL Racismo Ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático Já os crimes insuscetíveis de graça ou anistia é só decorar a DESgraça é 3T+CH crimes insuscetíveis de DESgraça ou anistia Tortura Tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins Terrorismo Crimes Hediondos OBS¹: Crimes inafiançáveis são aqueles que não admite o pagamento para a concessão da liberdade provisória para quem foi preso cautelarmente. OBS²: Crime Imprescritível é aquele que o direito de punir do estado não sofre nenhuma influência pelo decurso do tempo. Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 60 OBS³: Graça é um beneficio individual, concedido ou delegado pelo presidente da república, via decreto presidencial (art. 84 XII, da CF), mediante provocação do interessado, e que atinge apenas os efeitos executórios da penais da condenação, subsistindo o crime, a condenação irrecorrível e seus efeitos sencundários OBS: Anistia é o perdão concedido em caráter oficial. É um ato do legislativo em que ficam extintas as consequências de um fato punível e qualquer processo sobre ele. Lembre-se que todos os crimes citados acima são inafiançáveis! XLV - nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido; Esse inciso traz o princípio da responsabilidade pessoal. Se foi eu que cometi o crime, somente eu que poderei responder criminalmente,ou seja, não há possibilidade do meu irmão, minha tia, minha avó cumprir a pena por mim. Um detalhe importante é que podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido. Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 61 XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes: a) privação ou restrição da liberdade; b) perda de bens; c) multa; d) prestação social alternativa; e) suspensão ou interdição de direitos; XLVII - não haverá penas: a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX; b) de caráter perpétuo; c) de trabalhos forçados; d) de banimento; e) cruéis; XLVIII - a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado; XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral; O objetivo do XLVIII é preservar ao máximo a integridade física do apenado, ao passo que, a garantia do cumprimento da pena em estabelecimento apropriado e diferenciado faz com que haja a preservação de pessoas commenor grau de defesa perante àquelas que ofereçammaiores riscos. Comentando o XLIX: O indivíduo preso já está recebendo o devido castigo do Estado pela prática do delito. Sendo assim, a ele deve ser assegurado respeito à integridade física e moral. Novamente merece destaque a sumula vinculante nº 11: “Só é licito o uso de algema e m casos de resistência e de fundado receio de fuga ou perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros, justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere, sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado”. Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 62 LEMBRE-SE DA PRF - USO DE ALGEMAS PRF ( Perigo Resistência Fuga) L - às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer com seus filhos durante o período de amamentação; Às presidiárias garante-se o direito à amamentação, atingindo também os direitos das crianças que, nos termos do art 227 da CF, devem ser garantidos com absoluta prioridade. Vale salientar que a Lei de Execução Penal (LEP) em seu artigo 82, § 2o diz que “Os estabelecimentos penais destinados a mulheres serão dotados de berçário, onde as condenadas possam cuidar de seus filhos, inclusive amamentá-los, no mínimo, até 6 (seis) meses de idade.’’ LI - nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime comum, praticado antes da naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, na forma da lei; Brasileiro NATO jamais poderá ser extraditado! Brasileiro Naturalizado Será extraditado no caso de: Crime comum, praticado antes da naturalização. Comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, na forma da lei (não importa se foi antes ou depois da naturalização) LII - não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião; FIQUE LIGADO QUE NO BRASIL NÃO EXTRADITA NINGUÉM PELA PRÁTICA DE CRIME POLÍTICO Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 63 LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente; Fica garantido que todo indivíduo tem direito a ser julgado por uma autoridade cuja competência já esteja atribuída antes da ocorrência do fato que deu origem ao julgamento. OBS.: Esse inciso tem forte ligação com o inciso XXXVII, segundo o qual “não haverá juízo ou tribunal de exceção”. LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal; Conforme leciona Fredie Didier Junior, podemos afirmar que o devido processo legal é, basicamente, o direito de processar e ser processado de acordo com as normas previamente estabelecidas → tais normas seriam o contraditório e ampla defesa (veremos abaixo). LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Entende-se por contraditório a garantia de ter ciência e poder manifestar-se sobre todos os termose atos de um processo. Já a ampla defesa autoriza que sejam levadas ao processo (judicial ou administrativo) todas as manifestações e provas admitidas em direito. Lembrando que o contraditório e a ampla defesa está garantido em processos judiciais e administrativos. LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos; A vedação às provas obtidas por meios ilícitos é uma consequência das garantias do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 64 Destacamos o entendimento do STF, que a regra que proíbe a utilização no processo de provas obtidas por meios ilícitos também vale para a utilização também das provas derivadas das ilícitas – teoria que tornou conhecida como a teoria “frutos da arvore envenenada” LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória; Temos em nota o Princípio da presunção de inocência. LVIII - o civilmente identificado não será submetido a identificação criminal, salvo nas hipóteses previstas em lei; (Regulamento) Temos em nota também o Princípio da presunção de inocência. Quando falamos em identificação criminal, esta refere-se à identificação datiloscópica (por digitais). LIX - será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se esta não for intentada no prazo legal; Em regra a ação penal se inicia mediante ação pública, cujo titular é o Ministério Público (MP). Porém, se ela não for intentada no prazo legal, normalmente de 5 dias (se preso o investigado) e ou 15 dias (se o investigado estiver em liberdade), será cabível ação privada, chamada pela doutrina de subsidiária ou supletiva. Esta ação penal privada subsidiária da pública só é movida pelo particular se este tiver interesse, no caso da inércia do MP para atuar. Ok! LX - a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem; Logo, neste contexto observamos que o direito da publicidade dos atos Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 65 processuais não é absoluto. LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei; LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada; LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado; LXIV - o preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por seu interrogatório policial; LXV - a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária; LXVI - ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou sem fiança; LXVII - não haverá prisão civil por dívida, salvo a do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel; No caso de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei, admite-se a prisão fora das hipóteses de flagrante delito ou ordem escrita e fundamentada da autoridade competente. A prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente e (não ou) à família do preso ou (não e) à pessoa por ele indicada. O preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão e também por seu interrogatório policial. Ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou sem fiança. Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 66 LXVIII - conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder; LXIX - conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público; LXX - o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por: a) partido político com representação no Congresso Nacional; b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados; LXXI - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania; LXXII - conceder-se-á habeas data: a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público; b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo; LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência; Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 67 REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS Habeas Corpus sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder 1. Habeas Corpus pode ser impetrado por nacional ou estrangeiro. 2. Habeas Corpus não pode ser impetrado por Pessoa Jurídica. 3.Habeas Corpus é gratuito. Habeas Data a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público; 1. Pode ser impetrado por pessoa física e jurídica. 2. Não cabe habeas data se não houve recusa de informações por parte da autoridade administrativa. (Súmula 2 STJ) 3. Habeas data é gratuito. 4. Não cabe HD para obtenção de certidão, nesse caso é MS. b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo; Mandado Segurança conceder-se-ámandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público; 1. Somente será admitido se não couber H.data ou H.corpus. 2. Não cabe mandado segurança contra ato de particular (salvo particular revestido de poder público) - (SUM STF 510) 3. O MS não substitui a ação popular. (SUM STF 101) 4. Não cabe MS contra lei em tese. (SUM STF 266) 5. Não cabe MS contra decisão judicial transitada em julgado. (SUM STF 268) 6. Não cabe condenação em honorários de advogado na ação de MS. (SUM STF 512) 7. Não cabe MS contra ato judicial passível de recurso ou correição. (SUM STF 267) Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 68 REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS Mandado Segurança Coletivo a) partido político com representação no Congresso Nacional; 1.Segue as mesma regras do MS individual, acrescentado os legitimados; 2. A impetração de MS coletivo por entidade de classe em favor dos associados independe da autorização. (SUM STF 629) 3. A entidade de classe tem legitimidade para impetrar MS ainda que a pretensão veiculada interesse apenas parte da respectiva categoria. 4. Partidos políticos não tem legitimidade para impetrar MS em defesa de terceiros. b) organização sindical, entidade de classe c) Associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados; Ação Popular qualquer cidadão é partelegítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência; 1. Cidadão é quem estiver em gozo com seus direitos políticos (votar e ser votado) 2. Pessoa jurídica não tem legitimidade para propor ação popular. 3. MS não substitui a ação popular. Mandado de injunção conceder-se-ámandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania 1. Não é cabível liminar em mandado de injunção. 2. Será observado no que couber as normas do mandado de segurança 3. O STF admite mandado de segurança coletivo os legitimados são os mesmo do mandado de segurança coletivo. Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 69 LXXIV - o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos; O artigo LXXIV assegura assistência jurídica gratuita e integral. Exige comprovação de insuficiência econômica. A Defensoria Pública é essencial para a execução deste direito. STF e STJ reforçam a abrangência do direito e a flexibilidade para comprovação, com base na boa-fé. LXXV - o Estado indenizará o condenado por erro judiciário, assim como o que ficar preso além do tempo fixado na sentença; O Estado é obrigado a indenizar por erro judiciário e por prisão além do tempo fixado. A responsabilidade é objetiva, baseada no princípio da dignidade humana. A jurisprudência reconhece o direito à reparação por danos materiais e morais. A proteção abrange tanto erros de condenação quanto falhas na execução da pena. LXXVI - são gratuitos para os reconhecidamente pobres, na forma da lei: (Vide Lei nº 7.844, de 1989) a) o registro civil de nascimento; b) a certidão de óbito; O Estado garante a gratuidade para registro de nascimento e certidão de óbito para os economicamente vulneráveis. A comprovação de pobreza é exigida, de acordo com a legislação específica (Lei nº 7.844/1989). STF e STJ reconhecem a importância desse direito como essencial para o exercício da cidadania e inclusão social. LXXVII - são gratuitas as ações de habeas corpus e habeas data, e, na forma da lei, os atos necessários ao exercício da cidadania. Gratuidade do Habeas Corpus e Habeas Data: O artigo assegura que ações de habeas corpus e habeas data são gratuitas. Essas ações servem para garantir direitos fundamentais como a liberdade (habeas corpus) e o acesso a informações pessoais ou retificação de dados (habeas data). Em provas de concurso, é comum que questões abordem a natureza, função e importância dessas garantias. ● Habeas Corpus: Protege o direito de locomoção. Pode ser utilizado sempre que houver ameaça ou violação desse direito, sendo gratuito para garantir o acesso amplo e irrestrito a essa defesa. ● Habeas Data: Garante o direito de o indivíduo conhecer ou corrigir informações sobre si mesmo em bancos de dados públicos ou de caráter público. Esse direito é essencial para a proteção da Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 70 privacidade e da dignidade da pessoa humana. Atos Necessários ao Exercício da Cidadania: Além do habeas corpus e do habeas data, o artigo prevê a gratuidade de outros atos necessários ao exercício da cidadania, conforme estabelecido pela lei. Esse ponto permite ao legislador infraconstitucional definir quais atos adicionais serão cobertos pela gratuidade, como, por exemplo, o alistamento eleitoral e a emissão do título de eleitor. LXXVIII - a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. Direito à Razoável Duração do Processo: Esse direito é um dos princípios do devido processo legal e foi incorporado pela Emenda Constitucional nº 45/2004 (Reforma do Judiciário), com o objetivo de combater a morosidade e garantir uma resposta mais célere do Poder Judiciário e da Administração Pública. Aplicação no Âmbito Judicial e Administrativo: O artigo assegura a duração razoável dos processos tanto na esfera judicial quanto na administrativa. Isso significa que tanto processos judiciais (ações, recursos, execução de sentença) quanto processos administrativos (licitações, processos disciplinares, pedidos de informações) devem tramitar de forma ágil. LXXIX - é assegurado, nos termos da lei, o direito à proteção dos dados pessoais, inclusive nos meios digitais. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 115, de 2022) Direito Fundamental à Proteção de Dados: A proteção de dados pessoais é agora um direito fundamental no Brasil, assegurando que os dados de indivíduos sejam tratados de maneira segura, transparente e respeitosa. Em provas de concurso, é comum que se questione a definição desse direito e a importância de sua inclusão no rol dos direitos e garantias fundamentais. Abrangência nos Meios Digitais: O dispositivo enfatiza a proteção dos dados pessoais, inclusive em ambientes digitais, refletindo a relevância da privacidade na era da informação. Isso abrange dados coletados, processados e armazenados em plataformas digitais, redes sociais, aplicativos e bancos de dados eletrônicos. Questões de concursos podem abordar a abrangência do direito e o que está incluído no conceito de dados pessoais, como nome, CPF, endereço, e dados sensíveis, como origem racial, saúde e orientação sexual. Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD): A Lei nº 13.709/2018, conhecida como Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), é a principal legislação brasileira sobre o tema e define os princípios, direitos e obrigações em relação ao tratamento de dados pessoais. Em provas, é importante lembrar que a LGPD é o principal marco regulatório da proteção de dados no Brasil e se aplica tanto ao setor público quanto ao privado. Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 71 ● Direitos dos Titulares: Entre os direitos assegurados pela LGPD estão o direito de acesso aos dados, correção, exclusão e portabilidade. Em concursos, é comum que sejam cobrados detalhes sobre os direitos dos titulares e as obrigações dos responsáveis pelo tratamento dos dados. Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD): A ANPD é a entidade reguladora e fiscalizadora responsável por zelar pela proteção dos dados pessoais no Brasil, promovendo diretrizes, fiscalizando o cumprimento da LGPD e aplicando sanções. Questões de concurso podem explorar o papel da ANPD, seus poderes, e como ela atua na proteção e regulamentação do uso de dados pessoais. Jurisprudência do STF: O Supremo Tribunal Federal (STF) reconhece o direito à proteção de dados pessoais como uma extensão da privacidade e da dignidade da pessoa humana. § 1º As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata. Aplicação Imediata dos Direitos Fundamentais: Esse dispositivo consagra o princípio da aplicabilidade imediata das normas de direitos e garantias fundamentais. Isso significa que essas normas, em regra, não precisam de regulamentação para serem exercidas e devem ser aplicadas de forma direta e imediata sempre que possível. Eficácia e Justiciabilidade: A aplicação imediata das normas de direitos fundamentais se relaciona com a ideia de que esses direitos têm eficácia plena ou contida. Em outras palavras, os direitos fundamentais têm força suficiente para produzir efeitos e podem ser invocados judicialmente mesmo na ausência de regulamentação específica. Questões de concurso geralmente exploram a diferença entre normas de eficácia plena, contida e limitada. ● Normas de Eficácia Plena: São aquelas que produzem todos os seus efeitos desde a promulgação da Constituição e não dependem de regulamentação. ● Normas de Eficácia Contida: Podem ter sua aplicação restringida por norma infraconstitucional,DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS 1. Historicidade: possuem caráter histórico, por isso são classificados em gerações ou dimensões; 2. Universalidade: destinam-se a todos os indivíduos, independente de qualquer característica; 3. Limitabilidade ou relatividade: tais direitos não são absolutos; 4. Concorrência: podem ser exercidos cumulativamente; 5. Irrenunciabilidade: não podem ser objeto de renúncia, o que pode ocorrer é seu não exercício; 6. Inalienabilidade: não podem ser alienados por não terem caráter econômico-patrimonial; 7. Imprescritibilidade: não perecem com o decurso do tempo; 8. Inviolabilidade: não podem ser violados, e se o forem deverá haver reparação; 9. Efetividade: o Poder Público deve garantir tais direitos; 10. Interdependência: apesar de autônomos tais direitos possuem diversas ligações com o objetivo de atingir a uma finalidade, assim, por exemplo, a liberdade de locomoção está ligada ao habeas-corpus; 11.Complementaridade: não devem ser interpretados isoladamente mas de forma conjunta, com o intuito de alcançar os fins buscados pela CF/88. Como mais uma característica temos que os direitos e garantias fundamentais são "normas abertas" (princípio da não tipicidade dos direitos fundamentais), o que permite que se insiram novos direitos originalmente não previstos pelo constituinte. Assim tal rol não é taxativo, conforme pode-se constatar a partir da leitura do art. 5º, §2º. Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 6 DESTINATÁRIOS DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS Os direitos fundamentais tiveram como primeiro destinatário as pessoas naturais, pois surgiram como um limite a atuação estatal (direitos negativos-direitos de primeira geração). Com o passar do tempo passou a se reconhecer tais direitos também às pessoas físicas e às pessoas jurídicas, pois passou-se a interpretar que os direitos fundamentais deveriam atingir o maior número de pessoas possível, sendo interpretados de forma extensiva. Contudo, apesar de serem interpretados da forma mais extensiva possível temos que existem direitos fundamentais que têm como destinatário apenas uma classe de pessoas e não a todas, como ocorre, por exemplo, no caso da ação popular que é garantida apenas a cidadãos (pessoas naturais no gozo de seus direitos político), ou no caso de requisição administrativa que é garantida apenas ao Estado. Assim, com vistas no que foi supracitado, temos que por serem tais direitos interpretados de forma extensiva, são seus destinatários, as pessoas naturais (brasileiros ou estrangeiros, ainda que em trânsito), as pessoas jurídicas e as pessoas estatais. APLICABILIDADE IMEDIATA De acordo com o §1º do art. 5º tais direitos têm aplicabilidade imediata. Porém, cabe-nos destacar que não raro tais normas dependem de normas que a regulamentem, pois são normas constitucionais de eficácia limitada. Segundo essas normas, José Afonso da Silva explica, "em primeiro lugar significa que são aplicáveis até onde possam, até onde as instituições ofereçam condições para seu atendimento. Em segundo lugar significa que o Poder Judiciário, sendo invocado a respeito de uma situação concreta nelas garantidas, não pode deixar de aplicá-las, conferindo ao interessado o direito reclamado, segundo as instituições existente." O direito deverá garantir aplicação imediata aos direitos fundamentais, independente de regulamentação pelo legislador ordinário. EFICÁCIA HORIZONTAL DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS Também denominado pela doutrina como eficácia privada ou externa dos direitos fundamentais. Surge como um contraponto a ideia de eficácia vertical de tais direitos. A CF/88 não foi expressa quanto a aplicação dos direitos fundamentais nas relações privadas (relações horizontais), limitou-se a dizer que têm aplicação imediata. Porém tal ligação entre os direitos fundamentais e as relações privadas fica claro no que diz respeito aos direitos dos trabalhadores, arrolados no art. 7º da CF, que trata dos trabalhadores e empregados privados. Assim num contrato de trabalho entre o particular e a empresa ambos atuam sob o princípio da autonomia da vontade, entretanto não poderão afastar os direitos fundamentais incidentes sobre o negócio. Assim os direitos fundamentais incidirão sempre nos negócios Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 7 particulares, não podendo os envolvidos alegar o princípio da autonomia da vontade para afastá-los. Com vistas de tudo ja citado pode-se concluir que os direitos fundamentais não se aplica apenas na relação do Estado com os particulares, mas também nas relações entre os particulares (relações privadas). Porém existem certos direitos que por sua essência vinculam apenas o Estado, como ocorre com o direito de petição aos poderes públicos. NATUREZA RELATIVA Tais direitos não possuem caráter absoluto, visto encontrarem limites nos demais direitos garantidos na Constituição, dessa forma não podendo ser usados para a prática de atividades ilícitas e menos ainda para diminuir a responsabilização civil ou penal pelo ato praticado. Assim podemos concluir que o Estado poderá adotar medidas restritivas a essas liberdade como forma de salvaguardar outras constitucionalmente protegidas (normas infraconstitucionais, podem impor restrições ao exercício de direitos fundamentais consagrados na CF/88 como meio de proteger outro direito). As restrições aos direitos fundamentais são classificadas em reserva legal simples e em reserva legal qualificada. ● Reserva legal simples: ocorre quando a CF apenas estabelece que eventual restrição a direitos fundamentais deve ser prevista em lei (ex: art. 5º, VII). ● Reserva legal qualificada: além de estabelecer que a restrição deve ser prevista em lei estabelece as condições ou os fins que devem ser perseguidos pela norma restritiva (ex. art. 5º, XII). As restrições aos direitos fundamentais encontram limites principalmente no princípio da razoabilidade. CONFLITO OU COLISÃO Ocorre quando em um caso concreto uma das parte invoca um direito fundamental para se defender, enquanto a outra parte se vê amparada por outro direito fundamental. Por não haver uma hierarquia entre os direitos fundamentais, em caso de colisão deve-se fazer um juízo de ponderação de acordo com o caso concreto. Não existe uma solução pré-estabelecida para o caso concreto, devendo haver uma ponderação entre os direitos em conflito, aplicando aquele de maior valia de acordo com o caso concreto. RENÚNCIA Os direitos fundamentais são irrenunciáveis, porém o constitucionalismo moderno vem admitido, diante de um caso concreto, a renúncia temporária e excepcional (nunca poderá haver a renúncia geral). Ex.: os Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 8 participantes de reality show que renunciam, durante a exibição do programa, à inviolabilidade da imagem, da privacidade e da intimidade. É assegurado o direito de não fruir de posição jurídica decorrente de uma norma constitucional, que estabeleça uma liberdade fundamental. Assim a liberdade de crença implica também no direito de não possuir religião, por exemplo. RESTRIÇÕES CONSTITUCIONAIS Os direitos e garantias podem ser suspensos quando da decretação de estado de defesa e de estado de sítio (não será declarado em caso de intervenção federal ou estadual). Nesses dois casos as restrições ou suspensões dos direitos fundamentais se dá sem a necessidade de autorização prévia do Poder Judiciário, entretanto nada impede que tais medidas sejam apreciadas pelo judiciário (princípio da inafastabilidade de jurisdição), desde que este seja provocado, com o fim de verificar a validade dos atos, bem como eventuais abusos ou excessos. TRATADOS INTERNACIONAIS SOBRE DIREITOS HUMANOS Em regra os tratados internacionais ingressam em nosso ordenamento com força de lei ordinária, porém os tratados e acordos sobre direitos fundamentais (direitos humanos), ingressam em nosso ordenamento com força infraconstitucional ou supralegal, ou seja, estão acima do ordenamento jurídico interno masmas enquanto não houver regulamentação limitadora, têm aplicação imediata. ● Normas de Eficácia Limitada: Dependem de regulamentação para produzirem todos os seus efeitos. Jurisprudência do STF: O Supremo Tribunal Federal (STF) entende que a aplicação imediata dos direitos fundamentais deve prevalecer sempre que possível, ainda que em casos específicos possa ser necessária a atuação do legislador para regulamentação. O STF considera que, na ausência de regulamentação, os direitos fundamentais podem ser invocados com base na própria Constituição, refletindo a força normativa do texto constitucional. Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 72 § 2º Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. § 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais. Princípio da Inclusão de Direitos: Esse dispositivo consagra o caráter não exaustivo dos direitos fundamentais na Constituição Federal, permitindo a inclusão de outros direitos que sejam coerentes com o regime constitucional e seus princípios. Incorporação de Tratados Internacionais de Direitos Humanos: O § 2º prevê que os direitos fundamentais incluem também aqueles constantes dos tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil seja parte. Emenda Constitucional nº 45/2004: A Emenda Constitucional nº 45 trouxe o § 3º ao artigo 5º, estabelecendo que tratados internacionais de direitos humanos aprovados pelo Congresso Nacional em dois turnos, por três quintos dos votos, têm status de emenda constitucional. Isso significa que certos tratados internacionais de direitos humanos têm amesma hierarquia das normas constitucionais. Questões de concursos frequentemente exploram essa relação hierárquica e as condições de aprovação desses tratados. Fonte Supralegal dos Direitos Fundamentais: Os tratados internacionais de direitos humanos que não forem aprovados com o quórum de emenda constitucional ainda terão status supralegal, ou seja, ficam abaixo da Constituição, mas acima das leis ordinárias. § 4º O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha manifestado adesão. Aceitação da Jurisdição Internacional: Esse dispositivo reflete o compromisso do Brasil com o direito penal internacional e sua disposição de submeter-se à jurisdição de tribunais penais internacionais, desde que o país tenha formalizado adesão ao respectivo tratado ou instrumento de criação do tribunal. Tribunal Penal Internacional (TPI): O principal tribunal penal internacional ao qual o Brasil aderiu é o Tribunal Penal Internacional (TPI), estabelecido pelo Estatuto de Roma de 1998, que entrou em vigor no Brasil em 2002. O TPI tem jurisdição para julgar crimes de genocídio, crimes contra a humanidade, crimes de guerra e, mais recentemente, o crime de agressão. Em provas, é comum que questões abordem o papel do TPI, os crimes sob sua jurisdição e a forma como os países-membros, Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 73 incluindo o Brasil, se comprometem com sua jurisdição. Complementaridade da Jurisdição do TPI: O TPI opera com base no princípio da complementaridade, o que significa que ele atua apenas quando o sistema de justiça nacional é incapaz ou não está disposto a investigar e processar os crimes de sua competência. Isso é relevante em concursos, pois destaca que a jurisdição do TPI sobre cidadãos brasileiros somente ocorrerá se houver inação ou insuficiência no sistema judicial brasileiro em relação aos crimes mencionados. Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99abaixo da Constituição. De acordo com o §3º do art. 5º os tratado ou acordos internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados de acordo com o mesmo procedimento usado para aprovação das emendas constitucionais, terão força constitucional, o que significa que todos os seus termos deverão ser respeitados pelo legislador infraconstitucional sob pena de inconstitucionalidade e só poderão ser modificados de acordo com o procedimento rígido das emendas constitucionais, e desde que observadas as limitações das cláusulas pétreas. Cabe ressaltar que mesmo instaurados com força constitucional o tratados e convenções sobre direitos humanos poderão ser ulteriormente declarados como inconstitucional, por ofensa a valores constitucionais gravados como cláusulas pétreas. DIFERENÇA ENTRE DIREITOS FUNDAMENTAIS E DIREITOS HUMANOS Direitos humanos são aqueles ligados à liberdade e à igualdade e estão positivados em plano internacional, sendo inerentes à própria condição humana, já direitos fundamentais são direitos humanos positivados pela Constituição Federal. O que difere ambos é o plano em que são consagrados. Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 9 DEVERES FUNDAMENTAIS Além dos direitos fundamentais se desenvolvem estudos sobre os deveres fundamentais, assim temos: ● Dever de efetivação dos direitos fundamentais: exige-se uma atuação positiva do Estado; ● Deveres específicos do Estado diante dos indivíduos; ● Deveres de criminalização do Estado; ● Deveres do cidadão e da sociedade; ● Direito do exercício do direito de forma solidária em levando em consideração os interesses da sociedade; ● Deveres implícitos. Questões Questão 1 Ano: 2022 Banca: CESPE (Certo ou Errado) A eficácia horizontal dos direitos fundamentais significa que tais direitos se aplicam apenas nas relações entre o Estado e os cidadãos, sem influenciar as relações entre particulares. Questão 2 Ano: 2021 Banca: FCC (Múltipla Escolha) Qual princípio constitucional está diretamente relacionado com a eficácia dos direitos fundamentais nas relações privadas? A) Princípio da Soberania Nacional B) Princípio da Dignidade da Pessoa Humana C) Princípio da Legalidade D) Princípio da Liberdade de Empresa Questão 3 Ano: 2023 Banca: VUNESP (Certo ou Errado) Os direitos fundamentais podem ser integralmente renunciados nas relações privadas, em virtude do princípio da autonomia da vontade. Questão 4 Ano: 2022 Banca: FGV (Múltipla Escolha) Em caso de conflito entre direitos fundamentais em uma relação privada, o que deve ser feito? A) Aplicar o direito mais antigo. B) Ignorar ambos os direitos e buscar uma solução alternativa. C) Realizar uma ponderação entre os direitos em conflito. D) Aplicar sempre o direito à liberdade de expressão. Questão 5 Ano: 2021 Banca: CESPE (Certo ou Errado) A eficácia dos direitos fundamentais nas relações privadas é um princípio absoluto, não admitindo exceções ou ponderações. Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 10 Questão 6 Ano: 2020 Banca: FCC (Múltipla Escolha) Como são classificadas as restrições aos direitos fundamentais na Constituição Federal? A) Reserva legal simples e reserva legal absoluta. B) Reserva legal simples e reserva legal qualificada. C) Reserva legal complexa e reserva legal suplementar. D) Reserva legal exclusiva e reserva legal inclusiva. Questão 7 Ano: 2023 Banca: VUNESP (Certo ou Errado) O direito à privacidade pode ser renunciado temporariamente em contratos de trabalho que exigemmonitoramento constante por parte do empregador. Questão 8 Ano: 2022 Banca: FGV (Múltipla Escolha) Qual dos seguintes direitos NÃO pode ser renunciado mesmo em contextos contratuais específicos? A) Direito à privacidade em contratos de emprego. B) Direito de propriedade em acordos de compartilhamento de bens. C) Direito à integridade física em contratos desportivos. D) Direito de não ser submetido a tortura ou tratamento desumano. Gabarito Comentado Questão 1 Gabarito: Errado Comentário: A eficácia horizontal dos direitos fundamentais se refere à aplicabilidade desses direitos nas relações entre particulares, e não apenas nas relações entre o Estado e os cidadãos. Isso amplia o escopo de proteção dos direitos fundamentais para além das ações estatais, incidindo também sobre as relações privadas. Questão 2 Gabarito: B) Princípio da Dignidade da Pessoa Humana Comentário: O princípio da dignidade da pessoa humana é um fundamento para a aplicação dos direitos fundamentais nas relações entre particulares (eficácia horizontal). Este princípio assegura que a proteção aos direitos fundamentais deve ser observada em todas as relações, sejam elas estatais ou privadas, garantindo o respeito à dignidade em todos os níveis de interação social. Questão 3 Gabarito: Errado Comentário: Os direitos fundamentais são, em regra, irrenunciáveis, especialmente em seu núcleo essencial. A autonomia da vontade não permite a renúncia total dos direitos fundamentais nas relações privadas, embora possa haver limitações ou modulações em contextos específicos, sempre respeitando os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 11 Questão 4 Gabarito: C) Realizar uma ponderação entre os direitos em conflito. Comentário: Em situações de conflito entre direitos fundamentais em relações privadas, é necessário realizar uma ponderação para determinar qual direito deve prevalecer no caso concreto. Essa ponderação leva em conta a importância dos direitos envolvidos e as circunstâncias específicas do caso, buscando uma solução que minimize os prejuízos e respeite o núcleo essencial dos direitos fundamentais. Questão 5 Gabarito: Errado Comentário: A eficácia dos direitos fundamentais nas relações privadas não é um princípio absoluto, admitindo exceções e necessitando de ponderações em determinadas situações. O princípio da proporcionalidade e da razoabilidade deve ser aplicado para resolver conflitos entre direitos fundamentais ou entre estes e outros interesses juridicamente protegidos nas relações privadas. Questão 6 Gabarito: B) Reserva legal simples e reserva legal qualificada. Comentário: As restrições aos direitos fundamentais são classificadas em reserva legal simples, quando a Constituição exige apenas uma lei para a restrição de um direito, e reserva legal qualificada, quando além da exigência de uma lei, a Constituição estabelece condições específicas ou objetivos que devem ser atendidos pela norma restritiva. Questão 7 Gabarito: Errado Comentário: Ainda que existam situações em que o direito à privacidade pode ser limitado em contextos contratuais, como em contratos de trabalho que exigem certo nível de monitoramento, essas limitações devem ser razoáveis e proporcionais, não caracterizando uma renúncia total ao direito à privacidade. Além disso, tais limitações devem ser justificadas por necessidades reais do contexto laboral e respeitar o núcleo essencial do direito fundamental. Questão 8 Gabarito: D) Direito de não ser submetido a tortura ou tratamento desumano. Comentário: O direito de não ser submetido a tortura ou a tratamento desumano ou degradante é absoluto e não pode ser objeto de renúncia em nenhum contexto, incluindo acordos contratuais. Este direito reflete valores universais de respeito à dignidade humana e está protegido contra qualquer forma de violação, independentemente das circunstâncias. Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 12 DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS Vamos estudar um ponto muito importante em prova, de forma geral, observa-se que cerca de 90% das questões de concurso focam exclusivamente na chamada "lei seca", que se refere ao texto puro da Constituição ou de outras legislações, sem inclusão de quaisquer comentários, interpretações ou jurisprudências (decisões judiciais). No entanto, com o crescente aumento na complexidade das provas de concursos públicos, inclusive para níveis médios, torna-se relevante incluir em nosso material didáticouma abordagem ampla que contemple todas as nuances possíveis que possam ser exploradas nos exames. Dessa forma, além do texto legal, inserimos comentários explicativos abaixo de cada artigo ou inciso da Constituição. É importante destacar, contudo, que amemorização do texto constitucional deve ser a sua prioridade, sendo os comentários fornecidos um recurso complementar para enriquecer o entendimento e a aplicação prática da lei. Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: O caput do art. 5º enumera cinco direitos que são tidos como básicos, pois desses os incisos subsequentes constituem desdobramentos, esses direitos são a vida, liberdade, igualdade, propriedade e segurança, valendo tais direitos igualmente para brasileiros e estrangeiros, ainda que apenas em trânsito pelo Brasil. 1. Direito à vida: se caracteriza em duas vertentes, no direito de não ser morto e no direito de ter uma vida digna, tanto no aspecto espiritual quanto material. O Estado tem o dever de proteger a vida e de punir todos aqueles que atentarem contra ela. O Estado também tem o dever que a vida ocorra em condições mínimas de dignidade, e desse dever decorrem outros direitos assegurados nos inc. do art. 5º, como o direito a salário mínimo, irredutibilidade salarial, acesso à saúde pública etc. Exceções do direito à vida: Art. 128 CP - Não se pune o aborto praticado por médico: Aborto necessário I - se não há outro meio de salvar a vida da gestante; Aborto no caso de gravidez resultante de estupro (Aborto Sentimental) II - se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal. IMPORTANTE: Segundo o STF o aborto do feto anencefálico também é permitido o Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento da ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) 54, decidiu pela não criminalização da interrupção da gravidez no caso de fetos anencefálicos. Esta decisão, proferida em 2012, entendeu que a antecipação terapêutica do parto em casos de anencefalia fetal não se equipara ao crime de aborto previsto no Código Penal Brasileiro. Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 13 Vale aqui também fazer menção que o STF entendeu que pesquisas com células tronco não violam o direito à vida. A eutanásia é proibido no Brasil - A eutanásia ocorre quando um indivíduo resolve por fim à sua vida, pelo fato de está com alguma doença incurável, que lhe provoca grande sofrimento e dor. 2. Direito à liberdade: trata-se da essência dos direitos fundamentais de primeira geração (liberdades públicas), e dever ser entendido não apenas como a liberdade de locomoção, pois se desdobra em várias outras liberdades como a liberdade de pensamento e de crença. 3. Direito à segurança: assegura-se aqui a segurança jurídica, estabelecendo que lesões a direitos não ocorrerão e se ocorrerem deverá haver reparação ao dano causado. Assim uma pessoa diante de lesão ou ameaça de lesão a direito poderá acionar o Poder Judiciário, para este assegurar seu direito 4. Direito à propriedade: a CF assegura o direito à propriedade mas define que está deverá cumprir a sua função social. A própria CF estabelece quais as hipóteses de descumprimento da função social das propriedades rurais e urbanas nos arts. 182,§2º e 186 respectivamente. Caso a propriedade não cumpra a sua função social o Estado intervirá na mesma desapropriando-a e indenizando o proprietário com títulos da dívida pública (se propriedade urbana) ou títulos da dívida agrária (se propriedade rural).O direito à propriedade assegurado na CF, não se limita ao bem móvel ou imóvel, urbano ou rural, mas também assegura a propriedade imaterial, como a propriedade intelectual, por exemplo. 5. Direito à igualdade: assegura a paridade de tratamento entre os membros da sociedade. Contudo deve-se relembrar as palavras de aristóteles sobre tal princípio, "igualdade consiste em tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais. Essa posição é adotada pela CF, podendo tratar as pessoas de forma desigual, pois o que se veda são as diferenciações arbitrárias e não o tratamento desigual aos desiguais na medida em que se desigualam, pois esse pode ser ummeio de atingir a igualdade. QUESTÕES COMENTADAS Questão 1: (Ano: 2020 Banca: FCC) Sobre o Art. 5º da Constituição Federal, é correto afirmar que: A) Assegura direitos e garantias apenas aos brasileiros natos. B) Estabelece direitos fundamentais que incluem a vida, a liberdade, a igualdade, a segurança e a propriedade para brasileiros e estrangeiros residentes no país. C) Limita a aplicação do direito à propriedade em território nacional. D) Exclui os estrangeiros não residentes de todas as proteções e garantias fundamentais. E) Permite a renúncia total ao direito à vida em caso de consentimento expresso do indivíduo. Questão 2: (Ano: 2019 Banca: CESPE) A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal entende que a interrupção da gestação de feto anencefálico: A) É considerada crime, em qualquer situação, segundo o Código Penal. Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 14 B) Pode ser realizada sem autorização judicial, não sendo tipificada como aborto pelo Código Penal. C) Só é permitida após avaliação e autorização de dois médicos especialistas. D) Requer consentimento expresso da gestante em qualquer caso. Questão 3: (Ano: 2021 Banca: VUNESP) O direito à igualdade, conforme o Art. 5º da Constituição Federal, pressupõe que: A) Todos devem ser tratados da mesma forma pela lei, sem espaço para políticas de ação afirmativa. B) A lei deve tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na medida de suas desigualdades. C) Tratamento desigual por parte da lei é sempre considerado inconstitucional. D) A igualdade se restringe à esfera dos direitos civis, não abrangendo direitos sociais e políticos. Questão 4: (Ano: 2018 Banca: FGV) A respeito da função social da propriedade, prevista no Art. 5º da Constituição Federal, é correto afirmar que: A) A função social é cumprida exclusivamente quando a propriedade é utilizada para fins lucrativos. B) A desapropriação por interesse social para fins de reforma agrária não se aplica a propriedades urbanas. C) O descumprimento da função social pode resultar em desapropriação, com indenização em títulos da dívida agrária ou pública. D) Propriedades que cumprem sua função social estão isentas de impostos. Questão 5: (Ano: 2022 Banca: CESPE) Considerando o direito à liberdade expresso no Art. 5º da Constituição Federal, assinale a opção correta. A) O direito à liberdade de expressão é absoluto e não pode ser restringido em nenhuma hipótese. B) A liberdade de locomoção garante o direito de entrar, permanecer ou sair do território nacional com ou sem o uso de documentação. C) A liberdade de crença inclui o direito de não professar religião alguma, estando protegida pela não tipificação de crimes de desrespeito por convicção filosófica. D) A liberdade de expressão pode ser restringida em casos de manifestações artísticas que contrariem os bons costumes. GABARITO COMENTADO Questão 1: Gabarito: B Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 15 Comentário: O Art. 5º da CF/88 assegura os direitos fundamentais a todos, brasileiros e estrangeiros residentes no Brasil, sem distinção, incluindo direitos à vida, liberdade, igualdade, segurança e propriedade. Questão 2: Gabarito: B Comentário: O STF, na ADPF 54, decidiu que a antecipação terapêutica do parto em casos de anencefalia fetal não configura crime de aborto, podendo ser realizada sem autorização judicial. Questão 3: Gabarito: B Comentário: O princípio da igualdade, segundo o Art. 5º, pressupõe tratar os iguais de forma igual e os desiguais de forma desigual, na medida de suas desigualdades, fundamentando-se na buscapela equidade. Questão 4: Gabarito: C Comentário: A Constituição estabelece que a propriedade deve cumprir sua função social, podendo ser desapropriada, com indenização, caso não cumpra essa função, tanto em áreas urbanas quanto rurais. Questão 5: Gabarito: C Comentário: A liberdade de crença, garantida pelo Art. 5º, assegura o direito de professar qualquer religião ou de não professar nenhuma, protegendo a liberdade de consciência e de expressão. I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição; A igualdade mencionada na Constituição Federal do Brasil, especialmente no que se refere à afirmação de que "homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações", refere-se à igualdade formal e material. Igualdade Formal: A igualdade formal é aquela estabelecida perante a lei. Isso significa que a lei não deve fazer distinções entre as pessoas com base em critérios como sexo, raça, idade, etc. Nesse sentido, a igualdade formal é a garantia de que todos são submetidos às mesmas normas jurídicas, sem discriminação. Igualdade Material: Além da igualdade formal, a Constituição busca promover a igualdade material, que é o objetivo de equilibrar de fato as condições de vida das pessoas, reconhecendo que diferentes grupos podem ter necessidades distintas. A igualdade material leva em conta as desigualdades existentes na sociedade e busca promover medidas que assegurem não apenas o mesmo tratamento legal, mas também oportunidades iguais para todos. No contexto de gênero, isso inclui políticas públicas e Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 16 ações afirmativas que visem superar as desigualdades históricas entre homens e mulheres, garantindo, por exemplo, acesso igualitário ao trabalho, educação e saúde. Exceções: Esse direito não é absoluto a própria constituição estabelece regras diferenciadas no tratamento entre homens e mulheres. DETALHE somente a constituição poderá estabelecer essa diferenciação repare o termo “nos termos desta Constituição” quando cai em prova esse inciso ele mudam essa expressão para “nos termos da lei” deixado o item errado! Exemplos de Exceções: Serviço militar obrigatório apenas para os homens segundo o art. 143 CF dispensado para as mulheres. JURISPRUDÊNCIAS IMPORTANTES É inconstitucional— por contrariar os princípios da dignidade da pessoa humana (CF/1988, art. 1º, III), da proteção à vida (CF/1988, art. 5º, “caput”) e da igualdade de gênero (CF/1988, art. 5º, I) — o uso da tese da “legítima defesa da honra” em crimes de feminicídio ou de agressão contra mulheres, seja no curso do processo penal (fase pré-processual ou processual), seja no âmbito de julgamento no Tribunal do Júri. (...) No Tribunal do Júri, a referida tese é usualmente suscitada, dada a prevalência da plenitude da defesa (CF/1988, art. 5º, XXXVIII), a qual admite a apresentação de argumentos extrajurídicos. Todavia, a “legítima defesa da honra” configura recurso argumentativo odioso, desumano e cruel utilizado pelas defesas de acusados de feminicídio ou agressões contra mulheres para imputar às vítimas a causa de suas próprias mortes ou lesões, contribuindo para a naturalização e a perpetuação da cultura de violência contra as mulheres no País. [ADPF 779, rel. min. Dias Toffoli, j. 1º-8-2023, P, Informativo STF 1.105.] Juizado Especial não se aplica à violência doméstica A Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) deve ser interpretada de forma a garantir proteção máxima às mulheres vítimas de violência doméstica. Isso significa que, mesmo em casos de agressão considerada "leve", como empurrões ou tapas, esses atos não devem ser tratados como pequenas ofensas (como normalmente aconteceria sob a Lei 9.099/1995, que se aplica a crimes de menor potencial ofensivo e prevê procedimentos mais simples e penas mais leves). Pelo contrário, tais casos devem ser levados a sério e processados como crimes graves, permitindo que o Ministério Público aja diretamente, sem a necessidade de a vítima fazer uma queixa formal para que o agressor seja processado.[ADI 4.424, rel. min. Marco Aurélio, j. 9-2-2012, P, DJE de 1º-8-2014.] = ARE 773.765 RG, rel. min. Gilmar Mendes, j. 3-4-2014, P, DJE de 28-4-2014, Tema 713 A Lei Maria da Penha é Inconstitucional? Não, Violência doméstica. (...) O art. 1º da Lei 11.340/2006 surge, sob o ângulo do tratamento diferenciado entre os gêneros – mulher e homem –, harmônica com a CF, no que necessária a proteção ante as peculiaridades física e moral da mulher e a cultura brasileira. [ADC 19, rel. min. Marco Aurélio, j. 9-2-2012, P, DJE de 29-4-2014.] (...) os crimes de lesão corporal praticados contra a mulher no âmbito doméstico e familiar são de ação penal pública incondicionada. [ARE 773.765 RG, voto do min. Gilmar Mendes, j. 3-4-2014, P, DJE de 28-4-2014. Tema 713.] Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 17 Transgênero pode alterar seu prenome e gênero no registro civil mesmo sem fazer cirurgia de transgenitalização e mesmo sem autorização judicial, Veja: (Essa questão caiu no concurso de 2023 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: PM-PA - Oficial) 1. O direito à igualdade sem discriminações abrange a identidade ou expressão de gênero. 2. A identidade de gênero é manifestação da própria personalidade da pessoa humana e, como tal, cabe ao Estado apenas o papel de reconhecê-la, nunca de constituí-la. 3. A pessoa transgênero que comprove sua identidade de gênero dissonante daquela que lhe foi designada ao nascer por autoidentificação firmada em declaração escrita desta sua vontade dispõe do direito fundamental subjetivo à alteração do prenome e da classificação de gênero no registro civil pela via administrativa ou judicial, independentemente de procedimento cirúrgico e laudos de terceiros, por se tratar de tema relativo ao direito fundamental ao livre desenvolvimento da personalidade. 4. Ação direta julgada procedente. (ADI 4275, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 01/03/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-045 DIVULG 06-03-2019 PUBLIC 07-03-2019) QUESTÕES COMENTADAS Questões 1. (Ano: 2021 Banca: FGV) De acordo com o Art. 5º, I da Constituição Federal, é correto afirmar que: A) Homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, exceto quando a lei determinar o contrário. B) A igualdade de gênero aplica-se exclusivamente no âmbito trabalhista. C) As diferenças entre homens e mulheres na legislação brasileira são sempre inconstitucionais. D) A igualdade de gênero na Constituição permite exceções, desde que expressamente previstas na própria Constituição. 2. (Ano: 2022 Banca: CESPE) Sobre a tese da "legítima defesa da honra" em crimes de feminicídio, é correto afirmar que: A) É amplamente aceita pelos tribunais como argumento de defesa. B) Foi considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. C) Pode ser utilizada livremente no Tribunal do Júri. D) Não possui relevância no contexto do feminicídio. 3. (Ano: 2020 Banca: VUNESP) A Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) é considerada Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 18 inconstitucional porque: A) Diferencia tratamento entre homens e mulheres. B) Aplica-se exclusivamente a mulheres vítimas de violência doméstica. C) Foi contestada por tratar de forma desigual agressores de diferentes gêneros. D) Nenhuma das alternativas anteriores. A lei é constitucional e visa proteger as mulheres vítimas de violência doméstica. 4. (Ano: 2019 Banca: FCC) No que se refere ao serviço militar obrigatório no Brasil, a Constituição Federal: A) Estabelece igualdade total, exigindo que tanto homens quanto mulheres o cumpram. B) Dispensa as mulheres e os incapazes física e mentalmente. C) Obriga apenas os homens ao cumprimento do serviço militar. D) Permite a escolha individual sobre o cumprimento do serviço militar, independentemente do gênero. 5. (Ano: 2021 Banca: CESPE) Quanto aos crimes de lesão corporal no âmbito doméstico e familiar contra a mulher, écorreto afirmar que: A) São considerados de ação penal pública condicionada à representação da vítima. B) Devem ser tratados por Juizados Especiais conforme a Lei 9.099/95. C) São de ação penal pública incondicionada. D) Só podem ser processados após formalização de queixa pela vítima. Comentários das Questões 1. D) A igualdade de gênero na Constituição permite exceções, desde que expressamente previstas na própria Constituição. Comentário: A Constituição assegura igualdade de direitos e obrigações entre homens e mulheres, mas permite exceções, como no serviço militar obrigatório para homens, evidenciando que tais exceções devem estar explicitamente previstas no texto constitucional. 2. B) Foi considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Comentário: O STF declarou a tese da "legítima defesa da honra" em casos de feminicídio como inconstitucional, reafirmando os princípios da dignidade da pessoa humana e da igualdade de gênero. 3. D) Nenhuma das alternativas anteriores. A lei é constitucional e visa proteger as Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 19 mulheres vítimas de violência doméstica. Comentário: A Lei Maria da Penha foi reconhecida pelo STF como constitucional, reiterando seu papel fundamental na proteção das mulheres contra a violência doméstica e familiar, sem constituir qualquer forma de inconstitucionalidade. 4. C) Obriga apenas os homens ao cumprimento do serviço militar. Comentário: A Constituição estabelece o serviço militar obrigatório especificamente para homens, refletindo uma das exceções II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; Aqui a constituição refere-se ao princípio da legalidade voltada ao particular,ou seja,para as pessoas comuns que não estejam atuando em favor da administração pública. Legalidade para o particular - Pode fazer tudo que não for proibido. Legalidade para Administração Público - Somente pode fazer aquilo que a lei manda ou permite. Lembre-se, meu jovem somente a LEI pode te obrigar a fazer ou deixar de fazer alguma coisa! Questões Comentadas 1. (Ano: 2021 Banca: FCC) Qual das seguintes afirmações melhor descreve o princípio da legalidade?** A) Tanto os particulares quanto a Administração Pública podem fazer tudo que a lei não proíbe. B) A Administração Pública pode agir conforme sua discricionariedade, sem necessidade de previsão legal. C) Os particulares só podem agir conforme o que está expressamente autorizado em lei. D) Na Administração Pública, é necessário que haja uma lei que autorize expressamente a atuação, ao contrário dos particulares, que podem fazer tudo que a lei não proíbe. 2. (Ano: 2020 Banca: CESPE) Sobre o princípio da legalidade, é correto afirmar que:** A) É aplicável exclusivamente aos agentes públicos em suas funções administrativas. B) Impõe restrições somente à atuação do Estado, liberando o particular de suas amarras. C) Determina que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer algo senão em virtude de lei. Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 20 D) Permite que os particulares exijam condutas específicas do Estado sem previsão legal. 3. (Ano: 2019 Banca: FGV) Considerando o princípio da legalidade, assinale a alternativa correta em relação à sua aplicação para a Administração Pública:** A) A Administração Pública está livre para agir conforme o interesse público, mesmo sem previsão legal. B) Somente pode realizar aquilo que a lei expressamente autoriza ou determina. C) O princípio da legalidade não se aplica à Administração Pública. D) A Administração Pública pode fazer tudo que não for expressamente proibido pela lei. 4. (Ano: 2022 Banca: IBFC) No que tange ao princípio da legalidade para os particulares, pode-se afirmar que:** A) Os particulares estão sujeitos às mesmas regras de conduta que a Administração Pública. B) Os particulares podem fazer tudo aquilo que a lei não proíbe. C) Os particulares só podem agir segundo a permissão explícita das leis. D) A conduta dos particulares é irrelevante para a aplicação do princípio da legalidade. 5. (Ano: 2023 Banca: INSTITUTO AOCP) O princípio da legalidade, conforme estabelecido na Constituição Federal, implica que: A) Apenas as leis complementares podem estabelecer obrigações aos cidadãos. B) Decretos presidenciais podem criar obrigações novas aos cidadãos, independentemente de lei. C) Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. D) O princípio é aplicável somente emmatérias de direito penal. 6. Ano: 2023 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: PM-PA Prova: CESPE / CEBRASPE - 2023 - PM-PA - Oficial Considerando a observância dos preceitos legais e dos entendimentos jurisprudenciais que dizem respeito às pessoas da comunidade LGBTQIAPN+, julgue os itens a seguir. I As pessoas trans somente adquirem o direito à substituição de prenome e da identificação do sexo diretamente no registro civil se comprovarem ter passado pela cirurgia de transgenitalização e por tratamentos hormonais ou patologizantes. II Segundo o Supremo Tribunal Federal (STF), atos de homofobia e de transfobia constituem manifestações concretas do crime de racismo. III Caso policiais sejam acionados por populares devido à manifestação de afeto de cunho não sexual, em praça pública, entre pessoas do mesmo sexo, eles deverão deslocar-se até o local da ocorrência e levar as pessoas acusadas para prestarem depoimento na delegacia. Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 21 Assinale a opção correta. A Apenas o item I está certo. B Apenas o item II está certo. C Apenas os itens I e III estão certos. D Apenas os itens II e III estão certos. E Todos os itens estão certos. Comentários das Questões 1. D) Comentário: Esta alternativa destaca a distinção entre a atuação da Administração Pública, que precisa de lei que a autorize, e os particulares, que têm liberdade de ação, exceto quando a lei proíbe. É uma expressão clara do princípio da legalidade. 2. C) Comentário: Corretamente aponta que o princípio da legalidade se aplica a todos, estabelecendo que as obrigações ou proibições devem ter fundamento legal, respeitando a autonomia dos particulares e limitando o poder estatal. 3. B) Comentário: Essa alternativa corretamente reflete a aplicação do princípio da legalidade na Administração Pública, que está restrita a agir conforme o que está expressamente autorizado pela lei, garantindo a segurança jurídica e previsibilidade. 4. B) Comentário: Esta resposta destaca a liberdade de ação dos particulares sob o princípio da legalidade, permitindo qualquer ação que não seja expressamente proibida pela lei, em contraste com as restrições impostas à Administração Pública. 5. C) Comentário: De forma direta, esta alternativa reflete o conteúdo do princípio da legalidade conforme estabelecido na Constituição Federal, que impõe a necessidade de fundamento legal para obrigações ou proibições dirigidas tanto a particulares quanto ao Estado. 6. B) A questão aborda temas relacionados aos direitos e proteção das pessoas LGBTQIAPN+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros, Queer, Intersexuais, Assexuais, Pansexuais e não binárias) e sua interação com a lei e jurisprudência brasileiras. Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 22 I. A afirmativa está incorreta. Desde 2018, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconhece o direito à retificação do prenome e da identificação do sexo no registro civil, independentemente da realização de cirurgia de redesignação sexual ou de tratamentos hormonais. Portanto, a cirurgia de transgenitalização e tratamentos hormonais não são requisitos para a alteração desses registros. II. A afirmativa está correta. O Supremo Tribunal Federal (STF), por meio do julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5543 e do Mandado de Injunção (MI) 4733, reconheceu que a homofobia e a transfobia são equiparadas ao crime de racismo, até que o Congresso Nacionallegisle sobre o assunto. III. A afirmativa está incorreta. A manifestação de afeto entre pessoas do mesmo sexo não constitui crime, portanto, não justifica a intervenção policial. O Supremo Tribunal Federal, em diversas ocasiões, já ressaltou a necessidade de combater a discriminação e violência contra a população LGBTQIAPN+. Comentário: A alternativa correta é a letra B, pois apenas o item II está correto. Os itens I e III estão incorretos, pois não refletem o entendimento jurisprudencial atual sobre os direitos das pessoas LGBTQIAPN+. III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante; O texto é auto explicativo,mas vale salientar que o crime de tortura é tipificado na lei 9455/97 no qual é considerado um crime inafiançável e insuscetível de graça ou anistia, além disso é equiparado a crime hediondo segundo a lei Lei 8072/90. Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros, justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere, sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado. [Súmula Vinculante 11.] QUESTÕES 1. (Banca: FCC) A Lei nº 9.455/97, que tipifica o crime de tortura, estabelece que: A) É um crime afiançável e passível de graça ou anistia. B) Não é considerado um crime hediondo segundo a legislação brasileira. C) É um crime inafiançável e insuscetível de graça ou anistia, além de ser equiparado a crime hediondo. D) Apenas pode ser processado mediante queixa da vítima. 2. (Banca: INSTITUTO AOCP) Sobre o uso de algemas, a Súmula Vinculante nº 11 do STF determina que: A) O uso é livre, desde que a autoridade julgue necessário. B) É permitido em qualquer situação, sem necessidade de justificação. Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 23 C) Só é lícito em casos de resistência, fundado receio de fuga ou perigo à integridade física, com justificação por escrito. D) O uso de algemas é proibido no território nacional. 3. (Banca: IBFC) Em relação ao crime de tortura, assinale a opção correta: A) A tortura pode ser justificada em casos de extrema necessidade de obtenção de informações. B) O crime de tortura é considerado afiançável sob determinadas circunstâncias. C) Qualquer ato de tortura é inafiançável e considerado crime hediondo, segundo a legislação brasileira. D) A legislação brasileira permite concessões de anistia para crimes de tortura cometidos antes de 1998. 4. (Banca: FGV) Quanto ao tratamento de pessoas sob custódia do Estado, é correto afirmar que: A) O Estado pode submeter indivíduos a tratamento desumano como forma de punição. B) A Constituição Federal permite exceções ao princípio de que ninguém será submetido a tortura ou tratamento desumano. C) A legislação brasileira assegura que ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante. D) Tratamentos desumanos são permitidos em casos de emergência nacional. 5. (Banca: IBGP) Considerando a legislação brasileira sobre direitos humanos, é correto afirmar que: A) A tortura é admitida em situações específicas definidas por lei. B) Existe uma lei específica que tipifica e pune o crime de tortura, destacando sua gravidade. C) Os crimes de tortura são passíveis de anistia, dependendo da situação política do país. D) O uso de algemas é um direito discricionário das forças de segurança. Questões Certo ou Errado (Banca: CESPE) 6. A lei brasileira permite a concessão de graça ou anistia para crimes de tortura sob certas condições. Errado 7. Segundo a Súmula Vinculante nº 11 do STF, a justificação para o uso de algemas deve ser feita verbalmente pela autoridade policial. Errado 8. O crime de tortura, segundo a legislação brasileira, é inafiançável e equiparado a crime hediondo. Certo Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 24 9. A Constituição Federal do Brasil permite tratamentos desumanos ou degradantes em casos de ameaça nacional. Errado 10. A legislação brasileira estabelece que o uso de algemas é permitido somente sob condições específicas e deve ser justificado por escrito. Certo Comentários 1. C) Este item está correto, pois reflete exatamente o que estabelece a Lei nº 9.455/97 sobre o crime de tortura. 2. C) A Súmula Vinculante nº 11 estabelece critérios específicos para o uso de algemas, incluindo a necessidade de justificação escrita, que deve ser feita em casos excepcionais. 3. C) A legislação brasileira, através da Lei nº 9.455/97, classifica o crime de tortura como inafiançável e hediondo, reforçando seu compromisso com os direitos humanos. 4. C) A Constituição Federal brasileira e a legislação pertinente proíbem explicitamente a tortura e o tratamento desumano ou degradante, sem exceções. 5. B) O item corretamente destaca a existência da Lei nº 9.455/97, que tipifica e pune o crime de tortura, reafirmando a seriedade com que o Brasil trata esse crime. 6-10. As questões de certo ou errado elaboradas sob a perspectiva da banca CESPE (atualmente conhecida como Cebraspe) exploram a compreensão dos candidatos sobre a legislação e jurisprudência relacionadas à proibição de tortura, ao uso de algemas e aos direitos fundamentais, alinhando-se com o princípio da legalidade e a proteção dos direitos humanos conforme estabelecido na Constituição Federal e leis complementares. IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato; É livre a sua manifestação do pensamento, porém deve ser ponderada, pois não é um direito absoluto. Um dos grandes questionamentos em provas de concurso é sobre a denúncia anônima, será que a autoridade policial pode instaurar inquérito somente com o conhecimento de uma denúncia anônima ? Denúncia anônima: Segundo entendimento do STF, a Notitia Criminis Inqualificada, vulgarmente chamada de"denúncia anônima" ou apócrifa, por si só, não pode ensejar a instauração de um inquérito policial, pois antes de ser deflagrado sua instauração, deve a Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 25 Autoridade Policial verificar a procedência da informação (VPI), isso significa que, a partir dela, pode o Delegado realizar diligências preliminares para apurar a veracidade dessas informações, uma vez que, tal "denúncia" inverídica pode acarretar seríssimos prejuízos a uma pessoa. VAMOS PRATICAR!!! Um delegado de polícia, tendo recebido denúncia anônima de que Mílton estaria abusando sexualmente de sua própria filha, requereu, antes mesmo de colher provas acerca da informação recebida, a juiz da vara criminal competente a interceptação das comunicações telefônicas de Mílton pelo prazo de quinze dias, sucessivamente prorrogado durante os quarenta e cinco dias de investigação. Kátia, ex-mulher de Mílton, contratou o advogado Caio para acompanhar o inquérito policial instaurado. Mílton, então, ainda no curso da investigação, resolveu interceptar, diretamente e sem o conhecimento de Caio e Kátia, as ligações telefônicas entre eles, tendo tomado conhecimento, devido às interceptações, de que o advogado cometera o crime de tráfico de influência. Em razão disso, Mílton procurou Kátia e solicitou que ela concordasse com a divulgação do conteúdo das gravações telefônicas, ao que Kátia anuiu expressamente. Mílton, então, apresentou ao delegado o conteúdo das gravações, que foram utilizadas para subsidiar ação penal iniciada pelo MP contra Caio, pela prática do crime de tráfico de influência. Com base nessa situação hipotética, julgue o item seguinte, a respeito das interceptações telefônicas. O delegado de polícia não poderia ter determinado a instauração de inquérito policial exclusivamente com base na denúncia anônima recebida. CERTO ou ERRADO? Gabarito: Certo! Como vimos anteriormente não pode o delegado usar exclusivamente a denúncia anônima para a instauração do inquérito policial,o que pode o Delegado é realizar diligênciaspreliminares para apurar a veracidade dessas informações Questões 1. (Banca: FCC) Sobre a liberdade de manifestação do pensamento, é correto afirmar que: A) O anonimato é permitido quando a manifestação do pensamento é realizada em ambiente virtual. B) A liberdade de manifestação do pensamento permite a divulgação de informações sem a necessidade de identificação da fonte. C) A Constituição Federal garante a liberdade de manifestação do pensamento, mas veda expressamente o anonimato. D) Manifestações anônimas são protegidas pela Constituição quando servem ao interesse público. E) O direito à liberdade de expressão é absoluto e não encontra limitações no ordenamento jurídico brasileiro. 2. (Banca: INSTITUTO AOCP) Qual das seguintes opções melhor reflete o princípio constitucional relativo à liberdade de manifestação do pensamento? A) O anonimato é uma ferramenta essencial para a proteção da liberdade de expressão. B) A manifestação do pensamento é livre, desde que não contrarie os bons costumes. Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 26 C) É livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato. D) Apenas as manifestações do pensamento que não ofendam a honra de terceiros são permitidas. E) Toda e qualquer manifestação do pensamento deve ser previamente autorizada pelo Estado. 3. (Banca: IBFC) Considerando a liberdade de expressão e a proibição do anonimato, assinale a alternativa correta: A) A proibição do anonimato aplica-se apenas aos meios de comunicação tradicionais, não se estendendo às redes sociais. B) O anonimato é permitido em casos de denúncias contra a administração pública. C) A vedação ao anonimato visa proteger a integridade moral das pessoas e a responsabilização pelas informações veiculadas. D) A liberdade de manifestação do pensamento exclui a possibilidade de responsabilização por danos morais. E) A Constituição permite o anonimato como meio de garantir a liberdade de expressão dos cidadãos. Questões Certo ou Errado (Banca: CESPE) 4. A liberdade de manifestação do pensamento na Constituição Federal é um direito absoluto, não encontrando restrições quanto ao anonimato. 5. Segundo a Constituição Federal, é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato. 6. A denúncia anônima pode servir, por si só, como fundamento exclusivo para a instauração de um inquérito policial. 7. O uso do anonimato emmanifestações do pensamento é protegido constitucionalmente quando contribui para a liberdade de expressão. Gabaritos e Comentários 1. Gabarito: C Comentário: A Constituição Federal garante a liberdade de manifestação do pensamento, mas veda expressamente o anonimato. Esta medida visa assegurar a responsabilidade pelas opiniões emitidas, conforme Art. 5º, IV da CF. 2. Gabarito: C Comentário: Reflete diretamente o texto constitucional, estabelecendo a liberdade de manifestação do pensamento com a proibição do anonimato. Essa disposição constitucional garante a responsabilização civil e penal nas expressões de pensamento. 3. Gabarito: C Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 27 Comentário: A vedação ao anonimato, conforme previsto na Constituição, tem o objetivo de assegurar que todas as manifestações possam ser atribuídas a seus autores, permitindo a responsabilização em casos de abuso dessa liberdade, como ataques à honra e à reputação. Questões Certo ou Errado (Banca: CESPE) 4. Errado Comentário: A liberdade de manifestação do pensamento, embora garantida pela Constituição Federal, não é um direito absoluto. Há restrições, como a proibição do anonimato, para assegurar a responsabilidade sobre as opiniões emitidas. 5. Certo Comentário: Esta afirmativa está correta e reflete o Art. 5º, IV da Constituição Federal, que, ao assegurar a liberdade de manifestação do pensamento, estabelece a vedação ao anonimato para garantir a responsabilização pelas opiniões emitidas. 6. Errado Comentário: O Supremo Tribunal Federal estabelece que uma denúncia anônima, por si só, não pode fundamentar a instauração de um inquérito policial. Antes, é necessário que a autoridade policial realize diligências preliminares para verificar a procedência da informação. 7. Errado Comentário: A Constituição Federal proíbe o anonimato como forma de garantir a liberdade de expressão, estabelecendo que, mesmo no exercício da liberdade de manifestação do pensamento, a responsabilização pelas opiniões emitidas deve ser possível. V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por danomaterial, moral ou à imagem; VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias; VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva; Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 28 Explicação: A prestação de assistência religiosa só pode ser exercida em repartições cíveis e militares de internação COLETIVA, tais como orfanatos, penitenciárias, quartéis e reformatórios, por exemplo. Importante: Os religiosos deverão acatar as normas internas de cada instituição hospitalar, a fim de não por em risco as condições dos pacientes ou a segurança do ambiente hospitalar. Isto se refere a horários, condutas e prescrições prévias. QUESTÕES Questão 1 (Banca: FCC) É correto afirmar que o direito de resposta, conforme previsto na Constituição Federal: A) Não inclui a possibilidade de indenização por danos materiais, morais ou à imagem. B) É limitado aos casos de ofensa à honra pessoal, excluindo danos à imagem corporativa. C) Deve ser proporcional ao agravo e pode incluir indenização por dano material, moral ou à imagem. D) Aplica-se apenas em casos de difamação ou injúria veiculados por meios de comunicação emmassa. Questão 2 (Banca: CESPE) A liberdade de consciência e de crença é inviolável, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos. Acerca dessa afirmação, julgue o item: Certo Errado Questão 3 (Banca: INSTITUTO AOCP) Nos termos da Constituição Federal, a assistência religiosa em entidades civis e militares de internação coletiva: A) É proibida, salvo em hospitais públicos. B) Depende exclusivamente da solicitação do internado ou paciente. C) É assegurada, devendo respeitar as normas internas das instituições. D) É um direito que se aplica apenas aos membros das religiões majoritárias no Brasil. Questão 4 (Banca: IBFC) Sobre o direito de resposta, é correto afirmar que: A) Só é garantido em casos de acusação falsa de crime. B) Apenas a indenização por dano material é contemplada. C) Inclui a possibilidade de retratação pública, sem indenizações adicionais. D) O agravo deve ser proporcional à resposta, que pode incluir indenização por danos. Questão 5 (Banca: FGV Adaptada) A inviolabilidade da liberdade de consciência e de crença, conforme estabelecido na Constituição Federal, significa que: Certo Errado Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 29 Comentários Questão 1 Gabarito: C. O direito de resposta, garantido pela Constituição, deve ser proporcional ao agravo e pode incluir pedido de indenizações por danos materiais, morais ou à imagem, refletindo o equilíbrio entre a liberdade de expressão e a proteção da honra. Questão 2 Gabarito: Certo. A Constituição Federal assegura a liberdade de consciência e de crença como um direito inviolável, garantindo o livre exercício dos cultos religiosos e a proteção aos locais de culto, refletindo o compromisso do Estado brasileiro com a pluralidade religiosa e a liberdade individual. Questão 3 Gabarito: C. A assistência religiosa em entidades civis e militares de internação coletiva é um direito garantido pela Constituição, desde que observadas as normas internas de cada instituição, como horários e condutas, para não comprometer a segurança ou o bem-estar dos internados. Questão 4 Gabarito: D. O direito de respostadeve ser proporcional ao agravo sofrido, e a Constituição prevê a possibilidade de indenização por danos materiais, morais ou à imagem, além da resposta proporcional, destacando a importância da reparação integral ao ofendido. Questão 5 Gabarito: Certo. A inviolabilidade da liberdade de consciência e de crença é um pilar fundamental da democracia, assegurado pela Constituição Federal, garantindo que cada indivíduo tem o direito de seguir sua própria consciência, crenças e práticas religiosas, sem imposições ou restrições indevidas por parte do Estado. VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei; Explicação: Escusa de consciência é uma justificativa que isenta a pessoa do cumprimento de determinada obrigação legal. Tal escusa é garantida pela Constituição Federal no Artigo 5º, incisos VI e VIII. É fator de liberdade de consciência, crença religiosa, convicção filosófica ou política, sendo o texto constitucional garantidor de que "ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política", prevendo, entretanto, o cumprimento de "prestação alternativa, fixada em lei" (CF, Art. 5º, inciso VIII). Outro ponto Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 30 importante é que o direito à escusa de consciência é norma de eficácia contida, pois o legislador pode restringi-lo É constitucional a obrigatoriedade de imunização por meio de vacina que, registrada em órgão de vigilância sanitária, (i) tenha sido incluída no Programa Nacional de Imunizações ou (ii) tenha sua aplicação obrigatória determinada em lei ou (iii) seja objeto de determinação da União, Estado, Distrito Federal ou Município, com base em consenso médico-científico. Em tais casos, não se caracteriza violação à liberdade de consciência e de convicção filosófica dos pais ou responsáveis, nem tampouco ao poder familiar. [ARE 1.267.879, rel. min. Roberto Barroso, j. 17-12-2020, P, DJE de 8-4-2021. Tema 1.103, com mérito julgado] Nos termos do art. 5º, VIII, da CF, é possível a realização de etapas de concurso público em datas e horários distintos dos previstos em edital por candidato que invoca a escusa de consciência por motivo de crença religiosa, desde que presente a razoabilidade da alteração, a preservação da igualdade entre todos os candidatos e que não acarrete ônus desproporcional à Administração pública, que deverá decidir de maneira fundamentada. [RE 611.874, rel. min. Dias Toffoli, red. do ac. min. Edson Fachin, j. 26-11-2020, P, DJE de 12-4-2021. Tema 386, commérito julgado.] Nos termos do art. 5º, VIII, da CRFB, é possível a Administração Pública, inclusive em estágio probatório, estabelecer critérios alternativos para o regular exercício dos deveres funcionais inerentes aos cargos públicos, em face de servidores que invocam escusa de consciência por motivos de crença religiosa, desde que presente a razoabilidade da alteração, não se caracterize o desvirtuamento no exercício de suas funções e não acarrete ônus desproporcional à Administração Pública, que deverá decidir de maneira fundamentada. [ARE 1.099.099, rel. min. Edson Fachin, j. 26-11-2020, P, DJE de 12-4-2021. Tema 1.021, com mérito julgado.] Questão 1 (Banca: FCC) A respeito da escusa de consciência, prevista no art. 5º, VIII, da Constituição Federal, assinale a opção correta: A) Permite ao indivíduo recusar-se a cumprir qualquer obrigação legal, baseando-se em sua crença religiosa ou convicção filosófica ou política. B) É um direito absoluto, não admitindo restrições ou a imposição de prestação alternativa pela lei. C) Não se aplica em situações onde a lei estabelece obrigações inafastáveis, como a vacinação obrigatória em determinadas circunstâncias. D) Garante a não privação de direitos por motivo de crença religiosa ou convicção filosófica ou política, exceto se a pessoa se eximir de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa fixada em lei. Questão 2 (Banca: CESPE - Certo ou Errado) Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 31 A obrigatoriedade de imunização por meio de vacina registrada em órgão de vigilância sanitária não se caracteriza como violação à liberdade de consciência e de convicção filosófica. Certo Errado Questão 3 (Banca: INSTITUTO AOCP) Considerando o direito à escusa de consciência, é correto afirmar que: A) Candidatos a concursos públicos não podem solicitar alteração na data de provas por motivos de crença religiosa. B) A Administração Pública é obrigada a atender todas as solicitações de alteração de horário de trabalho por motivos de crença religiosa, sem considerar o ônus à administração. C) É possível a realização de etapas de concurso público em datas e horários distintos dos previstos em edital por candidatos que invocam escusa de consciência por motivo de crença religiosa, observando-se a razoabilidade. D) Servidores públicos em estágio probatório não podem invocar escusa de consciência para modificar seus deveres funcionais. Questão 4 (Banca: IBFC) Acerca da escusa de consciência e a prestação alternativa, julgue o seguinte item: A escusa de consciência permite ao servidor público em estágio probatório solicitar critérios alternativos para o exercício dos deveres funcionais, desde que não acarrete ônus desproporcional à Administração Pública. Certo Errado Questão 5 (Banca: FGV) O direito à escusa de consciência, conforme jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, implica que: A) A imunização compulsória pode ser recusada sob qualquer circunstância, com base na liberdade de consciência. B) Alterações de datas de provas de concursos públicos não são permitidas, mesmo quando solicitadas por motivos de crença religiosa. C) A Administração Pública deve fundamentar decisões que neguem solicitações baseadas em escusa de consciência por motivos de crença religiosa. D) A escusa de consciência não se aplica a obrigações legais como a vacinação obrigatória, quando determinada com base em consenso médico-científico. Comentários Questão 1: Gabarito: D. A Constituição prevê a possibilidade de escusa de consciência, mas estabelece a obrigação de cumprir prestações alternativas fixadas em lei, mantendo o equilíbrio entre a liberdade individual e as obrigações legais coletivas. Conteúdo licenciado para Ana Clara Pereira - 166.282.896-99 32 Questão 2: Comentário: É correto. O STF considerou que a obrigatoriedade de vacinação, em determinadas circunstâncias, não viola as liberdades de consciência e convicção filosófica, tendo em vista o bem comum e a saúde pública. Questão 3: Comentário: A alternativa C está correta. O STF reconheceu a possibilidade de ajustar datas e horários de provas em concursos públicos para candidatos que, por crenças religiosas, necessitam de acomodações, desde que se observe a razoabilidade da solicitação. Questão 4: Comentário: Certo. O STF entendeu que é possível estabelecer critérios alternativos para o exercício dos deveres funcionais por servidores em estágio probatório, desde que isso não traga ônus desproporcional para a Administração Pública. Questão 5: Gabarito: C. A jurisprudência do STF indica que solicitações baseadas em escusa de consciência devem ser fundamentadamente consideradas pela Administração Pública, respeitando-se a liberdade de crença e a necessidade de acomodação razoável. QUESTÕES Questão 1 Um servidor público pode recusar-se a trabalhar aos sábados por motivo de crença religiosa, sem necessidade de compensar em outro dia, conforme previsto na Constituição Federal. ( ) Certo ( ) Errado Questão 2 Um cidadão, por suas convicções filosóficas, se recusa a votar e justifica sua ausência em todas as eleições, estando amparado pela Constituição para não sofrer nenhuma sanção. ( ) Certo ( ) Errado Questão 3 Um estudante universitário, invocando sua convicção política contrária a avaliações,