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sugillatus), mas em todas as
espécies dos demais gêneros só ocorrem dentes na
maxila superior; borda anterior da mandíbula
arredondada; maxila superior às vezes protrátil; uma
pálpebra ou membrana adiposa cobrindo totalmente o
olho, exceto por uma abertura alongada verticalmente
ou mesmo um pequeno orifício sobre a pupila; um
sulco na região anterior do flanco, onde se encaixa o
primeiro raio da nadadeira peitoral, quando essa é
deprimida sobre o corpo; nadadeira ventral com 9 a
11 raios; uma mancha escura na linha mediana do
tronco ou uma listra longitudinal ao longo do lóbulo
inferior da nadadeira caudal; a maioria das espécies
consome larvas de insetos, detritos, algas, perifíton ou
plâncton; peixes pelágicos, formam cardumes e
empreendem migrações reprodutivas. A família inclui
as subfamílias Anodontinae e Hemiodontinae, com
cinco gêneros e cerca de 35 espécies. No mercado de
Manaus foram encontradas três espécies pertencentes
a três gêneros.
Fonte bibliográfica: Roberts, 1974; Géry, 1977; Langeani,
1996; 1998; 2003.
Nome científico: Anodus elongatus Agassiz, 1829.
Outros nomes comuns: Cubiu-orana; yulilla (Peru).
Diagnose: Porte médio, até 30cm; corpo fusiforme,
pedúnculo caudal estreito e nadadeira caudal bem
desenvolvida; linha lateral com 96 a 127 escamas; 14 a
19 séries de escamas entre a nadadeira dorsal e a linha
lateral e 11 a 14 entre esta e a base da ventral;
coloração cinza-escuro, com uma mancha escura na
região mediana do corpo, na altura da linha lateral; 87
a 202 rastros longos no primeiro arco branquial;
ausência de dente; uma mancha escura no queixo.
Biologia: Planctófago, alimenta-se basicamente de
pequenos invertebrados que formam o plâncton, como
cladóceros, copépodos e rotíferos; desova na enchente;
ocorre normalmente em lagos de água branca e clara;
migra em grandes cardumes, ocasião em que são
pescados com mais intensidade.
Importância econômica: Insignificante, entretanto em
algumas épocas do ano, quando os cardumes estão
migrando, são bem comuns.
CHARACIFORMES PEIXES COMERCIAIS DE MANAUS
CUBIU
HEMIODONTIDAE
66
ORANAS
Peixes de pequeno a médio porte, entre 15 e 30cm de
comprimento padrão; corpo fusiforme; dentes
multicuspidados na maxila superior; ausência de
dentes na mandíbula; olho coberto por uma mem-
brana adiposa; a maioria das espécies vive em águas
abertas, forma cardumes e empreende migrações; tem
habilidade para saltos fora d’água; alimenta-se
basicamente de algas e invertebrados. O grupo tem
baixíssima participação na pesca, embora os cardumes
sejam facilmente capturáveis em determinadas épocas
do ano, quando se encontram em migração
reprodutiva. No mercado de Manaus foram
encontradas duas espécies.
Nome científico: Argonectes longiceps (Kner, 1858).
Outros nomes comuns: Orana.
Diagnose: Porte pequeno, até 20cm; focinho com
uma série de dobras na porção superior; pálpebra
adiposa recobrindo totalmente o olho, exceto por um
orifício diminuto, quase imperceptível, acima da pupila;
maxila superior ligeiramente protrátil; linha lateral com
cerca de 80 escamas; 14 a 15 séries de escamas entre
a origem da nadadeira dorsal e a linha lateral e 8 entre
esta e a origem da ventral; lóbulos da nadadeira caudal
claros nas porções proximal e distal, tendo a região
intermediária uma faixa escura contínua, em forma de
“v” horizontal e com o vértice dirigido para a cabeça.
CHARACIFORMES
HEMIODONTIDAE
PEIXES COMERCIAIS DE MANAUS
ORANA-COLARINHO
67
Biologia: Onívoro, consome algas e pequenos
invertebrados.
Importância econômica: Insignificante no geral e no
grupo.
Nome científico: Hemiodus sp.
Outros nomes comuns: Voador.
Diagnose: Porte médio, até 25cm; corpo roliço e
baixo, com altura contida cerca de 4 vezes no
comprimento padrão; linha lateral com cerca de 120
escamas; 26 séries de escamas entre a dorsal e a linha
lateral e 16 entre esta e a base da ventral; uma mancha
escura alongada no flanco, na região posterior da
nadadeira dorsal, com diâmetro aproximadamente do
mesmo tamanho do olho e a qual é eventualmente
seguida por uma faixa escura inconspícua, que vai até
o final do pedúnculo caudal; lóbulo inferior da
nadadeira caudal com uma faixa amarelada. Na revisão
taxonômica feita por Langeani (1996), esse peixe é
considerado como espécie nova, sob o nome de
Hemiodus “microlepis-longo”.
Biologia: Onívoro, alimenta-se de perifíton, formado
por algas associadas a um substrato, e de
microorganismos a ele associados; ocorre
principalmente em rios de água branca.
Importância econômica: Insignificante no geral e
destacada no grupo. É a espécie de orana mais
comum nos mercados de Manaus.
CHARACIFORMES PEIXES COMERCIAIS DE MANAUS
ORANA-FLEXEIRA
HEMIODONTIDAE
68
Nome científico: Prochilodus nigricans Agassiz, 1829.
Outros nomes comuns: Curimatá, grumatã, curimba,
quebra-galho; bocachico (Colômbia, Peru).
Diagnose: Porte grande, até 50cm e 3kg; lábios
bastante desenvolvidos, carnosos, em forma de
ventosa e bordejados por inúmeras papilas globulares
ou cristas carnosas; dentes diminutos, espatulados,
móveis e numerosos, implantados em duas fileiras,
sendo a interna em forma de V e a externa reta, ao
longo da margem externa dos lábios; escamas
ctenóides, ásperas ao tato; nadadeira caudal com
fileiras verticais irregulares e sinuosas de pequenas
manchas escuras; linha lateral com 44 a 51 escamas; 7
a 11 fileiras de escamas entre a origem da nadadeira
dorsal e a linha lateral e 7 a 9 fileiras entre esta e a
FAMÍLIA PROCHILODONTIDAE: Curimatã, jaraqui.
Os membros dessa família são caracterizados pelo
corpo fusiforme a elevado; um espinho bifurcado na
base da nadadeira dorsal; boca em forma de ventosa,
com lábios espessos, carnosos e eversíveis;
numerosos dentes diminutos, móveis, falciformes ou
espatulados e distribuídos em duas séries na frente e
em uma série na lateral dos lábios; intestino longo,
bastante enovelado; estômago alongado e em forma
de moela, isto é, com paredes grossas e lúmen
estreito. Os representantes dessa família têm hábito
alimentar detritívoro, consumindo detritos, matéria
orgânica particulada, algas e perifíton; formam
cardumes numerosos e empreendem longas
migrações reprodutivas e tróficas, podendo superar
grandes obstáculos, como corredeiras e pequenas
cachoeiras; têm destacada importância na pesca
comercial e de subsistência em toda a bacia amazônica.
A família inclui três gêneros e 20 espécies, sendo que
na área estudada foram encontradas três espécies.
Fonte bibliográfica: Géry, 1977; Ribeiro, 1983;
Vazzoler et al., 1989; Castro, 1990; Vazzoler & Amadio,
1990; Fernandes, 1997; Oliveira, 1997; Castro & Vari,
2003.
origem da nadadeira ventral.
Biologia: Detritívoro, alimenta-se de algas perifíticas,
microorganismos animais e matéria orgânica em
decomposição, geralmente depositada no fundo dos
rios; forma cardumes e empreende longas migrações;
desova na enchente, em rios de água branca ou clara;
os alevinos e jovens são criados nas áreas de várzea;
comprimento padrão médio da primeira maturação
sexual em torno de 26cm, quando os machos atingem
cerca de 1,7 e as fêmeas, 2,1 anos de idade.
Importância econômica: Moderada. É um dos peixes mais
populares e de maior importância econômica em vários
mercados pesqueiros da região amazônica, chegando a
dominar a produção em determinadas épocas do ano,
quando os cardumes estão migrando.
CHARACIFORMES
PROCHILODONTIDAE
PEIXES COMERCIAIS DE MANAUS
CURIMATÃ
69
JARAQUI
Peixe de porte médio, em torno de 35cm; dentes
pequenos, delicados e numerosos, implantados na
margem externa dos lábios, em duas fileiras em cada
maxila, sendo a fileira interna em forma de V e a externa
em linha reta; escamas ciclóides, ou seja, com bordas
lisas; nadadeiras caudal e anal adornadas por bandas
diagonais escuras, intercaladas por bandas amarelo-
alaranjadas; o número de bandas na nadadeira caudal
aumenta