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CENTRO UNIVERSITÁRIO FAVENI
PEDRO ANTÔNIO GIRONDI VIANA
O POLICIAL COMO AGENTE INTERVENTOR NA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA A MULHER
CASCAVEL
2023
CENTRO UNIVERSITÁRIO FAVENI
PEDRO ANTÔNIO GIRONDI VIANA
O POLICIAL COMO AGENTE INTERVENTOR NA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA A MULHER
Trabalho de conclusão de curso apresentado como requisito parcial à obtenção do título especialista em direito penal e processo penal.
 
CASCAVEL
2023
O POLICIAL COMO AGENTE INTERVENTOR NA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA A MULHER
Pedro Antônio Girondi Viana[footnoteRef:1] [1: Pedrogirondi@hotmail.com] 
Declaro que sou autor(a)¹ deste Trabalho de Conclusão de Curso. Declaro também que o mesmo foi por mim elaborado e integralmente redigido, não tendo sido copiado ou extraído, seja parcial ou integralmente, de forma ilícita de nenhuma fonte além daquelas públicas consultadas e corretamente referenciadas ao longo do trabalho ou daqueles cujos dados resultaram de investigações empíricas por mim realizadas para fins de produção deste trabalho.
Assim, declaro, demonstrando minha plena consciência dos seus efeitos civis, penais e administrativos, e assumindo total responsabilidade caso se configure o crime de plágio ou violação aos direitos autorais. (Consulte a 3ª Cláusula, § 4º, do Contrato de Prestação de Serviços).
RESUMO- Este trabalho [descreve/ analisa/ aborda/ demonstra/ trata]
… (coloque aqui o tema de sua pesquisa). Tal problemática consiste em … (apresente aqui sua problemática: a pergunta/ problema do trabalho). Essa questão [se justifica/ se faz necessária/ se impõe/ é devida ao fato] … (coloque aqui a principal justificativa). O [objetivo/ propósito/ finalidade] central deste [estudo/ pesquisa/ trabalho] é … (coloque aqui o objetivo). Para isso, foram empregados os seguintes procedimentos… (descreva a metodologia empregada). Se for uma pesquisa que envolva experimentos/experiências (cursos de Exatas/Geociências) coloque também o local ou universo pesquisado, materiais utilizados. Esse [intento/ propósito/ tarefa] será fundamentado [mediante/ através/ a partir] da revisão bibliográfica / estado da arte. A [aná- lise/ estudo/ pesquisa] [demonstrou/ comprovou/ refutou/ esclareceu/ evidenciou]… (coloque aqui os resultados obtidos ou esperados).
PALAVRAS-CHAVE: Violência. Doméstica. Mulher. Policial.
1 
INTRODUÇÃO
O presente artigo aborda a violência doméstica sofrida pelas mulheres, bem como o papel do policial militar no combate à mesma.
A violência contra a mulher é um problema social complexo e multifacetado que afeta milhões de mulheres em todo o mundo. Essa violência pode ser física, sexual, psicológica, patrimonial e moral, e suas consequências para as vítimas são graves, incluindo traumas, danos emocionais e físicos, além de prejuízos em suas vidas pessoal e profissional. Apesar de avanços na legislação e políticas públicas, a subnotificação dos casos e a impunidade dos agressores ainda são desafios enfrentados na prevenção e combate à violência de gênero
Um artigo científico sobre o combate à violência contra a mulher é importante por diversas razões. Primeiramente, a violência de gênero é um grave problema social que afeta milhões de mulheres em todo o mundo, causando danos físicos, psicológicos e emocionais. O conhecimento científico pode contribuir para a compreensão dos fatores que contribuem para a violência contra a mulher e para o desenvolvimento de estratégias eficazes de prevenção e intervenção. Além disso, a pesquisa pode ajudar a sensibilizar a sociedade sobre a gravidade do problema e mobilizar esforços para combatê-lo. Por fim, um artigo científico bem fundamentado pode ser utilizado como base para políticas públicas e programas governamentais voltados à prevenção e combate à violência contra a mulher.
O objetivo motriz deste estudo foi elencar o a atuação do agente policial no combate à violência contra mulher. Neste sentido, também fez-se necessário contextualizar as formas de violência às quais as mulheres estão sujeitas, bem como as ferramentas jurídicas disponíveis para sua remediação.
Para tal, o trabalho utilizará método qualitativo, enfocando aspectos da realidade que não podem ser quantificados, como a objetificação do fenômeno, a compreensão, explicação e diferenciação entre fenômenos globais e locais. A técnica utilizada será a revisão bibliográfica, com o uso de bancos de dados, periódicos, livros e dissertações. A pesquisa será realizada virtualmente, através da plataforma Capes Periódicos e Google Scholar, com as palavras-chave "Violência. Doméstica. Mulher. Policial". Os artigos e livros que mais se alinharam com a ideia central da pesquisa foram selecionados, com preferência para os lançamentos recentes.
O primeiro capítulo deste artigo abordará a violência sofrida pela mulher, com todas as suas tipificações; a segunda parte falará sobre a criação da Lei Maria da Penha e seu papel no combate à violência doméstica; por fim, o terceiro capítulo descreveram o papel do policial na atuação de casos de violência contra a mulher.
2. A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER
2.1 Contextualização da violência doméstica 
Quando falamos de violência, estamos nos referindo a um problema que assola a sociedade como um todo, sem discriminar. Há, porém, uma vertente da violência um tanto específica: a violência doméstica, caracterizada pela desigualdade nas relações de poder e dominação entre homens e suas vítimas, que podem ser mulheres, crianças ou idosos. Não obstante, a violência doméstica contra a mulher – foco deste estudo – ainda passa pelo crivo da discriminação de gênero, um problema enraizado em nossa sociedade.
A violência, de maneira mais ampla, segundo Teles (2002, p.15) pode ser definida como: 
[...] uso da força física, psicológica ou intelectual para obrigar outra pessoa a fazer algo que não está com vontade; é constranger, é tolher a liberdade, é incomodar, é impedir a outra pessoa de manifestar seu desejo e sua vontade, sob pena de viver gravemente ameaçada ou até mesmo ser espancada, lesionada ou morta. É um meio de coagir, de submeter outrem a seu domínio, é uma violação dos direitos essenciais do ser humano. Assim, a violência pode ser compreendida como uma forma de restringir a liberdade de uma pessoa ou de um grupo de pessoas, reprimindo e ofendendo física e moralmente.
A violência é um fenômeno no qual todos os seres humanos estão sujeitos, cada qual a sua maneira. Há, porém, diferenças consideráveis na forma de violência sofrida de acordo com o gênero da vítima. Os homens, por exemplo, costumam sofrer violência em ambientes abertos, ao público; já as mulheres predominantemente sofrem violência às escondidas, não raramente em seu próprio ambiente familiar (BRASIL, 2006). A violência contra as mulheres é uma das mais recorrentes violações contra os direitos humanos no mundo, e pode ocorrer das mais variadas formas. Apesar de se tratar de um problema endêmico, os dados acerca de sua ocorrência ainda não são muito exatos e confiáveis.
Uma pesquisa realizada em São Paulo no ano de 2001 concluiu que 27% das mulheres consultadas – de uma população de 4299 mulheres ouvidas – já sofreram algum tipo de violência durante suas vidas; não obstante, 29% das mulheres acima de 15 anos relataram ter sido vítimas de algum abuso sexual. (SCHRAIBER, 2002). A ausência de dados estatísticos, porém, não afeta nossa percepção cotidiana de que a violência contra a mulher ocorre corriqueiramente e trata-se de um grande problema social.
Acerca dos dados de violência sofrida pelas mulheres, a norma dita o seguinte: 
Embora, no Brasil, a violência seja um fenômeno reconhecidamente presente na vida de milhões de mulheres, não existem estatísticas sistemáticas e oficiais que apontem para a magnitude deste fenômeno […] aproximadamente 20% das mulheres já foram vítimas de algum tipo de violência doméstica. Quando estimuladas por meio da citação de diferentes formas de agressão, esse percentual sobe para 43%. Um terço afirma,ainda, já ter sofrido algum tipo de violência física, seja ameaça com armas de fogo, agressões ou estupro conjugal (BRASIL, 2006, p. 3).
Mesmo com o progresso alcançado, ainda persistem na sociedade valores que promovem a violência. A desigualdade sociocultural é uma das principais razões pelas quais a discriminação contra as mulheres ocorre. Além disso, há uma percepção masculina de superioridade e força que contribui para esse problema (OLIVEIRA, 2015).
Em sociedades patriarcais, a violência doméstica é um tema difícil de ser abordado, pois questiona a própria instituição da família. O debate ocorre em um espaço privado que é considerado sagrado, o que pode levar ao desconforto e investigação policial ou científica. Idealizações culturais do lar, como um lugar livre de conflitos e a idealização dos papéis dos membros da família burguesa, são postas em xeque (PORTO, 2010).
Consoante afirma Porto (2010) a partir dos anos 1950, as mulheres têm questionado a naturalização da opressão e discriminação das quais foram vítimas. Isso tem gerado uma série de reflexões, movimentos, produções literárias e atos de resistência, como a marcha da panela vazia, participação na luta pela anistia e pela democratização do país, criação de grupos feministas para discutir literatura relacionada às mulheres ou à sexualidade feminina, e assim por diante.
Sendo encorajados desde pequenos a serem fortes e a não chorar, os homens são respeitados por sua virilidade e protegidos em sua agressividade, o que ao longo dos séculos construiu uma imagem de superioridade masculina na sociedade. No entanto, essa mentalidade tem reflexos negativos na família, já que uma criança que cresce vendo qualquer tipo de violência doméstica pode considerá-la normal. Além disso, a impunidade do agressor pode levar os filhos a acreditar que a violência é aceitável, o que pode resultar na reprodução desses comportamentos quando adultos (OLIVEIRA, 2015).
2.2 Das formas de violação contra a mulher 
A violência contra a mulher, de acordo com o que foi definido pela política nacional durante a convenção do Pará, é toda e qualquer conduta que cause morte, dano ou sofrimento, baseando-se no gênero. Trata-se de uma definição bastante ampla, e pode abranger os âmbitos domésticos, onde a vítima sofre violência interpessoal ou intrafamiliar, ou seja, tendo o agressor fixado residência no mesmo domicílio que a vítima. Neste sentido, também ocorre a violência da comunidade, que descreve inúmeros abusos tais como: estupro, assédio, sequestro, prostituição forçada etc. Estes abusos ocorrem fora da residência da vítima. Por último, também podemos citar a violência institucional, praticada ou ignorada por funcionários do Estado (BRASIL, 2006). 
Tais formas de violência não podem ser definidas de maneira simples, pois há por trás delas um grande contexto cultural, que envolve relações de poder e gênero.
Eis o que a política nacional determina:
A violência contra a mulher dá-se no nível relacional e societal, requerendo mudanças culturais, educativas e sociais para seu enfrentamento e um reconhecimento das dimensões de raça/etnia, de geração e de classe na exacerbação do fenômeno (BRASIL, 2006, p. 7).
Logo, podemos tipificar a violência contra a mulher em várias categorias: a doméstica, sexual, o abuso, a exploração, o assédio, o tráfico e a violência institucional. Sobre a violência doméstica podemos afirmar o seguinte: é o tipo de violência baseada em gênero, no qual o agressor resida na mesma moradia que a vítima, que seja causada por ação ou omissão e que tenha por consequência lesões, morte, abusos sexuais ou psicológicos e danos materiais. Podemos, então, dividir a violência doméstica em 5 subcategorias: física, psicológica, moral, matrimonial e sexual..
Eis o que consta no artigo VII da lei Maria da Penha sobre as formas de violência.
I – a violência física, entendida como qualquer conduta que ofenda sua integridade ou saúde corporal; II – a violência psicológica, entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da autoestima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação; III – a violência sexual, entendida como qualquer conduta que a constranja a presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força; que a induza a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, que a impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force ao matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição, mediante coação, chantagem, suborno ou manipulação; ou que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos; IV - a violência patrimonial, entendida como qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades; V - a violência moral, entendida como qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria (Brasil, 2006 p.17).
A utilização da força física que cause danos à saúde ou corpo da mulher é considerada violência física, mesmo que não haja lesões evidentes. Essa forma de violência é caracterizada por um contato físico que pode gerar dor, não necessariamente deixando marcas no corpo ou lesões. Exemplos típicos de agressões físicas incluem tapas, cortes, beliscões, puxões de cabelo, chutes, queimaduras, mordidas, socos, entre outros (OLIVEIRA, 2015).
A questão abordada aqui é a agressão emocional, que pode se manifestar por meio de ameaças, humilhações ou discriminações. Além disso, essa forma de violência ocorre quando o agressor sente satisfação ao ver a vítima se sentindo amedrontada, aterrorizada, diminuída e inferiorizada. Em outras palavras, qualquer ação intencional que cause danos emocionais e diminua a autoestima é considerada agressão emocional. Esse tipo de comportamento pode incluir o controle das decisões e comportamentos da vítima usando táticas como ameaças, manipulação, chantagem, humilhação, ridicularização, insulto, exploração ou qualquer outro meio que prejudique sua capacidade de se autodeterminar ou sua saúde mental. Alguns exemplos de abuso emocional são proibir a vítima de usar certas roupas, trabalhar fora de casa, sair de casa e até mesmo forçá-la a retirar uma queixa (OLIVEIRA, 2015).
Também sobre a violência emocional, utilizando críticas constantes e isolando as vítimas do mundo exterior, os agressores buscam destruir a autoestima das mulheres, tornando-as mais dependentes e menos propensas a buscar ajuda. As mulheres muitas vezes acreditam que merecem ser punidas por não conseguirem cumprir todas as tarefas que acham que são responsáveis por realizar, mas não denunciam os agressores por medo de não terem condições financeiras de cuidar de si mesmas e dos filhos. Além disso, os agressores afastam as mulheres de amigos e familiares, denigrem a sua imagem perante os amigos, proíbem amizades e de trabalhar fora (OLIVEIRA, 2015).
 A violência sexual é definida como qualquer conduta que force a vítima a manter, presenciar ou participar de uma relação sexual não desejada. A Convenção de Belém do Pará reconheceu essa forma de violência, mas houve resistência da doutrina e jurisprudência em admitir que ela pudesse ocorrer dentro dos vínculos familiares. Além disso, a violência sexual pode envolver a recusa do uso de métodos contraceptivos, coerção para engravidar, prostituição, casamento forçado, aborto, chantagem, ameaças, manipulação ou suborno. Essa forma de violência também pode limitar ou anular os direitos sexuais e reprodutivos da vítima. Um exemplodisso é quando um parceiro, namorado ou marido pratica atos sexuais que a mulher não deseja ou a obriga a ter relações sexuais sem seu consentimento. Nesses casos, considera-se um crime de estupro e deve ser denunciado e punido conforme a lei (OLIVEIRA, 2015).
A violência patrimonial se configura quando o agressor se apropria ou destrói bens da vítima, como seus documentos pessoais, instrumentos de trabalho, carros, jóias, roupas, ou até mesmo a casa em que moram juntos. Além disso, essa forma de violência também pode ocorrer quando o agressor vende um bem sem o consentimento da mulher. No caso de um delito de furto, em que o agente subtrai para si um bem móvel alheio, aproveitando-se de um relacionamento afetivo com a vítima, isso é considerado violência patrimonial. Assim, a violência patrimonial é caracterizada como o ato de retirar objetos da posse da mulher (OLIVEIRA, 2015).
As mulheres podem ser vítimas de violência psicológica por meio de diversas práticas, como difamação, injúria e calúnia. A injúria, por exemplo, ocorre quando termos ofensivos são utilizados para ferir a honra subjetiva da mulher. Já a calúnia envolve acusações falsas, como a de ter cometido um crime que a vítima não cometeu, como roubo ou prostituição. Por sua vez, a difamação prejudica a reputação da mulher, atribuindo-lhe fatos negativos, como a ineficácia ou o alcoolismo. É importante ressaltar que a violência psicológica pode ser perpetrada de maneira remota, através do telefone ou da internet (OLIVEIRA, 2015).
3. A LEI MARIA DA PENHA 
3.1 Sua história e criação 
A Lei Maria da Penha é uma lei brasileira que foi criada em 2006 com o objetivo de proteger as mulheres da violência doméstica e familiar. A sua origem remonta a um caso de violência sofrida pela farmacêutica Maria da Penha Maia Fernandes.
Em 1983, Maria da Penha foi vítima de duas tentativas de homicídio pelo seu marido, Marco Antonio Herredia Viveros. Na primeira tentativa, ele atirou nas costas de Maria da Penha enquanto ela dormia, deixando-a paraplégica. Na segunda tentativa, ele tentou eletrocutá-la no chuveiro. Mesmo depois das tentativas de homicídio, o marido de Maria da Penha permaneceu impune durante anos.
Maria da Penha então levou o caso para a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, o que resultou em uma decisão histórica em 2001. A Comissão responsabilizou o estado brasileiro pela falta de proteção a Maria da Penha e pela falta de acesso à justiça e à reparação. A partir da decisão, foi criado o projeto de lei que se tornaria a Lei Maria da Penha.
A Lei Maria da Penha foi sancionada em 7 de agosto de 2006 e é considerada uma das leis mais avançadas do mundo no que diz respeito à proteção dos direitos das mulheres e à prevenção da violência doméstica e familiar. A lei leva o nome de Maria da Penha como uma forma de homenagear a luta dela e de todas as mulheres que enfrentam a violência doméstica e familiar.
Trata-se de uma legislação bastante abrangente que visa prevenir, coibir e punir a violência doméstica e familiar contra a mulher. Ela define a violência doméstica e familiar como qualquer forma de violência que ocorra no âmbito familiar ou em qualquer relação íntima de afeto, independentemente da orientação sexual.
A legislação prevê diversas medidas protetivas para a mulher, como a retirada do agressor do domicílio ou a proibição de aproximação da vítima. Além disso, ela também estabelece punições mais severas para os agressores, que podem ser presos em flagrante ou terem a sua prisão preventiva decretada, por exemplo.
A política nacional de combate à violência contra a mulher também foi responsável pela criação de juizados especializados em violência doméstica e familiar contra a mulher e a realização de campanhas de conscientização sobre a violência de gênero. Além disso, ela estabelece que as mulheres vítimas de violência devem ter atendimento prioritário nos serviços públicos de saúde e de assistência social.
Desde a sua criação, a Lei Maria da Penha tem sido bastante importante na luta contra a violência doméstica e familiar contra a mulher no Brasil. No entanto, ainda há muito a ser feito para garantir que as mulheres tenham acesso a uma vida livre de violência e para garantir a efetiva aplicação da lei em todo o país.
3.2 A proteção à mulher
A Lei Maria da Penha trouxe muitos progressos, mas indubitavelmente, a criação de Juizados especializados em atender casos de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher e o estabelecimento de medidas defensivas cautelares de amparo e proteção às mulheres em situação de violência doméstica e familiar foi e continua sendo seu ponto central, oferecendo a complexidade e a atenção necessárias à compreensão dos conflitos de gênero. 
A criação das Medidas Protetivas de Urgência também foi uma grande inovação introduzida pela Lei Maria da Penha no combate à violência doméstica. Essas medidas visam proteger as mulheres em situação de risco decorrente da violência doméstica, e podem incluir a retirada do agressor do ambiente familiar, proibição de comportamentos específicos, pagamento de pensão alimentícia, acompanhamento psicológico e abrigo em local seguro. Tudo isso é feito com o objetivo de proteger a integridade física e emocional das vítimas e de seus familiares (ARRAIS, 2017).
Segundo Silva (2022), outra mudança importante proporcionada pela Lei Maria da Penha foi a decisão do Supremo Tribunal Federal de que a ação penal por lesão corporal resultante de violência doméstica é incondicionada, o que significa que não depende da vontade da vítima para seguir adiante. Porém, no caso de ameaças, a denúncia ainda precisa ser realizada pela própria vítima, o que muitas vezes leva a uma retratação posterior, especialmente quando a vítima decide voltar a conviver com o agressor.
Nesses casos, a Lei Maria da Penha prevê o direito de a vítima se retratar em juízo antes do recebimento da denúncia, desde que haja o consentimento do Ministério Público. Isso pode evitar a continuidade do processo, mas também pode ser um reflexo da falta de apoio e suporte oferecidos às vítimas de violência doméstica. De acordo com a Lei 11.340/06, quando for constatada a ocorrência de agressão doméstica e familiar contra a mulher, o magistrado e o delegado podem aplicar imediatamente ao agressor, em conjunto ou separadamente, medidas defensivas urgentes, tais como o afastamento do domicílio, a proibição de contato com a vítima e a suspensão da visita aos filhos menores, entre outras. As precauções defensivas têm como objetivo resguardar os direitos básicos de alguém que está em circunstância de fragilidade ou ameaça (ARRAIS, 2017).
As medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha são as seguintes:
· Afastamento do agressor do lar: o agressor pode ser obrigado a deixar a residência em que convive com a vítima, mesmo que ela seja a proprietária ou a locatária do imóvel;
· Proibição de contato: o agressor pode ser proibido de se aproximar da vítima, de seus familiares e de testemunhas do caso. Além disso, ele pode ser proibido de fazer contato por qualquer meio de comunicação;
· Suspensão da posse de arma: se o agressor possuir arma de fogo, ela pode ser apreendida pela autoridade policial;
· Prestação de alimentos: o agressor pode ser obrigado a pagar pensão alimentícia para a vítima e seus filhos, caso existam;
· Atendimento prioritário: a vítima tem direito a atendimento prioritário em serviços públicos, como hospitais e delegacias;
· Acompanhamento psicológico: a vítima pode receber acompanhamento psicológico gratuito por meio dos serviços públicos de saúde;
· Medidas de proteção para a vítima e seus familiares: a autoridade policial pode adotar outras medidas que garantam a segurança da vítima e de seus familiares, como a escolta para a saída de casa ou o encaminhamento para abrigos (BRASIL, 2007). 
A proteção das vítimas de violência doméstica é concedida pelo juiz a pedido do Ministério Público ou da própria vítima. Quando a vítima busca ajuda na delegacia, o delegado deve encaminhar o pedido de medidasde proteção ao juiz em até 48 horas (conforme estabelecido no artigo 12, III). Em seguida, o juiz tem até 48 horas para decidir se concede ou não as medidas de proteção (conforme estabelecido no artigo 18, I). Após a concessão das medidas, o agressor deve ser notificado da decisão, mas essa notificação nem sempre é possível, pois o agressor pode se recusar a recebê-la ou até mesmo se evadir para um local desconhecido, o que dificulta a aplicação das medidas de proteção. É importante destacar que a demora na apreciação dos casos de violência doméstica pode gerar o risco de "periculum in mora", o que ressalta a necessidade de uma resposta rápida e eficaz por parte do sistema judiciário (OLIVEIRA, 2015).
Neste sentido, Arrais (2017, p. 8) afirma o seguinte:
A lei prevê as medidas protetivas de urgência nos artigos 22, 23 e 24 que são verdadeiras medidas cautelares e de bastante utilidade nos casos de violência doméstica e, como tal devem preencher os dois pressupostos tradicionalmente consistentes no periculum in mora (perigo de demora) e fumus bonis iuris(aparência do bom direito). Dessa forma, deve o Juiz agir com bastante cautela ao conceder tais medidas, visto que sabemos que os pedidos muitas vezes são feitos na Delegacia de Polícia, sem que a vítima tenha sido orientada por um advogado ou defensor público e chegam ao Juiz sem qualquer suporte probatório mínimo que lhe permita definir o pleito cautelar imediatamente. Assim, deve o Juiz, ao analisar a convivência da adoção de tais medidas, verificarem a existência dos pressupostos, podendo designar audiência de Justificação, prevista no art.804 do CPC.
A Lei Maria da Penha tem uma ampla gama de medidas que podem ser tomadas pelos agentes responsáveis pela proteção e julgamento de casos de violência doméstica e familiar. Estas medidas, conhecidas como providências cautelares, têm como objetivo proteger os direitos fundamentais das vítimas, impedindo a continuação da violência e das circunstâncias que a favorecem. É importante ressaltar que as providências cautelares não são ferramentas para garantir um julgamento, mas sim para prevenir a violência e proteger as vítimas. Tais medidas são listadas nos artigos 18 e seguintes da Lei 11.340/2006 (ARRAIS, 2017). Essas medidas protetivas são importantes para garantir a segurança e o bem-estar das mulheres vítimas de violência doméstica e familiar, e a sua efetividade depende da implementação e da aplicação adequada da lei pelas autoridades competentes
4. O POLICIAL COMO AGENTE INTERVENTOR NA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
4.1 A importância do policial no combate à violência contra a mulher
A violência contra a mulher é um problema social grave e persistente em muitas partes do mundo, que afeta milhões de mulheres a cada ano. Nesse contexto, os policiais desempenham um papel fundamental no combate à violência contra a mulher e na proteção de seus direitos.
Os policiais são geralmente a primeira linha de defesa contra a violência contra a mulher. Eles podem ser chamados para responder a uma variedade de situações, desde uma denúncia de violência doméstica até uma agressão sexual. A resposta eficaz dos policiais pode ajudar a salvar vidas e a proteger as vítimas da violência.
Os policiais são responsáveis por investigar denúncias de violência contra a mulher, coletar provas e tomar medidas legais para garantir que os agressores sejam responsabilizados por seus crimes. Eles também podem ajudar as vítimas a acessar serviços de apoio e proteção, como abrigos para mulheres, assistência médica e aconselhamento psicológico.
Sobre o papel do policial militar, Braga (2017, p. 30) faz a seguinte afirmação:
Ao reservar à Polícia Militar o trabalho de polícia ostensiva e de preservação da ordem pública, a Constituição Federal destina à Instituição um amplo campo de abrangência. A atividade de polícia ostensiva tem por função a prevenção e a repressão das infrações penais. Nesse sentido, a preservação da ordem pública refere-se aos fatos e acontecimentos que antecipem a violação desta, focando a atuação da Polícia Militar em ações proativas Dessa forma, a Polícia Militar passa a fazer parte da rede de enfrentamento à violência doméstica contra as mulheres, competindo à Instituição prestar o atendimento de forma qualificada, buscando auxiliar, socorrer e amparar as vítimas, cumprindo não só seu papel de preservação da ordem pública previsto constitucionalmente, como fazendo valer na parte que lhe compete, todo ordenamento infraconstitucional referente a prevenção e ao enfrentamento da violência contra mulher 
Além disso, os policiais podem desempenhar um papel importante na prevenção da violência contra a mulher, por meio da conscientização pública e da educação. Eles podem fornecer informações sobre os sinais de abuso e violência e incentivar as pessoas a denunciar casos suspeitos. Também podem trabalhar com organizações da sociedade civil e outras agências governamentais para criar programas de prevenção e sensibilização da violência contra a mulher.
4.2 O atendimento do agente policial
Antes da Lei Maria da Penha, os crimes registrados na delegacia eram geralmente arquivados nos Juizados Especiais Criminais devido à desistência da vítima. Com a obrigação imposta por essa lei, passou a ser necessário coletar provas documentais e periciais, realizar exame de corpo de delito em caso de lesões na vítima, colher o depoimento da vítima, agressor e testemunhas, e abrir um inquérito policial. É importante destacar que, antes da Lei Maria da Penha, esses crimes eram apenas submetidos a um Termo Circunstanciado (TC) ao judiciário, que era basicamente uma notificação (NASCIMENTO, 2022).
Um atendimento humanizado é garantido pela Lei Maria da Penha para mulheres em situação de violência doméstica e familiar. Esse atendimento é preferencialmente prestado por servidoras do sexo feminino que receberam capacitação prévia, e é realizado sem interrupções. Nascimento (2022) expõe que a lei estabelece orientações e procedimentos para a inquirição de mulheres em situação de violência e testemunhas, bem como para as providências e procedimentos a serem tomados durante o atendimento. Além disso, a Lei Maria da Penha estabelece a obrigatoriedade da instauração do inquérito policial
O artigo 11 da Lei 11.340/06 determina o seguinte quanto às obrigações do policial no atendimento de mulheres vítimas de violência.
Art. 11. No atendimento à mulher em situação de violência doméstica e familiar, a autoridade policial deverá, entre outras providências: I - garantir proteção policial, quando necessário, comunicando de imediato ao Ministério Público e ao Poder Judiciário; II - encaminhar a ofendida ao hospital ou posto de saúde e ao Instituto Médico Legal; III - fornecer transporte para a ofendida e seus dependentes para abrigo ou local seguro, quando houver risco de vida; IV - se necessário, acompanhar a ofendida para assegurar a retirada de seus pertences do local da ocorrência ou do domicílio familiar; V - informar à ofendida os direitos a ela conferidos nesta Lei e os serviços disponíveis. 
Segundo Nascimento (2022) a autoridade policial tem agora a capacidade de tomar medidas de proteção de urgência para remover imediatamente o agressor do lar, domicílio ou local de convivência com a vítima, em casos de risco atual ou iminente à vida ou à integridade física ou psicológica dela ou de seus dependentes. Essa inovação recente permite que a autoridade policial tome essa ação, que normalmente é da competência da autoridade judicial, em cidades que não têm uma comarca. É importante lembrar que, mesmo em casos em que a autoridade policial toma a decisão, a proteção da vítima é a prioridade, e a autoridade judicial deve ser notificada dentro de 24 horas. É essencial garantir a segurança da vítima e de seus dependentes em casos de violência doméstica.
Conforme afirma Braga (2017) é essencial que em casos de delitos domésticos, a polícia siga três procedimentos básicos: registrar a ocorrência, obter a declaração da vítima (que é o primeiro documentodo processo) e registrar o pedido de medidas protetivas solicitado pela vítima. Após essas ações, a autoridade policial deve enviar um expediente ao juiz, incluindo o pedido de medidas protetivas solicitado pela vítima, para que o juiz possa tomar as medidas emergenciais necessárias. É importante ressaltar que isso não impede a instauração do inquérito policial, que seguirá o seu rito normal. O delegado terá um prazo de 30 dias para concluir a investigação, caso o acusado esteja em liberdade, e 10 dias se estiver preso. No pedido de medidas protetivas, a autoridade policial deve mencionar informações como o nome completo e a identificação da requerente e do agressor, informações sobre dependentes (se houver), uma breve descrição dos fatos para fins penais e as medidas solicitadas pela vítima, de acordo com os artigos 22 a 24 da Lei 11.340/06.
CONCLUSÃO
5. REFERÊNCIAS
ARRAIS, Naianny Oliveira. Violência Doméstica E A Aplicação Das Medidas Protetivas Da Lei Maria Da Penha. 2017. 15 f. TCC (Graduação) – Curso de Direito, Faculdade Serra do Carmo, Palmas, 2017.
BRAGA, Marcelo Luiz Bastos. A Patrulha Maria Da Penha E Sua Atuação No Município De Vila Velha No Segundo Semestre De 2016. 2017. 80 f. Monografia (Especialização) - Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais da Polícia Militar, Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Pública da Polícia Militar do Espírito Santo, Cariacica, 2017.
BRASIL. Secretaria Nacional de Segurança Pública/Ministério da Justiça e Secretaria Especial de Políticas para Mulheres/Presidência da República – Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres. Brasília, 2006.
________. Lei nº. 11.340 de 07 de agosto de 2006. Lei da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (Lei Maria da Penha). Brasília, DF: Senado Federal. 2006.
NASCIMENTO, Geysiane Barros do. A Lei Maria Da Penha No Enfrentamento À Violência Doméstica e Familiar Contra A Mulher : Contribuições E Desafios. 2022. 22 f. TCC (Graduação) - Curso de Direito, Universidade Potiguar, Natal, 2022.
OLIVEIRA, Andressa Porto de. A Eficácia Da Lei Maria Da Penha No Combate À Violência Doméstica Contra A Mulher. 2015. 71 f. TCC (Graduação) - Curso de Direito, Universidade de Santa Cruz do Sul, Santa Cruz do Sul, 2015.
PORTO, Madge; COSTA, Francisco Pereira. Lei Maria da Penha: as representações do judiciário sobre a violência contra as mulheres. Estudos de Psicologia (Campinas), [S.L.], v. 27, n. 4, p. 479-489, dez. 2010.
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