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CÂNCER BUCAL · 50% são detectados em estágio avançado · 95% são CEC (carcinomas espinocelulares) e por esse motivo é o tumor maligno mais comum da cavidade oral. CEC (CARCINOMA ESPINOCELULAR) Também chamado de câncer epidermóide ou câncer de células escamosas Fatores de risco: · 80% dos casos o paciente é fumante · Mascar betel, Fumar invertido · Prognóstico depende da localização do tumor, do estadiamento clínico (TNM), do grau de diferenciação celular e do tipo de tratamento Etiologia: Causa multifatorial: · Fatores extrínsecos: fumo, alcoolismo, exposição excessiva ao sol. · Fatores intrínsecos: condição sistêmica Características clínicas: · Homens · Entre 60 e 70 anos · Região mais comum é na borda lateral da língua e assoalho bucal (mas também está presente no palato mole, gengiva, mucosa jugal, musosa labial e palato duro). · Apresenta-se como uma úlcera assintomática com bordos elevados e centro necrótico · Pode ser associado a presença de implantes: os sinais são ulcerações que não cicatrizam, fratura patológica adjacente ao implante, irritação gengival percistene após colocação do implante. Nesses casos é importante enviar fragmentos de gengiva para biópsia Carcinogênese: · o CEC tem origem na segunda camada (camada espinhosa) do epitélio escamoso estratificado da mucosa oral, pois ela contém queratinócitos em fase de maturação ativa, propensos a sofrer mutações. Características histopatológicas: · Células epiteliais invadindo o tecido conjuntivo subjacente · Pleomorfismo nuclear · Número de mitoses (Quanto mais mitoses, maior a atividade proliferativa do tumor) · Grau de queratinização (Quanto menos queratina, mais agressivo o tumor tende a ser) · Estágio de invasão (Quanto mais profundo, maior o risco de metástase e pior o prognóstico) · Infiltrado linfoplasmocitário (presença de linfócitos e plasmócitos) Tratamento: · Sempre que possível tentar previnir · O tratamento depende do estágio clínico da doença e da localização · Ampla excisão cirúrgica, radioterapia ou combinação entre excisão cirúrgica + radioterapia. · Quimioterapia não é eficaz mas pode ser usada como terapia complementar CONDIÇÕES POTENCIALMENTE CANCERIZÁVEIS ✅ Classificação: lesões do tipo: · Leucoplasia · Eritroplasia · Queilite actínica Característica Leucoplasia Eritroplasia Queilite Actínica Carcinoma Espinocelular (CEC) Tipo de lesão Lesão potencialmente cancerizável Lesão potencialmente cancerizável Lesão potencialmente cancerizável Neoplasia maligna Natureza Benigna (mas com risco de transformação) Benigna (mas alto risco de transformação) Lesão reacional por radiação UV crônica Maligna, invasiva e metastática Aspecto clínico Mancha branca, não destacável Mancha vermelha, geralmente lisa e plana Área esbranquiçada, seca, fissurada no lábio Úlcera indolor, endurecida ou lesão exofítica Local comum Mucosa jugal, assoalho bucal, língua Assoalho bucal, língua, mucosa jugal Lábio inferior (área exposta ao sol) Lábio, língua, assoalho bucal, palato, região retromolar Risco de malignização Variável (1% a 20%) Muito alto (>90% com displasia ou CEC in situ) Moderado (progressão lenta) Já é câncer – risco de invasão e metástase Diagnóstico Exclui outras causas de mancha branca (liquen plano, candidose e estomatite nicotinica Precisa biópsia imediata devido ao alto risco Clínica + biópsia (se persistente) Biópsia + estadiamento (TNM) Tratamento Acompanhamento, remoção cirúrgica se necessário Remoção cirúrgica geralmente indicada Remoção da lesão, proteção solar Cirurgia, rádio/quimioterapia dependendo do estágio ⚠️Leucoplasia Definição: mancha ou placa branca, não destacável, não classificável como outra doença. Incidência e prevalência: · Lesão cancerizável mais frequentemente encontrada na boca · Potencial de transformação maligna de 4% · 70% dos casos são homens adultos Etiologia: · Tabaco (80% dos casos são fumantes), Álcool, Radiação UV, Trauma Tipos: Pode ser: · Leucoplasia homogênea: · Lesão branca, plana, uniforme, superfície lisa ou levemente rugosa. · Bem delimitada. · Baixo risco de malignização (mas ainda pode evoluir). · Leucoplasia não homogênea: · apresentam maior grau de displasia. · maior risco de transformação maligna. · apresenta variações na cor, superfície e textura: Tipo Características principais Leucoplasia eritroleucoplásica Áreas brancas e vermelhas alternadas (leucoplasia + eritroplasia) — risco alto de malignização Leucoplasia verrucosa Superfície espessa, rugosa, com projeções; lesão mais elevada – pode progredir até leucoplasia verrucosa proliferativa Leucoplasia nodular Múltiplas elevações sobre uma base branca; aspecto granuloso Localização mais frequente: · Vermelhão labial, Mucosa jugal, Assoalho bucal, Ventre de língua, Gengiva Diagnóstico diferencial: · Estomatite nicotínica (palato de fumante): resposta ao calor do fumo e não aos químicos do tabaco, não é cancerizável, acomete mais palato duro e mole, associada a fumar invertido, é mais presente em homens adultos; no histológico aparece hiperqueratose e acantose, inflamação crônica branda e metaplasia escamosa ductal; desaparece após 2 semanas de remoção do hábito. · Queratose friccional: trauma crônico, em região de dentes afiados ou prótese, desaparece após remover causa. · Candidiase: infecção fúngica, sai parcialmente ao raspar, ardência e sensação de boca seca, antifúngico trata. · Liquen plano: doença autoimune, estrias em mucosa jugal bilateral, tratamento com corticoides. Histopatológico: · Hiperqueratose (orto ou para) · Acantose · Células inflamatórias crônicas no tecido conjuntivo subjacente · Displasia leve, moderada ou severa e mais raramente CEC. · A leucoplasia do tipo verrucoso tem projeções papilares ou puntiformes. Tratamento: · Várias biópsias da mesma lesão para definir diagnóstico e tratamento · Buscar cessar o agente causal (cigarro, álcool, trauma, etc.) · Também depende do grau de displasia: · Sem displasia ou displasia leve: Acompanhamento clínico. Pode-se remover ou não, dependendo da localização e do paciente. Fundamental cessar o agente causal (ex: parar de fumar). · Displasia moderada ou grave: Remoção cirúrgica da lesão recomendada. O risco de transformação maligna é significativo. · Fatores de risco que tornam a lesão mais preocupante: Paciente do sexo feminino, não fumante, ou localização da lesão em região de alto risco: Assoalho de boca, Ventre de língua, Palato mole. ☀️ Queilite Actínica Definição: Lesão da mucosa labial relacionada à exposição solar crônica. Incidência e prevalência: · Adultos de pele clara · Homens · CEC desenvolve-se em 6 a 10% dos casos Etiologia: Exposição excessiva de radiação UV solar. Localização mais frequente: · Vermelhão do lábio inferior Características clínicas: · Áreas atróficas, eritematosas e hipertróficas no vermelhão do lábio · Apagamento do limite pele/vermelhão · Descamação labial · Estrias transversais na pele labial · Ulcerações sugerem progressão para CEC Histopatológico: · Ulceração · Displasia epitelial em graus variados · Atrofia epitelial · Hiperqueratose · Graus variados de displasia · Infiltrado crônico leve Elastose no tecido conjuntivo (fragmentação, espessamento e acúmulo anormal da lâmina própria) Tratamento: · Biópsia para confirmar alterações · Uso de protetores solares labiais · Acompanhamento clínico 🩸 Eritroplasia Definição: Lesão vermelha, plana, não removível, frequentemente assintomática. Incidência e prevalência: · Potencial de malignação é muito maior que leucoplasia e quielite actinica. · Comum em idosos Etiologia: mesma da leucoplasia · Tabaco (80% dos casos são fumantes), · Álcool · Radiação UV · Trauma Localização mais frequente: · Assoalho · Língua · Palato mole · Máculas eritematosas bem definidas Diagnóstico diferencial: · Candidose · Mucosite · Lesões vasculares Histopatológico: · Atrofia epitelial · Infiltrado inflamatório crônico · 90% dos casos apresenta displasia grave ou CEC;Tratamento: · Biópsia da lesão para definir diagnóstico e tratamento · Geralmente envolve excisão cirúrgica. · Costumam ter recidivas por tanto é necessário o acompanhamento. image1.png