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2021.2 EMERGÊNCIAS PRÉ- HOSPITALARESM Ó D U L O 8 º S E M E S T R E - C U R S O D E M E D I C I N A L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 2 SUMÁRIO 1. Histórico dos atendimentos móveis de urgência 2. Redes de atenção e linhas de cuidado 3. Aspectos funcionais do SAMU 4. Suporte Básico de Vida – Adulto 5. Suporte Básico de Vida - Pediátrico 6. Obstrução de vias aéreas por corpo estranho (OVACE) 7. Suporte Avançado de Vida (SAV) 8. Arritmias 03 11 16 27 36 39 54 66 AUTORES: 1. Histórico dos atendimentos móveis de urgência: Larissa Melo Targino; Natália Guerreiro Costa Neeser. 2. Redes de atenção e linhas de cuidado: Caio Lopes Pereira Santos; Gabriela Malaquias Barreto Gomes. 3.Aspectos funcionais do SAMU: Brenda Luiza de Sousa Sanches; Guilherme Ribeiro Soares. 4. Suporte Básico de Vida – Adulto: Ludmila Oliveira de Jesus; Maria Beatriz Neves de Souza Costa. 5. Suporte Básico de Vida – Pediátrico: Ana Beatriz de Oliveira Andrade; Maria Thereza Uzeda Espinheira Florentino. 6. Obstrução de vias aéreas por corpo estranho: Gabriela Malta Coutinho; Larissa Rocha Atayde Moreira. 7. Suporte Avançado de Vida: Gustavo Bazin Vieira Mauchle; Maria Eduarda Lehubach Ferreira Prates; Rebeca Menezes de Oliveira Lima. 8. Arritmias: Beatriz Silva Silveira; Maria Luiza Arléo Martins; Thaís Lima Barreto. Já em meados do século XX, o aumento do controle sanitário em regiões urbanas provocou alterações no perfil epidemiológico dos agravos à saúde. Assim, houve acentuado aumento na incidência de patologias agudas de natureza clínica e traumática, ao passo que doenças infectocontagiosas reduziram o seu protagonismo. Passou a haver uma necessidade social de serviços de APH nas grandes cidades e autoestradas. Afinal, intervenções precoces no paciente grave podem ser essenciais para a sua recuperação. “O destino dos feridos está nas mãos de quem aplica o primeiro curativo” - Nicholas Senn ORIGENS PÁGINA 3 HISTÓRICO DOS ATENDIMENTOS MÓVEIS DE URGÊNCIA1 Imagine que você está participando de um combate militar, quando de repente vê um de seus parceiros deitado no chão e gravemente ferido. O ambiente ao seu redor parece um caos e você pensa: “continuo lutando por minha nação ou ajudo o meu colega?” Esse cenário foi uma das raízes do Atendimento Pré-Hospitalar (APH). Em 1700, o médico-chefe militar de Napoleão Bonaparte, reconheceu a necessidade de um atendimento imediato ao guerreiro ferido no campo de batalha. A retirada e o atendimento médico ao combatente seriam essenciais para maiores chances de sobrevida, também, além de um distrator a menos para os demais companheiros de batalha, que poderiam se afetar emocionalmente com a situação do colega. Foi aí que surgiu a chamada “ambulância voadora”, cujo objetivo era dar o primeiro socorro ao ferido em combate. L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) O modelo americano possui o APH composto, principalmente, por paramédicos, profissionais de nível técnico. A figura do médico nesse atendimento é excepcional, embora haja uma integração contínua do APH com o serviço hospitalar via canais de comunicação à distância. Esse modelo visa à redução do tempo na cena para que os cuidados sejam feitos no ambiente intra- hospitalar. O modelo francês (ou europeu) preconiza “levar o hospital até a cena”, ou seja, é dotado de uma equipe avançada formada de médicos e enfermeiros. O principal objetivo dessa abordagem é estabilizar o paciente na cena. A regulação é feita via central de atendimento, através da qual há envio de atendimentos de diversos graus de complexidade, a depender da gravidade de cada caso. PÁGINA 4 O APH sofreu grandes evoluções ao longo dos últimos 60 anos. Sua abordagem foi dividida, originalmente, em dois modelos: americano e francês. A priori, esses sistemas foram fundados a partir de filosofias distintas. Com o passar das décadas, a atuação desses sistemas vem se tornando mais homogênea. Veremos a seguir que o modelo brasileiro é um misto dos dois que serão explicados abaixo. MODELOS DE ATENDIMENTO Profissionais de nível técnico (paramédicos) Diagnóstico e cuidados definitivos no hospital Tempo mínimo na cena Tempo maior na cena Início do diagnóstico e cuidados definitivos na cena Profissionais médicos e enfermeiros MODELO AMERICANO MODELO FRANCÊS “Scoop and Run” “Stay and Play” L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) Até a Constituição Federal de 1988, não havia um sistema nacional de saúde com acesso universal. O principal sistema de assistência individual de saúde era mantido pelos Institutos de Aposentadorias e Pensões das diversas categorias profissionais de trabalhadores, e suas redes de serviços e hospitais variavam de tamanho e qualidade conforme sua importância e suas condições financeiras. Com o tempo, ocorreu a unificação dos institutos no INPS (Instituto Nacional de Previdência Social) e a criação do INAMPS (Instituto Nacional de Assistência Médica e Previdência Social), e o trabalhador, que possuía carteira de trabalho assinada e que estivesse com as contribuições previdenciárias em dia, passou a contar com uma rede assistencial nacionalmente organizada. Em 1949, foi implantado o SAMDU, Serviço de Atendimento Médico Domiciliar de Urgência, por iniciativa do Ministério do Trabalho. Este serviço era composto por postos de atendimento de urgência e equipes de atendimento domiciliar, voltados ao atendimento clínico ou obstétrico dos trabalhadores e de seus dependentes. As solicitações eram feitas por telefone diretamente aos postos, que despachavam as equipes para realizar atendimentos, visitas e transporte dos enfermos se fosse necessário. PÁGINA 5 O ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR NO BRASIL DÉCADA DE 1950 DÉCADA DE 1960 As equipes eram formadas por: MÉDICOS ENFERMEIROS MOTORISTA PADIOLEIRO Em 1966, com a unificação dos Institutos, o SAMDU acabou sendo extinto. Porém, alguns municípios mantiveram serviços de ambulância L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) de atendimento simples limitado à administração de oxigênio inalatório, se necessário, e o transporte do enfermo deitado em uma maca para os serviços de urgência. Além disso, ocorreram avanços na medicina de urgência que permitiram a exposição das limitações e dificuldades de se manter serviços de urgência pouco aparelhados e desvinculados de hospitais devidamente equipados, assim como revelaram a importância do fator tempo no atendimento das urgências graves. Em meados dos anos 1970, no Estado de São Paulo, a DERSA (Desenvolvimento Rodoviário S/A), uma empresa que administrava algumas das rodovias estaduais paulistas, implantou um sistema de atendimento em estradas, em que técnicos, em ambulâncias básicas, realizavam intervenções simples na cena do acidente e transportavam rapidamente os feridos para os serviços de urgência das cidades mais próximas. Apesar de ser um atendimento simples e rápido, cuidados especiais como a retirada e mobilização cuidadosa dos feridos já eram uma preocupação e alguns procedimentos para garantir esse cuidado já eram adotados. Nas grandes metrópoles, a companhia telefônica estatal passou a disponibilizar os seguintes números: - RIO DE JANEIRO Em 1986, reaparece na cidade do Rio de Janeiro um serviço de assistência pré-hospitalar organizado para tal. O chamado Grupo de Socorro de Emergência, integrado ao Corpo de Bombeiros, optou por adotar médicos bombeiros em suas equipes de atendimento e foi direcionado especialmente aos atendimentos de casos de trauma relacionados com acidentes pessoais e de transportes em vias públicas. PÁGINA 6 DÉCADA DE 1970 DÉCADA DE 1980 192precoce. Com a chegada da equipe de suporte avançado de vida e início do protocolo, torna-se imprescindível a determinação do ritmo de parada. Os ritmos cardíacos que podem ser observados na PCR são divididos em ritmos chocáveis e ritmos não chocáveis, sendo eles: Chocáveis Não chocáveis Atividade elétrica sem pulso (AESP) Assistolia Fibrilação ventricular (FV) Taquicardia ventricular sem pulso (TVSP) No ECG exibe complexo QRS alargado e regular, a velocidade superior a 120bpm. No ECG exibe deflexões caóticas irregulares, de forma e altura variáveis. Não há contração ventricular coordenada. Não há atividade elétrica presente. É visível a atividade elétrica no ECG, mas os pulsos centrais estão ausentes. A assistolia é o ritmo de pior prognóstico. Quando identificada, o socorrista deve lembrar do mnemônico CaGaDa: checar os cabos; aumentar o ganho e mudar a derivação do ECG. Essas medidas são importantes para evitar fatores de confusão e melhorar a assistência ao paciente. L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 58 TAQUICARDIA VENTRICULAR SEM PULSO (TVSP) FIBRILAÇÃO VENTRICULAR (FV) ASSISTOLIA ATIVIDADE ELÉTRICA SEM PULSO (AESP) Imagens disponíveis em: ACLS: Suporte Avançado de Vida em Cardiologia, 5° ed. L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 59 MEDICAÇÕES Adrenalina/Epinefrina Utilizada em “qualquer” PCR (seja ritmo chocável ou não chocável). Administrada após o segundo choque. • Dosagem: 1mg IV em bolus • Repetir a cada 3 a 5 min, não há limite de dose (geralmente, ciclo sim, ciclo não) OBS: fazer flushing de 20mL de soro fisiológico + elevação de membro (tais manobras são úteis para ajudar o medicamento a “chegar” mais rapidamente no seu local de ação). Administrada em ritmos chocáveis (FV e TV). Feita após o terceiro choque. • Primeira dose: 300mg IV em bolus. • Segunda dose: 150mg IV em bolus. OBS: Repetir em 3 a 5 min, dose máxima de 450mg (geralmente, ciclo sim, ciclo não). OBS: Fazer flushing de 20mL de soro fisiológico + elevação de membro. Amiodarona Lidocaína Primeira dose: 1 a 1,5mg/kg Segunda dose: 0,5 a 0,75mg/kg OBS: Usada quando não há Amiodarona ou quando não foi possível pegar Acesso Venoso Periférico. L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 60 Causas da PCR Se forem identificadas causas reversíveis durante o manejo da PCR, deve-se fazer o possível para revertê-las, principalmente quando o ritmo é não chocável (AESP e assistolia). As possíveis causas de PCR estão agrupadas na tabela abaixo, formando o mnemônico “5 Hs” e “5 Ts”: 5 Hs Tratamento (PCR) 5 Ts Tratamento (PCR) Hipóxia IOT Tamponamento cardíaco Pericardiocentese (temporário) Hipovolemia Administração de volume Tensão no tórax (pneumotórax hipertensivo) Punção de alívio Acidose (H+) BicNA Tóxicos Antídotos específicos Hipotermia Aquecer TEP Trombólise Hipo/Hipercalemia Repor K+/GlucCa2+ Trombose coronariana (IAM) - Manutenção da Via Aérea A abertura da via aérea pode ser feita através das seguintes manobras: • Jaw thrust (tração da mandíbula): se houver história de trauma associado – consiste em elevar a mandíbula para frente pelo ângulo da mandíbula; • Chin lift (elevação do mento): se não houver história de trauma associado – consiste na elevação do queixo e extensão da cabeça. Fármacos que podem ir no tubo na PCR: Atropina Naloxona Epinefrina Lidocaína • Lidocaína pode ser administrada pelo tubo orotraqueal e a Amiodarona não. • Quando administrada pelo tubo, dobra-se a dose (qualquer medicamento). L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 61 Dentre os mecanismos de uma via aérea não avançada, temos: Ventilação boca-boca / boca-máscara Ventilação pela traqueostomia Ventilação por bolsa-válvula-máscara (BVM) Jaw thrust Chin lift Após a colocação da via aérea avançada, a ventilação deve ser feita 1 vez a cada 6-8 segundos (10/minuto), sem precisar sincronizar com as compressões torácicas. • Intubação Orotraqueal Existe apenas uma indicação absoluta para a IOT na PCR: ventilação ineficiente com BVM. Assim, havendo a decisão da equipe pela IOT, esta deve ser realizada sem a interrupção das compressões torácicas. • Máscara laríngea • Tubo esôfago-traqueal (combitubo) Embora não se tenha estudado o uso específico dos dispositivos orofaríngeos (cânula orofaríngea ou de Guedel) e nasofaríngeos (cânula nasofaríngea) na PCR, acredita-se que seja benéfico e que facilite a ventilação com BVM. Via Aérea Avançada É importante sempre checar pontos fundamentais durante o manejo de uma parada cardiorrespiratória. Dentre esses, estão: L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 62 MANEJO Para as compressões serem efetivas, recomenda-se uma profundidade de 5 a 6 cm em adultos e uma frequência de 100 a 120 por minuto, minimizando as interrupções, sendo as eventuais paradas com duração de até 10 segundos. É recomendável que os socorristas se alternem a cada 5 ciclos (2 minutos), nas posições de compressão e ventilação. Deve-se manter uma frequência regular de ventilações, de cerca de 10 por minuto em adultos (1 a cada 6 segundos), evitando ventilação excessiva. E para finalizar sugere-se que seja feita uma monitorização da vítima, com a capnografia de A qualidade da RCP onda (procurando manter uma PET CO2 > 10 mmHg); e com a avaliação da pressão intra-arterial (mantendo a diastólica > 20 mmHg). Possibilidade de VA Avançada Avaliar a necessidade e os benefícios de uma intubação orotraqueal ou uma VA avançada supraglótica. Se for instalada, manter a regularidade das ventilações, 10 por minuto (1 a cada 6 segundos), sem interromper as compressões torácicas (compressões contínuas). Continuar monitorizando a vítima pela capnografia de onda ou capnometria, observando a eficácia da RCP. Energia do choque Optar corretamente entre Bifásico e monofásico: Bifásico (de 120 a 200 J), utilizando, se houver dúvida, a carga máxima, mantendo a carga L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 63 equivalente em todas as desfibrilações. Monofásico (360 J), utilizando a mesma carga em todas as desfibrilações. Terapia farmacológica Adrenalina / Epinefrina – aplicada a cada 3 a 5 minutos (ciclo sim, ciclo não) em dose de 1 mg IV em bolus. Amiodarona – aplicada em no máximo 2 doses IV em bolus (1ª de 300 mg e 2ª de 150 mg) e apenas nos ritmos chocáveis (FV e TV). Possível retorno espontâneo da circulação Observável especialmente em ritmos não chocáveis. É preciso monitorar o pulso (surgimento), a pressão arterial (aumento geral ou no surgimento de ondas espontâneas quando intra- arterial), e a PET CO2 (aumento de forma abrupta e sustentada, normalmente acima de 35 mmHg). RETORNO À CIRCULAÇÃO ESPONTÂNEA (RCE) E CUIDADOS PÓS PCR Nos casos em que a vítima retorna a um ritmo cardíaco organizado e espontâneo, é importante checar uma série de fatores que ajudam a manter e estabilizar o quadro. Assim, os cuidados pós PCR imprescindíveis são: • ECG com as 12 derivações; • Exames laboratoriais; • Raio-X de tórax; • Capnografia; • Hemogasometria; • Exame físico direcionado; • Exames complementares (CK e troponina no infarto). 1. Exames L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 64 Deve ser feita uma consulta com um especialista para checar e tratar especificamente a possível causa da PCR, assim como as eventuais sequelas (verificando protocolos de hipotermia e déficitsneurológicos). 2. Tratamento É preciso também verificar acessos, sondas, drenos e outros procedimentos que foram realizados, para, em seguida, encaminhar para uma UTI, se for necessário, em vista de promover uma melhor estabilização hemodinâmica (otimizando a oxigenação e podendo aplicar drogas vasoativas e cristaloides isotônicos). 3. Estabilização o ETCO2 5 “quadradões”) Normocardia: 50 e 100 bpm Taquicardia: > 100 bpm (ou 0,12s Analisa-se o intervalo R-R de pelo menos 3 complexos Nem sempre as arritmias causam sintomas SISTEMA CONDUTOR Caminho do impulso: 1. Nó sinoatrial 2. Nó atrioventricular 3. Feixe de His 4. Fibras de Purkinje L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 67 O BÁSICO DE ECG Despolarização atrial Duração: 2 a 3 quadrados menores Simétrica e menor do que a onda T Deve ser seguida pelo complexo QRS ONDA P Representa o atraso ocorrido no nó atrioventricular Tempo: 3 a 5 quadros menores Do início da onda P ao início do complexo QRS INTERVALO PR Despolarização dos ventrículos Tempo: 2 a 3 quadros menores COMPLEXO QRS Representa o fim da despolarização até o início da repolarização ventricular SEGMENTO ST Repolarização ventricular Ramo ascendente mais lento do que o descendente ONDA T Cada batimento cardíaco é composto por PQRST TIPOS DE ARRITMIAS SUPRAVENTRICULAR Ritmo que se origina acima da junção entre o nó atrioventricular e o feixe de His VENTRICULAR Ritmo de origem abaixo da bifurcação do feixe de His ARRITMIA SINUSAL Variação do segmento P-P (>160ms segundo Katz ou >120ms segundo Bellet). Geralmente é fisiológica. Normalmente é assintomática. Variação da FC com a respiração (acelera na inspiração). FC regular na apneia. L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 68 EXTRASSÍSTOLE Batimentos precoces originados fora do nó sinusal. Pode ser assintomática ou cursar com palpitações. Sístole prematura geralmente sem onda de pulso. L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 69 TAQUIARRITMIAS SUPRAVENTRICULAR VENTRICULAR REGULAR IRREGULAR x x TAQUIARRITMIAS As taquiarritmias são aqueles ritmos os quais o coração ultrapassa 100bpm. Elas podem ser divididas basicamente de duas formas: quanto a sua regularidade (regular ou irregular) e quanto a sua localização (supraventricular ou ventricular). Para identificar se a taquicardia é ventricular ou supraventricular, vamos observar o complexo QRS: se ele for estreito ( 0,12s), é uma taquiarritmia ventricular. A maioria das taquiarritmias só cursam com sinais e sintomas quando a FC excede 150bpm. TRATAMENTO O tratamento para as taquicardias estáveis, de modo geral, é feito levando em conta a sua classificação: TAQUICARDIA SINUSAL Pode ocorrer fisiologicamente (ex.: após exercícios). Tratar causa base (ex.: uso de antitérmicos se a causa for febre). SUPRAVENTRICULAR REGULAR Manobras vagais (valsava, valsava modificada ou massagem do seio carotídeo); L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 70 A ordem acima deve ser seguida e a próxima opção só deve ser usada se a anterior não funcionar. VENTRICULAR REGULAR SUPRAVENTRICULAR IRREGULAR VENTRICULAR IRREGULAR Adenosina (6mg IV com flush de infusão salina de 20mL e depois pode usar 12mg até duas vezes); Betabloqueador ou bloqueador dos canais de cálcio. Controle da FC; Betabloqueador (metropolol, 5mg a cada 5 minutos, até 15 mg) OU bloqueador de canal de cálcio (verapamil e diltiazem). Amiodarona (150mg em 100 mL de soro fisiológico 0,9% IV em 10min); Considerar Adenosina; Procainamida (100 mg a cada 5 min ou 20mg/min ou 17mg/kg) OU sotalol (1,5mg/kg durante 5min); Considerara cardioverter. Sulfato de magnésio (1 a 2g em 100mL de soro fisiológico 0,9% IV, de 5 a 20min). As manobras vagais são utilizadas para estimular os barorreceptores, que estão localizados no arco aórtico e nas carótidas internas. Com isso, ocorre uma estimulação reflexa do nervo vago e consequente liberação de acetilcolina, que reduz a condução pelo nó atrioventricular. Ou seja, ao estimular os barorreceptores, a frequência cardíaca diminui. As manobras vagais incluem: Manobra de valsava: expiração forçada do ar contra uma glote fechada (ex.: tosse profunda); Manobra de valsava modificada: o paciente, em posição semirrecostada, sopra dentro de uma seringa até mover o êmbolo e então ele é imediatamente movido para a posição supina com elevação passiva dos MMII a 45º por 15 segundos e depois retorna à MANOBRAS VAGAIS posição original. É a mais recomendada atualmente. Massagem do seio carotídeo: o pulso carotídeo do paciente é palpado com seu pescoço em extensão. Então, é aplicada uma pressão firme na região por 5 a 10 segundos. L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 71 ATENÇÃO! Essa manobra não deve ser feita em idosos e pacientes com história de AVC, estenose da artéria carótida ou sopro arterial carotídeo durante a ausculta, devido à possibilidade de existir um êmbolo que pode se mover em direção ao cérebro. Estímulo frio na face: deve ser feito por até 10 segundos, com uma compressa fria por exemplo. Esse método geralmente é utilizado em crianças e não é tão eficaz na população adulta. Já para as taquiarritmias instáveis (geralmente possuem FC > 150bpm e há ao menos um dos “5 Ds”), deve-se fazer o “MOVE” e uma cardioversão elétrica sincronizada ou uma desfibrilação. Monitorização Oxigenoterapia Venóclise Exame físico e ECG Desconforto respiratório Dor torácica Diminuição da PA Déficit neurológico Desmaio L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 72 100 a 200J QRS ESTREITO 50 a 100J 120 a 200J Desfibrilação QRS ALARGADO REGULAR IRREGULAR REGULAR IRREGULAR Uso do desfibrilador manual A cardioversão elétrica sincronizada tem como objetivo realizar uma terapia elétrica de forma simultânea ao complexo QRS – ou seja, ao mesmo tempo da despolarização dos ventrículos. Ao pressionar o botão “sinc”, o dispositivo procura esses complexos para realizar o choque no momento correto. Por isso, ele só pode ser utilizadoem ritmos que apresentam complexos QRS claramente identificáveis e frequência ventricular rápida. Logo, em ritmos como a fibrilação ventricular, é feita a desfibrilação. Antes de se realizar a cardioversão elétrica sincronizada, deve-se obter um ECG de 12 variações e identificar o ritmo para saber se seu uso está indicado. Se necessário, deve ser fornecido oxigenação complementar ao paciente, além da obtenção dos acessos IV. Também é importante informar o paciente do procedimento e realizar a sedação. Então, o paciente é, colocado em posição supina e suas roupas e acessórios da parte superior de seu corpo são removidos. As pás são recobertas por gel e o botão “sinc” (sincronizar) é pressionado. O próprio dispositivo reconhece os complexos QRS. Em seguida, deve-se ajustar o nível de energia para o desejado e, depois de todos se afastarem e do oxigênio ser ATENÇÃO! É importante que os eletrodos do ECG e os fios dos equipamentos de monitorização estejam distantes da área onde serão colocadas as pás, pois o contato entre eles pode acabar resultando em queimaduras. L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 73 Disponível em: https://cutt.ly/en9qD2C removido, o choque pode ser aplicado. Se a taquicardia permanecer, o botão de sincronizar deve ser apertado novamente e outro choque deve ser aplicado. No caso de ausência de pulso, é importante lembrar que o modo “sinc” precisa estar desativado, pois, nesse caso, o objetivo será de realizar uma desfibrilação, e não uma cardioversão elétrica. Intervalo QRS Intervalo RR Intervalo RR • Taquicardia sinusal • Taquicardia supraventricular (TRN, TRAV) • Flutter atrial • Taquicardia atrial REGULAR IRREGULAR REGULAR IRREGULAR • Fibrilação atrial • Flutter atrial • Taquicardia atrial • TV monomórfica • TSV com aberrância • TAV antidrômica • Alterações tóxico- metabólicas • TV polimórfica • Fibrilação atrial com aberrância • Fibrilação atrial com via acessória REGULAR Estreito ( 0,12s) ANALISANDO AS TAQUIARRITMIAS Os tipos de taquiarritmias podem ser analisados da seguinte forma: ATENÇÃO! Antes de cardioverter: Informar ao paciente; Sedação/analgesia; Ambuzar (se necessário); Sincronizar (botão “sinc”) Cardioverter Observar (Manteve? Melhorou? PCR?) 1.Analise o ritmo a) Qual a frequência do ritmo acima? Acelerada. b) Existe onda P facilmente visível? Sim. c) Qual a relação da onda P com o complexo QRS? Toda onda P antecede um complexo. d) O complexo QRS é estreito ou alargado? Estreito (menor que 3 quadrados menores). e) O ritmo é regular ou irregular? Regular. Essa taquicardia é uma taquicardia sinusal. Ela Ocorre quando o nó sinoatrial disparar com uma frequência mais rápida do que o normal. O paciente pode se queixar de palpitações, coração acelerado ou sensação de opressão no peito. O seu tratamento consiste na correção da causa subjacente (ex.: antitér-micos para pacientes febris ou infusão de volume para o choque hipovolêmico). L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 74 Em casos de infarto agudo do miocárdio (IAM) e taquicardia sinusal, pode-se utilizar fármacos como betabloqueadores para diminuir a frequência cardíaca e, consequentemente, a demanda de oxigênio do miocárdio, contanto que não existam contraindicações. Suas causas incluem: • IAM; • Insuficiência cardíaca; • Embolia pulmonar; • Embolia pulmonar; • Dor; • Hipóxia; • Hipotireoidismo; • Febre; • Infecção; • Medo e ansiedade; • Hipovolemia; • Desidratação; • Choque; • Estimulação simpática; • Exercício físico; • Cafeína; • Uso de drogas; • Fármacos. A taquicardia sinusal no paciente que está sofrendo IAM pode ser um sinal de alerta precoce de insuficiência cardíaca, choque cardiogênico e disritmias mais graves. L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 75 2. Analise o ritmo: a) Qual a frequência do ritmo acima? Acelerada. b) Existe onda P facilmente visível? Sim, apesar de ser um pouco diferente das ondas P habituais). c) Qual a relação da onda P com o complexo QRS? Toda onda P é precedida por um QRS. d) O complexo QRS é estreito ou alargado? Estreito (menor que 3 quadrados menores). e) O ritmo é regular ou irregular? Regular. Trata-se de uma taquicardia atrial (TA). Esse é uma taquicardia atrial (TA). Os seus batimentos possuem origem a partir de um local irritável nos átrios. Suas ondas P tendem a ser positivas na derivação II (exceto se sua origem for em um local mais inferior dos átrios) e precedem um complexo QRS, apesar de serem diferentes das ondas P do ritmo sinusal. 3. Analise o ritmo: a) Qual a frequência do ritmo acima? Acelerada. b) Existe onda P facilmente visível? Não. c) Qual a relação da onda P com o complexo QRS? Ondas P não antecedem o complexo QRS. d) O complexo QRS é estreito ou alargado? Alargado (maior que 3 quadrados menores). e) O ritmo é regular ou irregular? Regular Esse ritmo é uma taquicardia ventricular (TV), que consiste na presença de três ou mais complexos L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 76 ventriculares prematuros (CVPs) sucessivos. A TV e os CVPs podem ter origens ectópicas de ambos os ventrículos. A TV monomórfica sustentada é um ritmo regular e pode permanecer estável por um bom tempo. Todavia, quando há isquemia miocárdica ou uma frequência ventricular muito rápida, ela pode passar para uma TV polimórfica (TVPM) ou fibrilação ventricular (FV). .OBS. 1: único sintoma de alerta de um paciente com TV, pode ser uma sensação de “cabeça vazia”. Quando seu inicio é abrupto, pode ocorrer síncope ou pré-síncope. OBS. 2: ritmo rápido, com QRS alargado e a ausência de pulso, choque ou insuficiência cardíaca deve ser presumido como sendo TV até que se prove o contrário. A TV e a FV podem não apresentar pulso central, sendo preciso realizar uma reanimação. 4. Analise o ritmo: a) Qual a frequência do ritmo acima? Acelerada. b) Existe onda P facilmente visível? Não. c) Qual a relação da onda P complexo QRS? Não há onda P. d) O complexo QRS é estreito ou alargado? Alargado (maior que 3 quadrados maiores). e) O ritmo é regular ou irregular? Irregular. Esse ritmo corresponde à taquicardia ventricular polimór - -fica (TVPM). Nela, os complexos QRS podem variar em forma e amplitude a cada batimento, podendo ser regular ou não com uma frequência de 150 a 300 bpm (normalmente entre 200 a 250), com ausência de ondas P e intervalos PR. 6. Analise o ritmo: a) Qual a frequência do ritmo acima? Acelerada. b) Existe onda P facilmente visível? Não. c) Qual a relação da onda P com o complexo QRS? Nem toda onda P precede um complexo QRS. d) O complexo QRS é estreito ou alargado? Estreito (menor que 3 quadrados menores). e) O ritmo é regular ou irregular? Irregular. Esse ritmo corresponde à taquicardia atrial multifocal (TAM), que representa o resultado da estimulação aleatória e caótica de vários locais ectópicos nos átrios, sendo necessário pelo menos 3 variações diferentes de sua onda P para seu diagnóstico. L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 77 É mais comum ocorrer em pacientes com doenças pulmonares avançadas. A TAM não responde à cardioversão elétrica sincronizada nem às manobras vagais ou à adenosina. Portanto, seu tratamento envolve a realização do MOVE, associado à resolução da causa subjacente e metoprolol para controle da FC. 7. Analise o ritmo: a) Qual a frequência do ritmo acima? Acelerada. b) Existe onda P facilmente visível? Não. c) Qual a relação da onda P com o complexo QRS? As ondas P não são identificáveis.d) O complexo QRS é estreito ou alargado? Estreito (menor que 3 quadrados menores). e) O ritmo é regular ou irregular? Irregular. Esse ritmo corresponde à fibrilação atrial (FA). Ela é a arritmia mais comum do mundo, L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 78 sendo um tipo de taquicardia supraventricular a qual cursa com uma contração atrial ineficaz devido à ativação descoordenada dessas câmeras. Sua frequência atrial pode variar entre 400 e 600 bpm, com a frequência ventricular variável. O paciente pode ter FA crônica e não saber. Em alguns casos, a instabilidade hemodinâmica do paciente pode ter outra origem (ex.: edemas agudo de pulmão), então, para esses pacientes, a cardioversão elétrica pode não ser ser benéfica caso a FA esteja com uma frequência só levemente acelerada (o ritmo ventricular, gerando ritmos independentes. No ECG, se observa muitas ondas P, não relacionadas a QRS, que são em menor frequência A região que assume o ritmo ventricular deve estar abaixo do bloqueio. Isso é importante, pois bloqueios de origem infra-hissiana geram ritmos ventriculares, com QRS largo e maior chance de morte súbita. TRATAMENTO Em caso de bradicardias estáveis, deve-se realizar o ECG em 12 derivações. Se a bradicardia for benigna, pode-se procurar a causa base e tratá-la. L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 84 Não é necessário esperar os 3mg. Se o ritmo sinusal não voltar em duas doses, o indicado é preparar a segunda linha de tratamento. Na prática, atropina tem resolução para os BAV até 2º grau Mobitz I. Atropina: 1 mg, EV, em bolus, a cada 3-5 min, até um total de 3mg 1ª linha: Oxigênio + Atropina 2ª linha: (um dos seguintes) Adrenalina 2-10mcg/min, EV1 Dopamina 5-20 ug/kg/min, EV2 Marcapasso transcutâneo3 Já se for um ritmo maligno, como o paciente está estável, pode- se considerar encaminhar ao especialista para colocação de marcapasso transvenoso. Por outro lado, a bradicardia em um paciente instável pode leva- lo a uma PCR, então é imprescindível o tratamento. Após o tratamento, pode-se considerar estimulação transvenosa e consulta com especialista. REFERÊNCIAS: 1. III Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia Sobre Análise e Emissão de Laudos Eletrocardiográficos, Disponível em: encurtador.com.br/qHI45encurtador.com.br/ Qhi45; 2. ACLS – Suporte Avançado de Vida em Cardiologia, 5° ed.; 3. Medicina de Emergência USP, 14° ed.; 4. Yellowbook – Fluxos e Condutas: Emergência, Editora Sanar, 2° ed. 5. Módulo SAMU, Matheus Dória Silva *Maior chance de controle–Ambulância 190 – Polícia 193 – Bombeiros L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) - SÃO PAULO Já em São Paulo, após um grave acidente aéreo envolvendo a queda de uma aeronave de carga sobre habitações próximas à pista do Aeroporto Internacional de Guarulhos, foi criado o Sistema de Resgate a Acidentados. Tinha como objetivo o atendimento a vítimas de traumatismos em locais públicos, porém dividiu o atendimento em duas categorias de complexidade: Suporte básico de vida: realizada por bombeiros treinados em técnicas de socorrismo tripulando as Unidades de Resgate, ambulâncias equipadas com materiais de socorro médico básico e de salvamento. Suporte Avançado de vida: realizada por bombeiros, médicos e enfermeiros que passariam a tripular as viaturas especialmente equipadas do Corpo de Bombeiros, as unidades de suporte avançado (USA) equipadas para a realização de procedimentos cirúrgicos de urgência, cardioversão elétrica e administração de medicamentos de urgência, assim como tripular os helicópteros da Polícia Militar adaptados para o transporte de pacientes de maior gravidade que necessitassem chegar rapidamente a um hospital de maior complexidade. - PARANÁ No Paraná, foi criado o SIATE (Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma e Emergências), também com a participação conjunta do Corpo de Bombeiros e da Secretaria da Saúde, empregando médicos e enfermeiros e criando as primeiras centrais de regulação médica de urgência. Em 1992, na Cidade de São Paulo, a antiga central municipal de ambulâncias passou a atuar como um serviço pré-hospitalar organizado, o APH-192. PÁGINA 7 Este padrão de atendimento pré-hospitalar se mostrou bastante eficiente no parâmetro chamado “tempo-resposta” e acabou sendo adotado pela maioria dos Corpos de Bombeiros estaduais do país. DÉCADA DE 1990 L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) com técnicas e protocolos de intervenção para as variadas situações de urgência: clínicas, traumáticas, obstétricas ou psiquiátricas, com profissionais de enfermagem e médicos. Porém, eram acionados por uma central 192 diferente, esse serviço APH-192 atendia principalmente às ocorrências de origem não traumática, pacientes em domicílio e doentes crônicos agudizados, enquanto o Serviço de Resgate do Corpo de Bombeiros atendia as vítimas de trauma em locais públicos. Por iniciativa do Ministério da Saúde, em 2002 foi publicada a Portaria GM n. 2.048, com objetivo de organizar o sistema de atendimento às urgências e emergências no âmbito do SUS e que previa a criação de um sistema de atendimento pré-hospitalar em caráter nacional. - 2003 Foi criado o SAMU Nacional, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. Um serviço de atendimento pré-hospitalar de abrangência universal. Em locais públicos ou privados, independentemente de serem em domicílios, comércios, empresas, praças públicas etc. Inspirado no modelo francês, compreendeu a importância da regulação médica das urgências como um dos componentes fundamentais de um serviço de atendimento, já que os meios disponíveis: ambulâncias, equipes de atendimento e serviços de emergência são limitados e devem ser empregados com critérios médicos precisos, garantindo que as necessidades maiores e mais urgentes sejam priorizadas e atendidas. PÁGINA 8 O SAMU NACIONAL Realizavam atendimentos: CLÍNICO TRAUMÁTICO OBSTÉTRICO PSIQUIÁTRICO L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) - IMPLANTAÇÃO Para a implantação do programa SAMU, o Ministério da Saúde garantiu o fornecimento dos veículos ambulância com seus equipamentos de uso permanente, as orientações e bases técnicas, assessoria permanente e custeio parcial para a implantação e manutenção do serviço baseado no número de ambulâncias operantes. Porém, ainda assim diversas dificuldades surgiram na gestão dos vários SAMUs do Brasil. - FALHAS NA IMPLANTAÇÃO • Estimativa dos custos do programa foram feitas sem diferenciar as singularidades de cada município e região. • A forma que o Estado e o Município, dois entes federativos distintos e autônomos, deveriam participar do custeio do programa foi definida de forma autocrática. • Coube aos municípios que adotaram o programa SAMU arcar com a maior parte das despesas, muito maiores do que as estimadas inicialmente. • O cálculo do número de equipes de socorro previstas para atender à demanda não levou em consideração morbidades específicas de cada região, equipamentos de saúde instalados, ou características demográficas e geográficas. • As Centrais de Regulação Médica do SAMU-192 não tinham controle sobre a organização e supervisão de todo o sistema de urgência de sua região, pois os hospitais ou prontos-socorros funcionam de forma autônoma, não integrada e sem uma coordenação única efetiva. • Não houve, simultaneamente, a implantação da SAMU, a adequação da rede de serviços que passaria a receber os pacientes levados pelo SAMU. PÁGINA 9 Em São Paulo, por exemplo, o governo estadual não apoiou a adoção do programa SAMU e se recusou a participar do custeio. Assim os municípios do estado de São Paulo tiveram que bancar sozinhos os custos do programa não cobertos pelo Ministério da Saúde. L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) Por fim, deve-se reconhecer que o programa SAMU teve o mérito de conseguir se expandir rapidamente pelo país e atende a uma real necessidade, principalmente em locais isolados e com poucos recursos. Porém, tem grande dificuldade em satisfazer as expectativas da sociedade, haja vista que a medicina moderna evoluiu para um alto grau de complexidade técnica e que o sistema nacional de saúde (SUS) com acesso universal, deve garantir atendimento integral sem limites técnicos definidos, para uma população de mais de 200 milhões de habitantes, com um financiamento absolutamente restrito. REFERÊNCIAS: PHTLS - Atendimento Pré-hospitalar ao Traumatizado. 9ª ed. Jones & Bartlett Learning, 2019. APH – Resgate – Emergência em Trauma. 1ª ed. – Rio de Janeiro: Elsevier, 2019 L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 11 REDES DE ATENÇÃO E LINHAS DE CUIDADO2 O QUE SÃO REDES DE ATENÇÃO À SAÚDE (RAS)? Por meio da portaria nº 4.279, de 30/12/2010, que instituiu as RAS no Sistema Único de Saúde, o Ministério da Saúde define as Redes de Atenção à Saúde (como “arranjos organizativos de ações e serviços de saúde, de diferentes densidades tecnológicas que, integradas por meio de sistemas de apoio técnico, logístico e de gestão, buscam garantir a integralidade do cuidado”. As RAS são pautadas em três elementos: 1) a população; 2) a estrutura operacional; e 3) o modelo de atenção à saúde. Devem ter caráter preventivo e terapêutico, envolvendo seus componentes de atenção básica até os serviços mais complexos. O desenvolvimento de uma atenção primária forte é um componente importante para obter bons resultados de saúde, diminuição de custos e maior satisfação para a população com o serviço de saúde. O objetivo de implementar as RAS é tornar o sistema de saúde mais eficiente e sólido, conhecendo as demandas da população local e a capacidade de gestão pública em fornecer o serviço. Os princípios do SUS de universalidade, integralidade e equidade são consolidados pelo desenvolvimento do sistema como uma Rede de Atenção à Saúde. Nas diferentes temáticas, existem objetivos e tarefas comuns, como educação em saúde, informação, regulação, promoção e vigilância à saúde. São exemplos de temáticas das RAS no Brasil: L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S( L A E P H ) PÁGINA 12 Rede de Atenção à Saúde Materna e Infantil - Rede Cegonha Voltada ao atendimento de planejamento reprodutivo, ao pré- natal, ao parto, ao puerpério e à primeira infância. Rede de Atenção às Urgências e Emergências (RUE) Organizada nos componentes pré- hospitalar e hospitalar, com suas diretrizes definidas pela Portaria GM/MS 1.600/2011. Rede de Atenção à Saúde das Pessoas com Doenças Crônicas Rede com serviços territorializados que integra atendimentos de oncologia e atenção ao sobrepeso e obesidade. Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência Temática que presta atendimento de reabilitação, fornecimento de órteses e próteses, com objetivo de proteger e reabilitar as capacidades funcionais dos usuários. Rede de Atenção Psicossocial Rede responsável pelo acolhimento e acompanhamento de pacientes com transtornos mentais, criada pela Portaria GM/MS no 3.088/2011. A REDE DE ATENÇÃO ÀS URGÊNCIAS E EMERGÊNCIAS (RUE) A Rede de Atenção às Urgências e Emergências tem a finalidade de articular os equipamentos de saúde, com o objetivo de prover acesso amplo dos usuários em situação de emergência aos serviços de saúde, de forma ágil, integral e com qualidade. A Portaria GM/MS 1.600/2011 regulamenta as suas diretrizes. A análise epidemiológica e demográfica das causas de morte, dos custos e dos impactos socioeconômicos no Brasil e no mundo apontam em destaque para as doenças cardiovasculares, causas externas (trauma) e doenças cerebrovasculares (AVC). L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 13 Por conta disso, as linhas de cuidados da rede temática de urgências e emergências incluem cuidados cardiovasculares, cerebrovasculares e traumatológicos. As bases do processo e dos fluxos assistenciais da RUE, também conhecida como Rede Saúde Toda Hora, são o acolhimento aos casos agudos com classificação de risco e a qualificação profissional com potencial de intervenção adequada e necessária aos diferentes tipos de agravos no escopo das emergências. As equipes que compõem a RUE passam por processos de qualificação continuada através dos programas de educação permanente, visando garantir a qualidade da assistência e a atuação da RUE é territorial, com articulação da regulação dos componentes que compõem a rede para garantia da integralidade e equidade. COMPONENTES E INTERFACES DA REDE DE ATENÇÃO ÀS URGÊNCIAS A Rede de Atenção às Urgências se subdivide: Atenção Básica em Saúde Promoção, Prevenção e Vigilância à Saúde SAMU 192 e suas Centrais de Regulação Sala de Estabilização Força Nacional de Saúde do SUS UPA 24h e o Conjunto de Serviços de Urgência 24h Hospitalar Atenção Domiciliar PROMOÇÃO, PREVENÇÃO E VIGILÂNCIA À SAÚDE Tem como objetivo estimular o desenvolvimento de ações de saúde e educação permanente voltadas para a vigilância e prevenção de violência e acidentes. É nesse com- L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) A atenção básica em saúde está relacionada à ampliação do acesso, ao fortalecimento do vínculo e á responsabilização do primeiro cuidado em urgências e emergências. Esse componente tem como objetivo chegar precocemente à vítima após ocorrido um agravo à sua saúde. Além disso, visa garantir o transporte para um serviço adequado. Trata-se do local onde ocorre a estabilização de pacientes críticos ou graves, com condições de garantir uma assistência 24h. Esse componente tem como objetivo garantir uma assistência integral em situações de risco ou emergenciais para populações em PÁGINA 14 ATENÇÃO BÁSICA EM SAÚDE ponente que se encaixam as campanhas de conscientização. SAMU 192 E SUAS CENTRAIS DE REGULAÇÃO SALA DE ESTABILIZAÇÃO FORÇA NACIONAL DE SAÚDE DO SUS A UPA (Unidade de Pronto Atendimento) é um local de saúde de complexidade intermediária. Nesse ambiente, é prestado um atendimento resolutivo e qualificado aos pacientes com quadros agudos ou agudizados, seja de natureza cirúrgica, seja de natureza traumática. A partir disso, avalia-se a necessidade de encaminhamento para centros mais complexos. É constituído pelas portas hospitalares de urgência, enfermarias de retaguarda, leitos de cuidados intensivos, serviços de diagnóstico por imagem e de laboratório e pelas linhas de cuidado prioritárias. Esse componente engloba ações de promoção de saúde, prevenção e tratamento de doenças e reabilitação, que ocorrem no domicílio. UPA 24H E O CONJUNTO DE SERVIÇOS DE URGÊNCIA 24H HOSPITALAR ATENÇÃO DOMICILIAR vulnerabilidade. L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) “Conjunto de saberes, tecnologias e recursos necessários ao enfrentamento de determinados riscos, agravos ou condições específicas do ciclo de vida a serem ofertados de forma oportuna, articulada e contínua pelo sistema de saúde, sendo sua implementação estratégia central para a organização e a qualificação das redes de atenção à saúde, com vistas à integralidade da atenção." (Braga, E.C., 2006). A Rede de Atenção às Urgências prioriza as seguintes linhas de cuidado: traumatológica, cerebrovascular e cardiovascular. PÁGINA 15 LINHAS DE CUIDADO REFERÊNCIAS: 1. PORTARIA Nº 1.600, DE 7 DE JULHO DE 2011 A linha do cuidado traumatológica visa habilitar os centros de trauma para realizarem um atendimento hierarquizado e referenciado. Já a linha cerebrovascular está associada ao uso de trombolíticos no tratamento de AVC. Por fim, a linha cardiovascular se relaciona à trombólise precoce de pacientes com IAM. L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 16 ASPECTOS FUNCIONAIS DO SAMU3 Regula para o nível correto de cuidado necessário para aquela situação Atende uma área delimitadaRegulação regionalizada Regulação hierarquizada Regulação descentralizada Por exemplo: Salvador e região metropolitana Postos estratégicos espalhados pela localidade a fim de facilitar a logística O SAMU, no Brasil, propõe um modelo de assistência padronizado que opera através do acionamento à Central de Regulação de Urgências, com discagem telefônica gratuita e de fácil acesso (linha 192), com regulação médica regionalizada, hierarquizada e descentralizada. INTRODUÇÃO COMO O SAMU É REGULAMENTADO?O que é o SAMU? Atendimento que procura chegar ao cidadão acometido por uma urgência de natureza clínica, cirúrgica, traumática, obstétrica ou psiquiátrica nos primeiros minutos após o agravo, prestando atendimento adequado no local e transporte a um serviço de saúde hierarquizado e integrado ao SUS, quando necessário. L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) A regulação do SAMU está detalhada nas Portarias GM/MS: Portaria GM/MS nº 2048 de 2002: Estabelece os princípios e diretrizes dos sistemas estaduais de urgências e emergências, define normas, critérios de funcionamento, classificação e cadastramento dos hospitais de urgência, além de determinar a criação do sistema estadual de urgências. ) PÁGINA 17 Portaria GM/MS nº 1600 de 2011: reformula a política nacional de atenção às urgências e institui a Rede de Atenção às Urgências no Sistema Único de Saúde (SUS). Portaria GM/MS nº 1010 de 2012: redefine as diretrizes para a implantação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) e sua Central de Regulação das Urgências, componente da Rede de Atenção às Urgências. O custeio mensal do SAMU é de responsabilidade compartilhada, de forma tripartite, na seguinte proporção: União: 50% da despesaI Estado: no mínimo, 25% da despesa II Município: no máximo, 25% da despesa III Art. 40 da Portaria GM/MS Nº 1.010/2012 COMO A POPULAÇÃO ACIONA O SAMU? Através dequalquer telefone, com ligação gratuita para o 192 e atendimento na Central de Regulação. É um espaço físico com telefones, computadores e uma equipe multiprofissional, que, de acordo com a gravidade do chamado, fornece orientação e/ou encaminha o recurso adequado. As ligações são remetidas ao médico regulador, que presta orientações de socorro às vítimas e aciona os veículos, se necessário. CENTRAL DE REGULAÇÃO Ambulância de Suporte Básico de Vida (SBV) → Funciona com um condutor1 e um técnico de enfermagem. Atende aos casos de menor gravidade. 1Capacitado para atuar como “socorrista”, ajudando a retirar capacete, regulando litros/min de oxigênio, entre outras coisas. L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) Os pacientes são levados para as unidades de saúde, previamente comunicadas pela Central de Regulação. Existem mais de 200 SAMUs implantados no Brasil que atendem mais de 2.500 municípios e cerca de 137 milhões de pessoas. PÁGINA 18 Ambulância de Suporte Avançado de Vida (SAV) → Funciona com um condutor, médico e enfermeiro. Atende aos casos de maior gravidade. Contém: sinalizador óptico e acústico; equipamento de radiocomunicação em contato permanente com a central reguladora; maca com rodas; suporte para soro e oxigênio medicinal. PARA ONDE SÃO ENCAMINHADOS OS PACIENTES ATENDIDOS PELO SAMU? TIPOS DE VEÍCULOS Tipo A – Ambulância de Transporte: Veículo destinado ao transporte de pacientes que não apresentam risco de vida. Utilizadas para remoções simples e de caráter eletivo. Conta com 2 profissionais, sendo um o motorista e o outro um Técnico ou Auxiliar de enfermagem. L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 19 . Contém: maleta de urgência, maleta de parto, suporte para soro, prancha curta e longa para imobilização de coluna, colete imobilizador dorsal, frascos de soro fisiológico, óculos, máscaras e aventais de proteção e maletas com medicações a serem definidas em protocolos, entre outros As ambulâncias de resgate deverão ter uma configuração que garanta um salão de atendimento às vítimas de, no mínimo 8 metros cúbicos, além de compartimento isolado para a guarda de equipamentos de salvamento. Tipo B – Ambulância de Suporte Básico: Veículo destinado ao atendimento pré-hospitalar de pacientes com risco de vida classificado como não potencial de necessitar de intervenção médica no local e/ou durante transporte. Conta com 2 profissionais sendo um o motorista e um técnico ou auxiliar de enfermagem. Tipo C – Ambulância de Resgate: Veículo de atendimento pré-hospitalar de vítimas de acidentes ou em locais de difícil acesso, com equipamentos de salvamento (terrestre, aquático e em alturas). Equipe formada por 3 profissionais militares, policiais rodoviários ou bombeiros militares, sendo um motorista e os outros dois profissionais com capacitação e certificação em salvamento e suporte básico de vida. L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 20 Contém: maleta de acesso venoso, material para punção, cateteres específicos para dissecção de veias, cortadores de soro, lâminas de bisturi, seringas de vários tamanhos, caixa completa de pequena cirurgia, maleta de parto como descrito nos itens anteriores, entre outros. Para casos de atendimento pré- hospitalar móvel primário não traumático e secundário, deve contar com o piloto, um médico, e um enfermeiro. Para o atendimento a urgências traumáticas em que sejam necessários procedimentos de salvamento, é indispensável a presença de profissional capacitado. Tipo D – Ambulância de Suporte Avançado: Veículo destinado ao atendimento e transporte de pacientes de alto risco em emergências pré-hospitalares e/ou de transporte inter-hospitalar que necessitem de cuidados médicos intensivos. Equipe formada por 3 profissionais: um motorista, um enfermeiro e um médico. Tipo E – Aeronave de Transporte Médico: Aeronave de asa fixa (Avião) ou rotativa (Helicóptero) utilizada para transporte inter-hospitalar de pacientes e ações de resgate. Realiza um atendimento de SAV. L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 21 Possui como requisito o profissional ter o Curso de Pilotagem Defensiva para Condutores de Motolâncias. Contém: cilindro de oxigênio, colar cervical, desfibrilador; talas de imobilização, material de punção venosa, entre outros. Poderá ser equipado como indicado para as Ambulâncias de Tipo A, B, ou D, dependendo do tipo de assistência a ser prestada. Tipo F – Embarcação de Transporte Médico: Veículo aquaviário, destinado ao transporte por via marítima ou fluvial. Sua equipe é composta por: 2 tripulantes (Suporte Básico de Vida) - 1 condutor e 1 técnico de enfermagem; 3 tripulantes (Suporte Avançado de Vida): 1 condutor, 1 enfermeiro e 1 médico. Motolâncias: São utilizadas em caso de: intervenções nos acionamentos de Unidade de Suporte Avançado de vida (USA) nos eventos tempo-dependentes; Intervenções em eventos em locais de reconhecido difícil acesso a veículos de urgência (ambulâncias); Apoio nas intervenções de suporte básico de vida quando for necessário auxílio direto de mais de um técnico de enfermagem. O atendimento é em dupla, ou seja, são acionadas duas motos. Usadas principalmente para ocorrências que precisam de atendimento rápido e/ou quando se sabe que o paciente não precisará ser transportado. L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 22 Suporte Avançado ou Suporte Básico de Vida Suporte Básico de Vida Suporte Básico de Vida ou Orientação Recurso mais próximo é o Suporte Avançado de Vida Recurso mais próximo é o Suporte Avançado de Vida VIR – Veículos de Intervenção Rápida: São utilizados para transporte de médicos com equipamentos que possibilitam oferecer suporte avançado nas ambulâncias A, B, C e F. As Bases Descentralizadas deverão estar estrategicamente localizadas dentro de um território, de forma a contemplar os atendimentos da região com um tempo-resposta adequado. CLASSIFICAÇÃO DAS OCORRÊNCIAS BASES DESCENTRALIZADAS L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 23 A regulação médica pode ser definida como um processo de triagem na área de saúde, o qual serve para determinar a prioridade de tratamento de pacientes e o que deve ser feito com base na gravidade do seu estado de saúde. O(A) médico(a) regulador(a) realiza, ainda, consultas eletivas, de leitos, de procedimentos e testes, entre outros. Se uma pessoa procura atendimento devido a dores abdominais, por exemplo, será necessário realizar alguns exames para verificar o que está acontecendo. Se for constatada uma apendicite, é preciso que o paciente seja submetido à cirurgia. A regulação médica das urgências é dividida em três etapas: 1ª Etapa (Recepção e acolhimento do chamado): o(a) médico(a) recebe o chamado e, de forma clara e objetiva, apresenta-se. Sem utilizar termos técnicos, o profissional orienta o indivíduo que fez a ligação e realiza perguntas. O objetivo é definir qual é a localização do chamado, quem é o Passo a passo Identificar-se Registrar nome e idade do paciente + endereço com dois pontos de referência + queixa principal; Filtrar os trotes Perguntar e registrar o nome do solicitante e telefone de contato Encaminhar o chamado ao Médico Regulador. REGULAÇÃO MÉDICA: solicitante e a identificação da situação de saúde das pessoas que se envolveram na urgência, por exemplo. 2ª Etapa (Abordagem do Caso): Consiste na regulação médica, ou seja, na caracterização do caso, o que é feito por meio de interrogatório. As perguntas devem ser objetivas e definirqual é o estado de saúde das vítimas. L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 24 3ª Etapa (Decisão e Acompanhamento): É composta pela decisão médica e pelo acompanhamento, ou seja, a resposta à solicitação. É importante salientar que todas as consequências diretas do parecer são de integral responsabilidade do médico regulador. Dessa forma, o profissional deve avaliar a necessidade de intervenção, decidindo sobre o recurso disponível mais adequado para o caso. Passo a passo Definir a gravidade presumida Definir uma melhor resposta Orientações médicas Analisar as síndromes de valência forte, com valor social elevado Analisar o diagnóstico sindrômico Diálogo do médico com o solicitante Classificar as síndromes de etiologia potencialmente grave que pode ser causa de uma gravidade elevada. Classificar as síndromes de semiologia potencialmente grave, ou seja, seus sinais e sintomas que indicam a gravidade Passo a passo Envio do Suporte Avançado de Vida (SAV) – terrestre, aéreo ou aquático Orientação Acionamento de Múltiplos Recursos Envio do Suporte Básico de Vida (SBV) L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 25 O rádio operador realiza a: Liberação das viaturas, melhor itinerário, controle da frota, o acompanhamento é realizado por uma: A central de regulação pode ter abrangência Municipal, Regional ou Estadual e concede acesso aos serviços de baixa, média e alta complexidade. Comunicação com o solicitante; Comunicação com equipe no local; Comunicação com o serviço receptor; Acionamento de múltiplos recursos; Encerramento do caso. Existem dois tipos de regulação, primária e secundária: I: Ocorre quando a ligação é feita da rua, ou de uma casa. Neste caso, concede-se o atendimento e estabilização inicial, seguido do transporte. II: Quando um colega médico liga de uma UPA por exemplo, ou seja, é destinado a remoções e transferências interinstitucionais. O objetivo central da regulação é determinar as necessidades, analisando se as urgências são “agudas ou não agudas”, “urgentes ou podem aguardar” ou “crítica”, além de estabelecer um diagnóstico sindrômico rápido. O diagnóstico é realizado a partir da análise de sinais e sintomas por meio de expressões utilizadas pelo solicitante e através de respostas às perguntas específicas. As respostas norteiam a decisão do(a) médico(a) regulador(a) para que, através de uma avaliação subjetiva ou na utilização de protocolos, possa enviar o recurso adequado. Ao médico regulador devem ser oferecidos: • Todos os meios necessários; recursos humanos e equipamentos, para o bom exercício de sua função; • Portas de entrada de urgência com hierarquia resolutiva previamente definida e pactuada, com atribuição formal de responsabilidades. L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 26 O grau de urgência pode ser avaliado a partir da seguinte fórmula: U= G x A x V AVALIAÇÃO MULTIFATORIAL DO GRAU DE URGÊNCIA REFERÊNCIAS: 1. Portaria GM/SM n° 2048 de 2002; 2. Portaria GM/MS n° 1600 de 2011; 3. Portaria GM/MS n° 1010 de 2012. Onde, U = Grau de Urgência; G = Gravidade do caso; A = Atenção, recursos necessários para tratamento; V = Valor social que envolve o caso; T = Tempo para iniciar o tratamento; RU = Recursos da unidade solicitante. T x RU L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 27 SUPORTE BÁSICO DE VIDA NO ADULTO4 As doenças cardiovasculares correspondem à principal causa de morte no mundo, sendo que, na população adulta, comumente está relacionada à evolução para casos de parada cardiorrespiratória (PCR). Por representar um quadro de extrema gravidade, apenas cerca de 2 a 10% dos pacientes com PCR pré-hospitalar tendem a sobreviver após a alta hospitalar. Além disso, estima-se que a chance de sobrevida desse paciente caia em cerca de 10% para cada minuto de atraso da desfibrilação e ausência da circulação espontânea, ou seja, se não houver Suporte Básico de Vida (SBV) em 10 minutos, as chances do paciente estariam exauridas. Por isso, é crucial uma intervenção precoce e de qualidade que pode ser otimizada com base na cadeia de sobrevivência produzida pela American Heart Association. INTRODUÇÃO CADEIA DE SOBREVIVÊNCIA EXTRA-HOSPITALAR (PCREH) CADEIA DE SOBREVIVÊNCIA INTRA-HOSPITALAR (PCRIH) No ambiente intra-hospitalar, diferente do extra-hospitalar, tem-se que o primeiro passo da cadeia de sobrevivência da AHA é reconhecer e realizar uma prevenção precoce, pois dessa forma é possível intervir em potenciais causas de uma PCR. A cadeia de sobrevivência é usada para ressaltar a importância da realização de ações organizadas e hierarquizadas em um caso de provável ou confirmada PCR. Dessa forma, no ambiente extra- hospitalar, o acionamento do Serviço Médico de Emergência é o primeiro passo. L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 28 A parada cardiorrespiratória consiste na cessação súbita da função mecânica cardíaca com consequente colapso hemodinâmico. Dessa forma, o comprometimento do enchimento e da ejeção cardíaca culminam na redução do fornecimento de oxigênio para os órgãos. Como o cérebro não suporta mais do que 4 a 6 minutos de hipóxia, uma consequência da PCR não tratada é a morte cerebral. A desfibrilação seria responsável então por fornecer uma corrente elétrica capaz de reverter a atividade cardíaca, tornando-a novamente síncrona, garantindo a eficiência de bombeamento. Porém, enquanto a desfibrilação não é possível, a RCP é realizada com objetivo de fornecer uma pressão de perfusão mínima suficiente para oxigenar o cérebro e garantir a sobrevida do paciente. PCREH PCRIH L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 29 Avaliar a segurança da cena Checar a responsividade do paciente “Senhor! Senhor! Senhor! O meu nome é Maria, o senhor consegue me ouvir? Pode me explicar o que aconteceu?” Se irresponsivo: delegar funções e acionar SAMU 192 “Você, ligue para a SAMU 192 e peça um DEA!” “Você, me traga um DEA!” Checar pulso central1 e respiração AVALIAÇÃO INICIAL E ACIONAMENTO DO SERVIÇO DE EMERGÊNCIA 1 2 3 4 1Não indicado para leigos! Em ausência de pulso e de respiração (ou respiração em gasping), reforçar pedido de ajuda e do DEA e iniciar reanimação cardiopulmonar precocemente Em presença de pulso e ausência de respiração, adotar protocolo de parada respiratória A avaliação do pulso carotídeo e dos movimentos respiratórios deve ser feita em 10 segundos. Tocar os ombros e chamar o paciente em voz alta. Em seu resumo, propôs um método didático de lembrar dos passos da avaliação inicial: os 5 Cs ( Checa-chama-checa-choca) ● Checar responsividade ● Se irresponsivo, Chamar ajuda ● Checar pulso central e respiração ● Compressões torácicas ● Choque Matheus Dória Silva (matheussilva15.1@bahiana.edu.br) L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) mailto:matheussilva15.1@bahiana.edu.br -menda-se uma profundidade de 5 a 6 cm e uma frequência de 100 a 120 compressões por minuto, organizadas em ciclos de 30 X 2 (30 compressões para cada 2 ventilações). Cada movimento deve ter duração de 1 segundo, semelhante ao ritmo da música “Stayin’Alive” da banda Bee Gees. PÁGINA 30 RCP DE QUALIDADE C DE COMPRESSÕES TORÁCICAS Devem ser feitas com o paciente preferencialmente em decúbito dorsal, sob uma superfície rígida, plana e seca. Com o tórax da vítima exposto, o socorrista deve se ajoelhar ao lado da vítima e colocar a mão nãodominante sobre o dorso da mão dominante, entrelaçar os dedos e, com os braços completamente estendidos, realizar a compressão com a região hipotenar da mão no ⅓ inferior do esterno, utilizando o peso do corpo e não apenas dos braços. É importante garantir que os dedos estejam afastados do gradil costal, evitar o apoio sobre a vítima e garantir o retorno completo do tórax após cada compressão. Reco- A reanimação deve ser feita com base na sequência CAB em associação à desfibrilação, podendo, portanto, ser chamada de CABD. ATENÇÃO As compressões devem ser priorizadas e realizadas mesmo que a ventilação não seja feita. Dessa forma, é essencial evitar interrupções entre as compressões e garantir a sua qualidade. Por isso, em presença de mais de um socorrista, o revezamento pode ser feito a cada 2 minutos ou quando o socorrista cansar. Assim, o MOVEMENTO ASCENDENTE MOVEMENTO DESCENDENTE POSICIONAMENTO PARA REALIZAÇÃO DAS COMPRESSÕES TORÁCICAS L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 31 socorrista que estiver realizando a compressão pode falar “troca” no momento da 27ª compressão, avisando ao outro que deverá trocar de função após a ventilação. Feito isso, é possível seguir para a ventilação com o auxílio da Pocket Mask (máscara unidirecional) ou o AMBU (dispositivo bolsa-válvula-máscara), mais utilizado. Nesse sentido, primeiro é feito o ajuste da máscara à face do paciente, de modo a garantir a vedação e impedir o escape de ar. Para isso, pode ser utilizada a técnica C/E, na qual os dedos médio, anular e mínimo (o “E”) tracionam a mandíbula para cima enquanto o polegar e indicador formam o “C”, pressionando a máscara sob a face da vítima. Fixada a máscara, são feitas 2 ventilações, 1 a cada segundo, de maneira a administrar a quantidade A DE VIAS AÉREAS Antes de realizar a ventilação, é necessário garantir a abertura das vias aéreas para que o ar seja direcionado aos pulmões. Dessa forma, pode ser realizada a manobra chin-lift (elevação do mento) e, em casos de vítimas traumatizadas, a manobra Jaw Thrust (tração da mandíbula), para evitar a hiperextensão cervical de vítimas potenciais de lesão medular. B DE BREATHING MANOBRA DA INCLINAÇÃO DA CABEÇA E ELEVAÇÃO DO QUEIXO. MANOBRA DA INCLINAÇÃO DO ÂNGULO DA MANDÍBULA. VENTILAÇÃO L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 32 Diagnosticada a PCR, uma das primeiras providências é instalar um monitor para obter o ritmo cardíaco. Para isso, usa-se o Desfibrilador Externo Automático (DEA). O aparelho lê o ritmo cardíaco e, se chocável, envia uma corrente elétrica para o coração, mediante comando por parte do operador, com o objetivo de cessar o ritmo anormal e restabelecer as funções elétricas e mecânicas do órgão. Desfibrilação Ritmos chocáveis: •Fibrilação Ventricular (FV) •Taquicardia Ventricular sem pulso (TVSP) Não chocáveis: •Atividade elétrica sem pulso (AESP) •Assistolia Possíveis ritmos encontrados em um paciente que sofreu PCR de ar necessária para que ocorra a expansão torácica. DEMONSTRAÇÃO DA VENTILAÇÃO UTILIZANDO BOLSA-VÁLVULA- MÁSCARA. Manuseio do DEA Liga- se o aparelho e aguarda-se os comandos; L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 33 Pá direita - Abaixo da clavícula direita (verticalmente); Pá esquerda - Região inframamária esquerda, no ápice cardíaco. (horizontalmente) Legenda: A – Taquicardia ventricular sem pulso. B – Atividade elétrica sem pulso. C – Fibrilação ventricular. D – Assistolia. STERNUM APEX Posiciona-se as pás de adulto no tórax desnudo e seco do paciente, sem interromper as compressões; Afasta-se do paciente para o DEA analisar o ritmo cardíaco, indicando ou não o choque. Caso o choque não seja indicado, retornar rapidamente para RCP; Se o choque for indicado, solicite que todos se afastem do contato com o paciente. Dispare o choque quando indicado pelo DEA; L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 34 Caso a vítima retorne ( Tossir, respirar ou se mover); Chegada do suporte avançado de vida (SAV); • Riscos no ambiente; • Exaustão da equipe e não há ninguém para assumir o SBV; • Mudança de prioridades; • Quando existe um grande números de vítimas graves necessitando de atendimento; • Atestado de óbito verificado por um médico; • Durante a análise do ritmo pelo DEA. Tórax molhado Enxuga-se o tórax. Tórax peludo Realiza-se a tricotomia. Adesivo medicamentoso Retira-se o adesivo para evitar o risco de queimadura na administração do choque. Marca-passo Colocar 2-3 dedos abaixo da protuberância visível. Condições especiais para o uso do DEA Quando parar as manobras de SBV? Decapitação; Carbonização; Evisceração (nos casos em que uma grande quantidade de vísceras está para fora); Decomposição; Rigor Mortis (Rigidez Cadavérica). Quando não realizar? Quando declarar o óbito? Paciente intubado, com PaCO2adultos. Contudo, se a criança for pequena e o socorrista julgar necessário, pode- se utilizar apenas uma mão. Já para bebês, deve-se optar pela técnica dos dois dedos. Por fim, em presença de vários socorristas, é possível envolver o tórax com as mãos e executar as compressão com os polegares. Técnica dos 2 dedos Técnica dos polegares Técnica com uma mão L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 38 REFERÊNCIAS: 1. PHTLS, 8° edição; 2. PHTLS, 9° edição (espanhol); 3. PALS, 2017 Se, no ABC rápido, o bebê/criança apresenta pulso, mas não tem respiração, faça de 12 a 20 ventilações/min. Após 2 minutos, acione o serviço de emergência. Caso o bebê/criança apresente um pulso igual ou abaixo de 60bpm e tenha sinais de perfusão inadequada, as compressões devem ser realizadas. Deve-se continuar as ventilações enquanto o paciente não voltar a respirar de maneira adequada. Para fazer as ventilações, o ideal é que seja feito o uso do ambu pediátrico. No entanto, caso só tenha disponível o ambu de adulto, este pode ser utilizado com a base invertida. A frequência de compressão universal em todas as vítimas de PCR é de 100 a 120/min, com uma profundidade de, no mínimo, um terço do diâmetro anteroposterior do tórax. L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 39 OVACE OBSTRUÇÃO DE VIAS AÉREAS POR CORPO ESTRANHO6 INTRODUÇÃO A obstrução de vias aéreas por corpo estranho (OVACE) acontece pela aspiração de qualquer elemento estranho ao corpo, geralmente localizado na laringe ou na traqueia, sendo a causa mais recorrente de emergências respiratórias. Esse corpo estranho (CE) pode ser um objeto pequeno, uma substância, secreções (como sangue, muco, vômito ou saliva) e, até mesmo, a língua - o CE mais comumente responsável pela obstrução em vítimas inconscientes. Assim, a OVACE pode ocorrer tanto nas vias aéreas superiores (VASs) quanto nas inferiores (VAIs). No primeiro caso, o CE pode bloquear as cavidades nasais, oral, faringe e laringe, especialmente no ádito. Já em relação às VAIs, geralmente ocorre na traqueia, podendo migrar para brônquios e pulmões, sendo que a obstrução pode também ser causada por broncoespasmos. RECONHECIMENTO Por ser uma emergência respiratória, é importante que reconheçamos o quanto antes os sinais de uma OVACE, que pode ser um episódio testemunhado ou referido. Para isso, podemos dividi-la em dois tipos: parcial/leve e completa/grave. L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 40 PARCIAL / LEVE COMPLETA / GRAVE Ainda há passagem de ar, podendo ser razoavelmente aberta, viabilizando a vítima a capacidade para responder se está engasgada, além de permitir alguns movimentos que irão facilitar a tentativa de eliminação do CE, como será descrito mais à frente. A passagem do ar estará bloqueada. Ademais, a vítima poderá se apresentar inconsciente ou consciente, mas, nesse último caso, não conseguirá falar. Obstrução parcial Obstrução completa Tosse fraca e improdutiva Fala, murmúrios, tosse ou gritos ausentes Chiado na inspiração Ausência de sons respiratórios Aumento do esforço respiratório Uso da musculatura acessória para tentar respirar Sinal universal da asfixia (mãos agarrando a garganta) Inquietação, ansiedade e confusão progressivas Leve cianose Ausência de resposta ATENDIMENTO DE EMERGÊNCIA PARA VÍTIMAS CONSCIENTES (ADULTOS OU CRIANÇAS) É comum encontrarmos, durante a avaliação clínica de uma vítima consciente com asfixia, devido à obstrução das vias aéreas por corpos estranhos, estado de pânico e posicionamento vertical (em pé). Tendo em vista a dificuldade que o indivíduo se encontra para respirar, é importante, a priori, assegurar à vítima de que você está capacitado a ajudá-la. L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) Se necessário, para crianças, o socorrista deve se ajoelhar ao nível dos pés da vítima. PÁGINA 41 Dessa forma, tanto para vítimas adultas quanto crianças, consideraremos a seguinte abordagem: I. Situe-se em pé, atrás da vítima, e coloque seus braços ao redor do abdome dela (na altura da crista ilíaca). II. Posicione uma das mãos fechada, com a face do polegar encostada na parede abdominal, entre o apêndice xifóide e a cicatriz umbilical do indivíduo. O punho e os braços não devem, de forma alguma, entrar em contato com as costelas. Acalmar o paciente e incentivar tosse vigorosa. Não interferir, com a realização de manobras de desobstrução, enquanto o indivíduo for capaz de falar, tossir com força ou respirar adequadamente. Monitorar e oferecer suporte de O2, se necessário. Caso evolua para obstrução grave, caracterizado pela incapacidade de falar e com pouca ou nenhuma respiração, aplicaremos a manobra de Heimlich: L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 42 III. Com a outra mão espalmada sobre a primeira, comprimir o abdome em movimentos rápidos, direcionados para dentro e para cima (movimento em forma de “j”). Prossiga repetidamente até que a vítima possa falar ou fique inconsciente. ATENÇÃO Indicativo de gravidade do quadro. Iniciar Manobra de Heimlich. SINAL UNIVERSAL DA ASFIXIA Pergunte à vítima: Se a pessoa acenar sim com a cabeça e não conseguir falar, tossir ou respirar adequadamente, isso sugere obstrução grave das vias respiratórias e necessidade de assistência. “Você está engasgado?” L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 43 OBSERVAÇÃO Em certas literaturas e protocolos, são realizadas manobras de golpes nas costas. Em consonância a essas bibliografias: 1) Posicione-se ao lado ou ligeiramente atrás da vítima. Coloque um braço atravessado na frente do tronco da vítima para dar apoio. Incline a vítima para a frente; 2) Com a palma da mão, bata com firmeza 5 vezes em sucessões rápidas entre as escápulas da vítima; 3) Se as batidas nas costas forem ineficazes, realize cinco compressões abdominais (Heimlich); 4) Caso o objeto não seja desalojado, prossiga com cinco batidas nas costas e cinco compressões abdominais, até que a vítima possa falar ou ficar inconsciente. CASOS EM QUE A VÍTIMA SE ENCONTRAR SOZINHA E SUFOCANDO: Realizar compressões abdominais em si mesmo inclinando-se para a frente e pressionando seu abdome contra o encosto de uma cadeira ou algum outro objeto semelhante. AUTOADMINISTRAÇÃO DE COMPRESSÃO NO ABDOME L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 44 ATENDIMENTO DE EMERGÊNCIA PARA VÍTIMAS INCONSCIENTES OU QUE PERDEM A CONSCIÊNCIA Nesse tópico abordaremos os casos em que: uma vítima consciente torna-se inconsciente enquanto o atendimento de emergência para desobstrução das vias aéreas está em andamento, ou a vítima já se encontra previamente irresponsiva. Para essa última situação, vamos considerar obstrução quando o indivíduo, além de não apresentar sinais vitais, também não consegue ser ventilado pelo socorrista mesmo após reposicionamento das vias aéreas. Todavia, qualquer que tenha sido a situação, a conduta permanecerá a mesma: Não force nenhum objeto para dentro das vias aéreas da vítima e não tente remover nada que não esteja visualmente localizado. Posicionamento do paciente em decúbito dorsal em uma superfície rígida, colocando sua cabeça inclinada para trás, a fim de facilitar ventilação. Realização da técnica de RCP, objetivando de remoção do corpo estranho (30 compressões torácicas). Em adultos, as pressões exercidas devem atingir, pelo menos, uma profundidade de 5 cm. Já em crianças, equivale a 1/3 da profundidade do tronco. Procurar por sinais dentro da boca da vítimaque indiquem que a obstrução tenha sido desalojada. Se algo for visualizado, remova utilizando dedo em gancho ou em pinça. L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 45 OBSERVAÇÃO No suporte avançado de vida, caso não haja sucesso com as compressões e insuflações, pode-se tentar a visualização direta por laringoscospia e a remoção com a utilização da pinça de Magil. Além disso, como medidas mais emergenciais, pode se tentar a ventilação transtraqueal (cricotireoidostomia por punção). CURIOSIDADE: A justificativa para o uso de compressões torácicas se dá pelo fato de gerarem uma via aérea com maior pressão quando comparadas às compressões abdominais. Além de ser uma técnica de potencial alívio obstrutivo, as compressões torácicas fornecem aumento do débito cardíaco. Tente aplicar respirações de resgate. Realizar 1 insuflação: Se o ar entrar, checar o pulso. Se o ar não passar ou o tórax não expandir, reposicionar a cabeça e insuflar novamente. Permanecendo dessa forma, continue com os ciclos de 30 compressões torácicas, com a busca por objetos desalojados e com as tentativas de ventilação. Considerar o transporte imediato mantendo as manobras básicas de desobstrução. L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 46 ATENDIMENTO DE EMERGÊNCIA PARA VÍTIMAS OBESAS OU GRÁVIDAS As manobras citadas acima se aplicam com uma maior dificuldade em vítimas obesas e gestantes, configurando assim condições especiais para realização dessas compressões. Nesse sentido, uma vez que a circunferência abdominal dessas vítimas se encontra aumentada (local de usual posicionamento do socorrista para aplicação da técnica de Heimlich), o atendente pode não ser capaz de colocar seus braços ao redor da região para realizar as compressões. Além disso, outras razões também invalidam a aplicação das compressões na região abdominal para vítimas obesas ou grávidas, uma vez que: No obeso, compressões na região abdominal já não seriam efetivas por conta do espesso panículo adiposo da localidade. Na gestante, a execução da manobra na região abdominal pode levar à indução das contrações uterinas e, consequentemente, do parto. Diante dessas situações, aplicaremos a mesma técnica, contudo ao redor do tronco em vez do abdome (compressões torácicas). Assim, para realização da compressão em uma vítima consciente: Fique em pé atrás da vítima com seus braços diretamente sob as axilas da vítima e envolva o tórax dela com os seus braços. L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 47 ATENDIMENTO DE EMERGÊNCIA PARA VÍTIMAS BEBÊS Sabe-se que a anatomia do bebê é proporcionalmente inferior as das vítimas citadas acima. Logo, compressões abdominais nessas vítimas podem ocasionar lesões significativas nos órgãos da região e, por isso, são contraindicadas. Como técnica alternativa, faremos uma combinação de compressões torácicas e batidas nas costas (tapotagem). Posicione o punho, pelo lado do polegar, na linha mediana do esterno da vítima; assegure-se de que não está sobre as costelas. Segure o punho firmemente com a outra mão e impulsione de maneira brusca para trás, sem ser em “J” De forma facultativa, pode-se alternar as compressões torácicas com as batidas nas costas para a vítima consciente. Realize 30 compressões, como já descrito neste capítulo, em vítimas irresponsivas ou que evoluírem para irresponsividade. L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 48 OBSERVAÇÃO Nunca coloque o dedo na garganta de um bebê consciente para retirar corpos estranhos; se o bebê estiver inconsciente, faça a remoção apenas se conseguir enxergar o objeto. Uma varredura cega com o dedo como meio de remover material sólido invisível pode piorar a obstrução das vias aéreas ou causar lesões nos tecidos moles. A tentativa de retirada com os dedos é viável apenas quando o corpo estranho pode ser claramente visto na boca. Para obstruções causadas por corpos estranhos em bebês: Coloque o bebê no braço com a face para baixo, em um nível inferior ao do tronco, formando um ângulo de aproximadamente 60 graus. Apoie a cabeça e o pescoço do bebê na mão e ponha o antebraço na coxa para garantir firmeza. Posicione o punho, pelo lado do polegar, na linha mediana do esterno da vítima; assegure-se de que não está sobre as costelas. L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 49 Apoiando a cabeça do bebê, envolva-o entre as mãos e vire-o de costas, mantendo a cabeça mais baixa que o tronco. Coloque o bebê sobre a coxa ou no colo. Posicione os dedos anelar e médio da outra mão no terço inferior do esterno do bebê, aproximadamente um dedo abaixo de uma linha imaginária entre os mamilos. Dê até cinco impulsos rápidos no tórax, pressionando-o direto para trás. Repita o ciclo de batidas nas costas e compressões torácicas até que o objeto seja expelido ou até que o bebê perca a consciência. Se o bebê estiver ou ficar inconsciente, use uma elevação de língua-maxilar delicada para abrir a boca. Se conseguir ver o objeto que está causando a obstrução, remova-o com o dedo mínimo. Tente a respiração de resgate. Se o tórax do bebê não subir e descer, continue a sequência de cinco compressões torácicas, verificação do corpo estranho, remoção do corpo, se puder vê-lo, e uma respiração de resgate. Caso o bebê esteja inconsciente, não fazer tapotagem, fazer somente compressões e ventilação. L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) Estar atento à ocorrência de PR ou PCR. PÁGINA 50 SE LIGUE! É comum ocorrer, com mais frequência em crianças, corpos estranhos alojados no nariz. Eles podem provocar dores, coriza e crises de espirro, além de irritações caso não sejam removidos imediatamente. É vedado o uso de instrumentos como pinça, tesoura, grampo ou similares para retirada do corpo estranho. Conduta: CUIDADOS POSTERIORES E ENCAMINHAMENTO PARA REVISÃO MÉDICA Após aplicada as abordagens específicas para cada caso de obstrução de vias aéreas por corpos estranhos: Manter a vítima calma, cuidando para que não inale o corpo estranho. Não permitir que a vítima assoe com violência. A vítima deverá aspirar calmamente pela boca, enquanto se aplicam as manobras para expelir o corpo estranho. Comprimir com o dedo a narina não obstruída da vítima e pedir para que assoe, sem forçar, pela narina obstruída. Se, feito o procedimento, o corpo estranho permanecer na narina do indivíduo ou não puder sair com facilidade, procurar auxílio médico imediatamente. L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 51 Realizar contato com a Regulação Médica e passar os dados de forma sistematizada. Aguardar orientação da Regulação Médica para procedimentos e/ou transporte para a unidade de saúde. * Em caso de suporte avançado de vida, realizar contato com a Regulação Médica para definição do encaminhamento e/ou unidade de saúde de destino. Ademais, mesmo depois de um tratamento bem sucedido da obstrução, o material estranho pode permanecem nas vias aéreas e causar eventuais complicações. Logo, vítimas com tosse persistente, dificuldade de engolir e/ou sensação de objeto ainda presente na garganta devem, portanto, ser encaminhadas para um parecer médico. Além disso, compressões abdominais e torácicas podem causar graves lesões internas e, por isso, todas as vítimas tratadas com sucesso com essas medidas devem ser examinadas por um profissional qualificado. FLUXOGRAMA/TABELA RESUMO DOS PROCEDIMENTOS PARA AS VIAS AÉREA Adulto (12 anos ou mais) Criança (1 ano até cerca de 12 anos) Bebê (nascimentoa 1 ano) Obesos ou gestantes MANOBRAS PARA VIAS AÉREAS OBSTRUÍDAS Compressões abdominais (responsivo), RCP (não responsivo) Compressões abdominais (responsivo), RCP (não responsivo) Batidas nas costas e compressões torácicas (responsivo), RCP (não responsivo) Compressões torácicas (responsivo), RCP (não responsivo) Tabela 1 - Resumo dos procedimentos para as vias aérea L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 52 Tabela 2 Comparação entre diretrizes de RCP Cruz Vermelha Americana (ARC) e American Heart Association (AHA)* Procedimento Socorrista leigo certificado pela Cruz Vermelha Americana Profissional de saúde da American Heart Association Obstrução de vias aéreas por corpo estranho (OVACE): adulto e criança. 5 batidas nas costas e 5 compressões abdominais (vítima consciente); 30 compressões torácicas (vítima inconsciente). Compressões abdominais (vítima responsiva); RCP (vítima não responsiva). Obstrução de vias aéreas por corpo estranho (OVACE): bebês. 5 batidas nas costas e 5 compressões torácicas (vítima consciente); 30 compressões torácicas (vítima inconsciente). Batidas nas costas e compressões torácicas. * Baseado nas diretrizes revisadas de 2010. Tabela retirada do livro Primeiros Socorros para Estudantes: 10ª edição. EXTRA: Obstrução traumática das vias aéreas em ambiente tático É tipicamente resultante de trauma na face ou pescoço, tendo o sangue como o fator obstrutivo. Nesses casos, a vítima está autorizada a assumir qualquer posição que a permita respirar com maior facilidade, incluindo sentado, se necessário. Vítimas conscientes com traumas maxilo-faciais são capazes de proteger suas próprias vias aéreas sentando-se e inclinando-se para a frente e, assim, o sangue será drenado para fora da boca. L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 53 ao invés de descer para a via aérea. Por isso, não devem ser forçadas a adotar uma posição deitada e supina. Contudo, caso a posição sentada e inclinada para a frente não for viável ou não fornecer uma via aérea aceitável, uma via aérea cirúrgica (cricotireoidostomia) será preferível à intubação. Ela poderá ser realizada sob anestesia local com lidocaína, mesmo que a vítima esteja acordada. REFERÊNCIAS: 1. American Red Cross: Focused Updates and Guidelines, 2020 2. Brasil, Ministério da Saúde. Fundação Oswaldo Cruz. FIOCRUZ. Vice-Presidência de Serviços de Referência e Ambiente. Núcleo de Biossegurança. NUBio. Manual de Primeiros Socorros. Rio de Janeiro, 2003. 3. Ministério da Saúde; SAMU. Protocolos de Suporte Básico de Vida. 2014. 4. Ministério da Saúde; SAMU. Protocolos de Suporte Avançado de Vida. 2014. 5. Primeiros Socorros para Estudantes. 10ª edição 6. APH Resgate – Emergência em Trauma 7. European Resuscitation Council Guidelines 2021: Basic Life Support L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) Anualmente, aproximadamente 6,5 a 8,5 milhões de pessoas são vítimas de parada cardiorrespiratória (PCR) no mundo, sendo que aproximadamente metade das vítimas tem menos de 65 anos. Cerca de 70% das PCRs são extra- hospitalares (PCREH) e 80% se apresentam como fibrilação ventricular (FV) ou taquicardia ventricular sem pulso (TVsp). A principal etiologia da PCR é o infarto agudo do miocárdio. L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 54 SUPORTE AVANÇADO DE VIDA 7 INTRODUÇÃO “A PCR é a ausência de atividade mecânica cardíaca, que é confirmada pela ausência de pulso detectável, paciente não reativo e apneia ou respiração agônica e ofegante.” - ACLS Conceito que apresenta uma problema cardíaco e envolve: Ressuscitação cardiopulmonar (RCP) de alta qualidade; Desfibrilação; Dispositivos de via aérea avançada e oxigênio; Acesso venoso e drogas; Dispositivos de compressão mecânica; Dispositivos de oxigenação por membrana extracorpórea O suporte avançado de vida em cardiologia (ACLS, advanced cardiac life support) constitui uma abordagem ordenada para prestar cuidados de emergência avançada a um paciente Objetivos do SAV Direcionar ou realizar avaliação inicial do paciente; Identificar barreiras comuns a RCP eficaz; Identificar as ações que podem ser tomadas para superá-las. A IMPORTÂNCIA DA EQUIPE NO SAV L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 55 Para prestar um atendimento de qualidade e eficaz à vítima em parada cardiorrespiratória a equipe precisa ter funções bem estabelecidas e habilidades que vão além do conhecimento técnico. Toda equipe deve ter um líder, cujo papel é: • Organizar o atendimento e coordenar o grupo; • Monitorizar a atuação de cada membro em cada função (prestar assistência à equipe); • Ter postura adequada, fala clara e objetiva. Já os membros devem: • Ter clareza de suas atribuições; • Estar preparados para cumprir com êxito suas responsabilidades; • Conhecer os algoritmos; • Ter compromisso com o êxito. Em um cenário delicado e caótico como o do APH, pequenos detalhes podem comprometer a dinâmica do atendimento, portanto elementos importantes para atuação em equipe são: Respeito mútuo Comunicação em alça fechada* Uso de mensagens claras Funções e responsabilidades bem definidas Resumir e reavaliar o atendimento O líder deve aceitar intervenções construtivas da equipe Debriefing Reconhecer limitações A depender da literatura estudada, a PCR pode ser dividida em 3 fases (elétrica, hemodinâmica e metabólica) ou em 4 fases (pré- parada, sem fluxo, fluxo lento, pós- ressuscitação). Essas fases se referem tanto à progressão do paciente quanto aos cuidados que devem ser instituídos. FISIOLOGIA DA PCR *confirmar a orientação, repetindo-a em voz alta L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 56 Fase Características Manejo Elétrica Período inicial da PCR, nos primeiros 4 a 5 minutos, geralmente em FV Desfibrilação imediata e RCP de alta qualidade Hemodinâmica Período de 4 a 10 minutos após PCR. Representa a depleção dos substratos para um adequado metabolismo Desfibrilação e RCP de alta qualidade Metabólica Período que sucede 10 minutos de PCR, e é representada por acidose e disfunção celular graves. O tratamento é primariamente baseado em cuidados pós-parada cardíaca. Se nessa fase não ocorrer o retorno da circulação espontânea, as chances de sobrevivência caem drasticamente. Fase Intervalo Enfoque nos cuidados Pré-parada Período prévio à parada Identificar, antecipar e manejar fatores que podem levar a PCR Sem fluxo Parada cardíaca não tratada Início imediato do SBV após o reconhecimento da parada por indivíduo que se encontre próximo do paciente ou por profissional de saúde. Fluxo lento Início da ressuscitação cardiopulmonar Realização de compressões torácicas de elevada qualidade para otimizar a perfusão miocárdica e cerebral. Pós-ressuscitação Recuperação de circulação espontânea Identificar e tratar a causa da parada, preservar as funções neurológicas, a perfusão e a função de órgãos-alvo. Adaptado de Medicina de Emergência: Abordagem Prática, 14° ed. Adaptado de ACLS: Suporte Avançado de Vida em Cardiologia, 5° ed. L I G A A C A D Ê M I C A D E E M E R G Ê N C I A S P R É - H O S P I T A L A R E S ( L A E P H ) PÁGINA 57 Inicialmente, quando se identifica ou suspeita-se de uma PCR, o manejo instituído segue o protocolo do suporte básico de vida (SBV), assim, deve- se: 1. Avaliar a responsividade da vítima; 2. Acionar o SAMU/carrinho de parada (PCRIH); 3. Checar pulso e respiração; 4. Iniciar RCP de qualidade; 5. Desfibrilação