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1 @sarahellen_figueredo Afecções do útero, vagina e vulga Principais afecções do colo uterino O colo do útero é constituído de epitélio colunar, o qual reveste o canal endocervical, e de epitélio escamoso, que cobre a ectocérvice. O ponto de encontro é denominado junção escamocolunar (JEC). A JEC não é restrita ao orifício externo. Trata-se de um limite dinâmico, que se modifica na puberdade, gravidez e na menopausa em relação à estimulação hormonal. A metaplasia avança internamente, a partir da JEC original, em direção ao orifício externo e sobre as vilosidades colunares, para estabelecer a zona de transformação. Ela se estende da JEC original até a JEC fisiologicamente ativa, demarcada pela última glândula (mais caudal). À medida que amadurece, o epitélio metaplásico na zona de transformação começa a produzir glicogênio e, por fim, assemelha-se ao epitélio escamoso original, tanto na colposcopia como no exame histológico. A metaplasia avança internamente a partir da junção escamocelular (JEC), em direção ao orifício externo sobre as vilosidades colunares para estabelecer a zona de transformação. Normalmente, a neoplasia intraepitelial cervical (NIC) originase na zona de transformação, na JEC que avança. O lábio anterior do colo do útero tem 2 vezes mais probabilidade de desenvolver NIC do que o lábio posterior, e a NIC raramente se origina nos ângulos laterais. Uma vez presente, a NIC pode progredir em direção horizontal, acometendo toda a zona de transformação; todavia, ela habitualmente não substitui o epitélio escamoso original. Essa progressão resulta habitualmente em NIC com borda externa nítida. Proximalmente, a NIC acomete as criptas endocervicais, e essa área tende a apresentar as lesões mais graves de NIC. Toda a JEC com células metaplásicas iniciais é suscetível a fatores oncogênicos, que podem provocar transformação dessas células em NIC. As alterações associadas à NIC têm mais probabilidade de começar durante a menarca ou após a gravidez, quando a metaplasia é mais ativa. Por outro lado, após a menopausa, a mulher sofre pouca metaplasia e corre menor risco de desenvolver NIC em consequência de infecção pelo de novo papilomavírus humano (HPV). A infecção pelo HPV ocorre, em geral, por meio de contato sexual e por meio de relação sexual, em particular. Embora diversos agentes tenham sido estudados, incluindo espermatozoides, histonas do líquido seminal, trichomonas, clamídias e herpes-vírus simples, já está bem estabelecido que a infecção pelo HPV (oncogênico) de alto risco constitui o principal fator de risco no desenvolvimento da NIC.| HPV A infecção pelo HPV constitui a causa primária do câncer do colo do útero e suas lesões precursoras. Embora o HPV seja o agente causal de vários cânceres, a maior parte da atenção se concentra no câncer de colo uterino, que é o segundo câncer mais comum nas mulheres do mundo todo. Mais de 500 mil mulheres são diagnosticadas e 275 mil morrem anualmente por câncer de colo uterino invasivo. Mais de 85% dos casos de câncer do colo uterino e das mortes ocorrem em mulheres que vivem em países de baixa renda, especialmente na África Subsaariana, na Ásia e nas Américas do Sul e Central. 2 @sarahellen_figueredo Além dos cânceres de colo uterino e ânus, o HPV foi associado aos cânceres de vulva e vagina em 50 a 70% dos casos; do pênis, causado por HPV em 50% dos casos; e pelo menos 65% dos casos de carcinoma espinocelular de orofaringe (CECOF). Papilomavirus Os papilomavírus são vírus de DNA. Atualmente, são conhecidos por volta de 150 subtipos. Destes, 1/3 é responsável pelas infecções do sistema genital nos seres humanos. Seis genes (E1, E2, E4, E5, E6 e E7) regulam a replicação viral, porém somente E6 e E7 estão envolvidos na oncogênse. Os HPVs são classificados de acordo com seu potencial oncogênico. Há 12 subtipos categorizados como de alto risco, ou seja, associados ao desenvolvimento das lesões de alto grau e invasoras. O HPV é um vírus de elevada transmissibilidade e representa uma das principais infecções sexualmente transmissíveis, principalmente em países em desenvolvimento.6 O papilomavírus humano é subdividido em: HPV de baixo risco, A ou I (tipos 6, 11, 42, 43, 44), relacionados com lesão de baixo grau e verrugas genitais; HPV de alto risco, B ou II (tipos 16, 18, 31, 33, 35, 39, 45, 52, 56, 58 e 59), relacionados com lesão de baixo e alto graus e câncer cervical. Os subtipos de alto risco mais frequentes são o HPV-16 e o HPV-18, encontrados em aproximadamente 70% das neoplasias cervicais. transformação maligna exige a expressão das oncoproteínas E6 e E7 do HPV. A contaminação pelo vírus HPV é muito frequente. Cerca de 80% da população feminina entrará em contato com o vírus pelo menos uma vez na vida. Destas, a grande maioria não terá desenvolvimento de lesões. No entanto, em 10 a 20% dos casos, a infecção é persistente, com maior chance de evolução para lesões precursoras e/ou invasivas. Em geral, as infecções pelo HPV são transitórias, e as que persistem podem permanecer latentes durante muitos anos. A maioria das mulheres expostas não apresenta evidências clínicas de doença, e a infecção é eventualmente suprimida ou eliminada. Outras mulheres exibem lesões cervicais de baixo grau que, em sua maioria, regridem de maneira espontânea. Na grande maioria dos casos, a infecção pelo HPV desaparece em 9 a 15 meses. Uma pequena minoria de mulheres expostas ao HPV desenvolve infecção persistente que pode progredir para a NIC. A infecção pelo HPV de alto risco e persistente aumenta em 300 vezes o risco de doença de alto grau e é necessária para o desenvolvimento e a manutenção da NIC. Os fatores que podem desempenhar um papel na persistência e na progressão incluem tabagismo, uso de contraceptivos, infecção com outras doenças sexualmente transmissíveis ou nutrição. Qualquer fator capaz de influenciar a integração do DNA do HPV no genoma humano pode contribuir para a progressão para a doença invasora. Processo de infecção O HPV atinge queratinócitos basais depois que microtraumas tenham exposto essas células ao vírus. O ciclo de replicação do HPV é completado enquanto os queratinócitos sofrem diferenciação. Os vírions são montados no núcleo dos queratinócitos diferenciados e podem ser detectados com microscopia eletrônica. A infecção é transmitida por contato com o vírus contido nesses queratinócitos descamados (ou com vírus livre) de indivíduos infectados. Diferentemente de muitas infecções virais o HPV não tem fase de viremia. Essa ausência de viremia pode justificar a resposta incompleta de anticorpos à infecção pelo HPV. A infecção natural do trato genital por HPV dá origem à resposta sérica de anticorpos em apenas 60 a 70% dos indivíduos. A presença de anticorpos neutralizantes está associada a uma proteção significativa, ainda que incompleta, contra reinfecção tipo-específica. Os anticorpos séricos provavelmente alcançam o epitélio e as secreções do colo uterino por transudação e exsudação. Portanto, a proteção contra infecção está relacionada com a quantidade de anticorpos neutralizantes no local da infecção e perdura enquanto os níveis de anticorpos neutralizantes forem suficientes. A resposta imune celular tem participação importante no controle da evolução da infecção pelo HPV. O exame histológico das lesões em indivíduos que evoluem com regressão de verrugas genitais revela infiltração de células T e macrófagos. A regulação de células T CD4+ é particularmente importante no controle das infecções por HPV, como evidenciado pelas taxas maiores de infecção e de doença nos indivíduos imunossuprimidos, em particular aqueles com infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV). Apresentação clínica O HPV infecta a uretraApresenta efeitos colaterais locais como corrimento vaginal, prurido, queimação, dor, úlceras, irritação e dispareunia. Ácido tricloroacético (50%): aplicado 1 vez por semana pelo período de 1 a 4 semanas. Uso criterioso por apresentar efeitos colaterais locais, como queimação, dor, úlceras, irritação e dispareunia. Semelhante a outras doenças relacionadas ao HPV, o manejo das neoplasias intraepiteliais vaginais requer acompanhamento de longo prazo, independentemente da modalidade de tratamento, pelo risco de recorrência e progressão para doença invasora. O acompanhamento é semestral durante dois anos, e depois anual. Após o teste HPV negativo ou duas citologias consecutivas negativas, a paciente pode voltar ao controle anual. Caso esses testes sejam positivos, a paciente deve ser submetida à colposcopia e, em casos de achados anormais, deve ser realizada biópsia. Câncer de vagina O câncer de vagina é uma rara malignidade ginecológica que representa apenas 1 a 2% de todas as neoplasias ginecológicas. A incidência estimada de câncer de vagina invasivo é de 0,42 por 100 mil mulheres e permaneceu relativamente inalterada desde a década de 1980. O câncer de vagina é uma doença de mulheres mais velhas, com ocorrência de pico durante a 6a e a 7a décadas de vida. No início, o carcinoma vaginal de células escamosas espalha-se superficialmente, mas várias mulheres são diagnosticadas com doença metastática. Os locais frequentes de metástases são pulmões e fígado. Adenocarcinomas diferem de doença escamosa, uma vez que têm um pico entre 17 e 21 anos de idade e frequentemente a metástase ocorre para pulmão e nódulos supraclavicular ou pélvico. O adenocarcinoma de células claras é raro e ocorre mais comumente em pacientes com menos de 30 anos de idade; geralmente são associados com adenose. Adenose é a anormalidade histológica mais comum observada em mulheres expostas a dietilestilbestrol (DES) no útero. Os fatores de risco para o carcinoma escamoso vaginal são: 5 ou mais parceiros sexuais, primeira relação sexual antes de 17 anos de idade, fumo, baixo status socioeconômico, histórico de verrugas genitais, passado de citologia anormal e histerectomia. A hemorragia e a descarga vaginal indolor são os sintomas mais comuns do câncer de vagina. Nos tumores mais avançados, ocorrem retenção urinária, dor, hematúria e frequência de micção. Tumores desenvolvidos na parede vaginal posterior podem produzir sintomas retais, como tenesmo, constipação intestinal ou sangue nas fezes. Aproximadamente 5% das pacientes têm dor pélvica como resultado de uma extensão da doença além da vagina, e aproximadamente 5 a 10% das pacientes não apresentam 19 @sarahellen_figueredo sintomas, sendo a doença detectada no exame pélvico rotineiro e no exame Papanicolau. O diagnóstico inclui histórico completo e exame físico. Em lesões precoces de células escamosas, o diagnóstico é sugerido por um resultado anormal do esfregaço de Papanicolau em pacientes com histerectomia prévia ou doença cervical invasiva relacionada ao HPV. No entanto, isso não é verdade para os adenocarcinomas de células claras, que geralmente são caracterizados pelo crescimento submucoso. Nestes casos, o diagnóstico é confirmado por uma biopsia sob anestesia local. A colposcopia é um valioso método de avaliação para pacientes com sangramento vaginal sem explicação, com teste de Papanicolau anormal ou lesão eritematosa ulcerada na região superior da vagina. Estadiamento O sistema de estadiamento para câncer de vagina é baseado em critério clínico. Doenças de estádio I são limitadas à parede vaginal; doenças de estádio II envolvem o tecido subvaginal, mas não se estendem para a parede pélvica; tumores de estádio III estendem-se para a parede pélvica; e tumores de estádio IV estendem-se além da pelve ou envolvem a mucosa da bexiga ou do reto A FIGO recomenda a adaptação do tratamento com base no estádio da doença e no local do envolvimento vaginal. - O estádio I é definido como um tumor limitado à mucosa vaginal. O carcinoma vaginal estádio I pode ser adequadamente tratado com radioterapia, com ou sem cirurgia. A taxa de comprometimento linfonodal, no estádio I da FIGO, é relativamente baixa, variando de 6 a 16%. No terço superior da parede posterior, na parede lateral, faz-se histerectomia total + linfadenectomia pélvica + colpectomia, com avaliação das margens. Para lesões no terço inferior, realizam-se vulvovaginectomias e linfadenectomias inguinais. Se tiver margens positivas, indica-se radioterapia complementar. Se tiver recidiva central pós-radioterapia ou na terapia primária, pode-se fazer a exenteração quando não há lesão fixa no osso. - No estádio II da FIGO de câncer de vagina, a neoplasia envolve o tecido subvaginal, mas não se estende para a parede pélvica. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer, a radioterapia é um tratamento padrão. A estratégia de tratamento mais comumente adotada é a combinação de braquiterapia e radioterapia externa no tratamento do tumor primário. A estratégia mais comum de tratamento para o câncer de vagina estádio II é a combinação de braquiterapia e radioterapia externa para o tumor primário. Pacientes selecionadas podem ser tratadas via cirurgia radical (vaginectomia radical ou exenteração pélvica). 20 @sarahellen_figueredo Quimioterapia neoadjuvante seguida de cirurgia radical é uma alternativa válida para o padrão de tratamento. - O estádio III da FIGO é definido como um tumor estendido para a parede pélvica. A FIGO não especifica como os tumores devem ser classificados quando os nódulos inguinais são clinicamente positivos. A American Cancer Society sugeriu um sistema de estadiamento TNM que classifica as pacientes com metástases inguinais unilaterais como N1 (estádio III) e aquelas com nódulos bilaterais como N2 (estádio IVA), mas este sistema é raramente utilizado. Todas estas pacientes requerem tratamento com irradiação de feixe externo. - Tumores de estádio IV são extremamente raros. O estádio IV da FIGO é definido como um tumor que se estende para além da pelve verdadeira ou envolve a mucosa da bexiga ou do reto. O estádio IVA é a propagação da doença para órgãos adjacentes, e o estádio IVB é a propagação da doença para órgãos distantes. A combinação de radioterapia intersticial, intracavitária e de radioterapia de feixe externo é o tratamento de escolha para pacientes com doença em estádio IVA com taxa de sobrevida em 5 anos de 0 a 62%. A combinação de radioterapia intersticial, intracavitária e radioterapia de feixe externo é o tratamento de escolha para pacientes com doença em estádio IVA. Quimioterapia e radioterapia simultâneas foram sugeridas. Gonorreia DST de notificação compulsória causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae. O gonococo é um diplococo Gram- negativo piogênico (i. e., formador de pus). A transmissão geralmente ocorre por relações sexuais, exceto nos casos de transmissão perinatal. Em muitos casos, a infecção evidencia-se 2 a 7 dias depois da exposição. Nos casos típicos, a gonorreia começa na uretra anterior, nas glândulas uretrais acessórias, nas glândulas de Bartholin ou Skene e no colo do útero. Se não for tratada, a gonorreia espalha-se dos focos iniciais para os segmentos proximais do sistema geniturinário. Manifestações clínicas Os pacientes com gonorreia podem ser assintomáticos e disseminar involuntariamente a doença para seus contatos sexuais. Nas mulheres, os sinais e sintomas perceptíveis são secreção urinária ou genital incomum, disúria, dispareunia, dor ou hipersensibilidade pélvica, sangramento vaginal diferente (inclusive sangramento depois de relações sexuais), febre e proctite. Os sintomas podem ocorrer ou piorar durante ou pouco depois das menstruações, porquea bactéria é um diplococo intracelular que prolifera no sangue menstrual, mas não consegue sobreviver muito tempo fora do corpo humano. Também podem ocorrer infecções do útero e formação de focos infecciosos agudos ou crônicos nas tubas uterinas (i. e., salpingite), que por fim causam retrações fibróticas e esterilidade Diagnóstico O diagnóstico se baseia na história de exposição sexual e nos sintomas referidos e pode ser confirmado pela demonstração do microrganismo por coloração com Gram ou cultura. Em geral, a coloração pelo Gram é uma técnica eficaz para diagnosticar homens sintomáticos (i. e., que apresentam secreção uretral). Nas mulheres e nos homens assintomáticos, a cultura geralmente é preferível porque a coloração pelo Gram frequentemente não fornece resultados confiáveis. Cultura é o padrão de referência, principalmente quando a coloração pelo Gram não é conclusiva. Uma amostra deve ser obtida do local apropriado (i. e., endocérvice, uretra, canal anal ou orofaringe), inoculada em um meio adequado e transportada em condições controladas. Tratamento Considerando-se a possibilidade de associação da N. gonorrhoeae e C. trachomatis e a dificuldade prática do diagnóstico, recomenda-se o tratamento de ambas. Ciprofloxacina 500 mg, VO, DU + azitromicina 500 mg, 2 comprimidos, VO, DU; ou ceftriaxone 500 mg, IM, DU + azitromicina 500 mg, 2 comprimidos, VO, DU. Ciprofloxacina é contraindicada em gestantes e menores de 18 anos, sendo a ceftriaxona o medicamento de escolha. Ciprofloxacina está contraindicada nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, substituindo o tratamento pela ceftriaxona, em razão da circulação de cepas de gonococos resistentes. Na indisponibilidade de ceftriaxona, usar a cefotaxima 1.000 mg, IM, DU. 21 @sarahellen_figueredo Infecções por Chlamydia As infecções por Chlamydia são as DST mais prevalentes nos EUA, com incidência estimada em mais de duas vezes maior que a da gonorreia. Chlamydia trachomatis é um patógeno bacteriano exclusivamente intracelular, que tende a ser muito menor que a maioria das bactérias As clamídias podem ser subdivididas sorologicamente em tipos A, B e C, que estão associados ao tracoma e à ceratoconjuntivite crônica; tipos D a K, que estão relacionados com as infecções genitais e suas complicações; e os tipos L1, L2 e L3 associados ao linfogranuloma venéreo. Manifestações clínicas Os sinais e sintomas da infecção por clamídia são semelhantes aos da gonorreia. A diferença mais significativa entre as salpingites causadas por gonorreia e clamídia é que esta última pode ser assintomática ou clinicamente inespecífica. Quando as mulheres são assintomáticas, a queixa mais comum é secreção cervical mucopurulenta. O colo do útero frequentemente está hipertrofiado e torna- se eritematoso, edemaciado e extremamente friável. Isso pode agravar a lesão das tubas uterinas e aumentar o reservatório para infecções subsequentes por esse microrganismo. Diagnóstico e tratamento O diagnóstico das infecções por Chlamydia pode ser firmado de várias formas. A demonstração de leucócitos polimorfonucleares na coloração da secreção peniana corada pelo método de Gram, ou da secreção cervical, constitui evidência presuntiva. O teste com anticorpo fluorescente direto e o ensaio imunossorvente ligado a enzima, que utilizam anticorpos dirigidos contra um antígeno da parede celular da Chlamydia, são exames rápidos e altamente sensíveis e específicos. O valor preditivo positivo desses exames é excelente nos grupos de alto risco, mas resultados positivos falsos ocorrem com mais frequência nos grupos de baixo risco. As dificuldades metodológicas envolvidas na cultura desse microrganismo levaram ao desenvolvimento de testes não baseados em cultura, que amplificam e detectam sequências específicas do DNA e do RNA da C. trachomatis. Uma das técnicas mais recentes que não dependem de cultura são os testes de amplificação do ácido nucleico (NAAT), que não dependem de microrganismos viáveis para detecção e podem gerar um resultado positivo a partir de uma única cópia de DNA ou RNA pesquisado. O CDC americano recomenda o uso de azitromicina ou doxiciclina para tratar infecções por clamídia. A penicilina não é eficaz. Azitromicina é o fármaco preferido para tratar gestantes. O tratamento antibiótico simultâneo dos dois parceiros sexuais é recomendável. Também é importante recomendar abstinência sexual para aumentar as chances de cura. Tricomoníase De acordo com alguns relatos, a tricomoníase é uma DST muito mais comum que a gonorreia e quase tão frequente quanto as infecções por Chlamydia. Um protozoário anaeróbio que pode ser transmitido por relações sexuais, T. vaginalis, tem formato semelhante ao de um nabo e apresenta três ou quatro flagelos anteriores. Trichomonas podem habitar as glândulas parauretrais dos homens e das mulheres. Manifestações clínicas Os homens são portadores de T. vaginalis na uretra e na próstata e são assintomáticos. Embora 10 a 25% das mulheres também não tenham sintomas, a tricomoníase é uma causa comum de vaginite quando algum desequilíbrio favorece a proliferação do protozoário. Esse parasito extracelular alimenta-se na mucosa vaginal e ingere bactérias e leucócitos. A infecção causa secreção amarelada ou esverdeada copiosa, espumosa e fétida. Em muitos casos, há edema e eritema da mucosa afetada, algumas vezes com prurido e irritação. Algumas mulheres desenvolvem pequenas áreas hemorrágicas no colo do útero, que também são conhecidas como manchas de morango. 22 @sarahellen_figueredo Diagnóstico e tratamento O diagnóstico é firmado ao exame microscópico por demonstração do protozoário móvel em uma lâmina preparada a fresco. Em geral, o pH da secreção é maior que 6,0. Como Trichomonas se localizam nas estruturas urogenitais fora da vagina, o tratamento recomendado é sistêmico. O tratamento preferido é com metronidazol ou tinidazol oral, que são fármacos eficazes contra protozoários anaeróbios. Esses dois fármacos são quimicamente semelhantes ao dissulfiram, que é um composto usado para tratar dependência do álcool e que causa náuseas, vômitos, ruborização da pele, cefaleia, palpitações e queda da pressão arterial depois da ingestão de álcool. Distúrbios gastrintestinais e paladar metálico são efeitos adversos potenciais desses fármacos. Embora o metronidazol seja considerado seguro na gestação, existem poucas informações sobre o uso de tinidazol por gestantes. Os parceiros sexuais devem ser tratados para evitar reinfecção e recomenda-se abstinência sexual até que todo o ciclo de tratamento esteja concluído. Referencia Favarato, Maria Helena, S. et al. Manual do residente de clínica médica . Disponível em: Minha Biblioteca, (3ª edição). Editora Manole, 2023. Lasmar, Ricardo B. Tratado de Ginecologia . Disponível em: Minha Biblioteca, Grupo GEN, 2017. Lião, Adolfo. Ginecologia e obstetrícia Febrasgo para o médico residente 2a ed. . Disponível em: Minha Biblioteca, (2ª edição). Editora Manole, 2020. Ferri, Fred F. Ferri Ginecologia e Obstetrícia - Recomendações Atualizadas de Diagnóstico e Tratamento . Disponível em: Minha Biblioteca, Grupo GEN, 2019. Primo, Walquíria QS, P. et al. Manual de ginecologia da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia de Brasília . Disponível em: Minha Biblioteca, (3ª edição). Editora Manole, 2023. Drumond, Denise, G. et al. Condutas em ginecologia: do diagnóstico ao tratamento . Disponível em: Minha Biblioteca, Editora Manole, 2023. Jameson, J., L. et al. Medicina interna de Harrison - 2 volumes . Disponível em: Minha Biblioteca, (20ª edição). Grupo A, 2019. Drumond, Denise, G. et al. Atlas de doenças da vulva:diagnóstico e tratamento . Disponível em: Minha Biblioteca, Editora Manole, 2023. Kumar, Vinay, et al. Robbins & Cotran Patologia: Bases Patológicas das Doenças . Disponível em: Minha Biblioteca, (10ª edição). Grupo GEN, 2023.masculina, o pênis e o escroto, além da vulva vagina e colo uterino em mulheres. Em ambos os sexos ocorre infecção perianal, anal e orofaríngea. As verrugas genitais são causadas primariamente por HPV tipo 6 ou 11 e aparecem como crescimentos sésseis e moles com superfície lisa ou rugosa com múltiplas projeções que lembram dedos. As verrugas genitais penianas geralmente têm 2 a 5 mm de diâmetro e ocorrem em grupos. Um segundo tipo de lesão peniana, as placas ceratóticas, encontram-se ligeiramente elevadas acima do epitélio normal e apresentam superfície rugosa frequentemente pigmentada. 3 @sarahellen_figueredo No homem, as lesões ocorrem mais frequentemente no folheto interno do prepúcio, sulco bálano-prepucial ou glande, podendo ainda se localizar na pele do pênis e do escroto. As verrugas vulvares são pápulas brancacentas de consistência mole, sésseis ou na forma de múltiplas projeções finas. Essas lesões na maioria dos casos localizam-se no introito e nos lábios genitais. Nas áreas não mucosas, as lesões vulvares têm aspecto semelhante àquelas encontradas nos homens: secas e ceratóticas. As lesões vulvares podem aparecer como pápulas lisas algumas vezes pigmentadas que podem coalescer. As lesões vaginais aparecem como múltiplas áreas de papilas alongadas. A biópsia de lesões vulvares ou vaginais pode revelar câncer; a diferenciação baseada no exame clínico nem sempre é confiável. As infecções subclínicas do colo uterino por HPV são comuns e o colo pode parecer normal ao exame. As lesões do colo com frequência aparecem como proliferações papilares próximas da zona de transição. Alças vasculares irregulares estão presentes abaixo da superfície epitelial. Os pacientes que desenvolvem câncer de colo uterino a partir de infecção por HPV podem se apresentar com diversos sintomas. Os carcinomas em fase inicial parecem lesões erosivas que sangram com facilidade. Os carcinomas mais avançados apresentam-se como lesões ulceradas ou como uma massa exofítica no colo. Alguns carcinomas do colo uterino localizam-se dentro do canal do colo e podem ser difíceis de visualizar. Também foram descritos sangramento, sintomas de lesão de massa nos estágios tardios e doença metastática, que pode se manifestar como obstrução intestinal ou vesical em razão de extensão direta do tumor. Diagnóstico A infecção pelo HPV pode apresentar-se de forma clínica: diagnosticada a olho nu, é o caso do condiloma genital ou verruga; na forma subclínica: diagnosticada por meio da citologia e/ou colposcopia e na forma latente em que a infecção só é demonstrada por meio de testes de biologia molecular. A grande maioria das infecções por HPV é assintomática e autolimitada. Em síntese, o diagnóstico do HPV é feito por meio do exame físico, da colpocitologia, da colposcopia e/ou dos testes de biologia molecular. Quais são as doenças provocadas pelo HPV? Condiloma acuminado • O que é condiloma acuminado? São lesões exofíticas causadas pelo HPV, principalmente os tipos 6 e 11. Podem ser dolorosas e/ou pruriginosas. Na mulher, localizam-se na vulva, períneo, região perianal, vagina e colo. Menos frequentemente se desenvolvem em áreas extragenitais, como mucosa nasal e oral. • Como é o diagnóstico do condiloma? É clínico. Só se indica biópsia nos seguintes casos: Dúvida no diagnóstico ou suspeita de neoplasia; - Ausência de resposta ao tratamento convencional; - Quando localizado na zona de transformação do colo ou canal anal; - Pacientes com imunodeficiência. • Quais são as modalidades terapêuticas? Podem ser autoadministradas, ambulatoriais ou associadas. Tratamento Há diversas modalidades de tratamento disponíveis para as várias infecções por HPV, mas nenhuma se mostrou capaz de eliminar o HPV dos tecidos adjacentes aos tecidos destruídos e infectados. A eficácia dos tratamentos é limitada por recorrências frequentes (presumivelmente 4 @sarahellen_figueredo causadas por reinfecção adquirida de parceiro infectado), reativação de vírus latente ou autoinoculação a partir de células próximas infectadas. Entre os objetivos do tratamento estão prevenção da transmissão do vírus, erradicação de lesões pré-malignas e redução dos sintomas. O tratamento costuma ser bem-sucedido na eliminação das lesões visíveis e dos tecidos macroscopicamente enfermos. Indicam-se tratamentos distintos para verrugas genitais, doença vaginal e do colo uterino e doença perianal e anal. - Imiquimode O imiquimode (creme a 5 ou 3,75%) é um agente imunomodulador tópico aplicado pelo paciente; acredita- se que ative células do sistema imune por ligação a um receptor semelhante ao Toll, levando a uma reação inflamatória. O creme de imiquimode a 5% é aplicado às verrugas genitais na hora de dormir 3 vezes/semana por até 16 semanas. As verrugas são eliminadas em cerca de 56% dos pacientes, mais frequentemente nas mulheres; as taxas de recorrência se aproximam de 13%. É comum haver efeitos colaterais locais inflamatórios. As taxas de eliminação das verrugas genitais com a preparação a 3,75% não são tão altas quanto à de 5%, mas a duração do tratamento é menor (ou seja, uma aplicação diária no máximo por 8 semanas), e ocorrem menos reações adversas locais e sistêmicas. O imiquimode não deve ser usado para tratar lesões vaginais, anais ou do colo uterino. A segurança do uso do imiquimode durante a gravidez não está estabelecida. - Interferona A α-IFN recombinante é usada para tratamento intralesional das verrugas genitais, inclusive das lesões perianais. A posologia recomendada é 1,0 × 106 UI de IFN injetadas em cada lesão 3 vezes/semana durante 3 semanas. A terapia com IFN causa eliminação das células infectadas por efeito de reforço imunológico. Entre os eventos adversos estão cefaleia, náusea, vômitos, fadiga e mialgia. A terapia com IFN tem alto custo e deve ser reservada aos casos graves que não respondam aos tratamentos de menor custo. A IFN não deve ser usada para tratar lesões vaginais, anais ou do colo uterino. - Crioterapia A crioterapia (tratamento com nitrogênio líquido) para lesões associadas ao HPV causa morte celular. As verrugas genitais geralmente desaparecem após 2 ou 3 sessões semanais, mas a recorrência é frequente. A crioterapia, que não é tóxica nem está associada a reações adversas significativas, também pode ser usada para tratamento de tecido enfermo do colo uterino. É frequente a ocorrência de dor local. - Métodos cirúrgicos As lesões exofíticas podem ser removidas cirurgicamente após injeção intradérmica de lidocaína a 1%. Esse tratamento é bem tolerado, mas pode causar cicatriz e requer hemostasia. As verrugas genitais também podem ser destruídas com eletrocautério, caso em que não há necessidade de hemostasia adicional. - Terapia com laser Com o tratamento com laser obtém-se destruição de lesões exofíticas e de outros tecidos infectados pelo HPV ao mesmo tempo em que preserva o tecido normal. A anestesia local geralmente é suficiente. A eficácia para as lesões genitais é no mínimo igual ao de outras terapias (60- 90%), com baixas taxas de recorrência (5-10%). Entre as complicações estão dor local, secreção vaginal, edema periuretral e edema peniano ou vulvar. A terapia com laser também tem sido usada com sucesso para tratar displasia do colo uterino e doença anal causadas por HPV. - Vacinas terapêuticas Os sistemas imunes inato e adaptativo são alterados em pacientes com cânceres associados ao HPV. As respostas imunes antitumorais são reduzidas por mecanismos virais específicos. Várias vacinas terapêuticas que estão sendo desenvolvidas visam ao aumento da resposta mediada por células às oncoproteínas E6 e E7 do HPV, as quais são expressas em cânceres associados ao HPV. Essas vacinas aumentariam a capacidade de trataros cânceres associados ao HPV, condições que são muito difíceis de tratar com as modalidades atuais. Porém, embora tenha havido progresso, nenhuma vacina contra HPV está atualmente disponível para tratamento de infecção por HPV ou de doença associada ao HPV. - Outras terapias Os ácidos tricloroacético e bicloroacético são agentes cáusticos que destroem as verrugas por coagulação de proteínas. Nenhum desses agentes é recomendado para o tratamento. Sinecatequinas (pomada a 15%) e podofilotoxina (solução ou gel a 0,05% e creme a 0,15%) são algumas vezes usados para verrugas genitais externas, mas outras modalidades listadas anteriormente são tão ou mais efetivas e são mais bem toleradas. Câncer de colo do útero O câncer de colo do útero é a segunda neoplasia mais comum e a mais letal em mulheres no mundo inteiro. A infecção por cepas de alto risco de papilomavírus humano (HPV) constitui o evento primário desencadeador da neoplasia na grande maioria das mulheres com câncer de colo do útero invasivo. O câncer de colo do útero se inicia com a multiplicação descontrolada de células anormais, sem que haja a reparação ou a morte dessas células, como acontece com as células normais que apresentam alguma falha no DNA. Essa multiplicação celular desordenada é decorrente da alteração do DNA das células do hospedeiro após 5 @sarahellen_figueredo integração do papilomavírus humano (HPV) oncogênico no genoma humano. Após a infecção do epitélio metaplásico na zona de transformação do colo uterino por HPV oncogênico, ocorre a persistência dessa infecção e a progressão de um clone de células epiteliais para lesões pré-invasivas e invasivas, com ruptura da membrana basal. A infecção por HPV é extremamente comum, sendo estimado que 80 a 90% dos adultos com vida sexual ativa irão adquirir HPV antes dos 50 anos de idade. A maioria das infecções por HPV é transiente, e o vírus não é capaz de desenvolver câncer invasor isoladamente. Quando a infecção por HPV é persistente, o tempo decorrido desde a infecção inicial até a alteração pré- invasiva e o câncer invasor é, em média, de 5 e de 13 anos, respectivamente, embora existam relatos de evoluções mais rápidas. A aquisição da infecção começa brevemente após o início da vida sexual, com uma incidência estimada entre 40% e 60%, de pelo menos um tipo, no período de dois anos após a iniciação sexual. Os fatores de risco de infecção incluem variáveis relacionadas à provável exposição (idade mais jovem, maior número de parceiros recentes e ao longo da vida e o número de parceiros dos parceiros sexuais), à suscetibilidade (como a ausência de circuncisão no homem), e à ausência de fatores de prevenção (como a falta de uso consistente de preservativos ou imunização). A maioria das infecções é assintomática e desaparece sem tratamento. O vírus HPV infecta primeiro as células da camada basal da JEC. Utilizando os mecanismos de replicação da célula hospedeira, o vírus aumenta a expressão de seus genes (como o E6 e E7 já citados) e atinge as camadas celulares mais superiores. A expressão de E6 e E7 aumenta e então provoca a proliferação celular descontrolada com consequente instabilidade cromossômica. Histologicamente, observam-se aumento de figuras mitóticas e desproporcional relação entre núcleo e citoplasma. A combinação entre proliferação celular descontrolada e instabilidade genômica gerada pelos genes E6 e E7 é o principal mecanismo envolvido na carcinogênese. Além disso, danos ao DNA da célula hospedeira, assim como a integração do DNA viral ao DNA hospedeiro, contribuem para a perpetuação celular danificada e aberrações cromossômicas. Diagrama esquemático para demonstrar o desenvolvimento da neoplasia cervical seguindo infecção por HPV. Os fatores de risco clínicos incluem muitas características associadas à infecção pelo HPV: grande número de parceiros sexuais, idade precoce da primeira relação sexual e história de doença venérea. O tabagismo é um cofator; tabagistas pesados apresentam um alto risco de displasia a partir da infecção por HPV. A infecção por HIV, sobretudo quando associada a baixas contagens de células T CD4+, está associada a uma taxa mais elevada de displasia de alto grau e, provavelmente, a um menor período de latência entre a infecção e a doença invasiva. Manifestações clínicas Histologicamente, o carcinoma de colo do útero é do tipo epidermoide (escamoso) em 75 a 90% dos casos, e pode se apresentar como: •Carcinoma de grandes células não queratinizado (mais comum) •Carcinoma de grandes células queratinizado •Carcinoma de pequenas células não queratinizado. Cerca de 70 a 75% dos cânceres de colo do útero são do tipo epidermoide ou escamoso (Figura 8), e 20 a 25% correspondem a adenocarcinomas ou glandulares (Figura 9). Outros tipos perfazem cerca de 5%, entre eles o misto ou adenoescamoso, o sarcoma, o neuroendócrino, o de células claras e o melanoma, sendo os 2 últimos muito raros. 6 @sarahellen_figueredo O diagnóstico clínico é difícil nos tumores em estádios iniciais, pois, frequentemente, são assintomáticos, sendo diagnosticados pela presença de células neoplásicas em exames colpocitológicos, por alterações colposcópicas sugestivas de invasão (vasos atípicos, áreas de necrose tumoral e hemorragia e tumores exofíticos) e pela confirmação por biópsias incisionais ou excisionais Diagnóstico O diagnóstico das lesões precursoras do câncer de colo do útero baseia-se na colpocitologia, na biologia molecular com testes de detecção de DNA-HPV e na avaliação colposcópica com estudo histopatológico, quando indicada. Existem 3 programas de rastreamento: • colpocitologia; • coteste (colpocitologia associada ao teste de HPV de alto risco); • teste de HPV de alto risco isolado (quando positivo, seguido de citologia). Em 2018, a Febrasgo publicou o dossiê propondo estratégias de acréscimo às Diretrizes Brasileiras de 2016 (MS-INCA): • Rastreamento com base populacional; • Inserção do teste de DNA-HPV como teste primário; • Mulheres positivas para HPV-16/18 encaminhar direto para colposcopia; • Autocoleta com teste de DNA-HPV para mulheres que rejeitam o exame profissional ou para aquelas que vivem em áreas longínquas. Rastreamento Atualmente o rastreamento para câncer de colo uterino é amplamente aceito como custo-efetivo na prevenção do câncer de colo uterino, e o rastreamento anual é aceito para o rastreamento de grupos de alto risco. Em países ricos em recursos, o método primário para rastreamento do câncer de colo uterino é a citologia por esfregaço de Papanicolaou. As diretrizes da American Society of Colposcopy and Cervical Pathology recomendam exame de rastreamento para câncer do colo uterino aos 21 anos de idade, independentemente da idade de início da vida sexual. As mulheres com 21 a 29 anos de idade devem realizar um esfregaço de Papanicolaou a cada 3 anos se o exame inicial e subsequente forem normais. Como método de determinação da necessidade de colposcopia, o coteste para DNA do HPV é recomendado para mulheres de 25 a 29 anos de idade em cuja citologia é detectada células escamosas anormais de significado indeterminado. As mulheres entre 30 e 65 anos de idade devem realizar exame de Papanicolaou a cada 3 anos se não for realizado teste para DNA do HPV. O intervalo de rastreamento para as mulheres nessa faixa etária pode ser estendido para 5 anos se os resultados do teste concomitante para o DNA do HPV forem negativos. O exame de HPV não é recomendado para os parceiros de mulheres com HPV ou para rastreamento de outros quadros além do câncer do colo uterino. Segundo as Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo uterino (Ministério da Saúde – MS), o método utilizado de rastreio é a citologia oncótica,a partir dos 25 anos de idade para as mulheres que já iniciaram vida sexual. Os exames devem seguir até os 64 anos de idade, e nas mulheres sem história prévia de doença pré-neoplásica, eles devem ser interrompidos quando elas apresentarem pelo menos dois exames negativos nos últimos cinco anos. Para mulheres com mais 64 anos de idade e que nunca se submeteram ao exame, devem-se realizar dois exames com intervalo de um a três anos. Se ambos os exames forem negativos, essas mulheres podem ser dispensadas do rastreio. A periodicidade recomendada é trienal após dois exames negativos com intervalo de um ano. Teste de DNA-HPV A evidência da relação causal entre a infecção por tipos oncogênicos de HPV e o aparecimento das lesões precursoras e do câncer do colo uterino favoreceram a criação de novas tecnologias de detecção do DNA-HPV Atualmente, evidências apoiam o uso do teste no rastreio primário em mulheres com idade ≥ 30 anos. O rastreamento com esse teste pode ser realizado com intervalo de cinco anos. As Diretrizes Brasileiras recomendam o teste de DNA-HPV a partir de 30 anos de idade, estendendo-o até os 64 anos de idade. Quando positivo para tipos oncogênicos, o exame citológico deve ser realizado de forma reflexa. Outra vantagem do teste de DNA-HPV é a possibilidade da realização por autocoleta, que é feita pela própria mulher em qualquer lugar. A detecção do HPV nessa forma tem mostrado ser semelhante às taxas quando coletada pelo profissional de saúde A ACS recomenda o teste de DNA-HPV como triagem primária ou em associação com a citologia, chamado de coteste, porém já se advoga como rastreio primário nos futuros guidelines. 7 @sarahellen_figueredo Rastreamento do câncer do colo do útero com teste de DNA-HPV: atualizações na recomendação Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, 2022 O teste de HPV isolado deve substituir a citologia em mulheres com mais de 30 anos no Brasil. A citologia deve ser utilizada como um teste de triagem para os casos de resultados de teste de HPV positivos. O teste de HPV isolado é tão efetivo quanto o coteste e apresenta menor custo. O coteste não é recomendado para o rastreamento primário. Recomendações para o manejo do rastreamento do câncer do colo do útero baseado no teste de detecção do DNA- HPV de alto risco em mulheres com 25 anos ou mais, quando a genotipagem não estiver disponível ou quando os tipos de alto risco outros que não os 16 e/ou 18 forem detectados Recomendações para o manejo do rastreamento do câncer do colo do útero baseado no teste de detecção do DNA- HPV de alto risco em mulheres com 25 anos ou mais, quando os tipos 16 e/ou 18 forem detectados. Colposcopia A colposcopia é um método diagnóstico descrito pela primeira vez por Hans Hinselmann, em 1925, e consiste no estudo do trato genital inferior com lentes de aumento de 6 a 40 vezes, associadas ao uso de reagentes, como ácido acético e iodo. A capacidade da colposcopia em identificar a presença de lesões é de 51%, com sensibilidade de 96% e especificidade de 19%. O exame colposcópico deve ser realizado de forma adequada, a fim de visualizar a junção escamocolunar (JEC), reconhecer achados normais e anormais e, essencialmente, classificar as zonas de transformação (ZT). A exérese da zona de transformação (EZT) será determinada de acordo com o tipo de ZT.24 As ZT podem ser classificadas em: tipo 1: ZT é completamente ectocervical e visível. Pode ser pequena ou grande; tipo 2: ZT tem um componente endocervical totalmente visível, e o componente ectocervical pode ser pequeno ou grande; tipo 3: ZT tem um componente endocervical que não é completamente visível e pode ter um componente ectocervical pequeno ou grande 8 @sarahellen_figueredo Os achados menores (epitélio acetobranco tênue, de borda irregular ou geográfica, com mosaico fino ou pontilhado fino) tendem a corresponder a lesões de baixo grau. Já os achados colposcópicos anormais maiores (epitélio acetobranco denso, acetobranqueamento de aparecimento rápido, orifícios glandulares espessados, mosaico grosseiro, pontilhado grosseiro, margem demarcada, sinal da margem interna, sinal da crista sobrelevado) tendem a corresponder a lesões de alto grau Citologia cervical A citologia cervical tem sido a base do rastreamento do câncer do colo do útero desde meados do século 20. Sua terminologia evoluiu para refletir os progressos e a melhora da compreensão da patogenia da doença relacionada ao HPV no aparelho genital inferior. Omendação das Diretrizes Brasileiras é a realização periódica da citologia convencional, porém esta caracterizada por baixa reprodutibilidade entre os observadores. A citologia em base líquida (CBL), criada com o objetivo de diminuir os esfregaços insatisfatórios, é um método alternativo de rastreamento. As células são depositadas em uma suspensão fixadora, permitindo distribuição uniforme das células nas lâminas após seu processamento. Outra vantagem é poder realizar novos testes no resíduo do material no meio líquido, como teste de DNA-HPV, porém a CBL não demonstrou ganho na sensibilidade, comparada aos esfregaços convencionais De acordo com esse sistema, as lesões escamosas com potencial pré-maligno são classificadas em categorias específicas: (i) células escamosas atípicas (ASC), (ii) lesões intraepiteliais escamosas de baixo grau (LSIL) e (iii) lesões intraepiteliais escamosas de alto grau (HSIL). A categoria ASC é subdividida em duas categorias: aquelas de significado indeterminado (ASC-US) e as em que é necessário excluir lesões de alto grau (ASC-H). As LSIL incluem a NIC 1 (displasia leve) e as alterações do HPV, denominadas atipia coilocitótica. A categoria HSIL inclui a NIC 2 e 3 (displasia moderada, displasia grave e CIS). A terminologia AGUS, ou células glandulares atípicas de significado indeterminado, foi desenvolvida para caracterizar evidências de neoplasia glandular não escamosa que se origina no colo do útero. As alterações celulares associadas ao HPV (p. ex., coilocitose e NIC 1) são incluídas na categoria de LSIL porque a história natural, a distribuição de vários tipos de HPV e as características citológicas são iguais Infecção pelo HPV – Rastreamento, diagnóstico e conduta nas lesões HPV-induzidas 2021- FEBRASGO Lesão intraepitelial escamosa de baixo grau (LSIL) O que é LSIL? A história natural do câncer cervical envolve mudanças celulares que podem levar ao carcinoma invasor. Essa sequência de alterações é a premissa sobre a qual o rastreamento citológico é realizado. As LSIL podem progredir para HSIL e câncer invasivo ou podem regredir para um estado normal A LSIL corresponde à manifestação citológica da infecção pelo HPV, com elevado potencial de regressão. Células escamosas atípicas de significado indeterminado possivelmente não neoplásicas as (ASC-US) caracterizam- se pela presença de alterações celulares insuficientes para o diagnóstico de lesão intraepitelial, porém são mais significativas do que as encontradas em processos inflamatórios. Essas duas categorias citológicas têm riscos muito semelhantes de evolução para HSIL e podem ser gerenciadas de forma análoga. O advento do teste de DNA-HPV permitiu a estratificação de risco em pacientes com LSIL/ASC-US. A detecção do DNA-HPV de alto risco em LSIL está associada a maior risco de progressão para lesão de alto grau (HSIL). Estudos já demonstraram os benefícios significativos da utilização do teste de DNA-HPV nas citologias duvidosas. Como devemos conduzir a LSIL? As recomendações para pacientes com diagnóstico citopatológico de LSIL/ASC-US variam entre o encaminhamento imediato para a colposcopia, a repetição da citologia ou a realização do teste de detecção de DNA- HPV, com encaminhamentopara colposcopia caso o resultado seja positivo Vários protocolos recomendam abordagens semelhantes para o diagnóstico citopatológico de LSIL e ASC-US: • 4 cm = IB3. Por fim, a última modificação, e talvez a mais significativa, foi a inclusão do estádio IIIC, que corresponde ao acometimento linfonodal (IIIC1: quando atinge linfonodos pélvicos isoladamente; IIIC2: metástase linfonodal em cadeia para-aórtica). Essa é a primeira vez que a FIGO aborda a metástase linfonodal em seu estadiamento, algo que, já há algum tempo, vinha sendo solicitado ao comitê por diversos autores e especialistas, considerando que desfechos, falha terapêutica, recorrência e sobrevida estão intimamente relacionados ao status do envolvimento linfonodal, aprimorando, assim, a capacidade do estadiamento de predizer corretamente o prognóstico. A FIGO justificou o acréscimo de exames radiológicos avançados, como tomografia computadorizada (TC), ressonância magnética (RNM) e tomografia com emissão de pósitrons (PET-TC), considerando que, em muitos serviços mais desenvolvidos, esses exames já fazem parte da rotina, inclusive, modificando o plano terapêutico, e, portanto, deveriam ser incluídos no estadiamento. Em centros e localidades com limitações financeiras e de acesso a recursos, porém, permanece valendo o estadiamento clínico anteriormente preconizado. As diretrizes da FIGO não estabelecem uma investigação padrão ou sequência de procedimentos como protocolo, mas, sim, um rol de exames que pode ser utilizado para estabelecer o estádio da doença. Assim, não é obrigatória a realização de todos os testes em todas as pacientes, e o médico deve utilizar raciocínio clínico e adotar a combinação de exames que melhor lhe aprouver, individualizando-a de acordo com cada paciente e com as características do serviço em que se encontra. A primeira avaliação, e também uma das mais importantes, permanece sendo o exame físico completo e minucioso, incluindo exame especular, toque vaginal bimanual, toque retal, avaliação de vagina e paramétrios e procura de metástases a distância. Segue-se, a partir de então, com a propedêutica de confirmação diagnóstica maisadequada ao caso, se ainda não houver sido realizada: exame colposcópico, biópsia cervical, curetagem endocervical e conização. Posteriormente, pode ser utilizada propedêutica 11 @sarahellen_figueredo auxiliar com exames complementares, como: raio X de tórax, TC, RNM, PET-TC, biópsias guiadas de linfonodos suspeitos, cistoscopia e urografia excretora, para avaliação de bexiga e vias urinárias, e retossigmoidoscopia, se aventada invasão intestinal. Tratamento A escolha da melhor opção terapêutica para o câncer de colo uterino depende, principalmente, do estadiamento do tumor, mas deve-se levar em conta também a idade da paciente, o desejo de preservar fertilidade, o estado clínico geral, as condições disponíveis no serviço de saúde e a autonomia e o desejo da paciente em relação ao tratamento. NIC 1, 2 E 3 A grande maioria das lesões intraepiteliais de baixo grau (NIC I) apresenta regressão espontánea, com chance de evolução para neoplasia invasiva de apenas 1%. O tratamento dessas lesões consiste em acompanhamento semestral com colpocitologia oncótica e colposcopia. Caso as alterações persistam ou não haja aderência do paciente ao acompanhamento, a excisão da lesão está indicada. As lesões intraepiteliais de alto grau (NIC II ou III) devem ser tratadas com tratamento destrutivo local, utilizando técnicas como crioterapia, laser, eletrocauterização, cirurgia de alta frequência ou conização fria. A conização permite a avaliação de todas as margens e a identificação de focos de invasão que podem permear as lesões in situ. A histerectomia pode ser indicada em pacientes com baixa aderência ou que não desejam mais engravidar. Estádios iniciais (IA1, IA2, IB1, IB2, IIA1) Na maioria dos casos de estádios iniciais, o tratamento preferencial será o cirúrgico. Entre as possibilidades de terapêutica cirúrgica, existem a conização e os tipos específicos de histerectomia; para melhor caracterização de cada uma delas, adotaremos a classificação de Piver- Rutledge-Smith Estádio IA1 sem invasão do espaço vascular e linfático Para o diagnóstico adequado do câncer cervical nesse estádio, é necessário que, previamente, tenha sido realizado um procedimento excisional do colo (conização ou excisão da zona de transformação), cumprindo os seguintes critérios: • invasão do estroma de, no máximo, 3 mm em profundidade; • ausência de invasão do espaço linfovascular (IEVL); • análise histopatológica em vários cortes (40 a 60); • margens livres de lesão invasiva ou LIEAG (preferencialmente > 1 mm). A histerectomia total simples (Piver 1) é classicamente recomendada como tratamento definitivo, mas considerar a conização ou excisão da zona de transformação como tratamento definitivo, sem necessidade de complementação terapêutica, é uma opção aceitável e que vem ganhando cada vez mais espaço. Em casos de preservação de fertilidade ou alto risco cirúrgico, o método de escolha é a conização ou a excisão da zona de transformação. Estádios IA1 com IEVL e IA2 O tratamento padrão é a histerectomia radical modificada (Piver 2) com linfadenectomia pélvica associada, podendo ou não ser realizada linfadenectomia para-aórtica. Nos casos IA1 com IEVL e IA2, uma opção é a pesquisa laparoscópica de linfonodo sentinela, com avaliação histopatológica intraoperatória do linfonodo; não havendo evidência de doença linfonodal, não há necessidade da linfadenectomia sistemática. Em pacientes com alto risco cirúrgico ou que recusam a cirurgia, recomenda-se realizar radioterapia externa (RT externa) e braquiterapia (BQT) como terapia primária. Estádios IA2 e IB1 com critérios de baixo risco Para a possibilidade do tratamento cirúrgico conservador, todos os critérios de baixo risco a seguir devem ser cumpridos: • conização prévia sem IEVL e com margens livres > 1 mm; • subtipo histológico carcinoma espinocelular (CEC) ou adenocarcinoma grau 1 ou 2; • tamanho tumoralde cistos resulta da secreção e do acúmulo de muco na glândula após obliteração do ducto. A tumoração é indolor ou apresenta leve dolorimento A infecção da glândula de Bartholin produz uma inflamação aguda (adenite) e pode resultar em abscesso. Cistos do ducto de Bartholin são relativamente comuns, ocorrem em todas as idades e resultam da obstrução do ducto por um processo inflamatório. Estes cistos são geralmente revestidos por epitélio transicional ou escamoso, podem se tornar grandes (até 3 a 5 cm de diâmetro) e produzem dor e desconforto local. Os cistos do ducto de Bartholin são excisados ou abertos permanentemente (marsupialização). Em cistos persistentes ou sintomáticos, pode-se optar por marsupialização ou drenagem cirúrgica. Optando-se por um tratamento definitivo, várias modalidades estão disponíveis: destruição da cápsula cística com laser de 13 @sarahellen_figueredo CO2, radiofrequência e substâncias químicas. Bartholinectomia com bisturi frio ou eletrocirúrgico. Os abscessos da glândula de Bartholin podem apresentar agentes infecciosos como Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis, mas na maioria dos casos os organismos causadores são da microbiota vaginal, como bacteroides, Escherichia coli e Staphylococcus aureus. Apresenta-se como tumoração na vulva, muito dolorosa, inicialmente endurecida e depois amolecida. O tratamento destrutivo pode ser realizado em dois tempos: drenagem e antibioticoterapia, com posterior fulguração da cápsula cística após 7-15 dias, com laser ou aparelho eletrocirúrgico de alta frequência. Doenças epiteliais não neoplásicas Leucoplasia é um termo clínico que descreve o espessamento epitelial em forma de placa, opaco e branco, que pode produzir prurido e descamação. A leucoplasia (literalmente, placas brancas) pode ser causada por uma variedade de doenças benignas, pré-malignas ou malignas, incluindo as seguintes: •Dermatoses inflamatórias (p. ex., psoríase, dermatite crônica) •Líquen escleroso e hiperplasia de células escamosas •Neoplasias, como a neoplasia intraepitelial vulvar (NIV), doença de Paget e carcinoma invasivo. Líquen escleroso O líquen escleroso se apresenta como placas ou máculas brancas e lisas que com o tempo podem aumentar e coalescer, produzindo uma superfície que se assemelha a porcelana ou pergaminho. Quando o toda a vulva é afetada, os lábios tornam-se atróficos e aglutinados, e o orifício vaginal se contrai. Sua patogênese é incerta, mas a presença de células T ativadas no infiltrado inflamatório subepitelial e a frequência aumentada de doenças autoimunes em mulheres afetadas sugerem que uma reação autoimune está envolvida. Embora o líquen escleroso não seja uma lesão pré-maligna em si, mulheres com a doença sintomática têm probabilidade um pouco maior de desenvolver carcinoma de células escamosas da vulva. Diagnóstico É essencialmente clínico. Baseia-se no achado de pequenas pápulas ou placas eritematosas achatadas, esbranquiçadas ou rosadas. O aspecto é apergaminhado. Quando acomete a região perianal, forma uma lesão típica “em 8” ou “em fechadura”. Na doença avançada, há atrofia até o apagamento total da vulva. Vagina, hímen e colo uterino são poupados. Há perda da pigmentação cutânea (hipo/acromia). Pode haver comprometimento extragenital. A maior queixa é o prurido anogenital e cerca de 40% dos casos são assintomáticos. A biópsia deve ser feita quando há dúvida diagnóstica ou suspeita de lesão pré-neoplásica ou câncer. Tratamento Propionato de clobetasol a 0,05% (0,5 mg/g) pomada, usando-se da seguinte forma com 30 g: Primeiro mês: 1 vez/dia. Segundo mês: aplicar em dias alternados. Terceiro mês: aplicar dois dias na semana. Posteriormente, manutenção da medicação quando necessária, não excedendo duas aplicações por semana. Atenção: essas pacientes devem se manter sob acompanhamento clínico, em razão do risco de evolução maligna. Líquen simples crônico Diagnóstico O diagnóstico é clínico, sendo o prurido a principal queixa. O círculo vicioso de coceira pode perpetuar o processo. O prurido tende a ser menos intenso durante o dia e mais acentuado à noite, causando insônia. Associado ao quadro, podem ocorrer ansiedade e depressão. Na pele, observa-se um espessamento (liquenificação), que pode ser de cor branca, vermelha e marrom. Este problema afeta principalmente a área pilificada vulvar (grandes lábios). Podem ser encontradas feridas de arranhões, pelos quebrados, infecções secundárias, petéquias, úlceras e fissuras. 14 @sarahellen_figueredo Tratamento Deve-se evitar o uso de roupas apertadas e tecidos ásperos, protetores de calcinha, perfumes e desodorantes vulvares, lenços umedecidos, papel higiênico colorido ou com fragrâncias, óleos e géis de banho, bem como banhos muito quentes e amaciantes de roupas. Medicamentos recomendados incluem: • Propionato de clobetasol pomada 0,05% (0,5 mg/g): aplicar 1 a 2 vezes/dia por 2 semanas, depois 1 vez/dia por 4 semanas. Posteriormente, 2 a 3 vezes por semana por 8 semanas. Após esse período, utilizar conforme necessário. • Hidroxizina: de 10 a 100 mg via oral à noite, começando com uma dose menor e ajustando conforme a necessidade. • Amitriptilina: de 20 a 30 mg via oral à noite. Infecções secundárias bacterianas e fúngicas devem ser tratadas adequadamente. É importante destacar que as pacientes devem ser acompanhadas clinicamente, em razão do risco de evolução maligna. Líquen plano Diagnóstico É uma doença inflamatória autoimune crônica. Na vulva, pode se apresentar de diversas formas, como erosivo, papuloescamoso, hipertrófico (raro) ou plano pilar. Os sinais podem ser constantes ou intermitentes. Uma minoria dos pacientes é assintomática ou oligossintomática. Os sintomas incluem dor, ardor, prurido, dispareunia, sinusiorragia e corrimento persistente. No líquen plano erosivo (LPE) vulvar, são encontradas erosões eritematosas brilhantes com estrias brancas (estrias de Wickham) e alterações na arquitetura vulvar, como estenose do introito vaginal e perda dos pequenos lábios. Os principais sintomas incluem dispareunia, apareunia, dificuldade para urinar e disúria. O envolvimento anal é raro, enquanto o envolvimento vaginal ocorre em cerca de 70% dos casos. Na vagina, podem ocorrer descamação e erosões crônicas e observa-se uma vagina friável, com inflamação, exsudato seropurulento, corrimento serossanguíneo e, nos casos graves, sinéquias e aderências. De acordo com a International Society for the Vulvovaginal Disease (ISSVD), para o diagnóstico de líquen plano erosivo (LPE), é necessário encontrar: • Mácula ou placa vermelha brilhante bem demarcada, localizada no vestíbulo, pequenos lábios e/ou vagina. • Lesão em epitélio escamoso não queratinizado. • Infiltrado linfocitário em forma de faixa, junto ao epitélio. • Danos na camada basal demonstrados como um padrão degenerativo (corpos apoptóticos, alteração vacuolar e/ou escamatização) e/ou padrão regenerativo (aumento da proporção núcleo-citoplasma, mitoses e diminuição da maturação epitelial). A esclerose está ausente. Uma variante do LPE é a síndrome vulvovaginal-gengival, que afeta vulva, vestíbulo, vagina e boca, bem como outros locais adicionais, como mucosa nasal, esôfago, laringe, conjuntiva e uretra. No epitélio gengival, geralmente observam-se erosões, placas brancas com um padrão reticular esbranquiçado e rendado. As cicatrizes e estenoses vulvares e vaginais são causas importantes de morbidade a longo prazo. Essa síndrome é particularmente resistente ao tratamento, e a biópsia deve ser realizada na borda da lesão. Líquen plano papuloescamoso vulvar: são encontradas pequenas pápulas intensamente pruriginosas de cor violácea na pele queratinizada e na área perianal. A resolução daslesões frequentemente resulta em hiperpigmentação pós-inflamatória. Líquen plano hipertrófico vulvar: observam-se lesões hiperceratóticas e ásperas no períneo e na região perianal. Essas lesões podem assemelhar-se a neoplasia intraepitelial vulvar ou carcinoma espinocelular invasivo. Essa forma é rara, e a biópsia é mandatória para um diagnóstico preciso. Tratamento Propionato de clobetasol 0,05% (0,5 mg/g) pomada: Primeiro mês: 1 vez/noite. Segundo mês: noites alternadas. Terceiro mês: 1 a 2 vezes/semana. Na maioria dos casos, é necessário manter a medicação 1 a 2 vezes por semana para reduzir a potência. Opções de manutenção: valerato de betametasona a 0,01% ou acetato de hidrocortisona a 1%. Para o quadro vaginal: Hidrocortisona 25 mg, óvulos vaginais, 2 vezes/dia por 2 meses e, na manutenção, 1 vez/semana. 15 @sarahellen_figueredo Se não houver melhora em 8 semanas, considerar o uso de corticosteroide sistêmico: prednisona oral 40 a 60 mg/dia por 4 a 6 semanas. Lesões exofíticas benignas Lesões benignas elevadas (exofíticas) ou semelhantes a verrugas da vulva podem ser causadas por infecção ou podem ser condições reativas de etiologia desconhecida. O condiloma acuminado, uma lesão induzida por papilomavírus (também chamada verruga genital), e o condiloma plano sifilítico são consequências de infecções sexualmente transmissíveis. Os pólipos fibroepiteliais vulvares, ou acrocórdons, são semelhantes aos acrocórdons que ocorrem em outros lugares na pele. Os papilomas escamosos vulvares são proliferações exofíticas benignas cobertas por epitélio escamoso não queratinizado que se desenvolvem nas superfícies vulvares; eles podem ser únicos ou inúmeros (papilomatose vulvar). A etiologia dos pólipos fibroepiteliais e papilomas escamosos é desconhecida. Condiloma acuminado Os condilomas acuminados são verrugas genitais benignas causadas por HPV de baixo risco, principalmente os tipos 6 e 11. As verrugas podem ser solitárias, mas são mais frequentemente multifocais, podendo envolver as regiões vulvar, perineal e perianal, bem como a vagina e, menos comumente, o colo uterino. Os condilomas acuminados não são lesões pré-cancerosas. As vacinas de HPV (descritas posteriormente) fornecem excelente proteção contra infecção por HPV de baixo risco e verrugas genitais. Tratamento A maioria das infecções condilomatosas genitais apresenta resolução espontânea. As terapias farmacológicas ou cirúrgicas levam à eliminação de verrugas em 35-100% dos pacientes em 3-16 semanas, mas pode haver recorrência da lesão em 20-30% dos casos. As terapias cirúrgicas, ablativas e excisionais, são reservadas para pacientes que apresentem lesões extensas, ou para aquelas que não responderam bem à terapia medicamentosa. A taxa de recorrência é semelhante em ambos os modelos de tratamento. Os condilomas podem ser removidos com bisturi, tesoura ou eletrocauterização. Vaporização com laser de CO2 e crioterapia estão entre os métodos eficazes. Ácido tricloroacético (70-90%): aplicações semanais até o desaparecimento das lesões. Pode ser utilizado em gestantes. Lesões neoplásicas escamosas Neoplasia intraepitelial vulvar e carcinoma vulvar O carcinoma da vulva é uma neoplasia maligna rara (aproximadamente um oitavo da frequência do câncer cervical) representando cerca de 3% de todos os cânceres genitais femininos; aproximadamente dois terços ocorrem em mulheres com mais de 60 anos. O carcinoma de células escamosas é o tipo histológico mais comum de câncer vulvar. Em termos de etiologia, patogênese e características histológicas, os carcinomas vulvares de células escamosas são divididos em dois grupos: •Os carcinomas basaloides e verrucosos estão relacionados à infecção com HPVs de alto risco, mais comumente HPV- 16. São menos comuns (30% dos casos) e ocorrem em mulheres mais jovens (idade média de 60 anos) •Os carcinomas de células escamosas queratinizantes não estão relacionados à infecção por HPV. São mais comuns (70% dos casos) e ocorrem em mulheres mais velhas (média de 75 anos). Os carcinomas basaloides e verrucosos se desenvolvem a partir de uma lesão precursora in situ chamada neoplasia intraepitelial vulvar (NIV) clássica. Essa forma de NIV ocorre principalmente em mulheres em idade reprodutiva e inclui lesões originalmente designadas como carcinoma in situ ou doença de Bowen. Os fatores de risco para a NIV são os mesmos que aqueles associados a lesões intraepiteliais escamosas cervicais (p. ex., mulheres jovens que tiveram a primeira relação sexual, múltiplos parceiros sexuais, parceiro masculino com múltiplos parceiros sexuais), já que ambos estão relacionados à infecção por HPV. A NIV é frequentemente multicêntrica, sendo que 10 a 30% das pacientes com NIV também têm lesões vaginais ou cervicais relacionadas ao HPV. A regressão espontânea da NIV clássica foi relatada, geralmente em mulheres mais jovens. O risco de progressão para carcinoma invasivo é mais alto em mulheres com mais de 45 anos ou que estão imunossuprimidas. O carcinoma de células escamosas queratinizante ocorre mais frequentemente em indivíduos com líquen escleroso prolongado ou hiperplasia de células escamosas e não está relacionado ao HPV. O carcinoma surge de uma 16 @sarahellen_figueredo lesão precursora denominada neoplasia intraepitelial vulvar diferenciada (NIV diferenciada). Postula-se que a irritação epitelial crônica causada pelo líquen escleroso ou hiperplasia de células escamosas pode contribuir para uma evolução gradual para o fenótipo maligno, presumivelmente pela aquisição de mutações condutoras em oncogenes e genes supressores de tumor. O risco de desenvolvimento de câncer no contexto da NIV depende da duração e extensão da doença e do estado imunológico da paciente. Carcinomas invasivos associados a líquen escleroso, hiperplasia de células escamosas e NIV diferenciada podem desenvolver-se de forma insidiosa e ser mal interpretados como dermatite ou leucoplasia por longos períodos. Uma vez que o câncer invasivo se desenvolve, o risco de disseminação metastática é determinado pelo tamanho da neoplasia, a profundidade da invasão e se há invasão linfática. O tratamento padrão-ouro para o câncer de vulva é cirúrgico. Pacientes com lesões menores que 2 cm de diâmetro têm uma taxa de sobrevivência de 90% em 5 anos após tratamento envolvendo vulvectomia e linfadenectomia. Contudo, lesões maiores com envolvimento de linfonodos têm um prognóstico negativo. Lesões neoplásicas glandulares Como a mama, a vulva contém glândulas sudoríparas apócrinas modificadas. Presumivelmente por causa dessas características “semelhantes a mama”, a vulva pode ser atingida pelo hidradenoma papilar e pela doença de Paget extramamária, duas neoplasias que apresentam contrapartes na mama. Hidradenoma papilar O hidradenoma papilar se apresenta como um nódulo nitidamente circunscrito, mais comumente nos grandes lábios ou dobras interlabiais, que pode ser confundido clinicamente com um carcinoma devido a sua tendência à ulceração. Seu aspecto histológico é idêntico ao do papiloma intraductal da mama e consiste em projeções papilares cobertas por duas camadas celulares, uma camada superior de células secretoras colunares e uma camada mais profunda de células mioepiteliais achatadas. Estes elementos mioepiteliais são característicos das glândulas sudoríparas e de tumores das glândulas sudoríparas A transformação maligna é rara, e o tratamento excisional é o mais apropriado Doença de Paget extramamária A doença de Paget extramamária (EMPD) é uma neoplasia rara que geralmente se desenvolve em áreas com glândulas sudoríparas apócrinas. As lesões da doença de Paget vulvar (DPV) geralmente se apresentam como eritema bem circunscrito ou placas eritematosascom hiperpigmentação ou hipopigmentação ocasionais. Crostas, escamas, hiperceratose ou erosão podem ser observadas nessas lesões, que podem imitar vários outros distúrbios da pele, como eczemas, psoríase, infecção fúngica, líquen escleroso, dermatite de contato, linfoma cutâneo, melanoma, carcinoma espinocelular, dentre outros. Em estágios posteriores, as lesões podem evoluir com nódulos ou úlceras profundas. Embora sintomas associados, como prurido, ardor e sensibilidade local, frequentemente possam se desenvolver, cerca de 10- 15% das pacientes são assintomáticas e a lesão é descoberta geralmente em uma consulta ginecológica de rotina. Historicamente, a abordagem padrão para o tratamento da DPV tem sido a excisão cirúrgica. No entanto, devido à natureza multifocal do tumor, formato irregular e limites indistintos, as margens de ressecção são frequentemente positivas e as recorrências locais são comuns. Como a cirurgia também tem sido a base do tratamento das 17 @sarahellen_figueredo recorrências locais, as pacientes podem desenvolver cicatrizes mutilantes e resultados funcionais ruins. O tratamento cirúrgico da DPV consiste principalmente na excisão local ampla, e seu principal desafio clínico é obter margens cirúrgicas livres. Não está claro qual deve ser a margem cirúrgica durante o procedimento, pois as células de Paget podem se espalhar microscopicamente por toda a epiderme, sem visualização de qualquer lesão clínica. Isso torna difícil determinar a extensão completa e a disseminação da lesão. Doenças da vagina A vagina é uma parte do sistema genital feminino notavelmente resistente a doenças que afetam estruturas próximas. Por exemplo, no adulto, a inflamação que começa na vulva e estruturas perivulvares muitas vezes se espalha para o colo uterino sem envolvimento significativo da vagina. Lesões primárias da vagina são raras, sendo o carcinoma de células escamosas vaginal a mais grave Lesões benignas da vagina As lesões benignas podem ser oriundas de traumas por agentes físicos e químicos, corpos estranhos e tumores (sólidos e císticos). Trauma Traumas vaginais podem ocorrer em decorrência de acidentes com fratura de bacia e lacerações vaginais. Uso de fórceps, estupros e coitos brutais também podem traumatizar a vagina. Sob anestesia, deve-se limpar a região e examinar, cuidadosamente, estruturas vizinhas como uretra, bexiga, reto e esfíncter anal. Atentar para eventual necessidade de exploração por meio de laparoscopia ou laparotomia e cistoscopia. Realizar hemostasia e sutura quando necessárias. Queimaduras vaginais por cautério elétrico, crioterapia, produtos caústicos e radionecrose devem ser conduzidas com duchas de soro fisiológico, pomada de colagenase e de hidrocortisona para reduzir fibrose. Corpo estranho Corpos estranhos podem ser encontrados na vagina por esquecimento da própria paciente (p. ex., tampão menstrual), pelo médico após procedimentos cirúrgicos via vaginal e após manipulações genitais. A conduta é a remoção do corpo estranho e ducha vaginal com soro fisiológico. Tumores benignos Sólidos (endometriose, condilomas, adenose e pólipos fibroepiteliais) ou císticos (de inclusão e dos ductos de Gartner). Cistos pequenos e assintomáticos não necessitam de tratamento, porém os volumosos devem ser excisados. Endometriose de parede vaginal deve ser mais bem investigada para análise da extensão da doença. Neoplasias intraepiteliais vaginais Diagnóstico A maioria das lesões vaginais é diagnosticada como resultado de um teste de triagem cervical. Mulheres com citologia positiva na ausência de doença cervical devem ser pesquisadas para a possibilidade de lesões vaginais. A citologia é sensível (67,5 a 76,2%) e mais confiável do que a colposcopia para detectar lesões vaginais. Quando combinada com testes de HPV, a detecção pode chegar a 95%. O teste de ácido acético a 3% com a visualização completa das paredes e dobras vaginais deve ser feito girando o espéculo. A histologia obtida por biópsia é o padrão-ouro diagnóstico. Tratamento O tratamento deve ser individualizado. Baseia-se nas características da paciente (idade, paridade, estado imunológico, atividade sexual), no tipo de lesão (gravidade e localização da lesão, extensão da doença, multicentricidade) e no histórico (histerectomia para lesão intraepitelial escamosa de alto grau de colo do útero, irradiação anterior). A confirmação histológica é fundamental para o planejamento do tratamento. Neoplasia de baixo grau vaginal Apresenta baixo risco de progressão para câncer e alto potencial de regressão espontânea (48 a 88% dos casos). A conduta expectante poderá ser adotada na lesão de baixo grau, principalmente em mulheres jovens. Acompanhamento rigoroso deverá ser feito até que a remissão completa ocorra. Pode haver recorrência mesmo após tratamento com laser ou excisão (24,3 e 22,2%, respectivamente). O uso de imiquimode 5% creme (0,25 g, 1/2 aplicador, 1 vez/semana durante 3 semanas). É eficaz e bem tolerado. O seguimento com coteste (citologia + teste HPV) aos 12 meses é recomendado. Dado o alto valor preditivo negativo do teste de HPV, apenas um coteste é necessário. Se apenas a citologia for usada, ela deve ser repetida aos 6 e 12 meses. Em caso de coteste negativo ou duas citologias negativas, a triagem adicional pode ser interrompida. Pacientes com testes positivos devem ser encaminhados para colposcopia. 18 @sarahellen_figueredo Neoplasia de alto grau vaginal Trata-se de uma lesão com potencial maligno e deve ser tratada. Sem tratamento, a progressão para câncer invasivo é de 9 a 50% de casos. Intervenções cirúrgicas Podem ser: Excisionais: bisturi frio, laser CO2, aspiração cirúrgica ultrassônica, cirurgia de alta frequência. Ablativas: vaporização a laser CO2, terapia fotodinâmica, eletrocoagulação (fulguração). Vaginectomia total e radioterapia (braquiterapia) são indicadas em casos selecionados, em doença extensa e persistente. Ambos os tratamentos apresentam elevada morbidade e comprometem muito a qualidade de vida das pacientes. Braquiterapia apresenta alta taxa de sucesso, porém, por seus efeitos colaterais, fica reservada para mulheres com doença multifocal e aquelas com falha nos tratamentos anteriores. Métodos excisionais são preferidos, pois fornecem material para análise histopatológica, permitindo o estudo das margens e a exclusão da doença invasiva. As melhores taxas de sucesso rondam entre 66 e 81%. É a primeira opção em lesão unifocal e bem delimitada. Excisão local ampla está associada a menor risco de recorrência, mas tem aplicabilidade limitada, pela multifocalidade das lesões. A taxa de doença residual é de 8,6 a 18,9%. Excisão por laser geralmente é associada a outras modalidades de tratamento para neoplasia intraepitelial vaginal. Deve ser realizada por profissional experiente, dado o risco de complicações peri e pós-operatórias. Vaginectomia parcial está indicada em neoplasia intraepitelial de alto grau em cúpula vaginal. Em lesões multifocais, pode ser combinada a vaporização a laser. Tratamento medicamentoso Agentes tópicos são indicados para lesões persistentes, multifocais e para pacientes que não podem fazer tratamento cirúrgico. Opções: imiquimode, ácido tricloroacético, 5-fluorouracil. Imiquimode: 3 vezes por semana durante 8 semanas. Reavaliar a paciente a cada 4 semanas. Está associado a menor recorrência e maior taxa de clareamento viral e pode ser considerado o melhor manejo tópico. 5-fluorouracil: Efurix® (5FU a 5%): 1/2 (2,5 g) aplicador intravaginal a cada 15 dias, seguido de uso de Gino Kollagenase® por 3 noites consecutivas. Seu uso deve ser muito criterioso, sendo indicado em casos selecionados, como pacientes imunossuprimidas, lesões multifocais e recorrentes.