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DISTÚRBIOS DA MOTRICIDADE OROFACIAL Professora Esp. Brenda Miyuki Santana UniFatecie CENTRO UNIVERSITÁRIOREITORIA Prof. Me. Gilmar de Oliveira DIREÇÃO ADMINISTRATIVA Prof. Me. Renato Valença DIREÇÃO DE ENSINO PRESENCIAL Prof. Me. Daniel de Lima DIREÇÃO DE ENSINO EAD Profa. Dra. Giani Andrea Linde Colauto DIREÇÃO FINANCEIRA Eduardo Luiz Campano Santini DIREÇÃO FINANCEIRA EAD Guilherme Esquivel DIREÇÃO DE INOVAÇÃO Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal DIREÇÃO DE PLANEJAMENTO E PROCESSOS Prof. Me. Arthur Rosisnski NÚCLEO DE APOIO PSICOLÓGICO E PSICOPEDAGÓGICO Bruna Tavares Fernandes BIBLIOTECÁRIA Tatiane Viturino Oliveira PESQUISADOR INSTITUCIONAL Tiago Pereira da Silva COORDENAÇÃO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO (CONPEx) - MODALIDADE PRESENCIAL Profa. Dra. Luciana Moraes COORDENAÇÃO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO (CONPEx) MODALIDADE EaD Prof. Me. Bruno Eckert Bertuol COORDENAÇÃO DO DEPTO. DE PRODUÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS Luiz Fernando Freitas REVISÃO ORTOGRÁFICA E NORMATIVA Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante Isabelly Oliveira Fernandes de Souza Jéssica Eugênio Azevedo Louise Ribeiro Marcelino Fernando Rodrigues Santos Maria Clara da Silva Costa Milena Pereira do Espirito Santo Stephanie Rodrigues da Mota Vieira Vinicius Rovedo Bratfisch PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Bruna de Lima Ramos Carlos Firmino de Oliveira Lucas Patrick Rodrigues Ferreira Estevão Vitor Amaral Poltronieri ESTÚDIO, PRODUÇÃO E EDIÇÃO André Oliveira Vaz DE VÍDEO Guilherme Carrenho Pedro de Lima Roberto Garcia Maria Beatriz Paula da Silva Thassiane da Silva Jacinto FICHA CATALOGRÁFICA Dados Internacionais de Catalogação na Publicação CIP S232d Santana, Brenda Miyuki Distúrbios da motricidade orofacial / Brenda Miyuki Santana. Paranavaí: EduFatecie, 2025. 96 il. color. 1. Sistema estomatognático Doenças. 2. Fonoaudiologia Prática. Distúrbios da deglutição. I. Centro Universitário II. Núcleo de Educação a Distância. III. Título. CDD: 23. ed. 617.522 Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos CRB 9/1577 As imagens utilizadas neste material didático são oriundas do banco de imagens Shutterstock. 2023 by Editora Edufatecie. Copyright do Texto 2023. Os autores. Copyright Edição 2023 Editora Edufatecie. 0 conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correção e confiabilidade são de responsabilidade exclusiva dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Permitido 0 download da obra e compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem a possibilidade de alterá-la de nenhuma forma OU utilizá-la para finsAUTORA Professora Esp. Brenda Miyuki Santana Bacharel em Fonoaudiologia (Pitágoras Unopar); Pós-graduação em Reabilitação Neurológica em Fonoaudiologia (Unyleya); Pós-graduação em Fonoaudiologia no Transtorno do Espectro Autista. (CBI Of Miami); Aperfeiçoamento em Avaliação e Intervenção nos Transtornos de Aprendizagem (Ecos-clin); Aperfeiçoamento em Intervenção Fonoaudiológica em Linguagem Infantil (Alcance meeting); Aperfeiçoamento em Avaliação Fonoaudiológica de Linguagem (Alcance meeting); Aperfeiçoamento em Aprimoramento em Fala e Linguagem - Primeira Infância (Instituo LA VIA); Aperfeiçoamento em Transtornos neurológicos adquiridos (Fonotrade); Aperfeiçoamento em fotobiomodulação (Fonotrade); Curso de curta duração em Estratégias Neurossensoriais para Disfagia (GeadCursos); Curso de curta duração em avaliação clínica das disfagias orofaríngeas (Motility Oral); Curso de curta duração em Anatomia e Fisiologia do Sistema Orofacial (GeadCursos); Entre outros cursos. Fonoaudióloga Clínica e home care. 3Trabalhou na ISCAL como fonoaudióloga hospitalar de 2019 a 2023. Trabalhou como fonoaudióloga clínica no ILECE de 2019 a 2021. Trabalha na clínica multiprofissional da Unimed Londrina desde 2021 e realiza atendimento home care desde 2018. Informações e contato: Currículo Plataforma Lattes: 4APRESENTAÇÃO Olá, caro(a) aluno(a)! É com grande satisfação que damos as boas-vindas a você nesta jornada de aprendizado. Esta apostila foi cuidadosamente elaborada para guiá-lo(a) por um percurso enriquecedor de conhecimento e descobertas. Nossa missão é fornecer as ferramentas necessárias para que você não apenas absorva informações, mas também compreenda e aplique conceitos de maneira prática em seu cotidiano. Como está estruturada a nossa jornada? Na unidade I, vamos conhecer sobre "Musculatura e Motricidade Orofacial", sendo uma breve contextualização sobre anatomia e fisiologia do músculo estriado, falaremos sobre músculos e inserção da face, lábios e língua; e suas funções. E também sobre os músculos e inserção da mandíbula, palato mole e faringe. Já na unidade II, você irá saber mais sobre "Abordagem da Motricidade Oral" estudando sobre sistema estomatognático e as funções de expressão, sucção, deglutição, mastigação, respiração, fala. Iremos abordar sobre ronco e apneia, tipos respiratórios e a síndrome do respirador oral. E também iremos aprender sobre alterações craniofaciais: fissuras labiopalatinas. Na sequência, na unidade III, falaremos a respeito das "Patologias da Abordando os hábitos orais deletérios e suas consequências. desenvolvimento craniofacial e classificações faciais, assim como a mastigação normal e alterada, tipos de mordida, dentição decídua e permanente, formação de bolo alimentar e deglutição atípica e adaptada. Em nossa unidade IV, vamos finalizar conteúdo dessa disciplina com a "Paralisia Facial e Aleitamento Materno". Aprendendo mais sobre aleitamento materno: desenvolvimento embrionário, sucção e respiração; desenvolvimento craniofacial; reflexos orais e também anatomia, fisiologia, manejo clínico da lactação. Problemas na amamentação, alterações motoras orofaciais. Iremos abordar a paralisia facial e seus tipos. E finalizaremos com alteração de fala: ceceios e programa de treinamento. Sem mais delongas, desejamos a você uma experiência de aprendizado estimulante e gratificante. Vamos começar esta jornada juntos! Bons estudos! 5SUMÁRIO UNIDADE 1 Musculatura e Motricidade Orofacial UNIDADE 2 Abordagem da Motricidade Oral UNIDADE 3 Patologias da Deglutição UNIDADE 4 Paralisia Facial e Aleitamento Materno 6UNIDADE Musculatura e Motricidade OrofacialPLANO DE ENSINO Tópicos de Estudos Anatomia e Fisiologia do Músculo Estriado; Músculos e Inserção da Face, Lábios e Língua; Músculos e Inserção da Mandíbula, Palato Mole e Faringe. Objetivos da Aprendizagem Compreender a localização e a inserção dos músculos; Identificar os músculos e aprender sobre suas funções. UNIDADE 1 MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIAL 8INTRODUÇÃO Olá, tudo bem? Seja bem-vindo(a) à nossa primeira unidade da disciplina de Distúrbios da Motricidade Orofacial. Acredito que, assim como eu, você deve estar com muitas expectativas para iniciar esse caminho de aprendizagem. Vamos começar? Procure um lugar confortável, porque vamos realizar uma introdução a essa matéria. A musculatura orofacial desempenha um papel fundamental na realização de funções básicas e complexas do nosso corpo humano, como a mastigação, deglutição, respiração e fala. E que é essa motricidade orofacial? É a capacidade de controlar e coordenar os movimentos desses músculos. Essa estrutura muscular orofacial é composta por músculos estriados esqueléticos, que são controlados voluntariamente e têm inserções e funções específicas, muitas vezes interdependentes. Disfunções nesta musculatura podem gerar uma série de condições clínicas, incluindo dificuldades na alimentação, problemas de fala, distúrbios respiratórios e alterações nas expressões faciais, afetando diretamente a qualidade de vida do paciente. aprofundamento no estudo dos Distúrbios da Motricidade Orofacial, bem como suas patologias, é essencial na busca pelo conhecimento. conteúdo a seguir irá explorar anatomia e fisiologia dessa musculatura, assim como origem e inserção dos principais músculos e suas funções. Vamos começar essa jornada de conhecimento? Bons Estudos! UNIDADE 1 MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIAL 9TÓPICO 1 Anatomia e Fisiologia do Músculo Estriado Para darmos início a essa unidade, antes de qualquer ensinamento, precisamos saber conceito de músculo. músculo é composto por células alongadas chamadas fibras musculares. Essas fibras são excitáveis à semelhança das células nervosas, mas ao contrário das células nervosas que são especializadas na condução de um impulso, as fibras musculares realizam a contração celular. Ele é um tecido especializado cuja principal função é gerar movimento através da contração e relaxamento das fibras musculares. De acordo com Junqueira e Carneiro (2023), a principal característica funcional do músculo é sua capacidade de excitabilidade, contratilidade, elasticidade e extensibilidade, propriedades essenciais para a realização de funções motoras e posturais no organismo. Toda esta atividade é realizada por três tipos de musculatura, porém, vamos falar somente do músculo estriado esquelético, que está, de maneira geral, ligado aos ossos e tem como características a movimentação do esqueleto (Douglas, 2006). músculo estriado esquelético desempenha papel essencial nos movimentos voluntários e na sustentação postural. No campo da Fonoaudiologia, é particularmente fundamental para funções orofaciais como fala, deglutição e mastigação. Ele está ligado ao ou à cartilagem e, ocasionalmente, se insere dentro de outro músculo ou na epiderme. UNIDADE 1 MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIAL 10tecido muscular estriado esquelético é formado por feixes de longas células (fibras), multinucleadas, cilíndricas, arranjadas paralelamente entre si. Quando observadas em cortes longitudinais ao microscópio, as células apresentam faixas transversais em seu citoplasma, motivo pelo qual são denominadas estriadas. São fibras de contração rápida e vigorosa, sujeitas ao controle voluntário e constituem os músculos esqueléticos do corpo (Junqueira; Carneiro, 2023). Falando sobre a estrutura, músculo esquelético é formado pelas células ou fibras musculares. Cada fibra muscular possui uma subunidade denominada de miofibrilas, que dão aspecto estriado e que ocupam a maior parte do volume celular. E, por sua vez, cada miofibrila é formada por três sarcômeros em série. UNIDADE 1 MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIAL 11TÓPICO 2 Músculos e Inserção da Face, Lábios e Língua Acerca dos músculos, alguns escritores descrevem que são formados por diversas fibras que ao contraírem promovem seu movimento, tal ação é voluntária; comandada pelo Sistema Nervoso. Conforme Fehrenbach e Herring (1998), cada músculo possui duas extremidades, a extremidade de origem, que é o ponto fixo do músculo, e a inserção, que é seu ponto móvel; sendo que quando ocorre a contração das fibras, o músculo movimenta-se da inserção em direção à origem. Vamos abordar logo abaixo uma sequência de músculos da face, lábios e língua, assim como seu ponto de inserção: IMAGEM 1 - MÚSCULOS DA FACE Fonte: Freepik ID: 1020664 UNIDADE 1 MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIAL 122.1 Orbicular da boca É esfíncter da boca e está contido nos lábios. Quase não possui origem óssea, apesar de seu tamanho, pois somente alguns feixes se fixam na espinha nasal anterior e nas fóveas incisivas da maxila e da mandíbula (Madeira, 2012). É um importante músculo da expressão facial situado nos lábios. Origem: não possui. Inserção: não possui. Função: fecha a boca, franze os lábios (assobiar) e desempenha um papel importante na articulação e mastigação (ajuda a manter alimento entre os dentes, quando auxiliado pelo bucinador). Trajeto: circular ao redor da boca. IMAGEM 2 MÚSCULOS EXTRÍNSECOS DA FACE Fonte: Freepik ID: 3142018 2.2 Transversos 2.2.1 Músculo Bucinador É o músculo da bochecha, situado entre a pele e a mucosa (Madeira, 2012). É um importante músculo da expressão facial situado nos lábios. Origem: processos alveolares da maxila e da mandíbula na região molar; Inserção: fibras se entrelaçam no músculo orbicular da boca /ângulo da boca. Função: pressiona as bochechas firmemente de encontro aos dentes (lateral), auxilia na mastigação e na fala, ato de tracionar para trás ângulo da boca. Trajeto: oblíquo, quase vertical. UNIDADE 1 MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIAL 132.2.2 Músculo Risório É muito delgado e triangular, traciona a comissura labial. Origem: pele da bochecha e fáscia massetérica. Inserção: ângulo da boca. Função: traciona ângulo da boca para cima e para fora (responsável por aquele sorriso discreto). Trajeto: horizontal, direção anterior ao bucinador. 2.2.3 Músculo Levantador do Lábio superior Encontra-se na região do lábio superior, participando em sua movimentação. Origem: margem inferior da órbita acima do forame infraorbital, maxila e zigomático; Inserção: lábio superior. Função: levanta o lábio superior e leva-o um pouco para frente. Trajeto: se dirige obliquamente, para se inserir na metade lateral do lábio superior. 2.2.4 Músculo Levantador do Lábio superior e da Asa do nariz Confunde-se com as fibras do músculo orbicular da boca. Origem: processo frontal maxilar (nível do ângulo do olho). Inserção: lábio superior e asa do nariz. Função: eleva e realiza a protrusão do lábio superior e a abertura da asa do nariz (mostra a gengiva). Trajeto: se dirige inferiormente até a pele da aba do nariz e no lábio superior. 2.2.5 Músculo Zigomático Menor Faz parte do grupo muscular plasmático propriamente dito, que atua sobre a musculatura esfinctérica dos lábios. Origem: corpo do osso zigomático. Inserção: lábio superior (entre levantador do lábio superior e zigomático maior). Função: auxilia na elevação do lábio superior e acentua sulco nasolabial (expõe os dentes superiores início de um sorriso ou fisionomia de desprezo). Trajeto: medial ao zigomático maior e ao orbicular da boca. UNIDADE 1 MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIAL 142.2.6 Músculo Zigomático Maior Faz parte do grupo dos músculos que contribuem para a expressão de riso expansivo. Origem: face lateral do osso zigomático. Inserção: ângulo da boca. Função: conhecido também como músculo do riso, por causa de sua ação de levantar e retrair o ângulo da boca (risada). Trajeto: medial ao zigomático maior e ao orbicular da boca. IMAGEM 3 - MÚSCULO ZIGOMÁTICO MAIOR Fonte: Shutterstock ID: 2597516409 2.2.7 Músculo do Lábio Inferior É um músculo quadrilátero. Origem: base da mandíbula, acima da origem do depressor do ângulo da boca. Inserção: lábio inferior. Função: repuxa o lábio inferior diretamente para baixo e lateralmente (expressão de ironia). Trajeto: obliquamente até o lábio. 2.3 Verticais UNIDADE 1 MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIAL 152.3.1 Músculo Mentual Mentoniano É pequeno e é único músculo dos lábios que não se insere no orbicular da boca. Origem: fossa incisiva da mandíbula. Inserção: pele do mento (queixo). Função: eleva e projeta lábio inferior para fora, enruga a pele do queixo. Trajeto: vertical. 2.3.2 Músculo Depressor/Abaixador do ângulo da boca Traciona a boca para baixo e um pouco lateralmente. Origem: base da mandíbula (da região molar ao tubérculo mentoniano). Inserção: ângulo da boca. Função: deprime ângulo da boca (expressão de tristeza). 2.3.3 Músculo Levantador do ângulo da Boca Incorpora-se ao músculo orbicular da boca e participa na formação do sulco nasolabial. Origem: fossa canina (maxila). Inserção: ângulo da boca. Função: eleva ângulo da boca (contribuindo para expressão de alegria) e acentua sulco nasolabial. Trajeto: vertical. 2.4 Paralelos IMAGEM 4 -MÚSCULOS PARALELOS Fonte: Shutterstock ID: 2597516409 UNIDADE 1 MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIAL 162.4.1 Músculo Platisma É um músculo amplo, delgado e triangular (não se trata propriamente de um músculo peribucal, apesar de se prender na mandíbula). É uma lâmina muscular longa, larga e fina que cobre a maior parte das regiões lateral e anterior do pescoço, chegando a cruzar a clavícula e terminar na região peitoral. Origem: base da mandíbula. Inserção: pele do pescoço. Função: enruga a pele do pescoço. 2.4.2 Músculo Occipitofrontal É um músculo do couro cabeludo com um ventre frontal e outro occipital. Origem: aponeurose epicrânica. Inserção: pele do supercílio; região occipital. Função: eleva supercílio de um ou de ambos os lados. Traciona para trás o couro cabeludo. Trajeto: antero posterior do crânio. 2.4.3 Músculo Corrugador do Supercílio Traciona para baixo e medialmente a sobrancelha. Origem: margem supraorbital do frontal. Inserção: pele de extremidade lateral do supercílio. Função: puxa o supercílio medialmente. Trajeto: medial à órbita. 2.4.4 Músculo Prócero Sua contração produz rugas transversais na raiz do nariz. Origem: nasal. Inserção: pele da glabela. Função: puxa a pele da glabela para baixo. Trajeto: vertical. UNIDADE 1 MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIAL 172.4.5 Músculo Orbicular do Olho Circunda a órbita e insere-se no frontal. É quase todo cutâneo, prendendo-se somente nos ligamentos palpebrais medial e lateral e em dois pontos ósseos da maxila e no lacrimal. Origem: ligamentos palpebrais, lacrimal e maxila. Inserção: pálpebras e pele periorbital. Função: fecha as pálpebras e as comprime contra olho. Trajeto: circular, ao redor do olho. 2.4.6 Músculo Nasal É dividido em parte transversa (ou compressora da narina) e parte alar (ou dilatador da narina). Origem: eminência canina; narina. Inserção: dorso do nariz. Função: comprime a narina; dilata a narina. 2.4.7. Músculos da Língua Todos os músculos são inervados pelo nervo hipoglosso, com exceção do palatoglosso, que é inervado pelo vago. IMAGEM 5 MÚSCULOS DA LÍNGUA Fonte: Shutterstock ID: 2597516409 2.5 Músculos intrínsecos São constituídos por feixes de fibras dispostos longitudinalmente (músculos longitudinais superior e inferior), transversalmente (músculo transverso) e verticalmente (músculo vertical). UNIDADE 1 MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIAL 18Origem: raiz da língua (longitudinais superior e inferior), septo da língua (transverso) e dorso da língua (vertical). Inserção: ápice da língua (longitudinais superior e inferior), margem da língua (transverso) e face inferior da língua (vertical). Função: altera a forma da língua, tornando-a curta e espessa; auxilia no ato de enrolar a língua em várias direções (longitudinais superior e inferior), estreita e alonga a língua (transverso e vertical). 2.6 Músculos extrínsecos 2.6.1 Músculo genioglosso É o mais volumoso dos músculos da língua. Origem: espinha mentoniana (logo acima do músculo gênio-hioideo). Inserção: ápice, dorso e raiz da língua. Função: abaixa a língua. Fibras médias e posteriores protraem. Fibras anteriores retraem a ponta. 2.6.2 Músculo hioglosso É formado por uma delgada lâmina muscular de forma retangular. Origem: corno maior e no corpo do hioideo; Inserção: parte lateral do corpo da língua. Função: abaixa e ajuda a retrair a língua. 2.6.3 Músculo estiloglosso Atua como sinergista do músculo palatoglosso na elevação da parte posterior do dorso da língua. Origem: processo estiloide do osso temporal. Inserção: margem lateral, no ápice, e na parte lateral da raiz e do corpo da língua. Função: retrai e levanta a lateral da língua. 2.6.4 Músculo palatoglosso Pode agir como levantador da língua, mas, se esta estiver fixa, ele abaixa o palato mole. Origem: aponeurose palatina. Inserção: aspecto posterolateral da língua. Função: eleva a língua ou abaixa palato. Ajuda a estreitar o istmo da garganta. UNIDADE 1 MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIAL 19TÓPICO Músculos e Inserção da 3 Mandíbula, Palato Mole e Faringe A anatomia dos músculos da mandíbula, palato mole e faringe é fundamental para a compreensão da motricidade orofacial e suas implicações na fonoaudiologia. Estes músculos desempenham papéis essenciais na mastigação, deglutição, articulação da fala e respiração. A seguir, apresentarei uma revisão detalhada destes músculos, incluindo suas inserções e funções. 3.1 Músculos da Mandíbula Os músculos da mandíbula, também conhecidos como músculos da mastigação, são responsáveis pelos movimentos necessários para triturar e mastigar os alimentos. Eles incluem masseter, temporal, o pterigoideo lateral e pterigoideo medial, que trabalham em conjunto para permitir a elevação, a depressão, a lateralização e a protrusão da mandíbula, essenciais para processo de digestão. 3.2 Músculos depressores Os músculos depressores da face são responsáveis por movimentos que abaixam partes da face, como a boca e as sobrancelhas. Entre os principais estão músculo depressor do ângulo da boca, que abaixa os cantos da boca, e o depressor do lábio inferior, que movimenta lábio para baixo. Esses músculos contribuem para expressões faciais relacionadas à tristeza, raiva ou desagrado, desempenhando um papel importante na comunicação não verbal. UNIDADE 1 MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIAL 20IMAGEM 6 - MÚSCULOS DA FACE Fonte: Shutterstock ID: 308357447 3.2.1 Músculo Digástrico Possui dois ventres cárneos unidos por um tendão em comum (ventre posterior e ventre anterior). Origem: incisura mastoidea. Inserção: fossa digástrica. O tendão intermediário prende-se pela alça digástrica (indiretamente) ao hioideo. Função: eleva o hioideo e retrai a mandíbula. 3.2.2 Músculo Milo-hioideo Contribui para elevação da cavidade oral, sendo que a junção do milo-hioideo direito com o milo-hioideo esquerdo constituem um plano muscular sobre o qual se assenta a língua. Origem: linha milo-hioidea da mandíbula. Inserção: corpo do hioide. Função: eleva soalho da boca, hioide e língua. Protrai o hioide ou retrai (e abaixa) a mandíbula. 3.2.3 Músculo Gênio-hioideo Suas fibras dirigem-se para dentro do hioide, considerado como um músculo independente. Origem: espinha mentual inferior da mandíbula. Inserção: corpo do hioide. Função: eleva o hioide e faz depressão da mandíbula. UNIDADE 1 MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIAL 213.2.4 Músculo Pterigoideo Lateral A cabeça superior deste músculo oferece componente de fechamento mandibular e a cabeça inferior, de abertura de mandíbula. Origem: face lateral de lâmina lateral do processo Pterigoideo e superfície infratemporal da asa maior do esfenoide. Inserção: fóvea pterigoidea e margem anterior do disco da ATM. Função: protrai (e junto com os digástricos, abaixa) a mandíbula pela contração bilateral simultânea. Movimenta para um dos lados pela contração unilateral. Estabiliza o disco articular. 3.3 Músculos elevadores 3.3.1 Músculo Masseter É músculo mais superficial dentro do grupo dos músculos da mastigação. Origem: margem inferior do osso zigomático (parte superficial) e margem inferior do arco zigomático (parte profunda). Inserção: face lateral do ramo da mandíbula. Função: eleva (com força) a mandíbula. 3.3.2 Músculo Temporal Possui tendão muito potente, é um forte levantador da mandíbula. Origem: soalho da fossa temporal e superfície medial da fáscia temporal. Inserção: bordas e face medial do processo coronoide (crista temporal) e borda anterior do ramo da mandíbula. Função: eleva a mandíbula (mais velocidade do que potência) retrai a mandíbula com a porção posterior. 3.3.3 Músculo Pterigoideo Medial É um importante músculo da mastigação, auxiliando na elevação da mandíbula. Origem: fossa pterigoidea. Inserção: face medial do ângulo da mandíbula. Função: eleva a mandíbula, age como sinergista do masseter. UNIDADE 1 MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIAL 223.4 Músculos do Palato Mole São inervados pelo nervo vago, via plexo faríngeo, com exceção do tensor do véu palatino, cuja inervação vem do nervo mandibular, ramo do trigêmeo. 3.4.1 Palatoglosso É descrito nos músculos da língua, considerado um músculo do palato mole por ser responsável por abaixar palato mole em direção à língua. 3.4.2 Palatofaríngeo É mais espesso e potente que o músculo palatoglosso. Origem: aponeurose palatina. Inserção: superfície posterolateral da faringe. Função: eleva a faringe e estreita istmo da garganta. Age também como elevador da faringe. 3.4.3 Músculo Tensor do Véu Palatino Estende-se desde a base do crânio até a face superior do palato mole. Quando ambos os tensores se contraem, palato mole torna-se tenso, enrijecido, principalmente a sua porção anterior. Origem: fossa escafoide. Inserção: parte superior da aponeurose palatina. Função: eleva palato mole e auxilia seu contato com a parede posterior da faringe. Torna tenso palato mole. 3.4.4 Músculo da úvula É menor músculo do palato. Origem: espinha nasal posterior. Inserção: mucosa da úvula. Função: movimenta a úvula. 3.4.5 Músculo Levantador do Véu Palatino: Um músculo roliço, que se estende da base do crânio diretamente ao palato mole. Origem: aspecto inferior da parte petrosa do temporal. Inserção: aponeurose Palatina. Função: eleva palato mole como na deglutição e na sucção, dessa maneira também eleva a faringe (ao mesmo tempo). UNIDADE 1 MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIAL 233.5 Músculos do Faringe Os músculos da faringe atuam na deglutição, fonação e respiração, coordenando o transporte do bolo alimentar da cavidade oral para o esôfago. IMAGEM 7 - MÚSCULOS DA FARINGE Estilo-hióideo Milo-hióideo Digástrico (ventre anterior) Hioglosso Tiro-hióideo Constritor inferior da faringe Omo-hióideo (ventre superior) Esternotiróideo Omo-hióideo (ventre inferior) Fonte: adaptado de http://www.dgsotorrinolaringologia.med.br/APOST_LARINGE.htm 3.5.1 Músculo Constritor Superior: Este músculo provoca encurtamento das partes nasal e oral da faringe, além da constrição da parte superior da faringe. Possui diversas fibras que recebem nomes de acordo com a região em que se encontra, a saber: pterigofaríngeo, bucofaríngeo, milofaríngeo e glossofaríngeo. Origem: rafe pterigomandibular. Inserção: rafe da faringe na linha mediana da parede posterior da faringe que se inserem na base externa do crânio. Função: eleva a faringe e a laringe e direciona alimento para o esôfago durante a deglutição (constrição da faringe na fase inicial da deglutição). UNIDADE 1 MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIAL 243.5.2 Músculo Constritor Médio: É menor dos constritores, possui duas fibras, a saber: ceratofaríngeo e condrofaríngeo. Origem: osso hioide e ligamento estilohióideo. Inserção: rafe da faringe na linha mediana da parede posterior da faringe que se inserem na base externa do crânio. Função: eleva a faringe e a laringe e direciona alimento para o esôfago durante a deglutição (constrição da faringe durante a deglutição). 3.5.3 Músculo Constritor Inferior: Forma o esfíncter superior do esôfago juntamente com as fibras lisas do esôfago, possui duas fibras, a saber: tireofaríngeo e cricofaríngeo. Origem: cartilagens tireoide e cricoide da laringe. Inserção: rafe da faringe na linha mediana da parede posterior da faringe que se inserem na base externa do crânio. Função: eleva a faringe e a laringe e direciona alimento para o esôfago durante a deglutição (direcionamento do bolo alimentar para esôfago). 3.5.4 Músculo Estilofaríngeo: É um músculo alongado, estreito e vertical que pertence ao grupo dos músculos longitudinais da faringe, desempenhando papel fundamental nos movimentos de elevação da faringe e da laringe durante a deglutição e a fonação. Origem: processo estiloide do temporal. Inserção: parede lateral da faringe e cartilagem tireoide. Função: elevação da faringe e laringe, facilitando a passagem do bolo alimentar. 3.5.5 Músculo Salpingofaríngeo: É um músculo delgado e pequeno, pertencente ao grupo dos músculos longitudinais da faringe, atuando principalmente na deglutição e na ventilação da orelha média. Origem: tuba auditiva. Inserção: parede lateral da faringe. Função: eleva a faringe e ajuda na abertura da tuba auditiva. UNIDADE 1 MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIAL 253.5.6 Músculo Palatofaríngeo: É um músculo alongado e laminar, pertencente ao grupo dos músculos longitudinais da faringe, que atua tanto na deglutição quanto na fonação, além de participar dos movimentos do palato mole. Origem: aponeurose palatina. Inserção: parede lateral da faringe. Função: eleva a faringe e laringe, auxilia na deglutição e regula a ressonância vocal. SAIBA MAIS Em casos de fratura da mandíbula ou paralisia de ambos músculos genioglossos, a língua retrai-se e pode advir sufocação por obstrução da passagem aérea. A língua só não cai para trás e obstrui a respiração mais facilmente porque genioglosso se fixa na mandíbula. Fonte: Madeira (2012). REFLITA "Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana". Fonte: Carl Jung. UNIDADE 1 MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIAL 26CONSIDERAÇÕES FINAIS Chegamos ao final da nossa primeira unidade! Espero que você tenha aproveitado ao máximo os conhecimentos apresentados aqui. Mas calma, você sabe que os estudos sobre esses assuntos não acabam aqui, né? Agora é aquele momento de procurar por mais informações, continuar suas pesquisas em sites, revistas, artigos científicos, livros e vídeos, ou até mesmo com profissionais de outras áreas que trabalham ou convivem com idosos a fim de enriquecer ainda mais seu repertório sobre assunto! conhecimento aprofundado da musculatura e da motricidade orofacial é essencial para a prática fonoaudiológica. A compreensão das interações entre estruturas, funções e disfunções permite um diagnóstico mais preciso e uma intervenção mais eficaz. O conhecimento sobre as origens e inserções dos músculos será essencial para a prática de todas as áreas da fonoaudiologia. Essas musculaturas são a base para a fala (produção de cada fonema), deglutição, respiração, mímica facial. A compreensão dos princípios fundamentais dessa disciplina será crucial para desenvolvimento de estratégias e intervenções que atendam às necessidades específicas de cada queixa e indivíduo. Na próxima unidade, iremos abordar sobre a motricidade orofacial, sistema estomatognático e as suas funções. Iremos falar também sobre ronco e apneia e síndrome do respirador oral, e vamos falar também sobre patologias. Já estou ansiosa para abordar esses temas com você. Espero você na próxima unidade, até breve. UNIDADE 1 MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIAL 27LEITURA COMPLEMENTAR Caro(a) aluno(a), que tal fazermos uma leitura complementar sobre esse capítulo? Deixo a seguir uma sugestão de leitura: Artigo: A Associação da Disfunção Temporomandibular à Dor Orofacial e Cefaleia Resenha: A articulação temporomandibular (ATM) possibilita a mastigação, deglutição e fonética, faz parte do sistema estomatognático, e é capaz de múltiplos movimentos. A DTM (disfunção temporomandibular) representa certas condições musculares e articulares na região crânio orofacial que podem causar problemas nos músculos da mastigação e na ATM e suas estruturas associadas, sendo a cefaleia e a dor orofacial alguns dos principais sintomas relatados pelos pacientes. Objetivo: analisar a relação da DTM à dor orofacial e cefaleia através de uma revisão narrativa. Métodos: para a realização deste estudo, foram feitas buscas nas bases de dados Scielo e Pubmed, utilizando as palavras-chave: Dor Orofacial, Disfunção Temporomandibular, Articulação Temporomandibular, Dor de Cabeça e Cefaleia. Conclusão: a partir dos artigos analisados na presente revisão, foi possível concluir que existe relação entre dor na região orofacial e cefaleia com a DTM, porém ainda não é claro o mecanismo dessa correlação, sendo necessários mais estudos para elucidar esse quadro clínico. Fonte: FEHRENBACH, Julia; SILVA, Betina Suziellen Gomes da; BRONDANI, Lucas Pradebon. A associação da disfunção temporomandibular à dor orofacial e cefaleia. Journal of Oral Investigations, Passo Fundo, v.7, n. 2, p. 69-78, jul./dez. 2018. Disponível em: https://seer.atitus.edu.br/index.php/JOl/article/view/2511/0 Acesso em: 11 mar. 2025. UNIDADE 1 MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIAL 28MATERIAL COMPLEMENTAR Miguel Carlos Madeira LIVRO Anatomia da Face Título: Anatomia da Face: Bases Anatomofuncionais para a BASES ANATOMOFUNCIONAIS Prática Odontológica. PARA A PRÁTICA ODONTOLÓGICA edição Autor: Miguel Carlos Madeira e Roelf J. Cruz Rizzolo. Editora: Sarvier face Sinopse: Leitura do Capítulo 4 Músculos da face. aplicada O capítulo aborda os músculos da face detalhadamente, assim sarvier face Nervos foce como a origem, inserção, inervação e função de cada um, fala sobre as expressões faciais e os músculos relacionados. Objetivo: Aprofundar o conhecimento sobre os músculos faciais e suas funções, sendo complementar a unidade estudada. VÍDEO Título: Entrevista com Irene Marchesan. Ano: 2020 D Sinopse: O vídeo é uma entrevista da fonoaudióloga Irene Marchesan, uma renomada fonoaudióloga brasileira, referência na área de Motricidade Orofacial, contando a história da Motricidade Orofacial para Canal da Abramo. Link: UNIDADE 1 MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIAL 29REFERÊNCIAS DOUGLAS, Carlos Roberto. Fisiologia aplicada à fonoaudiologia. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006. FEHRENBACH, Margaret J.; HERRING, Susan W. Anatomia ilustrada da cabeça e do pescoço. São Paulo: Manole, 1998. JUNQUEIRA, Luiz Carlos U.; CARNEIRO, José. Histologia básica: texto e atlas. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023. E-book. p. 203. ISBN 9788527739283. Dispo- nível em: em: 23 mar. 2025. MADEIRA, Miguel Carlos. Anatomia da face: bases anatomofuncionais para a prática odontológica. 8. ed. São Paulo: Sarvier, 2012. UNIDADE 1 MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIAL 30UNIDADE Abordagem da Motricidade OralPLANO DE ENSINO Tópicos de Estudos Sistema Estomatognático e Suas Funções; Ronco e Apneia; Tipos Respiratórios e Síndrome do Respirador Oral; Alterações Craniofaciais: Fissuras Labiopalatinas. Objetivos da Aprendizagem Compreender as funções do sistema estomatognático de expressão: sucção, deglutição, mastigação, respiração, fala; Identificar os tipos de respiração; Abordar sobre as fissuras labiopalatinas. UNIDADE 2 ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORAL 32INTRODUÇÃO Olá, tudo bem? Seja bem-vindo(a) à nossa segunda unidade da disciplina de Distúrbios da Motricidade Orofacial. Acredito que, assim como eu, você deve estar com muitas expectativas para dar continuidade a esse caminho de aprendizagem. Vamos começar? Procure um lugar confortável, porque vamos realizar uma introdução a essa matéria. A musculatura orofacial desempenha um papel fundamental na realização de funções básicas e complexas do nosso corpo humano. Funções básicas e essenciais para a sobrevivência humana, como a fala, expressão facial, articulação, respiração, mastigação e deglutição. Assim como a importância de identificar os padrões/tipos respiratórios e suas alterações. Nessa unidade de ensino, vamos aprender os tipos de alterações que uma "simples" respiração alterada pode ocasionar, assim como aprender a identificar os sintomas dessas alterações. aprofundamento no estudo do sistema estomatognático e suas funções é essencial na busca pelo conhecimento. conteúdo a seguir irá abordar as funções do sistema estomatognático, como fala, sucção, expressão, mastigação e deglutição, tipos respiratórios e síndrome do respirador oral, ronco e apneia e aborda alterações craniofaciais como a fissura labiopalatina. Vamos começar essa jornada de conhecimento? Bons Estudos! UNIDADE 2 ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORAL 33TÓPICO Sistema Estomatognático e Suas Funções As diversas funções que o Sistema Estomatognático (SE) efetua são mantidas por processos fisiológicos, que sustentam num crescimento correto, desenvolvido e maturação de suas estruturas anatômicas (Susanibar, et al., 2015). Define-se sistema estomatognático como um conjunto de estruturas orais que são responsáveis pela realização de funções vitais como sucção, deglutição, mastigação, respiração, fala e expressão facial. A compreensão da anatomia, fisiologia e integração dessas funções é fundamental para a atuação clínica do fonoaudiólogo. Sistema Estomatognático é constituído por estruturas ósseas, musculares, articulares, nervosas e glandulares localizadas na região da cabeça e pescoço, que atuam de maneira integrada para a realização das funções orais. Entre seus principais componentes estão: Ossos maxilares e mandíbula, articulação temporomandibular (ATM); Dentes; Lábios; Língua; Bochechas; Palato duro e mole; Faringe; Laringe; Músculos da face e pescoço; Inervação motora e sensitiva, principalmente pelos nervos cranianos (V, VII, IX, X e XII). UNIDADE 2 ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORAL 34funcionamento adequado do SE depende da integridade anatômica, sensorial e motora dessas estruturas. As estruturas do SE são classificadas habitualmente em dois grupos: estruturas estáticas/passivas e estruturas dinâmicas/ativas (Susanibar, et al., 2015). Estruturas Estáticas/Passivas gasto energético basal. Elementos participantes: como mandíbula, hioide, maxilar, coluna cervical, base do crânio; ATM articulações vertebrais cervicais; Dentes - área oclusal, periodonto, mucosa oral. Tendões; aponeuroses; ligamentos. Estruturas Dinâmicas/Ativas: formações que, para executar sua função, precisam gastar energia. Elementos participantes: nervos motores e sensitivos; músculos esqueléticos. A seguir, iremos abordar sobre as principais funções do SE: Expressão Facial: envolve a ação coordenada dos músculos da mímica facial, permitindo a manifestação de emoções e contribuindo para a comunicação não verbal. Esses movimentos são mediados principalmente pelo nervo facial (VII par craniano). Alterações nessas funções podem impactar convívio social e bem-estar emocional. Sucção: é uma função vital para a alimentação nos primeiros meses de vida. Inicialmente, a sucção é reflexa, passando a ser voluntária com desenvolvimento. Está diretamente relacionada ao crescimento orofacial e à transição alimentar. Componentes envolvidos Lábios e bochechas (selamento); Língua (movimento de pressão negativa); Palato e mandíbula (suporte anatômico); Coordenação com respiração e deglutição. Deglutição: é processo pelo qual o alimento ou a saliva é transportado da boca ao estômago. Envolve quatro fases: oral preparatória, oral, faríngea e esofágica. É necessário ter coordenação neuromuscular, segurança alimentar e eficiência no transporte do bolo alimentar. Mastigação: é um processo complexo que envolve preparo do alimento para a deglutição, com movimentos rítmicos da mandíbula, ação dos músculos mastigatórios, língua e bochechas, além da integridade dentária. A mastigação eficaz contribui para desenvolvimento orofacial e estimula crescimento ósseo. UNIDADE 2 ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORAL 35Respiração: a respiração nasal é considerada fisiológica e essencial para o equilíbrio das estruturas do SE. A respiração oral ou mista pode estar associada a alterações no crescimento craniofacial, posicionamento lingual, postura corporal e funções orais. Fala: envolve a articulação dos sons da linguagem, sendo uma função altamente dependente da integridade anatômica e funcional das estruturas orofaciais. controle motor fino da língua, lábios, mandíbula e palato é essencial para a produção articulatória adequada. É necessário ter uma coordenação pneumofonoarticulatória postura e tonicidade musculares, e precisão e agilidade nos movimentos orais. UNIDADE 2 ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORAL 36TÓPICO 2 Ronco e Apneia Os distúrbios respiratórios do sono (DRS), como o ronco e a apneia obstrutiva do sono (AOS), impactam diretamente a qualidade de vida e a saúde geral do indivíduo. ronco é definido como som respiratório ruidoso que ocorre durante o sono, causado pela vibração dos tecidos moles da orofaringe. Embora seja frequentemente visto como um problema social, ronco pode ser um indicativo de estreitamento das vias aéreas superiores e, em alguns casos, estar associado à apneia obstrutiva do sono (Susanibar, et al., 2015). Durante sono, especialmente nas fases mais profundas, ocorre o relaxamento natural da musculatura orofaríngea. Em algumas pessoas, esse relaxamento leva ao colapso parcial da via aérea, fazendo com que o fluxo de ar provoque a vibração dos tecidos como o palato mole, a úvula, a base da língua e as paredes faríngeas. Temos como principais mecanismos envolvidos a redução do tônus muscular orofaríngeo, redução da calibração da via aérea superior e/ou vibração de tecidos excessivamente moles, ou redundantes. Como fatores de risco do ronco, podemos citar a obesidade e acúmulo de gordura perifaríngea; anatomia craniwofacial alterada (retrognatismo, micrognatia, hipertrofia de amígdalas e adenoides); consumo de álcool ou sedativos antes de dormir; posição supina durante sono; e a idade avançada. A Apneia Obstrutiva do Sono (AOS) é caracterizada por episódios repetidos de obstrução parcial (hipopneia) ou completa (apneia) das vias aéreas superiores durante o sono, resultando em redução ou cessação do fluxo aéreo, dessaturação de oxigênio e despertares breves (microdespertares) (Lopes, et al., 2024). UNIDADE 2 ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORAL 37colapso da via aérea superior (em AOS) é multifatorial, envolvendo alterações anatômicas (por exemplo, hipertrofia de estruturas como a língua, palato mole e amígdalas); redução do tônus neuromuscular durante o sono; instabilidade do controle ventilatório; aumento da complacência das paredes faríngeas. Esse colapso impede a passagem normal do ar, causando hipoxemia intermitente, hiperdespertar noturno e fragmentação do sono. Sinais e sintomas: Ronco: Som respiratório ruidoso durante sono; Boca seca ao acordar; Sensação de sono não reparador. Apneia Obstrutiva do Sono: Pausas respiratórias presenciadas por terceiros; Sonolência diurna excessiva; Cefaleia matinal; Irritabilidade, déficit de atenção e memória; Desempenho acadêmico ou profissional prejudicado. ronco e a apneia obstrutiva do sono configuram-se como distúrbios respiratórios de elevada prevalência e impacto sistêmico, com implicações diretas na saúde cardiovascular, metabólica e neurocognitiva. Embora ronco, isoladamente, possa ser interpretado como um evento benigno, sua presença frequente deve ser considerada um marcador de risco para a instalação e progressão de obstruções mais significativas das vias aéreas superiores, culminando na apneia obstrutiva do sono. UNIDADE 2 ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORAL 38TÓPICO 3 Tipos Respiratórios e Síndrome do Respirador Oral A respiração é uma função vital para a manutenção da vida, sendo essencial para a oxigenação dos tecidos e funcionamento adequado do organismo. Ela influencia diretamente crescimento craniofacial, a oclusão dentária, a postura corporal e o desempenho das funções orofaciais como mastigação, deglutição e fala. Em condições ideais, a respiração deve ocorrer prioritariamente pelas vias nasais, que são preparadas para aquecimento, filtração e umidificação do ar inspirado. Esse padrão respiratório é fundamental para desenvolvimento harmonioso do sistema estomatognático. Alterações nesse padrão podem levar a consequências sistêmicas e ao desenvolvimento de condições como a Síndrome do Respirador Oral. 3.1 Tipos Respiratórios: padrão respiratório é classificado de acordo com a via predominante de passagem do ar: Respiração Nasal: é considerada o padrão fisiológico ideal. respirador nasal é aquele que utiliza exclusivamente o nariz para a entrada e saída de ar durante a respiração. ar é filtrado por pelos e muco nasal, retendo partículas e agentes patogênicos. É aquecido e umidificado, protegendo as vias aéreas inferiores. Estimula crescimento harmônico das estruturas craniofaciais. Favorece uma postura lingual correta, necessária para a articulação precisa dos sons da fala. UNIDADE 2 ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORAL 39Características de um respirador nasal: lábios selados em repouso; língua posicionada no palato duro (céu da boca); boa tonicidade dos músculos periorais; desenvolvimento facial equilibrado, com terço médio bem projetado. Lembrando que a respiração nasal permite a filtragem, umidificação e aquecimento do ar, além de favorecer o crescimento transversal da maxila. Respiração Oral (Bucal): caracteriza-se pela entrada e saída de ar predominantemente pela boca. Esse tipo respiratório pode ser ocasional (em situações de obstrução nasal temporária) ou habitual, quando mantido de forma contínua. respirador oral utiliza a boca para respirar, mesmo em situações de repouso. Pode ser ocasionado por obstruções nasais (hipertrofia de adenoide, amígdalas, rinite alérgica), hábitos orais deletérios (uso prolongado de chupeta, sucção digital); hipotonia muscular orofacial. Como consequência, ocorre a não filtração adequada do ar, aumenta a incidência de infecções respiratórias, compromete o desenvolvimento craniofacial, gerando alterações orofaciais. Características de um respirador oral: lábios entreabertos ou incompetentes em repouso; língua em posição baixa ou anteriorizada; alterações na postura corporal (projeção anterior da cabeça); crescimento facial verticalizado (face longa). Respiração Mista (Oral e Nasal): ocorre quando o indivíduo utiliza simultaneamente a boca e nariz para respirar. Frequentemente, é um estágio intermediário entre a respiração nasal normal e a respiração bucal habitual, podendo indicar o início de disfunções orofaciais. Características: lábios frequentemente entreabertos; uso compensatório da boca em situações específicas (exercício físico, dormir); tendência a apresentar alterações orofaciais semelhantes às do respirador bucal, mas geralmente em menor grau. 3.2 Síndrome do Respirador Oral A Síndrome do Respirador Oral é um conjunto de sinais e sintomas decorrentes da respiração habitual pela boca. Esta condição vai além da simples troca de via respiratória, afetando profundamente o crescimento e desenvolvimento das estruturas orofaciais e sistêmicas. UNIDADE 2 ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORAL 40Ela é multifatorial e pode envolver: Fatores obstrutivos: hipertrofia de adenoides, desvios de septo, rinite alérgica; Fatores funcionais: alterações no tônus muscular, flacidez labial; Fatores ambientais: exposição precoce a poluentes ou alérgenos; Hábitos orais prolongados (uso prolongado de chupetas, sucção digital); Os indivíduos que apresentam a síndrome do respirador oral têm como características: Lábios entreabertos (em repouso) e hipotônicos; Palato ogival (alto e estreito); Mordida aberta anterior; Posição da cabeça projetada para frente; Voz anasalada ou rouquidão / Voz com ressonância alterada; Sono agitado, roncos e apneias noturnas; Alterações na mastigação (mastigação de boca aberta); Dificuldade na deglutição / Deglutição atípica; Interposição lingual; Alterações articulatórias; Face alongada e estreita; Olheiras (devido à má oxigenação); Nariz estreito e ponte nasal elevada; Língua baixa e hipotônica; Alterações dentárias; tratamento é baseado em remoção da causa da obstrução nasal (quando presente), reabilitação miofuncional orofacial para restaurar o padrão de respiração nasal, exercícios de fortalecimento da musculatura orofacial, treinamento de fechamento labial, postura lingual e respiração adequada e trabalho interdisciplinar para correção ortodôntica e tratamento médico. A respiração nasal é fundamental para a saúde geral e o desenvolvimento orofacial. A identificação precoce do padrão de respiração oral e da Síndrome do Respirador Oral é essencial para a instituição de medidas terapêuticas adequadas, minimizando impactos negativos na qualidade de vida do indivíduo. UNIDADE 2 ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORAL 41TÓPICO 4 Alterações Craniofaciais: Fissuras Labiopalatinas As fissuras labiopalatinas (FLP) constituem a anomalia congênita craniofacial mais prevalente na população mundial. A prevalência de fissuras labiopalatinas no Brasil é de aproximadamente 1 a cada 650 nascidos vivos, conforme dados do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho) da Universidade de São Paulo (USP) (HRAC, online), referência nacional no tratamento dessas malformações congênitas. Trata-se de uma alteração do desenvolvimento embrionário da face que pode comprometer estruturas como o lábio, o palato duro e mole e a crista alveolar, resultando em implicações funcionais e psicossociais significativas para indivíduo e interfere diretamente nas funções orofaciais, como alimentação, fala, respiração e desenvolvimento craniofacial. desenvolvimento embrionário craniofacial é um processo complexo, dinâmico e controlado geneticamente. Esse processo se inicia precocemente durante período gestacional, sendo controlado por indução recíproca entre os tecidos embrionários que circundam a região do tubo neural recém-formado (Trindade et al., 2025). A formação embrionária da face e do palato, a fusão dos processos nasais, maxilares e mandibulares, ocorre entre a e semana de gestação. A não fusão dessas estruturas resulta em fissuras labiais (anteriormente) e palatinas (posteriormente). Considerando que as fissuras labiopalatinas ocorrem em uma fase precoce da gestação, em alguns casos, é possível diagnosticar essa alteração por meio de exames de ultrassonografia durante o acompanhamento pré-natal. UNIDADE 2 ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORAL 42As causas são multifatoriais: Genéticas: síndromes (ex.: Síndrome de Van der Woude, Síndrome de Treacher Collins); Ambientais: tabagismo, alcoolismo, deficiência de ácido fólico, diabetes materno, uso de medicamentos teratogênicos. 4.1 Classificação das Fissuras As fissuras labiopalatinas podem ser classificadas como: unilaterais ou bilaterais; incompletas ou completas; sindrômicas ou não sindrômicas. IMAGEM 1: FISSURA LABIAL E FISSURA PALATINA LÁBIO LEPORINO E FENDA PALATINA LÁBIO LEPORINO LÁBIO NORMAL FENDA UNILATERAL BILATERAL Fonte: adaptado de Shutterstock ID: 1953957748 Embriologicamente, considera-se que na ausência de união entre segmento intermaxilar e os processos maxilares, uni ou bilateralmente, ocorre a fissura de lábio uni ou bilateral, completa ou incompleta. Nos casos em que, além da ausência de união entre segmento intermaxilar e os processos maxilares (uni ou bilateralmente), sucederá, concomitantemente, falha de fusão entre os processos palatinos, ocorrerá a fissura de lábio e palato (uni ou bilateral). Por fim, nos casos em que houver somente a deficiência de fusão entre os processos palatinos, ocorre a fissura de palato, que pode ser completa ou incompleta. UNIDADE 2 ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORAL 43Assim, na definição dos tipos morfológicos das fissuras mais comuns (também chamadas de fissuras típicas), especialmente considerando a fundamentação embriológica de acordo com as estruturas acometidas, as fissuras labiopalatinas podem ser agrupadas em três grandes grupos de fenótipos fissura de lábio, fissura de lábio e palato ou labiopalatina, e fissura de palato. Além destas categorias, há, ainda, as fissuras raras da face (também chamadas de fissuras atípicas), que acometem outras regiões e estruturas e foram descritas em detalhe (Trindade et al., 2025). E sua classificação anatômica: Pré-forame incisivo: lábio, com ou sem acometimento do alvéolo); Pós-forame incisivo: palato duro e/ou mole; Transforame incisivo: lábio, alvéolo e palato; Fissuras raras: fissura submucosa, fissura facial oblíqua ou lateral, fissuras medianas. Sobre as fissuras raras, temos a fissura submucosa, que é uma forma "oculta" de fissura palatina. Ela ocorre quando a mucosa do palato está intacta visualmente, mas as estruturas musculares subjacentes (como músculo levantador do véu palatino) não se fundiram corretamente durante desenvolvimento embrionário. Dessa maneira, sua característica vem com um palato aparentemente normal à inspeção, pode apresentar a tríade diagnóstica clássica como: úvula bífida, linha esbranquiçada na linha média do palato duro (zona translúcida), palpação de falha muscular (diástase) no palato mole. Essa fissura pode estar associada à disfunção de fala (disfonia nasal, fala anasalada, compensação articulatória), disfagia leve, e até otites recorrentes (pela disfunção da tuba auditiva). A fissura facial oblíqua é uma fissura rara e extensa, que se estende da comissura labial até olho, passando pela bochecha, muitas vezes associada a deformações oculares e nasais. Resulta da falha de fusão entre processo maxilar e o processo nasal lateral. E pode causar: exposição das estruturas intraorais, anomalias nas pálpebras e globo ocular, lacrimação alterada. Frequentemente é uma fissura unilateral e pode ocorrer isolada ou com outras malformações. As FLP impactam de forma significativa as funções do sistema estomatognático. Como suas principais alterações na alimentação, podemos encontrar desde dificuldade de sucção eficaz nos neonatos (especialmente nas fissuras palatinas), escape nasal de leite e incoordenação entre sucção, deglutição e respiração. UNIDADE 2 ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORAL 44Muitos pacientes apresentam respiração oral ou mista, causada por hipotonia orofacial, obstruções nasais secundárias à malformação, hipertrofia de adenoides a amígdalas. Algumas consequências incluem alterações posturais, impacto no crescimento facial e comprometimento da função velofaríngea. A fala pode ser comprometida tanto por causas estruturais quanto funcionais. Tendo possíveis alterações como hipernasalidade, emissão nasal audível, articulações compensatórias (sons glóticos, faríngeos) e redução da inteligibilidade. Quando à disfunção velofaríngea, essa condição em que fechamento velofaríngeo é ineficiente para a produção de fala. As alterações musculares e estruturais podem levar a um tônus muscular alterado, mastigação ineficiente e deglutição atípica. A compreensão das fissuras labiopalatinas e craniofaciais ultrapassa a dimensão anatômica e funcional, alcançando um campo de atuação que exige do fonoaudiólogo sensibilidade clínica, conhecimento científico sólido e habilidade para o trabalho interdisciplinar. Reconhecer que cada paciente é único em suas necessidades, potencialidades e trajetórias reforça a importância de uma abordagem personalizada e centrada na pessoa. A formação acadêmica deve, portanto, estimular a análise crítica, o raciocínio clínico-reflexivo e compromisso ético com a promoção da qualidade de vida. Cabe ao futuro fonoaudiólogo ser agente ativo de transformação, integrando ciência e humanismo na prática assistencial e contribuindo para a evolução contínua das abordagens terapêuticas na área da motricidade orofacial. UNIDADE 2 ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORAL 45SAIBA MAIS Você sabia que a respiração oral pode alterar padrão do crescimento dos da face já na primeira infância? Estudos mostram que crianças que mantêm respiração bucal por tempo prolongado tendem a desenvolver a chamada "síndrome da face longa", caracterizada por uma face estreita, alongada e com olheiras acentuadas. Essas alterações não são apenas estéticas: comprometemfunções vitais como mastigação, deglutição fala. Além disso, um padrão respiratório inadequado na infância pode aumentar risco de distúrbios do sono, dificuldades de aprendizagem e problemas comportamentais, perpetuando um ciclo de impacto negativo ao longo da vida. Isso destaca a importância do olhar fonoaudiológico precoce e interdisciplinar para evitar consequências severas na saúde global do indivíduo. Fonte: Hitos et al. (2013). REFLITA É mais fácil construir uma criança forte do que reparar um adulto quebrado." Frederick Douglass. UNIDADE 2 ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORAL 46CONSIDERAÇÕES FINAIS Chegamos ao final da nossa segunda unidade! Espero que você tenha aproveitado ao máximo os conhecimentos apresentados aqui. Mas calma, você sabe que os estudos sobre esses assuntos não acabam aqui, né? Agora é aquele momento de procurar por mais informações, continuar suas pesquisas em sites, revistas, artigos científicos, livros e vídeos, ou até mesmo com profissionais de outras áreas que trabalham com casos de motricidade orofacial como ronco e apneia e fissuras labiopalatinas a fim de enriquecer ainda mais seu repertório sobre o assunto! Em conclusão, conhecimento aprofundado nas funções do sistema estomatognático é essencial para a prática fonoaudiológica. A compreensão das interações entre estruturas, funções e disfunções permite um diagnóstico mais preciso e uma intervenção mais eficaz. O conhecimento sobre os tipos e padrões respiratórios, assim como as alterações dos sistemas estomatognáticos, será essencial para a prática de todas as áreas da fonoaudiologia. A compreensão dos princípios fundamentais dessa disciplina será crucial para desenvolvimento de estratégias e intervenções que atendam às necessidades específicas de cada queixa e indivíduo. Na próxima unidade, iremos abordar sobre patologias da deglutição, hábitos orais deletérios e suas consequências, desenvolvimento craniofacial e classificações faciais, mastigação normal e alterada, tipos de mordida; dentição decídua e permanente; formação de bolo alimentar e deglutição atípica e adaptada. Já estou ansiosa para abordar esses temas com vocês. Espero vocês na próxima unidade, até breve. UNIDADE 2 ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORAL 47LEITURA COMPLEMENTAR Caro(a) aluno(a), que tal fazermos uma leitura complementar sobre esse capítulo? Deixo a seguir uma sugestão de leitura: Artigo: A Terapia Miofuncional Orofacial ao Paciente Roncador Resenha: esse artigo buscou discutir sobre a apneia obstrutiva do sono e uma de suas principais implicações: o ronco, bem como as alterações miofuncionais mais encontradas relacionadas a ele, e os métodos terapêuticos utilizados para seu tratamento, tendo como foco a terapia miofuncional orofacial. Por meio da análise da literatura pudemos concluir neste estudo que a Terapia Miofuncional Orofacial resulta em melhora significativa no número de paradas respiratórias, bem como uma diminuição considerável do ronco e da sonolência diurna na percepção do ronco, qualidade de sono e consequentemente na qualidade de vida dos indivíduos portadores de apneia obstrutiva do sono. Fonte: Costa, K. T.X. de S.P. (2023). A TERAPIA MIOFUNCIONAL OROFACIAL PACIENTE RONCADOR. Revista Ibero-Americana De Humanidades, Ciências E Educação, 9(3), 1776-1784. Disponível em: https://periodicorease.pro.br/rease/article/ view/9011 UNIDADE 2 ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORAL 48MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Tratado de Fissuras Labiopalatinas Avanços Diagnóstico e Tratamento Interdisciplinar Título: Tratado de Fissuras Labiopalatinas: Avanços no Inge Elly Trindade Ivy Kiemle Trindade-Suedam Sergio Henrique Kiemle Trindade Diagnóstico e Tratamento Interdisciplinar. Ana Claudia Martins Sampaio-Teixeira Autor: Trindade et al. Editora: Thieme Revinter Sinopse: Leitura da Parte - Aspectos morfológicos. capítulo aborda a embriologia craniofacial e a morfologia das fissuras Thieme Revinter orofaciais. Objetivo: Aprofundar o conhecimento sobre a formação das fissuras e o desenvolvimento normal. Julia Owen Wilson Jacob Tremblay Sonia Braga FILME Título: Extraordinário. Ano: 2017 Sinopse: filme conta a história de August Pullman (Auggie), um menino que nasceu com uma síndrome genética (a Síndrome de Treacher Collins), que causa várias deformidades faciais, extraordinário incluindo uma fissura labiopalatina. Ele passa por diversas 07 de dezembro nos cirurgias e enfrenta muitos desafios sociais ao começar a frequentar a escola regular pela primeira vez. UNIDADE 2 ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORAL 49REFERÊNCIAS HITOS, Silvia F.; ARAKAKI, Renata; SOLÉ, Dirceu; WECKX, Luc L.M. Oral breathing and speech disorders in children. Journal of Pediatrics (Rio J.), São Paulo, 2013. Disponível em: em: 2 maio 2025. HOSPITAL de reabilitação de anomalias craniofaciais (USP). Fissura labiopalatina. HRAC-USP, Bauru, [202-]. Disponível em: Acesso em: 2 maio 2025. LOPES, Leonardo; MACHADO, Ana paula L.; AZONI, Cíntia Alves S.; et al. Tratado de fonoaudiologia. 3. ed. Barueri: Manole, 2024. SUSANIBAR, Franklin; MARCHESAN, Irene Queiroz; FERREIRA, Vicente José Assencio; et al. Motricidade orofacial: fundamentos neuroanatômicos, fisiológicos e linguísticos. Ribeirão Preto: Book 2015. TRINDADE, Inge Elly Kiemle; et al. Tratado de fissuras labiopalatinas: avanços no diagnóstico e tratamento interdisciplinar. Rio de Janeiro, RJ: Thieme Revinter, 2025. UNIDADE 2 ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORAL 50

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