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Antônio Joaquim Severino METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO EDIÇÃO REVISTA E ATUALIZADA REIMPRESSÃO Dados Internacionais de Catalogação da Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Severino, Antônio 1941 Metodologia do trabalho cientifico / Antônio Joaquim Severino. - 24. ed. rev. e atual. - São Paulo : 2016 Bibliografia ISBN 978-85-249-2448-4 1. Metodologia 2. Método de estudo 3. Pesquisa 4. Trabalhos I. Título. 16-03313 CDD-001.42 para catálogo sistemático: 1. Metodologia de pesquisa 001.42 CORTEZ 2. Pesquisa Metodologia 001.42 EDITORA124 Antônio Joaquim Severino Metodologia do Trabalho 125 3.4. MODALIDADES E METODOLOGIAS DE tornando-se assim paradigmático para a constituição das ciências, inclu- sive daquelas que pretendiam conhecer também mundo humano. Mas PESQUISA CIENTÍFICA logo os cientistas se deram conta de que conhecimento desse mundo humano não podia reduzir-se, impunemente, a esses parâmetros e cri- térios. Quando homem era considerado como um objeto puramente Como se viu, a ciência se constitui aplicando técnicas, seguindo natural, seu conhecimento deixava escapar importantes aspectos rela- um método e apoiando-se em fundamentos epistemológicos. Tem assim cionados com sua condição específica de sujeito; mas, para garantir essa elementos gerais que são comuns a todos processos de conhecimento especificidade, método experimental-matemático era ineficaz. que pretenda realizar, marcando toda atividade de pesquisa. Mas, além da Quando se fala de pesquisa quantitativa ou qualitativa, e mesmo possível divisão entre Ciências Naturais e Ciências Humanas, ocorrem di- quando se fala de metodologia quantitativa ou qualitativa, apesar da ferenças significativas no modo de se praticar a investigação científica, em liberdade de linguagem consagrada pelo uso acadêmico, não se está decorrência da diversidade de perspectivas epistemológicas que se podem referindo a uma modalidade de metodologia em particular. Daí ser pre- adotar e de enfoques diferenciados que se podem assumir no trato com ferível falar-se de abordagem quantitativa, de abordagem qualitativa, objetos pesquisados e eventuais aspectos que se queira destacar. pois, com estas designações, cabe referir-se a conjuntos de metodolo- Por essa razão, várias são as modalidades de pesquisa que se po- gias, envolvendo, eventualmente, diversas referências epistemológicas. dem praticar, que implica coerência epistemológica, metodológica e São várias metodologias de pesquisa que podem adotar uma abordagem técnica, para seu adequado desenvolvimento. qualitativa, modo de dizer que faz referência mais a seus fundamentos epistemológicos do que propriamente a especificidades metodológicas. 3.4.1. Pesquisa quantitativa, pesquisa Para saber mais qualitativa ALVES-MAZZOTTI, A. J.; GEWANDSZNAJDER, F. método nas ciên- cias naturais e sociais: pesquisa quantitativa e qualitativa. São Paulo: Pio- Uma primeira diferenciação que se pode fazer é aquela entre a neira, 1998. pesquisa quantitativa e a pesquisa qualitativa. Como vimos, a ciência CHIZZOTTI, Antonio. Pesquisa qualitativa em ciências humanas e nasce, no início da era moderna, opondo-se à modalidade metafísica do ciais. 6. ed. Petrópolis: Vozes, 2014. conhecimento, fundada na pretensão do acesso racional à essência dos DUARTE, Rosália. Pesquisa qualitativa: reflexões sobre trabalho de cam- objetos reais e afirmando a limitação de nosso conhecimento à feno- po. Cadernos de Pesquisa. São Paulo, n. 115, 139-154, mar. 2002. menalidade do real. E esse conhecimento dos fenômenos, por sua vez, FLICK, Uwe. Introdução à pesquisa qualitativa. Porto Alegre: Grupo A, limitava-se à expressão de uma relação funcional de causa a efeito que 2008. só podia ser medida como uma função matemática. Por isso, toda lei GODOY, Arilda Schmidt. Introdução à pesquisa qualitativa e suas possibili- científica revestia-se de uma formulação matemática, exprimindo uma dades. RAE Revista de Administração de Empresas, São Paulo, V. 35, n. 2, 57-63, 1995. relação quantitativa. Daí a característica original do método científico ser GÜNTHER, Hartmut. Pesquisa Qualitativa versus Pesquisa Quantitativa: sua configuração experimental-matemática esta é a questão? Psicologia: Teoria e Pesquisa, V. 22, n. 2, 201-210, Esse modelo de conhecimento científico, denominado positivista, maio-ago. 2006 adequou-se perfeitamente à apreensão e ao manejo do mundo físico,3.4.2. Pesquisa etnográfica acompanhando todas as ações praticadas pelos sujeitos. Observando as manifestações dos sujeitos e as situações vividas, vai registrando descriti- A pesquisa etnográfica visa compreender, na sua cotidianidade, vamente todos elementos observados bem como as análises e consi- processos do dia a dia em suas diversas modalidades, modos de derações que fizer ao longo dessa participação. vida do indivíduo ou do grupo social. Faz um registro detalhado dos aspectos singulares da vida dos sujeitos observados em suas relações Para saber mais socioculturais. Trata-se de um mergulho no microssocial, olhado com BRANDÃO, Carlos R. (Org.). Repensando a pesquisa participante. São uma lente de aumento. Aplica métodos e técnicas compatíveis com Paulo: Brasiliense, 1984. a abordagem qualitativa. Utiliza-se do método etnográfico, descritivo DEMO, Pedro. Pesquisa participante: saber pensar e intervir juntos. Brasília: Liber Livro, 2004. por excelência. NORONHA, Olinda M. Pesquisa participante: repondo questões teórico- Para saber mais -metodológicas. In: FAZENDA, Ivani (org.). Metodologia da pesquisa educa- cional. São Paulo: Cortez, 2001, p.137-143. ANDRÉ, Marli. Etnografia da prática escolar. 5. ed. Campinas: Papirus, 1995. ROCHA, M. L. da; AGUIAR, K. F. de. Pesquisa-intervenção e a produção de novas análises. Psicologia: Ciência e Profissão, v.23, n. 4, p. 64-72, 2003. LAPLANTINE, F. Aprender antropologia. São Paulo: Brasiliense, 1994. SCHMIDT, M. Luisa Sandoval. Pesquisa participante: alteridade e comunida- LUDKE, ANDRÉ, M. D. Pesquisa em Educação: abordagens des interpretativas. Psicologia V. 17, n. 2, 11-41, 2006. qualitativas. 5. ed. São Paulo: EPU, 1986. 123 p. OLIVEIRA, R. C. de. trabalho do antropólogo. 2. ed. Brasília: Paralelo 15, 2000. PEIRANO, Marisa. A favor da etnografia. Rio de Janeiro: Relume 3.4.4. Pesquisa-ação Dumará, 1994. ROCHA, Ana Luiza Carvalho da; ECKERT Cornelia. Etnografia: saberes e A pesquisa-ação é aquela que, além de compreender, visa intervir práticas. In: PINTO, Céli Regina Jardim; GUAZZELLI, César Augusto Bar- na situação, com vistas a modificá-la. O conhecimento visado articula-se cellos. Ciências Humanas: pesquisa e método. Porto Alegre: Editora da a uma finalidade intencional de alteração da situação pesquisada. Assim, UFRGS, 2008. 9-24. ao mesmo tempo que realiza um diagnóstico e a análise de uma deter- minada situação, a pesquisa-ação propõe ao conjunto de sujeitos envol- vidos mudanças que levem a um aprimoramento das práticas analisadas. 3.4.3. Pesquisa participante Para saber mais É aquela em que pesquisador, para realizar a observação dos fe- MIRANDA, Marilia Gouvea de; RESENDE, Anita C. Azevedo. Sobre a pes- nômenos, compartilha a vivência dos sujeitos pesquisados, participando, quisa-ação na educação e as armadilhas do praticismo. Revista Brasileira de forma sistemática e permanente, ao longo do tempo da pesquisa, das de Educação, V .11, n. 33, 511-518, 2006. suas atividades. pesquisador coloca-se numa postura de identificação MORIN, André. Pesquisa-ação integral e sistêmica: uma antropopedago- com OS pesquisados. Passa a interagir com eles em todas as situações, gia renovada. Rio de Janeiro: DP&A, 2004.THIOLLENT, Michel. Metodologia da pesquisa-ação. 14 ed. rev. e aum. VENTURA, Magda M. estudo de caso como modalidade de pesquisa. São Paulo: Cortez, 2005. Revista SOCERJ, Rio de Janeiro, V. 20, n. 5, p. 383-386, 2007. TRIPP, David. Pesquisa-ação: uma introdução metodológica. Educação e YIN, Robert K. Estudo de caso. Porto Alegre: Bookman-Artmed, 2001. Pesquisa, São Paulo, V. 31, n. 3, p. 443-466, set./dez. 2005 3.4.6. Análise de conteúdo 3.4.5. Estudo de caso É uma metodologia de tratamento e análise de informações cons- tantes de um documento, sob forma de discursos pronunciados em di- Pesquisa que se concentra no estudo de um caso particular, consi- ferentes linguagens: escritos, orais, imagens, gestos. Um conjunto de derado representativo de um conjunto de casos análogos, por ele signi- técnicas de análise das comunicações. Trata-se de se compreender criti- ficativamente representativo. A coleta dos dados e sua análise se dão da camente sentido manifesto ou oculto das comunicações. mesma forma que nas pesquisas de campo, em geral. Envolve, portanto, a análise do conteúdo das mensagens, caso escolhido para a pesquisa deve ser significativo e bem re- enunciados dos discursos, a busca do significado das mensagens. As presentativo, de modo a ser apto a fundamentar uma generalização para linguagens, a expressão verbal, enunciados, são vistos como indi- situações análogas, autorizando inferências. Os dados devem ser coleta- cadores significativos, indispensáveis para a compreensão dos proble- dos e registrados com necessário rigor e seguindo todos procedi- mas ligados às práticas humanas e a seus componentes psicossociais. mentos da pesquisa de campo. Devem ser trabalhados, mediante análise As mensagens podem ser verbais (orais ou escritas), gestuais, figura- rigorosa, e apresentados em relatórios qualificados. tivas, documentais. Para saber mais Sua perspectiva de abordagem se situa na interface da Linguísti- ca e da Psicologia Social. Mas enquanto a linguística estuda a língua, ANDRÉ, Marli E. D. A. de. Estudo de caso em pesquisa e avaliação edu- cacional. Brasília: Liber Livro, 2005. sistema da linguagem, a Análise de Conteúdo atua sobre a fala, sobre sintagma. Ela descreve, analisa e interpreta as mensagens/enunciados FREITAS, Wesley R. JABBOUR, Charbel J. C. Utilizando estudo de caso(s) como estratégia de pesquisa qualitativa: boas práticas e sugestões. Estudo & de todas as formas de discurso, procurando ver que está por detrás Debate, Lajeado, V. 18, n. 2, p. 7-22, 2011. Disponível em: http://www. das palavras. Os discursos podem ser aqueles já dados nas diferentes formas de MAZZOTTI, A. J.A. Usos e abusos dos estudos de caso. Cadernos de Pes- comunicação e interlocução bem como aqueles obtidos a partir de per- quisa, São Paulo, V. 36, n. 129, set./dez. 2006. guntas, via entrevistas e depoimentos. MENDONÇA, Ana Waley. Metodologia para estudo de caso. Palhoça: Unisul Virtual, 2014. Disponível em: http://busca.unisul.br/pdf/restrito/ 000003/0000034B.pdfdo Para saber mais 3.4.7. Pesquisa bibliográfica, pesquisa BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 1979. documental, pesquisa experimental, Ricardo Bezerra; CALIXTO, Pedro; Marta Macedo Pinheiro. Análise de conteúdo: considerações gerais, relações com a per- pesquisa de campo gunta de pesquisa, possibilidades e limitações do método. Inf. & Soc., João Pessoa, V. 24, n .1, 13-18, jan./abr. 2014. Com referência à natureza das fontes utilizadas para a abordagem FRANCO, M. Laura P. B. Análise do conteúdo. Editora Plano, e tratamento de seu objeto, a pesquisa pode ser bibliográfica, de labora- 2003. (Série Pesquisa em Educação, 6.) tório e de campo. M. Laura P.B. que é análise de conteúdo. Cadernos de Psico- A pesquisa bibliográfica é aquela que se realiza a partir do re- logia da Educação, São n. 7, 1-31, ago. 1986 gistro disponível, decorrente de pesquisas anteriores, em documentos MORAES, Roque. Análise de Revista Educação, Porto Alegre, V. 22, n. 37, 7-32, 1999. impressos, como livros, artigos, teses etc. Utiliza-se de dados ou de ca- tegorias teóricas já trabalhados por outros pesquisadores e devidamente OLIVEIRA, ANDRADE, D.; MUSSIS, C. R., Análise de con- teúdo e pesquisa na área de educação. Revista Diálogo Curi- registrados. Os textos tornam-se fontes dos temas a serem pesquisados. V. n. p. 11-27, maio/ago. 2003. pesquisador trabalha a partir das contribuições dos autores dos estu- F. Da intimidade aos quiprocós: uma discussão em torno da dos analíticos constantes dos textos. análise de conteúdo. Caderno CERU, São Paulo, n. 16, p. 69-80, 1981. No caso da pesquisa documental, tem-se como fonte documen- SILVA, Cristiane GOBBI, Beatriz C.; SIMÃO, Ana Adalgisa, 0 uso da tos no sentido amplo, ou seja, não só de documentos impressos, mas análise de conteúdo como uma ferramenta para a pesquisa qualitativa: des- sobretudo de outros tipos de documentos, tais como jornais, fotos, crição e aplicação do método. Organizações Rurais & Agroindustriais filmes, gravações, documentos legais. Nestes casos, os conteúdos dos Revista de Administração da UFLA, Lavras, V. n. 1, 70-81, 2005. textos ainda não tiveram nenhum tratamento analítico, são ainda ma- SIMÕES, S. P. Significado e possibilidades da análise de conteúdo. Tecnolo- gia Educacional, V. 20, n. 102/103, p. 54-57, set./dez., 1991. téria-prima, a partir da qual pesquisador vai desenvolver sua investi- gação e análise. Já a pesquisa experimental toma próprio objeto em sua con- cretude como fonte e coloca em condições técnicas de observação e manipulação experimental nas bancadas e pranchetas de um laborató- rio, onde são criadas condições adequadas para seu tratamento. Para tanto, o pesquisador seleciona determinadas variáveis e testa suas rela- ções funcionais, utilizando formas de controle. Modalidade plenamente adequada para as Ciências Naturais, é mais complicada no âmbito das Ciências Humanas, já que não se pode fazer manipulação das pessoas. Na pesquisa de campo, objeto/fonte é abordado em seu meio ambiente próprio. A coleta dos dados é feita nas condições naturais132 Antônio Severino Metodologia do Trabalho 133 em que os fenômenos ocorrem, sendo assim diretamente observados, Pode ser tomada em três sentidos fundamentais: como técnica sem intervenção e manuseio por parte do pesquisador. Abrange des- de coleta, de organização e conservação de documentos; como de levantamentos (surveys), que são mais descritivos, até estudos ciência que elabora critérios para a coleta, organização, sistemati- mais analíticos. zação, conservação, difusão dos documentos; no contexto da reali- zação de uma pesquisa, é a técnica de identificação, levantamento, 3.4.8. Pesquisa exploratória, pesquisa exploração de documentos fontes do objeto pesquisado e registro explicativa das informações retiradas nessas fontes e que serão utilizadas no desenvolvimento do trabalho. Quanto a seus objetivos, uma pesquisa pode ser exploratória, des- critiva ou explicativa. Documento: em ciência, documento é todo objeto (livro, jornal, está- tua, escultura, edifício, ferramenta, túmulo, monumento, foto, filme, A pesquisa exploratória busca apenas levantar informações so- deo, disco, CD etc.) que se torna suporte material (pedra, madeira, metal, papel etc.) de uma informação (oral, escrita, gestual, so- bre um determinado objeto, delimitando assim um campo de trabalho, nora etc.) que nele é fixada mediante técnicas especiais (escritura, mapeando as condições de manifestação desse objeto. Na verdade, ela é impressão, incrustação, pintura, escultura, construção etc.). Nessa uma preparação para a pesquisa explicativa. condição, transforma-se em fonte durável de informação sobre fe- nômenos pesquisados. A pesquisa explicativa é aquela que, além de registrar e analisar fenômenos estudados, busca identificar suas causas, seja através da aplicação do método seja através da interpre- ENTREVISTA tação possibilitada pelos métodos qualitativos. Técnica de coleta de informações sobre um determinado assunto, 3.4.9. Técnicas de pesquisa diretamente solicitadas aos sujeitos pesquisados. Trata-se, portan- to, de uma interação entre pesquisador e pesquisado. Muito utili- zada nas pesquisas da área das Ciências Humanas. pesquisador As técnicas são OS procedimentos operacionais que servem de me- visa apreender que sujeitos pensam, sabem, representam, diação prática para a realização das pesquisas. Como tais, podem ser fazem e argumentam. utilizadas em pesquisas conduzidas mediante diferentes metodologias e fundadas em diferentes epistemologias. Mas, obviamente, precisam ser ENTREVISTAS NÃO DIRETIVAS compatíveis com métodos adotados e com paradigmas epistemo- lógicos adotados. Por meio delas, colhem-se informações dos sujeitos a partir do seu discurso livre. O entrevistador mantém-se em escuta atenta, regis- DOCUMENTAÇÃO trando todas as informações e só intervindo discretamente para, eventualmente, estimular depoente. De preferência, deve pra- É toda forma de registro e sistematização de dados, informações, ticar um diálogo descontraído, deixando informante à vontade colocando-os em condições de análise por parte do pesquisador. para expressar sem constrangimentos suas representações.ENTREVISTAS ESTRUTURADAS De modo geral, questionário deve ser previamente testado (pré- -teste), mediante sua aplicação a um grupo pequeno, antes de sua São aquelas em que as questões são direcionadas e previamente aplicação ao conjunto dos sujeitos a que se destina, 0 que permite estabelecidas, com determinada articulação interna. Aproxima-se ao pesquisador avaliar e, se for caso, revisá-lo e ajustá-lo. mais do questionário, embora sem a impessoalidade deste. Com questões bem diretivas, obtém, do universo de sujeitos, respostas também mais facilmente categorizáveis, sendo assim muito útil pa- CONCLUINDO... ra desenvolvimento de levantamentos sociais. A ciência, como modalidade de conhecimento, só se processa co- mo resultado de articulação do lógico com real, do teórico com o em- HISTÓRIA DE VIDA pírico. Não se reduz a um mero levantamento e exposição de fatos ou a uma coleção de dados. Estes precisam ser articulados mediante uma Coleta as informações da vida pessoal de um ou vários informan- leitura teórica. Só a teoria pode caracterizar como científicos dados tes. Pode assumir formas variadas: autobiografia, memorial, crôni- empíricos. Mas, em compensação, ela só gera ciência se estiver articu- cas, em que se possa expressar as trajetórias pessoais dos sujeitos. lando dados empíricos. OBSERVAÇÃO Referências epistemológicas são, pois, necessárias para a produ- ção do conhecimento no entanto, elas não seriam fecundas É todo procedimento que permite acesso aos fenômenos estudados. para a realização de uma abordagem significativa dos objetos se não dis- É etapa imprescindível em qualquer tipo ou modalidade de pesquisa. pusessem de mediações técnico-metodológicas. Estas se constituem pelo conjunto de recursos e instrumentos adequados para a exploração das QUESTIONÁRIO fontes mediante procedimentos operacionais. Com efeito, a construção de conhecimento novo pela ciência, entendida como processo de saber, Conjunto de questões, sistematicamente articuladas, que se desti- só pode acontecer mediante uma atividade de pesquisa especializada, nam a levantar informações escritas por parte dos sujeitos pesqui- própria às várias ciências. Pesquisas que, além de categorial epistemoló- sados, com vistas a conhecer a opinião destes sobre os assuntos gico preciso e rigoroso, exigem capacidade de domínio e de manuseio em estudo. As questões devem ser pertinentes ao objeto e clara- de um conjunto de métodos e técnicas específicos de cada ciência que mente formuladas, de modo a serem bem compreendidas pelos sejam adequados aos objetos pesquisados. sujeitos. As questões devem ser objetivas, de modo a suscitar res- postas igualmente objetivas, evitando provocar dúvidas, ambigui- dades e respostas lacônicas. Podem ser questões fechadas ou questões abertas. No primeiro ca- so, as respostas serão escolhidas dentre as opções predefinidas pe- lo pesquisador; no segundo, sujeito pode elaborar as respostas, com suas próprias palavras, a partir de sua elaboração pessoal.